Terça-feira, 31 de Maio de 2016
XICULULU . LXXVII

TEMPO COM CINZAS - Andamos a ser enganados pelo imperador Constantino que, há muitos anos, resolveu impor ao Império Romano o cristianismo….

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por

ferreira0.jpgCARLOS FERREIRA

Aos meus amigos(as) – 2ª de 12 Partes

ferreira1.jpg (…) Outra influência sobre Bruno, versando o mesmo campo, supõe-se que foi a de Giovanni Battista Della Porta, um erudito napolitano que publicou um livro importante sobre mágica natural. Nessa área, porém, talvez a influência predominante sobre Giordano Bruno tenha sido a da antiga religião egípcia do culto ao deus Toth, escriba dos deuses, inventor da escrita e patrono de todas as artes e ciências, e identificado com o deus grego Hermes Trismegisto (Três vezes grande) pelos neoplatónicos. As obras de Platão e também a Hermética, que é o conjunto dos segredos revelados por Hermes-Toth que constituem as ciências ocultas e astrologia a nível popular, e certos postulados de filosofia e teologia a nível erudito, - introduzidos em Florença por Marsilio Ficino ao final do século anterior.

ferreira7.jpg Em 1565, aos 17 anos, Bruno recebe hábito de São Domingos, no convento de San Domenico Majore, em Nápoles (onde São Tomas de Aquino havia leccionado), ocasião em que muda o nome para Giordano. Ordenado sacerdote em 1572, continuou no convento seus estudos de teologia, que concluiu em 1575. Intolerante com a ignorância dos colegas de claustro; aborrecia-se com as discussões de subtilezas teológicas. Leu dois comentários proibidos de Erasmus e discutia desassombradamente a heresia de Ariano, que negava a divindade de Cristo. Sua excepcional habilidade com a arte da memória viria a atrair tutores, e foi levado a Roma para demonstrar suas habilidades ao Papa.

ferreira12.jpg Suas tendências heterodoxas provocaram censuras e admoestações e por fim chama a atenção da Inquisição em Nápoles. Em 1576 deixou a cidade para escapar a um processo de heresia instaurado pelo Provincial da ordem. Fugiu para Roma onde foi vítima de uma acusação improcedente de assassinato. Um segundo processo de excomunhão em Roma fez com que fugisse novamente. Deixou o hábito dominicano e perambulou pelo norte da Itália por mais de um ano. Em 1578, viajou para a França e Suíça, onde, em Genebra, ganhava a vida fazendo revisão de textos.

ferreira11.jpg Abraçou o calvinismo, talvez apenas por conveniência por se achar em um país calvinista, porque logo publicou um escrito em que criticava um professor calvinista. Discorda da tese calvinista da justificação por meio da fé e não das obras, o que significa desvalorização e desprezo de toda caridade, misericórdia e justiça. A reacção dos calvinistas foi rigorosa: foi preso e excomungado, porém retractou-se e assim lhe foi permitido deixar a cidade. Vai para a França. Passa 2 anos (1579-1581) em Toulouse, onde consegue nomeação para uma cátedra de filosofia; lá tentou, sem sucesso, ser absolvido pela Igreja Católica. A esta altura é um homem sem pátria e sem Igreja.

ferreira10.jpg Um dos interesses de Bruno é a Arte Combinatória Luliana. A arte luliana busca construir um sistema de relações entre as ideias as quais diz Lúlio, apoiando-se em Platão, que existem e são interligadas na construção da realidade. Atua por meio de taboas e figuras. Determina os elementos primeiros do pensamento: sujeitos e predicados, e os representa por meio de letras que constituem "o alfabeto da grande arte". Dispõe essas letras em uma espécie de tábua pitagórica, e as escreve em triângulos, círculos que se sobrepõe e faz rodar para conseguir todas as diferentes combinações possíveis.

ferreira9.jpg As combinações formam o silabário e o dicionário da grande arte. Acreditava-se que, depois de conhecidas todas as maneiras de combinar os sujeitos com os predicados, se teria a possibilidade de responder a todas as perguntas que a mente humana pode fazer. Mas toda a sua construção gira em torno dos gonzos de um princípio filosófico platónico, isto é, que as nossas ideias por serem sombras das ideias eternas, estão vinculadas reciprocamente, como essas, em cadeias cujos elos são partes de um sistema único total e por isso podem iluminar-se mutuamente, pois é uma só a luz que resplandece em todas. (Leibniz depois retoma essa linha).

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:04
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MALAMBAS . CXXX

CINZAS DO TEMPOOutra vez mo reino das aroeiras …

MALAMBA: É a palavra.

Por

 

t´chingange.jpegT´Chingange

cinzas1.jpeg Saí de casa com a luz ténue entrando pelas frinchas das persianas das janelas; já se ouviam os melros e gaios lá fora piando suas espertezas matinais. Rodei na cama para a esquerda, para a direita e não havendo hipótese de ficar na sorna de olho aberto, preparei-me ao jeito de passear o cão e, de roupas folgadas e com minhas botas de galgar o Kwazulu Natal, calções de caqui, fiz-me ao caminho, o carreiro habitual. Meu cão proletário, um chouriço com leves traços de collie barbudo, saudou-me com suas quatro patas; naqueles meus propósitos, não lhe foi difícil adivinhar que iriamos passear à praia, andar na falésia por cima das furnas.

cinzas2.jpeg Não há maior religião do que a verdade! A pensar nisto, internei-me no mato que bordeia a costa rendilhada em falésias até à Cama da Vaca. Passei por praias que lá no fundo contrastavam sua areia doirada com o verde e azul do mar com algas bailando ao sabor das pequenas ondas e, já no torreão no alto da falésia entre a praia do Mato e a praia da Lapa pude ver o redondo da terra com seu horizonte de um azul nublado coladinho ao céu. É de todos, o meu passeio preferido, andar nos trilhos de entre estevas, funchos, zimbros, aroeiras e espargos floridos com suas muitas flores de cores variadas, cores de fim de Maio.

cinzas3.jpg Aqui e além poças nas rochas lavadas aonde os pequenos mamíferos e diversos pássaros saciam sua sede; poças de onde recolho poejo para fazer minhas açordas com pão alentejano. Mais adiante também recolho uns ramos de tomilho dum fresco verde. O faísca, meu velho cão, arfando, também ali pára a satisfazer sua sede. Coitado, já vai com a língua a arrojar o chão! Foi neste então que vi o quanto me está a fazer bem o milongo que meu amigo da onça do Porto-à-mão me indicou para tomar: - Extracto de guaraná em pó, beterraba em pó, ácido pantoténico, pó de algas mais uma catrefada de vitaminas! Isto de misturas com levedura de selénio e extracto de cúrcuma é mesmo bom!  

cinzas4.jpg Neste reino da aroeira surgem tufos de palmeira anã, daquelas que a tia Anica de Loulé fazia seus capachos para abanar seus calores e sua lareira. Também se encontram pinheiros, zimbreiros, tomilho, rosmaninho, zambujeiros, trovisco e arranha cão entrelaçado em malvas dos barrancos, espargueiras e arruda de cheiro intenso de fazer defumações para espantar maus espíritos.

cinzas5.jpg Há isto e muito mais, plantas ainda não catalogadas em minha memória, de flores bonitas que saem às primeiras chuvas e que mostram sua beleza até serem fecundadas e, depois morrem de novo ficando ali enterradas por mais um ano. Os mistérios da vida neste mundo vegetal são enormes e para quem quer quebrar a rotina, fazer passar o stress de coisas desavindas, sigam por aí nesse carreiro que até está assinalado a azul na forma de azulejo cimentado de quando em quando em rochas mais salientes. Haja vontade de ver e, decerto se alegrará com estas pequenas coisas.

cinzas6.jpg As alfarrobeiras podem ser vistas ao longo da falésia. O alvoroço da primeira hora é o melhor porque não é só o pardal que chilreia, o pombo bravo que arrulha, um sem número de gralhas que esvoaçam no promontório defendem-se dos gaviões ou mesmo das gaivotas que por ali intimidam relações. Talvez até veja uma raposa (já foi normal encontrá-las). Faça o favor de ser feliz, um dia de cada vez!cinzas7.jpg E, lá fomos nós por entre fragas, no fundo do vale e nos cumes do reino das aroeiras, um reino de largas vistas e de onde se vê um mar enorme confundindo-se com o céu e sem uma nítida separação do distante nevoeiro trazido pelos ventos alíseos, um cheirinho do Saára ou da brisa do Siroco.

cinzas8.jpg Rascunhei-me em cardos, arruda, estevas e chorões com flores lilases, cores vistosas; subi e desci arfando, resvalando com o cão soluçado em vapores com língua de fora. Neste meu passeio foito entre toutinegras, gralhas e pombos bravos encimados em buracos escarafunchosos e esbarradoiros, as lagartixas miram-me curiosamente como se fosse um agente do além.

cinzas9.jpg Nestas terras do meu latifúndio, com oliveiras bravas, carrascos, arranha-cão e zimbros entre pedregulhos calcários, corro o risco de apanhar carrapatos, mas tal como os afoitados desbravadores de terras por conhecer, adentro-me aquém bombordo mirando o estibordo como um tal de Cadamosto que às ordens do D. Henrique e de cabo em cabo chegou em tempos idos à Gâmbia.

cinzas10.jpg Lá em baixo barulhando-se ora perto, ora manso, ora longe mais encapelado, o mar testemunha o que construo a cada passo uma estória ao meu modo; um mussendo, um missosso entre ave Marias encavalitadas de prefácios que se baralham e que logologo se esquecem; esticando os ossos, construo-me a cada passo na estória e, vem outro e mais outro muxoxo como que cumprindo ordens dos meus espíritos a quem risco na areia os sinais do cho-ku-rei ou do sei-he-ki. Um lugar nobre e muito cheio de adrenalina com iodo que de certo modo nos inebria. Um Pambu N´gila como é costume eu dizer…

cinzas11.jpg Aquele senhor Cadamosto, que descreveu as primeiras descobertas além-fronteiras do M´Puto cumprindo ordens do Senhor rei e príncipes consortes, desconhecia todas estas modernas finuras de dialogar em coisas etéreas. Sempre veremos coisas novas se o quisermos, se tivermos vontade para isso e, não é forçoso ter um qualquer rei por detrás, um presidente ou um outro qualquer decadente. Chegado a casa escrevo os lembrados prefácios encavalitados nas arbitrárias e aleatórias recordações daqui e dali, do meu mundo, só para ginasticar a mente. Um dia de cada vez. (Ufa! Terminei!…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:12
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Sábado, 28 de Maio de 2016
XICULULU . LXXVI

TEMPO COM CINZAS - Andamos a ser enganados pelo imperador Constantino que, há muitos anos, resolveu impor ao Império Romano o cristianismo….

