Quarta-feira, 13 de Julho de 2022
MOKANDA DO BRASIL . XVI

TEMPO COM CINZAS27.01.2022 - No Nordeste brasileiro

E, aqui na PAJUÇARA - Se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar COVIDADO…

Crónica 3233. Republicada a 13.07.2022 no M´Puto

PorSoba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

xique xique4.jpg Embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não nos ver, fazendo-nos sofrer por culpa de outrem. Na Praia da Pajuçara leio a notícia que é coisa que se tira a desejo, do fim do Sol espojando-se para o sono da noite. Foi um ontem transladado para hoje como um espelho preto. Da tristeza que sempre é notícia de toda a hora, o gráfico da ó·mi·cron que corresponde à letra “O” do alfabeto latino, subiu aqui e ali e, mais gente morreu.

Neste meio tempo de escrita, vou sendo rodeado de chapéus coloridos, cadeiras e mesas, caixas térmicas isopor ou esferovite com estampas de cerveja a estalar de frio, gulosas que chega, gente gira com barulhos de linguajar de Gravatá. Mais logo virão a música de forró e anedotas de repentistas caboclos, matutos e gente gira de cu-ao-léu, sereia mostrando a barbatana, os fios entalados na alegria dos olhos e cheiros de entaladinhos mais coxinhas de galinha e o acarajé da tia Alzira.

xique xique2.jpg E, assim e aqui na praia com algum aperto de desânimo aproveito para olhar para a banda de onde ainda se praz qualquer luz da manhã. Posso ver as velas enfornadas ao vento que vem do horizonte fazendo nadar as jangadas. Assim, mesmo sentado vou lambendo a fantasia de afinal quando é que a velhice começa surgindo de dentro da mocidade. Coisa endoidada de lembrar ao espaço pensamento em minha cabeça…

Lamber a maldição é castigo, mas a noticia que sempre a há, a gente tem de ir por ela, com ela e, entrar assim num mundo para buscá-la. A mulher caranguejo passa caminhando, bem, descaminhando ginástica de para trás, agarrando juventude na prática exercitada. Andando assim para trás diz-nos bom dia! Conhece-nos por temporada! Eu sou o que sou mas ela, mesmo andando à ré, continua a ser ela

paju1.jpg A mulher caranguejo já nem nos via há três anos mas, reconheceu-nos; quis saber notícias das maldades do mundo e, foi-lhe dito as balelas que todos sabem. Aos olhos da minha vazante, a maré já começava a subir, teria tempo de falar algo tal com falei e, eram 8 horas e 20 minutos, estava a meia hora de regressar ao meu mukifo no PortVille já ginasticado com a dose habitual de talassoterapia, escrever depois a minha crónica número 3233 para a Kizomba (esta).

Passar a limpo a mesma no computador, tomar o meu café da manhã “santa clara” e provar a canjica de milho branco com umas sementes de girassol e erva-doce porque a memória que Deus me deu não foi para palavrear às arrecuas; andando assim como a mulher caranguejo. E, sou mesmo forçado a criar tabus no meu espírito para me manter são na guerra da vida.

paju2.jpg Ou fico em silêncio, ou falo dizendo impropérios à falta do fervor alheia. De todo o modo, assim ou assado, com este ou aquele, no M´Puto ou aqui em terras de Vera Cruz, terei de aceitar o meu posto de cidadão, mesmo faltando-me a confiança; mesmo que daqui advenham tempos sombrios e confundidos. Terei de ir mandando pontapés aos espíritos, às arrecuas e de costas, pois!

Todos iremos morder o pó ou o fogo consoante a forma como desejarmos dispor do nosso bem-amado esqueleto. Toda a vez que vejo ou ouço "todo mundo usando máscara" impossível que minha mente não rebusque os estudos escatológicos da marca da besta que para mim é a mesma coisa. E falo isto agora, porque ainda me é permitido, porque eventualmente, em um futuro próximo já não me permitirão mais dizer o que penso. A vida anda muito perigosa...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:09
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PARACUCA . XLIII

MULOLAS DO TEMPO . 1426.01.2022 em Pajuçara do Nordeste brasileio

RECORDANDO: 25º dia. Nós, bazungus no SITIMA-IN de Nkotakota às margens do lago NIASSA do MALAWI… 15 de Outubro de 2018

- Crónica 3232 Republicada a 13.07.2022

Por soba17.jpg T´Chingange – No AlGharb do M´Puto

Malawi táxi.jpg Nkotakota era originalmente, no século XIX, um grupo de aldeias que a partir de seu porto, serviram como interposto comercial de escravos suaíli-árabes. David Livingstone convenceu o chefe Jumbe a parar com o comércio de escravos debaixo de uma árvore chamada de Nkotakota; este nome prevaleceu no tempo tendo o presidente do Malawi Hastings Banda discursado em 1960; supostamente nessa árvore ironicamente conhecida como a Árvore Livingstone.

