Sábado, 30 de Dezembro de 2017
FRATERNIDADES . CXVIII

METÁFORA DA VIDA – 30.12.2017

- FOTOS AMARELECIDAS DA E.I.L. DA LUUA – Se, em um aleatório lugar vires um oprimido, não te surpreendas - tem outro mais alto que o vigia…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Ontem revi fotos de antigamente, de quando terminei meu Curso de Montador Electricista da E.I.L. - Escola Industrial de Luanda. Quando sucedeu a guerra do “tundamunjila” nada trouxe para o M´Puto, nem mesmo essas fotos que documentaram nossas vidas; isto que descrevo foi da viagem final de curso à barragem de Cambambe - fotos capiangadas da página dos antigos alunos e professores da EIL. Nesta alegria de rever candengues de então noto, foram tempos que nos marcaram.

cambambe02.jpg Coincidiu neste agora e no M´Puto rever no livro dum meu cota amigo e meu vizinho da maianga, rua Dr. Oliveira Barbosa perpendicular à minha com o nome de Dr. José Maria Antunes; trata-se nem mais nem menos de José Luandino Vieira! Tinha nesse então mais dez anos do que eu. Este cidadão, meu camba mais velho, porque teve participação no movimento de libertação do MPLA, deram-lhe cidadania angolana ao invés de mim que sempre andei em outros lados na estória e da guerra de kwata-kwata.

cambambe8.jpg Luandino Vieira foi preso tendo passado oito anos no Tarrafal, sendo libertado em 1972 em regime de residência vigiada na Lisboa do M´Puto. Foi membro fundador da União de Escritores Angolanos até 1992. Enquanto preso descreveu vivências de suas passagens num discurso directo sem rever gerúndios ou particípios e formas gramaticais. Estive com ele há uns bons cinco nos atrás na cidade de Portimão e, foi dele que depois de um fraterno abraço ouvi dizer que nós em Angola tinhamos a cultura do cinema e praia; no resto, eramos inocentemente analfabetos.

cambambe1.jpg E, é bem verdade que assim era! Ele seguiu o rumo da contestação e, é assim que ele descreve em um recente livro, lugares que coincidem com nossa visita àquela barragem de Cambambe. Em seu livro fala a vida verdadeira de Domingos Xavier, um livro só com 97 folhas e aonde revejo o que diz, o fundo do trovão da estória que fez tremer a Luua na forma de chuva de soterrar carros e, aonde uma foto nossa infra colocada, descreve o tubo de descarga por nós visitado.

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Domingos Xavier, nem sei se é uma inventação dele, mas, é em realidade um estereótipo de gente que como muitos, morreu de porrada nos interrogatórios das polícias política e normal, quando e ainda no tempo do Administrador Poeira no lugar de Belas, bem por detrás do então Aeroporto Craveiro Lopes. Com sua pena de rabo-de-junco, escreve que as águas falavam também suas fúrias lá em baixo do paredão, garganta de forma 

cambambe2.jpg Num cotovelo do Kwanza as águas indomáveis doutro tempo agora retidas, de novo ali saíam contando as outroras fúrias de montante e a partir do planalto do Huambo aonde nascia. Lá em cima, nos morros, casas pré-fabricadas e de cimento firme, escritórios e barracões-casamatas para trabalhadores, aonde nós alunos finalistas da EIL, pernoitamos. Vimos os alternadores, as grande máquinas diesel e, os tractores; um deles, o manobrado pelo Domingos Xavier esperava por ele.

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É ali que o Kwanza lança os últimos gritos suicidando-se, subindo muitos metros e deixando-se abater lá nas pedras ainda mais abaixo desfazendo a espuma nos contrafortes, muros de defesa que aqueles tractores construíram. Dali, pequenos fios de água enternecem de novo o velho rio. Desde o verde planalto do Huambo trazia rugido que agora reaparece ressoando ecos nas falésias. Zunidos das bolhas turbinadas chispando sua bravura.

cambambe01.jpg Depois a calmaria a passar por Cambambe e Muxima até se insuflar com o sal da barra, lugar de sereias, kiandas e kwangiades a saudar maiores calungas. Recordo nesse tempo ouvir o vento que só gargalhava nos morros na sua força de medrar trovões do céu. Um ressoar de eco a ficar moribundo. Neste muito tempo de descrição Domingos Xavier sentia seu sangue correr muito depressa nas veias, formigueiro nos pés e na mãos no chão da prisão.

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Suas pálpebras iam-se fechando ramelosas nas porradas com xaxualhos estranhos. Tudo assim ficou noite na vida de Domingos Xavier que corria rápido nas cacetadas do cipaio. As ordens de seu chefe, o agente supra das secretas, lhe faziam ver que tudo ficaria mesmo calmo, dentro da noite.

cambambe3.jpg Xavier morre assim mesmo com a própria estória alumiado numa lanterna de óleo-de-palma. Foi então quando as kiandas tomaram conta de si, sua alma de guerrilheiro, chefe dos rios. Eu, juro que não ouvi mas, um candengue seu amigo começou cantar sua tristeza: Uexile kamba diami, Una uolobita. Uafu, Mukonda kajímbuidiê – Era meu amigo, aquele que ali vai. Morreu, porque só ficou calado…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2017
PARACUCA . XXIV

MULOLAS DO TEMPO – 29.12.2017 - Mulola é um leito de rio que só o é, quando chove, tal e qual como minha vida verdadeira…

Paracuca: É uma bolacha dura, torrada com açúcar e jinguba…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Passeando meu doutoramento atrofiado, no tempo do M´Puto e pelas calçadas de Coimbra, piso uma titica de cachorro. Pópilas! Disse logologo uma asneira dum tamanho inteiro, desde o presente ao gerúndio, com toda a família até à terceira geração. Logo a seguir vi escrito o bom censo na forma de aviso: seu cão cagou - PF você apanhou! Se fosse camaleão, teria um olho virado para este e o outro para o chão, mas logo isto sucedeu quando lia o partecipamento de alguém falecido de nome Nepomuceno Antunes dos Olivais.

alcaçuz1.jpg E, caía uma chuva miúda e molhada de encafifar doutores, assim para desvanecer-me das vaidades, doutorices empinadas no nariz. Agora cheira isto! Bem feito! Mais à frente e antes de chegar ao Alma Shoping uma pomba esparramada já não mais o era; um qualquer pneu michelim a pisou ficando por ali pronta a ser debicada por um predador, gato ou rato suburbano.

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Também gaviões, corvos ou pardais desavindos dados ao canibalismo. Em verdade nem queria falar disto mas, e porque já está, aqui fica!  Ainda em casa, e ainda sem ver as nuvens do cacimbo-chuvisco por entre as casas, prédios e montes, disseram-me que comprasse no Alma, alcaçuz. Mas que raio é isso? É uma planta, raiz ou chá?

alcaçuz2.jpg Sai de casa com estas indefinidas dúvidas, tendo só entendido ser algo de melhorar o estado fisiológico numa mistura de isto com água fervida. Bom! Aquilo faria bem a qualquer coisa, tratamento de viroses e outras salmoneloses. Como ia eu saber disto com os olhos semicerrados piscando frio e coado nas lembranças de quando ainda era criança e, que só sabia então que a mandioca era boa pra comer.

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Lembrei-me então neste entretanto de quando ainda candengue sem maleitas significativas, tomar rodas amarelas de quinino, beber água da celha com borututu, injecções medonhas de kamoquina ou rezoquina e outras bolungas com óleo de fígado de bacalhau, para não ir cedo pró jardim das tabuletas, diziam os mais-velhos.

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Pois! Ficar assim sempre num corpo magro, alto, um trinca espinhas reco-reco-mamoeiro e sempre calçando sapatos quedes da macambira, ir na escola de bata branco com sacola de ráfia com livros lápis, um caderno de lousa preto para escrever, cuspir e apagar mais uma bola-de-cautchu pra fazer trumunos nos finalmente da escola.

alcaçuz3.jpg Ué- Aiué! Num repentinamente não era mais um kota, encarquilhado, enxovalhado do tempo e metido num kispo tapando as pintalgadelas escuras da pele, mas um candengue de nome Tonito a falar assim, de como então?! Então o quê? Assim mesmo, cruzando as ruas da Luua até chegar na escola Aplicação e Ensaios lá no largo do Dom Afonso Henriques, mesmomesmo em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos.

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Assim feito menino de musseque com aduelas de barril do M´Puto, limpo, arrumadinho e de colarinho ajeitado na hora de berridar práscola zunia na hora do meio-dia voltar na casa da mãe Arminda do Rio Seco da Maianga, pegar depois na linha e anzol comprada no Martins e Almeida, ou talvez no Catonho-Tonho e capiangado da mala de ferramentas de meu pai Manel; depois ir com meus kambas, manos do mar da Samba pra pescar mariquitas, roncadores ou matonas nos anzóis de dois-e-quinhentos angolares.

