Terça-feira, 2 de Junho de 2009
O NAMIBE

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

A Papoila também é uma flor ...

O Cabo Repsina

 

Tinha a pele curtida do lona; a travessia do Namibe a partir de Mossâmedes endureceu-lhe a vontade de chegar ao destino mas, teve que atravessar o Cubal e retemperar forças na rocha grande N'dele, N'dele.

Naquela rocha grande ouviu o sino de bronze ecoar na lonjura percutindo-a com pequenos calhaus; Nem um sino cortaria tão bem o silêncio das anharas, o doce toque das avé-marias distantes duma qualquer igreja do Puto na distante Tavira, sua terra natal.


O cabo Repsina no meio deste bonito desespero tão mítico e absorvente solicitava-se em recordações apaixonadas do distante Algarve e dos companheiros.

De T'chimpaca em T'chimpaca venceu o planalto rico de muita chuva e gente boa, dada a feitiçarias, austeros Kimbandas, nobres séculos, sobas e sobetas. Dizia de si para consigo do porquê daqueles tão lindos sítios estarem assim tão abandonados pelos poderes constituídos do Puto.

Nos próximos dias galgariam a Chela montando bivaque num morro despido de mato. Os dias sucederam-se e, por ali ficou responsabilizando-se de garantir soberania ao Kimbo e dar segurança às gentes, degredados e viúvas destes.

http://www.biolib.cz/en/taxonimage/id18227/WELWITSHIA   MIRABILIS

Misturado com o gentio, assistiu à festa Kuiambela, cerimónia do culto dos antepassados, as romagens ao cemitério com místicas de espantar. E, consumiram muita carne, muito vinho, zurrapa à mistura com malavo vindo dos palmares das mulolas.

O cabo Repsina não era racista, especialmente na escolha de cafecos e, naqueles dias enfeitiçou-se de efémeros amores pela filha do soba T'chilingula, negra de peitos arrebitados; tanto assim e, ao ponto de lhe arranharem as apetências.

Depois das cerimónias, muito cheio de bolunga de massambala, de cabeça quente afoitou-se a dormir no Kimbo com a prendada menina de pele negra, luzidia e deslizante que só ele pode apreciar e, vai daí o compromisso surgiu mesmo sem alambamento premeditado.


Amilongado de tanto frenesim viu-se envolvido num compromisso de séria administração e, perdido por cem, perdido por mil, deixou-se escorregar nessa inebriante vida de mato, mais ou menos rodeado de atenções sem esperar perder-se entre os mil.

Um dia menos bom, caiu de cama com febres esquisitas, as cólicas eram por demais e eis que a sua rainha Mukuakthoa surgiu na libata aflita para acudir; numa das sua saídas em soberania por terras do T'Chiteculo  o Mwana-Puto Repsina bebeu água duma cacimba que desconfia terem salmonelas de estirpes desconhecidas.

O soba T'chilingula teve de recorrer ao seu médico Kimbanda a fim de curar o seu recente nobre genro de Mwana-Pwó.

Na esteira da embala o Cabo Repsina ardia de febre. Por instâncias aflitivas o feiticeiro Kimbanda traçou na diagonal ordens aos ventos, untou a testa deste com muitas e desconhecidas verduras pisadas em sangue, urina, pó e bosta de boi e pediu que lhe trouxessem os cornos do melhor boi da manada do sogro.

Repsina, de cornos colados na testa, parecia um Muata.


Assim ficou dois dias e duas noites. Lá fora as rezas e murmúrios ondulavam no escuro do cacimbo. Por fim o cabo Repsina saiu daquele torpor suado de ansiedade e,...não é que se salvou!

Nem soube bem ao certo como foi mas, a ruindade passou de vez até aos seus dias finados. As marcas dos cornos ficaram bem vincadas na testa.

 

Quantos ignorados Roçadas como este Repsina não passaram por aquelas terras do fim do mundo confrontados com gentes que eram pessoas de hábitos estranhos, perdido de amores por uma mulher de elegante beleza.

Aqueles pastores, não tinham barracas nem camas de campanha. Dormiam no capim, tendo como resguardo um tecto de constelações, estrelas, e uma lua de opala que, só ali existe.

Mukuakthoa era urna mulher Vacumbi.

Por aquelas terras do sul havia então, início do século XX vestígios de guerras, ponto avançado da penetração portuguesa aonde ficariam centenas de vidas, só para provar as qualidades de valentia dum povo, tentando sobreviver.

Esta pequena estória é um memorial aos muitos soldados pais dos nossos pais que nos velhos e lentos vapores atravessavam um mar de quimeras para desbravarem África. O Cabo Repsina era um deles.

Da lavra do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:56
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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