Sábado, 30 de Abril de 2016
MUXOXO . XXIX

TEMPOS MARAFADOSUm descuida e, posso ir para o espaço… Ficar uma estátua de nada…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

amendo3.jpg Do livro “uma breve história do tempo”, pude retirar a ideia de que me estou descobrindo em cada um novo dia, podendo passar-me do extraordinariamente grande para o extraordinariamente pequeno só num pensar de estalar de dedos. E, se alguém puder dar a volta no Universo e terminar aonde começou, isso dará uma boa ficção científica mas, não se encontrará com o sentido prático de si pois que, demonstrará que o Universo voltaria ao tamanho zero, antes mesmo que completasse o seu trajecto.

ÁFRICA8.jpg Isto porque seria necessário viajar mais rápido do que a velocidade da luz a fim de terminar onde se começou antes do Universo chegar ao fim; isto claro que é impossível! E, porque o espaço se curva sobre si mesmo tal como a curvatura terreste, sua extensão é finita. Segundo o modelo de Friedmann o Universo está-se expandindo entre cinco a dez por cento a cada bilhão de anos e assim sendo o Big Bang está muito para além de nosso interesse porque a duração da vida de um humano é minimissimamente menor. Por isso nem interessa preocuparmo-nos com nossa incerteza.

araujo30.jpg O comum dos mortais, pouco se importará se a densidade vai ser maior ou menor do que um tal de valor critico em que, a gravidade deterá essa expansão em algum momento do futuro e, porque o nosso, nada significa se não houver uma alma a dar continuidade a isto. Nós só sabemos que a gravidade da situação aqui na terra levará nossas vidas a um colapso e, nem vai ser necessário estudar o efeito de Doppler.

DIA76.jpg Graças ao conhecimento deste efeito de Doppler, é possível determinar a velocidade de estrelas e galáxias, uma vez que a luz é uma onda electromagnética. Vocês, nem gostam de ouvir uma sirene de ambulância mas entenderão assim, que este efeito é percebido ao escutá-lo, que é uma onda mecânica - emitido por uma ambulância que passa em alta velocidade. Aperceber-se-ão que o tom, em relação ao emitido, fica mais agudo enquanto se aproxima, idêntico no momento da passagem e mais grave quando a ambulância começa a se afastar.  

Muxoxuo (quimbundo muxoxu) - Estalo com a língua aplicada ao palato, para indicar contrariedade ou desdém; mas até pode ser uma carícia disfarçada. 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:21
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2016
MOCANDA DO SOBA . XCI

NAS FRINCHAS DO TEMPO - VEM AÍ A LENGALENGA NO PRIMEIRISSIMO DIA DE PREGUIÇA . 1º DE MAIO - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo

Por

soba10.jpgT´Chingange

adam2.jpg Esta noite sonhei que era um ser superior da magistratura e, vai daí pus-me a decidir por jurisprudência que poderia decidir acabar com algo que em nossas vidas é uma excrescência maligna, essa coisa dos Paraísos Fiscais com os tão propalados offshores. E, porque se trata de uma lei feita para dar como digna a via a piratas ou corsários que das águas translucidas passaram para as terras que habitamos, decidi nesta função, com toga e cabelos onduladamente loiros a caírem-me para os olhos, dar por finda a esta nefasta actividade para o mundo e especialmente para nós, os Tugas depenados até ao tutano.

paraiso1.jpg A esta actividade de “fora de portas”, decidi nesta função distintíssima, dar por finda e confiscar tudo a estes larápios que se purificam em águas não oxigenadas pela natura. Assim e como um juiz surfista resolvo rejeitar este vento que sopra em sentido contrário levando-me a prancha do bombordo para as profundas águas dum mar turbulento, o estibordo. Decidido em última instância acabar com esta invenção desmioladamente nefasta ao povo.

paraiso2.jpg Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar as gigantescas feridas mortais. E, daí abrirem-se gavetas com choros ranhosos, ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó.

parac1.jpg Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot, em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto se neste agora sabemos estar quilhados até os tornozelos porque nos levam os pecúlios para o “paraíso”. Agora temos alternativas e até podemos ir dum extremo à direita ao outro da esquerda; Há malambas (falas) para contento de todos! Falas bonitas p´ra boi dormir com as finanças a roerem-nos os tornozelos.

ara3.jpg Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, apagando os rastos dos passos que aqui me trouxeram a terras de M´Puto (entenda-se Portugal), dinovo volto a remover os ossos do passado e, mesmo espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta, irei fazer do tudo um romance condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão com tangas! E, nada se faz a estas incongruentes malezas nada saudáveis, que mais não são de “pandemia” mais “epidemia” misturada com “endemia” e outros significados de atroz visão que que nos põem a miar.

araujo33.jpgA nossa vida, de cada vez mais na mesma, passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, com os sem etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, cheiros encarquilhados misturados com iões ou densidade molecular dos anos na leitura de carbono e eteceteras complicadíssimos… Só sei, no fim desta lengalenga, que estamos fritos esperando as calendas Gregas (entenda-se como um dia que não mais chegará)!

Ilustrações de Costa Araújo (Mano Corvo)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:21
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2016
MALAMBAS. CXXVIII

TEMPOS DE USUCAPIÃO Compreender o que é uma Offshore (paraíso fiscal)… O termo vem dos tempos dos corsários que saqueavam os mares e depositavam a pilhagem off-shore (fora da costa).

Malamba é a palavra

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

galo2.jpgNão muito longe do mar, cheirando a primavera fiz sementeira num pedaço de meu pecúlio, e foram salsa, alface, coentros, rúcula, hortelã, beldroegas e rabanetes. Com os demais sentidos ondulando pelos montes revejo-me em andanças entre soagens, pimpilho, e magarça misturada com as belas cores da forragem, flores de Abril em plena estepe alentejana. Vindo recentemente dos mares quentes do Nordeste brasileiro deparo-me no M´Puto com novos desafios que, por força da estória por escrever, terei de caminhar do jeito que me é possível contestando os rolos da vida que não deveriam ser tantos.

dom5.jpg Limpando os chinelos, já na sala, faço uma busca na Wikipédia por modo a entender o que são esses paraísos fiscais designados de offshore; dei-me conta que o mundo está metido numa camisa com sete varas e meia, pois que isto tem muito de periclitante. Irei tentar resumir dizendo que são contas bancárias anonimas abertas em países ou territórios carecidos ou ávidos de ganhar com o dinheiro de empresas ou milionários de outros países. O intuito é o de pagar-se menos impostos do mono que se pagaria em seu país de origem.  O termo vem dos tempos dos corsários que saqueavam os mares e depositavam a pilhagem off-shore (fora da costa).

demo4.jpg E, como isto tem muito a ver com piratas estas facilidades surgem normalmente em ilhas tais como as Bermudas, Jersey, Ilhas Cayman, Madeira, Gibraltar e Berlengas. Como os lucros são bem  chorudos, alguns países continentais, como o Grão-Ducado do Luxemburgo, o Principado de Mônaco, a Holanda entre outros meio dissimulados, também se permitiram a esta engenharia, usando esquemas legais diferentes ou diferenciados dos demais, tretas de engnação a gente que paga ao fisco para fazer os ricos mais ricos. As “offshore company” situam-se fora do país de domicílio de seus proprietários, não ficando sujeitas ao regime legal vigente como IVA e demais taxas que a todos sobrecarregam. E nitidamente uma desregularização na economia de qualquer país.  Mas os politicos de primeira linha passam ao lado disto.

matri2.jpg É curioso as contas abertas sucederem maioritariamente em países de legislação britânica, usando o conceito jurídico de trust Trust law, originário da common law inglesa e que foi trazido para a Inglaterra pelos cruzados. O conceito de trust refere-se a uma relação em que a propriedade é mantida por uma parte, em benefício de outra; uma pessoa física ou jurídica detém a titularidade de um bem (intangível ou tangível), em benefício de outrem. Tal expediente é usado por quem pretende ocultar a identidade do verdadeiro dono do negócio. A Ingaterra sempre promoveu os corsários a "Sir"; historicamente, o título de senhor indicava e assim continua,  a superioridade de alguém em relação aos demais cidadãos.

monaco.jpg Nos países que adoptam o Direito Romano, como Portugal, tal artifício é substituído pela criação de fundações ou observatórios que, formalmente, são proprietárias de bens. Os bancos têm conhecimento apenas do nome dos trustes (ou seja, dos administradores ou procuradores) das contas ou dos gestores da fundação, ignorando completamente quem seja o real beneficiário do dinheiro depositado. Assim, mesmo que haja determinação judicial, é impossível que esses bancos forneçam informações sobre quem são os proprietários do dinheiro depositado nessas contas.

fundação.jpgfundação1.jpg Quer-se-dizer com isto que o pequeno cidadão, sai prejudicado nesta relação pagando pelos ricos que têm sempre um batalhão de advogados para fugir entre os pingos da chuva. Esta é a revolta que nos faz querer revirar o mundo! Já o Papa Bento XVI estava preparando uma encíclica que teria um capítulo especial intitulado "Fraude e Fisco". Estabeleceria condenação moral aos fraudadores e aos paraísos fiscais que se abrem à ocultação de patrimónios ilícitos. Mas, tudo ficou por aí.

mai1.jpg Bento XVI já havia estabelecido como "moralmente inaceitável" a conduta de pessoas que transferem, para fraudar o fisco e deixar de recolher tributos, parte do seu património para paraísos fiscais ou "zonas off-shore". Mesmo assim o Vaticano estado envolveu-se em práticas similares. Se isto não é lavagem de dinheiro, terão de nos explicar muito bem o que agora se passa com o “Panamá papers”

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:59
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Terça-feira, 26 de Abril de 2016
MOKANDA DO SOBA . XC

VIAGENS - Em terras de Vera Cruz … O Mundo anda demasiado mentiroso - Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando a capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade.

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

garça3.jpg Garça do Brasil, terra da festa da cerejeira, do café arábico e do bom queijo. Foram dias de adquirir muito conhecimento tendo como anfitriões a professora universitaria Alda e seu esposo Senhor Aparecido Cabreira. Nesta terra de Barões do Café foram-nos mostrados grandes extensões de cafezais já com o grão vermelho, plantações de árvores nobres e vastas áreas de eucaliptos; recordei aqui o trajecto do Huambo para a Caála em Angola, lugar aonde vivi até que me rejeitaram, já lá vão 41 anos. E, fomos visitar fábricas de tecidos, de rendados na cidade de Ibitinga para lá do rio Tieté e outras cidades com nomes de Borborema, Cafelândia, Araçatuba, Bauru, e Marília, um outro brasil, bem no interior do Estado de São Paulo, menos quente, mais ordenado, arrumado e disciplinado.

garça0.jpg Tive oportunidade de ver enormes árvores floridas como a Paineira e umas outras variedades de Mulungu, com outras cores para além do vermelho já muito falado por mim. A amiga Margarida Silvado partilhou connosco o quarto escritório, grande que nem uma caserna bem em frente do caqui (dióspiro) alto como nunca tinha visto, talvez uns oito metros. Caqui, pasto de maricatas (um tipo de papagaio) que bem cedo, ainda noite, palreavam em nosso sossego da sonolenta vontade de por ali ficar, na cama, por mais uns minutinhos.

garça4.jpg Aqui tive a sensação que o mundo deve ter-se iniciado com uma singularidade nua como esta aqui vivida. Entenda-se como singularidade nua o espaço-tempo que não é cercado por um buraco negro e, tendo seu ponto no lugar de curvatura aonde se torna infinito. Isto é um pouco difícil ser assimilado porque neste entretanto, o espaço da amizade tornou-se num infinito querer. Foi aqui, e no aconchego duma temperatura agradável, vermos o zero absoluto sublimando-se numa empática substância que não tendo energia térmica, nos evaporou em energia saudosa de permanecer assim, etéreos. Provavelmente vai ser difícil a alguém que não eu, conjugar deste jeito o verbo sublimar sem o comparar com o desaparecimento das bolas de naftalina.

