Quarta-feira, 19 de Abril de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXII

O VAZIO - 19.04.2017 - Sem o zero não é possível contar… Nós retornados e afins, fomos um zero…

Por     

t´chingange.jpeg T´Chingange - (Otchingandji)

Hoje um homem lançava ao mar uma rede; rodava o corpo dando impulso àquela coisa que abriu em círculo caindo na água. Era um cardume que passava. Em tempos também fui peixe e fui agarrado já bem crescido numa rede mais completa e complexa a que deram o nome de “descolonização”; comigo apanharam mais milhares com mulher e filhos. Foi nisto que pensei e reflecti: -Tenho de ser visto e respeitado como angolano porque simplesmente já existia antes de Angola nascer; esta que agora conhecemos.

mokanda1.jpg Já com trinta anos feitos, com mulher e filhos fomos assim apanhados numa rede e, como contrabando fomos atirados para vários lados sem nos dizerem que eramos escravos modernos, moeda de troca entre vermelhos e azuis; que sem algemas nem canga, despojados de tudo, venderam-nos ao desbarato a contento de uns quantos países e muita gente que dizia ámen. Gente civilizada, família até! Apanhados inocentes também nos juntaram em cardume.

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E, veio um enorme vazio! Com isto fomos obrigados a ganhar consciência sábia de entender o VAZIO da verdade – o VAZIO das pessoas! Mas e sempre há um mas, a chuva por mais forte que o seja não tira as manchas da vaca, da chita, do mabeco ou zebra e, de nós próprios feitos peixes escamudos ou enguias; ou ainda os peixes boi do mundo, um gracioso mas feio golfinho!

mokanda2.jpg E afinal, o mundo continua igual como sempre parece ter sido. A isto de comportamentos, ideologias com geoestratégia podemos comparar uma arte, manhosa, mas arte! Tudo é assim como um escultor que retira ou acresce o que lhe aprouver; pode aqui ver-se a verdade no VAZIO com um acrescento de uma vontade. Surge assim uma linda, feia ou macabra obra enaltecida por uns e amargada por outros.

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E, faça um esforço para gostar de algo e verá que o inútil objecto, uma inútil pedra por exemplo, lhe vai parecer importante. Trabalhe essa pedra ou junte muitas empilhando-as ou estendendo-as. Juntou! Espalhou! Assim neste estágio se olhar tudo com cuidado e, mesmo sendo difícil de perceber poderá sentir que algo existe.

dom01.jpg Pois então! O VAZIO é muito importante pois, quando tentamos analisar a natureza real de qualquer fenómeno em particular, mais à lupa, veremos que ela, a natureza real é o VAZIO. Sei que está a fundir sua cuca mas, pense bem: - É possível sim, pensar que o VAZIO, existe! Que sem um zero é impossível contar (nós retornados fomos esse zero…)…

 O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:21
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Domingo, 16 de Abril de 2017
MALAMBAS .CLXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . TAMBULAKONTA - Tenho-me forçado a encontrar um herói perfeito, um que seja observador o quanto baste para investigar os antagónicos traços das pessoas que me cercam. Enigmas do confuso…

MALAMBA: É a palavra.
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

No epílogo da vida, colei um apêndice de presunção e água benta revendo o considerável bem no meio do inteligível e, lá bem no fim lugar do índice, anotei: Meus kambas, talvez eu não tenha razão e Vocês a tenham, mas ainda é mais provável que nenhum de nós a tenha! Ando a juntar características de um modelo útil de investigação social por modo a ficar com a capacidade de vos produzir surpresas.
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Toda esta forma de dizer um pensamento, deu início quando na praia, na areia, observei em muitos dias uma senhora de meia-idade andando de ré, andar para trás e, sem nunca lhe perguntar idealizei um modelo teórico de retroceder com a capacidade de tornar compreensível fenómenos e factos.

lucala3.jpg Entender a pedagogia de produzir surpresas em novas experiências. Esta concepção de racionalismo opõe-se à filosofia empírica que, professa que as ideias se deterioram quando aplicadas às coisas e procedimentos.

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O conhecimento da realidade moldada pelas teorias, modificam-se assim como uma paisagem vista num nascer ou em um pôr-do-sol que por momentos se confundem, uma foto falada e valorizada pela ordem das razões segundo uma teoria: - A ordem das razões, valorizam a ordem dos factos e, não é a ordem dos factos que valorizam a ordem das razões.

poconé2.jpg Bom! Com este confuso parafraseado concluo o que aqui pretendo dizer: -A verdade emerge mais facilmente do erro do que da confusão. Nesta explicação de teorias esta chamar-se-á a “teoria da confusão” que tem sua aplicação justificada numa governação como aquela que nós hoje conhecemos com grande amplitude em países vários. 

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Quem aprendeu a teoria dos erros, derivadas e acompanhou as novas teorias de índole quântica com sua teoria de incerteza e uma outra mais posterior do Universo como a “teoria da simplicidade”, teremos agora a ainda muito mal compreendida “teoria da confusão”. Pensem só um pouco nas estatísticas e probabilidades aonde uns comem dez unidades e outros muitos, somente duas ou nada e, surge depois essa útil média aritmética dizendo que a sociedade come em média seis unidades, baralhando-nos os factos!

nito01.jpeg São estas teorias fraudulentas que movem o mundo; movem os interesses de alguns países que por seu lado subjugam outros e os arrastam nessa mesma “teoria da confusão”. E surgem também instituições, ministérios tratando burlões como estadistas e ladrões como gestores; tudo gente boa! Gente de muita filantropia… Digo isto acabrunhado, com sorrisos de acanhamento sem ânimo de arriscar mais palavras porque minha malambas desmerecem nos créditos. E, toda agente consente, aceita! Tambulakonta (tomem cuidado!)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:56
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Sábado, 15 de Abril de 2017
FRATERNIDADES . CXIII

CAFÉ DE PÁSCOA - Quem é capaz de definir a AMIZADE? São os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos….

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange (Otchingandji)

páscoa3.jpgEm nossas vidas, na linha do tempo visível, teremos sempre de criar um ou dois planos alternativos em nossas atitudes para não esbarrar com ideias intransponíveis, quebrar outras que não são assim tão edificantes, ou porque adoptamos durante um espaço de espaço não revidar o mal praticado por um outro. Pois é bom de, quando em vez, reactivar o plano B ou plano C.

