Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2015
MALAMBAS . LX VII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Tudo quanto acontece, é na terra que sucede, num céu eterno e pacífico

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba eu.jpgT´Chingange

swak4.jpgDeserto do Kalahári, dia 13 de Janeiro de 2015. Atravessando as terras de Erongo, suas montanhas secas com a areia subindo em suas encostas, pudemos com o pequeno Iunday i10, atravessar as terras de Karibib, Usakos até Swakopmund e Walvis Bay pela nacional B2 da Namíbia, um calor abafador em sua máxima potência. Neste descobrir de novas coisas ficamos num aprazível mas modesto conjunto de bungalows situado junto ao mar e margem dum rio de areia, mulola de nome Swakop, o que deu origem a este nome à cidade tipicamente alemã. Tudo quanto acontece, é na terra que sucede, num céu eterno e pacífico.

swak2.jpgNosso destino, meu e de Ibib, cumpre-se na ordem natural aonde quer que estejamos; o vento sopra forte do lado de Dorop National Park trazendo areias por quilómetros e eu, galgava-os com receio de haver ali um furo de pneu, o carro teimava em desviar-se para a esquerda mas, em realidade era a força do vento quente que me forçava a preocupação. As nossas palavras são como sombras que nunca podem explicar por inteiro a luz de medos ou ansiedades que sempre transportamos connosco. Lá atrás no Divundo ficaram as estórias velhas, as verdades minhas ou de João Miranda que para alguns, são mentiras; estórias do Batalhão Búfalo 32 da Á do Sul

swak1.jpgCoisas de uma Angola periclitante até aos dias de hoje, passados que são quase quarenta anos; terra com vazios aonde verdade e a mentira passam pela mesma boca como rastos de picada que virarem lendas, penduradas nas espinheiras do tempo. Diz-se de que, quem quer falar de assuntos sigilosos vai para o deserto mas, eu não arrisco limpar o lacre dos actos e pensamentos porque de certo modo já tenho o coração endurecido na prática do pecado em geral. No momento em que escrevo esta no modesto mas ventilado bungalow de Swakop, Ibib dorme plenamente, talvez do cansaço pelo muito calor apanhado lá nas montanhas; agora com a porta entreaberta deixando o vento frio do Atlântico lamber seus pés.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:38
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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2015
MALAMBAS . LXIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . No rio Okavango, dou-me conta do quanto meu sovaco cheira a catinga, odor em tudo igual a todas as outras catingas…

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba eu 2.jpeg T´Chingange

 Em busca da verdade, muitas vezes acontece-nos não fazermos perguntas por ainda não estarmos preparados para ouvir as respostas e nem sempre o é assim porque simplesmente, por vezes sentimos medo a elas; podemos enumerá-las ou até suspirá-las mas, todo o ser humano em alguns momentos de sua vida têm coisas boas e outras más que se enfileiram ao jeito de missangas atrás uma das outras, um rosário do tempo e através dele que como um terço, rezamos ou fingimos rezar porque como se diz, atrás do tempo vem o tempo e depois da tempestade vem a bonança.

 E, porque se diz que a justiça é cega, surda e muda, pelo que se sabe também anda meia calçada e meia descalça para fingir que agrada a humildes descamisados e ricos encoirados. Mas, pelo sim pelo não, usamos amuletos da sorte para nos enganarmos nas figas, no corno, na meia lua, na estrela de David penduradas ao pescoço ou uma ferradura velha de burro ou cavalo, pendurada do lado detrás da porta de entrada de nossas casas. Por via de duvidas também usamos amuletos da sorte na forma duma nota de dólar, um santinho, uma qualquer nossa senhora da aparecida mais responsos escondidos em forros de malas e maletas. Até uma vagem envernizada de feijão maluco serve para o efeito! O místico junta-se com a Cruz e o Cristo numa caixa, asfixiando-O o tempo todo e, sempre picado em sua coroa de medonhos espinhos com um credo na ponta das falas, um cuzcredo (!?) com interrogação e exclamação juntas.   

 No meio da algazarra das palavras, dos apelos, dos gritos ou cânticos, haverá sempre uma insatisfeita curiosidade, perguntas sem respostas ou maneiras mentirosas de dizer a verdade; verdade que nem sempre achamos lógica ou patética nem sempre merecedora de ser levada ao cutelo ou ao fogo da veracidade porque, simplesmente nós não somos guardiões nem usamos beber do crime no rio da vida. Amolecendo a preguiça num chinxorro, rede a trinta metros do rio Okavango ou Cubango, do outro lado Mucussu, dou-me conta do quanto meu sovaco cheira a catinga, odor em tudo igual a todas as outras catingas dos negros corpos de África.

 E, assim, aqui estou de livre e espontânea vontade como um emigrante e muito enfeitiçado pelas gentes acolhedoras; gentes que como eu, saíram dessa imensidão dos matos de Angola, de lonjuras percorridas em velhos Dodges, GMC, Willis, land-Rover, Fords ou Chevroletes, terra de onde se parte sem querer partir e já partindo, arrependido depois por não ter ficado. Como vamos nós próprios destrinçar a verdade dentro da nossa própria imensidão, nos assuntos de crenças e impiedades de bens tão profusos nas regras do Mundo.

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:40
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2015
MALAMBAS . LXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba eu 2.jpeg T´Chingange

 Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar as gigantescas presenças de feridas mortais. E, daí abrirem-se gavetas com choros ranhosos, ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Que importância terá, saber-se agora e, aqui em terras do fim do mundo se a mulher de Lot em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto; os kotas mais-velhos daqui nunca ouviram falar dessas coisas e, afirmam que os pais dos pais deles, nem nunca falaram em Jesus de Nazaré.

  Peneirando no tempo as ténuas memórias, dos acontecimentos, apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram, sempre acabamos por remover os ossos do passado e, mesmo espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta desejamos até, fazer de tudo um romance condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas guardando os preceitos dos paleontólogos rebuscados na terra da promissão, por etnólogos e outros afins descobridores de pegadas, cheiros encarquilhados misturados com iões ou densidade molecular dos anos na leitura de carbono e edecéteras complicadíssimos.    

 Baloiçando-me no d´jango da Kikas Vanda Miranda Potgieter, muito perto da árvore m´vuluvulu do kavango, olho seu fruto pesado de longas múcuas que pelo que dizem, só servem mesmo para fazer milongo de feitiços do povo Ovambo. Eu, quis saber mas parece ser segredo de raizeiros, porque talvez cada homem nasça com a verdade dentro de si e só para ele, e só não a dizem porque é muito só sua; e até, muitos haverá, que não acreditam que seja aquela a sua verdade. Porque cada homem é um mundo que se ao tempo der tempo, o tempo bastante, sempre o dia chega em que a verdade se tornará mentira e a mentira se fará verdade.

Nota bibliografia; contêm esboços de pensamento a partir do evangelho de Saramago

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:54
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Domingo, 28 de Dezembro de 2014
MOKANDA DO SOBA . LXIX

MALAMBAS DE NATAL –  Para provar, que o que tiver que acontecer acontece, haverá sempre um milagre

MALAMBA: É a palavra

Por

soba eu 2.jpeg T´Chingange

 

As pessoas não escolhem os sonhos que têm e, estas duas noites logo a seguir ao Natal, seguindo um destino, dormi em Guest House Willtotop de Vanda Potgieter nas imediações de Windhoek, esperando seguir o rumo ainda por escrever na singular legitimidade do partilhar dum reino, aonde todos são presumíveis herdeiros. Reino, aonde o tempo passa igual para todos; seguirei mais tarde na direcção de Okahandja, Otjivarongo, Otavi, Grootfontein com término em Rundu no Okavango. Um homem e uma mulher, sexagenários andando através do mato, savanas de África sem fim, um mar de acácias, espinheiras em montes ardentes, campos sem cultivo intensivo, lugares habitados por kudus, búfalos, zebras e leões, sabendo de antemão, que o deserto não é só aquilo que a nossa mente se costumou a interiorizar, pelo que se lê ou pelo que se ouve, sempre na vontade e na natureza nas coisas de Deus.

  Como se fosse um cofre, viemos futurar o destino, olhando dentro dele, ver o que já foi passado quando se abre e que, após seu fecho, só se pode pressentir o que poderá vir a acontecer, nada mais! Os segredos de Deus só a Ele pertencem! Na voz do bom senso, terei de esperar o amanhã, sem mais nada ter que fazer e, em paz, divorciar-me de mim, dando a chave do cofre ao mestre da charrua da vida. E, porque foi que viemos aqui, se não era necessário afastarmo-nos tanto, a um lugar tendo por testemunho absoluto o céu que nos cobre, para onde quer que se vá.

 Para provar que o que tiver que acontecer acontece, haverá sempre um milagre a alterar este curso do destino e, pequeno ou grande, ele surge na aventura como um amor ao próximo! Desta feita tem o nome de kikas, no feminino, que move vontades e ternuras a alterar este simples destino, seu toque milagreiro de bem-haja, pequenas grandes coisas que fazem a diferença! Como podemos nós acrescentar à ciência o entendimento de simplicidades tão abrangentes; uma mão amiga! As pedras surdas e mudas não podem testemunhar porque elas têm seu próprio destino, transformar-se em pó, e nós, em coisa nenhuma.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:40
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Sábado, 8 de Novembro de 2014
CAFUFUTILA . LXXV

MILONGOS CUSPILHADOS Como  adstringir  triglicéridos com sabão macaco IX

Por

soba3.jpg T´Chingange

NAMIBIA 0.jpgPelas sete horas e trinta minutos, gozando mais regradamente os bens da inteligência e da vida, remexo a chávena com meu especial milongo de adstringir triglicéridos. Desolando-me numa sinceridade gemida de tudo o que é ilusão, indefiro-me nos contornos que se transportam sempre às costas, um pessimismo que sempre se enrola no soalho do cerebelo. Sei o quanto é difícil ler o indecifrável mas soe dizer-se que a teoria do pessimismo é bem consoladora para os que sofrem e, eu, com os meus quase setenta anos, já não tenho fornalha para alimentar esta lenta combustão, a da chatice! Necessitando de renovar minha paz por mais noventa dias em pais que não o meu, insurjo-me contra essa maçada de pagar expedientes ou emolumentos demasiado exorbitantes por essa autorização.

