Terça-feira, 4 de Dezembro de 2012
PIAÇABUÇU . XII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“DOS JESUITAS AOS TUBARÕES” . 10

Por

 Roeland Emiel Steylaerts

Fiquei só na casa até o nono mês, pois meus pais e irmão tinham ido para Brasília. Sei que de noite matei uma cobra cascavel na frente da casa. Depois de dias chegou meu pai, e fomos para Brasília, em cima de um caminhão recomeçar a sorte. Aprendi muita coisa nesta cidade de Cavalcante, que hoje fica a três horas de Brasília, mas que naquele tempo era de quatro dias... de aventura. Ainda nos tempos que estive lá à procura de minerais, achei algo estranho em cima de uma serra, longe da estrada e totalmente isolado. Tratava-se de um vão de uns 7 metros de largura por uns 200 de comprimento, com uma altura de até 25 metros. Coisa que não foi feita por humanos. Depois voltei lá, mas não achei mais o local. Era uma coisa bastante estranha. Na época fiz uma planta; espero que um dia sirva para alguma coisa.

 Estávamos trabalhando muito no Restaurante Xadrezinho; dia e noite, sábado e domingo. Só às segundas é que tínhamos nossa folga, indo jantar nos mais variados restaurantes. Era só abrir um restaurante novo, que a gente ia lá, comendo do melhor e mais caro. Finalmente!... Estávamos conhecidos na praça. Um dia um cliente, estudante de advocacia, disse a meu pai, se ele não quereria comprar um terreno no lago Sul. Venderia barato, e acabava com a pequena divida que tinha no restaurante. Fomos olhar, estrada de chão, longe, tinha que passar primeiro pelo aeroporto. Ainda não havia pontes em Brasília, e ninguém queria comprar nada. Meu pai finalmente comprou este terreno, e depois o outro do lado de uma pessoa que morava no Rio de Janeiro. Era bastante barato naquele tempo....

 Meu pai fez um projecto de sua própria cabeça, sem planta nem nada, e fez uma casa no meio do nada com 620 m2 de área coberta, em cima dos dois terrenos com mais de 1200 m2 no total; fez também uma piscina e um quiosque. Aquilo ficou uma verdadeira mansão de rico. Ficamos morando lá dentro, dois anos sem portas e janelas. Naquele tempo não havia ladrões; só que de vez em quando aparecia por lá uma ou outra cobra ou aranha. Terminada a mansão, começou a ser  frequentada por visitas ilustres incluindo vários ministros e artistas, tanto da Bélgica como do Brasil.

(Continua...)

Piaçabuçu: Cidade situada na foz do São Francisco . Brasil

Nota: Esta é a estória vulgar de um emigrante Belga fugido da guerra que se aventurou em terra estranha do outro lado do Oceano. Os tempos mudaram, as agruras são outras mas a vida é assim mesmo, um rodopio de acontecimentos com carrapatos que parecendo nada, mudam o rumo.

Compilado com correcções ortográficas e arranjo ao texto original por

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:48
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012
FRATERNIDADES . XXXIII

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DE STELLA*

Lição de vida - A Felicidade é só um destino não é uma viagem!!!!

Opção de

Stella PugliesiStella Pugliesi

Texto de Martha Medeiros
No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar-rifa e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou: - Que coisa triste ter que vender tudo que se tem. - Não é não, respondi! Já passei por isso e é uma lição de vida. Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa. Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar-rifa no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante.
 Eu convidava para subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais despido. No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a TV. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros. Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afectivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de objectos, enquanto que se torna cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida.
 Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile. Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa. Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza: "só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir"; É melhor reflectir e começar JÁ a trabalhar o DESAPEGO! Não são as coisas que possuímos ou compramos que representam riqueza e plena felicidade. São os momentos especiais que não tem preço, as pessoas que estão próximas da gente e que nos amam, a saúde, os amigos que escolhemos, a paz de espírito.

Subscrito e homologado por O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:22
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2012
O CLÃ DE ZUMBI - IX

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

OS QUILOMBOS DO BRASIL . 11ª parte

Por

Kimbo

Ensaio de

 Arnon Afonso de Farias Melo- Nasceu em Rio Largo, 19 de setembro de 1911 e faleceu em Maceió, 29 de setembro de 1983 - foi um jornalista, advogado, político, empresário brasileiro, pai de Fernando Collor de Mello, ex-presidente do Brasil.

O curioso é que não existe ciúme entre os negros, e não se conhece crime cometido por amor. O sexo desabrocha muito cedo entre os africanos; essa ardente sexualidade que nas mulheres se anuncia pelos doze anos, nos homens que também surge cedo, também cedo os abandona. Em Luanda, olhando casas que parecem ter sido transladadas do Brasil, com fisionomias iguais aos nossos nordestinos, anoto com emoção costumes nitidamente brasileiros, uma capacidade quase única de se perpetuarem a outros povos: Portugal estendeu os limites do Brasil muito além do Prata e do Oyapoc revendo-nos em vários continentes com afinidades psicológicas, sociais e culturais, uma forte peculiaridade da forma de colonizador distinta de todos os outros. O fenómeno, por qualquer parte por onde se ande, no espaço lusófono, é o mesmo que se observa no Brasil: A cultura lusa a se rejuvenescer ampliando-se, constituindo de formas diversas a continuação de um novo feito de vida e de uma nova civilização

 De todas as colónias visitadas, Cabo Verde é a que mais se aproxima do Brasil nos diversos aspectos da sua formação. É verdade que o negro para lá transplantado não encontrou o índio americano mas teve o branco com os mesmos métodos de colonização. Assim se fundiram raças e culturas, gerando essa quase absoluta unidade de emoções e sentimentos que ligam o mundo lusófono. Em Cabo Verde encontrei brancas casadas com pretos e pretos retintos em situações de relevo, ocupando cargos de destaque na administração do território. A democracia social existente nas colónias africanas sob administração portuguesa é distinta do que se observa na África do Sul, onde os direitos dos homens de cor, se reduzem a nada. Pode-se atacar a colonização portuguesa mas não se pode deixar de reconhecer a extraordinária contribuição que trouxe à humanidade, o seu formidável poder criador rompendo com audácia e inteligência fronteiras raciais e promovendo uma experiência étnica e biológica das mais interessantes para o futuro do mundo. 

 Quando Salvador Correia de Sá e Benevides libertou a colónia de Angola fê-lo como lembra Oliveira de Cadornega “ em unidade de todas as praças “ referindo-se a Portugal, Brasil e Cabo Verde. Seria o branco luso nos novos continentes, um elemento civilizador e criador, na mistura de sangues reduzindo na prática distancias sociais através das suas qualidades de aclimatabilidade, miscibilidade, mobilidade, indiferentes a preconceitos raciais fazendo somente restrições em matéria religiosa. Para a África teriam ido os mesmos brancos lusos, levados por estímulos totalmente diversos dos que os impeliam para o Brasil. Aqui chegaram eles, quase como turistas. Vinham para escravizar os pretos, exportá-los e vendê-los mas o tempo e prática, fez entendê-los da importância na igualdade dos cidadãos.

FIM

Referência Bibliográfica: A África Revelada , ensaio de Arnon de Melo.

O Soba T´Chigange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:31
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2012
O CLÃ DE ZUMBI - VI

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

       OS QUILOMBOS DO BRASIL . 8ª parte

Por

 T´Chingange

A 14 de Março de 2009 e com este mesmo título escrevi a crónica nº V - 7ª parte, sobre a “cerca dos macacos” após uma visita de um dia com Paulo de Castro Sarmento Filho, zelador do Museu de Maria Mariá, em União dos Palmares. Reato agora, após três anos o tema dando a conhecer outros dados revelados em um ensaio “A África revelada por Arnon de Mello” e publicado no jornal Gazeta de Alagoas do qual sintetizo o essencial com umas poucas introduções de meu foro.

 No século XVII, Alagoas oferece reduto para os negros formarem os inúmeros quilombos que prosperavam em todo o território brasileiro, mas que tiveram na Cerca dos Macacos da Serra da Barriga, nos Palmares, sua maior simbologia. O Brasil foi o país com a maior concentração de escravos negros do mundo com dados indicadores de 3,5 milhões. A liberdade, por meio de fuga, consolidava-se pela anormalidade da vida administrativa e económica da capitania de Pernambuco. Palmares perdurou por 64 anos, capitulando no ano de 1696. O governador da capitania relata ao rei D. Pedro II, o pacífico, a morte de Zumbi dos Palmares.

 Senhor

O Governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro em carta de 25 de Março deste ano de 1696, dá conta a Vossa Majestade de como se houve a certeza de haver conseguido a morte de zumbi. Para que nenhuma dívida se fizesse, para aquietação dos povos e para exemplo dos negros que o julgavam imortal, e para demonstração do que se diz se envia cópia da acta feita pelos oficiais da câmara de Porto Calvo e, por ela se sabe que o grosso das tropas paulistas na pessoa do Capitão André Furtado de Mendonça que conseguiu a morte do negro no sumidouro que este artificialmente fizera na serra dos dois irmãos.

 O corpo que se apresentou aos ditos oficiais, pequeno e magro, em cujo exame se viram quinze ferimentos de bala e muitos de lança vendo-se que o membro da virilidade do dito negro se havia cortado e enfiado na boca, também lhe faltando um olho e se lhe cortara a mão direita; que perante os oficiais da câmara juraram as testemunhas pertencer o cadáver ao negro Zumbi, a saber, um cabo maior que se apanhara vivo na companhia do dito, os escravos Francisco e João, o senhor do engenho António Ponto e o lavrador de partido António Souza, que todos haviam conhecido em pessoa o açoite daqueles povos; que se lavrou na acta do reconhecimento do cadáver do negro Zumbi, e que para que se pudesse isso mostrar ao governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro deliberou-se levar ao Recife somente a cabeça. Pela impossibilidade de levar o corpo todo; que no pátio da câmara presente todos os oficiais, um negro decepou a cabeça a qual se salvou com sal fino, o que tudo se faz constar na mesma acta, que assim pode ele governador Caetano De Melo e Castro à vista da cabeça e da acta, da câmara ter a certeza da morte do negro que tantos danos fizera à Real Fazenda e aos moradores das capitanias de Pernambuco.

Este documento será assinado em Lisboa a 2 de Setembro de 1696 pelo Conde de Alvear, por João de Sepúlveda e Matos e José de Freitas Serrão.

Ilustrações de Costa Araújo Araújo (Mano Corvo do Rio Seco)

(Continua…)

Referência Bibliográfica: A África Revelada , ensaio de Arnon de Melo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:30
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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012
MOKANDA DO SOBA . XX

“Mirigongo” – Que é isso? – 2ª Parte

Por

 Soba T´Chingange

No Nordeste nego é galalau; mirigongo é galego. Botão de som é pitôco e rir dos outros é mangar. Se é muito miúdo é pixotinho e se for resto é catôco. Tudo que é bom é massa, é arretado, é de primeira. Tudo que é ruim é peba, mas também pode ser reiêra. Já faltar à aula é gazear e quem é franzino é xôxo. O lobo se chama leso e o medroso se chama frouxo. Tá com raiva é invocado; sair é vou chegar. Cabra sem dinheiro é liso e amassar é sarrar. A moça nova é boyzinha e galinha é enxerida. Pernilongo é muriçoca e chicote se chama açoite. Quem entra sem licença embaraça; sinal de espanto é vote. O voador é bisonho e se tá de fogo, tá melado. Quando tá folgado, tá falote e, quem tem sorte é cagado. Pedaço de pedra é seixo e quem não paga é xexeiro. O mesquinho é amarrado e quem dá furo é fulero. Sujeira no olho é remela e nego insistente é prisiaca. Meleca se chama catôta e catinga de suor é inhaca. Merda de cachorro é titica e secura é vontade sexual. Mancha de pancada é roncha e briga pequena é arenga. Perfomance é muganga e prostituta é quenga.

 Boca de siri é calar e catraia ou rapariga é puta. Fofoca é fuxico e estouro é pipoca! Arretado é muito bom, Abibolado é abestalhado. Azuretado é atrapalhado e azunir é jogar. Bexiguento é canalha ou patife e canguinha é pão-duro, forreta. Cão chupando manga é aquele que sabe fazer as coisas. Dar o chicote é dar o ânus e siri na lata é brabo ou bravo. Não se avexe é não se apresse e oxente é interjeição de espanto. Amigo é pareia e rã é perereca. Raspar as canelas é trair o marido e psilone é letra y Roscof é relógio ruim e ximbra é bola de borracha ou gude. Bigu é corona ou boleia e 171 é ladrão falsificador, traficante.. Miolo de pote é besteira, coisa menor.

:CPLP - A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma organização assinada entre países lusófonos, que instiga a aliança e a amizade entre os signatários. A sua sede fica em Lisboa e seu actual Secretário Executivo é Domingos Simões Pereira, da Guiné-Bissau. A CPLP é formada por oito Estados soberanos cuja língua oficial ou uma delas é a língua portuguesa. Eles estão espalhados por todos os cinco continentes habitados da Terra, uma vez que há um na América, um na Europa, cinco na África e um transcontinental entre a Ásia e a Oceania. São eles: a República de Angola, a República Federativa do Brasil, a República de Cabo Verde, a República da Guiné-Bissau, a República de Moçambique, a República Portuguesa, a República Democrática de São Tomé e Príncipe e a República Democrática de Timor-Leste. Além dos membros plenos e efetivos, há três observadores associados que são a República da Guiné Equatorial, a República de Maurícia e a República do Senegal. Todos os três localizam-se no continente africano, mas apenas um tem o português como língua oficial, a Guiné Equatorial. Em Fevereiro de 2006 o governo autónomo da Galiza, reiterou o interesse do governo galego numa adesão oficial da Galiza como membro-pleno da CPLP.

 A galera faz caso de falar desta forma e não há acordo ortográfico que faça alterar este modo de gíria que vira moda com jeito e trejeito a juntar ao estilo de Angola aonde o estilo vira banga e ir embora é bazar. Esta língua Lusa é tão viva que anda á velocidade da Luua, diminutivo de Luanda que continua kada vez mais gira, aonde o kapa tomou konta do Kwanza que antes era Cuanza. Interpretar as coisas do Brasil ou Angola e o resto do espaço lusófono sem desobedecer aos cânones da língua culta materna, que viram praxe gramatical, geito de telemóvel e celular, vai ser obra dificil de sustentar. Na proxima encarnação não entenderei nada do original padrão materno. Será que os CPLP vão dar conta do assunto ou tudo isto fica assim mesmo?

Ilustrações Do álbum de Costa Araújo Araújo (Lima Júnior, artista plástico)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:45
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2012
MOKANDA DO SOBA . XX

“Mirigongo” – Que é isso? – 1ª Parte

Por

 Soba T´Chingange

O Nordeste do Brasil, preso á gramática portuguesa, é vitima de uma desintegração dolorosa de si mesmo. Os modernos escritores brasileiros que interpretam as coisas do Brasil, quando desobedecem aos cânones da língua culta e fogem às praxes gramaticais, fazem-no por ser essa a maneira de evitar a dissociação entre sua obra e eles mesmos. As língua alteram-se com a mudança do meio e, o modo brasileiro nordestino de falar,  diverge e há-de divergir em muitos pontos, da linguagem lusitana. São muitas as diferênças actuais, passando despercebidas por não haver um estudo feito neste sentido. O rumo definitivo da fala “Nordestina” só poderá ser determinada depois de estudadas as várias tendências regionais.

 Na linguagem usual de todas as classes, as palavras novas, esses recursos léxicos do dialecto, expressivos e cheios de vida, dão um aspecto colorido e original à conversação. O linguajares regionais nordestinos, sob os aspectos fonéticos e fonológicos, tem sido desde alguns anos atrás, uma preocupação das gentes de letras. Tal, não se deve à sua origem, mas também ao desejo de descobrir se as variações da língua portuguesa falada no nordeste são realmente regionais – diatópicas; hipótese sempre aventada pelos estudiosos do assunto, ou se são muito mais sociais - diastráticas, não marcando, assim, uma região, mas uma classe social, a dos menos escolarizados.

 Anos atrás fiquei chocado por ver em um bilhete de identidade brasileiro, o RG, o selo de “raça parda” em uma pessoa  que veio a ficar ligada à minha estima como compadre e, toda a familia era parda.  Conhecia já o termo de mameluco correspondendo a pessoas de origem europeia  cruzadas com nativos indígenas que, a meu ver, será o mesmo que pardo. A denominação foi dada pelos primeiros colonos lusitanos em terras brasileiras para qualquer mestiço. Estes destacaram-se na expansão do território a quem foi dado o nome de bandeirantes, tendo ultrapassado os limites do Tratado de Tordesilhas e como capitães do mato, em busca de metais preciosos trilharam terras longínquas desde os Andes e Rio de la Plata até o Orinoco. Com o tempo tomei conhecimento que a gente do mato, ignorante e ingénua tinha o nome de matuto, maioritariamente saídos da ligação entre índio e negro mas, este vocábulo é em realidade muito mais abrangente podendo ser referido a sertanejo, roceiro ou caipira. Mas há mais sinónimos tais como: babaquara, caipira, capiau, capuava, casacudo, jagunço, jeca, pioca, roceiro e tabaréu. Vejam o quanto se torna difícil o linguajar neste meio rural.

