Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008
CONHECER MOÇAMBIQUE . I

Antiga “Xi.lunguine”

MAPUTO

          

           Era um vasto campo  com ar de  arrabalde  com casas  dispersas feitas em taipa, grandes quintais cercados de arame e de ripas ou paus tortos que defeniam limites de vizinhos ou ruas imaginadas de muita areia.

Com a solenidade de um tiro de peça, no hastear da bandeira branca de Portugal, dezassete pessoas deram, sem o saber, ao início da futura cidade de maputo com o nome de Xi.lunguíne. Era o ano de 1788 e o governador Alferes Luis José, tinha sómente vinte anos.

Em 1799, construiu-se o armazém Real a pedra e cal, coberto a capim; ali se guardavam os saguates de panos, aguardentes, barricas de missangas, farinha de pau, feijão e milho.

Havia no meio do terreiro de areal uma grande mafumeira aonde à sua sombra funcionava a alfândega em dias de são vapor. Seguiu-se o presídio e a casa amarela, residência dos governadores.

Era na casa amarela que se recebiam embaixadores de régulos até que, a 23 de Agosto de 1885, na recepção ao governador que chegara de outras soberanias, sucedeu grande escaramuça. Os homens de Xerinda, da Zixaxa, de Maota e de Manhiça, que vinham armados ao etilo de guerra com insígnias, zingarelhos, penas, peles, zagaias e machadinhas, desataram em pancadaria de rancores vivos, originando grande mortandade.

Andava qualquer coisa de errado por aqueles matos; as tribos desavindas e um tal de N´guni  N´Gungunhane feito imperador de vários reinos Vátuas, desafiava a instituição militar da bandeira branca desde sua choça na Manjacaze, lugar de  Chaimite.

Em 1895, Mouzinho de Albuquerque trouxe o “imperador” rebelde manietado até ao terreiro daquela mafumeira e, em frente à casa branca dos governadores lavrou-se um auto de deposição com pompa, para o povo vêr seu “m´fumo” submetido. O Leão de Gaza das margens do Limpopo, ali estava prostrado de valentia parda, sem pinta  ou juba de bicho rei. A Zululândia do reino de Manicusse tinha os dias contados.

No primeiro vapor, o deposto imperador-régulo de Chaimite, seguiu para Lisboa do Puto para que as potências de então  e imprenssa internacional tivessem conhecimento do mando de Portugal naquelas paragens.

 

N´Gungunhane como prisioneiro, sofreu as agruras de vexame exposto, como um simples e descalço negro. 

Os expedicionários, esquadão de lanceiros oriundos de Chaves do Puto, a mando de Mouzinho, exibiram o "imperador" em sua sede, o torreão do castelo de Chaves. Para perpetuar tal feito, ali ficaram suas  largas roupas em museu, aonde ainda hoje, se podem admirar. 

N´Gungunhana  veio a morrer em exílio no Monte Brasil em Angra do Heroísmo na  ilha Terceira dos Açores.

Lá no Xi.lunguíne os portugueses adaptavam-se cada qual como podia, com os velhos instintos lusos; entre quartos de vigia e entretantos de palhota, trocavam-se panos garridos e missangas por milho, cabra ou marfim para forrar o lucro do regresso ao puto.

Na Ponta do Catembe, as duas margens e a ilha da Inhaca foi comprada com bugigangas dos Xi.lunguínes.

Até ser estabelecida a primeira colónia agricola em 1829 pelo Capitão-General Paulo Miguel de Brito, os Ingleses mantiveram-se sempre acossando régulos, Mefumos e Vátuas contra os portuguêses do Xi.lunguíne. Por mar os ingleses dificultavam por investidas, os povos já submetidos à bandeira branca, enquanto que por terra, os Vátuas orientados por N´Gungunhana e outros régulos à sua ordem, tornavam impossivel o cultivo das terras.

Corriam tempos difíceis para portugas e gentes do mato, até que um dia, um rei cançado da luta, quiz andar calçado com segurança.

O rei Doroza, em troca de proteção doa as terras de Magaia, recebendo em troca de saguates, Zuartes, chelas e missangas no valor de 78 panos e ainda utensílios de cozinha, um chapeu europeu, um par de sapatos e 7 canadas de cachaça (bagaço do Puto). Também se combinou o envio de 415 cartuchos para socorrer o régulo Papalana, dando-se a este, 2 almudes de aguardente, umas quantas porcelanas e instrumentos de cozinha.

Macazana, que tinha bom entendimento com um tal capitão Inglês de nome Owen, também acabou por ser assediado pela diplomacia da boa pinga do Puto; E, assim se veio a concretizar as terras de Maputo.

"Lá nos sertões de áfrica, a diplomacia de alguns, cachaça de outros e  soldados lanceiros, ergueram o orgulho de então".  A gazosa continua...

 

Obra consultada: Lourenço Marques de Alexandre Lobato

Literatura do  Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:30
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