Quinta-feira, 13 de Outubro de 2016
MUJIMBO . CII

DO M´PUTO - DO LIVRO PROIBIDO. IV

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbolagoa

DE

saraiva1.jpgJOSÉ ANTÓNIO SARAIVA - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje. «O melhor do jornalismo é aquilo que não se pode escrever»

Sobre Sócrates

saraiva0.jpg Sócrates mostrouse muito naïf quando disse que num mestrado que fez (ou está a fazer) lhe explicaram como se cultivam relações - (…) Numa perspectiva exclusivamente interesseira e instrumental, claro. Mas, à parte eu fiquei com a ideia de que é um homem ainda imaturo, pareceume uma pessoa serena, cautelosa, não ansiosa - o que é importantíssimo num país que parece histérico e onde a tendência para a instabilidade é enorme.

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Mas Margarida Marante faz uma revelação: que tem um orientador espiritual, um padre do Opus Dei, que tem sido fundamental para a sua pacificação de espírito e para «deitar cá para fora o ódio». Mas anda a tentar equilibrarse depois dos solavancos (enormes) provocados pelo fim da relação com Rangel - na qual tinha apostado tudo e pela qual tinha posto tudo em causa: a família, o bemestar, a tranquilidade.

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Essa discussão acalorada sobre a Justiça entre Sócrates e Marante foi para mim inesperada, e já parecia vir de trás. Nem percebi bem o que discutiam. Parece que Sócrates já adivinhava que iria ver -se a contas com a Justiça, pois enervou -se sem razão aparente e começou a levantar a voz - tendo eu de lhe chamar a atenção pois já estava toda a sala a olhar para nós.

matias12.jpg A situação era ainda mais acabrunhante dado o facto de Marante e Sócrates serem pessoas muito conhecidas. É no entanto curiosa essa observação que faço sobre Sócrates no Diário, dizendo ser «um homem sereno e não ansioso». Porquê? Quando abandonávamos o restaurante, um aparelho de TV colocado perto da saída transmitia um telejornal onde se dava uma notícia pouco simpática para o então primeiro-ministro Santana Lopes.

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E Sócrates comentou: «Espero que o Sampaio tenha a lucidez e o bom senso suficientes para não ceder aos apelos para demitir o Governo e convocar eleições antecipadas.» E parecia sincero. Só que, um mês depois, no início de 2005, Sampaio demitirá mesmo Santana Lopes. E Sócrates, comentando publicamente o facto, afirmará que o Presidente da República não tinha outra alternativa senão demiti-lo. É assim a política... Diz -se o que convém no momento. No que se refere a Sócrates, esta afirmação não poderia ser mais verdadeira.

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Almoço com o Sol em S. Bento - Quando fundámos o Sol, em 2006, José Sócrates convidou toda a direcção para almoçar em S. Bento, na residência oficial do primeiro-ministro. Fui eu, o José António Lima, o Mário Ramires e o Vítor Rainho. A refeição teve lugar na sala grande do rés-do-chão, à direita da entrada, que antes era sala de espera (e depois voltará a ser).

matias9.jpg Sócrates chega acompanhado por vários colaboradores, entre os quais Luís Patrão e Luís Bernardo, um assessor de imprensa tido como maquiavélico. Sentam-se de um lado da mesa - e nós sentamo-nos do outro. Como sucede naqueles encontros entre delegações partidárias em que as partes se sentam frente a frente. A conversa assumirá contornos surrealistas.

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Há discordância de opiniões e os ânimos exaltam-se. Depois, Sócrates começa a desenvolver uma teoria sobre o condicionamento político dos meios de comunicação social. Diz que é estúpido os políticos quererem comprar ou influenciar os jornalistas ou os directores de jornais, pois é muito mais eficaz - além de ser muito mais fácil – condicionar os patrões dos grupos de média.

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Curiosamente, será esta a teoria que Sócrates aplicará no caso Face Oculta, tentando condicionar os grupos de média através dos accionistas. É caso para dizer: com a verdade me enganas... Nestas conversas (ou discussões) em privado, assim como nos almoços a sós, Sócrates era - como ficou dito - muito pouco brilhante a argumentar.

lagar2.jpg Parecia uma pessoa banal, com uma conversa banal. Ora, nas intervenções televisivas, era acutilante e eficaz, às vezes quase brilhante, mesmo quando não tinha a razão do seu lado. Perante as câmaras de televisão ou o público, Sócrates superava-se. Ou então, como alguém disse, tinha uma capacidade de memorização invulgar e preparava previamente essas intervenções, limitando-se no momento a debitar o discurso que tinha preparado. Não sei qual será a verdade.

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:04
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2016
MUJIMBO . CI

DO M´PUTO - DO LIVRO PROIBIDO . III

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kimbolagoa

DE

saraiva1.jpg JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje. «O melhor do jornalismo é aquilo que não se pode escrever»

Sobre Sócrates - Mais um episódio esquisito

soba k.jpg (…) Nas vésperas de Sócrates assumir a liderança do PS, em Setembro de 2004, Margarida Marante liga-me a dizer que ele acha que há da parte do Expresso (e de mim próprio) alguma animosidade em relação à sua pessoa e sugere um almoço entre nós. Porquê este contacto de Margarida Marante? Porque, quando fora directora da Elle, M. M. trabalhara com a jornalista Fernanda Câncio, tornando -se sua amiga. Entretanto, Marante casara com Emídio Rangel e Câncio começara a namorar com Sócrates.

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Os dois casais passaram então a encontrar -se com alguma frequência. M. M. e Rangel tinham alugado uma vivenda na Biscaia, para os lados do Guincho, e Sócrates e Câncio eram visitas lá de casa. A vivenda tinha uma localização esplêndida perto do mar e fora alugada à ex-actriz Manuela Marle, que lhe dera o nome de Casa Boulangerie. A decoração fora encomendada por Marante a Graça Viterbo. Ora, dado encontrarem -se frequentemente, Marante passou a funcionar - julgo que por amizade - um pouco como «assessora de comunicação» de José Sócrates.

socie3.jpg Faço um parêntesis para falar de Fernanda Câncio. Conheci-a no Expresso, onde começou a trabalhar como estagiária antes de se mudar para a Elle. Nessa altura, namorava com Abílio Leitão, que também trabalhava no Expresso como copy desk e vivia em casa de um colega, onde Fernanda Câncio ficava também muitas vezes a dormir.

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Sucede que Abílio tinha um fetiche pela fotografia (aliás, viria a ser fotógrafo free-lancer) e dedicava -se a tirar fotografias das relações com a namorada. E não tinha o cuidado de esconder as fotos, deixando -as a revelar em cima dos móveis. Um dia, a empregada que ia fazer a limpeza foi entregar ao dono da casa um maço de fotografias que tinha apanhado e que considerava impróprio estar espalhadas pelo quarto. Devo esclarecer que nunca vi essas fotos, mas o episódio que acabo de relatar é autêntico, dada a fonte que mo confidenciou.

Avillez2.jpg Voltando ao almoço com José Sócrates e Margarida Marante, este realizou-se no Vela Latina, em Belém, na segunda-feira seguinte (25 de Setembro de 2004) ao fim-de semana em que Sócrates foi eleito líder do PS. Era, pois, o seu primeiro dia na liderança do partido. Estranhei a sua disponibilidade, pois o primeiro dia de um líder é normalmente muito atarefado.

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Ele e M. M. entraram juntos no restaurante, eu já lá estava, instalámo-nos à mesa, ela levantou-se de seguida para ir ao WC e Sócrates, aproveitando estar sozinho comigo, diz-me o seguinte: «A Margarida Marante insistiu neste almoço, mas eu devo dizerlhe que não tenho qualquer problema com o Expresso, antes pelo contrário. Sempre me senti bem tratado...» Fico estupefacto!

avillez00.jpg Então a Margarida tinha inventado tudo? Não era possível. Até porque - como resulta do que foi dito - ela sabia muito bem nessa época o que Sócrates pensava. E, sendo uma mulher perspicaz, com muita experiência na área da política, não se equivocaria com facilidade. Não era plausível que tivesse interpretado mal os seus sentimentos. Concluí, pois, que Sócrates estava mais uma vez a representar uma farsa.

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Não havendo necessidade de esclarecer nada, o almoço decorreu de forma cordial. A dada altura, porém, Sócrates sugeriu que jantássemos brevemente, pois ao jantar havia mais tempo e mais disponibilidade para conversar com tranquilidade, sem a pressão do tempo.

carn1.jpg Esse jantar teve lugar poucas semanas depois na Bica do Sapato, restaurante da moda na zona oriental de Lisboa, para os lados de Santa Apolónia, junto à discoteca Lux. Os comensais foram os mesmos: eu, Sócrates e Margarida Marante. Colocaram -nos numa mesa muito exposta, mesmo no meio da sala. Descrevi assim esse encontro no meu Diário: 9 de Novembro de 2004, Jantar com José Sócrates na Bica do Sapato, por «intermediação» de Margarida Marante. Foi uma refeição algo desconcertante.

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Começou com um happening: quando estávamos a falar sobre o Diário de Notícias e os episódios relacionados com a demissão da direcção e a nomeação de uma nova (eu elogiava o novo director), surge no restaurante essa nova direcção do DN: Miguel Coutinho, Raul Vaz e Pedro Rolo Duarte. No jantar, Sócrates e Marante «pegaramse», numa discussão sobre a Justiça. E Sócrates mostrouse muito naïf quando disse que num mestrado que fez (ou está a fazer) lhe explicaram como se cultivam relações.

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:56
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2016
CAFUFUTILA . CXVIII

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA - 13ª com várias partes…

ANDANÇAS COM KIANDASEm Córdova com Zachaf Pigafetta Roxo, kianda tetravó de Roxo e Oxor, seu mano Pieter e, um tal de Conde de Sant German.

Ongweva é saudade   

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange (Ochingandji)

zé peixe 1.jpg Este mussendo teve início no lugar de Guaxuma com a Kianda sereia Roxo; depois sua irmã vista ao espelho Oxor e Zé Peixe o marinheiro prático que levava grandes barcos desde alto mar até Aracaju de Sergipe. Depois evoluiu diluindo-se nas brumas do tempo com gente holográfica, muito antiga, conhecida de outras andanças como o Januário Pieter que nasceu em 1712, tendo agora seus 304 anos. Em Granada tendo Alhambra por perto, houve um encontro muito ansiado em "El Pátio Riconcillo" com a tetravó da Sereia Assunção Roxo.

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Ela, a tetravó de Roxo chamava-se Zachaf Pigafetta e era visível só para mim e Januário Pieter. Foi de alguma cautela que falamos de coisas muito antigas do lago Niassa que antes era conhecido por seu primeiro nome de Zachaf; daquelas águas misteriosas tinham saído enredos que me prometeram contar de forma sucinta pois que haveria que descrever com mais pormenor suas vidas nas águas do Kwanza, estórias de Massangano com Tugas e Mafulos. A surpresa das surpresas deu-se num repentemente, quando Januário disse: Eu e Zachaf Pigafetta somos irmãos!

roxo66.jpg Podem imaginar a minha admiração quando ouvi isto. Andei tanto tempo subindo e descendo calçadas empinadas de Toledo, esperando que o concílio das Kiandas no palácio de Alcázer acabasse, eu ali com seu mano Pieter que nada me disse. Estes mistérios de kianda nunca irei entender por completo e, foi necessário ir a Granada para retirar um pouco mais destas kalungas. Não esquecer que o mestre pintor Costa Araújo na sua ancestral passagem por ali, foi testemunha destas falas. Eu explico: Este mestre pintor em uma geração ida e lá paratrás foi ajudante de El Greco.

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Tenho de rever estes episódios para não me mentir. Foram dias de maravilha, mas só em Granada e, tempos depois, é que Pieter me apresentou à irmã Zachaf. Falámos entre várias coisas das suas itinerâncias a partir de Cabo Ledo e Massangano, sua segunda terra, ficando no ar promessas de novas e velhas notícias. Sendo estes, uma junção de espíritos na forma de água, divindades abstractas tudo lhes é possível. Em pensamento navego com eles de vez em quando mas não me é permitido decidir quando e aonde.

kianda2.jpg Minha mana tem outras estórias que decerto te encantarão, disse naquele então o irmão de Zachaf Pigafetta. Estamos aqui para isso; mungweno! Foi assim que nos despedimos. Passou algum tempo! Recentemente, visitei de novo Toledo com passagem por Córdova. Fiquei por aqui, Córdova, dois dias no Hotel Boston, um lugar bem aprazível e, aproveitei ver a toalha de água do rio Guadalquivir logo depois da cascata; via dali a ponte romana, Alcázar, a Mesquita com Catedral e o bonito Arco do Triunfo. 

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E, foi quando remexia as quinambas, pés descalços nas águas meio turvas do rio, que senti um ligeiro sopro na orelha direita. Vindo do espaço, seu duilo feito céu, com todos os seus anéis relampejantes, ali estava meu conselheiro das profundas angústias. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contraluz cintilando um desassossegado arco-íris. E, foi quando reparei um pouco mais atrás sua mana Zachaf acenando sua mão muito pintada com caracteres meus desconhecidos como se tivesse vindo de Marrocos. Naquele sopro inicial deu-me um arrepio de furto; não fosse uma cigana romena vendendo flores com seu umbigado capianguista de mão ligeira.

kianda05.jpg Um turista tem de andar sempre meio desconfiado porque as mochilas atraem mãos estranhas. Não era o caso mas, vi acontecer! Levantei-me saltitante entre pedrinhas afiadas e dei um grande abraço a ambos. Também andavam fazendo turismo e sabiam lá do seu jeito que eu, estaria por ali. Calcei-me e fomos direitinhos a uma esplanada aonde nos sentamos em El Campo de Los Martires. Conversamos coisas fúteis tendo-me perguntado por o ajudante de El Greco, Costa Araújo de Toledo, um ancestral antecessor.

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Nunca mais voltei a ver o antigo Araújo mas o novo cidadão, o herdeiro dos pinceis daquele mais velho estava em Brácara Augusta. Nem foi necessário explicar aonde era esta Brácara; estava sabedor que ficava numa terra escandalosamente verde do Minho! Este meu “Guru”, já me tratava como se fosse da família, um cipaio do seu arimo (lavra, horta, n´nhaca). A Kianda Zachaf que até ali se tinha mantido calada queria saber novas de sua descendente Assunção Roxo. - Anda numa boa, curtindo a vida com suas psicadélicas pinturas, coisas de cores vistosas muito belas, virtuais ou digitais, disse eu. Vi nela os olhos arregalados de contentamento.

MIRAN3.jpg - Quando estiveres com ela, dá-lhe um efusivo abraço, pode ser mesmo esse teu XXL, que desde já fica perfumado por mim, disse em conclusão. Na dúvida e tratando-a por vosmecê perguntei do porquê não ser ela a falar-lhe, uma vez que viaja no espaço-tempo com um simples estalar de dedos. – Ela, eu sei, anda a preparar-se com suas aventuras de roxomania mas, ainda não está na fase de termos um informal encontro! Creio ter-se referido ao estágio emocional e espiritual de Roxo.

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Sei que ela, vai e vem para as terras de N´Gola, recomendo-lhe cuidado na terra dos kuzucutas kaluandas -eles andam um pouco carecidos de gasosa e quando não lhe dão, roubam, diz-lhe que ande com pouco cumbú; eu irei preservá-la mas, nem sempre controlo as tentações dos malvados, sabes! Disse ela em tom de remate! Andam por ali muitos simbis maldosos com espírito ancestral de origem Kikongo, do Zaire, antigos revolucionários que morreram sem o querer; guerrilheiros na diáspora.

zé peixe9.jpg E, havia muito para falar mas isto de se ser turista, tem coisas! Não é que surge um tipo com trancinhas, moreno, quase preto, falando francês e uma outra língua estranha. Apresenta-se: diz ser o Sant German dessa forma também gelatinoso e invisível para as outras gentes. Papagueou assim num tu-cá-tu-lá familiar; pelos vistos, até se conheciam! Mas eu fiquei quase a zeros! Que vinha de Moçambique; era um matumbola mutalo; um mestre da grande fraternidade branca, responsável do sétimo selo, com chama violeta! Era demasiado para mim - um quase preto a falar na grande fraternidade branca. Ui! Ai-iú-é …

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Mas, o curioso é que eles conheciam-se! Dualidades que não percebia por completo. Diz ele virando-se para Pieter: - Por recomendação dum kamba muxiluanda, fui num vaivém minkisi vip ao Xipamanine (mercado de Moçambique), lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine. Estás a ver Meu !?  O resultado é isto! Referia-se ao seu actual aspecto nada condizente com um Conde branco N´si. Perante a minha surpresa ambos manos tetravós, fizeram questão de me explicar mas, eu tinha um compromisso. Desculpem-me, tenho de ir, há gente à minha espera; temos de seguir para Madrid.

paraiso1.jpg Vai! Disseram os três quase como se estivessem em sintonia! – Está certo, tenho muito a falar com vocês mas agora, olhei o relógio e abanei o dedo em repetição para o meu Guru. O tempo para nós não conta, disseram em conjunto (fiquei intrigado por falarem quase a uma só voz) ; ver-nos-emos em Madrid! Lá falaremos de N´Gola disse Zachaf. E, dos seres encarnados hoje no Planeta Terra a uma Nova Era, de Paz, Harmonia e União disse o coisa estranha de Sam German. Esta nova figura “Conde de San German”, veio complicar minha cabeça já de si azucrinada. Pareceu-me ser um fumador de pura liamba. Seria? Meio zonzo, dirigi-me ao Hotel situado em La Plaza tendilha, ali bem perto da Fénix… Como as coisas assim do nada, se complicam!?

nassau3.jpg GLOSSÁRIO

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos e permanece até o toque do medo, adrenalina, guardador de caminhos com saber do ontem, do hoje e do amanhã; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Kalunga: Junção de espíritos na forma de água, simplesmente água ou mar, espírito forte no reino dos mortos, divindade abstracta podendo ter a forma humana. Globália. - O Mundo; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e Zaire; Fénix: o pássaro que depois de queimado sai vivo das cinzas, renasce; Miamas: branco (Moçambique); Xi-Lunguine: Maputo, Ex Lourenço Marques; Kamba: amigo; Matumbola: um morto-vivo, tipo de assombração. Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, que vive de expedientes; Muxiloanda: O mesmo que kaluanda, natural de Luanda (Luua); Cipaio: Autoridade local, trabalhador da Administração que mantem a ordem no kimbo ou tribo, fiscal; Mafulo: nome dado aos Holandeses (Brasil); Mussendo: Um conto ou longa estória, biblioteca oral, conto dos mais-velhos ou kotas.     

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)     

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:40
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Sábado, 1 de Outubro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CXII

TEMPOS PARA ESQUECER01.10.2016 - ANGOLA DA LUUA XXI. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. Spínola o herói do monóculo e pingalim, escapa-se de helicóptero para Talavera de La Reina, em Espanha…

Por

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

ango0.jpg  (…) Holdem Roberto a partir do Zaire, nada fazia mudar e, só se fazia notar por sua falta de bravura. Era um acomodado na mão dos americanos. A posição da FNLA tornou-se difícil de manter em Luanda. O MPLA, conjuntamente com as N.F. (Forças portuguesas) iniciaram uma perseguição tenaz nas Avenidas D. João II, à entrada da Rua Coronel Artur de Paiva. “Chaimites da tropa portuguesa” disparavam sobre soldados da FNLA que fugiam desarmados; enquanto corriam despiam a farda para mostrarem estar indefesos. Eles, simplesmente queriam salvar-se!

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Iriam buscar socorro no Bairro do Saneamento da Cidade Alta aonde viviam os ministros da FNLA sob protecção de forças especiais portuguesas e conjuntas de guarda ao Palácio que lhe ficava ao lado.  Em frente da Rádio Eclésia – Emissora Católica, a tropa portuguesa em apoio ao MPLA provocaram um espectáculo bem macabro: Abriam fogo contra todos na Calçada de Santo António; isto era feito debaixo de risos e desaforos como se coelhos fossem, e vão dois e, mais outro!

chai0.jpg Ainda haverá militares vivos que possam confirmar isto se entretanto a consciência já não lhes tirou o tino. Os mortos por ali ficaram estirados no passeio e rua tendo sido mais tarde retirados por militares da UNITA. Neto radicalizava-se no “esquerdismo”; jogava com todos os trunfos no populismo com os inerentes reflexos do processo revolucionário em curso português; Havia gente do PREC do M´Puto a instruir os dirigentes no como fazer e fazer querer!

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As FMM ao invés de apagar o fogo como o deveria ser, ateavam ainda mais os incêndios. Lopo do Nascimento mentia com todos os dentes dando força ao tal exército popular do seu MPLA – “victória ou morte”. A 8 de Junho voltaram a ocorrer rebentamentos nos Bairros Cazenga, Lixeira, Sarmento Rodrigues e Cassequel. O MPLA fazia isto com elevado volume de fogo; havia munições à farta. Os militares dos movimentos FNLA e UNITA, refugiavam-se nos quarteis à guarda das N.F. agora mais comedidas no seu ímpeto esquerdista por pressão e vigilância do Alto-comissário Silva Cardoso.

chai1.jpg As FAPLA, atacaram e destruíram com blindados o quartel da FNLA em Kifangondo. Ninguém se insurgiu neste uso de blindados! Deveriam ser apreendidos pelas N.F. mas, ou as ordens se perderam no caminho ou lhes faltou coragem para actuar. Podemos acreditar em tudo porque nada foi feito! Era mais fácil desconhecer tal gravidade. Lobito, Benguela e Sá da bandeira eram agora as cidades refugia dos deslocados de guerra.

