Sábado, 23 de Agosto de 2014
MAIANGA . VI

AS FALAS DE ZECA - Kinga Yófel 

Maianga: Bairro antigo e popular de Luanda

Por

 José Santos- Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga, nosso antigo rio. Ele não quer acreditar que aquele tempo passou e agora, agora somos aves raras em extinção.

Aiué! Nos matubas avilo bué! Tremo só de pensar quando os naifa me furar os fio e de vez o nguzo malé pra sempre e mazé kitetinha ficar triste bué…, num tem mais o recoreco riscando no semba do molhinhdo de óleo de dénden. Depois nos diván sofrer paka com os saquinho massembando. Ter também os sorte do Nzambi me mandar os cirurgião com os mãos de mbambi.Agora falando sério te digo verdade mesmo! Tem sorte mesmo na koka dos operação! Topa só os mambo dos sorte! No DoisMileDoze um kamba dos SessentaeNove nos particular com os catana le cortaram tudo.

 Ficou tristinho que dava pena. Durante um ano andou com os saquinho e com os massage nos saco dos matuba vazio. Pagou os cerca dos cinco mil dos euros…Topa só dinovo os sorte de outro avilo dos SetentaeDois. Em Abril DoisMileCatoze botou os naifa especial nos matuba perturbado pelos PSA. Le capou tudo e botou nos parede os impermeabilização com os bostik por causa dos humidade num vortar, que dá os vontade de sempre querer pingar os “água” amarelino caté num deixa dormir direito. Nesse, o N’Zambitáva lá de batinha verde iluminado os mãos dos cirurgião! Foi sucesso total. Le mandaram embora e sem saco (algalia). Já foi várias vezes nos verificação e tudo corre bem e sem os aflição! Tá confortado e conformado, mas queixou que nguzo bazou nos penso dos operação.

 Diz que de vez enquanto sente os calor, mas que levantar é mentira mesmo botando os vapor dos cachimbo do comboio que passava na cidade alta, nos caldeira cheios dos lenha em brasa dos madeira dos cabinda ou do sucupira. Tá conformado e muito contente. Num tem mais lamento porque relembra bem esse tempo de muzangala apetitoso, porque o gosto ficou na boca e pra sempre. Ah! Desse tempo de menhungo biológico, mesmesmo sendo pelas poeiradas esteiras do Bo, Cassenga, Sambizanga…, ou dos sofá de pele de pakassa oleado com Bien-être de zumbo dos Bambi, Copacabana, Tamar…

 Ok. Nos finalmente de Agosto vou provar os teu Milongo. Só peço a N’Zambi que me faça andar dinovo nos “Ndongo” e com a minha barona na praia da Samba. Enquanto tu ficas com as perninhas cruzadas no areal cheio de redes e topando o meu k kamba pescador Zacaria remendar os rasgos das redes causados pelo tuje do peixe balão. Com aqueles dedos compridos cheios de feitiço que beulavam juntinhos no fio de pesca dando nós pra sempre. Bom, até lá fico quietinho no Kinga Yófel como mandaste e parecido como na formatura da recruta no RIL. Kandandus  do ZECA 

Ilustrações de Costa Araújo

Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:26
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014
MAIANGA . V

TRUQUES -  COMO ABASTECER SEU VEICULO

Maianga: Bairro de Luanda

As escolhas de

 T´Chingange

Truques para abastecer seu veículo - Vale a pena ler. O autor deste texto trabalha numa refinaria há 31 anos como engenheiro de segurança para abastecer os veículos! Assim que você levar a sério e passar a aplicar os truques que a seguir são explicados, aproveitará ao máximo seu combustível e, portanto, seu dinheiro...


- Encher o tanque sempre pela manhã e, o mais cedo possível. Porque a temperatura ambiente e do solo é mais baixa.

- Porque todos os postos de combustíveis têm seus depósitos debaixo terra. Assim, estando a terra mais fria, a densidade da gasolina e do diesel é menor; O contrário se passa durante o dia, que a temperatura do solo sobe, e os combustíveis tendem a expandir-se.

- Por isto, se você enche o tanque ao meio-dia, pela tarde ou ao anoitecer, o litro de combustível não será um litro exactamente. Na indústria petrolífera, a gravidade específica e a temperatura de um solo têm um papel muito importante.

- Onde eu trabalho cada carregamento de combustível nos caminhões é cuidadosamente controlada no que diz respeito à temperatura. Para que, a cada galão vertido no depósito (cisterna) do caminhão seja exacto.

- Quando for pessoalmente encher o tanque, não aperte a pistola ao máximo (pedir ao frentista no caso de ser servido). Segundo a pressão que se exerça sobre a pistola, a velocidade pode ser lenta, média ou alta.

- Prefira sempre o modo mais lento e poupará mais dinheiro. Ao encher mais lentamente, cria-se menos vapor e, a maior parte do combustível vertido converte-se num cheio real, eficaz.

-Todas as mangueiras vertedoras de combustível devolvem o vapor para o depósito. Se encherem o tanque apertando a pistola ao máximo uma percentagem do precioso líquido que entra no tanque do seu veículo transforma-se em vapor do combustível, já contabilizado, volta pela mangueira de combustível (surtidor) ao depósito da estação.

-Isso faz com que, os postos consigam recuperar parte do combustível vendido, e o usuário acaba pagando como se tivesse recebido a real quantidade contabilizada, menos combustível no tanque pagando mais dinheiro.

- Deve encher o tanque antes que este baixe da metade. Quanto mais combustível tenha no depósito, menos ar há dentro do mesmo. O combustível evapora-se mais rapidamente do que você pensa.

-Os grandes depósitos cisterna das refinarias têm tetos flutuantes no interior, mantendo o ar separado do combustível, com o objectivo de manter a evaporação ao mínimo.

- Não encher o tanque quando o posto de combustíveis estiver sendo reabastecido e nem imediatamente depois. Se você chega ao posto de combustíveis e vê um caminhão tanque que
está abastecendo os depósitos subterrâneos do mesmo, ou os acaba de reabastecer, evite, se puder, abastecer no dito posto nesse momento.

-Ao reabastecer os depósitos, o combustível é jorrado dentro do depósito, isso faz com que o combustível ainda restante nos mesmos seja agitado e os sedimentos assentados ao fundo acabam ficando em suspensão por um tempo. Assim sendo você corre o risco de abastecer seu tanque com combustível sujo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:42
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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2014
KWANGIADES . XVIII

MAIANGAFALAS ANTIGAS DO ZECA -UUABUAMA O QUE ESCREVES KKAMBA…

Por

 José Santos- Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga, nosso antigo rio. Ele não quer acreditar que aquele tempo passou e agora, agora somos aves raras em extinção. Eu também não alinho nessa teoria do esquecimento e espero a todo o momento um passaporte diplomático para irmos à Luua. Eu e ele! Sentados, claro!

Tenho que ir nesse "RIO" que corre nessa cabeça que habitas. Quero ser baptizado por ti, quero ser teu discípulo e botar pregação com o teu livrinho de T´Ching, agarrado à mão por esses matos do Mundo. Há muito que sou inspirado por ti nesses teus belos "Missossos" do KIMBO LAGOA, que faço livro há muito e, eis-me aqui contigo nesse cazumbi que um dia nos juntou de novo, porque julgo que te conheço do tempo daquelas tremunos, deambulações pelo nosso bairro e nesse amor pelo Rio Seco da Maianga que um dia nos viu crescer. Na verdade estamos separados. Eu, neste M´Puto aos trambolhões e tu aí nessa terra de Vera Cruz de milhões de almas tão diferentes, tão cruzadas desse sangue meio lusitano, meio angolano lambuzado de baleizão kitoco com sotaque brasileiro de caramuru…

Mas, o Mundo está todo esfrangalhado em toda a parte; estamos separados, mas sinto que somos feitos do mesmo loando. Há um grito que ximbica no nosso coração de fazer missangas engasgadoras. Botas falas de injustiça na máquina de impressão para que todos as ouçam só feitas mesmo num estado de natural descomprometimento. É um sentimento, uma sensibilidade, o respeito pelo ser humano que se juntam e são banda que batucam nosso coração; uma fé que se abre na kubata do nosso coração; intransmissível! Não tem moda pimba nem banga de matumbo bem de vida. Sem adereços de bate palmas só pula como um zulu. Estudioso e, ao jeito de ermitão…, mergulha nas barrocas mais fundas do saber, para interpretar, saber ensaiar no mundo em que habita. Ele nem quer saber quem morreu, só chora… À partida não se preocupa com ismos, preocupa-se sim com a RAIZ que alimenta a árvore e muito cava para contar quantas são, como se alimentam, se são envenenadas por ervas daninhas que crescem do nada e fazem secar os seus veios de vida.

 Vejo-te transportado por uma tipóia de loando como um makota de Ambaca, por vezes, ou muitas vezes incompreendido e, até mal olhado… Na verdade, por vezes também me é difícil entender o que risco p´ra todos, do que vai no meu muxima e nesse linguajar que é BI no meu, nosso corpo. Para melhor compreenderem tenho feito Glossário do Kimbundu. Acreditem que já não sei escrever as minhas falas apenas com a pena molhada no tinteiro do Camões. Não é banga, nem saudosismo de matumbo esperto… É grande prazer e paixão. Muito lamento não ser mais dotado! Comigo é estranho, porque muito estudo e nunca mais consigo a licenciatura para virar um sábio, um mestre. Dizem que ultrapassei a idade e já não vale a pena! Que caduquei! Por isto tudo, e agora, vou fazer minhas férias no meu quintal com o livro do T´Ching debaixo de um coqueiro de plástico, dar gozo na minha barriga de Jinguba e balouçar na rede, jiboiar nas nossas lembranças tropicanas.

GLOSSÁRIO:
Missosso – conto popular;Atu/mutu - pessoas/a; NZambi - Deus; Malembelembe - muito devagar, com cautela; tremuno - jogo de bola de trapos; Uuabuama – maravilhoso; cazumbi -feitiço; loando – esteira feita de folha de coqueiro ou palmeira e atado com matebas, ximbica - rema com bordão; missanga – colar; batucam- dançam ao som do tambor; matumbo – burro, palerma; makota – chefe tribal, que tem poder; muxima – saudade, recordação

Adaptação das mokandas de Zeca

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:47
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Quinta-feira, 31 de Julho de 2014
CAFUFUTILA . XLIII

TEMPOS ANTIGOS . Eu e Batalha da EIL da Luua, por uma hora, fomos turras.

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

Por volta de 1956 havia dois Batalhas na E.I.L.; enquanto o mais velho seguiu para mestre de oficinas, nós os candengues andamos juntos por cinco anos. Ainda no Ciclo preparatório eu e Batalha júnior íamos a pé de casa para a escola e vice-versa. Saindo da escola na Vila Alice, ambos com no mesmo rumo, passávamos nos angares do velho aeroporto aonde funcionavam as oficinas da escola, tendo do outro lado o Regimento de Infantaria 20 e o Grafanil, seguíamos ao longo dos quartéis descendo pelas barrocas aonde agora se situa o moderno bairro Alvalade, junto ao Martal, abreviatura de Martins e Almeida, passávamos perto do colégio João das Regras aonde tinha andado por algum tempo e, mais á frente e junto a uma grande mulembeira, eu descia á direita pela rua Dr. José Maria Antunes até ao nº 22 no lugar do rio Seco, bem ao lado do Almeida das Vacas, e Batalha continuava para o Catambor que subia chão de areia e em rampa, cubatas de taipa, zinco, aduelas de barril e chapas de indefinidos tambores, até à nova avenida que dava acesso ao novo aeroporto de Craveiro Lopes com o Prenda do outro lado.

 No outro dia e seguintes, voltávamo-nos a encontrar, pois o nosso destino era estudar. Sucede que em um dos muitos dias ali perto da Maternidade e bem próximo dos taludes do antigo Caminho-de-ferro via Malange, no regresso da escola, saltamos um quintal para roubar maças-da-índia. Distraídos no acto do agora atira, agarra, apanha, o Senhor Tuga dono do pedaço e suas barbas brancas apanhou-nos em plena faina de encher o bucho e a mochila; acto contínuo surgem dois polícias que nos metem num carro tipo ramona fechado e grades, levando-nos para a sétima esquadra de polícia da Vila Alice. O chefe desta dita cuja, resolveu meter-nos na choça pondo um cipaio de cartola vermelha guardando os meninos maleducados e, ali ficou junto á porta de varões fortes de ferro. - Estamos lixados, disse eu para o kamba Batalha! Ele, sábio, ficou só calado, estamos feitos! Repeti.

