Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016
XICULULU.LXXXIX

ANGOLA . DEUS DEVE SER BRANCO!2ª e 3º de 4 Partes

t´chingange 0.jpgAs escolhas de T´Chingange 

Por: ISOMAR PEDRO GOMES - Foi em tempos um funcionário da polícia política DISA. Segundo ele, as pessoas que trabalhavam na DISA e se identificaram com a dissidência do MPLA foram vítimas da repressão. “O carrasco foi o sistema”, afirma! Ele teve a coragem de ter publicado isto em Angola.
DEUS É BRANCO?

Isomar1.jpg (...) A resposta colonial à violência nacionalista africana, sempre foi comedida: por exemplo, se a força policial Portuguesa no 4 de Fevereiro e posteriormente no 12 de Março de 1961, respondesse com o mesmo demonismo com que o MPLA 'respondeu' ao chamado Fraccionismo do 27 de Maio 1977, muitos dos actuais dirigentes não existiriam, e provavelmente durante muito tempo não haveria movimentos de libertação.

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O ÊXODO - Passado cerca de meio século, em que a maioria dos países Africanos 'arrancaram' na ponta da espingarda a independência das potências colonizadoras (seguindo a lição do camarada Mao Tsé-Tung) – se fizermos o balanço de quais foram os ganhos que os respectivos países e povos obtiveram, poucos são os Países Africanos que diremos, saíram indiscutivelmente a ganhar.
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"Quando é que a independência afinal vai acabar?" – Indagou desesperado e desapontado um septuagenário angolano nos idos anos 78-80, fatigadíssimo da guerra estúpida, de tanta crueldade e injustiça praticada pelos seus patrícios (do regime e da oposição), denominados de nacionalistas de primeira água. Poderia África ser hoje comparada ao Inferno ou ao Purgatório?

ango3.jpg Qualquer um deles serve; Paraíso - NUNCA. Pouquíssimos países Africanos (menos do que os dedos de uma mão) podem aproximar-se de tal eleição. "HOJE até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan Tchavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabwiano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo. Zimbabwe que, no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente.

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Por exemplo, em Angola, quando por vezes, nas datas históricas, oiço e vejo pela TV indivíduos a mencionarem o que o 'colono nos fazia', sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mato de 'risada'; "porque o que o colono fazia… blá-blá-blá", dizem eles - hoje faz-se o pior. O colono, se fez, quase que o desculpo: é ou foi colono, é branco, não é meu irmão de raça, etc; agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura, faz o que viva e decididamente repudiávamos do colono – esta ultima acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma.
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Por isso, logo após as independências Africanas, e depois do êxodo dos brancos a abandonarem África, verificou-se um segundo êxodo: seguindo os outrora colonos, milhões de Africanos abandonaram a África, com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença, a maioria arriscando literalmente as suas vidas (o filme continua até aos nossos dias) - porque chegaram a conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político Africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP. Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Porquê?

angola1.jpg A JUSTIÇA EUROPEIA - Os Europeus, muitos deles depois de chacinados em África pelas revoltas africanas, de regresso aos respectivos países, embora destroçados de dor e amargura - receberam de braços abertos muitos dos antigos carrascos, dando-lhes um lar e emprego decente, e uma vida digna, que jamais tiveram nos países de origem; Paz e sossego duradouro.

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O contrário era possível? Ainda hoje, quase 41 anos depois do fim da colonização, para justificar a Pobreza e outros pesares que "estamos com ele", os dirigentes Angolanos (por exemplo) ainda se desculpam com a presença colonial Portuguesa em Angola - eles não são, nunca serão culpados, mas o colono (41 anos depois) SIM, estou seguro que, quando Angola festejar o 50º aniversário, os dirigentes Angolanos ainda estarão a rogar pragas ao colono Português.

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HOJE, em muitos países africanos, ouvimos falar de relatos arrepiantes de governação de 'preto-para-preto' : incompetência criminosa, bajulação estúpida como doutrina, ganância e egoísmo exacerbado (primeiro eu - sempre), mentira como regra, assassinatos indiscriminados, prisões em massa, inexistência de liberdade de expressão, aonde até gritar "estou com fome" é crime passível de perder avida.

angola ginga.jpg Kamulingue e Kassule são a prova viva do facto: vida miserável, falta de empregos, corrupção endémica, justiça injusta e totalmente parcial, cadeias (horrorosamente infernais) a abarrotar de jovens provenientes das classes desfavorecidas, hospitais que mais parecem hospícios, escolas que mais parecem pocilgas etc. etc.

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O paradoxo é, se HOJE em África usufruímos de um bocadinho de liberdade com sabor a vida, é precisamente graças aos Europeus; isto é, aos brancos, que desenvolveram uma nova ordem de conduta internacional e instituições internacionais que vigiam sobre o globo, incluindo, obviamente, África. As sanções internacionais e outras medidas de contenção pairam sobre os dirigentes Africanos; e então, estes por sua vez fingem praticar a democracia.

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Não porque eles gostem da democracia, mas porque temem o "deus branco e o seu braço punitivo". Porque se dependêssemos totalmente dos governos de "preto-para-preto" seguramente, na vasta maioria dos países Africanos, não seria possível viver.

n´guzo1.jpg O protótipo Africano da UE (União Europeia), a chamada UA (União Africana), é uma mentira descabida : é uma instituição falida, decrépita, débil e 'estaladiça' (como a bolacha 'chinesa' de água e sal), que ninguém leva a sério, houve até quem propusesse a designação - DUA : DesUnião Africana; uns poucos países africanos esforçam-se por dar credibilidade à UA e ao continente - por exemplo, quando teremos um Tribunal Internacional Africano? Se os tribunais da maioria dos Países membros é do "faz de conta", os Africanos instituíram também uma espécie risível de Parlamento Africano: que acções práticas esse tal PA já desenvolveu em beneficio dos Africanos?

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A UA é um club de "compadres", ditadores velhacos, egoístas que sonham com Paris, Londres, Estocolmo etc.; ao mesmo tempo que transformam os respectivos países em autênticos 'buracos negros'. As independências em África foram 'feitas' para algumas centenas de indivíduos africanos - em detrimento de centenas de milhões, cada vez mais miseráveis.

(Continua…)

As opções de T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:41
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016
MUJIMBO . CIII

DO M´PUTO - DO LIVRO PROIBIDO . V

kimbo 0.jpg As escolhas de Kimbolagoa

DE

saraiva1.jpg JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje. «O melhor do jornalismo é aquilo que não se pode escrever».

socras2.jpg (…) Sobre Sócrates No fim desse almoço em S. Bento, e em jeito de conclusão, digo a Sócrates que, como princípio, defendo a estabilidade do Governo e  que o Sol não será um jornal bota-abaixista. Ora, à saída, Sócrates perguntará discretamente ao Mário Ramires, do qual é amigo: «O que o Saraiva disse é mesmo o que ele pensa?» Ramires confirma: «Ele sempre afirmou isso.» Tentativa para fechar o Sol.

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Mas o Sol seria o primeiro jornal a dar um tiro no socratismo, ao publicar em Janeiro de 2009 as primeiras notícias sobre o caso Freeport. O país ficou em polvorosa. Nunca mais voltei a falar com Sócrates. Mas ele tentou fechar o Sol através de Armando Vara, quando este era administrador do BCP.

socras3.jpg Vale a pena contar esta história, porque constitui uma página negra da liberdade de imprensa em Portugal. O BCP - Banco Comercial Português foi accionista fundador do Sol, por opção inicial de Paulo Teixeira Pinto, seu presidente, depois assumida por todo o Conselho de Administração. Ora, quando no BCP estalou a guerra entre Teixeira Pinto e o ex-presidente Jardim Gonçalves, ambos procuraram arregimentar apoios.

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Teixeira Pinto pediu a João Rendeiro, líder do BPP - Banco Privado Português, que era accionista do BCP, apoio na luta contra o «adversário», solicitando-lhe ainda que desse uma palavra a Balsemão. Porquê Balsemão? Porque era amigo de Rendeiro e accionista do BPP. Ora Balsemão, convidado a apoiar Teixeira Pinto, aceitou a incumbência desde que o BCP saísse de accionista do Sol. E Teixeira Pinto cedeu, dando ordem de venda das acções do Sol que o banco detinha.

socras4.png Esta informação foi -nos fornecida por Paulo Azevedo, administrador do BCP no Sol (não confundir com o filho de Belmiro de Azevedo), o homem a quem Teixeira Pinto deu ordem para vender as acções do nosso jornal, num telefonema que apanhou Azevedo em viagem na China...

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Foi triste ver Balsemão, um defensor da liberdade de imprensa com quem sempre tive impecáveis relações de trabalho, envolvido numa tentativa de condicionar um jornal (ou mesmo fechá-lo) por razões mesquinhas. A verdade é que Balsemão nunca aceitou que as pessoas o «abandonassem».

socras5.jpg Ao sair do Expresso eu fiquei na sua «lista negra». E ele fez tudo para aniquilar o Sol. Quanto a Paulo Teixeira Pinto, também foi triste vê-lo entregar-nos às feras (no fundo, atraiçoar-nos), cedendo a essas pressões. Mas a história não acaba aqui. Um ano depois daquele episódio, o BCP - já administrado por Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, e sem Paulo Teixeira Pinto - tentou recuperar o controlo do Sol. E isso só não aconteceu porque se intrometeram accionistas angolanos.

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Conto esta história noutro local. Mas qual era objectivo do BCP ao tentar isso? Que sentido tinha querer voltar a dominar o Sol depois de ter decidido deixá-lo? O objectivo era simples: fechar o jornal, porque Sócrates o via já como um inimigo a abater. E Carlos Santos Ferreira e sobretudo Vara eram, neste caso, simples factótuns de Sócrates. Mais tarde, o próprio Presidente da República, Cavaco Silva, disse -me em Belém que também era esta a informação de que dispunha.

bruno13.jpg Acrescente-se que, pelo meio, tinha havido outro episódio rocambolesco: uma oferta de compra da maioria das acções do Sol por parte do Grupo Lena, impondo como condição que a direcção do jornal (composta por mim, José António Lima, Mário Ramires e Vítor Rainho) saísse. Esta proposta foi veiculada por Afonso Camões, jornalista muito próximo de José Sócrates. E antes disto, em pleno caso Freeport, um emissário de Sócrates (Luís Bernardo) contactara Mário Ramires para lhe dizer que os problemas financeiros que tínhamos seriam resolvidos se nós não publicássemos mais notícias sobre o tema.

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Fizemos uma reunião de emergência e não cedemos. Antes ainda de José Sócrates deixar o poder, quando se tornou patente o número de negócios duvidosos em que estava envolvido, chamei-lhe «o Vale e Azevedo da política». E vaticinei que, tal como o ex-presidente do Benfica, ele seria preso depois de deixar o cargo - Acertei em cheio!

Fim da Novela Sócrates

As Opções de T´Chingange – (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:26
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2016
MUJIMBO . CII

DO M´PUTO - DO LIVRO PROIBIDO. IV

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbolagoa

DE

saraiva1.jpgJOSÉ ANTÓNIO SARAIVA - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje. «O melhor do jornalismo é aquilo que não se pode escrever»

Sobre Sócrates

saraiva0.jpg Sócrates mostrouse muito naïf quando disse que num mestrado que fez (ou está a fazer) lhe explicaram como se cultivam relações - (…) Numa perspectiva exclusivamente interesseira e instrumental, claro. Mas, à parte eu fiquei com a ideia de que é um homem ainda imaturo, pareceume uma pessoa serena, cautelosa, não ansiosa - o que é importantíssimo num país que parece histérico e onde a tendência para a instabilidade é enorme.

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Mas Margarida Marante faz uma revelação: que tem um orientador espiritual, um padre do Opus Dei, que tem sido fundamental para a sua pacificação de espírito e para «deitar cá para fora o ódio». Mas anda a tentar equilibrarse depois dos solavancos (enormes) provocados pelo fim da relação com Rangel - na qual tinha apostado tudo e pela qual tinha posto tudo em causa: a família, o bemestar, a tranquilidade.

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Essa discussão acalorada sobre a Justiça entre Sócrates e Marante foi para mim inesperada, e já parecia vir de trás. Nem percebi bem o que discutiam. Parece que Sócrates já adivinhava que iria ver -se a contas com a Justiça, pois enervou -se sem razão aparente e começou a levantar a voz - tendo eu de lhe chamar a atenção pois já estava toda a sala a olhar para nós.

matias12.jpg A situação era ainda mais acabrunhante dado o facto de Marante e Sócrates serem pessoas muito conhecidas. É no entanto curiosa essa observação que faço sobre Sócrates no Diário, dizendo ser «um homem sereno e não ansioso». Porquê? Quando abandonávamos o restaurante, um aparelho de TV colocado perto da saída transmitia um telejornal onde se dava uma notícia pouco simpática para o então primeiro-ministro Santana Lopes.

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E Sócrates comentou: «Espero que o Sampaio tenha a lucidez e o bom senso suficientes para não ceder aos apelos para demitir o Governo e convocar eleições antecipadas.» E parecia sincero. Só que, um mês depois, no início de 2005, Sampaio demitirá mesmo Santana Lopes. E Sócrates, comentando publicamente o facto, afirmará que o Presidente da República não tinha outra alternativa senão demiti-lo. É assim a política... Diz -se o que convém no momento. No que se refere a Sócrates, esta afirmação não poderia ser mais verdadeira.

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Almoço com o Sol em S. Bento - Quando fundámos o Sol, em 2006, José Sócrates convidou toda a direcção para almoçar em S. Bento, na residência oficial do primeiro-ministro. Fui eu, o José António Lima, o Mário Ramires e o Vítor Rainho. A refeição teve lugar na sala grande do rés-do-chão, à direita da entrada, que antes era sala de espera (e depois voltará a ser).

matias9.jpg Sócrates chega acompanhado por vários colaboradores, entre os quais Luís Patrão e Luís Bernardo, um assessor de imprensa tido como maquiavélico. Sentam-se de um lado da mesa - e nós sentamo-nos do outro. Como sucede naqueles encontros entre delegações partidárias em que as partes se sentam frente a frente. A conversa assumirá contornos surrealistas.

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Há discordância de opiniões e os ânimos exaltam-se. Depois, Sócrates começa a desenvolver uma teoria sobre o condicionamento político dos meios de comunicação social. Diz que é estúpido os políticos quererem comprar ou influenciar os jornalistas ou os directores de jornais, pois é muito mais eficaz - além de ser muito mais fácil – condicionar os patrões dos grupos de média.

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Curiosamente, será esta a teoria que Sócrates aplicará no caso Face Oculta, tentando condicionar os grupos de média através dos accionistas. É caso para dizer: com a verdade me enganas... Nestas conversas (ou discussões) em privado, assim como nos almoços a sós, Sócrates era - como ficou dito - muito pouco brilhante a argumentar.

lagar2.jpg Parecia uma pessoa banal, com uma conversa banal. Ora, nas intervenções televisivas, era acutilante e eficaz, às vezes quase brilhante, mesmo quando não tinha a razão do seu lado. Perante as câmaras de televisão ou o público, Sócrates superava-se. Ou então, como alguém disse, tinha uma capacidade de memorização invulgar e preparava previamente essas intervenções, limitando-se no momento a debitar o discurso que tinha preparado. Não sei qual será a verdade.

(Continua…)

As opções de T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:04
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CXIII

TEMPOS PARA ESQUECER – 11.10.2016 - ANGOLA DA LUUA XXII. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA.

… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. A 10 de Julho de 1975 o tiroteio alastra aos bairros da lixeira, Cuca e Cazenga com metralhadoras pesadas…

Por             

soba10.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

luis20.jpg (…) Entre os brancos, o novo acordo de Nakuru era mesmo para meter no lixo! Havia um generalizado desinteresse; não depositavam fé nos Movimentos nem na promoção da paz no território angolano. As passagens para o Brasil e Lisboa estavam esgotadas. Os prazos de retirada estabelecidos no Acordo de Alvor eram antecipados; um acordo que só a parte portuguesa fez cumprir com as variantes conhecidas na ajuda ao MPLA com armas, homens, armamento e logística.

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Nas três primeiras semanas de Junho a FNLA e MPLA tinham aprisionado mais de duzentas pessoas, a maioria brancos, nalguns casos com seus familiares. Os edifícios públicos eram simplesmente ocupados pelos Movimentos; coisa sem lei nem roque! A cintura à volta de Luanda erguida pelo MPLA era uma realidade! E, tinha gente treinada na Metrópole propositadamente preparada para fazer parte deste MPLA; militares pagos pelo M´Puto e inteiramente destacados naquele Movimento como se dele fossem, com fardamento próprio do MPLA. Ainda ninguém trouxe isto às claras porque o sigilo estava por demais resguardado e, só alguns oficiais o sabiam.

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Nakuru era folha morta! “Numa situação de guerra em Angola, como e a quem se ia entregar a sua governação?”. – Era o próprio Silva Cardoso, Alto-Comissário, que se interrogava falando baixinho para que os demais ouvissem. Neto reclamava a saída deste! Ele queria que assim fosse e, isto era o bastante! A maioria dos oficiais portugueses andava a assobiar ao vento! Triste ironia desta nítida má-fé e, de quem ainda anda por aí recebendo benesses e até medalhas de bom comportamento.

luis33.jpg O golpe de misericórdia à FNLA foi dado a quatro de Julho de 1975 com a batalha de Luanda em que foram usadas de forma continua armas pesadas. A violência, a morte, o saque, a tortura física e a justiça privada foram os factores de realce nas áreas envolvidas nas confrontações. Foi neste então que o MPLA obteve a hegemonia absoluta na capital.

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Na manhã do dia Dez de Julho o tiroteio alastra aos bairros da lixeira, Cuca e Cazenga com metralhadoras pesadas, canhões sem recuo, morteiros de médio e longo alcance, granadas-foguetes LGF. O tiroteio alastra também para a Avenida Brasil e Bairros do Rangel, Marçal, Adriano Moreira e Vila Alice. A guerra chega ao asfalto! As FMM (Forças Conjuntas) receberam ordens para abater todo o civil encontrado com armas de guerra em sua posse.

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Havia atiradores furtivos situados em edifícios altos alvejando quem passava na estrada de Catete e outras vias urbanas consideradas estratégicas. Coisa absurda mas premeditada, foi a entrada em guerra dos profissionais de saúde do Hospital Maria Pia. O Hospital Militar estava absolutamente lotado. Confirmava-se o poderio crescente do MPLA com a surpreendente e generalizada fraqueza da FNLA.

chai1.jpg Foi além do mais com todo o poderio bélico uma conquista pela força da liamba; a grande maioria dos homens do MPLA, consumiam disto sem controlo! Eram todos Rambos no meio de tanta fumaça encorajadora. Tudo valia! Andava tudo ébrio com o espírito conturbado de doideira feita coragem. A população sentia um sentimento de insegurança, coisa nunca vista antes do “vinticinco” e, não eram só os brancos, não! Até porque a grande mortandade foi entre a etnia negra.

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O Ministro do Governo de Coligação José N´Dele disse apreensivo a Silva Cardoso que depois do MPLA forçar a saída do FNLA da Luua, não tinha duvidas que se lhe seguiria o seu Movimento; o da UNITA. A Dez e Onze de Julho de 1975 a intensidade de fogo aumentou, dizem ter sido maior que no desembarque de Nurembergue quando da segunda guerra mundial.

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As NF em Luanda recusavam-se a pôr termo aos combates dando livre curso às pretensões do MPLA. A FNLA denuncia em Paris que nos recontros recentes de Luanda tinha havido intervenção directa de alguns oficiais portugueses a favor do MPLA. A CND - Comissão Nacional de Descolonização, já não tinha quórum para reunir. Dois blindados do MPLA foram vistos na Quinta Avenida, perto do Cazenga. Nestes dias, a fase triunfalista do MPLA atingiu seu máximo na Base Aérea nº 9.

retornar10.jpg Naquela Base eram acolhidos os habitantes do Bairro Prenda enquanto o MPLA atacava a Delegação da FNLA que acabou por ser destruída. Havia uma nítida coordenação entre os populares desalojados e a actuaçâo dos militares. Os desatentos ou alheios caiam no fogo cruzado. Silva Cardoso, duas semanas após o acordo de Nakuru referia: - Que não evocassem o Alvor “para responsabilizar a parte portuguesa”. Bom! Também aqui e agora que são passados mais de 41 anos, dá para rir ou fazer muxoxo destas afirmações.

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É neste então, curiosa a atitude que o MPLA que, criando graves problemas, costurando e bordando do seu jeito, continuava a querer que fossem os portugueses a resolvê-los. Não dava para ter um pingo de credibilidade nesta gente de Túji! Enquanto isto no M´Puto, em Rio Maior é assaltada e destruída a sede local do PCP. Foi aqui que se deu o início da escalada anticomunista do “Verão Quente”.  Entretanto Otelo saraiva ia a Cuba tratar da nossa saúde: os brancos de Angola, pois claro! No regresso da sua viagem a Cuba declara: “Mário Soares é uma das esperanças da direita em Portugal (…) O CR não mostrou a eficácia que todos esperávamos.” Isto tinha água no bico!...

retornar9.jpg A 18 de Julho a Assembleia Extraordinária do MFA discute a proposta do CR de estabelecimento de um Directório (Triunvirato) constituído por Costa Gomes, Vasco Gonçalves e Otelo Saraiva de Carvalho, encarregado de “definir uma orientação política e ao qual seriam dados amplos poderes, mantendo-se o CR, do qual aqueles também faziam parte, para decidir os assuntos de maior responsabilidade”. Ainda bem que tudo isto, só ficou no papel!

 (Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Sábado, 8 de Outubro de 2016
MALAMBAS . CXLIII

CINZAS DO TEMPO08.10.2016 - Faz falta aceitar que para além do mais temos instintos - O tempo é uma grave doença. «O tempo escapa-se entre os dedos! dis-se...» O eterno conflito não é um teste imposto por Deus, mas por nós...

MALAMBA: É a palavra

Por

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

relog0.jpg Para manter algum interesse em estórias humanas, os escritos de ficção têm de supor que um dia se irá descobrir como viajar mais rápido do que a luz. Cada um de nós tem sua própria medida de tempo e quase ninguém fica contente com o tempo que lhe coube acrescentando-o ou cortando-o aos pedaços como se fosse um pudim; divide e subdivide-o em cada dia segundo seus planos de vida.

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Segundo a relatividade, nada pode viajar mais rápido do que a luz. Se enviarmos uma espaço-nave à nossa estrela mais próxima, Alfa Centauri, que está a quatro anos-luz de distância, esperaríamos pelo menos oito anos até que os viajantes voltassem e nos contassem o que por lá encontraram.

regua.jpg Mas, aqui na terra o segundo continua a ser mais pequeno que o minuto e este mais pequeno que a hora. Se uma vida é engolida em um século, como vamos então fazer as contas com anos-luz e barafustar com o Nosso Senhor porque não nos deu o tempo certo! Porque reclamamos nós de que o tempo não nos chegou para fazer isto ou aquilo. A todo o momento olhamos a pequena máquina achatada em nosso pulso e redonda onde podemos ler o tempo, reclamando que tal tempo já se passou.

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Muito cedo, o homem fica escravo dessa coisa do tempo e, é ele mesmo que se prende às peles de coiro ou pulseira doirada do relógio. Que são os avanços da tecnologia diz-se! Por todo lado se vêm suspensas máquinas dessas com um dedo grande e outro pequeno para nos lembrar que essa coisa anda e, todos correm; só tenho onze minutos e edecéteras de se calhar, atrasou.

relogio areia.jpg Mas, naquele dia de Setembro estando eu em Toledo e na Igreja-Mosteiro de São João de los Reis católicos em pleno bairro Judio, parei o tempo para ler o que Santo António de Lisboa e Pádua escreveu lá para trás: “O grande perigo do cristão é predicar e não praticar; crer, mas não viver de acordo com o que se crê. Um cristão fiel, iluminado pelos raios da graça, é igual a um cristal; deverá iluminar aos demais com suas palavras e acções, com a luz de seu bom exemplo.”

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Lá em cima nesse momento exacto a máquina do tempo solta um som metálico de bronze dando as doze badaladas do meio-dia. Um espírito bate num ferro que há lá dentro, fazendo-o ressoar o tempo. Noutro tempo as pessoas ajoelhar-se-iam; benzendo-se rezariam uma Ave-maria dando graças de agradecimento.

relogio sem.jpg Mas alguém disse e eu ouvi! “Mais uma hora, bolas! Necessito de tempo para ver o museu Sefardi e o de El Greco…” E, havia um ar quase triste, como alguém condenado a uma tragédia mas, logo a seguir, principia uma nova hora! Foi quando me detive a pensar nesta grave doença do tempo. «O tempo escapa-se entre os dedos!» - «Escapa-se como um cavalo». «Dá-me um pouco mais de tempo». Estes, são os queixumes de todos nós. Estava na hora de almoçar.

