Terça-feira, 17 de Abril de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXX

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 17.04.2018

- Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado… Quanto mais me esforço mais me viro ao espírito…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

De ontem para hoje meditei na resposta a dar ao meu amigo “pastor da palavra de Deus” em terras de África do Sul. Aqui no paraíso da Pajuçara do Brasil, lugar que escolhi para viver e, na Praia de Sete Coqueiros, já fui assediado para fazer parte da Igreja Maná, da Igreja Adventista do Sétimo dia, da Igreja Quadrangular e da Igreja da Nossa Senhora da Lagoa do Pau; um sem fim de gente a oferecer sua verdade. Indiferente a todas, continuei tendo Messias no pensamento cozendo-me ideias nos meus neurónios.

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Com o mar Iemanjá a arrumar meu colesterol, firmando-se a mim num jeito espírita de lixar verrugas e outras maleitas, explanarei minha missiva a José Matias em resposta ao seu texto bem formulado e formatado e, também para me induzir à sua verdade. Assim transcrevo com itens de “J”… o dito por Matias e com “M” o dito por Monteiro (T´Chingange)…

matias j.jpg ::::J…1  

Acreditas no Messias? Mas há sempre um mas, visto Ele não resolver os problemas deste mundo que nos rodeia. Ele, o Cristo chamado Messias, não veio para nos resolver os problemas; Ele sim veio para nos mostrar o Caminho que devemos seguir afim de nós podermos herdar os novos céus e nova terra que Deus tem preparado para aqueles que o amam. No entanto todos aqui estamos sujeitos a ter problemas tanto os que confiam em Deus para a salvação, como os que impiamente conduzem outros para a condenação.

::::::J….2

O Diabo é o primeiro a acreditar em Deus, e na sua presença até estremece, e só faz o que por Deus lhe é permitido fazer, visto na cruz ter sido derrotado, foi limitado no seu poder, para agora todos os que querem alcançar a misericórdia de Deus o façam sem entraves. Mas... há sempre um mas!... O homem antes quer agrada-lo do que ouvir e atentar à voz de Deus. Logo culpam Deus das desgraças a que estão sujeitos enquanto vivem, se esquecendo que de boas vontades está o mundo cheio, os mesmos. Seu destino quer se sintam mais bonzinhos que os que criam desgraças, o caminho será o mesmo... Inferno.

:::::J…3

Visto não existir mérito algum em nós, que nos justifique diante daquele que nos criou. Somente Cristo o Messias tão anunciado é a justiça para todo aquele que crê na obra consumada na cruz. Será que falo chinês? Será que é assim tão difícil de entendimento? Alguém mais capaz de entendimento do politicamente correto, que me explique outro caminho mais esplêndido que possamos alcançar depois que a morte chegue, tenha ele a coragem.

DIA76.jpg:::::J…4

Mais uma vez, aqui estou anunciando aos meus amigos que um só Caminho existe, para sermos aceites por Deus, esse se chama o Cristo Glorificado, que ao céu voltou de onde tinha vindo, pois Ele mesmo se fez carne e habitou entre nós, Ele mesmo é o Deus todo-poderoso. Religião alguma pode nos esclarecer, mas Ele mesmo o pode fazer, quando no nosso aposento dobramos os joelhos e clamamos por socorro...

:::::J…5

Aí sim! Ele logo nos atende, e ficaremos sem dúvida sobre a sua presença, passamos finalmente a entender que antes nunca O haviam conhecido, e logo encontramos em nós, a luz que nos dissipa as trevas que nos envolve neste mundo tenebroso. Nunca mais vamos culpar a Deus pelas desgraças, pois nós mesmos somos os culpados delas.

:::::J…6

Ao amigo Monteiro e aos meus amigos desta página, assim o desejo… Que esta leitura ao correr da pena ilumine os olhos do entendimento, acerca deste Deus maravilhoso, que tive o grande prazer de conhecer á cerca de 43 anos, e hoje, o sirvo com muito prazer, razão porque O apresente sem rodeios e sem melaços, ou lisonjas, na expectativa que Ele mesmo conceda arrependimento para conhecerem a Verdade; sem isso nada feito, vamos continuar cegos!

soba0.jpeg:::::M…1

Li... Gostei mas... Vou dar-te uma resposta mais pensada. Talvez amanhã... Anexarei este teu texto muito bem elaborado ao meu, sem a pretensão de ir para o céu... O titulo será : A chuva e o bom tempo! ... Fica por aí - Com um ramo de manjerico e outro de arruda por se acaso...

:::::M…2

Cada religião pretende estar na posse exclusiva da verdade - Preconizar a fé cega sobre um ponto de crença, é confessar impotência em demonstrar que se tem razão. Não cabe à fé ir a eles, mas a eles (nós) irem ao encontro da fé e, se a procuram com sinceridade, a encontrarão. A fé não se prescreve e o que ainda é mais justo dizer: a fé não se impõe! Não! Ela, não se recomenda: - Adquire-se!

:::::M…3

E, não há ninguém que esteja privado de possui-la, mesmo entre os mais refractários! A resistência dum incrédulo vai mais pela maneira como se lhe apresentam as coisas - os factos.

À fé é necessária uma base e, essa base é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer; e, para crer, não basta ver, é necessário sobretudo, compreender!

araujo 101.jpg:::::M…4

A fé cega não é mais deste século XXI; é precisamente o dogma da fé cega que faz hoje o maior número de incrédulos, porque quer se impor e, até exigir a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: O raciocínio e o livre-arbítrio. Ao não se prescrever deixa- nos no espírito algo vago de onde nasce a dúvida.

:::::M…5

 A fé raciocinada, a que se apoia sobre os factos e a lógica, não deixa para trás nenhuma obscuridade. Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão, agora e sempre, em todas as épocas da humanidade. Quanto mais me esforço mais me viro ao espírito… Receio assim, me levares para o espiritismo!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:52
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2018
CAZUMBI . XXXVIII

MIAI –BRASIL - COMO SINTO O MUNDO - II  - 12.04.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange

araujo82.jpg Cego é aquele que não quer ver, vendo! Não posso ver um Deus a compensar e, ou castigar o objecto da sua criação deste modo, e em função do que tentam dizer-me, cada qual do seu jeito. Não sou tão religioso tão ao de leve ou profundamente pela triagem que faço da Natureza.

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E, mesmo que tenha uma extraordinária intuição, ao interiorizar o mistério da eternidade da vida, mesmo que este esforço de compressão fique desproporcionado, vejo ser uma maior razão de se manifestar em e, na vida.  Também na minha! Somente seres humanos excepcionais suscitam ideias generosas e acções elevadas; assim por muito que me tentem dissuadir, não poderei fazer ideia de um ser que sobreviva à morte do corpo.  

araujo65.jpg Acredito no Messias, sim! Mas, há sempre um mas, entre nós gente do Mundo aonde o dinheiro polui e degrada tudo sem piedade a pessoa humana. E, imaginando que se um individuo fosse abandonado desde seu nascimento, seria inevitavelmente um animal em seu corpo e em seus reflexos. Posso também tal como Einstein concebê-lo, mas não posso imaginá-lo.

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As instituições democráticas e politico-parlamentares, privadas dos fundamentos de valor, ficam progressivamente decadentes se o povo, e os grupos sociais, não acudirem ao chamado no respeito à pessoa e ao censo social. Não! Não podemos agonizar ou morrer de forma inglória sem reclamar justiça!

costa araujo 3.jpeg O Povo, o Homem, o Cidadão, não podem permitir que os seus maus, ladrões, estupradores, assassinos, sindicalistas interesseiros e corruptos entre outros, realizem suas desprezíveis intenções. Estou farto de pagar luz desproporcionada, taxas e multas a eito para alimentar uma máquina sorvedora de nosso trabalho. Estou farto de ver extorquirem do nosso rendimento, nosso bem-estar, mais de 40 por cento para tapar buracos de má gestão…

costa araujo4.jpeg Nossa época, não pode ser lembrada no futuro por historiadores que diagnosticarão nosso progresso de uma forma dolorosa nas variáveis doenças sociais. Devemos sim, reclamar quando o Estado exigir de todos nós actos injustos, que a nossa consciência rejeite. Isto é válido para todos os povos conhecidos por PALOPS com Portugal e Brasil na linha da frente…

Ilustrações aleatórias de Costa Araujo

O Soba T´Chingange, desde o Nordeste brasileiro



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2018
PARACUCA . XXV

MULOLAS DO TEMPO – 04.04.2018 - Um dia atípico

BRASIL - Justiça que tarda é justiça que falha… Cá para mim a presunção de inocência mais os embargos dos embargos de declaração vão terminar em prescrição…

Paracuca: É uma bolacha dura, torrada com açúcar e jinguba…Uns querem dar disto a Lula, outros também querem mas, envenenada…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

A alegria de contemplar e de compreender é a linguagem a que a natureza me excita, na preocupação pela dignidade com saúde o quanto baste e com o suficiente dinheiro para poder comprar as alfaces ou o paio defumado sada dum pata-negra. Feliz de quem atravessa a vida prestativa sem o medo estranho à agressividade e ao ressentimento.

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Preocupado pela saúde moral, se não fossemos constrangidos a viver no meio de homens intolerantes, mesquinhos, violentos ou ladrões, seria o primeiro a sujeitar-me a um nacionalismo ferrenho ou a uma democracia no rigor da palavra.

apocri4.jpg Ao invés de todas as ambições a maioria dos imbecis permanecem invencíveis e satisfeitos em qualquer circunstância bajulando ídolos de barro. Sua suave e apática indiferença provoca-me numa tirania que só se dissipa por sua distracção ou inconsequência; nem sei nem quero saber - Dirão! E, depois vêm queixar-se de mansinho com um - se eu fizesse assim!? Ou se fizesse assado! Tarde piaste…

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Para se ser membro irrepreensível de uma comunidade de carneiros é preciso antes de tudo, também ser carneiro. O esforço para criar uma comunidade neste meio, sem a qual não podemos viver nem morrer neste mundo hostil de forma íntegra, torna-se quase impossível. Para seres favorável a alguém, tens de descartar outro alguém…

arau4.jpg Poucos serão capazes de dar claramente uma opinião diferente porque sempre terá esse preceito de desagradar alguém! Ainda ontem falei em conceitos com e sem pré, adicionando os termos ainda não usados de pretoconceitos e brancoconceitos! Um é contra os brancos e o outro é contra os negros; coisas desaglutinadas.

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A coexistência pacífica dos homens baseia-se em primeiro lugar na confiança mutua e, só depois sobre instituições como a justiça ou a política. O perigo maior está em cada uma destas instituições porque, o que move ambos, é o INTERSSE! Porca vida – real destino…

an1.jpeg Hoje e, aqui no Brasil, a presunção de inocência vai ao último julgamento em trânsito de julgado na espectativa de surgir um embargo de declaração. São coisas de jurisprudência, assunto do qual pouco pesco mas, dá para entender que Inácio Lula da Silva saltitando de nenúfar em nenúfar vai ser salvo pela prescrição.