picos no espaço.jpgDois carimbos de prorroga pelo preço de oitocentos euros, uma roubalheira; mesmo que rumine uma tal harmonia que me favoreça dormir embalado pela mão de Deus. Pagar oitocentos Euros, por duas prorrogas! Brado aos céus! Esta paz fica-me cara! Para prorrogar a minha estada neste planalto do Kalahári de Johannesburg evitando esse absurdo pagamento, um expediente para além de caro, pessimista, terei de rumar a terras a norte do Orange, no país do nada, e regressar de avião a fim de obter mais três meses de estada na paz. Regressando à teoria do pessimismo terei de concordar que é certo o que se diz de que o que tiver que acontecer, acontece, e neste caso aproveitarei rever um oceano de acácias, desertos e bichos na firme vontade de não ser extorquido. Em àfrica tudo é possivel (TIA - That is África).

acácia.jpgCoabitando com este gozo de incertezas, preencho a inspiração sem doçura, um veludo negro cuspilhando-me um desconsolo na alma. Bolas! Como podem fazer leis tão despropositadas! Terei de optimizar o percalço com um “há males que vêem por vem” para me contentar. Sem me assustar com a calma que carrego, trotarei alvoroçadamente para Windhoek a evitar pagar um naco grande de sabão p´ra macaco com almofadinhas de chita branca, numa forma de amaciar minha rigidez branca em terras de negros. Irei rever meu Rundu, meus amigos fujões do outro lado chamado de Calai, o Okavango, um rio de maravilha que desagua numa lagoa grande chamada de Delta. Outra corrida! Outra viagem! A vida é assim mesmo, como um carrossel.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:32
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014
MISSOSSO . V

NO KUNENE . Aquele jacaré era gente. Gente boa que nasceu em corpo errado!... Rodrigues, seu primeiro dono, deu-lhe o nome de Sundiameno.

Missosso: Da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto quimbundu. Óscar Ribas foi o seu criador.

ATENÇÃO - Caso queiram ouvir outra música que não a do kimbo, CLIQUEM «««« www.connectmusicbox.com »»»» para entrar e voltem AKI, OU AQUI... e leiam o resto que eu, espero! ...

Por

 T´Chingange

 No fogo do pó levantado do chão vermelho, margens do Kunene, os kandengues himbas dançavam com um jacaré domesticado; desconhecia que um jacaré podia ser domesticado mas, os olhos meus, me diziam no seu ver, que aquilo visto, era mesmo de verdade verdadeira. Vejo e aprendo que a natureza muito nos ensina com seu riso de muitas flores riscando no firmamento cinza com branco a azul, musgos de nossas velhices coloridas a vermelho com laranja. Pus a mão no meu cérebro buscando naqueles milhões de células apalpar qual daqueles cabelos feitos bissapas estavam fora do sítio para entender aquela cena inaudível, inacreditável! Sei que tudo em minha vida resulta de guardar sempre comigo a esperança monandengue; de espiá-la com olhinhos de a ver balouçada no arco de minha sobrancelha.

 - Como se chama esse jacaré! Perguntei ao jovem mais próximo. – Com a boca! Respondeu o pivete. Pintado de coisa ruim consegui domesticar meu frenesim raivoso, e continuei: - Sim! Mas tem nome, não tem? – Chama-se de Sundiameno. Disse! Fiz uma cara feia, de nariz torcido e, ele, vendo-me embrutecido repetiu. É mesmo de Sundiameno porque não é de fiar! A gente lhe desconfia, acrescentou. – Nem nele, nem no pai dele! Concluiu. Esta conversa tola seguia um rumo desclassificado e, foi neste então que vi sentado num banco de pau feito e atado com matebas, um mais-velho de barbas credíveis e brancas, também chambeta de condição. Dirigi-me a ele e entabulei uma conversa séria, falamos do rio Kunene e de seus mistérios. Foi este mais-velho kota, já século, que me descreveu alguns mistérios e, que passo a referir: - Olha mwadié (branco) este rio tem muito cazumbi e muito feijão branco. Um dia ajudei um gweta, t´chindele Rodrigues, branco assim como tu, que domesticou desde criança, um jacaré a apanhar diamantes para ele.  Saiu daqui muito de rico! Afirmou isto e, em seguida, apontando para suas muletas de fibra sintética disse: - Foi ele que mas ofereceu! No lugar aonde o rio se esconde, fizemos acampamento por muitos anos até que chegou a guerra da libertação e, ele seguiu com a sua gente.  Este segredo eu conto a toda agente! Conclui na sua sabedoria filosofica de cat´chipemba com bolunga.

 Por ali passaram gado, camiões e máquinas amarelas de fazer estradas. Abriram umas picadas e depois seguiram para Walvis Bay e Swakopmund da Namíbia. O mistério daquele jacaré estava quase desvendado por mim, mas, na dúvida sobrante, perguntei: - Então este jacaré que sopra o pó do chão, é esse tal que o gweta Rodrigues usava para apanhar os feijões brilhantes? Talqualmente! Respondeu o kota num claríssimo português com pronúncia do norte do M´puto. E, continuou: - Pois eu fiquei com estas muletas e esse jacaré Sundiameno. O mundo é por demais misterioso! Nunca que eu ia acreditar nisto se não visse! O mais velho de nome Oshakati, ainda me disse outra coisa em que não acreditei: - Sabes que mais, disse ele. Esse jacaré toca guitarra! Acompanhava muitas vezes seu antigo dono a cantar fados duma tal de Amália, uma sua prima muito conhecida lá do M´puto! Isto era demasiado para a minha camioneta; meti-me no four-bay-four e segui para Otxivarongo. Conversando com um velho amigo de Otxivarongo, psicólogo do Kalahári, disse-me já ser conhecedor desta estória e, surpresa das surpresas, aquele jacaré era gente! Gente boa que nasceu em corpo errado! Juro que tudo isto me transcende!

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:08
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Terça-feira, 20 de Maio de 2014
QUILOMBO . IX

NAS CINSAS DO TEMPO. Depois de morto cevada ao rabo!

É difícil usar a mente! ...

Por

 T´Chingange

 Andando por este mundo, mares, desertos, matos, savanas, anharas e terras agrestes com matutos e mamelucos, tornei-me um mestiço mazombo; missionando o toutiço, perdi inteiramente as minhas belas cores europeias, a cara sarapintada de funchos, crateras com rugas extravagantes; para quem andava sempre teso, com seus colarinhos engomados, cheio de obséquios e unhas estimadas, agora os medos indefinidos arrepiam-me as carnes como pés de galinha. Desfigurado pelo tempo, cheio de cãs, estonteado pelos muitos calores, passeio pelo mundo o meu isolamento procurando entreter-me.

 Examinando minuciosamente os consolos alheios defumo os pensamentos num tom cor-de-rosa; desfalecido nos ombros, um pouco mais tolo e muito mais míope, coxeio-me em vozeados ambientes de cochichos frouxos. Coitado de mim! Tudo isto não é nada a comparar com o feito de Amyr Klink que sozinho e num barco a remos atravessou o oceano atlântico percorrendo sete mil quilómetros. Foi o primeiro feito a ser amplamente divulgado na imprensa internacional que ocorreu entre 10 de Junho e 19 de Setembro de 1984, entre Luderitz, na Namíbia (África) e Salvador, na Bahia (Brasil). Foi um feito invulgar a mostrar o quanto a tenacidade pode vencer um sonho; eu, em plena consciência nunca faria isto! O mundo continuou a girar como sempre, não mudou por este feito mas seus “ Cem Dias entre Céu e Mar” ficaram nos anais da coragem marítima.

 "Cem Dias Entre Céu e Mar", é o relato de Amyr Klink a bordo da "lâmpada flutuante", bem mais do que um registo de uma façanha desportiva. Nas conversas com os parcos objectos, com os tubarões que lhe fazem companhia, a esplêndida visão de uma baleia que surge sob o barco no meio da noite; na forma de como procura enxergar o tempo, a numeração do cardápio, as páginas do diário nas dobras da carta onde ia anotando as agruras e alegrias da viagem. A qualidade épica do feito aliada ao convívio com a cultura caipira do litoral Brasileiro, é bem essa mistura de valores tradicionais e ousadia, que sustenta seus difíceis desafios. Cada qual à sua maneira, somos ambos seres humanos, vivemos sem pedinchices a Deus porque nós somos parte Dele! Ele, Deus, tem mais com que se enfadar e, não é de rancores como muitos inflamados o pintam.

Quilombo: Aldeia de escravos fujões; Sanzala

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:24
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Domingo, 11 de Agosto de 2013
CAFUFUTILA . XLI

Por

 T´Chingange

Naquele lugar de kafufutila havia um embondeiro pedindo clemência aos ares com muitas mãos viradas para o céu. Ao seu redor oco, Dionisio Robinson construiu uma varanda coberta a capim do Okavango suportada por chinguiços de pau-ferro, daqueles com que se constroem cercas aramadas para reter o gado. Com uns esguios paus de bambu enfeitou o sítio com bandeiras maioritariamente dos países PALOPS à mistura com vizinhos geográficos de Angola. Organizou ali um bar com balcão e esplanada com umas quantas mesas espalhadas à frente. De um dos lados dispôs um bom número de telas mostrando batucadas, queimadas e poentes das anharas com cassoneiras e embondeiros em primeiro plano. Do lado detrás pendurou muitos panos do Congo mostrando a esfinge de Mugabe, Mandela e do Zédu Mwangolé misturados com capulanas garridas de Maputo, paisagens da ilha de Moçambique e Zanzibar.

  Num espírito de solidariedade Robinson inventou uma geringonça de fazer arco-íris; deste modo genuíno, na mira de produção e comercialização de seus produtos, espantava os visitantes carcamanos do sul e mais alem, com a beleza de muitas cores tremelicando no chuvisco saído de pequenos bicos de água; zingarelhos e artefactos estranháveis, zuniam cacimbo artificial na contraluz dum quase pôr-do-sol. Dionísio Robinson deu a este lugar o nome de chitaca do Kunene Baobab. Nos fins de tarde, terras do fim-do-mundo juntavam-se ali caçadores e outros mentirosos botando conversa fora na companhia de muito gim com água tónica; diziam eles que era para não serem picados pelo mosquito por via do quinino ingerido.