O Soba T´Chingange (Otchingandji)

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:24
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2016
MUJIMBO . CI

DO M´PUTO - DO LIVRO PROIBIDO . III

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kimbolagoa

DE

saraiva1.jpg JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje. «O melhor do jornalismo é aquilo que não se pode escrever»

Sobre Sócrates - Mais um episódio esquisito

soba k.jpg (…) Nas vésperas de Sócrates assumir a liderança do PS, em Setembro de 2004, Margarida Marante liga-me a dizer que ele acha que há da parte do Expresso (e de mim próprio) alguma animosidade em relação à sua pessoa e sugere um almoço entre nós. Porquê este contacto de Margarida Marante? Porque, quando fora directora da Elle, M. M. trabalhara com a jornalista Fernanda Câncio, tornando -se sua amiga. Entretanto, Marante casara com Emídio Rangel e Câncio começara a namorar com Sócrates.

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Os dois casais passaram então a encontrar -se com alguma frequência. M. M. e Rangel tinham alugado uma vivenda na Biscaia, para os lados do Guincho, e Sócrates e Câncio eram visitas lá de casa. A vivenda tinha uma localização esplêndida perto do mar e fora alugada à ex-actriz Manuela Marle, que lhe dera o nome de Casa Boulangerie. A decoração fora encomendada por Marante a Graça Viterbo. Ora, dado encontrarem -se frequentemente, Marante passou a funcionar - julgo que por amizade - um pouco como «assessora de comunicação» de José Sócrates.

socie3.jpg Faço um parêntesis para falar de Fernanda Câncio. Conheci-a no Expresso, onde começou a trabalhar como estagiária antes de se mudar para a Elle. Nessa altura, namorava com Abílio Leitão, que também trabalhava no Expresso como copy desk e vivia em casa de um colega, onde Fernanda Câncio ficava também muitas vezes a dormir.

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Sucede que Abílio tinha um fetiche pela fotografia (aliás, viria a ser fotógrafo free-lancer) e dedicava -se a tirar fotografias das relações com a namorada. E não tinha o cuidado de esconder as fotos, deixando -as a revelar em cima dos móveis. Um dia, a empregada que ia fazer a limpeza foi entregar ao dono da casa um maço de fotografias que tinha apanhado e que considerava impróprio estar espalhadas pelo quarto. Devo esclarecer que nunca vi essas fotos, mas o episódio que acabo de relatar é autêntico, dada a fonte que mo confidenciou.

Avillez2.jpg Voltando ao almoço com José Sócrates e Margarida Marante, este realizou-se no Vela Latina, em Belém, na segunda-feira seguinte (25 de Setembro de 2004) ao fim-de semana em que Sócrates foi eleito líder do PS. Era, pois, o seu primeiro dia na liderança do partido. Estranhei a sua disponibilidade, pois o primeiro dia de um líder é normalmente muito atarefado.

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Ele e M. M. entraram juntos no restaurante, eu já lá estava, instalámo-nos à mesa, ela levantou-se de seguida para ir ao WC e Sócrates, aproveitando estar sozinho comigo, diz-me o seguinte: «A Margarida Marante insistiu neste almoço, mas eu devo dizerlhe que não tenho qualquer problema com o Expresso, antes pelo contrário. Sempre me senti bem tratado...» Fico estupefacto!

avillez00.jpg Então a Margarida tinha inventado tudo? Não era possível. Até porque - como resulta do que foi dito - ela sabia muito bem nessa época o que Sócrates pensava. E, sendo uma mulher perspicaz, com muita experiência na área da política, não se equivocaria com facilidade. Não era plausível que tivesse interpretado mal os seus sentimentos. Concluí, pois, que Sócrates estava mais uma vez a representar uma farsa.

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Não havendo necessidade de esclarecer nada, o almoço decorreu de forma cordial. A dada altura, porém, Sócrates sugeriu que jantássemos brevemente, pois ao jantar havia mais tempo e mais disponibilidade para conversar com tranquilidade, sem a pressão do tempo.

carn1.jpg Esse jantar teve lugar poucas semanas depois na Bica do Sapato, restaurante da moda na zona oriental de Lisboa, para os lados de Santa Apolónia, junto à discoteca Lux. Os comensais foram os mesmos: eu, Sócrates e Margarida Marante. Colocaram -nos numa mesa muito exposta, mesmo no meio da sala. Descrevi assim esse encontro no meu Diário: 9 de Novembro de 2004, Jantar com José Sócrates na Bica do Sapato, por «intermediação» de Margarida Marante. Foi uma refeição algo desconcertante.

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Começou com um happening: quando estávamos a falar sobre o Diário de Notícias e os episódios relacionados com a demissão da direcção e a nomeação de uma nova (eu elogiava o novo director), surge no restaurante essa nova direcção do DN: Miguel Coutinho, Raul Vaz e Pedro Rolo Duarte. No jantar, Sócrates e Marante «pegaramse», numa discussão sobre a Justiça. E Sócrates mostrouse muito naïf quando disse que num mestrado que fez (ou está a fazer) lhe explicaram como se cultivam relações.

(Continua…)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:56
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Terça-feira, 4 de Outubro de 2016
MALAMBAS . CXLII

CINZAS DO TEMPO04.10.2016 - Faz falta aceitar que para além do mais temos instintos - O eterno conflito não é um teste imposto por Deus, mas por nós...
MALAMBA: É a palavra.
Por

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

araujo 25.jpg Domingo fui à praia e, olhando o mar e céu juntinhos no horizonte lembrei-me da singularidade no início do Universo junto com a singularidade do fim deste: O Big Bang e o Big Crunh. Logo neste Domingo, um dia de Outubro encalorado. Com as fontes a zunir pela tensão alterada, viajando-me no tempo, ficcionava a possibilidade de conduzir-me sem o querer dos universos paralelos; Assim como num buraco de minhoca, como dizem os físicos para definir um tubo fino que liga regiões distantes no chamado espaço-tempo.

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Por vezes vejo-me assim só, indefinido num evento especificado por seu momento; nesta confusa singularidade desse tal ponto em que a sua curvatura se forma infinita e, fico num lusco sem fusco e numa região da qual nada, nem a luz pode escapar porque, a gravidade é forte demais nesse tal de buraco negro. Não é fácil entender a mente que voa sem fronteiras e, é talvez a única tarefa que restará à filosofia para análise desta linguagem.

amiz3.jpg A maioria dos cientistas até o momento, andam ocupados na elaboração de novas teorias a fim de descrever o que é o Universo para poder perguntar do por quê? Os filósofos, a este por quê ainda não foram capazes de acompanhar o avanço das muitas teorias científicas. Qualquer linguagem terá de sempre ser comedida, de obedecer a uma lógica baseada em factos demonstráveis. E, nem sempre o é deste jeito! 

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O escritor criativo por exemplo, o compositor ou o artista visual, comunica através de abstracções ou distorções deliberadas; as suas próprias percepções e sentimentos que esperam conseguir evocar. O valor de seu trabalho é julgado pelo poder e a beleza de suas inventações, suas metáforas. Cabe aqui recordar Picasso que disse, ou se pensa ter dito: a arte é a mentira que nos mostra a verdade.

amigo da onça.jpg Efectivamente nós humanos, somos uma espécie cuja curiosidade é insaciável pelo que nos cerca, por nós mesmos e de quem nos cerca ou gostaríamos de conhecer. O tema da bisbilhotice, das biografias, dos romances ou novelas, do culto à celeridade, das guerras e suas histórias ou o desporto da cultura moderna. Numa crescente onda de informação, as especificidades ocorrem a um ritmo quase semelhante ao da multiplicação de bactérias.

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Por seu lado as artes criativas continuarão a florescer com brilhantes expressões da imaginação humana, umas reais, outras psicadélicas, acrílicas, ou digitais. Esta criatividade humana é gerada pelo inevitável conflito entre os vários níveis de selecção natural. Tudo isto para dizer que o conflito é necessário, seja a nível individual ou colectivo.

arau44.jpg Possivelmente, o conflito é a única maneira através do qual e, em todo o mundo, a inteligência de nível humano e sua organização social, podem evoluir. Temos de conviver com este tumulto que nos é legado ou inato, a principal fonte de nossa criatividade. O eterno conflito não é um teste imposto por Deus, mas por nós.

Duas ilustrações de Cossta Araujo

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:44
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2016
MUJIMBO . C

DO M´PUTO - DO LIVRO PROIBIDO . II

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbolagoa

DE

saraiva1.jpgJOSÉ ANTÓNIO SARAIVA - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje. «O melhor do jornalismo é aquilo que não se pode escrever»

Sobre Sócrates

saraiva0.jpg  Rasgados elogios a Guterres

- Depois de sair do Governo, na sequência da demissão de Guterres (em Abril de 2002), Sócrates fixa -se num tema do qual fala constantemente: a ingratidão do povo para com os políticos. Diz que todos os políticos saem mal do poder - e isso revolta-o. Para provar a sua tese, dá o exemplo de Guterres - que ele considera a pessoa mais inteligente que conheceu na sua vida - mas também o de Cavaco. Transcrevo do meu Diário: 25 de Novembro de 2003

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Almoço com José Sócrates no Pabe. Acheio muito distante, parado. Formal. Fala da vida política com grande desprendimento e desilusão. «Afinal lutamos por quê?», pergunta. «Para conquistar o Poder? E depois o fim é sempre o mesmo, saímos do poder vilipendiados. Foi o que aconteceu com o Guterres. E com o Cavaco, também. E vai acontecer com o Durão Barroso.» Como conclusão, diz que está numa fase contemplativa. Defende Guterres, explicando que ele não se defende dos ataques que tem sofrido porque acha que não vale a pena.

step6.jpg Que as pessoas não percebem. Faz críticas a Carrilho. Conta a propósito uma história engraçada: no casamento do filho de Ferro Rodrigues (com a filha de Dias Loureiro), ele, Sócrates, ficou na mesa com Carrilho e com o genro de José María Aznar. Este era grande admirador de Guterres, fazialhe grandes elogios. Então Sócrates disse que estava ali na mesa um socialista grande apoiante de Guterres e apontou para Carrilho.

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O genro de Aznar exultou, aumentou os elogios a Guterres - toda a gente começou a rir... O genro de Aznar não percebia – até que lhe explicaram que Carrilho, embora socialista, não era apoiante mas sim crítico de Guterres. O genro de Aznar estranhou, dada a sua admiração pelo exprimeiroministro. Bárbara Guimarães, mulher de Carrilho, deitou água na fervura.

amilcar4.jpg Quando cheguei ao Expresso (depois do almoço no Pabe) soube uma história que me deixou estupefacto: Sócrates tinha dito a Madrinha e a Mário Ramires que ia almoçar comigo e me ia perguntar porque o considerava homossexual. E explicou que Margarida Marante lhe tinha contado que, em conversa com ela, eu sugerira (ou afirmara) que ele era homossexual. Não me lembro dos pormenores da conversa com Margarida Marante, mas ela ir contála ao Sócrates...!

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«Vou abandonar a política» Neste mesmo almoço convido José Sócrates para colaborar no Expresso com uma coluna semanal. O convite é feito já à saída, à porta do Pabe, onde ficamos uns largos minutos a conversar. O Pabe beneficia da característica simpática de ter em frente da porta um passeio largo e abrigado pelas copas das árvores, proporcionando uma continuação (no exterior) da conversa tida à mesa.

apocri4.jpg Mas Sócrates recusa o convite, justificando que, tendo decidido abandonar a política e ir para Londres fazer uma pós-graduação, «escrever uma crónica semanal seria de certo modo continuar a fazer política por outros meios, e eu não quero isso. Quero mesmo deixar a política e fazer um percurso universitário». Não insisto mais, tal a determinação que ele mostra. Posteriormente contarei esta conversa à jornalista que acompanha o PS, a Cristina Figueiredo, sugerindo -lhe que noticiemos na edição seguinte que Sócrates vai abandonar a política. Mas, à medida que falo, a expressão da jornalista vai -se alterando.

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Passa da incredulidade à estupefacção e acaba por dizer -me: «Abandonar a política? Mas, director, ele anda a fazer contactos para ser líder do PS...» «Não pode ser!», contesto. «Ele acaba de mo dizer cara  a cara, e não estava a fazer teatro. Recusou mesmo um convite para colaborar no Expresso porque vai para fora e quer seguir uma carreira universitária.» A jornalista, porém, mantém-se firme e mostra absoluta segurança nas informações de que dispõe.

ladr0.jpg Eu é que começo a sentir-me maluquinho: ouvi de um ex-governante a afirmação categórica de que vai deixar imediatamente a política - e ouço agora da boca de uma jornalista em quem confio que ele está a preparar o terreno para ser líder do partido!... Na época, eu conhecia mal Sócrates. Se o conhecesse melhor, saberia que nele não há qualquer distinção entre a verdade e a mentira. Diz em cada momento, com o maior à-vontade, aquilo que lhe convém dizer.

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O facto é que, poucos meses depois - em Julho de 2004 -, Ferro Rodrigues demitir-se-á da liderança do Partido Socialista e Sócrates candidatar-se-á ao cargo, vindo a ser eleito secretário-geral. Devo acrescentar que pela primeira vez senti o que era uma pessoa mentir com total frieza, sem necessidade nenhuma de o fazer. E mentir numa conversa privada com outra pessoa, com o ar de quem faz uma confidência, falando com o coração nas mãos. Nunca ninguém me mentira de forma tão descarada, desavergonhada, mesmo.

(Continua…)

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:32
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Sexta-feira, 30 de Setembro de 2016
MUJIMBO . XCIX

DO M´PUTO - DO LIVRO PROIBIDO . I

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbolagoa

DE

saraiva1.jpg JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje.

Sobre Sócrates (Pág161)

an2.jpeg «O melhor do jornalismo é aquilo que não se pode escrever», disse-me a jornalista Ângela Silva quando lhe confidenciei que estava a escrever este livro. Por que o terá dito? Porque os jornalistas ouvem muita coisa, vêem muita coisa, falam com muita gente, mas não podem escrever tudo o que vêem e ouvem. Mesmo quando tal não lhes é explicitamente pedido, há regras a cumprir e afirmações que se subentende não se destinarem a publicação.

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E quando um jornalista não cumpre as regras, perde a confiança daqueles com quem se relaciona. Ao longo de mais de 40 anos como comentador e jornalista - 23 dos quais como director do Expresso e nove como director do Sol -, conheci pessoalmente quase todos os políticos de primeira linha, com uma excepção: Francisco Sá Carneiro. De resto, mantive conversas privadas com todos os Presidentes da República eleitos desde o 25 de Abril e com todos os primeiros-ministros dos Governos constitucionais, exceptuando António Costa (que só conheci em criança).

ame11.jpg Com quase todos almocei ou jantei, sabendo-se que as conversas se soltam à mesa, onde as pessoas são mais abertas. Entrevistei muitos deles várias vezes, para a televisão ou para a imprensa. Com alguns mantive longas conversas e frequentes contactos telefónicos. Mas nestas relações nunca confundi os planos. Mesmo quando me faziam confidências de natureza pessoal, eles sabiam que estavam a falar com um jornalista. Um jornalista em quem depositavam confiança, mas um jornalista. E essa distinção é importante, pois é ela que permite um livro deste tipo - que seria impensável se as relações tivessem passado do plano profissional para o plano, necessariamente mais íntimo, da amizade.

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 A única pessoa que me fez confidências a este título terá sido Margarida Marante, e isso está claramente referido no texto respectivo. No momento em que deixo profissionalmente o jornalismo - embora não a colaboração na imprensa - sinto ser o momento de divulgar aquilo que não pude (ou não quis) escrever até hoje. Inconfidências que me foram feitas e que entendi não dever revelar na altura, algumas com mais de 20 anos.

saraiva4.jpg Assim, quase todo o material deste livro é inédito, excepção feita a um ou outro episódio solto publicado nos livros Confissões de um Director de Jornal e Confissões. Para reconstituir as conversas e os episódios aqui descritos recorri à memória mas também às páginas de um diário que escrevi em certos períodos da vida. Nestes casos, o texto é impresso em itálico. Há quem procure ver neste tipo de livros memorialistas oportunidades para vinganças ou ajustes de contas.

saraiva2.jpg Pelo meu lado, nunca o fiz, não o faço e não o farei. O objectivo deste livro é deixar contribuições para a História - e, se não o fizesse com verdade, mais tarde ou mais cedo assaltar-me-iam os remorsos. A vingança, como o crime, nunca compensa. O leitor pode, pois, confiar naquilo que vai ler. Se houver incorrecções ou inexactidões, foram absolutamente involuntárias: foi a memória que me atraiçoou. Mas mesmo isso, a acontecer, será raro e pouco relevante.

J. A. S. - Junho de 2016

saraiva3.jpg José Sócrates

José Sócrates em privado é uma pessoa muitíssimo diferente - e bastante menos brilhante - do que aparenta ser em público. Direi mesmo que é um homem banal. A diferença entre uma pessoa e «outra» chega a ser estranha. Não tem grandes ideias e fala às vezes de temas a despropósito. Em 2001, quando era ministro do Ambiente, convidou-me para um almoço no restaurante italiano Il Gattopardo, no Hotel D. Pedro, nas Amoreiras, que estava muito na moda e que ele frequentava.

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Falámos de vários temas, e ele deu-me um lamiré que se confirmará: a escolha pelo Governo socialista de Emídio Rangel (que tinha deixado a SIC) para director-geral da RTP. Comento essa escolha - manifestando surpresa e mesmo alguma estranheza - mas não me alargo nas observações até porque sei que Sócrates e a namorada, Fernanda Câncio, se dão com Emídio Rangel e Margarida Marante.

sergio4.jpeg Pois bem, Marante dir-me-á uns dias depois referindo esse almoço: «Tu passaste a refeição inteira a dizer mal do Emídio!» Fico estupefacto. Primeiro, porque não era verdade; segundo, porque só estavam duas pessoas à mesa. Pergunto-lhe quem lho disse e ela confirma que foi Sócrates. Sabendo que eu e Marante éramos amigos, foi fazer aquela intriga para meter veneno entre nós - e, claro, entre mim e Rangel. Era este o estilo de Sócrates.

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No fim deste almoço no D. Pedro, Sócrates dá-me boleia para o Expresso no carro do Ministério. Mas não mostra qualquer pressa. Com o carro parado, fica imenso tempo a queixar-se, com o motorista a assistir, da perseguição que o José Manuel Fernandes lhe move no Público. Parece de cabeça perdida. Penso para comigo: «Mas faz sentido um ministro incomodarse tanto com coisas destas? Que importância tem isso?» Ele achava que o J. M. F. estava obcecado com ele - mas o certo é que ele também estava obcecado com o J. M. F.

(Continua…)

As Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:28
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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2016
MALAMBAS . CXL

CINZAS DO TEMPO 26.09.2016 - Não há maior religião do que a verdade! Somos o que somos enquanto o somos!

MALAMBA: É a palavra.
Por

soba15.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

ki2.jpg Por enquanto só temos este planeta Terra para habitar e, é neste passo que temos de seguir nossa viagem com o sentido de desvendar o quanto baste para nos entendermos; entender a condição humana! E, precisamos de uma definição de história bem mais ampla do que aquela que convencionalmente é usada; uma busca de ciência e humanidade comuns por uma resposta ao grande enigma que é a nossa existência e, que esteja mais solidamente fundamentada do que o que dissemos ontem, anteontem e há vinte anos atrás.

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Sabemos pelos biólogos que a nossa origem biológica e nossos comportamentos sociais humanos são semelhantes ao que ocorreu noutras espécies do reino animal. Chegamos assim à chamada eussocialidade, o mais alto grau de organização social dos animais presentes nas sociedades mais complexas como a nossa.

ant3.jpg Nestas linhas evolutivas, teremos de recordar que na visão quântica, isto surge com uma singularidade ou seja no ponto em que a curvatura do espaço-tempo se tornou infinita. Como exemplo, podem ser citados as formigas, abelhas, cupins e rato-toupeira-pelado, um roedor africano. 

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Esta eussocialidade requer três características: uma sobreposição de gerações em um mesmo ninho (matriz), o cuidado cooperativo com a prole, e uma divisão de tarefas com reprodutores e operários. Ainda não nos foi devidamente explicado por que razão se tem esta natureza especial e, não qualquer outra de entre um vasto leque de naturezas possíveis.

matias j1.jpg Neste sentido, a humanidade não alcançou, e jamais alcançará uma compreensão total do sentido da existência da nossa espécie, porque a condição humana é um produto da história. Não apenas dos seis milénios de civilização mas muito mais do que isso com dígitos de centenas de milénios antes! Jesus Cristo na escala do Universo passou por nós ontem! Entre o ontem e hoje vão bem mais de dois mil anos.

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A nossa evolução tanto cultural como biológica tem de ser explorada sem se dissociarem. Nós produzimos cultura ao longo de muitos séculos tal como a abelha produz mel. As pessoas preferem interpretar a história como o desenrolar de um desígnio sobrenatural, a cujo autor devemos obediência. Esta reconfortante interpretação foi-se tornando menos sustentável à medida que o conhecimento do mundo real foi aumentando; assim continua.

garças9.jpg Nas explicações tradicionais, as histórias religiosas da criação, têm sido combinadas com as humanidades para atribuir sustentabilidade à existência da nossa espécie. A nossa existência está entre o lusco e o fusco mas, necessitamos de uma resposta plausível a este enigma que esteja melhor fundamentada. Sabe-se que as primeiras térmitas pareceram entre 200 a 150 milhões de anos atrás. Quanto a nós, seres humanos ao nível do Homo, só surgimos muito recentemente.

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:07
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CX

TEMPOS PARA ESQUECER 13.09.2016 - ANGOLA DA LUUA XX. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILANesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. “Vai para a tua terra, branco” era o slogan mais metralhado por palavras acintosamente venenosas…

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t´chingange 0.jpg T´Chingange

moka9.jpg (…) Veríssimo Sabino da UNITA, um comandante responsável, disse que o MPLA incitava a população, mulheres e crianças para avançar sobre a base da FNLA situada no Bairro Operário mas, isto já era conhecido por todos. Em Março de 1975 já havia misseis SAN 3 em poder do MPLA. Pergunta-se! Seriam usados contra quem? Decerto não o eram para construir a paz! O Postoyna, um vapor, descarregava numa praia bem perto de Luanda grande quantidade de material de guerra e viaturas com autometralhadoras tipo Panhard.

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Isto foi no dia 29 de Abril e para o efeito ocorreu mais um intenso tiroteio no subúrbio de Luanda para distrair as forças FMM para ali. Só neste entretém e, porque accionaram morteiros, houve 25 mortos e 110 feridos. As autoridades portuguesas perguntavam-se pela tal quarta força (dos brancos) e nada se constava. Andavam todos perplexos olhando um medo sem contornos definidos e mesmo sem nada fazer, pretendia-se que o fossem, culpados! Uma pura ficção com eventos borbulhando só na cabeça de obstinados árbitros; os revolucionários do vinte-e-cinco e do MPLA.

moka6.jpg No M´Puto, o PCP promove assembleias de bairro em Lisboa juntando a Câmara Municipal, as juntas de freguesias, as comissões de moradores, as comissões de trabalhadores, cooperativas, colectividades e grupos de cristãos para o socialismo. O espirito é unitário, apelo muito usado e, reúne "todas as forças verdadeiramente interessadas no avanço do processo revolucionário." O Primeiro-Ministro desloca-se até ao Sabugo para falar à população e lançar cravos vermelhos, como é habitual.

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A seguir ao 11 de Março, Mário Murteira tomou conta do Banco de Portugal, orientou o processo da nacionalização da banca, comandou toda a economia. Mário Murteira colado ao PCP desempenharia um lugar proeminente na Revolução. Mário Soares sabia e tinha toda a razão quando disse a Silva Lopes ministro das Finanças quando indigita Murteira: "Acabou de meter no Banco de Portugal o Partido Comunista". As coisa corriam ao descaso e Silva Lopes respondeu-lhe: "Você está a brincar”! Em verdade, todos estavam! …

moka7.jpg Creio que por estes dias da Luua, Lúcio Lara foi dos homens mais activos na contra informação. O MPLA tinha cada vez maior sofisticação nas formas de actuar. O sequestro de brancos para Praça de Touros de Luanda era levado a efeito pelo MPLA às claras. Ali, eram severamente espancados, seviciados, enfim, sujeitos aos mais inauditos vexames durante dias. Obrigam-nos a repetir vezes sem conta: “ O povo é o MPLA e o MPLA é o povo”. Com as NF – Nossas Forças, não se podia contar. Merda de tropa!

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E, a desmotivação entre estas, já era tão grande que ninguém podia contar com eles. Só estavam preocupadas em chegar ao 11 de Novembro sem se meter, sem dar tiros! Já em Maio, a população branca só esperava meios de evacuação porque nada mais lhes restava. Já havia um número elevado de locais com gente deslocada, que desesperava. As balas tracejantes continuavam a riscar os céus de Luanda. Era o 1º de Maio. Quem andou na guerra, não se recorda de ter visto assim tanto fogo. Os brancos tinham percebido por fim que estavam por sua conta e risco. Não havia a quem recorrer e, nada de tribunais.

moka8.jpg Entre 29 de Abril e 2 de Maio os luandenses viveram debaixo de fogo cerrado e de grande intensidade, armas ligeiras, armas pesadas, lança foguetes e morteiros com acções de fogo posto e pilhagem. Houve muitas prisões feitas de forma indiscriminada! Havia refugiados no Liceu Feminino D. Guiomar de Lencastre com sessenta desalojados. Na Faculdade de Ciências na Avenida Marginal com cento e cinquenta e mais outros trezentos na sede da juventude da UNITA na rua Luís de Camões.