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Foi quando o Batalha falou assim, lembro-me muito bem: – Tu és branco, vão só dar-nos um susto e depois, mandam-nos embora! - Fica quieto! Dito e perfeito assim sucedeu! Batalha tinha pinta de herói, nunca cheguei a saber se o foi em realidade mas o lusco-fusco da vida toldou-nos as vontades desencontrando-nos. Passado uma hora, mais ou menos, o chefe da 7ª esquadra deu-nos uma descompostura do camano, embora já soubéssemos que não devíamos roubar as coisas dos outros, Eu e Batalha tínhamos sina de salta-muros e continuamos nessa faina por muita mais tempo. Sempre que passávamos num pé de maças-da-índia, gajajeira, pitangueira, cajueiro, tabaibos ou goiabeiras, nós não resistíamos e, por momentos virávamos turras de novo.

 Em 1961, aquela 7ª esquadra foi assaltada dando início à confusão que todos nos lembramos. Ouve mortes martirizadas, procissões e tudo entrou aos trambolhões, início de uma guerra com prelúdio de qwata-qwata que perdurou com novas formas na arte de matar. Do Batalha nada mais soube; constou-se-me que tinha ido trabalhar para uma fábrica de sabão no lugar do Bungo. Dos amigos candengues, o Pica veio a ficar general, o Luandino da rua oliveira Barbosa, meu vizinho, cruzamos fogo no Mayombe. Eu deste lado, e ele do outro lado, mas agora, já kotas, cruzamos falas de toparioba e tambula konta! O Ferreira que foi comigo para Cabinda como Furriel, roubou um friendship da DTA desviando-o para o Congo Brazzaville e o Pestana que virou Pepetela, também ficou mentiroso de profissão, anda à deriva passeando um cão na Mutamba depois de fazer muitas tropelias. O Sayd Mingas mwangolé dos kwanzas foi queimado na confusão do agarra Nito. Como vêem, eu tenho propensão para me emparceirar com heróis, turras e gente desclassificada.

Recentemente e através do FB reencontrei gente mais nos trinques como o Zeca Santos um myanguista que com suas falas de camundongo e vestindo um velho escapulário kimbanda, dá chás curativos à malta que o mestre Sambo lhe legou; com sua balalaica dá bolinhos de brututo, missangas de feijão maluco e raspas de pau do Mayombe, para animar os kotas; um destes dias vou mostrar-vos suas falas do Rio Seco com tirocínio em porto Kipiri; O Costa Araújo, meu Mano Corvo, gente fina da Boa Entrada da Gabela, de cuspo ajuramentado, revi-o também recentemente a fazer pintura nas terras do cú de Judas, lá numa esquecida Cisplatina comendo churrasco com Gaúchos cheio de triglicéridos das Pampas; estes, vocês conhecem bem porque andou por aí pintando a manta com Pombinho, borrando muros com caca corrosiva e psicadélica, própria dum pombo estragador de monumentos. Por um triz também não fui turra mas, aqui e agora, kota do M´Puto juro que tenho vontade de o ser! Isso mesmo…Turra! Juro por sangue de Cristo!

O Soba T´Chingange
 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:09
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Terça-feira, 8 de Julho de 2014
MISSOSSO – III

NA PRAIA DOS AMORESNo Munhungo do M´Puto

Missosso: Da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto quimbundu. Óscar Ribas foi o seu criador.

Por

 T´Chingange

 Hoje foi um dia do camano. Aconteceram Coisas do arco-da-velha que até me parece ter sido mentira. Partilhando matutices, antecipo-me aos dichotes inevitáveis que me beliscam a nobreza e fidalguia. Assim, para não ficar carregado e sozinho com tantos mistérios, vou contar à malta da Maianga do Maculusso e dos Coqueiros da Luua e demais kazucuteiros do meu kimbo, este sucedido. Eram dez horas quando resolvi ir até à praia do mato passear o cão e roçar-me na arruda, tomilho e aroeiras em um carreiro quase tapado por cardos e trepadeiras arranha-cães de picos traiçoeiros. Descendo a encosta para o barranco verde, refúgio de raposas e bichos rastejantes dou de caras com um homem de tez branca, meia-idade de tronco despido e descorado; ainda de longe saudou-me: - Good morning! Respondi do mesmo jeito! Já mais próximo, pergunta-me em inglês: - Is this the way to get to the boat-of-love?... Num lugar destes e, uma pergunta destas, até fiquei meio desconfiado, meio estupefeito! - Good! - This is the path to the beach from the bed of the Cow! Disse eu respondendo, literalmente confuso. - Yes, yes ... thank you! Respondeu o gringo da bretanha. A isto respondi-lhe um simples “have a nice day!” e, segui descomposto com esta inaudita excrescência, deixando o carcamano a olhar os fósseis de concha do tempo dos dinossauros.

 Caminhando por ali meus silenciosos problemas, este gringo, veio remexer no pó da estória que trazia no pensamento e que agora, esta, se ria para mim, gracejando espadas e arcabuzes fazendo-me gaifonas porque isto nada tinha a ver com o bote-do-amor; pelo contrário, mais era uma luta de corsários da coroa britânica com naus de piratas franceses em barcos de muitas velas, com espadas e chapéus do tipo de Dartanhan de longas penas de pavão. Quase descendo a pequena falésia da praia, noto que por detrás da rocha grande, um casal de cores avermelhadas corando ao sol ... nuínhos da silva; expunham suas partes descoradas e intimas ao léu, nutrindo além do sol e o iodo, as areias monaziticas com radioactividade de fazer n´guzo nos tintins e passaroca.  

 Para não destoar do ambiente prá-frente, descalço até o pescoço, meto-me na fria água ginasticando o esqueleto por um pedaço de tempo e, após sair desta, estico-me na rocha plana a curtir o sol; quase dormitava quando começo a ouvir um barulho de motor de barco não muito longe, e vozes excitadas. Sento-me, ponho as gafas e, deparo com algo inusitado; ali naquela pequena enseada escondida do mundo, estava um junco chinês … na minha praia!? Cheio de gente algazarrada, podia observar o que parecia ser um barco amarrotado de marroquinos ou ilegais do norte de África entrando em águas Lusas; mas, não era assim! Tratava-se de turistas desenferrujando excentricidades com chapéus de bambu. Do alto da falésia da cama da vaca um musculado Schwarzenegger chamava a atenção aos demais para o salto que viria a dar. Para surpresa minha o tipo, deu o salto e veio ao de cima de água, coisa festejada pelos demais com muitos aplausos. Este, foi o início do forrobodó porque em seguida todos saltaram para a água vindo até à escassa língua de areia da praia. Um a um, eles e elas, foram chegando também nuínhos da silva, assim como vieram ao mundo; entre abraços, nalgadas e amistosos chapadões cumprimentaram o tal casal que já ali estava. Foi neste então que reparei no tal gringo que me perguntou aonde era isso do bote-do-amor. Estava explicada a inaudita antevisão deste munhungo fora de portas, nos meus queixos. Até meu cachorro tossiu de tão inusitado, uma sarrista e sarcástica risada deslumbrando-me na imitação de Muttley.

 Num pequeno bote foi chegando mais gente e, descarregaram fogareiros de bidões, vários sacos e arcas congeladoras que iam encostando à falésia; não demorou nem meia hora e, o cheiro da sardinha assada já era tão intenso que forçosamente me abriu o apetite. Afinal tratava-se de um piquenique de gringos em terras Lusas com a ligeira diferença de estarem todos desvestidos, em pelo como Deus os botou no mundo; vinham aqui recarregar suas pilhas esfregando seus tintins e passarinhas nas monaziticas areias, de forma a ficarem radioactivos. Isto foi tão real que até parece mentira! Escrito isto, veio-me à mona a muxima de piqueniques que fazíamos na Corimba, Morro-dos-veados, Morro-da-Cruz, lá nas águas mornas a ver Mussulo; um belo dia eu, kandengue espigado, subi a um imbondeiro no Morro-dos-veados e vendo o Mussulo do outro lado mijei no mundo; Não sabia nada da estória, dos mwangolés, nem Tugas e escrevi meu nome e mais um outro de sereia com chocalhos e, no meio, um coração; só por isto eu reclamo-me kamundongo com sangue de seiva de imbondeiro! Ninguém que me vai poder tirar meus direitos!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:05
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Terça-feira, 1 de Julho de 2014
MISSOSSO – II

ANGOLA – No Rio Seco da Maianga - Um amor impossível com um Louva-a-deus fêmea

Missosso: Da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto quimbundu. Óscar Ribas foi o seu criador.

Por

 T´Chingange

  Efectivamente isto aconteceu no Rio-seco da Maianga. De coração batucando dores dentro da alma, cara enrugada e desfeita, refiz a cena dum periclitante amor defuntado no tempo certo. A Louva-a-deus segurou minha foto nas mãos-tenazes e comeu-me como se fosse um pirolito de caramelo crocante. Eu, espreitando entre um monte de tijolos no quintal da Dona Arminda, minha mãe, pude ver naquela cena de quintal, o quanto a minha vida de macho corria perigo. Esta Sangamonga feita Louva-a-deus, vagabundou minha vida tornando-a em cinza e, sem estrebuchar meteu-me em sua boca deglutindo-me por inteiro. Mulata danada! Eu, grande amor da sua vida fui engolido sem enterro. Aquele amor, nascido duma impertinente flôr-do-kongo, ela, a Sangamonga, botou-me uns pozes curadores nas matubas e, de esfraganços ajindungados de maleitas e kanastem, transladou minha quentura ao coração, esta foi a puríssima verdade verdadeira! 

 

   O louva-a-deus é um insecto. Seu nome popular decorre do facto de que, quando está pousado, lembra uma pessoa orando. Caçam por emboscada facilitada pelas capacidades de camuflagem. Seu ritual de acasalamento, que decorre por volta do Outono, é uma época de perigo para os machos da espécie, uma vez que a fêmea quase sempre os mata e come durante ou depois do acto. A fêmea põe entre 10 a 400 ovos numa cápsula endurecida; após a eclosão, o louva-a-deus nasce como ninfa, que é em tudo igual ao adulto excepto no tamanho que é menor.

 

 

 

 

Batendo as palmas de seu coração justificou seu grande amor por mim, falando ao vento que farfalhava o tamarindo; talvez a acidez deste estivesse a ser aproveitada naquelas gesticuladas mezinhas de macumbas e alfinetadas. Contando isto a meu amigo kalacata, este retorquiu-me: - Meu amigo, tiveste muita sorte! Vejo-te mudado, cagunfa mesmo, mas deixa que te diga que nunca tiveste juízo pá!... P´ra pior antes assim, vivinho da costa; meteste-te com uma trituradora canibal de machos e, pois…aconteceu! E, acrescentou: - essa Sangamonga queria mesmo devorar-te e defecar-te no mato dela para engordar suas piteiras de tabaibos, matipa-tipas e xá caxinde da horta dela. Desde aquele então, o amor fechou-se-me na frustração, impregnando-se de pílulas até os anos as roerem. É perigoso namorar com uma Louva-a-deus; é como que voluntariamente, metermo-nos na boca do inferno sem passar no purgatório.

Prometi-me que nunca mais me iria deixar hipnotizar pelos olhos xicululu rodopiados duma louva-a-deus; menos-mal que na fúria deglutiu minha t´xipala e soeu, pude ver-me mastigado em meus linfáticos salientes; na gula dela, parecia palha de chinguiços velhos, espumados com ranho de babado, vomitado de cachorro rafeiro. Minha nossa senhora da Muxima, quando me lembro até os pelos do mataco se me arrepiam. Esta observância, salvou-me! Foi meu tio, Nosso Senhor, também conhecido por Zé da Fisga, que me advertiu: - Tonito, olha que essa moça, tem feitiço cum ela, mira-lhe bem no seu escuro das costas, ela tem mancha de macambira, mesmo de munhungueira e, isso não é não; não é bom sinal! Obrigado meu Nosso senhor.

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:21
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Sábado, 24 de Maio de 2014
CAFUFUTILA . LIX

ANGOLA . Pais da gazosa…

Por

 T´Chingange

Em 2005, em Luanda, eu e Bian a caminho da ilha, fomos mandados parar por um polícia civilizado, pensamos nós. Era um franzino homem com olhos pequenos, olhos entrelassados de alguma angústia e rugas próprias de quem tem mais que uma mulher para suprir, e uns quantos candengues para vestir e dar milhipapo (funge de milho). Pediu os documentos, rodeou todo o veículo e tristemente, afagando seu rosto enfiado entregou o livrete a Bien. Num repentemente de súbita descoberta voltou a pedir o livrete e, apontando para a trazeira do anglia, disse: - Aqui, diz que seu carro é branco e nas trazeriras tem uma grande mancha cinzenta; ele não é branco, é malhado! Façam o favor de sair do veículo, vai ser rebocado para a Divisão de Trânsito!