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por

ferreira00.jpgCARLOS FERREIRA

Aos meus amigos(as) - 1ª de 12 Partes

ferreira1.jpg Depois de ter visto no canal History uma peça sobre extra terrestres e a relação sobre religião, as "preocupações" do Vaticano  e sua estrutura, de certo modo, perigaram. Falou-se nas ideias revolucionárias de Giordano Bruno que achando ter alguma lógica levou-me também a concluir que andamos a ser enganados pelo célebre imperador Constantino. Esse nobre romano que, há alguns milhares de anos resolveu impor ao Império Romano o cristianismo. Por destruição esconderam ou queimaram muitos outros documentos ou Bíblias que desmistificavam todas as histórias que aprendemos até hoje. E, olhem que eu até fui catequista!

afon6.jpg Giordano Bruno, filósofo, astrónomo e matemático, importante pelas suas teorias sobre o universo infinito e a multiplicidade dos sistemas siderais, rejeitou a teoria geocêntrica tradicional ultrapassando a teoria heliocêntrica de Copérnico que ainda mantinha o universo finito com uma esfera de estrelas fixas. Embora tais campos não fossem conhecidos na ciência, pode-se dizer que Bruno, interessado na natureza das ideias e do processo associativo abriu-se como mente humana. Fascinado relacionou um embasamento filosófico às grandes descobertas científicas desse tempo.

ferreira2.jpg Nascido em Nola (motivo de ser chamado o Nolano), província de Nápoles, na Campónia, Itália Meridional, em 1548, recebeu no baptismo o nome de Filippo Bruno. O sul da Itália era domínio de Carlos V (Sacro Império), depois de Felipe II da Espanha (com Portugal incluído), seu filho. Essa dominação vai de 1529 a 1700. Nápoles era baluarte espanhol contra os mouros. Governada por um Vice-rei (Pedro de Toledo na época de Carlos V).

ferreira3.jpg Porém já nessa época, devido à descoberta de novas rotas marítimas, a importância do mediterrâneo para o comércio acaba. Bruno era filho de João Bruno, militar, e Flaulissa Savolino. Foi para Nápoles em 1562, estudar humanidades, lógica e dialéctica. São muitas as influências apontadas que Giordano Bruno teria sofrido durante o período de sua formação. É especialmente atraído pelas novas correntes de pensamento, entre as quais as obras de Platão e Hermes Trismegistus, ambos muito difundidos na Itália ao início do Renascimento.

ferreira4.jpg É a época dos mais acesos debates no Concílio de Trento (1545-1563), convocado pelo papa Paulo III para discutir estratégias na contra reforma protestante. Possivelmente as discussões ousadas que ocorriam em Trento, sobre temas controversos da religião e da filosofia, das quais com certeza tinha notícias no convento, influíram no espírito de Giordano Bruno. Ficou impressionado com as aulas de G. V. de Colle, filósofo de tendência averroísta (Aristotélico segundo a interpretação de Aristóteles pelo muçulmano Averroes) como também com o que leu sobre métodos de memorização (Mnemotécnica).

ferreira5.jpg Quanto aos métodos de memorização, Giordano Bruno foi muito influenciado pelo pensamento de Raimundo Lúlio (1235-1316), de Maiorca, místico catalão e poeta autor de um manual da cavalaria, Ars Magna ("A grande Arte"), "A Árvore da Ciência", Liber de ascensu et descensu intellectus ("O Livro da subida e da descida do intelecto") descrevendo estágios do desenvolvimento intelectual no entendimento na compreensão de todos os seres através do método da sua arte.

ferreira6.jpg Assim como Santo Agostinho, Lúlio fez corresponder os três poderes da alma como imagens da trindade no homem. Como intelecto, era a arte de conhecer, como vontade a arte de amar e como memória a arte de recordar. Teve visões de Cristo que o levaram a deixar a vida de casado e da corte, e adepto de São Francisco pregou no norte da África e oriente tentando converter muçulmanos ao catolicismo. Lúlio viu o universo inteiro reflectindo os atributos de Deus. Teve então a ideia de reduzir todo o conhecimento a princípios simples com uma convergência de unidade. Teria sido martirizado a pedradas no norte da África.

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:56
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Sexta-feira, 27 de Maio de 2016
MUJIMBO . CXVII

PORTUGAL - CICATRIZES DO TEMPO - São ladrões, mas não são presos, é tudo legal…

Mujimbo é boato em kimbundo; diz-se por aí; às vezes, são manobras de diversão; formas de encobrir....

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbo

Por

Resultado de imagem para silhueta humanaDieter Dillinger  - É o pseudónimo dum jornalista independente alemão da Alemanha, editor, autor de novelas criminais e investigador privado. É um primo meu em 3º grau que tem os pés chatos....

jeronimo1.jpg O Estado Português está a ser ROUBADO em mais de 500 milhões de euros pela Holanda que aceita as falsas sedes das grandes empresas portuguesas do PSI 20. Segundo o jornal Negócios, no final de 2015 foram distribuídos dividendos das empresas cotadas na bolsa - apenas 18 - no valor de 2,23 mil milhões de euros, dos quais dez grupos empresariais nacionais e estrangeiros levaram mais de metade. Cerca de 2/3 desse montante não pagou a taxa liberatória portuguesa de 28%, mas apenas... a holandesa de 5%.

jeronimo2.png A família que mais recebeu foi a dona da Sociedade Francisco Manuel dos Santos que detém 56,1% do grupo Jerónimo Martins com sede na Holanda que terá recebido 461,7 milhões de euros, roubando ao Fisco 129,27 milhões de euros. E o Soares dos Santos ainda tem a lata de vir para a televisão e jornais dar lições aos governos.

jeronimo3.jpg A EDP vai distribuir aos accionistas chineses, americanos e espanhóis 670 milhões de euros. Só a "China Three Gorges" vai receber 144 milhões e a Guoxin chinesa 20,4 milhões de euros sem pagar impostos. Consta que a EDP está a pagar aos patrões dividendos superiores ao lucro real, reduzindo as suas reservas e contraindo empréstimos para tal. É o ASSALTO a Portugal.

jeronimo4.jpg

 

O Queiroz Pereira recebeu 208 milhões pela posição de 64,84% na Semapa através da empresa holandesa que controla. Não sei para que quer ele esse dinheiro! A falsa empresa holandesa Efanor do Belmiro de Azevedo e filho vai receber 50 milhões sem pagar um cêntimo à Pátria dos portugueses que não é a dos donos da Sonae/Continente. Para esses, Pátria, Deus e Família é o DINHEIRO.

jeronimo5.jpg O Amorim recebeu na Holanda mais de 120 milhões de euros, resultantes da posição de 55% que tem na Amorim Energia que é dona de 33,84% da Galp e da sua posição maioritária na Corticeira Amorim. Por causa de um ordenado mínimo de 535 euros, andam a clamar que não podem pagar, mas distribuem-se a si mais de 2 mil milhões de euros. Para completar a obra destes FdP, o défice de 2015 vai ficar em 4,3% do PIB devido à perda de 1,4% do PIB com a falência do Banco BANIF.

jeronimo6.jpg Curiosamente, a taxa liberatória  holandesa é de quase 50% para os dividendos resultantes de actividades na Holanda e de 5% para os das falsas sedes estrangeiras. A taxa portuguesa é das mais baixas da Europa e não é proporcional. Assim, um taxista que apurou um lucro anual de 5 mil euros paga 28%, ou seja, 1.400 euros, enquanto um milionário que recebe 100 milhões de euros em dividendos paga os mesmos 28% de taxa em sede de IRS sem acumular com outros rendimentos como ordenados de administradores, rendas de casas alugadas, etc.

jeronimo7.png Quando é que a procuradora geral da República  Joana Marques Vidal manda investigar os magnatas que possuem falsas sedes na Holanda. Tudo o que é falso é crime, seja uma factura, a cópia de uma marca ou uma sede no estrangeiro onde ninguém está a administrar seja o que for.

jeronimo8.jpg E, vêem agora com os “simplex” para tapear as poucas-vergonhas! Andam preocupados com um zepelim que anda voando feito vaca e coisas do arco-da-velha como se não tivessem coisas mais importantes para se fazer! Isto de políticos e política, tudo anda pelas horas da amargura. Andam com guerras menores entretendo-nos para esconder as coisas grossas… Assim não brinco!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:24
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2016
XICULULU . LXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

crúzios 2.jpg Andei uns dias por terras onde em tempos D. Manuel mandou publicar uma lei que permitia às gentes ficar com o “gado do vento” sem que lhes fosse imputada culpa de roubo. “O gado do vento hé do senhorio quando este se há perdido”. E, nesses tempos os senhorios eram os Crúzios, os frades afectos à igreja de Santa Cruz! A Paróquia de Santa Cruz situa-se praticamente no centro histórico da cidade de Coimbra e é uma das mais antigas de Portugal, pois os seus limites primitivos foram delimitados por Dom Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, cujos restos mortais se encontram num mausoléu desta igreja.

cruzio3.png Uma marca distintiva dos Crúzios é a cruz vermelha e branca, usado no escapulário de seu hábito religioso. A designação refere-se à cruz e à espiritualidade da Ordem. A festa principal dos Crúzios era a Exaltação da Cruz reflectindo uma espiritualidade centrada na cruz triunfal de Cristo, o Senhor glorificado. Estes Crúzios tinham largas terras que iam desde Coimbra até o mar abrangendo as áreas de mato, as gândaras acima do rio Mondego, Montemor-o-Velho, Arazede, Amieiro, Cadima e Cantanhede.

cruzios11.jpg A igreja paroquial de Cadima, já existia em 1181, cujo concelho foi criado pelo Foral de 23 de Agosto de 1514, dado por D. Manuel I, em Lisboa. Sua antiguidade comprova-se pela existência da antiga freguesia de Nossa Senhora do Ó, pois as Igrejas hispano-visigóticas celebravam a festa da Expectação do Parto ou Santa Maria do Ó, por determinação do X Concílio de Toledo, no ano de 656. Os terrenos de Cadima e Tocha foram domínio do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, que entregava as terras como aforamento a rendeiros sob a sua jurisdição. Por vezes surgiam destroços de barcos, motivo de batalhas marítimas entre piratas; estes haveres eram recolhidos pelos rendeiros e também entregues ao seu Senhorio, os Crúzios. 

