Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
MOAMBA . XXXI

PELO SIM PELO NÃO SOU "COISA NENHUMA" 
- Talvez agnóstico! Talvez um ACRÓNIMO... Porque não posso ser MEIA coisa, MEIO Cristão, MEIO Ciclista, meio FUTEBOLEIRO ou MEIO matumbo... Saí um BATRÁQUIO...
Por 

soba0.jpeg T´Chingange - Em Coimbra
Andei a pé doze quilómetros e, enquanto caminhava por esta linda Coimbra fui ouvindo rádio pelo meu micro-ondas "android" e, volta e meia faziam referência a um grupo chamado de LGBT. Eu, matumbo de corpo inteiro, apercebi-me pela conversa, de que era uma sigla em que agregavam nela gente mal compreendida, gente marginalizada, mas em tempo algum disseram o que era isso de LGBT. E. eu queria saber!

amolador3.jpg Chegado a casa fui ao meu tio Google da Internet averiguar o que era isso de que eu desconhecia! Imaginei serem sapatonas, homens bichas, gente muito desencantada por ninguém entender como era isso de se andar de marcha atrás ou marcha à ré; gente que um dia o é e no outro, o deixa de ser... 
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Quando eu era puto candengue, a homens que gostavam de outros homens chamavam um nome de fazer panelas, num faz de conta porque não faziam tachos nem penicos ou cafeteiras. Bom! Canibais era e ainda é uma outra coisa. Mas, com o tempo fui-me dando conta que o rolar das incompreensões tomam novas formas a que todos chamam de preconceito...

araujo6.jpg E, fui-me tornando sábio, saber nos conformes a coisa mal compreendida; haveria que tomar tino! Pois!... Não falar à toa porque, afinal havia muita gente a usar o AMOR desta forma. Ele com ele, ela com ela, tudo misturado e os edecéteras que se possam imaginar. Não poderia ficar assim inocente todo o tempo. Tive de procurar meu ti Google que aparentemente sabe tudo e...
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E, fiquei a saber muita coisa: LGBT é a sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros. 
Pópilas! Dei-me conta que estava a ficar para trás - anormal mesmo, no meio destas novas adquirições ou aquisições. Assim; sem saber se ainda era um homo sapiens... Será que ainda sou!?

araujo34.jpg Que, desde os anos 1990, o termo é uma adaptação de LGB, que era utilizado para substituir o termo GAY para se referir à comunidade LGBT no fim da década de 1980.... Li mais que os activistas acreditam que o termo "gay" não abrange ou não representa todos aqueles que fazem parte da comunidade. Afinal, o escambau também teria de ser enumerado!
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Que, o LGBT, tornou-se popular como uma autodesignação e que tem sido adoptado pela maioria dos centros comunitários sobre sexualidade e género e em meios de comunicação nos USA, bem como alguns outros países anglófonos.... Tinha de ser! Tamanhos avanços não poderiam alhear estas nações de primeiríssimo mundo.

araujo35.jpg Fui também ao dicionário e fiquei a saber que o termo LGBT é usado também em alguns outros países, particularmente naqueles cujos idiomas usam acrónimos, tais como Argentina, Brasil, França e Turquia. Ora bem! Acrónimo é uma palavra formada com as letras ou sílabas iniciais de uma sequência de palavras, pronunciada sem soletração das letras que a compõem (exemplo: OVNI por objecto voador não identificado, PALOP por país africano de língua oficial portuguesa, etc.). Estão a acompanhar!...
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Pois então! A sigla LGBT destina-se a promover a diversidade das culturas baseadas em identidade sexual e de género. Ela pode ser usada para se referir a qualquer um que não é heterossexual ou não é cisgénero (que tem uma identidade de género idêntica àquela que foi atribuída à nascença), por oposição a transgénero), ao invés de exclusivamente se referir as pessoas que são lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneros....

araujo36.jpg Bem isto não é tudo!... Para reconhecer essa inclusão, uma variante popular, adicionou a letra Q para aqueles que se identificam como QUEER ou que questionam a sua identidade sexual; LGBTQ foi registado em 1996. Aqueles que desejam incluir pessoas intersexuais em grupos LGBT sugerem a sigla prolongada LGBTI... Estão a ver a coisa? Não é nenhuma marca de carro!...
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Algumas pessoas combinam as duas siglas e usam LGBTIQ ou LGBTQI. Outros, ainda, adicionam a letra A para os, arromânticos ou simpatizantes (aliados): LGBTQIA, LGBTA ou LGBTQA. Aderentemente há variações que incluem também pansexuais e polissexuais (adicionalmente pessoas não-binárias), como LGBTQIAP, LGBTQIAPN e LGBTPN.

araujo38.jpg Chegado aqui, já feito um BATRÁQUIO, reli de novo e fiquei OBTUSO +. Pois NÃO, Pois SIM! Finalmente, um sinal de + é por vezes adicionado ao final para representar qualquer outra pessoa que não seja coberta pelas outras sete iniciais: LGBTQIAP+. Caralho!... Já nem sei o que sou!....
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Para desconcluir: As pessoas podem ou não se identificar como LGBT+, dependendo das suas preocupações políticas ou se elas vivem em um ambiente discriminatório, bem como a situação dos direitos LGBT onde elas vivem. Vou-vos dizer fiquei mesmo complicado com esta visão... Quero ir prá ilha...

Ilustrações de Costa Araújo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:13
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Domingo, 19 de Maio de 2019
MOAMBA . XXX

MOAMBA AQUI É TRAMOIA 
TRAMOIA DE "SACOLEROS"... 19.05.2019
Por 

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra do M´Puto

berard3.png Hoje desacordei meio chateado. Até nem dormi bem por via de tanta pancada dada ao Senhor Joe Berardo. Com tanto camundongo safardana que anda por aí, custa-me muito ver tanta gente a atirar pedras, pedregulhos ao Joe. É na TV, é na tasca, é no café. Todos a zupar forte e feio num homem hábil que só teve a pouca sorte, quase infelicidade de se rir do Zé. Ontem, estando eu com meias descruzadas, quersedizer, não aparelhadas, na esquerda umas de riscas e na direita umas às bolinhas...
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Pois! Estando eu bem perto do mercado de Coimbra, chega uma senhora, pousa sua tralha e carrinho de compras à porta do café vão de escada bem perto do elevador panorâmico e, olhando de soslaio para seus bagulhos, assim um olho no cigano e outro na mercadoria...

Coimbra24.jpg Um olho aqui e outro além como o camaleão e, ouvindo gente transpirando pela boca desconhecimentos, falas só ouvidas, pede 3 sardinhas petinga para colocar na carcaça. Via-se nela ser uma desafortunada, uma velha senhora com acelgas e mastruços no bigode - assim, pobre mesmo! UMA PÉ-DE-CHINELO DE DEDÃO.
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Coitada, pensei cá comigo! Com sua reforma não pode decerto alongar-se nos gastos - deve ter um reforma de cacaracá. Do outro lado do balcão tia Micas, mulher do senhor Manel. diz: cada sardinha são vinte cêntimos! Não pode fazer por menos? Replica a velha senhora...