 Hoje fiquei a saber da “raça Mirigongo". Os holandeses também conhecidos por mafulos (ver Brasil em 3 penadas) administraram o Nordeste Brasileiro durante mais de quarenta anos sob o comando de Mauricio de Nassau até serem expulsos pelos Tugas em várias batalhas, culminando com um pacto assinado no ano de 1645 pelo luso-brasileiro saído da Ilha da Madeira, João Fernandes Vieira. Alguns desses holandeses refuguiaram-se no sertão das Alagoas miscigenando-se com os sertanejos tendo daí saido uma étnia (raça) de gente loira, homens e mulheres, ambos bonitas, feições arianas, de olhos azuis ou cinza a quem os índios xucurus chamaram de Mirigongo; As gentes do meio urbano chamam a estes de galegos mas em realidade, galegos são os Tugas oriundos da parte norte de Portugal, antigo reino Galaico-Dourience que se estende do rio Mondego até La Coruña em Espanha, actual Galiza.

Consulta bibliográfia: Escritos Alagoanos de Mário Marroquim

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:16
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012
QUILOMBO . VIII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

Por

 O Soba T´Chingange

Era nas areias das praias da Ilha das Cabras, berço do povo Muxiluanda, que os oficiais do Manicongo (o Rei do Congo) recolhiam os Zimbos (n´zimbos - conchas de búzios pequenos), que serviam de moeda corrente para transacções comerciais nas feiras muito activas nas feiras no interior das províncias do Antigo Reino do Kongo.

 O fim do auto acaba com súplicas, choros, gaiatices e gatimônias dos cativos sempre pedindo dinheiro aos assistentes que acabam por ceder para livrar-se da insistência e do perigo de ficar-se sujo com a fuligem das panelas agitadas a propósito. A rainha fica em posse do rei branco que se mantém distante das reisadas, cabaçais (de cabaço, virgindade) e zabunbas e chaganças, podendo vender a Rainha a quem mais oferecer. Extra folguedo, os conviventes continuam a sambar esquecendo as horas amargas da vida ao som das sanfonas, saboreando os tragos da branquinha cachaça.

 N´gola Kiluanje foi o lider destacado do Antigo Reino do N´dongo que fundou uma dinastia do que mais tarde se havia de vir a conhecer como o Reino de Angola. Nesse então compreendia, entre outros, os distritos da Ilamba, do Lumbo, do Hari, da Quissama, do Haku e do Musseke. Outros reis do Antigo Reino do N´dongo independente foram os Resi N´Dambi A N´gola,  o Rei N´gola Kiluanje kia N´Dambi, o Rei N´Jinga N´gola Kilombo kia Kasenda, o Rei M´Bandi N´gola Kiluanje(1592-1617), o Rei N´gola N´zinga M´bandi e a Rainha N´zinga M´bande (Ana de Sousa) que reinou de 1624 a 1626. Em 1626 os Portugueses conquistaram o Reino de Angola, passando este a ser vassalo de Portugal.

 E, estando eu divagando nisto ao longo da praia dos corsários, sou surpreendido por uma sombra que me acompanha e que susto, … a sombra da kianda vira gente na pessoa do meu ilustre amigo, que faz tempo não me visitava; desta feita, e com um simples olá, cumprimenta-me com cerimonia. Era Januário Pieter. Estou aqui para te saudar por este trabalho de busca e a propósito, diz ele, saí da minha Luua aonde acompanhei a eleição do meu povo de N´gola, das minhas praias da Samba e Corimba trazendo um colar de n´zimbos. Este colar, por minha vontade e previlégio, é para te regalar como prémio por nos recordares estórias passadas e mussendos desvirtuados. Sentados na areia, ali ficamos falando de outras coisas pondo em dia conversa atrasada; Ainda não totalmente refeito desta visita da kianda, tenso, esbugalhava os olhos reflectindo a espuma do iemanjá, esse grande mar misterioso da kalunga.

Final

Pesquisa bibliográfica: Cadernos de folclore de Théo Brandão – Quilombo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:39
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012
QUILOMBO . VII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

Por

 O Soba T´Chingange

No auto do quilombo a disputa pela rainha leva os reis preto e caboclo a um combate simulado, quase um bailado de guerreiro, misto de bassula e capoeira com esquindiva e finta, usando a espada, que só eles, reis, podem usar; os demais, apenas emitam a luta com seus arcos e suas foices de madeira, ao som alternado de suas músicas: Folga Negro e Dá-lhe Toré. Ao som deste bailado da comparsaria o rei dos Negros, como um leão acossado, defende-se valentemente mas, um golpe no peito fere-o de morte caindo pelo solo. O rei dos caboclos engiuiça-o, isto é passa por cima dele fazendo gaifonas de bravata. Isto é o sinal da morte do rei negro. Vendo seu rei morto, os negros, desorganizadamente refugiam-se no reduto, enquanto a rainha com um pires na mão vai pedir esmolas aos espectadores para a ajuda no enterro do defuntado que não chegou a tirar o cabaço àquela nobre dama. Milagre! O rei dos caboclos, fazendo cheirar o rei morto uma folha de jurema, este, desperta da morte.

Era nas areias das praias da Ilha das Cabras, berço do povo Muxiluanda, que os oficiais do Manicongo (o Rei do Congo) recolhiam os Zimbos (n´zimbos - conchas de búzios pequenos), que serviam de moeda corrente para transacções comerciais nas feiras muito activas nas feiras no interior das províncias do Antigo Reino do Congo. Durante séculos, Luanda foi o porto negreiro mais importante da costa atlântica de África. Os escravos eram guardados em áreas cercadas (currais) situadas na área actual das Ingombotas, durante a espera de embarque para o Novo Mundo. O primeiro cemitério para os escravos foi situado na área imediatamente a montante (acima) das Ingombotas, onde as campas razas eram assinaladas com cruzes. Os corpos dos escravos que morriam nos currais durante esta espera de embarque para a Passagem do Meio, que podia demorar muitos meses, eram levados para a área do Maculusso, imediatamente a montante das Ingombotas, onde eram sepultados ou, em muitos casos, simplesmente deixados como alimento às hienas, leões e outros animais selvagens que por aí rondavam em procura de alimento

 Naquele complexo de morte-ressurreição fica bem nítida a origem supersticiosa e tradição oriunda dos Kongos embora nestes folguedos haja inúmeras variantes de acordo com a improvisação dos intervenientes e detalhes de costumes desses locais tendo em alguns lugares a cobertura parcial da igreja com procissão na companhia de Nossa senhora dos Negros ou da Aparecida. Em Piaçabuçu, uma cidade situada quase na foz do Rio São Francisco, aparece uma onça em frente ao mocambo que é perseguida, depois de dançar aos assobios e latidos de negros que ganem como se fossem cachorros sob a regência da música das tabocas. A perseguição e captura da onça ao som da banda esquenta-mulher, dos cabaçais cujo ritmo e melodia imitam a perseguição de uma onça por cachorros. Tudo muito semelhante às festas dos Kimbos em que entra a figura de um espantalho vivo chamado de Chingange que com guizos e espalhafatosos movimentos de zabumba, leva determinado animal ao curral da paliça.

(Continua...)

Pesquisa bibliográfica: Cadernos de folclore de Théo Brandão no Brasil e José Redinha de Angola – Quilombo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:37
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2012
QUILOMBO . VI

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

Por

 O Soba T´Chingange

Os habitantes originais de Angola foram caçadores Khoisan, dispersos e pouco numerosos. A expansão dos povos Bantu, vindos do Norte a partir do século X a. C. forçou os Khoisan a recuar para o Sul onde grupos residuais existem até hoje, em Angola, na Namíbia e no Botswana. Os bantus eram agricultores e caçadores. Sua expansão deu-se em grupos menores, que se regionalizaram de acordo com as circunstâncias político-económicas. Entre os séculos XIV e XVII, uma série de reinos foi estabelecida, sendo o principal o Reino do Congo que abrangeu o Noroeste de Angola; a sua capital situava-se em M'Banza Kongo e o seu apogeu deu-se durante os séculos XIII e XIV. Outro reino importante foi o Reino do N´dongo, constituído naquela altura a Sul/Sudeste do Reino do Congo. No Nordeste da Angola actual, mas com o seu centro no Sul da actual República Democrática do Congo, constituiu-se, sem contacto com os reinos atrás referidos, o Reino da Lunda.

   O Império do Kongo era governado por um monarca, o manicongo; consistia de nove províncias e três reinos (Ngoy, Kakongo e Loango), mas a sua área de influência estendia-se também aos estados limítrofes, tais como Ndongo, Matamba, Kassanje e Kissama. A capital era M'Banza Kongo (cidade do Kongo).

Toda esta descrição da história de Angola serve para interligar com os hábitos e costumes transladados para o nordeste Brasileiro por via dessa emigração forçada, mão escrava a ser utilizada nos engenhos de açúcar. O auto do kilombo não é mais do que a transmissão dos ancestrais usos na mãe África mais propriamente a muxima (coração, saudade) que só era transmitida por meios orais ou em festividades que sempre se desenrolavam com longos batuques como pano de fundo, noite fora, antes do saque ou roubo, uma característica dos povos bantus em sua visão de actos heróicos.

Foto: Boa Noite com o talento marcante e inconfundível de David Gauchullt! Nesta brincadeira de auto do kilombo os donos dos objectos furtados, permitem tal feitura sabendo de antemão que tudo lhe será restituído; é um consentimento cultural que ainda hoje se verifica na vida real com atenuantes e até promiscuidade consentida nas sociedades das regiões referidas em África e América. Na sanzala, a banda de pífaros ou zabunda, pratos e reco-reco a que chamam de maracatu cantam: Aribu tem catinga, catinga tem. Debaixo da asa catinga tem. Quando a maré vasá, vamos cavá muçum (massunim, conquilha, mabanga), vamos cavá. Quando a maré vasa, que enchê, vamos cavá muçum pra comê.

(Continua...)

Costa Araujo Araujo Ilustrações de Costa Araujo Araujo (J. Augusto Mano Corvo)

Pesquisa bibliográfica: Cadernos de folclore de Théo Brandão – Quilombo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
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Sábado, 8 de Setembro de 2012
PIAÇABUÇU . IX

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“DOS JESUITAS AOS TUBARÕES” . 7

Por

 Roeland Emiel Steylaerts

Passaríamos primeiro em Botucatu, onde tinha uns conhecidos, e ficamos ali uns dias. Era uma colónia de Belgas vindos da África, que tentavam estabelecer-se ali. Brigas internas, terras péssimas e demais coisas, tornariam a tentativa num fracasso. Ficaríamos na casa do casal Elza Schuerewegen e Leon, e seus dois filhos, que nos receberem muito bem. Estavam criando centenas de galinhas. Todos tinham recebido boa indemnização em dinheiro do governo da Bélgica por terem sido obrigados a abandonar a colónia do Congo Belga; esse dinheiro, que nunca devolveriam, seria para recomeçar vida nova no Brasil. Iniciaram por fazer as suas casas, por sinal muito boas e, cada qual tratou a seu modo de fazerem suas plantações. Sei que passado algum tempo, pediriam mais dinheiro a seu país, para outras coisas de utilidade indispensável mas, a meu ver, acostumaram-se mal,... Aos poucos, a grande maioria de ex-colonos voltaria para a sua terra de origem na Bélgica. Que eu saiba os créditos forem sendo esquecidos até à presente data.

 Era uma colónia bastante esquisita. Uma das mulheres, chegou da Europa de barco a Santos (SP), sem falar a língua, e disse para um taxista do porto que queria ir a Botucatú; um belo frete de 320 km. Qual não foi o espanto do motorista, que após chegar, lá no acto de receber... este teve que ouvir... “Pagamento só in natura”. A mulher não tinha dinheiro, e queria pagar com o próprio corpo. Depois de uns quatro dias fomos rumo a Goiânia, perto da Frutal, em Minas; a estrada era um alagadiço com filas de caminhões enterrados na lama, enquanto o nosso Buick passava ao lado, devagar...mas seguro. Era baixo, cheio de bagulhos, mas tinha bom motor. Só atolamos umas três vezes, sempre ajudado pelos motoristas dos caminhões.

 Chegou a noite e dormimos no carro... sentados, cada um com uma espingarda na mão. Finalmente chegamos a Goiânia, onde vendi a minha máquina de escrever. Dormíamos num posto de gasolina, todos os quatro num quarto só. Os pernilongos (mosquitos), eram por demais, um problema sério pois atacavam aos milhares, num calor fora do comum. Não havia ventilador... Um inferno! Ficamos uns quatro dias por lá, pois o carro começava de vez em quando a apresentar alguns problemas, especialmente na parte do motor de arranque.... a juntar preocupação pelos peneus carecas... e, de vez em quando, a parte eléctrica. Entretanto procuramos fazenda para comprar (em condições) e caçamos nos arredores, que ainda eram bem selvagens. Naquele tempo era mais simples comprar sem dinheiro, pois todos eram aventureiros, e pioneiros. Tínhamos  antes, mandado para Goiânia via ferrovia, um lote de pés de metal para mesa, que já deveriam ter chegado. Fomos à ferrovia, e realmente a mercadoria já lá estava. Meu pai pediu-me para ir a Brasília, onde havia umas fábricas de móveis acabando por vender todos os pés a preço barato para um fabricante de lá; tínhamos assim, um pouco de dinheiro para enfrentar um precário futuro.

(Continua...)

Ilustrações: - Di Cavalcanti - Tarsila do Amaral . Br

Nota: Esta é a estória vulgar de um emigrante Belga fugido da guerra que se aventurou em terra estranha do outro lado do Oceâno. Os tempos mudaram, as agruras são outras mas a vida é assim mesmo, um rodopio de acontecimentos que parecendo nada, mudam o rumo.

Compilado com correcções ortográficas e arranjo ao texto original por

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:22
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2012
QUILOMBO . V

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

Por

 O Soba T´Chingange

O auto do quilombo tem algumas variantes em sua acção mas é no estado de Alagoas que esta forma de brincar a vida está mais apegada às gentes porque foi para aqui que maioritariamente foram encaminhados os escravos oriundos de Angola.  As reisadas ou folguedos do auto do kilombo desenvolvem-se em três etapas a saber: à noite , na véspera efectua-se o saque ou roubo e o batuque; pela manhã, no dia que se segue há o resgate e à tarde a luta.  O saque é chamado de “Roubo da Liberdade” que em esta brincadeira carnavalesca, tem o beneplácito dos roubados com vista grossa da fiscalização e polícia. Os negros surripiam tudo o que encontram: animais, móveis, utensílios de pesca, ou da agricultura , veículos e tudo o que se possa imaginar. Após o roubo celebra-se o batuque enaltecendo os heróis do feito e comemorando  o casamento do Rei dos Negros com a Rainha de N´gola.

 O Reino do Kongo foi um reino africano localizado no território que hoje corresponde ao noroeste de Angola, a Cabinda, República do Congo, a parte ocidental da República Democrática do Congo e à parte centro-sul do Gabão. Em realidade, estendia-se desde o Oceano Atlântico,  até ao rio Cuango, a leste, e do rio Oguwé, no actual Gabão, até ao rio Kwanza. O reino do Congo foi fundado por N´tinu Wene, no século XIII. 

 A banda de pífaros ou zabumba conhecida por “banda esquenta-mulheres” incluindo um tambor surdo e outro chamado de taró e pratos, pandeiros e zangá inicia o semba chamado de maracatu, enaltecendo o desfolhar das virtudes de donzela por retiro do “cabaço” popularmente definido por “tirar os três”, o desfloramento. E cantam repetidamente: Forga nego, branco não vem cá; Se vinhé, pau é de levá. Tiririca, faca é de cortá. Forga parente, caboco não é gente. Até às cinco horas da manhã, a panelada que se cozinha no rancho ou sanzala e casas das adjacências: carne de boi xamburi, com osso de tutano e mocotó, verduras de maxixe, quiabo, jiló, gimboa, couve e jerumim  com charque, temperos de azeite ou dendem com pirão escaldado ou coberto com farinha de mandioca no caldo de funge da panelada. A banda esquenta-mulheres acompanha o bailado dos actos nas várias fases dos autos da comparsaria. Um folguedo reputado como característico das Alagoas e, no consenso da maioria dos estudiosos brasileiros, interpretado como uma sobrevivência histórica da célebre Trola Negra que se estabeleceu em terras da então capitania de Pernambuco, que é o auto ou dança dos quilombos.    

(Continua...)

Pesquisa bibliográfica: Cadernos de folclore de Théo Brandão – Quilombo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:10
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2012
PIAÇABUÇU . VIII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“DOS JESUITAS AOS TUBARÕES” . 6

Por

 Roeland Emiel Steylaerts

Começamos em 1967, pegando cada noite um tambor de 200 litros de água para lavar os pratos, lá na 406 Sul no posto Cascão. Terminamos vendendo o terreno para o Constantino, da GOL linhas aéreas, em 2001. Sei que fiz meu curso de piloto, parte teórica, nesse lugar, naquele banquinho, no caixa sob uma luzinha amarela. Hoje em dia não aguento música, pois fui obrigado a ouvir música alta e repetida o tempo todo a pedido da clientela. Hoje prefiro o silêncio e a solidão, mas cada um vive sua época, gostando ou não.

