Terça-feira, 13 de Agosto de 2019
FRATERNIDADES . CXXII

ANDO ENKAFIFADO – 06.08.2019

“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para se dizer”. Cristóvão Colombo era um português de Cuba sim senhor!

Por

soba0.jpegT´Chingange – Na Cuba de Colombo, no Alentejo

Meus amigos, devagar que tenho pressa! Recordo-me de no acampamento aonde dormi com meu pai quando e como brigadeiro, trabalhava na construção da ponte sobre o Rio Lucala no grande país que então era a Província Ultramarina de Angola. De ter ouvido hienas a chorar e urros distantes de leões; relembro os bidons ao redor do acampamento contendo tochas de fogo pela noite para as afugentar no distante ano de 1954, teria eu meus nove anos.

cuba9.png Nisto de recordações acabo por chegar ao conceito de se escrever ao jeito de Graciliano Ramos! “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”. Com esse condão de elaborar um trabalho colocando no papel tudo aquilo que consegui observar na terra e nas pessoas, tentarei mostrar a sociedade actual, gente simples mas muito cheia de curiosidades. Foi um pouco a partir do nada que trabalhei a curiosidade ao descrever assuntos banais. E, fiquei também ciente de que o que toca a imortalidade é a obra e não o ser humano que perdura.

Afinal Cristóvão Colombo deu a volta ao Mundo! Suas cartas, reparos e pergaminhos devem ter ficado em um qualquer sótão que o tempo amareleceu. Vejam aqui tal ironia em seus procedimentos de honestidade, o estudo dos ventos e nós nos cordames das velas, das madeiras dos mastros e dos muitos segredos para justificar tanto sacrifício; longe estava de imaginar que numa parte deste mundo tanta gente daqui saída que agora se recorda com um Ginga Malaia, tradição trazida do Planalto do Sul de Angola pelos Xi-Colonos do Reino de Maconge; um reino que só existe em sonhos de candengues e, que no tempo se tornaram gente adulta…

Assim andei no meio de uma festa festejando a alegria, curtindo a juventude que resta, lembrando as farras do fundo do quintal da Luua, na Associação de Estudantes do Lubango e, vendo os netos dos amigos rodopiando em graçolas e risos contagiantes fingindo beber tinto e, terminando o engulo com um Plim-Plau. Assim deixando o tempo abraçar os cabelos grisalhos e os sulcos dos anos, a conversa começa do nada com um senhor na Tabena do Monte Pedral. Mais tarde seguiram-se as quase conferências nas tabernas do Arrufo, das Febras e do Lucas.

cuba4.jpg Nos últimos anos surgiram novos livros de investigação com a tese de que Cristóvão Colombo era português - de Cuba, no Alentejo - e não genovês, como conta a versão "oficial" da história. Será mesmo assim? O Núcleo de Amigos de Cuba e a Câmara Municipal organizam uma tarde de conferências no centro cultural da vila. Aqui, o luso-americano Manuel da Silva Rosa residente nos USA, argumentou que o documento aceite como testamento de Colombo, de 22 de Fevereiro de 1498, é falso.

Ora, este documento, sublinha Rosa, é o único em que Colombo aparece descrevendo-se como um tecelão de Génova. "Todos os outros documentos que falam de Génova são de terceiros", diz Manuel Rosa. "Há 200 ou 300 anos que os historiadores se apoiam neste testamento como prova de que ele era um tecelão de Itália – Um Genovês." Rosa, não está nada convencido desta tese, e explica porquê: um dia antes de morrer, a 19 de Maio de 1506, na cidade espanhola de Valhadolid, Colombo mandou chamar o notário e várias testemunhas para fazer uma adenda a um testamento que tinha feito em 1502.

Pedido a um morto - A adenda de 1506 ainda existe, no Arquivo Geral das Índias, em Sevilha; o testamento de 1502 é que já desapareceu. Em seu lugar, surgiu uma cópia do suposto testamento de 1498, apresentada por um Baltasar Colombo, cidadão de Génova, que dizia ser familiar do explorador. Afinal, estava a decidir-se uma das maiores heranças do mundo, no processo judicial que se seguiu à morte de Colombo. No testamento de 1498, Cristóvão Colombo pede a alguém já falecido, o príncipe D. Juan, filho dos reis de Espanha, que faça cumprir o documento, uma vez que o posto de almirante fazia parte da herança e eram os reis quem controlavam esses cargos.

cuba11.jpeg D. Juan morre a 6 de Outubro de 1497 - quatro meses e meio antes do testamento de 1498 ter sido escrito. "Se Colombo não soubesse que D. Juan tinha morrido, ficava a dúvida. Mas temos uma prova escrita de que ele sabia." Essa prova surgiu cerca de um mês depois da morte do príncipe: os filhos de Colombo, D. Fernando e D. Diego, tinham sido pajens de D. Juan, e existe o relato de um deles a dizer que o pai os enviou, a 2 de Novembro de 1492, para servir de pajens à rainha D. Isabel.

Portanto, conclui este historiador amador, Colombo soube da morte do príncipe pelo menos um mês depois e não iria assinar um documento três meses mais tarde a pedir a um morto para cumprir o testamento. Então, se não era de Génova, era de onde? "Com tudo o que sei hoje, só pode ter sido um nobre português ou estrangeiro que veio para Portugal muito novinho aprender a língua portuguesa como materna", diz Manuel Rosa. "Ele nunca escreveu em italiano. Escrevia em castelhano com palavras portuguesas. E quando escrevia para Itália, escrevia em castelhano."

cuba12.jpg Muitos mistérios em torno de Cristóvão Colombo continuam em aberto. Onde está sepultado - na República Dominicana? - É um deles. O que foi fazer para Espanha? Foi de facto trabalhar para os reis católicos, Fernando e Isabel? Ou era um agente secreto ao serviço do rei português D. João II, para desviar as atenções espanholas da costa africana e da descoberta do caminho marítimo para a Índia? Cristoval Colon, como era conhecido Colombo em Espanha, era o nome que inventou para se proteger?

Informático de profissão, a paixão de Manuel Rosa é investigar a vida do navegador. O resultado desse trabalho encontra-se nas 638 páginas da versão portuguesa do livro O Mistério Colombo Revelado (Ésquilo), publicado em 2006. Manuel Rosa continua na peugada de Colombo, e promete trazer alguns factos novos, numa nova edição do seu livro, mais concisa e clara. Esta tese sempre foi muito atacada, principalmente pelo facto de quem a investigou não ser licenciado em História. Também como ele estou convencido a "99 por cento" de que Colombo é português. Meus compadres assim confirmam.

cuca6.jpg O nome de Ilha de Cuba é em si uma razão de peso. Assim sendo, vou fazer mais o quê? As conversas das tabernas, misturam-se na memória e sai o que sai. O anteontem misturado com o amanhã num se Deus quiser. Hoje andam por aí feitos loucos procurando bichos chamados de pokémons debaixo dos chaparros esquecendo-se daquele grande navegador. Na excitação de contar coisas e partilhar ninharias, disparamos novas como se nos estivera, e está, na massa do sangue, o de sermos todos primos; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que por décadas estão por realizar. Os sonhos das pradarias como palhas retesando-se ao vento…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:34
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