Quarta-feira, 16 de Outubro de 2013
MALAMBAS . V

FRIEIRAS DE VELHICE ... Na minha rua de mato.
MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange
Estou em uma terra de miscigenada gente, mistura de europeus com índios do que resulta homens baixos, troncudos  de olhos e cabelos escuros e escorridos, pomelos altos e uma forma pesada no andar, como se estivessem pregados a terra. Dados à preguiça vivem estirados em suas redes de chinxorro esfregando-se de coceira para ocupar o tempo nessa massagem social a substituir o catar de piolho, tempo que pouco conta em sua contabilidade. Por falta de pressa tertuliam-se em generosas conversas de boi-dormir, cruzam suas melosidades de vida com almas penduradas, penando ao vento como espanta espíritos de suas maleitas. Giboiando no tempo mameluco ou matuto, num sítio de macaxeira e entre muitos pés de goiabeira, uma frondosa mangueira e outro de graviola, enrugam-se nas frieiras da velhice contando as muitas vezes que tiveram bicho de pé (matacanha). 

 Comem como rudes capitães dos matos da época da conquista, feijão, sopas, guizados de macaxeira e inhame com banana comprida, arroz branco e farofa de feijão ou mandioca com pedaços pequenos de torresmo e pimenta de cheiro. Sem deixar meandros por explorar nem recantos por conquistar, passo horas a observar rolas e bem-te-vi no meu lugar de quase mato, quase sítio ou chácara confinante com uma rua que ziguezagueia entre o capim entre lombas e buracos arenosos; buracos que viram lama ao primeiro chuvisco. No ar de Outubro já cheira o aroma do caju dos muitos cajueiros que com várias matizes de verde, encantam o perto longínquo horizonte barrado pela serra do mar, a mata atlântica, um imenso horizonte de cana de açúcar empurrando o sertão para o agreste com cactos na forma de candelabros.

 Bem perto de minha rua de mato, purgatório descuidado, a farra dos arredores faz-se a altos brados e noite adentro esbanjando borga de festa até o escuro da noite ficar negro, muita cerveja whisky e cachaça bafo-de-onça extraída da cana dum artesanal alambique dum engenho ou moderna usina. Nesta vida, não importa de onde se é ou de onde se vem mas, temos de admitir que existem boas razões para averiguar para onde vamos e averiguar quem foram os nossos antepassados a decifrar o inusitado espírito de leituras de intuição das generosas banalidades. Para não nos aferrolharmos no indistinto medo e modos precavidos, recordamos descendências lusas para aquietar: Das casas e famílias ancestrais de pombas ao vento e que fixas nos telhados indicam de aonde vem o porquê desse termo de “Gente de casa com eira e beira”; a pomba do espírito santo.

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:07
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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