Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015
MAIANGA . XIV

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recuperaVI

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

maianga0.jpg (…) E Ingombota? Aqui há uma mudança. No início da vila aquilo era mato, era lá que se refugiavam os escravos fugitivos, era o primeiro refúgio, o quilombo. Em kimbundo refúgio é ngombota, e essa acção de se esconderem aí baptizou o local. Quando o local passou a ser habitado as pessoas diziam que moravam na ngombota e os portugueses corromperam a expressão adicionando o “I”, ficou Imgombota. É engraçado ver que há nomes da cidade que se mantiveram. A Samba, por exemplo, veio de Elefante: n´samba, em kimbundo, significa elefante. Daí também a tal lagoa dos elefantes de que falámos há pouco. O nome do bairro vem daí!

maianga1.png Luanda passou a ser um conjunto de cidades sítios com características próprias. Olhando para Luanda, consegue imaginar uma cidade que recupere as tardes num jardim com os filhos, a andar de bicicleta, etc., ou na cidade nova a sul? Lamentavelmente, na cidade antiga, mesmo na parte mais moderna, deram cabo de uma grande parte de largos e campos de futebol, não percebo como dizem gostar de futebol sem campos.

maianga4.jpg Agora dizem que vai ser feito um projecto director da cidade, o que poderá preservar algumas coisas… Falta o tal plano, com autoridade suficiente… A nova parte sul da cidade é de um novo modelo, com condomínios… Pode-se considerar isso como vida numa cidade? (Risos...) Não há definições petrificadas, as coisas evoluem, acho que isso faz parte de uma evolução. Nunca estive numa mega cidade como S. Paulo ou cidade do México, que são somas de pequenas cidades. Talvez aí se encontrem exemplos.

maianga3.jpg Quando estive a estudar em Lisboa, por exemplo, vivi num bairro que era mais província, mais campo do que cidade de Lisboa. As pessoas tinham um comportamento que era mais para o lado da província portuguesa do que da cidade. A barreira era apenas uma linha de comboio e uma rua de 80 ou 100 metros. Eram duas formas de vida diferentes. Transformar os musseques em formas urbanas de boa qualidade, e acho muito bem!... Vamos ter uma Luanda com várias cidades? Exacto, vamos ter vários centros urbanos onde espero que haja a capacidade de as pessoas viverem agradavelmente.

(Continua…)

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:41
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Domingo, 29 de Novembro de 2015
FRATERNIDADES . XCVIII

ANGOLA . NAS FINCHAS DO TEMPOFalando de refugiados …

Por

sacag1.jpg Maria João Sacagami - Acreditem, não é mágoa. Não é raiva. Não é coisa alguma que não seja observação.

sacag2.jpgTal como Maria Sacagami, eu e tantos outros sem conta, gente na diáspora fugindo daqui e dali, revi-me em aflições porque o passado sempre me reconheceu na palidez enrugada da crescente velhice! E, já lá vão mais de quarenta anos! Com palavrões dentro da cabeça sempre tentei reconstruir-me a partir do nada mas, aquele imbondeiro colado ao meu costado nunca permitiu que o abandonasse; assim, com ele ando de raízes ao ar, fingindo que aquilo do passado foram só antigas inventações.

sacag3.jpg Com os nomes esvoaçando, pingando raiva de mim aos poucochinhos, fui buscar as novidades fracturadas nas figas e juras por sangue de Cristo como os juramentos que eu fazia em kandengue. Tive medo de espreitar minha vida pelo cano de um revólver; uma vida estriada em verdades misturadas nas mentiras. O texto que se segue de Maria Maria João Sacagami que sirva de alento a outros, porque sei que não foi fácil fazer esse percurso! E, já nem gosto de falar nisto, porque até as palavras se foram cansando no tempo...

sacag4.jpg Eu, Maria Joao Sacagami, quando cheguei ao Brasil, e não possuía um centavo para um café, vinda de uma guerra sem fim, na qual cresci, muitos dos meus amigos mortos, outros que acreditava perdidos para sempre, com 20 anos e a responsabilidade por uma família de mãe e irmã, ofereceram-nos a residência. Com um sorriso e só! Para esclarecer, isto significa um documento que me permitia ficar no país. Não era um tecto, uma casa, ou qualquer coisa parecida. Amigos de Angola dividiram connosco por alguns meses a parca quantidade de arroz que tinham para comer como família, também.

sacag7.jpg Ninguém nos deu casa, dinheiro, roupas, assistência médica. Havíamos queimado as pontes, não poderíamos voltar. Quando cheguei ao Brasil, trazia comigo as visões dos mortos e feridos, os cheiros dos corpos, os sons das balas, dos morteiros e dos gritos, e um desejo profundo de que os sobreviventes resgatados houvessem tido a boa sorte de permanecer vivos.

sacag5.jpg Trazia comigo os pesadelos, os suores frios, as imagens da destruição física dos seres e dos locais que conheci. E, uma porta na alma trancada pela certeza de que não me permitiriam pisar em solo pátrio de novo, o que mais tarde se confirmou! Quando cheguei ao Brasil, como tantos outros, uns mais beneficiados do que eu, porquanto não enfrentaram o que enfrentei tanto na guerra quanto porque tiveram a possibilidade de trazer ao menos uma parcela dos seus haveres outros – tanto, quanto eu; fiquei agradecida pelo que este país tinha a me oferecer.

sacag6.jpg Fiz o que deu para fazer - passei fome, trabalhei por anos e anos 21 a 22 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. Vivi do e para o trabalho até conseguir estabilizar ao menos o mínimo do dia-a-dia. Ergui os ombros e construí, como todos os que vieram comigo daquela guerra civil, onde milhares morreram e milhares perderam tudo menos a vida, quem hoje sou. Estes, uns tiveram escolha, dinheiro e casa doados. Estes uns - não sei quem são! (refere-se aos novos migrantes ou refugiados entrados na Europa e particularmente, em Portugal). Refugiados são indivíduos que aceitam o que lhes dão, porque no desespero de fugir de uma guerra, qualquer coisa é melhor do que aquilo que deixaram.

MJS

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:32
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Sábado, 28 de Novembro de 2015
MOKANDA DO BRASIL . III

TEMPOS DE ESPANTO . LULA Nenhum brasileiro tem tantos amigos na cadeia!!!

Por

lula2.jpgRicardo Keller

amilcar 3.jpg Ele é o novo “pai dos pobres”, o ex-operário que se aposentou bem cedo por um acidente para poder se dedicar à luta contra a pobreza e injustiças. Fundou o Partido dos Trabalhadores. Fundou também o Foro de São Paulo, com Fidel Castro. Um sujeito ético, que iria renovar a forma de se fazer política no país. Como? Juntando-se a todos os velhos caciques ladrões e tentando comprar o resto do Congresso, todo! Os “intelectuais” o amam. Quando ele fala, com língua presa e português errado, “o mundo se ilumina”. Os sindicalistas o veneram, pois é um deles, dos que sempre lutaram contra os capitalistas selvagens. Como? Emprestando bilhões subsidiados do BNDES para poucos e grandes grupos.

fig3.jpg Ele representa o pobre e oprimido contra os gananciosos e exploradores. Como? Bebendo dos vinhos mais caros, andando de jatinho para todo o lado, relaxando num triplex em frente ao mar, com dezenas de milhões em sua conta bancária. E não ouse criticá-lo! Se você o fizer, é porque é parte da elite invejosa, que não tolera tudo o que ele fez pelos mais pobres, enchendo os aeroportos com gente humilde, distribuindo esmolas retiradas do couro da classe média em troca de votos.

rosa1.jpg O homem é quase um santo! É reverenciado no Nordeste, adorado nas rodas da alta sociedade nos Jardins e idolatrado nos meios artísticos do Leblon. Só tem um detalhe: nenhum outro brasileiro tem tantos “amigos do peito” na cadeia. Sim, parece que basta ser seu camarada próximo para ter enorme probabilidade de acabar no xilindró.

lula1.jpgNesse Dia de Acção de Graças, o ex-metalúrgico só deve ter recebido convites para compartilhar do peru em presídios. Vai ter amigo ladrão assim em Cuba! Se esse sujeito tentar se aproximar de você oferecendo alguma coisa, se ele quiser ser seu companheiro, seu amigão, cuidado! Isso significa que você, em breve, poderá ser preso também. Nunca antes na história deste país uma pessoa tão ética se cercou de tantos bandidos. É um ESPANTO!

Lula & friends

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:13
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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XLII

ANGOLA DAS CINZASRETROACTIVIDADESA maka da guerra com raivas  independentistas riscavam os mandamentos de Deus; de um e outro lado chovia metralha… (2ª Capitulo) - 8

Por

t´chingange.jpegT´CHINGANGE

beten1.jpg Já com dezanove anos, comecei a frequentar o Observatório da Mulemba de Bettencourt Faria. Já tinha o curso de Montador Electricista e conjugava meu trabalho de desenhador dos Caminhos de Ferro com os ócios de esquemas eléctricos e vontade de ver mais longe espreitando fora de orbitas, os milagres das ondas modeladas, curtas e encavalitadas, das válvulas e avanços na pesquisa de transístores. No paralém de todas as viagens, via os astros e as galáxias.

beten3.jpg Quando as tardes se sucumbiam buscava coisas que na gíria de todos eram medonhaveis com infinitos e buracos escuros nesse mundo de estrelas. E de coisas inúteis como seringas e agulhas e trastes fundidos ou espalmados substituíam acessórios com tubos e funis, condensadores e corrente alterna ou contínua com ou sem sinusóides que a mente desventrava a partir dum quase-nada. Que procurávamos nós, interrogava Zeca na forma de pergunta às minhas complicadas existências para lá do mundo das almas.

kafu12.jpg Com pinceladas ancoradas no feitiço, cazumbi de crenças de Kifangondo e Kassoneca, superstições da bacia dos Rios Dande e Bengo de onde Zeca Kafundanga era natural, as estrelas iam malembelembe caindo no mundo em forma de fogo. Kafundanga xinguilava a teoria de que ele, nós e o espaço eramos todos parte do Universo mas, sempre na devida dúvida, olhava-me de soslaio desconseguindo chegar nos finalmentes da sabedoria.

luta4.jpgJá não era mais o kandengue das terras de Cassoalála meu mano preto de faz-de-conta, pois tinha as suas próprias teorias; por agora a sua grande preocupação era ser um bom cozinheiro lá na Fábrica de Cimento Cecil conseguindo ficar bem cotado no correr do tempo. Ele mesmo ia juntando umas tralhas de panelas velhas, tubos de lâmpadas fluorescentes, bobines de máquinas queimadas que juntando às minhas, nas horas folgadas levávamos ao Observatório.

super4.jpg A Mulemba do Senhor Bettencourt tornou-se para nós um lugar de exercício voluntário na ajuda ao cientista; um pouco pau para todas as obras tendo como matabicho as palavras sábias dum homem que fazia de nós astronautas. Nós, tinhamos nesse então, apetência em sermos esse tal de professor Pardal; como argonautas da Luua, construíamos nossos sonhos reconstruindo nossa personalidade espacial.