garças5.jpg Partindo do pressuposto que o homem é uma criatura racional, livre para observar o espaço como melhor aprouver e, assim extrair deduções logicas do que vê e do que sente, será razoável supor também que o mesmo homem pode progredir cada vez mais na direcção das leis naturais que governam o Universo. Bem! Eu estou em uma cidadezinha chamada de Garça buscando evidências para concluir correctamente a resposta mais lógica que nos firma ao princípio ainda não desmentido da selecção de Darwin; os mais fortes sempre subsistem aos mais fracos

garças8.jpg Neste lugar, parece que o pensamento surge mais lúcido que noutro qualquer; um bom espaço para se morar, viver com padrões de agrado mais elevados por via dos padrões e comportamentos conhecidos da sociedade em outras paragens e, neste mundão chamado de Brasil. Desde a aurora de nossa civilização que as pessoas não se dão por satisfeitas, porque sempre se anseia compreender a ordem do subjacente, essa que alastra pelo mundo.

garças7.jpg A incógnita é nada menos do que a exacta descrição do universo aonde vivemos. Cada dia é uma nova experiência! Em verdade só poderemos descrever em nós e em nosso redor os padrões de comportamento, mas serão outros escondidos por paraísos fiscais e, que no anonimato nos alterarão a ordem com sobrecargas fiscais. Nosso desejo, enfim, torna-se profundo pelo conhecimento e, é só por isso uma suficiente justificação da nossa contínua busca! Mas, feliz mesmo, é quem nada disto sabe, nada tem, nada ambiciona…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:34
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Domingo, 24 de Abril de 2016
XICULULU. LXXIV

EUROPA - ENGENHARIA FINANCEIRA - Para ler com tempo! - Assim vai esta EUROPA a cair aos pedaços...  (noticia atrasada, só como como indiciadora dos paraísos fiscais)

Holanda: um cínico paraíso fiscal

t´chingange.jpegAs escolhas de T´Chingange

   xicu10.jpgVicenç Navarro* ::: Um artigo de um catalão* -  merecedor de leitura. A pessoa em causa, prejudicou com imensa perfídia (não só aos espanhóis e gregos...). Das empresas Portuguesas para já, que me lembre temos a Sonae e a Jerónimo Martins.

xicu 1 - Jeroen_Dijsselbloem.jpg Jeroen Dijsselbloem** – Nome do ministro holandês que pressionou Espanha e Grécia para adoptarem as medidas de austeridade tem transformado a Holanda num grande paraíso fiscal. Qualquer leitor que tenha seguido de perto as notícias sobre a Grécia recordará que uma figura crucial da imposição das políticas de austeridade ao povo grego, as que tiveram um impacto devastador para aquele país, foi o Presidente do Eurogrupo, o ministro da Fazenda da Holanda, o Sr. Jeroen Dijsselbloem, que liderou o ataque (e não há outra forma de descrever o que ele fez) contra a Grécia, forçando o país a aplicar as receitas neoliberais, que causaram dano, não só às classes populares gregas, mas às de todos os países – incluindo a Espanha – cujos governos adoptaram as mesmas receitas.

xicu13.jpg Tal personagem foi especialmente duro nas exigências fiscais, acusando o governo do Syriza de não fazer o trabalho que tinha que fazer, ou seja, recolher fundos públicos para pagar as dívidas herdadas do governo conservador liberal anterior. E este mesmo senhor vem pressionando o governo espanhol, com extrema insistência, para que faça mais cortes e ajustes do gasto público, aplicando as mesmas políticas públicas que causaram efeitos danosos ao povo grego, liderando o sector mais duro do Eurogrupo, conformado pelos ministros de Economia e Finanças dos países da Zona Euro, que ele preside. Depois da Grécia, Dijsselbloem escolheu a Espanha como seu alvo principal exigindo cortes de nada menos que de 9 bilhões de euros, que desmantelariam ainda mais o já bastante subfinanciado Estado de bem-estar espanhol.

 

way4.jpg A Espanha é um dos países com mais baixo gasto público social por habitante entre os quinze mais importantes países da União Europeia, em saúde, em educação, em pré-escolas, em serviços domiciliários, em moradia social, em serviços sociais e um longo etc. Mas tal personagem colocou como prioridade um trabalho para que esse gasto seja ainda menor – segundo ele, o deficit público da Espanha é hoje o maior problema o país tem, ponto de vista que, por certo, é amplamente sustentado pela maioria dos economistas neoliberais, os quais possuem grande projecção mediática nos meios de informação e persuasão espanhóis (incluindo os catalães).

urubu.jpgQuem é este personagem, o Sr. Dijsselbloem?

O que não se sabe – porque não se publica em nenhum dos maiores meios de informação – é quem realmente é este senhor. Esse personagem jogou um papel crucial no trabalho de transformar a Holanda num paraíso fiscal onde as maiores empresas europeias (incluindo algumas espanholas) e norte-americanas evitam pagar seus impostos nos países onde se realiza a produção, a distribuição ou o consumo dos seus produtos. A política impositiva desse país está desenhada para atrair as companhias multinacionais, que estabelecem suas sedes na Holanda. As vantagens fiscais e subsídios públicos, assim como seu tratamento favorável às rendas do capital, são bem conhecidas no mundo financeiro e empresarial.

carambola5.jpg Isso explica que existam muitas companhias que estabelecem sua sede na Holanda (desde a mineira canadense Gold Eldorado à estadunidense Starbucks, a lista é enorme). Na verdade, algumas dessas companhias possuem na Holanda somente um endereço postal, sem sequer um edifício de referência, como é o caso dos grupos musicais Rolling Stones e U2, do Sr. Bono Vox, que se fez famoso e rico supostamente defendendo os pobres do mundo. Muitos desses benefícios fiscais e subsídios, assim como as transacções financeiras, não têm transparência, e até mesmo os membros do Parlamento holandês não têm acesso a essa informação.

xicu14.png É surpreendente como a Holanda, porém, não aparece na lista de paraísos fiscais. E isso se deve à activa mobilização da coalizão governante na Holanda, formada pelo partido social democrata, ao qual pertence o ministro da Fazenda, o Sr. Dijsselbloem, dirigindo a política económica e financeira do país, e pelo partido radical de directa, os quais aprovaram juntos uma lei no ano de 2013, que indica que a Holanda não é um paraíso fiscal, por mais que se pareça. Assim, o governo holandês praticamente proibiu o uso de tal termo, o que não foi um obstáculo para que esse mesmo governo apoiasse a realização de seminários para empresários estrangeiros (realizados em países estrangeiros, a Ucrânia foi o último deles) para lhes ensinar como evitar pagar impostos na Holanda.

tzi1.jpg pal3.jpg

Como bem indica o estudioso economista David Hollanders, a Holanda é um exemplo clássico e ilustrativo sobre o que é um paraíso fiscal. Ele aponta, em um de seus estudos, que há 12 mil empresas (que fazem circular um total de 4 bilhões de euros) que possuem uma sede postal na Holanda, que incluem 80% das cem maiores empresas do mundo e 48% das maiores companhias que aparecem na revista Fortune.

CAPITALISTA.jpg Entre tais empresas com sedes holandesas, estão empresas portuguesas, espanholas (como a empresa que se beneficiou da privatização da empresa pública Aigües Ter Llobregat, realizada pelo governo da Catalunha), gregas e outras, o que significa que Grécia, Espanha, Portugal e outros países deixam de arrecadar impostos (milhões e milhões de euros) e que os cofres desses Estados perdem dinheiro devido às políticas aprovadas pelo governo holandês, políticas essas que tiveram como um dos principais responsáveis justamente o Sr. Dijsselbloem, o mesmo personagem que acusa a Grécia e a Espanha de apresentarem excessivos deficits públicos, os quais talvez não existiriam se as grandes empresas pagassem os impostos que deveriam pagar se não tivessem suas sedes fora do país, em países como a Holanda. Portanto, este senhor foi um dos que favoreceu essa situação, a qual ele agora condena.

xicu11.jpgSabe-se que o Sr. Jean-Claude Juncker***, hoje Presidente da Comissão Europeia, é outro personagem que fez o mesmo quando foi presidente e ministro da Fazenda de Luxemburgo, outro paraíso fiscal onde um grande número de empresas internacionais, incluindo espanholas, possuem sua sede. O Sr. Jean-Claude Juncker também é dos que usa todos os meios para pressionar em favor da aplicação de políticas de austeridade na Grécia e na Espanha. Mas não se sabia tanto desta outra figura, o Sr. Dijsselbloem. O cinismo e a indecência – para não dizer falta de ética - ambos os sujeitos alcançam níveis sem precedentes. E esta é a Europa à qual nós pertençamos.

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*…..Vicenç Navarro - Catedrático de Economia Aplicada na Universidade de Barcelona. Professor de Ciências Políticas e Sociais na Universidade Pompeu Fabra de Barcelona e professor de Políticas Públicas na The Johns Hopkins University (Baltimore, EUA).

**…..Jeroen René Victor Anton Dijsselbloem é um político Holandês do Partido do Trabalho. Actualmente é Ministro das Finanças dos Países Baixos e presidente do Eurogrupo.

***….. Jean-Claude Juncker é um político luxemburguês, tendo sido o primeiro-ministro do Luxemburgo, de 20 de janeiro de 1995 até dezembro de 2013

As Opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:11
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Sábado, 23 de Abril de 2016
CAFUFUTILA . CX

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA - Com Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia… 5ª de várias partes…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; uma parcial inventação falando do personagem que vi em vida, e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe.

zé peixe0.jpg E, tudo teve início para a livrar Roxo do tormentoso “Princípio da Incerteza” que formata a matemática quântica. Como em todas as novelas, os dramaturgos mudam no correr do suspense os episódios e, agora com este desafio de avançar com a estória de Zé Peixe e as Sereias Roxo e Oxor, vejo-me forçado a recorrer a um amigo tão, tão antigo, que anda por aqui e ali, volatilizado no tempo; chama-se Januário Pieter. Esta lendária figura, surge-me sem hora marcada nem outros entretantos, quando fico encafifado, descomplicando-me as verdadeiras vistas do paralém, paratrás e paracima com suas vertiginosas chiadeiras na fricção do tempo, subindo e descendo sem curvas, assim como se entrasse num portal muito tapado de cacimbo!

araujo1.jpgCom ele, já será possível esticar a estória andando no espaço-tempo de forma aleatória e acrescentando mais episódios com sereias e kiandas da Calunga com gente normalíssima da silva assim como um tal de Joaquim de Lisboa que em dada altura e para sobreviver em sua traineira teve de fazer uma caldeirada de peixe voador com solas variadas de sapatos mais quedes com sola de pele de boi, marca macambira e umas cascas de mandioca que serviam de isco na apanha desse tal peixe com asas.

roxo9.jpg Lá atrás expliquei que Sereias são  Kiandas que fazem parte da kalunga, "grande mar", entidades fortemente ligadas aos Orixás e Iemanjás das águas do mar, um poder regenerador no campo sentimental. Chamarei de kwangiadas às ninfas do Kwanza e de Zairiardes às do rio Zaire ou Congo em Angola. Lá mais para a frente iremos reencontrar as sereias ou kiandas de Guaxuma com que tive a experiência mais recente e aonde pude ver sentada a Serei Roxo, tetraneta daquelas, rogando socorro a um mortal como eu. Só mais tarde me dei conta de existir uma outra igual, uma gémea vista por reflexo ao espelho.