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Esta gente tinha saído por expulsão dos Bairros da Vila Alice, Cuca, Vidrul, Terra Nova, Cazenga, Marçal, Bairro Marcelo Caetano, Lixeira e Boavista. Gente do povo, brancos, mestiços e negros a carecer de meios de subsistência, sem conta bancária grande ou pequena; só a roupa do corpo.

moka10.jpg Silva Cardoso o Alto-Comissário depois do Acordo de Alvor, era constantemente atacado pelo MPLA em comunicados via rádio e panfletos por não ser suficientemente revolucionário. Afirmavam que já não servia à revolução Angolana. Em dado momento, Silva Cardoso perante a constante insistência do MPLA de que teria de ser substituído, sugeriu à Direcção do mesmo movimento que classificassem o seu sentido de revolução ao referirem claramente que os brancos não eram queridos em Angola; isto para que assim, Lisboa evacuasse essa etnia alvo de “um ataque sistemático” por eles. Era só um jogo de palavras para fazer actuar o CR do MFA de Lisboa…

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Neto respondeu enfadado ao Alto-Comissário que para o preto, o branco era sinonimo de colonialista. Neto já se sentia com força para retorquir sem evasivas, prepotentemente sarcástico fustigava a pouca astucia duns e a burrice de muitos dos governantes portugueses. Almendra, o Comandante do COPLAD – Comando Operacional de Luanda, confirmava que alguns polícias brancos tinham sido presos em suas casas e levados pelo MPLA para a “tourada”, lugar prisão sob sua gestão.

moka11.jpg No M´Puto os partidos à direita do PS encaram o futuro com alguma contenção. Por aqueles dias, chegava a vez dos social-democratas assistirem ao boicote de um comício do PPD em Almada. Depois dos oradores discursarem há muita gente a impedir a saída dos social-democratas do recinto. O COPCOM é chamado a por ordem na confusão. Reina agora na nação uma incessante excitação. Mas isto, era lá a mais de 8000 quilómetros da Luua.

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Por Silva Cardoso se insurgir em comunicados contra os desmandos e incentivos de rebelião por parte do MPLA, Lopo do nascimento em Maio, exige a expulsão imediata do Alto-Comissário em carta dirigida ao Concelho da Revolução. No final deste mês de Maio já havia cerca de 25.000 desalojados em Luanda e 50.000 pedidos de passagem para Portugal. “Vai para a tua terra, branco” era o slogan mais metralhado por palavras acintosamente venenosas ensinadas no poder popular dos comités de bairro do MPLA.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:18
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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CIX

TEMPOS PARA ESQUECER08.09.2016 - ANGOLA DA LUUA XIX. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo.  Enquanto isto no cais de Luanda saíam camiões cheios de material bélico para o MPLA …

Por

soba0.jpgT´Chingange

dia91.jpg (…) Em Luanda havia mortos e feridos sem gente capaz de os tratar nos dispensários de saúde aliada à falta de medicamentos, gaze, algodão e utensílios, Muitos dos instrumentos foram capiangados por auxiliares para serem usados nos comités de bairro do poder popular; ao invés de se pôr cobro a isto tudo se agravou de forma exponencial! Era o caos na saúde! Não muito tempo depois do Acordo de Alvor e tendo Silva Cardoso como Alto-comissário a CCPA pedia a Lisboa mais poderes por modo a impor a sua estratégia.

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Silva Cardoso achava estar muito limitado e as práticas eram completamente fora do espírito do MFA por haver manobras de compadrio com o MPLA por parte de alguns oficiais desrespeitadores ao que estava estabelecido. Requeria-se haver mexidas nestes comandos mas de Lisboa nada de novo; Havia oficiais empenhados em instalar o que diziam ser “ a esquerda progressista” abandonando a política da “era Spinolista” e, tudo faziam sem serem sequer admoestados.

KAFUFUTILA0.jpg Podia por aqui, ler-se que Portugal com o seu MFA seguia uma “contradição básica” em reconhecer os três movimentos mas na prática ajudar só o MPLA. E, insistiam despudoradamente numa “quarta força” como era designada a ameaça branca, sabendo de antemão que esta não existia!

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Lisboa dizia à CCPA que deveria ajudar o MPLA e sempre lembrava não se remeterem a uma atitude passiva desprezando assim e dando força a práticas arbitrárias contrárias ao que o Alto-comissário queria impor. O Acordo de Alvor estava a ser minado pelo próprio CR órgão orientador do MFA e Silva Cardoso viu-se no meio duma contenda sem saber bem como agir. Não estava senhor de todos os dados; achava que estava a ser traído mas as provas disso eram sempre contaminadas.

africa5.jpg Em face disto Silva Cardoso fazia bluff dizendo amiudadamente ter de requerer intervenção a forças internacionais da ONU. Duma forma armadilhada e para eliminar definitivamente a FNLA, o MFA fazia secretamente acções concertadas por forma a assediar Savimbi para uma linha mais destacada mantendo-o como o fiel da balança na disputa FNLA versos MPLA. Mas, isto era só uma estratégia, uma manobra de diversão e, nada mais do que isso; não obstante, a maioria dos dirigentes da UNITA eram contrários a uma aproximação a Neto.

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Reina agora na Metrópole do M´Puto uma incessante excitação. Dia sim, dia não está para rebentar um golpe militar. Era o tempo da conspiração; está-se sempre à espera de onde virá a próxima trama secreta. O COPCOM dispõe de novas indicações, está em preparação um movimento hostil spinolista. Ao cabo de horas o oficial moderado Vítor Alves é substituído no Governo, nas pastas da Defesa e da Comunicação Social por dois oficiais ligados a Vasco Gonçalves, Silvano Ribeiro e Correia Jesuíno.

africa0.jpg Melo Antunes, Silva Lopes, Rui Vilar, Victor Constâncio e Maria de Lurdes Pintassilgo vão expor as linhas gerais do Programa Económico e Social em conferência. O grupo surgia num ingrediente do tempo como uma ficção. Os jornalistas estrangeiros presentes não percebiam como era possível "Estar já em curso um movimento geral de ocupações de terras no Alentejo, estando ali a propor medidas tão moderadas, ignorando o que se passava".

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Março de 1975 é o mês em que tudo vai acontecer no M´Puto. As notícias aparecem de hora a hora. A revolução estava em ponto de rebuçado. Chovem nos quarteis notícias de golpes e contragolpes. Movem-se influências. Estão no activo as secretas alemãs, francesa e espanhola e há muito que a CIA e o KGB convivem entre os portugueses.

africa8.jpg Consta agora à boca cheia, existir uma lista com nomes de 1500 figuras de direita a abater pela extrema-esquerda, operação designada "Matança da Páscoa". Atónita, a nação não quer acreditar. Em nome da Revolução, tudo era possível.

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Belém do M´Puto reforçava por decreto em Março de 1975 uma política de activa neutralidade em relação aos Movimentos, coisa que na prática nunca se verificou. A CCPA, tudo fazia para que Silva Cardoso fosse exonerado e, sempre se afadigavam em fazer listas de oficiais a sanear; exactamente aqueles que não eram declaradamente revolucionários de esquerda. Neste meio tempo o Cônsul Americano Killoran afirmava abertamente que se tornara impossível viver em Luanda porque não havia alimentos e muita violência na ruas e assaltos não permitindo uma normal vida social.

kiz7.jpg As ocupações selvagens ocorriam a todo o momento e já havia em Luanda uns quantos lugares destinados a dar guarida a desalojados vindos de toda a Angola. O general Silva Cardoso, devido ao desrespeito constante pelos militares Lusos teve de ameaçar não haver perdão para com os militares encontrados a actuar “com partidarismo”. Ele soube que militares portugueses foram encontrados a saquear casas e negócios de brancos junto com o MPLA; Era lógico que isto, ele, não o poderia afirmar!

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O papel de árbitro não se exercia com tiros! Isto já era letra morta; a anarquia já permitia aos partidos fazer quase tudo e entretanto o MPLA fazia chegar por mar, terra e ar armamento ligeiro e pesado. O MPLA fretava aviões à African Safari que entrava no espaço aéreo de Angola com conhecimento das “nossas” FA. Estes aviões aterravam em pistas já desactivadas e no Luso com armas pesadas declarando tratar-se de medicamentos e fardamento.

mona7.jpg Os procedimentos eram mais que muitos. Só no Luso o MPLA descarregou sete camiões. Enquanto isto sucedia, na praia de São Tiago, em Teixeira de Sousa e por via ferroviária faziam-se descarregamentos em toneladas. Em outros pontos da costa a norte e Sul de Luanda e até no próprio cais desta. Para distrair as parcas forças das FMM - Forças Militares Mistas, davam durante a noite festivais de tiros para o ar no Bairro Operário como manobra de diversão para despistar; enquanto isto no cais de Luanda saíam camiões cheios de material bélico para o MPLA.

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Entretanto no M´Puto a “reforma agrária” tenta usar o "decreto-lei das nacionalizações, através do qual se assegurará "o controlo da economia". Os ministros decidem intervir no complexo agrícola de herdades, Donas Marias e Cavacedos, em Moura. Mais de 1350 hectares. Com que argumento? Subaproveitamento das terras, deficiente alimentação do gado, despedimento sem justa causa, não pagamento de salários e, mais importante, mau relacionamento do patrão com os empregados. Andava tudo num reboliço, os trabalhadores de caçadeira às costas a tomar os montes alentejanos. Ninguém me contou, eu vi!…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:46
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2016
MALAMBAS . CXXXVII

TEMPOS CINZENTOS . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo … E, porque a politica se tornou um meio para alcançar fins desonestos...

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

bra4.jpg Nós reclamamos a democracia no confronto com a realidade; esticamo-la, ridicularizamo-la e, na desvalorização desta, não a reinterpretamos como sendo uma questão principal. Isto, porque a gestão principal não é forçosamente a necessidade de uma nova ordem mas, a maneira como deve ser construída essa ordem! Não basta querer, é necessário fazer querer mas, a maioria dos políticos vê somente o seu umbigo servindo-se do aparelho ao invés de o servir.

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Premeditando seu próprio futuro prepara-o na subtileza mentirosa de falaciar quem serve. Num processo lento cria condições de base, assegura-se dos apoios e dá benesses que não são dele ou dela e nós temos de ser capazes de nos adaptarmos às várias psicologias dos novos tempos com esses novos e subtis métodos de mando. A democracia é débil porque a burguesia se desmoronou coabitando com corruptos comportamentos, dando facilidades sem penalizar corrupto e corruptor.

an2.jpeg E, porque a politica se tornou um meio para alcançar fins desonestos, sempre os políticos se nos mostram como sendo os mais puros, ao mais impolutos e, é esse bombom de comportamento que nos atraiçoa. É este o verdadeiro calcanhar de aquiles de todos nós que não estuda as atitudes dum candidato a ser chefe ou estadista; que nos deixamos ficar na indiferença no vamos ver o que vai dar.  

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É esta, uma muito má-prática nossa, de se deixar passar um dia de cada vez no ver vamos de como isto fica! Bem! Pode dizer-se: insultado, um homem pode transformar em armas as correntes que têm nos pés não é? Mas as grilhetas de agora já são outras, muito mais sofisticadas; tanto que nem damos por as ter.

maga2.jpg Isto porque nós, todos nós, queremos a liberdade e essa temo-la mas estamos coarctados por regras e leis que restringem o ser num sofisma de “a bem da nação”. E, aqui não há vinganças; há compadrios, manobras dilatórias, processos com recursos que nos desfalecem neste deixa andar.

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Deduzimo-nos na ideia de que tudo é equivalente e que o bem e o mal podem ser definidos de acordo com os desejos de cada qual. Mentimo-nos muitas e repetidas vezes sem dar a mão à palmatória por não se acreditar que este mundo não tem um verdadeiro sentido derradeiro de “xispeteó”.

jo5.jpg E, é sempre o homem que torna o sentido do derradeiro num jeito acomodado! Porque as pessoas existem e realizam-se não no isolamento mas na comunidade. Espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta, irei fazer do tudo um romance condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:25
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016
CAFUFUTILA . CXVII

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA  - 12ª com várias partes…

AS TÁGIDES DE TOLEDO – Em Alhambra com Zachaf Pigafetta Roxo, a kianda tetravó de Roxo e Oxor.

Ongweva é saudade

Por

soba15.jpgT´Chingange

roxo69.jpg E, por fim tinha ali em frente dos olhos a Kianda Zachaf Pigafetta Roxo a tetravó da Assunção, uma mulher radiante de beleza, assim estonteante que se ondulava em imagem, ora era, ora não era nem deixava de o ser, quasequase um holograma falante. Depois daquele pulo desassombrado aquietei-me recordando-me estar entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, porque zunia na minha cabeça legionários pensamentos.

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Recordo aqui que, involuntariamente houve em mim um ligeiro pestanejar de reluzir comoção, quasequase como um vaga-lume comovido de pirilampo. O meu espanto maior foi saber que ela a Kianda Zachaf sabia que eu era o T´Chingange relembrando que socorri sua trineta lá na praia do Guaxuma do Brasil, assim e assado com todos os pormenores de barbatana com o Zé Peixe de Sergipe.

roxo70.jpg Assim, e sem mais edecéteras e vírgulas espantadas de interrogação disse-lhes que sim! Era eu inteirinho da Costa, nascido e desfalecido num vapor chamado Niassa. Foram muitas as perguntas e interjeições com muxoxos de parte a parte! Era agora que íamos pôr os pontos nos iis. Sabes, temos algo em comum, disse ela: - Tu e eu nascemos em um lugar com o mesmo nome.

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Niassa! E, isso torna-te também um agente kalunga porque tens um espírito forte; para além das águas nascente num barco com o nome do meu lago tornando-te um Minkisi, um agente de ligação entre seres humanos e o físico divindade ou espírito das águas, que somos nós. Referia-se a ela e Januário Pieter ali caladinho ouvindo sem intervir.

roxo72.jpg Sentia-me diluir nas pernas e de novo belisquei-me; doeu e, sendo assim e com dor, só podia ser um humano. Estava em pulgas! Foi quando Januário Pieter assim no seu jeito cavernoso me disse: Eu e Zachaf Pigafetta somos irmãos! Isto, eu não podia imaginar e, continuou: Nossos pais fizeram uma longa travessia desde o lago Niassa, nesse então chamado Zachaf e o Kwanza. Os nossos mais-velhos assentaram arraiais em Cabo Ledo e, foi a partir daí que o destino me fez kianda itinerante da Globália.

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Esta estória para além de longa começava a ser demasiado intrincada. Encontrei Januário Pieter pela primeira vez em Jablines a nove quilómetros de Disneyland. Recordo que foi lá que este me contou coisas que desconhecia terem-se passado em Angola nos tempos recentes e, também lá detrás desde os tempos em que Luanda estava na posse dos Mafulos com os Tugas recolhidos em Massangano e do qual fizeram uma segunda capital de N´Gola. às margens do Kwanza. Bom a estória decerto iria ser bem interessante.

roxo73.jpg Acontece que a hora já era tardia,"El Pátio Riconcillo" estava para encerrar e, teríamos de fazer uma pausa, remoer o acontecido e ganhar folga para os próximos episódios. E Pieter foi dizendo que eles tinham muitas mocandas na cabeça para contar: - O mais importante nesta minha vida de kianda da Muxima é falar dos entretantos esquindivados de Kwanza acima, Kwanza abaixo relembrando meus tempos de candengue. Minha mana tem outras estórias que decerto te encantarão. Estamos aqui para isso; mungweno! Foi assim que nos despedimos por agora.

cronicas mano corvo2.jpg GLOSSÁRIO :

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Kalunga: Junção de espíritos na forma de água, divindade abstracta. O Soba T´Chingange muxoxo: - silvo produzido pelos lábios de vento aspirado entre dentes; esquindiva: - fazer revienga, finta, fazer piruetas, bazar dali.

Ilustrações de Assunção Roxo

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:09
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Domingo, 4 de Setembro de 2016
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXVIV
ANGOLA .  TEMPO DE CINZAS - A HIPOCRISIA DO MUNDO  -  Entre Julho de 1974 e Novembro de 1975 morreram em Angola trezentas mil pessoas - Morreram em média "oito crianças" por dia e o Mundo nada falou!...
 

Por

maga1.jpg Luís Magalhães - Tem uma caneta Parker 21 espacial. Dessas que levam o homem a gatafunhar acontecimentos da Luua, da Angola que jamais esqueceu … (na guerra do tundamunjila)

luis46.jpgEsta foto foi onde apareceram os caixotes dos meus Pais, todos arrombados por quem os estava a guardar.Eu sinceramente nunca vi os Lobos guardarem as ovelhas mas...????

Entre Julho de 1974 e Novembro de 1975 morreram em Angola trezentas mil pessoas,que foram assassinadas nas cidades ou morreram durante a fuga devido ás balas dos "Movimentos de libertação" e das tropas estrangeiras (Cubanas e Russas) e outras por doenças e fome e outras ainda porque foram apanhadas no meio dos combates que o MPLA,a FNLA e a UNITA travavam.No meio desta confusão morreram em média "Oito crianças" por dia. 

luis33.jpg Anda por aqui uma foto de um menino Sirio que morreu afogado no Mar da Grécia, e aquilo foi de tal modo chocante que não houve Telejornal que não mostrasse essa foto no abrir dos Noticiários. Entretanto eu recuei há quarenta e um anos atrás e lembrei-me do UM MILHÃO E QUATROCENTOS MIL retornados ( Angolanos), que desembarcaram em Portugal que não tiveram o apoio dos refugiados Africanos e Árabes que a Europa lhes está dar actualmente, pois tivessem tido este apoio e de certeza que a revolta e a dor teriam sido muito amenizadas. Hoje a culpa disto tem nome e é dos Americanos, Espanhpois...

cafufu10.jpg Portugueses e Ingleses, e foi tudo feito na famosa cimeira nos Açores. Nós por cá, nunca se soube quem foram os culpados da famosa "Descolonização exemplar" e os Portugueses e os naturais das ex provincias Ultramarinas viram colar-lhes na testa o rótulo de retornados, uma gente que foi obrigada a fugir, foram insultados, foram violados e massacrados. Para mim são refugiados e como tal a História da Descolonização está a ser adulterada, porque os Povos das ex-colonias, os militares e os Movimentos de Libertação foram bonecos nas mãos de "obscuros Interesses pelos suspeitos do costume.

luis47.jpg Os Americanos e os Russos. Quanto a nós a desculpa morreu solteira acerca da "Descolonização" e actualmente andamos chocados com a fotografia do menino que deu á costa afogado numa praia algures, e nunca ninguém se importou com os nossos irmãos que penaram num País que os recebeu muito mal. Ora digam lá se isto não é hipocrisia?

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:19
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2016
MOKANDA DO SOBA . CVIII

TEMPOS PARA ESQUECER01.09.2016 - ANGOLA DA LUUA XVIII. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo.  Nossa cabeça já não estava segura de nada…

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soba15.jpgT´Chingange

bordallo.jpg (…) O relatório da CCPA de Abril de 1975 dizia claramente que se deveria impedir por todos os meios fazer chegar ao poder a FNLA e que se deveria privilegiar um acordo entre a UNITA e o MPLA. Este relatório vincava nitidamente o MPLA como sendo o representante legitimo das forças progressistas angolanas e, que Portugal deveria dar colaboração total a este movimento. Deduzia-se que Savimbi não estava disposto a ser muleta de Neto e este por sua vez, não abdicava de vir a ser o futuro presidente de Angola.   

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Sugeria-se nesta fase que Savimbi tivesse um lugar de relevo na hierarquia do novo estado mas, a virulência marxista de Neto, Lúcio Lara e Nito Alves discordavam disto! Com Angola paralisada, géneros a escassear, desordem generalizada, hospitais regionais sem médicos e poucos enfermeiros classificados e escolas sem funcionamento, levava a ninguém entender do porquê chegar-se a isto e, sem perceber o que fazer no outro dia que viria sem volta nem reviravolta para melhor; só revolução!

PASTEL NATA.jpg No Sul, víamos passar caravanas de carros e carrinhas apinhadas a caminho do Sul, da Namíbia. Um destes dias teremos de seguir este rumo, dizia eu! Mas, fui ficando tentando gerir procedimentos no Comité da Caála! Não pensava sair de Angola e a UNITA era o partido mais consensual, aquele por quem mais tinha preferência. Nesta altura era eu um quadro civil da UNITA passando de Secretario de Informação Propaganda em uma inicial formação para Secretário de Relações Públicas. Recordo aqui outros membros tais como Liuanhica, Caputo, Alfredo, Jorge enfermeiro, Maria de Lurdes funcionária do Município, Kalakata (militar) e Camundongo funcionário da JAE que era o Presidente.

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Nossa cabeça já não estava segura de nada. A incerteza era a única coisa certa! Os pioneiros do MPLA marchavam pelas ruas da Caála com paus fingindo armas e capitaneados por uns recém-chegados branquelas, besugos do M´Puto. Falando axim com Karl Marx e Lénine Staline na cabeça, respiravam revolução dos pés às guedelhas. Estes personagens saídos do nada eram estudantes do M´Puto que aqui vinham somar pontos para seus curriculuns nas passagens administrativas das Universidades do M´Puto na mão de comunistas; Militantes do PCP e MDP.CDE ao cuidado do PREC e, aqui colocados ao serviço do MPLA.

rev5.jpg Nós interrogávamo-nos uns aos outros mas sempre ficávamos sem resposta! O medo entrava paulatinamente em nossos sentidos. Os militares de brincadeira ensaiavam, emboscavam-se por detrás dos muros das nossas casas, empunhavam armas de fingir e de passo certo seguiam as instruções do guedelhudo, esquerda, direita, esquerda direita e lá iam gritando a vitória é certa com vivas ao MPLA; Aqueles rapazolas guedelhudos estavam a cumprir com um serviço cívico e nós nem o sabíamos… Tudo era um segredo! Mas, duvido que o CCPA não o soubesse. Isto, vinha do Bureau Politico do MPLA com instruções do Rosa Vermelho Almirante da Tuji…

rev1.jpg Entretanto no M´Puto o lema era "a terra a quem a trabalha". Na Rádio Renascença os trabalhadores avançam para a greve. O Conselho de Estado fazia reuniões atrás de reuniões. A bem do povo e em nome da Junta de Salvação Nacional e do MFA, o almirante Rosa Coutinho, ligado ao PCP, aparece aos conselheiros de Estado, civis e militares, a sugerir legislação revolucionária. Qual? "Que o MFA não seja a expressão de um simples levantamento militar".

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"Entre as propostas levadas a discussão estava um diploma que permitia prender pessoas acusadas de sabotagem económica ou de não estarem com a revolução", Freitas do Amaral é mencionado nesse então. Passa já das quatro horas de 9 de Fevereiro, quando os conselheiros se manifestam. Os militares põem-se ao lado de Rosa Coutinho. Os civis, a maioria com formação jurídica, colocam-se na trincheira inimiga. Freitas do Amaral, Isabel Magalhães Collaço, Azeredo Perdigão, Henrique de Barros e Ruy Luís Gomes rejeitam o documento do almirante. Não havia volta a dar, gera-se enorme burburinho.

rev2.jpg Os militares estão furiosos. Sem ninguém esperar, o spinolista Carlos Fabião mete-se também a deambular: "Parar é morrer. Não há revolução sem leis revolucionárias." Os civis moderados nem querem acreditar. De igual modo, o almirante Pinheiro de Azevedo que não lidava bem com aquela revolução, em tom jocoso levanta-se, esbraceja. "Os Srs. conselheiros civis assinaram a sua sentença de morte! Puseram em causa a Revolução!" Na imprensa, na televisão e na rádio destacam-se notícias denunciando a sabotagem económica, a fuga de capitais para o estrangeiro.

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O Presidente da República anuncia para 12 de Abril eleições para a Assembleia Constituinte. Os partidos à direita do PCP suspiram de alívio; pura inocência. O curso da Revolução seguiria mesmo em diante mas o vice-presidente da CE de visita a Portugal comenta a Vitor Alves considerado um militar moderado: "É necessário ter muita coragem para viver em Portugal". No entanto a adesão à Europa atravessava-se já à frente dos portugueses.

rev8.jpg A milhares de quilómetros de distância dali, em Luanda, rebenta um conflito armado envolvendo o MPLA. Bom, quanto mais avança a Revolução maiores as conjecturas à sua volta. Os boatos crescem de tom. Na atmosfera, pesa a conspiração, os capitães ouvem falar na contra-revolução. Do Brasil chegam capitais portugueses, ajudando ao parto do MDLP, organização de direita onde figura o nome de António Spínola.