 Naquele preciso mometo, perentoriamente o franzino agente, ficou uma impertigada autoridade. -Senhor polícia essa mancha é a cobertura base de tinta para depois de lixar, levar a pintura definitiva, disse Bien contrariado, eu sou engenheiro formado em Cuba e sei o que estou a falar; tive de desmpenar e depois meter massa para cobrir as imperfeições. Perante esta inconfundivel verdade o homem autoridade mudou de postura e num repentemente já não era mais polícia, era um corrompido ladrão: Pois! Sabe! Está muito calor! Sabe como é, os filhos, os cadernos para a escola, tá tudo muito caro, faz falta muitos kwanzas!... Uma gazosa, facilita!

 Belas

Num encolher de ombros Bien, olhou para mim de soslaio, meio acabrunhado sem saber bem o que fazer como que a pedir-me opinião; eu não hesitei em tirar umas notas para dar ao desinfeliz agente. Este guardou-o rápidamente antes que houvesse qualquer reverso no acto da corrupta actitude. O agente, entregou os documentos, mandou-nos entrar no ford anglia “ora bolas”e acto contínuo perfilou-se teso, fez continência e agradeceu aquele contributo, flnalizando seu ordenamento, podem seguir! E, nós lá seguimos até à Maianga, Rua Dr. José Maria Antunes nº 22, comentando o invertido racismo a comparar com os tempos coloniais, naquele acontecido.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:36
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Sábado, 17 de Maio de 2014
MAIANGA . IV

UM VOO NA MAIANGA . NA TIAMATILDE  

Kifutu do Zeca e eu

 ZÈ SANTOS + T´CHINGANGE 

  Atrás do bando do Sardão Zerolho, barrocas das bananeiras, fizemos guerra de fisga, naqueles muitos dias de nossa muxima; nossos carros de fazer vruuum vruuum, sem bielas nem pistões, popós de arame muito estilosos, abríamos pistas de corrida de banga no todo terreno e areias do rio que só era mesmo matope de mulola seca. Ali num tinha chão de cauchu, desse, kiê dos alcatrões. Nossa escola de chão poeirento dos antigamente da Mayanga, ia do sinaleiro até ao choupal das garinas. Ah! Tinha os bué confusão dos choques e a maka com os “naifas” na mão, porque os porquê berridava pra saber quem tinha razão de ir nos frente ó não.

 No mujibi das nossas falas batukavamos muenhu de verdade. Só mesmo Ngana Nzambi botava na cabeça dos kandengue o juízo, o razão pra tudo dinovo voltar a ser bué kamba. Aiué dinovo!  Com os feitiço como soeu e tu, beulando com a língua no açúcar no depois da corrida de dikitois cada qual batotando nos medida de palmo mais um dedo. Também fazíamos corridas com tampinhas de cuca, nocal, mission; jogávamos de botão e bolinhas coloridas do abafa e... Xii, Aiué! Muita maka! Nosso calendário de eventos estava sobrecarregado. De tarde na Avenida Lisboa fazíamos o downhill com nossos bólides formula rolamentos; nos catravez nos buraco raspávamos o mataco, pelos do peito e até fuças; o carro ficava lá para trás. Xé, gostávamos mesmomesmo daqueles ditos descapotáveis, bué de banga fécula.

 Ah! Loanda, Maianga! Esse kisola, das berridas dos malucos na casa ndeles. Um dia um doidovarrido, tuje de uma figa, corre pra nós nuinho da silva cus mania dele, de doido mesmo, queria nos agarrar e todo o pessoal de bata ndele correndo notrás do cujo apitando e nós pulando o muro fugindo do feitiço dele. Mesmo Kiavuluvulu cançados das quinambas, de noite iamos na festa da Mayanga no lugar da estação dos comboios. Era nas festas do São João, catrapiscar as garinas e gastar os cumbús de quase só mesmo para uma ou duas farturas. Nos avião mostrávamos nossa banga ninita na voação até ficar com kitari Malé.

GLOSSARIO:
Cumbú: dinheiro; kinamba: perna; Kisola: amor; Muenhu: vida; Ndele: branco; Berridar: fugir; Bué: muito; Kandengue: miúdo, garoto; Kiavuluvulu: muito; Kifutu: prenda; Kitari malé: Pouco dinheiro; Martope: residuos de aluvião, areia ou lodo; Mulola: rio seco com águas de chuva a montante
As falas do Zeca e T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:02
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Terça-feira, 13 de Maio de 2014
KWANGIADES . XVII

MAIANGA - As falas do Zeca

Por

Jose Santos.jpgJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga.

Meu canto, minhas falas fazem reaparecer meu mundo antigo. Ele reaparece embrulhado de saudade, neste torrão que não é presente; faltam-lhe as fitas da kukia, não me inspira, não é como um verdadeiro presente… Cativo, vestido com os meus panos, agarrado aos búzios, amuletos, à undenge ami mu Moamba, desse antigo lugar - Mayanga ai-iu-é, que tanto berridei por esse tempo de paixão; que enricou meu coração no uuabuama chão colonial, hoje independente, imensamente rico - chão Angolano. Kuatiça o Ngoma! Assim os ouço ao longe, consolando muxima ami, que velozmente envelhece, que ainda dá batidas ora, leves, ora fortes do atu, no seu Kimbundu. Malembelembe ainda tece esteiras, missangas, planta flores coloridas no quintal iguais ás do Parque Heróis de Chaves, canteiros da António Barroso, de toda a Loanda. Eu choro o peito de ilustre kamundongo.
 Durante meus sonhos, planto capim naquele chão da Maianga, lugar que me viu crescer berridando liberdade, que hoje sinto o muxima burilar, estremecer de louca nostalgia a dar atenção ao clamor do coração sem cor…, que tornou aquele chão num campo com dor…, que muito durou, um tempo de muitas luas…Todos os dias enfrento a ponta da azagaia cravada de feitiço no meu coração. Desde esse tempo de miúdo, assim vivo coleccionando fugas, como quando descalço, chutava a bola, trumunu de trapos no chão das barrocas, de quando subia à mulembeira a retirar visgo e, depois fingir de caçador; empoleirado nos galhos do cajueiro, saciava a minha sede com seu fruto; também namoradeiro, descuidado e escorregadio, guardei comigo numa caixinha de santinhos, mais os cromos de Kimbundu.

 Nessa caixinha do tempo tenho muitas fotos, bilhetinhos de amores sem mambos nem rancores… Neste estado de kota e, neste putu, colecciono cromos engraçados de Atu, como cambalhotas das barrocas. Neste tempo de estupor, terra do fiado “civilizado”, de muita maledicência, de sem respeito, currículo suspeito, em vez de construírem… Oh! Ngana Nzambi! Numa de lama, kapiango pés de patranha, engenhosa máquina infernal, edificam-se em poleiros de nossos celeiros. Ximbicando n´dongu nos cânticos de bela kianda feita kapota, logologo no camenemene do Baleizão e, sob o olhar das palmeiras da Marginal, eu axiluanda como no tempo dos mafulos, dei com o sonho na praia de Loanda…! Aquele lugar que consolava o meu kituku de dilulu; minha kalunga.

GLOSSÁRIO:
Atu/mutu - pessoas/a; Axiluanda - antigos pescadores de Loanda; Berridavam - fugiam; Dilulu - de sabor amargo; Kalunga - mar; Kapiango – roubo; Kianda - sereia; Kituku - mistério; Kúkia – sol nascente; Ndandu – parente; N´dongu - canoa; Ngana NZambi - Senhor, Deus; Malembelembe - muito devagar, com cautela; Mafulos - Holandeses; Mayanga - Maianga, um dos bairros antigos de Loanda; Trumunu - jogo de bola de trapos; Undenge ami um moamba - minha infância de moamba; Uuabuama - maravilhoso Kuatiça o ngoma! – Toquem os tambores…

Nota: Arranjo com inventação das falas de ZECA

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:17
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2014
CAFUFUTILA . LIV

AS FALAS DO ZECA

 José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona N´zimbos das areias dum rio chamado de Rio Seco e seu mar da Samba, distribuindo kitetas pelos amigos na forma de kazumbi

AIUÉ! SEMPRE AGARRADOS Á MINHA MOAMBA!

Sempre desejoso de a colocar (a moamba) em cima da vossa mesa k kambas da Maianga, fico depois, atrás da porta e na koka matutando bué, caté choro só de imaginar um pouquito cafifado, "será" que gostam, gostarão das minhas falas, desse mambo que são loando no meu, no nosso coração.  Quem conhece o Zeca metido num corpo de quase dois metros de kandengue cheio de romantismo como o Catete sempre voando, ou plim-plau, ambos buscando amor, amizade, companheirismo..., esse alimento que enche o seu papinho pendurado por todos os tenros galhos das mulembeiras espalhadas pelo nosso antigo Bairro da Maianga. 

Edgar Neves Jamais imaginava ao fim de trinta-e-nove anos no putu, estar nesta QUIÓNGA de maravilha, receber a nossa infância de volta cantando-a com todos vós. Estou kiavuluvulu apaixonado por este milongo que me jindunga, me faz estar mais feliz, longe dos meus velhos muros, que aqui vos expresso de muxima na mão, porque muito agradeço de todos o carinho dado, assim metido nos buraquinhos de um coco que bebo, bebo átoa e como se estivesse naquele doce kapiango do Mussulo, mas que Ngana N´Zambi ali plantou só para alguns... Ah! Mas o delirio foi andar no carrinho de rolamentos do kkamba Edgar das Neves, O DIMATEKENU que fez-me pular para cima dos seus ombros, depois descer, descer na berrida e agarrado a ele pela Avenida Lisboa até às MEMÓRIAS DA MAIANGAA que virou KALUNGA pra todo o mundo. Foi ele que muito me incentivou a escrever minhas falas, livremente e sem os mambo de “matumbo” das barrocas.

 Para ele dedico um amor, uma amizade especial de botar no FACE galando a malta porque lá no fundo, em todos há um pula-pula nos muros da vida racional em um qualquer bairro. Ter o Edgar como kamba é ter riqueza sem garimpo de fuca-fuca, porque é dada na hora, de borla e com a Chivrolette de caixa aberta bem carregada de muxima, passando livremente por todos os paus empinados das picadas do putu. Contigo esqueço os mambos da vida e saboreio baleizão de ukamba. Com o Fernando Jaime, tudo, tudo, deixou-me enfeitiçado durante uns tempos, porque o tuje do feitiço não deixava-me dormir, porque obrigava-me a passar o tempo caçando as minhas lembranças sóvoando. Lembranças deixadas na minha mala de MAKAMBIRA, escondida na capoeira do meu quintal. Lá ficaram perdidas no tempo, na poeira, naquele fumo de então, mas comigo estão quase todas  bem guardadas.  

 Eis que com MALEMBELEMBE, o maianguista António Monteiro, naquele seu jeito luandino, da terra poierenta do RiO SECO, com adoráveis falas de kimbanda cheias de rendas de fio de pesca que tão tãobem sabe fazer. Logologo conquistou-me, enfeitiçou-me e botou ainda mais feitiço no soeu cosquilhando meu reco-reco para deambular pelo Rio Seco, nas barrocas do Catambor, da Samba, delirando bebendo o seu MISSOSSO, que é kimbombo doce, que faz zangular os gigler do meu muxima kota Dodje, que cadavez precisa de empurração, caté pra subir a D. ANTÓNIO BARROSO, ali na esquininha da BRACARENSE, pertinho da antiga estação e sinaleiro mais o colégio Moderno que ambos caminhamos numa frigideira que torra kiqwerra muito gostosa, que levamos à boca com falrripos de bangula. Vestidos de boca-de-sino wrangler de cor de rosa da Xabanu, de Fred Perry azul do Quintas, de sapatos mwangolés de biqueira mata barata da Cibele; num seilá-quié-quié, na forma dum sonho sonhado caté nos morro da Samba com nós sóchupar múcua de saudade.

Com a gratidão do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:46
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Terça-feira, 11 de Março de 2014
MAIANGA . III
TAMBULA CONTA: - ZECA  FOI NOS POEIRA

As falas do

 ZÈ SANTOS  . reco-reco

O Senhor dono do Ford V8

Tu, Zeca, surpreendes-me irradiando uma sabedoria e compreensão desconhecidas. Tens a liberdade no coração, na mente e no espírito e, eu vou utilizar tuas malambas, tuas falas para manter  N´zambi nosso Mwata.

 

Tambula: Topei, delirei., sonhei…“UM SONHO ESTRIDULADO… na tua N´janena ”, mas fui apanhado na rusga sem documentos. O tuje do cipaio a mando dos Poeira, levou-me na pildra e a mukanda que tinha para o meu kamba, o mundele chefe tirou…, e disse-me que conhecia um soba com o teu nome na libata de Nambuangongo. Abri o meu Samsung para mostrar os meus documentos, mas o tuje do chefe besugo disse: ”Só te liberto com os Papel na mão, esse mambo dos tecnológicos dos computador é mambo dos filme dos Ovni, num tem a impressão digital tirada nos tinta preto nos covinha t´xipala no BI do Palácio.