 CHEGANDO À CAVALCANTE (1972)

Estávamos no ano de 1965. Resolvemos tentar a sorte! Saímos da cidade grande de São Paulo, onde praticamente passamos fome. Muitas vezes andamos a pé, pois não tínhamos o dinheiro para o ónibus. A fome, na cidade e, quando se passa por um restaurantes cheio de clientes, comendo do bom e do melhor, dói não só o estômago, mas principalmente na mente. Sente-se a grande desigualdade social e ficamos revoltados. Anos depois passei outro tipo de fome, na mata Amazónica, cheio de dinheiro. Mas, o que fazia falta era a comida e não a desigualdade... é só adaptar-se, e comer-se o que há, ou inventar o que poderia servir... Em São Paulo, Já havíamos tentado a importação de relógios, gastando os últimos tostões nesse sonho. Depois fabricamos pulseiras para relógios em perlon, com um ferro de soldar. Meu pai vendia-os no dia seguinte para podermos comer, pois assim vivíamos sem saber o que traria o dia seguinte. Tentamos também fabricar moveis para jardim, peça por peça, que eu fazia, com tubos de alumínio, trazendo-os á pé desde o outro lado de São Paulo, pois não tinha dinheiro para o transporte; Os tubos tinham 6 metros de cumprimento e eu trazia 3 a 4 de cada vez; recordo o quanto pesavam passados alguns quilómetros, parecia serem de chumbo.

 Minha mãe fazia os assentos e encostos na máquina de costura, comprada no crediário. Meu pai fazia a venda de algumas peças, até que um dia, nos encontramos em casa sem nada para comer. Procurei no fundo do armário, e achei só três pães duros de dias atrás e uma cebola velha, vencida. Dividimos o que tinha e decidimos mudar de estado. O aluguer estava atrasado e não tínhamos nenhuma previsão a curto ou longo prazo. Ainda falávamos mal o português! Resolvemos ir para o Norte de Goiás onde thavia muito minério, e... ilusão. Mas, a aventura da sobrevivência, movia a todos nós;e, interrogavamo-nos: foi para viver isto que viemos para o Brasil.!? O dia seguinte, meu pai comprou um velho carro americano Buick 1948, uma verdadeira peça de museu, mas com... seus devidos defeitos, visto ser uma verdadeira velharia. Deve ter sido fiado, pois não tínhamos dinheiro! Ainda tínhamos uns 500 pés de mesa, que nem me lembro de onde vieram, que mandamos para Goiânia. Vendemos as poucas máquinas e mais alguns bagulhos e fomos rumo ao Oeste.

(Continua...)

Ilustração: - Di Cavalcanti  . Br

Nota: Esta é a estória vulgar de um emigrante Belga fugido da guerra que se aventurou em terra estranha do outro lado do Oceâno. Os tempos mudaram, as agruras são outras mas a vida é assim mesmo, um rodopio de acontecimentos que parecendo nada, mudam o rumo.

Compilado com correcções ortográficas e arranjo ao texto original pelo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:51
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2012
MULUNGU . XX

“José Luís ” . O vereador

Por

 O Soba T´Chingange

A ideologia, na filosofia, é o suposto senso comum na compreensão do mundo resultante da herança de um grupo social e suas experiências, pensamentos, de doutrinas ou de visões, orientando suas acções e, principalmente, as políticas. Neste contexto e sem agitar bandeiras de concepção crítica, coisa que me tem penalizado o ego ao longo da vida, alinho-me ao lado do meu amigo Zé Luís do PT e PSD do Brasil, que sem dissuasão, me convenceu estar por bem com sua candidatura ao cargo de Vereador de Marechal Deodoro. E, neste propósito apoio-o, sem me considerar alienando à sua pretensão, porque simplesmente na qualidade de residente, não tenho direito a voto na escolha do Prefeito e seus colaboradores. Estou politicamente, não indiferente mas, em “banho-maria”! Simplesmente!

 José Luís – O candidato

O mar lambia a areia depois de rolar ondas brancas encapeladas no recife com cor de verde-esmeralda e longínquos azuis. E, lá estavam os habituais dez barcos balouçando o horizonte com nomes já fixados na mente por tanto balouçar, os massunim, o tubarão dourado, o WM3, o cristal e o siri com caimbra. Já saindo da praia, bem no topo da orla em falésia e bem perto da escola de mergulho escocuba, deparo com a luzidia camioneta preta soltando recados na fala de Lula: - votem no meu amigo Zé Luís, da Praia do Francês, o melhor que tem por lá em honestidade e vontade de trabalhar no vosso bem. Era mais ou menos assim a fala com ritmo de kuduro bem empolgante para fazer um forró animado. Na foto, com fundo branco, com o meu amigo entre Dilma na direita e Lula na esquerda, Zé luís sobressaía como o candidato do PT e o PSD para vereador na prefeitura de Marechal Deodoro.

  FRANCÊS... Praia dos corsários !

Isso mesmo! A estampa, estava pintado com fermentação de vontade; isto não era um se-não mas um se-sim! Não resisti dar um paço de dança esboçando no ar o espanto dum movimento quase erótico. Não esquecer que o ritmo quente do kuduro saiu do outro lado do oceano na terra que me viu crescer, Angola. A brisa perene, passando a areia, subindo a encosta entre coqueiros, dava ânsia de frescura ao desejo de Zé Luís ali apresentado em abraço cordial com seus parceiros do topo. Entre o contraste azul distante e o verde marinho cercano, soprava vontade; ali a natureza conciliava-se com a poesia e o desejo de querer. Agora é vez de Zé Luís Silva! Se eu pudesse votar meu amigo, tu serias o meu santinho! Desta brisa do Francês, praia de antigos corsários e ladrões de pau-brasil tem-se desprendido um labirinto de manipulações e interesses de políticos corruptos; é tempo de despir preconceitos dando voz a um homem da terra que entende como ninguém os humildes pescadores que sobrevivem de lá para cá e vice-versa lançando suas redes artesanais p´ra catar uma meia dúzia de tainhas. È este, o candidato!

 Zé Luís quer mudar vivências, atitudes novas no relacionamento com as gentes da terra e do mar e fazer considerar a todos que esta gente não é pobre nem vagabunda! E, o que vi? - Gente que em plena praia supera a vida, vendendo de tudo; coco frio, ostras, queijo assado cerveja, redes e um sem fim de sobrevivências, gente do isopor, envelhecida na vontade de mudar. Em carrinho improvisado, como inventação de criança, passa a discoteca ambulante vendendo forró, xote, fevro, pagode, axé e baladas repentistas; tudo, tudo disquetes piratas. Eu e Zé, junto à barraca francesinha, com fresquinhas, suco de graviola e macaxeira assada demos largas às conversas enfiadas nas crenças de vitórias com rastos de aviões. O tema agora é Zé Luís! A regular a visão, passam bundas bronzeadas de cortar o fôlego e entupir desesperos castanhos; torneadas até cima cortam o horizonte que no vaivém destapam a vontade de viver. Zé Luís está na chapa de Júnior Dâmaso como prefeito e Fifi como Vice. A nossa luta é a fome zero e dar condições à gente do mar mantendo as tradições... não é só de comida que um povo vive e, um país não pode só viver dos actos de solidariedade ou caridade; parece ser urgente dignificar e incrementar iniciativas que garantam bem-estar aos Deodorenses tais como: " desemprego zero, violência zero, analfabetismo zero e sem-cultura Zero. A boa funcionalidade dos Órgãos de Estado não são melhores pela quantidade! Disse, ao nos despedirmos.

Mulungu: Arvore ou  planta medicinal com efeito ansiolítico, antidepressivo, tranquilizante, sedativo, hepatoprotetor, hipotensivo, entre outros. 

Gravura de tarsila do Amaral

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:13
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Domingo, 22 de Julho de 2012
MOKANDA DO SOBA . XVI

 “KALULU COM NOSTALGIA- 3ª de 3 Partes

Por

 T´Chingange

Alguém entretanto ligou outra kitoca, penduradas no tamarindo que rufou um merengue bem mais animado do que aquele raska do Sambizanga … Acabada a refeição para os candengues, saímos correndo para a praia, felizes com a língua ainda a arder. Quando voltamos os kotas já sornavam nas esteiras ou giboiavam nas redes entre as árvores e até estirados nos sofás de aduelas de barril feitas pelo tio Pika… E sem que tivéssemos combinado nada, gritamos ao mesmo tempo: -Titia Zefa: falta aquela baba de camelo que a senhora falou; queremos isso mais o pudim que mamãe Xica falou!! Titia, sem mostrar cansaço juntou ternura às guloseimas; emocionada, passou-nos as mãos pelas cabeças e disse baixinho para não acordar os kotas, mais-velhos. Desconsegui esquecer estes momentos da minha infância.

 E bem longe daqueles sítios prometemos, eu e Tó da Cuca repetir estes momentos de deixar esperteza aos matumbos, matutos e mamelucos das terras de Vera Cruz. Teremos outros peixes a substituir as mariquitas, roncadores, pargos e garoupas e, adicionaremos Chuchu, maxixe e jiló aos condimentos. Só não meteremos saca-saca porque não sabemos como preparar essa iguaria de folha de mandioca mas, iremos tentar adivinhar. As anáforas da vida, aqui como em muitos lados, também se repetem nas corajosas tarefas positivas - recordar o passado.

 A ciência leva-nos a pensar que o Universo que nos cerca é inteiramente racional ou matemático mas, a vida nesta praia de Vera Cruz retiro antigo de corsários franceses e holandeses, com gente gira actual, tem mais imaginação do que muitos princípios complexos da filosofia. Envoltos num permanente inconformismo conciliam pontos de satisfação feito kizomba em fundo de quintal. Entre coqueiros, descobrimos que as horas são feitos destes pequenos nadas, segundos de confraternização; na escala de valores, num truz, reencontramo-nos a nós próprios. A sociedade actual tão ferida por egos, usos e costumeiras anomalias doentias, tem necessidade de recorrer a esta simples acção de partilhar o tempo, a palavra e sabores; fermentos para se fazer o bom pão. E, o dia foi-se!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:32
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Sábado, 14 de Julho de 2012
PIAÇABUÇU . VII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“DOS JESUITAS AOS TUBARÕES” . 5

Por

Roeland Emiel Steylaerts

Todos foram bem servidos, e daquele dia e por seis anos, a casa estava diariamente cheia, não só com aqueles diplomatas, mas toda a alta sociedade de Brasília. Naquele tempo ninguém tinha casa, as embaixadas, só tinham o terreno, enquanto o restaurante Xadrezinho tinha a fama. Lembro-me que todos os anos fechávamos por uns 15 dias para gozar férias, e para fazer reformas. Naquela noite dormi no meio do salão escuro, quando senti passar por cima de minha cabeça uma aranha caranguejeira. Fiquei apavorado, mas... relativamente controlado e quieto, até que ela passou de meus cabelos… Uff!... Dei um pulo gritado procurando a luz. O aracnídeo continuava seu caminho mas, resolvi mata-la. Com ela viva rondando por ali, não poderia dormir tranquilo. Deitei-me de novo, agora com a luz acesa. Naquele tempo, Brasília ainda estava grudada na mata do cerrado, e quando menos se esperava apareceriam bichezas, umas inofensivas, outras perigosas.

 Porque tinhamos 250 lugares, acabamos por fazer as festas das embaixadas ainda sem edifício próprio no Restaurante . Às embaixadas já prontas deslocávamo-nos até elas. Cheguei a fazer a reinauguração da embaixada da Holanda para 2.000 pessoas. Fazíamos festas de casamento entre outros eventos por encomenda. O dinheiro entrava e, cumprindo meu grande sonho, comprei meu primeiro avião (o único particular de Brasília), um velho Stinson 1948. Servimos os presidentes da república por 30 anos, desde Juscelino Kubitschek a Tancredo Neves que era freguês de todas as tardes. Sei que o finalzinho de Tancredo Neves foi num ai de trombose; entrou já morto no hospital, mas foi mantido vivo por questões politicas; João Batista Figueiredo, só tomava água mineral; De todos os fregueses deputados, Ulysses Guimarães, era o menos simpático. Tivemos também como cliente o presidente Castelo Branco, O Garrastazu Médici, o Costa e Silva que veio a ter um derrame no avião por motivo de fofocas; O Ernesto Geisel; o Fernando Collor... Enfim!

 Recordo também o ministro Delfim Netto, os vários embaixadores, quase todos! Quanto a artistas, por ali passaram Elis Regina e Secos e Molhados. Posso dizer sentir muita honra por termos servido os presidentes da república durante 30 anos fazendo do restaurante Xadresinho uma referência comparada aos melhores do mundo. A minha mãe sempre dirigiu a cozinha, inventando novidades culinárias a cada dia com mão de fada. Sempre com a cobertura da imprensa, terminamos tendo três fogões industriais, sete pessoas trabalhando na cozinha, maitre e garçons no salão. Eu fiz durante anos o trabalho de disque jóquei, com discos LP e fitas K7, sempre em local obscuro, usando caixas de som grandes bem ao meu lado. Preparava as festas que fazíamos para fora, e foram centenas, e tratava do relacionamento com a imprensa. Acabamos por comprar a casa e o lote da Terracap. Meu irmão, que tratou dessa compra, acabou por ser o dono do local. Depois da morte de meu pai tratamos de vender o espaço que quase ficou para o Wagner Canhedo da Vasp mas, que ao fazer suas exigências, não podendo ser cumpridas, o negócio ficou em nada. O clube ASBAC ao lado, criou caso, não querendo fechar a sua saída de emergência, que gentilmente foi cedido por nós.

(Continua...)

Ilustrações: - Lasar Segall . Br

Nota: Esta é a estória vulgar de um emigrante Belga fugido da guerra que se aventurou em terra estranha do outro lado do Oceâno. Os tempos mudaram, as agruras são outras mas a vida é assim mesmo, um rodopio de acontecimentos que parecendo nada, mudam o rumo. 

Compilado com correcções ortográficas e arranjo ao texto original pelo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:38
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Quinta-feira, 12 de Julho de 2012
MOKANDA DO SOBA . XV

“KALULU COM NOSTALGIA - 2ª de 3 Partes

Por

Foto: 12.08.11 - 14ºDia de Férias T´Chingange

A gente esperava o finalzinho. Lhe prometemos silêncio quando botava a gimboa verde a ser espalhada na misturada suculenta e titia já dispondo com rigores geométricos o peixe no panelão, botando uma cerveja de Cuca no fantástico alaranjado. Depois ainda uma pequena tigela com uma mistura de água e fuba de mandioca, para engrossar o molho. E mais, umas delicadas mexidelas para não magoar os peixes, dizia. E só neste momento tia Zefa tampou a panela, deixando porém uma pequena abertura, deixando escapar aqueles tentadores vapores., A gula dos mais velhos, kotas mesmo, já se abancavam com as respectivas cucas na mão tapiscando torresmos, tremoços e jinguba p´ra entreter... E agora, já uma outra panela com água fervente para bater a fuba, farinha de mandioca bem fininha que logo, logo, se transformava numa potente cola, combinação deliciosa naquele divinal molho.

Hii!, Uáaa! - todas as bocas salivando espanto, narizes snifando apuros, o mundo cheirando a kalulu, cheirando a Tia Zéfinha com perfume de ternura… A criançada numa outra mesa mais baixinha e com dois bancos corridos, faziam maka beliscada de guinchos; colheres de alumínio nas mãos, excitados, contentes na primazia do atendimento. Os kotas já tinham seus tremoços, chouriço e torresmo… Tia Zefa sempre deitava a comida no prato pedagogiando palavras: comer devagar, atenção com as espinhas, limpar a boca antes de beber a gasosa, bom apetite, comam devagar… brincar, só depois; se arder muito na língua…vocês que pediram, não se podem queixar…! As demais senhoras iam chegando da sala gabando seus bolos e guloseimas para o final da kizomba.

 Kinito, se gabafa  de ter ajudado titia com seu pau sacado de uma vassoura para mostrar sua banga  de bater a fuba; batidas rítmicas de merengue da cassete do sambizanga: sentado num pequeno banco, panela bem presa nos pés, Kinito era todo bangula ninita  batendo e revirando a massa; e já a tarefa a ficar-lhe difícil, a cola a agarrar-se teimosa nas paredes da panela, ameaçando embolhardar; ele transpirando e virando seu ritmo para a banda fekula, jeito vulgar para o matulão Kinnito, o mestre de bater o fundje, que logo, logo se extravasou nos intentos de botar suor transpirado na puxada funge. Afinal eram só mesmo umas bagas do seu AdêEne. Com umas ameaças de bassulas puxadas do mais velho Beto, ele se acalmou no cansaço. A massa obedeceu, ficou pronta, lisinha, delicadamente sacada da panela para uma travessa com a ajuda de uma colher molhada em água morna - para não colar - e já o panelão se sentava à mesa nas mãos de tia Zefa, a rainha da kizomba.

(Continua...)

O Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:48
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Quarta-feira, 4 de Julho de 2012
MOKANDA DO SOBA . XIV

“KALULU COM NOSTALGIA” - 1ª de 3 Partes

Foto: 12.08.11 - 14ºDia de Férias Ontem, pela segunda vez, fiz uma muamba de galinha à maneira de Angola; Todos gostaram mas o Tó da Cuca transpirou gosto pelos poros chegando a afirmar que este era sem dúvida a melhor especiaria do mundo.  Acho que exagerou mas, creio que o segredo está no amor que o cozinheiro dedica quando mistura todos os ingredientes e os vai metendo no panelão no preciso momento, dedicando especial atenção ao jindungo, quantidade na justa mediada de forma a ficar ao agrado de todos. Tó da Cuca, ajudou-me a cortar em pedaços pequenos a aboborinha, maxixe, beringela, chuchu, e transpirou a fazer o funge de mandioca á maneira da Luua; aqui chamam ao funge de pirão, que é por norma demasiado aguado, feito em caldo da especiaria que se está a fazer mas, nós camundongos gostamos do pirão do jeito cola-de-fuba, de forma a se fazer um bolo que se vai empapando no dendem  dando-lhe  o sabor característico.