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Uma grande confusão ao mais alto nível da justiça, põe de cócoras o Supremo Tribunal Federal aonde também os INTERESSES se enrolam enfatizados na hipocrisia – a lei mais forte da justiça. Isso! Hipocrisia… Embargos de declaração- Mas que é isto! Está na cara que tudo vão fazer para protelar.

justiça5.jpg Mas, afinal querem um país de bandidos, de estupradores, assassinos e burlões com pacto oligárquico dos governantes! Não será isto um incentivo ao crime! É aqui que entra a tal paracuca - Justiça que tarda é justiça que falha! Bem que o povo se interroga e, com razão: Mas, quando é que “rico” vai para a prisão? Repito o que disse ontem: - Nem o pai morre nem a gente almoça…ADEUS!   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Terça-feira, 3 de Abril de 2018
MOAMBA . XIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 03.04.2018

O INTERESSE manobra tudo e todos. Cada um de nós foi o que foi por uma coisa tão pequena, que sem se lembra do primeiro choro… Alô Brasil! Alô Angola! Alô Portugal...

Moamba: É um prato típico de Angola preparado com galinha e dendém mas pode ser também negócio ilícito com venda de contrabando (Brasil)

Por

soba15.jpg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

Porque estabelecemos em nossas vidas viver com leis, também nestas se estabeleceu que há algumas que se sobrepõem a outras. As leis têm por isso hierarquias; umas suplantam outras e, cada qual tem a sua interpretação para se fazer valer. No meio destes dizeres existem também de permeio as crenças, as lembranças, a saudade e o amor debatendo-se entre, contra ou a favor das luzes da razão.

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Assim, estas leis juntas e misturadas com arbitrariedades, surge o INTERESSE como uma força tenaz. Digladiando-se em palavras surgem recursos, acórdãos, previdências cautelares, Habeas Corpus com uma constante busca - numa primeira instância, segunda e outras ainda por saber. E, mesmo depois de se esgotarem as posturas, as leis os decretos, recorre-se a liminares, instâncias de sofisma federal …

pal01.jpg O sofisma alega o adiantado da hora, o compromisso inadiável e muitos edecéteras para se decidir por uma liminar ministerial e temporal; Decerto que já se deram conta de que estou a falar do Brasil embora o panorama dentro dos PALOPS, (Povos de Língua Oficial Portuguesa) tenham a mesma problemática; métodos de protelar e, ou uma reflexão, alegando motivos ponderosos nunca antes pensados ou usados.

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O INTERESSE que é tenaz jamais cede à evidência e, que se irrita quando o raciocínio se lhe opõe. A dado momento surge um tal de sigilo impondo silêncio, a bem da Nação. Com tantas medidas dilatórias, tanto recurso e tretas impensáveis, embargos, escutas, delações e edecéteras, é caso para se dizer: nem o pai morre nem a gente almoça!

pal3.jpg A justiça é tão lenta, mas tão lenta, que até a prescrição, uma coisa inaudita do tempo mata o próprio tempo. O INTERESSE é a lei mais forte dum sistema, a lei que mais luz tem; o INTERESSE é a lei que feita jogo, abre os olhos aos cegos ou cega os pensadores, legisladores eruditos, juízes ou ministros da Lei.

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A sociedade de hoje pelas interpretações do INTERESSE, conseguem assassinar quem ainda não morreu ou salvar gente defuntada. As sociedades de hoje perante tanto descredito pelas aptidões nobres, começam a sentir o vazio da justiça. Sim! Também a justiça começa a sentir o vazio em que as leis e as crenças ao se tornarem vulgares segundo o INTERESSE moldável delas, levam a alma de cada qual a não descortinar nela, a razão das coisas.

justiça1.jpg A razão de ser, a Justiça dos tribunais, seu elo maior, ser das mais cabíveis ou credíveis das instituições. Afinal as doutrinas também mudam segundo os INTERESSES de alguns. Surgem manobras de diversão, novos dados a confundir a teia, novos recursos com um regresso à estaca zero.

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Infelizmente, até a caridade, a fraternidade, e o amor ao próximo se estão submetendo aos INTERESSES de seitas politicas e, ou religiosas. Seitas que trocam anátemas que se arrojam, umas sobre as outras.

DIA41.jpg Sim! Todos os homens são irmãos mas, há sempre uns mais irmãos do que outros. Concluo que tal como em Angola, em Portugal ou aqui no Brasil a justiça é tão lenta, tão lenta que me leva a repetir: -Nem o pai morre, nem a gente almoça! Que me leva a perder as estribeiras e dizer asneira grossa: -Nem fodem, nem saem de cima! Hó gente!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:09
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2018
MOKANDA DO BRASIL . VIII

ANDO ENKAFIFADO - 02.04.2018

Que é isso do politicamente correcto? - “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”.

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Estou cansado do culto às coisas de preconceito. Toda a gente fala do mesmo, correndo o risco de entornar a verdade da palavra - Isso! De inverter as cores e marginalizar os brancos em detrimento dos negros; marginalizar os homens por não serem homossexuais, dizer à boca cheia de ter um “orgulho gay”; marginalizar uma boa esposa e mãe de família chamando de Madame a uma dona de bordel. De atribuírem cotas nas universidades em reserva de lugares para negros (um claro incentivo ao racismo), índios ou ainda anoréxicas donzelas.

gay1.jpg Falarem isso alegando ser em defesa das minorias! Meus amigos, devagar que tenho pressa! Recordo-me de no acampamento aonde dormi com meu pai, de ter ouvido hienas a chorar e urros distantes de leões; relembro os bidons ao redor do acampamento contendo tochas de fogo pela noite para afugentar as feras em um lugar conhecido por Lucala e no distante ano de 1954; uma terra que deixou de ser nossa por pretonceito - Não é erro ortográfico não! É uma nova palavra de origem manwgolé…

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Nisto de recordações acabo por chegar ao conceito de se escrever “por linhas tortas” e é aqui que largo o preconceito, para recordar alguém de nomeada e, que mudou minha forma de estar. É ele Graciliano Ramos! “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”. Assim diz Graciliano no ano de 1962, para comparar seu ofício de escrever com o acto de lavar roupa pelas lavadeiras do rio. Entretanto estavam passados oito anos, depois daquela minha dança com leões em Lucala de N´Gola.

gay2.jpg E pelo dizer de Graciliano, um escrito deve ser lido e relido, ensaboado, esfregado, batido no lajedo, no burgau, como uma peça de roupa suja; depois, pô-lo a corar nas ervas, nas bissapas ou penedias, após enxaguar. Ler seus escritos é como revisitar um laboratório e obter capacidade literária independentemente dum qualquer estilo.

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Ele tinha o condão de elaborar um trabalho colocando no papel tudo aquilo que conseguia observar na pessoa, num animal, em uma cidade e sua sociedade, muito cheia de nuances. Foi um pouco a partir dele que trabalhei a curiosidade, descrevendo assuntos demasiado banais. E, fiquei também ciente de que o que toca a imortalidade é a obra e não o ser humano.

gracilano1.jpg Pode-se escrever direito com caneta torta, tal como fazer coisas desalinhavadas sem usar agulha e linha. Graciliano Ramos possuía uma loja de tecidos com o nome de Sincera na Cidade de Palmeira dos Índios; Sem o querer acabou por ficar prefeito (presidente) desse Município. Isto para acrescentar que ficaram conhecidos seus relatórios ou actas pela transcrição de forma muito pessoal.

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Suas cartas, reparos e pergaminhos diziam assim a dada altura: “Por infelicidade virei prefeito no interior de Alagoas e escrevi uns relatórios que me desagradaram sobremaneira. Veja o senhor como coisa aparentemente inofensiva inutilizou um cidadão”. Foi deste jeito que enviou uma carta a um seu amigo argentino de nome Raul Navarro.

lampião8.jpg Com sua caneta transformava um banal relatório ou carta burocrática em uma verdadeira peça literária. E, já que isto é mencionado, quero também avivar relatos de seu exercício passados ao papel no ano de 1930; ainda eu, o T´Chingange, nem era um projecto de vida pois que minha singularidade surgiu no ano de 1945 e na convulsão dos sons de obuses da primeira guerra mundial.

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E, ele escreveria: “(…) convenho que o dinheiro do povo poderia ser mais útil se estivesse nas mãos, ou nos bolsos, de outro menos incompetente do que eu. Em todo o caso, transformando-o em pedra, cal, cimento etc., sempre procedi melhor que se o distribuísse com meus parentes, que bem necessitam, coitados”…

gracilano2.jpg Vejam aqui tal ironia em seus procedimentos de honestidade, a comparar com os governantes que hoje proliferam avulso, santinho e gasosa no Brasil e em todas as partes chamadas de PALOPS… (Entenda-se Portugal, Angola e Guiné-Bissau). Homens políticos como estes, extinguiram-se!…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:58
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Quinta-feira, 29 de Março de 2018
MUGIMBO . CVIII

CICATRIZES DO TEMPO – 29.03.2018

-Mujimbos com borututu ou o interstício das falas… O drama da vida é a perspectiva mais comum da consciência – O sentido das palavras

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brsaileiro

É necessário ter em conta os costumes e o carácter dos povos que influem sobre as línguas. O sentido verdadeiro de certas palavras escapar-se-á sem este conhecimento. De uma língua a outra, a mesma palavra tem mais ou menos energia, pode ser uma blasfémia ou uma injúria em uma e, não significar o mesmo em outra e, segundo a ideia que a ela se atribui.

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Na mesma língua e, em países diferentes, certas palavras perdem seu significado alguns anos ou séculos depois. Uma tradução rigorosamente literal, não exprime sempre na perfeição um certo pensamento! É necessário por vezes empregar, não as palavras correspondentes, mas palavras equivalentes ou perífrases.

4 DE JUNHO.jpg Em meus escritos, refiro-me por vezes a vidas periféricas em função dum estado de dependência, a vivências diferenciadas, conceitos entalados pela semântica no uso da palavra. Se não se levar em conta o meio, o tempo e o local na qual se vive ou se viveu, ficar-se-á exposto a equívocos. Uso em meus escritos palavras próprias do local em que a cena se passa e, quando é mais abrangente notar-se-á falas e linguajares com jeitos e trejeitos locais…  

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Posso citar as muitas interpretações do livro maior chamado Bíblia mas, não quero ir por aqui metendo-me voluntariamente numa guerra de palavras canibais. Sabe-se que a língua hebraica não era rica e muitas das suas palavras tinham vários significados. Estou-me a lembrar do termo camelo que naqueles idos tempos se designava a um cabo (fio entrelaçado).

IMG_20170823_133524.jpg Nas fases da criação e em géneses um cabo como hoje conhecemos era feito de pelos de camelo entrelaçados e, daqui chamar-se ao pequeno fio de camelo; conhecer-se a alegoria do buraco da agulha ajuda a entender o que vulgarmente consideramos de ditos: “ É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

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Não posso assim reconhecer-me em mérito ou em plenitude se separar do aconchego da amizade, o entendimento das coisas! Não é esta a minha real afeição. Quando digo em Portugal que “a malta não gosta da bófia”, no Brasil não entenderão; irão pensar que me refiro a um grupo de gente bóia-fria (tarefeiros ou ganhões) que colocam carris ou solipas em um trem.

