Quinta-feira, 12 de Junho de 2008
BRASIL E O CANGAÇO

BRASIL- Assuntos actuais e do passado na saga do Cangaço, vão ser editados neste Kimbo por partes.

Hoge que o Blog Kimbolagoa faz um mês,o Soba T´chingange, homenageando toda a distinta Kizomba, Nobreza, M´fumos, Cipaios e M´bikas, lança em primeira mão este assunto visto por detrás de um quipá. O mesmo que cegou Lampião.

 

-----------    ÍNDICE ----------

1 – INTRODUÇÃO

 

            1ª PARTE – ABRIL DE 2007

 

2   – PEDRAS DO CAJUEIRÃO . MEIO AMBIENTE EM 2007

3   – O CERTANEJO NORDESTINO

4   – O JAGUNÇO E CANGACEIRO

5   – O CANGACEIRISMO EM PORTUGAL

6   – O CANGACEIRISMO NO RESTO DO MUNDO

7  – A SAGA DOS CANGACEIROS NO BRASIL

8   – A ESTRUTURA GOVERNAMENTAL E O BANDOLISMO

9   – A EFICÁZ REPRESSÃO AO BANDITISMO

10 – ORDENAÇÕES, DECRETOS E, ORAÇÕES DE LAMPIÃO

11 – CANGAÇO MODERNO . SÉCULO XX

12 – NOSTALGIA INQUIETANTE

13 – O CANGACEIRO PORTUGUÊS

14 – O FIM DO REI VESGO, VULGO LAMPIÃO

 

             2ª PARTE  - MARÇO DE 2008

 

15 – O VELHO CHICO EM PAULO AFONSO

16 – TÁCTICA DO GRUPO DE LAMPIÃO

17 - AFINAL QUEM É LAMPÃO

18 – JOSÉ BAIANO, SUB-TENENTE DE LAMPIÃO

19 – CANGACEIRISMO COM MARKETING - 2008

                                                                                                                                                  

CANGAÇO E CANGACEIROS     

A SAGA DOS “VALENTÕES” 

         

I – INTRODUÇÃO

 

A vida sem fantasia não tem húmus para se alimentar; sem sonhos fica destituída de sentido.

Com os meus vinte e cinco anos carregados de ingénuo lirismo sonhava, ansiando por estar aonde nunca estive, desejando conhecer o mundo de outras vivências; o Tonito da dona Arminda revelava-se um eleito para a fatalidade predestinada à aventura; A cada passo, a vida criava a propósito obstáculos para saltar no desconhecido, ora lambendo beiços, ora enchendo-se de picos.

Tonito andava permanentemente tocaiado por uma onça esfomeada que, de focinho afiado entre ombros descaídos e orelhas enfileiradas ao longo do costado, preparava o salto final. O ataque nunca se deu mas, o rabo a dar a dar continua ventilando o seu ser.

Num encontro sombreado duma mulemba, um lugar só de imaginação na macambira, recordo o carrasco, a jurema, o quipá, o calumbi, a coroa-de-frade ou o rabo-de-raposa. Estes tapetes acerados em que as anharas de África se misturam com a caatinga do Brasil, buliram sempre a minha imaginação, a mesma das figuras devoradas na literatura de cordel que os alfarrabistas trocavam, nova por velha, com retorno de uma “quinhenta”.

Não pretendo ser um historiador, somente revejo por busca propositada o que foram os “heróis” da minha crescente meninice entre os dez e os vinte cinco anos; é um relembrar dos tempos românticos, heróicos e estroinados da literatura idealista, livros de folhetos, histórias quase medievais, do Mandrak, Tarzan, Fantasma, Bill Kid, Alcapone e, o homem de borracha que conseguia passar numa fechadura ou fresta; estávamos em 1955, tempo da guerra que diziam ser fria e, eu gozava a Luanda desde a Samba ao Prenda, das Ingombotas ao Sambizanga.

Talvez Jezuino Brilhante, Jararaca, Sinhô Pereira, Lampião e Zé do Telhado à sua maneira, quisessem mudar o Mundo. Desconseguiram!

É deles que passo a escrever, dando resposta aos porquês da infância e puberdade.

Nos anos de 1955 a 1960 entre os meus 10 e 15 anos, a minha literatura de ficção eram livros aos quadradinhos com homens usando chapéus de bico, carregados de zingarelhos e, até espelhos; penduricalhos com guizos, atilhos de couro e cintos carregados de balas em cartucheiras, cruzando o corpo; botas com polainas altas, cheias de enfeites e, grandes facões à cintura. De calças folgadas com grandes alforges e bornais, ditavam a moda com exuberante e estapafúrdio aspecto.

A visão daquele tempo em que a ficção e efeitos épicos se misturavam de forma promíscua, aguçaram-me o espírito de descoberta, desbravando uma tal desconhecida valentia mística.

Em Luanda só via cipaios que de vez em quando, levavam gente para o posto de Belas; de cartola vermelha e calções caipiras de caqui, os indígenas-autoridade conduziam de mãos atadas os indígenas-descomentados de trabalho, formando um cordão de pés descalços.

Descobrir o porquê do sonho pelo desconhecido; do porquê, que levou meu bisavô António Loureiro a aventurar-se num Brasil profundo regressando tísico a Portugal por volta de 1935, deixando um legado de duas filhas, minhas tias que não conheço, nem sei do seu paradeiro.

Na farta imaginação de fantasia dos sessenta e três anos de vida, vejo ainda um chapéu de couro sertanejo em abanico, por detrás duma moita de cactos com muitos espinhos; alucinações das anharas de Angola, das planuras da sertã Andaluza e, dos montes Alentejanos. Num manto de retalhos cruzo o sertão Brasileiro, o agreste e a caatinga sempre, sempre carregando um embondeiro nas costas, a minha cruz ou o meu fado.

E, lá está o chapéu ornado de abas com os seis signos de Salomão o berbicacho de couro com 46 centímetros de comprimento, ornado em ambos os lados com cinquenta e cinco peças de couro de confecção variada; botões para colarinho, punhos e cartões de vista com as inscrições de saudade, Recordação, Lembrança e Amizade. Na testeira, estão fixadas moedas e medalhas, tendo duas delas a gravação “DEUS TE GUIE” e, uma outra a efígie de “D. Pedro II” com data de 1885. No berbicacho traseiro de couro e, com as mesmas dimensões da testeira estão fixas duas outras medalhas tendo ambas a inscrição ”AMOR”; uma desta tem um pequeno brilhante incrustado.

O resto da vestimenta está algures descrito mais à frente com muitos e variados penduricalhos que no decorrer do tempo loucamente, foram ficando retorcidos que nem toutiços.

 (Continua...)

O Soba T´chingange

 

 


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PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:40
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1 comentário:
De luiz eduardo dorea a 11 de Abril de 2009 às 04:36
msg geral (pedido de ajuda para conseguir o conteúdo completo sobre cangaço)

GOSTARIA DE CONSEGUIR ACESSAR O CONTEÚDO COMPLETO SOBRE CANGAÇO. APESAR DE TODOS OS MEUS ESFORÇOS, NÃO PUDE FAZÊ-LO. QUAL
A ORIENTAÇÃO QUE qualquer um outro pesquisador PODE ME DAR?

EDUARDO


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