FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
8.2 – PROMISCUIDADE DO MANDO
Esta guerrilha para ter êxito da parte dos bandoleiros com sobrevivência garantida, tinha de ter necessariamente apoio e colaboração das populações e, em realidade tinham-na.
Dizia-se na época que: - “No sertão, do criminoso à autoridade e, desta, àquela, a distância é nenhuma”.
Cangaceiros, militares e forças policiais, confundem-se nos procedimentos; a descrição do comandante militar Optato Gueirós, por volta de 1915 dizia: - Somente quem está neste serviço militar pode fazer uma ideia precisa do que seja a oposição que encontram as tropas volantes dos que residem por esses matos; chegaram a negar-nos água, a mim e às praças.
Não é possível manter o moral em cima sem a colaboração dos habitantes e, por isso, o insucesso das muitas operações.
A promiscuidade do mando, era tal entre banditismo e políticos que a dois de Setembro de 1926, Lampião que invade a vila de Cabrobó, à frente de cento e cinquenta bandoleiros, sob toques de corneta e, em perfeita formação militar, hospeda-se na casa do perfeito municipal em cuja companhia e após o almoço, passa revista aos alunos da escola local, formados em sua honra.
Em
A estes 2590 homens juntavam-se mais 500 voluntários, milícia organizada para defesa contra os rebeldes, totalizando assim 3090 homens.
Um terço do orçamento dos Estados do Nordeste era gasto na ordem pública e força policial, excedendo outro qualquer encargo social.
Com aquele apetrechamento grátis, Lampião entregou-se à elaboração dum plano audacioso que veio a concretizar no dia 13 de Junho de 1927 à cidade de Mossoró. Assim, Lampião, com 53 homens de vários outros grupos como o de Jararaca e Bom Deveras, deram efeito ao assalto à cidade de Mossoró, então designada como a capital do Oeste.
Após 45 minutos de fogo os cerca de 150 habitantes puseram em debandada as forças de Lampião. O seu maior plano fracassava; exigia 400 contos de reis ao prefeito Rodolfo Fernandes em resgate para que nada lhe acontecesse; se o pagamento fosse feito, a incursão ficaria sem efeito, mas, tal não aconteceu. A partir desse momento a estrela do bandido começa a perder brilho; dão-se tantas deserções que Lampião passa a contar somente com nove cabras.
8 . 3 – O ENGENHEIRO BRITÂNICO
Em 1938 surge no agreste de Alagoas, perto de Geremoabo um engenheiro que em prospecção e pago por uma companhia de petróleos desbravava aqueles sítios da caatinga na busca de indícios de petróleo; o aventureiro surgiu na picada em um ford conduzido por um matuto contratado por este afim de o levar até áquelas paragens; estava longe de supor encontrar-se com o destemido bandido e, eis que estando entretido a ver umas amostras de pedra, surge um bando seguido de piares constantes de um pássaro comum naquela zona.
Embora os piares fossem um pouco estranhos ao condutor do ford esles continuaram entretidos vendo as pedras etiquetando as mesmas e eis que várias sombras invadem o círculo; são os pistoleiros de Lampião que após aquele primeiro contacto, surge Lampião que interroga as figuras de chofer e um geólogo Inglês.
O chofer a mando do gringo que com medo fêz referência de que se Lampião forçasse o gringo ele passava a falar português, logo foi analizado com um traidor; este não suportava traições e, estando este às ordens de gringo, ao mudar de lado lado para salvar a pele pareceu-lhe muito mal. Sumáriamente levou um tiro ali mesmo na presença do gringo; a coisa estava feia para este.
Recolhido na tapera dum coiteiro o Capitão Virgulino escreveu um recado ao governador de Alagos a pedir quarenta contos pela liberdade do gringo.
O consulado dos serviços britânicos não concordou no pagamento do resgate pois que não negociavam com bandoleiros, nem terroristas e muito menos com bandidos daquela índole. Lampião ficou bravo e,decididiu que sangraria o gringo caso não cumprissem com tal exigência; o portador desta mensagem foi o sargento de Geremoabo que entretanto e depois de comunicar isto a Lampião este, confiscou-lhe o colt parabellum que transportava.
Seguiram-se os dias com perseguições infrutiferas e num ataque de paludismo à Maria Bonita, o gringo curou-a com quinino que levava nos seus apetrexos de sobrevivência; isto vei-o a salvar-lhe a vida quando Lampião estava prestes a sangrá-lo na povoação de Piranhas; por imploração de Maria Bonita, este foi salvo, lançado-o ao rio São Francisco, vivo e pronto a iníciar outra aventura em um outro qualquer lugar da terra.
Ao mesmo tempo que mandava o gringo para a água, proveitando o facto de por ali estar uma charanga em excursão, Lampião exigiu fazer uma festança na forma de Xanchado impondo aos músicos tal actuação.
Lampião e seu grupo saiu de Piranhas atravessando o rio velho Chico para se esconder em Angicos, uns quantos quilómetros mais a sul, do lago de Sérgipe, sítio pertença do seu amigo coronel Pedrosa, que ele considerava como um lugar seguro.
( Continuação...XVII )
O Soba T´Chingange

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