Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014
FRATERNIDADES . LIII
LUBANGOVersos prensados…
Por

Na Angola onde eu nasci, nas cubatas da sanzala,  há muita gente que fala, numa conversa fiada, por vezes em discussão. Em todo o kimbo, ao chegar o ancião, todo o mundo se cala, um mito, o velho com seu cachimbo. Senta-se junto à fogueira, vai comer o seu pirão, conta histórias da vida, todas com muita aventura de quando ainda era novo,  do tempo da escravatura… de como sofria seu povo e outras por diferentes para só fazer rir. Com um quissange a tocar, todos deixam de falar, todos se calam para ouvir. Depois toca a dormir e, também o ancião, lembrando histórias vividas, nunca serão esquecidas, dos tempos que já lá vão.


Quantas vezes me pergunto, mas  que não sei responder, porque talvez o assunto seja difícil de entender, quantas estrelas tem o céu… ninguém as pode contar! Também é difícil dizer, quanta água tem o mar, quantos animais diferentes ocupam o espaço terra, e nós seres inteligentes porque andamos sempre em guerra. Qual a razão do deserto e, florestas em dimensão, depois de um dia claro aparecer a escuridão! É a força da natureza que o homem quer destruir mas DEUS, tenho a certeza, após criar tanta beleza, nunca tal vai permitir. O sol apareceu a brilhar  quer aquecer este dia mas o vento, forte, a soprar, resolveu atrapalhar fazendo uma manhã fria.


Ouvi historias de caçadores, caçadores profissionais,  contarem como os amadores queriam caçar animais, pagarem para o efeito, de sentirem o prazer, de verem… uma gazela correr. Por entre o mato perdida, por querer salvar a vida, daqueles que a queriam matar, porque tiveram de pagar, para o poderem fazer, não é mais bonito ver animais, por entre os matagais? Pagar para vê-los vivos, correrem, ou simplesmente parados… apenas e só curiosos, por verem tão ansiosos, querendo uma recordação, uma foto, uma ilusão. Num adeus, uma despedida,  com o feitiço no coração… da África desconhecida.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:00
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Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013
MOKANDA DA LUUA . XV

ANGOLA - "Oviquipungos"– 2ª de 2 Partes

Por

  Dy – Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

Este mussendo é para o Álvaro Barros, Banazol, o Chucha e todos os "Oviquipungos" e demais maralha que passou provações nas picadas de África, ou melhor nas picadas de Deus. E este será para rir um pouco.

 O Mucibe segundo o meu tio era um grande filho da P... que nunca devia ter nascido ali. A Ford pontapé, carro bom estava ali nem um arranhão, apenas o emblema azul por cima do radiador se deslocou e ficou na posição vertical, e um pneu furado segundo o primeiro diagnóstico do primo Mário o mecânico autorizado pela fábrica. Quando resolveram finalmente questionar o motivo do acidente é que foram elas. – Vinhas grosso ou quê? – Perguntou o Cenoura ao condutor, esfregando o galo na cabeça. Qual grosso qual carapuça, grossa anda a tua avó – Foi um Jimbo – Retorquiu justificando-se. – Um Jimbo? – Sim um c…. dum Jimbo. A constatação de que a barra de direcção se soltara só veio a seguir, entre palavrões proferidos em todos os dialectos conhecidos, inclusive o português. – Capunda tira o macaco e trás para aqui. – Vociferou o Tio Mário. O Capunda estava cinzento quando teve de informar que o macaco ficara no Lubango com o senhor Viegas que o pedira emprestado na quinta-feira.

 Eu encolhi-me entre as malas de peixe não fosse sobrar para mim o que durou pouco tempo pois ficou decidido que as ditas malas serviriam de macaco para salvar o ajudante daquela situação embaraçosa. Uma hora e meia depois, um perne da carroçaria e dois remendos tinham resolvido provisoriamente o acidente e o Arreguga roncava de novo na picada em direcção ao paraíso. Parámos em Quipungo pelas oito da matina e fiquei a saber a razão dos rateres do Tio Cenoura que mamou dois bifes com ovo a cavalo, um quilo de batatas fritas e seis cervejas e não fora a urgência ainda era capaz segundo ele de comer uma posta de bacalhau cozido; deixamos a pensão do Ferreira rumo ao Cuvelai já o sol acalorava a terra e libertava suor em cascata dos cabelos ruivos do tio Cenoura, que adormecera em segundos, completamente imune ao estado deplorável da picada. Já perto do Cuvelai o impensável aconteceu. A tampa do radiador do Calhambeque subiu em flecha pelos ares deixando atrás de si um Géiser de água a ferver. O Capunda pôs-se ao fresco e eu fui a seguir evitando ser queimado pela chuvarada fervilhante. O meu tio só acordou depois de alguns abanões e profetizou o óbvio. – É falta de óleo, alguém verificou óleo desta caranguejola. O Capunda aproveitou para aliviar a tripa encoberto por um mutiáte que se encontrava a uma distância prudente é que nestes acidentes de percurso a corda parte sempre pelo mais fraco.