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A etnia branca já não acreditava nos nacionalistas; desesperavam por não ver a situação normalizar. Não dava para esperar! As escolas começaram a não funcionar, os dispensários médicos iam ficando sem gente capacitada, as instituições iam ficando desertas de gente com poder de decidir. O “lar do Namibe” uma cooperativa de construção comunicou-me que já tinha direito à tal casa mas, esta carta por ali ficou em cima duma estante a desaguardar.

chai2.jpg O Tenente-Coronel Gonçalves Ribeiro insistia desde Junho de 1975 à Comissão de Descolonização na necessidade de se ultimarem transportes para os brancos e demais desalojados que quisessem abandonar Angola. Agora, os Delegado dos Movimentos que estavam no vasto território, ocasionavam abusos de autoridade, extorsões, detenções, agressões desmedidas e até mortes de forma gratuita.

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A 9 de Março de 1975, no M´Puto, Spínola foi informado por oficiais amigos da operação matança da páscoa, um plano do Partido Comunista Português e os militares mais radicais do COPCON e da 5ª Divisão, apoiados pela União Soviética, para realizar uma campanha de assassinatos políticos, onde Spínola e seus apoiantes constavam como alvos, como parte de um golpe de estado para tomar o país.  

spi3.jpg  No dia 11 de Março de 1975 deu-se o golpe. Pelas 9h, a força que iria desencadear o golpe estava pronta na pista de Tancos. Pelas11h45, dois aviões T6 e quatro helicópteros oriundos ao comando de Spínola sobrevoaram e atacaram com rajadas de metralhadora o quartel do RAL1, perto do aeroporto de Lisboa. Pelas 14h00 o golpe é dado como perdido. Coisa pouca!

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Pelas 17h, Spínola o herói do monóculo e pingalim escapa-se de helicóptero para Talavera de La Reina, em Espanha. O falhanço do golpe deixa o caminho aberto à ala radical do Movimento das Forças Armadas, tanto militar como político. A festança do PREC continua com a maioria silenciosa de viola no saco.

chai4.jpg Em Portugal Continental, Miguel Judas diria que Spínola por inépcia militar e psicológica perderia essa tal de “Maioria Silenciosa”. Que ninguém lhe tinha pregado rasteira; que não levaram a melhor porque tinham um General fraco como estratega. E acrescenta: "Também houve tropas que estavam para sair e não saíram do quartel”. Também Manuel Alfredo de Mello consideraria que no 11 de Março "foi estendida uma casca de banana ao Spínola e os seus apaniguados caíram, deixando a retaguarda de um lado da resistência ao PCP desmantelada".

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Para Alfredo de Mello o PCP "tentou a sua sorte para poder desempenhar um papel determinante na evolução do país. "A verdade é que a descolonização de Angola estava à porta. " E, uma facção dos comunistas, pressionados pela URSS, queria controlar o processo".

chai3.jpg Em Angola, as N.T. já nem saíam dos quarteis! Tinham sim um enorme desejo de serem rendidos e regressar à Metrópole do M´Puto. Nem pareceria ser relevante acudir a casos graves em defesa de gente Lusa. As teses do PCP vingavam em Portugal e Angola. Estes do PCP mudariam funcionários, quadros e militantes com acções reais no terreno. Preparava-se mais uma cimeira no Quénia mas ninguém acreditava nisto; Nem os próprios intervenientes!

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:50
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Sexta-feira, 30 de Setembro de 2016
MUJIMBO . XCIX

DO M´PUTO - DO LIVRO PROIBIDO . I

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbolagoa

DE

saraiva1.jpg JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje.

Sobre Sócrates (Pág161)

an2.jpeg «O melhor do jornalismo é aquilo que não se pode escrever», disse-me a jornalista Ângela Silva quando lhe confidenciei que estava a escrever este livro. Por que o terá dito? Porque os jornalistas ouvem muita coisa, vêem muita coisa, falam com muita gente, mas não podem escrever tudo o que vêem e ouvem. Mesmo quando tal não lhes é explicitamente pedido, há regras a cumprir e afirmações que se subentende não se destinarem a publicação.

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E quando um jornalista não cumpre as regras, perde a confiança daqueles com quem se relaciona. Ao longo de mais de 40 anos como comentador e jornalista - 23 dos quais como director do Expresso e nove como director do Sol -, conheci pessoalmente quase todos os políticos de primeira linha, com uma excepção: Francisco Sá Carneiro. De resto, mantive conversas privadas com todos os Presidentes da República eleitos desde o 25 de Abril e com todos os primeiros-ministros dos Governos constitucionais, exceptuando António Costa (que só conheci em criança).

ame11.jpg Com quase todos almocei ou jantei, sabendo-se que as conversas se soltam à mesa, onde as pessoas são mais abertas. Entrevistei muitos deles várias vezes, para a televisão ou para a imprensa. Com alguns mantive longas conversas e frequentes contactos telefónicos. Mas nestas relações nunca confundi os planos. Mesmo quando me faziam confidências de natureza pessoal, eles sabiam que estavam a falar com um jornalista. Um jornalista em quem depositavam confiança, mas um jornalista. E essa distinção é importante, pois é ela que permite um livro deste tipo - que seria impensável se as relações tivessem passado do plano profissional para o plano, necessariamente mais íntimo, da amizade.

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 A única pessoa que me fez confidências a este título terá sido Margarida Marante, e isso está claramente referido no texto respectivo. No momento em que deixo profissionalmente o jornalismo - embora não a colaboração na imprensa - sinto ser o momento de divulgar aquilo que não pude (ou não quis) escrever até hoje. Inconfidências que me foram feitas e que entendi não dever revelar na altura, algumas com mais de 20 anos.

saraiva4.jpg Assim, quase todo o material deste livro é inédito, excepção feita a um ou outro episódio solto publicado nos livros Confissões de um Director de Jornal e Confissões. Para reconstituir as conversas e os episódios aqui descritos recorri à memória mas também às páginas de um diário que escrevi em certos períodos da vida. Nestes casos, o texto é impresso em itálico. Há quem procure ver neste tipo de livros memorialistas oportunidades para vinganças ou ajustes de contas.

saraiva2.jpg Pelo meu lado, nunca o fiz, não o faço e não o farei. O objectivo deste livro é deixar contribuições para a História - e, se não o fizesse com verdade, mais tarde ou mais cedo assaltar-me-iam os remorsos. A vingança, como o crime, nunca compensa. O leitor pode, pois, confiar naquilo que vai ler. Se houver incorrecções ou inexactidões, foram absolutamente involuntárias: foi a memória que me atraiçoou. Mas mesmo isso, a acontecer, será raro e pouco relevante.

J. A. S. - Junho de 2016

saraiva3.jpg José Sócrates

José Sócrates em privado é uma pessoa muitíssimo diferente - e bastante menos brilhante - do que aparenta ser em público. Direi mesmo que é um homem banal. A diferença entre uma pessoa e «outra» chega a ser estranha. Não tem grandes ideias e fala às vezes de temas a despropósito. Em 2001, quando era ministro do Ambiente, convidou-me para um almoço no restaurante italiano Il Gattopardo, no Hotel D. Pedro, nas Amoreiras, que estava muito na moda e que ele frequentava.

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Falámos de vários temas, e ele deu-me um lamiré que se confirmará: a escolha pelo Governo socialista de Emídio Rangel (que tinha deixado a SIC) para director-geral da RTP. Comento essa escolha - manifestando surpresa e mesmo alguma estranheza - mas não me alargo nas observações até porque sei que Sócrates e a namorada, Fernanda Câncio, se dão com Emídio Rangel e Margarida Marante.

sergio4.jpeg Pois bem, Marante dir-me-á uns dias depois referindo esse almoço: «Tu passaste a refeição inteira a dizer mal do Emídio!» Fico estupefacto. Primeiro, porque não era verdade; segundo, porque só estavam duas pessoas à mesa. Pergunto-lhe quem lho disse e ela confirma que foi Sócrates. Sabendo que eu e Marante éramos amigos, foi fazer aquela intriga para meter veneno entre nós - e, claro, entre mim e Rangel. Era este o estilo de Sócrates.

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No fim deste almoço no D. Pedro, Sócrates dá-me boleia para o Expresso no carro do Ministério. Mas não mostra qualquer pressa. Com o carro parado, fica imenso tempo a queixar-se, com o motorista a assistir, da perseguição que o José Manuel Fernandes lhe move no Público. Parece de cabeça perdida. Penso para comigo: «Mas faz sentido um ministro incomodarse tanto com coisas destas? Que importância tem isso?» Ele achava que o J. M. F. estava obcecado com ele - mas o certo é que ele também estava obcecado com o J. M. F.

(Continua…)

As Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:28
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Quarta-feira, 28 de Setembro de 2016
MALAMBAS . CXLI

CINZAS DO TEMPO28.09.2016 - Faz falta aceitar que para além do mais temos instintos - Não há maior religião do que a verdade!

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

adiafa1.jpegHoje, deleitamo-nos de maneira instintiva com o relato de histórias acerca de terceiros, actores num imaginado palco que albergamos em nosso íntimo. Também as nossas estórias sem agá, aliadas àquelas, tornam-se artes criativas de nossos bancos de memória activadas com as dificuldades inerentes de quem as interpreta e, conseguindo combinar o passado com o presente e o futuro.

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São vínculos efectivos do antes e depois de sermos gente com afectividade, com enganos, lealdades e traições. Estas humanidades só surgiram há dois milhões de anos, quando nos tornamos Homo Habilis porque, antes disto, nós só eramos animais com mais ou menos 600 centímetros cúbicos de capacidade craniana. Guinchávamos como os macacos beduínos de hoje e, tinhamos até comportamentos mais bizarros do que o os destes.

eleuterio sanches.jpg Na evolução do tecido complexo que é o cérebro, aquela capacidade craniana subiu para mais de 1400 centímetros cúbicos levando-nos em crer que no futuro nossas cabeças serão tão grandes que só nasceremos por cesarianas. Houve no correr do tempo necessidade de nos agruparmos na condição de caçadores-recolectores e, nos dias de hoje, termos nas vivências os grupos sociais tais como o blogue Kimbolagoa da Sapo ou a Kizomba do Facebook, tornando nossa mente em um mapa que se expande continuamente.

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Uns fazem e outros aproveitam, uns trabalham e outros vêm trabalhar; estamos a copiar-nos mutuamente ou simplesmente aprovando com um gesto simples de clicar no gosto! Mas diga-se que há gente chata no sentido de aborrecida e, alguns são mesmo achatados nos polos. Há luz de critérios diversificados, bisbilhotamos, tiramos o sarro, trabalhamos o amor, o ódio, a suspeita, a admiração e a inveja; uma sociedade bem complicada!

tonito3.jpg Através de falas amáveis e generosas, fazemos do nosso grupo, nossa tribo, uma distinção especial; todos o fazem porque todos pensam estar no rumo certo em seu pensar e, efectivamente assim estarão segundo seus conceitos e preconceitos.  De uma ou outra maneira vamos criando identidade alternando-nos na competitividade beneficiando os futuros registos antropológicos e arqueológicos para os vindouros; bisnetos e trinetos do nosso paralém.

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Neste aprendizado, maravilhámo-nos com saltos de imaginação e no assombro da inventação equilibraremos o orgulho definindo-nos melhor no lugar que ocupamos na tribo e na natureza. De assombro em assombro, fazemos crescer a caixa craniana e também a epopeia de um mundo vivo aonde demónios e deuses não competem pela nossa lealdade. Ia para dizer deslealdade mas isso não é meritório; pretende-se não ser coisa de elevada relevância entre nós.

toledo18.jpg Somos um produto de nós mesmos, solidários ou frágeis, por vezes independentes. Adaptamo-nos à vida num mundo biológico ainda não totalmente desbravado. Sobreviveremos a longo prazo bisbilhotando, copiando-nos na autocompreensão inteligente e, com uma independência de pensamento.

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Terá de ser assim, pensar maior, tolerando-nos! Nestas quimeras genéticas todos nós seremos ao mesmo tempo, santos e pecadores defensores da verdade e hipócritas. Não me entendam mal ou subestimem. Ao longo dos anos tenho ficado bem defraudado com as pessoas de forma generaliza e, quando se trata de dinheiros de herança, mesmo entre família, a mente torna-se serpente.

tonito4.jpgSe virmos tudo o dito no plural, de forma mais ampla, teremos de compreender que em nossa condição humana faz falta aceitar que para além do mais temos instintos. Que destes, já perdemos muitos deles, mas nós faremos a estória tal como as abelhas produzm mel! Como elas, produziremos cultura naturalmente.

Imagens de Costa Araújo

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:43
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016
MALAMBAS . CXXXIX

CINZAS DO TEMPO – 22.09.2016 - Não há maior religião do que a verdade! Somos o que somos enquanto o somos!

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

cordova11.jpg Subjugado à nobreza do quase acaso, processei um mar de sensações, novos conhecimentos nas cidades históricas de Córdova e Toledo. Adão, lá no paraíso, comeu a maçã da árvore da tentação; é o que consta nos nossos livros de catequese e outras fontes do jardim celestial. A partir dum pecado original que originou ter eu ficado com um caroço, seguiram-se algazarradas aos sentidos das palavras. E sem gritos nem cânticos gregorianos, segui-me na vontade de apalpar uma insatisfeita curiosidade pela Mesquita Catedral de Córdova.

cordova10.jpg Neste monumento singular do mundo temos o testemunho da aliança milenar entre a arte e a fé. A arquitectura islâmica com resquícios helénicos, românicos e bizantinos, funde-se com a cristã numa das suas expressões mais belas. Entre uma floresta de colunas, arcos e cúpulas, surpreendem-nos extraordinárias obras de arte a testemunhar as pegadas dos séculos seculorum.

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Procurando a verdade, nem sempre achamos a resposta mais lógica e, nem sempre merecedora de ser levada ao cutelo ou ao fogo da veracidade porque, simplesmente nós num repente ficamos embebidos num caldo de culturas sem poder beber toda a água deste rio de vida, porque não somos guardiões de todas as heranças legadas.

cordova9.jpg A Mesquita-Catedral de Córdova mostra ao mundo a grandeza de sua estória que começou por ser uma basílica visigoda, que se desbordou em esplendor califal, e culminou com a arte do Gótico, do Renascimento e do Barroco. Não podemos aqui, fazer previsões na estratégia de criar valor de satisfação e fidelização nos parâmetros do tempo sem ferir dignidades vendidas ou dadas, no interesse de dar continuidade à vida, ao ser humano.

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Nós aqui não contemplamos uma preciosa relíquia do passado, nem nos encontramos no meio de um museu; entramos sim num lugar sagrado aberto ao mundo inteiro. Este conjunto monumental da antiga Mesquita foi consagrado de forma definitiva como Catedral de Santa Maria no ano de 1236. A parir desse dia num parasempre e seculorum, se celebra a Santa Liturgia para a comunidade cristã.

cordova8.jpg É necessário respirar o ar de espiritualidade que se diz dali, ser luz divina; assim é evocado! Ouça estes relatos e leia nos relevos da silharia do coro percorrendo a elegância dos muitos arcos bicolores. Ande com os cuidados recomendados entre multidões, porque até aqui os larápios filhos do mesmo Nosso Senhor andam cuidando de sua tarefa recolectora. O mundo é assim, e só temos mesmo de recolher com segurança nosso património se, se não quiser andar entretido em diligências policiais.

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Pois aqui está um edifício vivo, que foi transformado por homens de cultura e religiões diferentes ao longo da história; Os registos de roubos casuais, são casuais e na admiração ou indignação do acontecido, o que fica gravado mesmo no coração é este templo que para além de seus muros nos convida a contemplar os mistérios do sagrado.

O Soba T´Chingange em terras de Castilla de La Mancha

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:24
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2016
MALAMBAS . CXXXVI

TEMPOS CINZENTOS . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo … Nem oito, nem oitenta!...

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

METRALHAS.png Li no Correio da Manhã, jornal tribufu do M´Puto, que um militar da GNR foi punido por ter morto um ladrão ainda criança, apanhado com a boca na botija, ajudando o pai no gamanço! O jovem facilitava os assaltos do pai e imagino que passando por postigos que os mais velhos não conseguem, pulando dentro da casa dos outros para desimpedir o trabalho do pai ladrão. Diz a notícia que o caso remonta ao ano de 2008 e, que o militar de nome Hugo matou por acidente aquele jovem ajudante do pai ladrão, quando já iniciavam a fuga. O jovem tinha 13 anos.

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Não li os pormenores, se o tiro foi directo ou em ricochete, se de dia, se de noite ou no lusco-fusco mas, posso imaginar que a cena seria assim como o descrito num dia azarado com lusco-fusco para os intervenientes. Vai daí as chefias militares retiraram-lhe dois terços do vencimento já pequeno, com suspensão de serviço até Dezembro de 2016.

ladr0.jpg O Tribunal de Loures condenou Hugo GNR a nove anos de prisão efectiva e oitenta mil Euros de indeminização. Com recursos, a sentença acabou por ficar em quatro anos suspensos e 55 mil Euros a pagar de indeminização ao senhor Sandro ladrão; 20 mil Euros, para o pai ladrão e, 25 mil Euros, para a mãe do ajudante ainda jovem, mas ladrão.

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Estas notícias levam-me a pensar que afinal os infractores nesta sociedade têm os seus direitos. É de lamentar ter havido aqui a morte de um jovem mas, aonde já se viu coarctarem um agente por cumprir sua tarefa de zelar pela segurança dos demais. O agente de autoridade diligente que foi, punido por ser zeloso. E, que agora vive da caridade de sua Associação, companheiros e amigos próximos.

ladr1.jpg Os contratempos deste militar GNR foram muitos, ficou sem a casa, seu carro foi vandalizado supostamente pelos amigos do ladrão; carro que teve de ir para a sucata. Teve de se mudar para garantir sua vida. Mas que poder público temos nós para que isto se verifique assim em cruo, em frio; uma situação que nos leva a não acreditar na justiça, nas leis que nos regem. Deste jeito qualquer policia autoridade está em seu direito de não ver o que vê.  Isto não tem sentido, não poder actuar em defesa duma ordem social.

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Que estímulos serão estes para quem é incumbido de nos defender, de nos preservar desta gente ruim e, que infelizmente são tantos e, cada vez mais. Como disse, não sei detalhes deste episodia mas, tudo leva a crer que este agente da GNR foi castigado por excesso de zelo no cumprimento de sua obrigação! Afinal como ficamos…

ladr3.jpg Não será esta frouxa prática da justiça, um incentivo ou estimulo a proliferar a bandidagem entre nós? Ou os ladrões têm direitos que desconhecemos? Dá-me revolta de nojo ler coisas destas. E, afinal… o senho pai ladrão não foi incriminado por usar seu filho como “ exploração infantil”? Assim, não brinco!…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:27
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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CIV

TEMPOS PARA ESQUECER19.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XIV . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - “Consolidação do poder popular” na Luua…

Por

soba17.jpgT´Chingange

zeça14.jpg(…) A Força Aérea transportou o grosso do resto da fracção Chipenda para Gago Coutinho. Nos dias que se seguiram, foram as cantorias a enaltecer o herói Valodia assim ao jeito de rumba com bolero de Cuba do tipo que fez crescer a imagem do Che Guevara; a mística música, enaltecia as contendas da guerra provocando um estado de euforia misturando sonhos de libertação, incentivando o erguer de punhos, catanas e armas que rebentam casas, gentes de fazer fugir o capeta, como se estivessem a defender uma Baia de Cienfuegos.

chipenda.jpg Lá a Sul daquela Angola, fazendo meus trabalhos de urbanismo na Câmara Municipal da Caála, afligia-me tal situação. Era neste então Secretário de Informação e Propaganda da UNITA do Comité da Caála. Pensei que poderia assim contribuir para a boa ordem na região que até aqui se tinha mantido pacífica, o planalto do Huambo. Jonas Malheiro Savimbi "leader" da UNITA esperou ir a Nova Lisboa depois de estar legitimado pelo acordo de Alvor e, chegou triunfalmente tendo a recebê-lo mais de meio milhão de cidadãos. Esta recepção triunfal aconteceu a 28 de Janeiro de 1975.

