Sábado, 29 de Abril de 2023
N´GUZU - XLVIII

CONHECER MELHOR O BRASIL – ALFORRIA  

1ª Parte - Crónica 3379 - N´Guzu é força (Kimbundo) – 29.04.2023

Por araujo175.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

arau44.jpg Ao longo do século XIX, no Brasil, várias foram as diligências buscadas pelos escravos para conseguir sua liberdade. Muitos tentaram a fuga refugiando-se em quilombos. O sonho da liberdade não se desvanecia, contudo a fuga do engenho, seu normal lugar de trabalho, só era possível em direcção ao agreste e depois sertão. Quase sempre os escravos fujões, voltavam ao engenho, normalmente ao fim de alguns dias, debilitados e até feridos pelas dentadas dos cães de fila que acompanhavam o guardas nas buscas. Vinham carregados de ferros!

Regressados ao engenho, eram submetidos a castigos no tronco. Eram chicoteados e por vezes ou quase sempre era-lhes aplicado um ferro em brasa na cara gravando-lhes um “F” de fugitivo. Os que não regressavam eram possivelmente capturados pelos índios selvagens e, nalguns casos, certamente comidos. Todos eles se interrogavam por muitas vezes sobre qual seria a situação do seu reino do outro lado da kalunga. Sempre que chegavam novos escravos ao engenho, procuravam saber por eles, notícias da Matamba, do seu Kongo de N´Dongo.

arau4.jpg Mas, nem sempre obtinham os resultados desejados, pois que ou eram de Minas, gente do Zaire, Benim ou Muçulmanos e, muito raramente da sua etnia. Assim, metidos num atoleiro aparecia o capataz, um encorpado mulato mazombo que por via deste empate e quebra no rendimento, logo o ameaçava levar ao pelourinho, o tal tronco das calamidades. Alguns até obtinham sucesso, escondendo-se nas cidades; outros participavam em rebeliões e alguns optavam por saídas mais drásticas assassinando senhores, feitores ou cometendo seu suicídio.

Mas, um grande número obteve a liberdade pela via institucional, por meio de formas de libertação previstas em lei legitimadas pela sociedade que geria as alforrias. Assim como no período Colonial, antes de 1822, ano do início do Brasil Imperial, os veículos legais de alforria eram a “carta de liberdade ou alforria”, registada em cartório, o registo de baptismo em que o senhor libertava a criança, a denominada “alforria na pia”, a disposição testamentária do senhor ou de um seu representante legal  ou por procuração.

quilombo2.jpg A alforria poderia ser de dois tipos: a gratuita ou a incondicional. Nesta última, quando o senhor dono dava a seu escravo carta de liberdade que doravante, como se dizia então e, que passava a dispor de si e do seu tempo como bem entendesse; também da compra da alforria, quando escravos ou terceiros interessados em sua liberdade, pagavam determinada quantia aos senhores pela troca; da restrição em que se condiciona ao escravo um tempo determinado para trabalhar por sua conta e assim, perfazer o valor previamente estipulado.

A alforria condicional, pressupunha a prestação de serviço ao senhor por tempo alternado ou até à morte deste. Um dos problemas causados pela concessão desses dois últimos tipos de alforria, era a definição jurídica dos filhos das mulheres libertadas condicionalmente ou, pela coarctação, pois havia os que entendiam que elas ficavam livres, desde que se estabelecessem condições para a liberdade, enquanto outros, defendiam que as mulheres só ficariam libertas de facto e, com elas o seu ventre ao receber sua carta de alforria.

arau155.jpg Teoricamente, todas as alforrias podiam ser revogadas caso houvesse ingratidão, por parte dos escravos, possibilidade que se foi tornando remota ao longo do tempo e, não mais admitida a partir do ano de 1860. Para além dessas alforrias concedidas de comum acordo entre o senhor e o escravo, havia outra cuja libertação era concedida contra a vontade do senhor.

Em primeiro lugar, a liberdade obtida por meio de acções judiciais quando os escravos procuravam a justiça reclamando escravidões ilegais, ou argumentar que seus senhores haviam descumprido acordos previamente estabelecidos. Em segundo lugar, as alforrias mediante serviços militares, nas quais escravos fujões, procuravam o exército  A fim de servir como soldados e, assim conseguir a tão almejada carta de alforria ou pelo simples recrutamento para as fileiras por via de guerras em curso. Esta prática da instituição militar foi exercida na Guerra do Paraguai.

(Continua…)

O Soba T´Chingange       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:50
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VIAGENS . 10

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA “SONHAJANDO A VIDA”

Crónica 3378 – 29.04.2023 - PAJUÇARA - Em Maceió como Zelador-Mor do Zumbi de N´Gola…

Por urubu.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Na da Ponta Verde de Maceió

dia147.jpg O boi, está entre os animais mais infelizes do planeta terra. Contemporaneamente, um vitelo em uma exploração industrial de carne, logo depois do nascimento, é separado da mãe e trancado numa jaula minúscula, pouco maior do que seu próprio corpo. Passará ali toda a sua vida, em média, cerca de quatro meses.

Nunca deixa a jaula nem lhe é permitido brincar com outros vitelos ou mesmo andar. E, para que os músculos não se tornem demasiado fortes – músculos fracos, significará que a carne fica mais macia e suculenta. A primeira vez que o vitelo tem uma hipótese de andar, esticar os músculos e tocar noutros vitelos é a caminho do matadouro.

pajuçara02.jpg Em termos evolutivos, o gado bovino representa uma das espécies animais mais bem-sucedidas no respeitante à sua evolução. Deveria ser assim mas, está entre os animais mais infelizes do globo. Tudo o aqui descrito, provem de uma forma de dizer, uma linguagem que nem sempre o é eficientemente comedida por obedecer a uma fórmula baseada em factos demonstráveis.

Depois, com as metáforas damos arranjo à justificação para tudo. E, se nós de repente fossemos vistos e tratados como bois, no criar normas de como acabar os dias, regularizar a morte pela eutanásia, a vida pelo uso do desagravo ao aborto, fazer conferências de conhecimento usando palavras mais carregadas de sentido por supostos especialistas ou científicos.

abobora2.jpg Obrigarem-nos a substituir a lei natural, a que nos foi legada pela natureza com Deus no topo da pirâmide ou hierarquia do entendimento. Tudo se torna muito complicado com derivações no culto da mentira e, sabendo de antemão que não sabemos tudo acerca de nós próprios. Este mundo de celebridades, da futilidade da bisbilhotice, romances e falta de justiça com negócio de assinaturas…

Também um estado cada vez mais estado, cuidando das regras, ajustando e regulando as leis a seu contento e dando origem a prescrições a contento de suas vontades ou pancadas ideológicas. Como todos podem verificar, andam a retirar-nos a capacidade de sobrevivência de grupo, deturpando e dividindo-nos na via normal de raciocínio.

missosso2.jpegSe os deuses da tradição grega da antiguidade estivessem a observar-nos, olhariam decerto para o erro humano, do mesmo modo que o fizeram em relação às comédias e às tragédias. Sim! Que diriam esses nossos antepassados ao observar nossas fraquezas, nossas muitas falhais que nos deixam constrangidos.

Do como somos orientados por governantes de alto coturno, do topo da hierarquia, a tomar atitudes que fazem de nós gatinhos, sempre jovens, a balouçar, correndo e saltando atrás de um novelo de fio que se arrasta pelo chão. Bem! Nesta crónica sempre é melhor ser gato que boi! Não é boiada!?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:25
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Quinta-feira, 27 de Abril de 2023
N´GUZU - XLVII

CONHECER MELHOR O BRASIL – QUEM  FOI  BAQUAQUA

Parte - Crónica 3377 - N´Guzu é força (Kimbundo) – 27.04.2023

Por Baquaqua02.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

áfrica19.jpg  A sentença favoreceu o capitão do navio que considerou os escravos como parte integrante da tripulação. Enquanto os abolicionistas recorriam da sentença os escravos fugiram da prisão. O caso repercutiu nas imprensas norte americana e brasileira. Baquaqua, o falso José da Costa, nome cristão, foi parar a Boston acabando por fixar-se no Haiti um país pobre mas, aonde a escravidão havia sido extinta décadas. Haiti um país caribenho que compartilha a Ilha de São Domingos com a República Dominana. A Revolução Haitiana, feita por escravos e negros libertos, durou quase uma década e, todos os primeiros líderes do governo foram antigos escravos.

Ali, converteu-se ao protestantismo mas, não se adaptou. Retornou a New York onde ingressou no Central College, havendo registo de sua condição de estudante no ano de 1850 com o seu verdadeiro nome de Mahmmah Garbo Baquaqua nesse mesmo ano. Uma descrição feita no jornal Grawville Expess descreve-o como usando roupas muçulmanas e, sendo referenciado como um africano de fala árabe. Na universidade sofreu por conta do racismo e esta forma de “Bullying” que designa actos de agressão e intimidação repetitivos, que nesse então originaram, sair em fuga para o Canadá aonde se naturalizou cidadão.

ÁFRICA11.jpg É provável que tenha escrito a sua biografia nessa nova etapa de sua vida no exílio que veio a ser publicada m 1854 por Samuel Moore em Detroit com o título Biograpy of Mahommah Baquaqua. Muitas das passagens na reedição de sua autobiografia podem ter sido alteradas ou crescentadas conforme os interesses missionários ou abolicionistas pelo editor, no ano de 1853, ainda antes da publicação do livro.

Baquaqua tentou retornar à sua áfrica oferecendo-se como tradutor para a American Missionary Association que estabeleceu missão em Serra Leoa. Ele pensava chegar a Djougon, sua terra natal, através de Serra Leoa, mas não obteve êxito, acabando por viajar para Inglaterra no ano de 1857. A experiência do falso cristão José da Costa, que conhecia vários dialectos africanos para além do árabe, português e inglês, é singular entre os africanos lançados na América.

ÁFRICA18.jpg A dado momento da descrição de sua biografia faz referência da astúcia dos homens brancos, da preguiça dos aborígenes índios e da muita superstição dos chamados africanos. Sua experiência como escravo, serve como exemplo de trajectória de cativos traficados do Benim para o Brasil, bem como do sonho acalentado por alguns, de retornar às terras de origem.

Ao invés desta biografia e para quem desconhece ou faz por isso, mais de um milhão de brancos, na segunda metade do século XX sentiram essa violência de sair de sua terra por via de uma descolonização mal feita; chamados de retornados são desenraizados de seus lugares de nascimento, mandados para outros sítios do mundo e, sem viagem de regresso. Foi a vergonha da descolonização Portuguesa que ninguém aborda com honestidade.

carocha4.jpg A Portugal se deve esta saga de maus agouros. Mesmo sendo brancos saborearam esse termo de retornado, largando tudo e, à margem de qualquer movimento humanitário. E, passados que são quarenta e oito anos, não houve um alto dignatário da nação de Portugal que no mínimo pedisse desculpa a este conjunto de gente como um ressarcimento do mal feito. No entanto, todos os anos e pelo vinticinco de Abril dão comendas, dão ordens de Cristo entre outras, a quem nunca, nada fez…

Esta crónica é elaborada no intuito de dar a conhecer factos que foram e são ainda passados, e dos quais ainda deixam marcas profundas para os vindouros. E, os vindouros são meus filhos, os filhos de outros milhares: na minha missão fictícia de ZelBdor-Mor da Fundação de Zumbi de N´Gola com sede no Baobá, imbondeiro sito na base da Serra da Barriga, no Morro dos Macacos, um kilombo dos Palmares e aonde o sobrinho Zumbi matou o tio Gana Zumba por este não usar a diplomacia acertada. A história deste mundo assenta em azedumes e desencontros que o tempo dilui no acaso com falsidade! E, ninguém é culpado porque o tempo, faz o especial favor de prescrever – A lei dos homens que fazem parte da globalidade…

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:58
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Quarta-feira, 26 de Abril de 2023
PARACUCA . LXIII

A NUDEZ DA VIDA – MULOLAS DO TEMPO - 34

RECORDANDO: Em Komatipoort  e  Sudwala Caves…

Odisseia “HAJA PACIÊNCIA” – Recordando o 11 de Novembro de 2018 – Do 55º ao 57º dias de Domingo, Segunda e Terça-feira de 2018…  Crónica 3376 - 26.04.2023

Porzimbabwé4.jpgT'Chingange – (Otchingandji) na Pajuçara de Maceió

zimbabwé5.png Já se passaram quase cinco anos depois da Odisseia com “o melhor condutor da áfrica” e, recordando os 57 dias a atravessar os oito países austrais daquele continente, revejo hoje aquela que seria a ultima crónica de Paracuca e, que agora, tardiamente sai para cumprir o que em mim estava engravidado de promessa! Os países atravessados na condição de penduras - (eu, T´Chingange e minha mulher Ibib) foram África do Sul, Namíbia, Botswana, Zimbabwé, Zâmbia, Tanzânia, Malawi e Moçambique… Posto isto, irei simplesmente repor o que recentemente se publicou com o título de Moamba; e, porque tudo acontece por um acaso, que só faltava ultimar, um clique. Clik que surgiu na gestão de um silêncio muito perto de um farol.

Eufemismo, é a maneira de não falar claro e simples para ver se as pessoas não entendem. Expressão que suaviza também o sentido reduzindo sua carga negativa como o dizer-se que alguém está já vivendo no reino da glória em vez de dizer que aquela tal pessoa morreu. Por isso digo a esse alguém que complica: Diga logo quem morreu! Deixe-se de trololós! O palavrão de inconfidência, é a falta de lealdade para com alguém indo mais além do eufemismo por ser ou parecer uma mentira camuflada. Tudo são sofismas na forma de falácia e, associei aqui uma coisa com a outra complicando-me no lado racional para culminar as falas.