ROXO17.jpgPois então, num pedaço de nada, acabado de cochilar na minha rede de Pambu N´jila a escassos metros da Calunga, lugar de antigas Sesmarias do M´Puto jiboiando no sopro da primavera ele, veio até mim. No cumprimento do sonho, dei-lhe um abraço de completo vácuo; era Januário Pieter, meu guia-surpresista. Quase chorei de comoção por uma tão grande e distinta deferência. Nós que vivemos no além (referindo-se a ele e, curiosamente incluindo-me), podemos fazer diversas coisas, mesmo sem entender como as realizamos tais como locomovermo-nos e plasmarmo-nos, disse em jeito de comovida explicação (pude ver isto pelo seu semblante e ruga de seu templo, testa. Neste meio tempo e depois de ter estado contigo em Zanzibar, formei-me “engenheiro espiritual” em Toledo; dizendo isto como se tudo tivesse acontecido escassos dias antes, disse que por via dessa formação e, através dos fluidos da natureza, conseguia pelo pensamento, criar no espaço, paisagens de multicolores holografias. Só apareço porque as pinturas relampejantes de Assunção Roxo me chamaram a atenção; foi quando reparei no assunto embrulhado de cacimbo, em que te meteram ou te meteste.

roxo23.jpg Desde que sou “engenheiro espírita”, explico o que custa a apreender às gentes desavindas mas, boas como tu (referia-se a mim) que nutres de paixões, orações e bons pensamentos. Neste meu estado, luto contra atitudes de espíritos que não são evoluídos, que não possuem compreensão e que ainda estão arreigados em paixões inferiores. Apontando para o jardim, foi falando, estás a ver aquele melro a esgadanhar tuas sementeiras, coisas que tu aprecias, e as gralhas que por aí vão passando em bandos! São condicionantes a que eu recorri para teu exclusivo agrado e, porque agora estás virado às coisas terrenas de beira-mar, venho em tua ajuda. Conferenciaremos sobre esse tal de Zé Peixe e suas ancestrais gerações em conjunto com tuas amigas Roxo e Oxor que tu tanto referes quando te espraias nas reflexões de arco-íris, as cores de roxo.

araujo19.jpg Nunca antes, Januário Pieter, figura recriada por mim, se referiu assim tão directamente como um especial meu assessor. Enquanto isto, as notas de Dó a Si do espanta espíritos da varanda N´jila do pátio andaluz, saudavam-nos mas, creio que mais propriamente à kianda ilustre vinda do álem com os ventos de primavera. Sorrindo, indiquei-lhe o lugar da rede a meu lado, contente com sua desejada visita, dizendo-lhe que a minha principal procuração, era tentar ser útil, sentir a gratidão vendo sorrisos em olhares tranquilos, viver com dignidade e saber contribuir para alguém também ficar bem. Fabricando a felicidade com pouco mais que nada, ali estávamos prontos a desfrisar estórias de inventação, sem menosprezar a vontade de fazer ao querer fazer, sem sugar energias alheias.

araujo27.jpg É bom visitar-te, disse Januário Pieter, sentir que dás bom uso às migalhas que te dou, que me orgulhas como um rebuçado de doce vontade. Aqui ficarei até mastigares por inteiro esta estória que vinda do Brasil paira agora entre Portugal e Angola, teu triângulo de afinidades! Num até amanha deixou-me liberto para outras tarefas largando seu prefácio de hoje como um resquício de sua sabedoria perfumada: “- Não podemos fintar as leis que nos regem e, uma delas é “fazermos a nós, o que fazemos aos outros”. Irónico, talvez, Pieter fintador despediu-se num mungweno. Espanto meu! Pieter já fala em Kimbundo….

natal1.jpgGLOSSÁRIO:

KIANDA: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; ONGWEVA: saudade em português; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, encruzilhada elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga

Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!

Ilustrações de Costa araujo e Assunção Roxo

Capa de Costa Araujo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:07
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2016
MALAMBAS. CXXVII

ANGOLA - TEMPOS DE USUCAPIÃOA malandragem prolifera desregularizando a democracia – Vou entretanto descansar os olhos e os artelhos…

Malamba é a palavra

Por

soba 01.jpgT´Chingange

ango0.jpg O governo corrupto de Angola decidiu em 2009 pedir 693 milhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional dos quais ainda deve cerca de 70 milhões. Voltou agora de chapéu na mão e servilmente a esmolar do FMI mais um empréstimo. O mais certo será que parte deste dinheiro vá parar em paraísos fiscais no reino da Conchinha para gaudio dos cortesãos do paço real que o EDU desgoverna. O Governo Chinês que só exporta chineses, com os seus 1.357 biliões, tudo faz para que dentro de pouco tempo surjam os “CHINANGOLAS” idênticos aquelas que já existem em guetos por esse mundo fora.

ÁFRICA3.jpg Por norma agregam-se ao crime e corrupção, pois a mafia chinesa tem pergaminhos de alto índice. Até aqui e, pelo que se sabe, têm cometido assassinatos e roubos com impunidade e até cobertura das autoridades angolanas. Trinta anos atrás, os Cubanos roubaram angolanos até à medula pois até fabricas inteiras construídas pelos portugueses foram desmanteladas e enviadas para a sua ilha do Caribe. E, também levaram milhares de carros, as casas que tinham sido abandonados pelos brancos, foram devassadas e pilhadas de tudo o que tinha valor.

ÁFRICA13.jpg A ordem de hoje não é suficiente para desencorajar os desmandos que os chineses vão fazendo pelo território. Os membros parlamentares da UNITA, alguns ainda não comprados, vão falando na Assembleia Legislativa, quase a medo. Com o petróleo a perto de 100 dólares por barrir, era roubar à tripa forra; o dinheiro lá ia chegando para pagar aos construtores das obras faraónicas e ainda dava para distribuir algumas migalhas pelo povo carecido. Angola deixou de ser o eldorado que todos procuravam e os contractos de trabalho pagos em dólares e, porque acabaram, saem agora de lá como ratos abandonando o barco. O trágico fim que se avizinha anda a passos largos porque o Kwanza, não é credível no mercado, nem no das quinguilas.

ÁFRICA1.jpg O amor que estes novos emigrantes portugueses diziam ter em relação ao governo que indirectamente lhes pagava, esfumou-se! Desvaneceu! Kitari malé... Milhares deles já regressaram ao M´Puto como os retornados o tinham feito em 1975, só que em muitas melhores condições. Estes novos brancos (na generalidade) nada lá deixaram, nem as lágrimas dum fingido amor pois nada lá investiram. Aos retornados foi dado 5000 escudos por pessoa e por uma vida, para refazerem outra, quando chegaram ao aeroporto da Portela. Tudo o mais deles lá ficou, em Angola! Descolonizado, dizem! Mal vai o país, em que a morgue tenha mais de 300 cadáveres espalhados pelo chão sem que se saiba a causa de tantas mortes repentinas e qual a causa. Custa a acreditar que um golpe de estado em Angola tarde tanto a acontecer! Que o povo seja tão tolerante para com os governantes e seus apaniguados delapidadores das riquezas do país!

 lu2.png Com a ladroagem tão disseminada pelos políticos angolanos, seja na oposição ou nos governantes do MPLA, a mudança fica enferrujada. O recente escândalo do “Panamá Papers” é mais do mesmo espalhado pelo mundo todo. O dinheiro corrompe todos, independentemente da cor da pele e dos que detêm o poder. No tocante a Angola diga-se, o povo angolano tem o que merece, pois foi ele que colocou no poder os políticos que agora os governa; de Portugal pode-se dizer o mesmo com a agravante de serem tomados como mais conscientes! Mais informados!

besanga0.jpg Angola depois de ter sido fortemente criticada pela comunidade democrática mundial vem candidamente declarar que respeita os direitos humanos como se alguém fosse acreditar. Angola assim, é algures um país de África, uma anedota com um  ridículo presidente chamado de “Dos Santos” com muitos energúmenos que perfilam a seu lado. Aonde já se viu ser o EDU a constituir-se dono duma nação, com o poder absoluto no judicial, militar e os escambau como dizem os brazucas…

Nota: Com um outro tom de fala, outros modos, isto já foi dito algures por António J. Canhoto

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:11
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2016
CAFUFUTILA . CIX

NAS FRINCHA DO TEMPO –  Com Zé Peixe  de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia… 4ª de várias partes…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

fifa3.jpgPrometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; assim, surgiu esta parcial inventação falando do personagem que vi em vida e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe. E, tudo para a livrar do tormento do “Princípio da Incerteza” que formata a matemática quântica. Como em todas as novelas e, para manter o suspense, convém que não se saiba os episódios seguintes mas, a amiga Maria Sacagami ansiosa, desvendou quem era o personagem Zé Peixe de Aracaju. A carga emotiva desvaneceu-se obrigando-me a dar um giro por outras atractivas felicidades. E como quem conta um conto, acrescenta um ponto, talvez se tenha de esticar a estória andando no espaço-tempo de forma aleatória. Pois lá teremos de acrescentar mais episódios com sereias e kiandas da Calunga.

kianda 01.jpg* - Sereias são Kiandas que fazem parte da calunga, "grande mar", são entidades fortemente ligadas ao orixá Iemanjá, das águas do mar, um poder regenerador no campo sentimental. São efeitos de facilitar a escrita um pouco à figura de Camões que das ninfas criou as tágides, ninfas do Tejo. Eu chamarei de kwangiadas às ninfas do Kwanza em Angola. Aqui no Brasil, às sereias de Guaxuma chamaria só kiandas de Guaxuma 

kianda1.jpg(…) Nas chegadas dos navios ao porto, as vezes utilizava-se de uma prancha para ir em busca das embarcações mais distantes, e as aguardava em cima da bóia de espera (a 12 km da praia) durante a noite toda ou mesmo durante um dia todo, até a maré ser propícia à aproximação e ao desembarque no porto. Zé Peixe realizou esses feitos até em sua idade avançada, o que surpreendia tripulação e comandantes desavisados. Com 82 anos e já enfermo, solicitou junto à Marinha seu afastamento definitivo.

zé peixe 1.jpg Um homem franzino e introvertido de 1,60m de altura e 53 Kg, sempre cativante por sua humildade, dignidade e simpatia. Zé Peixe comia muito pouco e não se banhava com água doce. Sua dieta se baseava em pães com café pela manhã e era rica em frutas durante todo o dia. Também não fumava, nunca bebeu álcool, dormia às 20h da noite e acordava às 6h. Apesar da insistência dos pais, desde criança não tomava banho de água doce, pois vivia no mar. No entanto, tinha o ritual de manter barba e cabelos sempre cortados.

buzios1.jpg Quando fora de serviço, gostava de ir cedo cuidar de seus botes atracados em frente à capitania dos portos, ir tomar banho de mar e andar de bicicleta até o mercado, onde comprava frutas. A pé ou em bicicleta, só andava descalço. Usava sapatos somente em ocasiões especiais ou quando ia às missas da Igreja do São José ou do Colégio Arquidiocesano. Nunca saiu do lugar onde nasceu.

zé peixe 8.jpg A antiga casa, toda pintada de branco por fora e azul por dentro, é muito simples. Entulhada de lembranças, títulos e medalhas que Zé Peixe juntou na vida, além de miniaturas e desenhos de barcos, e de imagens de santos católicos. Morreu em Aracaju na tarde de 26 de abril de 2012, vítima de insuficiência respiratória, aos 85 anos. Estas novidades sobre zé Peixe podem ser revistas por todos através de wikipédia mas, desconhecem que ele, já era em uma outra vida lá muito para trás, filho de uma kianda. Pois é aqui que começam a surgir os encantamentos havidos entre um boto golfinho do amazonas e uma kianda saída do Kwanza, talvez a tetravó das manas sereias kiandas de Guaxuma e, com os nomes de Roxo e Oxor.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:19
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2016
XICULULU . LXXIII

CASO INSOLITO COM ALTA TECNOLOGIA - O submarino afundado por mau uso de seu WC – 2ª guerra mundial

kimbo 0.jpgAs ecolhas do Kimbolgoa

A descarga fatal do U-1206, como um capitão alemão, “afundou”, o seu submarino usando o toilete!

