DESDE OS TEMPOS DE DIPANDA * RELEMBRANDO
– A FUGA DE ANGOLA EM 1975 – PELA COSTA DOS ESQUELETOS… II de XI – Texto: Val King (revista Scope - África do Sul)** “Missão Xirikwata”
- Crónica 3717 – 13.12.2025
Por: T´Chingange (Otchingandji) – O NIASSALÊS em Lagoa do M´Puto…
De alguma forma, este cenário não condizia com o clima de uma costa desértica que construíra sua horrível reputação com base em ossos humanos, navios e aviões. O motivo pelo qual não havia grandes massas de veículos espalhados pela areia era simples: normalmente, ninguém era louco o suficiente para desafiar a Costa dos Esqueletos em qualquer coisa menos do que veículos com tração às quatro rodas.
Pelos vistos, depressa o deserto iria ser compensado por essa falta de carros apropriados. Max Kessler e Nic Badenhorst depressa perceberam que havia pessoas que nunca tinham ouvido falar da Costa dos Esqueletos; duzentas e uma delas, pelo menos. Como contou mais tarde João Jardim, o líder dos refugiados, de 27 anos: “Ainda em Angola, alguns espertinhos disseram-nos que: 'Ao sul do Cunene é só conduzir 60 kms e depois chegam a uma boa estrada.
Isto é, uma boa estrada compactada feita de sal e argila que corre paralela ao mar. até chegar a uma aldeia'. Nós nunca tínhamos ouvido falar da Costa dos Esqueletos. mas mesmo que tivéssemos estado, não poderia ser pior do que em Angola”. Assim, a primeira coisa que os refugiados quiseram saber dos dois pilotos do Sudoeste Africano foi: "Onde ficam essa estrada e essa aldeia?”.
Max Kessler balançou a cabeça em descrença e desenhou um mapa. A "aldeia" mais próxima, explicou pacientemente, era a pequena estância de férias de Swakopmund, mais de 800 kms a sul. E não havia nada parecido com uma estrada nos próximos 300 kms. A única pessoa que vivia nessa desolação varrida pela areia também morava a 300 km de distância…
Esse local é em Mowe Bay! Referiam-se a Ernst Karlowa, um guarda-florestal da reserva de caça Kakaoveld alcançando dali o mar, através das muitas dunas do deserto que sempre iam mudando de posição por efeito do vento forte persistente. Pelo meio existe apenas um acampamento policial temporário para patrulhas ocasionais, em Rocky Point, e um barraco abandonado em Angra Fria.
- E, nada mais havia que um mar de areia governado por ventos fortes que tentam enterrar qualquer coisa que se cruze no seu caminho. Como enterraram vários navios naufragados, que jazem agora a uns quilómetros, terra adentro. Esta costa de diamantes, deserto e morte é cercada pelas ondas do mar e pelas correntes do Atlântico, a Oeste, e pelas formidáveis montanhas Baines e Brandberg, a Leste.
É um lugar onde os rios são apenas “mulolas”, que só levam água quando chove, nomes num mapa e, onde marinheiros naufragados morreram de sede a olhar para um oceano de água. No entanto, de alguma forma outras criaturas conseguem sobreviver por ali como focas, chacais, pássaros marinhos, como o corvo marinho e hienas que os atacam.
Por vezes deserto adentro, há manadas de elefantes que sobrevivem fazendo buracos nas mulolas para extraírem água. Lugares com esparsas acácias com vagens da qual se alimenta,. Também se encontram orixes no Kakaoveld.; já foram vistos leões em Angra Fria. É um deserto temido pelos homens que melhor o conhecem. No entanto, aqui estava a maior caravana a chegar à Costa dos Esqueletos - nas mãos de gente que ingenuamente pensava ter deixado o inferno para trás, em Angola, e não tinha a menor ideia de que tinha um deserto infernal pela frente.
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Nota 1: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante e depois - anos da crise Angolana e, na diáspora de angolanos pelo mundo.
Nota 2: ** Fonte e gentntileza revista Scope – África do Sul
(Continua...)
O Soba T´Chingange

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