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Apanhar mabanga, fazer o isco e lançar só átoa no mar da Samba. Ali tem Kixibis, ali talvez peixe pedra ou só mesmo pedra. Sukwama! Pescando da canoa podia ver meu tio Zé no descanso de capataz da fazenda Tentativa sentado num pedaço de barroca; moscas pousando nas pernas e, ele enxotando-as e chamando-lhe nomes feios. Mas depois ficava mesmo só de olhar perdido no mar.

coimbra2.jpg Eu, o miúdo sobrinho, trinca espinhas, reco-reco e alto sentado na canoa a olhar a linha a tremer! E, nada! Não picava. Quando picava, aiué, puxava assim no calmamente pra ele não escapulir-se e… Fugiu! Filho-da-caixa, Sundiameno, tuparioba, e edecéteras; era sempre grande quando fugia, sempre! Nem isca ficava, só mesmo o anzol. Meu tio sempre falava: - Não escondeste o bico do anzol! Olha então! Meu coração me diz que peixe foi matabichar …Vou fazer mais o quê?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:27
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Domingo, 24 de Dezembro de 2017
XICULULU . CI

PANOIAS VI - TEMPOS DORMIDOS - 24.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Salada de MASTRUÇO... Em Garvão, com a magia do Natal com Frank Sinatra e eus amigos…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Foi só ontem que de novo nos reunimos para comer os pés de rã e pezinhos de coentrada com feijão branco na barragem de Santa Clara no lugar da Achada. John Wayne comunicou-me então que hoje deveríamos esperar na Estação da Funcheira nosso comum amigo Frank Sinatra. Jack Palance que estava mastigando um palito, abanou a cabeça como que confirmando o combinado entre eles através do avançado ipad do além;  com tecnologia mais volátil que cacimbo de naukluft da costa dos esqueletos, até por pensamentos se entendiam.

funcheira5.jpg Frank Sinatra viria acompanhado de António Silva, aquele cómico português poliglota nas falas de riso pois afinal, eles eram amigos comuns lá no paralém. Foi com grande contentamento que recebeu o convite feito por John Wayne concebido por nós e da magia de Natal na envolvência de Roxo uma ilustradora muito conceituada nas acrílicas visões de pensamentos, sentimentos e outros edecéteras.  

panoias2.jpg Eram dez horas da manhã quando perfilados no cais da Funcheira, T´Chingange, John Wayne e Jack Palance viram surgir um trem esguio como uma minhoca languinhenta, cor azul celeste silencioso de assombrar. Foi quando num repentemente zuniu um apito estridente de assobios, como vindo não do ar, mas dum portal marinho como se cem golfinhos o fossem.

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O primeiro a sair foi alguém que nem sabíamos que viria; era Sammy Davis Júnior logo seguido de Dean Martin e umas quantas fosfóricas e estapafúrdias senhoras vestidas com cetins, sedas e cambraias rebrilhantes que ao som dum zingarelho de musica parecido com um trombone de varas e saxofone, fosforicavam nuvens coloridas.

panoias3.jpg Mas que arraial disse eu; vai ser bonita a festa pá! E, o T´Chingange assim vestido como um joker de cartas de jogar sueca, já só era uma figura no meio duma algazarrada!  Tudo era feito a contento dum acaso e fazendo reparo disto ao Jack Palance, este deu de costas como se nada tivesse a importância desmedida! Ele estava radiante, rindo com todos os dentes e esgares que só mesmo ele sabia fazer naturalmente.

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Abraços, rodopios, assobios e até foguetes surgiram do nada duma aberta e, lá vem o António Silva de braços abertos em minha direcção com um ar cómico de sábado-à-noite. Então pá, como vai a moenga, disse ele apertando-me como um amigo de há mais de sem  com cem anos! Parece que balbuciei algo mas na penumbra do zunido só pude verificar no grande abraço dado entre John Wayne e Frank Sinatra.

panoias4.jpg Num repente já todos se tinham cumprimentado. Uns e todos falavam desabridamente como se a singularidade do mundo tivesse ali seu despontar. Funcheira engalanada podia ver o António Silva fumando caricocos doces com seu amigo T´Chingange e foi quando lhe lembrei da história inacabada do Evaristo-tens-cá-disto!? Ele riu que nem um perdido mostrando-me um chouriço a servir de amuleto do Paralém.

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O curioso é o de que todos falávamos uma só língua e de espanto passamos ao esperanto sem maiores tibiezas ou confabulações. Já em direcção a um dos machimbombos que nos levaria ao armazém da festa da Achada, ele - o Silva perguntou-me por Assunção Roxo mas e curiosamente olhando para um painel grande  mesmo sem fazer qualquer pergunta disse: -É dela não é? E, eu disse que sim! Era um galináceo rascunhado.

roxo118.jpg Claro que fiquei encafifado com o barulho destes machimbombos, chocalhos mais pandeiretas e estas premonições a confirmar coisas que nunca tinha sentido. Sabia lá que eram amigos doutras paragens. E assim, comendo frases disse-lhe: - Ela não veio; parece que está lá por Oeiras repartindo arcos-íris com amigos.

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Lá no m´bukusho e descendo do machimbombo Jack virando-se para mim! -Tenho novidades para ti! -Sim! -Mais logo, falaremos! No chuço do m´bukusho (lugar do churrasco) tinha em mente falar e mas, mesmo só pensando as horas passavam sem nos apercebermos. O tempo era um só e volátil. António Silva revia com alegria muito do que revia. Nem foi necessário falar nestes nomes do paratrás! Era Natal

roxomania1.jpg Cheguei ao item 11 sem quase falar no Frank Sinatra e seus amigos Davis Jr. e Dean Martin. Estávamos em cima da festa e só pude revê-lo com seu chapéu de malandro, rufia das seitas do tempo, rodopiando entre seus amigos. Frank foi um dos mais populares e influentes artistas musicais do século XX, com mais de 150 milhões de discos vendidos. Frank Sinatra era filho de imigrantes italianos: Seu pai, Antonino Martino Sinatra era um Siciliano, analfabeto e boxeador, imigrado para Nova York em 1903. Nem o Trump sabe disto, agora que anda bulindo com os imigrantes…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:54
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Sábado, 23 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXVIII

MOKANDA DO DIA – 23.12.2017 – Tukeya. V - Nas falas do fim-do-mundo (Leste de Angola), apaziguando rijezas adversas com a singularidade do mundo.

Por

soba0.jpegT´Chingange

Disposto a escrever a crónica Tukeya V, coloquei o rato do microondas (leia-se computador) em cima de uns escritos amarelecidos no tempo, coisas minhas do antigamente. Pude ver em letras maiúsculas ”A CHUVA BATE NA PELE DO LEOPARDO, MAS NÃO TIRA AS SUAS MANCHAS”. O mesmo deve suceder com a gata “princesa” que dorme aqui a meu lado no sofá. Recordo agora que este regalo de falas foi-me enviado pelo nosso Kimbanda Ninja para que constasse na Torre do Zombo do Kimbo e anexos da Kizomba.

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Estes dizeres são em realidade um mítico provérbio africano aonde para além da onça, do leopardo e da chita existem a hiena e o mabeco que também as têm tal como a gata princesa que em seus primeiros dias dormia no dorso do faísca, o cão-aviador que já morreu em terras do moçárabes. Com a zebra ocorre o mesmo fenómeno de manter suas riscas, mesmo que chova muito mas, com esta, acontece um outro pormenor.

tukya13.jpg As riscas irregulares das zebras são para fazer com que o leão fique tonto ao persegui-las perdendo a noção e desequilíbrio. Pois, muita gente não sabe, mas o leão ao fim de algum tempo de perseguição, e por via de sua fixação em uma, fica com tonturas acabando por desistir. O facto de todas correrem em simultâneo causa o efeito psicadélico e, o que era, fica turvo com tantas riscas a se moverem.

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A natureza ensina muito a quem se detém a observar os mistérios tão perfeitos dela. Mas lá terei de voltar à tukeya e com Dom António o primeiro governador do distrito do Moxico achador de um vasto campo com milhões e milhões de peixinhos empoleirados nas árvores. Na verdade, as árvores não eram árvores, senão arbustos ou, por outro dizer, bissapas comuns e capim alto, a normal vegetação das chanas do Leste de Angola.

tukya14.jpg Dom António mandou dois escravos que fossem buscar algumas daquelas coisas prateadas que se viam à distância. Entretanto, abandonou a tipóia onde se fazia transportar, estirou as pernas, erguendo seu comprido pescoço sobre a vegetação. Quando, por fim, pôde tomar nas mãos os peixinhos, viu que estavam secos, mumificados pelo sol. Procurou entender o fenómeno e interpretar o confuso palavreado dos vassalos. Parece ter entendido alguma coisa entre o cazumbi das falas  com eles, seus monangambas.

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O que é isto? …Vozes: - «Tukeya, patrão!», responderam-lhe (…) E «tukeia», é o quê???!!!(..) Monangamba - «Tukeia», não vês patrão, é mesmo os peixe! Dom António: - Peixe, como? Os peixes ficam em cima das árvores como passarinhos, é? Uma voz: - (Dirigindo-se aos monangambas) - Oh pá... Esse n´gajo tá falar  só átoa. Ele está só maluco dos cabeça n´dele, pôssa, pah! É peixe, mesmo. Outro monangamba: - É, não siô! Eu não… Si siô. É mesmo os peixe. Não vês, patrão? São mesmo os peixe de comer. VOZES – Eh, eh, eh...

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Os peixe sai atão em cima dos pau? Oh! Você viu? «Ombise, o kanjila ko? Aieku, ué!» Os peixe não é os passalinho, não…Todos opinavam mas ninguém explicava a razão pela qual havia peixinhos pousados nas folhas e a discussão não terminava. A caravana aproximou-se da misteriosa esteira prateada que o sol retocava de reflexos azuis. - «O aroma é pestilento. Só se pode andar por aqui com o nariz tapado» - anotou Dom António em seu canhenho de viagem.

MIRAN2.jpg Rodeado de peixinhos e opiniões, queria entender o desentendível e o diálogo generalizado não lhe dava informação compreensível ou válida. O exame mais atento dos peixinhos tampouco! Tinha visto tudo isso com os próprios olhos mas, estava convencido de que o feitiço daquele mato era mais poderoso, porque criava peixes nas bissapas e peixes que tampouco bebiam água.

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Das anotações à teoria dos peixes voadores foi um passo. Para melhor conclusão faltava, apenas, encontrar o rio ou lago de onde partiam os cardumes... – «...Cardumes ou enxames?», interrogava-se o governador. «Nadam ou voam? Quanta distância? Qual a altura? E, por que razão aterram ou caem todos juntos? Acidente ou suicídio colectivo? Sobre os arbustos vêm-se nuvens de peixinhos prateados, ressequidos, tão extremadamente delgados que, em vida, são tão leves que podem deslocar-se pela planície, voando como enxames de gafanhotos, até caírem exaustos sobre as plantas».

tuiui3.jpg Nunca regressou ao lugar e, morreu anos mais tarde sem desvendar o mistério ou os feitiços da «tukeya». Contudo a sua fantasia não andava longe da verdade. A «tukeya» brota do chão como as nuvens de gafanhotos. Este peixe minúsculo nasce na anhara, nos lagos de curta vida que a água das chuvas forma, todos os anos. Nas gretas de lama seca, no fundo, ficaram depositados os ovos que produzem miríades de peixinhos de crescimento alucinantemente rápido.