   Pelos padrões da Segunda Guerra Mundial, o submarino alemão tipo VIIC era um caçador avançado dos mares. Mas um navio azarado de sua classe, o U-1206, afundou durante sua viagem inaugural de combate, depois que seu comandante usou o vaso sanitário high-tech da embarcação de forma inadequada. Sim, isso realmente aconteceu, e foi uma consequência inesperada e trágica de um problema real de engenharia naval.

  Por anos. Engenheiros alemães estiveram ocupados desenvolvendo o que eles pensavam ser a próxima geração de submarinos. Enquanto os submarinos aliados canalizavam seus esgotos para fossas sépticas da embarcação, os submarinos alemães tentavam economizar um precioso espaço a bordo, descarregando os resíduos directamente no mar. No entanto, o sistema alemão só funcionava quando o submarino estava perto da superfície, onde a pressão da água era baixa. Só podemos imaginar as condições desagradáveis para a tripulação quando esse tipo de embarcação tinha de ficar submerso por períodos prolongados.

 Em 1945, a tecnologia do vaso sanitário havia amadurecido. Mentes superiores da Alemanha já produziam um vaso sanitário de alta pressão para águas profundas, que liberava os dejetos quando a embarcação estava profundamente submersa. Esse tipo de lavabo, porém, era extremamente complicado. Primeiro, ele dirigia os dejetos humanos, através de uma série de câmaras, para uma câmara pressurizada. A engenhoca, em seguida, liberava a carga no mar a ar comprimido, como uma espécie de torpedo cocô. Um especialista em cada submarino recebeu treinamento sobre os procedimentos operacionais para usá-lo adequadamente. Havia uma ordem exacta de abertura e fechamento das válvulas para garantir que o sistema fluísse na direcção correta.

 Conheça agora U-1206 e seu orgulhoso comandante de 27 anos de idade, Karl-Adolf Schlitt. Em 14 de abril de 1945, Schlitt e seu submarino estavam há oito dias em sua primeira patrulha de combate na guerra. O submarino espreitava a 200 pés abaixo da superfície do Mar do Norte, quando Schlitt decidiu que ele mesmo ia manusear os equipamentos do banheiro. Mas Schlitt não fora treinado como especialista de higiene. E teve de chamar um engenheiro para ajudá-lo, o qual, por sua vez, virou uma válvula errada e, acidentalmente, desencadeou uma torrente de águas residuais e água do mar de volta para o submarino. A situação saiu do controle rapidamente. O líquido desagradável preencheu o compartimento do banheiro e começou a fluir para baixo, inundando as baterias gigantes do submarino – localizadas directamente abaixo do banheiro – que, por sua vez, reagiram quimicamente e começaram a produzir o gás cloro.

Resultado de imagem para submarinos da segunda guerra mundial Com o gás venenoso a espalhar-se pelo submarino, Schlitt freneticamente ordenou que o barco subisse à superfície. A tripulação esvaziou os tanques de lastro e disparou os torpedos em um esforço para melhorar a flutuabilidade da embarcação inundada. De alguma forma, ficou pior ainda quando o submarino chegou à superfície. "Neste momento, aviões britânicos nos descobriram", escreveu Schlitt em seu relatório. Depois de sofrer os fortes danos de um ataque aéreo, a única opção era ordenar os marinheiros que abandonassem o submarino e o afundassem.

Resultado de imagem para submarinos da segunda guerra mundial "A tripulação chegou à costa escocesa em botes de borracha," acrescentou Schlitt. "Na tentativa de abordar a costa íngreme com o mar bravio, três tripulantes morreram tragicamente. Vários homens foram resgatados por um veleiro britânico. Os mortos eram Hans Berkhauer, Karl Koren e Emil Kupper ". Schlitt sobreviveu à guerra e morreu em 2009. E os restos do U-1206 permanecem no fundo do Mar do Norte desde aquele dia.

As escolhas de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:08
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Terça-feira, 19 de Abril de 2016
CAFUFUTILA . CVIII

NAS FRINCHA DO TEMPOCom Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia… 3ª de 4 partes

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; assim, surgiu esta parcial inventação falando do personagem que vi em vida e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe.

kianda.jpg* - Sereias são Kiandas que fazem parte da calunga, "grande mar", são entidades fortemente ligadas ao orixá Iemanjá, das águas do mar, um poder regenerador no campo sentimental. São efeitos de facilitar a escrita um pouco à figura de Camões que das ninfas criou as tágides, ninfas do Tejo. Eu chamarei de kwangiadas às ninfas do Kwanza em Angola. Aqui no Brasil, às sereias de Guaxuma chamarei só de kiandas de Guaxuma 

zé peixe9.jpg (…)Zé Peixe de Aracaju, José Martins Ribeiro Nunes de nome, foi um prático brasileiro que se tornou uma figura lendária no estado de Sergipe, devido a seu modo incomum de exercer sua actividade conduzindo embarcações de grande calado que entravam e saíam de Aracaju, pelo Rio Sergipe. O inusitado, em sua tarefa, se devia ao fato de não necessitar de embarcação de apoio para transportá-lo até o navio. Quando havia um navio necessitando entrar na barra do rio Sergipe, ele nadava até o navio. Da mesma forma, após conduzir o navio até fora da barra, ele saltava e voltava à terra nadando. 

zé peixe 2.jpg Algumas vezes ele saía numa embarcação e nadava até uma bóia que sinalizava o acesso à barra de Aracaju, onde aguardava as embarcações que necessitavam de seus serviços para entrar na barra. (Era este o lugar de encontro com as sereias Roxo e Oxor que descrevo no texto da crónica)* Em 1947, mediante concurso, foi admitido como Prático no lotado da Capitania dos Portos de Sergipe, profissão que exerceu por mais de meio século (naquela época a remuneração de prático era bem mais modesta).

roxo8.jpg Mas foi seu modo peculiar de trabalhar que o fez famoso em vários meios de comunicação. Quando um navio tinha que sair do porto guiado pelo prático, Zé Peixe não utilizava um barco de apoio: subia a bordo e, uma vez guiada a embarcação para o mar aberto, amarrava suas roupas e documentos na bermuda e saltava do parapeito da nave em queda livre de 17 metros até a água (uma altura equivalente a 5 andares), nadava até 10 km para chegar à praia, e ainda percorria a pé outros 10 km até a sede da Capitania do porto. 

carn1.jpg Por várias vezes Zé Peixe referia ser aquele óleo inebriante que as sereias Roxo e Oxor que lhe davam esta força que vinha dum paralém desconhecido. Ele de nada sabia, que aquele grande mar o tinha escolhido como parceiro das kiandas, umas muito antigas kwangiadas saídas dum outro rio do outro lado do mar, o Kwanza. Como ia eu explicar a um homem feito golfinho, pouco letrado, ter havido em tempos idos umas ninfas mediterrânicas com descendência no estuário do Tejo! E, que mais tarde se transladaram para terras de N´gola, num rio chamado de N´Zaire e mais um outro mais a sul, aonde foram acarinhadas pelos Mafulos na foz do Kwanza. 

roxo26.jpg Este contratempo narrativo surge-me no meio da estória para chegar aos Tugas, a Muxima e aos óleos especiais saídos do dendém e cocnut usados pelas sereias, kiandas e kwangiadas. O azeite, ou óleo de palma é um óleo usado na culinária brasileira e angolana mas, também, no candomblé. O óleo de coco actua como um hidratante eficaz, incluindo a pele seca sem ter quaisquer efeitos secundários adversos sobre a pele da aplicação do óleo de coco. Portanto, foi esta a solução segura que Zé Peixe teve e, sem adivinhar manteve sua pele sem descamar ou se, se ressecasse com os anos seguidos metidos em água salgada. Por estes motivos Zé Peixe atrasou o aparecimento de rugas e flacidez em sua pele, coisas que acompanham o envelhecimento.

assun6.jpg A barra do Rio Sergipe era uma das piores entradas portuárias do Brasil. Zé Peixe, por sua dedicação e seu conhecimento detalhado da profundidade das águas, das correntezas e da direcção do vento, sempre se destacou no serviço de praticagem. Uma vez guiada a embarcação para o mar aberto, amarrava suas roupas e documentos na bermuda e saltava do parapeito da nave em queda livre de 17 metros até a água (uma altura equivalente a 5 andares), nadava até 10 km para chegar à praia, e ainda percorria a pé outros 10 km até a sede da Capitania dos portos. Também aqui se fazia sentir a ajuda das sereias, as tais kiandas da calunga tão regeneradoras do espírito; imaginem este salto dado por um homem com 75 anos.

(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:12
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2016
MUJIMBO . CXVI

BRASIL - CICATRIZES DO TEMPO - A política brasileira está num braseiro de churrasco. Vai sair uma galinha e entrar um galeto…

Por

t´chingange 0.jpg T´chingange

dilma1.jpg O caso de impedimento de Dilma Rousseff do cargo de Presidente da República depois de ter obtido o voto de mais de dois terços da Câmara de Deputados neste domingo segue para o Senado, dando continuidade a uma batalha política que coloca em causa o lugar da “Presidenta”. Mesmo que seja destituída no Senado, a convulsão política vai continuar a desestabilizar a governação que se lhe seguir. Se Dilma fica politicamente ferida de morte, o que se lhe segue Michel Temer actual Vice-presidente, continuará a governar em águas turvas pois que ao que se sabe quase não há políticos brasileiros que não sejam associados ao escândalo da Operação “Lava Jato”. E, ele nesta matéria, também não tem as mãos limpas.

dilma2.png A política brasileira vive dias incendiados, os braseiros lançam inevitavelmente brasas que queimam a todos, culpados e inocente. Mas diga-se que tudo foi um bocado caricato porque no plenário quando se anunciava que o partido tal estava a favor da destituição, os que estavam de pé lá atrás começavam aos gritos como se fosse um comício ou se estivessem numa brincadeira de faz-de-conta. Procedimento que não dá para entender em homens que deveriam ter estatuto capacitado de responsabilidade.

dilma3.jpg Em verdade o que se está a passar no Brasil, atinge inevitavelmente toda a classe política e, que se saiba quase não há políticos brasileiros que não estejam associados à operação Lava Jato. A partir de certa altura, vão todos os nomes para a fogueira; justos e pecadores são tratados da mesma maneira. Há aqui uma vertigem autofágica do sistema politica brasileiro e os intervenientes, ainda não entenderam que estão a dar tiros em seus  pés”.

dilma4.jpgO Petrolão, é um escândalo de loteamento de luvas em que todos os partidos receberam a sua quota. É difícil encontrar um que não tenha culpas no cartório.

dilma6.jpg Ninguém pode ficar agradado com a prestação do vice-presidente Michel Temer que à sua maneira cometeu incestuosos crimes de ética. Ele já disse que se a Presidente sobreviver, ele também não sairá do lugar. Isto só por si, revela um baixo nível de vergonha e de pudor na política. O sistema é simplesmente disfuncional. O Brasil precisava de tudo neste momento, menos de uma crise institucional. Vamos ver o filme sentados pra não nos cansarmos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:03
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2016
CAFUFUTILA . CVII

NAS FRINCHA DO TEMPO –  Com Zé Peixe  de Aracaju e a Sereia Roxo Socorro, algures num recife, por vezes numa bóia… 2ª de 4 partes

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; assim, surgiu esta parcial inventação falando do personagem que vi em vida e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe.

assun1.jpg- O senhor vem donde? -Aqui chama-se de capim santo! – Mas, sei que lá no Mato grosso chamam de erva-cidreira! Foi mesmo fácil encetar uma conversa prolongada com o senhor José Martins mais conhecido por Zé Peixe. Entretanto Rita e Ibib apreciavam um pedaço da mata atlântica e uns macaquinhos que surgiram dando a sua graça. Depois duns entretantos para repor a empatia no justo valor, Zé Peixe foi descrevendo suas peripécias ao longo de muitos anos enfronhado no mar. Contei-lhe a cena da sereia lá no Guaxuma e, nem foi necessário entrar em pormenores dos encontros imediatos com estes seres desacreditados.

zé peixe 2.jpg - Há sereias sim! Disse isto depois de entrelaçar minha pergunta com uma pausa porque acto continua o rafeiro tupi, sem mais nem porquê uivou ao vento, algo inusitado que o fez tremular os músculos mas, repondo sua feição digna de velho do mar, em seguida, sem pestanejar e fincando bem as rugas por de cima das sobrancelhas repetiu: - Há sereias sim! Não tem conta as vezes que elas me fizeram companhia, eu agarrado à bóia, à prancha nadando e elas agarradas a mim! – Elas? Interrompi bem admirado de tal evento.