IMG_20170615_143611.jpg O sentido vai assim para o brejo, o mesmo dizer-se que vai para o lixo ou para a basura. Estamos em permanente descoberta pois que só agora estão descobrindo que em nosso corpo há um novo órgão: o interstício, um espaço que incha e desincha, um grande órgão celular, sistema de comunicação que actua em órgãos diferentes como uma via de união entre todos os outros órgãos.

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A partir de agora um inchaço será por culpa do interstício. Sem discutir as palavras, é aqui necessário procurar o pensamento que parece ser este com mais evidência: “ Os interesses da vida futura sobrepõem-se a todos os interesses e todas as considerações humanas”.

IMG_20170823_134917.jpg A mente e o corpo humano continuam a surpreender-nos. O interstício já tinha sido definido como o “terceiro espaço”, mas nunca o tinham considerado um órgão. Cientistas, em pleno século XXI, propõem agora que o interstício, formado por um espaço com fluido em circulação, se torne um órgão do corpo humano. Eles, revelam-nos que temos um órgão que nunca tinha sido considerado como tal.

roxo168.jpgDe Assunção Roxo 

Chama-se interstício, é formado por um espaço com fluido e está nos tecidos conjuntivos por baixo da superfície da pele, reveste o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário e rodeia as artérias, as veias ou a membrana entre os músculos – tudo numa única estrutura. Pela primeira vez, os cientistas descrevem este órgão e consideram-no um dos maiores do corpo humano.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Sexta-feira, 23 de Março de 2018
ROXOMANIA . II

PEDRADA NO CHARCOA morte não existe! O que altera é a mudança de estado: do sólido para o sublimado…

Por

soba15.jpg T´Chingange - Mano Roxo do Nordeste brasileiro

Amolecendo na água do mar as unhas dos pés penso que a morte é uma mudança de estado; isso! Passar do estado sólido ao gasoso! Um pedaço de gelo que muda para água e que depois se evapora, continua a ser água, só que em outro estado. E nós - somos isto: água!

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Sócrates foi o percursor da ideia cristã e do espiritismo. Sócrates não deixou nada escrito à semelhança de Messias, o Cristo; envolvidos na morte como criminosos foram vítimas dum fanatismo pelo facto de ferirem as crenças tradicionais e, também por colocarem a vontade real acima da hipocrisia mais do simulacro das formas.

ROXO19.jpg Ambos, por terem combatido os preconceitos dos religiosos da época, foram acusados pelos Fariseus de corromper o povo, sua juventude com seus ensinamentos e, proclamando o dogma da unicidade de Deus, da imortalidade da alma e da vida futura.

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Foi Platão que escreveu o que se conhece de Sócrates na grandeza divina e, sem o interesse mesquinho das seitas - alterando paradigmas. Por suas ideias avançadas para a época, Sócrates e Cristo foram mal julgados.  Ao longo do tempo o uso das palavras pelo ser humano, melhor, as palavras por si só, foram ficando canibais. Umas mais fortes foram comendo outras fazendo-se prevalecer.

lula01.jpg No conceito de que “é a minha palavra contra a tua” umas saem mais verdadeiras do que outras. Ainda ontem assisti via TV, ao debate de ministros do Supremo Tribunal do Brasil a essa forma canibal de comer as palavras dos demais. Na defesa do “Habeas Corpus*” digladiavam-se em passos de lei para fazer valer o direito constitucional ou não, para se prender Lula.

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Notando-se nas falas a balança das afinidades, resolveram adiar até o dia 4 de Abril a decisão do STJ com uma “preliminar”. Acontece que dia 26 serão esgotadas todas as formas de defesa e caso não fosse esta “preliminar!” Luís Lula da Silva seria preso a seguir ou não! Convém esclarecer que Lula, o Ex-Presidente do Brasil, foi condenado a 12 anos e um mês em segunda instância. Esgotam-se aqui e por lei, os recursos de defesa.

144.jpg Ontem tive oportunidade de verificar no confronto de bizarrias a forma de dizer e a forma de não dizer, tribunal maior aonde as palavras são retiradas como de ganchos em um talho, azougue das mentes com dentes caninos filando-se em outras de maior debilidade. Este filme continuará mas, e desta feita quero aqui dizer que ontem também, acusei por “cem palavras” uma fiel amiga que em resposta a uma mokanda – carta, respondeu laconicamente um “sem palavras”; é que o assunto tinha pano para mangas…

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O “cem” e o “sem” fazem toda a diferença. Sem querer, querendo, justifiquei-me em salpicos feitos fagulhas do trem a vapor, do Tua do M´Puto. Pelo que, menos mal que Roxo pareceu aceitar mas, em verdade poderia ter omitido esta coisa pouca. Pois sucede, que também a fagulha do Tua do M´Puto me tocou no olho e assim ambos ficamos entorpecidos num momento. Mas, eu não tenho o direito de como piranha comer neurónios! Desculpa Roxo…não deveria assim ser.

roxomania2.jpg Deste modo singular e no aconchego da amizade, a ela, Roxo, ofereço umas singelas falas de como se solipas fossem dum trem maravilhoso, o do Tua do M´puto. E, assim percorrendo suas linhas paralelas lá chegaremos ao infinito que fica no Pinhão do Douro. Quem viaja tem destes percalços. É a verdade!

 * Habeas Corpus é uma garantia constitucional em favor de quem sofre violência ou ameaça de constrangimento ilegal na sua liberdade de locomoção, por parte de autoridade legítima (da Wikipédia).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:38
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Domingo, 18 de Março de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 18.03.2018

- Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado….  Ela, não era negra, não era pobre, não era feminista, não era militante de partidos políticos e, não frequentava os círculos LGBT; Também não era do MST...

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

- O Pastor Cláudio Duarte falou e disse: -“Gisele Palhares Gouveia, 34 anos, cuja profissão era salvar vidas actuando como médica foi assassinada na Linha Vermelha (RJ) com dois tiros na cabeça após uma tentativa frustrada de assalto. Gisele, embora mulher, não era negra, não era pobre, não era feminista, não era militante de partidos políticos, não frequentava os círculos LGBT, não era do MST, CUT ou PSOL, não estava dentro dos programas de assistência e cotas do governo.

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Enfim, não preenchia os requisitos necessários para uma mobilização nacional, tampouco que merecesse a menor atenção dos Direitos Humanos. Ela, como eu e você, não era ninguém!” – Fim de citação - Obs: Este texto é referente ao facto ocorrido em 2016, o que não muda a realidade na actualidade de seu conteúdo. O texto coloca em contraste o que foi propalado nos últimos dias pela morte de Marielle Franco, uma deputada da prefeitura de Rio de Janeiro e activista em defesa dos negros e das minorias sociais.

ardinas branos.jpeg A humanidade perfeita não existe! Assisto hoje a guerras dispersas pelo Mundo e, é a televisão que nos mostra isto a todo o instante. Nem sempre a clareza surge como se pretende parecer e assim surge turva e sub-reptícia matando nossos neurónios activos. A suspeita é lançada como forma de configurar a desconfiança de quem e de onde vem o mal ou a culpa; mas nem tudo o que parece, o é…

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Interrogo-me no porquê dos acontecimentos sucederem duma certa forma; uma arma AK-47 que custa 60.000 reais é usada por marginais nas favelas do Rio ou de São Paulo. O preço desta arma corresponde ao de um bom carro na cotação social brasileira; mas então como é que esta coisa proibida pode ser transportada de forma legal até chegar à favela, se de carro, de avião, de barco, chegar a um lugar que nem porto tem.

brasil2.jpg Como é que as AK-47 e todas as outras armas chegam ali sem serem detectadas numa alfândega de fronteira, pelas polícias de todo o território sejam elas municipais, estaduais ou federais. Alguém a troco de fazer vista grossa, recebendo propina, facilita esta mercadoria até chegar ao destino. Tem forçosamente de haver uma cadeia de mando que vive deste falacioso comportamento!

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Devem ser muitos a querer ganhar e de forma rápida, subir nos escalões sociais sem que para isso preparem o seu lado bom ou honesto, fingindo que o são! Ensinaram-me que os homens de boa vontade devem tentar em seu meio e, tornar a vida humanamente viável considerando ser esta sagrada porque representa o supremo valor a que se ligam todos os demais. 

demo1.jpg Os meios de comunicação sempre dizem ou recomendam o princípio do respeito à vida mas, os exemplos são falsificados!  Aqui, em Portugal, em Angola ou na Cochinchina. A fineza e a graça morrem numa bala perdida, em outros nem tanto porque ela lhes entra na carne, mata e lhes leva o espirito para um além dconhecido. Há uma cadeia de mando! Tem de haver! Se querem manter o espirito, terão de se preocupar com o corpo que é seu involucro… Certo!

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As gerações anteriores a nós, talvez tenham julgado que os progressos intelectuais e sociais apenas representariam uma vida mais fácil e mais bela nos dias de hoje mas, as provocações deste tempo, mostram haver uma ilusão cheia de más consequências. É uma bala perdida dum marginal do Rio ou um veneno sofisticado a lembrar os velhos tempos da guerra fria entre o leste e o oeste. Lembram-se? Recentemente mataram por envenenamento um ex-espião em Londres; os britânicos, porque não tiveram uma explicação, expulsaram mais de vinte diplomatas Russos. Estava na cara! A evidência era só deles. Os Russos sabem matar assim!

Gisele0.jpg De lá da Rússia, retaliaram do mesmo jeito. Assim, Russos e Ingleses perigam as nossas vidas; o filme está a decorrer! Ela, a vida sempre vai estar suspensa por uma bala que entra na frincha errada ou como um veneno de mamba negra e, mais uns pozinhos do cumcamano! O perigo está em cada um de nós; Sem fazer nada, todos esperam que se aja em seu favor. Isto não é comigo! Dirão, diremos… Todos dirão!

adiafa1.jpeg A coexistência pacífica dos homens baseia-se em primeiro lugar na confiança mútua e, só depois nas instituições tais como os tribunais, a justiça, a polícia, a força tarefa ou de bairro assim seja estatal, governamental ou federal. A Ordem e o Progresso escritos na bandeira são para todos; não é a Ordem  para os cidadãos e o Progresso só para os governantes.  Ao Mundo, faltam estadistas!…

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:22
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Quinta-feira, 15 de Março de 2018
MALAMBAS . CC

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBELEY –  2ª de IV Partes

- EM VIAGEM NO XOXOLOSA TREM - 28.08.2018Nas frinchas do tempo e atravessando o Karoo, olho o deserto pela janela do mukifo…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estamos a 15 de Março de 2018. Passando a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo, revejo o Karoo National Park da janela e, do lado direito do trem. Viajar neste trem é um restolhar de vivências diferenciadas de outras. Beanfort West deve ser a cidade aonde os farmeiros destas vastas zonas do grande deserto Calahári se abastecem. Poço ver de quando em vez, avestruzes livres correndo, como que fazendo competição com o trem.