Também mostrei o meu cartão de residência da polícia da esquadra da rua Comte Correia da Silva, mas logo berrou, caté os mabuje do peito dele saltaram, dizendo que não era eu, esses mambo há muito caducou quando a bandeira dançou no novo mastro… Eu, bué implorei, até mostrei maço de AC, mas ele recusou dizendo que só fumava CARICOCOS com cheirinho a café Arábica da Gabela ou então DELFIM das baronas m´boas do Bambi, mas só quando estava com makueka. Berrou de novo, mandado-me despir todinho mesmo, para ver se tinha na kubata dos matubas diamba, que topei que catrapiscou para o cipaio porque ambos fumavam e berridavam com umas Cucas e uns pratinhos de jinguba do Álvaro da Maianga …Háka!

en la época colonial como el principal medio de comunicación de ... O sacrista botou lá nos sitio, as mãos para afastar o “capim”, mas tropeçou por querer nas mudanças do meu Ford V8. No final, mandou-me para a esteira cheia de ávilos-de-mil-patas que batukavam à minha chegada. Por isso nada te enviei e juro, sangue de Cristo, que este mambo é verdadeiro k kamba maianguista AM (T’chingange). Desculpa a longa mukanda 1+1, mas é pratinho kitetas com molhinho de jindungo do Mandarim da Ilha de Loanda. ZECA2014022621H25NMK - Fim da conversa de chat.

GUERRA DOS SIPAIOS - HISTORIANETKatyusha' rocket launcher

TEMPO... EM 2 TEMPOS - 2 VELOCIDADES 

Nota do Soba: Pópilas, mazé, este kandengue da Caope trouxe ávilos-de-mil-patas do BO para a Maianga onde viveu como um catete voando, voando pelo capim e agora tá abusar confusão cus poeira chefe-dos-posto. Só tá mesmo me cuspir nas mata de minha vida; se tá vanguardiar das memória que tem o sangue do tempo ; mais tarde bazou da Vila Alice com uma carrinha com tudo empilhado àtoa (dois andares) caté parecia uma canoa; recebeu uma big bazucada, monacaxito dos M via Fla no trigésimo dia em que já lá não estava, ai-iu-ué! Como é monacaxito te ofereceram um barco? Pois… N’Zambi avisou-o para bazar naquele um dia, porque nos vinteenove dias contou bazucadas. Fez mesmo colecção desses monas e juntou-os nas imbambas do tunda-a-mujila. Ambos bazamos sem querer; caté parece que é uma estória de faz-de-conta mas Noé.

Kandandus do Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:53
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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014
KWANGIADES . XVI

MAIANGA - KÚKIA AVATAR

Por

Jose Santos.jpg José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco.

 

 

 Estou muito cansado de tanto correr por esse asfalto tantas vezes riscado por mim. Meus pés estão em brasa, choram lembranças que lá estão e, agora são recordadas…, mas eu agorinha, como disse antes, estou lá…nunca sai de lá… Agora escondo as minhas lágrimas na minha kubata. É tarde e o coração manda-me estender a esteira no chão, quero dormir, quero mais sonhar, mas agora, agarrado ao meu amor cheio de missangas, desejamos ter mais momentos de paixão que guardamos para sempre. São nossas e de mais ninguém. Ah! Falta abrir um pouquinho a janela virada para o calmo mar, do lado da chegada da ponte – do ANCORADOURO. Levanto-me e abro só uma frinchinha…, Daqui o vejo lá em baixo a acenar- me e a dizer: -“Anda Zeca, anda para o pé de mim.” - “Vem falar-me dos teus versos que trazes no coração da Maianga que rimam KAMBA com UKAMBA”.

 Ele, aquele grande malandro e convertido namoradeiro de todas as beldades que passam pelo seu soalho, está feliz e está agarrado a uma bela barona que retirou dentro do kapossoka. Na mão tem um prato de garoupas, matonas bem assadinhas na brasa, que foram ali pescadas no mar daquela ilha conhecida por MUSSULU. Vejo O PÔR-DO-SOL trajado de belos panos, amarelo, azul, laranja… que se prepara para dançar o merengue no areal com belas estrelas cintilando paixão pela doce CAMENEMENE. Meus olhos cerram novamente maravilhados pela emoção. ANGOLA é assim, cheia de feitiço, que penetram no corpo para sempre, naqueles que a amam de verdade, dos que saboreiam com prazer de água do BENGO. Da fúria e do ódio que durante muitos anos alimentou o ventre da guerra.

 Também para quem souber perdoar as vidas perdidas, daqueles que estão mergulhadas no choro dentro do seu corpo, que sentem o desejo de procurar conciliar os ódios em amor. Hoje, a vemos livre, decorridos que são quinhentos anos de presença dos Mwene-Puto, mas a senda contínua. Sempre muito desejada, sempre muito explorada no seu corpo fértil, nos seus mamilos cobertos com missangas que choram, porque afinal os homens são todos iguais; em qualquer parte, contemplam uns e outros não – os herdeiros e deserdados. N´gana N´zambi, muito te tirou, também muito te deu, porque o teu coração está lá... E, isso é luz que te ilumina na banga dum zum, zum, zum.

As escolhas de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:10
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Domingo, 16 de Fevereiro de 2014
MAIANGA . II

"NA CACIMBA DA MAYANGA” Um sonho estridulado...

Por

 T´Chingange

Habituado às sestas preguiçosas da chácara da Manguaba, o zurzir do vento fresco nas aceradas folhas de altos bambus, ao viver amplo do paraíso de chinelos no pé, peito nu, embalado na rede pela vibração cheirosa do jasmim, saputi e mata lagunar, acabo por cuchilar de facto. Embora o sono seja vigiado por alguns micos, não impedem com seus guinchos o canto da cigarra do outro lado do mundo, aonde os trémulos horizontes de verdura bocejam o ar com embondeiros suplicando água ao céu. Um homem precisa de sonhar e, assim com abundância de enxúndias, até sonha com antigas realezas de N´gola voando e piando, como um gavião.

 D. Afonso I, por graça de Deus, Rey do Congo e Ibundo, Cacongo e N´goio, daquém e de além Zaire, Senhor dos Ambundos e de Angola, d´Aquissama, Mussulo e Musuaru, de Matamba e de Muilo, do Mussuco e dos Anzicos, da conquista do Pungo Alumbo, etc… nomenclatura dinástica e nobiliárquica das grandezas do puto. Pois é, o Rey do Congo estava no sonho ladeando D. Manuel, Rey de Portugal e dos Algarves, Senhor d´Aquem e d´Além mar, blá…blá.  Com vestimentas cheia de zingarelhos, cumprimentaram-se com mesuras junto à cacimba da Mayanga de Loanda.

Neste trecho de sonho não requisitado, lugares e tempo, deslocaram-se no espaço confundindo os momentos próprios do acontecido e, foi às margens do kwanza, o rio dos Mwene N´golas que a kianda Januário Pieter me explicou em sonho, ser este o rio da integridade Angolana apresentando-me o próprio N´gola Tchiloange Tcha Samba acabado de chegar de uma dura peleja em terras da Matamba. Com seus lábios grossos e olhos vivazes transpirando rudeza, balbuciou-me um Nga! Sakidilá!(Obrigado). Juro que ainda estou intrigado com esta ukamba (amizade)!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:39
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Sábado, 1 de Fevereiro de 2014
MAYANGA . I

GENGIBREO sumo de manutenção ideal

Porque estou a ficar obeso, lembrei-me hoje de publicar coisas que poderão também fazer bom efeito a meus antigos kambas da Maianga, e em verdade, para quem quiser. Cativeiro de meus espaços, rodeado de samambaias, imbuzeiros e uma vasta mata de garoba, troco ideias com meus obstinados silêncios. Uma perspectiva de daqui, extrair sentimentos. 

Ingredientes:

- 8,5 Copos de Água

- 1 Pepino grande

- 2 Limões

- 150 Gramas de folhas de hortelã

- 150 Gramas de gengibre

Modo de Preparo

Providencie um jarro de vidro onde vai colocar os ingredientes. Descasque o pepino, o limão e um gomo de gengibre. Corte em fatias bem finas. Esmague as folhas de hortelã. Passe tudo para o jarro, e adicione a água. Tampe, e reserve. Poderá colocar no frigorífico, ou deixar em temperatura ambiente, se preferir. A preparação deve ser feita a noite, e só consumida no dia seguinte, para dar tempo de que ocorra a mistura necessária entre os ingredientes. Vai beber esta água preparada todas as vezes que sentir sede, ou fome. Também deverá consumi-la em horários específicos: meio copo em jejum, e 1 copo meia hora antes das principais refeições. O segredo

Essa água preparada vem fazendo muito sucesso, sendo recomendada por dietistas. O segredo de sua eficácia está mesmo nos ingredientes. O pepino, por exemplo, é excelente para a hidratação, mantém a temperatura interna do corpo sob controlo, é fonte em fibras dietéticas, alivia indigestão, e é fonte de potássio e magnésio. O limão é rico em ácido cítrico, cálcio e Vitamina C, pectina, flavonoides e limoleno. Entre tantas outras qualidades como fruta medicinal, previne a prisão de ventre e o inchaço, além de que promover a limpeza interna do corpo. 

 O gengibre possui propriedades anti virais e anti fúngicas, acelera o metabolismo, e melhora o sistema digestivo. As folhas de hortelã eliminam toxinas, limpam o sangue, aceleram a digestão de gorduras, tratam infecções gástricas e estimulam a secreção biliar.O detalhe é que não adianta nada beber esta água e continuar comendo excesso de gorduras e frituras. Modere nestes itens se quer mesmo dar adeus a barriguinha. Beba pelo tempo que considerar necessário.

Maianga: Um bairro antigo de Luanda e, aonde há sempre, um mussendo para contar.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:34
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Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014
KWANGIADES . XV

MAIANGA - MOCANDA PARA MEUS KAMBAS ! Na Luua, com gasosa de capim

Por

Jose Santos.jpgJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco, em verdade uma mulola.

Porque a minha impressora deu-lhe o “fanico” queria ter muitas folhas iguais para voarem, assim como ver muitos papagaios merengarem. Naquele Koiilo do Rio Seco da Maianga, do Kimbundu, que fizemos com cola de fuba que lançamos no antigamente. Meu Muxima tem um mapa do antigamente - Loanda; nele tudo está erguido sob o desenho da prancha tropical, tudo percorro de uma ponta a outra com horizonte colonial. Tudo corro, com o feitiço montado numa Honda 3,5 cedida por um patrício da Socar que a encheu com gasosa de capim e visgo de mateba...

 Agora, de volta à Terra, fico quieto e não entendo os homens de hoje, que tudo constroem, desconstroem metidos dentro de mambos ricos, desprezando o que era de ontem. Este é o meu verdadeiro lamento, porque o sinto batukar kiavulu. Estou certo, que as minhas lágrimas, N´gana N´zambi irá apanhar, quiçá botar bom senso nos manos ou então o feitiço terá que actuar… N´ga! Sakidilá!

 Estou muito cansado de tanto correr por esse asfalto tantas vezes riscado por mim. Meus pés estão em brasa, choram lembranças que lá estão e agora são recordadas…, mas eu agorinha, como disse antes, estou lá…nunca saí de lá… É tarde e o coração manda me estender a esteira no chão, quero dormir, quero mais sonhar, mas agora agarrado ao meu amor cheio de missangas, desejamos ter mais momentos de paixão que guardamos para sempre. São nossas e de mais ninguém; afinal os homens são todos iguais em qualquer parte, contemplam-se uns aos outros - herdeiros e deserdeiros.

Kwangiades: - Musas, ninfas ou Kiandas do Kwanza

Escolhas do Soba T´Chingange pós-fabricada com as falas de Zeca



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:52
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Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014
KWANGIADES . XIV

UNDENGE AMI MU MOAMBA! Versos avulso prensados em texto

Por

Jose Santos.jpg José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco.

Undenge ami mu Moamba! Ngana NZambi, sabe que sou pessoa boa, que na infância, na adolescência e na adulta (parte) sempre se comportou com decência de dia e de noite com o seu semelhante nas terras dos Axiluandas.Também na antiga terra de Navegadores, hoje terra da Troika humilhada a toda a hora, que castiga mais os que vivem na “corda bamba” por uma nomenculatuta que viveu num mar rosas sob o toque da harmónica, iludindo tudo e todos com fa-ciladas, tudo adquirir, conseguir numa boa onda…

 Agora o chão desta terra, sente-se pisado por milhares, galopantemente…, mostrando contestação, porque vêem no dia a dia a sua vida decrescer muito castigada com cortes nos rendimentos, aumento do custo de vida persistente, porque que não vislumbra melhores dias neste país que está a perder graça, desaparecer…Oh! Angola, Loanda, Bengo, Maianga…! Tambula conta! Lelu, não me enrolo em esteiras feitas de maka…, esses mambo que afastam manos, kamba bangando cumbú, delírio na kubata…

Mutu malembelembe, ku abuama bué camuelo o kusala uembu… Oh! Se Ngana NZambi assim O desejar… caminharei para Sekulu com as minhas falas, no colo com o Kimbundu, com o linguajar que são kubata na minha alma, meu lugar de pétalas… Tudo calquei com papel químico… porque a minha impressora deu lhe o “fanico”; queria ter muitas folhas iguais para voarem, assim como ver muitos papagaios merengarem. Naquele Koiilo do Rio Seco da Maianga, do Kimbundu, que fizemos com cola de fuba e lançamos no antigamente.

