Domingo, 29 de Dezembro de 2013
PUTO . XLIV

PORTUGAL Sonhei com uma máquina do tempo

Por

 Norberto Pires - Condeixa-a-Nova

Fonte: Rua Direita de Viseu

Nota inicial:  este pesadelo é uma estória real.

Dei comigo a pensar, no pesadelo, que esta crise, em parte inventada e em parte real, que vivemos era uma ignóbil MÁQUINA DO TEMPO. Uma máquina quase perfeita, que podia ter sucesso, mas que tinha, como todas as máquinas (e eu sei do que falo), um defeito fundamental: não contava com o factor humano, com a sua capacidade de resistência e de luta contra a adversidade. Dizia o poeta: “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”. Segundo esta máquina, em breve, lá para final de 2014 estaremos fora da crise que os seus inventores (e construtores) parcialmente inventaram e incentivaram: a dívida real ignobilmente criada por corrupção, má gestão e desorientação estratégica, a destruição dos meios de produção nacionais e as nossas potencialidades intrínsecas que deveríamos ter desenvolvido para sermos competitivos, e que destruímos em troco de uns euros de subsídios, é o resultado desse “incentivo”. Sim, tivemos má gestão.

 Sim, não temos políticos à altura dos interesses do país, com a fina inteligência estratégica e o amor à pátria e aos seus concidadãos como valor seguro, que tenham em mente, exclusivamente, o interesse nacional. Sim, o Estado está tomado pelos do “toma lá, dá cá”, que trocam tudo pelo seu interesse pessoal e de curto prazo. Sim, abatemos, nesta inexorável onda de populismo, todos aqueles que, conscientes do caminho que seguíamos, alertaram, tentaram fazer diferente e tentaram um caminho justo. Somos, por isso, também, todos, parcialmente culpados. Embarcamos nas facilidades do momento. Bem dizia Sophia em busca “de um país liberto. De uma vida limpa. E de um tempo justo”. Não quisemos saber, havia ganhos de curto prazo a obter. 

 Muitos, os construtores da máquina, ficaram mais ricos e poderosos, os seus ajudantes também, os outros, nós todos, ficamos mais pobres, com menos direitos, exaustos, descrentes, sem esperança e sem ideais. Quando dermos por nós, se não acordarmos antes e é esse o objectivo da máquina montada, um dia ao abrir os olhos, perceberemos que recuamos trinta e tal anos e que estamos na década de 70, em 1976 ou 1977: sem serviços de saúde, sem serviços de educação para todos, sem estratégia nacional, sem justiça digna desse nome, sem nenhuma segurança social, sem proteção de nada, sem política de família, sem estratégia de desenvolvimento… como dizia o New York Times, uns “animais de carga” que vivem de subsídios e se deixaram enganar pelas suas facilidades.

 Um molho de broculos petrificados

Esperam nessa altura anunciar o fim da crise e celebrá-la, enganando tudo e todos, esperando que o alívio de ver a crise finalmente vencida nos confunda e, na confusão, não percebamos que recuamos trinta e tal anos e VENDEMOS a democracia, vendemos a LIBERDADE, vendemos o que tanto nos custou a conquistar. Esta máquina avassaladora pretende um recuo civilizacional, como se de uma guerra gigantesca se tratasse. E, de facto, é uma guerra gigantesca e silenciosa. (…). E a história mostra que, felizmente, no ultimo momento, no final mesmo, vem à tona a nossa humanidade, o conhecimento acumulado no nosso ADN, a nossa estrutura indelével de seres culturais, que resiste, que diz NÃO e que convence, porque está certo, os outros.

(…). Acordem!

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:19
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2 comentários:
De ze raminhos a 29 de Dezembro de 2013 às 16:01
Destruiram tudo, venderam tudo a troco de uma vida de lordes por pouco tempo, venderam pai e mãe, venderam filhos, venderam sogras. Faltou dizer que venderam os desgraçados que labutavam em terras de África, apelidando-os de ladrões dos povos que eles estavam educando na aprendizajem dos trabalhos seculares, afim de se sustentarem a si próprios. Dizia eu: desprezados roubados e expoliados, e apelidados de brancos de segunda. Foram entregues ao matador como se de bois se tratassem, e isto com a anuência de todo um povo que até hoje continua na ignorância; é vê-los confiar nos mesmos que os saquiaram, e nas eleições lá estão de bandeirinha nas mãos, aplaudindo os partidecos na expectativa de melhores dias que nunca mais irão chegar.Povo estranho este; a história até agora não trouxe qualquer ensinamento.


De kimbolagoa a 29 de Dezembro de 2013 às 22:32
Assim é amigo Ramos Matias. Hoje mesmo fiquei a saber que os Serviços de Saúde não estão a tratar os doentes de câncer; estão a ser simplesmente deixados ao acaso.
trata-se de uma pessoa com 40 e poucos anos. O descalabro total! Família Matias, tenham todos um bom ano de 2014


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