 

 Eu timidamente dei conta aos mais velhos do carreirinho de óleo que tinha seguido o Arreguga até à carroçaria. Foi nesse momento que fiquei a saber a razão porque o tio Mário tinha sido nomeado para mecânico da viatura pela Ford. Só quem nunca palmilhou Picadas na nossa mamãe África, é que não leva um bom naco de sabão macaco para esta emergência vulgar de cárter vertendo óleo. Verter águas num momento em que todas as poças barrentas estão a quilómetros, só para o radiador. E o óleo? O óleo; Quem é que esquece o óleo quando vai para o paraíso e tem de estrelar ovos, fritar bifes de Olongo e batatas fritas. Á noite chegámos ao paraíso mas foi preciso muito sofrimento que Deus não dá nada de borla. Quem quiser morrer na paz do senhor apanhe o calhambeque do meu tio para o Qué.

As opções do

  Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:16
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Quarta-feira, 21 de Agosto de 2013
MOKANDA DA LUUA . XV

ANGOLA - "Oviquipungos"– 1ª de 2 Partes

Por

 Dy – Dionísio de Sousa  (Reis Vissapa)

Este mussendo é para o Álvaro Barros, Banazol, o Chucha e todos os "Oviquipungos" e demais maralha que passou provações nas picadas de África, ou melhor nas picadas de Deus. E este será para rir um pouco.

UMA VIAGEM AO PARAÍSO

Era um pedaço de gente a primeira vez que fui ao Qué. Ouvia os crescidos pronunciarem aquele nome mas não imaginava o que seria e nem me atrevia a perguntar, pois nesses tempos de educação, a intromissão em diálogo de adulto era punida com severidade. Limitei-me a esperar pelo dia em que iria finalmente conhecer o Qué. Foi simplesmente espectacular. Depois de uma viagem atribulada entre o Lubango e o Qué no Arreguga do meu tio chegámos finalmente à fazenda do meu avô. Eu já estive em muitas fazendas por esse mundo fora, mas aquela que o velho edificou à beira do rio com o mesmo nome, era qualquer coisa. Quem quisesse morrer na paz de Deus apanhava o Arreguga do meu tio e deitava-se ali naquele cantinho à espera que Deus o levasse.

  Imaginem um rio feito cobra deslizando numa chana imensa, salpicada aqui e ali de campos de trigo e milho onde as capotas e as perdizes se perdiam em cantares ao desafio, e os perus do mato, aquela variedade de tucano africano, conversavam entre si soltando rufos de jambé abafado. Mas para chegar a este éden era preciso sofrer, não se chegava ao paraíso assim como quem dá cá aquela palha e Deus não dá nada de borla é preciso muita provação para ultrapassar os seus desígnios secretos. Acho que nem mesmo o catálogo de percalços mais elaborado tem escarrapachado tudo o que nos sucedeu. Por condição inferior fui chutado para a carroçaria do calhambeque, eu e o Capunda, dez malas de peixe, dois sacos de cinquenta quilos de fuba, um semi-eixo para o tractor da fazenda e o meu tio Cenoura que levou parte da viagem a roncar e a largar rateres em franca alternância com o Arreguga.

 Correu tudo bem até ao Cangolo, salvo os odores do Tio Cenoura e o Capunda que ia mal equilibrado e se apeou em andamento sem pedir licença, aterrando numa poça de água barrenta da picada. Nada de mais comparado com o momento em que o meu outro tio o dono da Ford Pontapé torceu o volante para a direita para se desviar de um Jimbo e o Arreguga teimoso foi direitinho para esquerda saltando fora da picada, embatendo num Mucibe mudo rodeado de Muitiátes. O Cenoura bateu com o moleirinha na cabine e ficou com um galo no cocuruto que foi motivo de chacota durante o fim-de-semana.

