Quarta-feira, 23 de Março de 2011
BRASIL EM 3 PENADAS . V

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

Do Pantanal à Amazónia - 1ª parte

  Põr do sol no Pantanal

Com pensamentos molhados, através da transpantaneira, chegamos a Poconé, capital do garimpo; no céu nuvens carregadas de escuro com um sol deslumbrante, raiava em luzernas multicolores.  O português Aleixo Garcia foi o primeiro a visitar estas terras baixas no ano de 1524 tendo alcançado o rio Paraguai através do rio Miranda, atingindo a região onde hoje se situa a cidade de corumbá.  Num horizonte sem fim, araras, tuiuiús, mergulhões e minúsculos beija-flores davam-nos as boas vindas na fazenda Mato Grosso. Na beira rio embarquei sonhos escondidos à mistura com mistérios de sucurí e esperanças caldeadas em saudade. Ali no Pantanal, giboiei na rede picado a mosquitos, pesquei piranha e cavalguei no charco entre caimões, capivaras, aves pernaltas, cuxias e lontras luzidias. Espelhadas a pôr de sol nas quietas águas do rio Pixaím, as baladas choradas do Peixinho tinham um encanto que não sei descrever mas, do que ouvi, apreendi:

- Eu sou cria desta água

- Meu olhar, corre sem fim

- O meu canto, chora as mágoas

- D’ um rio dentro de mim.

 Percorrendo um trilho aguado

O pantanal de Poconé limita-se, ao norte com a própria cidade de Poconé, zona mais alta de savana, ao sul com o rio São Lourenço, no limite com o pantanal de Paiaguás, a leste com o pantanal de Barão de Melgaço e a oeste com o rio Paraguai. A vegetação mostra charcos imensos, repletos de ciperáceas e juncáceas, além de campos, savanas e florestas. Elementos da vegetação amazônica ocorrem em menor freqüência. Com o vento norte, impregnado de odores gentios, deslizavam longos e escorridos cabelos pela nossa mente. Cruzando mantos de verdura, a espalmada água escorria lentamente entre cordilheiras de raza altura, currais, fazendas e roças de quilombos. Naquela largueza, em terras de fujões, escravos sem eira nem beira, recordávamos a história dos bandeirantes e capitães-de-mato, levando aqueles lá mais para longe, atrás da chapada, fazendo soberania escondida; tempos idos dum império que subsiste nas crenças e no espírito aventureiro dos descendentes do rei Oba´ II. Saídos das negruras de África, ainda perdidos no tempo, arranham a terra garimpando a vida sem saberem que afinal construíram um país a que se chamou de Brasil. O índio, o caboclo ou o matuto, continuam a cortar o ipê-rocho, o pau-brasil, a cajá e os castanheiros que dão a sukucaia e, na beira rio, vão cantando:

- Canoa que não tem quilha

- Não atende o canoeiro

- Um país fora da trilha

- É navio sem paradeiro

 O que chamam de cordilheira  inundada

MARÇO DE 2011 -  O que aqui é descrito num tempo passado está hoje coberto de água. Os rios  que dão origem ao bioma constituindo a savana estépica  devido às grandes chuvas inundaram pelo que muito gado está a morrer afogado. Os fazendeiros tentam minimizar os prejuizos deslocando as manadas para sítios mais alto , que diga-se são poucos e distantes entre si. 

Glossário - palavras sublinhadas

 

tuiuiú - pássaro pernalta símbolo do Pantanal; sucurí - cobra, giboia; giboiei - descansei em letargia; caimão - pequeno jacaré das Américas; capivara - animal que parece um rato e é do tamanho de um porco, herbívoro; quilombo – o mesmo que quimbo, sanzala rural; fujões – escravos fugidos das fazendas; capitão-de-mato – cipaios ou guardas dos fazendeiros com alvará de busca ao infractor escravo; Obá II – escravo de linhagem que se tornou famoso entre outros e, que se sublevou; caboclo – homem rude tarefeiro; matuto – cruzamento entre índio e mulato (ou branco); ipê-rocho – árvore de grande porte , pau d´arco; sukucaia – fruto do castanheiro do Pará; manissoba – saca-saca, folha de mandioca fervida durante sete dias ( para retirar a seiva venenosa); jabirú – o mesmo que tuiuiú, pássaro do pantanal (nome popular usado em forma perjurativa); boto – golfinho do rio (toninha); “çairé” – festa anual em Alter do Chão , homenagem ao golfinho; marabás,...Xaporis,...- tribos de índios; carimbó – festa dos recolectores da floresta amazónica, seringueiros e agricultores de enxada e catana, pisteiro de onça; guarané – o mesmo que guaraná em dialecto Maué; caramurú – homem branco do sul, normalmente de Porto Seguro ou Santa Catarina; forró – excitação suada por ambiente festivo, que se traduz em alegria; seringueiro – homem que extrai a borracha da árvore; cuxias- herbivoros de pequeno porte; cajá – taparabé, fruto tropical parecido com a nespera, gajája.

 

 

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:54
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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