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Em Coina do M´Puto é ocupada uma quinta, cujo destino final será a integração na Cooperativa Estrela Vermelha. O segredo é agora de polichinelo: o MDLP prepara um golpe militar, com a colaboração da guarda de Belém. Vasco Gonçalves, Melo Antunes, Rosa Coutinho, Pinho Freire, Pereira Pinto, Almada Contreiras, Costa Martins e Vasco Lourenço encontram-se com os líderes dos partidos para discutir a institucionalização do MFA. Entre os civis reina pouca convicção.

rev3.jpg Entretanto Vasco Gonçalves, comporta-se como se existisse apenas uma parte da nação, mas fala de alma e coração. "Não estamos interessados em voltar atrás nem o MFA o permitirá". Hostil aos capitalistas, a este respeito actuava sem duplicidade, continua: "A nova constituição não pode ir contra as conquistas que o MFA e as forças progressistas em Portugal já garantiram ao povo português."

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No M´Puto Angola era coisa pouco falada, havia sempre outros compromissos; Angola era um caso menor! Havia que fortalecer os principios de Abril. Lá na minha rua distante duma pequena cidade chamada de Caála os pioneiros iam sendo substituídos por outros militares e, estes já carregavam kalashnikoves G3 e outras indistintas armas de repetição.  Mostravam os frisos de balas postas em diagonal pelo corpo exibindo sua petulante forma de valentia; nem sabiam eles, que assim eram usados para amedrontar! E, amedrontavam mesmo!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:15
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CVII

TEMPOS PARA ESQUECER – 29.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XVII 

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - Do M´Puto não vinham bons ventos para Angola.   

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soba15.jpgT´Chingange

carlu1.jpg (…) Angola…. Melhor mesmo era ficar expectante, fazer caixotes, meter alguns trastes, fotos amarelecidas e esquecer aquela terra porque afinal, não era nossa e, sem direitos adquiridos! Entretanto eram roubados canhões no Grafanil, que foram direitinhos para os Comités populares do MPLA, coisa pouca! Nada de inquéritos! “Há coisas que não convêm serem tornadas públicas” dizia um oficial português. E, tudo ficava por aqui.

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Os militares que regressavam a Portugal faziam negócio com coisas que lhes eram cedidas para salvar do pandemónio, patrícios da terra longínqua do M´Puto que pagavam estes favores por baixo das lonas, mas um ou ouro também levava umas folhas de liamba, uma pedras brilhantes do Cafumfo, artesanato dos Quiocos, peças da sacristia cedidas pelo irmão do mato, enfim!

mo2.jpg Mas situações houve em que militares portugueses acompanhavam os militares do MPLA a saquear casas de brancos fujões, desalojados ou refugiados! Fizeram-no usando carros militares, a descoberto e sem a preocupação de se justificarem com quem quer que fosse. Era até perigoso perguntar! Que estão vocês a fazer? Ninguém tinha sossego nos pensametos. Esta verdade vai parecer mentira para muitos que agora lêem mas, há relatos com vídeos; e, surgem agora depois de mais de quarenta anos e, porque as vidas têm fases sem acréscimos, de sem valor acrescentado.

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O Óbito do acordo do Alvor estava consumado. As FAP e a CCPA já eram pedras fora do baralho! Eles nem sabiam lidar com a mentalidade do negro africano que em sua cultura ancestral não via o roubo da forma dum ocidental branco.  Tudo que está ao nosso redor nos pertencem! Era este o ADN biológico de Agostinho neto! Os Kwanhamas até eram enaltecidos por suas tarefas de roubo e um candidato a casar se não era um bom capianguista não era um suficiente homem para aquela donzela mais extremosa. Isso faz parte da cultura Banto!

lua3.jpeg Ao PREC – Processo de Revolução em Curso de cariz revolucionário, qualquer actividade era legítima; foi-o e de forma nítida no seu órgão superior de CR – Concelho da Revolução que dava ordens ao MFA.  No relatório da CCPA de 19 de Abril de 1975, era escrito que se deveria impedira FNLA e, a todo o custo de chegar ao poder. Sentia-se aqui a mão de Rosa Coutinho que tinha andado de gaiola a passear nuo no Zaire quando tinha sido aprisionado pelos militares de Holdem Roberto.

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No M´Puto, as diligências do Presidente Costa Gomes, revelar-se-iam desnecessárias, pois Carlucci era um homem muito elaborado e, mais latino do que americano. Sabendo dos desentendimentos de Otelo com o PCP, esfrega as mãos de contente, decidindo tomar a iniciativa. Procura o comandante do COPCOM e, os dois homens lá se entendem nas falas.

melo1.jpg Carlucci, o americano italiano, troca as voltas ao brigadeiro tornando-o colaborante. "Carlucci entendeu logo a situação político-militar em Portugal. Daí achar que Otelo e a extrema-esquerda eram dois preciosos aliados na sua táctica para bater as forças ligadas ao PCP". É o capitão Sousa e Castro, que o diria mais tarde e, que viria a ser porta-voz do Conselho da Revolução.

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Revelando mestria, o embaixador promove pontes de entendimento "entre os oficiais moderados do MFA e as altas patentes americanas." É por esta via que, logo a seguir ao 25 de Novembro de 1975, Ramalho Eanes se tornará grande amigo do general Alexander Haig, comandante chefe da Nato na Europa. "Frank Carlucci era um homem fascinante", diz Sousa e Castro.

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Mas, Portugal estava em queda para ser tomado pela esquerda. O Embaixador vendo isto não tardou a encontrar-se com Costa Gomes sem que se possa afirmar qual o motivo do encontro, depreende-se que não foi ocasional. Da reunião não transpira nada, mas os EUA exibem na altura parte do seu poderio militar, avisam Portugal que deve ter "juizinho". Estão agora em águas nacionais 32 barcos de guerra norte-americanos, onze mil soldados e marinheiros, dos quais cinco mil são "marines", tropas de elite vocacionadas para o desembarque. Mais que previsível, à volta da operação naval da Nato pronta a explodir o folclore do cravo vermelho na lapela.

mucuisse.jpg Na sequência do acordo de Alvor, o Expresso anuncia a composição do Governo de Transição de Angola, de que Vieira de Almeida faz parte, com a pasta da Economia que disse: - "Quando cheguei a Luanda, apercebi-me de divisões profundas entre os militares membros da Comissão Coordenadora do MFA em Angola. "Tal como cá (M´Puto), continuava a existir o mesmo fenómeno: os que se batiam sinceramente pela transformação da sociedade, preocupados em saber como descolonizar; os cobardes; os idealistas; os elementos mais reaccionários; os oportunistas". Uma mixórdia.

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Portugal está agora em chamas, vive em crise de sanidade. Em Coimbra, os alunos fazem greve, reivindicam o fim dos exames de aptidão à universidade. Os bancários reclamam junto do Governo a nacionalização da banca. O desemprego atinge 200 mil portugueses. Com tudo isto a acontecer, Álvaro Cunhal e o PCP defende medidas urgentes para ultrapassar "a grave situação económica e financeira".

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A missão dos ministros em Angola é suicida, o clima continua a ser revolucionário. Tal como no Continente, também ali há falta de realismo. "Bom dia meus senhores! Pastas debaixo da mesa, mãos em cima da mesa!". É assim que Vieira de Almeida dá início às suas intervenções no Governo de Luanda, que integra representantes do MPLA, da UNITA e da FNLA. O ambiente é pesado. Cada um dos ministros angolanos faz-se sempre acompanhar de três guarda-costas de metralhadora em riste.

mutamba.jpg Vieira de Almeida evoca a Luanda daqueles tempos. A atmosfera chega a ser lúgubre: nas ruas assassinam-se pessoas dentro de barris de ácido sulfúrico; Agostinho Neto anuncia a nacionalização do Comércio Externo; durante uma reunião do Governo de Transição, destinada a discutir o Orçamento Geral, um ministro do FNLA reclama o "bago", o “kumbú” a “Gasosa”, ou seja… quer o dinheiro na mão.

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Uma esquadra da Nato lança âncora no Tejo. Uma reunião de delegados dos trabalhadores apela a uma manifestação anti Nato para daí a cinco dias. As forças armadas incorporam-se na "manif". Operários e outros trabalhadores estão nas ruas para se baterem contra os americanos e o desemprego. O Governo declara que se opõe aos desfiles, exerce a sua autoridade. Qual o resultado? Com a expressão do rosto carregada, Vasco Gonçalves em imagens televisivas tem os braços cruzados, faz cara de zangado.

mocnda9.jpg A reforma agrária no M´Puto estava em marcha, mas não era ainda oficial. O PCP promove uma reunião de Trabalhadores, em Évora. A adesão é impressionante, cerca de 40 mil camponeses juntam-se para discutir os modelos de exploração agrícola. Exigem a "liquidação dos latifúndios", a "reforma agrária imediata". Álvaro Cunhal está presente, despe a capa moderada de ministro Sem Pasta. Tem a palavra. Sobe à tribuna e, do alto do seu prestígio de combatente anti-fascista, diz: "A reforma agrária não será imediata, mas não demorará muito".

Do M´Puto não vinham bons ventos para Angola.

(Continua…)

 O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:39
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Sábado, 27 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CVI

TEMPOS PARA ESQUECER – 27.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XVI . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - O brigadeiro do COPCOM dá a sua opinião: " Carlucci, talvez pertença à CIA”… Kuákuákuá…

Por

soba15.jpgT´Chingange

baú3.jpg(…) Por todos julgarem ter autoridade, um mês após a assassinatura do Acordo de Alvor, Angola estava sem lei nem roque; totalmente desgovernada e sem ordem. Descolonizar Angola não deveria ser o mesmo que abandoná-la, mas eu não encontro uma visão mais ponderosa que esta. A 26 de Março de 1975, o ELNA, exército da FNLA, massacra mais de 50 recrutas do CIR (Centro de Instrução Revolucionária) do MPLA denominado de Hoji-Ya-Henda situado no Caxito. No ataque surpreso, os capturados pelo ELNA, foram tratados com gratuita crueldade.

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Levavam-nos em camiões para um sítio isolado e à medida que estes iam saindo dos camiões e lá no lugar escolhido, eram abatidos com rajadas de metralhadora. Os que se queixavam dos ferimentos eram abatidos com um tiro de misericórdia. Só escaparam os que se fingiram de mortos. Esta foi uma retaliação aos ataques sofridos nas sedes da FNLA, situadas dentro de Luanda.

MIRAN1.jpg Estes acontecimentos sucediam todos os dias, ora em Luanda nos musseques, ora na Fortaleza de São pedro da Barra, Bairro da Cuca, Bairro do Dande e Cazenga. Era perigoso ser-se apanhado com cartões de filiados em um qualquer outro partido, bandeiras, crachás ou outros distintivos que não o correspondente ao do controlo montado. E, as barreiras eram montadas a gosto pela FNLA ou pelo MPLA à revelia do COPLAD (Comando Operacional de Luanda) lá, aonde cada qual, pensava ser sua zona de intervenção.

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O massacre do Caxito e os fuzilamentos da Cuca em valas previamente abertas eram retaliações da FNLA, que culpava o MPLA; eram atitudes medonhas nunca antes vistas, sem qualquer pretexto e à revelia de qualquer lógica mesmo que absurda; eram sumariamente mortos sem mais detalhes a ponderar. Tratamento de pior que bichos com bichos, cenas monstruosas.

coimbra2.jpg Entretanto no M´Puto e só para M´Puto, havia um plano! O Plano Melo Antunes, para que a economia recuperasse força…. Um engano! Nas ruas de lisboa e Porto, havia enormes controvérsias. Frank Carlucci chegava a Lisboa; este viria a ser mais um portador de influências em Portugal tendo como interlocutor Mário Soares. Entretanto o PCP entra no Banco de Portugal, coração da economia e nos Serviços de Educação alterando e adulterando leis; dando a gosto passagens administrativas a troco de uma relevante actividade no PREC da revolução na Metrópole M´Puto ou lá na áfrica dos ranhosos (colonos).

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Por esta altura, o brigadeiro do COPCOM (Comando Operacional do Continente), Otelo Saraiva de Carvalho, começa a dar nas vistas despertando grande atenção entre os "média". O país vivia numa altura de conspirações e medos cujo ponto alto foi um tal de plano "Matança da Páscoa". Oficiais com ligações aos comunistas mexem-se a encomendar os planos de nacionalizações para estarem prontos a 12 de Março. Otelo, cioso de cumprir o seu papel histórico, lança-se sobre as luzes da ribalta dizendo disparates.

moiróes 1.jpg Na Luua e na penúltima semana de Março ocorreram mais de uma centena de mortos. É de recordar agora o que Pezarat Correia disse antes das negociações de Alvor focando a questão dos brancos português ali residentes: - “Quem quiser fugir, não faz falta a Angola”, tendo neste então sido referido por Almeida Santos que, a ser assim, seria a debandada geral! E, em verdade nesta fase dos acontecimentos nada mais haveria a fazer senão controlar o Aeroporto de Belas para assegurar a fuga de quem fugia.

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Claro que estes eram maioritariamente brancos, e assimilados mazombos. Curioso ou não, tudo isto foi falado na presença de todos os portugueses com os três movimentos e, disto, não transpareceu preocupação de nenhum dos intervenientes. Até aqui todos os auxiliares de estadistas e feiticeiros tinham ignorado Jonas Savimbi que perante esta situação inusitada de introduzir às falas reticências, passarem a vê-lo com um potencial personagem para e talvez, poder salvar a situação. Tudo pensado em joelhos, com artroses…

retornar11.jpg No fundo, este conjunto de pessoas eram um laboratório, um caldo de mentiras, de muito talvez com incertezas e muita falsidade entranhada de ódios; Todos estavam a ser falaciosos! Em verdade é que, neste universo de incompetentes, aprendizes de feiticeiro, produzem-se outras estrelas. Por cada uma das suas intervenções, a rebelião ganha novo fôlego. O novo embaixador dos EUA, Frank Carlucci fará parte dessa constelação.

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Até ali todos os pseudo estadistas tinham ignorado Jonas Savimbi mas e perante esta situação caótica viram-no como potencial mediador entre os outros dois Movimentos; haveria que encontrar alguém para salvar a situação. Dizia-se neste agora que quem controlasse a capital, a Luua, dominaria Angola! Verificar-se-ia que assim viria a ser! E, agora, Março de 1975 perguntava-se: - De que lado estavam os brancos?

mulu7.jpg Até aqui estavam divididos, trivididos, alguns filiaram-se em todos como medida de segurança mas, até isto funcionou pelo lado mais negativo. O melhor era ficar expectante, fazer caixotes do possível, meter fotos e os ursos de peluche, trastes e umas pedras de feijão no aro da bicicleta ou ouro e dinheiro de túji, angolares e macutas misturados com os dólares,  mais aquele lenço de lembrar o Mussulo enrolando areia das bitacaias… coisas de humanos.

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Entretanto no M´puto aos microfones da rádio, o brigadeiro do COPCOM dá a sua opinião: "Talvez Carlucci pertença à CIA (serviços secretos norte-americanos) mas, nesse caso, não me responsabilizo pela sua segurança." Kuákuákuá (sou eu a rir) … Quando Costa Gomes ouviu isto, a rolha dele, tocou seu cerebelo! O caneco destapou-se; como era habitual, não queria correr riscos. Aflito, pôs-se logo a fazer contactos cuspindo raivas aos seus generais de aviário. Cheio de intuição, à conversa com Mário Soares, este desvaloriza a situação. Uf!... Que alivio!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:17
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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2016
MOKANDA DO SOBA . CV

TEMPOS PARA ESQUECER22.08.2016 - ANGOLA DA LUUA XV . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - Vasco Gonçalves, o louco, esbracejava na televisão atirando cravos para a multidão…

Por

soba15.jpg T´Chingange

retornar1.jpg (…) No chão barrento dos musseques da Luua ficam cadáveres e um rasto de destruição. No ar desses bairros de arruamentos labirínticos multiplicam-se os papagaios de papel que visavam impedir a visibilidade e o voo dos helicópteros de onde os militares davam instruções e orientação às patrulhas que em terra procuravam acudir aos focos de problemas. Esta dos papagaios de papel, vim a saber muito recentemente em conversa com outros kambas que também por ali estavam; uma coisa que só tinha viso em um filme do Vietname e guerrilha nas ilhas do Pacífico.

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Afinal havia muita gente formada na maldade e atenta a todas as artimanhas para lograr sucesso em seus objectivos. Estabelecer o medo com estrondos lançados para o ar e tracejantes para o espaço nas noites cálidas daquela Luua. No Verão do apocalipse de 1974 a inquietação dos portugueses de África, regia-se no conceito de nacionalidade pelo princípio do solo, pelo que eram portugueses todos aqueles que tivessem nascido em qualquer parcela do solo nacional…

rev2.jpg Mas, isto não era isto nem aquilo, mas uma outra coisa qualquer a tirar dos manuais revolucionários entranhados no cerebelo de gente sem eira nem beira, ávida de serem donos de tudo e até da vida dos outros, uns abutres mais pretos que urubus a reacender um racismo que já estava moribundo! Tudo viria a ser uma outra coisa… A brancura da pele tornava-se perigosa! Os albinos começaram a ser perseguidos por ainda serem mais brancos e, decerto teriam cazumbi dentro deles; a superstição doentia, matou muitos e de formas bastantes trágicas.  

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Ser angolano branco, era imediatamente querela apresentada como algo de marginal. Foi como o definiu Vasco Gonçalves a 24 de Julho de 1975 a uma televisão alemã: -“trata-se duma minoria teimosa e egoísta, que se recusa a reconhecer as perspectivas de futuro”. Quem tem amigos assim e, como primeiro-ministro do seu país, não necessita de mais inimigos! Este cidadão deveria era de estar numa casa de malucos a tratar-se… Na Luua, diríamos que deveria estar no “quintas”…

retornar7.jpg “Os deslocados”, como então a imprensa designava os primeiros desalojados de Angola, começaram a chegar às centenas de milhar em inícios de Agosto de 1975. Contudo eram raríssimas as suas fotografias mostradas na imprensa do M´Puto. Os jornais eram multados por terem falas anti-revolucionárias, qual PIDE para pior. Era uma fuga d gente a reter até que, os seus caixotes e os seus corpos deitados no chão do aeroporto da Portela se tornaram incomodamente visíveis, incontornáveis.

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Caixotes feitos de tabuas de camas, portas de armários, janelas de pau-ferro, pau-rosa ou indianuno. Era o fim da festa, comentavam jocosamente nossos patrícios, irmãos, tios, primos, gente de moral que ia à missa e, que todos os domingos batiam no peito; todos a enganarem Deus…

selos6.jpg A censura do CR com seu activo PREC tentava esconder ao mundo a parte podre da revolução dos cravos! Imaginem! Algo inusitado é, uma notícia de 12 de Agosto de 1975 acompanhada por uma fotografia com recém-chegados ao aeroporto da Portela com jornalistas estrangeiros a cobrirem estes escolhos feitos gente, quase nada... Afinal “os colonos”, “os fazendeiros que fogem por medo”, os “mata pretos” sempre acabaram por fugir! Diaziam à boca cheia e sem espanto!

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Em Angola o PP - poder popular, tinha um órgão secreto formado com abrilistas do M´Puto, Cubanos e progressistas do MPLA. Estudantes vindos de países do Leste europeu, das terras frias aonde a revolução se alimentava com ódios, vodka e muita ideologia tonta. Era destes que saíam ordens e o apoio logístico com dinheiros dados à socapa por seus chefes, uns quantos perfilados com Rosa Coutinho e seus pare do CR- concelho da Revolução.

retornar8.jpg Angola seria em breve dos angolanos. Agora sim, não haveria recuo, era o pensamento generalizado da maioria com bom senso, de todas as cores.  Se queriam matar-se uns aos outros que o fizessem! E, assim veio a ser! O incitamento à expulsão dos brancos já era transversal a todos os movimentos.  Na diagonal, na vertical, lúcido ou bêbado, Agostinho Neto atiçava seus discursos, seus poemas despeitados, falas desajustadas de fazer tremer o susto. Nunca antes se tinha sentido tal racismo depois de sessenta e um. Com a partida dos colonos poderiam ficar com tudo, porque tudo lhes pertencia, dizia-o abertamente!  

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Os lidere dos outros movimentos a partir de Julho não retaliavam Neto! Se o fizessem seriam mal vistos. Consentiam! Em Portugal a maioria sensata estava silenciosa, aturdizada muda e queda espantando o medo que o assustava. Vasco Gonçalves, o louco, esbracejava na televisão atirando cravos para a multidão que ébria, o ouvia. Os retornados seriam postos na tourada do campo grande para gaudio dos abrilistas. Quem o disse ainda anda por aí vivinho da costa!

muxima4.jpg Os anarquistas escreveram algures numa parede bem perto da terra do Riachos no Ribatejo: Otelo Saraiva de Carvalho, que lindo nome tu tens, retira o vê do carvalho, e mete o resto co cú! Assinado um “A” metido em um círculo! Tudo em vermelho! Começava a haver alguma indisposição em alguns pensadores do M´Puto… Em Angola o MPLA enviava grupos de jovens militantes para Cuba e URSS aonde recebiam treino político militar. E, entretanto os navios continuavam a desembarcar material de guerra próximo de Luanda assim em segredo dos portugueses; no princípio até foi assim mas, depois já era quase do conhecimento geral, mas tudo era inusitadamente tido como boato! Poderia lá ser! Ninguém queria acreditar…

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O MPLA aliciava principalmente quadros negros das FAP a desertarem com armas e equipamentos. Isto quase foi normal, permitido e acarinhado pelos militares portugueses e até figuras destacadas do próprio Concelho da Revolução e outros políticos que o tempo escondeu na penumbra!

pioneiros.jpg Fantasmas que ainda se continuam a manter à custa de todos nós, que recebem do estado reformas chorudas. As NF – Nossas Forças da FAP, deram 30 navios operacionais, 21 aviões da Força Aérea, 2 Dornier, 6 Dakotas, 6 helicópteros Alouettes e Nord Atlas, entre outro variado equipamento ao Governo de Transição de Angola saído do Acordo do Alvor. Às supostas FAA – Forças Armadas de Angola.

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:00
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Sábado, 13 de Agosto de 2016
FRATERNIDADES . CVIII

NA PRADARIA ALENTEJANA . 12-08-2016

A FESTA DA VILA DA PRAIA, SEM MAR, SÓ ONDAS DE CALOR.

Por

soba17.jpgT´Chingange

bimbo4.jpg Ando no meio de uma festa festejando a alegria, curtindo a juventude que resta, lembrando as farras do fundo do quintal da Luua e, vendo as netas dos amigos e a minha também rodopiando em graçolas e risos contagiantes. Assim deixando o tempo abraçar os cabelos grisalhos e os sulcos dos anos. Pois, vou fazer mais o quê?

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A conversa começa do nada com o senhor Casquinha, amigo do Cailogo, marido da Assunção. Conversa desajeitada; a possivel.E chega um neto dele pedindo umas moedas para comprar uma lanterna pirilampo. Não demora muito e ali está ele fazendo gaifonas na cara do avô com aquela lanterna. Quanto custou pergunta o avô? Cinco euros, diz o petiz. Caramba! E, não regateaste? Qui é isso avô!..

tonito3.jpg  Pois… outros tempos! E sem mais remata: - Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos. Víamo-nos as vezes que queríamos, sempre diariamente, quer-se-dizer todos os dias. Na taberna do Álvaro, daquele outro chamado Hernâni com uma mulemba, jogando a bisca e à sueca mais o tentilhão; uns malhos redondos e um escopro ao alto a fazer de alvo. Quem perdia pagava um copo de tinto ou um pirolito.

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Hoje andam por aí feitos loucos procurando bichos chamados de pokémons debaixo dos chaparros. E no maior à-vontade, coisa muito perdida, porque não tínhamos mais nada para fazer senão trabalhar. As conversas misturam-se na memória e sai o que sai. O anteontem misturado com o amanhã se Deus quiser.

mess01.jpg Casquinha dizia quase sozinho, coisas repetidamente faladas. Ainda bem que é assim! Falava comigo por falar e, com ele sem convicção, só mesmo por falar como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos. Em realidade era a primeiríssima vez!

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Nada falha! Na excitação de contar coisas e partilhar ninharias, disparamos novas como se nos estivera, e está, na massa do sangue; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que por décadas estão por realizar. Os sonhos das pradarias; nossos desertos, palhas retesando-se ao vento.  

mess1.jpg Há grandes amigos que tenho a sorte de ter, que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca desconcordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Coisas de mais-velhos, misturando alhos com bugalhos e melancias com queijo de cabra dos montes hermínios.

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Enganei-me! O melhor que os amigos têm a fazer é verem-se cada vez que se podem ver. É verdade que, mesmo tendo passados muitos anos, sente-se o prazer de reencontrar a quem já se pensava nunca mais ver.

mutopa2.jpg O tempo não passa pela amizade mas, a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto existe! Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de irmos pró paralém, vai uma distância tão grande como a vida.