Coimbra12.jpg Tia Micas, entretanto põe-lhe quatro petingas num guardanapo e embrulhando, refere a carestia do produto. Não é que em seguida, ambas se põem a desancar forte e feio naquele senhor Berardo que nem sequer conhecem! Como se fossem entendidas destas engenharias financeiras, dizem o que todos dizem: - Não há direito! Comem-nos o dinheiro aos milhões e edecéteras que possam imaginar.
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Coitado do Joe! Tanta gente a pregá-lo na cruz, até sem nada saber do que é certo ou errado. Eu só espero que o "comendador" dê com a língua nos dentes e que diga tudo o que tem para dizer! Acho até, que quando ele abrir a boca, muita gente ira tropeçar na tramóia! Até acredito que ele, o fará - é bom que o faça! Que ponha alguém mais, a tremer! 

berard1.jpg Esta sociedade anda a bulir comigo! Tanto larápio por aí e, só este para desandarem! Não é que esteja com ele mas, tanta má gestão e, agora a zuparem nele - um bode expiatório, só posso pensar ser um meio ou mau juízo. E, porque Berardo sempre fez alguma coisa ao invés de outros que só deslapidaram! Que deu algum trabalho ao Povo. Lembrei-me de assim, solicitar-lhe amizade porque me custa ver correr desaforos e gratuitas falas....
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O Joe Berardo ficou rico por estar no lugar certo e na hora certa, comprou "tailings" das minas de ouro da África do Sul para as reprocessar com uma tecnologia mais moderna para recuperar o ouro. Depois, voltou para Portugal e, com muito dinheiro, comprou o titulo de "COMENDADOR" e dedicou-se a especular na bolsa. Lá na África do Sul isto é quase normal - há mais "comendadores" que pilotos de rebocadores...

Coimbra13.jpg Ajudou a sabotar a OPA da SONAE, a PT causando um prejuízo imenso ao accionistas porque os títulos nunca mais tiveram o valor da OPA, e comprou imensas acções do BCP com dinheiro emprestado por atrasados mentais (da CGD, e não só...) que aceitavam os títulos como garantia ! O Berado fez um rombo de 1000 milhões na BANCA, porque o povo Português (OS GESTORES) e muitos outros, e' BOÇAL...
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Um "povo" que dá mais valor a quem tem dinheiro e especula, do que a inovadores ue tentam arrancar com um negocio!
Berardo, está a ser o bode expiatório de uma camarilha - a que lhe concedeu os empréstimos com garantias patéticas e que só se entendem porque quem lhe emprestou (dinheiro da CGD) SE beneficiou. Não tenho duvidas!

caixa0.png Coincidentemente, uns quantos trutas da CGD - desses que decidiram o empréstimo em condições absurdas - foram por ele contratados para gerir o BCP. Um rombo no cano roto da trapacice, tal como um "lava-jacto" brasileiro. Num país a sério esta canalhada estaria presa há uma década. Por cá andamos em comichões parlamentares em que os canalhas que concederam o empréstimo se passeiam e o que recebeu o empréstimo (até ver incobrável) é diabolizado! Tenho dito!

bpn1.jpg Porque não vão analisar as fortunas dos VARAS e dos SANTOS FERREIRAS ?... Ah! O Varas já está preso por causa de uns robalos e, mais um sucateiro... Que belo administrador foi o robaleiro!!! Ele, há coisas! Mundo ingrato e maluco com tanta gente grafonola num gira o disco e toca igual,... E já no acto de pagar à tia Micas, não é que me cobra mais vinte cêntimos do que é habitual pagar ao seu Manel... 
O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:07
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Sexta-feira, 17 de Maio de 2019
KILUNDU . VIII

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O LEGADO DE PIETER - A bolunga de xylinoide -17.05.2019
O Cipaio Kukia Edu Mandinga em ALHAMBRA, assiste admirado à vassoura espacial a pairar no ar...
Por

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra 
O desanoitecer estava a chegar num dia novo de guardar memória; uma noite de minha alma arrependida de pena com contributos sentados na pedra do chão polido, raspado por tanto sapato retocidos de Aladino; sonhos alheios de tudo o mais de quando só era e, mal guardados pelo Cipaio Mor de nome Kukia Mandinga que os deixava fugir porque não os via. Seu spray de contornar kiandas invisíveis estava passado na data - Quer-se-dizer, não tinha sido fiscalizado pela suprema ASAE - Autoridade de Segurança Astral e Económica da Torre de N´Zombo. 

sapatos longos.jpg Foi quando aconteceu! Uma moderna trotinete feita vassoura, vinda do além, do futuro e, em turbo silencioso uma senhora chegou toda práfrentex, soprada por um vento cheiroso, sentou-se depois de encostar a mesma em lado nenhum seu estranho objecto parecido com uma vassoura de piaçaba; pairou assim no ar e ali ficou bem ao lado de sua dona como se fosse um cachorrinho amestrado. Chamaram por mim?  Olhando-nos dissemos: Não! Dissemos em uníssono mas ela, nem ligou e começou a falar e assim, nos compenetramos em seus dizeres.
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Tinha pena desses alheios medos fragmentados em porções, feitos pó mas, a vida dum T´Chingange, zelador dele mesmo - Soba, tem dessas periclitantes passagens pois que um M´fumo não pode em caso algum ser uma galinha depenicada na vontade de pra-esquecer: Por isso toma bolunga xylinium “legado de Januário Pieter” um alto dignitário, mano-corvo Mwata.
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Falaram em bicharocos de Kombucha e, esse, foi um toque mágico que aqui me trouxe, disse Ela, a Maga Patalucha voadora. Acabamos por anuir, ouvi-la depois de nos dizer que alguém a tinha designado de Fada Makota MSJ - Maria João sacagami, senhora dos anéis e do batom mais espelho com Oxumaré esperneando com Orixá velho e babando. No discurso directo dissecou: - Posso dizer que na verdade mesmo quem espionava por detrás dos imbondeiros dos meus caminhos era Iansã. Este Iansâ, nós desconheciamos por inteiro. 

sacag11.jpg Sim senhor, sou bem capaz de parar a chuva ou fazer chover - para gáudio e medinho de alguns que me chamam de macumbeira e nem sabem o tamanho da Minkisi ou de quem a acompanha! disse isto e riu-se, riu-se até quase entupir um canal estranho que lhe saía algures por detrás duma orelha que tremia na captação de sons e bactérias espaciais.
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E, é assim na directa fala de Majô:- As famílias de bactérias que só podem ser vistas ao microscópio são sobretudo a acetobactéria xylinium que a partir do sétimo dia começa a formar ácido acético, outras famílias xylinoides, a bactéria glucuranium e a acet ketogenum. Agora o milongo fica caté que parecido com uma kissangua de chá ehehehhehehehe tal como a kissangua pode ser mais doce, menos doce, com frutas ou não.

sacag8.jpg E, continuou: - A diferença é que tens (com nossos ouvidos escancarados na escuta, já ela a MJS, que nos tratava por tu...) que ter a tal da colónia dos bicharocos de Kombucha mais 100 mililitros da águeta onde os tios vivem para poderes criar tua mistela. Juntas teu chá (escolhes qual, pode ser kaxinde, chá branco, preto, mate, hibisco e verde). Daí podes juntar frutas ou especiarias do teu gosto - gosto de anis e canela, às vezes cardamomo ou um toque de noz moscada. 
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E, continuou: - Pode ser também grãos de café. As frutas se forem na forma de suco tem que ser apenas 100 mililitros. Deixas em pote coberto com pano fechado com elástico em temperatura ambiente e na sombra. Dependendo da temperatura ambiente entre 5 a 15 dias vai haver mudança no sabor ficando bem menos doce mas não avinagrado. Tiras 90% do líquido para uma garrafa e juntas as especiarias e/ou frutas. Fechas bem, deixando-o no ambiente até ter pressão; quando estiver pronto para tomar, se não for de imediato, terás de o colocar na geladeira para consumir em até 10 dias. 