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A nossa tendência é quase sempre rever os ressentimentos, as coisas menos boas e, nem sempre recorremos à capacidade que temos de gerir tudo com mais optimismo! Em um qualquer estado meteorológico do tempo real ou nosso estado cacofónico, o melhor a fazer é sair de casa, sair do mukifo ou do cortiço, quer chova ou faça sol, espairecendo nos ares, esquinas ou florestas. Decerto, encontrará na natureza sempre um motivo um pormenor diferente para suprir a compreensão dum pequeno desaire, assim como uma virgula e pontuação fora do lugar.

araujo Páscoa.jpg Um caçador tinha um cão e a mãe do caçador era também o pai do cão. Tudo corrigido, irá surgir uma outra ideia ou interpretação pelo que, dizer-se vulgarmente que as coisas nem sempre são como parecem ser. Surge assim “Um caçador tinha um cão e a mãe. Do caçador, era também o pai do cão!” Uma forma de fala que tem de ser lida pelo menos três vezes para se apreender o sentido correcto … (Assunção Roxo)

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Para meu sossego tenho até um plano D com vírgulas e pontos de exclamação ou interrogação suplentes mas, sem saída, este D torna-se desistência; normalmente quando falha o plano A, recorro ao B e ainda o C mas, em verdade há coisas de que não podemos ser donos. Seremos sempre dependentes dum espaço que a seu tempo nos come o corpo, o cérebro e a sabedoria.  

roxo79.jpg Invariavelmente recorre-se ao modelo cultural que nos foi legado pelo tempo num valha-me Deus mesmo que se esteja sentado num sábado de páscoa e numa concha de convicções com a mente bulindo num futuro desconhecido ou num passado que um dia vem e outro se vai na ilusão que somos e, que sempre seremos. Ninguém é dono de seu destino mas, pode sempre que se queira, fazer um novo começo!

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Podemos sim desenvolver nosso altruísmo, desenvolver nossas mentes apetrechando-nos de modos de vírgulas e outras pontuações, algumas até desconhecidas porque um dia seremos “nada”. Flutuaremos por aí no universo como que percorrendo uma fita como a de nióbios que não tem fim. Hoje Sábado de Páscoa, rasgo meus pergaminhos de falas apócrifas para manter no topo meu plano A e, desejando aos meus amigos bons augúrios também num plano A sem recorrer a uma saída para um espaço ainda mal conhecido, lá numa galáxia de permanente azul celeste.  

chicor4.jpg Assim aos Amarelos aos Roxos, aos que formam meu Arco-Íris digo para se manterem unidos numa base de sustentabilidade possível e porque, são os conflitos e contradições que nos tornam seres humanos. Mas pergunta-se: É lícito pagarmos um tributo? Pois então, a César o que e de César! Hipócritas há muitos e, não nos podemos vender por trinta dinheiros e ficar saboreando um pedaço de pão molhado.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:24
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXXII

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 18ª parte

 Kiandas e calungas com alguma ficção! O tempo, na mística espiritual de N´Gola vem de MUNTU, que significa homem em língua Bantu! A história do povo Bantu só começou a ser decifrada a partir do século XIX. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

cafu32.jpg Como a sombra, a história dos novos donos de África, ainda sobrevive e se reproduz fantasmagoricamente, nos seus sempre novos poderes; os mesmos que que eles próprios instituíram como vigentes para conduzir seus novos escravos, seu povo preto. E, este povo está disseminado por N´Gola com vários grupos tais como os Bakongos, Lunda-Ckokwel, M´bundu, Ovibundu, Ambós e, outro pequenos subgrupos. Pelo que se observa o branco sempre estará desconsiderado como uma excrescência em sua  história, um erro crasso que os vai fazer retroceder até um futuro visto no passado; uma perfeita miragem.

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E, foi entre a bacia do rio Kwanza e do Rio N´Zaire que se desenvolveram as etnias preponderantes do reino, os Manikongos com Matamba e N´Gola destacando-se entre eles outros reinos tais como N´Goyo, Kakongo e Luango situados a norte do estuário do N´Zaire e, o reino de n´Dongo que incluía quase toda a parte central de Angola e de ambos os lados o rio Kwanza, o verdadeiro Rio da Identidade de N´Gola.

cafu15.jpg Falar das kiandas é uma necessária superstição para encaixar as surtidas febris de contos, mussendos e missossos que os mais velhos iam contando aos jovens que apreendiam o que a imaginação depois forjava, sempre muito cheia de engravidadas inverdades com outras carregadas a canhangulos de guerra. Nessas estórias de pubeiros sobrepõe-se a do grande jaga N´Gola Quitumba com a ajuda de Quitequi Cabenguela de quem com orgulho falam os  N´Zingas.

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Nessas guerras de invasões, os sobas dos reinos dominantes iniciaram uma série de revoltas. As mais importantes ocorreram nos sobados da Kissama e dos Dembos por protegerem os grupos de escravos fugidos de n´Dongo da Matamba, do Kongo, de Kassanje do Kuvale e de todo o planalto central de Angola. A extensa capitânia de Paulo Dias De Novais vivia em permanente convulsão! Depois de muitas batalhas com os Tugas, do lado do Rei do Kongo e, com grande dificuldade lá conseguiram eliminar o carismático Bula Matadi.

cafu14.jpg Esta descrição de forma sucinta tem o fim de dar a entender o turbilhão de reinos e sobas e os interesses que moviam os Tugas e mais tarde os Mafulos. Teremos de fazer um interregno à estória pitoresca das kiandas do Kwanza, ora kwangiades, para entender esse turbulento tempo. Convém referir que Paulo Dias de Novais esteve preso durante cinco anos no lugar de Kabassa (sendo verdade, até parece lenda!). Depois de solto, voltou ao m´Puto e dali retornou mais tarde com uma armada mais poderosa instalando-se em Luanda aonde construiu a fortaleza de São Miguel nessa então São Paulo de Assunção de Loanda.

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Os reinos de n´Dongo foram enfraquecendo e quase abandonaram a luta depois da morte do seu Rei N´Gola Kilwanje Kia Samba. Assim os Tugas puderam instalar-se em Muxima, Massangano e Kambambe aonde foram construídos fortes. Tribos e chefes, sujeitaram-se a pagar tributos ou fornecendo escravos aos capitães do m´Puto mas, outros houve que continuaram a lutar refugiando-se nas protegidas ilhas do Rio Kwanza.

cafu35.jpg Voltando a Massangano, terei que adicionar ao que se sabe das lendas, que houve muitas contrariedades e, como tal, uma derrota com o mesmo n’Gola Kilwanje já aqui citado. Isto aconteceu em uma batalha no ano de 1582 em que a forte resistência obrigou à construção do forte de Massangano no ano de 1583. Não obstante, não impediu que as forças da rainha n’Zinga o atacassem, em 1640 que, apesar do saldo negativo pelo aprisionamento das suas duas irmãs Kambu e Funji, que levou a que esta última fosse executada.

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De fazer notar que do lado de fora dessas fortificações se realizavam feiras de compras e vendas de escravos. Estas feiras estavam coordenadas pelo pai da Kianda Roxo, Morgan Tsvangirai. A ele, se devem as posturas de trato comercial e da recolha dum percentual na venda individual ou lotes de peças; diga-se em verdade que era um homem bem experiente nesta labuta e trato de escravos… Custa-me agora dizer isto mas ela, a Kianda Roxo, de nada se lembra desses etéreos tempos; ainda bem! Talvez por isso e agora, ela a Kianda viva, seja tão generosa nas palavras e tão comedida nas periclitãncias…

cafu34.jpg N´Zinga m´Bandi foi o maior símbolo de resistência. Esta rainha para além da resistência contra os Tugas de então, conseguiu aliar os povos já mencionados de, entre os Rios n´Zaire e Kwanza. Foi a 6 de Setembro de 1683 que n´Zinga aceitou vassalagem obedecendo a oito condições estipuladas por João da Silva e Sousa, Governador e Capitão-General. E, tudo foi elaborado ou aceite pelos protectores da soberania tribal. Como em tudo a ambição cega a visão por usura de alguém que detém o sim e o não ou uma incipiente matumbice….