 Casa do T´Chingange (Com banga)

Na euforia do pós tacho cada um de nós recordou o cacussu do panguila e das comezanas do fundo de quintal bem por debaixo da mulemba no lugar da Corimba ou na varanda da casa da Terra Nova. E começa a descrição: tia Josefa mune-se de faca bem afiada e corta as cebolas em metades, depois meias rodelas grossinhas; a seguir a abrobinha segundo a mesma lógica e tudo para dentro de um panelão enorme; chega-o ao fogo, acrescenta-lhe uma boa porção de azeite de dendem mexendo, mexendo com a colher de pau kibaba de raiz, a cada aleatório fervilhar, sem regra feita. E logo se podia contemplar o início de uma maravilha; aquela cor alaranjada de mágico cheiro invadindo os olfactos dos kambas da vizinhança. Agora a beringela, cortada em cubos... Uma pitadinha de sal, uma malagueta de jindungo... –E os quiabos tia zefa? - Perguntava, como mestre cozinheiro, que já gostava de ser um dia. Ainda não é hora deles, esclareceu a tia. Porquê? - sempre os curiosos porquês dos futuros mestres... -Porque são muito tenros e desfazem rápido. Se eu os botar agora, no final, só vais comer fio e semente de quiabo, mas não o quiabo... Aaaah!

 Cheirinho bom invadindo o ambiente, saliva emaciando nas nossas bocas candengues  “na sua volta”  trapalhando a tarefa. E titia já colocando os peixes em posição de mergulho, cortados em metades... Agora vou só botar uns pouquitos quiabos assim abertos para largarem aquela baba boa no molho, mas não ainda todos; esses outros todos só vou deitar quase na hora do peixe seco, um pouquinho antes. Peixe e quiabo coze depressa, vocês sabem, né? Nós, candengues, não sabíamos, mas só falavamos: Ué, tia Zefa! E mais mexidas, delicadas reviravoltas nos legumes plenos de magia de palma… Neste preciso momento... esclarece titia – tá na hora de colocar os quiabos, depois de lhes cortar as pontas, e mais uma´porçãozinha de pequenos jindungos onotos, assim fechados... sem abrir, para não picar muito por demais nas crianças... Titia! -mas a gente todos, gostamos de jindungo...cosquinhas na língua, hihi!, fala um. Titia ri, e então bota mais uns dois ou três, lá para dentro...

(Continua...)

O Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:19
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Terça-feira, 26 de Junho de 2012
PIAÇABUÇU . VI

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“DOS JESUITAS AOS TUBARÕES . 4

Por

 Roeland Emiel Steylaerts

Entretanto, meu pai que morava na casa nocturna, pegou o americano tentando “dar em cima de minha mãe”, pegou a carabina winchester dele, calibre 44 e colocou-a em seu peito; o caso foi parar à polícia. O americano fechou a casa e voltou aos Estados Unidos. Meus pais, passados uns dias, foram convidados pelo dono do restaurante Roma aonde eu trabalhava, para darem uma ajuda com algum benefício. Simon, o dono, iria de férias para Israel deixando seu filho Fernando Pitel de 12 anos aos cuidados de meus pais, durante essas férias; Havendo acordo, o carro do israelita, um Fissore, ficou também entregue a meu pai; isto, proporcionou-lhes por dois meses passear mais além da vizinhança conhecida. Num daqueles dias, passando pelo Lago Sul vimos em frente à água do lago num grande terreno uma construção em ruínas. Meu pai, entusiasmado quis logo saber quem era o dono, pelo que falou com os moradores ao redor e, foi num clube vizinho de nome o “Cota Mil Clube”, que soube ser do Clube de Xadrez, que curiosamente nunca funcionou.

 Com o endereço do presidente na mão, a ele se dirigiu; um apartamento na Asa Sul (visto de cima, Brasília tem a forma de um avião). Meu pai conversou com o presidente do Clube, tendo adquirido tal casa em ruínas e terreno. A planta da construção que estava inacabada, e abandonada, foi feita por Oscar Niemeyer o obreiro de Brasilia. Um raio que acabou por destruir aquela estrutura causou desânimo em seus associados que por este pretexto e sem dinheiro, se viam impedidos de qualquer iniciativa. Os vários sócios do Clube de Xadrez, acharam por bem aceitar um contrato por 10 anos, que meu pai propôs; as condições eram a de poder explorar o clube como restaurante, comprometendo-se por acta a acabar o prédio tal como estava delineado em planta do famoso arquitecto. Eu, continuei a trabalhar no restaurante Roma enquanto as obras avançavam com material fiado em Brasília; nesse então e, em Brasília os empréstimos para a construção eram facilitados pela banca.

 O nosso novo restaurante lá se acabou. Saí do Roma com algum dinheiro, o que serviu para a compra dos pratos e copos. Recordo que o fogão de marca Dako, de um tipo caseiro de quatro bocas, já era usado. O bar nocturno ao lado do restaurante, tinha uma vitrola (gira-discos), de um só disco; estava colocada no canto do restaurante, aproveitando a ténua Luz; só tinha seis Disco LP e, lembro-me haver um de Roberto Carlos e, um outro de Elsa Soares. No dia da abertura a 24 de Dezembro de 1967 tivemos apenas um cliente... e era convidado... tudo de graça. Tínhamos dois garções (empregados) e um “maitre” (chefe).... Nenhum freguês”! Meu pai viu-se obrigado a procurar apoio na Embaixada Americana em Brasília, uma das poucas que tinha naquele então na cidade e garantiu abrir um restaurante fino, para os diplomatas americanos frequentarem. Porque se estava em plena época da guerra fria entre os blocos Russo e Americano, meu pai alegou que caso não lhe dessem “bola” iria fazer o convite aos russos; ficou por isso mesmo. Na noite seguinte, todos na porta... cheios de desânimo. E, não é que dum só suspiro, chegam  bem uns quinze carros, todos importados;  eram os Americanos…Eureka!

(Continua...)

Nota: Esta é a estória vulgar de um emigrante Belga fugido da guerra que se aventurou em terra estranha do outro lado do Oceâno. Os tempos mudaram, as agruras são outras mas a vida é asim mesmo, um rodopio de acontecimentos que parecendo nada, mudam o rumo.

Compilado com correcções ortográficas ao texto original por

O Soba T´Chingange



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Sábado, 2 de Junho de 2012
PIAÇABUÇU . VI

 {#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
        “DOS JESUITAS AOS TUBARÕES”3
Por
      Roeland Emiel Steylaerts
O COMEÇO EM BRASILIA
Cheguei a Brasília, vindo de Cavalcante, acompanhado de meu pai. Era final de 1966, estava sem dinheiro, com uma calça e uma camisa e um anel de ouro no dedo; cueca nem me lembro se tinha, pois esse tempo ficou longe. Meu pai tinha alugado um apartamento na W3 Sul, onde minha mãe e irmão nos esperavam. Fomos obrigados a dormir no chão pois ainda não havia móveis. Meu irmão tinha arrumado um serviço na recepção do Hotel Nacional; mais tarde virou gerente da agência de viagens BRASTUR, na mesma galeria do Hotel tendo sido posteriormente chamado para trabalhar na Embaixada Americana, onde trabalhou vários anos. Meu pai arrumou um serviço de hotel na Ilha do Bananal, no meio dos Índios Carajás, no rio Araguaia. A proposta era convidativa e, eu e minha mãe iríamos juntos; acabamos por ficar ali só dois meses, pois que por falta de pagamento tivemos que voltar.
 Índios Carajás

O hotel realmente era chique, cheio de conforto mas cadê os clientes?... Voltamos a Brasília, no mesmo velho DC-3 da FAB. O dia seguinte foi atrás de trabalho e, encontrei um provisório serviço de “caixa” no restaurante Roma, para a época de natal. Os donos eram um judeu Belga de nome Simon Pitel, e um certo Marcel Heirbaut, que tentou dar depois um golpe ao primeiro, quando este tirava férias. Meus pais arrumavam a gerência de uma casa nocturna, no Lago Norte, ainda totalmente isolado, chamado “Living Room”. O dono, era um casal americano, que também tinham um hotel feito em madeira em cuja Asa Norte na via 714, estava fechado e lacrado pela polícia... não sabíamos qual o motivo e qual o mistério envolvente. Eu, todos os dias ia a pé àquele hotel de madeira do americano; com autorização dele, entrava pela janela, dormindo num dos quartos, sem luz eléctrica. Era bastante longe e demorava mais de duas horas para chegar da via 710 Sul á via 714 Norte.
 Brasilia

Naquele tempo, felizmente não havia ladrão, nem trafico como hoje. Era tudo muito tranquilo. Poderia ter pedido um passe para pagar o transporte de ônibus, mas meu orgulho era forte demais, e preferia ir andando. Depois de duas semanas, o dono do restaurante onde eu trabalhava, falou que por cima do estabelecimento, no primeiro andar, tinha um quartinho, sem luz, com a fechadura quebrada, mas que dava para dormir. Do lado tinha um banheiro sujo e nojento, também sem luz, e com um cano que servia de chuveiro, só que eles guardariam ali os sacos de arroz do restaurante. Aceitei na hora, e comecei a dormir naquele cubículo. Todo o dinheiro que ganhava era guardado, tostão por tostão. Abri uma conta no Banco da Amazónia, pensando que meu futuro estaria ligado a essa região misterioso, e comecei a depositar. Comprei um sofá usado, e um lampião a querosene. Naquela época tinha uma turma de militares americanos, fazendo os mapas aerofotogramétricos do centro-oeste, e já que eu falava inglês, viraram clientes do restaurante. Comecei a lançar a Caipirinha em Brasília, que não existia ainda por lá naquele tempo e, aí, comecei a comprar uns pacotes de cigarros e alguns litros de uísque importado, que  depois revendia a bom preço.
De um livro de uma vida, não editado, compilado com ligeiras correcções ortográficas ao texto original de Roeland Emiel Steylaerts por
O Soba T´Chingange



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Sábado, 26 de Maio de 2012
FRATERNIDADES . XXIII

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DE STELLA

 “O TEMPO O EGO E O MISTÉRIO DA VIDA”

O paraíso está aí! Coisas simples à beira duma Lagoa - sítio da Dona Maria! No encanto de palavras emprestadas ou mesmo suas, iremos torná-las como nossas; Stella, passará a ser a embaixatriz do paraíso da Manguaba – A "KIANDA" (Sereia) do reino de Manikongo, A Ninfa da Manguaba

 Stella Pugliesi

Todas as vezes que algo não dá certo, temos a chance do recomeço. Se as chaves que usamos não abriram as portas que desejávamos, se os fracassos momentâneos nos levaram desânimo, é hora de utilizar forças da natureza, da qual somos filhos. Todos os dias, tudo recomeça e, a cada amanhecer, surge uma nova chance para iniciarmos um novo caminho. A Bíblia diz que a origem de todo o mal é o orgulho e disso todos temos, pouco ou muito. Esse mal deve ser reparado, pois o sucesso nos nossos relacionamentos depende da simplicidade, sinceridade, e muito HUMILDADE. P´ra quem não sabe, humildade não é ser pobre; é saber reconhecer os próprios erros: que não somos melhores do que ninguém e que o perdão, usá-lo, pedi-lo na proporcional necessidade, só pode trazer felicidade!

 No sítio da Dona Maria

Apaixone-se por alguém que lhe dê afeto, que espere, que o/a compreenda mesmo na loucura, por alguém que o/a ajude, que o guie, que seja seu apoio, sua esperança. Apaixone-se por alguém que volte para conversar com você depois de uma briga, depois dum desencontro. Apaixone-se por alguém que sente sua falta e que queira estar com você. Não se apaixone apenas por um corpo, por um rosto ou pela ideia de estar apaixonado". São estes os milagres da vida; não espere mais do que isto e, no qual você, queira ou não é e será o principal personagem. Primeiro, aprenda a gostar de si e só depois faça esse exercício todos os dias, com misericórdia até de si próprio. Não se sinta inferiorizada quando lhe chamam preta, parda ou zebra, porque até uma minhoca tem a sua função; quando morrer, sua carcaça terá de ser reciclada e os vermes terão a sua função. Você não é nada disso; controle sua mente e será feliz por ver, sorrir e ler coisas desavindas como estas que nem foram encomendadas.  

 A vida é o maior espectáculo no palco da existência e, cada qual tem a obrigação de ser o director da sua própria cartilha da vida. Jamais conseguirá controlar todos os actores que o rodeiam com suas variadas e complexas práticas no estar, no ter e no ser. O pior prisioneiro é o que não enxerga seus próprios limites e, o pior doente será aquele que represa suas emoções tendo medo de admitir suas fragilidades, fracassos e momentos de insegurança.

Enquadramento e arranjo do texto pelo

Soba T´Chingange



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Sábado, 19 de Maio de 2012
PIAÇABUÇU . V

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

       “DOS JESUITAS AOS TUBARÕES” . 2

 Dedo torto

Nunca vi um padre jesuíta dar uma risada, e os professores leigos que trabalhavam lá, eram do mesmo jeito. Os alunos não se atreveriam a falar com os amigos ali do lado, durante a aula; um rigor de estátua. O horário era seguido à risca, e era respeitado. Todos os dias antes das aulas, havia reza lá pelas 6, 7 da manhã e, um dia, esqueci meu missal. O padre deu-me uma penalidade pelo esquecimento: escrever à mão, com uma caneta de tinteiro, (como era naquela época) “Não posso esquecer meu missal”; isto, 500 vezes e, tinha uma semana para entregar. Meu dedo indicador até hoje, … está torto! Minhas dúvidas enquanto questão religiosa, começou aos 14 anos. Comecei a ver a religião como quem está de fora, distanciando-me com outros olhos, só observando.

 Ateu convicto

Era católico por costume, pois que nasci de pais com essa religiosidade. Se tivesse nascido de pais budistas, muçulmanos, evangélicos ou lá o que fosse, eu teria essa mesma religião. A ÚNICA e VERDADEIRA! Ai, tem coisa que não bate... Assim, os 18 anos, após a chegada ao Brasil virei ateu convicto. Na Bélgica tive uma vida como a de qualquer menino mas, o ir para a escola, transtornava a minha vontade... E, porque nunca estudei para uma prova, logicamente tirava notas baixas. Estava sempre presente na aula com minha cabeça, mas o pensamento rolava por outras bandas. Um tal de Sr. Ooms, logo no primeiro dia mandou abrir um livro grosso; na capa estava escrito QUIMICA. Ele falou com voz rouca, típica nele... “Leiam, cada qual para si mesmo”. E assim a cada aula, repetia... ”Leiam...”. Nunca explicou nada e, foi assim que o ano terminou, sem nada sabermos. Eu, era bom a matemática, francês, Inglês, Latim, Grego, história e geografia. Péssimo em atividades desportivas (que quase não tinha naquele tempo), em canto e religião com oral. Era, e sempre fui um zero em química.

  Piaçabuçu

Mesmo assim tive uma infância feliz, pela qual agradeço a meus pais, que infelizmente herdaram essa religião. Minha mãe sempre teve crises de vesícula; na Bélgica, quando ficava nervosa, o ambiente era de ficar com os nervos à flor da pele, sempre! Tinha vários ataques na semana obrigando-a a rolar pelo chão com dores. Conto isto por curiosidade porque bastava beber uma água-tónica para tal ataque passar; e, geralmente resolvia o caso. Já no Brasil, as coisas mudaram. Minha mãe, não mais, teve essas crises. Nunca mais se falou de igrejas, nem as visitou. Minha mãe acreditava num Deus, que aquela igreja não tinha. O meu irmão procedeu do mesmo modo e, só meu pai ficava na dúvida preferindo não dizer que Deus era uma utopia. Graças ao Brasil, só EU em minha família se predispôs a essa liberdade. 

 Utopia e liberdade

Apreciação do Soba: Fica notória a exaltação do EU no texto, uma prova evidente de ego forte; Um exagero exacerbado essa do dedo torto pela escrita repetitiva, uma excrescência descabida, talvez; Ser ateu só por ser sem dar ênfase ao credo não tem valia, nem o sub-consciente concente; Ao desdenhar de Deus, está traindo-se ao enaltece-lo com D grande, uma contradição involuntária; O seu pai, está lá em cima? Aonde? Com quem? Outra contradição; Convicto?!... aos 18 anos?

De um livro de uma vida, não editado, compilado com ligeiras correcções ortográficas ao texto original de Roeland Emiel Steylaerts por

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:42
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2012
PIAÇABUÇU . IV

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

       “DOS JESUITAS AOS TUBARÕES . 1

 Por

     Roeland Emiel Steylaerts

Para Meu pai, em algum lugar lá em cima; Minha mãe, sempre presente; Meu filho Isaías, em algum lugar deste universo; Meus netos Rubens e Patrícia; Meus bisnetos; Ao Brasil, que tão bem me acolheu.

