DESDE OS TEMPOS DE DIPANDA *
RELEMBRANDO – A FUGA DE ANGOLA EM 1975 – PELA COSTA DOS ESQUELETOS… I de XI
– Texto: Val King (revista Scope – África do Sul)
- Crónica 3716 – 12.12.2025
Por: T´Chingange (Otchingandji) – O NIASSALÊS em Lagoa do M´Puto…

A história de Angola e Portugal naquele ano de 1975 do século XX, cinquenta anos atrás, é aqui relembrada por Victor Torres, como mais um episodio ou odisseia no processo de descolonização de um território a que se chamava de Província Ultramarina Portuguesa. Assim se irá descrever o desespero de quem é abandonado pela pátria mãe, gente que fugiu com escassos pertences que foram sendo largados nas areias da Costa dos Esqueletos do Sudoeste Africano, actual Namíbia…
Foz do Cunene / Namíbia. De um lado, mares agitados; do outro, o deserto mais cruel do mundo. O desespero para a morte ou a liberdade pela Costa dos Esqueletos. Um texto de: Val King (revista Scope – África do Sul). Desde que Moisés conduziu os israelitas do Egipto até à Terra Prometida, nunca houve igual êxodo em massa de um país africano. Na sua louca luta por segurança, 200 refugiados angolanos, sem o saberem, enfrentaram involuntariamente a região mais hostil do mundo.
O Major "Blue" Max Kessler mergulhou a asa do seu Comanche bimotor de forma acentuada para ter uma panorâmica melhor. A visão lá embaixo era suficiente para o fazer desatar a rir se não fosse tão dolorosa. Foi a coisa mais incrível que alguma vez tinha acontecido na história da Costa dos Esqueletos, famosa pelos seus naufrágios.
Abaixo, na margem sul do rio Cunene, estava a mais estranha fila motorizada que se atreveria a imaginar. Sessenta e um veículos de todas as marcas, carregados com os despojos de uma vida e transportando 201 refugiados angolanos, desde um bebé de um mês ainda não baptizado a uma rapariga grávida de 17 anos e incluindo avós viúvas vestidas de preto.
Uma estranha fila determinada a enfrentar o deserto mais perigoso do mundo. O suficiente para fazer os esqueletos desta “Costa da Morte” girarem nas suas sepulturas arenosas. Max Kessler, batedor do Esquadrão 112 do Sudoeste Africano, esperava encontrar um carro ou dois atolados na areia, enquanto percorria a costa do deserto em busca dos refugiados.
Refugiados que fugiam do terror de Angola, mas, afortunadamente, já encontrou metade dos carros e camiões em duas localidades piscatórias...! Como recordam depois: "Parecia uma fila para uma corrida no autódromo de Kyalami (África do Sul), ao estilo português". Max Kessler e seu companheiro, major Nic Badenhorst, ambos surpresos, voavam baixo.
E, sob pesadas nuvens costeiras, pousaram suavemente num banco de areia firme, o suficiente para sustentar o peso do avião. Foram então recebidos num cenário que mais parecia um campo de férias do que um amontoado de refugiados perplexos, presos entre o banho de sangue de Angola e o deserto hostil da Costa dos Esqueletos.
As crianças brincavam construindo castelos de areia. Os homens haviam assado um porco no espeto, prontos para a longa jornada rumo ao Sul. Quando Max Kessler e Nic Badenhorst saíram da avioneta, os angolanos quase os beijaram de alegria, prontos para festejar a sua chegada com vinho. Havia varais pendurados entre os camiões e as mães lavavam fraldas e outras roupas nas águas do Cunene; felizmente ali, não havia crocodilos …
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Nota 1: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante e depois - anos da crise Angolana e, na diáspora de angolanos pelo mundo.
Nota 2: ** Fonte e gentntileza revista Scope – África do Sul
(Continua...)
O Soba T´Chingange

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