Zimbabwé1.jpg Pensando nas quenturas da vida, como o foi esta odisseia de 2018, sentado sobre meu silêncio num corrido banco de ripas, volvidos uns bons quinze minutos e, olhando o pisca-pisca do farol da Ponta dos Corais, desperto a um chamamento de um já homem simplório nos procedimentos e sem feição dum aparente mal, dirige-me a palavra sem um mais nem um porquê: O senhor está bem? Sim! Respondi que estou! E, de novo perguntou: O senhor está com Deus?

E de novo respondi que sim, até no intuito de evitar delongas em desconformidades. Ao invés de me fazer uma nova pergunta, estendeu-me a mão e, dei-lhe a minha em cumprimento. Assim e do nada, o silêncio voltou em pensamento calado, qual seria o mal deste já senhor. Deduzi que o casal próximo seriam ou seus pais ou seus avós pois que insistiam ser já horas de tomar os remédios e para tal teriam de voltar para casa. Pacientemente insistiam perante a teimosa vontade de ver a maré secar e poder ii até o farol bem no meio dos recifes, já noite feita…

paracuca10.jpg E, perante tanta teimosia e azedume num vamos que vamos, um rapaz feito homem ou o inverso disto – quero ir ao farol! Por ali ficaram nesta periclitante diversão Saí para regressar pensando cá para mim que aquele mal seria uma anomalia do género do cromossomo 21 que causa um progressivo atrofiamento intelectual ou outra qualquer anomalia no desenvolvimento citogenético, o que conhecemos por síndroma de Dawn ou então uma já adiantada esquizofrenia.

E, porque já sofri uns bons sessenta dias andando com alguém com esta suposta doença invisível, atravessando áfrica, cenas de “Paracuca”, posso apreciar a calma necessária, que eu não tive, para suportar um destino de amizade que acabou em Johannesburg, graças a Deus. Pois assim é, assim foi! A escassos quilómetros de Nelspruit de Mpumalanga havia em tempos, gente refugiada nas grutas que tinham um kazumbi tão forte que até guardavam a morte no sovaco. O último senão foi com a recusa peremptória de irmos até às grutas de Sudwala Caves. A negativa foi peremptoriamente muxoxada em edecéteras – ali não havia bichos! Ponto final.

paracuca15.jpg Mas e porque já lá tinha ido posso lembrar. Bem! Quando lá entrei, uns anos antes desta peripécia havia realmente um forte cheiro a catinga. Catinga que já cheirava a cadáver mas aquilo eram estromatólitos colados ao tecto, um pouco diferente das estalactites ou estalagmites. Mas o certo é que havia sim, uma imagem em um grande salão com o nome de Nossa Senhora da Muxima. Para uns já era de Lourdes e para outros de Nossa Senhora de Fátima. Bem! Descrevo isto porque fui lá. Ele, o “melhor condutor de áfrica” não me quis como cicerone… Foi o ponto final…

zambeze1.jpg Esta crónica seria a ultima da série “Paracuca” mas, desta feita vai ficar assim em moamba que é o nome de uma comida típica angolana mas, e aqui no Brasil é termo conhecido como algo feito à margem da lei, coisa duvidosa própria de um candongueiro. Bom! Para dar término ao tema esquizofrenia direi que as causas exactas da esquizofrenia não são conhecidas, mas uma combinação de factores, como genética, ambiente, estrutura e químicas cerebrais alteradas, que podem influenciar neste mal. Ela, a esquizofrenia é caracterizada por pensamentos ou experiências que parecem não ter contacto com a realidade, fala ou comportamento desorganizado e participação reduzida nas actividades cotidianas. O tratamento costuma ser necessário por toda a vida e geralmente envolve uma combinação de medicamentos, psicoterapia e serviços de cuidados especializados. (Esta, seria em verdade a última PARACUCA. LXIII, das MULOLAS DO TEMPO 34  sai desta forma... Cinco anos depois do ocaso…)

FIM DA ODISSEIA

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:42
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Terça-feira, 25 de Abril de 2023
N´GUZU - XLVI

CONHECER MELHOR O BRASIL – QUEM  FOI  BAQUAQUA

1ª Parte - Crónica 3375 - N´Guzu é força (Kimbundo) – 25.04.2023

Por roxo170.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

roxo107.jpg Hoje irei contar em primeiro episódio o que foi a vida de um escravo entre muitos mais, muçulmano de nascimento, que se libertou do esquecimento por via de ter escrito sua biografia. Sendo assim começo pelo princípio. Seu nome era de Mahommah Gardo Baquaqua que porque se autobiografou, podemos hoje reconstruir sua trajectória, com detalhes desde sua captura em África até à sua ida para Inglaterra.

Baquaqua, passando pelo cativeiro no Brasil descreve diversos aspectos de sua captura em sua terra natal, a cidade de Djougou no interior de Benim. Convém recordar que Benim é um pequeno país situado no Golfo da Guiné encravado entre a Nigéria, o Gana e Burkina Faso. A economia mundial de então, facilitou que se estabelecessem, na costa denominada de Costa dos Escravos, entrepostos comerciais de ingleses, dinamarqueses, portugueses e franceses.

Baquaqua4.jpg Aquele interposto comercial ficava situado entre Asante e o Califado de Sokoto. Baquaqua, deu-nos a conhecer a forma de governo, da religião, dos costumes, sistemas de alambamento (casamento), procedimentos fúnebres e até economia. Não virá mal ao mundo dar a conhecer os rascunhos dele, membro de uma família muçulmana de comerciante, cursou a escola corãnica e participou de caravanas comerciais sendo capturado pelo exército Ashanta; foi resgatado por seu irmão mas, caiu de novo prisioneiro, sendo enviado a Ouidah no início de 1845; exactamente cem anos antes do meu nascimento.

Foi aí vendido ao Brasil para um engenho de Pernambuco. E, estando já na recta final do tráfico negreiro, então muito combatido por Ingleses e um crescendo de abolicionistas. Nesse mesmo ano seria decretada a Bill Aberdeen, a mais expressiva das leis anti tráfico. Sua vida de escravo no Brasil, que durou três anos e após a travessia do Atlântico nas insalubres condições no porão do navio negreiro, foi comprado por um traficante que o levou até o interior de Pernambuco, vendendo-o depois a um padeiro.

Baquaqua5.webp Padeiro que era um “patife com feições humanas”, segundo sua descrição. Recebeu nesse porém o nome de José da Costa (só faltou o Lopes para ser meu irmão de verdade…). O aprendizado em fazer pão, amassador de farinha, deu-se na base de surras de porrada e chicotadas, resultando em uma constante insubordinação como é evidente.

Fugiu por várias vezes e até pensou em matar o seu senhor; em dado momento embriagou-se e tentou o suicídio, que lhe valeu ser vendido a um traficante que o revendeu em seguida a um comandante de navio mercantil. E, do porto de Rio de Janeiro, fez viagens para o sul do Brasil sempre sujeito a surras de pancada com chibatadas.

quitandeira4.jpg Na autobiografia, descreve esse período em linguagem muito próxima à do discurso abolicionista, de que só posteriormente tomaria consciência. Em 1847, o navio partiu para os Estados Unidos com carregamento de café. Baquaqua, relatou a alegria que sentiu quando soube que ia para uma terra aonde não havia escravidão! Sabe-se da história que nos Estados Unidos não havia assim essa total liberdade. Lembrar a Ku Klux Klan, da roupa macabra, uma organização terrorista que surgiu nos Estados Unidos, no século XIX, e ficou marcada por ser a maior organização do tipo na história desse país.

No contexto em que foi criada, essa organização perseguia negros libertos e pessoas que apoiavam a concessão de maiores direitos aos negros no sul dos Estados Unidos e, que chegou a contar com quatro milhões de membros em meados da década de 1920. Quando Baquaqua descreveu aquela terra como libre, referia-se a NewYork, mas não foi assim tão simples. Membros da Vigilante Society, consideraram que havia escravos ilegais a bordo do navio pelo que iniciaram uma quezília judicial…

(Continua…)

O Soba T´Chingange       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:44
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Segunda-feira, 24 de Abril de 2023
MOAMBA . LIV

A NUDEZ DA VIDA – MULOLAS DO TEMPO 34

- O MUNDO ESTÁ ENGRAVIDADO DE PROMESSAS...

Crónica 3374 - 24.04.2023 na Pajuçara de Maceió

Por IMG_20170720_115617.jpg T'Chingange – (Otchingandji) 

kariba3.jpg Eufemismo, é a maneira de falar pouco clara para confundir a realidade de um facto, adulterando a realidade - ideia de não falar claro e simples para ver se as pessoas não entendem. Talqualmente, uma expressão que suaviza também o sentido reduzindo sua carga negativa como o dizer-se que alguém está já vivendo no reino da glória em vez de dizer que aquela tal pessoa morreu. Por isso digo para alguém que complica: Diga logo quem morreu! Deixe-se de trololós …

A inconfidência, por outras nuances é a falta de lealdade para com alguém indo mais além do eufemismo por ser ou parecer uma mentira camuflada. Pode bem ser uma forma de expressão para com alguém mas que normalmente é o estado ou o representante de uma soberania. Tudo são sofismas na forma de falácia e, associei aqui uma coisa com a outra complicando-me o lado racional e porque uma grande parte dos líderes mundiais actuais, usam esta forma para baralhar-nos…

Francês1.jpg Pensando nas quenturas da vida com ou sem atrito escorregado, sentado sobre meu silêncio num corrido banco de ripas, volvidos uns bons quinze minutos e, olhando o pisca-pisca do farol da Ponta dos Corais bem no meio do recife, desperto a um chamamento de um já homem simplório nos procedimentos e sem feição dum aparente mal, dirige-me a palavra sem um mais nem um porquê: O senhor está bem? Sim! Respondi que estou! E, de novo perguntou: O senhor está com Deus?

E de novo respondi que sim, até no intuito de evitar delongas em desconformidades. Ao invés de me fazer uma nova pergunta, estendeu-me a mão e, dei-lhe a minha em cumprimento integral, com os cinco dedos. Assim e do nada o silêncio voltou em pensamento calado, qual seria o mal deste já senhor. Deduzi que o casal próximo seriam ou seus pais ou seus avós pois que insistiam ser já horas de tomar os remédios e para tal teriam de voltar para casa. Pacientemente insistiam perante a teimosa vontade de ver a maré secar e poder ii até o farol bem no meio dos recifes , já noite feita…

busq3.jpg E, perante tanta teimosia e azedume num vamos que vamos, um rapaz feito homem ou o inverso disto – quero ir ao farol! Por ali ficaram nesta periclitante diversão Saí para regressar pensando cá para mim que aquele mal seria uma anomalia do género do cromossomo 21 que causa um progressivo atrofiamento intelectual ou outra qualquer anomalia no desenvolvimento citogenético, o que conhecemos por síndroma de Dawn ou então uma já adiantada esquizofrenia.

E, porque já sofri uns bons sessenta dias andando com alguém com esta suposta doença invisível, atravessando áfrica, cenas de “Paracuca”, posso apreciar a calma necessária, que eu não tive, para suportar um destino de amizade que acabou em Johannesburg, graças a Deus. Pois assim é, assim foi! A escassos quilómetros de Nelspruit de Mpumalanga havia em tempos, gente refugiada nas grutas que tinham um kazumbi tão forte que até guardavam a morte no sovaco. O último senão foi com a recusa peremptória de irmos até às grutas de Sudwala Caves. A negativa foi peremptoriamente muxoxada em edecéteras – ali não havia bichos! Ponto final.

busq5.jpg Mas e porque já lá tinha ido posso lembrar. Bem! Quando lá entrei, uns anos antes desta peripécia havia realmente um forte cheiro a catinga. Catinga que já cheirava a cadáver mas aquilo eram estromatólitos colados ao tecto, um pouco diferente das estalactites ou estalagmites. Mas o certo é que havia sim, uma imagem em um grande salão com o nome de Nossa Senhora da Muxima. Para uns já era de Lourdes e para outros de Nossa Senhora de Fátima. Bem! Descrevo isto porque fui lá. Ele, o “melhor condutor de áfrica” não me quis como cicerone… Foi o ponto final…

Esta crónica seria a ultima da série “Paracuca” mas, desta feita vai ficar assim em moamba que é o nome de uma comida típica angolana mas, e aqui no Brasil é termo conhecido como algo feito à margem da lei, coisa duvidosa própria de um candongueiro. Bom! Para dar término ao tema esquizofrenia direi que as causas exactas da esquizofrenia não são conhecidas, mas uma combinação de factores, como genética, ambiente, estrutura e químicas cerebrais alteradas, que podem influenciar neste mal. Ela, a esquizofrenia é caracterizada por pensamentos ou experiências que parecem não ter contacto com a realidade, fala ou comportamento desorganizado e participação reduzida nas actividades cotidianas. O tratamento costuma ser necessário por toda a vida e geralmente envolve uma combinação de medicamentos, psicoterapia e serviços de cuidados especializados. (Esta, seria em verdade a última PARACUCA . LXIII, das MULOLAS DO TEMPO 34 . Cinco anos depois do caso…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:17
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Quinta-feira, 20 de Abril de 2023
CAZUMBI . LXXII

TEMPO DE FRINCHASPajuçara

Crónica 3373 - 20.04.2023 – Havia carros de churros, camelós vendendo nuvens de açúcar e cozinhas volantes de acarajé …

CAZUMBI: É feitiço…

Por xavier 01.jpg  Soba T´Chingange (Otchingandji) - Na Pajuçara de Maceió

No último domingo percorri a pé o espaço de calçadão entre os Sete Coqueiros e a Ponta dos Corais da Ponta Verde, lugar conhecido antigamente como o Gogo da Ema, lugar aonde gerações de gente iam fazer camping no espigão de areia com muitos coqueiros sendo um deles retorcido e, que deu origem a este nome. O Coqueiro, morreu faz tempo mas, naquele seu lugar fiou um monumento moderno a recordar o seu retorcido desenho.

xavier02.jpg A Ponta dos Corais está assente em uma já existente estrutura aonde funcionava um clube náutico, ficando bem ao lado do farol que avisa a navegação dos perigos de ali arribar; Farol que assenta no início do recife que forma a piscina natural da Pajuçara indo até ao Poto do Jaraguá. Este percurso estava apinhado de gente que por ali foi acampando entre a água e o asfalta da via da orla impedida ao trânsito. Havia carros de churros, de gente ambulante vendendo desde farrapos de nuvens de açúcar, o acarajé de cheiro forte a óleo de palpa, dendém.

