Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008
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CRÓNICA DO PATRIMÓNIO SOCIAL DO KIMBO
ASSEMBLEIA MAGNA DO DIA 03/12/2008
 
 
 
O presente texto destina-se a ser uma modesta (quem sabe até medíocre) análise sarcástica, sem nunca ser ofensiva, mas tão somente caracterizadora do ponto de vista de um elefante, do património social do Kimbo de Lagoa, que esteve presente na Assembleia Magna do passado dia 3 de Dezembro de 2008, sem contudo, deixar de lado, alguns convidados que estiveram presentes.
 
Desde logo, podemos começar pelo anfitrião M’ Bika Kaputo que com a sua habitual disponibilidade recebeu os convivas de braços abertos (ou não fosse esse o seu estilo de falar…) não deixando que nada ficasse em aberto, sempre preocupado com a satisfação dos kizombeiros. Durante o repasto sempre tentou deixar algumas dicas para que lhe comprem material, e, para isso, sempre foi dizendo:
“Ó Dr. vocês têm que me comprar mais qualquer coisita, para aquilo ficar mesmo cinco estrelas, não acha ?”
No fundo, o homem quer é fazer negócio, (e quem não quer ?) mas, não deixa de ser genuinamente simpático. É um típico indígena algarvio.
Já me esquecia…. Também tentou meter a cunha para lhe disponibilizarem um campo de futebol:
 “lá prá malta treinar… os moços precisam dar uns pontapés na bola….”.
 
 Fomos servidos por uma indígena da Rondónia que tão bem soube representar o povo do outro lado da água salgada, ou seja, bunduda quanto baste…
 
No início do almoço, o ora escriba, tentou posicionar-se de forma a estar atento às conversas e movimentações do grupo, e por isso, sentou-se sensivelmente a meio da mesa, para o repasto.
Lá foi comendo tudo o que lhe aparecia pela frente, nomeadamente, no fim da refeição com três doses de medronho, pois anda sempre sequioso para apanhar alguém distraído, e dar um avanço nas garrafas que contenham o precioso líquido. Ah ! faltou um docinho à maneira para acamar … Contudo, aquele bolo de figo estava bastante aceitável…
À sua frente sentou-se um convidado do Comendador de Vale d’El Rey, (mais à frente irei analisar este personagem…) o Borras (aquela parte do café que não presta, entenda-se), que estranhamente não comeu camarão.
O Jamba indagou.
O Borras respondeu que era alérgico e, que a alergia apareceu depois de velho.
Que doença chique… Só mesmo o Borras para ter uma doença destas, logo ele que referiu ter já “comido toneladas de marisco…” (palavras do próprio).
Que raio ? O Borras, Homem Rico, não poderia apanhar alergia a batatas cozidas ou a pão com azeite ? Foi logo “escolher” uma doença dos finórios, tinha de ser… é mesmo dele. Diga-se que durante todo o almoço borrifou-se para o cerimonial. Deixou-se contaminar pelo Comendador que não liga nada ao Kimbo, pois não lhe trás proveito económico, dizendo que somos todos bruxos e que só fazemos bruxedo, mas enfim…
Apesar de não ter estado presente, o Duque da Figueira avisou. Foi muito correcto ! Não chegou atrasado ! Simplesmente não apareceu porque tinha a tesão alta, digo, tensão alta. Reflexo dos almoços da Kizomba e dos sucessivos jindungos que engole,  que o fazem chorar, sempre na esperança de à noite fazer efeito… a idade não perdoa.
 
Por acaso não viram o Pai Natal ? Ele esteve presente na Assembleia… o tal Armando… com aquela barba branca… Estava era disfarçado para não dar prendas, espertalhão !!
 