Água do Bengo: ditado muito antigo, em que se dizia que quem bebe-se a água do seu rio, fica enfeitiçado por Luanda…Angola para sempre; Kwangiades: - Ninfas do Kwamza, musas ou kiandas.

GLOSSÁRIO:Dibanda – fortuna; Kandandu/Ndandu – abraços/o; Kianda – sereia; Kiavulu – muito; Kibabu – afago; Kitují – Outubro; Kisakidilu – agradecimento; Kiximanu ami – minha homenagem; Koiilo – Céu; Kulendukilaku – humilde; Makóiu - bênção; Malembelembe – muito devagar, com cautela; Mazanga –cidade; Mindele-iamala – homens importantes; Mukonda uala Lusangelu – porque é aparentação…; Múkua –fruto do embondeiro; Muenhu – vida; Mundele – branco; Mona – filhos (pequenos); Mutu – pessoa (eu); Mutu malembelembe ku abuama bué camuelo o kusaka uembu – pessoa caminha devagar, com cautela espantando invejosos, o que não é generoso, peneirando concórdia…; Nga! Sakidilá! - Obrigado!; Ngana NZambi – Senhor, Deus; Uakidi - verdadeiro/a; Ukamba - amizade

soba.jpg As ecolhas do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:07
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Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013
T´XIPALA . XXVII

MOKANDA PARA O ZECA DO RIO SECO

Por

T´Chingange

T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter   

 Refeito nos meus quase sessenta e nove anos de idade, precipito-me para a velhice corada e gorda, espantando deslavadas anemias com dentes postiços escondidos na esquelética anatomia; com alvo riso, desfriso as duas rugas que desde o canto da boca teimam em serpentear queixo abaixo, engordando-me os pomos que não desvanecem antigos créditos de rapazola bem apessoado. O cabelo escasso e sedoso concentra suas farturas por detrás das orelhas e cachaço. As manchas, como cagadelas de moscas salpicam a fronte fazendo um mapa de irreconhecível latitude, dando a este templo a sensação de ali guardar algum louvor, alguma bondade e, até alguma sabedoria na longitude; armazém de algumas ternuras misturadas com alegrias e dolorosas misérias, fábrica de inventações verdadeiras, descabidas ou até ridículas ou vergonhosas.
 Calma que já chego ao ZECA! Ontem, dia de Natal, com jeito de quem não se quer intrometer com a natividade de Jesus, fiz-me ao contento de não falar de coisas que aparentemente não são da minha conta porque nada sou e, nada posso mudar; banhei-me em várias águas, areei os dentes, meus e adquiridos, até os tornar bem limpos. Perfumei-me dos pés à cabeça, escanhoei minha barba com esmero, bruni as unhas aparando-as dos fungos cortiçosos, vesti-me por completo em nova roupa e, vi no entretanto da feitura do bolo rei a mensagem de natal do Zeca; Carregado de tabaibos encheu a minha kinda de muximas da quiónga. Aperaltado, lá pelas oito da noite risonho e cheiroso, apresentei-me na cubata de meus amigos, preocupado por não dar na hora a resposta correcta ao meu kamba do Rio-Seco.
 No meio e nos entretantos da consoada de ontem e, no todo do tempo empulgado, gotejei as palavras de ZECA, malambas ximbicadas com kisola que, no repentemente, só tive tempo de ler. ZECA, impregnado de cazumbi da Maianga, chupando múkua nas securas do Rio-Seco, borrifou palavras de enternecer-me. Promovendo bitacaias a tartarugas, até as alforriou dos apurados suores colónias dizendo: ”A tua presença enriquece-nos não só pela kinda cheia de estórias, por uma saudade que katinga no teu muxima koka”. Nesta revolução de ferir o espírito, apresentei-me com risonha timidez ao meu pretensioso espelho e vi, não a minha t´xipala mas a do ZECA Maianguista, dançando kuduro num lugar alugado da Tia Matilde. Já chegado a casa, um sítio de coqueiros zunidos a espanta espíritos, eu e ele, recebemos a bênção makóiu do Papa Francisco Via TV.
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:09
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Quarta-feira, 27 de Novembro de 2013
KISANJI . IV

MAIANGA -  Tempos do Mandrake.

Por

soba.jpg  T´Chingange  

Marianita e Pombinha

Com um jeito de riso mole, Pombinha, com sua preguiçosa lealdade, pedia a Marianita algo que despertou em mim uma total curiosidade. Quero que você me dê um feitiço para prender meu homem! Disse ela. Com um saco de sisal cheio de capim seco fazendo de travesseiro eu, esperava a quitandeira que sabia ir passar por ali a vender maças-da-índia enquanto lia achaparrado nos refolhos dos loandos, mesmo ao lado da venda do Senhor Cruz as comiquitas de Mandrake e seu auxiliar gigante, o negro Lohtar. Ali estava eu, dissimulado e despercebido ouvindo com curiosidade as falas das duas amigas. Aquelas mulatas sacudidas em assanhamento, fumegavam um cheiro de suas roupas, prazer de fogo fervente refogados de carne fresca. Pelas frestas das aduelas podia ver seus torneados pés morenos enfiados em chinelos coloridos que quase iguais, só diferiam nas flores; uma era nitidamente uma hortense e a outra quase jurava ser uma flor-de-lis.

 Espevitado na curiosidade, espreitando mais acima nas frestas das aduelas de barril do vinho do puto, pude ver melhor o perfil de Pombinha. Tinha um farto cabelo, tipo juba de leoa, crespo com um molho de manjericão seguro de lado por um gancho a imitar uma joaninha; aquilo deu-me uma sensação e odor sensual de trevos verdes e caxinde com outras plantas aromáticas. Pela conversa entendi que Marianita não queria cativeiro prolongado com homem nenhum porque a dada altura protestou! Casar, eu? Para quê? Um marido é pior que o diabo! Pensa logo em escravizar a gente!

 Deu para entender que cafusa Marianita no delírio de enriquecer, adornou-se de todo à labutação de amigar com homem; homem que dispusesse de algum pecúlio ou patrimónios de baús de couros trabalhados com tachas de ouro ou até prata. Pombinha, babada de amores anotou como fazer um chá de pulgas saltitantes à mistura com brututo e urtigas apanhadas na kúkia do sol nascente num dia de intenso cacimbo e, após uma noite com lua de quarto crescente. Comprometido pelos ouvidos, eu, que por ali estava lendo um livro de bolso de cowboyadas no remanso da solidão, como sombra, esgueirei-me quase rastejando para o capinzal dos fundos da venda.


Por algum tempo, ali me mantive dissimulado em um tufo de bananeiras e, foi quando um meu vizinho de nome Alex, o travesti do choupal, amaneirando-se, dirigiu um bom dia àquelas damas e, lá foi botando cheiro de madressilvas na direcção da paragem do maximbombo número três e, na rua da Maianga. As duas, pelo adiantado da hora, ficaram comentando o tardio cumprimento, do porte de bichinha, louro e esbelto homem. Um desperdício! Remata a assanhada Marianita. Era normal encontrar-me ali com Rente, filho do senhor Cruz, Braga, Chiquito e o Almeida, mulato do cortiço das Vacas bem perto da oficina de tornos do Paulino Branco, um futura meu cunhado. Era ali que desfolhávamos ávidamente os livros de quadradinhos do homem de borracha, do Fantasma e do Tarzam mas, nem eles nem a quitandeira das maças-da-índia surgiram naquela biblioteca de aduelas, ao ar-livre do Rente Cruz.


Ficheiro:The Phantom, Australian Woman's Mirror 2.jpg Mandrake é um dos mais famosos e populares heróis das Histórias em Quadrinhos mundiais, em particular, dos “comics” americanos das décadas de 30 e 40 do século XX. O argumento das histórias é escrito por Lee Falk e os desenhos são da autoria de Phil Davis. Mandrake é o ilusionista que se vale de uma técnica de hipnose instantânea, aplicada com os olhos e gestos das mãos e de poderes telepáticos. Mandrake mora em Xanadú, propriedade fantástica no alto de uma colina. Sua noiva, a princesa Narda, da Índia, e seu companheiro inseparável Lothar, um príncipe africano que abandonou sua tribo para acompanhar o mágico, são os personagens mais constantes nas histórias.

 

Kissanji: -  Instrumento musical - tábua de forma rectangular, onde se fixam umas palhetas de metal que accionadas transmitem sons (Angola); Fiote: - carreiro de pé posto na mata do Mayombe, indígena Cabinda (semântica pejorativa)

 

O Soba T´Chingange



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Domingo, 17 de Novembro de 2013
KWANGIADES . XI

MEUS BUZIOS FALARAM Versos avulso prensados em texto

Por

Jose SantosJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum rio chamado Rio Seco.

 Aiué! Temos que todos fazer o nosso LIVRO, porque as nossas estórias são verdadeiras… Não são ficção feitas com tinta de trepadeiras, que aparecem nas prateleiras com folhas de zimbro… É fumaça dos (cigarros) negritas desse tempo das rebitas de quintal, das garinas cheirando a goiaba, que a malta muito sonhava namorar na esquindiva, no beijinho uuaba!Muxima ami! Já não tem n´guzu bué, para suster tanto choro kiavuluvulu jhienda, lelu faz esteiras de capim retirado do Rio Seco sekulu, ali bem perto da Chilena, da Cacimba…, terras da Mayanga onde todos berridamos sem ais…, mastigamos paracuca cheios de banga pifada ou comprada com makutas na mercearia do kota Morais,  tão cheirosa de fuba, Cucas…

 

 Estou voando no antigamente na capanga do cazumbi. Pareço um tenrinho mbambi…, Temendo o destino, o golpe da catana, dado friamente, depois…, jamais pulará na anhara. Nisto, ele solta-me no Koiilo… Desço na berrida como ngonga mirando no chão a sua presa, um esquilo. Caio de mataco no terraço do prédio mais alto do LARGO DA MAIANGA, ali deixado, inacabado, sem banga… Daqui olho para o teu lugar de antigamente tão florido e cheio de vida – jingânda… Lugar de todos os encontros, kubeza, kuuaba gente.
 
