Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
NÓS E O TERCEIRO MUNDO

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

AS RUAS DO DESESPERO

 

  A  GRIPE H1. N1

 

O desenvolvimento de um povo no decorrer do tempo, esteve quase sempre ligado ao desenrolar de actividades ao longo de um caminho, beira de rio ou costa marítima.

As primeiras vias de comunicação foram através da água e, de descoberta em descoberta, os povos foram galgando distâncias em coisas flutuantes até ser descoberta a roda.

Hoje os meios de comunicação são muito mais variados, deslizando através de superfícies ou fluidos com a inclusão do ar que respiramos.

Os fenómenos da natureza foram sendo desvendados e dominados com regras que pouco a pouco, se foram adaptando aos variados veículos; em alguns sítios de África podemos percorrer quilómetros numa estrada ladeada de negócios, de venda de um qualquer produto; em  tal profusão  de coisas podemos encontrar óculos para sol, batata, fruta variada, chinelos de pneu, bateria para carro ou um pedaço de chita.

Compreenda-se que, naqueles países, algumas infra-estruturas são ainda desconhecidas e, os organismos regulamentadores do comércio e urbanismo ou não existem, ou estão lá longe numa capital que enferma de muitas carências e, normalmente sem os gabinetes de ordenamento do urbanismo, comércio ou apetrechamento de apoio social. Hoje, estar longe daqueles sítios, não significa segurança; os virus e esse mundo invisivel de microbios andam pegados a nós nessas migrações rápidas.

Neste mundo global, cada qual vive o seu dia a dia sem se inteirar que, lá longe num qualquer sítio, a saúde publica não existe e, num dado momento, os órgãos de informação começam a dar-nos conhecimento de que há uma gripe H5 N1, das aves no Paquistão, a gripe A (H1.N1), ou mais um surto de ébola no Zaíre.

 

Recordarmo-nos, que nos anos de 1917 a 1919 a pneumónica, conhecida por gripe espanhola, fez 50 milhões de mortos em toda a Europa; virulogistas americanos desvendaram recentemente que o aparecimento daquela gripe teve origem nas aves, passando destas para as pessoas. O vírus sofreu as mutações necessárias ao contágio humano.

Entendam, neste raciocínio de desenvolvimento global, o quanto se torna nefasto não atendermos ao dito outro terceiro mundo, coabitando com eles à distância, aparentemente segura.

Já naquele tempo, mais propriamente em 1919 segundo as memórias de Lúcia  que visionou nossa Senhora de Fátima, dá conta de que os seus primos, Jacinta e Francisco faleceram dessa pandemia e, nem a áurea da Nossa Senhora, foi o suficiente para superarem o fatídico destino.

O desleixo no cuidar da nossa vivência em sociedade, leva a tormentas que deveriam ser previsíveis e atempadamente acudidas; veja-se hoje, o caso da rebelião em França com a falta de integração dos oprimidos “sem nada”, ou o movimento dos “sem  terra” no Brasil; a degradação com exploração da vida no Sudão ou, o ainda recente genocídio no Ruanda e Burundi e a guerra do Iraque com todas a tecnologia de ponta visando a morte à distância.

As deslocações posteriores às várias guerras, um pouco por todo o mundo, com inerente fluxo de refugiados ou repatriados, tornaram este mundo pouco sustentável em termos de segurança e, os nossos filhos, no decorrer do tempo, vão ficando também eles “Utus” ou renegados, sem emprego ou subsistindo à mingua de um qualquer subsídio ou dependentes dos pais, muito para além de também o serem; e, temos os musseques de  Luanda, os bairros da lata de Lisboa e do mundo ou as favelas do Rio.

 

Neste grande mercado de calamidades em que vivemos todos os dias, grafitados de susto, vemos em extensas vias, negócios de oportunidades; tudo se expõe ao longo  dessa rua, carros usados, potes de todas as dimensões, plantas, cabanas para cães, madeiras, piscinas e leões em cimento.

Afinal, mesmo com o avanço de tantas ideias, continuamos confinados ao velho negócio de rua seja ela uma cento e vinte cinco ou, uma duzentos e qualquer coisa traço um, tentando sobreviver às dificuldades que os Pê Dê Émes nos impõem e os técnicos emperram, tornando ainda mais comprida a fatídica rua do desespero.

Comecei por querer falar das discrepâncias entre mundos afim de justificar objectivos de vida  e, acabei por parar na cento e vinte e cinco (a rua mais comprida que conheço no Puto), tão cheia de negócio nas bermas traiçoeiras.

Livrem-se da nova pneumónica H1. N1.

Lavem as mãos muitas vezes ao dia, antes de deitar, tomem um cálice de vinho do Porto ao deitar, fiquem atentos á tosse, febres altas e moleza no corpo como se fossse paludismo e não espirrar em cima de ninguém.

Libertem-se de maus olhados, cuspidelas alheias ou raivas de sogra mal curtidas.

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:52
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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