O Comendador de Vale d’El Rey: sim senhor, bonito serviço… ! Passava bem pelo homem dos boicotes. (Este Comendador é o tal criador de uma organização moribunda). Sucessivamente, e durante todo o almoço procurou destabilizar. Dá-me a sensação que é um estilo próprio. Começou por dar frequentes ferroadas no Dom Conde do Grafanil, por razões respeitantes à tal organização moribundas (eu disse outra vez BUNDAS ?? Isso é muito bom… não é ?). Deve haver uma relação de amor ódio, cão e gato, ou uma malapata entre o Comendador e o Dom Conde do Grafanil, pois já reparei que andam sempre a picar-se e sempre juntinhos. Para mim, não podem passar um sem o outro.
Para além disso, encontrava-se numa ansiedade total, que tentava disfarçar, pois a Fidalga tardava.
Explodiu quando lhe disseram que “não havia rede”. Num ápice, levantou-se e foi para a rua telefonar. Quando a Fidalga chegou era vê-lo tentar disfarçar a alegria, e nem olhou para a porta quando aquela entrou, só para não dar nas vistas... Depois ficou todo enciumado pois a Fidalga passou largas horas a falar com o Kamanlundu (isto é uma outra situação que também tem de ser escalpelizada… porque razão tanta conversa ?) Por fim, saiu antes de toda a gente, acompanhado pelo Borras. Deveria ter ido tentar convencer alguém a comprar alguma kubata… (a propósito ? Quantas propriedades já terá vendido o Comendador ? Ele que se lembre que está a pagamento uma gasosa) Bom, a propósito de gasosas e adiafras é melhor o Jamba estar calado pois o saldo para o seu lado é bastante deficitário…
Não vamos bater mais no Comendador até porque ele prometeu duas carradas de bosta para a nova kubata do Jamba e, não vá ele dar o dito por não dito… e, ademais, não vá o Comendador começar a desculpar-se, e não disponibilizar a sua kubata para os almoços. Onde irá o Jamba escorropichar uns copinhos de medronho ??
 
N’Dalatando: É o homem das novas tecnologias. Foi o primeiro a abandonar o almoço e, de forma ainda mais prematura que o Borras e o Comendador. Tal acto, ficou a dever-se ao compromisso de ir buscar o seu guri à escola. Foi-lhe sugerido que o deixasse na escola para o dia seguinte, pois iria poupar trabalho, já que o garoto teria de voltar no dia seguinte. O N’Dalatando ainda hesitou mas, por fim reconsiderou e foi-se embora a caminho da capital dos Algarves. Discreto, não teve oportunidade de se mostrar nem se fazer aparecer.
 
Visconde do Mussulú, Embaixador Itinerante da Globália (anseia representar Sin Fuegos, mas, depende de deferimento da stora…). Mais uma vez, surpreendeu pela sua determinação. Algo que julgava não o caracterizar, dado alguns vícios que teima em não deixar… Mas, conseguiu resistir a uma máquina de sumo de cevada, colocada unicamente para o satisfazer. Estava doente e só bebeu Frisumo… Chiça, que bebida… !!
Encontrava-se verdadeiramente murcho, devido à gripe. Enfiado em roupa invernil, só se vislumbrava o cotonete (vulgo cabeça branca) enterrado no meio dos ombros.
Deu o ar da sua graça, quando levou uma mordidela do Kaputo acerca da avaliação dos profs. e, ainda aquando de uma observação do Kamalundu acerca das florestas que estão a ser plantadas nas rotundas.
No final teve uma reminiscência de infância ao ratar as estrelas de figos, comendo só a amêndoa em volta dos mesmos e, para disfarçar fez o possível para esconder o figo ratado nos pratos dos outros elementos.
 
Fidalga de Ferro Agudo: O paradigma da mulher trocada por outra (isto para usar um eufemismo, e não dizer outras palavras). Como dizem os brasileiros (chifre foi feito para homem, o boi só usa de inchirido…). Portanto, Ó Fidalga, deixe o homem em paz e parta pra outra…
Faz-se de forte mas, a sua carapaça de mulher forte e decidida cai ao primeiro sopro.
A sua amizade é cobiçada por quase todos. Por alguma razão que desconhecemos, foi cochichar com o Kamalundu para a rua. A sua pessoa e condição pessoal não a deixam brilhar como outrora. Se se tivesse juntado ao Visconde teriam feito um belo par de maracujás, tão murchos estavam. Passou o almoço de forma discreta e regular.
 
Fuça-Fuca: Os meus parabéns pelo vasto, minucioso e pormenorizado acompanhamento fotográfico que realizou. Eram-lhe desconhecidos tais dotes de retratista. Ansiamos desesperadamente pela publicação da reportagem fotográfica. É o Gravanita da Kizomba decididamente ! Este é o último presidente da tal organização moribunda (satélite da Kizomba). Peço desculpa se ofendi alguém com tal ligação perigosa…
 
M’ Fuma Manhanga: Outro bom moço… Normalmente atrasado para os encontros e desta vez não foi excepção. Aparece sempre com ar alegre e um tom um pouco alienado, na linha do Duque da Figueira. Dá a sensação que ainda não se encontrou, e anda a apalpar terrenos (não fosse essa a sua profissão). Desculpou o seu atraso com o desconhecimento do caminho. Ó rapaz, não és topógrafo ? Deve ter tirado as coordenadas e feito o percurso a palmo, eh, eh, eh !!
Tem o benefício da dúvida porque anda atarefado com o curso de arquitectura. Bom, pelo menos não escolheu a profissão do pai (agrimensor), essa ciência oculta…
Sentou-se junto dos progenitores em sinal de submissão. Faz-se um bom kizombeiro se seguir a linha do pai.
 