  Era neste então que surgia um músico estropiado na guerra do Kwito-Kanavale cantando musicas de kuduro que em simultâneo bangulava sua perna de pau, enxerto grosseiro dum definitivo provisório; fazia piruetas que só um coxo chambeta é capaz. Deus inventou a música para que os pobres pudessem ser felizes e este cantor era o verdadeiro monarca da katchipemba; tinha uma boa estória de guerra para contar, dizia e repetia que os mortos, todos defuntados daquela guerra, ficaram amnésicos. Havia feitiços pregados nos embondeiros para recordar os progressos das muitas e variadas tragédias, de seu povo, dizia ele. Lançava alerta aos vivos, mas estes não lhe ligavam. Até mesmo aquele rio Kunene sucumbia ali com nome de Okavango, desconseguindo chegar ao mar; de forma misteriosa terminava num deserto e de forma incomum dava vida ao Calahári.

  Dionísio Robinson abandonou Luanda após a guerra de tugi, farto das pessoas que na posse duns kumbus exalavam arrogância, um primeiríssimo sinal de gente com exteriores de riqueza. Luanda estava mesmo a ficar por demais misteriosa. Os mistérios eram tantos que já não lhe cabiam mais nos sonhos. Cansado das gentes e sua bafunfa, rumou a sul a conselho de seus manos ovibundos; recebeu uma quantia considerável ao se desmobilizar voluntariamente instalando-se nas margens do Kunene com a Namíbia à vista. Foi num encontro de empresários que conheci esta figura. E, foi ele que me apresentou o primeiro presidente do recente país, a Namíbia. Era Sam Nujoma, de alpercatas e chapéu de palha já roído pelo salalé. Esta simpática figura ficou-me na retina e, ainda hoje baila como uma mosca, nos meus olhares taciturnos.

 Inspirado no livro de José Agualusa em teoria geral do esquecimento.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:50
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Quinta-feira, 21 de Março de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXIX

" TEMPOS DE DIPANDA  - Verdade ficcionada

Por

   T´Chingange

 Oshakati, ficava na direcção contrária à faixa de Caprivi, uma faixa de linha recta saída do Divundo junto ao rio Cubango até o rio Zambeze com cerca de 405 km de comprimento e 30 km de largura. Tem a forma de frigideira e fica situada no nordeste da Namíbia formando as duas regiões namíbianas denominadas de Kavango e Caprivi.  Tinha indicações que havia um tal senhor Rocha que fugido do Sul de Angola ali se estabeleceu com um restaurante e uma fiada de casas térreas que eram alugadas a baixo custo a refugiados; foi para ali que me dirigi e aonde me refastelei com uma caldeirada de cabrito. Rocha era ainda um rapaz novo; sentou-se em minha mesa e conversamos um longo tempo, fruto da minha insistência na recolha de informações. Rocha falou abertamente do sonho em se fazer rico, construir um hotel em condições e negociar com diamantes quando lhe fosse possível. Aconselhou-me a ficar num dos quartos de Bicho da Ponte do Charuto logo no fundo da rua, pois que ele estava com os alojamentos repletos de gente saída de Angola.

 Em África parece tudo ser perto pois que tudo se sabe; carências de notícias levam à união e a fraternidade dando a isto uma característica única no mundo; Em nenhum lado do grande globo se encontra esta postura e este facto é a razão porque ninguém se esquece dessa vida, daqueles aromas, do som do mato, do chorar da hiena, o uivar do mabeco e até o cacarejar das capotas com o “tou-fraca, tou-fraca…” mais o por do sol atrás duns chinguiços, cassoneiras ressequidas e mato estéril. Rocha estava a par da odisseia de João Miranda do Mukwé e acabei por ouvir um pouco mais da sua fuga: Quando Miranda chegou ao Mucusso e passou a fronteira para o Sudoeste Africano, as autoridades sul-africanas aturam com rapidez. O comando Sul Africano do Rundu, enviou prontamente tropas para receber a família no Calai.

 A família Miranda estava salva. O comandante da polícia local, o inspector Erasmos, instalou os Miranda numa “guest house” do Governo. Nessa mesma tarde apareceu o general Loots, reformado, combatente da II Guerra Mundial, acompanhado por um oficial português, madeirense, o tenente Silva. João Miranda foi entrevistado e no final informaram-no de que receberia no fim do mês um ordenado, relativo ao primeiro dia em que fugira de Angola. A família foi depois transferida para Grootfontein, já no interior norte da colónia, para maior protecção. - Julgo que é ali que eles estão agora! Afirmou Rocha. Com esta informação a minha odisseia teria outro rumo; Teria toda a noite para pensar como prosseguir no dia a seguir; agora iria à procura do senhor Bicho para me instalar.  

(Continua…)

Glossário: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

O Soba  T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:03
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Sábado, 23 de Fevereiro de 2013
MOKANDA DO SOBA . XXVIII

" DIPANDA* “ - Verdade ficcionada

Por

   T´Chingange

NA TERRA DO NADA RUNDU DO OKAVANGO        

 Corria o ano de 1975, tempos para esquecer! Metido em apertos, apanhei boleia numa Dodge até Namacunde com o administrador de posto do Ondjiva (Ex Pereira Dessa), o senhor Pinto. Um pouco antes de chegarmos a Namacunde, uns pseudo militares encostaram-nos à parede enquanto revistavam a camioneta partindo quase tudo, sem mais nem menos, nem porquê. A minha vida corria para trás, teria de me raspar na primeira distracção. Os olhos daqueles improvisados tropas chispavam raiva demais e, não se entendiam naquela grande maka de Angola. Pareceu-me serem, um misto de militares dos 3 movimentos destacados contra vontade deles, no intuito de assegurarem a fuga de património através das fronteiras.

 Encostado à parede duma casa destelhada e queimada, enquanto revistavam a carrinha, via o além preso por um fio, muito mais próximo do que pretendia. O próprio administrador não sabia como controlar aquele desrespeito à sua frágil autoridade, nem o seu desamor à revolução; segredou-me que não demoraria muito para largar tudo e, mudar-se para o Rundu; iria encontrar-se com João Miranda do Mukwé no Divundo, que ali se tinha estabelecido após ter fugido das prisões da Unita. Pinto, estava mais passado do que eu! Parecia estar bem informado pelo que veria posteriormente a acontecer, advertindo-me que saísse daquele inferno enquanto era tempo. Apareceu um cazucuteiro fintador, com divisas de tenente, penteado de balas em diagonal e boina à Che Guevara. Com pinta de herói rambo, deu ordens à guarda para deixar passar aqueles t´chinderes.  

- Um daqueles t´chinderes, era eu!

 A Agora já tinha uma referência para a onde ir: Faixa de Kaprivi. Aliviado, sai de Angola tendo em fundo um ruído de música do Congo que os militares camaradas ouviam na rádio Mandumbe,... “Ai bá ninike sala, táta rafael”. Sinto um frio do cachaço aos calcanhares no momento exacto em que um mabeco, sarapintado de castanho sujo, surge por detrás das bissapas quase ao chegara a Oshakati. A caminho do Mukwé mas, ainda longe, revia a estória de Miranda: - Ben-Ben, um ex-alferes do exército do Puto, às ordens da UNITA, foi a casa de João Miranda no Dirico para o escoltar à morte. Miranda era acusado de ser um agente da PIDE, um fascista reaccionário, mas ele não se revia em nenhuma dessas acusações. Após vinte dias de prisão foi aconselhado por Covachan da PSP, amigo do tempo de tropa, a fugir para a Namíbia: Dito e feito, enquanto João saia para Sul, em uma viatura apetrechada por Covachan, mulher e filhas em outra viatura, rumariam em sentido contrário fingindo ir fazer compras algures em Pereira Dessa (Onjiva). O plano era encontrarem-se no rio Cubango (Okavango) atravessando-o de noite em canoa no Calai.

(Continua…)

Glossário: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional.

O Soba  T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:55
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011
DESERTO . XIV

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

      “ÉPUPA FALLS – Botswana

 Naukluft

 Maun . Delta do Okavango

As grandes dunas do Naukluft côr de saibro movendo-se todos os dias, ondunando-se em sombras pretas, eram recordadas amiude quando as estrelas ficavam próximas nas noites sem nuvens desafiando a lei da gravidade. Ao fazer do brai só o lume e as estrelas lá longe crepitavam, mas havia sempre a zuada de fundo das quedas do Epupa mais os muitos piares e guinchos de desconhecidos bichos despertando corujas noitibós. E, sentiam-se cheiros acres e doces com lama e bosta e feromonas de misteriosas plantas do tipo jasmim e citronela ou capim do Okavango.

 Morro de Salalé

De repente, e ao redor da fogueira ou na tenda, todos se calavam, não porque nada ouvesse para dizer mas, porque queriamos gozar daquele silêncio com vida de mato; em verdade parecia não haver mais nade de importante para dizer; ali, era o lugar aonde tudo parecia estar dito. Tudo tinha o seu lugar natural e, como tal conformavamo-nos com a vida a correr por correr; nada dura para sempre e, nós não tinhamos pressa.

 Botswana

Não se deve abandonar o nada de que se goste, e por amor amarrámo-nos às coisas da natureza como se ama alguém que nos é querido. Naquela universidade ou diversidade, aprendemos que as plantas comunicam entre si, por isso o elefante tem de andar muito, e contra o vento para que a coisa apetitosa, deixe de o ser. Eu explico: - As plantas saborosas ao elefante são devastadas até ao extermínio e estas por feromonas lançadas ao vento, avisam as demais da mesma espécie que rápidamente passam a ter um sabor desagradável, expelindo ou misturando na sua seiva fluidos repugnantes ao sabor; o paquiderme predador tem assim de contornar a selva ocupando um grande espaço da mata. Fiquei a saber da importância que tem o salalé na limpeza da floresta eliminando troncos e folhas em decomposição e criando nutrientes para outras espécies se desenvolverem com mais punjança. Depois de Maun, a caminho de Francistown deparamos com vários burros mortos por acidente na estrada deserta e, lá estavam varias espécies de urubus limpando a carcaça na companhia noturna de hienas.