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:30
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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LIX

ANGOLA .  A TROPA FANDANGA - Altura em que se recrutavam as pessoas ás tantas da madrugada nos musseques, para os levar para a guerra…

Por

maga1.jpgLuís Magalhães - Tem uma caneta Parker 21 espacial. Dessas que levam o homem a gatafunhar coisas lindas da Luua, da Angola que jamais esqueceu …

guerri1.jpg Esta foto retracta os primeiros tempos pós Independência de Angola, numa altura em que se contavam espingardas no seio do MPLA no ano de 1976/77. Era num tempo em que havia dentro do Partido duas facções, sendo uma do Dr. Agostinho Neto e a outra do Nito Alves, coisa que como é bom de ver não agradava ao Agostinho Neto uma vez que nunca gostou de dois galos no mesmo poleiro e o resto já toda a gente sabe o que aconteceu!? Mas apesar disto e uma vez que o MPLA não brinca em serviço, não foram estas guerras que os distraíram; não tardou muito eramos todos controlados em Luanda pelo Governo e para isso deram fardas, botas e armas aos seus militantes, sendo que a maioria deles não tinham qualquer preparação militar.

guerri2.jpg Como é de calcular, começaram os abusos dentro da Lei e fora da Lei também, e entre o roubar e matar não havia diferença, já para não falar naqueles desgraçados de quem eles não gostavam e vai daí inventavam um boato e não demorava muito iam parar á Fortaleza, não para fazerem uma visita de estudo nem muito menos ver os azulejos mas sim para serem interrogados!? Era também nesta altura que se recrutavam as pessoas às tantas da madrugada nos musseques, para os levar para a guerra, fazendo com isso que os jovens fossem dormir para os esgotos da cidade e só de lá saírem pela manhã!

guerri4.jpg Eu, ia jantar a casa de um amigo meu que vivia na Chicala e, como trabalhava no turno da noite, fiz o que era usual, peguei na mota e fui trabalhar. Só que desta vez e depois de ter atravessado a ponte da Ilha deparei com uma Patrulha de tropa maçarica que me mandou parar com a palavra; STOP!! Olhei para eles e apercebi-me que suas idades rondavam os 18/20 anos; tirei os documentos da minha carteira e dei-lhos para a mão uma vez que eu já estava cansado de ouvir histórias muito mal terminadas. De maneira o que mesmo era pôr-me andar de ali para fora!

guerri6.jpg Eles olharam para os documentos, depois para a minha mota, mandaram-me descer da mota que para minha desconfiança aquilo já me estava a soar muito mal? Assim mesmo com a cabeça cheia de interrogações. Pensei rapidamente,… mas, que dizer! Foi quando lhes perguntei qual era o problema. O mais alto deles apontou-me a arma logo seguido pelos camaradas e mandaram-me descer novamente… Foi aqui que eu com alguma calma, disse o seguinte: É pá, eu quero falar com o teu superior uma vez que é ele quem tem voz de comando e não vocês? E olhei então para o Jeep onde estava um graduado sentado a ouvir musica.

guerri5.jpg Sem mais conversa, fui ter com ele num passo ligeiro perante o espanto dos maçaricos ao ver a minha audácia! Posso dizer agora que andei os meus seis metros mais cagalosos da minha vida, pensando levar até uma rajada pelas costas. Chegado ao Jeep, cumprimentei o graduado com um aperto de mão e disse assim: Sinceramente camarada, ainda não percebi qual é a maka aqui neste posto de controlo uma vez que apresentei os documentos todos e, se estou a andar fora do recolher obrigatório é porque tenho o livre-trânsito porque vou trabalhar!

guerri7.jpg O dito camarada comandante pediu os meus documentos aos seus subordinados e depois de os analisar com sete olhos, dispensou os maçaricos com um olhar felino. Virando-se para mim disse o seguinte: - Camarada, tu desculpa os meus subalternos, puseram-lhe só uma farda no corpo e uma arma nas mãos e, às vezes fazem maka de túji?! Devolveu-me os documentos ordenando aos camaradas, tropa fandanga, que me deixassem ir. Já de lampeiro, com a mota a trabalhar e guardando os respectivos documentos pude ouvir o camarada comandante muito irritado a falar assim: - É por estas e por outras, que os Portugueses se estão a ir embora!!!!!

Luis Magalhães in Kizomba com Histórias da vida

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:56
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2015
​XICULULU . LXI

PONTOS DE VISTA - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

palmi0.jpgNa percepção parcial das vitais contingências, tecidas e compostas nas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, por fortuitos efeitos que determinam o futuro próximo e distante. Como um risco feito no chão, nem sempre se escolhe o dedo ou arado, nem por onde fazer o rego, que por coisa pouca, muda nossas vidas. O torrão da vida é um espaço de milagre cujo futuro atento ao passado, vira fio invisível num falso perpétuo. Conheço bem o amor do início de todas as idades com promessas e sonhos próprios de quem não consegue substituir-se no lugar, de quem mata friamente.

palmi1.jpg E, se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado e, embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não nos ver. Nunca poderia imaginar nos meus idos tempos de sonhos e quimeras antigas, ver por televisão a decapitação de seres humanos como se galinhas fossem, com uma frieza despendurada em um confrangedor terror.

palmi2.jpg Nunca pensei que ver isto, seria possível só por coisa pouca, por não saber um verso do Corão, desdenhar do Alá, por comer carne de porco ou por ter um cruxifixo preso a um fio pendurado ao peito. Numa dor silenciosa com ramelas secas, assiste-se à destruição de cidades milenares, depósito de nossos antepassados que também tinham olhos e orelhas, e que fizeram o ninho berço de nossa civilização com legados de símbolos. Suas figuras de pedra, sua sapiência cuja história foi forjada ao longo dos séculos, desaparecerem assim com o simples apertar de um botão ou o puxar de um gatilho.

palmi3.jpg Cenas de dor profunda! O cruxifixo arrancado, de pesado que era, foi utilizado como martelo para destruir cabeças, pés e corpos com utensílios o simbolos usados em tempos antes e depois de Cristo. Gente que não respeita nada, que tudo dinamita; estátuas sem sangue nem vísceras. Durante os conflitos na Síria, Apamea foi danificada de tal forma que muitos historiadores acreditam que nunca poderá ser restaurada.

palmi4.jpg Sob domínio do grupo que se autodenomina "Estado Islâmico" ("EI"), a cidade histórica de Palmira foi quase varrida do mapa pelos jihadistas, segundo autoridades sírias e activistas. O mundo estarrecido condensa-se em coragem sem compreender e corresponder ao tamanho dos lamentos. Sem defesa para aqueles fedores de raivas e costumes pervertidos de cautelas, tudo se passa como se estivesse do outro lado dum muro; dum outro lado do mundo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:47
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XLI

ANGOLA Velhos quebrantos - No reino do Kongo muito antes da chegada dos portugueses já existia o comércio de escravos… 3ª de 3 Partes

Por

luis0.jpg Luís Martins Soares (Soba T´Chindere) - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes; Um contador de estórias de que dá gosto ler aos candengues do kimbo (reside no Brasil) …

O africano e o tráfico de escravos

luis39.jpg É a partir daqui que se iniciará a conquista pelos portugueses desta região de África. Na chegada do navegador Diogo Cão ao Reino do Kongo, Kongo dya Ntotila ou Wene wa Kongo ou em português: Reino do Congo fez alianças com o manicongo (que significa senhor ou governante do reino do Congo) Nzinga Nkuwu. O reino do Kongo era bastante desenvolvido quando da chegada de Diogo Cão, comercializando cobre, metais ferrosos, ráfia e cerâmica. Tinham habilidade para a escultura incluindo o talhe de máscaras. Pertencem ao Grupo Étnico dos Bantos.

luis38.jpeg Segundo José Redinha (1905-1983) pesquisador e etnólogo português e angolano de coração, escreveu entre outros o estudo “DISTRIBUIÇÃO ÉTNICA DE ANGOLA”, obra editada pelo IICA – Instituto de Investigação Cientifica de Angola, onde menciona que foi estabelecido para os Bantos angolanos várias subdivisões étnicas pertencendo nesta relação, entre outros, o Grupo Quicongo. No reino do Kongo muito antes da chegada dos portugueses já existia o comércio de escravos, mas após a chegada destes o Reino do Kongo tornou-se um importante fornecedor de escravos para os comerciantes portugueses e para outras potências europeias. Havia forte resistência dos nativos à penetração portuguesa para o interior.

luis40.jpg Os portugueses tinham esperança quando da chegada àquelas terras de encontrarem metais preciosos e se nas terras do N´gola haveria prata. Não encontraram esse metal precioso e perceberam que um negócio muito lucrativo seria investirem no comércio de escravos já existente adquirindo-os junto aos povos do litoral. Os escravos eram capturados em guerras ou ataques organizados entre grupos étnicos e vendidos aos europeus. A condenação à escravidão era uma pena utilizada pelos sobas para castigar os delinquentes. Em tempos de grande fome, o indivíduo sem meios de subsistência podia também oferecer-se para escravo, a fim de ter que comer: era o “corpo vendido”.

luis41.jpg Os principais comerciantes de escravos do Atlântico, ordenados por volume de comércio, foram: os impérios Português, Britânico, Francês, Espanhol e Neerlandês, além dos Estados Unidos (especialmente a região sul). Nos países colonizados pelos europeus, os historiadores, sistema educacional e governos jamais vão admitir a participação dos próprios africanos no tráfico negreiro, mesmo sabendo esse lado terrível da história de negros contra negros, camuflando hipocritamente a verdadeira história em que todos fomos culpados.