Foto: SINALEIRODO LARGO DA MAIANGAEstou voando no antigamentena capanga do Cazumbi.Pareço um tenrinho mbambi…,Temendo o destino, o golpe da catana, dado friamente,depois…, jamais pulará na anhara.Nisto, Ele solta-me no Koiilo…Desço na berrida como Ngongamirando no chão a sua presa, um esquiloCaio de mataco no terraço do prédio mais altodo  LARGO DA MAIANGA, ali deixado, inacabado, sem banga…Daqui olho para o teu lugar de antigamentetão florido e cheio de vida – jingânda…Lugar de todos os encontros, kubeza, kuuaba gente.Recordo o teu corpo africano brilhar,naquela roupa branca que parecias um anjo…A tua xipala uuabuama impenetrável no dever,Naquele merengue riscado no pequeno círculo - Peanha com as tuas luvas brancas sempre com rikânda-ria-ngómbe Kiavuluvulu que tinha o feitiço bué kuhúnda.  Ah! SINALEIRO! Como gostava do tempo da quifufutila,do antigamente daquele transito onde tu fazias arte com sinais…Muitos paravam aboamados com kitonda, outros tupiando ais, ais…Invejavam a tua arte, que era sinfonia feita de dicanza,porque tu foste no meio de todos eras o verdadeiro maestro…Foste como uma bué calema gingando na Barra do Kuanza…De todos os Sinaleiros da cidade de São Paulo de Loanda,que Nzambi criou, o mais belo foi o teu no Largo da Maianga,porque era lugar sagrado do POÇO DA MAYANGA DO REI.Tambula conta! Mutu usela o kidi kié! No antigamente, no tempo colonial a tua arte, era feita pelas tuas mãos “brancas”que desenhavam cuidados, obediência em todas a direcções…Ah! Como eras competente para julgar, castigar camondongos, calcinhas, fangios…, os que não respeitavam a via conduzindo o Gordini, 2CV, TT, Giulia, Saab 96, kapitan, Datsun 3A, Fiat 600, Capri,SL, Spider, a Honda 3,5, Suzuki, Saches V5, Zundapp, Floretti…Todos na banga do zum, zum, zum, vindos dos quatro lados,mas logo ouviam o pripriii, pripriii que os obrigava a parar….Muitos obedeciam, paravam e tu também paravas para actuardeixando tudo e todos na kanuvanza de buzinadelas.Muitos eram insubordinados no malembe, pouco acatavam,mas tu sabias interpretar, exercer as tuas competências…Muitos ficavam perfilhados, outros vociferando má-criadice.Do alto deste terraço inacabado desta gigantesca kutata sinto que estamos há muito separados! A minha memória iluminaesse Largo antigo da Maianga, com malamba mami…,Haka! Mas, eu vejo te à minha frente, kiri muene!Como eras tão autóctone, africano e realNaquela farda branca com o teu chapéu inconfundível,com as tuas botas ligadas ás polainas brancas.Oh! Tu com os teus calções largos e brancos como o OMO,que funcionavam como Baleizão, como ar condicionadonaqueles dias de tórrido calor tropical, como gema de ovo.Mas tu não arredavas o teu pé sempre firme no dever,que cumprias e fazias com extremo rigor tão enfeitiçado,enquanto o teu corpo fritava na frigideira com dendê… No tempo da chuva parecias um anjo encolhidonas suas asas brancas no kintombo bué kilupuno meio da peanha do LARGO DA MAIANGA.No tempo do cacimbo, do bué quihumboparecias um soldadinho de chumbono seu posto, não tremendo, antes orientando…. Nas horas de ponta – na paragem para o almoçotu eras balsamo porque temperavas as pressas…, as berridas que fazia desde os Restauradores até à Travessa.Por vezes o nosso Maximbas - 3, o Barriga de Jingubapartia da Mutamba muito cheio, derreando, bufando fuba…Eu na passada, ou na berrida, chegava primeiro…Às vezes na Serpa Pinto, na D António Barroso…, batia o pato. Corajosamente botava o pé no estreito estribo,porque angolares, bilhete malé, dinovo saltava…em perigo…Kamba SINALEIRO anda comigo até à Bracarense.Anda comigo no Ká fua diá mene-mene e sem stress,porque quero kuzuela os mambo do muenhu, mutu etu.Oh! Quero te falar, jihenda kiavuluvulu ami e que recebi mutaku da uuabuama Vata da Maianga, que dizia assim:” Zeca! Tuoloietu!Pega na vida do patrício Sinaleiro do Largo da Maianga.”“Faz Dixisa com as tuas falas, faz desenhos desse angolano, desse patrício Sinaleiro que foi tão útil, está esquecidonas barrocas do tempo, porque quero homenagear na Vata,“Quero pendurar a tua Dixisa no loando na minha kubata,para que todo mundo saiba que existiu este búe angolano,num tempo colonial cujas mãos brancas protegiam, faziam milagres…”Como topas, com este agrado da Vata, k kamba Sinaleiro, o meu muxima beijou Nzambi e virou selha cheia com masóxi.Assim, fiquei na minha kubata quietinho, feliz como sagui no kixaxi. Ai ué, Mam’ééé! Bué saltei, bué Kouelenu…Logo, logo corri até ao fogareiro da D Maria para encomendar calulu,para todos os k kamba maianguistas…, “ixietu”.……GLOSSÁRIOAnhara - planícieCalema – ondas agitadas do marCapanga – agarrado pelo pescoçoCazumbi, alma, espiritosDendê – dendém – fruto da palmeiraEtu – nosso (prom poss)Haka! - credo!Ká fua diá mene-mene – café da manhãKanuvuanza - confusãoKuuaba – pessoa bela….Kuiavuluvulu muito, muito…Kilupu - ventaniaKitonda - aplausosKitombo – Abril (grandes chuvas)Kiri muene! mesmo verdade!Kixaxi - palhaKoiilo – céuKouelenu – aplaudi…Kubeza - adoraçãoKuhúnda – dar pareceres, julgar, opinarJihenda – saudades…Jingânda – bons costumesMbambi – pequena gazelaMalamba mami – os mesmos amigosMalembe – andar devagar….Masóxi – lágrimasMataco - raboMuenhu - vidaMutaku - chamadaMutu – pessoa, gente…Mutu usela o kidi kié – pessoa diz verdade….Ngonga – águiaQuifufutila – farinha de mandioca torrada com açucar.Quihunbo – grande cacimboRicanda-ria-ngómbe – passos de dançaTambula conta – toma notaTuoloietu! Estamos juntos….Tupiar - escarnecerUuabuama - maravilhosoxuxuar – através dos dentes mostrar desprezoKuzuela - falarKANDANDU, ZECA 2013100312h58MURODORS Sinaleiro da Mayanga, recordo o teu corpo africano brilhar, naquela roupa branca que parecias um anjo… A tua xipala uuabuama impenetrável no dever, naquele merengue riscado no pequeno círculo - Peanha  com as tuas luvas brancas sempre com rikânda-ria-ngómbe Kiavuluvulu que tinha o feitiço bué kuhúnda. Ah! SINALEIRO! Como gostava do tempo da quifufutila, do antigamente daquele transito onde tu fazias arte com sinais… Muitos paravam aboamados com kitonda, outros tupiando ais, ais… Invejavam a tua arte, que era sinfonia feita de dicanza, porque tu foste no meio de todos eras o verdadeiro maestro… Foste como uma bué calema gingando na Barra do Kuanza…

(Continua…)

soba.jpg As escolhas do

Soba T´Chingange



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Terça-feira, 29 de Outubro de 2013
KWANGIADES . IX

MEUS BUZIOS FALARAM BERRIDANDO PELO RIO SECO DA MAIANGAparte 1.A

Por

Jose SantosJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum rio chamado Rio Seco.

UNDENGE AMI MU MOAMBA!

Tenho saudades do tempo... em que corria descalço pelo Rio Seco do Bairro da Maianga. Oh! Kima kiatoala ami! Como sabias a tamarino, a pitanga… Meus kamba, comigo descalços deliravam, correndo pela poeira vermelha, que era nosso kamba também naquela rizada virgem de doce mangonha, que o muxima lambia e sabia lhe bem… Nosso delírio, arrojo de Kandengue, atrevidos  e sem a besuga compostura… Bazavam àtoamente de suas casas buscando a doce aventura, naquele chão cheio de feitiço e nosso kamba conselheiro… Katé era, kisola etu sinaleiro, katé dizia:-“Xé! Kandengue!

 Tambula conta na esquindiva, mazé prepara a tua fisga, lança a pedrinha no cafuso Nsengi!” - “Ih! Cuidado! Baza sem briga… Avança por ali…, risca dinovo este chão limpo e lugar de merengue, do bairro antigo da Maianga!”  - “Tala! Maianga da bela cidade de Loanda, da Baía que tem uma bela kianda, que se banha em gema de ovo, que se banha em óleo de mabanga!” O Rio Seco, era uaba matabicho para o coração, nosso quiquerra, nosso orgulho kiatuana… Assim todos metidos numa cheirosa dixisa bordada com falas de paixão, com kusaísa. Kandengue, assim cresciam buélo naquele chão…

   Caminhavamos batukando ao longo muxitu cheio de piteiras com o seu kifuxi de agulhas, que picavam pra xuxu e faziam borbulhas e de matacanhas que apontavam azagaias para os pés, levando na ponta bolinhas para o meio do mengu - o doce ninho e mamadeira para os seus bébés. Mama ngama! Oh! Oh! Kerida mama! Tenho saudades das minhas fugas… Oh! Como ficavas tão zangada…, cultivando no teu belo rosto rusgas. Tu sabias que o delírio, a fumaça do mulóji, o chamamento daquele chão feito pelo hoji, traziam a chama muito desejada, que assobiava no muxima do teu mona.

Kandandu, do ZECA

GLOSSÁRIO:
Mama ngama! Oh!Oh! kerida mama! – Senhora mãe! Oh!Oh! Querida mãe!; Oh! Kima Kiatoala ami – Oh! Minha doce coisa!; Undenge ami mu moamba! – minha infância de moamba!; Uuabuama Zacarias kamba ami – maravilhoso Zacarias meu amigo; Àtoa – apressado, atabalhoado; Auá – caramba! Basar – sair, fugir; Buélo – espantado, admirado…; Cacimba – poço, cisterna; Difibu – camaleão; Esquindiva – finta; Dixisa - esteira Glicínia - bela for pela beleza dos seus cachos; Hoji – leão;

 

Kamba – amigo; Kandengue – miúdo, rapazito; Kazumbi – espíritos, alma do outro mundo…; Kianda – sereia, ser mítico das águas; Kiatuana – infantil; Kifuxi – exército; Kima kiatoala ami – minha coisa doce; Kiri maie! – é verdade!; Kisola – amor; Kisola ami – meu amor; Kisola etu sinaleiro – nosso amoroso sinaleiro (Maianga); Koka – espreita, espera…; Kukía – sol nascente; Kukiando – o sol nascendo; Kusaísa – advertência, cuidados a ter…; Mabanga – marisco, amêijoa;

 

Mbanza do ngola – cidadela real;  Macota – pessoa com muita idade; Mama - mãe Mama ngama!; Oh! Oh! Kerida mama! - Senhora mãe! Oh! Oh! Querida mãe!; Mangonha – preguiça; Matacanha – pulga que penetra nos pés e que causa grande comichão, bitacaia…; Mayanga, Maianga – bairro de Loanda, Manhanga; Mengu – sangue; Milonji – conselhos, ensinamentos; Misoso – estórias muito antigas, fábulas, apólogos, mussendo; Mona – filho; Mulôji – feiticeiro…; Muxima – coração, saudade, ongweva (do Umbundo)

 

Muxitu – mato; Muxitu ami – meu mato; Nsengi – sardão, lagarto; Ngana N Zambi – Senhor, Deus; Nzamba-ia-diala – poderoso e condutor elefante macho; Nzonji – sonho/s; Pakassa – bovídeo selvagem, espécie de búfalo; Quiquerra – kicuerra, mistura de farinha de mandioca, açúcar e jinguba (amendoim); Rabo-de-jundo – passarinho com grande cauda e bela plumagem; Sékula – muito, muito antiga; Tala! - olha!; Tambula conta – toma nota…cautela…; Uanga – feitiço; Uuabuama – maravihoso; Uátoba – atoleirado; Undenge – infância; Undenge ami mu moamba! – minha infância de moamba!

Kwangiades: musas ou ninfas do Kwanza, As Kiandas do rio da integração Angolana.

(Continua…)

Opção de escolha do

Soba T´Chingange



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Sábado, 19 de Outubro de 2013
KWANGIADES . VIII

MEUS BUZIOS FALARAM Mokanda de Um Kota especial!2ª de 2 Partes

Por

José Santos Jose SantosImpregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum rio chamado Rio Seco.

O nosso mambo, ninguém pode ouvir, caté ele e temos de falar noutra língua… sugeria OSHIVAMBO. Esse matumbo diz-me que todos os mundele tem feitiço, tudo cobiça, num têm muxima como os nosso feito de capim e de cangoenha de pitanga. Mais diz, assim: - “Meu Rei tambulaconta na tua koka, cada vez te vão dar bassula, botar ferro, mandar no POEIRA, botar na pildra e teu botinho cabelo de araminho malé, fica assim como terracinho gostoso como dos jogadores dos futebolé. Fiquei enervado e logo botei caneca de maluve para amansar a minha onça. Agora, te digo, escapou apanhar umas galhetas e apenas lhe ordenei: -

 Masila Mayanga

“Estátua! Claro que ficou em sentido! Ficou a tremer como bambu kandengue e se mijou todo!” Logologo ameacei-o com o rabo do hoji na mão e disse: - “Cala essa boca de kissonde velho. O ZECA é kamba muxina igual ao nosso, num tem esses mambo do descriminação nos bolsos na koka dos calção de caqui. Ele uso os nossos panos, come a nossa comida, respeita as quilumba, menina ou velhinha, zuela kimbundu, chora pela Mayanga… Agora também quero conhecer essse muadiê AM kamba do Zeca que tem nome muito bonitinho, T’CHINGANGUE. Meus buzio diz que ai tem chinezinho de Beiijng T´Chin?”

