Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2013
INVENTAÇÕES DA HISTÓRIA . IX

EM TERRAS DO SUMBE . Cemitério dos brancos

Verdade ficcionada

Por

 T´Chingange

Regressado do Bailundo via pista de Seles combinei com o capataz José Nanquituka, ocupar os carregadores na construção de um grande armazém logo no início da encosta e não muito longe do mar; o comércio exigia que as mercadorias vindas do planalto fossem devidamente acomodadas e preservadas por algum tempo, para além de ser o depósito das fazendas ou libongos enviadas de Loanda. Esta seria em realidade a primeira fazenda pública a funcionar a sul das salinas da Quiçama. Mandei que fizessem vários caixões para servirem de salga na conserva de carne e dei instruções que mais junto à costa, na ladeira do cais improvisado, montassem armações em paus entrelaçados a fim de salgar o peixe que fartamente se pescava naquele mar e bagre do rio Cuvo, ali tão próximo.

 Detestava ver os homens levar uma vida errante, de ócio e de embriaguez. Quando sem nada que fazer, os carregadores levavam o tempo de barriga para o ar. Os negros odiavam ser carregadores, não tinham por costume trabalhar nas lavras, isso era coisa de mulher, e quando menos esperavam surgiam os cipaios a mando do alferes que acorrentando-os os levavam para o terreiro dum qualquer rico negreiro; seu destino seria o porão duma nau que os levaria a um lugar distante. Ali se juntariam com dezenas ou centenas de negros, homens e mulheres acorrentadas que os pombeiros traziam do interior de N´gola, Cassem e Damba.

 Este tráfico tinha o nome de "Guerra Preta" porque arrancavam sempre por meios violentos os negros das aldeias. Contudo eram os próprios negros, entre os quais os N´zingas, que, levados pela ambição de possuir os objectos ou libongos levados pelos portugueses, faziam guerra aos seus irmãos de cor. Alguns Sobas, trocavam os seus súbditos por vinho, tecidos, sal ou pólvora. Eu, não via bem toda esta actividade; usar o homem da forma mais degradante mas, era esta a estratégias usada pela administração na qual eu considerava uma falha. Sempre que podia, alterava o rumo dos homens em aproveitamento de outras actividades como agricultar, pescar, lavar, e tarefas de manejo para o bem social. Na minha função de secretário de fazenda de João de Câmara da Capitania-Geral do Reino de Angola, ganhava quinze mil reis, tal como o capitão de 2ª linha e, agora incumbido de superintender o litoral entre os rios Cuvo a norte e, a sul, o curso inferior do rio Balombo. Aqueles quinze mil reis do Puto eram convertidos em libongos pago em trocados de bongos, sangos e infulas para poder manusear  e comprar ou permutar as mercancias que me aprouvesse. Já nos fins de 1783 tive de refazer cálculos de reconversão em função da nova moeda chamada de Macuta enviadas do Puto à ordem de Dona Maria I e, aonde se podia ler em uma das faces “África Portuguesa”. Curiosamente, ainda guardo esta preciosa moeda no meu baú.

(Ver glossário no final)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:43
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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