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Em dois meses cumpre-se o ciclo vital e começa a desova. A forte evaporação devida à secura do clima e o baixo nível das águas obrigam à concentração dos cardumes, facilitando a tarefa da recolha. As mulheres da região chegam em grupos, empunhando cestos com aspecto de raquetas enormes. Entram na água juntas, formando parede e avançam umas ao lado das outras, repetindo canções de técnicas seculares. Agitam os cestos com movimentos de baixo para cima e atiram os peixes ao ar, para que caiam sobre as plantas. Dias mais tarde, voltam à anhara, desta vez com kindas e juntam a «tukeya», como quem colhe frutos do alto das bissapas. Na próxima crónica saber-se-á de onde advém a palavra Moxico…..

tukya1.jpg

 Nota: 1 - Muitos dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho; 2 - Somente na crónica final será publicada o glossário de palavras não habituais na língua portuguesa…  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:50
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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXVII

MOKANDA DO DIA – 21.12.2017 – Tukeya. IV - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Na crónica Tukeya III acrescentei ao dito que o peixe saltador do lodo se baseia em um ecossistema, como existe nos manguezais, lagos ou lagoas rasas que secam no verão mas, não é bem assim porque estes ao invés dos peixes pulmonados eclodem de ovos depositados em buracos no lodo, aonde antes havia água e, depois secou tornando-se uma massa gretada parecida com o chocolate trinchado em barras. Lá iremos com tempo e depois de sarandar por outras paragens.

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Com bordões e folhas de palmeira ou cassuneiras os pescadores do rio pescavam peixes nas correntezas e que ali ficavam aprisionados; este método ainda é usado em cofes ou cestos feitos a propósito tendo uma aba larga por onde entra o peixe e que depois fica alojado naquele funil que, pode ter variadíssimas formas. Isso é usado nos rios destacando-se o Kwanza, Cubango, Cuando, cassai, Luinha e tantos outros; uma actividade feita exclusivamente pelos homens.

tukya002.jpg É aqui que chegamos à pesca das savanas, chanas ou lagoas rasas dos planaltos de África e mais propriamente de Angola, tarefa conhecida por pesca lacustre e praticada essencialmente por mulheres. É este o peixe do capim ou voador conhecido por tukeya - peixes minúsculos, ainda mais pequenos que os carapaus conhecidos no M´Puto por jaquinzinhos.

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No leste de Angola e na zona da Cameia, as chuvas que caem expandem-se nas rasuras da chana formando grandes lagos temporários e de pouca profundidade. As mulheres juntam-se em ranchos metendo-se nas águas das lagoas fazendo grandes pescarias colectivas; enquanto isto vão cantando e dançando numa prática secular. Foi Dom António de Almeida que deu a conhecer esta actividade já em meados do seculo XX.

tukya06.jpg Dom António de Almeida, homem de linhagem, veio a ser governador do Bié e Luchazes, um vasto território que abrange as actuais províncias do Bié, Moxico e Cuando-Cubango. Este nobre senhor quis conhecer este vasto território mesmo antes de vir a ser governador pelo que se meteu no mato calcorreando as anharas sem fim, a pé, de tipóia, em boi cavalo e até carro bóher, comboio ou carro de gastar gasolina ou brilhantina.

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O Governador do Distrito, D. António de Almeida, escolheu, delineou e fundou, a cerca de 20 quilómetros a norte de Moxico Velho, a nova sede do distrito, designada por Moxico Novo, num planalto de 12 km de largura que se espraia entre os rios Luena a sul e o Lumege a Norte, a 1 350 metros acima do nível do mar.

tukya8.jpg O curioso com Dom António foi o de que esgotou seu tempo de comissão como governador administrando o território deixando-nos seus escritos de suas passagens por terras de Cameia. E, seria numa manha com o cacimbo a despontar, quando notou ao longe, já na linha de horizonte a existência de um estranho manto de prata que reflectia a luz do sol, da kúkia das savanas; manto que cobria as bissapas, capim a perder de vista. Pela primeira vez ouviu falar aos auxiliares e carregadores o nome desse peixe, a “tukeya”- o peixe da anhara.

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Incrivelmente empoeirados nas bissapas e capins lá estavam aos milhares os pequenos peixes com o máximo tamanho de 5 a 6 centímetros. O cheiro que exalavam era nauseabundo e, aonde a vista alcançava não existia agora rasto de água, tudo era chão de areia e lama seca

E gretada. Aqui e mais além tufos de arbustos ou capins com mais de um metro de altura. Em verdade, estes peixes já estavam secos e prontos para cozinhar.

tukya9.jpg Logologo, Dom António d´Almeida o fidalgo governador daquela vasta zona, terras do fim-do-mundo, lugar que ocupou em pleno esgotando seu tempo em andanças pelos matos, ali deu início à quase lenda dos peixes voadores das anharas do leste. Sua graça não figura na lista de t´chinganges pois que não o chegou a ser, mas foi o descobridor de um vasto campo com milhões de peixinhos empoleirados nas árvores.

tukya11.JPG Desta forma e mais tarde, Sebastião Coelho organizou com legendificação, palavra inventada por ele mesmo, para descrever algumas passagens desta estória da tukeya, saída em primeira mão dum poeta-governador que enfeitiçado, também provou aquele minúsculo peixe de cheiro nauseabundo e penetrante, mas que depois de cozinhado se oferecia como um prato muito saboroso. A cena continua para entender a fundo e com detalhes o cazumbi das falas.

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Nota: Muitos dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:28
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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXIV

TEMPO COM FRINCHAS - 18.12.2017 - Em terras de M´Puto . IV

“Os donos disto tudo - DDT” - “ Não há confiança ilimitada em amigos. Há a amizade”; coisas escritas no berbicacho traseiro do meu chapéu…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Estávamos em Abril de 2016 e recebendo propostas para a venda do Novo Banco mas, o que se recebia eram somente manifestações de intenção que alem de oferecerem valores demasiado baixos exigiam determinadas condições com garantias do Estado para cobertura de riscos futuros e outros edecéteras de provocar urticária ao enquadramento politico entre a presidência e o governo.

mocanda12.jpg Com as barbas a arder, o governo e presidência queriam desfazer-se do Novo Banco muito rapidamente, custasse o que custasse pois que o prazo de venda do Novo Banco pelas regras da União Bancária terminaria em Agosto de 2017. Corria-se o risco do aparecimento de um novo movimento de lesados do herdeiro do BES e, mais perigoso ainda, o sacrifício dos depositantes com depósitos acima dos cem mil euros. Isto já corria de boca em boca e todos se andavam encolhendo e, até retirando o dinheiro para o colocar debaixo do colchão.

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No último dia de Março de 2017, o Governo anuncia a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star mas, não foi uma qualquer venda não! O contrato de compra e venda futura do capital do Novo Banco era rubricado no monto de zero euros. Zero euros!? Sim! Mário Centeno constrangido, espicaçado pelo seu primeiro-ministro teve de dizer isto de forma acabrunhada, forçado ao poder político para por outras palavra nos dizer que sim! Aquele negócio foi mesmo tudo, menos uma venda!

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Como diz Gomes Ferreira em seu livro já aqui mencionado várias vezes, “A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros” realmente, só há uma área da vida pública que consegue ultrapassar o inimaginável em política: o inimaginável no sector financeiro!

mess5.jpg O mesmo Estado que já tinha emprestado 3.900 (três mil e novecentos) milhões de euros ao Fundo de Resolução em Agosto de 2014 e que nunca recebeu um cêntimo de volta. Mas, há sempre um mas apaziguador, os outros bancos do sistema financeiro nacional, não teriam de contribuir imediatamente com esse dinheiro e, caso fosse necessário.

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Apenas teriam de o começar a pagar muito mais tarde, por várias décadas e em suaves prestações. Entendo agora o porquê do um escasso pecúlio estar a render 0,001 (por cento, claro!), monto este que nem dá para mandar cantar um cego porque este, decerto já terá morrido. Agora, todos teremos de pagar ao banco para nos guardar a gita, o cacau, o kumbú, aquilo com que se compra os melões!

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Pelo dito, confirma-se a atitude de proactividade e de voluntarismo do governo de Costa e Centeno na resolução de problemas, à custa do contribuinte, subsidiando instituições de solidariedade com fundos da Misericórdia e, jogos de fortuna na ajuda a banqueiros imprudentes. Este voluntariosamente governamental da geringonça, sempre irá referir que tudo isto foi herdado do governo de Passos Coelho, uma mentira demasiado mentirosa!

ara3.jpg Sim! Sim! Tudo se resolverá à nossa custa, à custa dos nossos filhos e netos que sempre irão trabalhar por conta destas resoluções, por muitos e longos anos passando uma esponja sobre o passado recente de promiscuidade e compadrio metendo Montepios, Caixa Geral de Depósitos, Banif e, sempre encobrindo-se os responsáveis pela tragédia e, saber-se afinal quem em realidade saiu beneficiado.

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Em tudo o aqui dito ao longo de quatro crónicas e tendo como suporte o livro “A Vénia”, ficaram bem claras as atitudes de dissimulação, de esconder, de contornar, de minimizar os problemas dos bancos que, com o Governo Socialista apoiado no parlamento pelo Bloco de Esquerda e Comunistas do PCP e, também o apoio de Marcelo De Sousa.

geri0.png Só ficaremos a ter a certeza de que no meio de todas estas simulações, a dúvida perdurará entre influências e modos aonde a culpa não terá culpados! E, deixo aqui um grande agradecimento a José Gomes Ferreira por tanto esclarecimento neste período tão conturbado em que as pessoas que se dizem decentes, se inibem de falar no que sentem.