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A Rainha n´Zinga é assim obrigada a não impedir os pombeiros de chegarem ao sertão africano e também não impedir àqueles em sua actividade comercial com os potentados do reino do Songo, Quiacar, Punamujinga, Sund, Cacem e Damba. Aquela rainha teria de abrir caminhos para que os negreiros alcançassem seus destinos. Bom! Os pombeiros trabalhavam por conta de grandes chefes, sobas ou militares Tugas.

chai4.jpg Durante um ou dois anos, internavam-se nos matos, trocavam escravos por tecidos, vinho, quimbombo, aguardente, quinquilharia, sal ou pólvora. Os acordos de vassalagem foram extremamente desiguais com a aceitação na base de imposição militar. Passados vários séculos da morte da rainha n´Zinga a ideia de unidade do povo Angolano ainda não se configura vencida na luta contra os Tugas nos finais do século XX permanecendo em disputas internas pelo poder até o actual ano de 2017 aonde a corrupção roí os governantes até os tornozelos…

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Com ideologias marcadas pelo rancor entre eles e contra o branco, ícone aglutinador e culpado de todos os males em sua justificada fábrica de criar maka, os diferentes grupos étnicos saídos do povo Bantu, ainda continuam na contramão da história e progresso ditando leis absurdas e, sem um objectivo de sucesso para sua debilitada situação financeira. Segundo Cadornega em 1629, as irmãs de n´Zinga foram baptizadas Funji, como Graça Ferreira, e Cambo n´Zumba como Bárbara da Silva.

cafu33.jpg No ano de 1646, ao tomar posse da sanzala de n´Zinga no rio Dande, os Tugas encontraram cartas de Funji, escritas de quando era prisioneira e dirigidas a sua irmã n´Zinga. No ano de 1647, no cerco da rainha junto com 500 holandeses a Massangano, o sargento-mor Pedro Barreiros decidiu, por conta própria, lançar Funji no rio Kwanza, e por pouco, não fez o mesmo com Cambo n´Zumba.

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É aqui que um negreiro mazombo de nome Jeremias T´Chitunda a troco de umas quantas moedas dadas a Morgan Tsvangirai, pai de Roxo, consegue introduzi-la em um lote de peças com destino a Olinda de Pernambuco! Nasce aqui uma outra lenda, a do Kilombo dos Macacos na Serra dos Palmares…. E ela, por decisão de seu novo dono toma o nome de Aqualtune.

cafu39.jpg Aqualtune, não podia ser interpretada como gente nobre do reino de n´Ggola; os acordos não previam o uso de gente nobre descendente do rei Kilwanje. E, ai de quem murmurasse tal conhecimento! É ainda um fenómeno mal contado nos missossos mas, tudo leva em crer que seu rosto esteve tapado ou coberto de argila branca nas festas de rebaptizar a ela, e a todos outros escravos. Este procedimento não era nesse então tão invulgar mas, na qualidade de T´Chingange posso afirmar ser isto verdadeiro…

(Continua… Cambo  n´Zumba ou Barbara da Silva foi como escrava para o Brasil…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:23
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Quarta-feira, 12 de Abril de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXI

TEMPOS PARA ESQUECER - 12.04.2017 - ANGOLA DA LUUA XXX. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Alguém disse e eu terei de concordar - “tropa de cáca”.

Por     

t´chingange 0.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

(…) O Batalhão do Luso, o de “pé descalço ou em cuecas” deixou armas, rádios, munições e até material cripto. O comandante deste batalhão disse ter preferido ser enxovalhado do que pôr em risco a vida d 800 civis, deslocados com mulheres e crianças.  Uns dias depois a UNITA apresentou oficialmente desculpas a Ferreira de Macedo, o interino Alto-comissário. Este procedimento foi uma nodoa negra que se justifica talvez porque só tinham 3 meses de comissão; deduz-se que os instrutores seriam esses tais do PREC do CR que foi mandada para uma Angola desconhecida.

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Alguns, vim a saber que eram estudantes e que por este facto, ao regressarem tiveram passagens administrativas nos cursos que acabaram por concluir. Muitos destes passaram a gerir serviços técnicos nos organismos camarários e outros oficiais, sem estarem minimamente preparados. Saíram arquitectos quando nem desenhadores se poderiam considerar e, por aí! Outros técnicos de aviário fizeram e fazem carreira sem terem a correcta aptidão para além de serem uns abnegados militantes da esquerda, da onda do Ché Guevara (…) - gente preparada átoa, com devaneios por ideologias e, sem apego ao brio e ética.

koisan5.jpg Aquele despontar sem preparo de oficiais de aviário espetando os peitos abrilescos, heróis de cinco minutos, o suficiente para a fotografia fizeram a merda que fizeram. O baixar de guarda desta feita foi demasiado humilhante para um exército que se preze! Dá para entender todas estas ocorrências entre Agosto e o 11 de Novembro com escandalosa ajuda ao MPLA. Alguém disse e eu terei de concordar - “tropa de cáca”. Nunca chegue a saber se o Furriel indignado que deu uma chapada a um soldado das FALA foi ou não fuzilado como já li em qualquer parte!

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As fontes só dizem que foi levado para ser fuzilado ao qual o comandante afirmou: Fiquem com tudo, mas não façam mal a ninguém! Só quem lá esteve, poderá confirmar e acrescentar se sim, ou se não; se o Furriel foi mesmo fuzilado! As confrontações em Sá da Bandeira tiveram início no dia 21 pelos militares das FAPLA do MPLA acantonando as FALA e ELNA no quartel português; no dia 22 de Agosto, Costa Gomes pediu formalmente o auxílio dos EUA.

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Precisava de ajuda para evacuar os restantes 330.000 refugiados que queriam sair de Angola. Carlucci reiterou as instruções chegadas a ele desde Washington para não negociar com o Governo de Vasco Gonçalves. Isto só seria possível com a remodelação do governo com a saída de Vasco Gonçalves “o doidinho da esquerda” e, também as FAP não darem apoio ao MPLA. Nós “retornados ou refugiados!” fomos a moeda de troca para virar Portugal para a direita pró USA! Fomos manipulados por nossos supostos irmãos do M´Puto.

guerra11.jpg Fomos uns milhares de carneirinhos despojados de tudo; do direito à cidadania, do direito aos seus haveres, do direito à dignidade. Isto, nunca irei deixar de dizer, nem que me matem como e sob protesto disse o defunto. Fomos veículos de chantagem e tornados coisa pouca nas cabeças dos militares revolucionários do C.R. A 23 de Agosto o Diário de Luanda, noticiava a tragédia marítima ao longo da Costa dos Esqueletos na Namíbia. Várias traineiras saídas do Lobito, Benguela e Moçâmedes com centenas de refugiados desapareceram quando demandavam o porto de Walvis Bay.

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De uma flotilha com mais de vinte embarcações, três ainda não haviam chegado.  No dia 30 de Agosto, dois draga minas da Marinha Sul-africana realizavam buscas na Costa dos Esqueletos. Nessa semana tinham desaparecido quatro pequenos barcos de pesca com sessenta refugiados a bordo.  No deserto namibiano eram resgatadas 201 mulheres e crianças duma coluna automóvel que andava perdida e já, quase sem combustível e viveres.