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Agora ouço a Kizomba sem ter nada contra, confesso que prefiro o merengue e o bolero mas, até sou capaz de não trocar de estação! Qual estação! Bolas! Estou na festa de Messejana! Mas, isto é só da loucura, de ouvir com gosto num carro cheio de amigos a caminho da praia como nos temos de kandengue nas idas para o Mussulo, Samba ou ponta da Ilha da Luua.

socie5.jpg Com "10 músicas seguidas sem parar", deveria chamar-se "5 músicas seguidas intercaladas por 5 Kizombas". Casquinha diz que não tem paciência, prefere o acordeão e os ferrinhos num arrasta pé, meche quinambas, musica pimba. Tinha de ser mais um corridinho! E, vai um corridinho mais uma valsa e são horas de dormir que o fresco chegou! E lá fui eu para a rua da misericórdia, uma estreita rua aonde os fumos cheiram a charros.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:30
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Domingo, 7 de Agosto de 2016
XICULULU . LXXXIII
TEMPO COM CINZAS - Constantino enganou-nos impondo ao Império Romano o cristianismo…. o Infinito, Universo e Mundos - O tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre...

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por

ferreira0.jpg CARLOS FERREIRA

Aos meus amigos (as) – 8ª de 12 Partes

carlos8.jpg (...) Enquanto na Inglaterra, Bruno teve uma audiência pessoal com Elizabete I, a quem teria bajulado com superlativos, inclusive chamando-a "sagrada" e "divina", o que serviu, mais tarde, para alimentar seu processo como infiel e herege. Consta porem que a rainha não o levou em grande conta, achando-o rude, radical, subversivo e perigoso, enquanto Bruno considerava os ingleses um tanto primitivos. Suas críticas, no entanto, haviam atraído a antipatia dos mestres ingleses ainda aferrados a Aristóteles, e Bruno se vê obrigado a acompanhar Castelnau de volta quando este é chamado pelo Rei de volta a França em 1585. No caminho ambos são roubados de tudo que possuíam.

carlos13.jpgEm Paris encontrou uma atmosfera política mudada. Henrique III havia revogado o edito de pacificação com os protestantes, e o Rei de Navarra havia sido excomungado. Longe de adotar uma linha de comportamento cauteloso, no entanto, Bruno entrou em polêmica com um protegido do partido católico, o matemático Fabrizio Mordente, a quem ridicularizou em quatro Dialogi, e em maio de 1586 ele ousou atacar Aristóteles publicamente em seu Cento e vinti articuli de natura et mundo adversos Peripatetiso ("120 artigos sobre a natureza e o mundo contra os peripatéticos") proclamadas em junho por seu discípulo João Hennequin em desafio aos doutores da Universidade de Paris.

carlos14.jpgO desafio audaz provoca um tumulto grande e violento. Os católicos moderados então o desautorizaram, em consequência do que Bruno se acha ameaçado de perigos tão graves que se vê obrigado a sair logo da França. Muda-se para Praga (Reino da Boêmia, hoje Checoslováquia), onde freqüenta a corte do rei Rodolfo II, filho de Maximilian II e Maria, filha de Carlos V, Imperador do Sacro Império de 1576 a 1612.

carlos15.jpg Rudolf II, impopular e doente, se diz que nada fez para conter a Reforma ou para evitar a Guerra dos Trinta Anos. Sucedeu seu pai como imperador do Sacro Império Romano em 1576. Sujeito a crises de depressão, deixouciência. Giordano Bruno encontra em Praga um ambiente propício a suas pesquisas matemáticas e astronômicas. Viena, a capital oficial do Império e retirou-se para Praga, onde vivia em reclusão, ocupado com artes e 

cubo8.jpg Não foi o único a beneficiar-se do apoio de Rudolf II. O Imperador haveria de apoiar em 1599 o astrônomo holandês Tycho Brahe cujos trabalhos ajudaram a convencer os europeus ainda duvidosos da teoria de Copérnico, e que, brigado com a Igreja, refugiou-se em Praga. Posteriormente ainda apoiaria o astrônomo Johannes Kepler, que sucedeu a Tycho como matemático imperial do Santo Império Romano em 1601.

(Continua…)

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:08
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Domingo, 31 de Julho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCVIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 29.07.2016 - ANGOLA DA LUUA VIII . NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. … Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo - (haverá um ou outro que ainda pensa ser um SOL).

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

zedu4.jpg (…) Em Angola nada mais havia em como e a quem se acudir. Era irreversível, haveria que fazer caixotes e enviar para qualquer outro lado da terra aqueles pecúlios! O M´puto, definitivamente, estava a abandonar seus cidadãos. Durante uns largos meses só se ouviam marteladas pelos quintais da Luua a pregar baús, tábuas e ripas de mobílias a arrumar o espólio de uma vida, alguns álbuns de fotos e pouco mais. Actualizar o passaporte e ir para um qualquer destino ao desvario, arrumar o resto de suas vidas! Dói muito ter de rever tudo isto com o cérebro inchado de traição com comportamentos de impunidade, um genocídio.

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Os veículos em circulação normal eram apedrejados, os outros, já em fuga para o Sul, Leste ou Oeste e outros até sem qualquer rumo de pontos cardeais, formando comboios como formigas quiçonde, eram interpelados em barreiras por grupos armados; exigiam aos ocupantes dinheiro, cerveja, cigarros e, muitas das vezes só pretendiam mesmo roubar, Agostinho Neto atiçava o povo a maliciar-se, formar quadrilhas do tipo comité de bairros e células de guarda para assim procederem. Passados que são mais de quarenta anos, amigos próximos desmentem-se em defesa daqueles que achavam ser sua protecção, o MPLA. Eles agora têm vergonha de terem acreditado em gente desclassificada e roem a corda da consciência!

zem2.jpg Muitos nem se lembram de nada, dizem! Outros desculpam-se agora, mas sempre que lhes dão uma aberta dizem inverdades para se convencerem! Eu tolero mas não esqueço porque uso isso de compaixão compactada, amarfanhada, coisa que não é muito elaborada em gente que sempre se desmente! É bem uma habitual forma de que todos os dias assistimos em gente amiga, até familiares, para se desvanecerem de culpas; assim como uma autolavagem nos procedimentos passados! E o bom censo diz-nos que devemos relevar porque deus é grande.

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Aquelas barragens nas estradas feitas pelos movimentos, falando às claras, eram para vilipendiar, humilhar o branco e roubar tudo o que houvesse em seu interior. A contestação ao rumo que Rosa Coutinho estava a impor à descolonização de Angola não termina em Outubro de 1974; de forma falaciosa e pensada, surgiam como cortina de fumo a esconder as verdadeiras intenções, outros grupelhos, movimentos ditos cívicos, inventados para aparentar entendimento com o MPLA de Agostinho Neto.

valentina5.jpg A junta da CCPA, Coordenadora do Programa do MFA para Angola, era em verdade o cérebro de todas as falácias, mentiras e afins e, a seu mando foram mobilizados cidadãos para fazerem raptos ao estilo da Gestapo. Os bandoleiros que praticavam estes actos tinham gente do PREC no comando. Tudo era feito no engano e, sempre os militares que deveriam actuar, nunca eram suficientes para enfrentar estes nos desacatos fabricados, cisa pensada nas células daquela junta do Almirante Vermelho.

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E, note-se que nem os próprios lideres dos movimentos da FNLA e da UNITA, representativos do povo, como se fazia crer, eram conhecedores da tramóia. No encontro de NF (Nossas Forças… supostamente FAP) com Savimbi em Cangumbe, na assinatura do cessar-fogo, para término das hostilidades, Savimbi, reafirmou que a coexistência entre os três movimentos, seria incompatível com a transferência imediata da soberania.

zem4.jpg Que o período de transição deveria ser de três a cinco anos. Este era o guerrilheiro que via mais longe mas, não descortinou a armadilha e, até mesmo alguns dos interlocutores das NF do FAP, deste encontro militar, a saber Silva Cardoso, Ferreira de Macedo e Altino de Magalhães, Pezarat Correia entre outros, não sabiam que estavam simplesmente a serem uns joguetes laranjas para da cara de veracidade ao processo! Alguns destes, os mais verticais, disseram mais tarde terem sido manipulados.

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Tudo, não passou de uma deslavada traição; encostar estes cérebros do acto ao paredão da Justiça deveria ser exigido porque daqui resultou um genocídio claro e premeditado; qualquer desculpa sairá sempre esfarrapada. A bandeira dos generais de aviário era outra e decerto que tinha muitas caveiras cruzada. O tempo confirmou isto! Não queiram lavar isto com produtos que tudo ficará mais tóxico. Mas, ao invés de tudo o dito, os credenciados das NF foram condecorados, enaltecidos pela imprensa, pelo povo do M´Puto; triste farsa! Mas que meda de descolonização!   

zé peixe9.jpg Em Cabinda o processo foi ainda mais rápido. Em finais de Outubro de 1974, o Almirante Vermelho Rosa Coutinho disse: “houve a tomada do poder em Cabinda por elementos das FAP aliados ao MPLA, destituindo e fazendo prisioneiros o governador Themudo Barata e o Capitão do Porto de Cabinda”. O Comando do Sector Militar foi “revolucionariamente” assumido pelo Tenente Coronel Oliveira, Comandante do Batalhão do Belize. Este simplesmente informaria que o Estado-Maior e o Brigadeiro Themudo Barata tinham sido depostos do Comando por “ vontade dos sublevados do Belize”. koméquié !? (palavra revolucionariamente inventada nesta agora por mim!) …

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Estes, eram não mais que os efectivos do Exército, das NF, exército metropolitano (do M´Puto), ocupando posições chaves, pontos estratégicos de cabinda com uns quantos militares do MPLA. Tudo isto para contrariar N´Zita que julgava ter “carta-branca” do governador Brigadeiro Themudo, a fim de formar um exército com as Tropas Especiais (TêÉs).Em 29 e 30 de Agosto já tinham entrado em Cabinda 200 elementos do MPLA para “conquistar Cabinda, desactivar o tal exército (FLEC) de N´Zita e instalar ali no interior o seu Estado-Maior. Tudo isto foi urdido desactivando o embrião da FLEC.

silva2.jpg Em finais de Outubro as FAPLA do MPLA, sitiavam a cidade de Cabinda. Note-se que aqueles 200 elementos chegados ao enclave foram municiados, fardados e alimentados no bivaque do Dinge, com a supervisão e ajuda das NF das FAP. Isto foi afirmado e está algures escrito por Manuel Figueiras um capitão Comandante da Companha daquele povoado do Dinge.

soci0.jpg Note-se que o governador citado Themudo Barata, foi maltratado e preso por um furriel  enquanto o Comandante dos Serviços da marinha foi preso por elementos do MPLA. As comunicações com o exterior foram cortadas de imediato, ocupados os Correios e assaltada a sede da FLEC com a completa destruição de mobiliário e, queimados todos os papéis.  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:50
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Sexta-feira, 29 de Julho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCVI

TEMPOS PARA ESQUECER  … 29.06.2016 - ANGOLA DA LUUA . VI

… O Mundo sempre andou mentiroso - Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando em capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade (Não há meias verdades). Na guerra de tundamunjila

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

cari2.jpgEm Outubro de 1974, no Norte e no Leste de Angola eram diariamente registados incidentes com vítimas mortais, actos de vingança contra capatazes ou gerentes de fazendas e trabalhadores em geral. No Uíge (Carmona) assistia-se ao fenómeno de bandalheira com os soldados da FNLA atirando a gosto para o ar, sem qualquer aparente motivo, homens fardados e armados com espingardas de repetição. Ao longo das estradas do Norte como as de Quissesse e Songo, podiam ver-se centenas de famílias de bailundos escorraçados das fazendas de café ocupadas por soldados do ELNA (exército da FNLA) maioritariamente quicongos a falar francês; uma tropa fandanga.

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Ateavam fogo a tudo! Só neste mês de Outubro, registaram-se um total de quinze fazendas ocupadas por grupos, nem sempre identificados; faziam ataques contra madeireiros, seviciando-os e queimando-os tornando-os irreconhecíveis! As fontes de riqueza dos brancos e de negros não colaborantes eram vandalizadas, o gado morto a tiro ou catanada; os saques passaram a ser uma rotina. Usando petróleo regavam os produtos tais como batatas, mandioca, feijão e café ateando fogo em seguida; os bailundos eram mortos a sangue frio. Diga-se em verdade ter sido a etnia mais sacrificada, a mais sofrida em toda a pré-guerra de Angola. Era a guerra do tundamunjila (de dar o fora).

luis20.jpg Os movimentos com seus braço armados, por toda a Angola e, inicialmente em suas áreas de influência e sem coordenação visível, faziam barragens nas estradas supostamente para controlar, devassando, partindo louça, pisoteando sem jeito e ou retendo géneros e aprisionando coisas que poderiam ter algum interessa para eles. Podia ver-se pseudo-soldados completamente embriagados ou drogados pegando nas armas de qualquer jeito. Eles não tinham noção de como funcionavam as armas que empunhavam. Eram nitidamente bandos de drogados. Não sabiam o que era uma culatra ou o cão da mesma…

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Em uma viajem que fiz de Nova Lisboa (Huambo) a Luanda com minha sogra idosa, em uma destas barragens feitas por gente do MPLA e, indo eu na carreira da EVA e, em Muquitixe, fizeram alto, mandaram sair todos os passageiros e ali ficamos encostados a um casebre já arruinado com guardas armados atá aos dentes apontadas a nós. Um dos militares estava tão drogado que pegava a arma de cano longo com o gatilho virado para cima. Revistaram tudo e valeu-nos um furriel mestiço que seguia connosco, que se identificou como sendo do MPLA e por fim mandaram-nos seguir!

mcaco.jpg Reparei no percurso, que o Dondo estava literalmente abandonado, as quitandeiras vendiam peixe seco e bolachas, únicos alimentos que se podiam comprar! Depois vi Cassoneca, Colomboloca, Zenza do Itomba, Maria Tereza maioritariamente incendiadas, gente deambulando por ali, bandeira do MPLA hasteada aqui e ali, tropa meio fardada aos magotes fazendo coisa nenhuma. Nenhuma indicação de comércio a funcionar! Foi a imagem desta viagem que me convenceu de que tudo estava perdido! Eu vivi este drama; ninguém me contou!

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Nas barragens militares podiam ver-se os homens em cima das fordes ou chevrolletes seleccionando o que lhes convinha! Isto fica! E jogavam ao camarada. Isto também fica! E o montão de coisas por ali crescia, no pó da terra! E, ai de quem reclamasse, seria sempre de um desenlace imprevisto. Uma humilhação sem qualificação! Melhor assim, diziam com a desilusão de uma vida tornada nada.

maga2.jpg Aqueles homens na maioria sem um comando credível pretendiam apenas roubar, rebaixar. E, se houvesse por um acto de repulsa por parte de alguns militares portugueses, tentando tomar conta da situação, estes eram recebidos a tiro; poderia relatar lugares mas este procedimento era generalizado! Há por aí muitos militares que sabem ser isto verdadeiro. Sabia-se mais tarde que estes exemplares militares da FAP (Forças Armadas Portuguesas) eram substituídos por não serem colaborantes com eles; E, eles eram o grupo do MPLA de Agostinho Neto! Houve oficiais que por se oporem foram presos e recambiados para o M´Puto. Houve oficiais superiores a terem voz de prisão por furriéis cabeludos… Lá chegaremos!... Como admitir isto!?

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Posso assim referir como terras de tundamunjila, Catete, Cacusso, Kassuma, Dondo, N´Dalatando (Salazar), Bula Atumba, Puno Andongo, Bango Azongo, Camabatela, Songo mas, sempre será uma pequena parte de uma longa lista. Os guerrilheiros do tundamunjila usavam nas incursões catanas, G3 fornecidas pelas FAP ou kalashnikovs, mais granadas penduradas a gosto e imaginem uns tubos tipo bazucas! Sei lá, talvez os mona-caxitos. Para quê este disparate! Dá para rilhar o dente, mesmo estando no futuro daquele espaço, quarenta e dois anos depois….

macu5.jpg Em Luanda podiam ver-se militares do MPLA passearem a fazer estilo banga com cintos de munições atravessados ou cruzados e espingardas de repetição, de tambor, longas e curtas e as tais G3 oferta do M´Puto; assim aos ombros, eram autênticos rambos a brincar às guerras. Como é possível, tanta gente ter assistido a tudo e, agora andarem com a língua agarrada aos dentes como se nada se tivesse passado! Gente gerenciando o verbo da teoria do esquecimento. Ando desiludido com muita gente que faz de conta! Como gostam de ser enganados! Oh gente miúda!

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No Rio Seco da Maianga, logo no dia um de Outubro lançaram uma granada para dentro de uma casa matando um cidadão branco! Isto sucedeu também junto da Cruz Verde e no cinema Tivoli no Bairro da Samba. Os automóveis eram apedrejados em andamento e, ou incendiados à porta de casa ou trabalho dos respectivos donos! Pergunto a tantos que nos interrogam: Tinhamos condições de ficar? Fiquem por aí que o grosso da matéria está para vir… Esquecer! Nunca… Pena é a de que olho para trás e, neste caminho, neste carreiro, neste fiote, só vejo a minha sombra e uns quantos, muito poucos que me dão ânimo. A estes, eu digo obrigado!

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
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Domingo, 24 de Julho de 2016
MALAMBAS . CXXXIII

CINZAS DO TEMPO24.07.2016 - Não há maior religião do que a verdade! Somos o que somos enquanto o somos! Assim vamos um dia de cadavez...

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba 01.jpgT´Chingange

kota0.jpg Somos o que somos enquanto o somos! Um destes dias tive de ir tirar análises para verificar o quanto a máquina está em condições de permanecer no espaço-tempo visível e, no ponto actual da curvatura da vida. Após a singularidade foi um tempo em que ainda não havia a tecnologia de hoje a fim de nos observarem por dentro e por fora com uma complexidade de computadores e scâneres radiografando as bordas. Também o comprimento de ranhuras e excrescências anómalas segundo os parâmetros conhecidos.

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A dado momento, e por um soluço indefinido de percalços descontabilizados, somos coisa estendida numa maca e, ali ficamos na mão de técnicos, estagiários e afins com médicos, doutores que buscam na sinusóide o traço mais o traço-ponto do batimento, arritmias e aranhiços tornados bactérias ou vírus e um sem número de infestantes que cohabitam connosco, sem pagar renda, sem nossa vontade; um caroço ali, uma íngua mais uns  raios envoltos em negruras desconhecidas! Ui! Nem sempre dói… venha buscar o resultado dia tal...

kota 2.jpg E, eu que queria ir até aos 333 anos, lá tenho de me conformar por aqui ficar só enquanto Deus ou um seu assalariado quiser, ou permitir. E, lá terei de suportar as agruras exprimidas dos desclassificados políticos de viveiro mais os polícias deitados e os generais de aviário, também sentados, ganhando uma pipa de massa com os nossos descuidos, a impotência em não podermos endireitar a lei, o cassetete, o cassete, um gráfico de multa sorrateira adicionando à desgraça que nunca vem só, desinfeliz dependência de gente incompetente que se arma aos cucos, nos chateiam, nos amordaçam… Como é dificil ser-se kota mais velho...

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Tenho andado a tentar conhecer melhor este Deus que nos dirige sem se amargurar com nossas diabruras, nem as inchadas gravidades de gente com poder. E, perante a ciência quântica tenho de ir até mais fundo no conhecimento para não o subestimar; porque nem sempre parece ser justo com os injustos tomando por base o livro dos livros mais os outros do conhecimento e ainda uns outros, que são apócrifos, só porque alguém assim decidiu e, os encaixotou.

kota1.jpg E, ou porque diziam não bater a bota com a perdigota, ou assim coisa com coisa, como muitas leis que hoje temos; leis feitas em mesas redondas por mentes quadradas e que nos surgem bicudas. Que depois são votadas e nós aqui a gritarmos à toa, pró boneco!... A nossa vida, também ela é uma estória ou uma soma de pequenas estórias que encaixam num Universo sem fim, sem bordos, algo que a nossa compreensão não consegue alcançar de todo pelos muitos paradigmas que ao longo de gerações nos condicionaram o entendimento e comportmento.

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São regras a que todos obedecem porque a dado momento verificamos nada sermos e, na busca do conhecimento ficaremos sempre na incerteza que também é a teoria com que também, os mais sabedores terão de se conformar. Creio estarmos ainda a anos-luz do entendimento crucial do nosso ser, de quem somos e, sem nunca saber o que nos destino o próximo segundo; num dado momento estamos lúcidos a cem por cento e, logo a seguir já só somos um nada em uma outra dimensão.

kota7.jpg Essa é a quinta dimensão que num espaço etéreo, ficará só no sentimento como recordação em nossos mais próximos. Todos temos um ciclo e nele teremos de gozar o real agora, com a alegria de assim o ser; viver na irmandade do amor sincero ou puro, relembrando o resto para a compaixão dum entendimento plausível. Usar o bom senso desamarrando-nos numa constância para além do simples querer.

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Nesta fase de consciencialização, relembro o que nos foi legado pelo espírito de Chico Xavier: Não podemos alterar um triste fim mas, sempre teremos a hipótese de nos propormos a um novo começo. Como proposição, teremos de nos preencher com coisas pequenas para nos totalizarmos na harmonia do consolo; entender as fracturas que a vida nos proporcionou por coisas ou eventos que não nos agradam ver em outros.

kota4.jpg Sempre subsiste a dúvida de não sermos entendidos. Quantas vezes somos duros nas apreciações,  sermos assim dum jeito que nem sempre pode ser apreciado, embora se diga termos sido feitos à imagem de Deus. E, Deus que nem sempre parece acolher-nos, que nem sempre parece estar ali e da forma que queríamos que o fosse.

isabel lacuerda.jpg Naquele um outro dia, coisa recente, estive ao dispor do médico, muito cheio de aparatos que não existiam no tempo do meu avô Manuel Loureiro que morreu novo e tísico vindo do Brasil quando ainda era tão jovem. E, muitos outros se seguiram porque ainda não era conhecida a penicilina, o benuron, a aspirina mais o transístor e o micro-ondas; as ondas electromagnéticas e o domínio parcial do Vírus, das bactérias rondando-nos sem os fortes analgésicos, sulfamidas e antibióticos. Os tempos mudaram e, muito! Coisas boas outras más... Assim vamos, um dia de cadavez...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:06
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2016
MOKANDA DO PUTO. LXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 22.07.2016 …. É por estas e por outras que eu prefiro ir à Tasca do Galo comer uma bruta entremeada regada com um bom tintol da Terra de Lavas...

Mokanda : É uma carta

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

MOKANDA DUM AMIGO … Fui ao gourmet e tramei-me!

gourmet4.jpg Amigo T´Chingange

Tu sabes o quanto eu sou um tipo moderno, também chique, diga-se! Por isso não pude deixar de entrar num restaurante gourmet da moda aqui no burgo de Lxa. Vesti um Armani que comprei num saldo na Baixa da Banheira, calcei umas sapatilhas com uma vírgula estampada que regateei ao cigano e esfreguei-me em meio frasco de Chanel marroquino. Foi assim, cheio de cagança, nossa banga, como mandam as regras dum pelintra luso, que fui jantar ao tal restaurante, gerido por um “chef” reputado e internacional.

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Tramei-me! Antes tivesse ido ao tasco da esquina aviar uma bifana! Confesso que já levei muita tanga, mas como esta, nunca! Passei fome, fui gozado e fui roubado! Sempre achei que cozinhar era um acto de descontracção, de partilha, de alegria, de afecto. Tu bem sabes pelos convívios aí em teu pátio Andaluz a que tu chamas de Pátio Havanero.

abac6.jpg Bom! Eu até deveria desconfiar, porque aqueles concursos gastronómicos das TêVês transformaram as comezainas duma kizomba social sadia, em gratuitas agressões de stressante provocação com lágrimas e depressões. Enfim! Bom! Nós até já temos falado nisto mas, as parvoíces dos mestres cozinheiros da moda deixam-me em pulgas… arranjam pratos estapafúrdios e minimalistas apelidando-os de “criatividade culinária” e por aí…

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Colocaram-me um prato à frente que foi mais difícil de decifrar que as palavras cruzadas do JN ao domingo. Um prato que exibia 5 cm quadrados de um pobre robalo que pereceu inutilmente só para lhe extraírem um pedacito do cachaço, meia batata engalanada com um pé de salsa, e 2 ervilhas a nadarem numa colher de chá de um azeitado molho de escabeche, bem disfarçado com um nome afrancesado que nem vem nos dicionários.

abac3.jpg E, às tantas era uma liça de alto mar ou boga da Ria do Alvor. Para remate, três riscos de uma substância pastosa, estilo Miró, para preencher o restante do prato. Estava bonito, lá isso estava! Mas, o bruto do português, (que não eu, claro) habituado à sua travessa de cozido e ao panelo de feijoada, olha para aquilo, tu sabes, assim com uma cara de parvo capaz de assustar o menino Jesus. Esboça-se um sorriso amarelo ao empregado de mesa, uma melga à nossa volta, tudo óptimo sabes….

