Sábado, 19 de Setembro de 2009
BRASIL E O CANGAÇO - XV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

 

8 – A ESTRUTURA GOVERNAMENTAL E O BANDOLISMO

 

Na falta de estruturas oficiais militares ou militarizadas, os fazendeiros tiveram de contratar os já organizados cangaceiros que a alto custo guarneciam os seus bens; em troca tinham toda uma logística de manutenção com balas, armas, facões e viveres. Era uma excrescência aterradora em que a besta infractora era alimentada pelo presumível prejudicado.

As caravanas de burros dos agentes oficiais da lei, saíam dos portos litorais percorrendo 50 a 60 léguas pelo sertão; homens demasiado carregados e estafados não eram suficientes para repelir ataques dos numerosos grupos de cangaceiros.

Por força da seca de 1919 deu-se a maior intervenção dos fora-da-lei com depredações e assassinatos avulso.

A incipiente estrutura governamental especialmente nas zonas do Oeste, não se faz notar por actuar de forma desarticulada; esta carência resulta na proliferação de grupos de meliantes sem oposição à sua germinação. No Ceará, na seca entre os anos de 1877 e 1879 surgem os Mateus, com mais de cem homens, os Barbosa e Viriato; este último actua com audácia e obtém êxito financeiro em conluio com gente da banca.

 

8.1 – O CASO  PRESTES

 

  CARLOS PRESTES

 

Luís Carlos Prestes cursou a Escola Militar do Rio de Janeiro; serviu o exército como engenheiro no Rio Grande do Sul e, em 1924 liderou o movimento tenentista contrário ao regime da velha República. Formou uma coluna da sua guarnição e juntou-se com os revoltosos da revolução constitucionalista de São Paulo, percorrendo o país para Norte, naquela contestação a que se veio a chamar de “Café com leite”.

O deputado Federal Floro Bartolomeu da Costa, que foi encarregado de organizar a resistência à coluna Prestes no estado de Ceará, teve a ideia de de convocar o bando de Lampião para enfrentar e perseguir os revoltosos; para o efeito conversou com o padre Cícero pedindo-lhe que escrevesse uma carta dirigida a Lampião a fim de se reunirem em Juazeiro. Lampião atendeu ao pedido de seu “painho“ Cícero, conferenciando com ele a 5 de Março de 1826.

Padre Cícero, era o influente Prefeito, místico curandeiro e rábula do povão; o mesmo povão que o tornou poderoso em terras com suas dádivas. O agradecimento dos pobres de então, por troca de  terras por milagres, tornaram-no um fazendeiro mais poderoso que qualquer “Coronel”.

Padre Cícero em tertúlia de acta lavrada, decidiu dar a Virgulino, vulgo Lampião, o posto de Capitão, ao irmão António Ferreira o posto de 1º Tenente e ao destacado cabra Sabino o posto de 2º Tenente.

Como era necessária a assinatura de uma autoridade Federal para tornar oficial a nomeação daqueles cargos e, não encontrando naquele momento o Deputado Floro, recorreram a um funcionário Federal, um agrônomo que esporadicamente ali estava destacado em serviço pelo governo da República.

O deputado Federal Floro Bartolomeu, por doença ou conveniência de político, encontrava-se em São Paulo.

Com fortes batidas na porta, após as 21 horas da noite, o agrônomo, ao abrir a porta deparou com dois cangaceiros apetrechados com todos os “zingarelhos”, artelhos, burnais e rifles; eram António Ferreira e Sabino.

- Ocê se chama Pedro Afonso?

- Sou eu mesmo.

- Padre Cícero está lhe chamando.

- Para quê?

- Lá, ocê saberá

Pedro Albuquerque, sem outra saída, amedrontado, foi levado às pressas à presença do padre Cícero. O padre ditou os termos e, no final da escrita disse-lhe para assinar.

O incrédulo agrônomo exitou e,... mas padre eu não tenho autoridade para fazer isto; mas,... e mas.

- Não tem mas nenhum, assine somente! Disse o padre.

O irmão de Lampião, impaciente com tanto mas, retorquiu:

- Faça o que o padre está mandando! O resto, é com painho e nós!

Pedro Albuquerque naquele momento, rodeado de cangaceiros assinava qualquer documento.

-Naquela hora eu, até assinava a destituição do Presidente da Republica! Disse mais tarde Pedro Albuquerque.

No depósito de material e armamento do Batalhão Patriótico, o bando de Lampião receberam fardas de sarja cinza azulado, a cor “oficial” do exército, fuzis e munições. A sarja cinza azulada ficou sendo a preferida de Lampião.

Qualquer malandro ou gatuno é tornado tenente do batalhão patriótico, sem um atento cuidado na relação do dito batalhão. Fornece-se a cada homem, gente de raia miúda nos conceitos de posse, um fuzil, fardamento e farta munição; resultou daí que, na posterior desarticulada desmobilização, os bandoleiros ficaram melhor apetrechados do que antes daquele “levantamento do Juazeiro”.

Virgulino ao que consta, não chegou a ter qualquer contacto em combate com Prestes; houve somente uma escaramuça entre militares por motivo de “rabo de saias”; no entanto, serviu de pressão para Prestes desviar a coluna em direcção ao interior de Mato Grosso, sendo depois obrigado a refugia-se na Bolívia.

Prestes, posteriormente exilou-se na Rússia vindo a ser o primeiro líder comunista Brasileiro.

( Continua....XVI )

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:55
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