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Savimbi o “Mwata”, estava em alto neste então, sendo considerado o mais moderado e com ideias mais viradas para o progresso de Angola. Os militares do CR, portugueses, tentavam manobrar sua imagem tirando dividendos do confronto com um MPLA cada vez mais radical e raivoso. Savimbi ia acompanhado por seu secretário-geral do movimento, Miguel N´zau Puna, e doutros elementos ligados à UNITA; chegou ao aeroporto de Nova Lisboa (Huambo) cerca das 10.30 horas com uma surpreendente multidão a esperá-lo.

che0.jpg Os jornalistas que fizeram a cobertura do acontecimento referiram ter sido um espectáculo altamente elucidativo da "força" que aquele tinha no planalto central. Toda a zona do aeroporto estava apinhada de gente que, entretanto, qual rio caudaloso, se escoava por toda a parte nos quase três quilómetros que o separam da cidade propriamente dita. Neste tempo e até o mês de Junho sentia-me confiante mas, não foi possível conter a tarefa de rebelião que o MPLA todos os dias e à semelhança de Luanda fazia junto dos kimbos assediando gente, revirando-lhes a vontade da mente, alinhar com esta onda de e contra o dito colono que era sempre branco.

savi1.jpg Sentia-me acarinhado entre aquela gente laboriosa da UNITA e, numa revisão de tarefas fui indigitado Secretário de Relações públicas! Durante a minha vigência tudo correu dentro de uma normalidade aceitável mas sentia que o câncer da liberdade era venenoso demais para continuar a ser um paraíso. Não me sentia convincente no suficiente. Pouco a pouco fui ficando nada confiante no futuro! E, mesmo falando em comícios dando tranquilidade, não me conseguia acreditar e fazer passar a mensagem a cem por cento! Os brancos, dia a dia abandonavam tudo! Fazendas, padaria, marcenaria serração e tudo o que se define como actividade comercial. O câncer alastrava…

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Num repente já nem tinhamos médico, no outro dia já não havia enfermeiro; um e outro iam zarpando de avião, carro ou comboio. Ia ficando no dia-a-dia um deserto sem a gente capacitada para gerir o que quer que fosse; já não tinhamos veterinário nem mecânico que curiosamente ou não, já tinha vindo refugiado anos antes do Congo, e o desespero quer se queira ou não, um dia chega! Ninguém é permanentemente de ferro! Em uma ida na carreira EVA levei minha sogra a Luanda em Julho e, foi quando deparei com o caos à medida que me aproximava da Luua.

savi5.jpg Havia controlo de zonas, primeiro da UNITA e depois para lá do Alto Ama eram da FNLA, do MPLA, assim uma coisa de filme tipo guerrilha do Ruanda como Tutsis e Hútus e marginalidades ao jeito de “apocalypse now” com gente não habilitada para zelar pela ordem, gente drogada que nem falar sabiam! Em Muquitixe mandaram sair os passageiros do machimbombo e ali ficamos encostados a uma casa esfolada de tiros; assim, esperamos que revoltassem nossas malas.

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Um furriel camarada, farda portuguesa, negro de cor com afectos ao MPLA, a dado momento mostra seu cartão de mando conseguindo convencer a nos deixarem seguir. Estávamos ali brancos, mestiços e negros olhando de soslaio uns para os outros, tendo por fundo um paredão ruina de casa em adobe que bem poderia vir a ser o nosso sítio de dia final! Depois seguiram-se o Dondo, deserto queimado com cães rondando as quitandeiras que vendiam sobrevivência na forma de peixe seco; nada mais!

savi4.jpg Nada de sandes, café ou o que fosse e, depois e muito pior, seguiram-se as povoações de Zenza do Itombe, Maria Teresa, Catete, Kassoneca, Colomboloca, e por fim Viana. Uf!... Finalmente, Luanda à vista! O holocausto foi tão cruel, a visão era tão catastrófica que fermentava na minha cabeça a fuga! Não via outra solução plausível. Aquilo era pior do que poderia imaginar; pior que mau ou péssimo! Deixei a sogra e regressei de avião a Nova Lisboa com a definitiva ideia de regressar ao M´Puto. Meu compadre neste meio tempo já estava na Namíbia no campo de refugiados.

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Estava combinado ir com eles mas o comboio de viaturas não podia deixar de seguir seu rumo para Grootfontein com vigilância de uma das NF, forças portuguesas. Cheguei à Caála e descrevi aos meus parceiros manos do movimento que iria inscrever-me no Município nas listas dos Adidos. Falei com Kalakata, o chefe do destacamento militar de Robert Williams e fiz uma despedida de “mais-tarde-nos-veremos”. Kalakata viria a morrer em uma maka organizada, das muitas que sucediam e, um tiro perdido mandou-o pró paralém.

savi3.jpg Aquele ataque às sedes do Chipenda em Luanda foi visto com o prelúdio do que aconteceria tanto à FNLA como à UNITA. Holden Roberto, com um tom bélico e a partir do Zaire fez um discurso de aviso ao MPLA de Luanda. Ele não estava ciente do poder de fogo dos comités da acção popular, vulgo “poder popular” dos bairros periféricos da Luua. Ele só fanfarronava de lá de longe com a protecção de Mobutu; seus maus concelheiros só queriam quimbombo com chuço (churrasco de galinha) no espeto…

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Também ele não acreditava que seu exército bem equipado e formado, poderia ser saraivado de balas pela guerrilha urbana, pelas balas G3 ofertadas pelo Alto-comissário Rosa Coutinho e seus guedelhudos capangas formados no Sarajevo e Praga, oficiais progressistas do M´Puto que queriam virar o mundo do avesso; o nosso mundo! Este passado tão inglório, tão medroso, tão traiçoeiro, foi ficando um sítio demasiado perigoso!

fiat1.jpg Por detrás daquele poder popular estava gente com raivas sem freio, mulatos abandonados pelos pais, brancos sismosos de Che Guevara, vizinhos muito doentes nas filosofias esquizofrénicas e pretos que nem sabiam o que isto era, todos comandados além do Valodia, do Monstro Imortal, do Lúcio Lara, do Iko Carreira e uma parafernália de gentinha má e mesquinha, mal formados, também por militares de aviário formados em quarteis do M´Puto às ordens dum tal de Concelho da Revolução e adjacências…

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:01
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Terça-feira, 16 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CIII

TEMPOS PARA ESQUECER16.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XIII 

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - “Consolidação do poder popular” na Luua…

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soba17.jpg T´Chingange

zeka1.jpg (…) Naquele então, eu e minha mulher fomos da Caála a Nova Lisboa assistir a um espectáculo cultural para comemorar o Acordo de Alvor; também andávamos embalados na falsa genuinidade para ouvir o Zeca Afonso e o Rui Mingas no Estádio da Cidade Alta do Huambo (Nova Lisboa). Ao estado psicológico ainda não era mantido o desejo de ir para o M´puto ou outro qualquer lugar! Tinhamos combinado com uns compadres do Lobito que se as coisas piorassem iriamos em caravana para a africa do Sul (Via Namíbia). Eles foram e por lá ficaram tendo agora a nacionalidade Sul-africana.

zeka9.jpg O governo saído do Alvor foi empossado na presença dos três ministros do Colégio presidencial: Lopo do Nascimento pelo MPLA, José N´Dele pela UNITA e Jonny Eduardo pela FNLA. Estes tinham designações semelhantes às do governo do M´Puto. Em Luanda as FAP afanosamente apoiavam o MPLA em campanhas de politização e esclarecimento com o lema de “O povo é quem mais ordena” e outras lérias que ainda pareciam não o ser.

zeka3.jpg Vi estes guedelhudos do PREC mais tarde, talvez Fevereiro ou Março de 1975, dando lições de guerra aos kandengues pioneiros subtraídos às raivas e revelia dos pais. Sem disfarçar rua acima, rua abaixo, marchando por toda a cidade da Caála exibindo estandartes vermelhos e a bandeira do MPLA. Não me contaram, não! Eu vi! Eram jovens “chefes” militantes do PCP muito cheios de revolucionarismo, progressismo e outros ismos, com sotaque do M´Puto, axim-axim, lá seguiam dando ordens de manobras às armas de pau que levavam aos ombros! Esquerda, direita, em frete marche e, atirando pedras no jeito de quem atira granadas.

zeka5.jpg Em outra qualquer altura esta coisa de fingir teatro, seria caricata mas agora, dava para ver sustos próximos. As praças e ruas públicas eram agora os recintos de instrução a crianças de dez anos. Os guedelhudos eram na maioria estudantes brancos do M´Puto que passavam "ad hoc" assim “passagens administrativas” por seu trabalho cívico em angola.

zeka2.jpg Eram umas verdadeiras brigadas vermelhas ao serviço do MPLA. Recorde-se que o PCP controlava o ensino do M´Puto. Após a revolução de Abril e, tomando um exemplo, um desenhador fazendo este serviço num organismo de Estado, saia Arquitecto tendo feito um só ano de Universidade! Quem diz Arquitecto diz outra qualquer profissão! Agora estes, são no M´Puto chefes de Divisão…

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O MPLA fazia também politização popular sob o signo de “Consolidação do poder popular”. O estado psicológico era favorável às greves desenfreadas que sucediam por coisa quase nenhuma nem pretexto validado. Lá teria de ser, arrumar os tarecos, fazer caixotes e largar para a África do Sul, talvez! O MPLA com seus comités de acção reuniam a população junto a grandes armazéns e depois, dizia-lhes: “ Vão gamar”, roubar, capiangar. 

zeka6.jpg Fizeram-no nas necessárias vezes no Mercado de São Paulo, Pérola do Minho, Armazéns Gajageira, Armazéns do Japão e outros: “Povo - levai tudo, tudo e vosso”. E, curioso ou nem tanto, os unimogues das NT (Nossas Tropas - portuguesas) eram usados no transporte do povo insurrecto a partir das Comissões de Bairro; depois saíam dali para sítio mais distante para não serem culpabilizados. Também usavam machimbombos da rede urbana da Luua que mandavam parar tendo queimado alguns por relutância do condutor. 

zeka10.jpg Eu disse sim! Que usavam unimogues do exército português para levarem os populares afectos ao MPLA aos lugares dos roubos. Toda a gente que saiu de Luanda ou que por ali permaneceu depois do 11 de Novembro sabe que isto é verdade. O que aconteceu, embora ninguém fale sobre o assunto; uns querem branquear sua postura e outros, simplesmente não querem relembrar. É tempo de deixar de ensaboar as inverdades e episódios encobertos para não parecer mal aos mwangolés! A canalha dessa altura não merece condescendência. Desde então pouco mudou neste conceito.

zeka11.jpg No dia quatro de Fevereiro o MPLA celebrou em comício, mais um seu aniversário; foi no Campo de São Paulo com a presença do presidente Agostinho Neto. Do discurso deste só saiu desaforos com incentivo às paralisações, aos roubos, aos desacatos e outras aberrantes diabruras, coisa pouco comum de gente que se dizia um poeta de fina extirpe africana, que se pensava ser suficientemente civilizado para dizer coisas pouco dignas! Era o álcool que falava por ele dizia-se, talvez e, ainda droga para se estimular.

zeka12.jpg Nesse mesmo dia do comício com Neto quarenta autocarros, machimbombos das carreiras dos bairros da Luua foram queimados. Foi quase a totalidade da frota e, que originou a paralisação da Capital no transporte de pessoas para seus trabalhos. Luanda definhava a olhos vistos!  Foi um soma e segue sem qualquer controlo por parte das autoridades legitimadas pelo Acordo o Alvor a que eu chamarei acordo de tuji! E, houve muitas mortes, principalmente de gente de fala Umbundo, naturais do Sul aonde eu me encontrava. Ainda hoje me parece impossível haver alguém a defender estes pulhas…

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Não vale a pena fazer uma descrição refinada dos muitos acontecimentos, prisões arbitrárias, das mortes, dos raptos e violações, porque só dar uma genérica visão revolta o mais sonso dos mortais. Os Comités de Bairro da Luua, gente do MPLA, ameaçavam escorraçar os “fenelas” de suas sedes e, também os da UNITA que sempre procuravam manter-se fora das situações, das muitas makas. Por este tempo os Movimentos disputavam entre si os quarteis abandonados pela FAP.

zeka7.jpg Havia constantes fricções, sitiavam-se mas, em verdade, as melhores instalações já tinham sido entregues ao MPLA, aos seus pioneiros fardados às pressas, gente vinda dos comités de bairro, gente sem qualquer preparação militar; rufias em verdade! Em meados de Fevereiro de 1975 a ELNA da FNLA seriam uns 11500 homens tendo no Zaire mais uns 6000. O MPLA tinha 13000 homens, a maior parte sem qualquer formação militar; A UNITA tinha 20000 estando 13000 destes em formação.

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Havia ainda a revolta do leste com 2000 efectivos bivacados no Moxico. Até aqui a UITA tinha-se mantido prudente de espírito conciliatória sem interferência nas altercações e com uma grande adesão por todo o sul de Angola mas depressa a intoxicação chegou a estes. Como que por simpatia as atitudes do MPLA e FNLA passaram a ser copiadas em actos provocatórios a cidadãos especialmente brancos e gente dedicada à superstição, bruxos e afins.

zeça14.jpg E as ameaças, insultos, agressões e intimidação com detenções ilegais e entrada abusiva em residências e comércios do mato registando-se saques e utilização injustificada de armas de fogo! Tudo isto se veio a verificar. A 12 e 13 de Fevereiro de 1975, Neto exortou os seus apoiantes a radicarem a revolta do leste sediada m Luanda. Nessas noites o “poder popular” com as FAPLA atacaram cinco instalações da Revolta de Chipenda e, foi com tudo: utilizaram granadas, metralhadoras ligeiras e lança-granadas. Sucedeu na Avenida do Brasil, Rua Rei D. Dinis e Casa Branca.

zeka15.jpg Foram os Dragões das NF que lhe deram a protecção necessária em sua retirada. Estava acabada a revolta de Chipenda na Luua! Houve cinco mortes do lado de Chipenda e quinze do MPLA; entre estes confirmava-se a morte de Valódia, o comandante responsável pelo cerco às sedes de Chipenda; o balanço foi de vinte mortes e bastantes feridos. Valódia de nome Joaquim Domingos Augusto, formado pela academia militar de Sarajevo e pertencente à coluna Cienfuegos, teve o seu funeral a 15 de Fevereiro de 1975.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:43
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Domingo, 14 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CII

TEMPOS PARA ESQUECER14.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XII . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. E, bastava manter os 60.000 efectivos militares da incorporação de Angola …

Por

soba15.jpgT´Chingange

guerra23.jpg (…) Houve nitidamente, ingenuidade e até desconhecimento real por parte dos negociadores no Acordo de Alvor. Até a própria UNITA na pessoa do seu presidente Savimbi, referiu que nesta Cimeira, os negociadores portugueses não defenderam os interesses pátrios (referia-se a Portugal). Costa Gomes, o presidente de então, conhecido por rolha, afirmava ter havido equilíbrio dando notas de concordância àquele acordo. Acordo que nem sequer durou dois meses!

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Claramente, os intervenientes portugueses referiram que este acordo era para cada um dos líderes angolanos uma plataforma de conquista do poder! Tomara! Com esta inépcia, ingenuidade de alguns e incompetência de muitos, a equipa negocial portuguesa não poderia dizer outra qualquer coisa. Hoje, podemos fazer lembrar o quanto fomos vilipendiados neste processo e, havia seguramente outras formas de se fazer a descolonização.

guerra22.jpg Melo Antunes, o chefe da delegação de Portugal, assumiu mais tarde ter falhado! O modelo falhou porque foi baseado numa perspectiva de esquerda com uma análise desvirtuada do colonialismo numa tonta convicção de preservar só os direitos dos africanos, leia-se negros! Uma total e generalizada afirmação nacional diga-se. Com desfaçatez, justificaram-se de que não tinham outra saída; uma falácia feia e difícil de digerir.

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Foi um desresponsabilização má, dos portugueses, do “lavo daqui as minhas mãos” com má-fé de todas as outras partes. Eles, os Movimentos sabiam que iria ser assim mas, eles tinham pressa; e, eles eram os militares do M´Puto. Tudo um erro gravíssimo e, cujos cordeiros a imolar seriam os que se viriam a chamar de retornados, cidadãos brancos em sua maioria, quase catalogados de segunda categoria, gente para canhão.

guerr21.jpg E, bastava manter os 60.000 efectivos militares da incorporação de Angola a assegurar a ordem aceitando os movimentos sem armas para conversar. Os três movimentos não teriam recurso a retaliar esta postura porque simplesmente estavam quase desmobilizados, de braços quase caídos. Eles, movimentos tiveram de recorrer a exércitos privados ou feitos às pressas como os do MPLA de Neto que nem somavam 100 homens!

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E o pior de tudo era a inoperância do tal acordo tricéfalo porque não haveria punição, porque nem estava assim previsto para controlar ou castigar qualquer incumpridor e, se o houvesse teria de ser pela via militar, uma coacção inviável por parte de Portugal com um exército apático e desmantelado entregando as armas, as botas, os quarteis e paióis ao MPLA e distribuindo outros pelos restantes beligerantes.

guerra20.jpg Em um artigo, Pinheiro de Azevedo relembrou a seguinte postura: - “Portugal poderia orientar a descolonização salvaguardado os interesses dos portugueses radicados em Angola se o povo português e seus dirigentes tivessem reagido violentamente à entrega daquela colonia a movimentos comunistas armados”. Isso não foi possível porque as forças de esquerda determinaram: A não saída de soldados para as colónias depois do 25 de Abril lavando o cérebro a mentalizar aos que vieram a partir para entrega do poder ao MPLA.

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Aqueles militares guedelhudos idos à última hora da Metrópole transformados em covardes entreguistas, proporcionaram aos demais ainda em Angola uma visão de derrotistas incentivando ao abandono e, por modo a tornar inviável outra qualquer via que não a entrega ao Movimento de esquerda, o MPLA. Portugal e os militares não se empenharam verdadeiramente na defesa de interesses pátrios.

guerra19.jpg O cepticismo dos portugueses radicados em Angola resultava da total desconfiança não só do comportamento dos militares como e também dos governantes da Metrópole. O abandono dos brancos, sabia-se serem uma ameaça às estruturas produtivas do território que resultaria no seu colapso pelo êxodo total e, porque Angola não era só constituída por endinheirados fazendeiros.

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A maioria representava uma força de trabalho mantendo estável o motor económico do território. E, não era só em gestão; havia uma grande percentagem de trabalhadores sem qualificação especial ou semiqualificados, pequenos comerciantes, artesãos e funcionários públicos com ou sem o tal de colarinho branco. Era o cenário perfeito para o início da segunda guerra de libertação. A desobediência, insulto e agressões gratuitas.

guerra18.jpg Como um dos muitos exemplos a população de Dalaceia entregou o regedor ao MPLA e cinco dias depois este surgia enforcado. Os militares do MPLA proferiam as frases de ordem: “Agora é que vai começar. Brancos de merda, agarrem suas malas e sigam para a vossa terra”. Lembre-se que ao contrário das colónias britânicas francesas ou belgas, Angola possuía um grande número de brancos bastante pobres e, cujo estatuto de vida não era muito melhor do que o de muitos pretos.

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Ninguém de mando considerou ou quis considerar esta sociedade. Em fins de Janeiro de 1975 houve uma grande infiltração de material de guerra por parte do MPLA através de Cabinda e de Santo António do Zaire aonde existiam bases destes mas, também da FNLA. A estes o MPLA contava as espingardas e estudava estratégias para os afastar dali; era uma questão de dias

guerra17.jpg Na segunda quinzena de Janeiro e para comemorar a assinatura do Alvor, o MFA promoveu “espectáculos culturais para civis e militares em Cabinda, Carmona, Nova Lisboa, Luanda e Luso. Os artistas eram todos frentistas do PCP; artistas idealistas, com cantigas de intervenção para explodir as mentes.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:37
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2016
PARACUCA . XXI

BRASIL - MULOLAS DO TEMPO  - Curiosidades do Império Brasileiro - Fábrica de Letras in Kizomba com histórias da vida … Mulola só é rio quando chove...

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange (Compilação de dados publicados aqui e ali)

VOCÊ SABIA!?

pedro1.jpg Conforme a Biblioteca Nacional, o Imperador pagava empréstimos no Banco do Brasil para pagar suas viagens. Sua tolerância com a imprensa era grande. Hoje, qualquer deputado estadual tem mais regalias com recursos públicos do que a família imperial àquela época. Moralmente, pode dizer-se que houve regressão! Porque em 1880 o Brasil era a 4º Economia do Mundo e o 9º Maior Império da História (1860-1889).

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 A Média do Crescimento Económico era de 8,81% ao Ano (1880). Havia na altura 14 Impostos, Actualmente há 92 - (1850-1889). A Média da Inflação em 1880 era de 1,08% ao ano). A moeda brasileira tinha o mesmo valor do dólar e da libra esterlina. O Brasil nesse então tinha a segunda maior e melhor Marinha do mundo, perdendo apenas para Inglaterra (1860-1889).

pedro2.jpg O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais. Foi o maior construtor de estradas de Ferro do Mundo, com mais de 26 mil Km (1843). Foi o segundo país do Mundo a lançar selos postais, depois da Inglaterra (1840). Somente em 1849 os primeiros selos postais da Alemanha foram lançados no pequeno Estado da Bavaria.

