FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
7 . 5 – O FESTEJO DOS REIS MAGOS EM CANINDÉ
A seis de Janeiro de 1932, dia em que se comemoravam os festejos dos Reis Magos em Canindé de São Francisco, uns escassos três quilómetros a montante de Piranhas, Lampião surpreendeu os habitantes surgindo no “arraiá” mandando reunir as mulheres do vilarejo na praça principal. Uma destas mulheres tinha desafiado Lampião em carta que lhe veio a chegar às mãos; as mulheres desta vila estão-se nas tintas para as suas ordens, dizia a missiva.
As mulheres efectivamente estavam cortando o cabelo curto contrariando a vontade de Lampião.
Populares em espectativa viram uns ferros de marcar gado sendo aquecidos numa fogueira feita a propósito; Zé Baiano marcou essas mulheres, com ferro de marcar boi, uma a uma com as letras “JB”; foi o castigo dado por contrariarem a vontade do Vigolino, o rei do cangaço.
De todo aquele grupo de mulheres, só Natália, mulher do soldado Mourinho, grávida de oito meses se livrou deste castigo.
Nesta investida a Canindé aonde se situa agora a barragem Xingó, os cabras encheram seus cantis de muita cachaça e outras bebidas fortes, tendo saído dali para a fazenda Marandube perseguidos por forças volantes de Sergipe e as feras policiais que provinham de Nazaré de Pernambuco.
As forças volantes de Nazaré tinham ódio de morte a Lampião; eram voluntários que como cachorros caçavam o inimigo visceral.
Em Maranduba morreram os cabras Sabonete, Quina Quina e Catingueira; estavam cheios de cachaça tendo dado luta de bravia louca por força do álcool.
Durante algum tempo, Lampião ficou refugiado num quase deserto perto da cidade de Paulo Afonso a Nordeste da Bahia, um triângulo chamado o Razo da Catarina, região inóspita e monótona com poucos habitantes e muita pobreza. Convém referir que a parte Norte deste território árido, vivem os índios Pankararés descendentes dos primeiros habitantes da bacia central do rio São Francisco.
7 . 6 – “AS BLAGUES” E AS LENDAS
Nos anos de 1933 a 1936 muitas histórias foram contadas em fantasiosas blagues tornando Lampião numa lenda viva; juntaram-se-lhe entretanto Zé Baiano e Corisco, sub tenentes temidos. Muitos não puderam fugir ao seu antecipado destino e morreram entre traição, bala perdida, podres de cachaça ou simples azar. Nestes anos e por estes caminhos, por aquelas razões, foram eliminados: - Limoeiro, Arvoredo, Azulão e mulher,Canjica, Zabete, Esperança e Cocada.
Em 1936 o grupo de Zé Baiano, o ferrador de mulheres foi dizimado; Lampião já se notava cansado da vida e descuidado com a sua segurança.
A vida de Lampião como qualquer mortal, tem principio, meio e fim e, seu final estava lavrado para o dia 28 de Julho de 1938 em Sergipe. Seu fim teve início quando Joca Bernardino, um couteiro de Lampião denunciou um outro de nome Pedro Cândido à policia volante de Piranhas.
Pedro Cândido tinha ida à feira comprar mantimentos e, porque comprou mais que a conta, deu nas vistas a “Judas de Angico”, o tal coiteiro Bernardino que denunciou esta evidência aos volantes.
Em quatro de Junho de 2008, tive oportunidade de ir a Angico com o sobrinho neto de Pedro Cândido, dono do barco que translada turistas mostrando a rota do cangaço rio abaixo. Falou-me de quanto seu tio avô barqueiro sofreu e, de como os volantes o castigaram para saber o local certo da grota do Angico; foi obrigado a dar todos os pormenores à policia de Piranhas.
Ao romper do dia de quinta feira de 28 de julho de 1938 na grota de Angico, um barranco com muitas pedras e espinheiras situado no município de Porto da Folha em Sergipe, os grupos de de Zé Sereno e Lampião foram atacados por 48 homens divididos por três grupos, o do tenente João Bezerra da Silva, o do sargento Aniceto e do aspirante Ferreira.
Os grupos de bandoleiros de Corisco, Labareda e Canário estavam convocados para ali estar, mas estavam ausentes naquela hora; ainda não era a sua hora para morrer.
Foram mortos: - Maria Bonita, Luís Pedro, Quinta Feira, Eléctrico, Mergulhão, Enedim, Moeda, Alecrim, Colchete, Marcela e o próprio Lampião; Onze ao todo.
É o que consta na placa da grota do Angico; uma homenagem do povo sertanejo após sessenta anos da sua morte (1998).
Estive ali para dar por terminados os meus anseios de adolescente; rever as figuras grotescas dos livros de cordel com cenas tão por fora das minhas vivências. O local era um simples leito de rio pedregoso com muita macambira ao redor.
No regresso já junto ao São Francisco deliciei-me com um prato de pitu, depois de um mergulho nas águas limpidas num remanço dos rápidos.
( Continua....XV )
O Soba T´Chingange

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