cruzios5.jpg Esta vasta região só teve desenvolvimento por via de plantações de milho grosso e batatas trazidas da América pelas novas descobertas de além-mar, terras dum novo mundo; novas sementes foram chegando dando engrandecimento à região. Mas, eis que um dia, narra a lenda que um fidalgo de nome João Garcia Bacelar, em uma das suas viagens pelas charnecas e gândaras muito extensas e desertas, chega à Quinta da Fonte Quente. Diz que vai ali construir uma capela por devoção a uma Nossa Senhora. Ajustando uma troca com o lavrador que ali rompia o mato solicitou ao Mosteiro de Santa Cruz, os Crúzios seus Senhorios, ali edificar uma ermida dedicada a Nossa Senhora D' Atocha.

cruzios9.jpg A estória fala dum tombo de morte que o Fidalgo Bacelar teria dado dum burro e, que já dado como finado por ter caído num precipício em Madrid, prometeu que se algum dia viesse a ser pessoa importante, edificaria uma ermida em honra da senhora que ele evocou no susto da queda. A essa Senhora vinda de Bizâncio, seu primitivo lugar de culto, deu origem a que para ali se dirigissem peregrinações de sesmeiros. Desde então, D´Atocha não parou de fazer muitos milagres! Essas grandes romarias deram oportunidade aos frades Crúzios, Senhorios daquelas gândaras de expandir sua fé. Assim surgiu a Tocha que hoje conhecemos como uma praia, ventosa, batida por ondas grandes, enraivecidas permanentemente.

cruzios0.jpg Os milagres da Santa fizeram crescer o culto da cruz e daqui concluir-se sua ligação com os Crúzios da Inglaterra medieval, também conhecidos como os frades Crutched (cruzados). Nossa Senhora D' Atocha, a mais antiga padroeira de Madrid, é uma imagem de Santa Maria Sentada com o Menino no braço esquerdo. As expressões "peregrinação" e "guerra santa” termo Cruzada surgiu porque seus participantes se consideravam soldados de Cristo, distinguidos pela cruz aposta em suas roupas. As Cruzadas de tempos anteriores eram também peregrinações, uma forma de pagamento a alguma promessa com luta contra os infiéis sarracenos, mouros, ou uma forma de pedir alguma graça, e também uma penitência. Os Crúzios surgem mais tarde mas com esta filosófica postura de devoção.

cruzios8.jpg Recordar aqui que a espada dos cruzados, antigos crúzios era uma cruz com uma lâmina alongada e, assim continuou a ser. Os cruzados levavam seu credo na ponta da lâmina, uma forma bizarra de impor a fé pela submissão ou medo. E, foi daqui de Santa Cruz de Coimbra que saíram os primeiros Crúzios para aquele novo mundo chamado de Brasil; Três Crúzios desembarcaram em Belém do Pará, em terras amazónicas, encontraram muitos desafios, incluindo doenças e a morte de um membro da comunidade. Perseverantes, fundaram a paróquia da Santa Cruz em Belém, e só em 1948 deram um passo significativo ao ir para o sudeste do Brasil.

cruzios12.jpg Fundaram comunidades e começaram a servir nas cidades de Juiz de Fora, Belo Horizonte, Campo Belo, Leopoldina, e Rio de Janeiro. Mas, foram os padres holandeses que mais deram seu testemunho de trabalho e dedicação ao povo brasileiro. Foram eles grandes evangelizadores e construtores de bons cidadãos, através de trabalhos sociais. Hoje depois de muitos anos de Brasil, os Crúzios estão presentes apenas em Campo Belo e Belo Horizonte. Desbravei por curiosidade, estes conhecimentos em terras também peregrinadas por mim nesta data e no ano de 2016

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:41
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Terça-feira, 24 de Maio de 2016
MISSOSSO . XXVII

.ANGOLA . TERRA DA GASOSA - Não há palavras para vos descrever o que senti ali acocorado entre aquele imbondeiro das Mabubas…

Missosso: Da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto quimbundo. Óscar Ribas foi o seu criador.

De T´Chingange: - Este missosso não deveria ter acontecido tão verdadeiro e tão actual mas, aconteceu! Introduzo aqui em segundo relevo a minha vida em tempos idos quando era preto na cor e era pescador…

Por

cacu26.jpgJúlio Ferrolho

cacu6.jpgPARTE 1 - O CACUSSO, O IMBONDEIRO E OS MOSQUITOS

Encontrava-me em Luanda a dar formação, ensinava no ex-Inorade como se construía e se geria uma empresa nos momentos de início da sua vida, naquele mês de Março do início do século, integrado num projecto da Associação Industrial Portuguesa. Instalado no hotel Trópico saía à rua só na viatura que estava ao serviço do curso, que era conduzida por um funcionário ministerial angolano. Durante a semana ficava pouco tempo para reconhecer a cidade, pois a formação decorria entre as 9 e as 17 h e no hotel tinha meios de me entreter e, sobretudo, conhecer os assuntos do dia pela televisão, o que é um meio de nos actualizarmos depressa com a realidade local. Mesmo assim, numa tarde subi a pé a antiga Rua Luís de Camões, onde se situa o hotel, e fui visitar o prédio e a zona onde residi cerca de dois anos, na década de sessenta, mais acima, no Bairro do Maculusso.

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No fim-de-semana de intervalo das aulas aceitei o convite do Teófilo, um amigo angolano que trabalhava na Sonangol e com quem estava a construir um programa de formação para ser instalado localmente, para ir comer cacussos grelhados ao rio Dange (ou Dande), entre o Caxito e as Mabubas. Ele passou pelo hotel para me apanhar e saímos por volta do meio-dia. No caminho tive oportunidade de rever o trajecto que tinha tão bem conhecido noutros tempos, mas encontrava-se muito mais movimentado agora, com multidões passando e vendendo toda a espécie de bens ou recursos nas ruas e à beira das estradas. Surgiam montureiras de lixo a esmo, em locais escolhidos à sorte de grandes dimensões e musseques a seguir uns aos outros, cobrindo quase todo o espaço disponível. Só depois do Cacuaco, entrados na área rural, é que deixei de os ver.

cacu8.jpg Não conhecia ainda os peixes que serviriam de almoço no nosso convívio. A prova foi uma agradável surpresa. Pude verificar que este peixe é de gosto acentuado mas de bom paladar. Experimentámos o cacusso grelhado ao natural e o mufete de cacusso, onde imperou o feijão com óleo de palma, a mandioca, a banana pão e a batata-doce regados com molho frio de cebola e tomate e outros ingredientes. O repasto demorou até ao meio da tarde pois aproveitámos para conversar e comentar as possibilidades de trabalho que nos interessavam mas que, por razões que não interessa agora referir, não vieram a resultar.

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Lembrou-se o Teófilo de irmos até um pouco mais à frente, ver a barragem das Mabubas e assim aconteceu. Passámos a ponte e nem reparámos que se encontrava lá instalada uma brigada mista de polícia. Demorámos um pouco a visitar a célebre barragem de memórias militares ainda vivas e regressámos, já o sol apontava ao ocidente.

cacu7.jpg Quando encetávamos a passagem pela ponte no regresso fomos mandados parar por um elemento da brigada que nos pediu a identificação. Foi só nesse momento que reparei que tinha deixado o passaporte no hotel, ato que nunca me tinha acontecido nem nunca mais me aconteceu depois, sempre que estou no estrangeiro. Confessei imediatamente a situação, que o passaporte estava no hotel e o meu amigo, depois de se identificar, chamou o guarda à parte para lhe dizer o que se adivinha, metendo “gasosa” e o resto na conversa. Nada feito! (Talvez o cumbu ofertado fosse insuficiente!)

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O homem, de baixa estatura e um pouco franzino, chegou-se ao pé de mim, olhou-me de frente, depois recuou por evitar ter de olhar um pouco para cima e, saboreando já a hipótese de vir a exercer o poder de que estava mandatado, disse-me: - Tu ficas preso, ali, debaixo daquele imbondeiro, e só sais quando o teu colega trouxer o teu passaporte se o tiveres no hotel, como dizes!

cacu9.jpg Assim aconteceu. Dirigi-me para o local que me indicou, junto ao rio, onde existia uma pequena construção de adobes sem reboco, onde os guardas trocavam de roupa. Ali fiquei, objecto da vigilância, ao longe, dos guardas que, entretanto, iam procedendo à identificação de outras pessoas não africanas sem obterem vitória idêntica à que tiveram comigo.

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O Teófilo regressou cerca de 2 horas depois, já o sol desaparecera há muito para o lado do mar e o tempo arrefecia ligeiramente, o que notei de forma clara, pois estava de camisa de meias mangas. Os mosquitos faziam o trabalho deles e eu tentava, em vão, evitá-lo. Lá fui libertado com uma lição de moral cívica breve mas incisiva e cheguei ao hotel sem vontade de comer.

cacu22.jpg PARTE 2T´CHINGANGE EM KIFANGONDO … MOKANDAS DO REINO

Fui à torre do N´Zombo buscar jóias literárias do meu Reino de fantasia e, encontrei-me xinguilado no ano de 1486 - Estávamos em Janeiro de 1486. Eu, não era eu, retrocedi no tempo. Pela incorporação dum espírito de nome N´gesso voltei àquele ano, em plena kiangala. Os nomes eram diferentes, falava outra língua que não era a de hoje e, por isso vou ter de explicar no fim deste desassombro o que todas estas velhas palavras querem dizer naquele dialecto banto, o m´bundu.

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Meu pai, Miconge N´futila das Mabubas, o kota da vata, decidiu abandonar terras do Kifangondo e, para tal saiu bem cedo para trocar impressões com o Umbanda e, só depois falaria com o M´fumu; sopado com minha mãe Kilua N´zinga desde candengue, entrara agora nas dificuldades da velhice, não podia mais sustentar a familia como kibinda; seus pés estavam pesando demais e o espírito dos kijikus estavam na trapalhação. Foi no M´fumo e explicou que era por demais kazumbi para aguentar, tinha na obrigação de levar o candengue (eu) na habituação da apanha dos n´zimbos na terra dos Ku-luanda.

cacu18.jpg Eu, que já tinha treze kixibus, entendi que as dificuldades de meu pai era kubasular aquela vida de matacanha. Miconge N´futila tinha no lumbu um irmão que era m´banda bem visto aos olhos do m´fumu-a-vata, que conhecia a ciência dos kalundu; este, podia muito bem dar trabalho para mim e espantar o mau-olhado dos defunto espíritos da Yanda. Na entrevista do velho kikongo chefe M´fumo com meu pai, as explicações foram aceites na reticência e, de satisfeito, quando chegou preparou as imbambas, corotos, a uanda,os kofus e a mukuali, sentou-se debaixo do m´bondo (aquele mesmo imbondeiro da maka de Júlio Ferrolho) e bebeu todo o marufo que tinha na kubata; ainda teve tempo de arrastar as quinambas para se despedir do mwani kazuca, amigo de muitas andanças.