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A carta de Costa Gomes no pedido formal aos EUA chegava às mãos de Gerard Ford a 27 de Agosto. Dois dias depois o Governo de Vasco Gonçalves caía dando lugar a Pinheiro de Azevedo. A partir daqui a ponte de LuuaLix foi reforçada com a ajuda dos primos britânicos e dos franceses. Entretanto em Luanda o MPLA instigava os estivadores do Porto de Luanda à greve, para deste modo dificultarem o carregamento de bens Portugueses que estavam a ser espoliados do que lhes pertencia.

guerri4.jpg Visto à distância e com mais de quarenta anos, os brancos deveriam ter feito política de terra queimada! Custa-me muito dizer isto mas, guerra é guerra! Tamanha injustiça merecia bem esta revolta, esta forma de indignação. Pois então fazer arder tudo o que em vida lhe dava vida! Nada disto sucedeu não obstante se receber dos mwangolés desdém com prepotência e desaforos muito ruis para serem curtidos. Era em verdade o que mereciam! Estou-me nas tintas para quem pensar de outra forma. Eles não foram merecedores de nossa benevolência!

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Numa directiva não declarada oficialmente, Henrique Santo (Onambwa) os operários recusaram-se a trabalhar com forças militares portuguesas dentro do Porto de Luanda! Traidores, muitas vezes! Pandilha de gente que tomou as rédeas do mando… Estes exigiam serem substituídos pelas FAPLA, um claro truque para não serem tomados como coniventes com o MPLA. Uma falácia para dar cobertura ao recente criado sindicato, gente do mesmo gabarito. Isto foi claro!

guerra5.jpg Os civis portugueses não aceitaram esta postura tendo daí sido atribuídas tarefas à Policia Portuária com a segurança do cais e da Armada. No carregamento de caixas, caixotes e haveres havia um mal-estar entre os Adidos e desalojados que cada vez mais dificuldades viam no correr do tempo. A pretensão do MPLA era controlar o porto e as saídas de bagagens. Muitos destes fiscais do MPLA eram mazombos como eu, brancos, mestiços e até alguns negros que vendo seu rabo a arder de medo, uma forma de falar, também embarcavam para o M´Puto!

kilo3.jpg Nada de mal disto! Havia muitos funcionários que pela lei dos Adidos teriam seu lugar garantido na metrópole; Mas em verdade, tudo isto era demasiado confuso. Ninguém tinha a certeza de nada! De manhã havia uma dica e à tarde, várias outras. Alguns destes até aí eram também fiscais aduaneiros por parte do MPLA, retirando ouros e coisas valiosas aos agora fujões.  A partir de certa altura eram os proprietários dos haveres que faziam a estiva de suas coisas, seus haveres, carro e outros…

niassa10.jpg Uma ilusão

 As minhas, não chegaram a passar para além do crivo de balas que impedia sua chegada ao porto do Lobito, ou Moçâmedes! Adeus fotos, adeus relíquias, adeus pertences e madeixas de cabelos dos filhos, recordações de uma vida! Terei de dizer isto muitas vezes para que alguém com tino refaça a verdade e nos peça desculpas, Portugal e Angola, claro! Evidentemente que vou esperar sentado; não vejo um qualquer governante ter essa nobre postura! Ainda tive alguma esperança quando Marcelo chegou ao poleiro mas, desencantei-me. Eles lá no topo, só serão estadistas quando nos pedirem desculpas… até ver, os ávidos ao poder, os ambiciosos, sobressaem na maioria…

 (Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:19
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017
CAFUFUILA . CXXI

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 17ª parte

Kiandas e calungas! O tempo, na mística espiritual de N´Gola, e não só, não tem fidelidade à linha do tempo.  Intemporal, anda do agora para trás e, se sabe o depois, nunca o diz! Também tem medo de virar poeira como o Plutão… O futuro é já a seguir..

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Como se diz, a calunga ou kianda é assim como um vírus de computador que sem se ver se faz notar. Nossa kianda Roxo veio como Assunção por alguma razão que, nem ela própria sabe! Melhor seria Ascensão mas quis a semântica do uso dar-lhe esse quase igual nome. Podia ser só Maria mas quis o encontro com as calemas do destino encontrar o T´Chingange que estupfeito com suas bizarras cores do além e seus mágicos gatafunhos psicadélicos, simbiose de Naif com Dali, ascendeu aos espíritos. E, viagem por esse Universo distribuindo alegrias tomando muito chá de funcho e oliveira a controlar sua intensidade de fazer gaifonas à vida.

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Sua mãe, também kianda de nome Redufina Kabasa Tsvangirai umbigou-se com Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare, às margens do lago Chivero, isto também já foi dito! Seu pai, um político local, teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano. Eram tempos de soldados Mafulos flamengos, que por sete anos da colonização holandesa em Angola (1641-1648) ali deixaram vestígios nas gentes, os Van Dunem; mas quanto a isto lá iremos!

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Por via de tudo isto, terei de entrar na estória daquele mundo de muito paludismo, maleitas de tsé-tsé e carunchos de comer a carne em vida. Enquanto isso a kianda Roxo treinava suas maneiras de futura sereia nas águas cálidas do Kwanza. Morgan Tsvangirai pai da Kianda Roxo ficou avençado pelos Mwana-Pwós com o posto de tenente de segunda linha.

massangano1.jpg Em suas idas de soberania à Kissama, por vezes levava Roxo consigo e, em uma das várias lagoas, ela fez amizade com Mazé Van Dunem, uma linda e amulatada candengue que lhe ia passando confidências. Confidências chegadas de seu pai malufo bivacado em Loanda. Era esta, também, um elemento da dinastia mestiça de Baltazar Van Dum, filha de um outro alambamento com outra mulher. E, porque teve de se refugiar numa destas ilhas do kwanza mantinha relações mais próximas com os Tugas de Massangano e Muxima; doutra forma, seria degolada pela actual mulher dele, desse tal Baltazar Malufo.

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Durante os sete anos da presença holandesa e, com o objectivo do fortalecimento do tráfico negreiro rumo às lavouras de cana-de-açúcar no Brasil, o projecto da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais afirma-se aqui em N´Gola com alguma dificuldade. Esta companhia sediada  em Amsterdão e por decisão do conselho de administração constituído por 19 membros, nomeia em 1637 Johann Moritz Von Nassau-Siegen governador das possessões holandesas no nordeste brasileiro.

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Tinha a concessão de monopólio de comércio no Caribe e da América do Norte, para o tráfico de escravos dirigidos ao Brasil. Tudo isto para diminuir a competição espanhola e portuguesa. Tempos bem conturbados, sem uma ONU, sem UNICEF e sem Tribunal Internacional! Cada país decidia de sua livre vontade o que lhe aprouvesse! Inglaterra e Holanda pretendiam assenhorar-se do mundo retaliando os Espanhóis e logicamente Portugal, entretanto na mão dos Filipes I, II e III e, por sessenta anos, a partir de 1580.

muxima4.jpg Curioso é de que em Paris e num ano tão longínquo daquele, Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa fala-me desse tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda; dos desentendimentos dos n´gwetas com a rainha N´Zinga e, outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba que agora, nem lembro mais com pormenores.

