Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012
PIAÇABUÇU . X

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“DOS JESUITAS AOS TUBARÕES” . 8

Por

 Roeland Emiel Steylaerts

De Goiânia fomos para Brasília, cidade que visitamos. Naquele tempo a Catedral só tinha as paredes, e a Asa Norte era tudo em casas de Madeira. Na Asa Sul, já havia casas e apartamentos. No lago Norte, e Sul não havia nada, e os terrenos não tinham compradores. Era tudo chão, e difícil de chegar. Nada valia nada! A cidade era coberta por uma nuvem de pó vermelho. Resolvemos ir mais para o Oeste, para procurar minérios. Mal sabíamos que tinha toda uma lei para mineração, e que não era só chegar e explorar. Mas nunca chegaríamos até esta fase. No primeiro dia, chegamos a São João da Aliança, onde tinha um posto de gasolina, de nome FLAMENGO, inaugurado nestes dias e que tinha também restaurante e hotel. Seriamos os primeiros fregueses. Era uma região deserta. Ficamos dois dias visitando a fazenda. A cidade era um verdadeiro buraco, e não tinha nada, nem luz. O que me atirou a atenção eram panfletos na parede de pessoas foragidas com foto, e o dizer PROCURA-SE. Continuamos numa estradinha horrível, cheio de córregos, sem pontes, no meio de milhares de pedras soltos, e chegamos a Alto Paraíso (naquele tempo ainda chamado de Veadeiros). Encontramos um casal suíço, apavorado, pois queriam fugir de lá o mais rápido possível. Estavam sendo ameaçados. Não me lembro do motivo, mas deixaram a gente bastante apreensiva.

 Dormimos mais lá para a frente, na estrada, sempre deixando alguém de guarda com um fuzil. Os Suíços realmente botaram medo na gente. Nunca mais os vi, bem que tive anos por estas bandas. Comemos o que havia no carro, latinhas de sardinha e bolachas. Continuamos para a próxima cidade chamada Cavalcante; mais 5 km e, havia um rio a atravessar, o rio das Almas. Rio largo e violento, que tinha uma ponte, mas era intransponível, pela falta de tábuas. Descemos do carro, atravessamos a pé, Já que a água naquele lugar não era tão fundo e resolvemos passar com o velho carrão pelo rio. Tiramos tudo para fora, para aliviar o peso. Assim dito, assim feito, e atravessamos o rio chegando a fazer mais um quilómetro e aí, aconteceu: Fundiu o motor do carro; uma pedra tinha furado o cárter, tendo vazado todo o óleo. Nos próximos nove meses viveríamos nesta cidadede de Cavalcante. Horas depois Chegou um jipe com o prefeito, que falou que arrumaria uma casa para nós, e mandaria puxar o carro até essa casa.

 O pessoal era bastante acolhedor e simpático. Ajudados de todo o jeito chegamos a uma casa de taipa, aliás, a cidade inteira era de taipa. O prefeito pegou a chave, abriu a porta, e arrumou uma lamparina a querosene, que acendeu. Deu boa noite, e falou que voltaria no dia seguinte, para ver que mais poderia fazer. Fiquei logo sabendo que todos eram família de todos, de uma maneira ou outra. Também reparei que cada casa tinha uma pessoa um pouco deformado, eram baixas e mostrando  ter um baixo nível de inteligência; deduzi que seria por conta dos casamentos entre familiares, algo considerado anormal. Estávamos cansados demais, e deitamo-nos como pudemos. Fiquei preocupado ao ver três aranhas caranguejeiras na parede e em baixo das camas. Luz, a cidade não tinha, banheiro era no córrego lava-pés aonde todos se banhavam. As mulheres à direita depois da curva, os homens à esquerda, todos nus! A cidade não tinha hotel... nem restaurante! Não tinha nada de jeito! A cidade tinha um padre holandês de nome Geraldo, que não era lá tão bem visto pois gostava das mulheres dos outros. O cara não distribuía a farinha e o leite em pó e demais coisas que vinham para os pobres como doações da Usaid. Vivia isolado dos demais e gostava de caçar pacas e capivaras de noite. Ouvia confissões fazendo perguntas desapropriadas. Fazendo vista grossa disso tudo, fiz amizade com ele, explicando-lhe na hora que eu era ateu. Não viesse ele com lavagem cerebral, pois não daria certo comigo. Felizmente nunca tentou nada.

(Continua...)

Ilustrações: Tarsila do Amaral . Br

Nota: Esta é a estória vulgar de um emigrante Belga fugido da guerra que se aventurou em terra estranha do outro lado do Oceâno. Os tempos mudaram, as agruras são outras mas a vida é assim mesmo, um rodopio de acontecimentos que parecendo nada, mudam o rumo.

Compilado com correcções ortográficas e arranjo ao texto original por

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:57
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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