(Fim…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:32
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Domingo, 17 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXVI

MOKANDA DE DOMINGO  – 17.12.2017 - Está um frio do caraças

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Malbaratando o tempo com coisas de crise, dinheiro mal parado ou desandado, o povo do M´Puto entrega-se a repreensivas orgias de falatório mal contido, sexo, drogas e álcool em desmedidos excessos para tapar o colapso fulminante, a negligente pobreza que subestima qualquer pobre por muito nobre que o seja. Todas as semanas e à porta duma discoteca alguém morre com uma bala no certeiro lugar para dar uma volta ao além.

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Com o correio electrónico ecologicamente mais puro que a escrita de borrões, higienizados nas manchas de mentes Outlook Express, enviam-se por e.mails coisas nunca vistas e novos modelos de cuecas, desfiles de novos designs com tecnologia de dar vida às coisas inertes. Outros e tantos, se dão ao trabalho árduo de saber de como Caim matou Abel, um deplorável acontecimento a demonstrar hoje, que temos de equacionar o tempo aos poucochinhos.

ROXO19.jpg Imaginar facilidades, coisas até do princípio do mundo que veio mostrar o quanto é difícil viver em família e em sociedade. Sempre anda alguém a devassar o alheio inventando formas de kubazular o artista. Uns dizem que por exclusiva culpa de Deus, aqueles dois, Caim e Abel, deram um muito mau exemplo aos que se seguiram levando-nos a ser sacanas o quanto chegue com o próximo. Em vésperas de Natal nem é bom falar destas coisas! Para além do mais Nosso Presidente Marcelo até e, para dar o exemplo foi almoçar com os sem-casa, sem-tecto, sem-nada, sem porra nenhuma; desculpem pela asneira.

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Envolto no lodaçal desta uniforme história, dou-me conta que também participo nessa eufórica realidade amortalhando ossos que não petrificaram nas tristes realidades. Sido a magia de Natal com o Nosso Presidente repartindo pirilampos reluzentes para animar a malta e, até entusiasmá-los a aguentar o sistema de sermos despilfarrados mantendo-nos calados. Afinal, quem governa sempre tem seus bicudos problemas de equacionar a malta de fora da nomenclatura. Gosto dele!  Do Marcelo!

ROXO133.jpg Quando o agora fica exausto, descarrila em testemunhos empoleirados em teias de aranha, fidedignas até prova em contrário ou com excrescências dum contraditório. O fulano é bandido e todos sabem mas as contingências perdoam as negligências até que se esqueçam ou se prescrevam. Tal como a descolonização nada mais grave irá acontecer! O Espirito Santo vai conciliar-se na desculpa só pensada da filosofia de Sócratas, o verdadeiro fazedor de coisas indecifráveis.

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 Este linguajar só será suportável para quem todos os santos dias tome um chá de mel com canela e um dente de alho partidinho às tirinhas, por se acaso. Aqui ou ali, porta aberta ou na penumbra, entre gorjeios de pássaros e inaudíveis vozes, tenho aprendido a interpretar alguns suspiros e, inclino-me assim a interpretar melhor o semelhante. Mas, ando já demasiado inclinado!

roxo135.jpg Nestes anos espreguiçados, a vida discorre entre nobres oligárquicos dispersos na diáspora à procura de algo; e, por linhas mágicas dum diagrama só seu, cada qual ouve seu próprio coração, seu pulsar, pausa, som e diástole. Ressentidos pelas falhas do imperfeito sistema, comunicam a si mesmos que para uma nota aberta para a diástole, ocorre uma porta fechada para a sístole. Que se lixe!

roxo116.jpg Acreditado na sinusóide de matusalém, sinto-me crente até chegar aos 333 anos e, mais matumbo que nunca. Para quem vem da terra do nada e segue para a terra do nunca, é uma graça saber que já me visitaram umas 999 katiúskas aqui no Face e Kimbo à procura duma pura amizade e, no intuito de desvendar porque o aqui e o agora meche tanto comigo. Isto inevitavelmente leva a me interrogar: para que nasci? Deus queira que, para pior antes assim!

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:56
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Sábado, 16 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXV

MOKANDA DO DIA – 16.12.2017Tukya. III - Peixe da chana

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo. É o nosso pensamento que cria a nossa realidade…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

E, por fim o Niassa desapareceu no horizonte com suas bocas de fumo deixando rasto nos meus sonho de kaluanda, perdido nas terras do fim do mundo, subindo e descendo dunas dum deserto chamado dos esqueletos. Sua sirene de voz grave engravidou-se em meu íntimo assim em rolos de fumo. E neste viver de quase sonho, fiquei com aquele amigo de faz de conta chamado de Sexta-feira. Foi ele que me ensinou a fazer lagosta suada, e polvo espancado para depois ser cozinhado com arroz.

niassa3.jpg Sexta-Feira adorava comer o pirão com conduto de carapau seco e assado na brasa. Retirava-o das brasas com as mãos nodosas, depois partia-o em iscas pequenas, uma de cada vez para depois o saborear com salpicos de vinagre embebido com ervas aromáticas, jindungo, azeite de dendém, cebola picada e tomate no pirão de milho adocicado, agridoce. E, naquela vastidão de nada o chupar do dedo dava uma sensação inebriante de fazer uiui como o vento.

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Eu e ele fazíamos bolinhas de pirão, tecidos e embolados com os dedos lambuzados. Disse-me que aprendeu a fazer isto no Longojo, terra aonde nasceu; era uma sexta-feira e, por isso ter-se chamado assim. Mais tarde mudou-se para Kaluquembe lá no Huambo onde o mestre Zacarias Bikwatas lhe domesticou na arte de preparar corvina fresca, quersedizer seca dos fardos mala que o senhor Albano Paixão lhes levava da estação da Caála.

tukya02.jpg E, eram cachucho, corvina, carapau, sardinha, atum ou pungo. Mas às vezes era sómesmo peixe sem cabeça para identificar. Dizem que até mesmo de vez em quando tinham rabo de kianda. Perante a minha reticência, duvida mesmo, ele falou então: -juro, tem os pessoa quié peixe! Mulher mesmo!

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Mais tarde um velho contratado na pescaria do Senhor Rufino de Baia Farta confirmar-lhe ia que sim! Havia um peixe-mulher. Bom! Não era fantasia não! Era o manatim chamado de peixe- boi ou vaca marinha ou ainda mulher peixe. Ainda há destes peixes no Brasil mas aqui, parece terem sido extintos, disse eu a Sexta-Feira. Ele só deu de ombros assim-assim como que um talvez seja! Patrão tem sempre razão, nuué…

tukya5.jpg Aquele peixe-boi, mulher marinha ou sereia, nada de costas segurando com carinho a sua cria no peito; dando gritos de lamento, muxoxos de mãe, levou os marinheiros com sua misticidade e fascínio a dizer ser aquela a kianda, sereia dos rios e mares. Esta postura quase humana deu origem ao mito das sereias da kalunga e do iemanjá. Do outro lado do mar o Bumba-meu-boi do rio Amazonas.

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Vim a encontrar esta, feita estátua num recife em Guaxuma do Brasil, que derivou numa longa estória com um homem do mar chamado de Zé-peixe de Aracaju. Mas esta é uma estória sempre inacabada, ao calhas, que talvez reapareça por aqui a completar a odisseia da Kianda Roxo.  Dizem que o manatim africano ainda existe e até que a fundação do Parque da Quiçama empenha-se em preservar estes espécimes nos sistemas fluviais do Bengo e Kwanza por repovoamento, talvez.

tukya6.jpg Mas mesmo que isto não aconteça aparecerão em minhas estórias de lendas com a Kianda Roxo assim que esteja impregnado da veia de inventação e, por forma a dar continuidade a um conto fascinante com as kwangiades no tempo em que os marinheiros usavam bordões e folhas de palmeira para e, beneficiando do movimento de vaivém das marés, fazerem o cerco e apanharem na vazante os peixes ali aprisionados.

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Presos nestas precárias redes, podiam apanhar o peixe à mão. Do mesmo modo que faziam na lagoas do planalto, chanas de Angola com o peixe voador ou do capim. Ainda não será hoje que falarei desse peixe do lodo que saltava para os capins das anharas. Fica para a próxima… Só posso acrescentar que o peixe saltador do lodo se baseia em um ecossistema, como existe nos manguezais, lagos ou lagoas rasas que secam no verão.

Nota: Alguns dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:49
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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXIII

TEMPO COM FRINCHAS - 15.12.2017 - Em terras de M´Puto . III

“Os donos disto tudo - DDT” - “ Não há confiança ilimitada em amigos. Há amizade”; no berbicacho traseiro de falso couro do meu chapéu do panamá e, com as mesmas dimensões da testeira estão fixas duas estrelas já secas, cortadas da carambola com a inscrição dum indefinido ”AMOR”…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Aquela primeira frase supra, entre aspas, foram ditas pelo Presidente Marcelo do M´Puto ao referir-se a Ricardo Salgado, o chefe da máfia dos Bancos DDT. Apetece-me por vezes ser um Lampião cangaceiro e falar só mais uma vez das periclitãncias que a crise trouxe a todos nós aqui no M´Puto, juntando àquela frase a outra, a segunda, também entre aspas…

143.jpg Seria preferível passar de lado tudo isto, ficando longas horas e, lá longe, nas terras de Vera Cruz, jiboiando numa rede oscilante da Pajuçara, sebenta de uso e abuso, curtindo uma preguiça que nem o chega a ser, porque nem sempre a ocupação é suficiente e, a frescura da maresia tem forçosamente de ser apreciada.

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Fazendo ostentação do meu chapéu de couro ornamentado de vaidades escondidas e forrado com pele colorida de alpaca do Peru, vestindo uma catrefada de roupa pelo frio, botas de inverno com suplementares palmilhas de pele de ovelha pura, solto longas falas de neurónios folgados, alentejanados. A entreajuda e a forma característica no vestir fazem de mim, um deixa para lá - o desmiolado, o T´Chingange que nem sabe o que diz.