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No primeiramente ficamos no ka-kuaco, passadas as kalembas da barra do rio com a kalunga do mar; dificultadamente ximbicamos e remamos na vista de terra, minha mãe Kilua chorava de medo, os muandu brincavam na nossa volta. Ficamos ali uns dias na reparação pequena no n´dongo pois as calemas fizeram estrago. Entretanto consegui apanhar duas kiangus na minha lança que por ali se esconderam nas águas baixas; no seguidamente preparamos com n´tondo a acompanhar.

cacu23.jpg Naquela noite estava frio, as hienas choravam de fome e eu metia lenha na fogueira por medo; não preguei olho toda a noite, o meu lumbu estava agora a compor-se, mas o meu medo era por demais, só as kalembas abafavam os meus soluços debaixo daquela n´sanda; Uma manada de n´zaus passou por ali perto e só nesse meio tempo as hienas de manchas feias me deixaram em paz. Depois daquela noite ganhei coragem e, se calhar já nem ia para o layoteso pois que nos costumes do sítio para aonde íamos, eu não tinha amizades; assim passei aqueles longos dias até avistarmos a Mazanga.

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O vento enchia as n´dele do n´dongo com força e rápidamente passamos a baía do m´bungo. Sei que paramos por ali e meu pai N´futila foi tirar informações de aonde podia encontrar o seu irmão e, meu tio m´banda de profissão e kadinguila de nome. No entretanto da espera vi na observância que aquela ilha era demasiado comprida e, dias depois chegamos na xicála sitio da dibata, dos seguranças do reino de N´dongo aonde meu tio tinha pré-ponderância.

embo0.jpg A partir daquele dia por direito de Kanda passei a ser ka-mundongo, apanhar búzios de n´zimbo na ponta da Mazanga e lá mais no longe, os caurins da Korimba e muito n´tadi no Mussulo. 486 anos mais tarde ressuscito maiombolado, mundele em plena Korimba; Já não havia hienas nem n´zaus e ali estava eu esperando lugar no kapossoka, atravessar o mar baixo e regressar no kitoco. Foi neste barco que a agora minha sopada, cafeco de então, Ibib, me mandou fazer continência à bandeira Portuguesa; estávamos no meio de um jogo de namorados que resultou em Ka-mundongos ou Ka-Luandas e que agora vão ter de passar pelas mesmas privações desse pai N´gesso T´chingange, a provar que o são.

Com cinco escudos em 1973 na Samba lembro-me de ter comprado um grade peixe-espada (kinbiji). Se um n´zimbo valia cinco caurins, naquela primeira encarnação 5 escudos seriam talvez uma canoa cheia de kinbijis.

Estamos a 24 de Maio de 2016 - 530 anos depois daquelas tormentas. Háka…

CAUNI 2.jpgGLOSSÁRIO: Candengue:-rapaz; corotos:- trastes; caurins:- búzios pequenos, cêntimos do zimbo; cafeco: - donzela; libata: - palhota; kanda:- descendente por via matrilinear; ka-mundongo: - nascido no reino n´dongo (Luanda) ou súbditos do chefe N´gola kitunda; ka-luanda: - nascido em Luanda, calcinha; kazumbi:- feitiço; kiangala:- pequena estação seca; kifangondo:- aldeia; kibinda:- caçador; kijucos:- gente de outras tribos, de fora; kalundu / kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto; kixibus:- cacimbos, estação fria; kubasular:- passar bassula, dar a volta por cima; kicongo:- natural do Congo; korimba:- lugar de costa, ancoradouro; kapossoca:- nome de barco com motor; kitoco: - traineira trnsformada; kota:- mais velho; kofu:- cesto estreito e comprido para apanhar conchas; ku-luanda:- a ocidente, mais importante e sabedor; ka-kuaco: - sítio, lugar; kalemba: - ondas de mar bravo; kalunga:- abismo, sitio de muita morte; kiangu:- raia; lumbu:- descendente por parte do pai; layoteso:- casa da puberdade para rapazes; m´bundu:- de fala banto, em quinbundo; m´banda:- guarda, sub chefe; m´fumu:- chefe; mfumu-a-vata:- chefe da aldeia; matacanha:-pulga da terra, o mesmo que bitacáia; mukuali:- catana, facão; muandu: - tubarão; N´dongo: - reino da Matamba, parte central de Angola de ambos os lados do rio Kwanza, nome dado pelos portugas às canoas ou pirogas desta gente do reino; kinbijis: - peixe espada; n´tondo: - batata doce; n´sanda: cobertura improvisada de pescador com folhas da vegetação à mão; Mazanga: - Illha de Luanda; sopada/o: - casada/o

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:13
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Domingo, 22 de Maio de 2016
MALAMBAS. CXXIX

NUNDO CÃO - TEMPOS DE USUCAPIÃOA malandragem prolifera desregularizando a democracia – Quem pode conceber o presidente dum grade pais, virar corsário…

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Brasil - PT nunca mais! - Você sabia que todo o presente recebido pelo Presidente da República fica sendo do Estado?

brasil2.jpg Pois é... Mas o Ex-presidente Lula fez-se de desentendido levando para sua casa tudo o que lhe foi oferecido bem assim como a sua esposa. Claro que agora os brasileiros vão ter que pedir-lhe que os devolva pois que são património do Brasil e não dele ou de sua esposa. A legislação brasileira e da maior parte dos países ditos civilizados, determina que os presentes ganhos pelo Presidente da República no exercício da função, sejam incorporados ao património público sendo considerados propriedade do estado.

bra4.jpg Lula e sua família, ao deixarem o Palácio da Alvorada, fizeram o favor de levar todos os presentes recebidos nessa função de chefe da nação. Destes muitos presentes, constava uma colecção de jóias raras recebida do presidente de Egipto, registados no acervo da presidência da república. Todos os objectos ocuparam 18 camiões de mudança levados para São Bernardo. D. Marisa, a Italiana, afirmou que as jóias eram delas colocando-as em sua bagagem.

ÁFRICA3.jpg Funcionários antigos do Palácio Alvorada, ficaram horrorizados quando perceberam a falta de diversos objectos de arte e peças de alto valor, tais como estatuetas, faqueiros, xicaras, marfins trabalhados, medalhas de estado e, por aí... Durante o rescaldo do grande saque às instalações palacianas, observou-se que os Silva surripiaram, fanaram, capiangaram, furtaram inclusive, o crucifixo que há décadas adornava a sala de visitas de outros chefes de estado quando de visita ao Presidente da República.

amilcar4.jpg Aquela imagem de Cristo crucificado era tida como milagrosa, um ícone para todos os funcionários do planalto e, adorada por todos que ali trabalham. O povo brasileiro, bem arreigado a conceitos culturais que lhe foram legados e, também por seu misticismo de seus ascendentes africanos, devoção de gente que apela aos céus quando não chove, impressionado com este  roubo do crucifixo presidencial, sente que o Brasil desde este então, vem sendo castigado por Deus.

luis37.jpg Os brasileiros através deste comportamento perderam o norte; desregularam-se nas posturas que lhes foram legadas por muita gente ali chegada para vencer na vida. E, eu pertenço a este bolo gigante, sinto-o! Gente oriunda de muitas partes do mundo para ali se estabelecer, escolhendo o Brasil como a terra da promissão! O Brasil não pode ser um paraíso para malandros! A bandeira verde e amarela com suas muitas estrelas, não tem a Ordem para os de baixo e Progresso para os de cima! Estas duas palavras terão de ser elevadas à sua real catedral; ao nosso maior templo.

dia20.jpg Quem pode descurar o castigo nunca vivido desta forma causticante devido ao desleixo e quebra de valores, como o grande número de ciclones ocorridos no sul do Brasil ou a tragédia na região serrana fluminense entre outros, como o desemprego galopante, a inflação crescente a descrença generalizada ou a perca de confiança de seus líderes de proximidade. Será isto um reflexo da ira divina pela acção dos Silva? Foi por isso lançada a campanha de recuperação do património público nacional. Veremos o que se segue neste país que de tudo que se plante, de tudo dá! Deus proteja o Brasil, o país de minha eleição, depois de ter sido descolonizado de Angola!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:52
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Sexta-feira, 20 de Maio de 2016
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXVI

MOKANDA DO SOBA - EM COIMBRA

Sempre será melhor distribuírem-se rosas do que pedaços de egoísmo, altruísmo, ostracismo, pedantismo e outros ismos. Mas, ainda é mais fácil desfragmentar um átomo…

Por

soba 01.jpgT´chingange

branco1.jpg Tentando compreender-me, compreender o mundo e as pessoas que nos rodeiam de perto ou longe, na outra margem dum rio, num porto-à-mão ou num ferro-agudo, vejo-me envolto em probabilidades, reconhecendo o quanto há de incerteza no entendimento entre dois seres que nada cedem para se dar ao fenómeno electromagnético. Cada cabeça sua sentença e, o facto de se ir de A para B no espaço, ou seu inverso no tempo, obtêm-se um conjunto ou a soma de ondas para todas as trajectórias comportamentais.

Clara1.jpg As variações mentais são enormes, umas grandes e outras quase rasas que associadas se anulam umas às outras por vezes; torna-se mais simples calcular as orbitas permitidas em átomos e moléculas unidos por eléctrones que orbitam mais de um núcleo do que, entender alguns tipos de raciocínio que em nós coabitam. Falo de humanos ou humanóides, claro! E, é tão difícil conceber isto em nossa cultura que seremos obrigados a interpretar as antigas pinturas em que os santos ou gente com santidade eram envoltos em seu templo, sua cabeça com um halo de luz magenta ou púrpura.

