Sábado, 19 de Outubro de 2013
KWANGIADES . VIII

MEUS BUZIOS FALARAM Mokanda de Um Kota especial!2ª de 2 Partes

Por

José Santos Jose SantosImpregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum rio chamado Rio Seco.

O nosso mambo, ninguém pode ouvir, caté ele e temos de falar noutra língua… sugeria OSHIVAMBO. Esse matumbo diz-me que todos os mundele tem feitiço, tudo cobiça, num têm muxima como os nosso feito de capim e de cangoenha de pitanga. Mais diz, assim: - “Meu Rei tambulaconta na tua koka, cada vez te vão dar bassula, botar ferro, mandar no POEIRA, botar na pildra e teu botinho cabelo de araminho malé, fica assim como terracinho gostoso como dos jogadores dos futebolé. Fiquei enervado e logo botei caneca de maluve para amansar a minha onça. Agora, te digo, escapou apanhar umas galhetas e apenas lhe ordenei: -

 Masila Mayanga

“Estátua! Claro que ficou em sentido! Ficou a tremer como bambu kandengue e se mijou todo!” Logologo ameacei-o com o rabo do hoji na mão e disse: - “Cala essa boca de kissonde velho. O ZECA é kamba muxina igual ao nosso, num tem esses mambo do descriminação nos bolsos na koka dos calção de caqui. Ele uso os nossos panos, come a nossa comida, respeita as quilumba, menina ou velhinha, zuela kimbundu, chora pela Mayanga… Agora também quero conhecer essse muadiê AM kamba do Zeca que tem nome muito bonitinho, T’CHINGANGUE. Meus buzio diz que ai tem chinezinho de Beiijng T´Chin?”