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Havia nesse então um largo comércio de peças humanas em troca de espelhos, jinguba, catanas, tesouras, ancinhos em ferro e muitas outras bugigangas de utilidades modernas e, que chegavam do Puto, da Bahia, Pernambuco ou Antuérpia. Os Libongos, uns panos garridos, eram os mais apetecidos, pois permitia vestirem-se, uma coisa quase inusitada e a que os sobas recorriam como moeda de troca em substituição das conchas de n´zimbos, moeda que ia ficando de pouca utilidade...

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Como foi possível os sobas de então trocarem por quinquilharias, homens que nem sempre eram inimigos. As futilidades ocidentais começavam a chegar ao continente negro. Os Portugueses e Jagas dos Dembos, Kissama e Manhanga eram os principais clientes da família Pieter tio tetravô da Kianda Roxo, conferindo-lhe um afecto especial naquela gente de bitacaia. Uma grande novidade era o uso de sapatos feitos em couro de tiras entrelaçadas e, que mereceu atenção especial por parte dos camondongos alforriados que assim passaram a proteger seus gretados pés.

adam2.jpg Pois é aqui que entro na estória já com tendência para ser um verdadeiro T´Chingange: - No decorrer do tempo, fui ficando mais kota e meu pai ordenou-me que ficasse a tomar conta da salga e seca de peixe seco ajudando nas contas o capataz, cafuzo da Mazenga de nome Beto Feliz mas, um pouco matumbo. Dos búzios n´zimbos e caurins de menor valor, era feita a cal necessária para barrar as frestas das casas de taipa dos senhores e também das fortalezas erguidas nesse então.

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Os pescadores saíam nos n´dongos a pescar, dia sim, dia não; apanhavam kimbijis (peixe espada branco), carapaus e cachuchos que eram depois escalados em mesas compridas feitas de paus espetados na areia e ligados com ataduras de mateba; depois passavam para umas celhas de salmoura aonde ficavam algum tempo. Mais tarde eram levadas em quindas para outras mesas aonde permaneciam ao sol até ficarem com alguma dureza.

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 Meu pai enricou com estes negócios de fazer cal e salgar peixe. Recordo de irmos a Massangano entregar aos Tugas a cal encomendada para tapar rachaduras da fortaleza e ter visto a kianda Roxo que embora despertando interesse não prendeu meus holofotes de candengue mazombo. Mas admirei-me sim de suas pernas se juntarem nas águas na forma de barbatana. Uma autentica kianda, uma verdadeira kwangiade como diria o Luís Zarolho (Camões) tão falado lá na tapurbana…

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Após todo aquele processo, uma parte do peixe seco era posto à venda na loja da mãe Maria Arminda Kafutila e uma outra, era enfardado com atilhos de mateba ou piteira, guardadas em uma casa até que os pombeiros e suas tropas o levassem. De tempo a tempos, organizavam saídas ao mato formando filas enormes com m´bikas (escravos) transportando à cabeça esses fardos pesados, para  além de outras mercancias como panos libongos e aguardente do M´Puto a serem trocados por escravos, mel, cornos de elefante, javali e rinoceronte.

muxima3.jpg Com o objectivo de participar directamente do tráfico negreiro, Nassau, o governador de Pernambuco com sede em Olinda, decidiu em maio de 1641, enviar uma expedição para ocupar Luanda, principal porto de escravos da África Ocidental para o Brasil; depois, conquistar Benguela, São Tomé e Axim da Guiné. A construção das fortalezas e presídios de Muxima, Massangano e Cambambe, como marcos político-militares na conquista do reino do N´Gola, consolidam assim a civilização portuguesa à custa de muita abnegação.

muxima1.jpg Vistas as coisas neste ano da graça de 2017, o povo angolano, sem capacidade para resolver diabruras de roubo, coisa estrutural dos mwangolés, segue a sua trajectória marcada por retrocessos. Com pouquíssimos avanços afirmam-se como nação soberana entregando-se aos amarelos e outros que nunca se comportarão como os Tugas. A nós contadores da estória, compete-nos repô-la sem esses devaneios de morbidez rácica….

(Continua… ainda há muito por dizer)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:34
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Quarta-feira, 5 de Abril de 2017
CAFUFUILA . CXX

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 16ª parte

A surrealidade está-lhe no sangue! Usa pinceis electrónicos na forma de gigabaites holográficos…

Nota: Esta 16ª Parte andava voando perdida no espaço...

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Na ultima parte do mussendo, 15º episodio, falei do porquê esta kianda Roxo de Guaxuma andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber no consciente desta sua dupla vida, compartilhando xispanços de tinta com particular maestria e, do porquê das cores cibernéticas confundindo-nos com holografias psicoroxas. Mas sabemo agora que nasceu às margens do lago Chivero.

roxomania2.jpgSabemos que sua mãe, também kianda de tez negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai  que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero, lugar que fazia fonteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai seu pai. E, que por via da política teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia por ser  um pambu-n´jila especial com Muxima. 

roxo61.jpg Como já repararam as kiandas andam no espaço-tempo em qualquer direcção e é por isso que nos parece a nós humanos impossiel reconhecer andar-se no ontem e antes de ontem ou há muitos anos atrás e ou, deslocarem-se no futuro deixando transparecer a nós mortais, somente o que nos é perceptível pela dedução; falar do futuro até para as kiandas é tabu – aos viventes  não se pode transmitir o amanhã, só o agora, lei básica da vida. O Universo tem regras que não estão ao nosso alcance engravida-las.

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É aqui que surgem os mambos longínquos com soldados Mafulos, por via das falas da Kianda Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa; fala do tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda, n´gwetas e dos desentendimentos com a rainha N´Zinga, mais outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba.

rosa1.jpg O velho Niassalês descreve as festas axiluandas de então com kimbandas e t´chinganges pisoteando a terra, levantando poeira de encorajar kotas, jagas, sobas e m´fumos que iam chegando em alvoroço dos Dembos e de lá mais além do Kassange. Nos encontros, iam passando cabaças com malavo de cassoneira e, a cada grito dado pelos dançarinos guerreiros, o povo gritava kwata mwana-pwó, kwata mwana-pwó. Era a preparação duma guerra contra os Tugas n´gwetas entricheirados em Massangano por ordem dos Mafulos Holandses

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Morgan Tsvangirai ficou avençado pelos Mwana-Pwós  com o posto de tenente de segunda linha; mandava os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de manutenção e limpeza ao forte, zelar pelos n´dongos de pesca e translado de coisas para a Kissama e das patrulhas de soberania aos  mares parados com lagoas até o Morro dos Imbondeiros e dos Elefantes da Maianga. Também tinham a caça e a pesca ao seu cuidado.

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M´fumos, iam chegando aos poucos como emissários da rainha N´Zinga M´Bandi da Matamba e do rei do Kongo Garcia II que, embora sendo cristianizado pelos Portugueses, com eles andava desentendido após a chegada dos Mafulos. Estes, teriam-lhe prometido poderes maiores e auxilio com armas do tipo de canhangulos e pederneiras. Eram preparativos duma união para fazerem o grande e final assalto a Massangano.

roxo105.jpg Naquela fortaleza os Tugas resistiam aos Olandêses tapando-lhes as vias de comunicação ao mercado de escravos lá do interior fazendo emboscadas ou tocaias com azagaias venenosas, um método aprendido com os indios do brasil, uma cana comprida que depois de soprada dela saia um dardo mortífero.