 As opções do

 Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:47
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010
MACONGE . I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“REINO DE MACONGE – Sobado de Portimão



SOBA VALÉRIO E SOBETA FÁTINHA


FÁTINHA (A SOBETA) . D.OLAVO I (II VICE-REII) . DUQUE DE LUANDA

Em terras Ultramarinas, no tal sítio de Porto-à-mão, reuniu-se a Real República de Maconge na sua 5ª Ceia Nacional em 30 de Outubro de 2010. Eram uns quase trezentos participantes, gente vinda de todo o Portugal, de Angola e Cabo Verde (Bola de Neve).

O 2º Vice-Rei D.Olavo I, Grão-Duque de Mococolo leu a mukanda com “lata, lábia e linha, relembrando as figuras tutelares do Rei D. Caio Júlio César da Silveira IV e do Vice-Rei D. Mário Saraiva de Oliveira I e recordando também todos os professores que leccionaram entre os anos de 1929 a 1975, alguns presentes e outros “ausentes em parte incerta”.

Valério Guerra, o Soba de Portimão do Puto e Barão de Capangombe, recordou em verso os tempos gemidos, o luar de guitarras e de janelas perfumadas de Maconge, suas pedras garridas e serpentinas de raparigas – marés do destino não adormecidas.


TESTE DO SUMO D´UVA

Os presidentes da Academia da Huila foram contemplados com o verso do BAMBU. Bambu trazido pequeno das terras de Lubango, mais própriamente do então Liceu Diogo Cão e que agora já crescido assim foi referenciado:


Bambus e mais bambus

que haja mundo fora,

soleníssimo será nenhum

como onde a Academia mora,


e Academia não haver,

majestática e bela

como a da imponente Chela,


nem de presidente constará

virtude fama em anais…

nunca…jamais!



A POSSE DE NOVOS MACONGINOS

A perfilar, na mesa de honra e, por detrás do Bambu (alguns só em retrato) estavam D. Joaquim Seabra Pires, Duque de Luanda; D. Alberto Traguedo, Ministro da Administração dos Sobados; D. Norberto Costa, Visconde; D. António Luís Fernandes, Visconde; D. Fernando Cobango, Visconde kubankus Mapundensis; D. Henrique Vieira (Higino I), Conde do T´Chioco e Soba de Faro do Puto; D. Paulo Martins, Visconde das Virungas, Conselheiro de Estado; D. Carlos Fernandes, Visconde, Soba do Funchal; D. Sérgio Óscar Silva, Visconde do Xiloango; D. João Costa e Silva, Visconde da Minhoca, Director do Protocolo do Reino; D. Carlos Guimarães, Visconde da Lunda; D. José  Pereira (Zé Kindufo), Visconde da Mulola;  D.Haysse, Visconde; D. Rui Ferreira, Visconde; D. Manuel Fernandes, Visconde da Ribeirinha; D. Mário Abreu Dias, Visconde.


PRESIDENTES DA ACADEMIA DA HUILA

A NOBREZA


“Há quem nunca esqueça o chão, os cheiros do coração”.

Do reino de Manikongo e, para que conste na Torre do Zombo,

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:41
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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010
KALUKEMBE . V

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Os Chicoronhos”

VISCONDE DE SÁ DA BANDEIRA

 

Os primeiros trabalhos do colonato Sá da Bandeira foi o de criar condições à povoação dos barracões fazendo valas de drenagem para as águas de saneamento enquanto que nos campos abriam levadas para irrigar as hortas e pomares, bem à maneira da Ilha da Madeira. A primeira divisão de terras foi feita em quarteirões de um hectare de superfície comportando em cada um, dez casais.

Em Setembro de 1885 é fundada a colónia da Chibia no Sudoeste de Angola constituida por 12 famílias oriundas da Madeira via Lubango, alguns Lusos Brasileiros idos de Moçandes, oriundos de Pernambuco e tambem alguns Boéres idos da colónia de S. Januário da Humpata.