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A média nacional do salário dos professores estaduais de Ensino Fundamental em 1880 era de R$ 8.958,00 em valores actualizados. Entre 1850 e 1890, o Rio de Janeiro era conhecido na Europa como "A Cidade Dos Pianos" devido ao enorme número de pianos em quase todos ambientes comerciais e domésticos.

pedro3.jpg O bairro mais caro do Rio de Janeiro, o Leblon, era um quilombo que cultivava camélias, flor símbolo da abolição, sendo sustentado pela Princesa Isabel. O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de "O Guarani" foi sustentado por Pedro II até atingir grande sucesso mundial. Pedro II tinha o projecto da construção de um trem que ligasse  directamente a cidade do Rio de Janeiro a cidade de Niterói. O projecto em tramita até hoje nunca saiu do papel.

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Em 1887, Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge. Ratificando boatos, D. Pedro II e o Barão/Visconde de Mauá eram amigos e planejaram junto o futuro dos escravos após-abolição. Infelizmente com o golpe militar de 1889 os planos foram interrompidos. Oficialmente, a primeira grande favela na cidade do Rio de Janeiro data de 1893, 4 anos e meio após a Proclamação da República e cancelamento de ajuda aos ex-cativos.

pedro4.jpg Na época do golpe militar de 1889, D. Pedro II tinha 90% de aprovação da população em geral. Por isso o golpe não teve participação popular. José do Patrocínio organizou uma guarda especialmente para a protecção da Princesa Isabel, chamada "A Guarda Negra". Devido à abolição e até mesmo antes na Lei do Ventre Livre, a princesa recebia diariamente ameaças contra sua vida e de seus filhos. As ameaças eram financiadas pelos grandes cafeicultores escravocratas.

amendo3.jpg Outras curiosidades: - 1. O Paço Leopoldina localizava-se onde actualmente é o Jardim Zoológico; 2 - O Terreno onde fica o Estádio do Maracanã pertencia ao Duque de Saxe, esposo da Princesa Leopoldina; 3 - Santos Dumont almoçava 3 vezes por semana na casa da Princesa Isabel em Paris; 4 - A ideia do Cristo na montanha do corcovado partiu da Princesa Isabel; 5 - A família imperial não tinha escravos. Todos os negros eram alforriados e assalariados, em todos imóveis da família; 6 - D. Pedro II tentou ao parlamento a abolição da escravatura desde 1848, uma luta contra os poderosos fazendeiros por 40 anos; 7 - D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que em 17 ele, era fluente; 8 - A primeira tradução do clássico árabe "Mil e uma noites" foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.

pedro8.jpg 9 - D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes; 10 - D. Pedro Augusto Saxe-Coburgo era fã assumido de Chiquinha Gonzaga; 11 - A Princesa Isabel recebia com bastante frequência amigos negros em seu palácio em Laranjeiras para saraus e pequenas festas, um verdadeiro escândalo para época; 12 - Na casa de veraneio em Petrópolis, Princesa Isabel ajudava a esconder escravos fugidos e arrecadava numerários para alforriá-los; 13  - Os pequenos filhos da Princesa Isabel possuíam um jornalzinho que circulava em Petrópolis, um jornal totalmente abolicionista.

pedro5.jpg 14 - D. Pedro II recebeu 14 mil votos na Filadélfia para a eleição Presidencial, devido sua popularidade, na época os eleitores podiam votar em qualquer pessoa nas eleições; 15  Uma senhora milionária do sul, inconformada com a derrota na guerra civil americana, propôs a Pedro II anexar o sul dos Estados Unidos ao Brasil, ele respondeu literalmente com dois "Never!" bem enfáticos; 16 - Pedro II fez um empréstimo pessoal a um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica nativa.

pedro7.jpg17 - A imprensa ridicularizava a figura de Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais, mantinha a total liberdade de expressão e nenhuma censura; 18 - Thomas Edison, Pasteur e Graham Bell fizeram teses em homenagem a Pedro II; 19 - Pedro II acreditava em Allan Kardec e Dr. Freud, confiando o tratamento de seu neto Pedro Augusto. Os resultados foram excelentes deixando Pedro Augusto sem nenhum surto por anos; 20. D. Pedro II andava pelas ruas de Paris em seu exílio, sempre com um saco de veludo no bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enterrado com ele.

A regressão foi só moral?

pedro6.jpg

 *Paracuca de Angola: - 500 gr de ginguba sem ser torrada, 250 gr de açúcar (ou mais), 2 chávenas de água - Preparação: Juntar todos os ingredientes numa vasilha e levar a lume brando. Vá mexendo, sempre, até a mistura ficar solta. Deite num tabuleiro (agitando para ficar solta) para arrefecer.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:37
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Quinta-feira, 30 de Junho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCIV

TEMPOS PARA ESQUECER - ANGOLA DA LUUA . IV 22.06.2016 - O Mundo sempre andou mentiroso - Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando em capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade (dizem).

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Em 16 de Junho de 2016 mencionei o espírita Chico Xavier numa frase que deve estar sempre presente em nossas atitudes: -Você não pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas você pode começar agora e fazer um novo fim! Vamos então seguir o seu conselho…

luua6.jpg (...) Luanda ficou restringida à circulação nocturna automóvel para evitar o cortejo de protestos e, foi vedado ao público o acesso ao aeroporto de Belas (antigo Craveiro Lopes); só quem era portador de bilhete de embarque poderia aceder aos balcões do “check in”. Este procedimento resultou assim, porque o Palácio da Cidade Alta foi invadido por centenas de brancos irados com as iniciativas militares que os não protegiam. Todos, ou em sua grande maioria, os moradores de Luanda se aperceberam que as forças armadas do M´Puto não estavam ali para defender os interesses dos brancos mas, isso sim, para preparar, apetrechar, municiar, aconselhar, instruir e ajudar em tudo o MPLA da facção de Agostinho Neto.

lua3.jpeg A facção do Agostinho Neto não tinha nenhuma estrutura montada para acudir a tamanha oferta que os portugueses lhe estavam dando. A facção Neto era no campo militar insipiente porque a facção do Daniel Chipenda ficou com toda a estrutura militar. Este tinha sido o escolhido para presidente pela direcção do então MPLA quando e, ainda na mata. Neto tinha isso sim, muito apoio dos intelectuais, do bem organizado partido comunista português e, pseudo-intelectuais de última hora maioritariamente miscigenados, estudantes da ala Coimbrã vindas de células clandestinas, bem politizados.

luis2.jpg Estava em marcha o PREC, processo de revolução em curso e nós ilustres ignorantes habitantes da Luua, nessa matéria, estávamos abaixo do zero e, ali andávamos entretidos ouvindo este e aquele vendedor de ideologias e procedimentos pouco transparentes em nossos hábitos. Nossa cultura como disse antes, era a do cinema e praia. Com este “know-how”, um termo anglófono utilizado para descrever o conhecimento prático sobre como trabalhar a nossa mente de sociedade imberbe; estávamos no ponto certo!

demo1.jpg Tudo o dito aliado ao apoio dos ditos progressistas barbudos militares de aviário mais os estudantes feitos aspirantes pelo MFA, fomos ficando entalados de forma paulatina; assim e, como um bando de galinhas que se preparam para ir para o matadouro, pouco a pouco tomaram conta das nossas vidas. Nos ainda nem conhecíamos o “savoir-faire” com os conhecimentos hodiernos de processamento! Estávamos a anos-luz destes galfarros comedores de neurónios à esquerda, sempre à esquerda e, vindos do M´Puto às paletes como se diz hoje na gíria. Estávamos prontos para sermos degolados, nem mais!

ÁFRICA17.jpg Eles tinham o conhecimento prático de como executar uma qualquer tarefa; nós ali andávamos engalfinhados entre os pareceres de pequenos partidos que só tinham assento na rádio tacticamente arrebanhada por estes e por ali ficávamos de boca aberta engolindo mosquitos, dizendo umas patacoadas assim como se fala de futebol! Cada qual tratando de si. Nós fomos mesmo uns coitados dirigidos por desclassificados como esse tal de Fernando Falcão da FUA, um ilustre desconhecido que serviu à justa medida àqueles sabidões do M´Puto. Foi um desclassificado traidor sem se aperceber que era manobrado! Até ele foi enganado.

funa3.jpg Coarctados da nossa própria propriedade intelectual o “know-how” do MFA, Movimento das Forças Armadas e da JSN, Junta de Salvação nacional, nomes de pomposidade com todos os componente de transferência de tecnologia ideológica e afins, confortável em ambiente nacional e internacional, coexistente com, insondáveis outros direitos de propriedade intelectual, adquiridos por via obrigacional ficamos quilhados! É o termo certo, quilhados!

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Fizeram o que quiseram com sobra de tempo; Savimbi foi o único líder dos três movimentos armados que advertiu que tudo se teria de processar com tempo! Os demais tinham pressa! Então o MFA, tinha muito mais presa. Usando suas patentes, marcas e direitos autorais, de punho sempre para cima, fornicava-nos nos activos económicos; cancelaram transferências para o M´Puto e o dinheiro passou a ser casca de amendoim!

cos0.jpg Estávamos mesmo a ser preparados para ser os “tinhas”, candidatos à penúria e uns cobertores da Cruz vermelha, Verde, Azul e associações maquiavélicas montadas a jeito de nos trapacear com pancadinhas nas costas! Foi tudo assim, duma forma subtil, metendo-nos os dedos pelos olhos e, nós tolerando até que… Camionistas e Comerciantes da Luua protestavam contra o desarmamento dos brancos, a sua expulsão dos subúrbios, leia-se musseques de Luanda, alegando insegurança provocada pelos constantes tiroteios que eles mesmo davam fora de horas.

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Procedimentos planeados pra desmobilizar qualquer eventual ousadia por parte da população urbana, maioritariamente branca e mulata. Esta turba de gente que entrou de rompante no Gabinete do Alto Comando, pois então do excelentíssimo Rosa Coutinho de Tuji, o almirante  vermelho. Obrigaram-no a ficar de pé em cima de sua secretária tentando fazer-se ouvir. O almirante estava ensanduichado entre uma multidão completamente desgovernada e em jeito de o linchar. Foi realmente pena que ninguém lhe tivesse dado um tiro nos cornos! Pena foi que tal não tivesse acontecido. Angola no seu todo só teria a ganhar com a sua ida para o paralém.  

guerri1.jpg Entretanto eu que estava na Caála, trabalhando no Município tendo como presidente Delmiro gouveia e morando junto à igreja na casa anexa à escola primária, lugar central da pequena cidade, junto à igreja, apreciava uns guedelhudos brancos a falar axim, besugos de tez alvina quasequase, comandando um grupo de rapazes, candengues a fingir de militares. E levavam paus a fingir de armas, assim uma coisa parecida com aquelas maneiras já vistas na guerra dos Simbas no Congo. E para baixo e, para cima sem qualquer impedimento seguiam esquerda…direita, esquerda…direita! Eram os futuros militares do MPLA a serem preparados como pioneiros.

guerri4.jpg E cantavam coisas nunca ouvidas; os pioneiros. Claro! Tal macacada dava para assustar qualquer um e de qualquer cor ou coro…Não tentem pintar a coisa enaltecendo as coisas da forma que não vi! Os amigos que por aqui andam, tentam fintar-se e enganando-se também nos querem torcer o pensamento! Não direi nada a qualquer outro… a alguém, mas contarei o meu ponto de vista! Não irei passar a luva em quem nos quer fazer crer que não era bem assim edecéteras e tal! Como diz meu amigo engenheiro Fuca-Fuca, fico hoje por aqui, mas volto!... Se há aqui um mais branco feito preto, esse serei eu porque senti na pele a escuridão… continua a sentir.

(Continua…)   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:43
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Domingo, 26 de Junho de 2016
MUXOXO . XXXIV

NAS CINZAS DO TEMPO - Meu futuro é amanhã! Ontem, foi meu prefácio… Será difícil acreditar que algum visitante do futuro nos traga toneladas de ouro para se acabar com a crise…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

vaca1.jpg Para manter algum interesse humano em minhas estórias terei de usar fricção e ficção nem sempre cientificamente comprovadas, assim como supondo que em um certo dia, descobriremos como viajar mais rápido do que a luz. O questionamento de assim suceder na maioria dos escritores, contadores de estórias ou escrevinhadores como eu, é a de que não se querem aperceber de que andar à velocidade da luz, implica voltar atrás no tempo.

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Para mim, até que nem é assim tão problemático porque faço inventações porque, se pudesse fisicamente voltar lá para tás no tempo, ver-me-ia em outras gerações,  teria decerto outro pai, outra mãe e, até seria o tratador dos cavalos de Napoleão ou dos Camelos dum qualquer mustafá abladu ou ainda ser o próprio Prestes João, tão procurado e nunca encontrado.

xicu7.jpg No Livro Das Maravilhas, de Marco Polo, Preste João era Ong-Cã, rei dos Turcos da Mongólia; a Igreja penetrou na Ásia Central e foi até a Manchúria e vários desses povos eram cristãos com sacerdotes hereditários. Os reis portugueses na busca de montes doirados dessa lenda com um rei, mandaram a pé e por mar olheiros, e nunca nenhum lá chegou a não ser o Vaco da Gama.

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O reino de Preste João, para além das muitas buscas, instigou a imaginação de gerações de aventureiros mas, sempre permaneceu fora de seu alcance. Estava sempre mais para lá do Xingrilá. Também eu me condensei no reino da Abissínia da Ásia Central, descendente de Baltasar, um dos Três Reis Magos. Como as notícias palpáveis desse império cristão eram escassas, dilataram-se fantasias em redor do seu reino mas o certo é que nos dias de hoje subsistem fantasias que nos mandam para o lado contrário: -O futuro!

prestes0.jpg Já naquele então se falava em monstros vários (entre os quais os homens com três cabeças de cão como o descrito na estória de Ulisses), paisagens edénicas, etc. Eram então e continuam sendo o Inferno e o Paraíso num só território. Por vezes também me revejo no Caramuru, Diogo Alvares, um fidalgo português da casa real, que tendo ido à aventura por volta de 1510, para São Vicente de São Paulo, por ali se naufragou num lugar de Cachoeira fazendo amizade com os índios Tupinambás.

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Pelo já dito, quando for para o espaço sideral, não quero usar um padrão de tempo único pois que cada observador mede o próprio tempo com o relógio que carrega; é possível que a viagem pareça muito mais curta para os viajantes espaciais do que para aqueles que permanecem na terra. Claro que não será muito agradável voltar de uma viagem alguns anos mais velho e, descobrir que todo o mundo que se deixou para trás morreu milhares de anos antes. Para viajarmos no passado teremos de recorrer ao que nossa mente reteve ou a de outros, conservados em escritos.

prestes1.jpg Assim como a minhoca, descobrimos coisas só registadas em fotos amarelecidas, esboços de mestres, letras árabes, romanas, escritas cuneiformes dos sumérios, pictogramas ou outras formas abstractas. Falas esculpidas em pedras transcrevendo a nossa capacidade e inteligência, que mesmo sem feromonas, foi possível ultrapassar a velocidade do tempo, ou da própria luz, permitindo-nos viajar no, ou para o passado.

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Viajar nesses buracos de minhocas, meandros de tuneis, é uma forma possível de ultrapassar a velocidade da luz, viajando numa densidade de energia positiva ou negativa, para se poder percorrer o espaço-tempo, um pouco mais à frente ou um pouco mais atrás. Podemos comparar isto de energia, como as nossas contas bancárias que mesmo sem saldo positivo se pode gerir com créditos negativos. As leis quânticas são hoje tão liberais que permitem no negativo fazer operações de compra sem comprometer o sustento!

prestes2.jpg Movimentar divida, contas negativas, é a especialidade mais transcendente dos bancos modernos apoiando-se em valores patrimoniais ou riquezas soberanas! Há não muitos anos atrás era inacreditável comprar dívidas de alguém ou de um País qualquer; hoje isto é o mais comum nos relacionamentos interbancários e principalmente entre grandes empresas ou bancos centrais que gerem as nações, que as suportam e desleixam a gosto e contragosto tornando-as lixo ou uma outra classificação de estrangular gatos pretos.

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Uma grande parte dos países trabalham com saldos negativos, com muitos zeros à direita e, no entanto não deixam de ter governos a disputá-los. Importam e exportam! Há de tudo nos mercados, coisas até supérfluas vindas de muitos lados! Dá para entender!? Serão estes governantes os pastores de nós mesmos, um rebanho de milhões. Em Portugal, quase todos os cidadãos vivem na base desta energia negativa, curvando-nos a regras dum espaço-tempo com matemática quântica.   

prestes3.jpg E, o curioso é o de que esta densidade negativa continua sempre num crescendo. Nós fazemos nossas vidas, nossas compras, gozamos nossas férias tendo sempre o Principio da Incerteza mais presente e, com a maior naturalidade como credores e não devedores! Quem souber que me explique como se pode tirar a quem não tem. Sim! É possível! Nós estamos neste carrocel e as festas do alho-porro, de todos os santos e mais uns inventados de branco e preto e só branco, noites da Luua ou sem Luua; o escambau!

prestes4.jpg Avançamos tanto nesta ciência e tecnologia de engenharia financeira que em nosso actual estado de desenvolvimento e engano, será dificilíssimo acreditar que algum visitante do futuro nas entregues as paletes de oiro necessárias antes da segunda visita de Cristo! Ainda ninguém veio do futuro para nos dizer como tudo isto vai acabar! O último que apague as luzes… Creio que já todos os meus leitores entenderam o que é isto de Principio da Incerteza da matemática quântica… “Tudo numa boa- topas…”

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:49
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Domingo, 19 de Junho de 2016
NIASSALÂNDIA . III

TEMPOS DORMIDOSEntre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido …

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Nasci em alto mar num barco chamado Niassa. Assim conta a minha lenda por preterir ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada ao vento para encobrir coisas desacontecidas…

caixa0.png Antes do universo entrar em colapso outra vez e, isso deve ser daqui a dez bilhões de anos, eu quero ser capaz de me lembrar dos preços do dia seguinte e fazer uma fortuna no mercado de acções! Quero saber os números de loteria uma semana mais tarde para jogar pela certa e ficar respeitosamente rico. Talvez se lhes pareça demasiado preocupado com o que acontecerá quando o universo entrar em colapso, mas neste prelúdio abstracto de manobrar o tempo pulando nestes buracos negros financeiros, quero viajar para o futuro sim!

caixa.jpg Quero saber quantos bancos irão ficar atascados na lama dos buracos que surgem no meu mundo do M´Puto em que há bruxos a fazer de todos os demais parvos! Decerto que estes sujeitos engenheiros financeiros e afins já foram ao futuro e vieram para noa atazanar. Só pode ser!

caixa2.jpg Ainda o Banif está em apuros de negligência e aparece a Caixa, meu Nosso Senhor, Caixa, cofre do estado a ser indiciado como coisa incredível! Isto está mesmo a contrair-se, a implodir-se. Para endireitar este estado as pessoas na fase de contracção terão de viver suas vidas de trás para a frente! Terão de morrer antes de ter nascido e ficarem mais jovens à medida que este nosso universo se contrai. Temporal, ou não, terá de se fazer uma reversão para escapulir a tantos buracos negros bancários!

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Já não chega alimentarmos nossos filhos licenciados no desemprego, senão agora enfrentarmos mais ratadas no vencimento para acudir à incúria de magos governantes que jogam na roleta, nossa sobrevivência. E, nada lhes sucede! Meu Deus, se tu fizeste um universo justo vem de novo cá abaixo ver isto! É por isso que a Teoria da Incerteza caiu em cheio em meu colo quântico para entender o sofrimento de gente preterida por inteligentes que só existem na pseudo-espansão, um descarado engano no superlativo absoluto, nome de roubo.

caixa4.jpg Aqui no M´Puto, o progresso da raça humana tenta compreender de como o Universo estabeleceu um cantinho de ordem assim tão completamente desordenado, descoordenado chamado de Portugal! Enquanto Você me lê, perde mil calorias de energia termodinâmica ordenada na forma de alimento e calor perdendo-o para a atmosfera em torno por convecção de seu suor. E, a desordem de nosso universo aumenta em milhões de milhões. Sempre milhões de Euros, de cumbu vivo…

caixa3.jpg O tempo foi tratado como uma linha ferroviária directa, e na qual só podemos ir em uma direcção ou na outra. E, é pena que a lei da relatividade não nos permita viajar no tempo. Se cada um de nós mede o tempo com o relógio que carrega, é possível que o tempo para os viajantes espaciais se pareça mais curto! Pois então se assim é, quero ir para o espaço e quando regressar quero ver essa gentinha na pildra.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:02
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Sexta-feira, 27 de Maio de 2016
MUJIMBO . CXVII

PORTUGAL - CICATRIZES DO TEMPO - São ladrões, mas não são presos, é tudo legal…

Mujimbo é boato em kimbundo; diz-se por aí; às vezes, são manobras de diversão; formas de encobrir....