DIA76.jpg Talvez seja uma explicação grosseira mas, mais plausível de entendimento. Neste aspecto volátil teremos de equacionar nossas vidas de forma quadrimensional que, num espaço-tempo significam a união de pontos chamados de eventos; a soma de situações em nossas formalizadas ou formatadas vidas dum chamado “Ego”. Ontem percorri seis quilómetros para ir a um lugar do largo do Poço no casco velho da Cidade de Coimbra a fim de comprar uma orquídea para a minha mulher de nome Ibib e, dar ensejo nobre aos seus setenta e cinco anos. Parabéns… ouviu!

orquidea.jpg E, enquanto ia, bulia! E, de regresso já com ela, a orquídea, numa bolsa e mais duas rosas, uma vermelha e outra branca, pensei que sempre será mais fácil distribuirmos rosas do que pedaços de egoísmo, ostracismo, pedantismo ou palavras feitas acções sem amor. Lá no Largo do Poço e bem perto do Panteão Nacional na Igreja de Santa Cruz pude deparar com um quase cego que tocava um órgão. Deveria ter-lhe dado uma moeda mas não dei e, estou seriamente arrependido! Talvez lá vá de novo para repor a vontade no lugar.

mess5.jpg Agachado nele, lendo as letras ou partituras, tocava a uma só mão, músicas do cancioneiro popular; letras que andam trauteadas de boca em boca e, concluí que enquanto uns se esforçam e lutam para sobreviver, outros espalham brasas queimando no quotidiano suas vidas, suas amizades, para se vestirem num alto coturno egoísta até às orelhas. E, como é confrangedor deparar com essa exagerada auto-estima, estigmatizando os demais supondo-se índigos.

afon1.JPG De regresso aos Olivais de Coimbra, lugar de mirar o Tovim e, já no topo de uma ladeira, arfando velhice, bem perto da Biblioteca Municipal, curiosamente bem ao lado da “Sereia do Mondego”, um bar para estudantes, subo uns muitos degraus parando no topo, no padrão, símbolo de se querer, mesmo em frente da Escola Secundaria José Falcão e, pude ler “Se mais mundo novo houvera, lá chegara” uma referência ao sétimo canto dos Lusíadas de Camões. Como digo com frequência, teremos de espotricar o tempo no “Paratrás” para melhor nos integrarmos no “Paralém” …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:13
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Quinta-feira, 19 de Maio de 2016
MAIANGA . XVII

MAIANGA DA LUUA - ESTOU EM PEREGRINAÇÃO À MAIANGA DO M´PUTO
- Luanda esconde, entre casas e ruelas, dois ícones dos tempos em que a cidade começou a ser grande. Eram as maiangas, nomes de kimbundo para “poço”. Maianga do Rei para os ricos; Maianga do Povo para os “outros”.
Por

t´chingange.jpegT´Chingange

afon4.jpg Estamos em Maio de 2016. Sempre a fugir do presente, encontro-me com o passado a dar-me sossego e, que nem um peregrino, rumei de Guaxuma do Brasil para o M´puto, depois segui as kiandas da minha terra de N´Gola e subi até Burgos. Passei uns momentos épicos com meus manos comendo tapas e rodelas de calamares mas, sempre em pulgas rumei a Granada. E, vi Alhambra com meus kambas, kiandas de Granada voltando de novo a Toledo. Ali me mantive curtindo um concílio que ainda dura e, para onde voltarei.

ÁFRICA2.jpg Desci a Málaga e estive com Picasso sem ver guernica; vi catacumbas em seus alicerces com paredes mais velhas do que Cristo. Vi múmias Fenícias, máscaras antigas dos romanos ao jeito de fazer teatro e, agora estou em Coimbra rumo a Ti Matilde de Ansião para cantar Maianga Maianga, bairro antigo e popular, da velha Luanda com palmeiras ao Luar. Espotricando o tempo, aqui estou visitando a tumba do meu tetravô Afonso Henriques a dar-lhe novas, novíssimas. Ele mudo e quedo, nada me disse; coitado já tem as letras árabes e romanas fanadas, esfarinhadas feitas pó. 

kafu10.jpgE agora, rumo à Maianga da Ti Matilde, nossa muxima do M´Puto, revejo a Luanda de casas e ruelas, com dois pontos de água construídos para abastecer a população e, que agora o musseque tapou. Fugindo aos roteiros tradicionais encontro-me entre musseques, tectos de zinco com pedras e tijolos a segurá-las do vento. Sapatos encarquilhados amontoados com restos de coisas indefinidas junto às antenas parabólicas, mostrando alguma riqueza em seus exteriores; cheiros e fumos saindo dos cantos, das fendas e, ruídos de falas com merengues e kimbundices feias de túji e sundiameno. Mas a riquesa mesmo está lá com os filhos e afilhados do EDU, carros Xis-Pê-Tê-Oó, fourd by fourd.

may1.jpgAproveito dizer que o Kimbo blogue a Kizomba do FB pretendem ser uma referência como catalisador dessa pura amizade. Uma força integradora do nosso tempo que subsiste candengue. Kimbo e Kizomba são ou pretendem ser BANCOS DE ÉTICA sem horários, sem mujimbos, sem makas para quem vier por bem, diga-se! 

may8.jpg Por vezes, brincamos afugentando desencantos, mostramos os valores que nos fidelizam. Fiéis à amizade sem esperar nada em troca, sem rompantes de malvadez ou angústias de ter ou não se ter; ser-se amável sem manipular! Sem a preocupação de preconceitos ou conceitos pré-definidos quer-se ser isto, tendo-vos como credores e financiadores a custo zero! Maianga já é velhinha mas, tem alma sempre nova…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:47
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Terça-feira, 17 de Maio de 2016
MUXOXO . XXXI

A NUDEZ DA VIDA - Contanto que o Universo tenha tido um início, podemos supor que houve um criador. E, aqui ando eu encafifado, espiralado por dentro, tentando visualizar a micro partícula que sou (nada).

As escolhas de  

t´chingange.jpegT´Chingange - (síntese de parte do livro “uma breve história do tempo” de Stephen Hawking na visão de relator)

cubo7.jpg O cenário do Universo começou muito quente resfriando à medida que se expandia de acordo com toda a evidência observacional de que dispomos hoje. As primeiras formas de vida primitivas consumiram vários materiais, incluindo o sulfeto de hidrogénio, e libertando oxigénio. Aos poucos isso mudou a atmosfera para a composição que ela tem hoje, permitindo o desenvolvimento de formas superiores de vida, como peixes, répteis, mamíferos e a raça humana.

cubo5.jpg De acordo com a teoria da relatividade, se a luz não consegue ir de uma região a outra, nenhuma outra informação o consegue. O mais lógico e possível, é dizer que Deus escolheu a configuração inicial do Universo por motivos muito para além da nossa compreensão. Isso sem dúvida estaria ao alcance de um ser omnipotente, mas, se Ele começou o Universo de maneira tão incompreensível, por que optou então por deixar que evoluísse segundo leis que pudéssemos entender?

cubo4.jpg Há no entanto questões ainda sem resposta, sendo a mais fundamental delas explicar como a relatividade geral pode ser conciliada com as leis da física quântica para produzir uma teoria completa e auto-consistente da gravitação também quântica. A generalização tem implicações profundas no nosso conhecimento do espaço-tempo, levando, entre outras conclusões, a de que a matéria (energia) curva o espaço e o tempo à sua volta. Isto é: a gravitação é um efeito da geometria do espaço-tempo.

cubo6.jpg Toda a história da ciência consiste na compreensão gradual de que os pontos no espaço-tempo especificado por seu momento e lugar, não aconteceram de maneira arbitrária, mas reflectem uma ordem subjacente, que pode ou não ser de inspiração divina. O universo começou com densidade infinita no ponto em que a curvatura daquele espaço-tempo se torna infinita e a isto diz-se ser simplesmente a “singularidade do Big Bang”.

cubo3.jpg A ciência, para se acautelar revelou uma série de leis dentro dos limites a que chamaram de “Principio da incerteza” pelo que sem o dizerem, remetem essas leis como um talvez; talvez tenham sido originalmente decretadas por Deus. E, aqui ando eu encafifado, espiralado por dentro, tentando visualizar a micro partícula que sou, tornando demasiado antiquado o paquímetro com que aprendi a medir a primeiríssima dimensão.

cubo2.jpg Dissertando com as borbulhas da mente, observo 3 cubos estando dois deles dentro dos outros! E, foram feitos só de um sólido, torneados com mestria. Como é que foi possível fazer isto?

cubo02.jpg Matias, meu amigo, desenhador e torneiro mecânico, agora empresário, perito em fazer formas ou moldes, fez algo que nunca imaginei poder ser feito.

cubo01.jpg Para mim este objecto deveria ter um prémio internacional! Feito em ferro e com buracos circulares que permitiram trabalhar 3 cubos soltos, mas encaixados uns nos outros.

cubo1.jpg Fossem estes cubos fabricados por o pulso de um hércules, que decerto, valeria bem um toque de clarim alvorando um especial prémio de Génio ou Aladino porque bruxo, ele não quer ser… Ele está com Deus , Só pode ser! 

Fiquei mais que estupefeito com esta quase magia!

 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:29
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Domingo, 15 de Maio de 2016
CAFUFUTILA . CXII

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA -  Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor surgiriam só no século XX e XXI algures num recife de Guaxuma de Alagoas - 7ª de várias partes…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; uma parcial inventação falando do personagem Zé Peixe de Aracaju de Sergipe. Tive de recorrer a Januário Pieter uma kianda que me serve de guia Kalunga; Passeamos por Alhambra mas, ambos voamos para Toledo pois que era ali que meu Mano Corvo Araújo nos esperava na ponte San Martin sobre o rio Tejo.

AS TÁGIDES DE TOLEDO - Salaam Aleikum em terras de “ Castilla-La Mancha” já na cidade de Toledo.

 

cafufu1.jpg Há dois mil anos atrás, Marco Fúlvio comandando as legiões Romanas conquistou a cidade de Toledo. O mesmo rio que então a contornava, o Tejo, continua correndo sendo atravessado pela ponte pela qual passam os peregrinos que se dirigem a Santiago; Trata-se da ponte de San Martin do Caminho de Alicante. Era aqui o encontro e, com efusivos abraços os Manos Corvos aqui cruzaram águas quentes nas outras frias que ali por debaixo corriam rumo a Lisboa. Até foi patética esta cena; bem cedo num treze de Maio dum ano falecido, Januário festejou connosco e como testemunha o pacto desta amizade. Cuspimos depois nas mãos e chispamos um aperto de união; voltaríamos a fazer isto muito mais tarde num tempo sine die. Em ambos, a kianda Pieter pousou sua mão em nossos templos, nossas testas,  deixando um viscoso liquido parecido com azeite.

arau4.jpg Este sítio de Toledo estava destinado ao gozo de férias de primavera das ninfas do rio Tejo (Tajo). Aqui, a partir de 1580, os espíritos instigados por “El Greco” recordam momentos épicos na companhia dos novos membros da Kianda e Mutakalombo; estes, cheios de notícias frescas dos mares de N´Gola em África, conferenciavam com sereias, nereidas e musas tomando aqui, todos, o nome de tágides (rio Tajo) – as primitivas kiandas que surgiriam desde o Zaire ao Kwanza, lugar ainda mal conhecido neste então. Só muito mais tarde iriamos saber que entre estas estavam as primogénitas das kiandas Roxo e Oxor. Cantando, à gente nossa, gente vossa, que a Marte tanto ajuda, refrescavam-se nas águas com cantos de Camões recordando o Deus da guerra, filho de Juno e de Júpiter guardião dos exércitos troianos.