Fonte de consulta: Do Cabo de Sta. Catarina à Serra Parda de Carlos Alberto Garcia; A Conquista Portuguesa de Angola de David Birmingham.

FINAL

Monangamba – Do kimbundu - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:14
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2015
MAIANGA . XIII

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera – V

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

mutamba7.jpg (…) Além das transformações arquitectónicas, físicas, há um coro de lamentações sobre a qualidade de vida na cidade. Com o que é que se perde as relações humanas? Com mais televisores, mais trânsito, a vida moderna? Acho que tudo entra! Partiram-se as duas estabilidades: a cidade dos brancos e a periferia. Havia uniões entre elas, como o Clube Atlético de Luanda. Cada uma destas duas sociedades, porque havia um corte a separá-las, tinham as suas organizações, os seus clubes. O seu modo de vida, com os seus divertimentos, cada um da sua maneira.

mutamba5.jpg Luanda teria entre 300 a 400 mil habitantes, metade seria de europeus. De repente, noventa por cento de uma parte foi embora. Os da periferia vieram para a cidade juntando-se-lhes os regressados. Criou-se um desequilíbrio que modificou os modos de vida … Não seria espectável que as pessoas que saíram da periferia para o centro da cidade ao menos levassem o seu modo de relações sociais? De certa maneira transportaram, tanto quanto me apercebo. Algumas famílias dos subúrbios mudaram apenas em parte. Como as famílias eram numerosas, no subúrbio, a parte extra que se mudou para a cidade continuou a manter a relação com a outra parte, pelo menos ao fim de semana, essa é uma das coisas boas que se mantiveram.

mutamba4.jpg Com a guerra, com o recolher obrigatório, isso criou um novo modelo social, somados os constrangimentos da falta de abastecimento, algumas vezes, a falta de electricidade … houve ruptura dos equilíbrios e estão a criar-se novos equilíbrios. A cidade que cresceu com populações de fora está agora num período de construção e reconstrução de uma cidade que nunca voltará ao que era … Não se recuperarão as maiangas.

mutamba6.jpg Mas o que é uma mutamba? É uma árvore! Tudo o que é “mu” em kimbundo é árvore. Mutamba é tamarino, que já não encontramos no largo da Mutamba. Há fotografias que ainda mostram as árvores no antigo largo da Mutamba. Mas depois vieram os edifícios da Fazenda, o outro onde está a Sonangol, mas o nome ficou. É como o Kinaxixe que era o nome de uma lagoa.

(Continua…)

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:10
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Domingo, 22 de Novembro de 2015
MALAMBAS. CIX

TEMPOS CINZENTOSCom chá, benzo-me na crença de ocultadas caricias… e, falas bonitas p´ra boi dormir!

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

haida 1.png Chamando o interior de minha consciência nestes últimos tempos, ou a partir de certa altura, comecei a ter medo de ter perdido o discernimento e hoje levantei-me cheirando-o e não gostei do cheiro de cavalariça; desconhecia até que o discernimento tivesse cheiro pelo que chamando pela minha própria voz tentei apanhar seu sentido mas, fiquei convicto que já era demasiado tarde. Ninguém contou as horas nem os minutos, excepto o ponteiro grande do relógio por cima da lareira da sala, não dando valor a este pequeno desaire à margem de qualquer estória que se digne.

haida art.jpg A porcaria da anilha do sifão não veda a sujeira e talvez por isso, venha até mim esse cheiro de chiqueiro; esta situação está em vias de me trazer uma indisposição física agravada. Aquele doutor da mula ruça disse para tomar a vacina contra a gripe para salvaguardar as minhas mais-valias da vida e ela, a gripe, apareceu-me com todas as mazelas de fungação, tosse seca e húmida, cuspida e ranhosa, brônquios tapados a arranhar-me esse tal discernimento revoltando-se-me comigo; deverias, seu burro ter levado umas chapadas nesse focinho!

haida3.jpg Assim mesmo! Num respeitador desrespeito! Não devias tomar essa dose de vírus ou antivírus neste tempo periclitante de jihad com intifada. Essa vacina estava viciada de maldade! No consolo morno do chá rooibos com cidreira, carqueja e umas raspas de gengibre, acomodei-me na constatação implícita de que tenho de aceitar a liberdade dos dias inteiros sem me cobrir com esse tal de véu amarelo ou preto sobre os olhos assustando-me comigo próprio, assim de só-à-toa.

haida2.jpg Vou ter de saltar para a estória mesmo depois de ela acabar, mesmo que não tenha respostas para tantas questões que me fazem revolver o fundo do caco, da mala, da cachimónia. Eu até achava que o tempo éra o material mais forte de todos, que nunca enferruja mas o certo mesmo, é que também oxida nas dobras, nas linhas mal soldadas; pensando bem até nas entrelinhas. Continuarei especado sem resposta para todas as questões, sendo eu o remetente. Estou mesmo farto de tantos doutores da mula ruça do M´Puto.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:55
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Sábado, 21 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XL

ANGOLAVelhos quebrantos - Monótona é a vida do perneta; andar sempre no mesmo pé… 2ª de 3 Partes

Por

luis0.jpg Luís Martins Soares (Soba T´Chindere) - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes; Um contador de estórias de que dá gosto ler aos candengues do kimbo (reside no Brasil) …

luis34.jpg O africano e o tráfico de escravos

(...) Ainda no reinado do Infante D. Henrique (1394-1460), com a exploração da costa africana, a Coroa portuguesa empreendeu a construção de feitorias no local. Nesse tempo os portugueses estavam interessados na obtenção de produtos africanos mais o Oriente na busca de ouro, prata e especiarias. O comércio de escravos não despertou aos portugueses interesse algum, pois a mão-de-obra não lhes cobiçada de então. Sentiram a necessidade de serem estabelecidos pontos de comércio e com essa finalidade criaram as conhecidas feitorias, entrepostos fortificados nas regiões litorâneas.

luis33.jpg Em 1448 os portugueses construíram sua primeira feitoria na África: o forte de Arguim (na região da Senegâmbia, actualmente Mauritânia). Pretendiam atrair as rotas próximas dos mercadores muçulmanos no norte da África tendo sido construídas outras feitorias. Em 1460 os barcos e os pilotos portugueses são reputados como sendo os melhores e a fama de sua perícia atrai o reconhecimento europeu.

luis37.jpg Em meados do século XV, a experiência, já os havia transformado nos melhores navegantes do mundo. Marinheiros portugueses começaram a explorar a costa da África, utilizando os recentes desenvolvimentos em áreas como a navegação, a cartografia e a tecnologia marítima, marcando presença na África Ocidental em 1483 com suas caravelas. A verdadeira ocupação do continente africano (BOXER, 1981) iniciou-se com a descoberta e a ocupação das Ilhas Canárias pelos portugueses, no princípio de século XIV.

luis36.jpg Na regência de D. Afonso V, no ano de 1474, este rei incumbiu seu filho futuro rei D. João II, a tarefa de organizar as explorações como objectivos entre outros na marcação da presença portuguesa no Atlântico, na exploração da costa africana e descobrir por via marítima a passagem do Atlântico para o Índico, com vista a atingir a Índia, abrindo as portas para a colonização da costa oriental da África. Com efeito, Diogo Cão chegou ao rio Zaire (1482) e depois, numa segunda viagem de reconhecimento á costa africana, até à Serra Parda (1484). Facto digno de atenção que este navegador teve em transportar nas suas naves marcas de pedra (padrões), com dizeres assinalando a descoberta e garantindo os direitos da coroa portuguesa.

(Continua…)

Monangamba – Do kimbundu - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:00
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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2015
MISSOSSO . XIX

ANGOLA . MATERINDINDI - O RUDOLFO VALENTINO DO KALUMBIRI - Para matar saudade… 2ª de 2 Partes

Por

DY0.jpg  Dy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) - O autor de Ninguém é Santo e de África, é uma bênção e um veneno (frase)…

maian10.jpg (…) Quando cheguei às dez da noite ele já estava e encostado ao tosco balcão a beber uma gasosa. Um pouco mais ao lado numa mesinha humilde e solitária, estavam sentadas a Filomena e a sua amiga Matilde a tagarelarem qualquer coisa de cotovelos assentes no tampo de mesa deserto. Conhecia bem a Filomena lá de casa e agora com um vestido de chita grenat estava ainda mais deliciosa, com os seios a espreitarem atrevidos e umas ancas roliças que eu volta e meia roçava de contrabando quando se debruçava no tanque da roupa. – Fica quieto menino Joca que eu vou contar na tua avó que estás-me a querer apalpar. – E estava pois o corpo daquela negrinha era um pedaço de mau caminho que me povoava as noites.

onça4.jpg A Matilde sua amiga chegara há uns meses atrás da Chibia e arranjara trabalho na casa do professor Pereira para cuidar das crianças. Cara gaiata e rebolodinha com uns seios tipo bola de andebol era os encantos do Rudolfo que se imaginava a gingonçar aquelas ancas de perdição. – Já estás aqui Matrindindi? Tu não falhas um rapaz. – Fiz conversa com ele enquanto uma “Cuca” aterrava em frente aos meus olhos. – Sabes como é Joca, eu não perco uma noite de dança nem por nada. – Respondeu olhando de soslaio para a mesa onde estavam as duas raparigas na tagarelice. – Então e não vais dançar com a Matilde? – Perguntei com malandrice.

eleuterio1.jpg  – Nunca nos apresentámos Joca, e ela olha para mim como se eu fosse um marimbondo defunto. - Retorquiu desgostoso com o seu insucesso na conquista. – Olha porque não vais lá e ofereces qualquer coisa para elas, pois parece que o dinheiro por ali anda sumido. – Alvitrei. – Remexeu nos fundilhos e ouvi o tilintar das parcas moedas. – Acho que chega para oferecer uma sandwich para ela, Joca. – Concordou com um olhar esperançado. – Pois leva duas e duas gasosas que eu pago essas. Enquanto o Faneca tratava da encomenda por trás do balcão dirigiu-se à mesa e após um boa-noite com vénia indagou. – Matilde, posso-te oferecer uma sandwich? – Sandwich é a tua mãe, seu vadio, vai-te catar. Voltou desalentado e cabisbaixo para o meu lado como um káfi esfomeado.

kafu10.jpg Foi quando ouvi a Matilde perguntar à Filomena o que era mesmo essa tal de sandwich. – Tu não sabe Matilde sandwich é um casqueiro com chouriço no meio, é bom mesmo. – Háka prima se soubera eu aceitara. Pela primeira vez fui dançar um slow com a Filomena e deixei em cima da mesa delas os pães com chouriço e as gasosas. Não vou falar da Filomena que me encheu a noite mas da prima que olhava com olhos de carneiro mal morto o Rudolfo. Foi bom vê-los abraçados num tango uns minutos mais tarde. E, como dançou bem o Matrindindi nessa noite com a Matilde, e a bundinha dela remexendo a um ritmo estonteante. Tudo se perdeu anos mais tarde por razões óbvias. Deixei de ver os “Keds” fosforescentes do Matrindindi, deixei de dormir com a Filomena à socapa e da Matilde nada sei.