E havia caixas térmicas de isopor carregadas de cerveja frias levadas por cada qual, carros a vender espigas cozidas de milho e pasteis vários e espetadas de corações de galináceo ou muelas. Uma feira sem o ser aonde uns andavam de patinetes, havia bicicletas, carrinhos com bebes, gente ouvindo musica ou dançando e outros só sentados a receber o vento fresco do mar, vendo os outros ou a maré com cheiro de algas. Os camelós eram muitos e até usavam luvas no manuseio dos paus e guardanapos.  Também havia sorvetes e açaí entre outros que se borrifavam de skol cerveja nas bordas das pistas verdes ou vermelhas para peões e bicicletas.

xavier03.jpg Uma azáfama barulhada em conversas, gritos de ais e uis e, com rádios vomitando musica a gosto. No regresso e já noite passei pelo quiosque da Pedra Virada com música ao vivo, pela barraca do Pirata com animação dum grupo forro, no quiosque da Lopana com música de aguçar vontades e também na barraca quiosque Kanoa com a animação ao rubro. Não houve tempo para me sentar a apreciar os jogadores de FutVolei e, ali permanecer meus minutos de silêncio. Era por assim dizer tudo junto um forro pé de maré; isto é Brasil, gente!

Agora que passo estes memorandos a limpo, cheguei à quarta-feira; o tempo correu aproximando-me do feriado de vinte e um a recordar que de novo vai haver esta azáfama, uma cortição permanente bem ao jeito brasileiro porque um feriado à sexta-feira é pela certa um fim-de-semana alargado. Pois é, dia 21 é dia de “Tiradentes” – feriado que faz alusão à morte do mineiro mais conhecido na história por Joaquim José da Silva Xavier.

xavier1.jpeg As vidas são assim, intemporais e fui ao ano de 1790 chamado desde a vila de São Vicente observar revoltosos capitaneados por Joaquim José da Silva Xavier, conhecido pela alcunha de Tiradentes. Reclamavam contra o pesado pagamento de um tributo em ouro cobrado aos mineiros brasileiros pela coroa portuguesa e, vai daí e para exemplo, enforcaram o Alferes por liderar aquela insurreição. Em verdade era um militar às ordens régias; verdadeiramente era um funcionário do reino de Portugal.

O curioso disto são os contornos que dão às conjuras para aproveitamento político e, vai daí o pobre alferes viu-se metido em alhadas pelos ideólogos políticos que conjugaram o facto, tal como sendo uma revolta a favor da independência do Estado de Minas Gerais. A tal revolta, quase uma inventação a que chamaram de Inconfidência Mineira. Reinava então a rainha D. Maria I e, ainda estou para saber por que carga de água, me escolhi como nomeado para lembrar isto, quando um sargento ou cabo-de-guerra o poderia fazer sem algum transtorno para a administração.

xavier2.jpeg Construindo história na fantasia e utopia, a nação Brasil, aparece ao mundo como justa, fraterna com um futuro a trote, senhores duma cultura diversificada; o Brasil está condenado a ser uma civilização original e rica até aos carnavais do terceiro milénio. A terra “em que se plantando, tudo dá”, uma quase profecia do cronista Vaz de Caminha, que se tornou na graça de Deus, um povo mestiço na carne e no espírito, sua maior valia. Brasil de românticos escritores como Machado de Assis e Jorge Amado e a gente de veredas de Graciliano, do vasto sertão tendo como modo de justiça e vida a vingança açoitada com as próprias mãos na lei do cangaço; do Lampião fazendo poeira nas cavalgadas e, suas rezas nas preces do padre Cícero de Juazeiro seu “paínho” com os bailes ferfumados, com as histórias de dizer: -“Deus mesmo, se vier, que venha armado!”.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:15
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Quarta-feira, 19 de Abril de 2023
MOAMBA . LIII

MORAL DE HOJE – O FALSO, O VERDADEIRO E OS CACOS

Crónica 3372 - a 19.04.2023 na Pajuçara de Maceió

Pornoé001.jpgT'Chingange – Otchingandji 

noé3.jpgNa história breve da humanidade escrita por Yuval Harari, é referido que a presença de um osso humano, uma ponta de lança quebrada ou um caco de louça partida ocupam o centro do palco das extinções de muito animais. Diz que em Madagáscar, como exemplo, as aves elefantes, lémures gigantes e todos os outros animais de grande porte desapareceram de súbito há cerca de 1 500 anos, tempo coincidente com a chegada dos primeiros humanos à ilha.

Que por esse tempo quando agricultores se instalaram na ilha de Salomão, na Indonésia, nas ilhas Fidji e na Nova Caledónia, levaram à extinção directa ou indirectamente centenas de espécies de pássaros, insectos, caracóis entre outros animais nativos. Nos dias de hoje e em pleno Algarve do M´Puto, seguindo esta lógica de raciocínio, em que o homem surge como o maior predador do mundo, irá na certa extinguir esses pequenos gastrópodes. E, antes que isto aconteça lembra-se que os caracóis são essencialmente herbívoros pois comem verduras como a couve e a alface (uma praga).

arau155.jpg Esse camarão dos pobres, comem frutos carnosos como a melancia, banana e maçã e ração rica em cálcio. São animais de hábitos nocturnos e vorazes, pois comem uma grande quantidade de alimentos. Essa voracidade está directamente relacionada ao clima e às estações do ano; não se alimentam por vários dias em clima seco e quente sem chuva mas, consomem diariamente cerca de 40% de seu peso nos dias frescos. Fazem-nos tantos estragos nas hortas que merecem ser comidos e regados para vingança de tanto desaforo. Na vila de Porches do Algarve, todos os fins de verão se faz o já muito conhecido “Festival do Caracol”. Este ano de 2023, em fins de Julho, far-se-á o 29º festival.

Caracóis e caracoletas, por este andar, serão lembrados como uns vagarosos e estranhos bichos metidos numa concha e assim serão lembrados, como se comiam com edecéteras antropológicos. Eles, os antropólogos, estudarão ao detalhe, esses fosseis amontoados num torrão de argila quase petrificada e, tendo ao lado cacos de grandes garrafas conhecidas por garrafão que em tempos idos tiveram vinho de uva pela análise das grainhas da uva parreira, tintureira caramujeira.

noé003.jpg Deduzirão pela pesquiza, uso da escova e espátula serem aquelas cascas de santola, de lagosta e até um dístico ainda legível nos cacos de vidro, garrafa branca com o nome de “Casal Garcia” entre muita ferrugem a ser verificada pelo teste de carbono. Era uma farturinha, dirão os técnicos. Ao invés destas descobertas, lá longe num ilha chamada de Gomera, dirão ter havido ali grande penúria por não haver utensílios de cobre ou ferro pois descobriram que ali usavam cornos de cabra para lavrarem as terras. Uma ilha misteriosa com giestas de sete metros de altura.

E, Laurissilva, da família das lauráceas e endémico da Macaronésia, região formada pelos arquipélagos que para além das Canárias as há também na Madeira, Açores, e Cabo Verde. Irão dizer que nós e outros ainda mais antepassados, vivíamos em harmonia com a natureza, antes duma tal de Revolução Industrial e uma outra de atómica. Pois se hoje detemos a duvidosa intuição de sermos a espécie mais mortífera nos anais da biologia, amanhã tudo pode mudar.

noé002.jpg Dividirão o tempo em vagas de homo-sapiens, no AC – antes de Cristo e do AC – depois de Cristo e, as vagas serão tantas que relembrarão também a era do plástico, do macro plástico pois que encontrarão em nosso sangue pequenas partículas desse produto, tanto nas pessoas como nos peixes e até encrustados em troncos de árvores que retorceram sua resistência uma nova matéria que tanto se vulgarizou no período das guerras usando canhões de ferro com ligas e volfrâmio e outros materiais de dar dureza e elasticidade a estes.

Concluir-se que tendo havido vários dilúvios e guerras de uso com material atómico, mais outros raros minérios como nióbio, o lítio e muitos mais como o cério, disprósio, érbio, europium, gadolínio, holmium, lantânio, lutetium, neodímio, praseodímio, proménio, samarium, terbium, thulium, ytterbium, ítrio e escandium. Tantos e diversos a serem traficados a preço de sangue em países que desconhecem que já não existe o planeta Plutão. Nesta altura dos acontecimentos desconhece-se se as vindouras vagas serão de AP – após Putin a recordar, a outra anterior de AP – antes Putin, sem haver menção por parte dos Putinologos de uma outra arca – a de Noé nº 2 …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:31
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Terça-feira, 18 de Abril de 2023
VIAGENS . 9

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA – “SONHAJANDO A VIDA”

Crónica 3371 – 18.04.2023 - PAJUÇARA - Em Maceió como Zelador-Mor do Zumbi de N´Gola…

Poraraujo189.jpgT´Chingange (Otchingandji) – No San Lorenzo da Ponta Verde.

sorte1.jpg Li recentemente algures, que os estados independentes no mundo andavam espantosamente desinteressados da guerra. E, que com poucas excepções, desde fins de 1945, que os estados já não invadiam outros estados para os conquistar e engolir. Pude ler a teoria de que após formação dos impérios, a maior parte dos soberanos e das populações, esperavam de que as coisas ficassem assim. Vasculhando a história, já não haveria lugar para campanhas de conquista como as dos Romanos, dos Mongóis ou dos Otomanos não podendo ocorrer nos dias de hoje e, em qualquer parte do globo.

Mais se afirmava que desde 1945, há quase 78 anos, ano de meu nacimento, nenhum país independente e reconhecido pela ONU, tinha sido conquistado e arrasado do mapa. Com o raciocínio desejável, lembro que nos meus tempos de estudante dizia-se que a lógica era uma batata e, foi com essa dúvida que fiz um rádio galena a partir de uma batata cortada ao meio, uns quantos fios e uns auscultadores e um condensador. E, deu música!

tonito18.jpg O certo é que a batata forneceu energia enviando para o espaço ondas electromagnéticas dessa suposta lógica. Tudo se aperfeiçoou no tempo e com tal velocidade que este embrião de galena parece até estar a anos-luz da realidade. E, o impossível aconteceu no meio da apatia generalizada ver a Rússia da Ex-URSS invadir e tomar vários países já independentes dos quais o último, a Ucrânia a 24 de Fevereiro do ano 2022.

Estou a tentar encasquilhar refutações sofísticas que dependem da linguagem usada, que podemos chamar de "sofismas linguísticos" ou refutações sofísticas que não dependem da linguagem extralinguística (palavrório) usadas por líderes de países de cariz esquerdista dos quais uma grande parte nem é democrática, nem foram escolhidos por seu povo.

Nem foram escolhidos por seu povo - usurparam, simplesmente! Isso sim e, de formas variadas omaram o poder e, aos quais se junta agora o pseudo Estadista Lula que nem sabe que uma batata pode dar musica. Para além da Crimeia, Moscovo declara que as regiões ucranianas de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, em grande parte ou parcialmente ocupadas por forças russas invasoras ou apoiadas pela Rússia e, que fazem parte da Ucrânia. E, tudo se fez com um suposto referendo à velocidade da luz. E, como são mentirosos! “As pessoas fizeram sua escolha clara”, disse Putin, numa sexta-feira. Podia até ser numa oitava-feira. “A escolha das pessoas para fazer parte da Rússia está predicada na história”, acrescentou o dito cujo.

toledo20.jpg Os votos nos referendos são ilegais sob a lei internacional e foram rejeitados pela Ucrânia e nações Ocidentais como “uma farsa”. E agora, Lula junta-se a Daniel Ortega, Maduro e Evo Morales entre outros que nem sabem como fazer musica com uma batata. E, imaginem até, querer inventar uma outra ONU, porque esta já está desbotada, kiákiíkiá! Mas que grande pancada! Desde quando é que este personagem de só se ter respeito institucional, se julga estadista se, se nem sabe que de uma batata pode sair musica…  

Putin altera o destino de milhões nestes falsos novos países. Lealdade a Kiev ou a Moscovo, colaborar ou resistir: para os habitantes locais, uma escolha dramática. E, não é que o ditador Putin diz: "Para mim o importante, não são fronteiras e territórios estatais, mas o destino dos seres humanos." Quanta hipocrisia minha nossa senhora do Parto. Pois foi o que Vladimir Putin, disse a uma entrevista ao jornal alemão Bild, em Janeiro de 2016. Na época, tratava-se da anexação da península da Crimeia. Na época todo o mundo meteu a viola no saco ocasionando a invasão a Ucrânia quatro anos depois…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:14
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Segunda-feira, 17 de Abril de 2023
N´GUZU - XLV

CONHECER MELHOR O BRASIL – QUEM ERAM OS AFRICANOS

Parte - Crónica 3370 - N´Guzu é força (Kimbundo)17.04.2023

Por escravatura1.jpgT´Chingange (Otchingandji)Na Pajuçara de Maceió

helder12.jpg Neste povo Banto dos Congo-Angola, para além da proximidade de línguas ou dialectos tendo o N´Zambi (Deus) como aglutinador comum, a comunicação entre eles, era assim, facilitada. O catolicismo deles por via da missionação, para muitos estudiosos é a consolidação cosmológica, estando na origem nas formas de religiosidade afro-carioca, especialmente a da Umbanda. A diversidade das várias “Nações” presentes no Rio de Janeiro, era rotineira para todos os que visitaram o Brasil nesse então e, principalmente o Rio, tendo fascinado a literatura e a iconografia produzidas pelos viajantes vindos de fora.