Kumandu HN: Vibra com estes acontecimentos. Nestes dias, nota-se uma áurea de alegria e vivacidade à sua volta. Gosta e cultiva a amizade.
Normalmente exigente com a comida, não fez reparos.
Via-se que ficou verdadeiramente realizado com as condecorações recebidas. Sentimos que soltou um desejo reprimido em ser nomeado Cardeal, dado o ar de satisfação com que exibiu o Quico vermelho no cimo da sua careca brilhosa.
Soube, como sempre, os terrenos que pisou, e nestas ocasiões, fora do seu habitat, resguarda-se e não se deixa aparecer. O seu comportamento foi exemplar, dando cumprimento e aceitando os mandamentos e ensinamentos constantes do Soba, que lhe indica o melhor caminho a seguir, na sua árdua tarefa de Guardião da Torre do Zombo.
 
Dom Conde do Grafanil: Sempre desejoso por uma kizombada ! Tal como o Kumando, adora estas reuniões. Soube sempre resistir, porque em casa alheia, às sucessivas puas provenientes do Comendador. Contudo, decerto procurará a oportunidade para responder às mesmas, ou não faça ele modo de vida do ditado: “cá se fazem cá se pagam”. Certamente esperará pelo momento exacto para responder ao Comendador, ou não, já que adoram picar-se um ao outro e irão eternizar esta pequena guerrilha por causa da organização moribunda.
Viu-se o orgulho com que recebeu um conjunto de apetrechos, digo, condecorações. Inchado pelos títulos, exibiu um belo pano de couro de bicho que o tornou elegante. Até molhou o bico com um nadinha de medronho, tamanha a honra. Deu azo a pelo menos um Viró-Vira. É uma figura grada da Kizomba.
 
A Sobina, Sobita, Sobatana, Sobona etc. etc., ou seja a mulher do Soba: Uma senhora com estilo e que sabe estar. Um pouco afastada do Jamba, só com ele teve conversas de circunstância. Via-se que estava com frio, o que a fez aconchegar-se frequentemente para junto do lume. Não está habituada a estes rigores, uma vez que passa muito tempo em paragens mais quentes. Nada a assinalar.
 
Kamalundu: Tentei e consegui ficar sentado ao lado deste kizombeiro na esperança de após ingerir dois copitos de tintol, começar a retórica do costume. Todavia, desta vez foi bastante comedido. Como atrás foi dito, apenas picou o Visconde a propósito das florestas existentes nas rotundas. Considera ainda existirem árvores a mais no jardim em frente à igreja. Para ele eram algumas cortadas. Cochichou alongadamente com a Fidalga. Aliás, foi ele quem foi indicar o caminho a esta, previamente. No final ainda falou com o Jamba acerca da sua futura kubata. Desta vez o Kamanlundu desiludiu por ter sido tão comedido. Não falou o habitual.
 
SOBA ( O GRANDE SOBA): É um senhor ! Apaziguador, simpático, sorridente, conversador, sábio, moderador, (tanta graxa o Jamba quer alguma coisa…) É um líder. Nunca o ouvi proferir uma palavra amarga para alguém, ou ficar zangado. É o motor da Kizomba.
Apresentou-se vestido a rigor para o momento importante. Exibiu inúmeras condecorações (compradas numa qualquer loja chinesa) cravadas num colete tipo safari, e, na sua careca redonda, um chapéu ao estilo Indiana Jones (sem óculos seria confundido com o Harrison Ford). Veio munido e construiu um cenário apropriado para a cerimónia. Cantou e fez cantar o Hino. Cumpriu na íntegra o protocolo agendado.
ASSINADO: JAMBA
 
Em baixo uma foto de família (O Jambinha Henrique estava a dormir a folga, só aparece o projecto…)
 

 

 

 

 

 

 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:45
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1 comentário:
De kimbolagoa a 8 de Dezembro de 2008 às 22:03
Esta narrativa é de peso; Jamba fez juz ao seu título de juiz da Festa. Está cinco estrelas!
Ficou por analizar essa alergia do Brorras, o homem que já comeu paletes de camarão e, convem ser visto pelo Kimbanda Ninja HN. Necessita dum bom milongo para não mais, se borrar.
P´lo espírito do Soba
O Chato do Chiça


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