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbo

Por

Resultado de imagem para silhueta humanaDieter Dillinger  - É o pseudónimo dum jornalista independente alemão da Alemanha, editor, autor de novelas criminais e investigador privado. É um primo meu em 3º grau que tem os pés chatos....

jeronimo1.jpg O Estado Português está a ser ROUBADO em mais de 500 milhões de euros pela Holanda que aceita as falsas sedes das grandes empresas portuguesas do PSI 20. Segundo o jornal Negócios, no final de 2015 foram distribuídos dividendos das empresas cotadas na bolsa - apenas 18 - no valor de 2,23 mil milhões de euros, dos quais dez grupos empresariais nacionais e estrangeiros levaram mais de metade. Cerca de 2/3 desse montante não pagou a taxa liberatória portuguesa de 28%, mas apenas... a holandesa de 5%.

jeronimo2.png A família que mais recebeu foi a dona da Sociedade Francisco Manuel dos Santos que detém 56,1% do grupo Jerónimo Martins com sede na Holanda que terá recebido 461,7 milhões de euros, roubando ao Fisco 129,27 milhões de euros. E o Soares dos Santos ainda tem a lata de vir para a televisão e jornais dar lições aos governos.

jeronimo3.jpg A EDP vai distribuir aos accionistas chineses, americanos e espanhóis 670 milhões de euros. Só a "China Three Gorges" vai receber 144 milhões e a Guoxin chinesa 20,4 milhões de euros sem pagar impostos. Consta que a EDP está a pagar aos patrões dividendos superiores ao lucro real, reduzindo as suas reservas e contraindo empréstimos para tal. É o ASSALTO a Portugal.

jeronimo4.jpg

 

O Queiroz Pereira recebeu 208 milhões pela posição de 64,84% na Semapa através da empresa holandesa que controla. Não sei para que quer ele esse dinheiro! A falsa empresa holandesa Efanor do Belmiro de Azevedo e filho vai receber 50 milhões sem pagar um cêntimo à Pátria dos portugueses que não é a dos donos da Sonae/Continente. Para esses, Pátria, Deus e Família é o DINHEIRO.

jeronimo5.jpg O Amorim recebeu na Holanda mais de 120 milhões de euros, resultantes da posição de 55% que tem na Amorim Energia que é dona de 33,84% da Galp e da sua posição maioritária na Corticeira Amorim. Por causa de um ordenado mínimo de 535 euros, andam a clamar que não podem pagar, mas distribuem-se a si mais de 2 mil milhões de euros. Para completar a obra destes FdP, o défice de 2015 vai ficar em 4,3% do PIB devido à perda de 1,4% do PIB com a falência do Banco BANIF.

jeronimo6.jpg Curiosamente, a taxa liberatória  holandesa é de quase 50% para os dividendos resultantes de actividades na Holanda e de 5% para os das falsas sedes estrangeiras. A taxa portuguesa é das mais baixas da Europa e não é proporcional. Assim, um taxista que apurou um lucro anual de 5 mil euros paga 28%, ou seja, 1.400 euros, enquanto um milionário que recebe 100 milhões de euros em dividendos paga os mesmos 28% de taxa em sede de IRS sem acumular com outros rendimentos como ordenados de administradores, rendas de casas alugadas, etc.

jeronimo7.png Quando é que a procuradora geral da República  Joana Marques Vidal manda investigar os magnatas que possuem falsas sedes na Holanda. Tudo o que é falso é crime, seja uma factura, a cópia de uma marca ou uma sede no estrangeiro onde ninguém está a administrar seja o que for.

jeronimo8.jpg E, vêem agora com os “simplex” para tapear as poucas-vergonhas! Andam preocupados com um zepelim que anda voando feito vaca e coisas do arco-da-velha como se não tivessem coisas mais importantes para se fazer! Isto de políticos e política, tudo anda pelas horas da amargura. Andam com guerras menores entretendo-nos para esconder as coisas grossas… Assim não brinco!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:24
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2016
XICULULU . LXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

crúzios 2.jpg Andei uns dias por terras onde em tempos D. Manuel mandou publicar uma lei que permitia às gentes ficar com o “gado do vento” sem que lhes fosse imputada culpa de roubo. “O gado do vento hé do senhorio quando este se há perdido”. E, nesses tempos os senhorios eram os Crúzios, os frades afectos à igreja de Santa Cruz! A Paróquia de Santa Cruz situa-se praticamente no centro histórico da cidade de Coimbra e é uma das mais antigas de Portugal, pois os seus limites primitivos foram delimitados por Dom Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, cujos restos mortais se encontram num mausoléu desta igreja.

cruzio3.png Uma marca distintiva dos Crúzios é a cruz vermelha e branca, usado no escapulário de seu hábito religioso. A designação refere-se à cruz e à espiritualidade da Ordem. A festa principal dos Crúzios era a Exaltação da Cruz reflectindo uma espiritualidade centrada na cruz triunfal de Cristo, o Senhor glorificado. Estes Crúzios tinham largas terras que iam desde Coimbra até o mar abrangendo as áreas de mato, as gândaras acima do rio Mondego, Montemor-o-Velho, Arazede, Amieiro, Cadima e Cantanhede.

cruzios11.jpg A igreja paroquial de Cadima, já existia em 1181, cujo concelho foi criado pelo Foral de 23 de Agosto de 1514, dado por D. Manuel I, em Lisboa. Sua antiguidade comprova-se pela existência da antiga freguesia de Nossa Senhora do Ó, pois as Igrejas hispano-visigóticas celebravam a festa da Expectação do Parto ou Santa Maria do Ó, por determinação do X Concílio de Toledo, no ano de 656. Os terrenos de Cadima e Tocha foram domínio do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, que entregava as terras como aforamento a rendeiros sob a sua jurisdição. Por vezes surgiam destroços de barcos, motivo de batalhas marítimas entre piratas; estes haveres eram recolhidos pelos rendeiros e também entregues ao seu Senhorio, os Crúzios. 

cruzios5.jpg Esta vasta região só teve desenvolvimento por via de plantações de milho grosso e batatas trazidas da América pelas novas descobertas de além-mar, terras dum novo mundo; novas sementes foram chegando dando engrandecimento à região. Mas, eis que um dia, narra a lenda que um fidalgo de nome João Garcia Bacelar, em uma das suas viagens pelas charnecas e gândaras muito extensas e desertas, chega à Quinta da Fonte Quente. Diz que vai ali construir uma capela por devoção a uma Nossa Senhora. Ajustando uma troca com o lavrador que ali rompia o mato solicitou ao Mosteiro de Santa Cruz, os Crúzios seus Senhorios, ali edificar uma ermida dedicada a Nossa Senhora D' Atocha.

cruzios9.jpg A estória fala dum tombo de morte que o Fidalgo Bacelar teria dado dum burro e, que já dado como finado por ter caído num precipício em Madrid, prometeu que se algum dia viesse a ser pessoa importante, edificaria uma ermida em honra da senhora que ele evocou no susto da queda. A essa Senhora vinda de Bizâncio, seu primitivo lugar de culto, deu origem a que para ali se dirigissem peregrinações de sesmeiros. Desde então, D´Atocha não parou de fazer muitos milagres! Essas grandes romarias deram oportunidade aos frades Crúzios, Senhorios daquelas gândaras de expandir sua fé. Assim surgiu a Tocha que hoje conhecemos como uma praia, ventosa, batida por ondas grandes, enraivecidas permanentemente.

cruzios0.jpg Os milagres da Santa fizeram crescer o culto da cruz e daqui concluir-se sua ligação com os Crúzios da Inglaterra medieval, também conhecidos como os frades Crutched (cruzados). Nossa Senhora D' Atocha, a mais antiga padroeira de Madrid, é uma imagem de Santa Maria Sentada com o Menino no braço esquerdo. As expressões "peregrinação" e "guerra santa” termo Cruzada surgiu porque seus participantes se consideravam soldados de Cristo, distinguidos pela cruz aposta em suas roupas. As Cruzadas de tempos anteriores eram também peregrinações, uma forma de pagamento a alguma promessa com luta contra os infiéis sarracenos, mouros, ou uma forma de pedir alguma graça, e também uma penitência. Os Crúzios surgem mais tarde mas com esta filosófica postura de devoção.

cruzios8.jpg Recordar aqui que a espada dos cruzados, antigos crúzios era uma cruz com uma lâmina alongada e, assim continuou a ser. Os cruzados levavam seu credo na ponta da lâmina, uma forma bizarra de impor a fé pela submissão ou medo. E, foi daqui de Santa Cruz de Coimbra que saíram os primeiros Crúzios para aquele novo mundo chamado de Brasil; Três Crúzios desembarcaram em Belém do Pará, em terras amazónicas, encontraram muitos desafios, incluindo doenças e a morte de um membro da comunidade. Perseverantes, fundaram a paróquia da Santa Cruz em Belém, e só em 1948 deram um passo significativo ao ir para o sudeste do Brasil.

cruzios12.jpg Fundaram comunidades e começaram a servir nas cidades de Juiz de Fora, Belo Horizonte, Campo Belo, Leopoldina, e Rio de Janeiro. Mas, foram os padres holandeses que mais deram seu testemunho de trabalho e dedicação ao povo brasileiro. Foram eles grandes evangelizadores e construtores de bons cidadãos, através de trabalhos sociais. Hoje depois de muitos anos de Brasil, os Crúzios estão presentes apenas em Campo Belo e Belo Horizonte. Desbravei por curiosidade, estes conhecimentos em terras também peregrinadas por mim nesta data e no ano de 2016

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:41
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2016
MOCANDA DO SOBA . XCI

NAS FRINCHAS DO TEMPO - VEM AÍ A LENGALENGA NO PRIMEIRISSIMO DIA DE PREGUIÇA . 1º DE MAIO - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo

Por

soba10.jpgT´Chingange

adam2.jpg Esta noite sonhei que era um ser superior da magistratura e, vai daí pus-me a decidir por jurisprudência que poderia decidir acabar com algo que em nossas vidas é uma excrescência maligna, essa coisa dos Paraísos Fiscais com os tão propalados offshores. E, porque se trata de uma lei feita para dar como digna a via a piratas ou corsários que das águas translucidas passaram para as terras que habitamos, decidi nesta função, com toga e cabelos onduladamente loiros a caírem-me para os olhos, dar por finda a esta nefasta actividade para o mundo e especialmente para nós, os Tugas depenados até ao tutano.

paraiso1.jpg A esta actividade de “fora de portas”, decidi nesta função distintíssima, dar por finda e confiscar tudo a estes larápios que se purificam em águas não oxigenadas pela natura. Assim e como um juiz surfista resolvo rejeitar este vento que sopra em sentido contrário levando-me a prancha do bombordo para as profundas águas dum mar turbulento, o estibordo. Decidido em última instância acabar com esta invenção desmioladamente nefasta ao povo.

paraiso2.jpg Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar as gigantescas feridas mortais. E, daí abrirem-se gavetas com choros ranhosos, ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó.

parac1.jpg Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot, em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto se neste agora sabemos estar quilhados até os tornozelos porque nos levam os pecúlios para o “paraíso”. Agora temos alternativas e até podemos ir dum extremo à direita ao outro da esquerda; Há malambas (falas) para contento de todos! Falas bonitas p´ra boi dormir com as finanças a roerem-nos os tornozelos.

ara3.jpg Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, apagando os rastos dos passos que aqui me trouxeram a terras de M´Puto (entenda-se Portugal), dinovo volto a remover os ossos do passado e, mesmo espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta, irei fazer do tudo um romance condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão com tangas! E, nada se faz a estas incongruentes malezas nada saudáveis, que mais não são de “pandemia” mais “epidemia” misturada com “endemia” e outros significados de atroz visão que que nos põem a miar.

araujo33.jpgA nossa vida, de cada vez mais na mesma, passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, com os sem etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, cheiros encarquilhados misturados com iões ou densidade molecular dos anos na leitura de carbono e eteceteras complicadíssimos… Só sei, no fim desta lengalenga, que estamos fritos esperando as calendas Gregas (entenda-se como um dia que não mais chegará)!

Ilustrações de Costa Araújo (Mano Corvo)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:21
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2016
MALAMBAS. CXXVIII

TEMPOS DE USUCAPIÃO Compreender o que é uma Offshore (paraíso fiscal)… O termo vem dos tempos dos corsários que saqueavam os mares e depositavam a pilhagem off-shore (fora da costa).

Malamba é a palavra

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

galo2.jpgNão muito longe do mar, cheirando a primavera fiz sementeira num pedaço de meu pecúlio, e foram salsa, alface, coentros, rúcula, hortelã, beldroegas e rabanetes. Com os demais sentidos ondulando pelos montes revejo-me em andanças entre soagens, pimpilho, e magarça misturada com as belas cores da forragem, flores de Abril em plena estepe alentejana. Vindo recentemente dos mares quentes do Nordeste brasileiro deparo-me no M´Puto com novos desafios que, por força da estória por escrever, terei de caminhar do jeito que me é possível contestando os rolos da vida que não deveriam ser tantos.

dom5.jpg Limpando os chinelos, já na sala, faço uma busca na Wikipédia por modo a entender o que são esses paraísos fiscais designados de offshore; dei-me conta que o mundo está metido numa camisa com sete varas e meia, pois que isto tem muito de periclitante. Irei tentar resumir dizendo que são contas bancárias anonimas abertas em países ou territórios carecidos ou ávidos de ganhar com o dinheiro de empresas ou milionários de outros países. O intuito é o de pagar-se menos impostos do mono que se pagaria em seu país de origem.  O termo vem dos tempos dos corsários que saqueavam os mares e depositavam a pilhagem off-shore (fora da costa).

demo4.jpg E, como isto tem muito a ver com piratas estas facilidades surgem normalmente em ilhas tais como as Bermudas, Jersey, Ilhas Cayman, Madeira, Gibraltar e Berlengas. Como os lucros são bem  chorudos, alguns países continentais, como o Grão-Ducado do Luxemburgo, o Principado de Mônaco, a Holanda entre outros meio dissimulados, também se permitiram a esta engenharia, usando esquemas legais diferentes ou diferenciados dos demais, tretas de engnação a gente que paga ao fisco para fazer os ricos mais ricos. As “offshore company” situam-se fora do país de domicílio de seus proprietários, não ficando sujeitas ao regime legal vigente como IVA e demais taxas que a todos sobrecarregam. E nitidamente uma desregularização na economia de qualquer país.  Mas os politicos de primeira linha passam ao lado disto.

matri2.jpg É curioso as contas abertas sucederem maioritariamente em países de legislação britânica, usando o conceito jurídico de trust Trust law, originário da common law inglesa e que foi trazido para a Inglaterra pelos cruzados. O conceito de trust refere-se a uma relação em que a propriedade é mantida por uma parte, em benefício de outra; uma pessoa física ou jurídica detém a titularidade de um bem (intangível ou tangível), em benefício de outrem. Tal expediente é usado por quem pretende ocultar a identidade do verdadeiro dono do negócio. A Ingaterra sempre promoveu os corsários a "Sir"; historicamente, o título de senhor indicava e assim continua,  a superioridade de alguém em relação aos demais cidadãos.

monaco.jpg Nos países que adoptam o Direito Romano, como Portugal, tal artifício é substituído pela criação de fundações ou observatórios que, formalmente, são proprietárias de bens. Os bancos têm conhecimento apenas do nome dos trustes (ou seja, dos administradores ou procuradores) das contas ou dos gestores da fundação, ignorando completamente quem seja o real beneficiário do dinheiro depositado. Assim, mesmo que haja determinação judicial, é impossível que esses bancos forneçam informações sobre quem são os proprietários do dinheiro depositado nessas contas.

fundação.jpgfundação1.jpg Quer-se-dizer com isto que o pequeno cidadão, sai prejudicado nesta relação pagando pelos ricos que têm sempre um batalhão de advogados para fugir entre os pingos da chuva. Esta é a revolta que nos faz querer revirar o mundo! Já o Papa Bento XVI estava preparando uma encíclica que teria um capítulo especial intitulado "Fraude e Fisco". Estabeleceria condenação moral aos fraudadores e aos paraísos fiscais que se abrem à ocultação de patrimónios ilícitos. Mas, tudo ficou por aí.

mai1.jpg Bento XVI já havia estabelecido como "moralmente inaceitável" a conduta de pessoas que transferem, para fraudar o fisco e deixar de recolher tributos, parte do seu património para paraísos fiscais ou "zonas off-shore". Mesmo assim o Vaticano estado envolveu-se em práticas similares. Se isto não é lavagem de dinheiro, terão de nos explicar muito bem o que agora se passa com o “Panamá papers”

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:59
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Domingo, 24 de Abril de 2016
XICULULU. LXXIV

EUROPA - ENGENHARIA FINANCEIRA - Para ler com tempo! - Assim vai esta EUROPA a cair aos pedaços...  (noticia atrasada, só como como indiciadora dos paraísos fiscais)

Holanda: um cínico paraíso fiscal

t´chingange.jpegAs escolhas de T´Chingange

   xicu10.jpgVicenç Navarro* ::: Um artigo de um catalão* -  merecedor de leitura. A pessoa em causa, prejudicou com imensa perfídia (não só aos espanhóis e gregos...). Das empresas Portuguesas para já, que me lembre temos a Sonae e a Jerónimo Martins.

xicu 1 - Jeroen_Dijsselbloem.jpg Jeroen Dijsselbloem** – Nome do ministro holandês que pressionou Espanha e Grécia para adoptarem as medidas de austeridade tem transformado a Holanda num grande paraíso fiscal. Qualquer leitor que tenha seguido de perto as notícias sobre a Grécia recordará que uma figura crucial da imposição das políticas de austeridade ao povo grego, as que tiveram um impacto devastador para aquele país, foi o Presidente do Eurogrupo, o ministro da Fazenda da Holanda, o Sr. Jeroen Dijsselbloem, que liderou o ataque (e não há outra forma de descrever o que ele fez) contra a Grécia, forçando o país a aplicar as receitas neoliberais, que causaram dano, não só às classes populares gregas, mas às de todos os países – incluindo a Espanha – cujos governos adoptaram as mesmas receitas.

xicu13.jpg Tal personagem foi especialmente duro nas exigências fiscais, acusando o governo do Syriza de não fazer o trabalho que tinha que fazer, ou seja, recolher fundos públicos para pagar as dívidas herdadas do governo conservador liberal anterior. E este mesmo senhor vem pressionando o governo espanhol, com extrema insistência, para que faça mais cortes e ajustes do gasto público, aplicando as mesmas políticas públicas que causaram efeitos danosos ao povo grego, liderando o sector mais duro do Eurogrupo, conformado pelos ministros de Economia e Finanças dos países da Zona Euro, que ele preside. Depois da Grécia, Dijsselbloem escolheu a Espanha como seu alvo principal exigindo cortes de nada menos que de 9 bilhões de euros, que desmantelariam ainda mais o já bastante subfinanciado Estado de bem-estar espanhol.

 

way4.jpg A Espanha é um dos países com mais baixo gasto público social por habitante entre os quinze mais importantes países da União Europeia, em saúde, em educação, em pré-escolas, em serviços domiciliários, em moradia social, em serviços sociais e um longo etc. Mas tal personagem colocou como prioridade um trabalho para que esse gasto seja ainda menor – segundo ele, o deficit público da Espanha é hoje o maior problema o país tem, ponto de vista que, por certo, é amplamente sustentado pela maioria dos economistas neoliberais, os quais possuem grande projecção mediática nos meios de informação e persuasão espanhóis (incluindo os catalães).

urubu.jpgQuem é este personagem, o Sr. Dijsselbloem?

O que não se sabe – porque não se publica em nenhum dos maiores meios de informação – é quem realmente é este senhor. Esse personagem jogou um papel crucial no trabalho de transformar a Holanda num paraíso fiscal onde as maiores empresas europeias (incluindo algumas espanholas) e norte-americanas evitam pagar seus impostos nos países onde se realiza a produção, a distribuição ou o consumo dos seus produtos. A política impositiva desse país está desenhada para atrair as companhias multinacionais, que estabelecem suas sedes na Holanda. As vantagens fiscais e subsídios públicos, assim como seu tratamento favorável às rendas do capital, são bem conhecidas no mundo financeiro e empresarial.

carambola5.jpg Isso explica que existam muitas companhias que estabelecem sua sede na Holanda (desde a mineira canadense Gold Eldorado à estadunidense Starbucks, a lista é enorme). Na verdade, algumas dessas companhias possuem na Holanda somente um endereço postal, sem sequer um edifício de referência, como é o caso dos grupos musicais Rolling Stones e U2, do Sr. Bono Vox, que se fez famoso e rico supostamente defendendo os pobres do mundo. Muitos desses benefícios fiscais e subsídios, assim como as transacções financeiras, não têm transparência, e até mesmo os membros do Parlamento holandês não têm acesso a essa informação.

xicu14.png É surpreendente como a Holanda, porém, não aparece na lista de paraísos fiscais. E isso se deve à activa mobilização da coalizão governante na Holanda, formada pelo partido social democrata, ao qual pertence o ministro da Fazenda, o Sr. Dijsselbloem, dirigindo a política económica e financeira do país, e pelo partido radical de directa, os quais aprovaram juntos uma lei no ano de 2013, que indica que a Holanda não é um paraíso fiscal, por mais que se pareça. Assim, o governo holandês praticamente proibiu o uso de tal termo, o que não foi um obstáculo para que esse mesmo governo apoiasse a realização de seminários para empresários estrangeiros (realizados em países estrangeiros, a Ucrânia foi o último deles) para lhes ensinar como evitar pagar impostos na Holanda.

tzi1.jpg pal3.jpg

Como bem indica o estudioso economista David Hollanders, a Holanda é um exemplo clássico e ilustrativo sobre o que é um paraíso fiscal. Ele aponta, em um de seus estudos, que há 12 mil empresas (que fazem circular um total de 4 bilhões de euros) que possuem uma sede postal na Holanda, que incluem 80% das cem maiores empresas do mundo e 48% das maiores companhias que aparecem na revista Fortune.