Havia aqui e além, naquela imensidão de terras por desbravar, percalços de soberania; relembrar que um tenente Tuga de nome Clemente de Andrade, querendo castigar o soba Chawamgo do Huambo, organizou uma força com mais de 50 praças para persegui-lo e, não o encontrando no kimbo junto ao rio Cacuvular, mandou queimar todas as embalas (cubatas). No regresso, esta força expedicionária viria a ser totalmente aniquilada; um desaire para a soberania do Ohanda Oputo que originou a ida de mais militares expedicionários.

O restabelecimento do domínio português só se veio a verificar com a submissão do soba Tonde de Caconda que prestou ao “Ohamba Oputo” (rei de Portugal).

TÚMULO DO SOBA MANDUME

Lubango, a 26 de Dezembro de 1889 é elevada a cidade e sede de Concelho.

Naqueles tempos de audácia, os funantes negociavam um pouco de tudo, mel, peles, panos, sal, peixe-seco e carne seca. A não submissão do povo Ovambo comandado por Mandume, deu origem a várias batalhas e, em 1907 , Cuamatos, Cuanhamas, Cuambis, Ganguelas, Kamessaqueles, Barantus, Bingas e  Evales, juntando mais de 25.000 homens quase vencem Alves Roçadas; por falta desse quase, (coisa de historiadores) acabaram por ser derrotados em Môngua.

Mandume, herdeiro de facto do Império Ovambo, bastante novo, caíu na lareira do terreiro do ongilo tendo ficado desfigurado; ninguém pôde evitar a sua irrequietude e, logo que subiu ao trono, transforma o regime tradicional da tribo numa ditadura pessoal sem precedentes; sobas, Vassalos, Concelho de Anciães, Lengas e T´chinganges desempenham à sua volta funções com um temor absoluto; as suas cabeças rolavam ao menor deslize e, bastava o facto de qualquer homem da tribo o olhar de frente, para ser motivo de morte por decapitação. O primeiro acto da sua tirania foi condenar à morte a sua ama por descuido na guarda da sua pessoa, que provocou ficar desfigurado.

EXPEDICIONÁRIOS DO PUTO

Durante o seu governo mandou construir t´chimpacas por todo o território a fim do gado não passar sede na transumãncia; evitou assim a morte de muitos animais por secas prolongadas. Ai daquele súbdito, que não limpasse a  t´chimpaca do assoreamento da época de chuvas; seria punido com a morte.

Consta que após a sua morte em Namacunde, os Boéres a fim de desmistificarem a crença de invencibilidade de Mandume, cortaram-lhe a cabeça e exibiram-na até terras do Etosha no Namotoni na Namíbia; os supostos poderes sobrenaturais ficariam sem efeito. Enganaram-se,... pois que, ainda nos dias de hoje, fazem romagem ao tal local aonde o seu corpo foi enterrado, Namacunde; este lugar continua cuidado ao redor da newa que o viu morrer e, a sua memória, continua a exercer forte influência entre os Cuanhamas .

Por temor, reverência ou crêndice de cazumbí, aquele sítio é peregrinado desde 1915. Ambós, Ximbas e Cafimas também lhe prestam veneração.

Eu, sou herdeiro dessa leva de gente, branco mazombo duma Chibia, Qui'hita, T´chiapepe, Chicusse, Ca´hama, Humbe; todos juntos fazemos “a lenda do Cuamato” Por isso, vamos visitar o tal soba Mandume na base da tal newa porque, faz parte da história.


Bibliografia: A colonização de Angola, de F. Cerviño Padrão; Chicoronho de Jorge Kalukembe; A questão Cuanhama, 1906, de Major Eduardo Costa; Web Google.

Glossário. palavras sublinhadas: Newa - árvore de grande porte que se confunde com o embondeiro; Caputo - gente do Puto; t´chimpaca – cacimba em terra argilosa, ongilo - fogueira no meio do terreiro do kimbo; N´digiva – antiga Pereira Déça; cazumbí – feitiço, crença mistica do sobre natural; t´chingange - feiticeiro, jurista auxiliar de sobo; lenga – chefe  guerreiro Cuanhama; Ohanda Oputo: - rei dos “Otyicolonyas” (Chicoronhos); mazombo: - filho de colonos, branco de 2ª linha (ofício).