sacag2.jpg O que fica no primeiro pote recebe mais chá. Se ficares cansado de tomar, juntas 500 mililitros de chá e deixas por até 2 meses na sombra fresca. Se ficar muito envinagrado, jogas fora 90% do chá e deixa-lo fermentar em menos tempo. Alerta para nunca se fechar o kombucha com rolhas; usa pano ou filtro de café com elástico. Ele, sem oxigénio morre! Usa açúcar daquele amarelinho. Se usares garrafa de vidro no processo final cuidado, porque tal como a kissângua, fermenta e explode.
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Ficamos todos encantados com tamanha explicação e nos detalhes meticulosos. Pois assim é disse Januário Pieter depois de agradecer sua vinda. Curiosamente até se curvou como se fosse uma "zeladora". Uma vez que Oxum fez vénia, só poderás entrar na estória como ZELADORA DOS ORIXÁS! E, coisa incomum, deu-lhe um beijo repuchado na mão direita... O Cipaio EDU - o lanceiro-poeta da Chibia,  um branco  de segunda  de N´gola já de terceira geração, estava simplesmente abuamado, espantado, olhando sem pestanejar para aquela vassoura espacial a pairar no ar. 

sacag1.jpg Januário acrescentou à coisa dita:- As famílias de bactérias que só podem ser vistas ao microscópio são sobretudo a acetobactéria xylinium que a partir do sétimo dia começa a formar ácido acético, outras famílias xylinoides, a bactéria glucuranium e a acet ketogenum.  Também ele, feito Mwata era um entendido nisso, coisa que desconhecia. As fermentações são processos muito complexos em que a menor alteração do liquido, chá verde e chá preto, pode produzir resultados muito diferentes e, daí a grande variedade de cervejas, vinhos, cidras e outros alimentos fermentados como o kéfir, pikles, queijo, tempeh, cshoyu, etc,etc...
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O chá é portanto o elemento principal desse liquido com cerca de 350 compostos químicos, distribuídos em: - 40% de glúcidos , 20% de proteína com aminoácidos (teanina), 2% de gorduras , 9% minerais de manganésio, potássio, magnésio, flúor e vitaminas B, B1, B2, B3, B6, B12, C e P; 29% são polifenois, flavonoides e catequinas do chá preto... Na prática fazemos um chá com água e açucar em quantidade por forma a produzir levedura com os nutrientes desses três elementos.

roxo60.jpg Háka! A conversa já ia longa mas haveria que ouvir na especialidade como deve ser. Para fabricar as enzimas que vão desdobrar o açúcar em glucose e frutose, o tamanho da placa de cultura deve estar proporcional ao volume do liquido pois que este se for em excesso diminui a produção de CO2. Deve portanto utilizar-se 10% do liquido “starter”, (inicial) no fundo do frasco aonde existem muitas leveduras e poucas bactérias.
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As leveduras, sendo muitas, respiram o O2 (Oxigénio) do ar porque também estão à superfície do frasco e, por isso, produzem três vezes mais CO2 mas, nenhum álcool. Convém dizer que o chá verde tem 2% de cafeína e o preto 5% pelo que, as culturas crescem melhor no chá preto. A cafeína e a teofilina são purinas usadas na construção dos ácidos nucleicos daí resultando em microorganismos como fonte de nitrogénio. Bom! Isto já ia longo. Por isso despedimo-nos temporariamente... Que seca! Disse eu, muito baixinho... Dei um ultimo gole e bazei! 
Continuaríamos neste “legado de Januário Pieter”- mais tarde
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:28
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019
MALAMBAS . CCXX

TEMPO DE CINZAS – Terça Feira - 14.05.2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor de Zebra… de várias partes
Por

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra do M´Puto

miai3.jpg Escrita no No Nordeste brasileiro Em Miauí de Cima - Alagoas... 
Eram umas seis horas e trinta minutos, um calor do caraças, corpo mole e pegajoso com um ventilador ronronando paciência na vagareza, gotas de suor a formarem rios e ribeiros até chegarem ao lençol e, vira que vira com a vagareza do soprador que não sublima minha transpiração. Levanto-me! Fui fazer o café da avó na cozinha do piso térreo, bem à maneira, com chaleira e coador. Roça, é roça... 
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Tia Jacira, era uma senhora muito especial e porque já a descrevi, só direi mais que era uma dedicada assistente social de formação e voluntária às rezas repetidas dos terços da vida na Igreja de São Pedro da Pajuçara na Ponta Verde, muito próximo de meu ninho da águia, do carcará Niassalês - eu próprio.

mike1.jpg Com os seus mais de oitenta anos, Tia Jacira distribui amor por todos; incluindo-me, claro. De café feito e coado vou buscar a caixa metálica do papagaio, um jacó verde e amarelo, brasileiro a cem por cento mas, pouco falador; abro a caixa e com um pau-xinguiço retiro o bicho colocando-o em seu altar encastrado no pilar, tendo ao redor uma série de copos com comida, fruta e outros de zingarelhos para palitar dentes feitos bico adunco e, raspar as patas carunchosas.
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Tia Jacira normalmente fala baixinho com o verde-amarelo e, ele trejeitando a cabeça, de curiosidade chama-lhe vóóó - palra coisas indefinidas grasnadas como se fosse um pato-marreco. Nada parecido com o meu papagaio da Cabinda de Angola que pintava a manta de tanto falar chamando filho da puta, assim direitinho ao sagwin-macaco que estava do outro lado da casamata do mecânico dos unimogues e, também minha. 

arara1.jpg Dei-lhe um bocado de painço, um pedaço de banana e uma mistura colorida, sementes de girassol, água limpa e o sacana, nome de como eu tratava, nem um agradecimento: - Matumbo, 
repeti várias vezes e, ele assim com a cabeça de lado como que gravando no seu disco de bicho mas, nada de repetir o tio carcará (eu, o T´Chingange). 
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Cortei um pedaço de jornal ali esquecido e com data de 23 de Dezembro de 2011, a fim de fazer de lençol ao jacó matumbo. Era um periódico da Gazeta de Alagoas a dizer bem e mal dum antigo prefeito de Maceió, Cícero Almeida, um papagaio feito gente civilizada que também desviava verbas para a lista secreta das boquinhas do PT e outros afins... 
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Mais logo este jornal também vai aparecer cagado, com destino inevitável do lixo bem igual à vida daqueles políticos que se lambuzam em devaneios, sabendo que as baratas correm em raly nos corredores dos hospitais para gáudio dos utentes. Os caras enchem-se de boémias, pintam e bordam e, a justiça que deve fazer parte da caixa dois ou mesmo três, nada diz e nada faz... 

miai5.jpg É isto e aquilo que o Bolsonaro quer acabar mas vai-se dar mal se não trilhar bem firme o seu carril. Tem inimigos pra xuxú! Tomara!... Meio Brasil, vivia da seiva dos carrapatos. Hó gentinha, vou zarpar porque dois mais dois podem não ser quatro e fico ferrado. Mas que gorjeavam lambugisses, lá isso era nítido mas, diga-se, a maior parte do povo nem via isso por conta da bolsa, da gasosa, do geito brasileiro. Vou-te-falar!? 
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Saí a comprar leite, pão e queijo de coalho e chegando à padaria um pouco mais a sul, digo Bom d´Jia, assim, um bom dia bem à maneira brasileira. A resposta veio rápida do mulatão, padeiro saído das quenturas dos fornos: - Bom d´Jia, meu irmão! Ué! É o trato... Para agradar ao meu novo mano comprei mais meia dúzia de ovos e uma porção de goiabada.
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Juntei mais uma dose de milho flocão Coringa para fazer no vapor ou talvez bolo; deu tudo somado vinte Reais e, junto o negócio nas sacolas, penduro nos meus dedos e digo Xau! Xau, meu irmão - obrigado! Volte sempre e, assim saí feliz e contente por ter arranjado mais um irmão - que negócio!? Era para ir à praia ali a escassos duzentos metros mas o pessoal estava todo mudo e quedo lá no primeiro andar. 