 Delta do Okavango

A biodiversidade num ciclo natural de vida dava sequência à cadeia alimentar recriando com naturalidade as graças com as desgraças. Vivendo os dias no limite queriamos que as coisas perdurassem assim seduzidas. As bolachas compradas no Divundo na casa comercial do Miranda gerida por sua filha Ana Maria, mesmo compradas já vencidas no tempo, This is áfrica, diziamos todos, iam sendo comidas a gosto com o café tomado debaixo da acácia espinheira. Nas terras do fim-do-mundo não se olham os prazos; é só deichar correr o tempo, tomar uns quantos cafés, à tardinha gim com rum ou cachaça e antes do deitar p´ra retemperar um chá rooibós. Estivessemos nós no Atlas de Marrocos e tomariamos chá de menta. Cada terra tem seu uso, cada gente tem seu fuso. Em Maun, na paz de espírito desta áfrica profunda disse para mim mesmo: - Vou ter que me gramar desta forma, para o resto da minha vida.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011
DESERTO . XII

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         “VICTÓRIA FALLS – Zimbabwé

 ESTÁTUA de LIVINGSTONE

Chegamos a Victória Falls a meio da tarde e, porque não levavamos nada agendado de aonde ficar, dirigimo-nos aos chalés do governo destinados a alojar turístas; tivemos sorte, uma família ia sair ao fim do dia e entretanto aproveitamos para ir até à ponte do rio Zambeze aonde de uma impressionante altura gente amante da adrenalina se atira no espaço depois de amarrados a uma corda de borracha a que chamam de tandem-bungee-jump(jamping). Enfim, uns malucos beliscando a morte lá embaixo, de queda estancada no penúltimo minuto, a uns ecassos metros acima da água turbulenta, a 108 metros de altura; na espuma branca feita barba do diabo de corredoiras pedregosas. Das encostas rochosas escorrem cortinas de água que em lufadas de frescura banham nossos rostos; esta maravilha da natureza é tão deslumbrante que recorda-nos o quanto somos pequenos e em verdade apetece atirarmo-nos no espaço feito passaro e voar, voar, voar... A sensação de agradecimento surge-nos; graças a Deus que ví mais esta maravilha.

 Jumping 

Tiramos umas fotos junto à estátua de Livingstone e regressamos ao acampamento hotel Camp. Estes ditos chalés foram ligeiramente remodelados pois que fizeram inicialmente parte do acampamento de trabalhadores da construção da ponte férrea sobre o Zambeze, casas com largos alpendres coloniais e abastecidos de água quente saída de grandes caldeiras aquecidas a lenha, tudo como quando da construção da ponte férrea em 1905. Esta ponte faz parte da visão de Cecil Rhodes com a construção da ferrovia ligando a Cidade do Cabo ao Cairo. Rhodes insistiu na construção daquela ponte no "spay" das quedas de água; e, assim foi pois que, os trens são banhados por esse permanente vapor no preciso lugar do deslumbrante desfiladeiro e, eu estava a uns escassos metros desse "reil transâfricano".


Cecil Rhodes e seu sonho

As nuvens de particulas de água que se levantavam do abismo da queda Victória, logo em frente do alpendre, vinham até nós descortinando-se entre essa "fumaça que troveja" no geito de spay de Rhodes, o topo da queda já do lado da Zâmbia. Silva Porto que tudo indica ter estado aqui antes de Livingstone admirou algures esta mesma pisagem, que veio a descrever àquele outro explorador britânico que ficou na história como sendo o descobridor. Essa muito esfarrapada mentira feita verdade, foi para nos tirarem o direito de posse na Conferência de Berlim, as ditas terras de Bazarote. O velho sertanejo Siva Porto foi aqui recordado por mim depondo aos pés de Livingstone uma flor de acácia rubra. O gesto de ser aqui era mesmo só "para Inglês vêr". Esta magnifica vista, mesmo sendo bem descrita, não substitui o prazer único daquela maravilha da Globália.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:44
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Sábado, 19 de Março de 2011
DESERTO . XI

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         “VICTÓRIA FALLS – Zimbabwé


MAPA E QUEDAS

A caminho de Victória Falls, chegados à fronteira do Botswana em Kasane (border pass), enquanto o funcionário verifica os passaportes demo-nos conta que uns quantos macacos baboons se empoleiram no nosso carro tentando alcançar coisas que eles julgavam ser comida. As instalações de fronteira eram de aspecto precário construidos à sombra de acácias de grande porte entre outras mais ramudas, também grandes. O percurso feito no Botswana foi dos mais marcantes por terras-do-fim-mundo pois que a estrada era pouco mais que uma picada de terra muito arenosa levantando muito pó à nossa passagem; estavamos todos com côr de bronze e, por esse facto tivemos de usar lenços a tapar o rosto causando algum incómodo pelo muito calor que se sentia. Neste percurso deparamos com uma manada de 42 elefantes que nos reteve uns bons vinte minutos; uma máquina niveladora da estrada, passou por nós forçando a manada a atravessar e foi nesse então que dois machos exaltados bateram com suas patas o chão raspando-o de raiva enquanto abanavam as orelhas simulando investidas repentinas contra nós, atemorizadoras, diga-se.


A PONTE DE RHODES 

Este percurso pelo Zambezi National Park do Botswana, foi em quase tudo semelhante à reserva do Chobe Park na Namibia com a diferênça de vermos muitos mais animais, principalmente elefantes. Na fronteira do Zimbabwé o funcionário dá voltas e mais voltas aos nossos cinco passaportes e, não encontrando o carimbo de visto levanta-nos a questão. Nós nem sabiamos que era necessário visto para ali entrar mas, em áfrica tudo se pode resolver levando uns dólares no bolso. Com vinte e cinco dólares por pessoa tivemos direito a um passe temporário; mais barato e rápido do que se tivessemos tratado esses trâmites num qualquer consulado. Viemos a saber que o visto em Portugal, ficava em cinquenta dólares; nós só necessitavamos de cinco dias para ir e voltar, assim que, continuamos viagem sem mais contratempo; aquele dinheiro deve ter ficado por registar nos cofres do estado Zimbabwano porque o mesmo funcionário a quem entregamos os formulários, se deslocou a abrir a cancela e colocar o respectivo selo como estando tudo em conformidade; uma prática nada habitual.

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:41
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Quinta-feira, 10 de Março de 2011
DESERTO . X

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “Katima Mulilo - Secreta missão


Deserto secreto . Katima

A caminho de Katima Mulilo cruzamos todo o Caprivi Game Reserve, uma faixa com 32 km de largura apresentando-se no mapa como um dedo indicador apontando o Zimbabwe. Com cerca de 180 Km de extensão com floresta de folha larga, ela foi desenhada pelos britânicos em Berlim para poderem ter acesso a todas a s suas posseções; eles tinham o sonho de unir Cape Town ao Cairo. Estende-se pela fronteira do Sul de Angola até ao rio Kwando formando o Delta do Okavango do lado namibiano, com ilhas dispersas a partir daquele rio, tendo o Botswana a Sul.

Bar do Hotel Zambezi river 

Os rios Zambeze e Chobe formam as fronteiras Nordeste e Sudeste. O nosso destino são as Cataratas de Vitória Falls no encontro da fronteira com o Zimbabwe bem próximo da cidade de Livingstone. Já em Katima Mulilo resolvemos fazer compras no maior supermercado da região pertencente ao Sr. Coimbra, um refugiado Tuga vindo de Angola logo após o 25 de Abril; parece que este senhor tinha uma qualquer ligação com a PIDE e numa primeira etapa de sua fuga assentou em Windohek e depois rumou a Norte. Tomamos contacto esporádico com a família que tomava conta do negócio e depois dirigimo-nos até às margens do Zambeze aonde assentamos arraiais no hotel Zambezi river Lodge de características africanas e com acomodações para visitantes de mochila, como nós.

Protea

Foi bom ficar ali sentado na margem daquele Zambeze ainda manso cruzando pensamentos das terras do Fim-do-Mundo que no correr dos tempos parecia ser só uma ilusão. Éramos os exploradores modernos com todas as mordomias seguindo a peugada de Silva porto, Serpa Pinto, Capelo e Ivens. E, como foi bom pisar aquelas terras, ver manadas de elefantes raspando a terra impondo poder e abanando as grandes orelhas a meter medo. Ao cair da noite fizemos o nosso brai com aquela carne saborosa de caça que só existe por aquelas paragens. E, como eu gostaria de repetir esta volta mais uma terceira vez; Estas áreas remotas do globo são completamente diferentes de qualquer outra região; com muitas aves, plantas aquáticas, grande número de mamíferos e muitas espécies de vegetação de pequeno e grande porte como a Marula. No Mudumo National Park podemos apreciar búfalos, elefantes, leopardos, hipopótamos e muitos outros antílopes. Pelo menos uma vez na vida, o ser humano deveria ter a possibilidade de ali ir ver o verdadeiro paraíso da terra. Se Deus permitir, conto ir lá uma terceira vez para condizer com o ditado, não há duas sem três, conciliar a minha turbulenta consciência.

 Mazambala Lodge 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:36
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Domingo, 27 de Fevereiro de 2011
DESERTO . VIII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “Shitemo. Secreta missão

Não obstante a postura dos governantes de Windohek mostrarem dureza no trato, as autoridades regionais faziam vista grossa às movimentações que o comércio local fazia com o outro lado dos rios Okavango, Cuito e Quando. O comércio floria em prosperidade, talvez de forma corrompida mas, tudo se vendia. No Divundo, tivemos necessidade de comprar mantimentos no shop do Miranda ao cuidado de sua filha Ana Maria e de todos os pacotes de bolacha que compramos só um estava no prazo de validade. Em terras do fim do Mundo vale tudo e, até tirar olhos; com a minha tribo da mini exploração africana nada de normal sucedeu mas ouvimos relatos de coisas mal paridas e defuntadas agruras de por-dá-cá-aquela-palha. O encontro com Pedro Rosa Mendes, autor do romance ficcionado de Baia dos Tigres aconteceu aqui em Divundo, no shop da Ana Maria de Andara. Fiquei a saber antecipadamente as agruras de Pedro Rosa Mendes descritas em seu livro, lidas mais tarde e da periclitância da guerra que se julgava não ter fim; não fiz muitas ondas porque o meu percurso de passeio não tinha o mesmo objectivo que o dele e, também não sabia o que ele viria a descrever em suas crónicas faladas via rádio todos os dias com o Puto. 

 Pedro Rosa Mendes . Jornalista

Não sei precisar o dia em que isto aconteceu mas foi útil ter uma visão diferente do que se estava a passar no terreno, no entanto pareceu-me tendencioso em seu livro no julgamento de Miranda comerciante, retratando-o como um brutamontes, só porque tinha pertencido à companhia Sul-Africana “Os Búfalos” que invadiu Angola no ano de 1975 quando das convulsões partidárias da corrida ao poder. Comparou-o a um Bóer “Mamburra” mal formado o que penso ser um exagero de todo. Eu, com a minha mini-tribo familiar, tínhamos partido de Cape Town enquanto Rosa tinha saído de Baia dos Tigres do Sul de Angola e até aqui, sucintamente descreveu a sua odisseia por terras em luta. Eu seguiria para Vitória Falls no Zimbabwe, retrocederia até Divundo e seguiria o rumo de Joanesburgo passando pelo delta do Okavango, tendo uma paragem de dois dias em Maun. Enquanto Rosa andou 10000 km, nós percorremos 13000. Ainda no Shitemo e, no lugar de Mukuwi um dia à tarde, observei a chegada de dois camiões carregados de sacos de farinha fuba tendo sido depositados num amplo armazém junto ao rio, creio que num lugar chamado de Nyondo.