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 Por isso aquele mato metia  demasiado medo aos Mafulos. É aqui que entra o Senhor Mauricio de Nassau que desde o Recife Brasileiro mantia o negócio das peças m´bikas para os seus engenhos de assucar. Pernambuco e as capitânias adjacentes, estavam carentes de braços para fazer o cultivo da cana de açúcar e fazer andar os engenhos. A preguiça e cultura dos indios americanos não permitia seu uso no trabalho.

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Talvez por isto, seus lugares tenentes mantinham contacto com alguns negreiros  portugueses que detinham este negócio, pagando-lhes ainda mais do que a antiga coroa determinava. Era um quase pacto de negócio mantendo-os como principais fornecedores de peças á margem dos interesses dos reis do M´Puto. As ordens que vinham do Conde Maurício de Nassau a partir de Olinda eram de subornar a todo o custo os intervenientes funantes do mato de N´Gola no negocio escravo.

dy28.jpg Estava em causa a política comercial da Companhia das Índias Ocidentais... o lucro! E, Portugal que era agora pertença dos espanhois não havia por isso empenho nestas politicas de tanto trabalho; preferiam estabelecer severas taxas de soberania aos amerideos de seus territórios com pagas em ouro. As mordomias do reis Filipe de Castela, Asturias, Galiza, Catalunha Portugal e Andalazia eram muitas - isso impunha uma politica restritiva, sem  dispersão.

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Redufina Kabasa mãe negra da Kianda Roxo estremava-se ensinando a sua filha maneiras de comportamento e era vê-la brincar com candengues  brancos e pardos no átrio da missão! Bem cedo se destacou nas habilidades de colorir os jogos de desenho, nos riscos da cabra cega; qualquer argila era motivo para dali sair pintura ou escultura bem à moda dos trabalhadores de talha do pequeno altar da igreja  da muxima!

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Sua tia N´ga Maria Káfutila de linhagem nobre do reino do Kongo ajudava meu pai Januário Pieter na quinda do mercado da paliça vendendo malavo e quitoto ou permutando com os indígenas ou mesmo n´gwetas produtos da terra como ginguba e fuba de mandioca. A fuba originava um prato apetecível chamado de funge ou pirão, um preparo a partir da mandioca. E, ela tornou-se assim uma cozinheira de primeira mão mas, prefere suas fluorescências.

roxo60.jpg Mais tarde começaram a fazer uso das folhas do pau de mandioca que era passada por cinco fervuras para anular o veneno da coisa e, a isto chamaram Saka-saka que impregnada de azeite de palma dava origem ao prato mais típico dos Kaluandas, a moamba com quiabos e jimboa. E, foram os Portugueses que a levaram do Brasil para N´Gola embora queiram fazer crer o contrário disto. N´Gola nunca vai poder dissociar-se dos Tugas por esta e outras singelas razões.

(Continua… CAFUFUTILA CXXI -17ª Parte...)

Nota: Isto já foi publicado na Kizamba do Facebook . Fui à Luua e baralhei-me todo...

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:21
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Terça-feira, 4 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXIX

NAS FRINCHA DO TEMPO -30.11.2016 KIANDA COM ONGWEVA - 14ª com várias partes… Com Zachaf Pigafetta Roxo, Januário Pieter irmão desta e o Conde de Saint Germain.
Ongweva é saudade

Nota: Esta 14ª Parte não foi publicada em seu devido tempo. Deveria ter surgido depois de 5 de Outubrodo ano de 2016 e por descuido só veio a ser publicada no facebook em Kizomba a 30 do 11 de 2016
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Tinha sido combinado encontrar-me em Madrid com as kiandas o Conde de Saint Germain, Zachaf Pigafetta e o irmão Januário Pieter no Museu do Prado, mas não foi possível faze-lo na data aprazada, no entanto mantínhamos contacto através do ipad! Eles tinham compromissos no aquietar de almas desavindas em desassossegos antigos e oriundos da África Austral. Aproveito por isso falar um pouco do entrelaçado de malambas já faladas entre nós a fim de arrumar os eventos vindouros para que se compreenda o desfecho da estória-mussendo.
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A origem de Saint Germain ainda hoje é desconhecida, mas o que sabemos é que marcou presença a partir do século XVlll pelas cortes da Europa destacando-se como diplomata em Génova, Paris, Londres, São Petersburgo, Índia, África, China e outros lugares. Ele, com frequência refere ser filho de um príncipe oriental. O certo é de que sua idade tal como as demais kiandas, sendo indefinida, tem a particularidade de quando necessário tornar-se numa normal figura de gente.

cafu15.jpg Niassalândia (actual Malawi) foi assim denominada por causa do Lago Niassa de onde originaram Januário e Zachaf Roxo. Em setembro de 1859, o explorador e missionário escocês David Livingstone tornando-se supostamente o primeiro europeu a avistar o lago, o terceiro maior da África. Um dos encontros foi exactamente com o Conde de Saint Germain, que por ali se envolvia em actividades missionárias e comerciais britânicas.

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Na década de 1880, Portugal reivindicou o território em virtude de sua presença na colónia vizinha de Moçambique mas a Grã-Bretanha resistindo às reivindicações portuguesas, em 14 de maio de 1891 proclamou um protectorado sobre Niassalândia tornando-se parte da Federação da Rodésia e Niassalândia em 1953. Após a dissolução da federação, alcançou independência total a 6 de julho de 1964 como a República do Malawi.
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A Grande Traição é o título das memórias publicadas em 1997 por Ian Smith, último primeiro-ministro da Rodésia. Sua obra oferece uma interessante panorâmica da história desta importante parte da África austral e relata minuciosamente como os nossos “amigos” britânicos e Estado-Unidenses não descansaram enquanto não lançaram o calvário naquele pedaço de chão. A requerida paz, lei e ordem, factores fundamentais para qualquer evolução autêntica e segura, foram sacrificados em favor da hipocrisia, da irresponsabilidade, da expediência.

cafu17.jpg As nossas três kiandas andavam por ali tentando introduzir nas mentes pensares pacifistas mas foram logrados em toda a linha. A mais interveniente foi o Conde de Saint Germain mas mesmo esta, esfumou-se. As memórias de Iam Smith interessam particularmente aos portugueses, euro-africanos genuínos e pioneiros, escandalosamente imolados e esbulhados pela traição doméstica a soldo de uma conspiração internacional - tragédia odiosa que brada aos céus e clama por justiça!