miai6.jpg O papagaio-fêmea matumbo nem grasnava... Lá fora a moto-táxi do Zacarias, também meu irmão, rompia a longitude e a penumbra das silhuetas matinais com ganas de o estrangular. Com seu escape livre, fazia finfias a ele mesmo botando banga de Coruripe, pois então! Eram sete horas e trinta minutos. 
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Como eu gosto destas vivências tão ricas, tão farfalhudas, tão familiares. Em verdade, senti aqui falta duma vassoura turbo de piaçaba para lambuzar-me de vaidade e até entortá-la em suas costeletas; Bem! Em verdade este especial veículo pertence a uma senhora que muito prezo... de verdade! Tem a marca já registrada, como se diz no braziu. MJS...(Maria Joao Sacagami)
Ilustrações de Assunção Roxo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:33
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019
MOAMBA . XXIX

TEMPOS CUSPILHADAS – 13.05.2019

MULUNGÚ COM LARANJA DO M´PUTO
Passeando o esqueleto no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves mais África, um reino outrora Tuga... Dou-me conta que me roubam laranjas, que me impingem telas de falsas Monalisas... 
Por

soba002.jpgT´Chingange - Em Coimbra 

bolor1.jpg Há uns tempos atrás e, estando eu no Brasil, pessoa amiga referiu-se ao facto de em Portugal país  visitado por ele nesse então, as pessoas serem disciplinadas, não terem o apetite do roubo ou cobiçar o alheio. Isto passou-se em uma praça da pequena cidade de Lagoa do Algarve; ele reparou que as pessoas passavam por aquelas laranjeiras carregadas de bonitas laranjas e o estranho, era que ninguém tocava nelas. Tomara, eram azedas!

berard1.jpg Lembro-me de ter dito: - No M´Puto tudo é muito sofisticado, até no roubo. Mansamente os bancos e afins destes, vendem-nos laranjas virtuais e endividando-se roubam-nos assim à socapa e, não é de repelão não! Num repentemente o governo passa nosso dinheirinho para esses salafrários Berardos e Salgados, que armados com grandes honorabilidades e honestidades, cortam-nos as gordurinhas feitas laranjas. 

salgado1.jpgcoimbra9.jpg Não sei se ele, meu interlocutor, brasileiro meio doutor, meio matuto entendeu mas, não desentendido de todo, quis compreender meu ponto de vista porque ele mesmo, tem uma boquinha do PT. O certo é de que isto sucede no M´Puto com o beneplácito do governo e até do nosso Tio Célito que feito Presidente sacode o pacote e abana seu chapéu com solidária condescendência com o Salgado e afins kazukuteiros branquelas como eu; com essa malvada banca que nos dá 0,005% nas contas ao prazo de um ano!
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Não havia qualquer impedimento por qualquer resguardo para as não alcançar - as laranjas da Lagoa do Al-Garbe e, não obstante estarem gulosas, bonitas a solicitar-nos esticar as mãos e recolhe-las, ninguém o fazia! Eu com a sede que tinha (disse o cara, brasileiro de Gravatá de Pernambuco) de até me apeteceu agarrar uma mas, retive-me mais por poder parecer mal do que outra causa; fiquei inibido proceder desse jeito disse ele; bonitas e nada de ladrões!? 

cruzios4.jpg A pessoa em causa, um nordestino juiz da comarca invisível da boquinha do PT que descreveu isto, desconhecia que as laranjinhas eram ácidas, azedas como trovisco e, nem me dei ao trabalho de esclarecer para subsistir na mente deles; que os Tugas não roubavam como era tão habitual, assim como eles o fazem no seu Brasil! Por isso têm muitos e muitas laranjas a fingir que o são mas, tudo uma mentira! Folhas inteiras de laranjas-gente a comer do fisco! Dos municípios, das bancas e instituições daqueles que agora metralham o Bolsonaro... 
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E, a propósito omiti a verdade porque já estava farto de tanto desaforo colocando os Tugas como os larápios da América, blá, blá, bla, do pau brasil e do ipê-roxo; coisa que insistentemente ouvia referindo tempos idos no roubo das matas, das muitas especiarias, ouro e prata, um sem fim de maleitas sociais do qual lhes foi legado! 

PAPAL4.jpg Porque dizem: - Que chegavam da Metrópole com uma mão atrás e outra à frente e passado bem pouco tempo já tinham seu próprio posto de trabalho, sua padaria, borracharia ou sua própria venda. O escambau, como sempre referem.... Normalmente nem replicava porque também tinha as minhas próprias queixas por fruto de uma descolonização de tugi mas eles nem iriam entender...

berard2.jpg Agora replico e até triplico e sextuplico minhas verdades para ver se os MADUROS de todo o Mundo caem de podres... Tal nefasta saga provocada por mariolas e traidores ao M´Puto e do M´Puto; desta feita contive-me para que ficassem com ideias edificantes sobre os Tugas e, que afinal, nem tudo neles era mau! 

lula02.jpg Quando tudo dava para o torto, simplesmente dizia que era Niassalêz, que tudo me passava ao largo mas, em verdade roía-me de pequenos ranhos moncosos de cor injustiçada. Para não ficarem na insolvência, nem me perguntavam que raio era isso de ser Niassalêz, só para não mostrarem sua ignorância endémica. De forma catedrática ia-lhes dizendo que o Brasil era quase um continente graças a terem sido um reino; que não foram desintegrados em vários países porque foram a sede do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. O Mundo é mesmo uma ervilha!
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E, mais, ... tendo D. João VI como o maior aglutinador dessa política; um estadista de valor e que eles sempre subestimaram e subestimam com charadas de mau gosto e desrespeito - o Rei das coxinhas de galinha. Que não obstante o Brasil já ser grande, invadiu a Cisplatina ficando alargado com o actual Uruguai a sul e o Guiana Francesa a Norte por estar em guerra com os franceses - A França de Napoleão.

D. JoãoVI.jpg E, quantas mais coisas tinham de ser ensinadas, porque infelizmente, mesmo gente formada a nível universitário, não tinham um perfeito conhecimento da real história. Fui eu a contar a muitos, as estórias do Caramuru, Do João Ramalho, do 1º Bispo do Brasil - da festa de arromba que aqueles índios Caetés fizeram em Julho de 1556 devorando Dom Pero Fernandes Sardinha e outros edecéteras.
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Agora, neste momento na minha roça de Coimbra, de doutorado faço jus às afirmações deles: - Conta mais Doutor! Imagina, eu um Niassalês contando coisas do Lampião, coisas que os caras desconheciam. Como não avera de ser Dôtor!? De tudo isto eu retirava ilações no fraco aprendizado nas escolas brasileiras! 