 Epupa Falls

Okavango Delta.Botswana

Omega camp . UNITA

No outro dia, um pouco antes do meio-dia fiz companhia a um sobrinho de Dona Elisabete e quando paramos no mesmo armazém reparei que se tinham evaporado todos os mantimentos ali depostos no dia anterior; nada perguntei mas, logicamente deduzi que naquela noite tudo foi passado para a outra margem para o Calai ou Mucusso. Era por aqui que se passava o grosso dos mantimentos não obstante haver ao longo do rio Okavango postos militares de observação e guarda; O termo "só para Inglês ver" ajustava-se aqui, na perfeição. O povo Ovambo sabia preservar a sua existência partilhando os dias menos bons. De cartão da Unita camuflado no forro dos calções, regozijei-me por observar esta vivência no silêncio das terras do Fim-do-Mundo.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:15
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Domingo, 13 de Fevereiro de 2011
DESERTO . VII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

Shitemo. Secreta missão


ITENERÁRIO

A casa do senhor Miranda e da Dona Elisabete ficava a uns escassos 50 metros da margem do rio Okavango; podíamos até gritar às pessoas do outro lado que era Angola; gente pastoreando e de vez em quando uma canoa que passava na labuta da pesca ou simplesmente deslocando-se, ora subindo ora descendo o manso rio. Dona Elisabete logo nas primeiras horas do dia inesperava-nos com um cheiroso café da qual nunca não mais esqueci o sabor. A casa situada na parte superior da borda rio era totalmente em madeira tendo os quartos de habitação situados no piso superior; a madeira estalava de noite e qualquer movimento parecia ranger toda ela. O ranger da madeira ao mais leve movimento e o ressonar de toda a tribo mais os da casa era uma sinfonia de sossegada intranquilidade. Aquilo é que era mato, os cheiros e ruídos não tinham barreiras nem fronteiras e sentir o cheiro de Angola ali tão perto que já por si era uma inebriante adrenalina mista de roceiro e sertanejo, pesquisador e explorador. Estávamos desbravando coisas novas.


NO TOPO DA DUNA

Recordo que nos três ou quatro dias que ali passamos e num dos almoços feito pelo Kafundanga eu, armado em bravo macho quis provar do jindungo da casa e tendo a dona Elisabete dito que tivesse cuidado com aquele “cahombo” de fogo e estando eu habituado àquele viagra, obviamente não o temia. Estava enganado. Transpirei, chorei e até parece que o meu cérebro borbulhou no cocuruto da careca. Malvado jindungo. O riso contemporizou as sofridas mordidas mas, também deu azo a que não mais me esquecesse de tamanho veneno empolador de lábios e cérebro. A guerra do outro lado do rio estava brava e soube que as indicações do presidente Sam Nujoma eram a de não deixar passar ninguém para o lado de cá, Namíbia. Eu ouvi isso porque estava lá. Tiro neles, disse numa reunião nas margens do Okavango em assembleia com os comerciantes das redondezas, Nyangana, Nyondo, Mukuwi, Andara Divundo e Machari.

SAM NUJOMA . O 1º PRESIDENTE DA NAMÍBIA

Do outro lado do rio ficava o Dirico e Mucusso. Ali estava eu lateralmente à reunião recolhendo dados à minha disfarçada passagem como turista; Aquilo não era para levar muito a sério pois que as famílias de Ovambos estão de um e outro lado do rio mas haveria que lidar com essa postura oficial; por algum motivo Sam Nujoma veio a propósito ao Shitemo em helicóptero, com seu chapéu de palha e sapatilhas de pneu presas ao dedão; interessava mostrar ao mundo que por ali as coisas estavam controladas e estancadas. Quem sabe se, os serviços secretos não deram a conhecer que por ali andava um Soba T´chingange, algures a recolher dados logísticos para a sua Unita. Desconfiei disso mas indo eu com a tribo familiar em jeito de conhecer bichos, não senti ter sido atormentado; em realidade eu era um espião disfarçado e ninguém soube disso até aos recentes dias e após se terem passado uns bons doze anos. Em realidade tinha um cartão da Unita que testava ser um Órgão dirigente no exterior a poder ser usado em caso de um qualquer aperto; este plastificado cartão andava sempre comigo embora escondido no forro dos habituais calções. Felizmente fui aonde quis, vi o que me apeteceu e nada de anormal se passou neste breve percurso de crioulas ousadias; uma vida de mistério, enganos e aventuras sem nada cobrar a José Cachihungo.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:07
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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011
DESERTO . VI

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

RUACANA FALLS

RUACANÁ COM E SEM ÁGUA

Das quedas do Ruacana só vimos o penedo escuro na forma de falésia escorrendo pequenos fios de água envolvendo árvores retorcidas estendendo aqui e além suas raízes; ao nível da margem aonde nós estávamos estendia-se um lago manso irregular entre tufos de vegetação. Não muito longe do gado beberricando aproveitamos refrescarmo-nos nas águas do Cunene, o mesmo que há muitos milénios desaguava no agora seco lago do Etoscha. Foi no regresso que tivemos a feliz sorte de ver uma mulher Himba, toda pintada de ocre vermelho com tiras de couro cruzando o peito desnudo e seus carrapitos de cabelo enlameado de barro. Foi um contacto fugidio á beira da picada que liga à povoação Ruacana mas, no registo das retinas de todos nós ficou aquela figura de gente agora quase na extinção.

OKAVANGO

Foi neste percurso e a caminho de Ondangwa que tentamos abraçar um embondeiro majestoso mas, os quatro da tribo não conseguiram chegar à metade. A xipala amarelecida relembra a euforia daqueles dias mas que agora estão confinadas à caixa de sapatos do mokifo do soba; O mofo foi lá deixado para preservar o espírito das terras do Fim-do-Mundo junto ás petrificadas árvores das terras de Kaokoland, Namíbia Twifelfontein.

RUA DE GROOTFONTEIN

Com o rumo assinalado para o Shitemo do Miranda no Okavango, seguimos a direcção de Grootfontein, uma singela cidade no meio da grande chana de África e após o almoço, na revisão de mapas, julgamos de interesse ficar por ali uma noite a fim de conhecermos o Waterberg Prateou National Park. Porque gostamos do lugar, acabamos por alugar um chalé bem junto à falésia colorida do Plateou entre acácias e porque não podíamos percorrer com o nosso 4x4 o planalto, inscrevemo-nos no safari da reserva e por lá andamos toda a manha desfrutando paisagens alargadas. O Cudu, Olongue, do buraco de observação, deu um pulo descabido ao clik da máquina fotográfica e desenfreou-se entre capim e pedras.


 

Waterberg Prateou National Park

Já no Camp, o brai de carne estava melhor que nunca e, após tão suculento repasto veio a soneca de passar pelas brasas. A tarde terminou com uma ascensão entre rochas de escorrida pintura natural em jeito de arco-íris e seguindo a pista fomos e viemos já no cair da noite, de papo cheio em coisas de vistas soberbas. A contornar o chalé amiudadamente recebíamos a visita de saguins, bambis, capotas e um sem fim de pássaros, bicos de lacre, viuvinhas, celestes e o sempre presente monteiro´s ornebil com seu grande bico amarelo e, adunco.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:07
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Sábado, 5 de Fevereiro de 2011
DESERTO . V

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

OSHAKATI DA NAMIBIA

Da tenda para o buraco de observação e, um céu carregado de estrelas que nos tremelicavam olhares, de entusiasmo, nem nos apercebemos. Era a tranquilidade da natureza envolta em muitas coisas a serem descobertas. Nos dias que se seguiram percorremos as pistas assinalados de forma a ver o maior número de animais, que íamos registando num prospecto; o leão era sempre o mais procurado e, quando alguém os descobria assinalavam-nos aos demais colocando também um pionés no quadro-mapa da base Okaukuejo. A adrenalina escorregava-nos a partir dos olhos, atentos a qualquer movimento ou montículo estranho no meio do capim. E, demos as voltas de Namotoni e Alali parando em um e outro para descansarmos, relaxando à sombra fresca das acácias, tomarmos um café ou comer-se qualquer coisa rápida porque, não havia tempo a perder.

Twifelfontein - floresta petreficada

Esta reserva do” ETOSHA PAN” foi há muitos anos atrás um lago abastecido pelas águas do Cunene que aqui vazavam suas águas trazidas do planalto central da Angola à semelhança das águas do rio Cubango (Okavango) que desaguam no Delta do Botswana, um lago interior. Por um acidente cósmico, o rio Cunene foi desviado do seu curso desviando-se para o Oceano Atlântico. Este antigo lago do Etoscha é agora uma das grandes reservas aonde se podem ver um grande número de espécimes, suplantando a meu ver, a Reserva do “kruguer Park” na África do Sul. Este é o melhor destino para quem quiser ver animais em quantidade e em curto espaço de tempo. É claro que temos o Quénia, N’Goro-Goro, Delta do Okavango, e muitas outras mais pequenas reservas mas, como o Etoscha não há igual.