cafufu3.jpg As tágides, conciliavam-se aqui com a vida espiritual, trocavam experiências com as novas tendências da Globália, reciclando-se em congressos de cristandade ouvindo Simbi e N´kuuyu. Aquele lugar ficava um Pambu N´jila como se estivessem na Mazenga, a ilha do descanso dos muxiloandas, sombras de casuarinas e coqueiros. O exotismo dos trópicos espalmava-se ali, na Mancha de Cervantes. O maneta Manuel de Cervantes y Saavedra autor da obra “Dom Quixote” desencantado com a guerra e as gentes,  lutava com moinhos na vasta planície de “La Mancha” com muito Suco e, associando-se a esta espiritualidade, retemperava os mudos intervalos divertindo a tertúlia com contos de ridículos cavaleiros  e paródias de entretimento.

cafufu4.jpg Eram momentos retemperadores recuperando Mutalos desavindos recorrendo por vezes à kianda Kozo, uma verdadeira arte estirada por “El Grego”, ele também impregnado de muito Suko - a kianda mestre do Mano Corvo Araújo, o magnifico grego de nome Doménikos Theotokópoulos! Nesta rota peregrina, cruzando o caminho de Alicante imaginei Sancho Pança apaziguando seu amo dum ímpeto destemperado com moinhos de vento ridicularizando heróis da fancaria. Foi a partir daqui que se organizaram cursos de deformação (algumas grotescas), fantasias de mordaz parodia e ironia na escrita e cores com longos rostos na pintura contrapondo aquilo que se passou a designar de burlesco.

cafufu5.jpg - Pude admirar nesta terra de Aragão um quadro de “El Greco”, em que as tágides ou Kiandas se contorcem em risos aéreos, vendo-se em fundo a cidade de Toledo, a “la puente de San Martin” sobre o rio “Tajo” e, um arco iris assinalando o local daquela reunião de espíritos. E ali andava eu T´Chingange um feiticeiro acomodado a novas tarefas de agrado, partilhando e recebendo conhecimentos avondo.

cafufu6.jpg É este um assunto deveras interessante a deslindar ao mulato ressequido Januário Pieter pois que estão ali também as Kiandas da Mazenga, as tetravós de Roxo e Oxor e, dois negros Mutalos com grilhos presos a bolas pesadas e escuras alongando-os como que puxandos para a terra. E, nos pescoços, umas barras redondas de ferro contornando-os por detrás de umas orelhas aladas amarrandas às nuvens de Toledo; são escravos de N´Gola pela certa!

cafufu7.jpg Ainda tinha na retina a imagem dum negro com semblante mussulmano que comigo cruzou em um lugar de nome “Bargas”. Este jovem senhor que se dirigia a terras de África através de Algeciras, tirou as meias, lavou os pés e, descalço refugiou-se numa sombra de alfarrobeira mais distanciada; estendeu a sua jaqueta no solo, ajoelhou-se colocando suas mãos sobre esta, baixou sua cabeça até tocar o solo por várias vezes orientando-a para um determinado ponto. Era a sua Meca distante com Kiandas diferentes, O seu Pambu N´jila.

cafufu8.jpg Aquele muçulmano, talvez marroquino, talvez argelino, ao passar por mim, riu-se em cumprimento mostrando até seu dente escandalosamente dourado, fez uma suave vénia de uma simpatia diferenciada, cumprimentando-me: - Salaam Salaam. Eu era um privilegiado, cidadão Niassalês, cidadão do mar alto, cidadão do mundo. Ele, um mustafá, viu em mim a aura de Pieter, talvez, a Kalunga N´Gombe, o “ Sangue de cristo”, T´Chingange do mesmo Cristo vestido com cores de púrpura. Um homem rico, riquíssimo, sedento de Paz, de Amor, descalço na humildade; filho do dono do Mundo! Dizer assim que Deus escolheu a configuração inicial do universo por motivos muito para além de nossa compreensão. Isto era ser-se assim omnipotente…

Eu, respondi: - Salaam Aleikum

cafufu9.jpgGLOSSÁRIO:

Salaam Aleikum: - da fé islâmica, fique na paz de deus, que a paz esteja convosco; Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Marte: - Deus da guerra na mitologia Romana, filho de Juno e Júpiter, amou Vénus de forma adultera pois esta era mulher de Vulcano, foram presos por uma rede por Vulcano, tiveram um filho de nome Cúpido, o amor prendeu-os na eternidade; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Nkuuyu: - são os espíritos pais dos vivos; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, Elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Mazenga. - Ilha das cabras, Ilha dos loandos, ilha dos N´zimbos ou Ilha de Luanda. Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; Mutalo: - espírito de morto por feiticeiro sem ordem de N´zambi; Kalunga / Calunga N´Gombe : - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga; Kozo: - Objecto que invoca um ou mais espíritos. T´Chingange: - Feiticeiro, cobrador de impostos, assessor do rei ou Mwata, ministro de todas as relações; N´Nhaka: - Horta

Da n´nhaka do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2016
MOAMBA . XI

EM MALAKA - A NUDEZ DA VIDA - Contanto que o Universo tenha tido um início, podemos supor que houve um criador. Não sei se assim pensavam no tempo dos Fenícios!…

Por   

t´chingange 0.jpgT´Chingange

malaka1.png Entre as nossas galácticas ternuras, encontramos terras muito carregadas de estrelas mumificadas. Desta feita e em Málaga de Espanha, com o sol límpido da manhã, cruzamo-nos com gente guapa e, falando língua de outros lados recuamos ao século VIII Antes de Cristo. Tempo dos Fenícios! Pisando pedras em lugares com mofo, recuamos ao tempo de gentes que por aqui aportavam fazendo disto uma sua colónia. As colónias sempre foram uma constante forma de transpor conhecimentos novos e, um lógico sequente aproveitamento de suas riquezas. Neste jeito de espotricar, os homens mudaram o mundo sem contemplar outras periclitãncias tornando-o no que é hoje.

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Vinham de Tiro do actual Líbano recolher vísceras de peixe da qual faziam uma iguaria apreciada em esse então. Foram estes os primeiros mercadores a se a aventurarem a navegar através das águas mediterrânicas. Fundaram colónias na Península Ibérica desde o mar Egeu até à vizinha Cádis nos tempos de David bordeando terra até à costa que hoje se chama Algarve. Vieram a seguir-se-lhe os Romanos que continuaram a explorar os mares fazendo o tal condimento designado de gorum, feito de sangue, vísceras e de outras partes seleccionadas do atum ou da cavala misturadas com peixes pequenos, crustáceos e moluscos esmagados.

malaka2.jpg Em princípio era para apreciar as obras de Pablo Picasso no museu de família em Granada mas frustrado por não ver ali o quadro guernica, desci às escavações aonde me inteirei dos achados arqueológicos dos tempos fenícios e romanos. Inteirei-me que para além do gorum também exploraram jazigos de prata e cobre mas e sobretudo, era a busca de moluscos que mais os preenchia, para daí fazerem a tinta de cor purpura. A busca intensa dessas espécies de moluscos nativos do mar Mediterrâneo causou extinção de alguns deles.

malaka5.JPG Apreciei favoravelmente as modernas infraestruturas para a exploração turística, as artes, os espaços ajardinados, as espécies raras de árvores em suas praças, o tratamento excelente da zona portuária com obras escultóricas antigas e modernas, lado a lado. Sua gastronomia com variados gostos na forma de tapas mas, foi no seu subsolo escavado que encontrei os rascunhos de nossos longínquos antepassados com ânforas que supostamente seguiam para Tiro e Roma cheias de garum. Se naquele tempo o gorum ido do Algarve chegou a ser uma especialidade atingindo os mil denários em Roma, hoje a sardinha tão apreciada pelos portugueses terá de igual modo, considerar-se uma “esquisita” especiaria. Restar-nos-á a sarda, a cavala e o carapau chicharro.  

malaka3.jpg Pela dificuldade na obtenção de moluscos Murex no mar mediterrânico, a tinta de cor purpura, em esses idos tempos, ficaram a um muito alto preço. Púrpura era um dos mais importantes e mais caros pigmentos naturais da Antiguidade, preparada com tintas de vários moluscos. Quantidades enormes destes moluscos eram usados para tingir tecidos e ainda são encontradas hoje, pilhas de cascas desses moluscos em alguns sítios da costa mediterrânica. A curiosidade levou a inteirar-me de que a secreção do molusco está contida dentro de uma pequena veia ou cisto e que, quando quebrada ou partida pela mão, segrega um fluido branco. Os tecidos eram banhados neste fluido branco e postos a secar ao sol para "revelar" a tintura púrpura brilhante.

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Pode apreciar-se hoje a figura do Imperador Bizantino Justiniano I ornado de púrpura de Tiro, representado num mosaico do Século VI na Basílica de São Vital. O melhor pigmento era extraído em Tiro, no Mediterrâneo oriental, e era a cor utilizada nas vestes reais romanas, cor que até aos dias de hoje simboliza realeza. A púrpura foi sem dúvida o corante de maior renome e mais caro de todos os corantes antigos. Na Roma antiga só o imperador tinha o direito de a usar pois era um símbolo de riqueza e distinção.

malaka7.jpg O imperador Nero chegou a punir com a morte o seu uso. Cada espécie do molusco dava a sua variedade de púrpura. O pigmento está presente numa secreção mucosa produzida pela glândula hipocondrial situada junto do tracto respiratório. Esta secreção é incolor enquanto fresca mudando de cor quando exposta ao sol, passando pelo amarelo, em seguida pelo verde e só depois surgindo a cor púrpura característica. Desconhecia esta particularidade!

malaka6.jpg O método geral de produção do corante consistia em esmagar os moluscos inteiros, ou abri-los e retirar a glândula, em seguida salgar essa massa durante três dias e finalmente ferver o conjunto em água durante dez dias. O resultado, era uma solução clara, concentrada do corante. Restos da carne do molusco eram separados por decantação. O tecido era mergulhado na solução do corante e em seguida posto ao sol para que a cor aparecesse. O que eu fui aprender em Málaga, antiga Malaka!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:07
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2016
MOKANDA DA LUUA . XLIII

LUALIS"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra" -  Lualis é só uma ponte de fantasia; uma bonita inventação do Vasco…

Por

vasco0.jpgVasco Antunes - Ele transpira catinga da pura; está vacinado com paludismo de fina estirpe da Luua – Dá gosto ler suas prosas, suas poesias, sua memórias, que contem um pouco de cada um de nós… Ele é bom no que faz, certeiro no que diz, mordaz nas entrelinhas, cutuca a picardia como sóele sabe!...