A 100 metros do Sitima-in, experimentei entrar na água do lago e, andando até os joelhos pude apreciar estar a uns 23 graus; Eram 5,20 horas da tarde e os pescadores estavam chegando com seus barcos; logo começaram a vender seu produto a quem queria ao jeito de lota, tilápia, chissipa, bagres e uns outros muito semelhante a carapaus, mas mais esguios. Na pousada, foi dia de se comer piza variada. Não caí na tentação de comer carne porque parece sempre a prepararem demasiado torriscada e rija como chifres.

malawi2.jpg Por via disso o comandante Vissapa partiu sua esquelética e anda agora com toos os cuidados, metendo amiudadamente uma cola rápida de segurar ferraduras e coisas assim. Amanhã iremos para Sul em direcção a Monkey Bay. Isto aqui é um lugar surrealista ao lado de uma linha desactivada, que sem estação se situa junto a um desmoronado porto com as pilastras e lages tombadas a fazer de prancha de saltos para os candengues. É mais um lugar de Kiandas Roxas…

O edifício tem nele incrustadas peças de navios podendo vislumbrar-se estas incrustações tanto na fachada como dentro da mesma. Tem cambotas, bielas e chaminés do tipo de vapor. Logo à entrada tem duas grandes rodas, daquelas de conduzir navios por onde esvoaçam mosquitos e osgas gordas, dinossáuricas. A dona tem olhos azuis, veste cetim com rosas azuis e verdes. Veio de Upington lá no Orange River, Cabo Setentrional da África do Sul a 120 Kms. das Quedas de Augrabies, lugar que já visitei; por isso, trocamos algumas palavras de consertar empatia…

dia146.jpg Nas nossas congeminações fizemos desta estalagem um antigo bordel aonde os marinheiros brancos usavam seus ministérios. Nesta casa de sonho de tempo tempestuoso havia hélices, motores, portas e janelas de carros e vagonetes à mistura com gigantes parafusos-sem-fim e êmbolos de casas de máquinas de vapores naufragados.  Vissapa referiu terem sido de navios usados ali na segunda guerra mundial - talvez!? Já li descrições de enfrentamentos de alemães na parte Norte do Niassa de Moçambique mas não sou assim tão atreito em acreditar num talvez! Muito menos aqui em África e, no lago Karibe… Quem sabe!?     

Da superfície das águas elevam-se nuvens em espiral de transportar kiandas do kalunga. Um mistério que vai alimentar muitas conversas, originar escritos de sonhos com danças de boas vindas ao Niassa! Pois aqui, em Sitima de Nkhotakota, uma casa feita de assombro e restos dum barco encalhado com o nome do capitão Steve, são as fantasias de Vissapa a recordar estas coisas escondidas em seus sonhos. Almoçamos na sala do capitão mas este, não apareceu naquela forma de olho tapado com perna de pau e um gancho a fazer de mão…

luua04.jpg Andamos de sítio em sítio sem vermos o tal de “Ilala Boat “ que dizem andar pelo lago levando no 1º andar os turistas bazungus carregados de máquinas, binóculos e edecéteras com canivetes de Mack Guiver com mais de dez aplicações e um colete com bolsos secretos para guardas shillings, dólares, randes ou kwachas; pois! E, no andar inferior os que vivem nas margens do Niassa e que tem de transportar galinhas, mandioca e peixe seco t´chissipa. Era suposto haver um barco ali mas só ficamos pelo talvez sem fazer o desejado passeio.

Um barco que sempre nos traz à memória "A Curva do Rio" de V.S. Naipaul e também do Peter Pan… A divisão das fronteiras tem coisas surpreendidas; daqui não se avista a costa do Moçambique - o lago parece ter mais de 80 quilómetros de largura. Falam de uma ilha de nome Likoma terra de kiandas sábias que curam mazelas fazendo trepanação com seus dedos, muitos dedos mas nós, só pensamos por agora ir à ilha de Bazaruto em frente a Inhassoro já na costa do Oceano Indico. Talvez?

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:00
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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