(… Continua)

O Soba T`Chingange




PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:21
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Terça-feira, 19 de Outubro de 2010
KALUKEMBE . IV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO  

“Os Chicoronhos”

 CRISTO REI . LUBANGO

 Depois de galgar a serra da Chela em carros Boéres de 12 ou mais juntas de bois, os mais de 200 madeirenses dirigidos por José Leme assentam num lugar de Oluvango que passou a ser referenciado como “os barracões”. Oluvango, que em dialecto N´haneca quer dizer o lugar da decisão, na pronúncia das novas gentes foi progressivamente sendo designado de Lubango. Estas terras férteis, além do rio Oluvango, têm os rios Mapunda e Macúfi que irrigam aquele alti-planalto. E, foi aqui, em quatro barracões que albergaram a primeira e segunda leva de colonos respectivamente no Natal de 1884 e 18 de Janeiro de 1885.

Pode calcular-se que este começo promíscuo desgostou-os mas, habituados à dureza de vida na sua ilha, tudo suportaram com abnegação; afinal aquele espaço era verde como o seu pedaço de terra natal e todo o começo, como um parto, tem as suas dificuldades. Em homenagem ao Visconde de Sá da Bandeira D. José da Câmara Leme atribui seu nome àquele lugar que assim ficou designado oficialmente.

A anexação da República do Transval pelos Ingleses originou a que os já mencionados Boéres chefiados por Jacobus Frederik Botha tomassem assento em Ompata (Umpata), terra de origem Muila (Huila), por um acordo feito com o Visconde S. Januário, ministro da Marinha e Ultramar de Portugal.

Estes Boéres, Huguenotes oriundos da Holanda, pouco a pouco foram tomando relações com os novos colonos que em sua língua atrapalhada referiam como sendo os “Otyicolonyas”; diga-se em verdade que havia frequentemente desavenças entre os Boéres de S. Januário e os “Ochicolonos” de Sá da Bandeira levando Artur de Paiva a mediar as contendas de rivalidade. As vivências, cultura e tradições de ambos, eram bem divergentes, por isso causadoras de muitos atritos; nada que atrapalhasse o fundamento dos colonatos.

 

 SENHORA DO MONTE 

A primeira divisão de terras foi feita por quarteirões de um hectare de superfície, comportando cada um, dez casais.

Em Agosto de 1885 chega uma terceira leva de Chicoronhos à colónia de Sá da Bandeira, momento em que se nota já uma certa dispersão das gentes, na procura de locais mais de acordo com seus anseios e, enquanto uns descem para a Chibia, outros sobem para o planalto do Huambo, em Caconda e Kalukembe e outros mais se juntam a estes estabelecendo-se.

Por esta altura as coisas da administração Portuguesa corriam tão mal que levaram o Coronel Maria Coelho a ter a seguinte afirmação: -“Desgraçadamente as nossas coisas em Angola são uma miséria, tal faz desesperar,....parece que o luxo da nossa administração consiste em acumular loucuras sobre loucuras,... O desleixo cobre-se de incúria em palavras redundantes e, sem sentido,...” Para além da administração dos colonatos era imperioso mandar expedicionários militares para garantirem protecção e sucesso nas medidas e regulamentação na ocupação. Eram anos de defender soberania da cobiça; cobiça que veio a prevalecer na Conferência de Berlim.

Na posse de territórios em África pela Conferência de Berlim, muitas mentiras passam a verdades em posturas diplomáticas. A fortaleza de uns definha em covardia a braveza Lusa de tempos idos; um exemplo notório é o de que 292 anos antes de Stanley ter descrito as cataratas do Congo, já Duarte Lopes o tinha feito e, não obstante a evidência, a conferência de Berlim em 1885 deu aquele território ao rei Belga para governar. O Zambeze conhecido, desde a Lunda até muito para além das cataratas Vitória, por Silva Porto; o seu reconhecimento foi dado, não a este, mas a Livingstone.

E, não é tudo,... Na costa Namibiana, Luderitz tomou posse de toda a Damaralândia num jogo sujo da ditatorial diplomacia de Bismark, o líder alemão que fazia crer aos Portugueses não estar interessado naquelas terras. Repticiamente fazia-nos a vida negra armando o soba (rei) Mandume, o tal chefe Ovambo que deu muita luta para a tomada de posse daquela fronteira sul de Angola, ligando o Cunene ao Cubango.

 

Bibliografia: A colonização de Angola, de F. Cerviño Padrão; A questão Cuanhama, 1906, de Major Eduardo Costa; Chicoronho de Jorge Kalukembe; Web Google.

 

(…Continua)

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:33
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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