INTRODUÇÃO

Resolvi escrever este livro, por uma questão de consciência. Falo há tantos anos que vou fazer um livro das coisas que aconteceram mas, muitas das quais já esqueci. Não que ache que sou um escritor, sou mais um contador de histórias. Escrevo como falo. As partes são misturadas, encontrando-se entre si... volta e vão, retorcem a filosófica vida entre entusiasmo e o desespero. Uso muitas referências, como nomes e datas. Muitas coisas já não me lembram; simplesmente esqueceram-se de mim. Mas quero deixar este testemunho, de como as coisas eram... no meu tempo, nem tão longe, assim como pode parecer. Cada facto é verdadeiro e olhem...que muita coisa, eu não falo, ou não poso falar, para não magoar ou machucar alguém ou ninguém. No começo resolvi falar dos meus amigos e conhecidos, mas vi que iria dar muito problema, pois muitos ainda vivem... então, resolvi ter boca de sirí. Vamos aos factos...

  Saí daqui menino

MINHA INFÂNCIA E OS JESUITAS

Nasci na casa de minha avó Ana Raeymaeckers no meio de um bombardeio alemão em 1943. Foi um bombardeio de bombas V1. Era na Lange Lozannastraat 154-156, em Antuérpia. Nasci com o nome Roeland Emiel AnaMaria Guido Steylaerts, em 24 de Dezembro, véspera  de Natal. Quando tinha dois anos, em 1945, a guerra acabou. Em 1949, com seis anos fui para uma escola de freiras, onde aprendi as primeiras letras, em pequenos quadros de lousa. Em 1950 aos sete anos fui inscrito no Xaverius College, em Borgerhout, Antuérpia, um dos melhores da região, administrado pelos temíveis padres jesuítas. Morávamos quase em frente, na Rivierenlaan, 24. Eles, doutrinavam a fundo nossas mentes. Até que em 19 de Maio 1955 tive minha Sagrada Comunhão. Considerava-me um menino Santo, crente em Deus,  obediente às ordem dos padres ou da igreja. Vivia feliz, brincando, andando de bicicleta, ou conhecendo a redondeza com os amigos. Era um menino como outro qualquer.

 Movimento de tropas (1943)

Aos fins-de-semana, eu com meus pais e irmão costumávamos sair em passeio pelos campos. Quando havia algum sol, coisa rara no país, íamos para a praia, normalmente, Blankenberghe. Por vezes espaçadas, íamos para outros lugares, como a Valónia no sul do país; quando havia muita chuva (e, como chove na Bélgica) escolhíamos ir a um qualquer museu. Quase nunca ficávamos em casa nos fins-de-semana. Conheci sempre coisas diferentes. Em 1959, estando eu com 14 anos, levei uma tapa na cara de um padre no Sint Bergmans college em Antuérpia. E, tudo isso porque dei uma risada, nem sei bem do porquê! Foi na frente de toda a classe e senti muita vergonha. Desde então odiei não só aquela peste de padres como toda e qualquer religião vinculada a párocos de batina e chapéu negro de três bicos. Foi daí que comecei a estudar por minha própria conta, buscando literatura sobre o tema, filosofar com outros sobre o que era a religião, seus mistérios e intrincados labirintos de desconhecidas coisas do espírito

(Continua...)

Compilado com ligeiras correcções ortográficas ao texto original por

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:13
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012
PIAÇABUÇU . III

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

     “O Velho Chico”

Sr Orlando (Roeland Emiel Steylaerts)

Em 1630, uma armada holandesa comandada pelo almirante Loncq, bloqueou o litoral pernambucano e desembarcou um exército que conquistou Olinda e Recife, começando a conquista da área entre o rio São Francisco e o rio Grande. Eram as capitanias rentáveis que monopolizavam a produção do açúcar, principal género de exportação, tornando o Brasil rentável, pois as capitanias do sul eram deficitárias. Quando foi nomeado Maurício de Nassau para governador civil e militar do Nordeste do Brasil, o exército da Companhia das Índias Ocidentais já conseguira dominar a região entre Natal e Porto Calvo.

 Cidade de Piranhas

Voltamos a lembrar que as crónicas antigas, atribuem ao navegador florentino Américo Vespúcio, o achamento do São Francisco, tendo navegado em sua foz no ano de 1501. O nome deste rio, é uma homenagem a São Francisco de Assis, festejado nessa data de 4 de Outubro. Esta expedição de reconhecimento desce a costa, com terra à vista do litoral, comandada por André Gonçalves e Américo Vespúcio vindos do Cabo de São Roque.

 Cidade de Penedo

Em 1522, o primeiro donatário da capitania de Pernambuco, Duarte Coelho Pereira, fundou a cidade de Penedo, no actual estado de Alagoas rio acima; fundada a quase 40 quilómetros da foz, foi o primeiro grande  núcleo povoador em suas margens. A localização estratégica do povoado, à porta do sertão, mereceu mais tarde a atenção dos holandeses. E, foi  em 1637, que os holandeses invadiram o povoado de Penedo construindo em sua foz o forte Maurício, em homenagem a Nassau. O domínio holandês permaneceu forte até 1645, quando os portugueses retomaram a região. A exploração limitava-se ao litoral, por causa dos aguerridos indígenas do interior.

 Bandeirantes/funantes

Os pancararus, atikum, kimbiwa, truká, kiriri, tuxás e pancararés, são remanescentes actuais desses povos antigos. As lendas e as blagues de marinheiros e aventureiros, sobre riquezas inacreditáveis ao longo deste rio caudaloso, atraem aventureiros caracterizando-o como «O rio da integração nacional». O São Francisco, dá assim motivo a entradas e bandeiras que nos séculos XVII e XVIII usaram como rota para penetrar no interior do agreste, caatinga e esse grande desconhecido sertão de então. Piaçabuçu foi visitada em 1859 pelo Imperador Dom Pedro II, que participou nas festas o povoado, já cidade, antes de seguir rio acima para Penedo, Angico, Porto Real e Piranhas.

(Continua… PIAÇABUÇU - O livro de minha vida de Roeland Emiel Steylaerts)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:47
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
PIAÇABUÇU . II

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “O Velho Chico”

 Roeland Emiel Steylaerts (Orlando)

Piaçabuçu, jamais trocou o seu nome inicial, de procedência indígena que estaria relacionado à existência de piaçavas ou piaçabas, planta muito usada no artesanato de vassouras, Piaçabuçu seria “Palmeira Grande”. Em verdade, é uma corruptela de pe-haçab-uçu, que significa, segundo a língua tupi-guarani, “passagem geral do caminho”. Fundada em 1660 pelo explorador André Rocha Dantas e é uma das cidades centenárias do nordeste brasileiro. Local preferido na travessia do rio em pequenas canoas ou toscas jangadas, era ali que os mercadores e marinheiros ficavam mais a salvo do caudal tempestuoso. O facto de haver ali duas grandes  ilhas compostas  de  terreno fértil, foi motivo para ali se fixarem agricultores que marinhavam nos momentos mais propícios.

Curso do Velho-Chico

Os primeiros habitantes de suas paragens foram os índios caetés que foram escorraçados da região após o episódio do Bispo Sardinha; Após um naufrágio perto de Cururipe, aqueles índios comeram o primeiro bispo do Brasil. Bivacaram ali por algum tempo envoltos em grande farra por terem muito inimigo a deglutir; Por este acto de canibalismo os fregueses daquela paróquia ainda hoje pagam à igreja um imposto chamado de laudémio. Os portugueses, contudo, ao dar início ao povoado, procuraram aliar-se aos cariris, de origem caraíba, pois, como dizia o capitão Alexandre Moura, “a maior de todas as fortalezas é viver e estar bem com os naturais”. Os holandeses conheceram bem “a passagem geral do caminho” e deixaram nos tipos minoritários de aloirados com olhos azuis a marca de sua presença.

 Rio S. Francisco na foz
Ao contrário de algumas povoações ribeirinhas como Porto Real do Colégio, há ponderável presença negra em sua formação. Vizinho a Cururipe, vale fértil onde vicejaram engenhos importantes na economia alagoana, o banguê na povoação foi um ponto de convergência para a vinda de uma população relativamente numerosa de escravos. Por via de consequência, pode-se dizer que na formação social da cidade houve o cruzamento dos três contingentes raciais: o índio, o africano e o europeu originando daí os mestiços matutos e mamelucos de certa indolência.

Caricatura do Bispo feita por seus pares de Roma

Afirma-se que o negro já tinha vindo antes, quando da expedição exploradora de Jerônimo de Albuquerque, em 1557. Diz-se que o banguê (engenho de açúcar primitivo) nas Alagoas, que eles estavam naquela expedição em reduzida participação e que voltaram em contingentes maiores quando foram lançados os fundamentos da primeira capela em Piaçabuçu, um século depois. Provavelmente, quem erigiu a capela foi o já citado capitão André da Rocha Dantas, comandado do mestre-de-campo, general Francisco Barreto. Aquele banguê viria a ter em conjunto com o Quilombo dos Palmares cerca de vinte mil guerreiros. O Velho-Chico começava a ser desbravado para montante; a caatinga desconhecida e temida por nelas habitarem tribos de índios ferozes impedindo os brancos de ali penetrarem.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:31
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Terça-feira, 10 de Abril de 2012
PIAÇABUÇU . I

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“O Velho Chico” - Brasil

 Adro e Igreja de Piaçabuçu

Quase na foz do rio São Francisco – São Francisco de Borja. É um município brasileiro do estado de Alagoas. Sua altitude média é de cinco metros acima do nível do mar, e tem uma temperatura média de 22°C. O município situa-se entre o oceano Atlântico e Rio São Francisco, com belas praias. É conhecida como Capital Alagoana das Palmeiras.

Em uma recente visita a Piaçabuçu para ver a foz do rio São Francisco, perguntei a um guia ocasional do povoado se haveria alguém que me pudesse dar informações sobre o percurso histórico e património cultural daquela terra. Perante o meu interesse e dos companheiros de jornada e após a visita à igreja matriz tendo como patrono São Francisco de Borja, o guia matuto levou-nos a casa do senhor Orlando ali a escassos passos e dando para o jardim, adro frontal àquela igreja. É uma casa ampla com um pequeno e gracioso jardim frontal e, para minha surpresa após o chamado de “hó-de-casa”, surgiu um senhor alto, esbelto e de cabelo branco, de cor e linhagem ariana e, pela certa com mais dos setenta anos.

Piaçabuçu - Vista do rio. Lugar aonde foi filmada a película Deus é brasileiro

Não era o matuto ou mestiço que idealizara mas, um senhor de perfil distinto e bem-falante. Por força das circunstâncias e tendo o barco escuna quase de saída para vermos a foz do Velho-Chico, as apresentações foram muito breves: logo de entrada indicou uma bíblia volumosa em cima de uma mesa que disse ter sido editada em 1920; frisou no entanto que ele, não era cristão; era ateu e natural da Bélgica. De surpresa em surpresa pude verificar que este senhor estava em debandada, queria vender tudo ali exposto e, aquilo é um espólio de valor inestimável, e também, em verdade, a sua vida. Desiludido da vida e desinteresse de familiares próximos, foi dizendo que a gente do povoado não dá qualquer valor àquelas velharias ali espalhadas e não catalogada pelo chão: Caveiras ancestrais, pilão em pedra com mais de dois mil anos, quadros, estátuas belas e muitos livros mofados pela humidade do Velho-Chico.  
A escuna no Velho-Chico

A casa estava como que em leilão, com desfalque de moveis e coisas empacotadas em jornais pelo resto da casa grande, considerando o modesto povoado e a frágil estrutura social do meio. Este homem de nome Roeland Emiel Steylaerts, de nacionalidade belga teria muito para contar e não me fiz rogado pedindo-lhe o que quer que tivesse para publicitá-lo no modesto blogue do Kimbo. Quando no final do dia cheguei à minha casa já lá estava tudo o prometido e mais ainda, a sua vida exposta em um livro que nunca chegou a publicar. Prometi-lhe que iria dar conhecimento ao meu mundo da Kizomba e Reino de Manikongo o seu legado no propósito de encontrar alguém interessado em comprar seus livros, estátuas, coisas de paleontologia, quadros e património arqueológico. Entre estas peças deparei com uma pedra em forma de pilão achada perto de Piranhas com mais de dois mil anos. Kimbo irá publicitar com o título PIAÇABUÇU o livro de sua autoria mas, entretanto, para alguém que o queira contactar aqui fica seu endereço: Praça São Francisco de Borja, 63 / AL, Fones (82) 3552.1625 / 9139.1197 / 9618.2602, www.norinvest.com.br, mail roeland@norinvest.com.br.
Dunas na Foz do São Francisco 

 As velas quadradas do Velho-Chico

Os escritos de Roeland Emiel Steylaerts (Orlando) diz-nos que os holandeses chegavam à região de Piaçabuçu em 1634, encontraram na beira do rio São Francisco no caminho para Salvador em frente as ilhas uma cidade indígena com o nome de Piaçabuçu (Palmeira grande). Era a rota de passagem do Recife para Salvador aonde os viajantes se Instalavam; alguns comerciantes bivacaram ali dando assistência aos passantes. A cidadezinha foi assim crescendo no tempo. Quando Dom Pedro em 1859 por aqui passou, só havia casas de palha e, por isso, ele dormiu a bordo de seu barco no rio, chamado de "Apa". Temos na praia o povoado do Pontal-do-Peba (nos mapas antigos denominado ponto do Ipheba). Procurei em língua indígena pela fonética e descobri que Ipheba era um tipo de embarcação que os índios usavam. Consta num mapa de Frans Post de 1634 como Ponto do Ipjeba e Piassabussu. Descobri que entre o Peba e Piaçabuçu, existe um local chamado de Bonito, reminiscências de um velho forte holandês, onde forem encontrados moedas e cerâmica holandesa. Naquele tempo o rio era muito mais largo, e a foz, era ali. O local encontra-se actualmente numa área controlada pela Petrobras.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:33
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Sábado, 7 de Abril de 2012
XICULULU . XVI

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO CONSUL KELLER - AL.BR

       “NIÓBIO” - 1ª Parte
Por

 Edvaldo Tavares

 “XICULULO: -Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo”

Amigo Soba, este texto abaixo eu copiei da Wikipédia e confirma "oficialmente", o que vazou da correspondência diplomática dos EUA; do grande interesse mundial, particularmente dos EUA, pelo nióbio. Diz-se que Lula à época da discussão sobre a reserva Raposa Serra do Sol teria dito: " a gente fala com esse tal Nióbio e resolve o negócio..."pensava que Nióbio fosse nome de algum político ou cacique do lugar. A respeito encontrei na Internet: O Brasil tem dois pontos considerados "críticos para a segurança dos EUA": - Os cabos submarinos de fibra ótica que saem de Fortaleza, tendo sido lançados por volta do ano 2000 para se interligar com vários países aos EUA, e as reservas de nióbio, metal fundamental para a indústria de armamentos - (cerca de 90% das reservas mundiais de nióbio encontram-se no Brasil). R. Keller*

 Nióbio é um elemento químico, de símbolo Nb, número atômico 41 (41 prótons e 41 elétrons) e massa atómica 92,9 u. O nome deriva da deusa grega Níobe, filha de. É usado principalmente em ligas de aço para a produção de tubos condutores de fluidos. Em condições normais, é sólido. Foi descoberto em 1801 pelo inglês Charles Hatchett. O Brasil é o maior produtor mundial de nióbio e ferro- nióbio, uma liga de nióbio e ferro.

Charles Hatchett

Nióbio. Países ricos gostariam de tê-lo em seus solos, enquanto o Brasil que é o único fornecedor mundial, dispensa pouca importância e esse metal, um dos mais estratégicos da actualidade, de vastas qualidades e de incontáveis aplicações. Uma pequena parte desse metal estratégico, eliminaria a pobreza no Brasil se correctamente negociado. A maior reserva  inexploradas de Nióbio no mundo, está na agora intocável Reserva Raposa Serra do Sol em Roraima, estranhamente decretada às pressas em 2005, por Lula, contrariando as orientações técnicas e das Forças Armadas. Todas as acções legais impetradas contra essa Reserva foram estranhamente anuladas na época, pelo Ministro da Justiça Jobim. Os USA e Comunidade Européia aplaudiram de pé esses actos. Lula pode ter preparado assim, o caminho para a internacionalização do norte de Roraima, que teria total apoio da ONU, sob liderança dos USA, com as influentes Inglaterra e França.