Juro mesmo: estas falas assim de só falar enrolado sem virgulas, sem pontos, fica muito de difícil! Malembe malembe, volto atrás e faço a descorrecção (T´Chingange)…

arte1.jpg O tempo escasseia-me muitas vezes, para poder redigir histórias escondidas, antigas, que até posso antever reais a tempo inteiro. Real e ficção, esta a que talvez mais me satisfaça, só ficção! Nessas alturas subitamente levanto voo, plano como um albatroz e vou por aí fora, por aí fora, sem parágrafos ou pontos finais, com diálogos dinâmicos, fala o Soba, impõe as suas leis, fala o Luis, quer fugir aos ditames dos familiares próximos, subverte as leis, obtém gozo disso, e sabedoria, claro, que estas coisas, mesmo negativas são as que mais resultam e aprumam a coluna vertebral de um indígena.

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O Soba atento, fumando rapé ou liamba no seu cachimbo, sentado ou em seu pé à entrada do D´jango esperando os súbditos e dando-lhes conselhos; a família é importante, reúnem lá com os filhos debaixo da mulembeira lembram-lhe os seus deveres como a eles próprios lhes foram transmitidos, pelos pais e pelos pais dos pais, sabe que travarem as suas batalhas é ponto de honra e, sabe também que na hora de fazer a paz e a concórdia, com o usurpador ou sem usurpador é da natureza humana, o caminho N´zambi indica.

arte2.jpg Todos, mas todos percebem a regra, vai continuar a nascer o milho, a beterraba, a batata doce, a massambala há-de alimentar sempre a alimentar os catuitis e xiricuatas. Na transumância, que nome é esse, pergunta o Zé Diungo um homem que tem muitas cabeças de gado, há milénios que é assim, ele sabe, como sabe que a terra é de todos e também percebe o que é o progresso e se calha encontrar um mwadié, cafricado como ele.

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Assim sem mais que seu nome é Dionísio, Dionísio Dias de Sousa que lhe dispõe amizade sem palavras; o sentimento ainda que obstaculizado vai avançando, deve ser a tal de Felicidade que está chegando, não sei, um mwangolé cuja escola começou no mato, cheirou o rio, não temeu o sengue e a surucucu, muito menos a onça. Eu, simples mortal, só pergunto e respondo ao mesmo tempo, na mesma cadência, N´Zambi Deus foi severo para com a terra, Angola era uma terra praticante de hospitalidade, apresentava boas condições para a vida humana, era severa, era lugar sem complacência e benevolência.

arte3.jpg Cada um chamado a ser mais do que era, sim respondo afirmativamente, mas N´Zambi Deus também fez presumir que a concórdia e a misericórdia, tantos foram para lá, tantos se situaram, tantos se amigaram, enamoraram, umbigaram, devia reinar sobre a dissenção e o desentendimento, harmonizar o essencial, perdoar os pequenos costumes, eliminá-los, seria assim o futuro, o nosso advir, aglutinar-se-iam raças, honrar-se-ia desta feita pais, avós, tetravós, eneavós.

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Quem é que se arrogaria o direito de cortar a corrente neste novo edifício, perguntava-se tudo isto quando, começando de hoje (ONTEM), talvez para o ANO começassem as obras, só que as obras nunca mais começaram, afinal "os nossos Países foram tão fáceis de magoar..., a avenida imaginada de porto a porto, mestiça de voar, vinda dos caminhos de ontem aos amanhãs da vida...não cruzou os ventos, as vozes cúmplices, os abrigos de cada andar, atado a quem o ganhou..."os relâmpagos não felicitaram os vencedores”, champanhe dos céus beijando os vencidos.

arte4.jpg E muitos se foram, feridos, sangrados, percebendo que a estrada não é, nunca foi uma linha recta serena e aberta. Gosto muito das pessoas com quem privo, dos amigos, suponho que tenho muitos, mas isso sou eu a supor, neste momento eles encontram-se nas quatro partidas do mundo e detêm na ponta do dedo uma luzinha, quiçá um ET que se assoma à vida e ao coração de cada um. Já falei um cochito meus caros Assunção Roxo, Antonio Monteiro, Edgar Neves, Luis Magalhães, Maria Joao Sacagami, gente do face perdoam-me bem perdoado, não excluo ninguém, mas não tenho já espaço e memória, a partir deste meu ximbeco, para citar a todos. Não quero nunca que se desentusiasmem da vida, desconsigam de analisar, sorrindo pela esperança, a sagrada esperança que é a vida. Beijos.

Nota: Fiz batota, botei pontos e baralhei-me! É difícil entender esta gente inteligente…

As Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:04
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Domingo, 8 de Maio de 2016
KWANGIADES . XXVII

ANGOLA . TEOREMA DA SAUDADE - Confidências para amigos. Mokanda para o Luis….

 Por

vasco0.jpgVasco Antunes -  Ele transpira catinga da pura; está vacinado com paludismo de fina estirpe da Luua – Dá gosto ler suas prosas, suas poesias, sua memórias, que tem um pouco de cada um de nós…

vasco1.jpg O meu pai, com 40 anos de África, cujo percurso incluiu uma primeira jornada em Timor - pós-guerra como legionário - Moçambique, Angola, Cabo Verde, como passagens rápidas de abastecimento no transporte por mar mas que em cada um deles teve paragem significativa, colheu o suficiente para tirar conclusões definitivas acerca da sua condição de homem e de cidadão. Após o seu casamento, rápido demanda aquela que anteviu ser a pátria dos seus sonhos. Ao ponto de anos mais tarde eu perceber, pelas conversas veladas e sigilosas que ele tinha com alguns amigos e familiares, a atitude política mais consentânea seria a de Angola gerir os seus próprios destinos.

vasco2.jpg Criou, criou e voltou a criar em terras recônditas. A sua companheira viveu uma vida a seu lado, alcançando nós filhos uma perspectiva da terra seguindo a sua bondade, inteligência, respeito pelo próximo, achegamento às gentes autóctones. Um seu tio, militar de carreira havia sido eliminado pela polícia política do Estado, na Serra da Estrela, o seu pai, oficial de carreira combateu em terras do sul de Angola, nas campanhas do Cuamato, é dele um diário de bordo e de campanha, com medalhas de condecoração, e que deixou como legado ao seu filho, em que este lacrou algumas páginas justamente pelo facto de ser um militar contra a situação.

vasco3.jpg Eu nunca cheguei a ter direito a ler tais páginas, infelizmente nas voltas da vida tal obra desapareceu, com total pena minha e reprimenda da minha mãe aquando do empréstimo a um amigo que era caçador profissional e aparecia de vez em quando na roça. Estas considerações nunca as havia feito anteriormente. Já outro tanto referi que em 1958, apercebi-me, todos, minha família se congregavam a favor da eleição de H. Delgado para a Presidência, sabemos porquê. Era miúdo mas isso não me passou despercebido. Anos mais tarde, ocorreu a guerra e viu-os a eles pais, dilacerados com a destruição pura e simples do que estava e era direito.

kianda05.jpg Para todos os angolanos, continuarem e construírem a sua própria identidade. Pura ingenuidade. As forças do mundo, aquilo que coloca tudo às avessas de um momento para o outro fizeram obviamente efeito. Dizíamos, foram os ventos da História. Continuam a ser os ventos da História por este mundo fora. Um Portugal pequenino ficou à deriva, claro, perante tamanha (s) investida (s) e enormidade. Um bando de gente pseudo qualificada manejou um país, este, pobre, analfabeto, indigente há muito marginalizado e colocado nas franjas da ignorância. Viro a página.

kianda5.jpg Nós, LÁ, não estávamos assim. E hoje, sabe-se lá como, mas com nobreza e viabilidade, teríamos uma pátria diferente. Pura ingenuidade minha talvez, mas sempre, não tenho vergonha de o dizer, sangrei do coração. Naquela altura do começo da "coisa" do 25 de Abril, eu trabalhava já nos Serviços de Finanças, após uma breve passagem pela Faculdade de Direito, isso fez-me talvez quase soltar o grito do ipiranga imaginário, a ingenuidade de sempre levou-me a proferir "agora" é a nossa vez e vamos em frente, já era tempo, o meu chefe da Secção Pessoal só proferiu: "será? Não estaria tão certo".

maga1.jpg Fiquei a pensar, o homem era angolano, era mais velho, era mais sábio. Luís Magalhães, recuo às origens, falo dos mambos nossos, das falas caluandas nossas, adianto já lhe cantar um poema, capiangado de um irmão que tenho, de sangue, um poema dirigido a todos os nossos avilos da vida. Segue no parágrafo seguinte. Façam o favor de ler. "AMOR(ES) em LUA(LIS). É um livro de poesia. Do coração, Muxima Uami.

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Queria imaginar uma avenida

de porto a porto, mestiça de voar

mil desejos e um olhar

vinda dos caminhos de ontem

aos amanhãs da vida

 

Queria dar-lhe um sol de Novembro

com arco-íris de um tropical Abril

numa chuvinha que o vento traz

por entre cheiros que o vento faz e desfaz

  

Queria beijar com passos o seu chão

ao compasso de um amigo que passa

passear entre calmas, dos seus meios

aos ladrilhos dos seus passeios...

cabo ledo2.jpg

Queria trazer-lhe dos tempos o fio a pavio

numa trova que o vento faça e desfaça

como se fosse um longínquo poeta

em voos de uma pomba de pio em pio ...

 

Queria ser maestro de um fado nosso

pauta de semba que podes e posso...

 

Mas dirás, amigo meu

que os portos dessa nossa estrada

estão sem tudo, são mais do nada...

que os contos que nos oram

são cantos negros como as nuvens

que choram

e vão chorar...

que nossos países são tão fáceis de magoar...

fiat1.jpg

 

Eu só queria, meu amigo

que pela estrada os cheiros trouxessem ventos

que os passos fossem vozes com ires e vires

mil vezes cúmplices, abrigo

de cada andar, atado a quem o ganhou...

 

Eu só queria um gesto no que sou

jeito morador dos tempos em que vais e vou...

 

Eu só queria imaginar uma avenida

da LUA a LIS

Em que um e outro fossemos contrapartida...

 

 Dirás, meu amigo

Que os meus olhos podem o céu

Mas que o olhar dos que podem

Olham seu próprio umbigo...

 

Sabemos, amigo meu

Que somos um amor que não se faz...

 

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:15
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Sábado, 7 de Maio de 2016
MOAMBA . X

A NUDEZ DA VIDA - Contanto que o Universo tenha tido um início, podemos supor que houve um criador.