MONA5.jpg Estou na galeria da discoteca “Trigonometria” no Algarve, depois de espezinhar um mar de cerveja no chão e quase a iniciar uma briga com um bando de labregos que se entretinham a dizer palavrões e a arremessarem beatas para pista tendo uma delas aterrado no decote de uma rapariga. Foi quando o vi junto a uma mesa de controlo a colocar vinis e os sons do “Tchuck, tchuck” horroroso a invadirem-me os ouvidos. – Matrindindi. Gritei! – Coloca música do Kalumbiri, mano. – E ele colocou enquanto me acenava lá de longe. E eu vi o chão da rebita limpo, as pessoas ordeiras sem dizerem palavrões e os mais etilizados irem deitar água ao mar bem longe, e as ancas roliças da Matilde e os seios saborosos da Filomena e as sanduiches de chouriço perdidas sobre o balcão. Então deu-me a saudade.

Reis Vissapa

As escolhas de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2015
MUJIMBO . CVIII

ANGOLA . NAS CICATRIZES DO TEMPO40 anos depois, “Não podemos fugir à história e pensar que um dia pegamos numa borracha e apagamos tudo”

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kimbo Lagoa

Por:

Elias Isaac.jpgELIAS ISAAC - DIRECTOR DA ONG OSISA

“O que Angola está a tentar fazer é a transformação social com uma minoria que vive nos condomínios, tem acesso ao crédito bancário, a bons empregos, enquanto a grande maioria que já no passado viveu excluída continua excluída nos musseques.”

eleuterio3.jpg No Sambizanga, “não há muitos mulatos nem brancos”. É um dos maiores musseques de Luanda, um bairro de lata onde muita gente tem medo de entrar. No centro, a enorme estrada foi transformada em rio devido às cheias. Os vendedores assam comida em frente a lixo, galinhas passeiam-se entre escombros, há lixo de todo o tipo nos telhados. Há no ar um cheiro nauseabundo. Os musseques foram crescendo como zonas separadas, quase exclusivas para os negros durante o período colonial.

eleuterio2.jpg Os brancos ficavam no centro da cidade. “Proporcionar as comodidades da vida na Europa à comunidade não era tarefa simples numa colónia parcialmente povoada por condenados. O abastecimento de água foi, durante séculos, um problema tremendo”, lê-se em História de Angola, de Douglas Wheeler e René Pélissier. O facto de a população dos musseques ainda hoje ser maioritariamente negra é visto como consequência da separação racial do tempo colonial mas é sabido terem vivido ali muitas famílias brancas de baixo poder económico. Não é legítimo dizer-se haver fronteiras, dum lado brancos e do outro pretos, porque tudo era uma questão de sustentação económica.  

eleuterio4.jpg As relações raciais definem-se por quem controla quem, quem exclui quem e quem se vê excluído, comenta Elias Isaac, 55 anos, director da Open Society Iniciative of Southern Africa (OSISA) em Luanda. Hoje em Angola a questão das relações raciais aparece de forma subtil, continua, na sede da ONG, que fica num dos prédios novos de Talatona. Talatona é um bairro onde ficam muitas empresas, é também uma zona residencial da classe média alta e o trânsito de manhã e ao final do dia é compacto.

eleuterio5.jpg No quotidiano, os angolanos negros na maioria, os mestiços (cerca de 2%) e os brancos (1%) convivem, estão nos mesmos restaurantes, estão nas mesmas discotecas, defende. Mas se aprofundarmos: “Nos subúrbios mais pobres, só existe um tipo de gente, os angolanos de raça negra. Nos condomínios, nos bons subúrbios, há angolanos de raça negra da elite, com angolanos de raça mista, de raça branca ou povos de outras nações. Por isso digo que (o racismo) não aparece de forma tão expressiva na sociedade, mas subtilmente.”

Ilustraçõe de Eleutério Sanches

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:36
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2015
MAIANGA . XII

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recuperaIV

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

NAMBUANGONGO.jpg (…) Quando se perde património já não se recupera. Veja o caso do projecto da UNESCO a Rota dos Escravos. Cerca de um terço dos africanos exportados para as Américas proveio do sul do equador. A grande maioria foi da área que vai do Lubango a Benguela; quantitativamente, isso dá-nos uma importância grande neste projecto. Talvez mais que em toda a costa africana, havia mais sinais desses acontecimentos ao longo da nossa. E nós não nos temos preocupado com isso, que é um valor turístico importante. O Senegal tem aproveitado em Gore, por exemplo; diga-se que até haja agora sinais de se querer fazer alguma coisa no Morro da Cruz, no Museu da Escravatura.

silva p 1.jpg Isso não terá a ver também com o facto de os angolanos não estarem educados a investir com o turismo no seu próprio país? Se falarmos da maioria é verdade, mas há já uma minoria, que nem é apenas a elite mas uma burguesia nacional, que já viaja muito e, lá fora, aprecia as casas velhas, os museus, etc., mas não transfere isso para cá. Não será a sensação da consolidação da condição de elite, o privilégio de poder gozar o que os outros não podem? Poderá até ser, mas eu acho que deveria haver um sentimento nacional ou governamental para se fazer alguma coisa, para se ter também no seu país.

luanda3.jpg Se fosse guia turístico quais seriam os pontos inevitáveis de Luanda para conhecer a história das pessoas e da cidade? As fortalezas e as igrejas. A própria baía e as baías, lugares seguros de amaragem. A baía é uma das razões para o nascimento da vila europeia de Luanda. Foram as baías, a sua qualidade que determinou a criação da vila, não foram os critérios normais de criação de centros urbanos, até porque, já nessa altura, faltava água em Luanda, o que se mantém até aos nossos dias. As baías são um elemento importante da história da cidade.

angola rural.jpg Depois há um símbolo importante dessa história que também pertence aos angolanos, embora como a parte sofredora, porque eram o produto do comércio dos escravos. As fortalezas, apesar de símbolos de opressão também nos pertencem. As igrejas são outro elemento que, não fazendo parte da cultura original, passaram depois a fazer parte da vida das pessoas. Há também casas que são sinais visuais e históricos.

ana2.jpg Havia muito de angolano nas casas, como a cal de mabanga, os forros feitos de bordão, um material altamente isolante e que permitia manter as casas frescas. Não sei se ainda existem sinais de tectos de bordão nas casas velhas de Luanda. O último que conheci estava na Igreja do Carmo, mas já foi substituído. Portanto, estas edificações estão aqui, foram feitas com mão-de-obra de cá, são nossas, não são de lá, de qualquer outro lado.

(Continua…)

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:25
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XXXIX

ANGOLAVelhos quebrantos - Monótona é a vida do perneta; andar sempre no mesmo pé… 1ª de 3 Partes

Por

luis0.jpgLuís Martins Soares (Soba T´Chindere) - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes; Um contador de estórias de que dá gosto ler aos candengues do kimbo (reside no Brasil) …

O africano e o tráfico de escravos

luis32.jpg O tráfico de escravos já existia muito antes da era dos descobrimentos marítimos. O tráfico africano em direcção à Europa iniciou-se em meados do século XV para Portugal, devido a grandes demandas sociais e económicas existentes naquele país e a das ilhas de Açores e Madeira, além de abastecer Lisboa desta mão-de-obra estrangeira. Em 1444, organizou-se uma companhia em Lagos, Portugal, para explorar o tráfico de escravos. No mesmo ano, nessa cidade, 240 escravos comprados pela tripulação e navegador Antão Gonçalves no Golfo de Arguim (Mauritânia), foram divididos e vendidos para o infante D. Henrique, o Navegador, para a Igreja de Lagos, mais os franciscanos do cabo São Vicente e comerciantes.

luis22.jpg O número de cativos chegados a Lagos, em Portugal, à Casa dos Escravos régia de Lisboa, é avaliado por C. Verlinden em cerca de 880 por ano. Os portugueses exploraram inicialmente a costa marroquina, a Madeira (1419), os Açores (1427), Cabo Verde (1456) e a costa Africana da Guiné. Com a ocupação e colonização da Ilha da Madeira e Açores esta leva de mão-de-obra barata foi usada principalmente no cultivo de cana-de-açúcar, que o Infante D. Henrique trouxera da Sicília para a Madeira.

luis21.jpg Na Madeira, as actividades económicas eram a agricultura, a criação de gado e a pesca. Os produtos exportados eram a cana-de-açúcar, cereais, madeira e plantas tintureiras. Por outro lado, nos Açores, os produtos eram os cereais e as plantas tintureiras e outras actividades económicas como a criação de gado, a agricultura e a pesca.

luis19.jpg Nos Açores, a plantação de cana não apresentou resultados animadores. Essa mão-de-obra barata provinha de escravos canários (Guanches), mas como a sua captura era dificultosa, recorreram aos negros africanos por serem mais fáceis de serem obtidos (esta prática já era usada entre tribos por via de prisioneiros de guerra). Os muçulmanos controlavam as rotas de escravos que os vendiam para os mercados da Europa e da Ásia através do Deserto do Saara, do Mar Vermelho e do Oceano Índico.