- Sim! -Eram duas manas mas só aparecia uma de cada vez; não sei explicar o porquê de sempre se fecharem no silêncio delas, cada qual tinha seu jeito e sabe, cada uma lançava perfumes diferentes que nem sei bem como explicar. 

roxo24.jpg Estava a obter informações para além do que pretendia; fiquei demasiado absorto nas falas dele.

- Foi com elas que andei sempre. Tanto a Roxo como a Oxor me ajudavam quando o cansaço me tolhia a vontade, sabe! Se não fossem elas eu não poderia ter feito o que sempre fiz por tantos anos. Nem eu seria o que sou, e até por isso e como elas, conservo-me assim sempre salgado; foram elas que me aconselharam, acrescenta.

-Sabe! Disse ele para mim, fincando-se bem em meu olhar com brilhantina curiosa: - Elas roçavam suas escamas em mim e, delas as escamas, saia um óleo que me fazia rolar o cérebro! Hó se me animava, belos tempos…

zé peixe5 5.jpg - Estranhei sempre, sabe!… Ser só eu a vê-las! No início ainda falei com os companheiros mas estes sempre me bromearam, pois sempre me fizeram pouco e, fui deixando de falar. Agora já estou velho para esconder as verdades, quem quiser que acredite, quem não quer, que bote fora, sabe! 

-Mas, então tinham mesmo esses nomes? Perguntei eu ainda pouco refeito desta novidade.

- Era assim que murmurejavam seus nomes entre elas, disse Zé Peixe neste linguajar fácil de entender.

ROXO14.jpg -Mas, e então, como é que tudo terminou?

- Vou falar a pura verdade! – Um dia chegaram não sei donde dois botos (golfinhos do rio) que não sei por quê carga de água delas, deles se endoidaram! Saltaram, pintaram e bordaram e, vendo-me triste, de mim se despediram soprando dois arco-íris bonitos de morrer! Nunca mais as vi.

zé peixe 4.jpg Fiquei assim como viúvo diz ele de voz embargada. Tudo se me mudou! Foi neste então que me recuperei da apática quietude e lhe disse: - Homem, a vida é assim mesmo, tudo o que começa tem um fim; não se deixe ficar murcho. Aqui, ambos levantámos nossos copos com cachaça do engenho Mocho de Caboré, cheirosa, quase perfumada para festejar esta novidade…   

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:15
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2016
FRATERNIDADES . CVII

PONTOS DE VISTA - CARTA ABERTA DE UM CANSADO.

Estou REALMENTE CANSADO de pessoas que não assumem a responsabilidade por acções e atitudes… Em nossas vidas, nunca saberemos quantos milagres vamos precisar…

Por

matias j.jpgJosé Matias

che4.jpgTenho 72 anos e estou CANSADO. Excepto em um breve período na década de 60, quando fiz o meu serviço militar, tenho trabalhado no duro desde os meus 12 anos. Trabalhava 50 horas por semana, e não caí doente em quase 50 anos. Tinha um salário razoável, mas não herdei o meu trabalho ou o meu rendimento. Trabalhei para chegar onde estou economizando muito mas, estou CANSADO. CANSADO de que me digam que eu tenho que "distribuir a riqueza por pessoas que não querem trabalhar e não têm ética de trabalho. Estou CANSADO de ver que o governo me tira dinheiro para o dar a vagabundos.

cançado4.jpgEstou CANSADO de ler e ouvir que o Islamismo é uma "religião de paz" quando todos os dias eu leio dezenas de histórias de homens muçulmanos a matar suas irmãs, esposas e filhas pela "honra" da sua família, dizem; de muçulmanos a assassinar cristãos e judeus porque não são "crentes"; de muçulmanos queimando escolas para meninas; de muçulmanos apedrejando adolescentes vitimas de estupro até á morte ou por "adultério"; de muçulmanos a mutilar o genital das meninas, tudo em nome de Alá, porque o Alcorão e a lei Sharia diz para eles o fazerem.

cansado6.jpg Estou CANSADO de que me digam para ter "tolerância para com outras culturas, que devemos deixar que a Arábia Saudita e outros países árabes usem o dinheiro do petróleo para financiar mesquitas e escolas madraças islâmicas, para pregar o ódio na Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, sem que ninguém destes países esteja autorizado a fundar uma sinagoga, igreja cristã ou escola religiosa na Arábia Saudita e outro país árabe, para ensinar tolerância e amor.

cansado8.jpg Estou CANSADO que me digam para eu baixar o meu padrão de vida para lutar contra o aquecimento global, o qual não me é permitido debater. Estou CANSADO que me digam que os toxicodependentes têm uma doença, e eu tenho que ajudar no seu tratamento e pagar pelos danos que fazem. Eles procuraram a sua desgraça! Nenhum germe gigante os agarrou e encheu de pó branco seus narizes nojentos, ou os forçou a injectar porcaria em suas veias.

cansado3.jpg Estou CANSADO de ouvir ricos atletas, artistas e políticos de todos os partidos, a que chamo de papagaios, falarem sobre erros inocentes, erros estúpidos ou erros da juventude, quando todos sabemos que eles pensam que seus únicos erros foi o de serem apanhados. Estou CANSADO de pessoas sem senso de direito clamando justiça, sejam elas ricas ou pobres. Estou REALMENTE CANSADO de pessoas que não assumem a responsabilidade por acções. Estou CANSADO de ouvi-las culpar o governo e a sociedade de descriminação pelos "seus problemas".

cansado.jpg Também estou CANSADO e farto de ver homens e mulheres serem repositório de pregos, pinos e tatuagens de mau gosto, tornando-se assim pessoas não-empregáveis e, por isso, reivindicando dinheiro do governo dos impostos pagos por quem trabalha e produz. Sim estou muito CANSADO! Por um lado até estou feliz por ter 72 anos, não tendo que ver o MUNDO que estas pessoas estão CRIANDO. Mas por outro lado, triste pensando no futuro de netos e filhos que irão ficar neste meio cruel. Graças a Deus estou no caminho de saída e não no caminho de entrada. Convém que ada um de nós contrarie este mau modo de fazer caminho por força a não escolhermos governantes sem princípios e, porque eles os ruins formam-se em lóbis…

As escolhas do Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:50
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2016
CAFUFUTILA . CVI

NAS FRINCHA DO TEMPO –  Com Zé Peixe  de Aracaju e a Sereia Roxo Socorro, algures num recife, por vezes numa bóia… 1ª de 4 partes

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

ROXO13.jpg Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; assim, surgiu esta parcial inventação falando do personagem que vi em vida e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe. As ilustrações foram capiangadas por mim a ela, para suprir sua maldade, assim um ressarcimento por me impedir de ficar num pântano quântico procurando um chinelo, as sandálias do pescador… E, porque é quase uma odisseia vai ter várias partes, como uma telenovela

zé peixe6.jpg Num esforço de entender o Universo sublimei-me em filosofias com princípios inimagináveis fixados num jogo empírico lá nos extremos do pensamento aonde até as deduções têm afinidades matemáticas; com símbolos e caracteres radiactivos. No paradoxo de criativas imagens, enchia-me de habilidades quânticas sem cuidar dos ditames da razão. Nesta utopia de partículas surge uma sereia de nome Roxo Socorro a pedir ajuda, justificando seu próprio nome, como se nela tudo fosse uma calema de afincada afirmação.

ROXO19.jpgEstava bem no topo de um recife no lugar de Guaxuma, mais além de rio Doce, para norte. Nem sei bem porque pedia socorro porque assim de joelhos mexendo levemente a barbatana de cauda, suportava em sua mão direita uma forquilha tipo arpão daquelas que sempre ligamos ao mar, isso, como se saída de uma atlântida que se diz ter existido no meio do oceano. Jiboiando em minha rede revi esta cena lá atrás no tempo quando no pantanal de Sergipe vi uma sereia a deslizar das dunas para a água. Havia ali muitas lagoas.

ROXO18.jpg Minhas companhias de viagem juravam que não, que era uma anta, talvez uma foca ou um peixe-boi. Rita até afirmava ter sido uma garoupa sarapintada de pedras tipo cracas mas, nada disto eu vi! Já que estávamos em Sergipe e muito perto de Aracaju, ali permanecemos por mais dois dias pois que teria de perguntar a Zé Peixe, o prático marinheiro se isto da sereia seria ou não uma fantasia nossa; uma cena tal e qual esta daqui, de Guaxuma.

roxo3.jpgzé peixe 1.jpg

Pergunta aqui e mais ali, lá chegamos à casa pobre meio ripa, meio taipa feita de adobe, coberta a folhas de zinco com ramos de coqueiro já envelhecidos. Tivemos a sorte de o ver logo sentado num telheiro bem ao lado da casa, rodeado de picas no chão e outras galinhas de angola ciscando o fundo do quintal cheio de mamonas, com erva florida de doutor e doutorzinho em tufos enquadrado, coqueiros ao redor sombreado um limpo terreiro. Havia também chá caxinde e, foi perguntando a este se era mesmo esse o nome com que iniciei a conversa. Claro que lhe dei uma larga saudação! Ele estava já habituado a ter visitas de estranhos…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:05
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Domingo, 10 de Abril de 2016
XICULULU . LXXII

TEMPOS ESPACIAISAnda não cheguei ao princípio da mentira, embora se saiba ser esta usada  desde que se inventou a fala…

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

aura.jpgA gravidade determina a evolução de nosso universo podendo pela força da atracção levar uma estrela a entrar em colapso, não se vislumbrando ainda, o modelo de uma teoria de gravitação quântica. Estamos ainda muito longe de saber o que somos e, é possível que a nossa mera existência seja uma consequência do processo inverso na produção de protões, partículas de cargas positivas muito semelhantes ao neutrão, formado por dois quarks down e um quark up.

áurea1.jpg A matéria da Terra é feita sobretudo de protões e neutrões que por sua vez são feitos quarks. E, diz o princípio da incerteza que a energia dos quarks dentro do protão não pode ser estabelecida com exactidão. Sabe-se agora que toda a partícula tem uma antipartícula, com a qual ela se pode aniquilar. Pode assim o mundo ter antimundo, como as pessoas podem ter antipessoas totalmente feias de antipartículas. Eu poderei ter um “antieu” a quem não posso apertar a mão, porque resultará daí, o desaparecimento de ambos, do eu e “antieu” (o contrário de mim) num grande clarão de luz.