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Assim neste estado de cacofónica tensão, desfriso na lista de imparidades as nove maiores devedoras às instituições que nos puseram de tanga, geradas na gestão de Armando das Varas e Carlos Santos Ferrugem como: Artlant - La Seda; Efacec; Vale dos Lobos; Auto-estrada do Douro Litoral; O Grupo E. Santo; o Grupo Lena; o António Mosquito; a Royal Urbis e a Fimpro SCR e Banif …

caixa3.jpg Claro que e, em verdade, as instituições do regime político-partidário em que vivemos em Portugal (M´Puto), simplesmente não quiseram fazer o trabalho de investigação de quem concedeu esses créditos e, sem a devida precaução de riscos. É a mesma estória de que cornos que dão de comer deixá-los crescer! Estão a ver este filme de putarias!? Uma comparação a que os políticos de todas as bandas viram, mas fingiram que não, assobiando pró lado.

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Pelo mau uso e abuso do nosso dinheiro na banca, todos mas e, principalmente os gestores da CGD, deveriam ser responsabilizados. O dinheiro dos contribuintes foi abusivamente desbaratado! Isto levou-me a desprezar todos os políticos, embora haja gente boa entre eles…

O próprio Ministério Publico suspeita que terá havido tratamento de favor de alguns devedores em que, os gestores que concederam os créditos, poderiam ter recebido comissões por baixo da mesa, por não exigirem garantias e, esconder falhas de pagamentos ao longo do tempo. E, tudo fica assim mesmo! Talvez esperando prescrição! A culpa morre solteiríssima da silva…

caixa0.png E, foram só 2,5 mil milhões de euros. O regime político-partidário não deixou que a CPI – Comissão Parlamentar de Inquéritos chegasse a bom termo, recusando-lhe documentos factuais; ninguém quis colaborar com a verdade. Os deputados de todas as bandas colaboraram e ajudaram à festa, fazendo tudo para boicotar os trabalhos da CPI. E, queixam-se eles dos submarinos!? Como se não tivessem em sua malga peixes voadores! Nada ficou provado, reactivamente a suspeitos quanto a favorecimentos, nem de influências politica sobre os gestores. Nós, cidadãos somos todos burros! Assim nos fizeram ser.

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Aquela CPI – Comissão Parlamentar de inquérito, constituída para apurar o que se passou na CGD desde o ano 2000, paga pelos contribuintes portugueses, terminou sem conclusões. Sim! É por estes exemplos que o Povo Português despreza os políticos e, desrespeita as instituições. Qual justiça, qual quê!?

caixa01.jpg Desta actual geringonça salvam-se, valha-nos isso, o Senhor Presidente Marcelo que segura as pontas com muita habilidade e, que torna o M´Puto quase num regime presidencialista mais o Ministro das Finanças Mário Centeno, o tal de patinho feio que agora prepara a fuga para outros mares… Estamos quilhados! Melhor, sem quilha!… Se, não me prenderem irei continuar a repetir no meu jeito, o já dito por José Gomes Ferreira em seu livro de coragem “ A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros”

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:02
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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXIV

MOKANDA DO DIA – 14.12.2017 Tukya. II - Peixe da chana

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo. É o nosso pensamento que cria a nossa realidade…

Por

soba15.jpgT´Chingange

E, por que razão se contrabandeava o peixe seco? Simplesmente porque a secagem e o transporte estavam regulamentados, obedecendo a regras claramente estabelecidas pelo Estado e aplicadas pelo Grémio das Industrias de Pesca. E tudo era assim para assegurar a sanidade e impostos. Quem se desviasse destas regras passava a ter actividade marginal pelo que seria perseguido. Sucede que o não cumprimento da lei dava lucro fácil e volumoso. Quem assim procedia recebia o nome de candongueiro, que corresponde a negócio ilegal.

peixe seco1.jpg Havia em volta deste negócio de peixe seco em fardo, intrigas delações e até lutas ferozes. Os camiões deveriam transitar por caminhos maus e normalmente desconhecidos pelos fiscais. Deveriam escapar-se a corta mato por caminhos abertos pelos rodados atravessando as vastas anharas de Benguela. Ora sobre areias ora sobre terra barrenta aonde se atascavam, curvas e contra curvas só conhecidas por eles e os santos protectores da candonga.

tukya2.jpg Quem tivesse dinheiro para empatar neste negócio teria de à partida dispor-se a enfrentar polícias e ladrões! Os camiões teriam de ser novos e no agir deveria haver rapidez; deveriam saber manejar armas de fogo e ficar preparados para qualquer eventualidade; poder sair das encrencas. O peixe era comprado em qualquer pescaria situadas ao longo da costa maioritariamente entre Benguela e Baia dos Tigres, que o vendiam por cumbú vivo.

tukya02.jpg O cheiro desta mercadoria permanecia no ar durante quilómetros pelo que não havia processo seguro de ocultação. Todas as noites havia em qualquer lugar do mato e sem testemunhas, estórias bravas de perseguições com roubos, tiros e por vezes mortes. Se alguém ficasse no terreno muito rapidamente os leões, mabecos ou hienas se encarregavam de limpar o terreno… Havia máfias de candonga e máfias da fiscalização e por vezes associações das duas máfias.

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O peixe seco fazia parte obrigatória da ração dos contratados que deviam receber em cada dia - uma caneca de fuba e um peixe seco, o salário da fome que enriquecia fazendeiros, madeireiros e outros roceiros. Convêm dizer aqui que o termo de contratado era um substituto do termo escravo, trabalho compelido a que os africanos nativos estavam sujeitos nas roças e fazendas durante a época colonial do Estado Novo do M´Puto e, mais propriamente até 1964.

tukya001.jpg A fuba, farinha de milho, mandioca ou massangano, era o preparo para se fazer o pirão, alimento tradicional de Angola. Milhões de pessoas que viviam no interior não conheciam o mar; a guerra prolongada no após independência fez deslocar milhares de seres para as zonas costeiras ao mar e, ao chegarem viram-se na presença duma grande cacimba! Quanto a mim via já ao longe a silhueta dum grande vapor de nome Niassa que viria a ser a minha pátria!

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E, vinte e sete anos depois, fui encontrar-me com esta muita gente vinda dos matos e, pude ler até em uma escola de gente saída do Huambo com o título escrito na frontaria ”Havemos de Voltar”. Nunca soube se voltaram à sua terra do planalto e, nem eles sabem que eu também não voltei para a minha Luua. Quando o Niassa apitou lá longe um último sopro de “vrruumm”, pude escolhe-lo como meu berço; foi ele que fez vibrar no meu coração o enjorcado fascínio do mítico Robinson numa terra de São Nunca e, com um amigo certo chamado de Sexta-feira.

etosha4.jpg Para mim o mundo era tão simples que fantasiava-me em estórias de Emilio Salgari e, a guerra do Tundamunjila (vai embora gweta) apanhou-me tão desprevenido que só neste após me considerei um inocente t´chindere (branco)! E, foi a partir daqui que dividi o mundo em duas partes: - As feras ou monstros e os inocentes como eu! Até então as feras eram o leão, a pacaça, o elefante ou o mabeco que sempre andavam no mato. Os inocentes eram a galinha, o chuço ou o kandimba que davam de comer aos outros. Foi aqui que me vislumbrei um kandimba ou coelho nas falas lusas. Não tive espaço ainda para falar do peixe dos capins – a tukya! Fica para a próxima….

Nota: Alguns dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXII

TEMPO COM FRINCHAS - 13.12.2017 - Em terras de M´Puto.II

Aqui, até podemos dizer-nos independentes, só porque nos queremos mentir! Com os “DDT”-“Os donos disto tudo” sempre estaremos na frincha…

soba15.jpg T´Chingange

“Não há confiança ilimitada em amigos. Há amizade” Foi o que disse o Presidente Marcelo ao referir-se a Ricardo Salgado, o chefe da máfia dos Bancos DDT. Pude ler isto no livro “A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros” escrito por José Gomes Ferreira dirigido a todos nós contribuintes; em momento algum quereria desmentir o que ele próprio disse em relação a si próprio, porque o tenho em sincera admiração. Melhor, não poderíamos ter!

urubu.jpg Só me inibo (digo eu) em ser mais sensível pelo facto de e, ainda no tempo de comentador da TV, não ter ele, Marcelo-comentador criticado com enfase o modelo económico-financeiro de «alavancagem-com-dívida-e-fuga-para-a-frente» anos a fio por Sócrates, primeiro-ministro, com o apoio declarado de Ricardo Salgado - O chefe da GBR-Gangue dos Banqueiros do Regime. Isto vem referido no livro em moldes mais suaves e, sem referência ao gangue de mabecos deste país do M´Puto (cães do mato-predadores)!

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A conta das perdas na banca foi suportada por todos os portugueses e, só o processo de recapitalização da CGD, os contribuintes foram chamados a entregar quase 4 mil milhões de euros ao banco do Estado. Quantos milhares de empresas tiveram de fechar portas devido a esta ineficiência com burla; uma evidente fraude a criminalizar e, feita na perspectiva da regulação e da investigação judicial.

barao1.jpg Tivesse sido eu a fazer um centésimo deste esquema diabólico e, estaria a mofar numa cela com a humidade a roer-me os ossos, teria ficado sem nada e sem qualquer pensão proeminente, ao invés do chefe das DDT que tem uma pensão choruda! Como empresário que fui, nunca a banca me socorreu ao invés do Grupo Lena, Berardo, Grupo Efacec, Isabel dos Santos, Vale do Lobo entre outros que sendo grandes na economia, tiveram chorudos apoios do Banco do Estado – CGD.