 R. Keller: -Distinto Consul do Reino de Manikongo nas terras de mangue com sirí. Feito Consul por decisão do soba T´Cingange devido à sua arguta e justa visão do mundo que o rodeia, e nosso lugar de encontro.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:52
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2012
FRATERNIDADES . XX

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DE STELLA

      “PÁSCOA”
 Stella Pugliesi

Páscoa é dizer sim ao amor e a vida; é investir na fraternidade, é lutar por um mundo melhor; é vivenciar a solidariedade. Páscoa significa renascimento. Desejo que neste dia, em que nós cristãos, comemoramos o seu renascimento para a vida eterna, possamos renascer também em nossos corações. Que neste momento tão especial de reflexão possamos lembrar aqueles que estão aflitos e sem esperança. Possamos fazer uma prece por aqueles que já não o fazem mais, porque perderam a fé em um novo recomeçar, pois esqueceram que a vida é um eterno ressurgir. Tu, que padeceste martírio da cruz em nome do Pai pela humanidade e, que muitas e muitas vezes se esquecem disso; esquecem-se de ti e do teu sacrifício quando agridem seu irmão, quando ignoram aqueles que passam fome, quando ignoram os que sofrem a dor da perda e da separação, quando usam a força do poder para dominar e maltratar o próximo, quando não lembram que uma palavra de carinho, com um sorriso, um afago, um gesto podem fazer  mudar  o mundo.
 Acrobacia . Miró
Jesus... Conceda-me a graça de ser menos egoísta, e mais solidário para com aqueles que precisam. Que jamais me esqueça de ti e de que sempre estarás comigo, não importa quão difícil seja meu caminhar. Obrigado Senhor, pelo muito que tenho e pelo pouco que possa vir a ter. Por minha vida e por minha alma. Obrigado Senhor! Que acorde todas as manhãs com um sorriso e, que esta, seja mais uma oportunidade para se ser feliz. Seja seu próprio motor de ignição neste dia de hoje que jamais voltará; não o desperdice, pois que você nasceu para ser feliz! Enumere só as boas coisas que você tem na vida e releve as más no meio da ilusão. Ao tomar consciência do seu valor, você será capaz de ir em frente com mais força, coragem e confiança! Trace objectivos para cada dia. Você conquistará seu arco-íris, um dia de cada vez. Seja paciente, não queira desfrutar tudo num só dia; vale mais perder um minuto na vida do que a vida num minuto. Não se queixe do seu trabalho, do tédio, da rotina, pois é o seu trabalho que o mantém alerta, em constante desenvolvimento pessoal e profissional, ajudando-o/a a manter a dignidade, integridade com actitude.
  Minotauro . Miró
Acredite, seu valor está em você mesmo. Não se deixe vencer, não seja igual, seja diferente. Se nos deixarmos vencer, não haverá surpresas, nem alegrias. Consentisse-se que a verdadeira felicidade está dentro de você.  A felicidade não é ter ou alcançar, mas sim dar. Estenda sua mão. Compartilhe seus milagres. Sorria! Abrace. A felicidade é um perfume que você deve esbanjar aos outros para que suas mãos polinizem nas feromonas da vida. O importante de você ter uma atitude positiva diante da vida, ter o desejo de mostrar o que tem de melhor, é que isso produz maravilhosos efeitos colaterais. Não só cria um espaço feliz para os que estão ao seu redor, como também encoraja outras pessoas a serem mais positivas. O tempo para ser feliz é agora. O lugar para ser feliz é aqui! Siga seus sonhos sem perder a noção de que é uma ilusão.
 Enquadramento e arranjo do texto pelo Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:02
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Segunda-feira, 19 de Março de 2012
FRATERNIDADES . XVIII

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DE STELLA

 “Coisas boas”

 Stella Pugliesi

"Quando eu deixei de olhar tão ansiosamente para o que me faltava e passei a olhar com gentileza para o que eu tinha, descobri que, de
verdade, há muito mais a agradecer do que a pedir". Tanto, que às vezes, quando lembro, eu me comovo. Pelo que há, mas também por conseguir ver num "bom dia! "O tempo é muito importante... Aproveite o tempo para ouvir e aprender, para ver a beleza que nos rodeia, para demonstrar afeto para criar doces recordações e apreciar momentos especiais. O tempo é muito precioso… só ele cura velhas mágoas e nos permite ganhar esperança e sabedoria.
Mas sobretudo, aproveite o tempo para acreditar nas suas próprias  apacidades... Existe uma luz que lhe mostra o caminho e que faz acontecer o melhor. Confie nessa conexão de amor que se move para que tudo dê certo... E tudo, magicamente, sempre dá certo! Que seja suave e pleno seu caminhar!

Stella na Lagoa Manguaba com Ibib

Muitas vezes nesta vida, nós somos o remédio da vida de outras pessoas. Quantas vezes você já curou uma pessoa com o seu abraço, com uma visita inesperada, com um sorriso, um e-mail enviado! Sua presença alegra a vida das pessoas, é um poderoso remédio contra a tristeza, a depressão,  a dor e os sofrimentos da alma. Estar presente na vida das pessoas que amamos é milagre poderoso, e pode transformar-se em um processos de cura absoluta. "Se você abre uma porta, pode ou não entrar em uma nova sala, você pode não entrar e até ficar observando a vida mas se você vence a dúvida, o temor, e entra, dá um grande passo”. Não é a condição social ou financeira que faz com que as pessoas se encham de felicidade. È nas pequenas coisas que recolhemos grandes ensinamentos. É um orgulho besta sentir-se mais que os outros só porque está cheio de dinheiro, ou se é bonita ou bonito e tem o mundo da ilusão a seus pés. Eu digo que tudo isso é relativo, pois o que parece bonito p´ra uns, não parece bonito p´ra todos.  Tudo isso é passageiro.

Gentileza de Stella Pugliesi (Al-Brasil). Embaixatriz do Kimbo no Sítio da Lagoa Manguaba

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:34
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
MUSSENDO DO BRASIL . I

{#emotions_dlg.meeting}AS ESCOLHAS DO KIMBO

LENDAS DO INTERIOR BRASILEIRO

 Jeocaz Lee-Meddi
Adaptação livre de para textos de Brasil, Histórias

O Brasil é um país continente, rico em tradições e lendas. Grande parte delas está ligada aos costumes herdados dos colonos europeus, dos nativos indígenas e negros vindos da África. Neste artigo foram reunidas três lendas de partes opostas do país, como a do Vaqueiro Misterioso, mítico personagem do interior nordestino, que tem nas vaquejadas uma das festas mais tradicionais do sertão; a da Mãe de Ouro, típica do Centro-Oeste, que teve a sua história feita em cima do desbravamento dos bandeirantes e, a lenda das Amazonas, que roubada da mitologia grega, deu origem ao nome do maior rio do mundo em águas, o Amazonas, tornando-se parte do folclore do norte do Brasil.

 Biomas e Caatinga

O Vaqueiro Misterioso é o estereótipo do herói da caatinga, como grande parte dos habitantes da chamada região da “Civilização do Couro”, mas que se transforma no mais valente dos homens, um autêntico sobrevivente de todas as adversidades do sertão. O herói incansável aparece e desaparece, sem deixar um nome. A sua identidade é a do próprio sertão nordestino.

 

Garimpo - é a forma mais rudimentar de mineração, pois são localizados em áreas remotas e não contam com apoio de qualquer empresa ou órgão público, sendo muitas vezes considerado ilegal.

A Mãe de Ouro nasceu da fantasia dos solitários garimpeiros, que em busca da riqueza, construíram o Brasil central. A lenda corre no rio das Garças, que em outros tempos foi rico em pedras preciosas. O fogo-fátuo desprendido das ossadas dos animais mortos causava medo aos garimpeiros, que ao mesmo tempo eram vistos como os pingos de luz de uma mulher que trazia as riquezas da região, escondidas em suas grutas e no leito dos seus rios.

Amazonas -  O Amazonas é uma das 27 unidades federativas do Brasil, sendo a mais extensa delas, com uma área de 1.570.745,680 km², sendo maior que as áreas da FrançaEspanhaSuécia e Grécia somadas. 

 

As Amazonas, lenda da terra das mulheres guerreiras e sem homens, vem da antiga mitologia grega. Em 1542, os espanhóis chegaram a um imenso rio que chamaram de “Mar Dulce”. Frei Gaspar de Carvajal, escrivão da frota espanhola, revela ter sido atacado por mulheres guerreiras, nuas e com arcos nas mãos. Associou-as ao mito das Amazonas, e a partir de então, o grande rio foi baptizado de rio Amazonas, sendo a lenda grega transportada para o imaginário brasileiro.

Mussendo: Conto de raiz popular, do Kimbundo de Angola

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:05
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011
CAFUFUTILA . XII

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

"O JOGO DA SUSTENTABILIDADE"

 

 

T´chikukuvanda é o nome dado a um lagarto em dialeto Umbundo de Angola, tem um aspecto bravo com sua cabeça vermelha e o resto verde ou azul com a particularidade de assustar as mulheres, não sei porquê,... que estendem mandioca a secar nos penedos planos lá do planalto do Huambo. O lagarto francês, aqui descrito nesta estória é de um castanho escuro, tem um menor tamanho que aquele outro, mas íntimida pela côr e curiosa ousadia.

Esta estória começa quando o senhor Siarra decide fazer sua casa no lugar do Françês, uma praia da orla Alagoana, um Estado do Brasil, com muitos coqueiros e gente gira ida de muitas partes da globália. Ao mandar limpar o espaço do lote, dá-se conta de ali existirem muitas lagartixas e lagartos que saindo das frestas ou muros rugosos, por ali faziam caça a menores bichos dando como verdadeiras as palavras de naturistas; Na sua diversidade de cadeia alimentar, por via da humidade da muita chuva, estes lagartos rastejavam na areia por entre folhas, restos de cocos e demais plantas que proliferam na mata Atlântica. Quem não viu com bons olhos estes bichos rastejentes foi Ana, esposa de Siarra, que por ali passando se assustou com tanta bicharada levando-a a afirmar a pés juntos que ali, ela Ana, nem morta poria seus pés oriundos do Zumbi; Zumbi dos Palmres era a sua terra. O tempo passou e Siarra, fazendo ouvidos de mercador continuou a obra que virou casa passado pouco tempo.

 O lagarto palmares do Francês

O jardim foi surgindon entre rugosas e despintadas paredes, pasto ideal para t´chikukuvandas fintadores que foitos, davam berrida a pererecas, minhocas, grilos e centopeias, cutucando o pescoço num vai-vem de meter medo ou medir as proporções certas da presa. Ana, com seus pés de zumbi, apercebendo-se da macabra situação de compromisso com a palavra dada, surpreendia-se no quotidiano dum jogo de tolerância com os bichos que agora e num crescendo lhe pareciam mais simpaticos; a curiosidade mútua iam aproximando-os numa expectativa de carinho nunca antes presenciada; aonde já se viu haver simpatia entre um cinzento e feio lagarto e uma senhora de costumes medrosos. A intensidade de simpatia foi aumentando ao ponto de Ana caçar moscas na forma de empreitada para fornecer ao seu amigo lagarto a que por simpatia lhe deu o nome de "palmares" recordando sua terra natal. A aversão de ambos foi diminuindo de intencidade na proporção da quantidade de moscas oferecidas e inversa na curiosidade; O partilhar de tolerância e mutua admiração iam tomando proporçoes de partir o coração; já se tratavam por tu dando azo a palmares apresentar o resto de lagartos  seus familiares. 

 Ana

Um dia, estando Ana na cozinha lavando pratos, dá-se conta de que o lagarto "palmares" a estava vigiando na maior calma, o que levou a ambos a estabelecer mimos de simpatia; Ana tratava-o de meu pequenino que estás para aí pensando de mim, aqui trabalhando nesta escravidão de mulher ao que ele parecia responder, tem paciência que esse é o teu fado. Parecia até cantar pequenas estrofes dum verso deconhecido, assim como uma mistura entre o grasnar misturado com guinhos soprados em si menor. Ana deu-lhe um pedaço de papaia e ele não se fez rogado comendo até a casca madura; afinal também era vegetariano. Isto sucedeu nos seguintes dias com a particularidade de levar seus parentes próximos. Ana, a fim de os reconhecer, pintou com verniz de unhas cada um dos quatro t´chikukuvandas com cores diferentes atribuindo-lhe nomes de amigos, todos machos: o António, o Keler e o Lisboa. Fiquei assim a saber ter sido contemplado nessa grata missão de partilhar património à familia dos t´chikukuvandas num domingo de tertúlia com café da manha na casa Camarão. E, não é que o dito cujo palmares, apareceu bem aos nossos pés solicitando um pedaço de tapioca.

(Continua...)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:41
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Domingo, 26 de Junho de 2011
ANGOLA – O PAÍS DA BANGA .IX
{#emotions_dlg.xa}CRÓNICA DO SOBA T´CHINGANGE

            "Minguito....A arte da sanfona"

 Minguito  

Minguito, acordeonista de raro talento, invisual desde os 14 anos após ter contraído sarampo, viveu tacteando o teclado, introduzindo novos acordes na música popular. O cancioneiro de Angola a partir do Bengo potenciou a humildade músical do batuque em uma eloquente interpretação, jamais vista nos meios Luandinos. A entrega plena com afeição à concertina acompanhou-o até à sua morte prematura. Bem cedo, foi influenciado pelo merengue de Luís Kalaff, um compositor de intervenção dominicano, cujo lema era: "Cantar em Liberdade". Os processos de assimilação da cultura portuguesa, são os responsáveis pela introdução do acordeão, sanfona, gaita, harmónica ou concertina nas tonalidades da musica angolana dando à rebita um folgo diferente, história que não deve ser desvirtuada por arrogância ou soberba pelas novas gerações como se tudo tivesse sido parido do nada ou em uma singela esquina do Sambizanga. O acordeão emigrou da música folclória portuguesa para a massemba ou rebita entrando a gosto no panorama da música popular angolana.

:

Um militar do exército colonial português, vendo todo o potencial musical de Minguito, ofertou em 1964 um acordeão e, não se enganou porque como ninguèm, Minguito introduziu este instrumento de origem Oriental na crioula música Angolana que marcou um momento alto, que perdura. A primeira apresentação pública de Minguito foi numa sessão musical do “Dia do Trabalhador”, no emblemático N´gola Cine, bairro do Caputo de Luanda, em 1967. A pose com o acordeão e a sua invisualidade, conferiram a Minguito uma personalidade própria que o fazia distinguir dos demais artistas, numa época em que o uso deste instrumento bem como o da concertina estavam circunscritos ao tango de Gardel, ou figuras emblemáticas de Fançony e Firmino e outros como Eugénia Lima que tocavam concertina na música ligeira e folclórica portuguesa.

 

O Gaúcho Teixeirinha, fazia sucesso com suas músicas usando a sanfona tão ao gosto dos carreteiros e tropreiros das pampas do Sul e matutos do sertão; nesse então todo o brasileiro tinha em casa um disco de Teixeirinha com seus passos de bolero e marchas juninas tão popularizadas em todo o Brasil com especial enfoque nas principais cidades Nordestinas. São famosos os arraiais nos estados de Sergipe, em Aracaju, o de Alagos em Maceió e Marechal Deodoro do Brasil, em estilo de forró, lembrando as festas-marchas de Santo António, São João e São Pedro com baile de mastro, bem à maneira das terras do Sul de Portugal e nas cidade de Natal do Ceará e Olinda de Pernambuco no Brasil. O arrasta-pé Nordestino, ao som da sanfona fazem peregrinar milhares de foliões aos bailes pé-de-serra no Cariri e Araripe, alegrando o adro do Padre Cícero, bem ao geito das rebitas de Angola ou os arraiais com mangerico nas faldas da Serra de Monchique no Algarve, nas Serras do Marão e Alvão em Trás-os-Montesou ou nos bairros Alto, Benfica, Alfama, Restelo ou Alto do Pina em Lisboa. No espaço da Lusofonia não podemos esquecer as festas floridas em homenagem aos Santos no Funchal da Ilha da Madeira ou entre milhares de hortenses em Ponta Delgada dos Açores e demais ilhas com seus mistérios beira de estrada.

 Teixeirinha

(Continua...)

O Soba T´Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:55
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2011
XIPALA . VI

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

 BEATIFICAÇÃO DE JOÃO PAULO II -1 de Maio DE 2011
PAPA JOÃO PAULO II
Porque sou crente, acreditei que neste dia do trabalhador Ele, João Paulo II estava comigo! Das coisas simples saem às vezes convicções fortes e, aconteceu que o borne de chumbo da bateria de meu carro, já fendido dos solavancos, acabou por partir definitivamente; por ter sido neste dia e, bem antes de iniciar uma grande viagem, quis acreditar ter sido uma intranquilidade benigna e, serenamente enfrentei o acontecido como um bom sinal. Na minha rua da Globália ouviam-se cânticos vindos pelo vento a partir de Roma; entretanto toca o pequeno sino do portão grande; era o moço do mercadinho que chegava com as compras, ausente deste acontecimento num dia de trabalho e, em plena manhã de domingo. Ele só sabia que teria de passar em mais umas quantas casas para distribuir mercâncias. Gente de todas as horas e dias a quem só práticamente saúdo com um bom dia, quando as previdências se entreajudam. A serenidade estava ali no meu sertão, meu deserto, minha  Alagoa cheia de sol, sombra e auréola de boa vontade, aonde estes casos  fúteis se repetem sem planeamento nos carinhos ou agruras,.
  BASILICA DE SÃO PEDRO . ROMA
As anáforas da vida, aqui como em muitos lados, também se repetem nas corajosas tarefas de positiva valia. A ciência leva-nos a pensar que o Universo que nos cerca é inteiramente racional ou matemático mas, a vida dum mato agreste, simples, tem também milagres e dinâmica; princípios complexos de uma qualquer outro sítio.  O progresso aqui é medido com simpatia, seguindo ajustamentos de coisas pequenas ou pobres, limitando o mesquinho, arranjando o melhor daquilo que não é inteiramente bom. Mas, hoje é o dia de recordar aquele dia quando de visita às  catacumbas da Basilica de São Pedro, me postei em frente da tumba rasa do Santo Padre e roguei ajuda ao velho Senhor que cheio de dores quando em vida, pedia por todos nós. Sem a unidade da fé, é impossivel a vitalidade, a grandeza e a inexpugnabilidade de um povo.  Não fosse a simpatia das memórias temperadas no tempo, o desespero tomaria conta dos amargos intervalos da vida, aonde somente as ambições e factos corrosivos se atrevem a perturbar o direito alheio.