Foto: UNDENGE AMI MU MOAMBA PARTE IV – TEMO MORRER DE SAUDADE… Tusakidila Nzambi! Aiué! Muenhu uami’ê ai!Aiué! Ngala ni Jihenda, kiavuluvulu mu muxima ami!Talenu! Jihenda pala kutuku mu Itulu!São tantas, que temo morrer de verdade…Muxima kota, já não dá bué pulinhos Kuafulu,agora, suspira quietinho o tempo da mocidade…Auá! Ainda há pouco julgava-se kandengue, como se fosse um bonitinho Mbambi!Malu ami! MAIANGA bazou inana mu merengue!Zeca, ki muzangala ê o kuuaba mukini!!Oh! Uuabuama Ngana Nzambi!Diz-me, o que é feito do meu quintal,da minha mala do makambira…, afinalcheia de Undenge ami desse tempo kiavulu kimi… Desse tempo dos angolares…, colonial,Diz-me onde está o meu pombal cheio de amor voando no ar, o meu jacó Topariove que adorava o Hernani - o genial,o meu sagui Miki que imitava o Cantinflas a andar,As Lagoas nas barrocas da Travessa de João Seca, feitas pela bué Jimvula de Março, Abril, cheias de sapinhoscatando com a dicanza o amor de cristal… aos saltinhos.Oh! Como kandengue delirava ver as coxinhas fazerem panqueca…Xénhe! Mostra nos o nosso Portão, Kiuéie etu,assento, cordão de falas, de boa amizade de jovenssonhadores do tempo do N’gola…, Beatles com o seu ié,ié…,Elas baronas, belas acácias descobrindo o cheiro, as petálas… Eles esbeltos, exibindo barbichas, bangando Nsambu bué….   Ah! Como tanto sonhavam no colchão de espiga…,embrulhados no cheiroso e belo lençol da Textang, deambulando pelas ruas…,luandinas, maianguistas bué Uanga,tão agarradinhos na massemba que deixava, bué katinga…A nossa geração foi “obediente” e platónica..., pouco “instruída”, mas muito, muito responsável, porque no idílio, para o amor, muito pedia, tinha prova oral,porque o primor e o respeito tinham selo de moral…Ah! Moral! Cujos passos, avanços, Maxikululu,mãozinha dada, beijinhos…, tinham à sua frente o finca-pé…  Ao contrário desta “desobediente”, psicadélica, que bate-pé…,mais “instruída”, mas muito, muito irresponsável pra Atu.Sim! Porque esta, tudo rompe sem pestanejar,com os olhos fixos no fundo da gruta, caverna…,num marimbar para os danos, fruto desta era moderna cheia de campos de festa para explodir o Woodstock avatar…,Onde a sua liberdade muito se consola até fartar,onde o “Esplendor na Relva” abriu as asas, fecha os olhose os papás ali estão para tudo e numa toada serenatudo consertarem, cabisbaixos, sem briga, restolhos...Undenge ami mu Moamba!Aiué! Carro do Fumo bufou “Mon’a’xi” pala Kaxaxi!Caté o misoso do macota kamba Zacarias ami,metido numa cabaça feita com cascas de mabanga…,Escrito com suas falas, lágrimas de Kuxixima,que plantei no meu quintal de kandengue. Muetxiele!  Kutulu uala, pala ku paka mu muxima,ua uala ni itulu mu henda, kua mutu kejiê, bué merengue… Ah! Mas aquele Sol oirado, a Lua de Prata,que caia no meu quintal da Travessa J Seca da Maiangaestão comigo e iluminam a minha inspiração, é missanganeste putu de desilusão que merece bassula, dizer basta…Todos os bairros da cidade de S Paulo de Loanda,sejam os de terra, poeira ou de alcatrão…,por todos, muitos, muitos anos namorei, deambulei…,mas o da  MAIANGA foi o que mais pisei, mais amei…É sentimento misturado com bombó, não por ter lá vivido parte da minha vida, mas porque era especial, muito unido,hospitaleiro no trato, bairrista no “rapto” dos kapianguistas das nossas miúdas, que logo a maka buzinava, o kuata-kuatafisgava galheta, inspecção, recruta, juramento e pré.Oh! De todas as festas do SPORTING CLUBE DA MAIANGA,que enchiam de alegria aquele recinto recreativo e inesquecível chão o maior delírio uuabuama, era o da festa do múkua henda São João, o santo mais amado pela sua festa popular cheia de encantamento, Com os ranchos todos vestidos a rigor, bué banga…,calçando socos, alinhados no palco de soalho que muito jingavabebia katinga do VIRA, pra a alegria dos kotas que lambiam saudadee os Miekeleke pulavam, pulavam Uembu Kimuua da comunidade.Ah!  Mas a do Fim de Ano fazia estremecer a estrutura do tecto,porque também dançava o merengue com o feitiço da massemba no chãoagarrado às chapas de zinco sempre pronto para batukar com o pernãosob o calor do N’Gola Ritmos – muxima, da voz do Elias – zom zom…A muzangala não descansava na sua vez, com o yé yé da F. Hardy,Massiel, S. Vartan, com o Rock and Roll do Bill Haley – Rock Around The Clock, Shake, Rattle and Rock…com o Chuck Berry – Johnny B Good, com o Elvis – Blue Suede Shoes, com rebita paka,com a Kúkia madrugar, com do Elias – Zé Salambinga, Águias Reais – Bazooka… Para os Kota estilarem todos bangões, agarradinhos às damas mostrando as suas habilidades para os kamba sentados nas mesas comendo churrasco…, bebendo finos da Cuca, Nocal…, tinham surpresas,tinham discos para riscarem no cafuso do seu salalé, com Tango, PassoDoble,Raspa, Valsa, Bossa Nova…no estouro