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Os políticos que gravitaram na proximidade e promiscuidade com estes grandes grupos bem que se lambuzaram em benesses, passeios e pseudo seminários na gestão de engenharias financeiras; eles sabiam perfeitamente que estavam a fazer parte dum filme e até deveriam saber das consequências mas o “povo que se lixe”, deverão ter pensado, no mínimo. Têm culpas no cartório sim! Devem ser chamados à justiça porque das suas nefastas actividades resultou muitas falências e desemprego (…). Sei bem do que falo porque, senti isso na pele com uma pequena empresa prestadora de serviços.

geringonça1.jpg Depois de uma análise minuciosa com a ajuda dos técnicos do BCE – Banco Central Europeu, a todos os créditos superiores a 3 milhões de euros cada um e, que tinham recebido até àquela data pela CGD, registou haver mais de 3000 milhões de imparidades de crédito e prejuízos de quase 2000 milhões de prejuízos. E, a perda de todas estas contas astronómicas, simplesmente ficaram para nós pagarmos; os contribuintes! Senhor Jesus Cristo, venha cá abaixo ver isto!

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Em nome do Estado, o governo de António Costa perdoou à Caixa o pagamento da totalidade de 900 milhões de euros de empréstimo público feito ao banco anteriormente, em 2012, acrescido de uma parcela de alguns dezenas de milhões e euros em juros. Paga Zé!

geringonça2.png Tudo isto, não é inventado por mim, está na página 248 do livro que originou esta minha indignação. Como é bom governar assim com o dinheiro dos outros! Até a minha mãe quase analfabeta faria melhor negócio que esta gente da geringonça. Não me venham com tretas: - Somos governados por incompetentes!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:14
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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXI

TEMPO COM FRINCHAS – 12.12.2017Em terras de M´Puto.

Podemos dizer-nos independentes, porque nos podemos mentir mas, com os “DDT”, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos

Por

soba15.jpg T´Chingange

Já quase acabei de ler o livro “A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros” escrito por José Gomes Ferreira dirigido a todos os contribuintes, que suportam o Estado português em pagar mais impostos do que o devido, por causa dos erros de uma boa parte da elite financeira dos “DDT - Os donos disto tudo” com o compadrio de nossos governantes.

dia82.jpg E, por mais que no mostrem que os governantes portugueses e os responsáveis europeus, prometem aos contribuintes que já não serão mais chamados salvar bancos em dificuldades, estes sempre acabarão por pagar os desmandos dos banqueiros, de uma ou outra forma. É o que se pode ler, logo no início, como que num ajoelhar com vénia a esses estupores que nos arruinaram.

coimbra2.jpg Foi necessário surgir um Passos Coelho que dissesse um NÃO a um Ricardo Salgado e, se agora estamos melhor economicamente, a ele o devemos. Não gosto de traidores nem bajuladores e pelo que li, anda muita gente por aí pavoneando sua habilidade, irresponsabilidade e falsidade e, até assobiando para o lado, dizendo do mérito de quem se lhe seguiu, António Costa, emudecendo provocatoriamente o nome do verdadeiro feitor.

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Mas, sinto que a grande maioria dos portugueses não têm percepção das encenações do poder, da grande obediência dos políticos aos interesses e benesses que os senhores do dinheiro “os DDT”, dão em troca de modelos de governação. Tenho uma grande admiração pelo actual Ministro das Finanças Mário Freitas Centeno que considero ser um bom economista desde 26 de Novembro de 2015 mas, também ele irá fugir do pântano a seu tempo.

amilcar 02.jpg Já António Seguro antes de passar a pasta a António Costa dizia: «Há em Portugal um partido invisível, que tem secções nos partidos de Governo incluindo o PS (referia-se ao “DDT- Donos disto tudo” com Ricardo Salgado no mando). Partido esse que tem um aparelho legislativo paralelo com grandes escritórios de advogados a influenciar ou comandar os destinos do país. Não tem rosto, não tem estatutos (…) mas quando descobrimos que há um banco em que as coisas correram mal, que há um investimento do Estado, em que as coisas não são totalmente claras, vai-se percebendo quem são as pessoas desse “partido”» – (É claramente o partido do DDT).

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Mas, disse mais: «O país tem zonas de podridão». Não é difícil chegar-se ao Grupo Espirito Santo e ao Banco Espirito Santo com as suas cadeias de empresas! Salgado em 2014 só queria 2,5 mil milhões de euros e Passos Coelhos disse NÃO! Mas pelo que se sabe não era só isto! Havia muito mais e outros bancos com buracos financeiros sem fundo que sempre tinham um saco azul para agradar a Paulos irrevogáveis e Costas.

ardinas branos.jpeg Basta cruzar as falas dos políticos para se entender o azimute dos actos. Maria Albuquerque já com António Costa como primeiro-ministro diria: «Fosse António Costa primeiro-ministro em 2014 e teriam sido entregues milhares de milhões de euros dos contribuintes a Ricardo Salgado para evitar o colapso do BES». E, Marcelo o comentador, falou sobre o caso sim! Falou como o Marcelo-cidadão, não fosse amigo de Ricardo Salgado… No que toca a Passos Coelho nem uma palavra meritória, também aqui, assobiou para o lado…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:22
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXIII

MOKANDA DO DIA – 10.12.2017Tukya I . Peixe da chana - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo . É o nosso pensamento que cria a nossa realidade…

Por

t´chingange2.jpgT´Chingange

Na voragem dinâmica da vida, procuro actualizar-me no dia-a-dia e, ao longo da minha vida registei em meus arquivos de memória muitas notas, alguma que nem quereria registar mas, nem sempre as borrachas do tempo e da singularidade do facto se destroem com um estalar de dedos. Em África também há rios que se apagam na terra, nunca chegam ao mar como o Cuando e o Cubango que formam o Delta do Okavango ou o Etosha Pan e outros que desaguam em desertos de areia fina e, que em tempos foram pântanos ou lagos rasos.

etosha4.jpg O Etosha Pan, é um lago seco de 120 quilómetros formando o chamado Parque Nacional Etosha, um dos maiores parques da vida selvagem da Namíbia. A vasta área é principalmente seca, mas após uma chuva forte, ela adquirirá uma fina camada de água, que é fortemente salgada pelos depósitos minerais na superfície desta grande panela. O Etosha Pan é principalmente lama de barro seco dividida em formas hexagonais que à medida que seca, racha, e raramente é vista com uma fina camada de água cobrindo-a.

etosha6.jpg Foi no Etosha que vi a maior diversidade de animais. Supõe-se que o rio Cunene alimentasse o lago em idos tempos, mas os movimentos tectónicos da placa ao longo do tempo causaram uma mudança na sua direcção, resultando em um lago seco e deixando a referida panela salgada. Agora, o rio Ekuma, o rio Oshigambo e o rio Omurambo Ovambo são a única fonte sazonal de água para o lago.

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Tipicamente, pequenas águas do rio ou sedimentos atingem o lago seco porque a água penetra no leito do rio ao longo de seu curso de 250 quilómetros, reduzindo a descarga ao longo do caminho. Estas vastas zonas de poucos declives formam as chamadas planícies africanas, chanas ou anharas de clima extremamente seco. E, o curioso é de que a esta mesma latitude e para o lado poente temos os desertos junto a costa do Sul de Angola e Norte da Namíbia que são banhadas pela corrente fria de Benguela.

etosha2.jpg Refiro a corrente fria de Benguela porque constitui um dos mais importantes factores de moderação climática desta zona de África com introdução na fauna as focas e pinguins transportados em icebergues que vindos da Antártida aqui são largados. No Namibe, Tômbua, Baia dos Tigres e a Costa dos Esqueletos. Pode até verificar-se famílias de golfinhos na Angra dos Negros a actual Moçâmedes, lugar aonde os albatrozes ou alcatrazes voam baixinho junto aos barcos pesqueiros.

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Cabe qui referir que ante da independência de Angola, em 1975, a pesca tinha importância no mundo porque chegou a ocupar o segundo lugar na escala dos maiores produtores, logo a seguir à República do Perú. Vasculhando minha memória recordo os muitos contadores de estórias de caça e pesca e, até dum amigo meu de nome Araújo ter andado a passear uma pacaça em pleno centro de Luanda; em plena Mutamba. Era muito vulgar entre 1950 e 1960 comprarmos carne de caça a vizinhos que se internavam pelo mato em aventura de caça.

etosha0.jpg Para milhões de pessoas que vivem no mato e nunca viram o mar, o mar não passa de um mistério longínquo e insondável naqueles idos tempos mas no entanto, estes comiam peixe seco saído do mar. Na era colonial e a partir da costa eram enviadas “malas” de peixe para o interior; estas malas iam por comboio ou levadas por camionistas praticando no seu dia-a-dia uma aventura. O peixe sem cabeça, fosse corvina ou carapau, depois de seco e salgado era acomodado em camadas sobrepostas e em zig-zag simétrico, cabeça com rabo – rabo com cabeça.

etosha5.jpg Formavam blocos compactos atados e contidos em esteiras feitas com fibras de grossa mateba. Estas malas de peixe tinham tanta popularidade e valor comercial no interior de Angola que a partir dos anos cinquenta se transformaram no principal produto de candonga no interior do território. E, por que razão se contrabandeava o peixe seco? Vais ser assunto da próxima mokanda cujas falas vão incidir sopre o peixe capim nascido do pântano …

Nota: Alguns dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Sábado, 9 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 09.12.2017 - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo… Num Reino de Manikongo de fingir…

Por

soba15.jpg T´Chingange

Em pleno solo do M´Puto pós colonial, consegui sentir sempre o amor telúrico por uma terra pisada e sonhada que fez nascer em tempos não muito idos um reino Imaginário, o Reino de Manikongo e, onde todos os membros tinham nomes diferentes como o Soba T´Chingange, o Conde do Grafanil, o Comendador de Vale dos Reis, o visconde do Mussulo, O Senhor de Cienfuegos, o Derruba do Chivinguiro, o Marquês do Limpopo, o M´Fumo Manhanga, o M´Bica Rico, o Embaixador do Cacuaco, o Jamba, o N´Dalatando e o Boniboni Sbell da Catumbela, entre muitos outros.

dia141.jpg A experiência africana era em nós transpirada em experiência que transportada ao M´Puto ia dando frutos de convivência, parcerias ricas que os levaram a ser gente de nome ou nomeada, empresários bem-sucedidos pela vontade de se reconstruirem. Aqui se contavam estórias com ou sem tramas em recordação dos tempos de juventude; edecéteras dissolvidas em falas de missangas.