Foto: UNDENGE AMI MU MOAMBA PARTE IV – TEMO MORRER DE SAUDADE… Tusakidila Nzambi! Aiué! Muenhu uami’ê ai!Aiué! Ngala ni Jihenda, kiavuluvulu mu muxima ami!Talenu! Jihenda pala kutuku mu Itulu!São tantas, que temo morrer de verdade…Muxima kota, já não dá bué pulinhos Kuafulu,agora, suspira quietinho o tempo da mocidade…Auá! Ainda há pouco julgava-se kandengue, como se fosse um bonitinho Mbambi!Malu ami! MAIANGA bazou inana mu merengue!Zeca, ki muzangala ê o kuuaba mukini!!Oh! Uuabuama Ngana Nzambi!Diz-me, o que é feito do meu quintal,da minha mala do makambira…, afinalcheia de Undenge ami desse tempo kiavulu kimi… Desse tempo dos angolares…, colonial,Diz-me onde está o meu pombal cheio de amor voando no ar, o meu jacó Topariove que adorava o Hernani - o genial,o meu sagui Miki que imitava o Cantinflas a andar,As Lagoas nas barrocas da Travessa de João Seca, feitas pela bué Jimvula de Março, Abril, cheias de sapinhoscatando com a dicanza o amor de cristal… aos saltinhos.Oh! Como kandengue delirava ver as coxinhas fazerem panqueca…Xénhe! Mostra nos o nosso Portão, Kiuéie etu,assento, cordão de falas, de boa amizade de jovenssonhadores do tempo do N’gola…, Beatles com o seu ié,ié…,Elas baronas, belas acácias descobrindo o cheiro, as petálas… Eles esbeltos, exibindo barbichas, bangando Nsambu bué….   Ah! Como tanto sonhavam no colchão de espiga…,embrulhados no cheiroso e belo lençol da Textang, deambulando pelas ruas…,luandinas, maianguistas bué Uanga,tão agarradinhos na massemba que deixava, bué katinga…A nossa geração foi “obediente” e platónica..., pouco “instruída”, mas muito, muito responsável, porque no idílio, para o amor, muito pedia, tinha prova oral,porque o primor e o respeito tinham selo de moral…Ah! Moral! Cujos passos, avanços, Maxikululu,mãozinha dada, beijinhos…, tinham à sua frente o finca-pé…  Ao contrário desta “desobediente”, psicadélica, que bate-pé…,mais “instruída”, mas muito, muito irresponsável pra Atu.Sim! Porque esta, tudo rompe sem pestanejar,com os olhos fixos no fundo da gruta, caverna…,num marimbar para os danos, fruto desta era moderna cheia de campos de festa para explodir o Woodstock avatar…,Onde a sua liberdade muito se consola até fartar,onde o “Esplendor na Relva” abriu as asas, fecha os olhose os papás ali estão para tudo e numa toada serenatudo consertarem, cabisbaixos, sem briga, restolhos...Undenge ami mu Moamba!Aiué! Carro do Fumo bufou “Mon’a’xi” pala Kaxaxi!Caté o misoso do macota kamba Zacarias ami,metido numa cabaça feita com cascas de mabanga…,Escrito com suas falas, lágrimas de Kuxixima,que plantei no meu quintal de kandengue. Muetxiele!  Kutulu uala, pala ku paka mu muxima,ua uala ni itulu mu henda, kua mutu kejiê, bué merengue… Ah! Mas aquele Sol oirado, a Lua de Prata,que caia no meu quintal da Travessa J Seca da Maiangaestão comigo e iluminam a minha inspiração, é missanganeste putu de desilusão que merece bassula, dizer basta…Todos os bairros da cidade de S Paulo de Loanda,sejam os de terra, poeira ou de alcatrão…,por todos, muitos, muitos anos namorei, deambulei…,mas o da  MAIANGA foi o que mais pisei, mais amei…É sentimento misturado com bombó, não por ter lá vivido parte da minha vida, mas porque era especial, muito unido,hospitaleiro no trato, bairrista no “rapto” dos kapianguistas das nossas miúdas, que logo a maka buzinava, o kuata-kuatafisgava galheta, inspecção, recruta, juramento e pré.Oh! De todas as festas do SPORTING CLUBE DA MAIANGA,que enchiam de alegria aquele recinto recreativo e inesquecível chão o maior delírio uuabuama, era o da festa do múkua henda São João, o santo mais amado pela sua festa popular cheia de encantamento, Com os ranchos todos vestidos a rigor, bué banga…,calçando socos, alinhados no palco de soalho que muito jingavabebia katinga do VIRA, pra a alegria dos kotas que lambiam saudadee os Miekeleke pulavam, pulavam Uembu Kimuua da comunidade.Ah!  Mas a do Fim de Ano fazia estremecer a estrutura do tecto,porque também dançava o merengue com o feitiço da massemba no chãoagarrado às chapas de zinco sempre pronto para batukar com o pernãosob o calor do N’Gola Ritmos – muxima, da voz do Elias – zom zom…A muzangala não descansava na sua vez, com o yé yé da F. Hardy,Massiel, S. Vartan, com o Rock and Roll do Bill Haley – Rock Around The Clock, Shake, Rattle and Rock…com o Chuck Berry – Johnny B Good, com o Elvis – Blue Suede Shoes, com rebita paka,com a Kúkia madrugar, com do Elias – Zé Salambinga, Águias Reais – Bazooka… Para os Kota estilarem todos bangões, agarradinhos às damas mostrando as suas habilidades para os kamba sentados nas mesas comendo churrasco…, bebendo finos da Cuca, Nocal…, tinham surpresas,tinham discos para riscarem no cafuso do seu salalé, com Tango, PassoDoble,Raspa, Valsa, Bossa Nova…no estouro do novo ano com as passas, desejos… AMAM’ÉÉÉ! TEMO MORRER DE SAUDADE!Recordar o seu bairrismo, é candeiro a petróleo do Morais,cuja rodinha mais ilumina a minha kubata bué retratos, claridade…,que  passou de geração em geração, dessa Mayanga antigae desses guardiães Maukumbu que já não existem mais…mais…Feita de convivência que mais crescia, mais o Rio Seco uakala Ngiji Lumuenudesse sekulu território sagrado – POÇO DA MAYANGA DO REIque abraçava os “patricicios” do Prenda, Catambor, Samba…, sua greicom todos juntos à volta da cacimba bebendo, saudando…, com kutululukaLelu, arrasto um tempo que é presente dessa Loanda que batuka,metido nesta terra que sobrevive neste tempo de grosso sarilho pra Atu,metido numa moamba azeda de maldade, de hipocrisia, de curibotice,  de alembamentos, de beija mão, porque não tem saída, Ku mesu! Continua…KIAMI KANDANDU, KIA MUXIMA KAMBA, ZECA 2013101618h44NMK na minha kubataGLOSSÁRIO:   Tusakidila Nzambi! -                    Louvado seja deus!Aiué! Muenhu uami’ê ai! -              Ai de mim! A minha vida!Aiué! Ngala ni Jihenda,                Ai de mim! Tenho saudadeskiavuluvulu mu muxima ami! –          muitas, muitas no meu coração!                                                         Oh!  Uuabuama Ngana NZambi!                  -      Oh! Maravilhoso SENHOR! Talenu! Jihenda pala kutuku mu itulu             -      Vejam! Saudades para louvar no jardim!Malu ami! Maianga, bazou inana mu merengue!    -    Ai de mim! Maianga, fugiram as pernas de merengue!Zeca, ki muzangala ê o kuuaba mukini!            -     Zeca, não é o belo jovem bailarino!Muetxiele! Kululu ala, pala ku paka mu muxima,             -  Deixa-lo! Flores são, para plantar no coração,ua ualini itulu mu henda, kua mutu kiejiê, bué merengue…  que tem jardim de saudade, para quem não sabe,                                                                  muito doce….…mais o RIO SECO akala Ngiji Lumuenu….         –     mais o RIO SECO era Rio Espelho….Amam’ééé! – Oh! Minha mãe!Auá - carambaAtu – pessoas, gentesBassula – rasteira, empurrãoBombó – farinha de mandioca, fubaCuributice (ku dibota) – palrar, dizer mal Hernâni – antigo jogdor do FCPortoItulu - jardimJihenda/henda – saudades/saudadeJimvula – chuvas Kandengue – miúdo, rapazitoKatambor – um dos bairros(musseque) de Loanda situado na zona da Av Lisboa.Kiavulu kimi – muito queridoKapiango – roubo, retiar…Katingando – transpiração corporal…Kaxixi – para foraKiuéie etu – nosso adoradoKota – pessoa mais velha…Kuafulu - gostosoKuata, kuata – agarra, apanha, segura, pega…Ku mesu! – para futuro!Kitulu - floresKutuku - louvarKutululuka - humildadeKuxixima - louvarLelu – hoje…Mbambi – antílope pequeno.Mabanga – marisco, espécie de ostra.Macota – pessoa muita idosaMayanga, Maianga – bairro de Loanda e prox da baixa. Maukumbu - orgulhososMassemba – dança, ritmo sensual do corpo sentido e produzido pelo par…Matumbo – individuo buçal, de gestos grosseiros, selvagem, ignorante…Merengue – ritmo de dança, muito animadoMerengue – bolo feito de claras de ovo batidas com açucar e que contém recheio.Miekeleke -garotinhosMisoso – estórias muito antigasMon’a’xi! – filho da terra!Múkua henda – generoso Munzangala – mocidade, rapaz, adolescenteMuanha - SolMuxima - coraçãoMaxikululu - olharesMuenhnu - vidaNsambu bué – muito ritualNgana N Zambi – Senhor, DeusPatricio – termo designando o angolano negro.Prenda – Bairro situado (prox Maianga) na zona da Av Lisboa (Aeroporto)Samba – Bairro situado (visinho) a sul com o esplendoro mar e seus pescadoresSekulo – pessoa muito idosa, antigoTalenu! Vejam!Uuabuama - maravihosoUanga - feitiçoUembu kimuua - tranquilidadeUndenge – infânciaUndenge ami mu moamba! – minha infância de moamba!Undenge etu – nossa infânciaXénhe! – Oh! Vós! KIAMI KANDANDU, KIA MUXIMA KAMBA, ZECA 2013101618h44NMK na minha kubata Obrigado por merecer a tua atenção kamba do Rio Seco da Maianga. Fico muito grato. Até nisso somos parecidos, porque partilhamos na QUIÓNGA essa atenção de boa amizade, porque são ventos muitos desejados nesta “selva” que nunca conheceu a verdadeira comunicação, amizade daquela SELVA, que num tempo tantas vezes dita no Paço, que leões e pessoas caminhavam de braço dado pelas ruas de Loanda. A memória guarda, a memória não esquece, como num tempo foi tão maltratada. Hoje os tempos são de beija-mão de muitos que voam e que aqui outrora muito se coçavam, se era por causa da flor do Congo ou do kissonde das mil patas, não sei, mas que se coçavam, sim é verdade, porque o gesto da mão aflita parava no portão, praguejando maldição.

Kandandu, do ZECA

Kwangiades: musas ou ninfas do Kwanza, As Kiandas do rio da integração Angolana.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Sábado, 12 de Outubro de 2013
KWANGIADES . VII

MEUS BUZIOS FALARAM Mokanda de Um Kota especial! 1ª de 2 Partes

Por

   José Santos – Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum rio chamado de Rio Seco.

T´Chingange, desculpa falar-te assim; não me julgues mal. Apenas sou aprendiz de Kilamba, que fala com búzios, amuletos e esfrega a testa com quimbombo para expulsar os camondongo dos cabelo brancos. kamba do Rio Seco da Maianga, digo-te que eles falaram comigo!  Depois de uma boa funjada com peixe-espada do Cacuaco frito em óleo palma e maduro Grâo Vasco da mercearia do mundele uaba Morais, ataquei uma sesta numa folha de Bananeira. Botei sonho e vi-me metido no Maritimo riscando o chão com uma barona, caté a massemba pingou moamba. Quando estava nos contrajeito dos caminho estreito, fiquei fulo demais, porque nos ouvidos senti os meus búzios…Topa só, o Maritimo, barona, massemba bazaram. Kamba, o mambo é sério que botaram no meu muxima.

  Dizia assim: - Xé! Zeca! Esse mano AM T´Chingange, é avilo paka, zuela como patricio, caté parece que fez praia com a gente na Samba! Botou tua mukanda nos MM dos Vata do Poço da Maianga do Rei. Então, numa boa, já enviei pelos SMS mundele, esses mambo para confirmar que é bom kota, é mestre de falas do antigamente dos N´Dongo que cospe fogo e o resposta do kuatiça do Rei num tardou.

 A tradução do Kimbundu para os putu, fica assim: -“Kalundu (Buzios) uabuuama! Manda Zeca e AM T´Chi botar os panos do Textang, cheirando a óleo de figos de piteira, porque nos dias em que N´zambi não botar mais vento, eles têm de estar prontos, porque bazam até à minha kubata. Os porquê do chamamento, nos durante do mata-bicho com torradas de jimbolo com matete de javali, leite de onça, manga, abacate…, lhes digo em Kimbundu, porque os mambo é nosso e num tem esse quê de escuta de matumbo na koka sem condição. O feiticeiro vai estar presente e na koka muito catrapisca para só eu e bota fala que num tem tradução, porque bota estalinhos como os quiocos.

