Segunda-feira, 14 de Julho de 2008
BRASIL E O CANGAÇO - X

 

 

 

                                                                                                

 

                  BRASIL - A saga do cangaço ( continuação) 

José Ferreira, o pai de Virgulino, estando em passagem pela fazenda de Luiz Fragoso,  por ali pernoitou; este Fragozo estava a ser procurado como criminozo, pelo delegado Amarílio Vilar da cidade de Matinha de água Branca.

José Ferreira, com 48 anos de idade sem saber dum porquê, no lugar e noite errada viu a morte num relâmpago sumário. O delegado Amarílio deu o tiro fatal na pessoa errada; o medo tem destas tremuras traiçoeiras que transformam a vida  em morte. O sargento José Lucena Albuquerque de Maranhão, comandande dos volantes, teve de suportar esta herança como um fardo.

Virgulino, cansado das injustiças e impunidade disse neste então: - De hoje em diante vou matar até morrer

Virgulino da Silva Ferreira, o Lampião, entrou no cangaço para vingar a morte de seu pai. Alistou-se no bando de Sinhõ Pereira até que este abandonou o cangaço por motivo de doença; foi no final do ano de 1922, quando  Lampião contava com 26 anos de idade que assumiu o comando do bando de Sinhõ Pereira. Foi na fazenda Tabuleiro que este comunicou o retiro do cangaço.

 Com Virgulino ficaram Meia-noite, Cícero Costa, Zé Dedé (Baliza), Joaquim Coqueiro, Zé Melão, Laurindo, João Mariano ( o Xerife), António Mariano, os três irmãos Benedito, António Rosa Ventura, e os irmãos de Lampião, António ( O Esperança ), Livino ( O Vassoura ), e Ezequiel  ( O Profeta dos Santos ou o Ponto Final ); ao todo e, com Lampião eram  16 “cabras”.

Sinhõ Pereira fêz um unico pedido a Lampião, vingar a humilhação sofrida por Ioio Maroto a mando do “major” Luiz Gonzaga.

Logo após Lampião ter tomado conta do bando e na segunda operação atacou a fazenda de Luiz Gonzaga  tendo este sido morto à facada por Livino e Cajueiro. Uma aliança de alto valor que Gonzaga usava passou a ser ornamento na mão de Lampião. Os cantadores certanejos, puseram em verso esse detalhe:

“ Aliança de Gonzaga

  Custou um conto de reis

  Lampiâo botou no dedo

  Sem pagar nenhum reis”

O propósito de vingar o pai,  não foi mais que uma desculpa na entrada na senda dos “sem lei”, porque a vingança de honra, nunca foi feita e a vida de cangaço tornou-se “um modo de vida”.

A este grupo, que chegou a mais de uma centena, juntou-se-lhes também o seu cunhado Virgílio, “O Moderno”.

Ao grupo de Lampião aderiu um desertor do exército, a praça corneteiro “Mormaço” que abandonou a tropa com a corneta e apetrechos; passou a ser uma exuberante vaidade, entrar em algumas localidades ao toque duma corneta. Ao som desta, o temor escondia-se do medo; era o diabo em pessoa que surgia envolto em pó, a lenda perfeita dum imaginário e místico personagem.

  Lampião era exuberante, gostava de dar nas vistas com os seus aparatos de guerra, vestimenta e, seu chapéu de dois bicos com estrela de oito pontas; usava óculos por vaidade e, também para esconder o seu olho direito vesgo. Lampião de olhos amendoados gostava de ser filmado e fotografado mas, recomendava sempre favorecerem o lado esquerdo.

O rei do cangaço queria sempre aparecer na foto com o “olho baixo, na sombra”. Tornou-se o rei do cangaço com acção em sete estados Nordestinos, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sérgipe, Alagoas, Paraíba, Piauí, e Ceará.

Lampião tinha as condições ideais de sucesso porque, o período era de desorganização social.

Lampião só deixou de usar o chapéu de couro, símbolo máximo do cangaço num curto período no ano de 1920. Recebeu das autoridades a patente de capitão honorário das forças legais, patente que passou a usar nas cartas, antecipando à patente o seu nome de Virgulino e no término a referência de “vulgo, Lampião”.                    

As estruturas de defesa rural eram débeis ou até inexistentes nalguns casos; não existiam acessos e, por outro lado os “coronéis”, senhores do mando, não queriam dividir o poder com outras forças policiais. Eles tinham a sua própria milícia, os cabras, jagunços e bandoleiros a prazo.

A seca cíclica e as agitações políticas sem lei, nem rei foram o toque natural para surgir o “roque”; assim Lampião tornou-se gratuitamente o “rei vesgo” chegando a ditar decretos como se fosse um monarca de verdade.

O seu primeiro artigo do primeiro decreto dizia: - Todo e qualquer sertanejo, negociante ou fazendeiro, agricultor, matuto ou pardo, tem que pagar o tributo que se deve ao cangaceiro.

Lampião, punha-se assim no topo da hierarquia e, mesmo com um olho baixo tornou-se o mandão do sertão.

 

Continua..... (em execução... XI)

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:40
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