Namibia - Ovobolândia

Tínhamos ainda um longo percurso a percorrer em terras da Namíbia e o nosso próximo destino era a casa do Miranda e da Dona Elisabete na margem direita do Okavango no lugar do Shitemo. Sucede que a caminho do Rundu a maioria da tribo composta de Ricar, Isabel, Ibib, Marco e este  Soba, quiseram ir até às quedas do Ruacana em terras de gente Himba e, dito e feito fomos a caminho de Oshakati aonde chegamos a tempo de almoçar no restaurante, pensão do Bicho, um Tuga natural de Estombar, do sítio da Ponte do Charuto. Como em África é fácil fazer amigos, logologo estávamos a par das novidades daquele ponto de fronteira com Angola e até ficamos a conhecer um comissário, talvez inspector da polícia de Angola que se prontificou acompanharmo-nos até o Lubango caso quiséssemos ir até lá. Em verdade só não aceitamos porque o aluguer do carro não comportava a entrada em Angola, um país nesse então em conflito e muito inchado em problemas. Em verdade o kota amigo Di, que em Windohek nos tinha prometido emprestar seu velho Mercedes furou o trato, coisa já prevista. Vieram à baila estórias de diamantes, fugas rocambolescas e exotismos próprios das terras do Fim-do-Mundo. Mestre Bicho, dono do motel, teve de comprar uns colchões para podermos dormir todos, tendo recomendado não tirarmos o plástico que os envolvia. Foi uma noite do caraças com a rastolhada de plástico e celofane. Noite para esquecer; ficou-me na retina a porta maciça com um baixo-relevo com a figura de um corpulento búfalo; anda por aí uma foto dessa escultura feita porta.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:45
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Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2011
DESERTO . IV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Etoscha Pan da Namíbia”


AONDE FICAR DEPOIS DA "GATE"

Chegámos um pouco antes do fim do dia. A noite, aqui no Okaukuejo do Etoscha desce rápido; no lusco-fusco das 18 horas os portões encerram e só em caso de força maior se autoriza a saída pela noite. Ali, só gente do staff pode sair da área do arame farpado depois do cair da noite. Não havia chalés disponíveis para aquela noite e o recurso foi montar as duas tendas que levávamos na mala do “four bay four”, no espaço disponível entre a cercadura da reserva e os balneários do campismo e caravanismo. O buraco de observação de animais ficava relativamente perto, e bem pouco tempo depois deram indicação de que uma manada de elefantes sequiosos estava achegar; todos os restantes animais e até dois rinocerontes deram espaço ao verdadeiro rei do Etoscha; cansado que estava da viagem não demorei muito a adormecer feito um cepo e fiquei muito indignado de não me terem acordado quando apareceram os leões a beber lá pelas dez horas da noite. O “Okaukuejo Camp “ em forma de quadrado deve ter um 800 metros de lado, um bairro de chalés para turistas, uma zona de residências com telhados em capim para funcionários, e bem ao centro uma torre de onde se divisa o horizonte, ora mata, ora chana aberta em forma de clareiras.


O BURACO E O CHALÉ

O quadrado é todo cercado e tem um único portão por onde se sai e entra. Foi bom termos ficado nas duas tendas porque nessa noite os leões, provavelmente os mesmos que estiveram a beber no buraco, através das lonas da tenda podemos ouvir os rugidos misturados com choros de hienas, tudo isto se estava a passar não muito longe de nós e do arame farpado, o que perturbou na forma de medo as mulheres da nossa tribo, Isabel e Ibib. Logo ao romper do dia, após as seis horas e já matabixados, constatamos que dois leões tinham morto uma jovem girafa e de recente, ainda por ali estavam deitados guardando a presa enquanto hienas e chacais circulavam nervosos ao redor do lugar.

ACÁCIA NO PAN

Aquele barulho de mato zunindo o silêncio estrelado em escuro céu, não permitiu que as donas, dormissem tranquilas que, só falavam em víboras, escorpiões, aranhas, cobras de todo o formato, grandeza e perigosidade, centopeias e nos chacais comendo moscardos, borboletas e bichezas rastejantes de milhentas patas, junto às luminárias do camp; foi um alívio passar a seguinte noite num chalé moderno envolto em espinheiras de grande porte. Nunca tinha visto tanta espinheira junta como aqui nas vastas áreas planas da Namíbia, terra das acácias num semi-deserto a que chamam o grande Calahári ou Caroo. Aquela, não seria a única noite passada quase ao relento com chacais ensombrando tremuras medrosas entre candeeiros e farejadas sobrevivências.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:12
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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011
DESERTO . III

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“O silêncio de Ai-Ais”


CASAS NO HOBAS DO FISCH RIVER

Num amplexo olhar dum cenário de largos horizontes e pontos verdes de muchito, aí estava o Namibe. Em alturas despertinas há dias em que a beleza é tão avassaladora que magoa, como qualquer coisa mágica que despoja o ego dos humanos. E, não é só no Namibe que esta atitude volátil acontece e embevece; idênticas paisagens podem ser observadas em todo o Caroo, Costa dos esqueletos ou Naukluft os quais percorremos fascinados

Naqueles dias de correria louca num quatro por quatro éramos donos do que víamos; tudo era nosso na vastidão. Da doce vista das areias eternas entrecortadas com tufos de capim sobrevivente do nada, havia em nós um misto de atracção e raiva carregada de adrenalina. O medo protector balançava alegria escondida e também curiosa tranquilidade impregnada de um silêncio pacificador; a coisa nunca sentida fora deste mundo, empolgava-nos a existência num esmagador pórtico dum além sem fronteiras, de para além-de-tudo ou as terras do fim do Mundo.


ÁRVORES DO Ai-Ais

Éramos uma mini-tribo procurando experiências de vida num ermo só nosso. Éramos cinco despeitados “Tugas”: Pai, mãe, dois filhos “angolanos” e uma parceira genuinamente metropolitana dos sete costados partilhando vontades. Todos sequiosos, desbravando o nada como se, se nos procurássemos ali e, naquele agora.

De Sul para Norte depois do Orange River, descansando no “Ai-Ais” e subindo o Canyon do “Fiche River ” procurou-se pinturas rupestres, pegadas de dinossauro e vestígios de meteoritos. No meio de triliões de anos petrificados, rosnávamos ininteligíveis admirações brilhando argumentos tirados à pressão duma imaginária visão. Há noite, entre zunidos e guinchos vindos da negra escuridão em assalto nocturno, olhávamos as fagulhas saltando da fogueira explodindo térmitas; improvisando jantar, assamos carne de “Orix” e “Biltong” que gulosamente deglutimos com rega de cerveja “Ansen”, “Whindooek Laager” e chá “Rooibos”. Já mortos de sono, dávamos por findo o dia atirando pedaços de ossos aos quase inofensivos chacais que de olhos brilhantes nos metiam susto no lusco-fusco do escuro. Estávamos no majestoso deserto do “Caroo” , um fragmento do Calahári.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:31
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Domingo, 23 de Janeiro de 2011
DESERTO . II

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

“Xipala dos esqueletos”

FISH RIVER . CANYON

A fotografia tem o condão de nos suspender a felicidade num dado momento que no tempo se reflecte em traição. Aquele instante dum abraço amigo, amanhece nos anos de combinações de sonhos idealizados, leviandades desordenadas guindadas a outras latitudes. As generosas aventuras acumuladas num sótão ou vão de escada, numa caixa de sapatos ou um álbum de cadeado, mostram doces recordações e longa, longamente, recuamos ao tempo a recordar aquele abraço numa manhã chuvosa de quando do cais partimos rumo ao desconhecido deserto. O inesperado espírito de adaptação deu solução definitiva aos contornos e detalhes que o tempo desbotou em lugares vazios: um conjunto de existências aonde como um deserto, só resta o nada. Também entre nós nada existia, nem existiu e, amando-nos, fizemos tudo para cada um por si, esconder o que o coração ditava; nunca confessamos um ao outro que nos amávamos e, o sacana do tempo enrugou-nos os destinos até que, tardiamente soube que o teu eu te levara para destino incerto.

Foi neste então que deixei cair uma lágrima de ressentimento e, pedi-te perdão.


COSTA DOS ESQUELETOS

E, vem o vento e o ruído arrastando permanentemente ondas de areia fina que num repente se levanta entranhando-se nos cabelos, olhos e ouvidos; e outra vez o deserto infindável, contrastes de nada ondulando areia; lugares em que falamos coisas estúpidas e que não se entendem, inutilidades de cabelos varridos pelo vento. Dando tempo ao tempo, juntos, olhamos a imensidão daquele cenário belo e devastador, correrias de marujos não tragados pelas águas daquela “costa dos esqueletos”. Sobressaindo da areia aqui e além, mastros de velhos navios picam o ar saídos da areia em permanente labuta que vai e vem na água revolta. E é Diogo Cão e tantos outros que por aqui vagueiam que nem kiandas, espíritos de calunga enfrentando além do vento frio do deserto, hienas e chacais que se aventuram na predadora tarefa de limpar os ossos; os esqueletos macabros de caveiras de gente, bichos e peixes fantasmagóricos. A terra do nada do Ovambo, a Namíbia pertence por inteiro aos Namibianos mas, a paisagem pertence a quem a souber observar. Há muito que não vou a “Cape Crosse” e, sinceramente, sinto saudades desse cemitério, património da humanidade.

(...Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:54
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010
TUNDAMUNGILA VII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        "fui lá visitar pastores"

 O SOBA

UM DIA FEITO MARAJÁ 

Aquietando tranquilidade educando emoções da vida, gerêncio pensamentos de tranquilidade comigo próprio, longe de tudo. Em tempos prometi falar dos Mazombos de Sacramento do Uruguai mas ainda não me foi possivel ir até lá, fica prometido sem data defenida.

Agora estou no Puto, amanhã se verá!

Numa idade própria para cultivar flores, falar com elas, gozar do seu pefume, trato de fazer novas conquistas entre pessoas. Em verdade é mais gratificante conquistar gente do que atomentá-las, banir a raiva, emoções de rilhar dente duma mórbida ansiedade.

Longe dos amilongados uso fracassos passados para lapidar emoções, separando o trigo do joio, lutando no corredor do tempo contra o síndroma de pensamento acelerado.

E, o meu amigo Ruy de Carvalho, inconformado com a vida morreu de velho lá pelas terras lindas do nada a que chamam de Namíbia, eu que viajei com ele em sonhos de relaxar “fui lá visitar pastores” num além Namibe. Paz à sua alma que rola como um fardo de palha ao longo do Calahãri, socorrendo a solidão do vento Kuvale árido, soprando florestas petrificadas dos pastos dos Himbas. Ele, um Mazombo de Angola, para mim só vai ficar ausente, lá em Swakopmund aonde as hienas castanhas, sorrateiramente vinham assaltar os nossos lixos do fundo do quintal.

 

RUY DE CARVALHO 

A mente é fundamentalmente uma máquina de sobrevivência. A mente colecta, armazena e analiza as informações mas, seremos destruidos por ela se não houver consciência porque tende a se transformar num monstro.

Não quero perder a minha capacidade de analizar e criticar com consciencia que conscidero o bem mais precioso que temos; sem isto seremos apenas mais uma espécie animal.

Percorrendo os caminhos do ser, um dia eu e Carvalho nas terras do fim do mundo entre Ochakáti e as quedas do Kunene encontramos um muito kota Himba sentado em cima duma velha mala em sua palhota.

- O que tens aí nessa mala? Perguntámos.

- O tempo! Respondeu ele

- Já nem sei há quanto tempo estou em cima desta velha mala! Acrescentou o Himba.