CAPITALISTA.jpg Entre tais empresas com sedes holandesas, estão empresas portuguesas, espanholas (como a empresa que se beneficiou da privatização da empresa pública Aigües Ter Llobregat, realizada pelo governo da Catalunha), gregas e outras, o que significa que Grécia, Espanha, Portugal e outros países deixam de arrecadar impostos (milhões e milhões de euros) e que os cofres desses Estados perdem dinheiro devido às políticas aprovadas pelo governo holandês, políticas essas que tiveram como um dos principais responsáveis justamente o Sr. Dijsselbloem, o mesmo personagem que acusa a Grécia e a Espanha de apresentarem excessivos deficits públicos, os quais talvez não existiriam se as grandes empresas pagassem os impostos que deveriam pagar se não tivessem suas sedes fora do país, em países como a Holanda. Portanto, este senhor foi um dos que favoreceu essa situação, a qual ele agora condena.

xicu11.jpgSabe-se que o Sr. Jean-Claude Juncker***, hoje Presidente da Comissão Europeia, é outro personagem que fez o mesmo quando foi presidente e ministro da Fazenda de Luxemburgo, outro paraíso fiscal onde um grande número de empresas internacionais, incluindo espanholas, possuem sua sede. O Sr. Jean-Claude Juncker também é dos que usa todos os meios para pressionar em favor da aplicação de políticas de austeridade na Grécia e na Espanha. Mas não se sabia tanto desta outra figura, o Sr. Dijsselbloem. O cinismo e a indecência – para não dizer falta de ética - ambos os sujeitos alcançam níveis sem precedentes. E esta é a Europa à qual nós pertençamos.

:::::

*…..Vicenç Navarro - Catedrático de Economia Aplicada na Universidade de Barcelona. Professor de Ciências Políticas e Sociais na Universidade Pompeu Fabra de Barcelona e professor de Políticas Públicas na The Johns Hopkins University (Baltimore, EUA).

**…..Jeroen René Victor Anton Dijsselbloem é um político Holandês do Partido do Trabalho. Actualmente é Ministro das Finanças dos Países Baixos e presidente do Eurogrupo.

***….. Jean-Claude Juncker é um político luxemburguês, tendo sido o primeiro-ministro do Luxemburgo, de 20 de janeiro de 1995 até dezembro de 2013

As Opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:11
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2016
MALAMBAS. CXXVII

ANGOLA - TEMPOS DE USUCAPIÃOA malandragem prolifera desregularizando a democracia – Vou entretanto descansar os olhos e os artelhos…

Malamba é a palavra

Por

soba 01.jpgT´Chingange

ango0.jpg O governo corrupto de Angola decidiu em 2009 pedir 693 milhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional dos quais ainda deve cerca de 70 milhões. Voltou agora de chapéu na mão e servilmente a esmolar do FMI mais um empréstimo. O mais certo será que parte deste dinheiro vá parar em paraísos fiscais no reino da Conchinha para gaudio dos cortesãos do paço real que o EDU desgoverna. O Governo Chinês que só exporta chineses, com os seus 1.357 biliões, tudo faz para que dentro de pouco tempo surjam os “CHINANGOLAS” idênticos aquelas que já existem em guetos por esse mundo fora.

ÁFRICA3.jpg Por norma agregam-se ao crime e corrupção, pois a mafia chinesa tem pergaminhos de alto índice. Até aqui e, pelo que se sabe, têm cometido assassinatos e roubos com impunidade e até cobertura das autoridades angolanas. Trinta anos atrás, os Cubanos roubaram angolanos até à medula pois até fabricas inteiras construídas pelos portugueses foram desmanteladas e enviadas para a sua ilha do Caribe. E, também levaram milhares de carros, as casas que tinham sido abandonados pelos brancos, foram devassadas e pilhadas de tudo o que tinha valor.

ÁFRICA13.jpg A ordem de hoje não é suficiente para desencorajar os desmandos que os chineses vão fazendo pelo território. Os membros parlamentares da UNITA, alguns ainda não comprados, vão falando na Assembleia Legislativa, quase a medo. Com o petróleo a perto de 100 dólares por barrir, era roubar à tripa forra; o dinheiro lá ia chegando para pagar aos construtores das obras faraónicas e ainda dava para distribuir algumas migalhas pelo povo carecido. Angola deixou de ser o eldorado que todos procuravam e os contractos de trabalho pagos em dólares e, porque acabaram, saem agora de lá como ratos abandonando o barco. O trágico fim que se avizinha anda a passos largos porque o Kwanza, não é credível no mercado, nem no das quinguilas.

ÁFRICA1.jpg O amor que estes novos emigrantes portugueses diziam ter em relação ao governo que indirectamente lhes pagava, esfumou-se! Desvaneceu! Kitari malé... Milhares deles já regressaram ao M´Puto como os retornados o tinham feito em 1975, só que em muitas melhores condições. Estes novos brancos (na generalidade) nada lá deixaram, nem as lágrimas dum fingido amor pois nada lá investiram. Aos retornados foi dado 5000 escudos por pessoa e por uma vida, para refazerem outra, quando chegaram ao aeroporto da Portela. Tudo o mais deles lá ficou, em Angola! Descolonizado, dizem! Mal vai o país, em que a morgue tenha mais de 300 cadáveres espalhados pelo chão sem que se saiba a causa de tantas mortes repentinas e qual a causa. Custa a acreditar que um golpe de estado em Angola tarde tanto a acontecer! Que o povo seja tão tolerante para com os governantes e seus apaniguados delapidadores das riquezas do país!

 lu2.png Com a ladroagem tão disseminada pelos políticos angolanos, seja na oposição ou nos governantes do MPLA, a mudança fica enferrujada. O recente escândalo do “Panamá Papers” é mais do mesmo espalhado pelo mundo todo. O dinheiro corrompe todos, independentemente da cor da pele e dos que detêm o poder. No tocante a Angola diga-se, o povo angolano tem o que merece, pois foi ele que colocou no poder os políticos que agora os governa; de Portugal pode-se dizer o mesmo com a agravante de serem tomados como mais conscientes! Mais informados!

besanga0.jpg Angola depois de ter sido fortemente criticada pela comunidade democrática mundial vem candidamente declarar que respeita os direitos humanos como se alguém fosse acreditar. Angola assim, é algures um país de África, uma anedota com um  ridículo presidente chamado de “Dos Santos” com muitos energúmenos que perfilam a seu lado. Aonde já se viu ser o EDU a constituir-se dono duma nação, com o poder absoluto no judicial, militar e os escambau como dizem os brazucas…

Nota: Com um outro tom de fala, outros modos, isto já foi dito algures por António J. Canhoto

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:11
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Quinta-feira, 24 de Março de 2016
MALAMBAS. CXXV

TEMPOS DE USUCAPIÃOA malandragem prolifera e, em nossa casa  chove como na rua…

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

malandro1.jpg Preocupa-me saber que na Europa e, em pleno século XXI indivíduos vulgares, sejam capazes de fazer trabalhar sua mente sob influência ideológica assassina! São, creio, resquícios do comportamento de juízes na meia metade recente do século passado que chegaram ao cúmulo de declarar que matar judeus não era em si um crime; uma aberração monstruosa saída de vários fazedores de leis que banalizam a consciência de um qualquer cidadão imbuído de bom senso. Li recentemente em um livro que a dada altura, colégios de juízes alemães do tempo nazi disseram: “Os judeus têm de ser exterminados e nenhum dos que foram mortos (e, foram milhões) representa alguma grande perda”.

malandro2.jpg Para entendermos as regras com as leis que nos regem nos dias de hoje, teremos de e infelizmente, ir lá atrás no tempo a recordar que os agentes de Rosemberg das SS nazis, pilharam o equivalente a 674 vagões carregados de bens  pertencentes a casas de Judeus instalados na Europa Ocidental. Que setenta e dois vagões cheios de ouro dos dentes das vítimas de Auschwitz foram enviados para Berlim.

malandro3.jpgmalandro7.jpg

Se grande parte destes despojos foram parar a casa de alemães e a cofres Suíços, decerto, um soma considerável encheu os bolsos de colaboradores sem escrúpulos, informadores e agentes de todas as nacionalidades ali estacionados e outros, no exterior. Como vamos então estranhar hoje comportamentos de usurpação do bem público a acontecerem em países de língua oficial portuguesa.

 malandro6.jpg Que coisas serão estas manobras com falências de bancos em Portugal, a operação Marquês, a operação Lavajato no Brasil e todos os enriquecimentos ilícitos em Angola, levando tudo à ruina. Quantos tentáculos em três continentes fazendo ruir as estruturas ditas ordeiras, tirando-nos os dentes doirados em vida, assim a frio e duma forma descarada.

malandro5.jpgmalandro4.jpg

No meio de toda este fogo lento, haver tanta gente não querendo saber os horrores sociais, retirando-se mudos para um canto de consciência lodosa, um mundo privado ignorando tudo o que não lhe diga directamente respeito; como se a avalanche nunca os vá alcançar! Com o efectivo desaparecimento de normas morais, tradicionais e desaforo excepcional, não pode escapar-nos no horizonte aqueles procedimentos passados com alemães. Efectivamente é um alarme geral ou generalizado se não houver muito protesto público! Isto pode acontecer, sim! A maior parte de nós frouxamente aceita que os malandros façam parte da nossa comunidade e, o lugar deles é na prisão. E, cada qual continua olhando seu umbigo…

O Soba T´Chingange 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:38
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Segunda-feira, 21 de Março de 2016
MULUNGU . LI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Nas margens da lagoa Manguaba comi sarapatel... No Alentejo do M´Puto chama-se moleja…

Por

soba 01.jpgT´Chingange

sarapatel1.jpg No Baixo Alentejo, ligado à tradição da matança do porco, com o sangue e a cachola (fígado) faz-se um prato muito apreciado chamado de moleja. Aqui na lagoa Manguaba, a maior do estado de Alagoas no Brasil, tem o nome de sarapatel. Foi exactamente aqui que fui em Domingo de Ramos a recordar tal momento, quebrando meu raminho de árvore, o dedinho de Deus que calhou ser uma piteira. Pendurei-o por ali junto de meu boné de Maceió, naquele sítio humilde aonde havia galináceas à solta, granisés juntos com jumento e cria logo depois da cerca e, um pássaro chilreando a todo o momento, na sacada da tia Lucena, um cantar bonito de espantar, corrido e trinado.

sarapatel3.jpg Mas, quanto ao sarapatel da tia Lucena estava divinal! Sarapatel é uma designação comum de diversas iguarias preparadas com vísceras de porco, cabrito ou borrego. Nascido no Alto Alentejo de Portugal, o sarapatel foi adaptado ao Brasil vindo da culinária indo-portuguesa de Goa, Damão e Diu, outrora pertencentes ao Estado Português da Índia. É um alimento típico da culinária de Alagoas, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. Normalmente o seu teor de gordura é bastante acentuado por causa da presença de pedaços de toucinho e da tripa mas, este que comi, quase nem tinha gordura.

sarapatel2.jpg Convém usar uma ou duas pimentas-de-cheiro inteiras e, no final acrescentar-lhe hortelã. Serve-se o prato acompanhado de farinha farofa ou arroz. Em substituição da hortelã pode usar-se folha de louro e no prato já servido, espremer uma rodela de limão. No Piauí, é preparado a partir da chamada "fressura" (conjunto de traqueia, pulmão, rins e fígado) de carneiro ou bode. Em verdade pode fazer-se isto tudo segundo o gosto apurado na experiência.

araujo19.jpgDiz alguma estória, que o sarapatel foi concebido pelos escravos que se serviam dos  restos das carnes menos nobres, desprezadas pelos senhores do engenho no período colonial mas, desta fantasia, não vem mal ao mundo!. Mergulhando-nos na raiz do passado no que concerne aos hábitos alimentares dos colonizadores, sabe-se que aquela versão não prevalece. Os portugueses mestres do forno e fogão são uma draga, comem de tudo; têm o talento de transformar tudo em algo bom para se comer. Aleluia!

valdir5.jpg Em verdade todo o brasileiro se apressa a se apossar das guloseimas dos colonizadores lusitanos mas, qualquer cristão jurará de joelhos que o sarapatel vem da moleja do Alentejo. Prato de resistência, de sustentação, hoje ele é património culinário do Nordeste. Por cá se diz, de peito feito, que homem que é homem, valente, não dispensa uma buchada, uma panelada de um bom sarapatel.

poconé3.jpgSem exageros: É comida rica, generosa, altamente nutritiva e calórica, pois é um guisado completo. Em Portugal, o sarapatel é preparado com as vísceras do cabrito ou do carneiro (borrego) que depois de limpas e fervidas, são fritas em banha e cozinhadas com quase todos os ingredientes e temperos. Além dos pulmões, fígado, coração ou outras vísceras, sangue cozido, banha, azeite, cebola, alho, tomate e temperado com louro, colorau, cravinho e cominhos. Este, também é o sarapatel nordestino!

kafu10.jpg Convém dizer neste correr de pena, o que é a fressura ou pacuera: um conjunto de entranhas (língua, traqueia, pulmão, fígado, coração e rins) de um animal, geralmente o porco, carneiro ou cabrito. Pois não é um material que, para muitas mestres de cozinha dê prazer em manipular sem repulsa ou enjoo. Também haverá que referir que na confecção do sarapatel, entra o sangue do animal abatido que é colocado no final da feitura. O sangue pode ser substituído por chouriço picadinho em cubos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:03
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Sábado, 5 de Março de 2016
MUXOXO . XXVI

TEMPOS MARAFADOSUm descuida e, posso ir para o espaço… Uma ordem económica só pode funcionar se houver ordem política…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

pal01.jpg Uma nova ordem económica só pode funcionar se houver ordem política; não basta prometer-se trabalho, menos horas de laboração ou subida de salário a um qualquer zelador empregado ou competente funcionário. É forçoso incrementar-lhe o sentido de servir a comunidade, a cooperativa, a associação ou a nação do qual é parte integrante criando-lhe afinidade à vontade de fazer querer. Fazer querer, redescobrir as virtudes da democracia, repudiando esses exemplos de se tornar um manobrador usurpando-se reptíciamente do que não lhe é devido, porque a todos pertence.

pal1.jpg As recuperações económicas nunca surgem espontâneas a menos que o estado nação as ajude a criar. Foram raros os partidos Socialistas que tentaram repensar a teoria e a prática à luz do desemprego e da crise com auspícios visíveis, com notórias melhorias para o povo! Foram sempre os Sociais-Democratas que dispuseram a administração preparada para utilizar a política orçamental e, com vista a criar uma retoma. Expresso-me aqui para os povos de língua oficial portuguesa, os tais PALOPS de quem se tem uma visão insipiente por serem correligionários dos mesmos governos que representam.

pal4.jpg Haverá crescimento económico quando o estado se ajudar a crescer! Em termos de liberdade de pensamento e de expressão, pela experiência do dia-a-dia, a indiferença à democracia passou a significar ter-se maior liberdade para roubar para os que mandam e liberdade para se morrer à fome para os demais e, isto não é bom! Isto vê-se pela televisão todos os santos dias em três continentes. Já é tempo de um chega para lá. Basta!

pal2.jpg A opinião pública no Brasil, em Portugal ou em Angola, não sabe lidar nem virá a saber entender do porquê alguns afirmarem haver alívio palpável vendo-se mesmo que, sem se poder controlar a contento a “raiva antidemocrática”, não se anteverá daqui prosperidade palpável ao país e, a tão desejada reforma. Necessita-se de mais atitude e menos conflitualidade; não basta querer, é necessário fazer querer!

quem01.jpg Os Sociais-Democratas arrumam a casa, estabelecem regras disciplinadoras e, em seguida vêem os Socialistas ou uma outra coisa parecida com isto do tipo “governo de Três mais Um“ e, desarrumam tudo de novo. Assim e pela certa não vamos lá! É uma brincadeira desinteressante de arrumar cadeiras, ajustar as leis e os amigos e dizer-se sempre mal do antecedente. Por ventura não estaremos todos fartos disto?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:57
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Sábado, 27 de Fevereiro de 2016
XICULULU . LXVII

TEMPO COM FRINCHAS - Na rota do Atlântico - Os N´guesso construíram uma das maiores fortunas da África… A nossa sociedade é uma ilusão fugaz …

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo.

t´chingange 0.jpgT´Chingange

porto1.jpg Na rota do Atlântico - Em conjunto com Suíça e França, Portugal prende director e devassa negócios suspeitos da brasileira Asperbras com a cleptocracia do Congo, país cuja dívida Dilma perdoou…

porto2.jpgDenis Sassou Nguesso é um político congolês, actual presidente da República do Congo. Nascido no norte do país, é membro da tribo Mbochi.

Quinta-feira passada houve um pequeno alvoroço na sede do Banco Carregosa, na cidade do Porto (Portugal), quando policiais exibiram um mandado de busca. A casa bancária mais antiga da Península Ibérica entrou no mapa das investigações de corrupção e lavagem de dinheiro conduzidas de forma coordenada em Portugal, Suíça e França.

porto3.jpg No alvo está o português António José da Silva Veiga, director da Asperbras, empresa paulista percebida na Europa e na África como um dos braços financeiros da cleptocracia comandada por Denis Sassou N´guesso, que há 47 anos domina o poder na República do Congo. Veiga foi preso na semana do carnaval, em Lisboa, junto com o sócio Paulo Santana Lopes, horas depois de oferecer 11 milhões de euros (R$ 48,9 milhões) pelo controle do Banco Internacional de Cabo Verde, espólio do falido Grupo Espírito Santo.

porto4.jpgO director da empresa brasileira não declara bens em Portugal, onde enfrenta atribulações fiscais desde a época em que intermediava contractos de jogadores de futebol como Luís Figo e Jardel, entre outros. No entanto, foram apreendidos oito milhões de euros (R$ 35,5 milhões) em espécie, mais quatro Porsches, Mercedes e um Bentley, além de congelados saldos bancários de dez milhões de euros (R$ 44,4 milhões). Veiga actuava como agente plenipotenciário de José Roberto e Francisco Carlos Jorge Colnaghi, de Penápolis (SP) — sócios mais visíveis do grupo Asperbras. Sua intimidade com o clã N´guesso, em especial com Cláudia, filha do ditador, assegurou aos Colnaghi um bilhão de dólares (R$ 4 bilhões) em contractos públicos no Congo. A devassa interrompeu novos projectos, para uma rede bancária e hospitalar.

porto5.png A Asperbras foi grande beneficiária do perdão concedido dois anos atrás por Dilma Rousseff para uma dívida de US$ 280 milhões que o Congo mantinha com o Brasil. Nessa amnistia, chancelada em tempo recorde e sem debate no Senado, ficou perceptível a influência de António Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil de Dilma. Palocci tem relações fluidas com os Colnaghi. Chefe das campanhas de Lula (2002) e Dilma (2010), Palocci era usuário dos aviões da Asperbras. Um dos Colnaghi, José Roberto, foi personagem do inquérito do mensalão sobre pagamentos realizados (via Angola) ao publicitário Duda Mendonça, na campanha de Lula em 2002. Ano passado, em outra investigação, a Justiça identificou remessas da Asperbras, no Congo, para a agência Pepper, que atende ao PT desde a campanha de Dilma em 2010.

porto6.jpg Alto risco é um derivativo natural dos laços com a cleptocracia N´guesso, hegemónica no país produtor de petróleo e de diamantes sem origem certificada - “de sangue", moeda corrente na lavagem de lucros do tráfico. No poder, os N`guesso construíram uma das maiores fortunas da África. Suas propriedades incluem 66 imóveis de luxo no eixo Paris-Provence-Riviera, segundo o Tribunal de Paris. A família cultua ostentação: Antoinette, primeira-dama, gastou um milhão de euros na celebração dos seus 70 anos em Saint-Tropez. Carla Bruni Sarkozy foi o destaque. A acção europeia que levou à prisão do director do grupo brasileiro Asperbras, sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro, desenvolve-se sob um sugestivo codinome policial: “Rota do Atlântico”.

Esta verdade parece até um conto de fadas!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:18
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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2016
MULUNGU . XLVIII

TEMPOS CUSPILHADASSó porque cumpriram meia dúzia de anos ao seu país na casa deliberativa, tomem lá este bónus vitalício…  Assim não brinco!