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Os semblantes de gente negra daqui têm perfil de hereros, quase brancos há mistura com os khoisans, bushmens magrinhos, baixos e secos de carnes encortiçadas pelo agressivo ar quente do Karoo quando dia e frio de queimar pestanas de noite. Ontem à noite, ao despedir-me dos auxiliares do Rust camp Alfa One de Warrengton, o Mandla chofer sul-africano e do pedreiro Fabiano moçambicano; como agradecimento dei a cada um, uma gasosa de 150 rands (10 Euros).

xoxolosa1.jpg O agradecimento deles foi bem rasgado e o dinheiro foi posto na mão estendida com os dois braços esticados; o esquerdo suportando com a mão, a parte inferior do direito no antebraço. Quem nunca saiu da europa não entende este propósito; isto significa na cultura dos povos bantus respeito e gratidão por quem lhes dá atenção ou admiram. Só por isto, senti-me abençoado…

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Fiquei contente por regirem assim pois que sempre passamos dez dias em proximidade, suportando o frio da noite, a água gelada nos tubos pela manhã, o pôr a trabalhar o gerador entre outras sensações de ouvir os chacais a rir, salvar patos-reais vindo do capim nas bordas dum rio afluente do Orange River. Africanos pretos tendo um patrão também africano, um branco nascido no mato de nome Lourenço, lá nos arredores de Benguela de Angola. Um entre muitos que saíram de sua terra na altura do TUNDAMUNJILA. Até agora nenhum dos mwangolés os convidou a regressar… Gente de túji mesmo!

IMG_20170823_114812.jpg Momentaneamente e por curto espaço de tempo, T´Chingange descendente dos Celtas Lusitanos e Turdetanos, Niassalês por opção, candengue camundongo, Maianguista de bairro na Luua, brasileiro por escolha e Tuga por condição, foi o patrão interino de Mandla e Fabiano.  Via telefone recebi um recado SMS da empresa estatal dos Xoxolosa Trem a dizer que nosso manager da carruagem 9 era o Senhor Silas N´Goiana; o mesmo que nos indicou o mukifo com a letra F.

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Na europa estes procedimentos são abreviados com talões previamente furados antes de entrar na carruagem que depois serão observados pelo revisor. Pois volto atrás para descrever que ontem e faltando quinze minutos para as dez horas da noite, estando vários grupos de pessoas na sala para embarque a senhora do guichet saiu dele para avisar grupo por grupo que o comboio estava nesse momento em Warrengton que fica a uns sessenta quilómetros, região de onde saímos – isso, do  Rust Camp Alfa One.

IMG_20170823_140827.jpg A funcionária fardada a rigor e com chapeu de oficila dos Caminhos de Ferro acrescentou que o Bleu Trem iria demorar uma hora até esta estação de Kimberley; assim aconteceu! Mas estivemos aqui parados uns cerca de 25 minutos pelo que só saiu às 11.20 horas PM ou seja, duas horas mais tarde do que estava assinalado, This is áfrica! Copiaram!

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Aqui tudo é possível e, ninguém reclama; isto confunde qualquer um, até mesmo um cristão da Mauritânia ou testemunha de jeová da Ilhas Maurícias! É mesmo a passividade de quem vive um dia a seguir ao outro, num seja o que Deus quiser. Naquela sala de embarque, eu, Ibib e Ritinha eramos os únicos brancos na cor; Nos dentes eramos todos, aleluia!  Haja Deus, ámen!

IMG_20170823_134528.jpg Isto era-me estranho e, até comentei porque, que se saiba Kimberley nos primórdios e com a descoberta do maior diamante do mundo esta cidade só tinha brancos; claro,  gente vinda de todo o mundo – aventureiros americanos, ingleses, escoceses e até brasileiros. Gente habituada a fuçar a terra com o fito de ficar ricos; a maior parte trocava sua fortuna por uma noite prendada com mulheres que tinham antes do coração duas volumosas mamas a protege-lo…

IMG_20170823_123725.jpg Tal como o Xoxolosa Bleu Trem, tenho de andar lento na descrição da viagem porque se falhar alguns pormenores, ninguém irá achar graça ou interessante. Lá atrás na cidade de Kimberley percorri a cidade de então construída em fins do século XIX ao redor do grande buraco Big Holl. Bem ao jeito do faroeste americano vi saloons, bancos, sapatarias e oficinas com carros e ferradores co mais uma catrefada de coisas que o tempo eliminou. No restaurante pude comer tortilha com Tiboon (bife de boi tendo um boi de grandes cornos a olhar-me insistentemente. O conhecer do mundo, suas coisas e bizarrias dão-me um prazer infindo…

(continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:58
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Quarta-feira, 14 de Março de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 14.03.2018

- Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado…. O mal fermenta-se na psicose gerada pela instabilidade provocada por políticos; os mesmos que escolhemos

Por

soba0.jpeg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Os sintomas do mal, revelam ao mundo e em especial ao M´Puto e Brasil aonde passo grande parte de meu tempo, características inquietantes pela instabilidade politica e instabilidade laboral com o flagelo do desemprego prolongado. O mal fermenta-se na psicose gerada pela instabilidade apontada adicionada a outros males como a precaridade quase instituída; isto para não entrar no capítulo da educação, formação, investigação, assistência na doença e lóbis incestuosos nas várias frentes da governação.

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Avós, pais e filhos têm de se organizar nestes inteiros condicionamentos de vida. Ninguém está certo da vitória no que concerne à nossa liberdade em nossa existência. Estamos sempre pendentes das medidas dos poderosos que por nossa mão (entenda-se o povo), alcançaram o poder; refiro-me aos políticos. No final, a culpa não é de ninguém, morre sempre solteira…

portug1.jpg Não poderemos libertar-nos dos sintomas conhecidos e de outros por conhecer, se não atacarmos a moléstia pela raiz sabendo que mesmo estas continuam a crescer de uma forma imprevisível! Nem sempre os diagnósticos estabelecidos pelos especialistas dão a necessária confiança à convicção de que um homem independente é honesto.

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O clã familiar, cada vez mais tem de se organizar como e, para harmonizar sua existência humana tendo de partilhar sua reforma com um filho, com um neto ou mesmo a um mais próximo a fim de se superar as sucessivas crises. E uma crise não é singularmente diferente das precedentes porque dependem de circunstâncias novas. Isso! Condicionadas pelo fulgurante progresso da corrupção, da cunha e, aonde o homem, mulher, a família se vê neste tipo de economia dita liberal.

lul2.jpg A lei da gasosa, sim! Obrigado/a no retirar migalhas ao salário sem sempre conseguir garantir as vitais necessidades. Dos ganhos, sessenta por cento, vão direitinhos para pagar a máquina estatal que subsidia partidos, fundações, observatórios e tantos outros afins de e a bem da nação… Balelas! Uma guerra de impostos taxas e sobretaxas; incestuosas atribuições…

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O desemprego aumenta e a confiança no patronato diminui; diminui a confiança nos bancos, da participação pública nestes e depois… depois os bancos irão ser obrigados a sessar seus pagamentos, a diminuir os juros. E, dirão porque o público retira os depósitos, a economia fica bloqueada e edecéteras de engenharia financeira complicadíssimos de entender…

PUXASACO.jpg Eles, os bancos convencionam-se em garantir seus fundos de prevenção dando-nos 0,01 por cento nos depósitos ao ano, cobrando-se de todas as tarefas inimagináveis. O que não nos dão, vai direitinho para o seu fundo de garantia, para pagar a trafulhices de venderem peidos de velha como se fossem ovos-moles de Aveiro.

quem3.png As crises dão dinheiro a alguém! Algum país, algum grupo ou contas de paraísos fiscais ficarão a abarrotar! E, os outros a chiar. As crises são preparadas de tempos a tempos para nos esfriarem os bolsos. Os donos do Mundo, os donos disto tudo, sempre estarão amparados pelos políticos eleitos e vice-versa. A inteligência é a capacidade de nos adaptarmos a tudo isto aceitando o roubo, a taxa, o imposto e alcavalas como coisa clara e instituída.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:47
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Terça-feira, 6 de Março de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 06.03.2018

-  O mistério da vida - Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada. O destino da humanidade repousa irremediavelmente e, cada vez mais que nunca, sobre as forças morais do homem. Se se quiser uma vida livre e feliz, forçosamente haverá necessidade de se restringir ao essencial e renunciar a muitas tentações; daqui dizer-se estar sempre limitado!

araujo86.jpg Hoje o destino da humanidade repousa sobre os valores morais que consegue suscitar em si mesma. Todos, ou quase, percebemos que o livre jogo das forças económicas, o esforço desordenado e sem freios dos indivíduos para dominar e adquirir a qualquer custo, nos conduzirão mais e de forma automática a uma solução insuportável deste problema: tanto roubo, tanta hipocrisia e corruptela.

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Será necessário rever velhas ordens, planifica-las em novas para que a produção de bens do emprego da mão-de-obra e da repartição em bens de consumo, não sejam uma simples quimera; evitar a todo o custo o desaparecimento de importantes recursos produtivos com o inerente empobrecimento levado a uma vida ultrajante de subsistência e dependência…

araujo87.jpg O estado deverá ser permanentemente inovador nas áreas de educação e pesquisa. Será com novas áreas de modernidade e novos paradigmas que se alcançará o bem-estar social. Se na vida económica de um povo, o egoísmo e corrupção persistirem - o “monstro”, inevitavelmente derrotará a democracia tal como a conhecemos e concebemos.

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A política tornar-se-á tão nefasta que no dia-a-dia perigará a condição em se ser um cidadão honesto. Os estragos serão cada vez mais atrozes ao entendimento da gente que cada vez mais detestará a política e os políticos. Detestará também os sindicatos e sindicalistas manobradores. A menos que os homens descubram e bem depressa, os meios de se protegerem deste desequilíbrio ético, caminharemos rapidamente para guerras internas…

araujo88.jpg As dispersões de opinião serão cada vez mais distribuídas, originando uma incerta forma de governo e, proporcionando na certa, o aparecimento de associações do tipo geringonça. Estas terão pela certa jogos de sociedade respeitando escrupulosamente sua visão ideológica, suas regras, suas normas, seus interesses.

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E, a dúvida de todos ou de uma grande parte subsistirá porque, quando se trata de ser ou não ser, as regras e compromissos, nada valem. Sei-o por experiência própria em um tempo não tão distante: 1975 – Um tal de acordo de Alvor – lugar do M´Puto! Aonde então, se meteram os estadistas? Diriam como salvaguarda posterior serem medidas revolucionárias! A evolução dos últimos anos põe em foco o facto de termos muito poucas razões para confiar nos governos; em confiar na ética e responsabilidade…

araujo122.jpg A confiabilidade dissolve-se assim, em permanentes duvidas e, nisto de assim ser, não há objectores de consciência. Na verdade trata-se de um combate desigual ou ilegal; um combate pelo direito real dos homens contra seus governos já que estes, exigem de seus cidadãos actos criminosos de demasiados e injustos impostos, demasiadas leis e, desadequadas.