(Continua...)

Monangamba – Do kimbundu - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:37
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2015
FRATERNIDADES . XCVII

ANGOLANAS CINZAS DO TEMPO - Ongweva é saudade… A descendência

Por

Torres0.jpg Eduardo TorresUm Xicoronho de 3ª geração - "Se alguém lhe fechar a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.” - Gandhi

lub1.jpg Tenho um orgulho enorme da minha ascendência. Sempre ouvi a minha avó Vitorina contar a verdadeira história da sua vida e dos seus familiares, quando o Lubango não era mais do que um lugar aprazível no planalto enorme, aconchegado pela envolvência da cadeia montanhosa da Chela. Por ela, conheci toda a sorte de dificuldades porque passaram os seus pais, ela própria, criança ainda. E de um modo geral todos os que compunham essa primeira colónia de madeirenses, que se fixou na zona dos Barracões.

lub2.jpg Sempre confiantes na sua capacidade, enfrentaram todos os obstáculos, para conseguirem a realização do sonho que os acompanhava. Foi uma parte da vida que ela conheceu, porque ainda antes de nascer, já os seus progenitores e todos o que formavam o grupo da primeira colónia, tinham escrito seu destino; em cada pegada, em cada pedra que lhes surgia como obstáculo no caminho.

lub3.jpg A história que foi a epopeia de caminhar, ou transportados em tipóias, consoante as necessidades de cada um, a dureza de um caminho em zonas desérticas ou selváticas, numa distância longa, para chegarem a um destino quase desconhecido. Sei apenas que ela faz parte dessa história com a abertura dos caboucos de uma esperança que se haveria de transformar numa realidade enorme, regada com muito suor e lágrimas.

lub5.jpg Tudo isso me permite, orgulhosamente, dizer que pertenço à terceira geração da primeira colónia madeirense que ajudou a fazer nascer a bela cidade do Lubango, mais tarde Sá da Bandeira, para no presente, voltar de novo a ser Lubango. E é esse orgulho que sempre procurei transmitir aos meus filhos, e que eles, de certeza, não deixarão de transmitir aos meus netos...

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:33
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Domingo, 15 de Novembro de 2015
MISSOSSO . XVIII

ANGOLA . MATRINDINDI - O RUDOLFO VALENTINO DO KALUMBIRI - Para matar saudade… 1ª de 2 Partes

Por

DY0.jpgDy - Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa) - O autor de Ninguém é Santo e de África, é uma bênção e um veneno (frase)…

matrindindi.jpg O Sábado chegou soalheiro ao planalto da Huíla secando as gotículas de orvalho remanescentes da madrugada, nas folhas dos mutiátes. Com ele chegou também a febre da rebita no Kalumbiri ao cair da noite. Era habitual deslocar-me às várias rebitas da periferia do Lubango, tais como o Copacabana, Junior 54 e o não menos famoso Salão Grenat, podia dizer-se que eu era um frequentador assíduo destes locais onde se podia dar ao pé sem preconceitos com a lavadeira ou a criada lá de e encontrar amigos de todas as raças e credos. Rudolfo Epalanga tivera uma curta passagem pela casa da minha avó supostamente aos doze anos pois não havia documento que o comprovasse. E foi curta pois um dia foi buscar o terno para o almoço à casa da Dona Jacinta e de regresso perdeu-se em “Vírgulas” e “ Dribles” num terreiro próximo, e a minha avó não foi de modas e mandou-o para o olho da rua.

matri1.jpg Tal atitude demasiado conservadora não afectou a nossa amizade e continuámos amigos tal o nome “Epalanga” significa. Claro para mim nunca se chamou Rudolfo mas sim Matrindindi. Em verdade vos digo que esta alcunha tinha muita razão de ser pois o Rudolfo era escorreito como um bicho pau e tinha uns braços e pernas bastante longos que terminavam respectivamente nuns pés e numas mãos de dedos impressionantemente compridos. Rapaz de recursos vários teve vários empregos ao longo da sua adolescência e maior idade. Passou pela administração de concelho como aspirante a cipaio, passagem efêmera aliás pois no dia em que o chefe de posto o mandou dar umas palmatoadas a um congênere, negou-se a fazê-lo e foi para a indigência num ápice.

matri3.jpg Durante uns tempos foi continuo na maternidade algo que o inspirou a trabalhar num posto clínico do interior até ao dia em que o Dr. Barbosa o apanhou à sua secretária a aviar receitas com toda a tranquilidade. Ainda foi padeiro e ajudante na camioneta da carreira para Benguela. Em boa verdade podia dizer-se que era um “Self-made man”.  Encontrei-o por volta das seis da tarde desse Sábado já com os seus vinte e dois anos consumidos e lá vinha ele todo aperaltado o que levava a minha avó a dizer: - Esse Rudolfo é um grande “Portuguesão” – Mas avó o Matrindindi é bom rapaz e se gosta de se vestir bem qual é o grilo. – Atenuava eu. – Um bom grilo dou-te eu pelas orelhas, é mas é um vadio sem vergonha como tu. Pirava-me a grande velocidade por que nesta matéria a minha avó era intransigente.

matri2.jpg - Então, Matrindindi vejo que hoje é dia de rebita, vens todo bem posto. – Sabes como é Joca eu gosto muito de dançar, principalmente tango e valsa. - Respondeu-me com um sorriso. As calças cinzentas de cotim assentavam-lhe que nem uma luva e os sapatos “Keds” brilhavam de brancos ao lusco-fusco, besuntados com um produto que era vendido na sapataria do Sequeira. De tantas pintadelas a lona já virara couro e acho que num dos sapatos havia um buraquito matreiro na sola, pois ao apagar a beata que atirei para o chão deu um salto inesperado.

sol4.jpeg Que se desenganem aqueles que pensam que nesses tempos a música da rebita era merengue. Havia muita pouca música africana que acabou só por surgir mais tarde com o duo “Ouro Negro” e o “África Ritmos”. Era frequente o baião do Luís Gonzaga” ou do “Sivuca” e muito Roberto Carlos dos primórdios e o Albertinho Fortuna punha o Matrindindi a dançar tango como ninguém. Parecia uma pena de capota a esvoaçar ao vento tal a leveza como conduzia a dama. Um primor na valsa e posso testemunhar que nas marchas e no baião era imbatível. Eu, pé de chumbo inveterado, ficava siderado com a sua arte. Para mim ele era o Rudolfo Valentino em pessoa.

(Continua...)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:27
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Sábado, 14 de Novembro de 2015
MAIANGA . XI

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera – III

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

luua11.jpg (…) A substituição dos utilizadores da cidade, voltando à sua pergunta, naturalmente que tem grande impacto na cidade e na sua utilização. Isso leva-me a 1975, em que uma parte da população suburbana veio para as cidades, ocupou-as e dá a impressão de lhes estar a dar uma utilização inadequada ou diferente, quer nos prédios, quer nos bairros das elites. Um dos problemas foi que as pessoas que vinham do campo não tinham canalizações nas suas casas, usavam bacias, etc., o que aconteceu foi as pessoas deixarem ir tudo pelos canos. Claros que os entupiram. Se numa casa térrea isso significa dois ou três metros, num prédio de andares isso são metros e metros de entupimentos, com águas putrificadas e virem para fora.

luua10.jpg Eventualmente o prédio da Cuca já não estaria em condições de ser recuperado, por causa desse mau uso ao longo de 35 anos. Essa é uma parte da factura do facto de Angola ter chegado à Independência nas condições em que teve de chegar… Isso remete-nos para as novas centralidades, edifícios altos … É um problema porque pode levar-se para lá pessoas sem os hábitos, educação e cultura para viver em prédios de vários andares.

luua12.jpg Não há como o Estado impor regras de comportamento? Já que se enveredou por aí, acho que tem de haver uma acção muito concreta e organizada de formação para habitar este tipo de edifícios, de controlo de maus comportamentos, como o caso dos entupimentos … ou apostar mesmo nas canalizações por fora, que podem parecer deselegantes, mas são mais práticas para as reparações. Temos, portanto as populações rurais que chegaram a cidade e tiveram um conflito com o novo modo de habitar … E que são a grande maioria.

luua13.jpg Falta ligação emocional aos espaços? “Claro, porque algumas pessoas não sentem qualquer relação com o espaço e com as coisas e também não foram alertadas pela nova elite para a preservação dos espaços…” Tudo isto foi uma tomada popular anárquica em face ao abandono de seus proprietários e nem consideraram o seu valor económico no futuro, como o turismo, por exemplo… E temos um outro grupo, o das populações semiurbanas, que se transformam em elites mas que também não conseguem preservar o património … Quando se perde património já não se recupera.

(Continua…)

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:55
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015
MUJIMBO . CVII

ANGOLA . TEMPO COM CICATRIZES - OS 40 ANOS DE (INDEPENDÊNCIA?) & O DISCURSO TORPE DE JES!

Por

vumby0.jpgFernando Vumby (Fórum Livre Opinião & Justiça)

kafu28.jpg Se formos independentes significa estarmos livres, sem nos comprometermos ou não, com quem quisermos, escolhendo livremente nós mesmos quem queremos que nos represente, então podemos concluir que o povo angolano ainda não é um povo independente! Em primeiro lugar, porque nunca houve nenhum acto eleitoral que fosse livre e transparente onde o povo escolhesse ele mesmo os seus representantes; como é então que um povo se pode considerar independente enquanto isto não acontecer?

luena3.jpg Segundo: - um povo que não consegue exercer livremente a profissão que entende sem que para tal esteja ligado ao partido no poder, ter laços familiares, de amizade ou amorosos com algum governante, este povo não se pode considerar um povo independente. Terceiro: - um povo que se subordina á ordens de governantes que não escolheu livremente porque o seu voto foi transformado em mercadoria e manipulado, este povo não pode ser considerado um povo independente. Quando um povo se sujeita e se degola,  porque vive quase 40 anos de ilusões e forçado a não dar conta de si próprio , este povo não se pode considerar um povo independente.

mocanda7.jpgO DISCURSO BERDAMERDA DE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS

Impressionante como o senhor José Eduardo Dos Santos, mesmo sendo um dos cidadãos mais criticado e denunciado como ladrão, insensível e de mau carácter, se apresentou como o grande moralista da nação no dia 11 de Novembro de 2015. Um lambão, falso moralista ou um dos grandes hipócritas que a nossa triste e humilhante história conhece. Deixo isto ao critério dos leitores, analistas nacionais e estrangeiros. Quem consegue ler os movimentos deste homem na hora dos discursos que na maioria dos casos, até nem são escritos por ele. Facilmente se percebe que nem ele próprio acredita no que diz, pois o importante para ele é persuadir o povo de que a sua vontade é a correta, a melhor para os angolanos e para Angola.

sa6.jpg É um malabarismo frágil, mas ainda assim, JES não se cansa em repetir mesmo sabendo que deste modo brinca com o sonho dos angolanos, que mereciam um outro presidente e um outro governo e não este amontoado de ladrões e corruptos. Os angolanos só precisam ter um pouco de mais coragem. Os discursos de JES já pouco dizem aos angolanos. Como se diz na gíria popular, JES é um ladrão conhecido que qualquer dia pode morrer na hora do assalto se a ratoeira for bem montada...