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O único preto entre nós era branco e foi uma brincadeira quando e depois de ter ido à Luua voltou mestiço com Bilhete de Identidade, tudo nos conformes. Vimos nele tanto entusiasmo por ser agora um cidadão de N´Gola que, assim tão completamente, logologo o ascendemos a preto! Meu filho Kaluanda, nascido no hospital do Kazenga, recorda-me isto recentemente dizendo em seu escrito, que só viu Angola após a saída já muito mais tarde e do outro lado do Kunene.

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Estava escrito que sua terra de N´Gola correspondia agora a um mundo fictício, irreal e subjectivo a aproximar-se do mito; um mito que seu pai, (eu), lhe transmitiu. Refere mesmo Fernando Pessoa para acicatar-se de seu pensar numa forma mais consistente  em que o mito é o nada que é tudo! O mesmo Sol que abre os céus - um mito brilhante mudo.

4 DE JUNHO.jpg Agora meu filho, M´Fumo Manhanga já tem uma filha com dezasseis anos que pode ler sem entender a cem por cento esta inquietude de diáspora, lugar aonde aprendeu a ler e escrever ao jeito de Camões e, concluir por semântica que afinal aquela terra não era de seu pai, nem de seu avó; que afinal só era mesmo uma terra emprestada. Uma perfeita ilusão…

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Mas ele M´Fumo Mahanga, seu pai, quando lhe perguntam de onde é natural logo diz ser Angolano. Porém ele sabe que não é angolano, é outra coisa qualquer! É mesmo o M´Fumo Manhanga! Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e, será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos, porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode, sem se querer, agigantar-se na presença de feridas mortais.

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E, daí abrirem-se gavetas ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot, em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto, se neste agora, sabemos estar e ainda revoltados e não ressarcidos. E Marcelo - o Presidente, figura do ano, que está em toda e contudo não faz qualquer referência aos reveses de nossos afectos. É mesmo para esquecer!

ÁFRICA20.jpg Como vou dizer que sou português com o maior orgulho se temos tantas farpas metidas em nós! Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram, em terra de M´Puto, mesmo nem querendo, sempre volto a remover os ossos do passado e, mesmo espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta, irei fazer do tudo um romance.

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Dizem-me para esquecer, e eu, só consigo mesmo ser condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão com tangas e falas bonitas p´ra boi dormir! A nossa vida, de cada vez mais na mesma, continuamos a nos sentir roubados aqui e além por engenharias financeiras com traições de Paulos e Salgados com mais uma cambada de gente que se julgam génios…

relogio areia.jpg Só podemos dizer-nos independentes porque nos queremos mentir, passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, cheiros encarquilhados misturados com densidade molecular amorfa, mofadas pelos anos na leitura de carbono e eteceteras complicadíssimos que só nos baralham o cérebro…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:29
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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2017
XICULULU . CC

PANOIAS V - TEMPOS DORMIDOS - 06.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Salada de MASTRUÇO... Em Garvão, com a magia do Natal

Por

soba02.jpeg T´Chingange

No domingo e, naquele café do “Cú da Mula” Jack tinha mais pormenores a dizer sobre o uso do mastruço mas, fui obrigado a dizer-lhe deixar isso para amanhã. E o amanhã tornou-se hoje e, mais um outro numas feiras frias mas com um sol radiante. Naquele lugar de cheiros de arrúdia com urtigas refazíamos nossos traços sem melancólicos soluços, sem choros nem ranger de dentes, troçando até de nossas mazelas furunculosas.

torres7.jpg Como ressuscitados numa amizade de infância que, morta no ilusório sucedeu a nosso contragosto e em nossa contramão aqui, e por uns dias fintávamos o destino sem aquela fúria suicida dum hiato que mata no tempo o passado desleixado de sem futuro. É algo que se sente pulando das margens encantando corações, rendas belas desenhadas em talento. Sei lá! Talvez isto ou, uma coisa assim parecida.

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Já eram quase onze horas quando fui tomar meu matabicho com meus amigos Jack e Wayne no café do Cú da Mula de Garvão. Elas, as visitas do paralém já tinham comido seu café com leite e pastéis de belém e ficaram a olhar-se de soslaio enquanto comia a minha torrada de pão de Garvão com azeite da horta do cabo, barrada com compota de pitanga e queijo de cabra curado da Quinta da Carvalheira; arregalaram os olhos quando tirei meu frasco de jindungo da minha jaqueta e pintalguei tudo aquilo, compota, tiras finas de queijo e azeite do lagar.

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John Wayne quis provar e, logologo após meter à boca deu quase um grito! - My God! How can you eat this? Tentou também falar em português mas saiu de atravessado: -Tu, maluco! Como ser possível eat, cuspo de diabo. Eu, silenciosamente fui comento rindo só por dentro; estes gringos são fracos! Jack bateu com os pés no chão repetidamente rindo como um chocalho de cascavel. Tu ser fraco, You are very weak, my friend Waine e, olhando para mim, abanou o polegar em seu punho fechado, para baixo e para cima como que a congratular-se com esta minha ousadia.

jack5.jpg Foi quando lhe perguntei se sabia do resto da estória dos mastruços pois que ainda faltava dar mais dicas sobre as vantagens desse capim. Oh ... Yes, yes! My maternal grandfather always said that in the estates, sim, lá dos America… Fiquei todo-ouvidos para ele. Só depois de uma baforada de fazer balões e argolas de índio no seu charuto cohiba é que se dispôs a explicar

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 - Para estimular a digestão e as funções do fígado, colocas uma colher de sopa de folhas, sementes picadas e flores de mastruz em uma chávena de chá; acrescentas água fervente; tampas o púcaro e aguardas dez minutos; coas e bebes o chá de mastruço assim – uma chávena de chá 2 vezes por dia, antes das refeições principais. Claro que tudo isto foi dito numa mistura de ruça tempera e, eu arrulhei a coisa a meu modo no jeito dos pombos para que vocês possam entender.  

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Quanto a diabetes disse: -Para anemia e diabetes os benefícios da erva-de-santa-maria quanto ao sistema imunológico, é importante falar da capacidade da planta em fornecer vitamina C e, portanto, auxiliar as defesas do organismo, aumentando a imunidade e evitando infecções, entre outras doenças. Quem tem problemas respiratórios, é fumante, sofre de asma, aerofagia, congestão nasal ou bronquite pode ser beneficiado pelo consumo do mastruz.

jack7.jpg Caramba, estás a falar como um Kimbanda entendido! Disse eu. Mas o que eu fui dizer! Eu não sou bruxo; este é o legado de meu avô tuga, tás ouvir! Cuspiu Jack… Caramba, devem-lhe ter dito que isso de kimbanda era coisa ruim e despejou sua ira soprada com assobios de insultar cachorros. Assim, I dont play! Disse pela segunda vez. Está bem, desculpa, não foi por mal! Pensei que já tinha dito tudo, mas continuou:

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-A erva favorece o sistema respiratório de várias maneiras, como já te disse. E ainda acrescento aqui sua acção no alívio de crises de rinite e sinusite. Em alguns casos, basta uma xícara do chá de mastruço para obter melhora, uma vez que ele promove a limpeza do muco e do catarro. Pessoas com indigestão e gastrite frequentes ou com gases intestinais também costumam buscar ajuda no mastruz, assim como indivíduos com prisão de ventre, coceiras ou ferimentos na pele. Disseste rinite! Isso é o que todos os santos dias me fazem espirrar treze vezes. Fiquei por aqui porque poderia pensar estar no gozo.

jack13.jpg Já estava bem capacitado sobre este capim de mastruz mas, agora que estava lançado no entusiasmo, foi acrescentando: - Como podes observar, seja na forma de chá ou preparos para colocar na pele, não é difícil entender as razões pelas quais o mastruz é uma das ervas medicinais mais tradicionais e conhecidas nos tempos do meu avó que sofria de vários males entre os quais, o de peidar-se só átoa. Esta foi boa! Este Jack estava a sair melhor que a encomenda

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As flores, folhas e sementes do mastruço devem ser lavadas em água corrente e enxutas; depois, precisam secar à sombra em lugar ventilado. Para conservar suas propriedades terapêuticas, o melhor é armazenar a erva em vidros escuros ou sacos de papel. Ufa! Que seca… Pensei mas, nada disse. Como podemos aprender isto com gente que já foi passado e só aparece em forma translucida.

jack11.jpg John Wayne que já estava cansado de tantos mastruços fez um sinal ao senhor Torrica para que lhe trouxesse um tintol do Convento da Vila de Borba e assim do mastruços passamos para a trincadeira, aragonez, castelão e touriga. Acabei por almoçar com eles um ensopado de borrego. Entusiasmado tive a ousadia de pedir um cohiba ao Jack e ali ficamos deitando fumo de conversa fora, toda a tarde. Combinamos no dia seguinte irmos comer pés de rã e pezinhos de coentrada com feijão branco na barragem de Santa Clara.

jack14.jpg Lá no m´bukusho! Disse Jack virando-se para mim! Achou graça ao nome e acabou por grava-lo desta forma. Sim! No chuço do m´bukusho (churrasco do kavango). Tinha em mente falar-lhes da festa que iria surgir antes do Natal para festejarmos a vida, falar-lhe dos convivas Frank Sinatra e do cómico António Silva por sugestão de nossa madrinha maga virtual Assunção Roxo, mas achei que o deveria fazer só amanhã quando estivessem mais sóbrios. A alegria era mais que muita e se lhes fosse agora falar nestes nomes do paratrás e paralém não sairíamos daqui hoje e eu, até tenho mais que fazer…    

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:16
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Domingo, 3 de Dezembro de 2017
XICULULU . XCIX

PANOIAS IV - TEMPOS DORMIDOS - 03.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Pela primeira vez, comi salada de MASTRUÇO... Na magia do Natal

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Nessa caixinha do tempo e em terras do Alentejo tenho muitos bilhetinhos de amores com mambos desconhecidos até aqui. Eu bem que ouvia falar de mastruços mas, isso para mim, neste tempo de estupor, terra do fiado “civilizado”, de sem respeito, currículo suspeito e outros edecéteras, desconfiado das falas, lá comi essas ervas um pouco picantes, tendo como amigos gente vinda do paralém tais como Jack Palance e John Wayne.

matrindindi1.jpg Eu, um axiluanda camundongo, como no tempo dos Mafulos, dei como um sonho na praia de Messejana; vestido com os meus panos de libongo, agarrado aos búzios duma praia seca do M´Puto, distraído no muxima-ami com amuletos de missangas coloridas, ximbicando n´dongu nos cânticos de belas kiandas feitas kapotas, comi capim que até aqui só era comido pelo pica-no-chão. Gostei…

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Esta erva, nativa da América do Sul, o mastruço ou erva-de-santa-maria, oferece grande quantidade de benefícios à saúde, além de inúmeras formas de uso. É uma óptima fonte de vitaminas e minerais - entre eles as vitaminas A, C e do complexo B; potássio, ferro, zinco, fósforo e cálcio.