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

bangasumo2.jpg As leis dos homens são feitas a contento de uns poucos para subjugar outros que lhes dão sustentabilidade. Durante muitas décadas, para não dizer sempre, houve genocídios que o tempo tratou com impunidade desde a Sibéria ao ponto mais longínquo de um qualquer continente, um qualquer Xingrilá desconhecido nas altas montanhas da Mongólia ou em países como o Burkina Faso, o Ruanda Burundi ou o Lesoto. Poderia até nem sair de casa e, enumerar as aberrações que surgem no Portugal de agora tão à esquerda, cujos mandantes do povo ditos deputados se aborregaram com um subsidio perene só porque cumpriram meia dúzia de anos ao seu país na casa deliberativa das leis, a Assembleia Nacional. Entretanto os demais cidadãos esforçam-se para subsistir com falripas e promessas que mal chegam para sobreviver!

moita2.jpg Há oitenta e seis anos atrás 30.000 agricultores “kulaks” foram mandados fuzilar sumariamente por Estaline; cinco a sete milhões de pessoas, podem ter sido deportadas para regiões remotas da União Soviética só pelo facto de estarem em desacordo com o lançamento de impostos sobre os produtos agrícolas. Estaline impôs medidas de emergência para recolher dos agricultores, cereais à força. À greve dos camponeses, seguiram-se confrontos pela diminuição de reservas cerealíferas com o sequente aumento dos preços dos alimentos; o regime regressava aos métodos do comunismo de guerra. Agora e, em Portugal será um comunismo de crise.

pet3.jpg Em 1929, Estaline venceu os seus opositores de esquerda e direita impondo nos campos agrícolas as cooperativas mecanizadas. Como alvo de suas visões, Estaline tomou como alvo os camponeses mais ricos, os chamados “kulaks” sendo estes subdivididos selectivamente em três grupos e segundo o seu contra-revolucionaríssimo activo. O primeiro grupo foi entregue à polícia de segurança do estado sumindo sem deixar rasto.

REPU6.jpg O segundo grupo foi deportado para as remotas regiões da Sibéria para fazerem repovoamento. O terceiro grupo de cariz mais dócil foi reinstalado em outras religiões, não muito longe de onde viviam. Foram regras austeras de descompressão social separando-os por forma a perderem os elos de organização a fim de não mais terem a força colectiva de contestação e reivindicação. As regras mudaram ao longo do tempo, mas a essência de actuação ainda está latente na forma de punição a funcionários demasiado permissivos a quem tenta embaraçar as leis que lhe são adstritas.

vaca0.jpg Hoje os partidos organizam-se para tomar o poder, subsidiados pelo Estado e, quem a estes pertencer e não seguir seus ditames, também ele, pode estar a ser um “kulak”, ser relegado para o fim da fila por meios hodiernos. Porque não há lugar para misericórdias, dirão os mais fanáticos deste liberalismo podre! Dessa forma de fazer querer para o parecer, quem não pensar como eles, poderão vir a ser candidatos a mendigar nas estações rodoviárias ou ferroviárias, torna-los paulatinamente esqueletos de ventres inchados. Posto isto, muitas vezes, também me sinto um “Kulak”.

Mulungu: É uma árvore de grande porte com flores vermelhas.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:16
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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016
MUXOXO . XXIV

NUM TEMPO COM CINSAS - A democracia está mole e materialista … As verdades parecem estar sempre armadilhadas…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

demo1.jpg Isso de se dizer que “ todo o poder decorre do povo” é uma treta falaciosa nos dias que correm! Esta nova fanfarra não é mais alternativa à pureza de ideias e ideais isentos de princípios corruptos que em um estado de crise persistente como o actual, deveria estimular a consciência cívica adequando-a à democracia; aquela que sempre, todos apregoaram como sendo o pilar do povo. Entre nós, a democracia que transparece, não tem conseguido estar à altura de suas próprias ambições por não ter dado corpo nem voz à nação como um todo.

moita2.jpg A protecção social, já de si minada pela depressão e sequente desemprego em massa, através desta nova conciliação de esquerda e, por via da estratégia do tipo frente popular, chegou num tempo sem tempo a Portugal. Estou em crer em breve trecho, ser descrito como uma história de fracassos. A democracia está mole e materialista, pouco entusiasmante e até incapaz de gerar simpatias na maior parte das massas descontentes.

ter5.jpgCom o meu hereditário e estupido sorriso, teimosamente humilde de pobreza, continuo em não me deixar rever nos vestígios e brios que em outros se faz gala!  Tudo se me apresenta com uma embriaguez mórbida que tende a não se dissipar. A esta democracia terei forçosamente de lhe dar outro nome! Gostava de respirar em nossas vivências cheiros de essências agradáveis, mesmo que com vinagre aromático, mas os disfarces de nossos representantes furtam-se em olhares de complicados encontros de espelhos.

fifa3.jpg Eles são agora um viveiro de larvas em lodo quente fumegante, de onde brota uma vida que também nos vai ser imposta saída da podridão. Ávidos de sensações estranhas, chamam a si desfrisados prazeres da política trazendo-nos vícios de longos fôlegos, usando sua infeliz inteligência para nos beber vontades, gota a gota. Olhando-me na desconfiança por constrangimento, acumulo fortes juros sobre hipotecas de alto valor que em nada contribuí. Se uns nos comeram a carne, estes certamente roer-nos-ão os ossos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:26
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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2016
MOKANDA DO SOBA . LXXXVII

CINZAS DO TEMPOEm terras de Vera Cruz Fui para longe no tempo, para ver bem os recantos que não podem ser vistos de perto…

t´chingange 0.jpgT´Chingange

bra1.jpg No decorrer do tempo, verifico desencorajar-me a contar minhas estórias porque contam-se pelos dedos de uma mão os que tentam convencer-me a dizê-las; porque simplesmente, não percebem o que eu tento dizer antes de o dizer. Não sublinham as inflexões e, por falta de tempo não se dão ao trabalho de desenrolar o palavrório. Pode até parecer estranho mas também, como a Europa da União Europeia é uma ilusão ou uma promessa, assim, também eu não sou, uma realidade. As fronteiras mentais transportadas por mim por via das estórias, embora aumentando a capacidade de criar ilusões, diminuem-me na veracidade.

bra2.jpg Tenho assim um conflito primitivo ou civilizacional, que apagam ou deturpam memórias embaraçosas e, que inevitavelmente colidem com um triunfo de liberdade. Creio mesmo que só os antropólogos poderão compreender meu pântano utópico. Digerindo-me no difícil interior do ego, esforço-me por ressuscitar ideologias que possam ser levadas a sério e não serem vistas ou analisadas como um mero interesse ocasional.

bra3.jpg Algures em Itália, O Concelho Municipal de Bolonha mandou derreter a estátua de bronze de Mussolini a cavalo e, no seu lugar, instalaram dois guerrilheiros. Não me lembro de ter sido fascista, nem comunista ou socialista e como filho de supostos colonos de Angola, só ouve o cuidado de derreterem nossas vidas despojando-nos das coisas, da posse, da cidadania sem nunca conseguirem lacrar meus sonhos e lembranças antigas. Mesmo por via democrática, já não posso pegar naquilo que era bom no passado e, simplesmente chamar-lhe “o meu legado”. De tudo destituído, levam-me a concluir que todas as ideologias têm em comum o facto de gostarem de apresentar a sua própria utopia.

bra5.jpg Mas também, sendo a Europa um laboratório construído por cima de um vasto cemitério e, Portugal um laboratório de ensaios para gangues banqueiros, resta aos políticos deixarem de ser cínicos ou ficar apáticos, resignados ou submissos redescobrindo as virtudes que ainda subsistem na democracia. Num tempo em que por todo o lado, tanto se ouve falar em crise, poucos são os que não dizem mal dos parlamentos! E, é aqui que reside o problema: o Parlamento não se derrete, vai-se desmoronando na corrosão! Só que é um processo lento…  

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:16
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Domingo, 10 de Janeiro de 2016
MUXIMA .LIII

CHÁ DAS SEIS 

- Quem é capaz de definir a AMIZADE? Bom dia, boa tarde, boa noite, desculpem o desabafo!!!

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

araujo21.jpg Bom dia amizades! Quero dizer-vos que aprendi que as amizades são escolhas que vamos fazendo de pessoas que surgem na nossa vida e, muitas vezes por mero acaso. Mas, tenho estado cá a pensar: - Com o decorrer do tempo vai-se conhecendo melhor as pessoas, e daí começar as escolhas, ou se fica muito amigo, assim-assim, ou descartamo-nos por alguma incompatibilidade, coisa fútil ou mesmo trivial. Por norma nós afastamo-nos, e o outro, apercebendo-se que já não é benquisto também se afasta; tudo resolvido! Mas… é aqui que está o busílis da questão!

araujo22.jpg Quando o outro é burro, MATUMBO mesmo, e não percebe que está a mais, que já não é bem-vindo, que já não é “persona grata”, que já nos perturba, como é que fazemos? Ou somos malcriados ou no mínimo, ficamos indiferentes... Bem! No caso do Face, simplesmente apagamo-lo ou o bloqueamos acabando com o mal pela raiz! Aqui no virtual é simples mas, diga-se em verdade que sempre nos fica uma nodoa por algo que não deveria ter acontecido. Valha-me o meu padrinho Padre Cícero, São José ou santo Agostinho! Em dado momento, temos mesmo de dar uma sacudidela na árvore, fazer a fruta podre cair e, por si só, ficar lixo!

araujo23.jpgSó falo nisto porque ontem recolhi do chão um papel amarroado que me prendeu a curiosidade. É uma oração para resguardar a amizade. Recordei a minha mãe Arminda que sempre escondia em minha bolsa ou mala de viagem responso ou encomenda escrita a um santo de sua veneração. Pois esta reza assim: -Senhor, quão poucos são os verdadeiros amigos, porque somos imperfeitos, limitados! Muitas vezes decepciono-me, esquecida(o) de que sou eu quem erra quando espero deles uma perfeição, uma santidade e um perfeito amor.

araujo24.jpgFazei-me, obstantes as dificuldades, bondosa(o) e verdadeiramente amiga(o) para com todos, sem nada esperar, nem mesmo um só agradecimento. Sois, Senhor, o melhor e mais perfeito amigo entre todos os meus amigos. Vós que me amais com um amor-perfeito, ensinai-me a amar com o Vosso coração, a olhar com Vossos olhos e a viver sempre como testemunha digna da profunda amizade e amor que sempre tivestes e tendes para comigo. E, termina com um Amém.

araujo17.jpg Assim, compreendo que viver é ser livre… Que ter amigos é necessário… Que lutar é manter-se vivo… Que pra ser feliz basta querer… Aprendi que o tempo cura… Que a mágoa passa… Que decepção não mata… Que hoje é reflexo de ontem… Compreendi que podemos chorar sem derramar lágrimas… Que um verdadeiro amigo permanece… Que dor fortalece… Que vencer engrandece… Aprendi que sonhar não é fantasiar… Que pra sorrir tem que se fazer alguém sorrir…Que a beleza não está no que vemos, e sim no que sentimos… Que o valor está na força da conquista… Compreendi que as palavras têm força… Que fazer é melhor que falar… Que o olhar não mente… Que viver é aprender com os erros… Aprendi que tudo depende da vontade… Que o melhor é sermos nós mesmos… Que o SEGREDO da vida é VIVER!

Ilustrações de Costa Araújo Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:59
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2015
MOKANDA DO PUTO. LXI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Em vésperas de Natal - apalpando as medidas da história, saro na natureza as feridas do corpo …

Mokanda : É uma carta

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

séco0.png E, eis que decido hoje vésperas de Natal, recolher legados de tempos idos nesta cidade chamada de Coimbra, debruçada sobre um rio manso de nome Mondego. Com música de muitos sinos e coros fazendo eco nas esquinas, no bulício citadino, pregões de castanha assada e luzes dirigidas a presépios e árvores cheias de neve a fingir com bolas reluzentes mais fitas coloridas, subo o empedrado até à velha catedral. Em 1139, após a decisiva Batalha de Ourique, Afonso Henriques decide financiar a construção de uma nova catedral, devido à anterior estar muito deteriorada. As obras devem ter começado em tempos do bispo Bernardo no ano de 1146, mas o impulso definitivo foi dado em 1162 com o bispo D. Miguel Salomão, que ajudou a financiar a sua construção.

séco1.jpg Atribui-se o projecto da Sé românica ao mestre Roberto, de possível origem francesa, que dirigia a construção da Sé de Lisboa na mesma época. A direcção das obras ficou a cargo de mestre Bernardo, também possivelmente francês, substituído por mestre Soeiro, um arquitecto que trabalhou depois em outras igrejas na diocese do Porto.

séco2.jpg Vista do exterior, a Sé Velha lembra um pequeno castelo, com muros altos coroados de ameias e com poucas e estreitas janelas. A aparência de fortaleza é comum às catedrais da época e explica-se pelo clima bélico da Reconquista. A fachada principal tem uma espécie de torre central avançada com um portal de múltiplas arquivoltas e um janelão parecido ao portal.

séco3.jpgOs capitéis, arquivoltas e jambas do portal e do janelão são abundantemente decorados com motivos românicos com influências árabes e pré-românicas. O claustro, construído durante o reinado de Afonso II situa-se na transição para o gótico, encontrando-se no lado sul do templo. Cada face do claustro possui cinco arcos quebrados, envolvendo cada qual um par de arcos geminados de volta perfeita, rasgando-se em cada bandeira uma pequena rosácea decorada com traceria muito simples.

séco4.jpg Os tramos são quadrados, com as naves abobadadas, sendo só arcos torais ogivais muito apontados e os cruzeiros de volta inteiros. Os capitéis dos arcos são de cesto delgado, maioritariamente com decoração vegetalista. O feito mais interessante de toda a obra são os cantos da quadra: aí dá-se o encontro de duas arcadas góticas que mutuamente se interrompem a meia altura, criando um efeito original.

séco6.jpgséco5.jpg

Um símbolo de tolerância entre povos pode ser lida na parte exterior; uma expressão em árabe que significa: “Um dia a minha mão perecerá mas fica a marca da minha amargura”, uma característica única desta Sé-Velha e que a distingue de outras catedrais medievais. Esta arte de minúcia, leva-nos a meditar na cultura que nos está entranhada e o belo surpreende-nos, mesmo sem sermos especialistas de coisa alguma …

Nota: Bibliografia da NET Sapo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
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Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2015
MALAMBAS. CXIV

TEMPO NATALÍCIOUma conversa pequena medieval com uns pedaços de hoje e ontem …

Malamba é a palavra

Por

soba0.jpegT´Chingange

afon0.jpg Indo para o Centro histórico de Coimbra, a conversa resvalou para o porquê de eu ainda não ter ido ver o túmulo de D. Afonso Henriques na Igreja de Santa Cruz. Pois será desta vez, disse eu. Aconteceu passar por ali tantas vezes e nunca me dei ao cuidado de visitar o primeiro Rei do M´Puto. Fiquei a saber que D. Manuel ao visitar as sepulturas originais de D. Afonso Henriques e de seu filho D. Sancho I. Este, não as achou dignas e mandou fazer novas. Estando estas concluídas, o monarca quis assistir à trasladação dos restos mortais. É a partir destas descrições que eu me interrogo na forma avantajada de se verem as coisas; esse ego de se enaltecerem heróis e heroicidades; senão vejamos.

afon2.jpg Há um relato da época que diz o seguinte: No Anno seguinte d'esta eleição, 1520 em os 16 dias do mês de Julho, estando o sereníssimo Rey Dom Manuel nesta cidade de Coimbra, veio a este seu real mosteiro à tarde e mandou abrir as sepulturas antigas dos primeiros dois Reys deste Reyno seus predecessores: Achou o corpo do devoto Rey Dom Affonso Henriques inteiro, incorrupto, a carne seca, e a cor pálida, e macilenta, mas de aspecto severo que parecia estar vivo, do qual sentia cheiro suavíssimo (...) Era el-rei de gigantesca estatura, de des palmos (2,20m) em comprido e de quatro de largo pellos peitos, e a perna que quebrou nas portas de Badajos era mais curta que a outra três dedos.

afon6.jpg A 23 de Outubro de 1832, o túmulo terá sido aberto na presença de D. Miguel que, passando por Coimbra, quis ver os restos venerados do primeiro rei. A Gazeta de Lisboa transcreveu o acontecido do seguinte modo: A sua caveira estava inteira, e mostrava ainda todos os dentes no seu logar menos um; as dimensões do craneo, e mais partes da cabeça eram grandes, e proporcionados os ossos dos braços e pernas, os quaes comparando-se com os da figura superior do tumulo se achou perfeitamente coincidirem com as dimensões respectivas, tendo 10 palmos (2,20m) de comprimento, como refere a História haver tido de altura o herói.

afon5.jpg Enfim, é difícil de dizer se devemos acreditar nestas descrições. Não estou a acusar os seus autores de má-fé, mas é verdade que, antigamente, havia muita relutância em quebrar com tradições e mitos, pelo que não se hesitava em "modelar" a realidade, como nos diz o Prof. Mattoso: «Não me admira que, depois da morte, o considerassem um grande homem, no sentido moral, e que essa qualificação tivesse passado para uma ideia física. O fundador da nacionalidade tinha de ser um homem grande. Devia ser um homem de grande vitalidade, pelas crónicas. Dirigia os combates em pessoa».

afon4.jpg Pode até dar-se o caso de o palmo do medidor não ter o dedo mindinho ou ter sido um anão mas, história é história. D Afonso Henriques tinha 2,20 metros de altura e até usava uma espada que pesava vinte quilos; diga-se em verdade que daqui não vem mal ao mundo! Pior seria saber-se haver por aí um outro banco a ficar mocho, assim com caruncho medieval a roer-nos os cascos…

Nota: Bibliografia com dados de Andanças Medievais

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:13
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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2015
MALAMBAS. CXIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - Por vezes o mundo fica com um cheiro anti-séptico…

Malamba é a palavra

Por

soba0.jpegT´Chingange

bpn1.jpg Por vezes o mundo fica com um cheiro anti-séptico e, sem estarmos mortos, afundamo-nos num medo de noite sem tempo, misturando a respiração com o silêncio e, este com a indiferença. Por vezes o destino reserva-nos risadas moles, dessas que nos encantam com uma tristeza feliz, um sentimento construído no cimo das nuvens. Sim! Nas nuvens aonde o futuro nos espera depois de uma vida cheia de chega e vai; assim com uma intensidade esdrúxula, garimpando estórias nunca contadas.

bpn2.jpg Revendo-me por debaixo de um alpendre, vendo a chuva miúda e fria, cansado destes dias de pouco sol de cheiro mediterrânico, a fazer-se inverno às cinco e pouco da tarde, viro a página. Mas, eis que passaram dois dias e o calor volta a mais de vinte graus com os ponteiros do relógio andando entre as onze e as quinze da tarde e, as moscas que saem do nada, vindas sei lá, de Marrocos com o velho vento Sião empoleiradas nesses pedaços de nuvens à mistura com areia do Saará.

bpn3.jpg Na rádio falam da crise de mais um banco que desce nos gráficos das gorduras, das incertezas de continuar sem ter de abafar as contas dos depositantes, esse caminho fraudulento de roubar as economias dos outros. Tinha aqui mais uma notícia para ser contada aos poucochinhos para doer menos. As certezas eram tão miúdas que nem davam para serem catadas na pontinha dos dedos. Deste modo só podia mesmo esfregar meus refegos mais agasalhados ignorando as profundas repercussões de mais uma falhada engenharia financeira, com os cães a ladrar, virando-se contra seus donos.

bpn5.jpg E, foi o BPN, o BES e agora o Banif mais o Banco Novo a desconsolar-nos com um véu descolorido sobre nossos olhos, nossas vontades, nossos sonhos de pão-de-ló sem os joaquinzinhos fritos. Enfim! De novo aqui ficamos entalados entre migas e entrecosto e sopas de couve troncha. E a merda dos reforços e rácios com os fundos de resolução e edecéteras que nos saem do bolso para reforço de capital que nos vai ser fanado dos nossos bolsos de contribuinte. Um ruim presente de Natal… Diga-se!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:20
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2015
MALAMBAS. CXII

TEMPOS MORNOSNa crença de ocultadas nuances, tenho-me forçado a encontrar um herói perfeito, um que mostre a face vil e cruel do ser humano…

Malamba é a palavra

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

presi6.jpg Tenho andado ao sabor das notícias televisivas, os comentadores baralhando as cartas segundo seus critérios de análise e suas tendências politicas; até no desporto levam horas a fio descosendo como novelos, as jogadas ao milímetro, vendo sempre mais que o próprio árbitro. Claro que há jogadas na política que em mim, não se vislumbram do mesmo modo que seus arbítrios, sem conseguir deslindar-me qualquer luz no fundo do túnel. Para captar votos à direita ou esquerda, dão palpites, enganando-se ou enganando-nos por querer; contam a história de coisas que parecem nunca sair do meio, dessas de sem fim à vista.

presi3.jpgpresi2.jpg Claro que o céu está sempre lá em cima mas, quando se perde confiança na sua flutuação, também o medo passa a ser permanente! Eu, e muitos mais que imaginamos oliveiras a partir de goiabeiras, ficamos com os rostos mais velhos tornando-nos até donos de mágoas soterradas, submersas ou submarinas.

quem1.jpg Descendo por elas, as mágoas, apegam-se-nos como lágrimas silenciosas na forma de varizes e carrapitos negros, manchas de pele e ainda outras mazelas internas invisíveis. Respirando a idade tento cheirar as notícias e, não sinto em sua composição a frescura da cal viva, daquela que dá cor a toda a brancura.

fifa3.jpg Tenho-me forçado a encontrar um herói perfeito, um que mostre a face vil e cruel do ser humano, que me possa servir como presidente, que me defenda! Um, que desimpedido pelas barreiras, investigue os antagónicos traços de nosso governo. Um herói que tenha as sobrancelhas no rosto e que faça lembrar respeitosos estadistas.

sistelo 1.jpg Tão abarrotado de civilização e informação, espreito os meses farejando raças sob o abrigo de suas telhas vãs em calor da lareira, panela atestada de couves tronchas, frigideiras com unto branco de porco, uns chouriços de pendão, panelas tisnadas, trempes de ferro sempre aquecidas entre troncos de oliveira, azinho e borralho esparramado.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:54
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Sábado, 7 de Novembro de 2015
FRATERNIDADES . XCV

CAFÉ DA NOITE - Quem é capaz de definir a AMIZADE?