MAGA8.jpg Claro que os ladrões existem aqui e lá mas, nesta actualidade, nem digo nada para não amesquinhar aquele elogio das laranjas feito por um brasileiro das terras Tugas! Tomara que Bolsonaro extermine tanto LARANJA mentiroso, que rouba o povo
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Mulungu e Mulungú: É branco em língua Zulu; também é uma árvore de grande porte com flores vermelhas; existem no Brasil e um pouco por toda a África austral...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:25
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Sábado, 11 de Maio de 2019
MOAMBA . XXVIII

 
O CHOQUE DO PRESENTE - COIMBRA...11.05.2019
Aonde quer que se seja, é mesmo bom não se fazer contas ao tempo porque o bicho pega!… Basta-nos os doze meses de socialismo, social socialismo, ou isso entremeado com geringonças e matraquilhos mais diabruras para espairecer molezas…
Por 

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra... 

coimbra5.jpg É mesmo bom não se fazer contas ao tempo, aos meses, às horas e minutos, porque assim se tornam inexistentes, apreciando no seu melhor, as azáfamas dos outros ao nosso redor. Ouvir os "roncos - salvo seja" dos políticos feito barcos que sem os arrais de outrora, barulham os ares em tons diferentes aí Jesus que não há oiro! Pois! Lamberam-no todo. Se não for assim mais e desta forma e, tal e coisa, demito-me! 
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Até já sinto casquilhas ou cosquilhas nos meus calcanhares! 
E eu, curtindo o sol das doze horas ao toque das ave-marias que não o sendo agora, repicam na torre da Cabra desta tão bela Coimbra e aonde de tanto calcorrear me tornei doutor de bizarrias. Lembranças desse tempo de quando essas badaladas tinham som e até cheiro de bronze. Agora são fitas com musica a fingir que dão horas.

coimbra6.jpg Basta-nos os doze meses de socialismo ou social socialismo, ou isso entremeado com diabruras capitalistas, mais pão com chouriço e pata negra para espairecer as molezas dos imperialistas que sempre deixam correr o tempo, quando o não faz sair de feição... Coisas demasiado salgadas para mim que recebo uma miséria de patacas.
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Assim, desajustados à economia, com os burocráticos vícios da democracia, dão-se voltas às vicissitudes das suaves ou suadas angustias dos demais refastelando-se em caldeirões moles, e amolecidos como convêm nas desvirtudes corruptas do engano.
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E nós na impaciência, por não haver oportunidades iguais para todos, refilamos verificando serem os profissionais da política com banqueiros e seus mais próximos, os seus maiores beneficiados. Como todo o fenómeno é temporário teremos de purificar nossas almas tormentosas ou atormentadas sem nos apegarmos a coisa alguma... Meu Rio virou mulola...

coimbra2.jpg Não será portanto, caso de estranhar de muitos de nós andarem com um olho aqui e outro lá mais adiante, com a metade do raciocínio num sítio e a outra metade no ciberespaço. Com fenómenos de engenharia financeira dos bancos BPN ou BES entre outros, uns andarão muito cheios de fórmulas, outros simplesmente à boleia com vazios de ideias, enganados em tramóia de falácia mal explicadas.
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No meu caso muito pessoal, de tão inchado de espantos, desenho-me entre antigos esboços, revendo-me nos desenhos das sombras nos porões do meu Niassa, pois que sou Niassalês...
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Brincando até com o meu nariz achatado, relembro-me de que se de nada posso fazer de bom pelos meus mais próximos, também nada farei para os prejudicar. Não obstante terei de dizer aqui que o Senhor Costa, não nos será a salvação; não irei por isso e agora, vivinho e indisposto com muitas coisas querer guerras, fuzilar quem possa ter uma ideia mais original entre os diferentes deuses ou demónios.

dia185.jpg Demónios dos também diferentes comunismos, socialismos ou mesmo uma terceira sensação desconhecida, chinguiços com estralhos enredados de zingarelhos e outros complicados artifícios. Sim! Vivemos numa permanente mentira e, assim irá continuar. Ainda se visse a justiça andar para a frente e não de lado, ou para trás como o caranguejo!?
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:22
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2019
KILUNDU . VII

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O Cipaio Kukia Mandinga em ALHAMBRA, assiste ao pacto de Mano-Kilombelombe com Januário. Eu já era Mano-Corvo - Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal (México) com Araújo...
NA LAGOA DO M´PUTO - 10.05.2019
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soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto - Na estepe Alentejana
Com a sensação de começar a penetrar na minha intranquila dependência da kianda, quase que me dou conta que meu pacto de sangue com o velho de mais de talvez 394 anos, começa a borbulhar-me no cocuruto da meninge. Os seguranças de serviço levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.
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Tratados como mustáfas por via da indumentária de Januário Pieter e seu guardião - lanceiro, um espanto de nos fazer sentir os maiores privilegiados. O Cipaio Kukia Mandinga muito vaidoso, banga ultra moderna fardanda de zuarte amarelo, balalaica com muitos bolsos e uma catrefada de zingarelhos pendurados à mistura com pequenos chifres de porco do mato.

araujo 42.jpg Coisas trazidas dos confins; lá duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia com nome de espantar pássaros xirikuatas. Cipaio Mandinga, direitinho que nem um fuso, a tudo olhava com vontade de saber. Muxuxou que era muita areia prá sua camioneta e que, teria de comer um chipe extra de memória e sistema integrado para fosforescer mais rápido na sabedoria.
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A partir daqui rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quartéis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitérios e jardins. O escambau de coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas junto às muitas ferraduras de muares e outros bicharocos espinhosos.

araujo34.jpg O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece não haver gravidade.
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Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu T´Chingange e Pieter selamos o nosso mais verdadeiro pacto de sangue. Esse cipaio Kukia que anda por aqui, até pode nem se lembrar mas assistiu direitinho com sua lança, feito Massai da Corongosa; um jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango. Uma mistura na cabeça dele que faz pena. Nunca no Lubango ouve caserna de bichos desses e, com esse nome!?

araujo10.jpg Por medo, as pessoas passavam de largo como se nós também fossemos daquele muitos idos anos e muito cheios de caruncho. Tínhamos em frente um belo claustro formado por muitas colunas, o lugar mais Pambu N´gila de todos os lugares aonde estivemos antes. Este sítio era em verdade um sem número de flocos dourados caídos do Duilo.
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E, foi ali que ambos picamos o centro da palma da mão esquerda de onde saiu uma bolha de sangue. Eu T´Chingange cuspi na mão esquerda de Pieter dissolvendo-se no sangue e ele fez o mesmo na minha mão esquerda; com a mão direita ambos acariciamos as cabeças dos leões e, eu primeiro e depois Pieter, desferimos com a direita em cutelo na mão esquerda do outro um enérgico movimento fazendo chispar sangue e cuspo no ar. 

araujo103.jpg Teve de ser ali porque o leão que pela boca deita água simboliza o Sol da qual brota a a vida. Os doze leões, são os doze Sois do Zodiaco, os doze meses que na eternidade existem em simultâneo. Eles, os leões sostêem a Kalunga como os doze torres de ferro no templo de Salomão. É este o depósito das águas celestes dessa Kalunga. 
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Este simbolismo único, venera a água como a pura vida e, foi ali que também, ambos choramos lágrimas de prata polindo o chão do Califa para ficarmos Manos-Kilombelombe. O Cipaio vaidoso sempre em guarda, sorria de vez em vez, inadequado para ser uma testemunha com carisma de Xi-Colono de terceira geração.
Em realidade ele era mesmo um genuíno africano, embora branco, mas era!
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Januário Pieter falou de que quando ficasse um antigamente, de mais tarde, eu um mais kota, me iria recordar deste selo de Mano-Kilombelombe enquanto ele, lá na ilha da ensandeira do Kwanza, recordaria os espíritos dos M´fumos Kia-Samba e Manhanga como um minkinsi.
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Pieter recordava as minhas próprias brincadeiras com os candengues no mar da Samba, os pactos de amizade feitos a cuspo e bisgo da mulemba nos subúrbios da Lua. A Kianda Pieter sabia tudo! Sukuama! 
- Deixa só, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir, disse eu batendo dedos no ar enxotando maus olhados.