- Dá uma olhada insistiu Carvalho.

O Himba resolveu abrir a mala enferrujada e, mal conseguiu acreditar ao ver que a velha mala estava cheia de ouro.

Aquele tesouro, virou migalhas de prazer.  Um ano mais tarde o kota Himba estava desfeito em cachaça.

Não mais nos perdoamos por tal conselho.

 

O soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:07
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Terça-feira, 6 de Julho de 2010
DIVIDAS ENVENENADAS . IV

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

O AQUECIMENTO GLOBAL

WELWITSHIA MIRABILIS

Na pesca industrial dos nossos dias os barcos pescam com mais rapidez do que os peixes se conseguem  reproduzir. Os excessos da pesca ou pastagens afectam todos os países da globália; o uso excessivo de fertilizante polui as vertentes, águas que correm para outros países e oceanos, bens comuns da biosfera, da Globalia.

A qualidade do ar ou o nível freático das aguas subtrrâneas e chuvas, afectam o mundo e, não tão sómente os vizinhos que apanham mais rápidamente os fumos de uma queimada ocasional ou provocada.

Se nada se fizer para alterar o aquecimento global com o sequente degelo das calotes polares, as águas dos oceanos subirão e, dentro de cinquenta anos, as Maldivas e o Bangladesh com 330 mil e 145 milhões de habitantes respectivamente, estarão submersos de acordo com previsões confiáveis; forças que estão fora de qualquer controlo humano postas em movimento por acções poluidoras de outros; acções que não pretendiam ser danosas ameaçam esses países com a aniquilação.

 

O mundo precisa planear e agir agora. É tarde, mas será muito melhor estarmos preparados para o pior cenário do que esperar  e  vir a confirmar que não se fez o suficiente.

Enquanto isso, os Estados Unidos da América recusam-se a assumir a sua responsabilidade moral perante o resto do mundo, uma mentalidade que tem acompanhado a sua filosofia de estar e que segundo Darwin “os seres vigorosos, sadios  e afortunados sobrevirão e se multiplicarão”; outros apelarão aos principios da higienização racial do pastor anglicano Thomas Malthus.

O evolucionismo da socidade Estaduniense, não se compadece com o resto do mundo. Basta analizar a sua história tão cheia de eufóricas bravezas par além das suas fronteiras a partir de Theodore Roosevelt , a política do “Big Stick”, (grande porreto)  impondo o poder fora de portas.

O aquecimento global é um problema mundial, mas ninguêm quer pagar para concertá-lo e muito menos os Estados Unidos da América, o maior poluidor que nem o acordo de Kioto assinou.

 

PARA ALÉM DO NADA . Pintura do Soba

O mau exemplo do país “leader” no mundo, é com razão, referido pelos países em desnvolvimento ou pobres, alegando, que lhes é difícil reduzir as emissões porque são pobres e necessitam correr para alcançar o atrazo, atingir o padrão de vida do mundo desenvolvido.

O aquecimento global é uma ameaça real e demasiado grande para o bem estar do nosso planeta terra; oremos para que acabe surgindo uma solução.

Numerosas civilizações,  porque ignoraram o meio ambiente, desapareceram.  

Em 2004, as receitas da General Motors foram de 191 biliões de dólares, quantia maior que o PIB de quase 150 países. Em 2005, a empresa Wal-Mart facturou 285 biliões de dólares, mais do que o PIB total de toda a África Subsaariana. Essas empresas não são só ricas, também são politicamente poderosas. Nenhum governo se encoraja a tributá-las ou regulamentá-las da maneira que não lhes agrade. Elas ameaçarão mudar-se para um outro qualquer lugar e, vai haver sempre um outro país, disposto a receber suas receitas de tributação, seus empregos e seus investimentos.

(Continua…)

Bibliografia de referência:  Globalização como dar certo   de  JOSEPH E. STIGLITZ  da  companhia  de  letras - Brasil

(Prémio Nobel de economia em 2001)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:11
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Quarta-feira, 25 de Março de 2009
AI.AIS - NAMIBIA

                          FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

  Chovia quando ali cheguei pela primeira vez Indo de Orange River, coisa rara para quem passa exporádicamente como o é, neste meu caso; não há cheiro igual noutro qualquer lugar do Globo. Voltei lá com a familia por mais duas vezes e, mais vezes voltarei se, se proporcionar.

Após as primeiras chuvas, o pó em África, tem um cheiro de terra especial; quem o não cheirou, não consegue conciliar os sentidos inebriadores duma mistura de pólenes invisiveis  dos  escassos tufos de vegetação.

O sol ali não é docil, pus o meu chapéu do Karoo, montamos o toiota e, bem cedo seguimos à descoberta do Fish River mais a norte; fomos três a descer ao fundo do Canyon que parecia perto, era logo ali e, o que pensamos fazer em uma hora na descida e subida, levamos bem perto de quatro horas, Ufa!!! Que calor .

  FISH RIVER

Havia uma fria Windhoek  lager à espera no restcamp. Que delicia!

Maior que este, só o canyon Americano. A adrenalina escorria nos olhos, nas faces, tremia nas pernas, abanava os sentidos comuns à  magnitude em banda larga com “óoos e áaais” de espanto. Estou em crer que foram estes Ais de admiração que deram o nome ao acampamento desta canyon.

Dias depois subimos a Brandberg a ver as acácias solitárias, entre pedras vermelhas sobrevivendo a um deserto impiedoso.

Os dias terminavam com suspiros de plena satisfação em curtos goles de marula tree.  

                           O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:58
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Quarta-feira, 18 de Março de 2009
NAMIBIA . A TERRA DO NADA

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

 [IMG_3432.jpg]SOSSUSVLEI . NAMIBIA

 

NAMIBIA, em dialecto Ovambo significa terra do nada. Foi aqui que vi as melhores paisagens nas minhas viagens por África. Saindo de Luderitz  atravessei  com o clã T´Chingange todo o Nauklefut Park para chegar às grandes dunas do Sossusvlei; acampamos em duas tendas em um espaço próprio no início da zona interdita, activamos uma fogueira comunitária e deliciamos o ouvido aos sons da noite. As noites ficão frescas assim que o sol desaparece no horizonte. Aqueles montes enormes de areia deixam em nós a sensação estranha da pequenez que somos ?!!!

Tivemos de preencher uns papeis para recebermos autorização de entrar no parque dos diamantes, não nos podiamos afastar do trilho e havia outras recomendações a cumprir. Iriamos saír ainda de noite para chegarmos ao nascer do dia á duna nº 45. Ainda noite, saimos em comboio de carros, jeepes 4*4 e turismos como o nosso. A claridade ia surgindo e, apanhamos o nascer do sol a meio da subida à duna, em fila indiana gente de muitas latitudes, falando linguas diferentes estavam ali para saborear a natureza na sua maior plenitude. O sol com o seu disco grande amarelo ia subindo no horizonte e um mundo de sombras moviveis rodavam à nossa volta como coisa doutro mundo; o amarelo das dunas contrastavam com o preto-preto das sombras em figuras sinuosas que mudavam a todo o instante.

 Valeu a pena subir aquele morro de areia; levou talvez uma hora, dois pés á frente, desliza um para trás. Ali, e naquele momento, era o céu. Envoltos em azul vivo, o vermelho longinquo das terras altas, o amarelo ouro das dunas e o preto das sombras, cada um de nós se sentia  "um senhor do mundo".

 

Sussuvlei ficou para sempre gravavado na nossa memória.

 

Naquele dia casei com Sussuvlei; a fina cortina de areia desprendida pelo vento mais parecia uma seda ondulante de noiva roçando o meu rosto, os meus olhos, a minha boca. Beijei a areia feita um véu, como se fora um deus menor e os sinos das cigarras disseminadas em esqueletos de árvores perpectuaram ao ouvido aquele som.

Ali era um bom sítio para entregar a alma ao criador. Foi sem dúvida a mais bonita catedral que já visitei.  Se viver 394 anos, quero lá voltar na segunda metade do meu percurço.

Ali, o feitiço tem mais encanto, coisas que não se apagam da retina. Esta   é uma das imagens que afagamos nos dias de indulgência, nos dias de amarguras involuntárias, nos dias impregnados de incontidas revoltas,

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:58
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Terça-feira, 17 de Março de 2009
UMA VIAGEM ANTIGA

 O MAIOR METEORITO DO MUNDO

 

Corria o mês de Agosto de 1998. Saimos de Whindooek capital da Namíbia, com destino a Ai-Ais no Fish River afluente do rio Orange River, fronteira com a África do Sul, lugar de grandes depressões.

Consultando o mapa, houve um nome que nos despertou curiosidade. Meteorit era o nome indicado com a referência de Hoba West, não muito longe de Grootfontein (em África tudo fica perto, é ali mesmo patrão, mwadié).

 

Rumamos para a esquerda para ver aquele pedaço de coisa caído do céu, uma bola de fogo rija como o titânio; eis que chegamos no meio do nada, uma pequena recepção num imenso Calahári. Após pagarmos uns poucos "Randes" a um homem fardado , entramos no tal lugar.  Lá estava aquela coisa com 60 toneladas, uma liga de fusão vinda do Universo, dum infinito lugar.

 

Toquei aquele titãnio rijo e frio, embasbacado sentei-me observando-o por algum tempo. Anoitecia e tinha ainda de percorrer uma distância razoável, ali a noite cai rápida. Atropelei umas quantas capotas que atravessaram descuidadamente a picada.

 

Foi um relâmpago na vida do,

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:20
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Domingo, 4 de Janeiro de 2009
MOKANDA PARA A LUA

 DELTA DO OKAVANGO

 

              UM LUGAR DE SILÊNCIOS

 

RECORDANDO A ROÇA CHITATAMERA

Há muito, muito tempo era eu um monandengue, tinha um sonho. A vida rolou, rolou, e o sonho antes de o ser virou saudade.

As lembranças de coisas passadas podem confundir-se com o odierno numa amalgama de engravidadas verdades e no exacto momento de sobrevoar o kimbo grande de Maun, feito cidade de paliças no Botswana, desfrisei essas visões à mistura com os horizontes verdes e água silênciosa deste Delta do Okavango.

A saudade dsnorteou o sonho. Juntei umas lágrimas ao Delta do Okavango lembrando Angola e a lua da minha infância amulatada.