Kandandus do

Sota T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:20
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Terça-feira, 8 de Outubro de 2013
MUXIMA . XXXIV

ANGOLA - LUANDA O abastecimento de água potável a Luanda . 1ª de 3 Partes

As escolhas de

    Kimbo Lagoa     

Por: Manuel da Costa Lobo Cardoso -Edição do Museu de Angola de 1950

 Desde o início da ocupação que o abastecimento de água a Luanda, - «a quem a Natureza denegou Fontes a athé poços de água doce e saudável» - tem sido considerado a «causa da cidade. As referências que a este respeito, no decorrer dos séculos, encontramos sobre a capital de Angola, proclamam, dum modo geral, as suas precárias condições de salubridade, atribuindo-se à falta de elemento tão necessário à vida, como é a água, a dificuldade com que sempre deparou para se tornar um centro urbano importante. Por mais de uma vez, para ocorrer a esta necessidade, foram tentados empreendimentos, que ficaram, na sua maioria, sem resultado.

Existente nos subúrbios de Luanda e que durante séculos abastecendo de água potável as classes pobres de Luanda. Os primeiros datam de 1645, do tempo dos holandeses, no curto período da invasão, ao pretenderem trazer à cidade as águas do Cuanza, através dum canal que projectaram e que parece viria desembocar a mais de uma légua de Luanda. Posteriormente, ao Governador Tristão da Cunha, é recomendado pelo Governo, no regimento que lhe deu em 10 de Abril de 1666, que - «velasse pelo concerto e reparo da lagoa dos Elefantes (onde se encontram os «Poços da Maianga»), como quem sabia o muito que importava ao abastecimento da população».

 Mais tarde, em 1753, o Governador D. António Álvares da Cunha, Conde da Cunha, estuda, pessoalmente, o problema da canalização das águas do Bengo e Cuanza. Por sua vez, D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho nas cisternas do Penedo, S. Miguel e do Terreiro,- «deixa evidente a prova de que não teve em menos conta a grande necessidade de Luanda». Em 1813, o Governador José de Oliveira Barbosa, aproveitando as - «supostas aptidões do degredado político José da Cunha e Sousa Alcoforado, encarrega-o do estudo e imediato seguimento da construção de um canal de Calumbo a Luanda». Goradas, quase sempre, todas estas iniciativas em que os poderes públicos se empenharam, somente em 1865 é que o estudo da questão renasceu.

Opção do

soba.jpg Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:50
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Quinta-feira, 3 de Outubro de 2013
KWANGIADES . VI

TUJE DO KATOTOLODa Mayanga, um bairro especial! -2ª de 2 Partes

Por

 José Santos – Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum rio que feito mulola só leva água quando chove. Esse rio seco da Mayanga inspirou-o a contar antigos mussendos tornando-o um exímio contador de ternuras com kimbundo. Porque os ventos do esquecimento não têem no Kimbo tutela legal, convidei Zeca Santos da Mayanga a derramar katinga no nosso terreiro e, ele anuiu.

Kwangiades: musas ou ninfas do kwanza (página do Zeca – O rei do pedaço!)

O resultado está à vista de todos. O país foi fatiado a contento para futuro sustento. Somos servidos por duas plantações que se alteram no favorecimento de colheitas. Como enganados fomos, somos nesta democracia que está em crise, por culpa daquelas pessoas, domadoras de animais, de entretenimento, de votos, que nos caçaram e depois viram-nos as costas. Na verdade muito foi feito e com riqueza desmedida…, pudera com as centenas de barricas cheias de milhões de euros, mas estamos a voltar para trás, essa é uma certeza. O “bem bom” de outrora já não volta, antes volta com outra face de cobrador com mais impostas, mais mas, apenas temos uma certeza que muitos glorificam o betão espalhado pelo país. Pois, já não viveremos em casebres, passaremos em caminhos de pedras, comemos caldo de cascas de castanhas, onde nos consolamos vendo telenovelas na televisão para kotas já sem visão. Desculpa esta parte longa….

Agora, sobre essa autorização de postares as minhas “falas” Malambas no Blog KIMBO LAGOA, K Kamba do Rio Seco da Maianga, AM T´Chingange, fico muito agradado, caté muxima batuka mais apaixonado por se juntar a tão ilustres Kilamba e kota bué ofícios. Sem banga alguma digo, que Kimbo Lagoa é a mais bela corda de capim envernizada que contém estórias da antiga África Portuguesa, também da terra de Vera Cruz, hoje Brasil, que também interpretam a sua gente, fauna, flora…num tempo descoberta, colonizada, independente, entregue, dependente….Bem hajam. Para mim é um prazer! Os meus recursos são poucos, são lidados com paixão e com muito amor por Angola/Loanda/Maianga Colonial. Faço-o sem complexos. Se tiver de dar galheta dou e digo porque dou.

:::::::

 Gosto de merengue, de peixe frito com óleo de dendém, de merengue do tempo dos Axiluandas, da massemba coladinha nas coxinhas ao sabor do ritmo do batuke, do avilo sem cor e sincero que me respeita e que reparte comigo o seu funje. Adoro o Kimbundu. Compreendido por dois tempos: um de biberão e outro de paixão. Tive um bom professor na Escola da Travessa da Maianga. Chamava-se MORAIS. O kota tinha uma mercearia mesmo ao fundo e na esquina. Falava tão bem que até patrício beliscava-o para saber se era patrício. Muitas vezes a rizada estoirava, caté rebentava as sacas da fuba e do peixe seco, cujo “pivet” nunca mais saiu do meu corpo. Já lá vão quase sessenta anos… Muito obrigado por merecer a tua atenção e levar- me até junto dos seus amigos.

ZECA

Nota: Mandei búzios (n´zimbos) ao Zeca e ele agradecido, agraciou-me com mais funje bwé de boa e também mandou de feitiço uma m´boa barona da ilha mazenga. Vou partilhar com o Kimbo e demais ávilos as suas malambas; a m´boa fica tomando sol! Talqualmente!

(Continua ... Meus búzios falaram…)

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:18
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Terça-feira, 1 de Outubro de 2013
KWANGIADES . V

TUJE DO KATOTOLO Da Mayanga, um bairro especial! -1ª de 2 Partes

Por

 José Santos Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum rio que feito mulola só leva água quando chove. Esse rio seco da Mayanga inspirou-o a contar antigos mussendos tornando-o um exímio contador de ternuras com kimbundo. Na prosa ou poesia lambuza-nos seu ADN carregado de coloridas missangas: uma espiral abençoada por kiandas e kwangiades num linguajar próprio do reino de N´zambi. Num acaso feliz do nosso passado, atámos pontas soltas de tremunos inacabados. Por uma rasteira do destino, como num tremuno, o tempo rasteirou-nos por completo sem nos dar hipótese de esquindiva; agora cutucamos a finta do tempo para não nos apagar a procedência. Contamos os últimos pormenores de nossa estória para que sejam catalogadas em futuros obituários. Porque os ventos do esquecimento não têem no Kimbo tutela legal, convidei Zeca Santos da Mayanga a derramar katinga no nosso terreiro e, ele anuiu. Zeca trouxe-nos o sinaleiro da Mayanga, com sua banga ninita ao ritmo de merengue. Bem-vindo ao reino do Kimbo.

Kwangiades: musas ou ninfas do kwanza.

A MOKANDA DE ZECA SANTOS

Soba T´Chingange, o Katotolo pegou feitiço no meu corpo. Dói os cabeça p´ra caramba, bota katinga a ferver na minha t´xipala, caté fico zonzo como acontecia com a Catota fumando p´ra xuxu macanha. Assim tenho andado  kamba do Rio Seco da Mayanga. Todos os anos no putu, o início do Outono bufa para mim o tuje. A sorte do gajo (o puto) é não haver aqui o carro do fumo!!!. Fico contente por ver os teus escritos feitos naquele jeito, que julgo serem de fuba igual à minha e que não contêm mistura podre, banga alguma, porque é isso que nos distingue, porque são parte do nosso corpo e porque num tempo passado, muito o alimentaram. Esta é a verdade. Eu, sou assim; aquele rio ensinou-me a ser um pessoa simples e amar a natureza, as pessoas de bem..., mas ao mesmo tempo kuatando os camondongos, os calçinhas, os hipócritas, os que bajulam à nossa frente, buscando o nosso sangue, repito assim sou desde kandengue.

Kandengue até..., à dolorosa separação, mas a vida, a nossa vida tem de continuar e, como é difícil para muitos estar longe...do que fomos longe desta nova nomenclatura que faz dançar o PIB no novo Choupal do Terreiro do Paço, outrora lugar de estouro de canhões de boas vindas dos corsários que chegavam do além com as suas canoas civilizadas cheias de onças, de carne de pakassa, ouro, liamba, de madeira de Cabinda, de “peças” humanas tão molestados no seu ser e que muito durou, nos vastos passados. Essas “peças” tudo cobrarem com beija-mão desta nova nomenclatura nascida nas barricadas da intenção e hipocrisia. Ao longo dos anos têm bancado um jogo de bilha nas covinhas da Economia em que muitos enriqueceram do zero estupidamente: O sinaleiro tapa os olhos com sua luva branca, imaculada na koka, esperando gasosa.

Com as boas-vindas do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:10
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009
A MAKA DA MAIANGA

 FOI NO MARTAL   Ver a imagem em tamanho original

O cão Lukapa do pepetela, um polícia à paisana, estava lá

 

Era em 1980. Correu um mugimbo de que havia bacalhau no supermercado Martal. As qUitandeiras mandaram seus kandengues marcar lugar na bicha para o outro dia.  Aida não era meia noit, marcaram bicha com pedras, tijolos, latas e coisas mais indefinidas. No dobrar da esquina ficava o jardim e colégio do Dom João das Regras aonde eu, estudei. Lembro-me de quando ia para o Catambor, perto da mulembeira das celestes, havia um pau de maçã da india sempre carregado. Eu e os outros kambas vuzumunavamos umas pedras e enchiamos os bolsos, mas,... esta é uma outra estória. que não cabe aqui. Pepetela é Pepetela e não posso misturar as coisas. 

Aquela  bicha da  sobrevivência do Martal, não tinha regras. Eu, morava ali mesmo junto do Almeida das Vacas, na ilha da serração junto do rio seco; mais acima subindo a António Barroso a caminho do Choupal e, mesmo no começo do bairro chique do Alvalade ficavam os armazéns do Martins e Almeida conhecidos por Martal. Foram tugas que ficaram a importar contentores de mercadoria. É aqui que surge  a confusão descrita por Pepetela, um senhor revolucionário do glorioso Eme:

 

“ o lugar estava marcado mas os primeiros que chegaram às 5 (cinco) da manhã desconsideraram as pedras e tijolos na função deles e ficaram já junto da porta, com os pés empurravam as pedras para trás. (...), as mulheres donas das pedras-de-marcar lugar apareceram a reclamar que tinham sido enxotadas para trás.(...) Quando as portas iam abrir, um cão de raça pastor-alemão (polícia à paisana) que por ali passava, também se meteu na bicha. Todos são unãnimes em declarar ao agente Dias, o Olho Duro, (de serviço na área) que o cão não tomou atitudes hostis, «eu é que cheguei primeiro», « já não se respeita a lei da bicha», etc., etc., os ãnimos estavam exaltados.

Ao cheirar uma das mulheres que se sentia prejudicada, o cão recebeu um pontapé e um enxotanço. (...) Então começou a pancadaria, (um fuzué do caraças) pois a lesada (segundo suas próprias declarações) agrediu um homem que antes estava mesmo atrás dela. O homem respondeu à violência, as mulheres envolveram-se e aí estava a maka.

(...)

O Camarada inspector, (chefe do agente olho Vivo) concluiu no relatório:

1- è mau o sistema das pedras ou tijolos (para marcar lugar) que nunca ficam devidamente identificados.

2- O culpado é a especulação (...) que faz as mamãs comprarem o bacalhau para depois o revender à dona de casa do Alvalade.

3- (...,não interessa mencionar. È do foro interno e íntimo)

4- O cão Lukapa não teve culpa. Parece mesmo ser o único «inocente» provado. Mesmo que fosse o culposo, não foi detido e niguém mais o viu. (foi p´ra Mutamba de novo, na boleia do maximbombo 3 (três) da Maianga.

(...)

 Luanda aos 27 de Abril de 1980. Ano do primeiro Congresso extraordinário do Partido e da criação da Assembleia do Povo.

Assina, o ilegivel inspector, mais o agente Dias (Olho Vivo).

Afinal aquele mugimbo era verdadeiro; Não havia bacalhau, o contentor desapareceu, evaporou do porto de Luanda. Foram tempos quase assim de verdadeiros, o cão continua fazendo das suas e porque roçou no 22 da José Maria Antunes, minha ex-casa, lembro de novo o malandro que continua procurando um dono provisório na Mutamba. È inaudito, este sacana, passou por mim nesta noite de insónia. Ia a fumar cigarrilhas  “negrito caricoco” e sorria enquanto botava fumaça aos rolinhos como fazem os indíos. Este filho da mãe é mesmo esperto, calçinas e Caluanda. Estas estórias de Pepetela de tão verdadeiras, parecem mesmo mentiras. Perguntem ao primo do Rente, o Tony Melo do Correio da Manhã do Puto, se não é assim

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:36
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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