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E, enfiam-se dois Xanaxs quando nos metem a conta à frente. A muito custo, cala-se o berro de duas peixeiradas de cumcamano que nos vai na alma e pagas e não bufas! Nunca mais lá volto! E sabes que mais? Sempre é melhor comer aperitivos, como bolinhos de bacalhau e tremoços na tasca do Luís de Fornos de Algodres, que são muito mais saudáveis e muito mais baratos.

mamoeiro.jpgOu o pica no chão de Alguidares de Cima. Isto de encher o cu a pançudos já bastos, basta… Nunca mais, juro! Para ver pintura abstracta, vou à página do teu amigo, Mano Corvo Costa Araújo ou às coloridas flores de Assunção Roxo! Um regalo prós olhos noééé! Para ser roubado basta ir à Autoridade Tributária, vulgo Finanças... Olha, isto serviu.me de lição!

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Mas além de chique, maniento como tu me chamas, deveria ser mais desconfiado! Eu explico: Deveremos sim, de desconfiar destes cozinheiros que têm a ambição obsessiva de ser medalhados pela Michelin, Isso! Essa marca de pneus que agora se bandeou para a gastronomia! Quanto mais não vale esses convívios, tertúlias em teu Pátio Havanero com aqueles refrescantes mujitos com hortelã do teu quintal. Coisas que aprendeste com esse tal de Hemingway … Olha….Só posso ir aí, lá para o fim de Agosto! Um abraço…

Mano Andaluz

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:24
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Terça-feira, 19 de Julho de 2016
MALAMBAS . CXXXII

CINZAS DO TEMPO – 19.07.2016 - Não há maior religião do que a verdade! De novo, com prefácios encavalitados nas malambas do mundo … Hó Deus, vem cá abaixo ver isto!

MALAMBA: É a palavra.
Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

roxo27.jpg Hoje, a velocidade do progresso é tanta que o que se aprende na escola ou na universidade estará sempre atrasada ou desfasada do conhecimento global. Surgem a cada hora novas teorias sobre este ou aquele assunto sem nunca podermos ter a certeza de que realmente essa é a tese certa. Se for mesmo uma teoria, não pode ser comprovada porque é só o que é, uma teoria, e nada mais do que isso! Se essa teoria for coerente, sempre se fazem conjecturas e previsões podendo coincidir com as observações mas, mesmo assim, só poderemos ficar razoavelmente confiantes de que é aquela, a correcta.

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Agora que ninguém domina totalmente o conhecimento humano torna-se impossível manter os conceitos que nos regem nas ditas linhas gerais e, porque as teorias se modificam nas explicações de novas observações, nem tempo há para digerir ou torna-las entendíveis para os demais, sem corrermos o risco de perdermos a nossa liberdade!

Roxo31.jpg Já aceitamos ser enganados porque a mentira se vulgarizou a tal ponto que até nada se diz; preguiçando-nos nas falas, só encolhemos ombros! A mentira engravidou-se tanto que o medo, já nem tem medo do susto nem tampouco do inchaço das palavras mentirosas. As fronteiras da verdade atrapalham o conhecimento, logo agora que o gráfico da genialidade se apresenta como uma linha quasequase vertical. 

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Se considerarmos que a mente tem torpeza, as modernas encavalitaram-se nas antigas tornando a idade do bronze numa coisa pura; a da idade média, uma alternativa e, a hodierna uma falácia. Digo por isso que hoje não há mais fronteiras! A nossa existência não será capaz de compreender uma grande parte das leis que nos governam a nível de país e, nem a nível mundial.
É tudotudo um jogo de interesses que nos defraudam em revoluções que surgem fabricadas, urdidas, mordiscadas ou fabricadas para alterar o curso das coisas, sempresempre para nos lixar, trambicar! Hó Deus vem cá abaixo ver isto! Porquê fugiste tão novo para a casa do Pai?

Roxo32.jpg Agora até os estados fabricam inverdades para lavar a alma, reciclar os débitos e acicatar os créditos. Os Turcos até já fabricam revoluções! Aprenderam bem com os portugueses da leva da abrilada! Que se cuidem os militares e políticos que se deitaram a dormir sem entender que poderiam ser um dia reciclados! Quantas inverdades são necessárias para derrubar um governo? É aqui que entramos na matemática quântica com a “Teoria da incerteza”!

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Com quantos subterfúgios se pode fazer uma revolução? Recorram agora aos Turcos, seus estrategas, seus psicólogos, gentólogos, geniólogos e enólogos para averiguar as misturas certas de safadeza de como virar, fabricar e ordenhar uma revolução. E, olhem que mesmo com base em equações matemáticas não se obterá o desejável sucesso com as gentes se não houver um filho da vizinha perito em minas e armadilhas e coisas de dar volta ao miolo.

roxo33.jpg Já não há conhecimento perfeito de leis básicas para com o relacionamento humano. Nem misturando a química com a biologia se consegue discernir as atitudes maldosas de gente que usa de métodos medonhos a fim de alcançar seus fins! Depois vêm com tretas de que os fins justificam os meios. Não podemos fazer previsões nos resultados prováveis com essa técnica de marqueteiros (de marqueting), da estratégia de criar valor de satisfação e fidelização duns quantos correligionários que subscrevem dignidades vendidas em lojas de satisfação, de partidos e associações ou sindicatos! 

roxo34.jpg Depois! Para quê bater mais no ceguinho… teremos de contentar-nos com este teorema arranjado assim às pressas. “Nossa meta é a compreensão completa dos eventos que nos cercam, assim como de nossa própria existência”. Rebatermos a charneira do nosso descontentamento sem deixar de dignificar os novos potenciais desinteresses, sempre. O mais importante é gerar valores, passando a palavra da nossa pura antiguidade. Afinal, qual é a natureza do Universo?

Ilustrações de Assunção Roxo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2016
PARACUCA . XX

MULOLAS DO TEMPO4ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, JÁ CHEGOUAVISO AOS “FACEKAMBAS” - Fábrica de Letras in Kizomba com histórias da vida … Mulola só é rio quando chove...

Por

longe00.jpgUdo Gollub em Messe Berlin - (Conferência da Universidade da Singularidade) – Singularidade é o ponto em que a curvatura do ESPAÇO-TEMPO se torna infinita

longe1.jpg Em 1998, a Kodak tinha 170.000 funcionários e vendeu 85% de todo o papel fotográfico vendido no mundo. No curso de poucos anos, o modelo de negócios dela desapareceu e eles abriram falência. O que aconteceu com a Kodak vai acontecer com um monte de indústrias nos próximos 10 anos - e a maioria das pessoas não enxerga isso chegando. Você poderia imaginar em 1998 que 3 anos mais tarde você nunca mais iria registrar fotos em filme de papel?

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No entanto, as câmaras digitais foram inventadas em 1975. As primeiras só tinham 10.000 pixels, mas seguiram a Lei de Moore. Assim como acontece com todas as tecnologias exponenciais, elas foram decepcionantes durante um longo tempo, até se tornarem imensamente superiores e dominantes em uns poucos anos. O mesmo acontecerá agora com a inteligência artificial, saúde, veículos autónomos e eléctricos, com a educação, impressão em 3D, agricultura e empregos. Bem-vindo à quarta Revolução Industrial!

longe0.jpg O software irá destroçar a maioria das actividades tradicionais nos próximos 5-10 anos. O UBER é apenas uma ferramenta de software, eles não são proprietários de carros e são agora a maior companhia de táxis do mundo. A AIRBNB é a maior companhia hoteleira do mundo, embora eles não sejam proprietários. Inteligência Artificial: Computadores estão tornando-se exponencialmente melhores no entendimento do mundo. Neste ano, um computador derrotou o melhor jogador de GO do mundo, 10 anos antes do previsto. Nos Estados Unidos, advogados jovens já não conseguem empregos.

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Com o WATSON, da IBM, Você pode conseguir aconselhamento legal (por enquanto em assuntos mais ou menos básicos) dentro de segundos, com 90% de exactidão se comparado com os 70% de exactidão quando feito por humanos. Por isso, se Você está estudando Direito, PARE imediatamente. Haverá 90% menos advogados no futuro, apenas especialistas permanecerão. O WATSON já está ajudando enfermeiras a diagnosticar câncer, quatro vezes mais exactamente do que enfermeiras humanas.

longe01.jpg O FACEBOOK incorpora agora um software de reconhecimento de padrões que pode reconhecer faces melhor que os humanos. Em 2030, os computadores tornar-se-ão mais inteligentes que os humanos. Veículos autónomos: em 2018 os primeiros veículos dirigidos automaticamente aparecerão ao público. Ao redor de 2020, a indústria automobilística completa começará a ser demolida. Você não desejará mais possuir um automóvel. Nossos filhos jamais necessitarão de uma carteira de habilitação ou serão donos de um carro.

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Isso mudará as cidades, pois necessitaremos 90-95 % de menos carros para isso.  Poderemos transformar áreas de estacionamento em parques. Cerca de 1.200.000 pessoas morrem a cada ano em acidentes automobilísticos em todo o mundo. Temos agora um acidente a cada 100.000 km, mas com veículos autodirigidos isto cairá para um acidente a cada 10.000.000 quilómetros. Isso salvará mais de 1.000.000 de vidas a cada ano.

longe2.jpg A maioria das empresas de carros poderá falir. Companhias tradicionais de carros adoptam a táctica evolucionária e constroem carros melhores, enquanto as companhias tecnológicas (Tesla, Apple, Google) adoptarão a táctica revolucionária e construirão um computador sobre rodas. Eu falei com um monte de engenheiros da Volkswagen e da Audi: eles estão completamente aterrorizados com a TESLA. Companhias seguradoras terão problemas enormes porque, sem acidentes, o seguro se tornará 100 vezes mais barato. O modelo dos negócios de seguros de automóveis deles desaparecerá.

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Os negócios imobiliários mudarão. Pelo fato de poderem trabalhar enquanto se deslocam, as pessoas vão se mudar para mais longe para viver em uma vizinhança mais bonita. Carros eléctricos tornar-se-ão dominantes até 2020. As cidades serão menos ruidosas porque todos os carros rodarão electricamente. A electricidade se tornará incrivelmente barata e limpa: a energia solar tem estado em uma curva exponencial por 30 anos, mas somente agora Você pode sentir o impacto. No ano passado, foram montadas mais instalações solares que fósseis. O preço da energia solar vai cair de tal forma que todas as mineradoras de carvão cessarão actividades ao redor de 2025.

longe3.jpg Com electricidade barata teremos água abundante e barata. A dessalinização agora consome apenas 2 quilowatts/hora por metro cúbico. Não temos escassez de água na maioria dos locais, temos apenas escassez de água potável. Imagine o que será possível se cada um tiver tanta água limpa quanto desejar, quase sem custo.

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Saúde: O preço do Tricorder X será anunciado este ano. Teremos companhias que irão construir um aparelho médico (chamado Tricorder na série Star Trek) que trabalha com o seu telefone, fazendo o “escaneamento” da sua retina, testa a sua amostra de sangue e analisa a sua respiração (bafómetro). Ele então analisará 54 bio-marcadores que identificarão praticamente qualquer doença. Vai ser barato, de tal forma que em poucos anos cada pessoa deste planeta terá acesso a medicina de padrão mundial praticamente de graça.

longe7.jpg Impressão 3D: o preço da impressora 3D mais barata caiu de US$ 18.000 para US$ 400 em 10 anos. Neste mesmo intervalo, tornou-se 100 vezes mais rápida. Todas as maiores fábricas de sapatos começaram a imprimir sapatos 3D. Peças de reposição para aviões já são impressas em 3D em aeroportos remotos. A Estação Espacial tem agora uma impressora 3D que elimina a necessidade de se ter um monte de peças de reposição como era necessário anteriormente. No final deste ano, os novos smartphones terão capacidade de “escanear” em 3D. Você poderá então escanear o seu pé e imprimir sapatos perfeitos em sua casa. Na China, já imprimiram em 3D todo um edifício completo de escritórios de 6 andares. Lá por 2027, 10% de tudo que for produzido será impresso em 3D.

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Oportunidades de negócios: Se Você pensa em um nicho no qual gostaria de entrar, pergunte a si mesmo: “SERÁ QUE TEREMOS ISSO NO FUTURO?”; se a resposta for SIM, como poderá Você fazer isso acontecer mais cedo? Se não funcionar com o seu telefone, ESQUEÇA a ideia. E qualquer ideia projectada para o sucesso no século 20 estará fadada a falhar no século 21. Trabalho: 70-80% dos empregos desaparecerão nos próximos 20 anos. Haverá uma porção de novos empregos, mas não está claro se haverá suficientes empregos novos em tempo tão exíguo.

longe8.jpg Agricultura: haverá um robô agricultor de US$ 100,00 no futuro. Agricultores do 3º mundo poderão tornar-se gerentes das suas terras ao invés de trabalhar nelas todos os dias. A AEROPONIA (http://tudohidroponia.net/aeroponia-um-tipo-de-hidroponia/) necessitará de bem menos água. A primeira vitela produzida “in vitro” já está disponível e vai tornar-se mais barata que a vitela natural da vaca ao redor de 2018.

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Actualmente, cerca de 30% de todas as superfícies agricultáveis são ocupados por vacas. Imagine se tais espaços deixarem se ser usados desta forma. Há muitas iniciativas atuais de trazer proteína de insectos em breve para o mercado. Eles fornecem mais proteína que a carne. Deverá ser rotulada de FONTE ALTERNATIVA DE PROTEÍNA. (porque muitas pessoas ainda rejeitam ideias de comer insectos).

longe9.jpg Existe um aplicativo chamado “moodies” (estados de humor) que já é capaz de dizer em que estado de humor Você está. Até 2020 haverá aplicativos que podem saber se Você está mentindo pelas suas expressões faciais. Imagine um debate político onde estiverem mostrando quando as pessoas estão dizendo a verdade e quando não estão. O BITCOIN (dinheiro virtual) pode se tornar dominante este ano e poderá até mesmo tornar-se em moeda-reserva padrão.

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Longevidade: actualmente, a expectativa de vida aumenta uns 3 meses por ano. Há quatro anos, a expectativa de vida costumava ser de 79 anos e agora é de 80 anos. O aumento em si também está aumentando e ao redor de 2036, haverá um aumento de mais de um ano por ano. Assim possamos todos viver vidas longas, longas, possivelmente bem mais que 100 anos.

longe11.jpg Educação: os smartphones mais baratos já estão custando US$ 10,00 na África e na Ásia. Até 2020, 70% de todos os humanos terão um smartphone. Isso significa que cada um tem o mesmo acesso a educação de classe mundial. Cada criança poderá usar a academia KHAN para tudo o que uma criança aprende na escola nos países de Primeiro Mundo.

As escolha do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:05
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Domingo, 3 de Julho de 2016
MUXOXO . XXXV

TEMPO COM CINSAS - As verdades parecem estar sempre armadilhadas…Só sei que as alcachofras ajudam o sistema digestivo!…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

apocri5.jpg A possibilidade de viajar no tempo permanece em aberto mas, não quero insistir nisto porque não posso apostar com Deus; não sou nada para obter vantagem com ou no futuro que só a ele pertence. É bom que assim seja porque do contrário não haveria vida na terra, nem a escassa hipótese de se poder ir para o céu do cosmos por não temos connosco o livre arbítrio de decidir. Tanta gente a não querer morrer …e, morre! Infalivelmente!

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Encafifado e, sem esse livre arbítrio, resolvo-me nos paradoxos de viajar no espaço, dando hipóteses a estórias alternativas que sempre diferem dos registos possíveis e, até demasiado banais. Deste modo posso agir livremente sem as limitações de coerência com o prévio. Um desafio de traição ao senso comum ou usual. Todas essas criações entrelaçadas com muitos outros eventos, tornando-se prováveis ou mesmo possíveis; um jogo bem difícil e sujeito a muitas críticas nas melhores previsões.

apocri4.jpg Já disse algures que o Universo tem muitas histórias; não é correcto dizer-se ter só uma e até podemos formar um ou mais cenários com intuições diferentes, embora equivalentes. Progride-se assim no encontro de teorias parciais que descrevem um espectro limitado de acontecimentos negligenciados ou outros efeitos com determinadas aproximações. Se assim não fosse, não haveriam escritos apócrifos

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E, considerando as normas jurídicas, um documento apócrifo é aquele que não tem origem conhecida, que não traz identificação ou assinatura, ou que não está autenticado; só isto! Não tanto assim. É também um adjectivo usado para designar uma obra de um autor desconhecido. Coisas estereotipadas como sendo um evento oculto ou que não foi explorado. Um termo que trata com desdém assuntos sagrados, não incluídos pela Igreja cristã nos livros de inspiração divina e, que são considerados autênticos sem certezas absolutas.

apocri3.jpg Para a religião católica, todos os livros escritos sem o reconhecimento dos ensinamentos de Jesus Cristo, são considerados livros apócrifos, também chamados de livros pseudo-canônicos, que segundo a religião alguns escritos comprovam que não podem ser aceitos como palavra de Deus, pois contêm ensinamentos incoerentes com o restante da Bíblia.

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Quantas incoerências encontramos nós em nossa etapa de vida! Somos cada vez mais bolhas de nada como bolas de sabão que sopradas por um canudo crescem, crescem e depois simplesmente sublimam-se em espaço sem bordas. Que canudos teriam soprado Tiago e Paulo para seus escritos serem considerados apócrifos como o Evangelho de Maria Madalena?

apocri2.jpg Assim progredimos encontrando teorias parciais que descrevem um aspecto limitado de acontecimentos e negligenciando outros. Estas aproximações não levam em consideração a incerteza, característica fundamental do Universo aonde vivemos! Nunca devemos encerrar por completo as leis ditas definitivas da natureza e, porque em verdade já alimentamos falsas esperanças antes! Os valores verdadeiros e as intensidades correspondentes, não podem ser previstos com base na teoria; precisam ser escolhidos para se adequarem às observações…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:47
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2016
CAFUFUTILA . CXV

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA  - 10ª de várias partes…

AS TÁGIDES DE TOLEDO - Continuamos em terras de “Castilla La Mancha” – Um possível encontro com Zachaf Pigafetta Roxo a kianda tetravó de Roxo e Oxor a mesmíssima Assunção que ora é Maria ora só é Assunção.

Ongweva é saudade

Por

soba 01.jpgT´Chingange

cronicas mano corvo.jpg A conversa a três, eu o T´Chingange mais o Januário Pieter e Costa Araújo Primeiro, auxiliar de El Greco o pintor, continuou da forma descrita com pormenores de verrugas e coisas de arte, segredos de tintas feitas com sangue de besouro, vísceras de moluscos, seiva de plantas e ovos galados! Esta dos ovos galados, não entendi na perfeição, mas o interesse foi tanto que resolvemos fazer visita guiada pelo futuro mestre auxiliar do El Greco, Costa Araújo Primeiro. Saindo da “plaza del ayuntamiento” o candidato a pintor, levou-nos por travessas empedradas, escorrendo borras de uva com mijo de burra prenha e palha de estrebarias.

costa8.jpg Passamos a taverna Cuatro tempos, cruzando à direita em direcção a Alcázer andamos pela Calle Del Locum e, seguimos por outra tão apertada que até duvido que fosse possível por ali passar um camelo com um fardo de palha que fosse. Paramos em um pátio muito cheio de trastes, um cheiro acre e agressivo com montículos de alvaiade e potes com produtos variados, cheirando a óleos indistintos. E havia numa das paredes mais ou menos arrumadas, paletes, pinceis, trinchas, espátulas e até serrotes e martelos.

costa araujo 1.jpeg Era naquela calle de la Calavera, um lugar lúgubre e não muito longe do Palácio Alcazar que ficavam os grandes galpões do pintor El Greco Doménikos Theotokópoulos e, em uma dependência lateral entramos em um outro cubículo. Era aqui que o ainda auxiliar de pintura Araújo, um galego fora de portas, da Bracara Augusta, mantinha o seu mukifo de coisas encantadoras encostadas ou penduradas entre cacos antropológicos e, numa placa encastrada na rustica parede podia ler-se “Pátio Andaluz Del Toro”.

ara3.jpg E, como que fazendo um friso de museu ali estavam colgados cornos retorcidos e caveiras com paletes borradas de muitas cores; percorrendo a vista pelas telas, pranchas e cavaletes, mais ossadas de indistintos animais fiquei assim meio recolhido num soluço medroso sem saber que a arte neste tempo era algo de muita pesquiza pelas cores e formas bizarronas de gente esguia, orelhudas e olhos de meter medo ao diabo!

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Ainda me atrevi a fazer uma pergunta: - Para que pintam vocês e, para que servem estes painéis esguios e, … mesmo antes de acabar as perguntas meio amedrontadas O Araújo, meu Mano Corvo por divina indigitação disse-me: - São para colocar nas sacristias das igrejas. Vês aqui este, e apontou um quadro que mostrava um homem feio, horrível mesmo, desdentado, dedos longos e unhas de garras açambarcando um montão de moedas em oiro que escorriam para debaixo da cama.

costa12.jpg - Isto, disse ele, simboliza a avareza e, este aqui meio diluído por detrás destas barricas é o diabo; tem este aspecto para amedrontar. Os bispos através destas gravuras impõem o respeito ao povo e, sempre querem que nós façamos o que mandam as regras de não roubarás, não matarás, não cobiçarás a mulher do vizinho e, por ai! Os medos, as lendas aqui, têm de ficar sempre presentes. 

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 – Faço isto nas horas vagas para ganhar uns trocos, umas patacas extras. O Mestre não nos paga e somos nós, eu e uns mais, que pintamos os mantos, as nuvens, as árvores mais os rios, os montes, o pôr do sol raiado de incertezas, da chuva ou trovoada e, sempre após os traços dele, o El Greco. Houve uma cor em especial que me chamou a atenção e porque mostrei interesse ali fique especado a ouvir o meu Mano Corvo Primeiro a descrever que aquela cor purpura era só usada para determinadas figuras.

araujo51.jpg Era o Roxo que ia dos matizes entre o vermelho e o azul. Esta cor ainda é obtida através de algumas espécies de moluscos nativos do Mar Mediterrâneo! Pela dificuldade na sua obtenção e seu alto preço, esta cor era um dos mais importantes e mais caros pigmentos naturais da Antiguidade, disse ele. Em Roma só os imperadores a podiam usar em vestes e, quem ousasse usa-las pagava com a morte ou ficava no cadafalso a apodrecer!

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Neste entretém, deu para meditar sem nada falar da estória que estava obrigado a descrever sobre as kiandas Roxo e Oxor. Uma preocupação trazida do futuro, lá da América do Sul, um lugar chamado de Brasil e duma praia chamada de Guaxuma! As coisas não são assim tão fáceis de explicar porque neste retroceder do tempo esqueci-me de muitos pormenores. Por isso recorro à kianda Januário Pieter que me aviva a mente e, curiosamente mostrando-me meus próprios escritos do século XXI. Mas, nem sei porquê, só me dá a ver! Também, se não fosse assim, quereria voltar rápido para junto da minha TV e ver o futebol, o Portugal com a Polónia, o golo do Renato, o outro do pé pelo Ronaldo e mais o da cabeça de Quaresma.

cafu11.jpg Sentado no meu silêncio mastigando perguntas e respostas caladas, Pieter deu dois passos calçados no meu sobreconsciente. Num cadavez mais eufórico, Pieter falava todas as suas razões, falava de seus muitos tios e edecéteras. Eu só fingia que entendia e ele, sabi-o, subentendia-o, mas também ficava moita-carrasco!

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Eu só disse, simplesmente: - Tá bem! Ele via o meu desespero em saber das coisas vindouras mas, só pude obter dele a promessa de que ele levaria no final do Concílio de Alcázer a tal antiga progenitora, tetravó de Roxo, a tal kianda Zachaf Pigafetta Roxo vinda do lago Niassa, (Zachaf) bem nos caminhos que levavam às terras de Prestes João.

alhambra3.jpgDe Picaço

 - Teremos de ir primeiro a Albayzin de Alhambra um Pambu N´jila especial, porque só lá, ela pode aparecer a gente do futuro como tu e eu que sou um aleatório andante nestes caminhos do senhor, dos caminhos minkisi! Na minha ideia, já cruzava os ares, as ruelas estreitas de aroma de mijo com tapetes molhados; misturas de cheiros de churros, las tapas de argolas de lulas e vendo do outro lado do vale as muralhas e torres de Alhambra. E, o rio Darro ali ao pé. Teria de esperar! O que não tem remédio remediado está! São as percepções que trago do futuro que me suportam as angustias simbis… Tenhamos paciência, pouco a pouco lá chegaremos.

costa11.jpg Glossário:

N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga; Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto; kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral; Mukifo: espaço de trabalho, lugar recolhido com coisas espalhadas ao acaso; Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos e permanece até o toque do medo, adrenalina, guardador de caminhos com saber do ontem, do hoje e do amanhã; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Globália. - O Mundo. Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e África central; Albayzin: - Bairro Mouro de Granada…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:38
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2016
MAIANGA . XVIII

MANIKONGO E MARACATU - UM SÃO JOÃO COM SARDINHAS  - Porto, Braga, Maceió, Caruaru e a Luua – A sangria, o caldo de feijão, a coxinha de galinha, chouriço e o ananás recheado de velho barreiro com muito gelo ou o marufo da cassoneca…

Maianga é um bairro de Luanda, Angola da Luua, meu berço tropical.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

AS FESTAS JUNINAS 

engraxador2.jpg Junho, mês das festas populares é festejado por toda a kizomba; as marchas, os casamentos, o saltar da fogueira, o baile de mastro o xodó e forró pé-de-serra, fazem parte dessas manifestações na diáspora portuguesa. O maracatu, sendo uma manifestação junina pouco conhecida em Portugal, tem a sua representação maior no Nordeste Brasileiro.

sururu0.jpg Originário da coroação dos reis do Congo, antigo Manikongo, foi transposto pelos escravos idos de Angola para as explorações de cana-de-açúcar. O cortejo de coroação real composto de rainha, rei, príncipe, princesa, ministros, conselheiros, vassalos e porta-bandeira vestidos de cores extravagantes, saem às ruas em grupos ou quadrilhas para energizarem a vida.