áurea2.jpg Quânticamente, todas as partículas são ondas e, quanto mais elevada a energia de uma partícula, menor o cumprimento de sua onda. A luz e a gravidade podem ser descritas em termos de partículas que têm uma propriedade chamada de spin (giro); imagine-se pequenos piões girando em orno de um eixo. Será assim que poderemos especular que a aura humana poderá ser concebida no princípio de exclusão teoria de um tal de Pauli, que diz que duas partículas semelhantes não podem existir no mesmo estado; ou seja, elas não podem ter a mesma posição e a mesma velocidade, dentro dos limites impostos pelo princípio da incerteza. Teremos de imaginar a áurea como um halo de partículas em fricção que representam luz ou chamas, frequentemente em dourado ou cor das chamas, o vermelho.

assun3.jpg Antes de mais teremos de saber que há quatro grandes forças de importância vital no Universo, são elas da mais forte para a mais fraca: - 1 - Radioactividade Um - uma força nuclear forte; Radioactividade Dois - uma força nuclear forte; 2 – Electromagnética com electrões e quarks; 3 – Gráviton – Terra a gravitar o Sol; 4 – gravidade.

sodoma1.jpg Seremos obrigados a interpretar melhor as antigas pinturas em que os Santos ou gente de santidade eram em seu templo (sua cabeça) envoltos em um halo de áurea; teremos também de reflectir no que faz uma estrela brilhar; pois é o calor libertado pela colisão de átomos de hidrogénio que se fundem para formar o hélio. Que, não é mais do que uma explosão controlada de uma bomba de hidrogénio. Que somos nós homens neste Universo ainda tão mal compreendido?! É uma pergunta ou afirmação ainda confusa …

áurea3.jpgBibliografia:

Uma breve história do tempo de Stephen William Hawking. É um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da actualidade. Doutor em cosmologia foi professor de matemática na Universidade de Cambridge. Actualmente é director de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica e fundador do Centro de Cosmologia Teórica (CTC) da Universidade de Cambridge.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:08
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Sábado, 9 de Abril de 2016
KANIMAMBO . LXIV

REGRAS DE VIDA - A liberdade de sermos saudáveis ou morrer por coisas impensáveis… Esta vida não é uma prova, degrau ou prelúdio; é um acaso!...

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange 

che4.jpg Um amigo virtual das redes sociais insistiu comigo para ouvir a “conversa com Deus tida por Spinoza”, alguém que nem sei quem é. Como um hermeneuta ouvi e até anotei dizeres que se seguem tentando interpretar o sentido das palavras, ajustá-las ao conhecimento e leis universais considerando os códices e textos sagrados ou até a arte da escultura. Anoto aqui e agora o pensar que me fez correr a pena. Nesta literatura de aspecto volátil, teremos de conceber haver situações que ainda estão em construção nas equações de nossas vidas como por exemplo o espaço-tempo que é quadrimensional, união de pontos chamados eventos.

kani1.jpg Tenho em princípio que o pensamento enquadra-se nesta quarta dimensão que só pode ser comparada a um espetro que são as frequências que compõem uma onda, registo da dispersão ou distribuição de energia ou radiação.

kani2.jpg E o conceito de Spinoza, alguém que nem sei quem é - inicio de citação: “Pare de ficar zangado batendo no peito”; o que quero é que você saia pelo mundo e disfrute de sua vida, goze, cante, divirta-se. Disfrute de tudo o que Eu fiz para você! Pare de ir a esses lugares lúgubres e obscuros. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, rios, lagos e praias. É aí que vivo, e lhe expresso o meu amor. Pare de me culpar; nunca Eu lhe disse que tem algo de mau ou que é pecador.

kani3.jpg Pare de ler e tentar decifrar as escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Não me irá encontrar em algum livro! Pare de ter medo de mim ou usar-me para amedrontar quem quer que o seja. Eu serei o puro amor! Não julgo nem critico nem castigo. Pare de me pedir perdão porque Eu, nada terei a lhe perdoar. Eu o enchi de paixões, sentimentos, necessidades e o livre arbítrio. Não passei procuração a ninguém na terra. Fui Eu que fiz você. Que tipo de Deus seria se o queimasse, chicoteasse, ou fuzilasse! Mandamentos? São artimanhas para manipulá-lo, controlá-lo

kani4.jpg Respeite o seu próximo, não lhe fazendo o que não deseja para si! Esta vida não é uma prova, degrau, nem prelúdio. Você é livre! Não há prémios nem castigos, pecados ou virtudes. Você é absolutamente livre para fazer de sua vida um milagre, um Céu ou um inferno! Viva como se não houvesse outra vida, como se esta fosse a última. Nada lhe perguntarei! Não quero que acredite em mim; quero sim que me sinta em você! Acaricie a natureza como se o fizesse a mim! Expresse sua alegria; é esse o jeito de me louvar. Não repita como um papagaio em tudo, o que lhe falaram sobre mim. Não se repita! É este o grande milagre; procure-me dentro de você! É aí que eu estarei!” Fim de citação…

to2.jpgUma visão demasiado polémica, até vulgar e sem sustentáveis alicerces, vista por mim e por muitos que hoje almejam saber qual o sentido de estarmos aqui, por não saber ao certo de onde se veio e, porque assim aconteceu. É uma vontade profunda do homem inserido na humanidade, obter pelo conhecimento a justificação suficiente para se continuar a busca do que somos neste universo!

dracma3.jpg Sempre haverá opiniões dissonantes, partículas lançadas ao ar até que definitivamente se saiba andar pelo próprio pé sem forçar a Deus, confinando-o à área que a ciência dos séculos não compreende na plenitude. Talvez o nosso erro seja tentar interpretar nossas ideias preconcebidas…

O Soba T´Chingange       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:18
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2016
MALAMBAS. CXXVI

TEMPOS DE USUCAPIÃOA malandragem prolifera desregularizando a democracia e, entretanto, sentado na praia, dou descanso aos olhos e artelhos…

Malamba é a palavra

Por

soba 01.jpgT´Chingange

phisalis0.jpg Sentado em minha cadeira de praia e depois de ter feito minha gimnástica de talassoterapia, olhos meus artelhos muito cheios de manchas vermelhas assim como sendo uma alergia aos elásticos das meias que uso quando caminho ao longo de Pajuçara até à Jatiúca ou para o outro lado chamado de Jaraguá.  Estas pintalgadelas como desenho de estrelas do universo, mostrando as veias com vermelhidão como se fosse uma folha seca de physális, talvez nem seja uma alergia nas ramificações pintadas de sangue.

physalis4.jpg Vêm-me à ideia que assim de vez em quando sinto como que uma ligeira coceira como se estivesse a ser invadido por formigas minúsculas e, olhando, nada vejo. Fica-se naquela de que talvez seja uma corrente de ar que buliu nos cabelos ou uma aranha que num repente passou e se escapuliu; sempre tendências negativas que nos suprem vontades. Em verdade, o mais certo será concluir-se serem mazelas da idade, um nervo ciático meio frouxo ou um beliscão do tipo neutrão no cerebelo.

ÁFRICA8.jpg Mas, entretanto olho o mar imenso, hoje sereno sem bulir os sete coqueiros, nome da praia com dezenas desses altos paus que farfalhando suas ramadas verde tornam a panorâmica paradisíaca. Desde a piscinas naturais, no meio do mar da baía, pode-se ver depois do verde e azul da água, a língua de areia amarelada, depois os paus de coqueiro, uns tortos outro direitos encobrindo parte dos prédios coloridos em azulejos que ora brilham ora ficam baços conforma as nuvens filtram o sol em sua direcção. 

dia24.jpg E, na serenidade do espelho de água surge uma chata, uma balsa com um homem sentado e outro e pé ximbicando ou espetando um bordão no fundo fazendo desloca-la na quietude. Vão largando uma rede de forma suave fechando um semicírculo com suas pontas de corda do lado da praia. Batendo os cordames, dão susto aos peixes que a seguir se aprisionam na malha. E, vão puxando e enrolando em cima da balsa, pronta para outra largada lá mais à frente, outro suposto cardume; ximbicando e espetando o bordão afastam-se de vez.

tambaqui4.jpgAdmiro estes homens do mar que vivem desta azáfama, uma vida feita ao sabor da sorte, dependendo das fases da lua, das marés, do vento e ondas sem saber que há uma teoria da incerteza a dar corpo aos enigmas da natureza. Estes sim, vivem com Deus. Eles só buscam um cardume, depois cercam e, já numa ex-lata de tinta vendem no posto seu pecúlio, sua sobrevivência. Amanhã ora dará, ora seja o que Deus quiser. Mais longe, fazendo silhuetas no infinito, separação do azul do mar e do céu, podem-se admirar as velas triangulares das jangadas distinguindo-se as cores garridas; é a azáfama do vaivém levando turistas do Sul e da Xirgosia para as piscinas naturais e, ao jeito de Maragoji, dar pão esfarelado aos peixes para inchar os olhos nas coisas belas da natureza.

pajuç1.jpg Neste meio tempo de escrita, vou sendo rodeado de chapéus coloridos, cadeiras e mesas, caixas térmicas isopor ou esferovite com estampas de cerveja a estalar de frio, gulosas que chega, gente gira e barulhos com linguajar de Cabrobó, musica de forró e anedotas de repentistas caboclos, matutos e gente gira de cu ao léu, sereia mostrando a barbatana, os fios entalados na alegria dos olhos e cheiros de entaladinhos mais coxinhas de galinha e o acarajé da tia Alzira. Nesta forma de ver a vida parece não haver tristeza, um dia de cada vez! Saravá!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:32
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Quinta-feira, 7 de Abril de 2016
MUXIMA . LXI

MULOLAS DO TEMPO - Embondeiros do Brasil - De Pajuçara até Ganga Zumba em Cruz das Almas de Maceió. Na volta da caminhada, parei no único embondeiro aqui existente…

Muxima e Ongweva são saudades

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

mucua3.JPG Caminhando na orla marítima de Maceió, chamada de calçadão e, a partir da Pajuçara de Maceió andei uns bons quatro quilómetros até chegar à Praça de Ganga Zumba ou Ganazumba para lá da Lagoa das Antas. Enquanto caminhava pude rever que em 1445, navegantes portugueses conduzidos por Gomes Pires chegaram à ilha de Gorée, no Senegal tendo descoberto o brasão do Infante D. Henrique gravado num baobá (imbondeiro).

mucua2.JPG Foi o cronista Gomes Eanes de Zurara que assim descreveu essa árvore: Muito grande, de aparência estranha com um cinturão que pode ir além de 108 palmos em seu pé (cerca de 25 metros) que medimos nesta. Seu tronco é composto de uma fibra forte usada para cordas e pano; queima da mesma maneira como linho. Sua fruta é lenhosa como a abóbora cujas sementes são do tamanho de avelãs; os indígenas, comem sua fruta quando ainda verde, secam as sementes e armazenam-na. Os baobás, embondeiros, imbondeiros ou calabaceiras (Adansonia) são um gênero de árvore com oito espécies; Adansonia digitata e a espécie africana que, também existe em Madagáscar.

mucua4.JPG No Ceará, Fortaleza, existem cinco exemplares; no embondeiro da praça do Passeio Público, foram em tempos fuzilados alguns revolucionários da Confederação do Equador. Em Alagoas existe um exemplar na Praça do Skate, em Maceió ficando muito perto do apartamento aonde me encontro. É uma árvore que chega a alcançar excepcionalmente 30m de altura, e até 7m de diâmetro do tronco (excepcionalmente 11m). Alguns embondeiros têm a fama de terem vários milhares de anos, mas como a sua madeira não produz anéis de crescimento, é impossível isso poder ser verificado.

mucua1.jpgembo1.jpg

Sobre Ganga Zumba ou Ganazumba, consta ter nascido em 1630, no Reino do Kongo em N´Gola, Ganga Zumba ou Ganazumba Filho da princesa Aqualtune que trabalhou na organização do primeiro Estado Negro nas Américas, em Zumbi dos Palmares de Alagoas. Foi o primeiro grande líder desse Quilombo ou sanzala ou Janga Angolana, na então Capitania de Pernambuco, Brasil. Foi reconhecido historicamente, como um bom diplomata, exímio guerreiro e também bom estratega nas lutas.