Ilustrações aleatorias de Costa Araujo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:47
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Sexta-feira, 2 de Março de 2018
MOAMBA . XVII

PENSAMENTOS ESPECULATIVOS - Bingo! O mundo está diferente; bem-vindo a uma nova era…

Por

soba15.jpg T´Chingange

O género humano está fabricado em conceitos fictícios e, por via disso poder dizer-se que somos “uma soma de aspas (“…..”) – São raros os espíritos com suficiente domínio de si mesmo para verem as fraquezas e loucuras de seus contemporâneos sem cair nas mesmas armadilhas.

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As armadilhas de sempre, aonde as ilusões parecem também perder a esperança da melhoria moral; isto, porque também aprendem a conhecer a dureza dos humanos que no tempo viram pedras (uma estátua) a recordar o que eram, isto e aquilo, atascando bibliotecas com sapiência.

pedras0.jpg Leis de acórdãos, despachos e outras regram estabelecidas por posturas e assinaturas. E, somente a uns quantos, quase poucos, é dado um estado de graça. Assim sendo, a nós -“aspas espirituais”, corresponder-nos-ão uma desordem de opiniões filosóficas que nos baralham nas intensões.   

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Filosofias que desordenam os neurónios com “aspas inimagináveis”. E, porque somos setenta e cinco por cento feitos de água, resta-nos o pó dos restantes vinte e cinco por cento menos uns doze gramas correspondentes à alma que se volatizará no espaço. Isto está comprovado cientificamente: depois de fazer uafa (morte) o peso fica com menos doze gramas.

pedras00.jpg Pode observar-se que para um filósofo clássico estas aspas são manuseadas para indicar o conceito fictício das coisas, apesar das críticas supostamente refutadas. E, porque sem esta ilusão, não será possível haver pensamento filosófico tal como não se pode fazer migas de bacalhau com carapau.

 

A mesma água que nos molha quando liquido, pode matar-nos no descuido ou quando sólida. Nunca ninguém contou a experiência de esmagamento com 1/2 tonelada de gelo porque deverá ser difícil sobreviver antes de se sublimar.

vacas voadoras.jpg Pode até usar de um realismo ingénuo que segundo o qual os objectos “são” a pura verdade dos sentidos. Nesta linha de pensamento e numa forma real lá seguiremos a doutrina de que as coisas objecto são assim como o que parecem ser ou seja, a água pura é incolor, não tem cheiro nem sabor. Em verdade, a erva verde é verde, o gelo é frio e as pedras são rijas.

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Não queiram então sentir o efeito real e físico de se abraçar a uma pedra porque ela é dura… A ciência parece estar em contradição consigo mesma porque assim sendo é extremamente verdadeira para se falar de subjectividade e relatividade.

regua.jpg Não há razão alguma para impor qualquer coisa entre o objecto e o acto de isolando na relação entre o objecto e a problemática da tese “ a existência das coisas”. Se complicarmos isto por ora entendível entraremos num campo de “metafisica”. Neste final de crónica, ao calor das pedras, sublime-se na ideia dum leitor coerente: “ quem é este coitado?” - Pois! Eis-me “entre aspas”…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:46
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Sábado, 24 de Fevereiro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO 24.02.2018

- Novas maneiras de aprender antigas verdades!... Com atitude….

Por

soba15.jpgT´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Um homem franzino de flanela curta ginasticava na areia dos Sete Coqueiros da Pajuçara às seis horas e dez minutos desta da manhã. O sol deve ter nascido pelas 5 horas e quinze minutos e uma hora depois já ia alto no horizonte, queimando. Este homem de murros ao vento estica e encolhe o braço como fazendo muita força, dá pontapés no vazio em preparo de ataque de bassula ou capoeira.

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De repente junta as palmas das mãos como que orando e desfere em seguida um golpe até aonde o braço alcança como que atingindo um suposto órgão vital. Talvez fosse candomblé, porque feito pássaro secretária da savana, só apoiado em uma perna, desfere bicadas ao jeito de kung fu, talvez jiu jitzu ou tirada de urubu puxando a alma dum espirito inquieto para si com retorcidela do punho, braço e antebraço.

 pajuçara1.jpg Havia posições de parecer querer levantar voo assente só em uma perna-pata num jeito de maracatu. Entretanto chega um atrelado carregado de tralha, cadeiras, mesas, sombreiros e caixas de isopor, tudo recoberto com um oleado e, é neste preciso momento que o homem pássaro interrompe seus ensaios de voo e se dirige à carreta para destrinçar os atilhos da carga.

 

Era afinal o ajudante de praia do empresário das sombras de Coqueiro Seco com o nome de guerra de suricato, nome de mancho de suricata, nome de animal que só existe no altiplanalto do Calahári africano. Perdido nesta divagação curiosa ginasticada de forma exótica, contorno a quadra de futvolei para comprar dois cocos frios, meu fornecedor habitual desta água revigorante da natureza.

paju3.jpg De fazer reparo que estes cocos estão envoltos em gelo dentro de uma antiga geleira que agora conserva o produto frio de porta para o ar. Também esta geleira fica montada em um estrado com rodas de bicicleta para assim se poder deslocar melhor para um qualquer parque cortiço nos arrabaldes da Pajuçara. De notar que a geladeira como se diz aqui, está pintada com uma obra de arte de sereias mergulhando em ondas borbulhantes.

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Aqui todas as bancadas de trabalho andam, por reboque ou atreladas são deslocadas todos os dias para fora da praia á noite. E, todos os dias são levadas e trazidas cumprindo as leis de postura municipal. Normalmente são homens que as empurram ou puxam até o local que lhes está destinado, penso eu! E, fazer o translado de carregos com mais de dois metros de altura não me parece ser fácil, não!

paju1.jpg Assim e querendo, aqui estou reescrevendo escritos do realismo feito literatura de bolso num método de rigor quase científico na representação do mundo mais próximo e da sociedade apontando seus hábitos, usos e medos até, dentro das possíveis atitudes civilizadas. São os conceitos nos parâmetros de gente que ginastica o físico e dependências para só curtir um dia de cada vez. É na balburdia ordenada que se pode ver a pura sensualidade dos mais pobres a ajudar os mais ricos. Que seria de uns se nõ existissem os outros…

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Na maturidade destas vivências reparo que um outro senhor idoso com sapatos de borracha, espeta um pau na borda de água e estende em curva e até atingir a sua altura uma rede de nylon com bóias brancas á tona de água e chumbo arrastando o chã de areia com algas. Ele faz a pesca de cerca e arrasto sozinho. É a primeira vez que vejo isto! Aonde chega a obrigação com imaginação…

coimbra2.jpg São talvez uns setenta metros de rede e, andando dentro de água vai fechando o cerco na forma de caracol; já no círculo feito ou quase fechado, bate na água assustando os peixes, levando-os a se prenderem na rede. A luz da ciência aqui representa a maturidade por observação, retirando proveito do óbvio… Uma vez dá, outra nem tanto…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:17
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
MALAMBAS . CXCVII

A CHUVA E O BOM TEMPO - 20.02.2018

- Apaziguando rijezas adversas num salve-se quem puder…

Por

soba15.jpg T´Chingange No Nordeste Brasileiro

Ontem fui ao centro da cidade tratar de um assunto com a contabilista, coisas de imposto de renda que têm de ser demonstrado por compras ou aplicações financeiras em todos os anos civis. A lei é para ser cumprida segundo o que está escrito na bandeira do Brasil: Ordem e Progresso – Ordem para os debaixo, o povão e, progresso para os decima, os que mandam ou são donos disto tudo.

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Começo assim só para justificar-me do assunto que irei aqui escalpelizar com bisturi rombudo. E, pude ver quase todo o tipo de negócio a correr nas ruas da cidade; digo correr porque as bancas têm rodas e com facilidade estarão aqui ou ali conforme a conveniência ou por via da fuga ao fiscal zelador das coisas da via pública, digo eu.

araujo99.jpg E, dum quase tudo, posso mencionar raquetes de matar mosquitos, chapéus-de-chuva, pensos rápidos e água fresca e metidas no gelo em caixas de isopor, esferovite, jogos de chaves de bocas, alicates, destornilhador ou frutas variadas como graviola, fruta-do-conde, goiaba, macaxeira e edecéteras. Tudo isto a laborar em azáfama, sem fiscalização aparente…

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E afinal, como seria o Brasil se a cada esquina estivesse um fiscal municipal, federal e outros supra numerários do sistema a ver a higiene, a balança e a licença para vender os produtos? Tornar-se-ia impossível gerir estes milhões de pessoas que sobrevivem desta forma. Dito isto entro nas lojas americanas e trago de lá um ventilador de marca “arno” por cento e trinta e nove reais com noventa cêntimos.

ROXO167.jpg Deparo com uma banca carregada de boa macaxeira, mandioca recentemente retirada da terra; Bem no centro e no topo das raízes tinha o preço fixado, escrito em um pedaço de isopor: 1,50 reais. Está barato, vou comprar! Moço dá-me dois quilos! Entretanto uma senhora faz o reparo de que aquela balança está desregulada, uns dias atrás levou dois quilos e em casa na sua balança só tinha 1, 160 Kg.

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Em voz baixa foi dizendo para eu ouvir que mesmo assim valia a pena porque estava em bom preço. Bem, a balança de mola de enrolar estava oxidada, quebrada no plástico frontal e até se poderia ajustar o peso por entre a parte inexistente do transparente. Toda ela era uma obscura e desconfiável balança, xucra mesmo! O Dono, moço Isac era de bom trato e bem falante, um ser de Deus e pagador de dizimo na igreja do sétimo dia, pensei cá para mim. Vou experimentar sussurrei à senhora! E, foi, embrulha, e fui!

araujo114.jpg Chegado a casa vou direito à balança de pesar bolos e era certo! O cabra-da-peste, evangélico do sétimo dia, enganou-me. O negócio pesava só 1,160 quilos. Quersedizer que faltava só 840 gramas. E o cara-da-peste evangélico que disse para mim na maior belezura: Deus esteja contigo, feliz dia! O cara-de-pau a meter Deus nesta pequena trapaça hein! No final vi o papel de custo duma compra no super Bom Preço e a mesma quantia ali seria de sete reais! Afinal ganhei 4 reais!

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Putamerda; fui roubado e ainda estou contente porque não perdi assim tanto, melhor ate ganhei! Pópilas! O mundo anda mesmo com os paradigmas invertidos. Mas, um destes dias vou levar um pacote de quilo de açúcar para servir de peso; fiquei só meio fulo, meio bravo porque me tapearam e, eu não gosto de ser tomado por lorpa. É que todo o mundo quer ficar ganhando, ficar por cima e também nesta, até  eu fiquei por cima, visse!

ROXO164.jpg Bem! Em verdade este é até um caso menor, senão vejamos: Esta manha e na TV Globo, pude ouvir que uma tal senhora juíza desembargadora foi eleita deputada por um partido, não interessa qual (tudo é igual) ficou descontente com a sua baixa de ordenado. Apurei-me na escuta e fiquei a saber que esta senhora recebia o ordenado de desembargadora com mais o de deputada! Até aqui tudo bem! Será? Como se verificou ganhar mais do que o tecto salarial da Nação, baixaram seu salário que era só de 60.000 (sessenta mil) reais!