Resultado de imagem para festa da sardinha 2016  Maracatu é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana afro-brasileira. É formada por uma percussão que acompanha um cortejo, uma instituição que compreende um sector administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança. A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei Congo.

  A nosso Kizomba, fazendo registo deste património não pode ficar alheio e, com seus chocalhos, concertina, guizos e tambores junta-se à plebe, à folia para alegrar nobres, sábios, cipaios, homens ricos e M´bikas (escravos) que se devem juntar ao evento com balões, alho porro, martelinhos e fogo de artifício. A ciência leva-nos a pensar que o Universo nos é inteiramente racional ou matemático mas, nas festas populares, com aquele tintol, tudo pode acontecer. Beba a festa carago!... Se não tiver alvarinho venha o vinho…

Resultado de imagem para portugal croácia futebol

Atento às passadas e calcanhar de Cristiano fazemos figas, damos as mãos uns aos outros fazendo uma corrente mas, cinco passos cadenciados, pernas abertas, olhar de raio laser e zás-trás, chute e xissa! … Também isto é parte de São João com fumo de sardinhas e pucarinhos com delicias de bolo podre e as esculturas ditas cascatas do Santo mais os manjericos e sumo ou suco de erva cidreira, capim santo ou caxinde.

maraca2.jpg A bola do Ronaldo que não fez aquela mágica curva, que nos faz roer aszunhas dos pés. E, a queixada do Santo António a triturar-nos a ira com jeito de surda raiva pelo  Santo, que nada fez quando não faz. As festas juninas estão aí, Porto e Braga e também no Brasil com o Xodó e a zavumba mais reco-reco e berimbau. Não vou fazer a habitual fogueira, nem saltarei de costas, nem mais irei confiar na sorte sortuda porque me posso lixar.

marechal D4.jpg Amigão kaluanda da velha Luua fica também connosco, bebe uma bolunga, ergue a taça que vamos ter pela frente outras mais oportunidades de fazer muxima e ongweva. Prepara a catana p´ra pintar esse emaranhado de cabeleiras a piaçaba, carapinha, as cores do M´Puto com um garrafão a fingir de balão. Por mim vou dizer ao meu santo preferido que dê uma volta ao bilhar grande se não estiver disposto a dar-nos a victória contra a Croácia. Santos de Junho, Santo António, São João e São Pedro com gaitas, berimbau, sanfona, acordeão e concertina e muito manjerico com quadras lindas! Podia ser melhor, mas foi isto que me saiu…

Resultado de imagem para são joão porto

Cantai, Cantai, raparigas

Cantai sempre ao S. João

Porque ele paga as cantigas

Com muito bom coração.

 

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:23
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Sexta-feira, 17 de Junho de 2016
XICULULU . LXXIX

TEMPO DAS CINZAS - Constantino enganou-nos impondo ao Império Romano o cristianismo…. O tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre...

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por

CARLOS3.jpgCARLOS FERREIRA

Aos meus amigos(as) – 4ª de 12 Partes

carlos12.jpg (…) No mesmo ano um terceiro livro surgiu: De architetura et commento artis Lulli ("Sobre a Arte de Lúlio e comentário"). Lúlio havia tentado provar os dogmas da Igreja por meio da razão. Bruno nega o valor desse esforço mental. Ele argumenta que o Cristianismo é inteiramente irracional, que é contrário à filosofia e que contraria outras religiões. Salienta que nós o aceitamos pela fé, a assim chamada revelação não tem base científica.

carlos4.jpg No seu quarto trabalho Bruno escolhe a feiticeira de Homero, Circi, que mudava homens em bestas e faz Circi discutir com sua criada o tipo de erro que cada besta representa. O livro Cantus Circaeus mostra Bruno trabalhando com o princípio da associação de ideias, e continuamente questionando o valor dos métodos de conhecimento tradicionais.

carlos8.jpg Em 1582, com a idade de 34 anos, ele escreveu uma comédia em italiano, Il Candelajo, um fabricante de velas que sai a anunciar seus produtos com gritos e estardalhaço: "... As velas que fiz nascer, as quais iluminarão certas sombras de ideias...O tempo dá tudo e tudo toma, tudo muda mas nada morre... Com esta filosofia meu espírito cresce, minha mente se expande. Por isso, apesar de quanto obscura a noite possa ser, eu espero o nascer do dia...

carlos9.jpg Alegrem-se, portanto, e mantenham união, se puderem, e retribuam o amor com amor." Nessa peça faz uma representação eloquente da sociedade napolitana contemporânea, como um protesto contra a corrupção social e moral da época. Na primavera de 1583, não obstante a cordial acolhida que lhe fora dispensada em Paris pelo rei e pelos espíritos desvinculados do aristotelismo, Bruno resolve sair da França. Seja porque não pudesse mais sustentar sua popularidade em Paris, ou por que a cada dia se tornava mais grave a ameaça de uma renovação da guerra civil.

carlos5.jpg Em abril de 1583 Bruno mudou-se para Londres, com uma carta de apresentação de Henrique III para seu embaixador para as ilhas britânicas, Michel de Castelnau. Sob a rainha Isabel, a Inglaterra vivia um Renascimento tardio. A rainha, filha de Henrique VIII e Ana Bolena, nasceu 1533. Terceira na linha de sucessão de seu pai Henrique VIII, reinou de 1558 a 1603, depois de seu irmão doente Eduardo VI e depois de sua irmã mais velha Maria I, que foi casada com Felipe II de Espanha. É possível que o brilho do período elisabetano tenha atraído Giordano Bruno à Inglaterra. Pronunciou em Oxford uma série de conferências no verão do mesmo ano nas quais expunha a teoria de Copérnico mantendo a realidade do movimento da terra.

carlos11.jpg Oxford, como as demais universidades europeias da época, cultivava a reverência escolástica pela autoridade de Aristóteles. Bruno, ao seu modo impetuoso, pregava que não se deveria acreditar no que Aristóteles havia afirmado, quando a simples observação da natureza demonstrasse o contrário. Devido à recepção hostil dos professores oxfordianos às suas ideias, ele voltou para Londres onde permaneceu como hospede do embaixador da França Castelnau.

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:05
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Segunda-feira, 13 de Junho de 2016
NIASSALÂNDIA . II

TEMPOS DORMIDOS Entre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido …

Mulola só é rio quando chove

Por

soba 01.jpg T´Chingange

ada2.jpg Hoje descobri que a possibilidade de provar que o Universo seguir a maioria das estórias possíveis e desprezível, mas há um género de estórias em particular muito mais provável do que outras, porque há vinte milhões de anos atrás, o Universo teria um tamanho mínimo igual ao raio máximo da história do tempo imaginário. Como num jogo de legos atirados ao acaso o Universo expandiu-se como um modelo inflacionário caótico.

pap3.jpg Cada história na soma de estórias descrever-se-á não apenas no espaço-tempo, mas também em tudo o que há nele incluindo o ser humano. Uma teoria científica não passa de uma forma matemática concebida para descrever nossos pontos de vista, nossas observações, e não fará sentido de qual dos tempos, real ou imaginário faz mais sentido aceitar. Simplesmente a questão limitar-se-á em determinar qual das teorias tem mais utilidade.

PAPAL4.jpg Com o êxito das teorias científicas em descrever os eventos, a grande maioria das pessoas, passou a acreditar que Deus permite ao Universo evoluir de acordo com uma seria de leis em que Ele não intervém para violá-las. Contudo, as leis não nos dizem como deveria ser o aspecto do Universo em seu início. Ainda caberia a Deus dar corda ao relógio e decidir como o pôr em funcionamento.

kunene2.jpg Considerando que o Universo tenha tido um início, teremos de supor que houve um criador. Mas, se o Universo fosse de facto absolutamente contido em si mesmo, sem rebordos e sem contornos, ele não teria início nem fim. Ele, o Universo, só o seria! Nesse caso, como fica o papel de um criador?

nand1.jpg Ao ser capazes de avançar no tempo imaginário, devemos ser capazes de nos virar e retroceder. Sendo assim, significa que não pode haver diferença importante entre o ir para a frente e para trás no tempo imaginário. De onde vem essa diferença entre passado e futuro? Por que nos lembramos do passado e não do futuro? Como um jogo de legos jogado num chão, assim a desordem aleatória aumentará com o tempo porque, sempre o medimos na direcção em que a desordem evolui. É quase assim como uma espécie de lei de Murphy em que a desordem ou entropia, sempre aumenta com o tempo em que, tendem a dar errado…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:26
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Sábado, 11 de Junho de 2016
MUXOXO . XXXIII

NAS BRAZAS DO TEMPO - Meu futuro é amanhã! Ontem, foi meu prefácio… Temos de reparar nos pequenos gestos que promovem o bem-estar com sorrisos de agora…

Por

soba0.jpegT´Chingange

amigo1.jpg No posfácio da vida entramos e saímos dos nossos dias sem sempre repararmos nos pequenos gestos que promovem o bem-estar com sorriso. No passar dos dias, nem sempre ligamos aos sinais de aviso que nos são dados por nosso corpo. Por vezes até são pequenos nadas que desprezamos com o deixa andar porque o que tiver de acontecer, acontece! Quantas vezes se diz, não há-de ser nada se Deus quiser ou ainda, isto passa!

amiz2.jpg Penso que devemos envelhecer mantendo sempre atitudes de prevenção e nunca deixando que a doença prevaleça à saúde. Por vezes faz falta parar para reflectir, nunca acreditando em tudo que nos é incutido como verdade absoluta, no que respeita a nossa saúde e bem-estar. É importante desmistificar de que apenas os fármacos e químicos no trato da doença, se obtém sucessos.  Nos dias que correm e pelos exemplos que observamos, nem sempre a palavra de um médico tem o poder científico completamente idóneo.

fifa3.jpg Podemos tratar de nós próprios se nos preocuparmos em conhecer estratégias de intervenção na prevenção da doença! Não podemos sobrecarregar Deus nesses cuidados nem tampouco nos devemos meter inteiramente nas mãos de um médico sem fazermos análise de proposições confrontando dados com outros médicos, com naturopatas, com farmacêuticos e gente que trabalha com raízes, gente que já experimentaram milagres usando este e aquele produto da natureza.

vacas voadoras.jpg Eu, como com frequência argila já há muitos anos e, foi com ela que eliminei as chamadas ulceras e a azia permanente! Brincando, digo que como terra antes que ela me coma mas não posso impingir isto a ninguém e muito menos a gente que ingere dúzias de comprimidos por dia. Envelhecer de forma saudável, sentirmo-nos melhores no dia-a-dia é um processo possível, sim!  

kamangula2.jpg Teremos isso sim, de fortalecer o nosso lado biológico composto por quase dez triliões de células fornecendo-lhes os nutrientes indispensáveis às necessidades de cada um de nós. As células têm um tempo limitado regenerando-se automaticamente, mas se envelhecemos, é porque existem desequilíbrios e carências que as impedem de se regenerar inteiramente.  

dy15.jpg É aqui que teremos de revolucionarmo-nos desenvolvendo tratamentos complementares e, sempre que possível naturais, que permitam apaziguar situações gravosas como algumas consideradas degenerativas como o cancro por exemplo. No meu ziguezague de vida hospedando-me em ideias leves aos poucos, torno-me dono de longas circunstâncias sem querer comprometer-me com longos anseios respeitando só a exacta excitação de querer fazer o que me apetecer, um dia de cada vez. Não sei qual será meu futuro e por isso preocupo-me com o agora sem esquecer o passado! Meu futuro é amanhã! Ontem, foi meu prefácio…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:21
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Sábado, 4 de Junho de 2016
NIASSALÂNDIA . I

FOI À 41 ANOS . 1975 – ANO DA MINHA SINGULARIDADE*; FOI Á 71 ANOS – ANO DO MEU BIG BANG** Se, todos os eventos se sublimam…. Por que nos lembramos do passado, mas não do futuro? Será assim um espaço imaginário ou euclidiano***

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange (04.06.1945)

Resolvi ofertar-me com uma prenda. No tempo imaginário o ir para a frente ou para trás, não há importantes diferenças…

niassa4.jpg Nasci em alto mar num barco chamado Niassa. Assim conta a minha lenda por preterir ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada ao vento para encobrir desonras, coisas acontecidas, eventos sem heroicidade. Um quarto de hora antes da meia-noite do dia 11 de Novembro de 1975, minha nação, meu barco, levantou âncoras dos mares da Luua com a bandeira do M´Puto embrulhada na tampa dum baú, uma mala de ilusões.

ngola01.jpg Com os sentimentos de culpa enrolados numa bandeira verde-vermelha, tornada um trapo vulgar, minha nação Niassa, o paquete, fez-se ao alto mar vendo-se de longe os festejos celebrando de forma dantesca um evento, o nascimento de um novo país chamado de Angola. As bracejantes iluminando o céu davam a conhecer ao mundo a incompetente indulgência vermelha duma proclamação sem simbolismo formal, feita com tiros e bravatas escusas destituídas de actos valorosos.

niassa01.jpg A cidade que me viu crescer tornava-se numa imensa lixeira fétida e pestilenta aonde o calor e a humidade aceleravam a decomposição dos detritos, dos animais e pessoas mortas, deixadas a esmo. Aquele meu ilusório país tornar-se-ia em uma enorme xitaca com muitos e demolidores slogans como o de “a luta continua”. E, continuou sim! E, foi Portugal que deu permissão antes e durante tal evento, o desembarque nas costas de Angola, material bélico, e homens; Cubanos e não só a ajudar o MPLA.

niassa7.jpg Os Tugas Ultramarinos por ali iam ficando à mercê de gente mal preparada, até para se gerir a si próprios. Foi necessária a intervenção da comunidade internacional que e a custo começassem a evacuar os Tugas Ultramarinos. Meu sonho, o sonho de milhares ficaram bem na sombra movente por debaixo de um imbondeiro; Já nesse tempo as sombras morriam à tarde, juntando-se ao luto das muitas conversas agridulces que se arrastaram no tempo até ficarem esquecidas; os regulamentos dum tal de MFA.

niassa9.jpg Pois! Nasci em alto-mar, num paquete chamado de Niassa, por isso sou Niassalês; para pior, antes assim! Diga-se em verdade que o início e o fim de nós neste mundo, não é assim tão relevante. Vivi durante o tempo da estação civilizadora, subi e desci rios apalpando as margens que eram minhas, assim pensava; as previsões desconvidaram-me das conferências, das tertúlias, das vivências.  

nito0.jpeg Tentei encontrar o Prestes João mas fui ficando nas margens de cá do ultramar, daqui e dali. Meus tempos ficaram na estória, tempos do branco das lojas, do branco autoridade do M´Puto, brancos de polainas lustrosas e galões doirados, chapéus ornados como escudos de carnaval. Para quê tanto aparato com políticos de cacaracá, para tudo terminar desfeito. Sou desse tempo dos besugos patrícios, da segunda metade do século XX e dos militares de aviário do setentaecinco. Que mal fiz eu ao Nosso Senhor, meu tio?

mocnda10.jpgSou Niassalês sim senhor! Não tenho de prestar honrarias com alvissaras a tanto desclassificado que não se fez respeitar! Prestar honrarias a tantos medalhados que a história vai decerto esquecer. Para o que se der e vier, conste-se que nasci em alto-mar, futuro deposito das minhas cinzas, águas intercontinentais…

:::::

Notas:

* Singularidade: Ponto em que a curvatura do espaço-tempo se torna infinita ou não é cercado por um buraco negro

** Big Bang: A singularidade no início do meu fado no espaço-tempo, um vazio quadrimensional cujos pontos são eventos.

*** O espaço euclidiano não é tecnicamente um espaço vectorial mas mais exactamente um espaço afim, em que um espaço vectorial age.

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:58
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Terça-feira, 31 de Maio de 2016
XICULULU . LXXVII

TEMPO COM CINZAS - Andamos a ser enganados pelo imperador Constantino que, há muitos anos, resolveu impor ao Império Romano o cristianismo….

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por

ferreira0.jpgCARLOS FERREIRA

Aos meus amigos(as) – 2ª de 12 Partes

ferreira1.jpg (…) Outra influência sobre Bruno, versando o mesmo campo, supõe-se que foi a de Giovanni Battista Della Porta, um erudito napolitano que publicou um livro importante sobre mágica natural. Nessa área, porém, talvez a influência predominante sobre Giordano Bruno tenha sido a da antiga religião egípcia do culto ao deus Toth, escriba dos deuses, inventor da escrita e patrono de todas as artes e ciências, e identificado com o deus grego Hermes Trismegisto (Três vezes grande) pelos neoplatónicos. As obras de Platão e também a Hermética, que é o conjunto dos segredos revelados por Hermes-Toth que constituem as ciências ocultas e astrologia a nível popular, e certos postulados de filosofia e teologia a nível erudito, - introduzidos em Florença por Marsilio Ficino ao final do século anterior.

ferreira7.jpg Em 1565, aos 17 anos, Bruno recebe hábito de São Domingos, no convento de San Domenico Majore, em Nápoles (onde São Tomas de Aquino havia leccionado), ocasião em que muda o nome para Giordano. Ordenado sacerdote em 1572, continuou no convento seus estudos de teologia, que concluiu em 1575. Intolerante com a ignorância dos colegas de claustro; aborrecia-se com as discussões de subtilezas teológicas. Leu dois comentários proibidos de Erasmus e discutia desassombradamente a heresia de Ariano, que negava a divindade de Cristo. Sua excepcional habilidade com a arte da memória viria a atrair tutores, e foi levado a Roma para demonstrar suas habilidades ao Papa.

ferreira12.jpg Suas tendências heterodoxas provocaram censuras e admoestações e por fim chama a atenção da Inquisição em Nápoles. Em 1576 deixou a cidade para escapar a um processo de heresia instaurado pelo Provincial da ordem. Fugiu para Roma onde foi vítima de uma acusação improcedente de assassinato. Um segundo processo de excomunhão em Roma fez com que fugisse novamente. Deixou o hábito dominicano e perambulou pelo norte da Itália por mais de um ano. Em 1578, viajou para a França e Suíça, onde, em Genebra, ganhava a vida fazendo revisão de textos.

ferreira11.jpg Abraçou o calvinismo, talvez apenas por conveniência por se achar em um país calvinista, porque logo publicou um escrito em que criticava um professor calvinista. Discorda da tese calvinista da justificação por meio da fé e não das obras, o que significa desvalorização e desprezo de toda caridade, misericórdia e justiça. A reacção dos calvinistas foi rigorosa: foi preso e excomungado, porém retractou-se e assim lhe foi permitido deixar a cidade. Vai para a França. Passa 2 anos (1579-1581) em Toulouse, onde consegue nomeação para uma cátedra de filosofia; lá tentou, sem sucesso, ser absolvido pela Igreja Católica. A esta altura é um homem sem pátria e sem Igreja.

ferreira10.jpg Um dos interesses de Bruno é a Arte Combinatória Luliana. A arte luliana busca construir um sistema de relações entre as ideias as quais diz Lúlio, apoiando-se em Platão, que existem e são interligadas na construção da realidade. Atua por meio de taboas e figuras. Determina os elementos primeiros do pensamento: sujeitos e predicados, e os representa por meio de letras que constituem "o alfabeto da grande arte". Dispõe essas letras em uma espécie de tábua pitagórica, e as escreve em triângulos, círculos que se sobrepõe e faz rodar para conseguir todas as diferentes combinações possíveis.

ferreira9.jpg As combinações formam o silabário e o dicionário da grande arte. Acreditava-se que, depois de conhecidas todas as maneiras de combinar os sujeitos com os predicados, se teria a possibilidade de responder a todas as perguntas que a mente humana pode fazer. Mas toda a sua construção gira em torno dos gonzos de um princípio filosófico platónico, isto é, que as nossas ideias por serem sombras das ideias eternas, estão vinculadas reciprocamente, como essas, em cadeias cujos elos são partes de um sistema único total e por isso podem iluminar-se mutuamente, pois é uma só a luz que resplandece em todas. (Leibniz depois retoma essa linha).

(Continua…)

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:04
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MALAMBAS . CXXX

CINZAS DO TEMPOOutra vez mo reino das aroeiras …

MALAMBA: É a palavra.

Por

 

t´chingange.jpegT´Chingange

cinzas1.jpeg Saí de casa com a luz ténue entrando pelas frinchas das persianas das janelas; já se ouviam os melros e gaios lá fora piando suas espertezas matinais. Rodei na cama para a esquerda, para a direita e não havendo hipótese de ficar na sorna de olho aberto, preparei-me ao jeito de passear o cão e, de roupas folgadas e com minhas botas de galgar o Kwazulu Natal, calções de caqui, fiz-me ao caminho, o carreiro habitual. Meu cão proletário, um chouriço com leves traços de collie barbudo, saudou-me com suas quatro patas; naqueles meus propósitos, não lhe foi difícil adivinhar que iriamos passear à praia, andar na falésia por cima das furnas.

cinzas2.jpeg Não há maior religião do que a verdade! A pensar nisto, internei-me no mato que bordeia a costa rendilhada em falésias até à Cama da Vaca. Passei por praias que lá no fundo contrastavam sua areia doirada com o verde e azul do mar com algas bailando ao sabor das pequenas ondas e, já no torreão no alto da falésia entre a praia do Mato e a praia da Lapa pude ver o redondo da terra com seu horizonte de um azul nublado coladinho ao céu. É de todos, o meu passeio preferido, andar nos trilhos de entre estevas, funchos, zimbros, aroeiras e espargos floridos com suas muitas flores de cores variadas, cores de fim de Maio.

cinzas3.jpg Aqui e além poças nas rochas lavadas aonde os pequenos mamíferos e diversos pássaros saciam sua sede; poças de onde recolho poejo para fazer minhas açordas com pão alentejano. Mais adiante também recolho uns ramos de tomilho dum fresco verde. O faísca, meu velho cão, arfando, também ali pára a satisfazer sua sede. Coitado, já vai com a língua a arrojar o chão! Foi neste então que vi o quanto me está a fazer bem o milongo que meu amigo da onça do Porto-à-mão me indicou para tomar: - Extracto de guaraná em pó, beterraba em pó, ácido pantoténico, pó de algas mais uma catrefada de vitaminas! Isto de misturas com levedura de selénio e extracto de cúrcuma é mesmo bom!  

cinzas4.jpg Neste reino da aroeira surgem tufos de palmeira anã, daquelas que a tia Anica de Loulé fazia seus capachos para abanar seus calores e sua lareira. Também se encontram pinheiros, zimbreiros, tomilho, rosmaninho, zambujeiros, trovisco e arranha cão entrelaçado em malvas dos barrancos, espargueiras e arruda de cheiro intenso de fazer defumações para espantar maus espíritos.

cinzas5.jpg Há isto e muito mais, plantas ainda não catalogadas em minha memória, de flores bonitas que saem às primeiras chuvas e que mostram sua beleza até serem fecundadas e, depois morrem de novo ficando ali enterradas por mais um ano. Os mistérios da vida neste mundo vegetal são enormes e para quem quer quebrar a rotina, fazer passar o stress de coisas desavindas, sigam por aí nesse carreiro que até está assinalado a azul na forma de azulejo cimentado de quando em quando em rochas mais salientes. Haja vontade de ver e, decerto se alegrará com estas pequenas coisas.

cinzas6.jpg As alfarrobeiras podem ser vistas ao longo da falésia. O alvoroço da primeira hora é o melhor porque não é só o pardal que chilreia, o pombo bravo que arrulha, um sem número de gralhas que esvoaçam no promontório defendem-se dos gaviões ou mesmo das gaivotas que por ali intimidam relações. Talvez até veja uma raposa (já foi normal encontrá-las). Faça o favor de ser feliz, um dia de cada vez!cinzas7.jpg E, lá fomos nós por entre fragas, no fundo do vale e nos cumes do reino das aroeiras, um reino de largas vistas e de onde se vê um mar enorme confundindo-se com o céu e sem uma nítida separação do distante nevoeiro trazido pelos ventos alíseos, um cheirinho do Saára ou da brisa do Siroco.

cinzas8.jpg Rascunhei-me em cardos, arruda, estevas e chorões com flores lilases, cores vistosas; subi e desci arfando, resvalando com o cão soluçado em vapores com língua de fora. Neste meu passeio foito entre toutinegras, gralhas e pombos bravos encimados em buracos escarafunchosos e esbarradoiros, as lagartixas miram-me curiosamente como se fosse um agente do além.

cinzas9.jpg Nestas terras do meu latifúndio, com oliveiras bravas, carrascos, arranha-cão e zimbros entre pedregulhos calcários, corro o risco de apanhar carrapatos, mas tal como os afoitados desbravadores de terras por conhecer, adentro-me aquém bombordo mirando o estibordo como um tal de Cadamosto que às ordens do D. Henrique e de cabo em cabo chegou em tempos idos à Gâmbia.

cinzas10.jpg Lá em baixo barulhando-se ora perto, ora manso, ora longe mais encapelado, o mar testemunha o que construo a cada passo uma estória ao meu modo; um mussendo, um missosso entre ave Marias encavalitadas de prefácios que se baralham e que logologo se esquecem; esticando os ossos, construo-me a cada passo na estória e, vem outro e mais outro muxoxo como que cumprindo ordens dos meus espíritos a quem risco na areia os sinais do cho-ku-rei ou do sei-he-ki. Um lugar nobre e muito cheio de adrenalina com iodo que de certo modo nos inebria. Um Pambu N´gila como é costume eu dizer…

cinzas11.jpg Aquele senhor Cadamosto, que descreveu as primeiras descobertas além-fronteiras do M´Puto cumprindo ordens do Senhor rei e príncipes consortes, desconhecia todas estas modernas finuras de dialogar em coisas etéreas. Sempre veremos coisas novas se o quisermos, se tivermos vontade para isso e, não é forçoso ter um qualquer rei por detrás, um presidente ou um outro qualquer decadente. Chegado a casa escrevo os lembrados prefácios encavalitados nas arbitrárias e aleatórias recordações daqui e dali, do meu mundo, só para ginasticar a mente. Um dia de cada vez. (Ufa! Terminei!…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:12
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Sábado, 28 de Maio de 2016
XICULULU . LXXVI

TEMPO COM CINZAS - Andamos a ser enganados pelo imperador Constantino que, há muitos anos, resolveu impor ao Império Romano o cristianismo….