JES0.jpg O seu interesse como grande demagogo é simples de se compreender, para quem percebe que está sendo sua vítima desde vários anos e acredito que os angolanos na sua maioria já o conhecem o suficiente. Deixou de ser bonito para alguns que ainda perdiam tempo ouvindo e lendo discursos de JES que mesmo fantasiados, cheios de mentira e hipocrisia aos ouvidos soavam como se fosse um bom semba dos anos 70. Termino este curto texto fazendo-vos uma pergunta: Apontem-me por favor alguém deste governo que não seja demagogo, corrupto, que nunca tivesse roubado um tostão, mandou roubar ou deixou roubar, ou que nunca matou, mandou matar ou deixou morrer? Não quero acreditar que exista algum !!!

Fernando Vumby - Fórum Livre Opinião & Justiça

As Opções d Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:28
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015
FRATERNIDADES . XCVI

NUM TEMPO CINZENTO - Ongweva é saudade

Por

Torres0.jpgEduardo Torres – Um Xicoronho de 3ª geração - "Se alguém lhe fechar a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.” - Gandhi

Porquê? Sobre o que vou escrever

arau1.jpgHoje não vou escrever sobre os dias doze e treze, nem sobre a morte. Hoje, apetece-me escrever sobre a vida, e tudo o que ela pode proporcionar de belo e agradável. Ao olhar para trás, terei forçosamente de agradecer e estar eternamente grato a DEUS, porque foram sempre, mas incomparavelmente mais, os momentos felizes da minha vida, do que os outros. Até os momentos mais difíceis, se perdem no somatório da felicidade, que foi, e continua a ser, a minha vida. Se olharmos à nossa volta, perdermos um pouco de tempo, a analisarmos o que nos envolve, o milagre da natureza, desde que o sol surge no horizonte, até que se esconda no seu ocaso.

eleuterio sanches.jpg Se sentirmos a nossa capacidade de realização, entendermos o valor da vida, o caminho tornar-se-á mais fácil, porque somos nós que temos de dar expressão à vida e não esperarmos que seja ela a dar-nos essa expressão. A vida oferece-nos tudo, e não podia ser de outra forma: Felicidade, infortúnio, dor, prazer; depois nós, em nosso rumo, teremos de aceitar as nossas próprias escolhas. E, nem sempre as que parecem boas, são as melhores! De acordo com os nossos princípios, os valores que respeitarmos, os nossos sentimentos e a solidariedade que devemos ao nosso semelhante, com esse rumo, podemos tirar mais partido da bondade da vida. E é essa bondade da vida, que anseio para todos.

maian5.jpg Talvez porque as experiências entre si fossem muitas nesta caminhada longa, convivi com gente de costumes, de formação, aprendendo também com quem me coube ensinar. Porque perdi e ganhei, no somatório deste contexto, sinto que saí enriquecido! Não lamento o que perdi materialmente, porque comparativamente teve muito mais relevância o que acabei por ganhar. Aprendi a gostar da vida, desde criança, porque tive a felicidade de viver e desfrutar de uma ambiente familiar onde nada me faltou, quer no apoio económico, quer na aprendizagem de valores e princípios.

roxo5.jpgEstribado nesta formação, tive a Fé que me permitiu dar lugar a nunca perder a esperança, em cada ano passado, em cada hora; penso até que quanto mais avanço na idade, mais ela me parece melhor e bela! Quando chegar à altura de a deixar, terei a tranquilidade de a ter amado tanto, que nada fica a sobrar por a ter amado menos, porque simplesmente não a amo por ter medo da morte. É um sentimento puro, aprendendo com o tempo a entendê-la melhor, a sentir o valor da oferta que a natureza nos faz, e que poucas vezes a apreciamos na sua real dimensão. A vida é o maior prémio que nos é oferecido à nascença, e geralmente tão pouco apreciado durante o percurso que se segue...

Iustrações de: Costa Araújo, Assunção Roxo e Eeutério Sanches

As escolhas do Soba ´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2015
MAIANGA . X

ANGOLA - MAIANGA em Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera - II

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

may0.jpg  *António Jacinto - António Jacinto nasceu a 28 de setembro de 1924, em Luanda, e morreu em 23 de Junho de 1991, em Lisboa. Foi Ministro da Cultura (1975-78) e membro do Comité Central do MPLA.

(..) Seguramente que uma grande parte da população de Luanda, hoje, não sabe o que são maiangas, porque não são kimbundos… Aqui há algum tempo até colocaram um sinal aí junto à entrada da passagem aérea na Samba, do lado direito, aí havia a antiga Maianga do Rei, que milagrosamente sobreviveu à passagem dos tempos. As maiangas representavam uma ligação entre o antigo e o novo. Eram de construção colonial mas eram maiangas, com designação nacional … Maianga do Rei ainda existe!

may6.jpg E quem não é kimbundo irá perguntar o que significa maianga... Poço. Maianga significa poço de água. Havia a maianga do povo junto ao Clube 1º de Agosto. Aí onde agora é o rio seco era um rio mesmo, molhado, que desaguava numa lagoa que era a Lagoa dos Elefantes. Isso é no bairro da Samba, onde desaguava o rio, mas o rio desaguava numa lagoa antes de dar para a baía. Essa era uma lagoa de elefantes, frequentada por elefantes. Quando os portugueses aí chegaram, e durante muito tempo,  havia elefantes, que depois foram descendo e acabaram por ficar-se pela Quiçama. Mas até ai tiveram azar.

may8.jpgmay00.jpg

O que hoje se conhece por Morro dos Veados foi, até ao séc. XVIII, o Morro dos Elefantes, está escrito em mapas, só que os bichos foram diminuindo e, no séc. XX, já era o Morro dos Veados e agora, se calhar, já só há lá ratos. Mas depois da Independência, dizia, havia a preocupação com as maiangas. A Maianga do Povo, ao lado do Clube 1º de Agosto e a Maianga do Rei que ficava no cruzamento da Rua da Samba com a que vem do Prenda. Recentemente uma empresa que por aí andou colocou-lhe uma tabuleta a dizer cacimba, o que já não é o termo adequado… falou-se disso a alguém da cultura provincial, tiraram a tabuleta, mas não colocaram outra.

may7.jpg Quando os militares tomaram o espaço do hoje Clube 1º de Agosto, havia aí um descampado e havia também a Maianga do Povo, mas os militares foram construindo as suas casas e não respeitaram a distância mínima que se deveria observar em relação aos monumentos. Estou em crer que o António Jacinto* não se quis meter com os militares … Não se fez nada e a Maianga do Povo desapareceu no meio das casinhas. A Maianga do Rei, por milagre, ainda lá está.

(Continua…)

José Kaliengue, assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Domingo, 8 de Novembro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LVIII

ANGOLA . NAS FRINCHAS DO TEMPO - JUSTIÇA DE SALOMÃO - A mangueira era quem marcava a fronteira de ambos os kimbos.

Por

maga1.jpgLuís Magalhães - Tem uma caneta Parker 21 espacial. Dessas que levam o homem a gatafunhar coisas lindas da Luua, da Angola que jamais esqueceu …

MAGA10.jpgO meu Pai na sua qualidade de chefe de Posto, sempre procurou evitar conflitos com as gentes de Angola que iam desde os seus costumes à religião e, acima de tudo, nunca quis interferir com o poder dos sobas das aldeias, uma vez que eles eram a autoridade máxima das comunas. Tinha por norma, da parte da manhã, despachar o expediente e, da parte da tarde dedicar uma a duas horas para ouvir as queixas das pessoas. Ía mais tarde até à enfermaria a fim de fazer os curativos a feridas que surgiam e, que eventualmente poderiam infeccionar; enfermaria esta que ele mandou construir.

MAGA7.jpg Naquele dia estava o meu Pai a ver a correspondência e a ouvir as Noticias da manhã e, eis que entra o cipaio todo esbaforido a dizer o seguinte: - Nosso Chefe… estão ali duas mulheres com os sobas com uns próbrema para resolver. - Manda entrar primeiro os sobas, disse meu pai. Os sobas entraram e, o meu Pai perguntou: - Qual é o problema que vos trás aqui? Um dos sobas olhou para o meu Pai e respondeu: - Sr. Chefe temos duas mulheres do nosso kimbo que andam nos luta por causa dos mangueira. O meu Pai intrigado interroga de novo? - Mas, o que é? E o soba explicou: - Sô chefe as mulher disse que as outra não pode tirar os manga porque a árvore é dela? O meu Pai ouviu isto e respondeu: Pode ir embora pois vou resolver a maka!