 

TÚMULO DE JOÃO PAULO II NA CAPELA DE S. SEBASTIÃO  E PIETÁ
Bento XVI  beatificou o Papa João Paulo II, a penúltima etapa para o reconhecimento como Santo. O rito fez-se com a colocação das relíquias, uma ampola com sangue de João Paulo II junto ao altar, por duas religiosas, a irmã Tobiana, assistente pessoal do papa polaco, e a irmã Marie Simon-Pierre, cuja cura da doença de Parkinson, considerada miraculosa, encerrou o processo de beatificação. A sepultura dos restos mortais de João Paulo II fica na capela de São Sebastião, localizada na nave da basílica do Vaticano, junto da famosa "Pietá" de Miguel Ângelo. Aqui, um longínquo lugar dito do Francês, são as simplicidades somadas que se fazem vida. Nesta sociedade de permanente inconformismo e escala de valores em milímetros de apreço, normalmente adúlteros, podemos num truz-de-luz reencontramo-nos. Este lugar de rua sem nome, muros altos, poiso de abutres, num quase mato que serve de fuga ao pântano que lhe fica a sul, não é decerto um lugar sagrado, nem de crenças antigas mas, todos os dias a sombra percorre as cérceas lambendo a vida, lugar de segredos não peregrinados. Neste pedaço de rua térrea não há semáforos nem mão estendida à caridade, só o viver dum dia de cada vez, com empatia e solidariedade.
O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:16
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Domingo, 6 de Março de 2011
XIPALA . III
FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

Crónica de Arrais de Bustos. Embaixador Honorário do Kimbo

MARÉ ALTA“ De: Aristides Arrais

 ARISTIDES CORREIA ARRAIS

"XIPALA: - Fotografia, cara, rosto”

INSIGNIAS  DE BUSTOS 

 

Após o regresso do torrão natal de Bustos, ali ao lado de Aveiro e não muito distante da terra dos doutores, Coimbra,  apraz-me abonar o Kimbo a pedido do Soba T´Chingange com o meu  ponto de vista cordial no esteio da linha de pensamento que sempre me norteou, dádiva das gentes e gesta Lusa do qual eu faço parte. Do muito que observei comento uma ínfima parte: Hoje em dia, a maioria das sociedades da Globália são multirraciais. O comportamento das diferentes raças que se introduzem nas sociedades fixas é distinto, pelo que pergunto: Que parâmetros condicionam tal comportamento? Um negro ou um cigano, não importa em que sociedade esteja inserida, tem comportamentos diferenciados. Um indiano ou um cigano como exemplos, raramente se vêem a trabalhar na construção civil. Qual o por quê de certas opções activas? Alguns são mais criativos numas áreas do que noutras e muitos outros têm propensão a serem autênticos marginais ou simples parasitas; vivem na marginalidade por opção fazendo-se de vítimas para obterem dividendos da restante colectividade.

 

Marechal Deodoro e a praia de Arrais 

Há sempre quem os veja como uns coitadinhos desfavorecidos. Apenas vislumbro o seguinte: a componente genética pode ser boa ou má, ficar adulterada mas, são os costumes, orgulho, oportunismo e preconceito que originam essas realidades. As corporações de apoio, em meu entender,   têm a sua culpa no cartório porque não esmiúçam as causas de cada um daqueles muitos  párias coitadinhos que vegetam para perturbar os demais.

  Os dois bustos de Arrais

Do ponto de vista científico, o dito, determina a conduta de um povo, enquanto raça homogénea mas, quando os valores se alteram adulterando a vida comum a todos com o beneplácito e quase estimulo das instituições e exemplos deploráveis de governantes julgados impolutos, tudo se mutila na esfera social. Há todo o direito em querer conservar a raça humana no seu maior estágio de pureza dentro de cada cultura. Portugal, tem o dever de preservar esses diferenciais a qualquer preço. Parece-me ser um direito inalienável, posto que, ninguém gosta de se sentir ou ser considerado inferior, menosprezado, relegado ao abandono. Entretanto existem diferenças entre raças que infelizmente acabam  por conturbar o extracto sociocultural da sociedade invadida.  E esta, mais dia, menos dia reagirá  O lamentável dos dias de hoje é que os valores de referência apresentam-se tão confusos, que a gente acaba se perguntando: Será que somos nós os errados?


Aristides Arrais

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:05
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Quarta-feira, 2 de Março de 2011
XIPALA . II

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “PAJUÇARA  COM EMPATIA” . o xicululu do soba


JANGADAS NA PAJUÇARA 

“XIPALA: - Fotografia, cara, rosto”

“XICULULU: - Olhar de esguelha, olho gordo, mau olhado”

O dia estava límpido neste vinte e oito de Fevereiro na orla majestosa da Pajuçara. A brisa bulia levemente as folhas da amendoeira com a sua sempre cobiçada sombra dum sol impiedoso que, já pelas nove horas da manhã esquentava esbeltos corpos. E, já o vento agitava vida no areal dourado com as muitas velas das jangadas esperando gente desejosa de saborear lá nas piscinas naturais os frutos do mar de Maceió. O café do botequim coco frio estava um pouco forte exigindo mais açúcar e, enquanto mexia tão saboroso líquido, trincava o pastel ainda quente derramando queijo de coalha nas minhas papilas gustativas. Embebido em pensamento, recordava de fresca incidência as pupilas, as meninas dos olhos que tudo apreciam mas que por razões agora identificadas, foram objecto de observação no hospital da visão Santa Luzia. A vermelhidão do meu globo ocular normalmente alvo de cor, preocupou a Dona Rosa, amiga atenta ao mais leve descuido da visão dos outros e, era eu que estava em causa; seu sogro tinha ficado cego e, em seu início apresentava esses mesmos sintomas de derrame indiciando cataratas. Dona Rosa, peremptória, lá pelas vinte horas do dia anterior, deu-me a conhecer que tinha marcado uma consulta com um seu amigo oftalmólogo no hospital do Farol em Maceió. Sem relutar tal decisão fui dizendo da desnecessidade de ser observado, porque esta anormalidade já se tornava em mim, uma normal incidência sexagenária; ” qual quê, vamos, e está feito, passo por aí, no encontro do mar pelas oito horas”. Até já tinha itinerários definidos para este dia vinte oito de Fevereiro, um roteiro empático a mostrar os aromas da orla em seu tom de esmeralda. As estravagâncias artesanais rendadas a preceito de pescador, pequenos regalos de pudicos quereres à mistura com macias apetências e, para todas as idades.

 PAJUÇARA . MACEIÓ

No bem apetrechado hospital, rapidamente fui atendido pelo doutor na sala seis que repetiu o que já outros oftalmólogos tinham dito: um coágulo de sangue rebentou numa dessas muitas veias aonde o vermelho agressivo só se torna visível por ser ali, no olho, que com o tempo se vai dissipando voltando ao aspecto de branco normal. Foi-me recomendado ir a um hematologista. A razão de documentar este sucedido está mais no facto de definir o que é isso do porquê de nos tornarmos amigos de alguém que há bem pouco tempo atrás era totalmente desconhecida. A amizade pura, sincera, desinteressada, nascia assim numa convivência que distingue o ser humano, fruto dum improviso, detalhe do cérebro a que se chama de “ocitocina”, curioso analisar-se o partilhar de macacos que, numa evolução, chegou até aos sapiens como uma troca de favores fruto de um hormónio pouco falado mas que entre o ser humano tem a maior importância; a amizade, porque surge e porque se mantem um instinto tão primordial no homem que origina a empatia, vulgo amizade. A ocitocina é a responsável pelo afecto que um conjunto de pessoas preserva de forma incondicional com outras gentes. Em algum momento da pré-história a relação de amizade com outros estranhos passou a ser necessária. A ocitocina faz com que tratemos estranhos como se fosse a nossa própria família. Isto é definido simplesmente com a palavra amizade. Esta forma de amizade já curiosamente tinha sido abordada pelos filósofos Aristóteles, Confúcio e Platão e só agora que o mundo está na viragem de valores e novas formas de estar se dá conta da importância que tem ter-se amigos. A manhã estava acolhedora como nunca e, eis que do nada e de forma quase mágica um senhor tisnado do sol, pescador, abriu uma bolsa a mostrar umas quantas lagostas transpirando frescura: O senhor quer? E eu quis; naquele preciso momento pensei em partilhar a amizade com a Dona Rosa regalando-lhe algo que a minha ocitocina dizia ser neste então a retribuição num pequeno hífen da vida. De compras feitas, início da tarde, eu António Português genérico 3, retemperei vontades num cochilo vespertino pensando em como é bom ter amigos e adormeci com um Bem-haja no canto do olho.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:10
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Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011
MOKANDA DO BRASIL .III

“Beach do Francês” - 2ª Parte

Condição de Mulher

conheca Os passeios de barco

NA PRAIA DO FRANCÊS

Chapéus, mesas e cadeiras de todas as cores surgem preenchendo o branco da areia, tornando a vista multicolor com salpicos de tralhas e tarecos, caixas de isopor do coco frio, e caixas rolantes com ananases balouçando, outras com música de forró e o sempre presente” picolé caseiro caicó”. Um coco flutuava na borda de água e, no descer e subir dava piruetas de natural mestria, mais à frente um pescador atento às águas lançava a rede que, depois de fazer círculo e penetrar na água, quase sempre trazia uns peixes parecidos a bogas As sete mulheres deitadas ou sentadas iam-se rebolando para o bronze ideal, lambuzando-se com movimentos provocatórios ou talvez não, mas parecia sê-lo, naquele sol das sete horas; uma delas já dentro de água adorava o sol de mãos espalmadas para o céu, impregnada de Iemanjá fazia reluzir o brilho das suaves ondas.

COCO FRIO

O capitão tanguinha do “mar e céu”, descrevia como um raizeiro, perito quimbanda, as virtudes do chá doutorzinho e uma catrefa de técnicas de embelezamento com unguentos da tradição índia; falava dos seus inventos voadores, pois um dia, lá no sítio, observou uma folha de amendoeira caindo fazendo rocambolescos desenhos o que, o levou a inventar um pássaro que movia as asas e subia, subia como só ele sabia fazer. Vendeu a patente a um português que surgiu na praia e após uns entretantos e, alguns reais levou o seu “isopor” voador para Lisboa. Nesta praia funcionam as regras de “entre amigos” alugando os barcos em rodízio. Parados no curto horizonte estão os barcos Corais bar, o Maiara e o Massunim II. Como é bom curtir a vida de três peixinhos, no dia-a-dia. As sete mulheres entrelaçadas em suspiros e ai-ais foram ao “Restaurante Pato” da Massagueira festejar o seu dia. Uma nuvem prometendo chuva alçou-se comigo no instante de abalar.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:30
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Sábado, 19 de Fevereiro de 2011
MOKANDA DO BRASIL . II

“Beach do Francês” - 1ª Parte

Condição de  Mulher


Praia do Francês

Eram grilos, cigarras ou tensão desmedidamente descontrolada, zunindo insistentemente nos ouvidos; será vento será chuva e, … o cão, uivando. Para lá do recife via-se o infinito redondo, formando uma linha mais azul separando os dois fluidos, água e ar. Uma jangada de vela triangular ondulava depois da espuma, entre o reflexo do sol e o refluxo das ondas, espumando brancura nos rochedos escuros; às seis da manhã as cores são mais azuis e as nuvens mancham o mar de escuras sombras. As cadeiras, chapéus e mesas iam surgindo ao longo da língua de areia que crescia conforme a secura da maré na “Beach do Francês”. Uma gorda velha, furava a areia, contorcendo o suporte da sombrinha num vai vem de vice-versa, até completar a correcta fundura para suportar a verticalidade mais o vento teimoso, que se fazia sentir. A mulher curiosamente tinha uma perna branca e outra preta; isto não podia ser, … fugia das características habituais.

Praia do TUGA

Entrei na água entornado de curiosidade e fui-me acercando até que pude definir uma prótese, branca e mais fina, desajustada na forma e estrutura; o sapato também desdizia com o resto e, fiquei com muita pena, desejando que as suas bóias fossem todas alugadas p’ra suprir carências tão óbvias. Não havia dúvidas, a senhora não tinha uma perna e sobrevivia alugando inflados pneus de carro, a baleia às riscas e o golfinho azul, aos pivetes que surgiam pela mão de seus pais; Não sei se por pena ou artimanha a coisa transparecia. A vida não é fácil neste paraíso. Esfregam-se ternuras com prótese, para encanto de tantos que nem dão por isso; aquela perna branca e fina era tão parte integrante da senhora que a vi coçar como se um mosquito a tivesse picado; como é possível, tanta familiaridade no apego àquilo que é nosso.

O flay-boat da Praiai da Francês

A balsa já tinha contornado o recife, podia ver-se a silhueta do homem ximbicando para norte até às piscinas baixas do recife; também ele estava esfolando a vida de todos os dias, numa tarefa que só ele sabia fazer daquela maneira, pescando no recife os frutos do mar. Já sentado no patamar do “Tarrafas bar”, acarinhado na sombra dum jango de folhas de coqueiro, com outros a rodear o espaço, podia ouvir a cantoria dum sábia e, não muito distante, misturava-se com insistência a cantoria dum bem-te-vi; estes e o mar conjugavam-se numa sinfonia com ondas sonoras batendo no recife e beijando a praia em suave batimento. Era a música da vida, um arrastar de cadeiras, um estalar de dedos tamborilados, um encher de bóia a sopro; era um novo dia que começava para a Malu, com o seu acarajé quentinho e, uma leva de gente a embarcar no Massunim I, barco de recreio e passeio. O ladrar do cão não condizia com o lugar mas este, lambuzava-se na água, de rabo a dar a dar, gania para o dono e, peneirando o corpo, salpicava o ar.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:25
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Segunda-feira, 7 de Fevereiro de 2011
PAPALAGUI . VI

AS ESCOLHAS DO KIMBO

“Discursos de Tuiavvi”


O dinheiro é de facto o Deus do Papalagui, se a gente considerar Deus aquilo que mais se adora. É preciso notar que nas terras do homem branco é impossível viver sem dinheiro, uma só vez que seja, do nascer ao pôr-do-sol. Se não tiveres dinheiro nenhum, não poderás matar a fome nem mitigar a sede, não encontrarás esteira para a noite, serás lançado no fale pui-pui (prisão) e falar-se-á de ti em muitos e variados papéis (jornais); tudo isto só por não teres dinheiro! Até para nasceres tens que pagar e, quando morreres, a tua aiga (família) tem que pagar pela tua morte, para poder depositar o teu corpo na terra e pela grande pedra que te põem sobre a tumba, em sinal de recordação. Descobri uma única coisa pela qual se não pede ainda dinheiro na Europa, coisa que cada um pode fazer as vezes que quiser: respirar o ar. Sem dinheiro, tu és, na Europa, um homem sem cabeça e sem membros; não és nada. Tens que ter dinheiro. Precisas de comer, de beber e de dormir.

Samoanos

Quanto mais tiveres, melhor vives. A coisa passa-se assim: quando um Branco tem dinheiro suficiente para a sua comida, para a sua cabana, para a sua esteira e algo mais ainda, manda logo o seu irmão trabalhar para ele, graças ao dinheiro que tem a mais. Destina-lhe, para começar, aquele trabalho que lhe põe as mãos sujas e rugosas. Manda-o limpar os seus próprios excrementos. Se é mulher, arranja uma criada para o seu serviço, a qual tem que limpar-lhe a esteira suja, os pratos da comida e as peles para os pés, e remendar os panos rasgados; e tudo mais importante que faça terá que ser útil para a ama.

Cassoneiras do marufo

E isto até chegar ao ponto de nada mais fazer do que deitar-se na esteira, beber kava (bebida, marufo da palmeira), queimar os seus rolos de fumo, entregar as canoas já prontas e arrecadar o metal e o papel que outros, com o seu trabalho, ganharam para ele. Dizem então os homens: é rico. No mundo dos brancos, a importância de um homem não é determinada nem pela sua bravura, nem pela sua coragem, nem pelo fulgor do seu espírito , mas sim pela quantidade de dinheiro que possui ou que é capaz de ganhar por dia, dinheiro esse que fecha no seu grande baú  de ferro, o qual nenhum tremor de terra é capaz de destruir. Muitos brancos há, que amontoam o dinheiro que para ele outros ganharam, o depositam num sítio bem guardado e para aí vão acarretando sempre mais, até que um dia já não precisam de mandar os outros trabalhar para eles, trabalhando o dinheiro no seu lugar. Nunca consegui perceber como é que isso era possível, sem haver magia negra; e no entanto tudo se passa assim: o dinheiro multiplica-se como as folhas de uma árvore e o homem, até quando dorme vai enriquecendo.

Palmeira macaúba

O papalagui regozija-se com o poder que a abundância de dinheiro lhes confere. Ficam inchados de orgulho, como frutos podres sob a chuva tropical. Fazem, com volúpia, trabalhar duramente muitos dos seus irmãos, enquanto o seu corpo engorda e se fortalece. Procedem assim sem que a consciência os apoquente. Roubam a todo o passo a força de outros homens e fazem-na sua, sem que isso os atormente ou lhes tire o sono. Há pois, na Europa, uma metade que trabalha muito e se suja, e outra metade que trabalha muito pouco ou nada. A primeira não tem tempo de sentar-se ao sol, ao passo que a outra o tem de sobra.