No decorrer do tempo, a lua da minha infância foi mudando de quadrante, primeiro os brancos pensaram a luta, tinham uma ideologia cantada em surdina, uma causa, os americanos financiaram-na, os russos incentivaram-na com um cariz romântico de “El Che, viva Cuba”, os negros foram os bombos da festa, corpos sacrificados; nesta inventação de revolução, os mulatos ficaram os senhores da festa. Tal e qual.

 

Depois,... a irreverência fez com que os camundongos, caluandas tornassem um desporto nacional irritar os tugas, fazer a vida negra aos portugas.

Numa permitida intolerância de puberdade  foram com esquemas, construindo a emancipação; tal como os Brasileiros após a independência passaram a gozar os portugas dando-lhes isso, imenssa satisfação.

O Emepelá ganhou as eleições no defuntado ano de 2008. Nestes quinhentos anos de colonização desde a cristianização de N´zinga-a-N´kuwu em 1509, os tugas alguma coisa de bom deixaram em Angola.  Os mulatos!? Pois sim! Pois não?

 

Mas a Lua continua doente, cheia de putas e malamadas bangulando-se na rua por quase nada. Os meninos de rua continuam fumando crake  vendendo a crua alma ao diabo, os maisvelhos kotas como eu, abandonados de uma guerra tola dormem ao relento disputando cartões cama feitos diquixes (monstros de mil cabeças) dormindo ao relento.

Falo assim porque sou zebra, nem preto, nem mulato, nem branco de verdade. Fui desclassificado pelo tempo, vento e saudade.

A gazosa prospera, a festa continua.

 

Já em terra um miama preto de fato macaco verde sauda-me em amazulu, sambonany manié mulungo!

- Kunjani! Respondi eu.

- N´kulukulu boé da fixe! Disse ele.

- N´kulukulu p´ra ti também. O mundo é pequeno mesmo, este zulu é Angolano.

 

Glossaário: amazulu: - dialecto em Zulu; sambonany: - bom dia, como está; Kunjani: - tá-se bem; manié: - gíria de branco em Namíbia; mulungo: - branco em Zulu; miama: - preto; N´kulukulu: - Deus

 

O Soba t´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:23
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Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009
EPOPA FALLS

NA TERRA DO NADA          embondeiro/baobá

RUNDU DO OKAVANGO     

        

Corria o ano de 1975, tempos para esquecer!

Metido em apertos, apanhei boleia numa Dodge até Namacunde com o administrador de posto do Dirico, o senhor Pinto. Uns pseudo militares encostaram-nos à parede enquanto revistavam a camioneta partindo tudo sem mais nem menos, nem porquê.

 A minha vida corria para trás, teria de me raspar na primeira distração. Os olhos daqueles improvisados tropas chispavam raiva demais e, não se entendiam, naquela grande maka de Angola

Encostado à parede duma casa queimada, enquanto revistavam a carrinha, via o além, muito mais próximo do que pretendia.

Aqueles  caragos dos portugas, por acaso não sabiam? Será que não?!

O próprio administrador não sabia como controlar aquele desrespeito nem o  seu desamor à revoluçaõ; segredou-me que não demoraria muito para largar tudo e, mudar-se para o Rundu.

- Mas,... os portugas não sabiam que em Janeiro de 1975, muito antes do 11 de Novembro, 20 instrutores cubanos vieram treinar tropas do emepelá,  assentaram arraiais em Massangano,... ali tão perto de Luanda! Segredava em voz alta o administrador, sem se aperceber que falava em voz alta.

          Estava mais passado do que eu. Parecia estar bem informado pelo que veria  posteriormente a acontecer.

Mas, agora não era a hora de pensar nos senhores do Puto e no que russos, americanos mais o povo mal informado e os generais de aviário pretendiam fazer.

Apareceu um mulato fintador, com divisas de tenente, penteado de balas em diagonal. Com pinta de herói deu ordens à guarda para deixar passar aquele T´chindere.

- Aquele T´chindere era eu!

Ficou em fundo um ruído de música do Congo que os militares camaradas ouviam na rádio Mandumbe,... “Ai bá ninique sala, táta rafael”

Passados uns largos anos!

Sinto um frio nos pés no momento exacto em que um mabeco, sarapintado de castanho sujo, surge num repente por detrás da bissapa de picos medonhos.

Saí bem cedo do Divundu para vêr os hipopótamos do rio Cubango (Okavango).

Depois dum susto amarelo dado por um búfalo logo a seguir à curva apertada da picada, decedi ficar por alí no lugar de Epopa Falls. Era demasiado tarde para passar a fronteira a  caminho de Maun no Delta do Okavango

A vida faz pouco das previsões e coloca palavras no lugar de silêncios. Aqui, Epopa Falls, sem presunção, era um desses lugares, pelo menos àquela hora que o vento frio surgiu sem ser convidado.

Bem perto, ficava o Omega 3. Enquanto observava os hipopótamos pude ainda ver os telhados de capim preto por entre amarulas e embondeiros magestosos;  lembro-me da muita saca-saca com pirão e jindungo que outrora ali comi.

Miranda, apresentou-me ao presidente San Nujoma, que por ali andava em missão de soberania, pessoa simpática e simples. Nem parecia ser o presidente da Namíbia.

Gostei da pessoa simples; tinha na cabeça um chapéu de palha já surrado e nos pés umas alpercatas de calcar matacanha. Mantenho a imagem do encontro na maior lucidez.

Até Francistown no Botwana e, depois de Epopa, a viagem correu de maravilha. Só uns quantos burros selvagens, fizeram a viagem mais lenta; os jornais devem ter dado noticia com foto do aperto de mão entre mim e San Nujoma. A Swapo estava vigilante aos meus passos.

Naqueles dias, fui de verdade o,...

Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:10
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Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008
OSHAKATI

 OSHAKATI - NA PICADA

NA TERRA DO NADA

Malembe-malembe

 

As zebras de Angola são pretas às riscas brancas

 

Os Malembe-malembe são sacanas mesmo, só dão pancadas nas costas e dizem: - Amigo! Cambulando catandú nos gwetas, mwana pwós, carcamanos de tuji ou ainda um nome antigo de besugo, uatobão à toa.

Os Ka-luandas têm propensão para ser mentirosos; exageram em tudo. Sempre têm de ser os maiores, parece até que têm uma máquina especial para fazer arco-iris e, Angola fica tão grande que nem cabe no mundo, estravasa as fronteiras.

Encontrei  fora de portas, aqui em Oshakati um Malembe-malembe do Cazenga. Irmão, disse ele, que prazer ver-te aqui nesta terra de tuji, se queres, te dou boleia até Oncócua. Tinha um bruto geep  for bay ford de vidros esfumados.

Pensava que estava só e, prazenteiro queria swingar-me com uma treta de feijão branco esquindivados do Nauklefut Park.

Eu disse, não muito obrigado, só vim ver as zebras do Etosha.

-É pá, estas zebras são Angolanas, estes gajos passaram-nas em Ondângua sem mais nem menos; aproveitaram a confusão da guerra e trouxeram tudo p´raqui.

Tinha de me desfazer deste mano.

 A elegância não fica velha, cultiva-se, e este camba estava por demais extravazando os meus limites.

Meu,... tenho de ir, vamos encontrarmo-nos lá na ilha, combinado e,... fui-me sem defenir que ilha era aquela.

- Sáfa!

Há gente impertigada pela própria impertinência, gente que não aceita que se critique alguêm, quando esse alguém é negro; este voluntário paternalismo rodeia-me no dia a dia com gente próxima em laivos de paternalismo como uma obcessão de complexo. A isto, eu tenho de chamar as coisas pelo seu nome, é um racismo invertido, uma covardia elegante.

Luanda, parece até que só tem ladrão rico e, rico, mesmo sendo preto tem de ser respeitado. Haka!...

 Não bebo desta bolunga. Não! Muito obrigado!

http://www.bemparana.com.br/craques-e-caneladas/?s=maringaense

Para mim, a Zebra é branca, listrada de faixas pretas. É um mamifero perissodáctilo da familia dos equideos. Podem ser domesticadas.

      A mais vulgar em África é a zebra-imperial. Andam em savanas extensas, pastando juntas como defesa aos predadores leão e hiena pois que formam assim um conjunto de volume ondulado, causando um efeito hipnótico.

Da N´nhaca do Soba t´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:56
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
OTJIKOTO

NA TERRA DO NADA

                Otjikoto lake

 

Lugar aonde as musas lambem rochas

 

Já fáz algum tempo!

 

A poucos quilómetros a Norte de Tsumeb, na Namibia, encontrei o angolano M´c Giver, zelador do buraco de sonho Otjikoto e tocador de baladas enlatadas. Foi um fortúito encontro de amizade desértica; tinha uns olhos visgosos tocando com gula a vida de simpatia numa velha viola encantadora de gazosas extras. Os turistas, porque eram escassos requeriam atenção desdobrada.

 

Ali, num lugar distante de tudo, na terra do nada, um poço com água de fundura desconhecida, sobe e desce ao sabor dos quadrantes da lua. Zuni uma pedra nas suas águas e por três vezes chispou na toalha lustrosa.

Estava satisfeito o desejo do encontro com aquele um especial buraco num vulgar dia e invulgar lugar a caminho do Etosha Pan.

 

Num deserto cheio de vento,

Espinheiras resistindo a tudo,

A areia longa e solta na limpeza do ar,

Da língua envolta em secura,

 

Na cabeça muitos sonhos,

O tempo sem ida nem chegada,

Moldura de gente zebra,

Fluidez imperfeita de uma vida

 

Despedimo-nos (eramos cinco) das areias e pedras de Otjicoto, do camaleão pré-histórico com picos ferozes e da louva-a-deus escandalosamente verde.

No Etosha, lugar de feitiço completo, pelas vinte e três horas apareceram os leões na poça de Okaukuejo; saí ensonado da tenda para de novo assistir ao magestoso mundo natural duma verdadeira África.

No Oshakati, paredes de pau-a-pique quase nas margens do Cunene agreste cohabitamos com uma raça em extinção chamada himba.

 http://outapi-odyssey.blogspot.com/2007_09_01_archive.html

Naquele outro um dia, vesti-me de lama numa gordurosa cor ocre e dei um rápido mergulho no  popa falls do  fim do mundo, Ruacaná.

Do outro lado, estavam as terras dos kwanhamas mas. por ali fui ficando com os Ovambos lambendo feridas com “castle lager”.

Sentado num cepo de madeira petrificado, senti-me o senhor com a maior  dor d´alma do mundo. Foi o preciso lugar e momento de começar a esquecer e ser esquecido.

Pasmado no tempo, só continuo maisvelho,...

 

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:03
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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