A partir da efectiva interrupção do tráfico, a percepção social das diferenças entre os escravos naturais de África se reduziu consideravelmente, resultando numa divisão de entre escravos crioulos e de nação, sem qualquer especificação. Os escravos resgatados de navios negreiros viriam a ser conhecidos apenas como africanos livres. Assim, a categoria de Africanos seria entendida como uma identidade comum aos diferentes povos de África subsariana, construída no século XIX. Todo o envolvente a esta temática difundiu nas teorias sociais a doutrina cientifica reforçando o interesse etnográfico sobre o Continente Negro.

escravatura2.jpg Foi desta disseminação de gente de tez negra para as américas, que originou a grande diáspora alterando os conceitos de raça por via de miscigenação. Na escola básica, aprendi que no Mundo havia quatro principais raças, a branca, a negra, a amarela e a vermelha. Os sociólogos perante esta realidade, tiveram muita dificuldade em estabelecer padrões na sua classificação e, muito rápidamente o conceito de raça humanizou-se simplesmente na correta definição de Raça Humana; por vias tortas, fica evidente nesta questão a chamada globalização, com a forte participação portuguesa.

Nestes reveses da história tão despendurada, o conceito de gente em raça Humana teve seu inicio neste episódio trágico que uniu para sempre Angola, Portugal e Brasil tendo este, ficado com a fatia mais nutrida. Curiosamente no início de comercialização o dinheiro eram conchas com o nome de zimbos (n´jimbus); pequenas conchas, propriedade do rei do Congo que apareciam por toda a costa de N´Gola mas com os mais belos exemplares colhidos na ilha da Mazenga de Loanda. Eram os m´bikas (cipaios) às ordens dos chefes m´fumos que recolhiam esses tesouros. Mergulhavam na contracosta da ilha retirando-os por meio do arrastamento com cestos estreitos e compridos chamados “cofos”.

escravatura3.jpg Hoje, o Mundo deve olhar a este estágio de vida com a alegre tristeza que a história carregou nas consciências vindouras, como já foi dito, por linhas demasiado tortuosas. Também eu entre milhares de gentes, sofremos na pele o término da descolonização ficando de um para o outro dia sem casa, sem emprego, sem vontade de reiniciar vidas em outras latitudes, das quais o Brasil. As coisas da política, quando ficam ruins, a partir daí só podem melhorar, só que muitos ficaram no caminho sem a necessária força para vingar a vida. Foi a 11 de Novembro de 1975 que os políticos determinaram que os brancos ficassem também com suas vidas negras. Não teria de ser assim mas tudo desaconteceu com a oferta de um voo de Luualix sem volta…

No correr do tempo do comércio com mercadores negreiros foram surgindo outros meios de permuta das chamadas “peças” tais como o sal, a cera, o cobre, os panos ou libongos, marfim, mel silvestre, as cruzetas e outros escravos saídos das guerras entre tribos. Mas, sabe-se por ensaios numismáticos-arqueológicos que entre Monomotapa e o Catanga corriam entre as classes dominantes desta região uns lingotes de cobre com o nome de HANDA, (ref.ª de Octávio de Oliveira na revista Notícia do ano de 1966).

escravatura5.jpg Recapitulando: Angola, foi uma das grandes fontes emissoras de comércio de escravos desde o século XV até o terceiro quarto do século XIX. No domingo de 13 de Maio de 1888, dia comemorativo do nascimento de D. João VI, foi assinada por sua bisneta Dona Isabel, e Rodrigo Augusto da Silva a lei que aboliu a escravatura no Brasil. Só neste então é que Porto Galinhas do Brasil deixou de receber oficialmente escravos idos de áfrica. Mas, havia fugas ao regulamentado. Ainda por alguns anos e até fins do século XIX chegavam “peças humanas” de contrabando.

sorte2.jpg O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir completamente a escravatura. O último país do mundo a abolir a escravidão foi a Mauritânia, somente a 9 de Novembro de 1981, pelo decreto n.º 81.234. Libongo foi o nome que veio a ser dado em kimbundo ao “paninho” tecido originário do Loango ou palmeira-bordão, semelhante ao “paninho do congo” ou likutu que circulou como moeda no princípio do século XVII; acrescente-se que é palavra do kimbundo calunda lu m´bongu,”moeda – m´bonge”. Um libongo valia 5 réis em 1695. O libongos de N´Gola dividiam-se em “bongós, sangos e infulas” enquanto os do Kongo eram chamados de “panos lim´kundis. Os panos conhecidos por sambu ou nollolevieri, tinham a condição de objecto-moeda e serviam apenas para vestir os nobres africanos. Há coisas verdadeiras que contadas, sempre vão parecer ser mentiras…

Fim

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:56
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Domingo, 16 de Abril de 2023
FRATERNIDADES . CXXXIV

MULOLAS DO TEMPO – NA PAJUÇARA DO BRASI. Milagres da vida com talassoterapia …

Crónica 3369 de 16.04.2023 - Com farrapos de imagens de *candengue na *LUUA

Porcipaio4.jpgT´Chingange (Otchingandji) em Maceió das Alagoas

Mu Ukulu57.jpgEstando hoje longe no tempo, uns setenta anos atrás, com 7anos de idade pude assistir a um milagre lento. Um amigo chamado Álvaro, paralítico, pouco a pouco começou a andar como se fosse um robot nos primeiros anos mas, depois, já sem apoio e com as pernas esticadas, começou a andar; com algumas dificuldades mas, andando. De uma cadeira de rodas passou a ser quase auto-suficiente e, por este motivo, acho que o banho de mar nas primeiras horas da manhã faz acontecer maravilhas a nossos ossos. Para sobreviver à vida depois da guerra de 39 a 45 meu pai Manel resolveu sair daquela terra de frios do M´Puto, tendo chegado à Luua de N´Gola levado pelo velho vapor Mouzinho de Albuquerque.

 A Dona Arminda minha mãe, algum tempo depois e, após ter recebido carta de chamada, saiu do M´Puto vertendo choros no cais de Alcântara. Da amurada daquele vapor com o nome de Uíge, pouco a pouco via Lisboa e o Tejo ficarem lá longe tapados pela neblina. Dito e feito! Ele, meu pai, estava cansado de explorar volfrâmio para enrijar os canhões de Hitler, de cavar as terras dum sítio chamado Cornelho, duma Pereira e um Vinagre, lugares vistosos de verde que no correr do tempo ficaram silvas e tojos pelo abandono. Muito mais tarde apreciei a beleza que ele nunca teve tempo para apreciar; o vale profundo enevoado com o rio Dão a correr para Alcafaxe e, lá longe a brancura de persistentes manchas de neve dispersas.

Mu Ukulu34.jpgOs tamancos de pinho não eram suficientemente quentes para animar o dia que se seguia naquela terrinha e, vai  daí, meu pai tentou a Venezuela e o Uruguai mas as facilidades só lhe surgiram para a África, Terras Ultramarinas de Portugal. Deram-lhe passagem de colono após preenchimento de impressos timbrados com a esfera armilar. Através da Companhia Nacional de Navegação zarpou no tal vapor Mouzinho de Albuquerque por volta do ano de 1949 ou talvez 1950. Nós, família Monteiro, ficamos a morar no Rio Seco da Maianga, início do Catambor e Senhor Lázaro, um amigo, instalou-se em uma casa de madeira em um bairro chamado de Bungo que mais tarde chamaram de Boavista. Ficava mesmo à beira mar da baia de S. Pedro da Barra, uma faixa de terra entre a linha do Caminho-de-Ferro e o mar.

Estes barracos foram surgindo em áreas do domínio público e cada qual fazia seus puxadinhos até a areia e, bem no término das marés altas. Era assim que viviam os colonos pobres, paredes meias com cortiços, quase musseques tendo por vizinhos pretos e mulatos. Esta crónica foi pensada para falar do milagre a que assisti já em Angola; milagre que durou os anos de minha juventude, do que eu presenciei nas visitas que meu pai fazia a um antigo sócio do volfrâmio chamado Lázaro pai de Álvaro, um menino que comecei por ver paralítico e numa cadeira de rodas.

mouzinho1.jpg Enquanto meu pai foi trabalhar para as brigadas do caminho de Ferro de Luanda, antiga Ambaca, Lázaro foi colocado como capataz de estiva no porto de Luanda. Isto para dizer que da varanda que dava para o mar, Álvaro o moço paralítico rojava-se até às águas espelhadas da baia e ali ficava quase todo o santo dia. Sempre que meu pai visitava seu amigo Lázaro eu, também aproveitava ficar ali nas mornas águas sacolejando-nos em jogos variados. Por vezes, até dormia lá a pedido de Dona Micas mãe de Álvaro, a fim de ter companhia; embora tivesse mais irmãos, ele e eu dávamo-nos bem ou, de um outro jeito. Eu era bem tolerante com os esgares e caretas que Álvaro fazia no esforço de pronunciar falas; até nos entendíamos por gestos e vontades telepáticas.

Desta forma o Tonito da Dona Arminda (euzinho) por lá ficava uns dias com seu amigo Álvaro o paralítico, coitadinho. Sentíamo-nos peixes na água mergulhando como golfinhos ou boiando como bogas, roncadores e mariquitas. Por vezes e dentro de água fazíamos grandes pescarias daqueles peixes e até carapaus, agulhas ou garoupas. Bom! Agora vamos ao tal milagre. Álvaro começou gradativamente a andar, primeiro titubeante agarrado a bordões e mais tarde solto destes, andando como um boneco de circo, pernas esticadas e bamboleando, mas andando!

peixe seco1.jpg Estou a ver seu sorriso ao longo do tempo quando fazia uma qualquer outra avaria; um sorriso babado com descontrolo muscular mas sortido de alegria. Pouco a pouco foi deixando a cadeira de rodas e até já ia só, até o transporte que o levava à escola do Kipacas do Ferrovia! A razão por que falo disto é a de que se há qualquer coisa que reabilite nossos ossos, músculos e rijeza ao organismo é mesmo o iodo das manhãs nas águas quentes do mar; uma tal de vitamina D que nenhuma pilula nos pode dar. Como kota, sinto isto desde 2006 pela ida muita frequente à praia, aqui no nordeste Brasileiro. Entre as 6 horas da manhã e as nove horas, lá estou metido até o pescoço na água da Pajuçara. E, olhem que é bem notório o bem que me sinto.

poluição.jpg Agora minha talassoterapia nas águas quase paradas e quentes da Pajuçara de Maceió é prioritária tal como o foi quando nadava no útero de minha mãe dona Arminda loureiro. Os resultados são lentos mas eficazes para quem persiste e, porque a natureza só por si dá-nos recursos. Recursos que a maioria das gentes desaproveita. É por isto que não me posso ver longe do mar tropical por muito tempo. Todos os dias faço movimentos os movimentos recomendados pelo meu próprio “personal treiner”… Eu, próprio. Agradeço assim sem protocolos à mãe natureza e seu dirigente chamado Deus sem outras felpudas falas e, porque os homens mais dignos de penas serão aqueles que transformam seus sonhos em prata e ouro. Faço os possíveis! Do Álvaro e depois do “setentaecinco” nada mais soube…

O Soba T´Chingange

Notas:* Candengue: rapaz, menino, jovem; Luua: Diminutivo de luanda;

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:11
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Sábado, 15 de Abril de 2023
N´GUZU - XLIV

CONHECER MELHOR O BRASIL – QUEM ERAM OS AFRICANOS

3ª Parte - Crónica 3368 - N´Guzu é força (Kimbundo) – 15.04.2023

Por Tescravatura5.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

preto2.jpg Os escravos oriundos de Moçambique eram reconhecidos no Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX como “Moçambiques, Quelimanes ou Inhambanes”, nomes que reflectem as três maiores regiões de escravidão na África Oriental nesse século XIX. Por via dessas procedências, esses escravos de diferentes origens eram identificados por nomes de Nações. Por esta narrativa pode concluir-se que os territórios coloniais portugueses em África seriam fundamentalmente como os armazéns de “mão-de-obra” barata com destino para a América do Sul, Central e do Norte.