araujo175.jpg Ilustrações aleatóias do mano Costa Araújo, nosso mestre 
Glossário:
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade)
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México)
M´fumos : - Chefes
Kukia: - Sol, pô do sol
Samba: - Lugar ente a Quissala e Futungo (Belas da Luanda de antigamente)
Manhanga: - Bairro da Maianga, lugar de cacimba, nome antigo já esquecido.
Amazulu: - Dialeto Zulu
Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cus diabos; Porra!
Bisgo: - Resina de mulemba usado para apanhar pássaros,da mulembeira (árvore de grande porte que dá uns figos pequenos)
Lua – Diminutivo de Luanda
(Continua ...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:12
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Quarta-feira, 8 de Maio de 2019
KILUNDU . VI
kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O Cipaio Kukia Mandinga em ALHAMBRA, assiste ao pacto de Mano-Kilombelombe com Januário. Eu já era Mano-Corvo - Uma fusão de homem com pássaro - Eu, Costa Araújo e o pássaro do tipo Kwetzal (México)...
NA LAGOA DO M´PUTO - 08.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto - Na estepe Alentejana

ÁFRICA7.jpg Com a sensação de começar a penetrar na minha intranquila dependência da kianda, quase que me dou conta que meu pacto de sangue com o velho de mais de talvez 394 anos, começa a borbulhar-me no cocuruto da meninge. Os seguranças de serviço levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.

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Tratados como mustáfas por via da indumentária de Januário Pieter e seu guardião - lanceiro, um espanto de nos fazer sentir os maiores privilegiados. O Cipaio Kukia  Edu Mandinga muito vaidoso, banga ultra moderna fardanda de zuarte amarelo, balalaica com muitos bolsos e uma catrefada de zingarelhos pendurados à mistura com pequenos chifres de porco do mato.

angola colonial.jpg Coisas trazidas dos confins; lá duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia com nome de espantar pássaros xirikuatas. Cipaio Mandinga, direitinho que nem um fuso,  tudo olhava com vontade de saber. Muxuxou que era muita areia prá sua camioneta e que, teria de comer um chipe extra de memória e sistema integrado para fosforescer mais rápido na sabedoria.

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A partir daqui rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quartéis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitérios e jardins. O escambau de coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas junto às muitas ferraduras de muares e outros bicharocos espinhosos ou cascarrudos.

araujo 25.jpg O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece não haver gravidade. Qualquer matumbo, ali, fica espevitado da cabeça, numa de jihadar cosigo próprio...

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Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu T´Chingange e Pieter selamos o nosso mais verdadeiro pacto de sangue. Esse cipaio Kukia Edu da Chibia que anda por aqui, até pode nem se lembrar mas assistiu direitinho com sua lança, feito Massai da Corongosa - um jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango. Uma mistura cafusa na cabeça dele que faz pena. Nunca no Lubango ouve caserna de bichos desses e, com esse nome!?

araujo 28.jpg Por medo, as pessoas passavam de largo como se nós também fossemos daqueles muitos idos anos e muito cheios de caruncho. Tínhamos em frente um belo claustro formado por muitas colunas, o lugar mais Pambu N´gila de todos os lugares aonde estivemos antes. Este sítio, era em verdade um sem número de flocos dourados caídos do Duilo.

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E, foi ali que ambos picamos o centro da palma da mão esquerda de onde saiu uma bolha de sangue. Eu T´Chingange cuspi na mão esquerda de Pieter dissolvendo-se no sangue e ele fez o mesmo na minha mão esquerda; com a mão direita, ambos acariciamos as cabeças dos leões e, eu primeiro e depois Pieter, desferimos com a direita em cutelo na mão esquerda do outro um enérgico movimento fazendo chispar sangue e cuspo no ar.
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Teve de ser ali porque o leão que pela boca deita água simboliza o Sol da qual brota a a vida. Os doze leões, são os doze Sois do Zodiaco, os doze meses que na eternidade existem em simultâneo. Eles, os leões sostêem a Kalunga como os doze torres de ferro no templo de Salomão. É este o depósito das águas celestes dessa Kalunga.

araujo17.jpg Este simbolismo único, venera a água como a pura vida e, foi ali que também, ambos choramos lágrimas de prata polindo o chão do Califa para ficarmos Manos-Kilombelombe. O Cipaio vaidoso sempre em guarda, sorria de vez em vez, inadequado para ser uma testemunha com carisma de Xi-Colono de terceira geração. Em realidade ele era mesmo um genuíno africano, embora branco, mas era! Sem nós t´Xinderes, a África fica incompleta! 

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Januário Pieter falou de que quando ficasse um antigamente, de mais tarde, eu, um mais kota, me iria recordar deste selo de Mano-Kilombelombe enquanto ele, lá na ilha da ensandeira do Kwanza, recordaria os espíritos dos M´fumos Kia-Samba e Manhanga como um minkinsi.
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Pieter recordava as minhas próprias brincadeiras com os candengues no mar da Samba, os pactos de amizade feitos a cuspo e bisgo da mulemba nos subúrbios da Lua. A Kianda Pieter sabia tudo! Sukuama!
- Deixa só, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir, disse eu batendo dedos no ar enxotando maus olhados.

 araujo155.jpg  Ilustrações do Mano Corvo Costa Araújo, nosso mestre (falecido recentemente...)

Glossaário:
Edu: De Eduardo Torres - Um amigo kota, poeta, prosador, branco de segunda com bitacaias nas orelhas , apátrida e vaidoso quanto baste... um amigo para sempre...
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade)
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México)
M´fumos : - Chefes
Kukia: - Sol, pô do sol
Samba: - Lugar ente a Quissala e Futungo (Belas da Luanda de antigamente)
Manhanga: - Bairro da Maianga, lugar de cacimba, nome antigo já esquecido.
Amazulu: - Dialeto Zulu
Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cus diabos; Porra!
Bisgo: - Resina de mulemba usado para apanhar pássaros,da mulembeira (árvore de grande porte que dá uns figos pequenos)
Lua – Diminutivo de Luanda
(Continua ...)an
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:23
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Terça-feira, 7 de Maio de 2019
KILUNDU . V

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O Cipaio Kukia Mandinga botou faladura : - O Mundo está todo esfrangalhado em toda a parte; estamos separados, mas sinto que somos feitos do mesmo loando. Ué... ele fala angolês!?.... Desta feita estávamos ainda em Granada..
NA LAGOA DO M´PUTO - 07.05.2019
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soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto - Estepe Alentejana
Na sequência duma estória não muito antiga,  com a sensação de começar a penetrar na minha própria inconsciência, enrolando dedos e retesando músculos, cruzei o bairro mouro Albayzin bem cedo; de forma aleatória como um senhor dos caminhos minkisi cruzei ruelas estreitas de aroma de mijo ou tapetes molhados misturados com cheiros de churros.