A AMIZADE, não pode ser definida por decreto…

kimbo 0.jpgAs escolhas de KIMBOLAGOA

papa1.jpgPAPA FRANCISCO - Uma linda mensagem do qual não posso deixar de partilhar.

papa4.jpg Durante a nossa vida causamos transtornos na vida de muitas pessoas, porque somos imperfeitos. Nas esquinas da vida, pronunciamos palavras inadequadas, falamos sem necessidade, incomodamos. Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente. Mas agredimos! Não respeitamos o tempo do outro, a história do outro. Parece que o mundo gira em torno dos nossos desejos e o outro é apenas um detalhe.

papa3.jpg E, assim, vamos causando transtornos. Esses tantos transtornos mostram que não estamos prontos, mas em construção. Tijolo a tijolo, o templo da nossa história vai ganhando forma. O outro também está em construção e também causa transtornos. E, às vezes, um tijolo cai e magoa-nos. Outras vezes, é a cal ou o cimento que o nosso rosto. E quando não é um, é outro.

papa5.png E no tempo, todo nós temos que nos limpar e cuidar das feridas, assim como os outros que convivem connosco, também têm de fazer. Os erros dos outros, os meus erros. Os meus erros, os erros dos outros. Esta é uma conclusão essencial: todas as pessoas erram. A partir desta conclusão, chegamos a uma necessidade humana e cristã: o perdão. Perdoar é cuidar das feridas e sujeiras. É compreender que os transtornos são 

frazão3.jpg Que os erros dos outros são semelhantes aos meus erros e que, como caminhantes de uma jornada, é preciso olhar adiante. Se nos preocupamos com o que passou, com a poeira, com o tijolo caído, o horizonte deixará de ser contemplado. E será um desperdício. O convite que faço é que experimente a beleza do perdão. É um banho na alma! Deixa-nos leves! Se eu errei, se eu o magoei, se eu o julguei mal, desculpe-me por todos esses transtornos… Estou em construção!

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:58
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2015
MUKANDA DO M`PUTO. LIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo … Algures no rio Corgo no seio do Alvão…

Mukanda : É uma carta

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

vila5.jpg A terra desinquieta resolveu-se com boa paciência formar uma vala funda; entre rochas magmáticas remexidas que nos séculos formou o Rio Corgo. Com uma chuva de manso Outono, desci o empedrado da calçada do moleiro que me conduziu ao moinho de levada das hortas, feito destas rochas. Empilhadas ao longo dos tempos, assim aconteceu por muitas gerações. Nas mãos, fazia rolar um marmelo em cada, que por ali recolhi. Rodava-os em compasso de desentorpecer músculos fazendo-os ficar lisos pelo roce de seus fiapos de penugem que os cobriam. A água cantava no seu grato barulhar entre penedos visgosos formando corredoiros de muitos salpicos brancos; a rusticidade era preenchida por milhares de folhas caídas multicolores e nas formas mais diversas.

vila4.jpg Os cheiros da natureza humidificavam-me as narinas, os sentidos, entrando assim em mim virgem, amargo e inebriante, aleijando-me o paladar. E eram tílias, faias, choupos, plátanos, cerdeiras e medronheiros, todos entrelaçados a envenenar-me os sentidos da visão, das tonturas e, já me via de repente em pensamento fazer uma salada de arroz de gato com malvas, fetos e rabaça ou fazer daquelas matizes um chá amarelado, mijo de burro, sumo de cor de cobre. Quando se caminha assim sozinhado com a natureza, o pensamento voa num segundo e, até molhamos a cuspo as palavras como uma criança, que saboreia moncos adocicados.

vila2.jpg Já no sítio do complexo das piscinas, atravesso a ponte meio vandalizada, paro no meio, aprecio a cascata lá por debaixo e, sempre pensando no vazio das coisas, com as mãos em cima do parapeito, pude ver suas costas atravessadas também com veias azuis como este rio, a recordar-me que também sou velho como ele. Os meus olhos já não têem a pontaria de outros tempos, mas senti a felicidade de diferenciar bem as folhas caídas, amontoadas, coladas ao caminho, daquelas faias e choupos, caruma e até folhas de parra assolapadas nas encostas.

vila3.jpg Comendo uns quantos medronhos bem vermelhos, detive-me a analisar este percurso geológico que por fusão consolidada, por aumento de pressão e temperatura, se tornaram em milhões de anos nestas rochas metamórficas ou sedimentares, passando de arenitos a quartzite e de calcário a mármore. A terra paciente conduziu as alterações mineralógicas, estruturais e texturais da rocha mãe. E, já vendo as pontes, nova e velha, pude relacioná-las com aquelas rochas que me ladeavam; rochas formando blocos saídos originalmente da fusão de minerais com sequente recristalização sob estas novas formas mineralógicas de corneanas e quartzitos. Já no topo entre caserio velho e o burgo moderno, pude ver imponente a pala do centro comercial Dolce Vita. Entre lajedos com fetos nas frinchas subi à avenida cruzando o centro histórico de Vila Real de Trás-os-Montes; pude assim compreender o abandono de espaços antes movimentados, que agora se deslocaram para as novas catedrais de consumo do outro lado do rio Corgo.  

melro12.jpg Tive pena de não ter encontrado sanchas ou míscaros que creio ser deste tempo mas, por fim já com duas horas de caminhada, pude apreciar a estátua imponente de Carvalho Araújo. O mesmo que na 1ª Grande Guerra Mundial ficou célebre por ter conseguido como 1º Tenente e, no comando do caça-minas NRP Augusto de Castilho, proteger o vapor São Miguel de ser afundado por um submarino alemão. Lothar von Arnauld de la Perière que comandava o submarino U-139, em 14 de Outubro de 1918 acaba por tecer as maiores considerações a este ilustre de Vila Real.

vila6.jpg Andei só e taciturno, nada igual como o foi em Viseu de Viriato com a turma de Gumirães com a simpática companhia da professora Marisa Batista, suas medições de altos e baixos e até pulsações aeróbicas no sobe e desce da Igreja dos terceiros e a escalada para a Sé. Pois sim! Também na companhia das sobrinhas da Povoa mais a Anabela de Benguela, de pé meio chochinho a necessitar de condroitina, glucozamina e cartilagem de tubarão para esmerilar ossinhos perturbadores, e ainda a senhora Fátima. Sem a tal tecnologia do relógio espacial de Marisa, não sei quanta calorias perdi neste passeio, mas sei que transpirei vontade de perpetuar coisas que nos deviam ser sempre muito queridas, zelar pela natureza e apreciá-la com respeito, o quanto baste. Aqui ou ali, a vida pulsa, e temos de nos acomodar às agruras olhando a natureza que com sua dinâmica nos transcende, e nos transforma.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:57
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Sábado, 10 de Outubro de 2015
MUXOXO . XXII

NUM TEMPO COM CINSAS - Trocadilhos com chouriço… Aqui na Europa as verdades, parecem estar sempre armadilhadas…

Por

soba 01.jpgT´Chingange

euro0.jpg Ninguém me disse ou li; eu ouvi o Senhor Presidente da organização Católica Caritas oferecer aos refugiados e “migrantes” casas que Portugueses não conseguiram pagar, essas que o fisco “confiscou”. Devemos estar loucos, literalmente loucos, enquanto nação com uma Europa a permitir o influxo anual superior a 50 mil dependentes; que no que toca à cota de Portugal, serão em grande parte, o material do crescimento futuro da população imigrante. Isto será como observar a nação ou toda a Europa ocupada na preparação da sua própria pira funerária.

euro1.jpg ...Quanto aos invasores da europa, de facto reina o lirismo e o pensamento infantilizado dos políticos europeus, há décadas governados por gente incapaz, gente sem o menor patriotismo, sem a menor lealdade às suas nações. Claro que o marxismo cultural entrou por aí que nem um tsunami! Veremos como reagirão as novas gerações a uma Europa extremamente violenta, minada pela subversão dos costumes e tradições que a fizeram grande. Aonde fica esse crescimento sustentável, tal como sempre referem quando os expertos falam na preservação do ambiente, com coisas e gentes.

euro 20.jpg Os países do velho continente vão entrar numa nova realidade! Os autóctones serão confrontados com outras nações dentro do seu território. Estamos já a viver nestas realidades entregues ao indistinto capital sem fronteiras; no consumo da água, da energia, das telecomunicações, entre tantas outras actuais evidencias. Outras nações que ciosas da sua matriz cultural se decidirão a impor os seus valores beneficiando da indulgência da Igreja, da discriminação positiva dos órgãos políticos e judiciários e da desinformação que levam as populações a desvalorizar a ameaça que é clara e ostensiva.

euro11.jpgConvenhamos, como outras utopias, este internacionalismo, tal como a democracia directa, é sempre bonita no papel. A realidade não se compadece com lirismos ou ficções. Vai bater-nos violentamente à porta e as vítimas não terão voz para especulações filosóficas e dissertações ideológicas amigas do ambiente e dos pobrezinhos! Aos vendedores de quimeras, espera-os um destino semelhante a Arquimedes de Siracusa: "Não mecha nos meus círculos" - Foram as suas últimas palavras.

Muxoxo: é uma espécie de estalo que se dá com a língua aplicada ao palato, em sinal de desdém ou contrariedade…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:59
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Domingo, 4 de Outubro de 2015
CAFUFUTILA . XC

TEMPOS QUENTESNO PARALÉM4ª de 4 partes - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE – Cidadão do Mundo - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa a caminho de Angola…

cola 2.jpg (…) Era oito de Setembro, estava eu na festa romaria da Nossa Senhora da Cola escarrapachado bem no alto e no muro daquele sítio dos primórdios da pedra lascada e ainda ali empilhadas em forma de casas e cercas. Esta romaria era já, no século XVIII, a mais importante da região, um dos lugares de peregrinação mais importantes do Baixo Alentejo. Pesquisas arqueológicas indicam que a ocupação deste sítio remonta a um castro ou citânia do período neolítico, com particular expressão durante a Idade do Ferro. Foi ocupada por Fenícios e Cartagineses, sendo os vestígios relativos ao período Romano escassos.

cola02.jpgcola02.jpg

São significativos os testemunhos do período Muçulmano, a partir do século VIII, que indicam uma comunidade baseada na actividade agrícola e pecuária, onde a tecelagem tinha um importante papel. Na reconquista cristã da península, passou para as mãos dos portugueses no reinado de D. Afonso III (1248-1279). Por razões hoje desconhecidas, a estrutura do forte, foi abandonada por volta do século XVI, vindo a cair em completa ruína. E, aqui estou eu, nesta minha talvez décima segunda encarnação, apreciando o colorido da procissão, gente da diáspora vindas no mistério do vento que agora se entretinha apenas em alizar as ervas dos restolhos.

cola2.jpg Numa solidão de muitos quilómetros este sítio ficou muito cheio de barulhos com tendeiros alinhados ao longo da única estrada de acesso e, eram tachos, travessas, ratoeiras e chocalhos a barulhar espíritos com cães ladrando em guarda das carroças e furgonetas exibindo louça de barro e ferragens entre quinquilharias em plástico de carros carrinhos e palhaços de madeira rodopiando. Assim pensativo nas lonjuras com mitos fruindo a magia deste instante, sem desfalecer na dignidade virei-me a ver o andor e deparei de novo com a kianda assombração do já amigo John Wayne que desta vez vinha acompanhado com Yul Brynner. Claro que fiquei espantadíssimo! Logo dois artistas que me deram tantas alegrias num passado recente.

cola01.jpg Decerto, John despertou a curiosidade do careca ruço Yul de origens mongol e aí vieram os dois à terra lusitana ver suas ancestrais vivências e, eu muito contente aceitei aqueles dois abraços tão cheios de curiosidade por tudo. John com um ramo de oliveira na mão com azeitonas ainda verdes, sempre sorrindo assim como um epílogo ao susto por via de seu Paralém, olhando e apontando aquele ramo e, excitado de contente disse assim: -Hoje ganhei anos de luz; este ramo que aqui vês tirei-o à momentos de uma árvore com 2850 anos; é quase do tempo dos homens destes Castros que se chamavam de Celtas e Iberos fundindo-se nos Celtiberos e muito mais tarde Lusitanos. Yul Brynner, atento à conversa só abanava a cabeça em tom de concordância.

cola03.jpg E continuou: - Estiveram por aqui muito antes dos Romanos, ainda nem de se adivinhava que Cristo por aí viria! Fiquei até aparvalhado recebendo estes ensinamentos dum cowboy amarelecido no tempo. Após um muito breve silêncio Yul Brynner falou: -Foi com um ramo igual a este que uma pomba retornou a Noé da arca nos primórdios do tempo, após o diluvio das géneses. Mas, o que apreendo com estas figuras holográficas que viajam à velocidade da luz, aqui entre os ventos das falsas estepes alentejanas! Muito mais que naquela quadratura do círculo de gente terrena da tevê que falam de todos como se os demais fossem seres sem eira nem beira, nem pombas do Santo Espirito no cocuruto.

cola1.jpg Nós os três, continuamos dialogando até depois da missa à qual nem assistimos. Como outros, dispusemos o farnel em uma manta de retalhos de Minde e, debaixo de uma oliveira que também o era, muito velha por via de suas rugas escanchadas e enegrecidas. O mundo é mesmo um mistério, e nós, queiramos ou não, somos uma ilusão. Já tarde prolongada rumei para o meu castelo refúgio das estepes falsas no lugar de Messejana mas, só após ter dado um fraterno abraço a John Wayne e outro a Yul Brynner, gente virtual que me prometeu recomendações lá no Paralém deles. Não sei se tornarei a ver estas divertidas assombrações mas, o que fica disto, é algo muito de divertido e bonito!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:07
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2015
CAFUFUTILA . XCVIII

TEMPOS QUENTESNO PARALÉM – 3ª de 4 partes - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE - Cidadão do Mundo - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa a caminho de Angola. 

para0.jpg (…) John Wayne sentia-se em casa olhando a secura alentejana e, num repente de trote com seu alazão passou a galope por algum tempo detendo sua montaria junto a um velho olival; desceu da montaria, deu volta a uma velha oliveira e exclamou à minha chegada: My Good! This tree predates the coming of Jesus Christ! Meu deus! Esta árvore é anterior à vinda de Jesus Cristo!? Repeti eu, a mesma exclamação em jeito de assombro. Já junto a ele detive-me a apreciar aquela velha oliveira muito escanchada com musgo do neolítico em parte do seu interior oco. Uns ramos verdes davam vida ao resto do velho tronco.

para1.jpg Isto disse ele apontando a árvore, tem bem mais de dois mil e quatrocentos anos! E sem retirar o olhar da velha e rugosa árvore acrescentou: -E pensar que ela assistiu daqui a ida de Cristo para o calvário e sua crucificação num pau destes e em forma de cruz para nos crismar na vida! Já no largo em frente ao Café central de Panoias amarramos as montarias e perguntamos a um magote de mais-velhos se sabiam aonde morava o senhor Maldonado, um também mais-velho, um primo em quinta ou sexta geração, com uma verruga junto à orelha, ferrador de profissão e agora aposentado.

para5.jpg Num instante quase todos apontaram na direcção do primo em causa bem em frente do café e aproximando-nos apresentamo-nos sem grandes explicações de minúcia! Após estes preâmbulos mal entendidos pela lonjura no tempo, tudo ficou assim mesmo sendo seu sorriso escarrapachado com alguns dentes amarelecidos por via de ser um fumador inveterado. John assombração deu-lhe um abraço cósmico e das faíscas empáticas saiu um venha daí um tinto! E foi um tinto, uns quantos brancos e até uma aguardente de Conqueiros com presunto de pata negra, entrecosto curado à lareira e até toucinho com pão da terra.

para4.jpg John Wayne, a todo o momento dava seus ares de alegria, espanto olhado nos largos horizontes com a barragem da Rocha ali por perto, Santa Luzia e Garvão lá mais distante. Good, good, repetia ele intercalando um nice, um beautiful enquanto emborcava uns copázios, bem à maneira de suas recordações na paralaxe do tempo cósmico.

para3.jpg O dia já estava longo e, foi decidido que ele por ali ficava em casa de Maldonado porque eu tinha mesmo de recolher ao meu refúgio de Messejana. Porque estávamos já perto da data do oito de Setembro iriamos encontrar-nos na procissão do Castro da Cola, um lugar com história desde o tempo dos Celtiberos. Foi assim que nos despedimos, com um até lá…

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:56
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2015
CAZUMBI . XLVIII

CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade …

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

zep5.jpeg Andamos com o credo na boca por variadas e alheias causas à nossa vontade que agora são agudizadas pelas acusações constantes, fruto da campanha eleitoral. E, ora é o emprego, a pensão, apoio social ou a emigração de nossos filhos. Sempre me pergunto ou interrogo, quanto à imprevisibilidade de nossas vidas quanto a mantê-la em padrões de dignidade no futuro; estando nós em um período de miúdas certezas, fruto do paleio que só deu soltura às teorias deles.

zep1.jpg As pessoas foram-se apercebendo de alguns restos mal explicados remexendo-se na esfrega dos refegos mais agasalhados e proporcionando assim à Coligação Portugal à Frente dar um lento alívio às austeras medidas com reposição dos salários da função pública e das pensões; e, promete-nos a devolução da sobretaxa sobre o IRS em quatro anos. A coligação quer crescer através das exportações e do investimento enquanto o PS quer fazer isto através do fortalecimento do consumo.

ter0.jpg Enquanto a Coligação quer ser um bom aluno da Europa, o PS aposta envergonhado numa interpretação mais moderada do Tratado Orçamental. A Coligação diz querer estabilizar a legislação laboral enquanto o PS diz reverter algumas medidas. A honra não vive de um nome mas sim daquilo que sentimos no coração; e nestes casos intrigantes, o PS está aquém de nos oferecer essa tal estabilidade que ansiamos. 

ter4.jpg Digamos que a margem de escolha é estreita e a esperança de escolhermos o modelo mais certo coloca-nos grandes dúvidas entre o modelo eleito e o ideal. Se nos ajustarmos à realidade económica que não é boa, nem óptima, não podemos desperdiçar as espectativas de melhoria e ter esperança de que o esforço feito até agora, não pode ser desperdiçado. E, isto ao ponto de imprudentemente descorarmos estes bons sinais de crescimento e piorá-las com políticas de adivinhação.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:50
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MUJIMBO . C

NAS FRINCHAS DO TEMPOUMA CONVERSA A DOIS

Por

soba 01.jpgT´Chingange

Inspirei-me com o Barão de Itararé que francamente, nem sei quem é! Ele só surgiu e com ele fiquei batendo papo! Ele disse-me assim pessoalmente, pois, na primeiríssima pessoa:

- Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar!

barao1.jpgEnrijecido de ousadia disse-lhe: - meu amigo, eu queria ser rico e ando aqui teso que nem um carapau; e, já nem na sardinha posso tocar! 

Pois é, disse o jeitoso Barão de Itararé: - Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos noé?

E, tudo por causa dos bancos! Rematei.
Que nada, disse o sábio: - O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro!

barão2.jpg

- Pois, por tudo isto, ando demasiado desconsolado, sabe! 

- Meu amigo Tuga, viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta!
- Pópilas, a conversa estava ficando feia, pensei só eu; você está-me descalçando nas vontades!
- Ué, português é mesmo uma língua muito traiçoeira; você falou em descalçar e, calças é uma coisa que se bota e bota é uma coisa que se calça, noé?

CAFE4.jpg - É mesmo, disse assim conformadíssimo. 

O cara, Barão do Itararé continuou seus entretantos sabedores e, desta feita falou assim: - Por isso eu acho que o vosso PAF, Portugal à frente, deveria ser de “muito à frente” – de fuga prá frente; assim ficava mais certo, noé?
- Épá… mas eu já escolhi, como faço então!?

ciga0.jpg - Olha, assim olho no olho repimpou-se ele: - O voto é rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.

- Pois, se calhar fiz mesmo mal!
Tudo ficou assim mesmo; ia fazer mais o quê?
Sai dali e pra me contentar fiz uma sandes com pão alentejano, meti nele três figos espalmados, um troço de queijo camembert e recompus minha altivez com um tinto em promoção de Cartuxa da Fundação Eugénio de Almeida, EA.  Aveludado com Aragonez, Trincadeira, Alicante, Bouschet e castelão....
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:07
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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