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E ainda fornece uma bebida que ajuda a manter o bem-estar em cada dia, disse-me o Jck Palance assim como se fosse um genuíno indígena desta terra. O chá de mastruço! Disse. O que eu descubro neste Alentejo profundo; coisas que se comem esquentadas como as tengarrinhas ou beldroegas.

mastruço3.jpg O mastruço, quando usado externamente, tem acção cicatrizante, pois suas folhas contêm boa concentração de óleos essenciais. A planta também é sedativa, antifúngica, aromática, expectorante, tónica dos pulmões, vermífuga, digestiva, abortiva, antibiótica, anti-inflamatória, antiviral e antimicrobiana. Haka! Como é que este carcamano sabe disto! Coronopus didymus é seu nome oficial. Fiquei rendido, pois ele falava até latim como um experto na matéria.

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Como podia adivinhar! Já conhecia a rúcula, cuentros, catacuzes, a beldroega mas esta planta da família mastros, mastruço-do-índio, erva-formigueira, mastruz-miúdo, mentruz-rasteiro, entre outras formas de chamar também cresce no Brasil. E, foi dizendo: é uma opção para auxiliar no tratamento de gota, infecção respiratória, contusão, bronquite, anemia, ácido úrico, dores nos músculos, raquitismo, reumatismo, disfunções hepáticas e traumatismos.

john02.jpg Rendido a esta sabedoria limitei-me a escutá-lo! John Wayne mantinha-se ali ao lado sem nada dizer enquanto ia sorvendo uns medronhos, fazer cara feia e acenar com a cabeça. Foi neste entretém que fiquei a saber e, aqui registo na sua forma de uso: Como expectorante das vias respiratórias, coloque 1 colher (sopa) de folhas, flores e sementes picadas de mastruço em 1 chávena de café; adicione água fervente; deixe abafada a mistura por 10 minutos; coe-se e acrescente 2 colheres (café) de açúcar e leve ao fogo até o açúcar dissolver completamente.

mastruço1.jpg A recomendação é de ingestão de 1 colher (sopa) do preparo acima três vezes ao dia, sendo que, para crianças, o ideal é somente a metade da dose. Esta receita favorece também a expectoração do catarro pulmonar, dos brônquios e do peitoral, além de fluidificar o muco.

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Nquele café do “Cú da Mula” Jack tinha mais pormenores a dizer mas fui obrigado a dizer-lhe deixar isso para amanhã porque, hoje domingo, tinha que fazer o preparo de colocar o burro e a vaquinha no presépio no largo da praia. -Jack, amanhã falas dos benefícios para pessoas diabéticas! OK, disse ele já com ao beata a roer-lhe o beiço. Nos finalmente do dia ali os deixei fermentando falas, as quinambas cruzadas remendando restos de rasgos antigos recordando estórias. Deixei-o no momento exacto que cuspia sua beata para o canteiro …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:27
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Sábado, 2 de Dezembro de 2017
XICULULU . CCVIII
 
PANOIAS III - TEMPOS DORMIDOS - 02.12.2017
-NAS CINZAS DO TEMPO - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Na magia do Natal
Por

soba0.jpeg T´Chingange

Eram quase dez horas quando me levantei; estava um frio de matar passarinhos! A noite deve ter chegado aos cinco graus mas, pelo sim pelo não, lá pela meia-noite levei uma botija com água quente para me aquecer os pés e as quinambas. Foi da trempe que retirei esta água; para quem não souber, a trempe é de ferro forjado, tem três pés como o próprio nome diz. Era normal e ainda o é, mas não tanto, deixar esta na lareira da aldeia para se ter sempre água quente e, também para lançar alguma humidade no ambiente.

roxo159.jpg Durante a noite fiz uso do meu quico toytoy-zulu com as cores garridas da África do Sul espetado até às orelhas; Após as diligências de arrumo pessoal, coloquei as minhas botas de Uzinto de Durban e dispus-me a ir comprar torresmos de flor mais costeletas do cachaço de porco preto em Santa Luzia. Tive de parar bem no centro da vila para comprar dois pães de cabeça ao senhor António padeiro.

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Como uma magia de Natal fui vendo correr os suaves morros ondulados, salpicados de verdura tenra, mais os pontos brancos mexendo-se na forma de ovelhas nas chapadas. Estas vistas largas da savana alentejana com um e outro morro em ruinas, em tempos idos, frustravam-me; pouco tempo passava aqui, sempre de rabo alçado para rumar outros destinos mas agora, talvez pela idade, vejo esta paz carregada de nova percepção de perceber o vazio.

jack2.jpg Enquanto percorri este espaço de caminho fui pensando nesta crónica analisando em conjunto a natureza real, interrogando-me se este vazio era também uma ausência de existência. Não o era! Num lugar em que toda a gente cumprimenta toda a gente, o Bom-Dia surge com magia diferente. A sociedade, tão mudada neste mundo actual alterou regras sem zero e, sem o zero é impossível contar! Magia de natal.

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O prazer de ver depende muito da nossa atitude mental; assim encorujado nos meus farelos antigos, queimo as pestanas das muitas e antigas lembranças!… Foi mesmo ao sair do carro no talho da Abelhinha da Suzel e bem junto a uma roulotte com a bandeira dos USA que ao abrir a porta traseira do carro que alguém me dirigiu a palavra num português defeituoso: - Senhor, aqui vender…has black pig? Olhei a figura e fiquei espantalho; era nem mais nem menos que o Jack Palance, um ruivo cavalheiro que me inchou de felicidade nas peliculas de cinema lá do passado da Luua!
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Engasgado de assombro, frente a ele e na descrente veracidade do facto, lembrei num meio segundo suas vozes roucas, beata no lábio, artista principal azedo da vida e com uma cicatriz famosa em seu rosto. Será que estou mesmo neste mundo, nem pedindo licença para entrar no outro; só assim sem mais nem menos!?

roxo135.jpg Mal refeito aparentemente, olhei de arregalado sua pessoa, seu perfil altivo e respondi enquanto olhava seu cão negro e peludo, um cão-de-água de raça tuga. - Sim! Aqui os perros podem quedar-se sim problemas! Bolas! No estupefeito do caso dei por mim a falar espanhol confundindo cães com porcos. Sim! Repeti cirurgiando a sua figura: - Sim, here is a black pig.

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Eu também vinha comprar essa delícia de comezaina. Sempre mais alto e agora mais kota ali estava esta kianda assombração, reganhando competência antiga nas adivinhações do meu silêncio. Obligado! Tank You! Duas vezes repetiu agradecimento e na forma de saudade antiga consegui ainda dizer: - OK! Pode comprar o pig preto e até passear seu perro! Até ir pescar na barragem do Monte da Rocha; aqui tem liberdade de apalpar o sabor dos silêncios e até os ventos que sopram de Panoias: - Podes mirar las sierras, volver en los tempos viejos e até encontrares o John Wayne. Num repentemente já o tratava por tu.

jack1.jpg  Ele, Jack Palance deu um pulo de satisfação. O quê: - John Wayne está aqui!? Pois, ainda ontem estive com ele em Aljustrel disse eu; mas bazou, nem sei para onde em seu cavalo holográfico. No seu sentido de eloquente grandeza, girou seu espaço em cento e oitenta graus e fez estalar os dedos de contentamento! Sua alegria era mais que muita. Enquanto fui comprar os lombinhos, ele ali ficou solitariamente taciturno afagando seu cão de água, creio que jogando inúmeras tristezas ao vento semi quieto dizendo, este mundo é mesmo uma ervilha.

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O perro, ia e vinha alegrando seu dono solidário com seu contentamento e, eu já ali estava especado segurando a microondas para lhe mostrar as imagens de Assunção Roxo, uma kianda viva jogando roxomanias na forma de imagens fosfóricas. Meu chapéu dos big-five verde descalibrado neste sonho, bulia com meus neurónios. Ando preocupado com estas minhas visões mas, por agora ali fiquei apreciando os talentos de Jack Palance fazendo gaifona a seu cão.

roxomania1.jpgMeu artista preferido nos filmes de índios e gente robusta do frio norte, lugar meu desconhecido, aproximou-se ao meu chamamento. Foi quando lhe mostrei as ilustrações do John feitas por Roxo. De novo rodopiou 360 graus de contentamento, tirou seu chapéu e, com energia bateu-o em sua perna direita. Bem! Mostrei-lho no mapa o caminho para a Barragem de senhora da Rocha aonde ele Wayne, deveria estar a comer churrasco à mbukusho… My friend, thank you! Deu-me um grande braço e lá seguiu munido de suas carnes de black pig de santa Luzia…

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Jack Palance (Vladimir Palahniuk). Actor norte-americano falecido a 10 de Novembro de 2006. Antes, foi lutador de boxe, acreditando-se que sua face desfigurada se devesse aos golpes recebidos, mas em verdade a desfiguração foi causada por um acidente de aviação.
O Soba T´Chingange
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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