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Cumpre ressaltar as páginas elogiosas que Ian Smith dedica a Salazar e a Portugal a quem rende sincera homenagem à nação euro-ultramarina que, com a nobreza da simplicidade e a força do carácter, cumpria a sua missão histórica de povo, defendendo com determinação os seus legítimos direitos e interesses perante os mais fortes do mundo. Sobre Salazar, dizia ser este um estadista excepcional, cuja craveira intelectual e moral deixaram nele uma impressão única e indelével.
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Foi o Conde de Saint Germain que destrinçou esta parte da estória que os historiadores pulam por conveniência ou falta de caracter. A Grã-Bretanha, empenhada na sua demissão histórica, anuncia a dissolução da Federação das Rodésias e do Niassalândia com vista à formação de Estados “independentes governados por maioria negra. Smith é o único do seu partido a manifestar oficialmente a sua desconfiança em relação à proposta explicitada por Londres.

cafu18.jpg Para ele, a Inglaterra, no afã de obter a simpatia de afro-asiáticos, Estado-Unidenses e Soviéticos, estaria disposta a liquidar o seu “problema colonial” com o abandono puro e simples da população branca - os mesmos indivíduos que no conflito mundial de 39-45 deixaram a paz dos seus lares para irem arriscar as próprias vidas no socorro à Grã-Bretanha. Foi o caso dele.

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Em 1964, dez anos antes da abrilada portuguesa, Ian Smith é eleito primeiro-ministro. Numa visita oficial a Lisboa encontra-se demoradamente com Salazar e este diz-lhe declaradamente que os rodesianos seriam traídos pelos ingleses; que Portugal prestaria o auxílio necessário a Salisbúria. Pouco depois, aqueles a quem Fialho de Almeida chamou de “carrascos ruivos do Tamisa”, concretizavam o que o estadista português sentenciara.

SALAZAR 2.jpg A lembrança deste encontro profético em São Bento ficou para sempre gravada na sua memória, plenamente convencido de que, se Salazar tivesse vivido dez anos mais, a Rodésia teria sobrevivido. Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. Sua vida política passa então a reger-se quase que exclusivamente por duas constantes: a neutralização dos efeitos das sanções impostas pela ONU, sob a batuta de Londres e Washington; e o combate ao terrorismo e à guerrilha de obediência comunista que faziam a sua desumana entrada no território.

cafufu7.jpgE é agora e por intermédio destas três kiandas que me é dado conhecer toda a arte de velhacaria que invadiu o dito mundo moderno através dos arautos da verdade, os primos Ingleses e Americanos que continuam a ditar leis aos outros povos, sabendo à partida que é tudo uma utopia ou farsa. Nós, que estamos vivendo os problemas que nos cercam, podemos dar a importância devida ao que engloba este nosso recente passado para rectificarmos ou ponderarmos sobre o nosso futuro. Sabemos bem o que ocorre hoje nestes territórios de uma gestão catastrófica de puros ditadores.

(Continua…)
O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:13
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MUXOXO . L

TEMPO CINZENTOS – 03.04.2017A vida é feita de acasos. Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida mas sim aquele que melhor se adapta a ela… A continuar desta forma seremos no futuro, todos ladrões…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

A vida da gente é feita de acasos; de coisas pequenas que mudam nosso destino como uma vírgula minúscula altera um texto. Cada um de nós tem isto embebido em sua estória de vida e, por isso se diz que, esta ilusão é de um minuto ou uma centelha dele e, as coisas sucedem num agora, num lugar de hora certa ou errada conforme a sorte, conforme seus guias de guarda invisíveis que num dado instante o são e num dado instante deixam de o ser.

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Pois quantas vezes, por se estar no lugar e hora errada, se têm um dissabor ou uma alegria que tudo muda no percurso de nosso enredo de vida, nosso fado! Habituado a viajar, um dia e, estando eu no Algarve do M´puto saí de casa com o propósito de em Armação de Pêra e, junto do amigo Mogo, inscrever-me em um dos passeios romeiros que habitualmente ele organizava.

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No ano anterior tinha ido com a família à Festa do Cavalo em Gerês de La Frontera de Espanha, uma cidade situada bem perto da Cidade costeira de Cádis na Andaluzia. Porque gostamos do passeio, falou-se em casa que seria bom voltar a rever aquelas figuras de gitanos com adornos e prendas, suas cavalgadas em carroças enfeitadas a caminho de “El Rocio” e la virgem del Carmo, sua Santa protectora mui querida.

ÁFRICA4.jpgBem! Chegado à retrosaria do Mogno em Armação e depois dos cumprimentos, respondeu-me que naquele ano de 2005 o grupo de romeiros de “El Rocio” os Tugas, iam para o Brasil. Bem! Foi-me pormenorizada de como seriam esses quinze dias em Maceió, falou das praias e edecéteras; conseguiu assim despegar as tentações do subconsciente com coqueiros a abanar no vento fresco do pensamento.

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Acabei por me inscrever; que lhe daria a confirmação depois de conversar com a Ibib, minha parceira de tentações tropicais. E, foi assim que troquei o El Rocio de Gerês, festa “del cavallo” pelo Nordeste Brasileiro. Logologo minha mulher disse: Pois, é quase ali ao pé, mesmomesmo, quasequase a mesma coisa! Ibib já habituada aos meus entretantos disse: que remédio! E lá fomos nós no tempo aprazado para a terra dos papagaios.

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Isto para verem como desacontecem as coisas dum plano, vida esfarrapada de pequenos hífens pregados a nós como um destino. Que se lixe, e lá vamos, e lá fomos; a vida são três dias e temos de gozá-la enquanto se pode! Para além do mais sou cidadão do mundo e não me vou pregar na cruz dum qualquer país feito Cristo, mesmo que esse país se chame M´Puto. Já que me trambicaram uma vez, traíram e venderam a preço zero, mais vezes virão e, aos poucos, suavemente roerão minha própria cruz.

carmen1.jpg Os pequenos mas, acontecem assim quase inadvertidamente predestinando nossos amanhãs, com políticos desclassificados fazendo-nos escravos de leis fabricadas ao seu propósito. Vamos tocar isto para a frente, o que tiver de acontecer, vai suceder e novas perspectivas surgirão, novas gentes, novas entidades, novos desafios. E fomos; e ficamos…

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E, porque parar é morrer damos impulsão á nossa vontade na peugada da estória do Lampião, das várias sagas, do assucar, do cacau, do sisal, do café, do leite de coalho e das sobrevivência construídas de pau de arara, a pique e tabique ou taipas de criar escaravelhos. E, assim de romeiros de “El Rocio” de Andaluzia, espanhola, entre gitanos, viramos romeiros ao padre Cícero do Juazeiro do Norte do Ceará feitos matutos.

