Domingo, 17 de Novembro de 2013
KWANGIADES . XI

MEUS BUZIOS FALARAM Versos avulso prensados em texto

Por

Jose SantosJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum rio chamado Rio Seco.

 Aiué! Temos que todos fazer o nosso LIVRO, porque as nossas estórias são verdadeiras… Não são ficção feitas com tinta de trepadeiras, que aparecem nas prateleiras com folhas de zimbro… É fumaça dos (cigarros) negritas desse tempo das rebitas de quintal, das garinas cheirando a goiaba, que a malta muito sonhava namorar na esquindiva, no beijinho uuaba!Muxima ami! Já não tem n´guzu bué, para suster tanto choro kiavuluvulu jhienda, lelu faz esteiras de capim retirado do Rio Seco sekulu, ali bem perto da Chilena, da Cacimba…, terras da Mayanga onde todos berridamos sem ais…, mastigamos paracuca cheios de banga pifada ou comprada com makutas na mercearia do kota Morais,  tão cheirosa de fuba, Cucas…

 

 Estou voando no antigamente na capanga do cazumbi. Pareço um tenrinho mbambi…, Temendo o destino, o golpe da catana, dado friamente, depois…, jamais pulará na anhara. Nisto, ele solta-me no Koiilo… Desço na berrida como ngonga mirando no chão a sua presa, um esquilo. Caio de mataco no terraço do prédio mais alto do LARGO DA MAIANGA, ali deixado, inacabado, sem banga… Daqui olho para o teu lugar de antigamente tão florido e cheio de vida – jingânda… Lugar de todos os encontros, kubeza, kuuaba gente.
 