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E, não é de que a senhora se estava a queixar de que agora ia passar necessidades, pois que abaixo dos sessenta mil era passar mal. Isto é mesmo uma invulgaridade! Disse para mim… Bom! Ouvindo isto, fiquei indignado. Ganhando 60 vencimentos mínimos e lamentando-se! Haja vergonha! Depois disto até senti satisfação por ter dado a ganhar uns pequenos cobres ao moço Isac da macaxeira.

araujo 43.jpg Estou aqui a falar do Brasil mas este filme já o vi em Portugal quando o Ex-Presidente Cavaco e Silva se queixou de que a sua aposentadoria somada à da mulher, não lhe dava para cobrir os gastos! Cumcamano! O mundo anda a ser gerido por incompetentes e ladrões e eu, aqui a gastar minha tinta, meu suco a custo zero! É mesmo um Deus me livre! Que dizem Vocês? Falem! Não fiquem aí com a língua agarrada aos dentes! É chato falar sozinho…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:15
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXIV

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 17.02.2018

- Nova maneira de aprender antigas verdades!... Com atitude….

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Em minha luta constante para me aperfeiçoar, tenho percebido haver uma oportunidade de redescobrir antigas verdades, que nem sempre o foram sequentes nas promessas, nas adendas, nas falaciosas intenções porque nunca viraram num facto ou já eram facciosas de nascimento. Assim, as pérolas que havia decorado no passado e esquecido ganham uma nova forma, ou nova roupagem.

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Satisfazendo-me o ego e, na forma de dar fôlego, descubro-me na escrita!  Tornando-me um contador de estórias crio personagens como um dramaturgo, que me animam e até confidenciam numa forma de perpetuar este vigor na vida; de dar sequência, sem me motivar na corrupta ideia de vulgarização nas coisas que todos dizem, e todos opinam.

GALO0.jpg Sim! Segredam-me coisas sem se definir bem no mistério de não permitir que me mecanize nessa rotina brejeira ou superficial. É decerto uma nova forma de reconstruir a comunicação, como bem explicita o nosso Profe Júlio Cesar Ferrolho, dando sentido às falas do mundo, renovadas e fortalecidas.

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Sem entender muito bem meus próprios planos e, sem vislumbrar conjecturas, dou comigo a dar satisfação aos personagens que me indagam: - Porque não tentas uma nova maneira de aprender antigas verdades? Posta assim a pergunta, nego-me ao periclitante papel de explorar novos caminhos revendo a vida e o espírito desprezando as parábolas ou recados da mente. Tenho-me em verdade surpreendido na recolha e pesquiza de pérolas que simplesmente ficaram de lado no tempo, como que armazenadas num baú de lata, que mofam, que se oxidam!

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É quando no passado esquecido ou forçado por se querer, se ganha uma “nova roupagem”. Na cultura em que estamos inseridos não é comum que as pessoas falem determinadas coisas sem esperar algo em troca! Pois! Vendem sonhos e adivinhações a granel, por grosso ou de atacado e por vezes em saldo! Leve três e pague dois…

roxo135.jpg Mas, a amizade por exemplo, é também ela, uma permanente construção. E, ela, a amizade pode surgir muda, sem falar qualquer língua ou dialecto e, porque nem sempre as falas se traduzem nos actos.

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Poderíamos entender-nos na perfeição por assobios, por um estalar de dedos tipo morse, por estalidos como os bosquímanos e macancalas, por gestos e muxoxos até; aqui as regras estabelecidas, normalizadas, viram paradigmas como os dogmas, crenças e cismas sem cabimento prático. É essa a prova real de que estamos permanentemente a reconstruirmo-nos como parte de um retracto inacabado, naturalista, na sordidez do vício humano.

pomba roxa.gif Sem me querer tornar mercenário, faço o meu dever de partilha sem nada pedir em troca e porque me dá prazer, trazer à luz a ciência duma época, falar das mazelas sociais que infelizmente, nunca atingiram a maturidade perfeita. Assim e, reconstruindo-me também, aprendendo, gratifico-me. É utópico dizer-se que que o valha-me Deus é o tudo mas, que nos faz falta, lá isso faz.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:41
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018
MALAMBAS . CXCVI

A CHUVA E O BOM TEMPO - 16.02.2018

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade … Pechinchando a vida.

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

O que mais evito num encontro de amigos é abordar o assunto de religião porque isto cria abismos de constrangimento entre as pessoas. Nossa natureza tem no ADN existências agarradas que nos envenenam a felicidade. Pode até se tornar numa agonia com violentos anjos às ordens de diabos muito cheios de vermelhitude nas labaredas.

araujo99.jpg Evito a todo o custo enfadar-me porque e, até meus dentes sem o querer me mordem a língua. Para a maioria, ter muito dinheiro é a chave da felicidade; possuir celulares xis-pê-tê-óh, casas, um grande salário, um carro de dar nas vistas e roupa de marca é considerado sinónimo de emproada felicidade. Quem não tem amigos destes?

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Não é normal alguém se passar deliberadamente por pobre; é normal agigantarem tudo o que sai de si, porque na malfadada vivência, as atitudes mostram a pobreza como algo de infecto-contagioso, uma doença a dar para o perigoso. Muitos e próximos tentam mostrar o que não são ou aparentarem; mentem-se a si e aos demais subestimando-os e querendo estar sempre por cima num qualquer simples procedimento.

roxo 20.jpg Ao fazermos amizades e com o tempo seremos mais conhecedores duma qualquer pessoa, assim e mais de perto e com o tempo, descobrimos uma outra realidade mais profunda; realidade que nos leva a frustrações por isto marcar necessidades profundas devido à cultura da aparência; a verdade permanece neles, oculta na superfície e como se fora uma pelicula de verniz – gente que usa sempre a dissimulação.

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É verdade que ao nos permitirmos adquirir várias culturas em países ou lugares diferentes, surgem características próprias e costumes bem arreigados como um paradigma, tornando-os singulares. Ao nos relacionarmos com as pessoas percebemos coisas interessantes ou não. E, sempre ficamos chocados quando o lado da análise tomba para o negativo.

araujo115.jpg Embora haja casos em que as pessoas são prestativas ou atenciosas, caímos por vezes no ridículo de sentir que tem muita gente a desprezar o próximo tornando a vida barata e vulgar. É sabido que toda a mudança exige sacrifício e adaptação mas há entre nós gente ruim que nos cobiça a todo o instante sem deles sair uma palavra de conforto ou solidariedade.

roxo46.jpg E, afinal porquê aceitamos este desafio permanente de querer acreditar; com o tempo vou fazendo triagem do que ouço deste e daquele e no tempo, vou excluindo este e aquele senão até que me remeto a um distante silêncio. Digo para mim: está na hora de rumar a outro desafio! E, posso dizer são muitas as desilusões mas, também surgem aspectos reconfortantes, gratificantes! Este mundo não é a nossa pátria, somos todos estrangeiros e peregrinos. Cada vez mais me sinto assim! Os abraços são-no de graça mas nem todos têm graça. Poderia até ser pior…

Ilustrações: Aleatórias de Costa Araujo e Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:39
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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2018
CAFUFUILA . CXXV

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO13.02.2017 - 21ª parte

Kiandas e calungas! No bloco de carnaval de Guaxuma… Nosso futuro ainda anda a ser fabricado…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Noerdeste brasileiro

Na epopeia, romance mussendo de três continentes e por via de seguir a peugada das kiandas, kwangiades ou sereias, vejo-me agora em Guaxuma do Nordeste do brasil, a festejar o entrudo entre cabeçudos dando pequenos paços ao som de uma bateria de bombos, chocalhos, pandeiretas, puitas e reco-recos. 

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Pois, em uma outra minha andança ao serviço da rainha de Portugal D. Maria I e, com o cargo de tenente, tive de escoltar uma leva de prisioneiros participantes da chamada Inconfidência Mineira nos fins do século XVIII, um movimento militar no Estado de Minas Gerais do Brasil.

carn4.jpg Levei um preso para a N´Gola e por lá fiquei centenas de anos. Falei disto e do mafulo Balthasar Van Dun mas, desta feita eu só venho gozar mesmo o carnaval na beira mar de Alagoas no ano da graça de 2018. Escusado será dizer que o Mwata dos Céus deu-me o condão de como T´Chingange, andar aleatoriamente no espaço-tempo. 

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Cheguei bem cedo a Guaxuma para gozar a praia da sereia e o carnaval deste ano. Eram seis horas e treze minutos quando iniciei meus movimentos de ginastica talassoterápica na água de cor esmeralda e, a fim de curtir a vitamina D trazida pela maresia, mais o vento que farfalha os coqueiros. Numa linda conjugação de sons juntava-se o desmaiar das ondas na areia amarela.

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Daqui saia os ritmos que junto ao bafo quente das longínquas pancadas dos bombos Zé Pereira traziam o cheiro de carnaval. Rodei meus movimentos até ver a estátua da sereia cimentada aos recifes; os mesmos que amenizam a fúria das grandes ondas. A enegrecida sereia estava meia coberta de limos, algas e limos que lhe davam um tom sussurrado de tristeza.

carn3.jpg Ela, a sereia, estava mesmo coberta de quereres apaziguadores de mareantes, marinheiros, pescadores e nadadores. Creio estar ali para estimular estórias como estas e das quais saem capítulos, romances de inventação com um Zé Peixe, uma lenda de prático que levava os vapores até alto mar. Um enredo de fantasia que viajou no espaço ladeado por uma sereia e por vezes montado num bumba meu boi.

arte1.jpg Lugares distantes como o lago Niassa e Tanganica mais os estuários do kwanza e ousadias no rio Kongo ou Zaire. Também na Costa dos esqueletos da Damaralãndia e Baia dos Tigres na n´Gola e Calahári do Namibe com os rios Cunene e Okavango cheios de magia de kalungas e kwangiades. Assim andando práfrente e pratrás, grafitei vidas no meu cerebelo originando romarias que perdurarão nas lendas de áfrica e américas.