embo01.jpeg Reinou durante mais de quarenta anos, levando o Quilombo dos Palmares ao apogeu e ao reconhecimento como nação dos macacos pela Coroa Portuguesa. Demarcou espaços e lugares históricos na luta contra a escravidão. A história omite o facto de que seu sobrinho, o Zumbi dos palmares o ter morto em 1678, na sequência de uma traição de sanzala.

mucua6.jpg Seu sobrinho Zumbi, jovem dado à luta e seus seguidores foram de novo escravizados pelos portugueses. Ganazumba que estava quase a obter alforria para seus súbditos por entendimento diplomático foi assim e desta forma retirado do processo. A história por vezes contorna as verdades; hoje sabemos mais sobre estas nuances que como o azeite e com o tempo, vêm ao de cima.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:49
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Terça-feira, 5 de Abril de 2016
XICULULU . LXXI

TEMPOS ESPACIAIS  - Conferi que as incertezas podem ser medidas pela matemática quântica… Quando o tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza sarando as feridas da mente e do corpo…
XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça…
Por

soba0.jpegT´Chingange

xicu7.jpg Envolvido com a velocidade das partículas nas perturbações dos quantus matemáticos, conferi que a incerteza, pode ser medida pela sua velocidade multiplicada pela massa da partícula que, necessariamente tem de ser menor que um tal de valor específico, uma fasquia que corresponde ao definido nesse princípio, propriedade fundamental do mundo, logicamente do Universo. 

amigo1.jpg Mas, afinal como podemos ver o Mundo com esta tão funda incerteza sem que daí saiam fortes implicações, sendo até controversas na admissão por muitos filósofos. Nesta teoria de ciência dita determinada, ninguém pode prever eventos futuros com exactidão sem perturbar o estado presente do pensamento consciente e, a partir dos aspectos não observáveis.

xicu9.jpg Arrisco a dizer que aqui há algo que não bate com o lógico pois que chamar ciência determinada a algo inconcluso, parece ser isso sim uma utopia. Ou também será a utopia, uma idêntica medida mensurável? Isto é confuso se desconhecermos a tal mecânica quântica, uma teoria em que não mais as partículas apresentam velocidade independente e que, bem definidas não o podem ser, observadas.

eleuterio sanches.jpg Simplificando, pode-se concluir que em teoria quântico o Universo é governado pelo acaso. Tem aqui de se esclarecer que, evento é um ponto no espaço-tempo especificado por seu momento e lugar. Sendo assim, porque terá Einstein sido tocado em seus sentimentos dizendo a dado momento que “Deus não joga aos dados”.

Se ele mesmo contribuiu nessa matemática quântica conjugado com uns tantos filósofos e admitindo que a incerteza elevada ao quadrado dava num buraco negro, como então, Deus entra aqui nesta equação de que Ele, é a luz reflectida de M vezes C ao quadrado.

eleuterio2.jpg Com isto tudo, poderei dizer sem certeza, que a crista das minhas sinusoidais ondas de luz, terão um comprimento entre seus picos de uma exactidão perturbada elevada ao infinito , só podendo ser observada na fenda de um electrão. Mas será que isto diz-nos algo?

Bibliografias:

einst3.jpgUma breve história do tempo de Stephen William Hawking. É um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da actualidade. Doutor em cosmologia foi professor de matemática na Universidade de Cambridge. Actualmente é director de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica e fundador do Centro de Cosmologia Teórica (CTC) da Universidade de Cambridge.

einst1.jpg Albert Einstein foi um físico teórico alemão. Desenvolveu a teoria da relatividade geral, ao lado da mecânica quântica, um dos dois pilares da física moderna. Mais conhecido por sua fórmula de equivalência massa-energia, E=mc² - Foi laureado em 1921 "por suas contribuições à física teórica" e, especialmente, da lei do efeito fotoelétrico, fundamental no estabelecimento da teoria quântica.Também investigou as propriedades térmicas da luz, o que lançou as bases da teoria dos fótons. Suas obras renderam-lhe o status de celebridade mundial enquanto se tornava uma nova figura na história da humanidade. 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:40
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2016
PARACUCA . XIX

MULOLAS DO TEMPOFábrica de Letras in Kizomba com historias da vida Sr. Costa o Camionista - um entre muitos…

Mulola, só é rio quando chove

Por

maga1.jpgLUIS GUIMARÃES - Namoradeiro que só visto - Eu sou como a Pantera: ao pisar ramo seco,e vou vendo vou  rondado e quando chega a hora eu pergunto: -Quer namorar comigo? hahahahahah............Brincas?

cos1.jpg A primeira vez que vi o senhor Costa foi quando nos levou, em Janeiro de 1962 de Luanda para Carmona. Aquilo foram quatro dias de viagem porque as estradas ainda não estavam todas asfaltadas e as estradas de terra batida estavam muitas delas com troncos derrubados na via e com buracos enormes onde cabia um camião. Tudo isto era feito pela UPA e eram obstáculos (abatises) que eram removidos pela paciência dos militares. Mais tarde o senhor Costa levou-nos de Carmona para Nova Lisboa numa viagem rápida, porque a guerra acelerou Angola a nível de infraestruturas. Mais tarde, levou-nos de Nova Lisboa para Luanda.

cos0.jpg Dentro deste espaço temporal fiz a viagem mais demorada em Angola que foi de Luanda até a Portugália (quase catorze dias?) que era onde ficava a Empresa dos Diamantes “a Diamang”, uma empresa Inglesa. O senhor Costa era um Homem bom e também um Homem de muito trabalho e, nos princípios de sua vida tinha um camião da marca GMC de cor vermelha. Geralmente andava sempre com dois ajudantes negros mas, houve um que sempre o acompanhou de nome Ismael. Fiz muitas viagens com ele durante as minhas férias da escola, e foi assim que fiquei a conhecer aquelas aldeias da chamada Angola profunda a que meu Pai chamava “as Terras do cú do Judas”.

cos2.jpg O delírio do senhor Costa era pregar partidas e, os seus ajudantes não escapavam porque se adormeciam em cima do oleado do camião ele travava o camião a fundo e era vê-los de cara sarapantada a deslizar e só paravam em frente ao pára-brisas a dizer: Shé Patrão...ná faz isso náo!! Tudo isto perante o ar de galhofa do senhor Costa, que era um Homem de ajudar respeitando toda a gente. Tinha uma vida de escravo a nível de trabalho porque saía de casa às segundas-feiras e só regressava á sexta; passou muitas noites a dormir no camião; sua vida era bastante dura! Acerca dos empregados, havia um que andou sempre com ele, era o Ismael, um "homem moço" muito bom! O senhor Costa que o considerava, até tratou do seu Boletim de Residência para não ter que o deixar nos postos de controlo militar, pois já lhe tinha sucedido isso uma vez. Nesse então nem dormiu pensando em seu empregado.

cos3.jpg Ora, sucede que a ambição do senhor Costa era ter um camião Volvo, o que veio a adquirir por venda do velho ao Ismael por modo a se tornar um Homem independente; Ismael podia pagar o camião conforme pudesse dividindo os clientes com ele! Até aqui tudo bem só que havia um mas, precisava de tirar a carta de condução! Ele, Sr. Costa falou com a minha Mãe que resolveu a questão ao dar uma nota de mil escudos a alguém da escola de condução. Foi assim que o Ismael se safou sem saber ler nem escrever perante o ar de espanto do meu Pai quando soube de tal.

moc4.jpg A vida do senhor Costa andou sempre bem dando-se ao luxo de ter duas casas em Luanda a juntar à dele a onde morava. Ora, como quem anda á chuva molha-se, a vida por vezes é muito amarga com as partidas que nos prega. Já com a Volvo, um dia pisou uma mina originando-lhe o corte das duas pernas. Um dia fui com meu Pai fazer-lhe uma visita; ele chorou quando me viu já Homem. Recordo ter-me dito que Angola iria ficar muito rica com gentes que como eu, sabiam o que era Angola do mato. Como em tudo na vida lá veio o 25 de Abril e o senhor Costa veio para Portugal (Algarve) onde não se conseguiu adaptar. A sociedade da metrópole era por demais mesquinha e pobre nos comportamentos. O desgosto foi tanto que um dia o filho veio dar com ele já morto. Suicidou-se!

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*Paracuca: - 500 gr de ginguba sem ser torrada, 250 gr de açúcar (ou mais), 2 chávenas de água - Preparação: Juntar todos os ingredientes numa vasilha e levar a lume brando. Vá mexendo, sempre, até a mistura ficar solta. Deite num tabuleiro (agitando para ficar solta) para arrefecer.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:40
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Domingo, 3 de Abril de 2016
MUXIMA . LX

MULOLAS DO TEMPOÁfrica, é uma bênção e um veneno! Ainda em tempo de Páscoa
Por

DY00.jpg Dy - Dionísio de Sousa (Reis Vissapa) - Foi dele que ouvi esta frase tão marcante em nossas vidas! Autor de “Ninguém é Santo” escrito para todos os Angolanos que amaram e amam a terra que os viu nascer ou crescer…

dioni1.jpg Antes de mais quero agradecer a todos os que me desejaram uma Páscoa Feliz e retribuir. Relembrarei outras Páscoas como muitos de nós as vivemos. Celebramos duas datas distintas no Cristianismo. O nascimento e a morte de Cristo. Não questionando se Cristo é filho de Deus, ou não, uma coisa é certa, os seus discursos foram os mais lindos que jamais ouvimos. Se é saudade ou não, não sei. Na verdade nós tínhamos uma sociedade quase perfeita. A maioria das pessoas levava a sério as palavras do Salvador.

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As famílias eram realmente famílias. Havia nesse tempo respeito, transparência, tolerância e verdade. A ostentação, a cobiça, a manipulação, a vaidade e sobretudo a mentira não eram de forma alguma, lugares comuns. Hoje são-no. Mentir e trair vulgarizou-se. A família passou a um estatuto secundário. Do topo vêm os exemplos. Vêm de diversos canais. Não sou santo nem pregador. Não pretendo evangelizar ninguém, mas na verdade tenho saudades do tempo em que as pessoas tinham "atitude".

chicor4.jpg PÁSCOA - O céu chorara durante largas horas naquele dia quente de verão, deixando no ar aquele odor a terra molhada que aprisionaria o meu olfacto para o resto dos meus dias. Há cheiros que nunca se esquecem, o da terra regada pela chuva em África é um deles. O chão ficara atapetado de asas de salalés com os minúsculos insectos rebolando-se nelas. Acabei por perder dois e quinhentos com o meu saudoso amigo Marques Luís que apostou comigo que papava um dos bichinhos. E comeu, e eu tive de pagar, e a minha dose de “Francesinhos” ficou drasticamente reduzida.

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A Páscoa chegara finalmente e, uma semana antes tínhamos distribuído raminhos de folhas gentias na esperança que a dádiva fosse compensada com amêndoas. Como eram acessíveis e boas, especialmente aquelas modeladas em bonequinhos singelos, com olhos, boca e até chapéu em algumas delas. Tinham licor no estômago, hoje ainda há cópias mal-amanhadas das mesmas, mas caras e em nada parecidas. O retábulo com a sagrada família aterrara num nicho à entrada de casa, uns dias antes. Três peças de madeira abraçadas com dobradiças, e uma velinha que bruxuleava ao sabor da brisa matinal.

amigo01.jpg Sempre que passava por ela, persignava-me mais por temor do que por adoração. Fora educado no catolicismo o que me obrigava a respeitar Cristo e os seus progenitores. Tive de aprender as palavras do seu discurso na catequese obrigatória, palavras que se foram esmaecendo com o decorrer dos anos, acabando por se tornarem a antítese no comportamento do rebanho.