Por    

soba0.jpegT´Chingange

Resultado de imagem para fotos de t´chingange Entre as nossas galácticas ternuras, há gente muito carregada de estrelas também com muita quantidade de “matéria escura” e, de tal forma, que não a poderemos ver directamente. O que sabemos é o de que devido à influência de sua cobiça e sua atracção gravitacional, nós iremos entrar em órbita com um valor crítico de densidade chamada de singularidade. Esta levar-nos-á até ao absoluto zero. Por palavras simples, mesmo ingénuas, esta singularidade significa o tempo em que a curvatura do espaço-tempo se tornará infinita.

Resultado de imagem para fotos de t´chingange É por isso que a gravidade determina a evolução de nosso Universo. Mesmo para objectos do tamanho de estrelas, a força de atracção da gravidade pode sobrepor-se a todas as demais e levar uma estrela a entrar em colapso. É possível que a nossa mera existência seja consequência do processo inverso na produção de prótons. A matéria da Terra é feita sobretudo de prótons e neutrons.

Resultado de imagem para fotos de t´chingange A maior parte das pessoas passou a acreditar que Deus permite ao Universo evoluir de acordo com uma série de leis a que Ele não intervém para violá-las. Contudo as leis não nos dizem como devia ser o aspecto do Universo no início; ainda teria cabido a Ele dar corda ao relógio e decidir como pô-lo em funcionamento. Contanto que o Universo tenha tido um início, podemos supor que houve um criador.

Resultado de imagem para fotos de t´chingange Pois! Crê-se que o Universo deve ter começado com essa tal de singularidade. Assim e no zero absoluto ficaremos mesmo sem qualquer energia térmica ou seja, ficaremos com uma temperatura tão, tão ínfima que poderá concluir-se ficarmos zerados no Big Bang. Por outras palavras temos uma singularidade contida dentro de um espaço-tempo conhecido como Buraco Negro. A ideia de que o espaço e o tempo talvez componham uma superfície fechada e sem contorno, acarreta também profundas implicações para o papel divino nos assuntos do Universo.

Resultado de imagem para fotos de t´chingange Teremos assim nas teorias científicas o êxito em descrever Deus nesse efeito do evento: Ponto no espaço-tempo especificado por seu momento e lugar. Mas, se o Universo fosse de facto contido em si mesmo, sem borda nem contorno, ele não teria início nem fim: ele só seria.

Sendo assim, qual é o papel de um criador?

Bibliografias: “Uma breve história do tempo” de Stephen William Hawking. É um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da actualidade. Doutor em cosmologia foi professor de matemática na Universidade de Cambridge. Em 1964 foi-lhe diagnosticado ter esclerose lateral amiotrófica mais conhecida por doença de Lou Gehrig ou doença do neurónio motor.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:48
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2016
MUXOXO . XXX

TEMPOS MARAFADOSUm descuida e, posso ir para o espaço… Anda não cheguei ao princípio da mentira embora se saiba ser esta usada desde que se inventou a fala…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

beldr6.jpg A igreja representada pelo Papa Francisco, anunciou que não haveria problema em se estudar a evolução do Universo após o Big Bang mas, que não se deveria investigar o Big Bang em si, por ser esse o momento da criação e, por ser uma obra divina. A igreja não quer correr o risco de cometer o erro com Galileu ao contradizer este, dizendo que o Sol girava em torno da Terra.

matias7.jpg Se, ao ponto em que a curvatura do espaço-tempo se torna infinita se chamar de singularidade, chegaremos ao conceito dum teorema em que essa singularidade precisa existir sob determinadas circunstâncias. Dai a dizer-se de que o Universo deve ter começado com uma singularidade! No início, a Terra não tinha atmosfera e era muito quente. Não continha oxigénio e era apenas um conjunto de gases venenosos com cheiro a ovos podres, assim como o sulfureto de hidrogénio, gases venenosos aonde o ser humano não poderia sobreviver.

luis36.jpg A terra, tal como outros planetas formou-se a partir da concentração dos elementos mais pesados que saíram de explosões das regiões externas dos buracos negros; com o passar do tempo esfriou adquirindo uma atmosfera pela emissão de gases das rochas. As combinações aleatórias de átomos em estruturas macromoleculares reagiram agregando outros átomos reproduzindo-se em multiplicações.

maian4.jpg Iniciou-se assim um processo evolutivo que levou ao desenvolvimento de organismos cada vez mais complexos capazes de se autorreplicar. A partir de uma nuvem de gás em rotação contendo restos das supernovas, formou-se o Sol, uma estrela de terceira geração formada há mais de cinco bilhões de anos. A duração de nossas vidas é curtíssima para podermos fazer uma escala proporcional ao Universo da qual somos um micro partícula, o mesmo que nada.

DIA73.jpg O colapso poderá vir quando a temperatura de gás aumentar e, porque se dará o início à reacção de fusão nuclear, teremos de buscar outras paragens sem nunca chegarmos ao perfeito entendimento deste processo. Talvez o melhor mesmo seja conviver com a natureza respeitando-a! O Deus está aí, aqui, em todos os cantos e recantos; será bom acreditar Nele!...

zorro3.jpg Procurar no espaço um buraco negro quando pela própria definição ele não emite luz, será como procurar um gato preto em um depósito de carvão, Só se sabe que existe buraco negro por exercer força gravitacional em nós e objectos próximos. Pela queda de meteoritos ou do afastamento de galáxias distantes, a nossa pequena vida pode sim, ir para o espaço na forma de pó ou nada, com a precisão certa e concertada por nossos governantes que não seguem um pingo dos mandamentos da Lei de Deus; eles matam e esfolam e torcem tudo em seu proveito e nós aqui como cordeiros a caminho do matador…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:33
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2016
CAFUFUTILA . CXI

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA - Com Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia… 6ª e várias partes…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; uma parcial inventação falando do personagem que vi em vida, e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe. Tive que recorrer a Januário Pieter - Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos e que tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão de Cruz credo!

afon0.jpg Após januário Pieter ter falado dos resquícios: - Não podemos fintar as leis que nos regem e, uma delas é o de só “fazermos a nós, o que fazemos aos outros”, escafedeu-se sem mais nem porquê ficando dele só essa sua sabedoria perfumada. E, esse cheiro intenso a jasmim surgiu de novo quando a tarde se estendeu no escuro da noite envolvendo-me na azáfama duma multidão ávida de frescura. Naquela “Plaza Mayor“ de Burgos comendo umas tapas de “boquerón” e argolas fritas de “calamares” regadas com cerveja “Dom Pepe” ia descrevendo o que sabia da Rainha Isabel de Portugal ao meu futuro Mano Corvo. Digo futuro, porque só dias depois, em cima da ponte de entrada de Toledo, cidade mais a Sul, fizemos um pacto de amizade perene dum modo bem peculiar: - cruzando nosso mijo-quente sobre o Tejo.

toledo1.jpg Recordava-lhe quem era a Rainha de Castela desse então quando, eis que num repentemente surge a kianda Januário Pieter envolta numa áurea fosfórica que rapidamente se esvaneceu. Com uma saudação de bater mãos como agora fazem os desportistas, chispou as nossas com ardências viscosas; depois do susto lá nos alegramos com caras de fantasmas viandantes, um pouco comprometidos com os olhares incrédulos dos circundantes. E foi ele, Januário que acrescentou: - Isabel a portuguesa foi casada com João II de Castela tendo dado à luz uma menina que veio a ser Rainha consorte de Aragón, Mallorca, Valencia e Sicilia. Foi assim chamada “la Católica” pelo papa Alexandre VI mediante a bula “Si convenit”, a 19 de Dezembro de 1496.

arau4.jpg E, continuou: - Foi ela Isabel, que concedeu apoio a Cristóvão Colombo na busca das tão cobiçadas Índias ocidentais e, que o que levou a descobrir as Américas, acontecimento que teve consequências na conquista dessas novas terras e a criação do Império Espanhol. Estávamos noutras vidas, é verdade mas desejoso que o rumo da conversa versasse coisas mais recentes e, por isso perguntei a Pieter o que é que ele pensava da nossa ida a Toledo a redescobrirmo-nos porque sei que pelos anais, formei-me “engenheiro espiritual” num lugar de Pambu N´jila da Fundação da ordem da Inmaculada Concepción, palácio de Galiana. Enquanto isso e lá no palácio do Pambu N´jila, o Costa Araújo I, seguiu as pisadas de um pintor Doménikos Theotokópoulos, mais conhecido como El Greco, pintor, escultor e arquitecto grego que desenvolveu a maior parte da sua carreira por ali.

toledo5.jpg Claro que fui obrigado a interpelar respeitosamente a minha kianda porque queria saber mais sobre as sereias progenitoras de Assunção Roxo e Oxor, as tetranetas em mares da kalunga do Brasil, mais propriamente de Guaxuma das Alagoas.  Cada coisa a seu tempo meu ilustre T´Chingange, teremos de circular por aqui algum tempo para irmos à profundeza das verdades do paratrás. É bom que ponhas a trabalhar teu relógio de areia porque daí irá sair uma praia com características mesolíticas; no futuro aí te irás espanejar com teu Mano Corvo se for o caso, disse assim sem titubear.   

araujo 41.jpg - Tchingange, meu amigo, agora que nos conhecemos melhor, dir-te-ei que não será tão rápido que chegaremos à tua, melhor, vossa Angola. Tereis de esperar até jorrar petróleo pelo tubo ladrão. Falou assim para nós dois, e nem demos muita importância a falar de algo desconhecido, pensando até ser um seu assistente com nome de petróleo; era normal ele falar assim de coisas plasmosas! Nós só ouvíamos! Naquele dia de Maio, despedimo-nos.

toledo4.jpg Ele, a kianda, seguia para Cádiz, mas decerto nos iria visitar por uns dias a Toledo e Alhambra de Granada. Combinamos desta forma um encontro para dias mais tarde em Granada; talvez aí pudéssemos pôr os assuntos em dia e saber dos nossos antepassados feitos em pó. Taciturnos, com um peso no coração, despedimo-nos de Pieter; Os Manos-corvos viviam agora nesse privilégio de ter um amigo com a sapiência de mais de 500 anos. E, ia eu jurar que ele só tinha 385 anos, pelo seu aspecto tão jovial. Como a gente se engana!

Personagens da estória: Assunção Roxo e a Sereia Roxo, (uma em duas - reflexo do espelho - Oxor); Joquim de Lisboa: O homem da traineira  inspirado em Diogo Cam; Mano Corvo - T´Chingange (O próprio); Mano corvo I - Costa Araújo na 1ª encarnação; Ze Peixe - O homem golfinho de Aracajú em Sergipe; Januário Pietrer - Uma kianda assombração dos mares, um velho amigo com mais de 500 anos de Cruz-Credo (criação do Soba).

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:02
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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