MARROCOS2.jpg Do outro lado do vale podia ver as muralhas e torres de Alhambra. O rio Darro, corria na depressão à semelhança dos meus pensamentos que rolavam entre mulheres jitanas guapas bailando o flamengo em as mil e uma noites e, em companhia de Aladino e N´si, o guardião negro da terra. 
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Este carregado de espanta espíritos, vendia ternuras na forma de raminhos de alecrim e farrapos enternecidos de recordações. Tinha combinado encontrar-me de novo com Januário Pieter, um velho de trezentos e muitos anos e, aquele era um novo bom dia. Esta kianda itinerante da Globália, natural de Cabo Ledo, sítio distante da kalunga trazia com ele um moreno como guarda costas.

alhambra5.jpg Sempre estranhei uma kianda ter necessidade de um guarda costas sem, em verdade, ter costas! Este novo personagem tinha o nome de Cipaio Kukia Mandinga; tinha um cofió vermelho com uns laçarotes a saírem do cucuruto do boné que mais parecia um vaso invertido e, trazia não uma adaga mas, uma lança como se tratasse um guardião vindo daquela Índia imperial.
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Terei tempo para descrever este cipaio vestido de zuarte amarelo com mais detalhes mas, por agora iremos continuar a estória base do meu calendário. Na lapela do lado esquerdo tinha um escudo meio surrado com as Letras EDU. O que poço adiantar é o de que este mafarrico se dizia ser branco de segunda mas, em realidade aparecia preto que nem um tição...

alhambra4.jpg Cruzamos para Sul em ruas e avenidas modernas de patéticas angústias feitas estátuas! Íamos na busca do lugar mais próximo do "Arco de las granadas", o ponto nosso Pambu N´jila das antigas muralhas mouras; é ali que os espaços físico e e místico juntam simbis com gente de suko ou alucinados como nós.

mocanda11.jpg Na "Calle Bodegoncillo", já um pouco encalacrado, entrei em "El Pátio Riconcillo" e, busquei acento apropriado; o lugar era arejado dando para a "Plaza Nueva" podendo até, ver mais acima a "Plaza de Santa Ana". As paredes estavam cobertas de cartazes anunciando espaços de "Flamenco" e cartazes de cores amarelecidas com datas ultrapassadas de eventos tauromárqicos.

alhambra3.jpg Eram bestas de bois cornudos e esbeltos toureiros enfiados em apertados fato vistosos de lantejoulas zurzindo farpas ou bandarilhas coloridas; estavam encaixilhados em madeira sarapintada de minúsculos furos de térmitas, resquícios das pestes de Guernica.
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Foi assim já sentados com o Cipaio Kukia Mandinga que este falou pela única vez; antes só abanava sua cabeça ziguezagueando os penduricalhos do cofió. E, botando conversa de sábias palavras como que assim comesse delas num sempre mais constante do que o habitual, falou: - O Mundo está todo esfrangalhado em toda a parte; estamos separados, mas sinto que somos feitos do mesmo loando. Ué... ele fala angolês da Chibia!?

cipaio001.jpg E, continuou: - Há um grito que ximbica no nosso coração de fazer missangas. É um sentimento, uma sensibilidade, o respeito pelo ser humano que se juntam e são banda que batucam nosso coração; uma fé que se abre na kubata do nosso coração; jura mesmo patrão, diz assim desta forma encavalitada na mistura de sabedoria virando-se para Januário Pieter.
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Intransmissível! Intransferível! Ele nem quer saber quem morreu, só chora num repentinamente… Assim, preocupado com a RAIZ que alimenta a árvore - o imbondeiro, muito cava para contar quantas são, como se alimentam, se são envenenadas por ervas daninhas que crescem do nada e fazem secar os seus veios de vida. Pópilas! Ele falava coisa sem coisar o que estávamos a viver... Mas, aqui tem touros, tem touradas meu! Porque estás falar só àtoa, fingir que não és matumbo. Cala-te! Disse perenptóriamente a Kianda Pieter...

guernica4.jpgGLOSSÁRIO 
Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; Jitanas guapas: - Ciganas bonitas; Aladino: O sábio árabe das lâmparinas; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos e permanece até o toque do medo, adrenalina, guardador de caminhos com saber do ontem, do hoje e do amanhã; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Kalunga: Junção de espíritos na forma de água, simplesmente água ou mar, espírito forte no reino dos mortos, divindade abstracta podendo ter a forma humana, quando alguém é levado pelo mar, foi Kalunga que lhe levou porque fez uafa, uafou (wafou= morreu); Globália. - O Mundo; Pambu N´Jila: Espaço físico em conjunção com o campo místico; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e àfrica central.
(Continua ...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:26
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2019
KILUNDU . IV

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
Sentado no meu silêncio mastigando resposta calada, Pieter deu dois passos calçados no meu sobre-consciente. ..... Desta feita estávamos ainda em Granada...
NA LAGOA DO M´PUTO - 03.05.2019
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soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto

araujo34.jpg Januário Pieter o excêntrico fora de tempo, hoje estava particularmente fértil em saudações. Como se nem tivéssemos estado juntos ou relativamente perto quiz dar-me um aperto de mão bem à maneira dos candengues de hoje: - Mão aberta, batida, depois de punho com punho, ambos fechados e no final uma mão espalmada batida no peito, no meu peito - no coração.
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Senti um calafrio, muita fartura como um três por um de borla, iria sair qualquer coisa muito mais diferente do que o habitual. A kianda estava cada vez mais imprevisível porque saudou-me pela segunda vez como que a ensaiar um truque. Só que desta vez foi em amazulu com um samboniani. Recordando-me de tal saudação, respondi um kunjani, meu!
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- E, porquê tudo isto? Interroguei-o enquanto sinalizava em gesto, o seu aspecto - Porque venho de visita aos mustafás de Alhambra. Tinha de condizer com os meus antepassados mouros, mostrar assim a estes mulungos....

arau155.jpg 

- E para quê, essa adaga aí na cintura? Perguntei.
- Para respeitar as tradições antigas, homem sem arma não é ninguém e eu, não atravessei a kalunga para fazer má figura. Também é uma homenagem aos meus mestres de Toledo, acrescentou. Depois de todas estas explicações sentou-se. Mandou-se vir uma taça de tinto “rioga”e umas quantas chamussas, pois o senhor kianda extra-planetário, estava com uma fome de leão da anhara.
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- Afinal, encontraste resquícios de teus familiares mulungos dinossauros? Perguntei eu com uma intimidade um tanto abusiva.
- Pois! È assim,... vou-te contar tudo: - Meu tio Antoine, o mais candengue, dedicou-se à igreja, foi para padre; esteve com meu pai Lestienne em Burgos a trabalhar nos jardins de “Cartuja de Miraflores” mas, depois roçou madraçamento pelas sacristias do convento até que num dia seguiu integrado numa comissão-à-doca de regulamentar segurança aos peregrinos e as novas visões da estrela-polar. 
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Depois de muitos anos tomando conta de seus fieis e a guarda do incensário da catedral, morreu sem deixar herdeiros. Tenho de lá ir, a Santiago de Compostela rogar preces à sua memória e assim ficar tranquilo na minha missão de kianda itinerante da Globália. Interrompi a descrição de Pieter para lhe mostrar vontade de por lá, em Santiago, nos encontrarmos de novo e, juntos decifrarmos coisas tão ligadas ao M´Puto, mais o “bota fumeiro” e a majestade daquele Pambu N´gila daquele lugar com ligação à nossa N´gola pelos seus símbolos; n´zimbos na forma da concha vieira, uma mabanga diferente das nossas kalungas.

arau158.jpg

- É uma boa. Eu mesmo te vou falar das imbambas cassumbuladas no nosso povo, nesse antigamente e nesse mesmo ali. Combinado, meu! E, Pieter continuou sua descriminação: - Meu pai, como já sabes, esteve em Pernambuco com Maurício de Nassau embarcando mais tarde para Loanda do reino N´gola com os Mafulos, casou com a minha mãe N´ga Maria Káfutila e, mais tarde, ficou como mercenário às ordens dos Tugas com Sá e Benevides, um rico comerciante de escravos. O resto já te contei, não vale a pena recordar por agora.
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Josué Pieter, o 3º mais velho dos meus tios, ficou no “Pais de Landes” tratando de vinhedos em “Vignobles Vallee du Loir” e, por lá deixou muitos primos. O 4º tio mais velho de nome Souston, ficou nos arredores de Paris roçando a vida em “Jablines du Marne”, lugar aonde nós nos encontramos pela primeira vez. Era verdade!
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O quinto tio, Charles Pieter, o mais velho de todos, seguiu o rumo de Burgos em “Leon e Castilla” como Lestienne e Antoine mas, singrou para Toledo aonde se tornou um homem de armas, vindo a ser mais tarde um militar da armada de “La Mancha e Andaluzia”. Foi em “Puerto de Santa Maria”, perto de Cádiz que pelo rio Guadalquivir, saiu numa armada de soberania às novas terras Espanholas de América.