MAGA9.jpg Meu Pai falou ao cipaio: - Manda entrar as mulheres! As mulheres entraram, ambas esgadanhadas na cara e nos braços, sinal da luta entre as duas ao que meu Pai  perguntou à mais lesionada: -Diz-me lá qual é o problema? - Sô chefe eu apanhei esta mulher a roubar os manga dos árvore do meu quintal e isso provocou mesmo a maka! Eu até os mandei ela ir nos ir e, como ela num foi eu joguei os porrada?! Perante isto, o meu Pai virou-se para a outra menos rascunhada e disse-lhe: - Então você vai no quintal da sua vizinha apanhar a fruta da mangueira sem lhe pedir autorização? Essa outra, olhou para o meu Pai meia envergonhada e respondeu: - Nosso Chefe, eu num rouba nãããoooooo, porque a árvore é da gente toda!! O meu Pai meio baralhado perguntou de novo: - Como assim!?… explica-me lá essa história? - Nosso Chefe, as árvore é de todos e eu posso tirar os fruta porque ela estão nos meu quintal?

maga3.jpg Meu Pai, num repentemente pegou no Land-Rover levando o cipaio, os sobas e as mulheres e, foi ao local do acontecido onde constatou que a mangueira delimitava os dois kimbos com os ramos da árvore no outro lado. Ou seja: A mangueira era quem marcava a fronteira de ambas as aldeias. Perante isto, meu Pai olhou para os sobas e disse: - Por aquilo que aqui me dá para ver esta mangueira passa mesmo pelo meio dos dois kimbos e como tal qualquer pessoa pode apanhar as mangas… Certo? Os sobas sorriram para o meu Pai e agradeceram a resolução experimentado de matreiros a capacidade do senhor Chefe!

MAGA11.jpg E o Chefe, virou-se para as mulheres e disse: - Quanto a vocês, tenho duas maneiras para resolver o problema: - Primeiro, qualquer pessoa pode apanhar as mangas e caso vocês não respeitem a minha decisão, vou mandar o cipaio derrubar a árvore para assim acabar com as makas! - Está bem… disseram elas e, já iam a sair quando o meu Pai lhes disse: - Antes de se irem embora vamos passar pela enfermaria para vos fazer o curativo. Elas aqui,... olharam uma para a outra e responderam: - Haka, num precisa nãããoooo, Sô Chefe! Pois nós estar bem assim mesmo! E lá se foram embora. Meu Pai olhou para o cipaio que estava com ar de gozo e perguntou: - O que é que se passa? E, respondeu o cipaio: - Sr. Chefe, o povo tem os medo de ir aos enfermaria porque dizem que o Sr. Chefe és os carniceiro?!

Luís Magalhães in Kizomba com Histórias da vida

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:26
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Sábado, 7 de Novembro de 2015
FRATERNIDADES . XCV

CAFÉ DA NOITE - Quem é capaz de definir a AMIZADE?

A AMIZADE, não pode ser definida por decreto…

kimbo 0.jpgAs escolhas de KIMBOLAGOA

papa1.jpgPAPA FRANCISCO - Uma linda mensagem do qual não posso deixar de partilhar.

papa4.jpg Durante a nossa vida causamos transtornos na vida de muitas pessoas, porque somos imperfeitos. Nas esquinas da vida, pronunciamos palavras inadequadas, falamos sem necessidade, incomodamos. Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente. Mas agredimos! Não respeitamos o tempo do outro, a história do outro. Parece que o mundo gira em torno dos nossos desejos e o outro é apenas um detalhe.

papa3.jpg E, assim, vamos causando transtornos. Esses tantos transtornos mostram que não estamos prontos, mas em construção. Tijolo a tijolo, o templo da nossa história vai ganhando forma. O outro também está em construção e também causa transtornos. E, às vezes, um tijolo cai e magoa-nos. Outras vezes, é a cal ou o cimento que o nosso rosto. E quando não é um, é outro.

papa5.png E no tempo, todo nós temos que nos limpar e cuidar das feridas, assim como os outros que convivem connosco, também têm de fazer. Os erros dos outros, os meus erros. Os meus erros, os erros dos outros. Esta é uma conclusão essencial: todas as pessoas erram. A partir desta conclusão, chegamos a uma necessidade humana e cristã: o perdão. Perdoar é cuidar das feridas e sujeiras. É compreender que os transtornos são 

frazão3.jpg Que os erros dos outros são semelhantes aos meus erros e que, como caminhantes de uma jornada, é preciso olhar adiante. Se nos preocupamos com o que passou, com a poeira, com o tijolo caído, o horizonte deixará de ser contemplado. E será um desperdício. O convite que faço é que experimente a beleza do perdão. É um banho na alma! Deixa-nos leves! Se eu errei, se eu o magoei, se eu o julguei mal, desculpe-me por todos esses transtornos… Estou em construção!

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:58
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2015
MAIANGA . IX

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera - I

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

luua3.jpg No seu quintal encontramos, soltos, galinhas e pintainhos. Sinal de que estávamos em casa de um homem que vive a cidade de forma diferente; um pouco como nos outros tempos, um pouco também como recomendam ecologistas e estudiosos de hoje. As transformações de Luanda ditaram o rumo da conversa. Começam a aparecer, cada vez mais, pessoas que se dizem preocupadas com o rumo de Luanda. O que representam estas pessoas nesta dinâmica de transformações da cidade … são nostálgicos ou as transformações são de tal forma que levam a uma preocupação genuína? Acho que subsistem os dois casos. Há os nostálgicos e há os que têm a preocupação correcta e que afirmam que não há futuro sem passado.

may1.jpg Há sempre algo de onde se vem e temos de ter um caminho para onde se vai, em termos gerais. Mesmo na lógica do desenvolvimento futuro da cidade e do país temos de ter um passado para mostrar aos nacionais e aos visitantes, não tem havido preocupações com isso. Há pessoas que estão preocupadas com a conservação de bens e valores importantes, isso há. Fala-se agora do turismo, uma actividade em que uma parte importante é mostrar o passado dos sítios, nós estamos a apagar este passado. Ainda que se trate de um passado não directamente ligado à população actual, não deixa de ser o passado desta terra, como acontece em muitos lugares do mundo, em que os actuais utilizadores não são os originais. Muitos povos terão passado por vários sítios mas os seus vestígios persistem e faz-se por conservá-los.

luua7.jpg No nosso caso, isso já não foi acautelado suficientemente até à Independência, porque não estava no espírito da política portuguesa a conservação do património e nós também não nos estamos a preocupar suficientemente com isso. Estamos a liquidar valores importantes, até para o turismo. A notícia da evacuação, por iminência de colapso, do prédio da Cuca, num local de onde já foi retirado o mercado do Kinaxixi, isso, a retirada destes dois símbolos de Luanda, apaga o quê exactamente? Apaga um pouco de um período da história da cidade, embora o prédio da Cuca seja do período mais moderno, do fim da era colonial. O mercado do Kinaxixi era de uma ou duas gerações antes. Era sobre isso que eu falava, algumas destas coisas eram símbolos visuais da cidade, deveria haver preocupação em mantê-los…

luua6.jpg E esta falta de preocupação derivará da substituição da população que habita Luanda e revela uma falta de ligação emocional ao local? Uma das explicações que encontro para a falta de protecção ao património histórico da cidade é a substituição de pessoas que houve. Mas uma das primeiras leis na pós-independência é a lei sobre cultura nacional, onde está integrado o património. Esta preocupação não foi por acaso, foi mesmo para salvaguardar o património. Infelizmente não teve o desenvolvimento desejado ao longo do tempo. Por outro lado, são as elites, nas quais se situam as autoridades que se tinham de preocupar com isso, fazendo passar a mensagem para as massas. O primeiro dirigente da cultura foi o António Jacinto e, naquela altura, lembro-me que havia preocupação com as maiangas.

(Continua...)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:59
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2015
MOKANDA DO SOBA . LXXXV

CINZAS DO TEMPOTento aprender a viver com o vazio das coisas … Fui para longe, no tempo, para ver bem os recantos que em política, não podem ser vistos de perto… II

t´chingange.jpeg T´Chingange

Estou a escrever três estórias em simultâneo para poder matar o tempo, uma forma de dizer, porque este nunca se extingue e nem eu sou um experto em matéria do buraco negro. Nesta forma de matar a monotonia reconduzi-me nas lonjuras do Kongo, no tempo e no espaço. Depois de vender a roça Boyoma a Mustafá Joshua Naili desci o rio Lualaba até chegar a Matadi, contornar os rápidos e quedas de água até chegar às cataratas Yelaba.

Resultado de imagem para fotos do kimbolagoa Entre Kisangani e Kinshasa a navegação foi tranquila; em Matadi far-se-ia o transbordo final para a saída ao atlântico, chegar a Lândana de Cabinda e vender a carga de cacau que transportava. O calor vermelho das margens com a zoada da fechada mata verde, entorpeciam-me numa embriagues desconhecida. Em língua Kikongo, Matadi significa “pedra” pois foi construída empinada nas colinas pedregosas. Entre mim e N´Zau Tati, meu colaborador saído dos rápidos Stanley Falls na fazenda Boyoma, cresciam conhecimentos novos em trocas de impressões quanto ao futuro de África.

Resultado de imagem para fotos do kimbolagoa Falávamos longamente sobre aquele enclave Imbinda, bastante húmido, um bom clima para o cultivo de cacau na região do Buco-Zau; revíamos com alguns pormenores o tratado de Simulambuco que tinha sucedido há dois anos, feito no intuito de Portugal ser reconhecido nas diplomacias que decorreram em Berlim. E, foi ali no labirinto de covas e pedregais, aonde o navegador português Diogo Cão em 1485 deixou marcas a justificar a sua passagem. O mesmo rio por onde avançou para o interior a partir da foz e, que por ser vasto, o induziu ao erro de que seria aquele o caminho marítimo para as Índias.

Flag Bandeira do Estado livre do Congo e Leopoldo II - O Estado Livre do Congo foi um reino privado, propriedade pessoal deLeopoldo II da Bélgica entre 1877 e 1908

Custou-lhe caro esse erro perante o rei D. João II que o relegou na história para descobridor de segunda linha. Não obstante, depois de ter deixado inscrições comprovando a sua chegada na catarata Yelala, estabeleceu as primeiras relações com o Reino do Congo. Naquele então, dissertamos na incompreensão de a Bélgica ser contemplada com tão grande imensidão, o Congo. As artimanhas de Otto Von Bismarck a juntar aos países da linha da frente, menosprezaram os feitos de Portugal; isso preenchia a maior parte da nossa conversa. O Congo ou Zaire com toda aquela extensão era um país-fazenda, propriedade do rei Leopoldo da Bélgica mantido e explorado à revelia de seus súbditos, europeus e africanos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:39
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2015
CAFUFUTILA . C

TEMPOS QUENTES - COISAS POLÉMICAS QUE LI NO FACE… CAUCASIANOS - CAFUSOS - CIGANOS -ROMENOS, TUDO AO MOLHE - POLITICOS E LARÁPIOS.