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça

Por

ferreira00.jpgCARLOS FERREIRA

Aos meus amigos(as) - 1ª de 12 Partes

ferreira1.jpg Depois de ter visto no canal History uma peça sobre extra terrestres e a relação sobre religião, as "preocupações" do Vaticano  e sua estrutura, de certo modo, perigaram. Falou-se nas ideias revolucionárias de Giordano Bruno que achando ter alguma lógica levou-me também a concluir que andamos a ser enganados pelo célebre imperador Constantino. Esse nobre romano que, há alguns milhares de anos resolveu impor ao Império Romano o cristianismo. Por destruição esconderam ou queimaram muitos outros documentos ou Bíblias que desmistificavam todas as histórias que aprendemos até hoje. E, olhem que eu até fui catequista!

afon6.jpg Giordano Bruno, filósofo, astrónomo e matemático, importante pelas suas teorias sobre o universo infinito e a multiplicidade dos sistemas siderais, rejeitou a teoria geocêntrica tradicional ultrapassando a teoria heliocêntrica de Copérnico que ainda mantinha o universo finito com uma esfera de estrelas fixas. Embora tais campos não fossem conhecidos na ciência, pode-se dizer que Bruno, interessado na natureza das ideias e do processo associativo abriu-se como mente humana. Fascinado relacionou um embasamento filosófico às grandes descobertas científicas desse tempo.

ferreira2.jpg Nascido em Nola (motivo de ser chamado o Nolano), província de Nápoles, na Campónia, Itália Meridional, em 1548, recebeu no baptismo o nome de Filippo Bruno. O sul da Itália era domínio de Carlos V (Sacro Império), depois de Felipe II da Espanha (com Portugal incluído), seu filho. Essa dominação vai de 1529 a 1700. Nápoles era baluarte espanhol contra os mouros. Governada por um Vice-rei (Pedro de Toledo na época de Carlos V).

ferreira3.jpg Porém já nessa época, devido à descoberta de novas rotas marítimas, a importância do mediterrâneo para o comércio acaba. Bruno era filho de João Bruno, militar, e Flaulissa Savolino. Foi para Nápoles em 1562, estudar humanidades, lógica e dialéctica. São muitas as influências apontadas que Giordano Bruno teria sofrido durante o período de sua formação. É especialmente atraído pelas novas correntes de pensamento, entre as quais as obras de Platão e Hermes Trismegistus, ambos muito difundidos na Itália ao início do Renascimento.

ferreira4.jpg É a época dos mais acesos debates no Concílio de Trento (1545-1563), convocado pelo papa Paulo III para discutir estratégias na contra reforma protestante. Possivelmente as discussões ousadas que ocorriam em Trento, sobre temas controversos da religião e da filosofia, das quais com certeza tinha notícias no convento, influíram no espírito de Giordano Bruno. Ficou impressionado com as aulas de G. V. de Colle, filósofo de tendência averroísta (Aristotélico segundo a interpretação de Aristóteles pelo muçulmano Averroes) como também com o que leu sobre métodos de memorização (Mnemotécnica).

ferreira5.jpg Quanto aos métodos de memorização, Giordano Bruno foi muito influenciado pelo pensamento de Raimundo Lúlio (1235-1316), de Maiorca, místico catalão e poeta autor de um manual da cavalaria, Ars Magna ("A grande Arte"), "A Árvore da Ciência", Liber de ascensu et descensu intellectus ("O Livro da subida e da descida do intelecto") descrevendo estágios do desenvolvimento intelectual no entendimento na compreensão de todos os seres através do método da sua arte.

ferreira6.jpg Assim como Santo Agostinho, Lúlio fez corresponder os três poderes da alma como imagens da trindade no homem. Como intelecto, era a arte de conhecer, como vontade a arte de amar e como memória a arte de recordar. Teve visões de Cristo que o levaram a deixar a vida de casado e da corte, e adepto de São Francisco pregou no norte da África e oriente tentando converter muçulmanos ao catolicismo. Lúlio viu o universo inteiro reflectindo os atributos de Deus. Teve então a ideia de reduzir todo o conhecimento a princípios simples com uma convergência de unidade. Teria sido martirizado a pedradas no norte da África.

(Continua…)

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:56
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Terça-feira, 24 de Maio de 2016
MISSOSSO . XXVII

.ANGOLA . TERRA DA GASOSA - Não há palavras para vos descrever o que senti ali acocorado entre aquele imbondeiro das Mabubas…

Missosso: Da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto quimbundo. Óscar Ribas foi o seu criador.

De T´Chingange: - Este missosso não deveria ter acontecido tão verdadeiro e tão actual mas, aconteceu! Introduzo aqui em segundo relevo a minha vida em tempos idos quando era preto na cor e era pescador…

Por

cacu26.jpgJúlio Ferrolho

cacu6.jpgPARTE 1 - O CACUSSO, O IMBONDEIRO E OS MOSQUITOS

Encontrava-me em Luanda a dar formação, ensinava no ex-Inorade como se construía e se geria uma empresa nos momentos de início da sua vida, naquele mês de Março do início do século, integrado num projecto da Associação Industrial Portuguesa. Instalado no hotel Trópico saía à rua só na viatura que estava ao serviço do curso, que era conduzida por um funcionário ministerial angolano. Durante a semana ficava pouco tempo para reconhecer a cidade, pois a formação decorria entre as 9 e as 17 h e no hotel tinha meios de me entreter e, sobretudo, conhecer os assuntos do dia pela televisão, o que é um meio de nos actualizarmos depressa com a realidade local. Mesmo assim, numa tarde subi a pé a antiga Rua Luís de Camões, onde se situa o hotel, e fui visitar o prédio e a zona onde residi cerca de dois anos, na década de sessenta, mais acima, no Bairro do Maculusso.

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No fim-de-semana de intervalo das aulas aceitei o convite do Teófilo, um amigo angolano que trabalhava na Sonangol e com quem estava a construir um programa de formação para ser instalado localmente, para ir comer cacussos grelhados ao rio Dange (ou Dande), entre o Caxito e as Mabubas. Ele passou pelo hotel para me apanhar e saímos por volta do meio-dia. No caminho tive oportunidade de rever o trajecto que tinha tão bem conhecido noutros tempos, mas encontrava-se muito mais movimentado agora, com multidões passando e vendendo toda a espécie de bens ou recursos nas ruas e à beira das estradas. Surgiam montureiras de lixo a esmo, em locais escolhidos à sorte de grandes dimensões e musseques a seguir uns aos outros, cobrindo quase todo o espaço disponível. Só depois do Cacuaco, entrados na área rural, é que deixei de os ver.

cacu8.jpg Não conhecia ainda os peixes que serviriam de almoço no nosso convívio. A prova foi uma agradável surpresa. Pude verificar que este peixe é de gosto acentuado mas de bom paladar. Experimentámos o cacusso grelhado ao natural e o mufete de cacusso, onde imperou o feijão com óleo de palma, a mandioca, a banana pão e a batata-doce regados com molho frio de cebola e tomate e outros ingredientes. O repasto demorou até ao meio da tarde pois aproveitámos para conversar e comentar as possibilidades de trabalho que nos interessavam mas que, por razões que não interessa agora referir, não vieram a resultar.

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Lembrou-se o Teófilo de irmos até um pouco mais à frente, ver a barragem das Mabubas e assim aconteceu. Passámos a ponte e nem reparámos que se encontrava lá instalada uma brigada mista de polícia. Demorámos um pouco a visitar a célebre barragem de memórias militares ainda vivas e regressámos, já o sol apontava ao ocidente.

cacu7.jpg Quando encetávamos a passagem pela ponte no regresso fomos mandados parar por um elemento da brigada que nos pediu a identificação. Foi só nesse momento que reparei que tinha deixado o passaporte no hotel, ato que nunca me tinha acontecido nem nunca mais me aconteceu depois, sempre que estou no estrangeiro. Confessei imediatamente a situação, que o passaporte estava no hotel e o meu amigo, depois de se identificar, chamou o guarda à parte para lhe dizer o que se adivinha, metendo “gasosa” e o resto na conversa. Nada feito! (Talvez o cumbu ofertado fosse insuficiente!)

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O homem, de baixa estatura e um pouco franzino, chegou-se ao pé de mim, olhou-me de frente, depois recuou por evitar ter de olhar um pouco para cima e, saboreando já a hipótese de vir a exercer o poder de que estava mandatado, disse-me: - Tu ficas preso, ali, debaixo daquele imbondeiro, e só sais quando o teu colega trouxer o teu passaporte se o tiveres no hotel, como dizes!

cacu9.jpg Assim aconteceu. Dirigi-me para o local que me indicou, junto ao rio, onde existia uma pequena construção de adobes sem reboco, onde os guardas trocavam de roupa. Ali fiquei, objecto da vigilância, ao longe, dos guardas que, entretanto, iam procedendo à identificação de outras pessoas não africanas sem obterem vitória idêntica à que tiveram comigo.

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O Teófilo regressou cerca de 2 horas depois, já o sol desaparecera há muito para o lado do mar e o tempo arrefecia ligeiramente, o que notei de forma clara, pois estava de camisa de meias mangas. Os mosquitos faziam o trabalho deles e eu tentava, em vão, evitá-lo. Lá fui libertado com uma lição de moral cívica breve mas incisiva e cheguei ao hotel sem vontade de comer.

cacu22.jpg PARTE 2T´CHINGANGE EM KIFANGONDO … MOKANDAS DO REINO

Fui à torre do N´Zombo buscar jóias literárias do meu Reino de fantasia e, encontrei-me xinguilado no ano de 1486 - Estávamos em Janeiro de 1486. Eu, não era eu, retrocedi no tempo. Pela incorporação dum espírito de nome N´gesso voltei àquele ano, em plena kiangala. Os nomes eram diferentes, falava outra língua que não era a de hoje e, por isso vou ter de explicar no fim deste desassombro o que todas estas velhas palavras querem dizer naquele dialecto banto, o m´bundu.

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Meu pai, Miconge N´futila das Mabubas, o kota da vata, decidiu abandonar terras do Kifangondo e, para tal saiu bem cedo para trocar impressões com o Umbanda e, só depois falaria com o M´fumu; sopado com minha mãe Kilua N´zinga desde candengue, entrara agora nas dificuldades da velhice, não podia mais sustentar a familia como kibinda; seus pés estavam pesando demais e o espírito dos kijikus estavam na trapalhação. Foi no M´fumo e explicou que era por demais kazumbi para aguentar, tinha na obrigação de levar o candengue (eu) na habituação da apanha dos n´zimbos na terra dos Ku-luanda.

cacu18.jpg Eu, que já tinha treze kixibus, entendi que as dificuldades de meu pai era kubasular aquela vida de matacanha. Miconge N´futila tinha no lumbu um irmão que era m´banda bem visto aos olhos do m´fumu-a-vata, que conhecia a ciência dos kalundu; este, podia muito bem dar trabalho para mim e espantar o mau-olhado dos defunto espíritos da Yanda. Na entrevista do velho kikongo chefe M´fumo com meu pai, as explicações foram aceites na reticência e, de satisfeito, quando chegou preparou as imbambas, corotos, a uanda,os kofus e a mukuali, sentou-se debaixo do m´bondo (aquele mesmo imbondeiro da maka de Júlio Ferrolho) e bebeu todo o marufo que tinha na kubata; ainda teve tempo de arrastar as quinambas para se despedir do mwani kazuca, amigo de muitas andanças.

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No primeiramente ficamos no ka-kuaco, passadas as kalembas da barra do rio com a kalunga do mar; dificultadamente ximbicamos e remamos na vista de terra, minha mãe Kilua chorava de medo, os muandu brincavam na nossa volta. Ficamos ali uns dias na reparação pequena no n´dongo pois as calemas fizeram estrago. Entretanto consegui apanhar duas kiangus na minha lança que por ali se esconderam nas águas baixas; no seguidamente preparamos com n´tondo a acompanhar.

cacu23.jpg Naquela noite estava frio, as hienas choravam de fome e eu metia lenha na fogueira por medo; não preguei olho toda a noite, o meu lumbu estava agora a compor-se, mas o meu medo era por demais, só as kalembas abafavam os meus soluços debaixo daquela n´sanda; Uma manada de n´zaus passou por ali perto e só nesse meio tempo as hienas de manchas feias me deixaram em paz. Depois daquela noite ganhei coragem e, se calhar já nem ia para o layoteso pois que nos costumes do sítio para aonde íamos, eu não tinha amizades; assim passei aqueles longos dias até avistarmos a Mazanga.

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O vento enchia as n´dele do n´dongo com força e rápidamente passamos a baía do m´bungo. Sei que paramos por ali e meu pai N´futila foi tirar informações de aonde podia encontrar o seu irmão e, meu tio m´banda de profissão e kadinguila de nome. No entretanto da espera vi na observância que aquela ilha era demasiado comprida e, dias depois chegamos na xicála sitio da dibata, dos seguranças do reino de N´dongo aonde meu tio tinha pré-ponderância.

embo0.jpg A partir daquele dia por direito de Kanda passei a ser ka-mundongo, apanhar búzios de n´zimbo na ponta da Mazanga e lá mais no longe, os caurins da Korimba e muito n´tadi no Mussulo. 486 anos mais tarde ressuscito maiombolado, mundele em plena Korimba; Já não havia hienas nem n´zaus e ali estava eu esperando lugar no kapossoka, atravessar o mar baixo e regressar no kitoco. Foi neste barco que a agora minha sopada, cafeco de então, Ibib, me mandou fazer continência à bandeira Portuguesa; estávamos no meio de um jogo de namorados que resultou em Ka-mundongos ou Ka-Luandas e que agora vão ter de passar pelas mesmas privações desse pai N´gesso T´chingange, a provar que o são.

Com cinco escudos em 1973 na Samba lembro-me de ter comprado um grade peixe-espada (kinbiji). Se um n´zimbo valia cinco caurins, naquela primeira encarnação 5 escudos seriam talvez uma canoa cheia de kinbijis.

Estamos a 24 de Maio de 2016 - 530 anos depois daquelas tormentas. Háka…

CAUNI 2.jpgGLOSSÁRIO: Candengue:-rapaz; corotos:- trastes; caurins:- búzios pequenos, cêntimos do zimbo; cafeco: - donzela; libata: - palhota; kanda:- descendente por via matrilinear; ka-mundongo: - nascido no reino n´dongo (Luanda) ou súbditos do chefe N´gola kitunda; ka-luanda: - nascido em Luanda, calcinha; kazumbi:- feitiço; kiangala:- pequena estação seca; kifangondo:- aldeia; kibinda:- caçador; kijucos:- gente de outras tribos, de fora; kalundu / kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto; kixibus:- cacimbos, estação fria; kubasular:- passar bassula, dar a volta por cima; kicongo:- natural do Congo; korimba:- lugar de costa, ancoradouro; kapossoca:- nome de barco com motor; kitoco: - traineira trnsformada; kota:- mais velho; kofu:- cesto estreito e comprido para apanhar conchas; ku-luanda:- a ocidente, mais importante e sabedor; ka-kuaco: - sítio, lugar; kalemba: - ondas de mar bravo; kalunga:- abismo, sitio de muita morte; kiangu:- raia; lumbu:- descendente por parte do pai; layoteso:- casa da puberdade para rapazes; m´bundu:- de fala banto, em quinbundo; m´banda:- guarda, sub chefe; m´fumu:- chefe; mfumu-a-vata:- chefe da aldeia; matacanha:-pulga da terra, o mesmo que bitacáia; mukuali:- catana, facão; muandu: - tubarão; N´dongo: - reino da Matamba, parte central de Angola de ambos os lados do rio Kwanza, nome dado pelos portugas às canoas ou pirogas desta gente do reino; kinbijis: - peixe espada; n´tondo: - batata doce; n´sanda: cobertura improvisada de pescador com folhas da vegetação à mão; Mazanga: - Illha de Luanda; sopada/o: - casada/o

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:13
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Domingo, 22 de Maio de 2016
MALAMBAS. CXXIX

NUNDO CÃO - TEMPOS DE USUCAPIÃOA malandragem prolifera desregularizando a democracia – Quem pode conceber o presidente dum grade pais, virar corsário…

Malamba é a palavra

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Brasil - PT nunca mais! - Você sabia que todo o presente recebido pelo Presidente da República fica sendo do Estado?

brasil2.jpg Pois é... Mas o Ex-presidente Lula fez-se de desentendido levando para sua casa tudo o que lhe foi oferecido bem assim como a sua esposa. Claro que agora os brasileiros vão ter que pedir-lhe que os devolva pois que são património do Brasil e não dele ou de sua esposa. A legislação brasileira e da maior parte dos países ditos civilizados, determina que os presentes ganhos pelo Presidente da República no exercício da função, sejam incorporados ao património público sendo considerados propriedade do estado.

bra4.jpg Lula e sua família, ao deixarem o Palácio da Alvorada, fizeram o favor de levar todos os presentes recebidos nessa função de chefe da nação. Destes muitos presentes, constava uma colecção de jóias raras recebida do presidente de Egipto, registados no acervo da presidência da república. Todos os objectos ocuparam 18 camiões de mudança levados para São Bernardo. D. Marisa, a Italiana, afirmou que as jóias eram delas colocando-as em sua bagagem.

ÁFRICA3.jpg Funcionários antigos do Palácio Alvorada, ficaram horrorizados quando perceberam a falta de diversos objectos de arte e peças de alto valor, tais como estatuetas, faqueiros, xicaras, marfins trabalhados, medalhas de estado e, por aí... Durante o rescaldo do grande saque às instalações palacianas, observou-se que os Silva surripiaram, fanaram, capiangaram, furtaram inclusive, o crucifixo que há décadas adornava a sala de visitas de outros chefes de estado quando de visita ao Presidente da República.

amilcar4.jpg Aquela imagem de Cristo crucificado era tida como milagrosa, um ícone para todos os funcionários do planalto e, adorada por todos que ali trabalham. O povo brasileiro, bem arreigado a conceitos culturais que lhe foram legados e, também por seu misticismo de seus ascendentes africanos, devoção de gente que apela aos céus quando não chove, impressionado com este  roubo do crucifixo presidencial, sente que o Brasil desde este então, vem sendo castigado por Deus.

luis37.jpg Os brasileiros através deste comportamento perderam o norte; desregularam-se nas posturas que lhes foram legadas por muita gente ali chegada para vencer na vida. E, eu pertenço a este bolo gigante, sinto-o! Gente oriunda de muitas partes do mundo para ali se estabelecer, escolhendo o Brasil como a terra da promissão! O Brasil não pode ser um paraíso para malandros! A bandeira verde e amarela com suas muitas estrelas, não tem a Ordem para os de baixo e Progresso para os de cima! Estas duas palavras terão de ser elevadas à sua real catedral; ao nosso maior templo.

dia20.jpg Quem pode descurar o castigo nunca vivido desta forma causticante devido ao desleixo e quebra de valores, como o grande número de ciclones ocorridos no sul do Brasil ou a tragédia na região serrana fluminense entre outros, como o desemprego galopante, a inflação crescente a descrença generalizada ou a perca de confiança de seus líderes de proximidade. Será isto um reflexo da ira divina pela acção dos Silva? Foi por isso lançada a campanha de recuperação do património público nacional. Veremos o que se segue neste país que de tudo que se plante, de tudo dá! Deus proteja o Brasil, o país de minha eleição, depois de ter sido descolonizado de Angola!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:52
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Sexta-feira, 20 de Maio de 2016
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXVI

MOKANDA DO SOBA - EM COIMBRA

Sempre será melhor distribuírem-se rosas do que pedaços de egoísmo, altruísmo, ostracismo, pedantismo e outros ismos. Mas, ainda é mais fácil desfragmentar um átomo…

Por

soba 01.jpgT´chingange

branco1.jpg Tentando compreender-me, compreender o mundo e as pessoas que nos rodeiam de perto ou longe, na outra margem dum rio, num porto-à-mão ou num ferro-agudo, vejo-me envolto em probabilidades, reconhecendo o quanto há de incerteza no entendimento entre dois seres que nada cedem para se dar ao fenómeno electromagnético. Cada cabeça sua sentença e, o facto de se ir de A para B no espaço, ou seu inverso no tempo, obtêm-se um conjunto ou a soma de ondas para todas as trajectórias comportamentais.

Clara1.jpg As variações mentais são enormes, umas grandes e outras quase rasas que associadas se anulam umas às outras por vezes; torna-se mais simples calcular as orbitas permitidas em átomos e moléculas unidos por eléctrones que orbitam mais de um núcleo do que, entender alguns tipos de raciocínio que em nós coabitam. Falo de humanos ou humanóides, claro! E, é tão difícil conceber isto em nossa cultura que seremos obrigados a interpretar as antigas pinturas em que os santos ou gente com santidade eram envoltos em seu templo, sua cabeça com um halo de luz magenta ou púrpura.

DIA76.jpg Talvez seja uma explicação grosseira mas, mais plausível de entendimento. Neste aspecto volátil teremos de equacionar nossas vidas de forma quadrimensional que, num espaço-tempo significam a união de pontos chamados de eventos; a soma de situações em nossas formalizadas ou formatadas vidas dum chamado “Ego”. Ontem percorri seis quilómetros para ir a um lugar do largo do Poço no casco velho da Cidade de Coimbra a fim de comprar uma orquídea para a minha mulher de nome Ibib e, dar ensejo nobre aos seus setenta e cinco anos. Parabéns… ouviu!

orquidea.jpg E, enquanto ia, bulia! E, de regresso já com ela, a orquídea, numa bolsa e mais duas rosas, uma vermelha e outra branca, pensei que sempre será mais fácil distribuirmos rosas do que pedaços de egoísmo, ostracismo, pedantismo ou palavras feitas acções sem amor. Lá no Largo do Poço e bem perto do Panteão Nacional na Igreja de Santa Cruz pude deparar com um quase cego que tocava um órgão. Deveria ter-lhe dado uma moeda mas não dei e, estou seriamente arrependido! Talvez lá vá de novo para repor a vontade no lugar.

mess5.jpg Agachado nele, lendo as letras ou partituras, tocava a uma só mão, músicas do cancioneiro popular; letras que andam trauteadas de boca em boca e, concluí que enquanto uns se esforçam e lutam para sobreviver, outros espalham brasas queimando no quotidiano suas vidas, suas amizades, para se vestirem num alto coturno egoísta até às orelhas. E, como é confrangedor deparar com essa exagerada auto-estima, estigmatizando os demais supondo-se índigos.

afon1.JPG De regresso aos Olivais de Coimbra, lugar de mirar o Tovim e, já no topo de uma ladeira, arfando velhice, bem perto da Biblioteca Municipal, curiosamente bem ao lado da “Sereia do Mondego”, um bar para estudantes, subo uns muitos degraus parando no topo, no padrão, símbolo de se querer, mesmo em frente da Escola Secundaria José Falcão e, pude ler “Se mais mundo novo houvera, lá chegara” uma referência ao sétimo canto dos Lusíadas de Camões. Como digo com frequência, teremos de espotricar o tempo no “Paratrás” para melhor nos integrarmos no “Paralém” …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:13
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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