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Depois de duas horas mexendo e remexendo meu esqueleto, vou até à minha cubata comer bacalhau à gomes de sá. Cochilo talvez umas duas horas e ao som do ronronar do ventilador apronto-me no disfarce e espirito de um pirata das Caraíbas pra ir práfarra curtir a folia do carnaval de Guaxuma. E podia ver-me todo empapoilado com franjas, chapéu de pirata, olho vendado e mão de gancho. E, lá vou eu mesmomesmo com uma perna de pau!

carn2.jpg Juntei-me ao meu bloco de bumba meu boi: O tema do bloco era mesmo o mar, o iemanjá, a kalunga e pulando de ansiedade juvenil juntei-me aos foliões, gente vestida de tubarão, baleia, garoupas e cavalas e olha só! Um grande espanto. HÓh… Ali estava o próprio Zé Peixe com escamas reluzentes de prata. Dei-lhe um grande abraço e, chegando-se ao meu ouvido pareceu-me dizer: está ali a sereia kianda Roxo! Ouvi bem!

roxomania1.jpg Apontou para o alto do carro do corso do nosso bloco e lá estava deitada rebrilhando seus arco-íris desde o verde ao prateado mas, sobressaindo o roxo. Ambos gritamos para chamar a atenção e assim, assim, rodou-se toda em sua cauda pontilhada de luzernas fosforescentes. De fora do bloco, podia admirar-se um gancho de pirata e uma barbata a dizer adeus a um golfinho fêmea que abanava sua cauda. Era ela mesmo! Afinal também gosta de carnaval, gritei eu a Zé peixe, ao que me respondeu: -HÓ, se gosta!? …

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:47
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2018
MALAMBAS . CXCV

A CHUVA E O BOM TEMPO - 03.02.2018

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade num mundo exótico … De novo e com agrado irei ver aquela senhora percorrer a praia de ponta a ponta de marcha-à-ré para rejuvenescer…

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 

Cruzei o Atlântico no Boing D. Maria II em sete horas e vinte minutos. Pedro Alvares Cabral deve ter levado um mês ou mais, considerando o vento de Bolina na feição e soprando no rumo sueste; deste jeito não teriam de mudar as velas permanentemente para percorrer todo o percurso sem ter de fazer os ziguezagues por forma a embolar os grandes panos propulsores. Eram tempos de escorbuto por via de não comerem legumes e frutas frescas.

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Hoje, os novos processos de catering, manuseiam milhões de refeições ao redor do mundo para abastecerem milhares de naves que cruzam os céus em diversas direcções. Cada companhia aérea tem contractos com empresas vocacionadas a fim de condicionar em embalagens próprias as variantes gastronómicas, frutas, saladas e sobremesas pré escolhidas por nutricionistas e dietistas por modo a não causticar o organismo humano.

tapete verm..jpg Não posso imaginar todos os passageiros a entupir os minúsculos banheiros depois de comer uma feijoada, cozido ou um sarapatel deteriorados. Ali presos num escasso espaço assim como capota enfiada num espaço anatómico para nem poder sequer abanar as asas, os braços neste caso sem se correr o risco de dar um sopapo ao vizinho de ouvidos entupidos por um fio que lhe entorna musica nos neurónios…

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Já andei pelos ares o suficiente em horas de voo para dar três voltas ao globo e sempre refilo com estes apertos de não poder cruzar as quinambas maçando o corpo encolhido, entupindo os gazes nas curvas, obstruídas para além da traqueia o hiato e as muitas nervuras coarctadas de fazer seus peristálticos movimentos. Melhor seria que nos dessem um comprimido de seis horas de sonolência, enfiarem-nos num tubo de hibernação e despertar na hora certa de desembarque.

zumbi7.jpg Desta feita tive de comer três fusos horários deduzindo na máquina do tempo os três por forma a equilibrar o invento da vida chamado relógio. E, o carnaval de Guaxuma com sua sereia espreguiçando tempo, espera por mim rodeada de águas tépidas chispando suas quenturas de 28 graus em seu corpo rebrilhante desde a cauda à ponta de seus cabelos.

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Já estava farto de usar ceroulas até o pescoço a fim de aguentar o frio do M´Puto, dois pares de meias, chapéu a cobrir as orelhas para dormir, luvas com pele genuína de ovelha da Serra da estrela. Depois, assim que o sol baixa, ligar as quenturas da casa, a botija de água para aquecer as pontas e desumidificadores para chupar o orvalho invisível da humidade roedora de ossos! Tudo fica que nem cordão de sapato; até a paciência se esvai para o canto dos tornozelos…

araujo65.jpg Como diz o Papalagui das longínquas ilhas de Samoa, ficamos que nem cebolas, cheios de cascas, uma por cima de outra para tapar as vergonhas e adjacências. Por isso escolhi o Brasil para armazenar meu esqueleto das frieiras, untá-lo com o sol do nordeste, empreguiçar-me por horas nas quenturas esmeralda - águas das piscinas naturais da Pajuçara, untar-me de cerveja skol, água de coco ou cachaça pitu enrolada em pedaços de doce abacaxi.

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De novo e com agrado ver aquela senhora percorrer a praia de ponta a ponta de marcha-à-ré, isso, andando para tráz para rejuvenescer-se em juventude e uma outra andando em ziguezagues, parando na água, chutá-la e depois ficar virada para o mar alto, abrir os braços e acenar a Nosso Senhor! Eu bem que olho e volto a olhar e, até semicerrando os olhos e, nada! Não vejo o que ela deve ver! Há gente que tudo consegue e segundo dizem, com fé sempre alcançam suas ousadias…

roxo123.jpg Irei passear até o largo do Ganga Zumba, uma pedra com feitio de gente quase primitiva, com uma lança a olhar o céu do lado nascente! O primeiro líder do Quilombo dos Palmares. Um herói de libertação vindo do Reino do Kongo e morto por seu sobrinho Zumbi, o mesmo que foi agendado como o patrono do Dia da Consciência Negra; assim ficou no calendário brasileiro. Coisas que aconteceram no longínquo ano de 1678…

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Os dias ficarão enfartados de fantasia com contos de outros tempos e, que agora surgem avivados nas memórias das escolas de samba! Lá terei de ir à terra de Palmares descobrir, porque é uma terra tão carregada de misticismo com Coronéis e majores, donos de grandes fazendas, senhores de tudo e de todos e, que em tempos idos faziam a lei… estórias do agreste e sertão com feitiçarias de mulheres que exageram seu adventismo… mulheres que conseguem ver sempre que querem, o Nosso Senhor…

O Soba T´Chingange no Nordeste brasileiro

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:13
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017
CAFUFUILA . CXXIII

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO – 19ª parte
Kiandas e calungas! E foi nesta "Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe" da ilha dos Frades, que encontrei vestígios das Sereias Kiandas Roxo e Oxor. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…
Por

soba0.jpegT´Chingange

Como a sombra, a história tem obscuridades que enganam os escribas e gente dada à escrita mas, eis que vasculhando escritos mofados, roídos e muito deteriorados da Torre do N´Zombo deparo com duas Aqualtunes sendo uma falsa; Eram disfarces provocados pelos negreiros para lançar a confusão entre os próprios escravos e, afim de lhes não ser prestada vassalagem lá para as terras desse mundo novo, desconhecido.

ilhao1.jpg Foi já dito que havia rivalidade entre os holandeses (mafulos) e os portugueses baseada na disputa pela aquisição dos mesmos escravos mas, a seu modo, podiam manter segredo sobre suas peças humanas. Seus segredos eram a sua alma dum negócio que valia ouro, que enriquecia a corte do M´Puto e muitos cidadãos de várias nacionalidades; estes tinham frotas de caravelas e até vergantins com bocas de fogo que davam protecção a estes durante a travessia do mar profundo.

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Pois, esgaravatando na estória, sabe-se agora que a verdadeira Aqualtune era uma outra mulher também ela princesa de um outro reino mais a norte de N´Dongo. A mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares era filha do rei do Congo. Esta Barbara da Silva de N´Gola acaba por morrer na ilha da engorda, a ilha dos Frades ao largo da costa brasileira, no centro da bahía de Todos os Santos, ou de São Salvador da Bahia. E, esta ilha é assim chamada porque nela foram assassinados dois frades pelos Tupinambás, os quais pretendiam catequizar. Foi o que se fez constar!
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Mas, sucede que também estas mortes foram encomendadas pelo senhor negreiro Jeremias T´Chitunda. Em verdade as peças humanas sublevaram-se ao saber que a princesa Barbara da Silva de N´Gola ali estava entre eles. E, porque foram estes frades que deram a conhecer tal facto, a morte foi um arranjinho que ainda hoje, nos surge bem estranho. E foram os Tupinambás que às ordens de Jeremias T´Chitunda e através dum milongo estranho fizeram a princesa definhar numa morte aparentemente normal.

ilha8.jpg Só assim, e depois desta naturalidade falseada, eles, os escravos, começaram a ter condições para serem apresentados aos compradores no lugar de Porto de Galinhas pelos coronéis das roças. Isto, parecendo ser, pode não o ser, pois que se apresenta como uma nuvem de cacimbo lendário e, dizer a veracidade no meio de tanto borrão escrito, é um pouco difícil de afiançar! Em verdade sabe-se que era aquela a ilha da engorda.

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Os escravos de N´Gola, simplesmente queriam morrer até que fossem dadas condições à sua nobre patrícia! Bem difícil de acreditar nos dias que correm e, aonde esse brilho de heroicidade se esconde no temor da morte! Hoje, isso é prática de muçulmanos fanáticos que se fazem explodir ou emplodir lançando carnes ao vento, o mesmo vento que os fará sultões ou gente monhé de mustafagem.
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Os escritos consultados foram gatafunhados por um tal de Barão de Loreto que ali permaneceu entre 1836 e 1906; Um personagem política da época do Império e dado a costumeiras corruptelas, coisa endémica, quase doença dos brasileiros que apreenderam tudo de mal dos Tugas. Na tradição oral nativa conta-se que, durante décadas, a ilha dos Frades foi dominada por um fazendeiro denominado Gabriel Viana e, que ao estilo dos "coronéis" dos tempos da República Velha, agia como um verdadeiro senhor feudal.

ilha7.jpg Por hábito, ele decidia sem mais quê nem porquê sobre a vida e a morte dos moradores; ora sendo um benfeitor da comunidade local, através de práticas assistencialistas, ora sendo um dominador autoritário fazia tudo a seu belo prazer. Em visita a esta ilha ainda pude ver um antigo casarão e de uma igreja remontando ao século XVII, que está completamente arruinada. Foi de lá que retirei algumas sebentas furadas por ratos transladadas para a Torre de N´Zombo do Kimbo e, deles retirei os duvidosos apontamentos entre muitos números de cifrões. 

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E foi nesta "Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe", que encontrei vestígios das Sereias Kiandas Roxo e Oxor. As mesmas que mais tarde avistei em Guaxuma, lá mais a Norte de Maceió. Conversando neste então com os moradores dali soube das andanças destas kiandas. Dizem que vinha agarradas aos cascos das naus do senhor Jeremias T´Chitunda. Actualmente ainda por lá se encontram cerca de cinquenta e cinco cinco pessoas.
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Foi entre estas parcas barracas que botando conversa com o velho Rufino Adamastor fiquei a saber que não só por ali passaram as kiandas Roxo e Oxor como também durante algum tempo por ali se manteve um tal de Zé Peixe, o mesmíssimo homem que nunca se lavou com água doce e que mais tarde se mudou para Aracaju de Sergipe. Este Senhor mais-velho Rufino apresentava-se com umas barba branca e laivos amarelos de tanto fumar charutos tipo cubano.

ilha6.jpg A pedido do velho Rufino Adamastor visitei a "Igreja de Nossa Senhora do Loreto" e um casarão centenário, ambos recentemente reformados e, agradeci a esta Nossa Senhora o ter-me guiado pelas terras tão dispares por onde andaram gentes feitas animais e conduzidas como gado entre luxuriantes verduras. Só podemos imaginar o que teria sido isto em esses idos tempos medievais. O curioso é o de que a Kianda Roxo, não se lembra disto; só podia mesmo ser sua alma, sempre em Assunção ou Asccensão ...zé peixe0.jpg Durante minha permanência naquela ilha dos Frades fui ao cemitério com cruzes abandonadas e dizeres surrados no tempo, pedras raspadas pelo vento. Quem poderia dizer ter sido ali um entreposto comercial de negros escravos de N´Gola e N´Dongo com suas belas paisagens, praias paradisíacas, lagos, cachoeiras, montanhas e coqueirais; uma vegetação típica da Mata Atlântica, com árvores nativas, incluindo o pau-brasil. 