- Meninos não se esqueçam que temos de atapetar a entrada da casa para a chegada do senhor ressuscitado. Vão apanhar malmequeres silvestres, brancos e violeta e apanhem os beijos de mulata com as folhas verdes para orlar a passadeira. E lá íamos calcorreando os arredores arrecadando braçadas das singelas florinhas. Malmequer, bem-me-quer, tudo, pouco, nada
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- Maria não te esqueças de colocar a garrafa de Porto na mesinha da entrada e as tacinhas com amêndoas e os cálices, e já agora uns rissóis de camarão e croquetes, pois o tanto o padre Geraldes como o Moreira, gostam sempre de molhar o bico e morfarem um petisco. E a dita mesinha ficava engalanada com a toalha alva que a avó rendara, nos tempos em que a visão ainda era boa. A garrafa de Real Companhia Velha ficava de guarda às gulodices e eu não resistia em gatunar os pingos de tocha da tia Maricota que eram uma delícia. Mais uma persignação por este humilde pecado e ouvir a mãe gritar lá de longe. – Isso é para o padre, deixa de ser guloso. Comes mais logo. – Mas aqueles eram santificados. – Já puseram o fato do avô lá no quarto? Já sabem que ele gosta de se apresentar bem ao Senhor.

beldr7.jpg A azáfama na cozinha adensava-se com o aproximar do almoço tradicional e a caldeirada de cabrito bombardeava-me as narinas aguçando-me o apetite. – Qual é o padre que vem para este bairro Hoje? – É o Geraldes. – Respondia alguém. – Ele deixa sempre a nossa casa para o fim, para poder dar à língua mais tempo com o avô e com a avó. E a avó está a onde? – Está a tratar da sua trança. A trança da avó dava à vontade para amarrar na goiabeira do quintal e subir ao ramo mais alto. – Não se esqueçam do vinho para o Dominguinhos que ele é um apreciador de boa pinga. E se era. No final da visita pascal um grãozito já se tinha alojado na asa do saudoso sacristão.

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Tlim, tlim, tlim. Já se escutava a sineta nas casas do fim da rua. – Já lá vem o senhor padre. – Onde está o avô? – Não sei. – Acho que ainda foi ao escritório da serração. – Hoje, Domingo de Páscoa? – Já está a chegar, o Dick está ali nas escadas. – O Dick era a sombra do avô, acompanhando-o para todo o lado e coxeando tal como ele numa cópia fiel do andar. O cão haveria de morrer três dias depois da morte do avô, acompanhando-o na sua caminhada para o além. Coisas inexplicáveis.

mai5.jpg Eis que chega Jesus agonizante no crucifixo de metal. Uma bênção à sagrada família e a vela quase se apaga, Volto a persignar-me de novo como o resto do pessoal. O padre da família como era conhecido, o padre Geraldes, trás o ressuscitado nas mãos, que leva uma saraivada de ósculos nas pernas de metal. Apanho com uns pingos de água benta, borrifados a esmo com uma peça de bronze que mergulha numa taça do mesmo material. Tlim,tlim,tlim. O Dominguinhos vem atrás, traz a sineta com ele e vêm mais uns tantos que não se fazem pecos em relação aos rissóis e aos croquetes. A manhã esteve quente demais e as batas vermelhas que os encobrem deixam-nos sequiosos. Mais uma garrafa do delicioso Porto.

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- O senhor padre almoça cá connosco? – Pergunta a minha mãe. -Quem me dera, que o cabritinho cheira que é uma delícia. Mas a população aumentou e ainda temos um par de horas de visita. Passo por cá mais logo. – Diz à Irene para trazer mais rissóis e croquetes e bolos. – A Irene é a empregada lá de casa. Uma cuanhama de se lhe tirar o chapéu. – Dou-lhe o recado e persigno-me outra vez. – Esta foi baptizada por mim. – Diz o padre que tem fama de saltar amiudadas vezes o décimo mandamento, referindo-se à Irene. – Foi na missão do Sêndi, não foi? – Foi sim senhor padre Geraldes. – Confirma a Irene beijando-lhe reverentemente as mãos. – Acho que é a vez dele se persignar, mas ele não o faz. Se calhar sou eu que alimento as coscuvilhices das beatas.

povo1.jpg A velinha continua acesa, iluminando a sagrada família talhada em madeira de mucibe. O Dominguinhos prepara-se para o assalto ao terceiro copo de Grão Vasco, mas Geraldes não deixa e obriga a horda de Cristo a segui-lo rua abaixo, em direcção a outros crentes. A caldeirada cheira que tresanda. A Irene há muito pôs a mesa e o patriarca da família irá sentar-se à cabeceira para dar início às hostilidades alimentícias. 

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A família está toda reunida com as suas melhores vestes. E Cristo parte, a Páscoa como eu a conheci também parte, os malmequeres murcham nos meus campos, e a Irene? Por onde andará a Irene? O padre Geraldes morre bem longe da sua amada terra. Já não há tapetes de flores nem beijos de mulata. A velinha bruxuleante da sagrada família apagou-se. As famílias sagradas acabam-se, desvanecem-se e adulteram-se com o tempo, mas sobretudo nunca mais ouvi, tlim, tlim, tlim.
- Por onde andas tu, Cristo?
Reis Vissapa
As escolhas de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:09
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Sábado, 2 de Abril de 2016
XICULULU . LXX

TEMPOS ESPACIAIS - Quando o tudo, nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza sarando as feridas da mente e do corpo… Continuo a aprofundar meus conhecimentos descodificando as origens da quinta dimensão  …

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça…

Por

soba 01.jpgT´Chingange

step0.jpg A bordo do ónibus Pantera de Prata e saindo de Garça, uma garciosa cidade, fizemos adeus a Alda e Aparecido Cabreiras, anfitriões cinco estrelas daquele vasto planalto com muito café arábico, e quilómetros de matas de eucaliptos. Seguindo o rumo para Nascente via São Paulo cruzamos as rodovias do Tietê, de Castello Branco e João de Barros, terras com nomes extravagantes tais como Butucu, Piracicaba, Sorocaba, Indaiatuba e Araraquara.

garça0.jpg No panorâmico machimbombo, revia de novo meus eventos de vida concebendo-me na relatividade no modo fundamental; minhas ideias propagavam-se num espaço-tempo, uma ainda mal compreendida quarta dimensão. Pois! A dimensão do pensamento que percorre sua validade num paralém da luz, coisa inimaginável porque, ainda ninguém a teorizou na perfeição. Digamos que conhecemos três concepções de posição no espaço como a largura, comprimento e altura; esta outra quarta dimensão preenchida pelo pensamento ocorre em momentos específicos, surgindo por camadas temporais diferenciadas entre si, forma progressiva de vibração no espaço. Assim se expandem tal como uma pedra atirada num charco em ondas circulares. Ondas que só podem ser mensuradas num instante diferente dum antes e um depois, formando um funil alongado até o infinito, como um tornado.

step1.jpg Encontrei-me naquelas vias de Rondon e João de Barros com a minha quarta dimensão que como um facho de luz se propagou nas gravitacionais curvas de meu enigmático templo, igual a tantos outros, biliões, coisa ainda mal definida nas infinitas curvaturas da geodesia gravitacional, e seu conhecimento. Isto leva-me a reflectir que todos nós humanos, somos ilusões, ocupando aparentes posições no Universo com milhares de galáxias! Somos deflexos de luz, eventos perpetuados em sinais que aparentemente definham no espaço de um tempo quântico (de quantidade mínima de energia que pode ser emitida, propagada ou absorvida). Parecem ser paradoxos de linguística mas e, sobre isto, parece não se fazer sentido falar, porque o Universo não tem limites.

louva7.jpg Definitivamente o tempo corre para trás e, só é possível concebermos isto na forma de energia radiante tendo como matéria, uma estrutura descontínua; não pode existir senão sob a forma de fragmentos, frequências de radiação na teoria de física hodierna, aonde nada é metafórico ou figurado, por enquanto. Um qualquer dia no tempo espaço, tornar-nos-emos uma quinta dimensão, o evento mais marcante depois do nascimento e, num macro instante anterior sobreposto ao seguinte, só seremos nada; uma alma!   

step3.jpg Essa coisa etérea, sem cheiro, nem forma nem peso aparente, um espectro termal chamado de alma, cor violeta que como um balão que se expande; e, não se poder identificar o centro dessa expansão por não possuir contornos nem bordas. E, porque o impossível não acontece, seria necessário viajar mais rápido do que a velocidade da luz, para assim determinarmos aonde se começou, antes de finalizar (entenda-se Universo).

step2.jpg Bibliografia: Uma breve história do tempo de Stephen William Hawking. É um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da actualidade. Doutor em cosmologia, foi professor de matemática na Universidade de Cambridge. Actualmente é director de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica e fundador do Centro de Cosmologia Teórica (CTC) da Universidade de Cambridge.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:34
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2016
FRATERNIDADES . CVI

EM ANGOLA ONGWEVA É SAUDADE - A felicidade - Feito olhos e orelhas fingia ser um erudito nas psicologias ainda não desbravadas ouvindo a saudade dum kota amigo, com ongweva.

Por

torres.jpg Eduardo Torres Um Chicoronho de 3ª geração - Tenho um orgulho enorme da minha ascendência. E, de quando o Lubango não era mais do que um lugar aprazível no enorme planalto, aconchegados pela envolvência da cadeia montanhosa da Chela.

ÁFRICA1.jpg Eu penso que cada um de nós, pensa, goza e tira proveito da felicidade, de acordo com o o modo e a ambição de ser feliz. Hoje, ao passar junto de uma tabacaria e venda de jornais, vi uma fila de pessoas à espera de vez para registarem o boletim do euro milhões. Fiquei a pensar, quantas delas mantinham o sonho de serem premiadas, talvez com um desfecho que lhes permitisse alcançar a felicidade ambicionada, através da concretização de projectos que só poderiam levar a efeito se de facto os números escolhidos correspondessem aos que haveriam de aparecer depois de a roda ditar os números.

luis17.jpg Será que a felicidade se mede pelo número de milhões de euros que se podem ganhar? Claro que eles ajudam muito, garantem possibilidades que de outro modo seriam difíceis de alcançar, mas será que a felicidade é isso? Hoje , ao olhar para o passado, de acordo com as ambições que tive, penso que fui sempre muito feliz e só tenho a agradecer à Providencia Divina a sorte que sempre tive na vida.

torres9.jpg Claro que me surgiram os chamados acidentes de percurso, especialmente como a morte de familiares, mas fora isso, o que não é pouco, eu sempre consegui vencer as batalhas com que deparei na vida. Ainda agora, ao olhar o momento em que entreguei a chave da porta da minha casa à minha irmã, sinto uma mistura de saudade e felicidade. Aquele momento, o movimento daquela entrega, entendo hoje, foi um encerrar de um ciclo de intensa felicidade, para começar outro em que teria de compreender e aprender a continuar a ser feliz, fazendo feliz toda a família.

torres12.jpg E felizmente foi isso que consegui alcançar, porque acertei nos números da felicidade, da saúde, e por ultimo, no dinheiro necessário para garantir estes bens primeiros. Como em tudo na vida, os excessos, nada garantem, podem até ser comprometedores. Não foi DEUS que criou o dinheiro, por conseguinte a dádiva que recebemos DELE, não tem preço.

torres11.jpg Se assim fosse, os ricos em dinheiro, tinham sempre saúde e felicidade, e os outros viviam sempre na amargura, na doença e na infelicidade. Em ambos os casos, separado o dinheiro, encontramos situações semelhantes. Cada qual vive a vida, mas não é dono dela, exactamente porque ela não tem preço, do mesmo modo que a saúde não tem e, a felicidade ainda menos. Mas jogar no euro milhões e acertar ajuda muito, e isso apraz-me registar...

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:07
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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