Foto: SINALEIRODO LARGO DA MAIANGAEstou voando no antigamentena capanga do Cazumbi.Pareço um tenrinho mbambi…,Temendo o destino, o golpe da catana, dado friamente,depois…, jamais pulará na anhara.Nisto, Ele solta-me no Koiilo…Desço na berrida como Ngongamirando no chão a sua presa, um esquiloCaio de mataco no terraço do prédio mais altodo  LARGO DA MAIANGA, ali deixado, inacabado, sem banga…Daqui olho para o teu lugar de antigamentetão florido e cheio de vida – jingânda…Lugar de todos os encontros, kubeza, kuuaba gente.Recordo o teu corpo africano brilhar,naquela roupa branca que parecias um anjo…A tua xipala uuabuama impenetrável no dever,Naquele merengue riscado no pequeno círculo - Peanha com as tuas luvas brancas sempre com rikânda-ria-ngómbe Kiavuluvulu que tinha o feitiço bué kuhúnda.  Ah! SINALEIRO! Como gostava do tempo da quifufutila,do antigamente daquele transito onde tu fazias arte com sinais…Muitos paravam aboamados com kitonda, outros tupiando ais, ais…Invejavam a tua arte, que era sinfonia feita de dicanza,porque tu foste no meio de todos eras o verdadeiro maestro…Foste como uma bué calema gingando na Barra do Kuanza…De todos os Sinaleiros da cidade de São Paulo de Loanda,que Nzambi criou, o mais belo foi o teu no Largo da Maianga,porque era lugar sagrado do POÇO DA MAYANGA DO REI.Tambula conta! Mutu usela o kidi kié! No antigamente, no tempo colonial a tua arte, era feita pelas tuas mãos “brancas”que desenhavam cuidados, obediência em todas a direcções…Ah! Como eras competente para julgar, castigar camondongos, calcinhas, fangios…, os que não respeitavam a via conduzindo o Gordini, 2CV, TT, Giulia, Saab 96, kapitan, Datsun 3A, Fiat 600, Capri,SL, Spider, a Honda 3,5, Suzuki, Saches V5, Zundapp, Floretti…Todos na banga do zum, zum, zum, vindos dos quatro lados,mas logo ouviam o pripriii, pripriii que os obrigava a parar….Muitos obedeciam, paravam e tu também paravas para actuardeixando tudo e todos na kanuvanza de buzinadelas.Muitos eram insubordinados no malembe, pouco acatavam,mas tu sabias interpretar, exercer as tuas competências…Muitos ficavam perfilhados, outros vociferando má-criadice.Do alto deste terraço inacabado desta gigantesca kutata sinto que estamos há muito separados! A minha memória iluminaesse Largo antigo da Maianga, com malamba mami…,Haka! Mas, eu vejo te à minha frente, kiri muene!Como eras tão autóctone, africano e realNaquela farda branca com o teu chapéu inconfundível,com as tuas botas ligadas ás polainas brancas.Oh! Tu com os teus calções largos e brancos como o OMO,que funcionavam como Baleizão, como ar condicionadonaqueles dias de tórrido calor tropical, como gema de ovo.Mas tu não arredavas o teu pé sempre firme no dever,que cumprias e fazias com extremo rigor tão enfeitiçado,enquanto o teu corpo fritava na frigideira com dendê… No tempo da chuva parecias um anjo encolhidonas suas asas brancas no kintombo bué kilupuno meio da peanha do LARGO DA MAIANGA.No tempo do cacimbo, do bué quihumboparecias um soldadinho de chumbono seu posto, não tremendo, antes orientando…. Nas horas de ponta – na paragem para o almoçotu eras balsamo porque temperavas as pressas…, as berridas que fazia desde os Restauradores até à Travessa.Por vezes o nosso Maximbas - 3, o Barriga de Jingubapartia da Mutamba muito cheio, derreando, bufando fuba…Eu na passada, ou na berrida, chegava primeiro…Às vezes na Serpa Pinto, na D António Barroso…, batia o pato. Corajosamente botava o pé no estreito estribo,porque angolares, bilhete malé, dinovo saltava…em perigo…Kamba SINALEIRO anda comigo até à Bracarense.Anda comigo no Ká fua diá mene-mene e sem stress,porque quero kuzuela os mambo do muenhu, mutu etu.Oh! Quero te falar, jihenda kiavuluvulu ami e que recebi mutaku da uuabuama Vata da Maianga, que dizia assim:” Zeca! Tuoloietu!Pega na vida do patrício Sinaleiro do Largo da Maianga.”“Faz Dixisa com as tuas falas, faz desenhos desse angolano, desse patrício Sinaleiro que foi tão útil, está esquecidonas barrocas do tempo, porque quero homenagear na Vata,“Quero pendurar a tua Dixisa no loando na minha kubata,para que todo mundo saiba que existiu este búe angolano,num tempo colonial cujas mãos brancas protegiam, faziam milagres…”Como topas, com este agrado da Vata, k kamba Sinaleiro, o meu muxima beijou Nzambi e virou selha cheia com masóxi.Assim, fiquei na minha kubata quietinho, feliz como sagui no kixaxi. Ai ué, Mam’ééé! Bué saltei, bué Kouelenu…Logo, logo corri até ao fogareiro da D Maria para encomendar calulu,para todos os k kamba maianguistas…, “ixietu”.……GLOSSÁRIOAnhara - planícieCalema – ondas agitadas do marCapanga – agarrado pelo pescoçoCazumbi, alma, espiritosDendê – dendém – fruto da palmeiraEtu – nosso (prom poss)Haka! - credo!Ká fua diá mene-mene – café da manhãKanuvuanza - confusãoKuuaba – pessoa bela….Kuiavuluvulu muito, muito…Kilupu - ventaniaKitonda - aplausosKitombo – Abril (grandes chuvas)Kiri muene! mesmo verdade!Kixaxi - palhaKoiilo – céuKouelenu – aplaudi…Kubeza - adoraçãoKuhúnda – dar pareceres, julgar, opinarJihenda – saudades…Jingânda – bons costumesMbambi – pequena gazelaMalamba mami – os mesmos amigosMalembe – andar devagar….Masóxi – lágrimasMataco - raboMuenhu - vidaMutaku - chamadaMutu – pessoa, gente…Mutu usela o kidi kié – pessoa diz verdade….Ngonga – águiaQuifufutila – farinha de mandioca torrada com açucar.Quihunbo – grande cacimboRicanda-ria-ngómbe – passos de dançaTambula conta – toma notaTuoloietu! Estamos juntos….Tupiar - escarnecerUuabuama - maravilhosoxuxuar – através dos dentes mostrar desprezoKuzuela - falarKANDANDU, ZECA 2013100312h58MURODORS Sinaleiro da Mayanga, recordo o teu corpo africano brilhar, naquela roupa branca que parecias um anjo… A tua xipala uuabuama impenetrável no dever, naquele merengue riscado no pequeno círculo - Peanha  com as tuas luvas brancas sempre com rikânda-ria-ngómbe Kiavuluvulu que tinha o feitiço bué kuhúnda. Ah! SINALEIRO! Como gostava do tempo da quifufutila, do antigamente daquele transito onde tu fazias arte com sinais… Muitos paravam aboamados com kitonda, outros tupiando ais, ais… Invejavam a tua arte, que era sinfonia feita de dicanza, porque tu foste no meio de todos eras o verdadeiro maestro… Foste como uma bué calema gingando na Barra do Kuanza…

(Continua…)

soba.jpg As escolhas do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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