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Transpirando vírgulas no meu texto de vida feita de malambas, de palavras, revejo-me aventureiro indo de balsa até às piscinas naturais da Pajuçara, mar verde-esmeralda. Entre coqueiros posso ver da minha varanda as muitas velas triangulares com seu garrido colorido entre a língua branca das ondas batendo nos recifes, nos corais bonitos da baia com muita mais do que os sete coqueiros da praia cor esmeralda.

arte1.jpg Estes acasos não são exclusivamente meus; D. João VI fez do Brasil a sede de um Império empurrado por Napoleão, mantendo-o unido; dando títulos aos senhores do dinheiro a troco de grandes somas para formar o banco do Brasil; Por acaso os nobres, Condes, Visconde, Duques e Marqueses passeavam suas vaidades no peito mostrando suas medalhas. Também eles viviam uma fantasia com futilidades e muito devaneio à margem do povo, dos escravos e ricaços que engordavam riquezas vendendo gente como peças. Quem não tinha título mas algum dinheiro tornou-se Coronel, Major e lguns outros ficaram doutores…

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E quis a estória que de infortúnios se fizesse moda e arte! Durante a viagem de Portugal até o Brasil os piolhos tomaram conta das cabeças das damas; a tal ponto que tiveram de as rapar! Verdade! Desceram primeiro em São Salvador com turbantes ornamentais em suas cabeças sem algum cabelo. As mulheres baianas acharam estranha aquela moda e adoptaram-na logo pois que vinha da europa civilizada. E, foi assim que surgiram os turbantes enfeitados como o da mais recente Carmem Miranda com frutas tropicais. Como digo a estória de todos nós é feita de acasos. Naquele tempo ainda não havia o conhecido “kitoco” o tal de mata piolhos. Assim teria de ser! E, assim o foi!

carn1.jpg A vida é feita mesmo de pequenos nadas, de serras paradas à espera de movimento. Coqueiros ondulando com o vento, o mesmo que trouxe as caravelas. O vento de à bolina, mais tarde as naves feitas aviões, que vão e vêm unindo traços e culturas; falas e linguajares com sotaques variados. Agora, em terras de Vera Crus estão-me surgindo papagaios, esticando-me os ossos, as dores, muxoxos de minhas atribuladas vontades. Um dia, isto vai ter de parar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:31
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Sábado, 1 de Abril de 2017
MALAMBAS . CLXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 01.04.2017 - Amai-vos uns aos outros, mas só se for pra valer…

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

O homem produz cultura tal como a abelha produz mel mas, enquanto a abelha tem defesa aos anticorpos, doenças e vírus pelo seu eficiente própolis, o homem fica subserviente à boa sorte tomando antibióticos que decerto lhe farão mal a outro qualquer órgão que não aquele visado. O homem fica assim sujeito à análise, à crítica e ao comentário que nem sempre é do inteiro agrado do progenitor da ideia ou do conceito; estamos falando de cultura, entenda-se! Surgem assim os pontos de vista que sendo muitos e 

propolis1.jpg Uns temas surgirão absurdos para alguns, enquanto outros o acharão interessantes. Hoje após me ter levantado, bebi minha dose habitual de cloreto de magnésio  chá de canela de velho e, porque ando com uma fissura no lábio, deitei directamente no lábio e língua umas quantas gotas de própolis de Alagoas. Uma das gotas caiu na bacia de louça branca, cerâmica polida; tentei limpá-la com simples água e nada de nada!  

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Esfreguei com insistência e só quando usei álcool etílico é que a mancha vermelha saiu embora a custo. Foi a partir daqui que rebusquei nos meus alfarrábicos rascunhos e recursos de conhecimento especial me inteirei a fundo do valor deste eficaz antibiótico. O própolis vermelho é um extracto produzido a partir de uma seiva encontrada no rabo-de-bugio, uma vegetação dos manguezais do estado alagoano do Brasil. Este ouro rubro, como é conhecido por muitos pesquisadores, atrai a atenção da comunidade científica de diversas partes do mundo.

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O registro do própolis vermelho confirma que o produto possui propriedades diferentes dos outros doze tipos de própolis já catalogados no Brasil. A saliva das abelhas, transforma a seiva encontrada nos mangues numa espécie de "cimento", utilizada para revestir a colmeia. Rica em vários compostos, o própolis vermelho tem surpreendido pelas propriedades activas em acções antibacterianas, antifúngicas, antivirais, anti-inflamatórias, além de alto poder cicatrizante e acção antioxidante, actuando na prevenção do envelhecimento precoce.

propolis2.jpg A seiva do própolis vermelho, vem demonstrando resultados positivos no controle de diabetes, hipertensão, câncer e HIV. Em relação ao diabetes, a própolis regula o controlo da glicose no sangue. Na hipertensão, atua como vasodilatador (aumenta os vasos sanguíneos), melhorando o fluxo do sangue; tem servido como complemento no tratamento do câncer, porque ajuda a eliminar os radicais livres, que estão ligados aos processos degenerativos do organismo.

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Nas pesquisas de HIV, a seiva tem impedido que o vírus se reproduza nas células, diminuindo os sintomas da síndrome. Outra qualidade do própolis vermelho: a seiva é um poderoso conservante natural de alimentos. Pois então!  A partir de agora vou misturar no café ou no cloreto de magnésio 10 gotas para me livrar desta porcaria dos comprimidos da tensão que me tiram do sério com luto antecipado e sem pressão no Nero, meu imperador de nervo teso. Daqui para a frente vou ser o meu próprio médico como a abelha o é de si mesma!

propolis3.jpg Minha imunidade aumentou consideravelmente! Pode ser coincidência, mas desde que comecei a usar, não tive mais nenhum resfriado, virose, ou amigdalite, essas malezas que sempre aparecem com o tempo. Andei aí uns dias a espirrar àtoa, axim, axim, axim com  mais treze cópias e ranho moncoso mas, com o própolis foi trigo limpo!  Mas o melhor mesmo é que já dou cambalhotas no espaço de minha cama e, até já ato os sapatos na maior ligeireza do acto. Ando assim a reconciliar-me com as simples coisas da natureza numa relação de vida química com os outros vários seres cuidando minhas anatomias desmilinguidas.

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Isto porque para falarmos do futuro, mesmo sendo um futuro que já nos sentimos a percorrer, o que dele dissermos, sempre será um produto de síntese pessoal embebido de imaginação. A abelha já tem o seu curso de vida; nós, pessoas, também o temos mas, enquanto nos confundimos entre o “ser ou não ser eis a questão”; elas as abelhas só fornecem à humanidade os mecanismos de reacções químicas. Bom! Elas, as abelhas, em verdade não têm cordões de sapatos para atar! E, quando elas se forem, nós também iremos!

propolis4.jpg Andamos nós a analisar feromonas, previsões e metodologias obtendo respostas que mesmo sendo subjectivas farão parte dos ensinamentos, nem sempre sendo os mais perfeitos ou correctos. E, surgirão teorias, reacções de transferências de electrões, dos protões e coisas do domínio da reactividade química. Sempre haverá ocasiões em que os cientistas, analistas ou inventores terão a boa sorte de deparar com problemas cujo significado e solução têm um alcance muito superior ao que inicialmente supunham. Pena é que descuidem a natureza recorrendo a laboratórios que nos entopem as veias, inventando necessidades fúteis.  

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É aqui que me deparo com uma nova teoria, de que nenhum matemático ainda falou porque desprezam esse factor que vem do Deus da natureza. Juntarei de modo próprio à “teoria da incerteza”, à “teoria do medo”, à “teoria da sorte”, uma outra: a “teoria da simplicidade” ou porque não “ a “teoria da descomplicação”.   

propolis6.jpg Tudo terá um equilíbrio dinâmico por influências mútuas, ora positivas, ora negativas e, que irão desde o conhecimento científico passar ao psicológico, e só então de inventação como coisa possível e, por último ao reconhecimento social. Ando a tentar definir-me como idiota e, sabem que mais, gozo muito com isto! Como a terra antes que ela me coma! Quanto ás abelhas, o certo é de que quando elas se extinguirem, esta humanidade a que pertencemos, acabará também.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:57
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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