Do Livro: O PAPALAGUI – discursos de Tuiavii, nos mares do Sul; Recolha de Erich Sheurmann


(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:59
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Domingo, 30 de Janeiro de 2011
MOKANDA DE DOMINGO . I

AS ESCOLHAS DO EMBAIXADOR

HONORÁRIO DE MACEIÓ -   CRF

"Os critérios de selecção hás vezes falham!!!"

IRENA SENDLER

Nem sempre o prêmio é atribuído a quem mais o merece...

Uma senhora de 98 anos chamada Irena SENDLER faleceu há pouco tempo.

Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações. Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos nazistas relativamente aos judeus (sendo alemã)! Irena trazia crianças escondidas no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de sarapilheira na parte de trás da sua caminhoneta (para crianças de maior tamanho). Também levava na parte de trás da caminhoneta um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do Gueto. Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças.   Por fim os nazistas apanharam-na e partiram-lhe ambas as pernas, braços e prenderam-na brutalmente. Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim.

Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a família. A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos.   
No ano passado foi proposta para receber o Prêmio Nobel da Paz... mas não foi selecionada. Quem o recebeu foi Al Gore por uns dispositivos sobre o Aquecimento Global.
Não permitamos que alguma vez esta Senhora seja esquecida!!!
Estou DESTA FORMA a transportar o meu grão de areia.

O GUETO
Passaram já mais de 60 anos, desde que terminou a 2ª Guerra Mundial na Europa. Este POST deverá criar uma ONDA DE SOLIDARIEDADE, em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos e 1.900 sacerdotes católicos que foram assassinados, massacrados, violados, mortos à fome e humilhados com os povos da Alemanha e Rússia olhando para o outro lado.   Agora, mais do que nunca, com o Iraque, Irão e outros proclamando que O Holocausto é um mito, é imperativo assegurar que o Mundo nunca esqueça.   A intenção  é chegar a 40 milhões de pessoas em todo o mundo e DENUNCIAR a politização  daquele NOVEL PRÉMIO.

(CARLOS FERREIRA O EMBAIXADOR DO NORDESTE)

O SOBA T´CHINGANGE



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:22
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010
PRÓPOLIS VERMELHA

Noticis do jamba

        ALAGOAS

 O MANGUEZAL

Substância cobiçada pela indústria farmacêutica do mundo todo, transformou a PRÓPOLIS VERMELHA num produto de alto valor no mercado. Vamos saber que substância é esta:

 

Este tipo de própolis só existe num lugar aqui no Brasil, no litoral de Alagoas.  Vamos visitar uma criação de abelhas no meio do manguezal, um lugar que desperta a atenção e o interesse de negociantes internacionais.

Dos 17 municípios que compõem a faixa litorânea de Alagoas, 12 têm apicultores que trabalham com a própolis vermelha. Em Marechal Deodoro, um dos mais conhecidos é José Marinho de Lima, que atravessa a lagoa Manguaba para nos encontrar. Junto dele, está o filho Carlos.

A viagem até o outro lado da lagoa não demora mais do que 15 minutos, tempo suficiente para Marinho lembrar os vinte e poucos anos atrás, quando começou sua criação de abelhas. “Tudo improvisado. Até caixa nós tivemos que improvisar, porque, naquela época, em Alagoas, não se falava nem em abelha. A propriedade era de bisavós, de avós, de pai. Uma coisa interessante, a apicultura, porque o indivíduo que entra na linha da apicultura normalmente não sai mais, porque é apaixonante”, diz assinalando uma placa enquanto acrescenta:

-"A placa é para prevenir, porque é a segurança. Já está avisado de que não deve destruir nada aí, não deve fazer zoada. Passar, ele pode passar tranquilo, só não pode mexer nas caixas”, explica Marinho.

 

Em terra firme, ainda temos uma pequena caminhada ilha adentro. Além de suas 200 caixas de abelha, Marinho conta com exatos 671 coqueiros. Tudo caprichadamente numerado. “Os produtivos estão todos numerados. Agora tem muitos coqueiros novos que ainda não foram numerados porque não estão na faixa de produção ainda”, diz:

-“O máximo que eu tirei foram 8.500 cocos, mas fica em torno de cinco mil cocos, seis mil cocos, de dois em dois meses ou de três em três”, diz o apicultor Carlos Lima, andando pelo coqueiral. Ele ajuda o pai apenas com as abelhas. “Já levei muita picada. No começo, eu passava dois três dias sem conseguir. Ficava inchado, delirando, com febre. De tanto levar, acostumei um pouco, mas sofri um bocado”, diz Carlos.

Bem perto da entrada do apiário, o coqueiro número um, indica que é a hora de colocar a roupa de apicultor. “Esquenta um pouquinho, mas só que aqui a gente é protegido também pela natureza. As árvores são altas, tem essa vantagem, essa grande vantagem. Sombreado, o apiário é ideal para a produção da própolis. Nossa própolis é diferente. Em vez de ser seca, ela é liguenta, e, se fica ao sol, derrete como chiclete”, explica o apicultor.

No apiário, a fumaça serve para acalmar as abelhas, mas, antes da coleta da própolis, vale uma explicação:

-Uma caixa de abelhas voltada para a produção de mel é assim, fechada de todos os lados. Só mesmo o alvado embaixo para elas entrarem e saírem. Já quando o objetivo é a produção de própolis, a caixa tem esses vãos, deixados de propósito pelo apicultor para estimular a vedação.

 

Veja como as abelhas trabalham para fechar as brechas do coletor. Elas parecem incansáveis. E, geralmente, depois de uma semana...

“Aqui está na faixa de trinta gramas, mais ou menos, de própolis. Isso varia. Eu já consegui tirar aqui numa semana 2,7 kg de própolis. Foi o máximo. Mas aí varia, 1,8 kg, 1,7 kg, 2,1 kg.  O mínimo foi 200 g por semana. Isso é sazonal, depende do tempo. Tem abelha que numa semana está cheia de própolis. Na outra semana, ela não tem nada”, diz Marinho.

“O trabalho da própolis é mais simples. Você basta usar o coletor e vai ser um trabalho externo. Já para o mel, nós temos que abrir da caixa e temos que tirar o alimento, que é o alimento da abelha. É a mesma coisa de uma pessoa tirar o alimento da sua casa”, afirma Carlos. E para não enfraquecer a colmeia, Marinho e o filho Carlos não tiram o mel das abelhas.

“Olha, você está vendo aqui três caixas, três coletores, numa alta produtividade. É simplesmente notável a quantidade de própolis que tem aqui. Se você conseguir uma repetição disso, é um espetáculo. Uma produção dessas não é comum”. A própolis vermelha só dá onde tem o rabo de bugio, uma planta típica do manguezal.

Você que consome mel com frequência sabe que, dependendo da florada, o produto tem cor e sabor diferentes. O mel de laranjeira, por exemplo, não é igual ao mel de eucalipto, de cana-de-açúcar e assim por diante. O mesmo ocorre com a própolis. Ela muda de característica de acordo com a vegetação de cada região. O Bruno Cabral é biólogo e vai mostrar o rabo de bugio, a planta de onde as abelhas tiram a resina para produzir a própolis vermelha.

 

“É quase que uma trepadeira. É uma planta que faz parte do grupo das leguminosas, do mesmo grupo da soja, da alfafa ou feijão. O nome científico do rabo de bugio ou bugio, como é popularmente conhecido, é Dalberguia ecastaphilum. A ocorrência principal dela vai desde o sul da Flórida até o limite sul do Brasil e existe também registro na costa leste do continente africano”, diz Cabral.

Com o rabo de bugio por perto, a abelha aproveita qualquer fissura no galho para raspar a resina e levá-la para sua colmeia. Em alguns momentos, elas rodam, rodam, como se estivessem dançando. O vermelho intenso da resina é o que dá a cor à própolis. Com as perninhas de trás carregadas, as abelhas levantam vôo.

Dos treze tipos de própolis existentes no Brasil, cinco são da região Sul, um dos estados do Sudeste e sete do Nordeste. A própolis vermelha de Alagoas foi a última a ser descrita e catalogada pelos pesquisadores. A sua particularidade é uma substância nobre chamada isoflavona, que tem dado que falar.

No laboratório aonde trabalha o agrônomo Severino Alencar, na Esalq, em Piracicaba, São Paulo. Severino coordena o grupo de estudos em própolis do CNPq, que envolve a USP, a Unicamp e a Universidade Federal de Alfenas, em Minas Gerais.

“Nós já investimos, em quatro anos, em volta de R$ 1,2 milhão. Essa é a primeira vez que a gente tem uma quantidade de recursos significativos para estudo de uma única própolis. É um produto natural, rico em isoflavonas. Nunca se encontrou isso numa própolis brasileira tão apta na aplicação da indústria de alimentos e farmacêutica”, diz Severino.

A isoflavona é uma substância geralmente encontrada em plantas das famílias das leguminosas. A mais famosa delas é a soja. Sobre a isoflavona da própolis vermelha, os estudos indicam um futuro promissor. “Realmente é uma boa fonte a combater radicais livres. E, quem não gosta de envelhecer com qualidade, poque... Envelhecemos por ataque de radicais livres”, afirma o pesquisador.

 

Ainda em Piracicaba, bem pertinho do professor Severino, trabalha o doutor Pedro Rosalen, farmacêutico e professor da Faculdade de Odontologia da Unicamp. Em seu laboratório, há 12 anos vem analisando os mais diversos tipos de própolis, da verde à marrom, e, agora, a vermelha.

Em todas elas, encontrou bons resultados no combate à formação da placa dental, “que é o início, muitas vezes, de problemas de saúde odontológica, da saúde bucal, como a cárie dental e a doença de gengiva”, explica:

-“Ela mata a bactéria causadora dessa placa no dente. Mas o mais curioso é que, em baixa concentração, ela não mata a bactéria, ela diminui o que nós chamamos de fatores de virulência. Porque não adianta você matar a bactéria especialmente numa ambiente como a boca, porque, dali a alguns minutos, nós vamos ter outras bactérias povoando a boca novamente. Então, talvez, uma forma mais eficiente de combater essas bactérias da boca seja diminuindo ou enfraquecendo o seu poder de causar doença”, explica o farmacêutico.

 ALAGOAS . MACEIÓ

Por conta de descobertas assim, a procura pela própolis vermelha chamou a atenção do mercado internacional, principalmente no Japão. O interesse dos japoneses pela própolis vermelha é tanto que, uma vez por ano, eles desembarcam aqui em Alagoas para visitar os apiários. Só que tudo em segredo. Tanto que eles acabaram de descer daquela lancha e não quiseram gravar nenhuma entrevista e nem permitiram que a nossa equipe de reportagem acompanhasse esse momento.

Ainda assim, conseguimos flagrar uma pequena movimentação, até que fomos autorizados a conversar com o exportador Cezar Ramos Júnior, que, há 16 anos, vende uma outra própolis, a verde, para esses compradores. “Não sabemos o que vai ser produzido, que na verdade, ainda são em escalas muito pequenas. Vamos dizer que hoje ainda é em escala de pesquisa”, diz.

Os japoneses já detêm 43% das patentes de própolis no mundo inteiro, e são eles que compram a maior parte da produção da própolis vermelha de Alagoas, que, hoje, gira em torno de uma tonelada e meia por ano.

 

Para organizar toda a cadeia de produção e comercialização da própolis vermelha, desde 2007 o Sebrae vem trabalhando junto aos apicultores. A analista técnica Amanda Bentes é quem presta assessoria nos projetos que envolvem esse nobre produto de Alagoas.

“A própolis na cor vermelha existe em outros países, inclusive na África. Porém, com as propriedades diferenciadas, essas que estão sendo buscadas pelo mercado, só é produzida em Alagoas. O próximo passo é a gente conseguir uma indicação geográfica. Indicação geográfica é um selo de qualidade que é cedido pelo INPI, Instituto Nacional de Propriedade Industrial, o qual corresponde a que aquele produto é natural, tem uma forma diferenciada de fabricação, tem propriedades diferenciadas e que são respeitadas pelos produtores locais”, diz Amanda.

Enquanto a indicação geográfica não vem, enquanto as pesquisas avançam e enquanto o mercado da própolis vermelha se consolida, o litoral de Alagoas só tem a ganhar com o desenvolvimento dessa atividade em seus manguezais, como ressalta o biólogo Fernando Pinto, do Instituto para Preservação da Mata Atlântica.

“Quisera eu que todos os outros ecossistemas descobrissem uma própolis de diferentes cores para que pudessemos ter em cada ecossistema um grupo, tendo apicultores preocupados em preservar essas áreas. Se você não preservar a mata, atinge o manguezal. Se não preservar o manguezal, você atinge a Mata Atlântica. Não tem como você dissociar esses dois ecossistemas”, afirma Fernando.

Vale lembrar que nem toda própolis vermelha contém isoflavona. Só exames de laboratório podem confirmar essa qualidade no produto.

 

JAMBA



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:18
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Sábado, 17 de Abril de 2010
MULUNGU - X

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“O BISPO SARDINHA . HOMENAGEM”


DIOGO ÁLVARES, O CARAMURÚ

 

O primeiro repasto aconteceu no naufrágio de Caramurú

Na saga da colonização do Brasil, para melhor entendermos a antrofologia, seus desaires e as consequências de tal hábito na fixação dos portugueses teremos de recuar no tempo e redescobrir a vida a partir de pequenos pormenores.

Caramurú, de nome Diogo Álvares Correia, navegava como marujo de indefinidas tarefas em terras da capitânia de São Vicente, quando naufragou nos baixios de Boipebá, habitada por uma tribo chamada de Tupinambás. Salvaram-se com ele seis dos seus companheiros que foram devorados em seguida pelos gentios. Diogo estava enfermo e por demasiado fraco, os índios nutriram-no a fim de lhes vir a ser um repasto mais gostoso.

Da nau que estava encalhada, Diogo por permissão dos antropófagos deixaram-no tirar de lá pólvora, balas e a própria arma com os adicionais zingarelhos. Os instrumentos totalmente desconhecidos daqueles homens descalços até o pescoço, ignoravam seu uso pelo que foram objecto de minuciosa curiosidade até que,...

Diogo, após carregar o arcabuz canhangulo, apontou-a a uma arara que entretanto por ali voava e, espantados, os bárbaros Tupinambás, viram amedrontados, logo após o estrondo e fumaça a queda fulminante do pássaro. O chefe daquela turba de nus emplumados de vistosas e longas penas, levantou os braços linguarejando alegrias inauditas. Logo ali, naquelas areias brancas aclamaram Diogo o grande kimbanda filho do trovão N´Zambi chegado da Kalunga, o Caramurú dragão kianda do mar.

Caramurú, por ali ficou combatendo ao lado daqueles gentios vencendo os inimigos destes descalços passando por isso a ser, quase uma divindade; um grande senhor quase mwata gurú.

A Diogo Caramurú foram-lhe oferecidas as filhas do chefe mas de todas escolheu Paraguaçu como esposa, ensinando-lhe novos costumes.

Um dia, um barco Françes que ali aportou levou-o até Paris com sua amada Paraguaçu. Cinco amantes devotas deste Diogo Caramurú não podendo ir com ele, nadaram ao lado da caravela tendo uma delas morrido afogada.

O acontecimento algo de insólito na corte de França originou que sua Paraguaçu foi batizada com o nome de Catherine Álvares Paraguaçu du Brésil, homenageando sua madrinha  de nome Catherine des Granches.

HOMENAGEM

Bispo Sardinha homenageado no Pontal de Coruripe ALAGOAS

Mais a Norte, em Cururipe, a 16 de Junho de 1556, os Caetés devoram o primeiro bispo do Brasil, Dom Pedro Fernandes Sardinha junto com mais 90 tripulantes que naufragaram com ele na Foz do rio Cururipe.

O Município de Coruripe em anos recentes homenageou o bispo Peixe erigindo um monumento em sua memória a recordar esse acontecimento de gastronomia antropológica excêntrica.

Nos dias de hoje, em Janeiro faz-se a única procissão marítima em Alagoas venerando o Bom Jesus dos Navegantes do Pontal de Coruripe. Esta surgiu em finais do século XIX depois da antiga padroeira Nossa Senhora da Penha (Pena) ser tomada pelo mar. Haverá naturalmente alguma pena pelo acontecido no distante ano de 1556 mas, só os antropólogos, teólogos ou etnólogos poderão afirmar isso. Claro que a incógnita ajuda a mística e fabrica a lenda.

Diz-se que a história Brasileira iniciou com o padre Anchieta catequizando os índios mas há quem julgue mais coerente considerar o seu começo de quando os Caetés comeram os portugueses em 1556. Cururipe toma partido desta contenda mostrando suas belezas aos turistas ávidos de coisas bizarras.

A Igreja instituíu uma taxa indeminizatória por danos causados, sendo que  esse “imposto territorial de laudémios” rondará anualmente o valor actual de 2500 reais.

Os habitantes de Coruripe sustentam com orgulho a verdade como sendo absoluta mostrando aos turistas e visitantes os baixios de Dom Rodrigo no meio da barreira de recifes. Pode ver-se aqui destroços de alguns naufrágios existindo por isso numerosos corais naquele espaço de litoral. Este acontecido de à quase 500 anos, é o quanto baste para aguçar e fertilizar a imaginação e, empolagar a lenda recriando divagações estapafurdias.

O bispo peixe rende dividendos ao pontal de Coruripe de Alagoas.


O Soba T´Chingange





PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:30
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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