Na América do Sul estas “peças”, como eram chamados aos escravos, iam trabalhar nos engenhos de açúcar, roças de café, roças de cacau e outras tarefas de auxílio às variadas tarefas de manutenção menos presadas pelos feitores ou trabalhadores não escravos, indígenas ou crioulos. Para a América Central iam também ser utilizados no plantio e manuseamento da cana-de-açúcar e, ou cacau e na América do Norte, era mais focalizada para o trabalho em campos produtores de algodão ou servirem de mocambos (criados) em serviços auxiliar.

preto3.jpg África, especialmente as colónias de domínio português como Angola, só foram olhadas como verdadeira terra e gerida como território administrativo com as instituições de poder, a partir do primeiro quarto do século XIX. Das colonias portuguesas, todos eram falantes de língua banto e no caso dos saídos das regiões Congo-Angola, estavam historicamente em contacto com o cristianismo; De recordar que todas as caravelas idas do reino da Metrópole, chegavam na senda do povoamento, levando sempre padres do Clero ou Missionários da Igreja Católica Romana e ordens adstritas de Roma, com a finalidade de propagarem a fé. Era aliás a função principal requerida pelo plenipotenciário Papa de Roma.

Quanto valia um escravo? Não se sabe ao certo, mas diz-se que o preço era feito de acordo com os negociantes. Quem vendia? Os comandantes militarem, negociantes negreiros como a Dona Ana, administradores, o próprio governador, que tinha tropas e a própria igreja. Em 1846, o Brasil conseguiu o 1º orçamento super da gestão do Império. É a partir destes dados oficiais que poderemos tirar alguma conclusão. Nessa época, uma saca de café era comprada por 12 mil-réis e um escravo comum era cotado a 350 mil-réis. Portanto um escravo valia em média entre vinte a trinta sacas de café.

preto4.jpg Os escravos que eram hábeis em carpintaria, fundição maquinista etc., valiam 715 mil-réis - o dobro. E, porque Loanda de então era uma cidade esclavagista, muito do negócio corria com essa dinâmica o que, levou muitos sectores da sociedade a dizer no após abolição da escravatura: “Vamos viver do quê, se não produzimos nada?” Em realidade não havia um projecto de governo ou administração com pernas para andar porque, não estava em causa, o reino impulsionar seu desenvolvimento.  

Corria um quente e grosseiro zunzum de feira nas Portas do Mar em frete à alfândega da Luua (Loanda). Os Talatonas por ordem dos padres e negreiros geriam os cipaios no comércio dos escravos em currais ou cercas na área das Ingombotas e Maculussu esperando pelo embarque para o chamado Novo Mundo da Kalunga. Ao redor da lagoa do Kinaxixe que abastecia de água potável a então pequena cidade de Loanda era frequente aparecerem leões e onças para beberem ou darem caça a manadas de antílopes…

angola ginga.jpg Pode tentar imaginar-se a quitandeira, balaio na cabeça, rebolando os grossos quadris trémulos e também o quitandeiro cochilando sua preguiça morrinhenta entre casas cobertas a colmo, feitas de ripas cruzadas entaipadas com argila vermelha com tamarindos nos quintais contornados com aduelas… Pela Igreja do Carmo passaram milhares de escravos, muitos vindos do interior. A relação da Igreja Católica com a escravatura era comercial - “a Igreja também precisava de escravos para permutar” - em toda a parte, houve esta ligação fatal. O próprio Vaticano queria fazer evangelização utilizando os escravos, como cristãos - era um dos meios.

Também os caixeiros vestidos de caqui, sarja ou zuarte em tom branco ou creme com manchas de suor nos sovacos e usando chapéus de aba larga em palha bem sebeirosos, agitavam-se na conferência de preços, separando os fracos dos fortes com os musculados de mais-valia. Os correctores de escravos examinando à plena luz do sol os negros que ali estavam para ser vendidos; revistavam-lhes os dentes, os pés e as virilhas; faziam-lhes perguntas sobre perguntas; batiam-lhe com a biqueira do chapéu nos ombros e nas coxas, experimentando-lhes o vigor da musculatura, como se estivessem a comprar cavalos. Não há outra suave maneira de descrever atrocidades.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:32
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2023
VIAGENS . 8

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA – “SONHAJANDO A VIDA”

Crónica 3367 – 14.04.2023 - PAJUÇARA - Em Maceió como Zelador-Mor do Zumbi de N´Gola…

Por:aranha3.pngT´Chingange (Otchingandji) – No San Lorenzo da Ponta Verde.

caranguejo de areia.jpg Já sentado na cadeira emprestado pelo Conde do Grafanil, olho o buraco-casa do meu amigo cirí e, nada de ele aparecer. Só mesmo o buraco aberto, escancarado e virado ao céu com um montículo de areia mais avermelhada retirada bem do fundo da sua caverna e, disposta em volta do buraco como se o fosse uma cratera de vulcão.

Coloquei um bago de jinguba bem na entrada, fui fazer no mar a minha ginástica habitual e, quando regressei o bago de jinguba estava bem no sopé exterior da escarpa da cratera – rejeitou-o, simplesmente; sundiameno! De vez em quando olho o buraco bem do lado direito e tudo está igual. Neste entretanto e por acaso passa a mulher caranguejo, explico: na ginástica dela percorre alternadamente e repetidamente para trás; anda de marcha-a-ré para fazer recuar a velhice.

Assim, mesmo sentado vou lambendo a fantasia dela de afinal quando é que a velhice começa surgindo de dentro da mocidade. Descaminhando ginástica de para trás, ela que já é um pouco kota, agarra a juventude nesta prática exercitada. Eu sou o que sou mas ela, mesmo andando à ré, continua a ser ela… A mulher caranguejo já nem me via há dois anos mas, reconheceu-me; quis saber notícias das balelas que todos já sabem.

eça2.JPG Quis saber da senhora Ibib, quedê ela? De novo aos olhos da minha vazante, a maré já começava a subir, falei que minha senhora ficou no M´puto disse, em tratamento de paludismo. Falei só assim por falar pois já quase eram horas de regressar ao meu mukifo, passar na farmácia e comprar um negócio de eliminar a flor-do-congo que já dava coceira nas partes de entre o saturno e plutão e também nos braços, minha herança de Angola; eu saí dela mas ela, não saiu de mim…

Acho que é uma filária que anda passeando férias no meu corpo como se estivesse em Acapulco e até por vezes desce às matubas do meu descontentamento perturbando o plim-plau do Kwanza. Ela, a mulher Caranguejo após minha intrincada explicação com edecéteras muito periclitantes acabou por dizer: A vida é mesmo assim…

pajuçara02.jpg As melhoras para ela, inté! Agradeci-lhe com a convicção de que nem sabia o que era isso de paludismo; isso pouco interessa pois que nem havia verdade na conversa de simpatia… Chegado ao mukifo do conde do Grafanil, tomei o meu café da manhã “santa clara” e provei a canjica de milho branco com umas sementes de girassol com erva-doce porque a memória que Deus me deu não foi para palavrear às arrecuas; andando assim como a mulher caranguejo.

Todos iremos morder o pó ou o fogo consoante a forma como desejarmos dispor do nosso bem-amado esqueleto. E falo isto agora, porque ainda me é permitido, porque eventualmente, em um futuro próximo já não me permitirão mais dizer o que penso. A vida anda muito perigosa; minha mente não rebuscou os estudos escatológicos da marca da besta que para mim é a mesma coisa.

Pajuçara3.jpg Comecei esta crónica sem saber como ia acontecer e lendo um artigo de Majo Sacagami fiquei a saber que não é bom fazer amizade com um caranguejo e, assim matutando desconsegui concluir meu raciocínio perturbando até meus fios de cabelo já extintos do cocuruto da cuca. É bem verdade, o buraco negro está a cinquenta anos-luz, que se lixe… Pelo sim pelo não, o Sundiameno cirí, amanhã está prometido: vai ser tooparioba (com dois ós para se ler u) Como o mexilhão do mar, dentro duma concha dura, tenho de viver entre pedras, como a escolopendra (que deve ser caranguejo, lagartixa ou bicho com mil pés) entre as fendas da lava. Que até tem pedras a toda a volta, de lado e por cima. Fui!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:51
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VIAGENS . 7

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA“SONHAJANDO A VIDA”

Crónica 336613.04.2023 - PAJUÇARA - Em Maceió como Zelador-Mor do Zumbi de N´Gola…

Pornauk01.jpgT´Chingange (Otchingandji) – No San Lorenzo da Ponta Verde.

nauk7.jpg Remexendo-me na água ligeiramente agitada da Pajuçara de Alagoas do Brasil, ia pensando em terras longínquas do Calahári da Namíbia que visitei por várias vezes e, aonde pude ver árvores mortas, petrificadas há 900 anos; muitas, ainda de pé. Foi a norte e em lugres chamados de Khoixas, Kamanjas e Otjo no Deadvlei. A Sul vi dunas gigantes no Park Naukluft de Sossusvlei. O clima ali é tão seco que aquelas árvores não puderam decompor-se normalmente, petrificando-se coisa difícil de entender. O contraste do céu azul com as dunas vermelhas renderam-me belas fotos - foi um registo de imagem para nunca mais esquecer. O curioso é o de que algumas árvores, continuam inteiras, como esqueletos retorcidos, sem folhas. O nome Deadvlei significa “pântano morto” e remete à época em que esta área, era um lugar fértil banhado pelo rio Tsauchab.

Uma mudança brusca de clima secou a área e, as dunas cresceram bloqueando a passagem do rio - um território de outro planeta. Deadvlei tem um solo composto de sal e argila branca e é rodeada por grandes dunas de cor avermelhada – tão altas que estão entre as maiores do mundo. Uma delas tem 325 metros de altura. Eu levei quase uma manhã para subir a duna da milha 45. A cor avermelhada vem da areia, que é composta de óxido de ferro e tem cerca de 5 milhões de anos, segundo estimativas. Mesmo no cacimbo (tempo frio), o clima é tão extremamente quente, que se recomenda aos turistas levarem no mínimo dois litros de água por pessoa, além de ter de usar protector solar, chapéu, óculos de sol e blusa com manga comprida. Aqui e agora, o vento surge no momento em que o pescador de nome Ambrósio lança as duas redes na água da piscina natural da Pajuçara.

namibia22.jpg Ambrósio espeta um pau na areia quando já está com a água pelo peito e depois vai dispondo a rede com as bóias brancas flutuando e assim dispõe-na por completo numa longitude de talvez uns vinte e cinco metros. Depois repete a mesma tarefa com a outra e em seguida bate a água agitando as duas mãos para assustar peixes que surjam por ali e, de modo a que fiquem presos na rede. O resultado para mim que observo é de defraudar vontades, pois nestes últimos dias só o vi apanhar uns poucos vermelhos, uns peixes parecidos com o cachucho.  

Uma vez que recordei séculos lá para trás no tempo, recordo também que depois do homo sapiens e da morte de animais gigantes no tempo dos mamutes e dinossauros, das viagens dos vikings em barcos de papiro amarrado dum certo jeito e outros edecéteras, que foram os portugueses, os primeiros a chegar à Austrália. Segundo o historiador e filólogo Carl von Brandenstein, os portugueses teriam naufragado no noroeste da Austrália Ocidental, perto da ilha de Depuch, entre 1511 e 1520, tendo sido os primeiros europeus a tocar a Austrália, de onde não puderam sair.

namibia19.jpg A história refere como responsável oficial na descoberta da Austrália na visão da Coroa do Reino Unido, que no dia 21 de Agosto de 1770 o Capitão James Cook chegou a Nova Gales do Sul – nome que atribuiu àquele vasto território mas, novos achados vieram demonstrar que os portugueses já ali tinham chegado bem mais de duzentos anos antes. Porém, e sem contar com a colonização aborígene verificada há cerca de 40 000 anos, a viagem do Capitão Cook foi apenas o corolário de várias expedições exploratórias aos mares do Sul em busca do mítico continente do Sul.

Nestas viagens, a Austrália teria sido visitada, segundo alguns investigadores, por portugueses. Assim refere-se que no ano de 1522, Cristóvão de Mendonça e cinco anos depois, em 1525 Gomes de Sequeira ali aportaram deixando canhões que o tempo enterrou na areia – canhões que tinham as datas bem conservadas. Assim, o primeiro contacto europeu com o continente do Sul teria sido efectuado por navegadores portugueses, embora não haja referências a esta viagem ou viagens nos arquivos históricos de Portugal. É sabido que naquele tempo havia segredos e coisas de diplomacia que nem podiam ser referidas em documentos devido ao trato com o Reino de Castilha.

Sempre estava em causa o tal Tratado de Tordesilhas que definia latitudes a serem respeitadas. Foi nesse tempo que o mundo ficou dividido entre Espanhóis de Castilha e Portugal – Isto, quando tudo era reconhecido pelos vários Papas que definiam o que era deste ou daquele. Por isso o Tratado de Tordesilhas foi alterado por várias vezes! A principal evidência para aquelas visitas Tugas não declaradas, foi a descoberta de dois canhões portugueses afundados ao largo da baía de Broome na costa noroeste da Austrália. A tipologia dessas peças de artilharia indica serem de fabricação portuguesa, podendo ser datadas entre os anos de 1475 e 1525.

namibia23.jpg É o historiador australiano Peter Trickett que afirma que duas expedições portuguesas realizadas nos mares da Indonésia no primeiro quartel do século XVI teriam chegado ao território australiano: a expedição do referido Cristóvão de Mendonça a partir de Malaca para o sul em busca das "ilhas de ouro" (1522), mas e, sobretudo a de Gomes de Sequeira em 1525 que supostamente teria atingido a Península de York. Para reforçar esta tese evoca-se o estabelecimento pelos portugueses em 1516 de um entreposto comercial em Timor, que fica a cerca de 500 quilómetros da Austrália. Acredito que assim tenha sido…

Notas: *Sonhajando: Viajar com sonhos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:38
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Quinta-feira, 13 de Abril de 2023
N´GUZU - XLIII

CONHECER MELHOR O BRASIL – QUEM ERAM OS AFRICANOS

2ª Parte - Crónica 3365 - N´Guzu é força (Kimbundo) – 12.04.2023

Por  okavango 01.jpeg  T´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

Em tempo de Brasil Monárquico, em São Paulo de Assunção de Loanda, capital da Colónia de N´Gola em África, senhoras brancas com guarda-sóis rendados, eram seguidas por candengues mocambos carregando bikwatas. Os moços de recados avultavam seus paletós de zuarte pardo manchados nas espáduas e nos sovacos por grandes manchas de catinga. No Maculussu os negreiros passavam em revista os candengues escravos que ali estavam para serem levados às instalações da Dona Ana nas Portas do Mar.

escravatura5.jpg No período de finais do século XVIII, o tráfico de escravos entre o porto de Salvador da Bahia e o golfo de Benim, ficou multiplicado por via de guerras entre reinos de africanos que lançariam sobre Salvador e seu Recôncavo, levas de novos escravos chamados de nagôs. Em sua maioria eram homens jovens que tinham ficado prisioneiros de guerra de uma das forças tribais. Era habitual as tribos estarem sempre em escaramuças numa forma de poder e os perdedores ficavam por norma escravos da tribo ganhadora.