Por

 T´CHINGANGE - Cidadão do Mundo - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa ao largo de Angola. 

  Ferro Rodrigues enquanto ministro da Segurança Social do governo de António Guterres, foi o responsável pela criação do rendimento mínimo que foi e continua a ser atribuído na sua maioria a indivíduos cuja etnia é oriunda do norte da Índia, e que desde o reinado de D. Afonso II, que existe um decreto para a sua expulsão de Portugal, por serem pessoas NON GRATAS neste país, pois que, a sua principal actividade é nocturna dedicando-se á apropriação dos bens alheios e, nunca contribuíram para o fortalecimento da nossa segurança social absorvendo a maior parte das nossas contribuições, na forma de subsídios.

Resultado de imagem para kimbolagoa São uma espécie protegida em detrimento daqueles que trabalham no dia-a-dia e em cada dia que passa, vêm a sua identidade ser-lhes retirada, quer na forma de expropriação da habitação, quer através de penhora de reformas e salários, sendo atirados para a pobreza extrema. Em tempos de Oliveira Salazar, existia pobreza sim, porque a conjuntura mundial assim era, mas não assistíamos ao descalabro da nossa economia em prol de gente marginal.

Resultado de imagem para kimbolagoa  De recordar que está consagrado na constituição o direito á habitação a todo o cidadão e que a Seg. Social e Ministério das Finanças colocam diariamente famílias a dormir na rua, com expropriação da habitação, na maior parte das vezes por dívidas ridículas ou até inexistentes. E a isto, não podem os salteadores do Portugal de hoje, chamarem de prática democracia?

Resultado de imagem para kimbolagoa Com tudo isto, estes do molhe com políticos e deles dependentes, larápios e gente cafuza, ainda têm o descaramento de se sentirem ofendidos quando alguém, por indignado, tenha a coragem de os deter por indícios claros de riqueza ilícita.

CAFUFUTILA:- Farinha de mandioca torrada misturada com açúcar. Do Kimbundo de Angola (kifufutila); daquela que quando se fala de boca cheia se lança perdigotos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:55
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2015
MUXIMA . XLIX

ANGOLA . REBITA - Relembrar a rebita que corre o risco de desaparecer em Angola … Angola aonde todas as picadas têm uma fatídica curva da morte…

t´chingange 0.jpg As escolhas de T´Chingange

Fonte: VOA NEWS

REBITA.jpg O único grupo de dança rebita de Angola, "Novatos da Ilha de Luanda", comemorou no sábado, 31 de Outubro, 61 anos de existência. Em seis décadas de vida o grupo tem passado por muitas dificuldades, ao ponto de hoje correr sérios riscos de desaparecer. O fundador do grupo "Novatos da Ilha", Bartolomeu Manuel Napoleão "Jaburú", defendeu a pertinência de se divulgar mais o estilo rebita, pelo facto de ela representar uma referência do mosaico cultural nacional.

rebita0.jpg Insatisfeito, Cândido de Almeida, antigo bailarino do grupo, hoje aposentado, refere que muito ainda há por fazer para imortalizar a rebita, desde que haja vontade e empenho de todos, particularmente do Ministério da Cultura. No passado, era dançada na rua, nas tardes de recreio e nas noites de luar, emigrando mais tarde para as guitarras virtuosas de Liceu Vieira Dias, José Maria e Nino N´dongo, por um processo de imitação rítmica da percussão, dando origem ao semba. “A verdade é que corre o risco de desaparecer como muitas outras manifestações culturais, caso não haja uma pronta intervenção”. Desabafa Horácio Dá Mesquita Vice Presidente dos "Novatos da Ilha".

mai3.jpg  O grupo de rebita Novatos da Ilha é o vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2015 na categoria de dança. O presidente do corpo de jurado, António Fonseca, informou que o grupo foi nomeado pelo trabalho que vem fazendo, já que ao longo do seu percurso tem conseguido não só preservar como também introduzir inovações nas suas coreografias, mantendo no entanto a estrutura base do género.

besanga2.jpg O grupo "Novatos da Ilha" tem apostado na preservação e divulgação deste estilo de dança e nos valores herdados dos antepassados, transmitindo-os a nova geração de bailarinos que vai-se inserindo no género. A massemba, ou rebita, é uma dança popular de umbigada, executada por casais de dançarinos, é plural do semba, nome que veio a designar o género musical mais representativo da região de Luanda.

As Opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:17
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2015
CAZUMBI . XLIX

MILONGOS - Não imaginam o que faz uma simples folha de papel de alumínio ao teu corpo! Incrível!

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundo; Milongos são remédios de kimbanda

As escolhas de

kimbo 0.jpgKimbo Lagoa

Fonte: site O Mosquito 

prata.jpg Quem já fez e experimentou, garante que é excelente, e que cumpre mesmo o que promete. Parece algo impossível e completamente improvável, mas apresenta resultados rápidos e reais! Este tratamento é bem simples e promete aliviar muitas dores porque quem já o fez, garante que é excelente para combater vários tipos de dor, nas costas, nos ombros, pescoço, joelhos e no calcanhar (Algumas dores que impedem que te locomovas naturalmente) - Como é feito esse tratamento? Com uma simples folha de papel de alumínio!

prata0.jpg Qual a lógica do tratamento e como funciona? Pode acreditar, papel de alumínio não serve somente para alimentos; ele também trata a dor. E isto não é novidade. O uso de folhas de papel alumínio para aliviar a dor consta nos livros de Wilhelm Reich, médico, psicanalista, cientista e colaborador de Sigmund Freud - Mas qual o sentido desse tratamento e como funciona? Há algumas teorias, como a do cientista russo A.V. Skvortsov, segundo o qual o corpo humano é um núcleo de células que interagem directamente com o campo magnético da Terra. Assim ao colocar papel alumínio na área afectada, ocorrerá o aumento dessa interacção.

prata01.jpg Fundamentalmente o alumínio produz calor e, esse calor será benéfico para tratar a dor. O importante é a de que quem o faz garante que funciona! E não custa tentar, não é? Envolve-se a região da dor com uma folha de papel alumínio; deve ser um pedaço suficientemente largo para cobrir toda a área afectada. A parte brilhante do papel fica em contacto com o local da dor. Se for necessário, use-se fita adesiva para ajudar a fixar o papel.

prata2.jpgprata4.jpg O ideal é faze-lo à noite, antes de dormir, pois o alumínio precisa ficar em contacto com a área dorida por umas 10 ou 12 horas. Faça-se o tratamento por 12 dias seguidos. Depois, espera-se duas semanas e repete-se caso necessário. A terapia da folha de alumínio é aplicada em diferentes tipos de dor como a ciática, gota, artrite reumatóide, juntas (ácido úrico), e calcanhar. Em algumas pessoas, a dor desaparece rapidamente, o quer comprova o potente efeito anti-inflamatório do tratamento.

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:40
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Domingo, 1 de Novembro de 2015
A CHUVA E O BOM TEMPO . LVII

TEMPO COM FRINCHASHoje, chove como na rua… pois é da rua que ela vem…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

minhoca 03.jpg Hoje, dia de todos os Santos chove e troveja! A luz parda da madrugada teve de fazer ziguezague ate chegar ao meu quarto! O tempo encolheu-se humidamente chato entre os alpendres de folhas fibra de vidro. Para além da telha de canudo, as nesgas apertadas da fibra também fazem zunir o vento com gotículas enviesadas. É o abacateiro mais a anoneira e até a trepadeira glicínia que raspam nas chapas de sotavento e barlavento, rascunhando-se-me como sonhos incompletos, interrompendo-me até a elaboração mental da lista de tarefas para o dia dois, depois dos santos.

minhoca02.jpg Ainda bem que ontem aconcheguei as minhocas no tabuleiro superior arejando-o com furos e tapando as três caixas com um plástico preto. Com esta chuva, morreriam afogadas caso a chuva intensa enchesse o antigo recipiente de esferovite improvisado. Terei de explicar que trouxe estas minhocas das terras longínquas da Capadócia na Turquia, terras do adro da igrejinha de Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus que viveu seus últimos anos em Éfeso. Saiba-se que depois de Jesus a ter encomendado a João, na Cruz, este, tê-la-á levado para ali, lugar que eu pisei na Turquia.

minhoca5.jpg Por serem de terras santificadas do chão de Maria, dos idos tempos em que Nosso Senhor subiu aos Céus, eu as trato com muita deferência porque, e no dizer de Chico Xavier elas serão mais uteis à terra do que eu ou qualquer dos mortais que me possam ler. Em verdade, sempre dei muito valor a estes pequenos seres que vivendo por baixo das trevas, fertilizam nosso chão sagrado arejando as árvores, as plantas que nos dão bons frutos, repolhos, couves e até tengarrinhas e espargueiras, que por fartura, desprezamos!

minhoca0.jpg Quantos dos meus leitores já apanharam tengarrinhas? Um cardo comestível com picos que são tirados rente ao chão, são escaldados com erva a ferver, tiram-se os picos e depois cozem-se com feijão branco e outros normais ingredientes. Parece que já ninguém consegue sobreviver se lhes falhar as tais carnes processadas, os enchidos, as alheiras, os hambúrgueres e os secretos de porco. Não estava previsto falar hoje, dia de Todos os Santos, das minhas minhocas mas, com um mundo tão enviesado lá por fora de meus muros, o melhor mesmo é eu me entreter com estes calados seres que só comem e fazem estrume; dão o chorume certo para enriquecer minhas roseiras e pitangueiras.

minhoca4.jpg Como esclarecimento posso dizer que as minhocas vermelhas da capadócia Eisenia foetida, também conhecidas por "Minhocas vermelhas da Califórnia" são minhocas compostoras, que transformam resíduos da horta ou jardim, e ainda estrume e camas de animais de criação, num extraordinário bio nutriente para solo e plantas, o Húmus de Minhoca! De notar que as minhocas ingerem por dia cerca de metade do seu peso.

O Soba T´Chingange

    

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:50
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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