araujo 29.jpg Seguindo escritos antigos, soube que já como capitão dos mares, avançou na descoberta de novos cerros de prata “puesto arriba” do rio da Prata; acabou por ficar num lugar conhecido de Sacramento, perto de Montevideu dedicando-se ao negócio de gado bovino e muares formando tropa de tropeiros, que transportavam mercadorias através dos matos ou vendendo charque aos novos colonos de Cisplatina e Rio Grande do Sul. 
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Esta estória está sopimpa! disse. Estou a gostar! Bem! Por lá deixou uma prole de primos matutos cujos descendentes governam agora o Uruguai. A história deste tio é comparada à do meu pai porque também atravessou a kalunga grande para fazer fortuna. Havia uma lendária “Sierra de la Plata” de nome Potossi procurada desde inícios do século XVI por Alego Garcia e sebastião Caboto.
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Em 1611, quase cem anos depois, Potossi era já a maior mina a céu aberto produtora de prata do mundo; nesse então já tinha à volta de 150 mil habitantes e, sendo o lugar mais rico do mundo originou uma corrida ao tesouro. Charles Pieter homem de guerra da têmpera de Toledo, ambicioso, seguiu naquela armada a pedido de Juan de Villarroel com expedição a partir de Cádiz e Sevilha conjuntamente com outros conquistadores tal como Nunez Cabeça de Vaca, Domingos Martinez de Iranda ou Juan de Ahumada. 

araujo 101.jpg Meu tio Charles seguiu para ali em meados de 1615 para compartilhar tesouros de sonho e pilhagens. A Espanha fez-se assim; com a prata que saiu dali, podiam fazer uma estrada física, uma ponte ligando-a à América - Como meus tios dinossauros, eu e tu (referia-se a mim), navegadores da Globália deixamo-nos alfabetizar na vida e prálem dela. É mesmo uma missão de cumprir dever sem ter ordem nem corpo-delito, à-doka no através da estória dos xicululos.
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Bolas! Fiquei barafundado naquela sapiência do kota Pieter.
Sentado no meu silêncio mastigando resposta calada, Pieter deu dois passos calçados no meu sobre-consciente. Num cadavez mais eufórico, Pieter falava todas as suas razões.
Eu só disse, simplesmente: - Tá bem meu!

araujo153.jpg Ilustrações  aleatórias de Costa Araújo 
Glossário:
Amazulu: - Dialeto Zulu
Samboniani: - Bom dia; como está (em Zulu)
Kunjani: - resposta a samboniani; tá se bem
N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga
Mulungo - M´zungo; branco em Zulu
Adaga: - Punhal em forma de foice usado por muçulmanos
Anhara: - Zona plana e, com plantação rasteira, de clima seco ou semi-desértico e tropical
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto.
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mabanga: - Bivalve do tipo ameijoa que sangra vermelho.
Imbambas cassumbuladas: - Coisas roubadas; riquezas arrebatadas; jogo de sacar por toque brusco.
Mafulo: - Holandês em quimbundo; Gente invasora da Companhia das Índias Orientais ou Ocidentais; flamengo.
Tropa de tropeiros: - Exército de condutores de burros (Brasil, Cisplatina); O tropeiro era um viajante das zonas agrestes ou do sertão.
Charque: - Tipo de sal; carne seca (Brasil)
Matuto: - Mestiço; filho de branco e índio.
Xicululo: - Gente de mau-olhado; olhar de lado; gente de dar azar.
N´ga: - Senhora
(Continua ...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:09
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2019
KILUNDU . III

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
Botando fumaça por meu arcabuz de outra geração chamado de canhangulo, fiquei assim matumbola mesmo ..... Desta feita estávamos em Granada...
NA LAGOA DO M´PUTO - 02.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto

Estava admirando os 15.000 mortos de Guernica quando com aura de santo-maior entrou uma figura pela porta frontal; era nem mais nem menos a Kianda Pieter que, varrendo com os olhos o salão “café solo” poisou em mim a ansiosa vontade do encontro. Porque ali, era um pambo n´jila especial de Granada.

granada4.jpg Efusivamente dirigiu-se-me com as duas mãos abertas ao espaço seu Duilo (Céu) mostrando todos os seus anéis. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contra-luz cintilando um desassossegado arco íris.
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Era agradável estar ali confraternizando com o passado que, nem sempre foi risonho; Entre um era-não-era em coisa acontecida mas não vista, assim como São Tomé, só relíamos poemas de Garcia Lorca referente à guerra de 1937 a 1939 com quadros dantescos quando do bombardeamento de Guernica e atrocidades de uma disputa civil.

guernica1.jpg Entalados na memória entre Nacionalistas de Franco e Republicanos que perfurou como uma faca sem fim toda a Espanha, nós só podíamos rever nossas próprias fugas em um mundo feito de muitas guerras.
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A sala espaçosa estava recheada de quadros sobre esses acontecidos passados como uma galeria de horrores de Granada da Espanha dos toureiros e muito olé-olé. Sentei-me num recanto em uma cadeira em madeira talhada com motivos de produtos da terra, pedi um “café solo” e uma tortilha de “manzana”.

guernica2.jpg O olhar não se desprendia dos corpos desmembrados em destroços retorcidos, gente e animais espalhados pelos campos; um treino de preparação à grande guerra que viria a acontecer em 1940. Ainda faltavam cinco anos para eu nascer e andava já tropeçando com os matumbolas coadjuvado pelo meu muito próximo Januário Pieter que conhecia todos os contornos ao pormenor. Há coisas que só acredito porque sou eu a contar! Fosse outro qualquer dava-lhe berrida no segundo.
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Sabes!? Eu não sabia ao certo mas ele falou: Os Alemães ajudando Franco a tomar o poder aprendendo aqui a matar, preparando-se para a guerra, essa que te viu nascer. E, arrepiei-me, sabem - Sentia-se desprender da tela o odor fétido da morte.

araujo19.jpg Nesta cidade tão cheia de memórias, havia felizmente, espaços retemperados à noite com flamengo, uma dança que reflecte o estado de espírito cigano. Estava aqui como que esperando aleatoriamente Januário Pieter, a assombração Kianda que pouco a pouco foi ficando o meu “Guru”.
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Entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, zuniam na minha cabeça legionários às ordens de Franco gritando “viva la muerte” mutilando o meu medo envidraçado de repugnância a todas as guerras.Estava agora, pronto a fazer com ele, Januário Pieter um pacto de sangue sem sangue - a seco, tornar-me um cipaio do seu arimo (lavra horta, n´nhaca).

araujo100.jpg O pacto foi feito, aceite e aprovado na maioria sábia de dois, a saber: T´Chingange, o próprio, com Januário de Sangano da Muxima de N´Gola. Foi quando explicou com detalhes de vôos rasantes. Aviões Nacionalistas matando indiscriminadamente gente impregnada de susto sem celeiro ou pontes para se esconderem; brigadas internacionais, idealistas lutando com armas diferentes de um credo sem culatra, munições encravadas em sonhos inúteis.
( Continua ... )
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:45
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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