O Golfo de Benim em África foi sacudido pela jihad islâmica do Xeique Usman Dan Fodio, fundador do califado de Sokoto. Se no século XVIII o tráfico entre a Bahia e o Daomé trazia para o Brasil principalmente os falantes de dialectos jejes oriundos de áreas circundantes ao reino de Daomé, actual Benim, a partir do mesmo século, por via de guerras religiosas, predominariam escravos do país Hauçá, gente islamizada nas primeiras décadas do século XIX, da região de Oyo, norte da actual Nigéria, falantes Iorubá e, conhecidos na Bahia como nagôs.

escravatura4.jpg Situando-nos em Loanda, fonte exportadora de escravos do Congo e da Matamba, deslocando-nos para a baia atlântica, em frente à Alfândega, observamos uma zona com gente a correr de manhã à noite; um porto de embarque de escravos - um local histórico aonde podia acontecer toda e qualquer revolta. Quando embarcava, “o escravo, não sabia para onde ia - ia para a Kalunga”. O infinito feito mar iemanjá, como se diz no Brasil e, que em Angola é kalunga. Pois! Havia ali, revoltas e suicídios; posso imaginar os kazumbis de desespero. Alguns, que morriam no cativeiro, eram lançados para lá da lagoa do Kinaxixe aonde as hienas e leões faziam repasto, quando não soterrados pelos companheiros…

Na Bahia houve um período de insurreição importada pela jihad iniciada em África. Ficou conhecido como o Levante dos Malês de características terroristas e que também se foi expandindo para as roças de café em áreas adstritas ao Rio de Janeiro. Muitos dos escravos Malês de Salvador, após a insurreição com repressão, foram vendidos para Rio de janeiro. Os libertos e fujões também para ali foram refugiando-se da repressão. Foi nesta altura que estes africanos passaram a ser identificados como os demais com o nome de pretos-minas.

escravatura3.jpg Esta denominação já o era comum aonde predominavam os escravos oriundos da região do Congo-Angola; portanto no século XIX os pretos-minas do Rio, eram maioritariamente saídos da Bahia, por vezes islamizados e falando Iombá. Os relatórios policiais do Rio de janeiro era de terror descrevendo desta forma as revoltas oriundas dos pretos-minas e, durante a primeira metade do século XIX houve forte participação de escravos alforriados dando origem ao movimento migratório de retorno às áfricas e, estando na base dos primeiros casos de candomblé.

Paulatinamente e, por ser duramente perseguido, o islamismo e suas práticas de jihad acabaram por ser extintas no Brasil originando muitas mortes e, já bem nos finais do século XIX. A maioria dos escravos na cidade do Rio de Janeiro principalmente nas áreas cafeeiras do vale da Paraíba, chegaram ao Brasil pelos portos de África Centro-Ocidental de Moçambique; eram jovens de aldeias do interior que a propósito foram atacados pelos traficantes negreiros.

escravatura2.jpg Esta estirpe de nova gente, concentraram-se em quatro grandes grupos linguísticos a saber: Os bakongos do norte exportados pelo sistema de tráfico do rio N´Zaire; os Bundus da Angola Central, região Umbunda com inclusão da população do Vale do Rio Kwanza; os de fala kimbundo exportados a partir de Loanda e Ambriz; Os Lundas Tchokwes do leste de Angola, comercializados pelo centro de tráfico negreiro de Cassange para Loanda mais os Ovibundos e n´Ganguelas  do Sul, vendidos em Benguela.             

(Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
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Quarta-feira, 12 de Abril de 2023
MISSOSSO . LX

NA PAJUÇARA COM ANDREY BLAZHE Biólogo da Bulgária – DA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA

- Depois da chuva veio um calor do caraças - Crónica com ficção *336425ª de Várias Partes com ***FK – 11.04.2023

Por swakop10.jpgT´Chingange (Otchingandji) no Mukifo de San Lorenzo

roxo61.jpg Depois do aprazado com o búlgaro Blazhe no estritamente necessário, este loiro de olho azul com um sotaque cantado bem ao jeito do Nordeste, largava um rasto carregado de erres dando notas altas aos sons vodkaianos por hábito antigo de seu palato, acho. De salientar um enfase bem institucional no trato com a minha pessoa e uma certa contensão na forma de dizer seu recado; fazia muitas paragens matutadas como que não querendo cair em deslize de desentendimento, frisando por mais que uma vez haver pressa no processo de execução – ordens do Comendador FK, referia ele… Tive sim de o tranquilizar afirmando não descurar o assunto, diligenciando o mais rápido possível nos trâmites de suficiência.

Deixei passar o tempo suficiente para fazer uma boa reflexão a fim de ter pleno sucesso nessa tarefa diplomática de abrir uma sucursal da Fundação de Zumbi de N´Gola, bem no coração da nação Ovibundo, reino dos Bailundos, terras do rei de Ekuikui com sede na cidade da Caála ande também fui feliz em outro tempo. Arrumando meus cacifos de memória achei até bem interessante levar este espírito de letras e valores que pautam a Fundação mais álem. Neste meio tempo recordei: Mas, quem é o povo Ovibundo

Repito em recordo: -São os Bailundos (va-mbalundu), os Biés (va-vihé), os Uambos (va-wambu), os Galanguis (va-ngalangui), os Quibulos (va-kimbulu), os Andulos (va-ndulu), os Quingolos (va-kingolo), os Kalukembes (va-kaluquembe), os Sambos (va-sambu),os Ekeketes (va-ekekete), os Cacondas (va-kakonda), os Quitatos (va-kitatu), os Seles (va-sele), os Ambuis (va-mbui), os Hanhas (va-hanha), os Gandas (va-nganda),os Chicumas (va-chikuma), os Dombes (va-dombe) e dos Lumbos (va-lumbu).

pinto3.jpg E porque já em tempos disse de quem pensa que sabe tudo, um dia vem a saber mais um pouco! De novo o digo. E, para não ficar só no espírito, de novo volto à carga com a estória que me liga a uma felicidade estrangulada. Foi assim que arrumando meus cacifos de memória, achei ser justo neste espírito de letras e valores, passado que é meio século pós o ano de setentaecinco  retroceder aos itens de dignidade. Achei por bem e antes de dar ajuste a qualquer diligência aconselhar-me a um velho amigo de nome Alcides Sakala, um homem coarctado pela sorte de estar no topo de vida depois de tanta dedicação com sofrimento, comendo até em alguns momentos e para sobreviver, cascas de mandioca.

Perante esta seriedade de ampla fidelidade consultei-o pela rede de canal secreto usando tecnologia de ondas moduladas friccionando curtas e, num aleluia de páscoa com anuência de pirilampos de inteligência artificial, após ter exposto tal assunto recebi a total abertura para assim, interceder nos possíveis corredores do poder: Abertamente e sem titubear ficou decidido em abrir a mente de alguns dos actuais administrativos com algum poder de influencia. Claramente, Sakala foi adiantando ser uma tarefa árdua e, num momento pautado pelo medo, de ninguém confiar em alguém e todos, todos andarem calcando o chão a medo para se não enlodarem.

kafu10.jpg Sakala, aconselhou-me a escolher um conjunto de pessoas que fossem entendidos nas vertentes de conhecimentos sociais e saúde, empresariais e infraestruturas, um economista, um técnico especialista de inteligência artificial e um bom comunicador para servir de porta-voz do grupo e, ter em conta concentrar neste toda a informação a ser difundida ao exterior da Fundação. E, foi assim pensando que escolhi pessoas à altura para secretariar uma organização sombra com características de ONG e segundo principios já bem balizados a partir da organização embrionária da Jamba e, segundo principios básicos lançados pelo líder Mwata Jonas Savimbi, o prócere a encimar o Mural da Pátria algures em nobre lugar e nesta distinta Fundação de Zumbi de N´gola.

Assim sendo e sem entrar em detalhes curriculares, optei pelos nomes desconhecidos do grande público, enumerando-os por uma questão orgânica:1- M´Fumo Manhanga; 2- Jeremias Cachiungo; 3- Conde do Grafanil; 4- Paulo Quipeio; 5- Benjamim Liwanhuca. Por enquanto preservo-me ao silencia até formatar no tempo a hierarquia segundo as competências e grau de fidelidade. Ter em conta que um esboço desta ficção de futuro foi segundo os canais próprios, dado conhecimento ao verdadeiro Presidente da Republica, Adalberto da Costa Júnior, que nada adiantou. Nada disse por via de não haver perturbações num edifício chamado de País, já de si tão debilitado e tão cheio de aduladores de incompetência…  

booktique14.jpg Nesta função de Zelador-Mor da Fundação de Zumbi de N´Gola sito em Morro dos Macacos bem perto da Palmeira dos Índios do Brasil, contornando medrosas angústias, febres palustres antigas curas a Kamokina ou Resokina naquela terra do outro lado do Atlântico, recordando a água estraganada, jacarés do Panguila ou do Cunene, com esforços na consolidação dum país que não pode ser nosso por via de coisas merdosas, continuo feito pedra parideira estalando estórias sonhajadas (viagens de sonho), só misturadas com os idos prescritos estadistas de túji que a morte fez o favor de calar nas  já emudecidas cabeças  de gente acomodada do  M´Puto…

(Continua… 26ª Parte…)

Notas: *Esta é uma estória inventada só no que concerne às mentiras… **kalundu – É uma divindade ou espirito justiceiro, presente na natureza; *** FK – Fala Kalado

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:25
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Domingo, 9 de Abril de 2023
VIAGENS . 6

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA – *SONHAJANDO A VIDA*

Crónica 3363 – 08.04.2023 - PAJUÇARA - Em Maceió como Zelador-Mor do Zumbi de N´Gola, feito *Kalundu

Pororneb5.jpgT´Chingange (Otchingandji) – No San Lorenzo da ponta Verde.

soci0.jpg Ontem, ouvi referir pela televisão que no território de Bielorrússia, um estado fantoche na dependência da Rússia, os militares estão recebendo instruções para poder lidar com engenhos de cariz nuclear. Por este motivo, recordei o desastre de Chernobil, um acidente nuclear catastrófico ocorrido entre 25 e 26 de abril de 1986 no reactor nuclear nº 4 da Usina, perto da cidade de Pripiat, a norte da Ucrânia Soviética, próximo da fronteira com a Bielorrússia Soviética.

Os ventos seguiram a direcção para ocidente, conduzindo as nuvens encharcadas de material tóxico. O reactor aberto e lançando grande quantidade de material radioactivo na atmosfera, espalhou-se em várias direcções. Parte deste material encapsulado nas nuvens e por via das chuvas, descarregaram parte desse material numa vasta zona da cidade de Viseu em Portugal. Aconteceu que a acidez de esses compostos atómicos, caíram com as águas nos vinhedos da região destruindo as colheitas e, eliminando ganhos a muitos e, em especial, a meu pai que tinha sua vida, não tão bem estabelecida.

ama3.jpg Pois, meu pai que ainda era vivo, queixou-se desse desastre referindo os muitos inconvenientes pela perca de toda a colheita, sem qualquer tipo de ajuda das instituições estatais. Já se passaram 37 anos e, de novo surge no ar a estupidez de maluqueira saída do nada, por um dirigente terrorista chamado de Putin, sem parecer lhe pesar na consciência a infeliz situação para o mundo ocidental. E, até para eles próprios se desencadearem nessa ideia de autêntico holocausto.

Usar esses nefastos artefactos repetindo o que há milénios sucedeu com a destruição de Sodoma e Gomorra transformando a mulher de Ló em estátua de sal quando quis ver o clarão atómico. Ninguém até hoje disse ter sido essa explosão de natureza atómica mas o facto de termos um ciclo de vida curto, o tempo esmoreceu teorias ao ponto de hoje podermos comparar com o que sucedeu em Hiroxima ou Nagasáqui e acreditar que houve uma outra civilização avançada que cometeu os mesmos erros dos dias hodiernos.