do novo ano com as passas, desejos… AMAM’ÉÉÉ! TEMO MORRER DE SAUDADE!Recordar o seu bairrismo, é candeiro a petróleo do Morais,cuja rodinha mais ilumina a minha kubata bué retratos, claridade…,que  passou de geração em geração, dessa Mayanga antigae desses guardiães Maukumbu que já não existem mais…mais…Feita de convivência que mais crescia, mais o Rio Seco uakala Ngiji Lumuenudesse sekulu território sagrado – POÇO DA MAYANGA DO REIque abraçava os “patricicios” do Prenda, Catambor, Samba…, sua greicom todos juntos à volta da cacimba bebendo, saudando…, com kutululukaLelu, arrasto um tempo que é presente dessa Loanda que batuka,metido nesta terra que sobrevive neste tempo de grosso sarilho pra Atu,metido numa moamba azeda de maldade, de hipocrisia, de curibotice,  de alembamentos, de beija mão, porque não tem saída, Ku mesu! Continua…KIAMI KANDANDU, KIA MUXIMA KAMBA, ZECA 2013101618h44NMK na minha kubataGLOSSÁRIO:   Tusakidila Nzambi! -                    Louvado seja deus!Aiué! Muenhu uami’ê ai! -              Ai de mim! A minha vida!Aiué! Ngala ni Jihenda,                Ai de mim! Tenho saudadeskiavuluvulu mu muxima ami! –          muitas, muitas no meu coração!                                                         Oh!  Uuabuama Ngana NZambi!                  -      Oh! Maravilhoso SENHOR! Talenu! Jihenda pala kutuku mu itulu             -      Vejam! Saudades para louvar no jardim!Malu ami! Maianga, bazou inana mu merengue!    -    Ai de mim! Maianga, fugiram as pernas de merengue!Zeca, ki muzangala ê o kuuaba mukini!            -     Zeca, não é o belo jovem bailarino!Muetxiele! Kululu ala, pala ku paka mu muxima,             -  Deixa-lo! Flores são, para plantar no coração,ua ualini itulu mu henda, kua mutu kiejiê, bué merengue…  que tem jardim de saudade, para quem não sabe,                                                                  muito doce….…mais o RIO SECO akala Ngiji Lumuenu….         –     mais o RIO SECO era Rio Espelho….Amam’ééé! – Oh! Minha mãe!Auá - carambaAtu – pessoas, gentesBassula – rasteira, empurrãoBombó – farinha de mandioca, fubaCuributice (ku dibota) – palrar, dizer mal Hernâni – antigo jogdor do FCPortoItulu - jardimJihenda/henda – saudades/saudadeJimvula – chuvas Kandengue – miúdo, rapazitoKatambor – um dos bairros(musseque) de Loanda situado na zona da Av Lisboa.Kiavulu kimi – muito queridoKapiango – roubo, retiar…Katingando – transpiração corporal…Kaxixi – para foraKiuéie etu – nosso adoradoKota – pessoa mais velha…Kuafulu - gostosoKuata, kuata – agarra, apanha, segura, pega…Ku mesu! – para futuro!Kitulu - floresKutuku - louvarKutululuka - humildadeKuxixima - louvarLelu – hoje…Mbambi – antílope pequeno.Mabanga – marisco, espécie de ostra.Macota – pessoa muita idosaMayanga, Maianga – bairro de Loanda e prox da baixa. Maukumbu - orgulhososMassemba – dança, ritmo sensual do corpo sentido e produzido pelo par…Matumbo – individuo buçal, de gestos grosseiros, selvagem, ignorante…Merengue – ritmo de dança, muito animadoMerengue – bolo feito de claras de ovo batidas com açucar e que contém recheio.Miekeleke -garotinhosMisoso – estórias muito antigasMon’a’xi! – filho da terra!Múkua henda – generoso Munzangala – mocidade, rapaz, adolescenteMuanha - SolMuxima - coraçãoMaxikululu - olharesMuenhnu - vidaNsambu bué – muito ritualNgana N Zambi – Senhor, DeusPatricio – termo designando o angolano negro.Prenda – Bairro situado (prox Maianga) na zona da Av Lisboa (Aeroporto)Samba – Bairro situado (visinho) a sul com o esplendoro mar e seus pescadoresSekulo – pessoa muito idosa, antigoTalenu! Vejam!Uuabuama - maravihosoUanga - feitiçoUembu kimuua - tranquilidadeUndenge – infânciaUndenge ami mu moamba! – minha infância de moamba!Undenge etu – nossa infânciaXénhe! – Oh! Vós! KIAMI KANDANDU, KIA MUXIMA KAMBA, ZECA 2013101618h44NMK na minha kubata Obrigado por merecer a tua atenção kamba do Rio Seco da Maianga. Fico muito grato. Até nisso somos parecidos, porque partilhamos na QUIÓNGA essa atenção de boa amizade, porque são ventos muitos desejados nesta “selva” que nunca conheceu a verdadeira comunicação, amizade daquela SELVA, que num tempo tantas vezes dita no Paço, que leões e pessoas caminhavam de braço dado pelas ruas de Loanda. A memória guarda, a memória não esquece, como num tempo foi tão maltratada. Hoje os tempos são de beija-mão de muitos que voam e que aqui outrora muito se coçavam, se era por causa da flor do Congo ou do kissonde das mil patas, não sei, mas que se coçavam, sim é verdade, porque o gesto da mão aflita parava no portão, praguejando maldição.

Kandandu, do ZECA

Kwangiades: musas ou ninfas do Kwanza, As Kiandas do rio da integração Angolana.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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