E, se uma hecatombe dessa envergadura acontecer, os arqueólogos do futuro nada revelarão sobre alianças politicas forjadas à volta de um louco seguido por com muitos outros lideres descuidados e incompetentes ou sem caracter que na hora incerta, não souberam fazer determinar o fim de uma guerra parva. Os espíritos dos mortos que abençoaram alianças e políticas de torpitude, não oferecerão segredos de como foi o que aconteceu e de quantos curandeiros garantiram a bênção desses espíritos. Haverá cortinas de situação a cobrir milhares de anos de história.

fenix2.jpg Neste futuro de longos milénios será difícil descortinarem os testemunhos, dos movimentos, alianças ou revoluções nas palavras com teorias filosóficas nem sempre de virtude. Até compararão o Napoleão conquistador com Putin, e outros fabricantes de múltiplas malazengas referindo Cristo, Maomé ou Alá. Surgirão académicos feitos professores e gurus colocando questões com ou sem razoabilidade no trato da verdade.

E, o mais provável é o de que nunca se saberá pelas normais ferramentas de investigação todos os dramas experimentados. Se não somos donos deste capítulo actual, como irão então explicar se o mundo já teve há milhões de anos atrás, uma explosão atómica e, que tudo teve reinício a partir do mada. Não é de estranhar dizer-se que o verdadeiro Deus antes do David foram uns quantos ET´s e, que nós todos descendemos deles.

araujo85.jpg Nossa singularidade ainda anda a ser descoberta pelo que, ainda nos andamos a reconstruir. Por isto e aquilo, não será de estranhar andar a interceder amizade com um caranguejo cirí juntando montanhas de teorias sobre os muitos montículos de relíquias, pinturas rupestres com dentes cariados e intrusar tudo com investigação criminalista de como foi, que tal criatura morreu, que tipo de arma foi usada e até qual foi o motivo de facto.

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Notas: *Sonhajando: Viajar com sonhos; **kalundu – É uma divindade ou espirito justiceiro, presente na natureza

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:07
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Sexta-feira, 7 de Abril de 2023
N´GUZU - XLII

CONHECER MELHOR O BRASIL – QUEM ERAM OS AFRICANOS

1ª Parte - Crónica 3362 - N´Guzu é força (Kimbundo) – 07.04.2023

Porsoba50.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

kilo01.jpg AFRICANOS. No Brasil, a escravidão foi sempre marcada por uma intensa dependência do tráfico atlântico caracterizando-se mais do que em qualquer outra sociedade esclavagista das américas, fundamentalmente africana. Não obstante, gente, homens e mulheres trazidos de África para o Brasil como escravos, possuírem varias origens linguísticas, étnicas ou religiosas e, não raro o eram inimigos no próprio lugar de onde foram desgarrados. Eles, nem sabiam ou se reconheciam como africanos por dali serem originários.

No período colonial, esses africanos eram identificados pela região ou porto aonde teriam embarcado. Surgem assim, africanos de Minas, do Congo, de N´Gola, da Matamba, de Benguela, Guiné ou Moçambique. A designação por procedência foi assumida por eles mesmos, enraizados num conceito de “guarda-chuva”; preservavam isso, para assim se identificarem, permitindo a novas levas de gente chegada, organizar-se de uma forma mais eficiente no relacionamento entre eles e, os outros.

araujo158.jpg Nesse comportamento, a história esclavagista, regista a existência de nítidas fronteiras entre os escravos no Brasil formando verdadeiras nações e, muitas vezes organizadas assim separadamente, mais por contexto de irmandades religiosas. Como exemplo os escravos de Luanda de N´Gola entendiam-se no dialecto kimbundo, alguns originários do N´Zaire, falavam em kioco, enquanto os de Benguela usavam o dialecto umbundo mas tinham por comum a base bantu, como por exemplo seu deus era designado por todos, de N´Zambi.

Nas primeiras décadas do Brasil monárquico eram nítidas as divisões entre os oriundos da Costa Ocidental de África chamados genericamente de Minas mas, também designados como Jejes, Bancás e Nagôs. As muitas nações provenientes da região do Congo, Guiné e N´Gola ou N´Zaire, Lândana e Matamba com gente Imbinda ou cabindas, de Rebolo Cassange ou Benguela reuniam-se sob a denominação genérica de “Os Angolas”. Aos nascidos no Brasil chamavam-nos de crioulos, não deixando de ser diferentes dos demais e, eram designados igualmente de “Africanos”. E, foi no contexto das lutas pela independência e afirmação monárquica brasileira que, pela primeira vez a tradicional oposição entre recém-chegados do tráfico e os crioulos se apresentaria de feição mais geral, nos assumidos conteúdos políticos.

louva3.jpg Nesta descrição, o Brasil apresenta-se em três distintas épocas a saber: a da colonização brasileira; a da época do Brasil Monárquico e a Monarquia Imperial com sede na capital em Rio-de-Janeiro, reino alargado de Portugal, Algarves e terras Ultramarinas em África e Oriente com a Índia de Goa, Damão e Dio e Timor, na Indonésia. As primeiras décadas do Brasil Monárquico foram marcadas por um “boom” de produção agrícola por via do tráfico negreiro. Nesta data, na capital da Colonia de Angola, havia um edifício chamado de Palácio de Dona Ana, pertença de Joaquina dos Santos Silva, a negreira (mestiça), que teve a maior relevância na sociedade luandina ou camundonga.

ana2.jpg Esta ilustre senhora de então, chegou a ter um quintalão em frente à escadaria do Palácio por onde passaram milhares de escravos endereçados para Porto de Galinhas em Recife. Os cálculos da Atlantic Slave Trade dizem que entre 1501 e 1866, aproximadamente 5,7 milhões de escravos saíram dos portos de áfrica para as américas. No Brasil, os pregoeiros iam às roças anunciar que tinham chegado galinhas ao porto. Era uma forma de enganar as autoridades do reino perpetuando a venda de gente depois de 1850 – ano final da proibição. E, é por este motivo que Porto Galinhas, um lugar de veraneio brasileiro é assim chamado. Dona Isabel sancionou a Lei Áurea, na sua terceira e última regência, estando o Imperador D. Pedro II em viagem ao exterior, às três horas da tarde do dia 13 de Maio de 1888.

No início do século XIX, delinearam-se duas grandes áreas de comércio negreiro para o Brasil destacando-se as rotas entre os traficantes baianas e, o reino de Daomé na Costa Ocidental da África, e as dos traficantes de Angola e do Rio-de-Janeiro e Recife com a África Central-Ocidental e a chamada contracosta de Moçambique. Nas áreas açucareiras do Recôncavo Baiano entre os fins do século XVIII e as primeiras décadas do XIX, a rasão de africanidade das populações dos engenhos era de dois para um, raramente somando menos de 60% do conjunto da escravaria. Nas primeiras décadas, já no período Imperial, com o tráfico ilegal, os falantes de língua banto alcançaram até os 90% da escravaria das fazendas de café da região, às vésperas da extinção definitiva ao tráfico atlântico, em 1888.

(Continua…)

O Soba T´Chingange  

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:58
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2023
VIAGENS . 5

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA – *SONHAJANDO A VIDA*

Crónica 3361 – 05.04.2023 - PAJUÇARA - Em Maceió como Zelador-Mor do Zumbi de N´Gola, feito *Kalundu

Por soba17.jpg T´Chingange (Otchingandji) – No San Lorenzo da ponta Verde.

Kuncamano! Um senhor muito assenhorado, com ar de muito fidalgura, direitinho que nem um fuso, como diria minha mãe Arminda Lopes, passo curto, cadenciando largura com sapatos ***quedes xispeteó almofadado de material anatómico nuclear, com notória competência, ia compenetradamente largando peidos a granel pela praia meio deserta da Pajuçara. Até que poderia dizer que eram traques bufados no descuido mas não, eram mesmo rajadas de genuínos peidos. Desculpem falar assim tão no directamente mas há coisas que não podem ficar entorpecidas no dizer subjacente.

cubo 10.jpeg Conspurcando a areia lavada por nosso Senhor da Maré Seca, moldava no ar suas sonoridades ao ponto de até meu amigo cirí caranguejo, de olhos relampejantes levou até eles, duas das patas para desentupir a poeira nuclear; talvez tenha as orelhas junto dos olhos pois que de arctópodes, pouco ou nada entendo. Apeteceu-me falar alto no jeito de exclamação: É carapau! Mas, poderia a rajada apimentada de jindungo ficar virada no vento feita Putin e tornar-se numa guerra de assim só permanecida num parasempre. Isso! Só no riso mas, num ái jesus de cruz credo, pois que fiquei só mesmo atordoado de calado.

Ele, há coisas! Até porque nem sei se o cara tinha seu tubo catalisador preparado para enfrentar calamidades naturais, conflitos e coisas esdruxulas sem olhar ao próximo ou sufragado à descompressão demográfica dos gases de estufa nauseabundos. Enfim, um verdadeiro líder carismático conduzindo sua vida de peidão. Mas virando um pouco a página, sabe-se que ao longo dos séculos sempre se migou de um para outro lado por periclitãncias da normal vida ou para exteriorizar excentricidades; assim o homem foi recolhendo muitos conhecimentos sem nunca ninguém intentar entrar m dialogo com um cirí.

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Isso! Entrar em falas com um cirí e, por forma a saber dessa sua tecnologia de sobrevivência, seja no lodo, seja na areia branca, ou numa praia muito cheia de burgau, andando na marcha-à-ré da infelicidade todo o santificado tempo de aleluia. Penso seriamente domesticar este caranguejo cirí, acomodá-lo num espaço próprio e assim tê-lo como companhia na hora de ouvir o noticiário nobre, televisivo das agruras, saber de todos os acidentes e outras calamidades, até sentir o que haverá de prazer em todos os dias pregarem Cristo numa cruz de pau de oliveira.

E, descrever as minucias dos pregos artesanais com quinze centímetros de comprimento, do tempo da Maria Cachucha e Maria madalena, sua prima, feitos à mão no propósito de furaram carne e ossos de nosso Guia; material de ferro malhado, sei lá quantas vezes, e endurecido em óleo de manjerico, só para massacrar-nos com calos nos sentimentos, os nervos dos artelhos e demais adjacências laterais e circunscritas. Alimentar até procissões com troncos de esferovite ou isopor a fingir de pesados para dar de novo uma imagem das escadas do Calvário. É de uma crueldade atroz recordar a morte de quem nos quis dar vida – assim diz a Bíblia! E, repetem isto vezes sem conta…

O carro de fumo da lua2.jpg Voltando ao cirí, lembro os animistas que acreditam que não existe qualquer barreira entre os humanos e os demais seres; que todos podem comunicar directamente através da fala, dos gestos, do pensamento ou música, dança e até cerimónias. Quer isto dizer que pode um caçador dirigir-se a uma manada de veados e pedir que um deles se sacrifique. Bem!  Não acredito nesta balela furada mas, já assisti ao choro chorado de um ****nunce, (um antílope) quando em pleno mato de Angola, uns quantos conhecidos caçadores, abateram um. Sim! Morria chorando lágrimas de verdade e isto, nunca mais o pude esquecer. Lembro-me até de pedir desculpa ao animal rogando que todos nós mudássemos atitudes perante outros seres.  

O certo é o de que, cada um de nós em dado momento, fica encravado nas crenças ou práticas com alguma estranheza. E, por isso quero cada vez mais conciliar-me com o mundo através do cirí e saber a partir dele, quando vai chover chuva molhada ou quando vai acontecer um terremoto, entre outros edecéteras que até ainda desconhecemos. As mudanças poderão até ser turbulentas com controvérsia no todo e em eventuais reformas com revoluções do foro constitucional.

balba2.jpg Em tudo o dito temos a existência de provas de como já ouve um entendimento no passado por recolha em artefactos e pinturas rupestres. Chegados aqui, em uma altura de tanta polémica sobre como manter o nosso género e coisas chocantes sujeitas ao desentendimento de uns e libertinagem de outros. Numa altura de tanta tendência pedófila polémica com padres a serem indicados como executores de práticas sexuais indevidas no seio da igreja católica apostólica ocorre-me perguntar: Então, qual o porquê dum padre, não se poder casar! Por enquanto nem me atrevo a dirigir-me ao Papa mas, irei perguntar sim ao Mr. Google…

Notas: *Sonhajando: Viajar com sonhos; **kalundu – É uma divindade ou espirito justiceiro, presente na natureza; ***Quedes: sapatos de lona; ****Animista: uma construção antropológica usada para identificar traços comuns de espiritualidade entre diferentes sistemas de crenças com gente e outros animais;****Nunce (em Angola - Redunca arundinum), é um animal herbívoro; mede de 90 a 95 cm de altura e pesa cerca de 70 quilos. Os machos apresentam chifres pretos que medem aproximadamente 20 centímetros.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:32
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Terça-feira, 4 de Abril de 2023
MISSOSSO . LIX

NA PAJUÇARA COM ANDREY BLAZHE Biólogo da Bulgária e, a Psicóloga RITA  FIUZA

– DA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA…

- Crónica com ficção* 3360 – 24ª de Várias Partes com ***FK – 04.04.2023

Por Arrais3.jpeg T´Chingange (Otchingandji) no Mukifo de San Lorenzo

paju2.jpg Maré rasa! Enquanto escrevo por debaixo do chapéu, propriedade do Conde do Grafanil, areia lisa e molhada em um novo dia de Abril, de novo observo o caranguejo cirí esbranquiçado que triângula visões com seus olhos afastados, dois pontos negros reluzentes de intranquila presença. De novo sacode cuspindo bolos de areia saídos de um buraco gruta, feito sua casa. Deveria estar a melhorar as condições de sua lage de cobertura. Quase como provocação vem justamente sacudir minha tranquilidade concentrada no pé direito, o mais sensível aos calos, nem sei do porquê.

Talvez ele, o cirí, saiba que por via de tanta cooperação não deve abusar nas cuspidelas e espero que não lance seu mijo corrosivo de cloreto para cima desta empática relação. Da minha parte quero até alinhavar-me na suficiente medida de com ele confraternizar uma domesticada amizade assim como é possível fazer com um cão; esse mesmo que há 15.000 anos foi coiote ou lobo alfa. Bem! À partida não se vê como nos iremos comunicar mas, isso será mesmo matéria de escrita para novas oportunidades. Nada é impossível…

paju3.jpg Assim dialogando no vazio com um artrópode do grupo dos crustáceos, ouço uma saudação de Bom Dia em tom feminino e, por obvio revirei o olhar a sul confrontando-me com a simpática senhora psicóloga de meu ilustre amigo ex-coronel, guerrilheiro, contrabandista de armas letais com gente escusa e agora comendador e dono da Fundação de Zumbi de N´Gola. Era mesmo a psicóloga de FK, Rita Fiúza, funcionária supranumerária da Nomenclatura nobre da Fundação e que, por estas paragens de Ponta Verde, toma assento durante alguns períodos do ano. Não é de estranhar  esta missiva ao vivo pois que sempre se mantem em contacto com o centro Baobá bem no sopé da Serra da Barriga, lugar do Kilombo dos Palmares…

Após preliminares de cortesia normais em executivos de supra quadratura, pude apreender reptíciamente que sua expressão era de teor bem sigiloso, como se tivesse algo para me comunicar fora dos parâmetros vulgares. Fiquei de orelhas atentas ao que aí vinha e, veio! Noticia fresca a comunicar- me uma importante tarefa. E, referindo a vontade do chefe M´fumo Mwata FK, foi-me dito que o mais rápidamente, entrasse em contacto com o Biólogo búlgaro Andrey Blazhe instalado no hotel Ritz bem em frente do local de San Lorenzo aonde me instalara. E subsistiu a dúvida em minha mente: mas como é que sabiam que o Zelador-Mor  e Soba do kimbo T´Chingange estaria aqui neste agora; como… se nada disse, a ninguém da Nomenclatura?

Na espectativa de coisa nenhuma por via da relutância segredista de Fiúza, podia adivinhar que seria algo de muita importância e sigilo com intervenção da minha pessoa mas, que seria!? Dito e refeito telefonei ao gerente Napumosseno do Ritz, que estaria lá pelas duas exactas horas dos pós meridiano. Na hora certa depois de almoçar beringela com queijo e cebola no meu mukifo, deparo com o cientista biólogo búlgaro sentado em um canto, bem ao pé do comprido aquário muito coberto de corais e peixes coloridos que no meio das algas, dançavam sua beleza.

pajuçara02.jpg Mas, antes deste encontro assegurei-me averiguar as causas com o Presidente da Fundação Arrais de Cantanhede em cidade de Marechal Dodoro; ele, Arrais, nada sabia! Não obstante foi-me dizendo que havia tarefas que só alguns eleitos sabiam e neste caso seria coisa nova – era uma prática segredista dele, o Mwata Comendador. Sempre enigmático e com estrito segredo não dava azo a invulgaridades. Dito isto para esclarecer-me, dirijo-me ao senhor emissário e, de braços abertos saúda-me com um cordial e quente braço. Sentados, ambos tomamos um café para arrefecer entretantos. Bem! Embora tivéssemos uma relação institucional, pelo vistos, convinha haver sigilo total só depois do empregado Sepúlveda se afastar  é quedeu início às suas falas.

Nosso chefe, o Comendador FK delegou em mim esta missão de lhe comunicar o seguinte: Quer que diligencie junto às autoridades angolanas a implantação de uma Sucursal da Fundação de Zumbi de N´Gola no Planalto Central de Angola; mais propriamente na cidade da Caála que você bem conhece, acrescentou. Resumindo: quer que seja o embaixador desta missão, a quem ele dá a máxima importância. Disse que para o efeito deve escolher uma delegação de gente de máxima fidelidade e competência mantendo absoluto silêncio quanto a detalhes!  Sempre, mas sempre tudo pareciam ser técnicas de guerra com sigilo e contra-informação quando algo descambava…  

zedu4.jpg Não obstante ter de início franzido a testa com rugas de dúvida, Andrey achou melhor esclarecer algo que lhe tinha sido abordado. O Comendador optou por si pelo facto de ter saído da Cidade da Caála, de ter conhecido e trabalhado com o Comandante Kalakata e, até apontei tudo para poder não esquecer: No bilhete que rasgou em seguida pode ler: Maciel D´Achala, Alcides Sakala, José Cachiungo, Benjamim Liuanhica, M´Fumo Manhanga, Adalberto da Costa Júnior com quem colaborou próximo, Ekuikui e o próprio Mwata Jonas Savimbi. Bem! Estava tudo até demasiado explicado pelo que achei por bem ter destruído o papel rascunho queimando-o a seguir, pois tornavam-se numas letras que juntas, podem tonar-se bem perigosas. Teria mesmo de ser assim pois que a estória, mesmo não se querendo, sempre deixa riscos em nós e no ar…

(Continua… 25ª Parte…)

Notas: * Esta é uma estória inventada só no que concerne às mentiras… ; **kalundu – É uma divindade ou espirito justiceiro, presente na natureza;  *** FK – Fala Kalado

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:28
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Segunda-feira, 3 de Abril de 2023
VIAGENS . 4
FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA – *SONHAJANDO A VIDA*
Crónica 3359 – 03.04.2023 - PAJUÇARA - Em Maceió curtindo férias de Zelador-Mor do Zumbi de N´Gola, FEITO KALUNDU
Por pajuçara03.jpg T´Chingange (Otchingandji) – No San Lorenzo

Pajuçara4.jpg Ontem, já noite, fui até à Ponta do Coral de Maceió, lugar entrado na água como um barco ancorado no lugar de Ponta Verde, também conhecido como o Gogó da Ema e aonde em tempos funcionou um clube náutico. Olhei lá embaixo a água e no lugar aonde deveria haver corais, nada vi para além de pedras soltas cobertas pela água e aonde até poderia visionar ossos fossilizados ou utensílios do tempo da pedra lascada com aparelhos de uso corrente do tempo do Caramuru mas, nada disso eu vi.

Poderia até ter visto um razoável aquário mostrando cavernas com peixes da costa alagoana com polvos envolvendo pedras antes manuseadas por Ganga Zumba do tempo em que os quilombos eram refúgio de fujões escravos. Vi sim ao nível do convés muitas famílias confraternizando de forma muito peculiar, conversando cada qual por si com seu próprio celular.
Coisa trágica dos dias que correm em que este utensílio passou a ser o coração de cada qual. Beijos e abraços eram enviados na hora, para lugares distintos, longínquos até, sem se notar entre elas, as famílias, a azáfama dos cordiais abraços e falas encaixotadas nos baús das recordações com estórias banais mas de primordial importância na vida de cada qual.

alcaçuz2.jpg E, como foi rápida esta despersonalização da amizade no correr do tempo ouvindo vozes através de caixas com válvulas, depois transístores e agora este tal de smartphone que pode conter 62 tipos de metais diferentes em sua composição; entre eles, ouro, prata, platina, coltan, tungsténio ou até nióbio. No antigo tempo da pedra lascada, entre os caçadores recolectores sem este negócio chamado de celular ou telemóvel, havia no mínimo a sensação da fraternidade com afecto e calor sinceros.

Hoje o cinismo é curtido com hipocrisia, com beijos espaciais de sonoro beijo de cú de galinha soltando som ao espaço. Que mudança tão trágica, tão moderna neste inicio do século XXI. Há tibieza ou encobrimento no mostrar de sensações ao vivo – que trágica doença está contaminando esta forma de estar na vida! Terá sido pela vivência do tal de Covid? Para quem não tem prática de usar afectos com carinho, o filme é de 3D, banalidades com selfie e coisas sem uma grande explicação por o serem demasiado incomuns.
No futuro, nossa reconstrução de vida mostrada por arqueólogos vai ser bem problemática mostrando artefactos calcinados com pozinhos de plástico, nióbio e lítio envoltos em fraldas descartáveis, luvas de médico e cuecas inteligentes de detectar gazes de cariz cancerígeno e, ou até preservativos com chipe de ultra sensação nas diversificadas relações sexuais com sensualidade só vivenciada no vácuo do prazer terreno, uma nanotecnoloia com sensores de endurecer o ânimo às coisas amolecidas. Uau!

Pajuçara01.jpg Num ai, num ui, irá ver-se sotainas sacerdotais, escapulários e antigas vestimentas feita de linho fino, carmesim, estofo azul e púrpura, e bordado a ouro, paramentos com mitra, peitoral ou túnica e demais zingarelhos de desfazer essa visão de omnipresente e omnisciente. E, é mesmo confrangedor neste futuro ver familiares inteiras da primeira à terceira geração, confraternizando com um celular, afagando-o como se o fosse: gente! Gente supostamente culta…

É interessante desconviver de perto com estas alvissaras mistificadas de fantasia da vida quase irreal e, como sempre o vivessem num perene carnaval, resquícios de memória das terras de fingir o entrudo. Todos tiram dúzias de fotos ao horizonte escuro, luz cintilante dos barcos lá longe rebrilhando imaginação resvalada nas águas quietas da piscina natural da Pajuçara; barcos contentores de assucar a granel ancorados no porto do Jaraguá.
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:23
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Sábado, 1 de Abril de 2023
VIAGENS . 3

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA – *SONHAJANDO A VIDA*

Crónica 3358 – 01.04.2023 - PAJUÇARA - Em Maceió curtindo férias de Zelador-Mor do Zumbi de N´Gola, FEITO KALUNDU

Por t´xipala1.jpg T´Chingange (Otchingandji) – No San Lorenzo

deserto01.jpg Enquanto espero a inspiração muito cheia de novidades desconhecidas, dou voltas ao miolo em como irei dar solução ao enredo da estória intrincada e, que no capítulo seguinte virá a ter o número de ordem 24º. Para o efeito tive de recordar o último Missosso do Kimbo elaborado a 03 de Dezembro de 2022 e, pois sucede que chegando ao fim da página, depois de ler: **Esta é uma estória inventada só no que concerne às mentiras, segue-se a explicação do que quer dizer a palavra kalundu no dialecto kimbundo de N´Gola. **kalundu – É uma divindade ou espirito justiceiro, presente na natureza (A entrevista com o Brigadeiro N´Dachala, continuará lá mais para a frente - depois das eleições previstas neste ano de 2022…). Até aqui tudo nos conformes mas, eis que se segue um comentário ainda não lido por mim, pelo que o vou transcrever talqualmente como está inserido no Blogue. Motivo mais que relevante para destravar a minha própria tranca letárgica e pegar de novo na estória de Fala Kalado

kimbanda1.jpg Comentário: De Patrícia C. Neto a 3 de Dezembro de 2022 às 23:46

Olá, sou Patrícia C. Neto, estou aqui para espalhar esta boa notícia para o mundo inteiro sobre como recuperei o amor do meu marido. Eu estava enlouquecendo quando meu amor me deixou por outra garota no mês passado, mas quando conheci um amigo que me apresentou ao Dr. WAVA o grande mensageiro (entenda-se feiticeiro kimbanda ou t´chingange)

Narrei meu problema ao Dr. WAVA sobre como meu marido me deixou e também como eu precisava conseguir um emprego em uma empresa muito grande. Ele apenas me disse que vim ao lugar certo, aonde obteria meu desejo do coração e, sem nenhum efeito colateral.

Ele me disse o que eu precisava fazer; depois que foi feito, nos próximos (sequentes) 2 dias, meu amor me ligou e pediu desculpas por me matar antes de agora e também na próxima semana. Depois que meu amor me ligou para estar implorando por perdão, fui chamada para uma entrevista na empresa desejada, aonde precisava trabalhar como supervisora.

kimbanda3.jpg Estou tão feliz e emocionada que tenho que contar isso ao mundo inteiro sobre como o Dr. WAVA me ajudou a realizar o desejo do meu coração. Dr. WAVA é um especialista em todo tipo de feitiço e boa magia. Se precisar de qualquer tipo de ajuda, entre em contacto com Dr. WAVA no seguinte endereço de e-mail: drwava3@gmail.com, você também pode ligar ou whatsapp/Viber +66992602953 se precisar de sua ajuda. https://www.drwavaofspirituallovespells.com

RESPONDER A COMENTÁRIO:

kimbanda5.jpgDesta feita, verifico ser este “Kimbanda” muito superior ao Primeiro-Ministro de nome António Costa. Deveria ser seu assessor para acudir às mazelas do M´Puto pois que sua “propaganda” é bem oleada nas muitas difíceis engrenagens do optimismo… Suas entidades vibram nas matas, cemitérios e encruzilhadas, com o "Povo da Rua" abrangendo os mensageiros ou guardiões (é dos livros…). Estou a ver-me tirando uma senha a fim de ficar depenado nos trinques, talqualmente fazem os muitos políticos do “M´Puto” rectângulo. Mas, ele, há coisas…

Afinando as pestanas denota-se que o Dr. WAVA é para além de um bom candidato a politico, um homem de ética apurada, enfim, um bom republicano. Perante esta mokanda, acho que o espírito da gente é cavalo que relincha e até escolhe estrada. Que quando numa de para tristeza, e morte, vai não vendo o que é bonito e bom; seja!? Contando assim este episódio de quase resiliência, coloco até minha sobrada amizade, assim mesmo, um pouco para ele singrar, pois que surge do nada em criatura de simples coração que em verdade, me fez desacreditar que o inferno é mesmo possível! Ainda estou *sonhajando…

*Nota: Sonhajando: - Viajar com sonho…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:46
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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