(Continua… De novo iremos a Massangano…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:34
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Quarta-feira, 19 de Abril de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXII

O VAZIO - 19.04.2017 - Sem o zero não é possível contar… Nós retornados e afins, fomos um zero…

Por     

t´chingange.jpeg T´Chingange - (Otchingandji)

Hoje um homem lançava ao mar uma rede; rodava o corpo dando impulso àquela coisa que abriu em círculo caindo na água. Era um cardume que passava. Em tempos também fui peixe e fui agarrado já bem crescido numa rede mais completa e complexa a que deram o nome de “descolonização”; comigo apanharam mais milhares com mulher e filhos. Foi nisto que pensei e reflecti: -Tenho de ser visto e respeitado como angolano porque simplesmente já existia antes de Angola nascer; esta que agora conhecemos.

mokanda1.jpg Já com trinta anos feitos, com mulher e filhos fomos assim apanhados numa rede e, como contrabando fomos atirados para vários lados sem nos dizerem que eramos escravos modernos, moeda de troca entre vermelhos e azuis; que sem algemas nem canga, despojados de tudo, venderam-nos ao desbarato a contento de uns quantos países e muita gente que dizia ámen. Gente civilizada, família até! Apanhados inocentes também nos juntaram em cardume.

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E, veio um enorme vazio! Com isto fomos obrigados a ganhar consciência sábia de entender o VAZIO da verdade – o VAZIO das pessoas! Mas e sempre há um mas, a chuva por mais forte que o seja não tira as manchas da vaca, da chita, do mabeco ou zebra e, de nós próprios feitos peixes escamudos ou enguias; ou ainda os peixes boi do mundo, um gracioso mas feio golfinho!

mokanda2.jpg E afinal, o mundo continua igual como sempre parece ter sido. A isto de comportamentos, ideologias com geoestratégia podemos comparar uma arte, manhosa, mas arte! Tudo é assim como um escultor que retira ou acresce o que lhe aprouver; pode aqui ver-se a verdade no VAZIO com um acrescento de uma vontade. Surge assim uma linda, feia ou macabra obra enaltecida por uns e amargada por outros.

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E, faça um esforço para gostar de algo e verá que o inútil objecto, uma inútil pedra por exemplo, lhe vai parecer importante. Trabalhe essa pedra ou junte muitas empilhando-as ou estendendo-as. Juntou! Espalhou! Assim neste estágio se olhar tudo com cuidado e, mesmo sendo difícil de perceber poderá sentir que algo existe.

dom01.jpg Pois então! O VAZIO é muito importante pois, quando tentamos analisar a natureza real de qualquer fenómeno em particular, mais à lupa, veremos que ela, a natureza real é o VAZIO. Sei que está a fundir sua cuca mas, pense bem: - É possível sim, pensar que o VAZIO, existe! Que sem um zero é impossível contar (nós retornados fomos esse zero…)…

 O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:21
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXXII

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 18ª parte

 Kiandas e calungas com alguma ficção! O tempo, na mística espiritual de N´Gola vem de MUNTU, que significa homem em língua Bantu! A história do povo Bantu só começou a ser decifrada a partir do século XIX. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

cafu32.jpg Como a sombra, a história dos novos donos de África, ainda sobrevive e se reproduz fantasmagoricamente, nos seus sempre novos poderes; os mesmos que que eles próprios instituíram como vigentes para conduzir seus novos escravos, seu povo preto. E, este povo está disseminado por N´Gola com vários grupos tais como os Bakongos, Lunda-Ckokwel, M´bundu, Ovibundu, Ambós e, outro pequenos subgrupos. Pelo que se observa o branco sempre estará desconsiderado como uma excrescência em sua  história, um erro crasso que os vai fazer retroceder até um futuro visto no passado; uma perfeita miragem.

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E, foi entre a bacia do rio Kwanza e do Rio N´Zaire que se desenvolveram as etnias preponderantes do reino, os Manikongos com Matamba e N´Gola destacando-se entre eles outros reinos tais como N´Goyo, Kakongo e Luango situados a norte do estuário do N´Zaire e, o reino de n´Dongo que incluía quase toda a parte central de Angola e de ambos os lados o rio Kwanza, o verdadeiro Rio da Identidade de N´Gola.

cafu15.jpg Falar das kiandas é uma necessária superstição para encaixar as surtidas febris de contos, mussendos e missossos que os mais velhos iam contando aos jovens que apreendiam o que a imaginação depois forjava, sempre muito cheia de engravidadas inverdades com outras carregadas a canhangulos de guerra. Nessas estórias de pubeiros sobrepõe-se a do grande jaga N´Gola Quitumba com a ajuda de Quitequi Cabenguela de quem com orgulho falam os  N´Zingas.

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Nessas guerras de invasões, os sobas dos reinos dominantes iniciaram uma série de revoltas. As mais importantes ocorreram nos sobados da Kissama e dos Dembos por protegerem os grupos de escravos fugidos de n´Dongo da Matamba, do Kongo, de Kassanje do Kuvale e de todo o planalto central de Angola. A extensa capitânia de Paulo Dias De Novais vivia em permanente convulsão! Depois de muitas batalhas com os Tugas, do lado do Rei do Kongo e, com grande dificuldade lá conseguiram eliminar o carismático Bula Matadi.

cafu14.jpg Esta descrição de forma sucinta tem o fim de dar a entender o turbilhão de reinos e sobas e os interesses que moviam os Tugas e mais tarde os Mafulos. Teremos de fazer um interregno à estória pitoresca das kiandas do Kwanza, ora kwangiades, para entender esse turbulento tempo. Convém referir que Paulo Dias de Novais esteve preso durante cinco anos no lugar de Kabassa (sendo verdade, até parece lenda!). Depois de solto, voltou ao m´Puto e dali retornou mais tarde com uma armada mais poderosa instalando-se em Luanda aonde construiu a fortaleza de São Miguel nessa então São Paulo de Assunção de Loanda.

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Os reinos de n´Dongo foram enfraquecendo e quase abandonaram a luta depois da morte do seu Rei N´Gola Kilwanje Kia Samba. Assim os Tugas puderam instalar-se em Muxima, Massangano e Kambambe aonde foram construídos fortes. Tribos e chefes, sujeitaram-se a pagar tributos ou fornecendo escravos aos capitães do m´Puto mas, outros houve que continuaram a lutar refugiando-se nas protegidas ilhas do Rio Kwanza.

cafu35.jpg Voltando a Massangano, terei que adicionar ao que se sabe das lendas, que houve muitas contrariedades e, como tal, uma derrota com o mesmo n’Gola Kilwanje já aqui citado. Isto aconteceu em uma batalha no ano de 1582 em que a forte resistência obrigou à construção do forte de Massangano no ano de 1583. Não obstante, não impediu que as forças da rainha n’Zinga o atacassem, em 1640 que, apesar do saldo negativo pelo aprisionamento das suas duas irmãs Kambu e Funji, que levou a que esta última fosse executada.

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De fazer notar que do lado de fora dessas fortificações se realizavam feiras de compras e vendas de escravos. Estas feiras estavam coordenadas pelo pai da Kianda Roxo, Morgan Tsvangirai. A ele, se devem as posturas de trato comercial e da recolha dum percentual na venda individual ou lotes de peças; diga-se em verdade que era um homem bem experiente nesta labuta e trato de escravos… Custa-me agora dizer isto mas ela, a Kianda Roxo, de nada se lembra desses etéreos tempos; ainda bem! Talvez por isso e agora, ela a Kianda viva, seja tão generosa nas palavras e tão comedida nas periclitãncias…

cafu34.jpg N´Zinga m´Bandi foi o maior símbolo de resistência. Esta rainha para além da resistência contra os Tugas de então, conseguiu aliar os povos já mencionados de, entre os Rios n´Zaire e Kwanza. Foi a 6 de Setembro de 1683 que n´Zinga aceitou vassalagem obedecendo a oito condições estipuladas por João da Silva e Sousa, Governador e Capitão-General. E, tudo foi elaborado ou aceite pelos protectores da soberania tribal. Como em tudo a ambição cega a visão por usura de alguém que detém o sim e o não ou uma incipiente matumbice….

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A Rainha n´Zinga é assim obrigada a não impedir os pombeiros de chegarem ao sertão africano e também não impedir àqueles em sua actividade comercial com os potentados do reino do Songo, Quiacar, Punamujinga, Sund, Cacem e Damba. Aquela rainha teria de abrir caminhos para que os negreiros alcançassem seus destinos. Bom! Os pombeiros trabalhavam por conta de grandes chefes, sobas ou militares Tugas.

chai4.jpg Durante um ou dois anos, internavam-se nos matos, trocavam escravos por tecidos, vinho, quimbombo, aguardente, quinquilharia, sal ou pólvora. Os acordos de vassalagem foram extremamente desiguais com a aceitação na base de imposição militar. Passados vários séculos da morte da rainha n´Zinga a ideia de unidade do povo Angolano ainda não se configura vencida na luta contra os Tugas nos finais do século XX permanecendo em disputas internas pelo poder até o actual ano de 2017 aonde a corrupção roí os governantes até os tornozelos…

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Com ideologias marcadas pelo rancor entre eles e contra o branco, ícone aglutinador e culpado de todos os males em sua justificada fábrica de criar maka, os diferentes grupos étnicos saídos do povo Bantu, ainda continuam na contramão da história e progresso ditando leis absurdas e, sem um objectivo de sucesso para sua debilitada situação financeira. Segundo Cadornega em 1629, as irmãs de n´Zinga foram baptizadas Funji, como Graça Ferreira, e Cambo n´Zumba como Bárbara da Silva.

cafu33.jpg No ano de 1646, ao tomar posse da sanzala de n´Zinga no rio Dande, os Tugas encontraram cartas de Funji, escritas de quando era prisioneira e dirigidas a sua irmã n´Zinga. No ano de 1647, no cerco da rainha junto com 500 holandeses a Massangano, o sargento-mor Pedro Barreiros decidiu, por conta própria, lançar Funji no rio Kwanza, e por pouco, não fez o mesmo com Cambo n´Zumba.

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É aqui que um negreiro mazombo de nome Jeremias T´Chitunda a troco de umas quantas moedas dadas a Morgan Tsvangirai, pai de Roxo, consegue introduzi-la em um lote de peças com destino a Olinda de Pernambuco! Nasce aqui uma outra lenda, a do Kilombo dos Macacos na Serra dos Palmares…. E ela, por decisão de seu novo dono toma o nome de Aqualtune.

cafu39.jpg Aqualtune, não podia ser interpretada como gente nobre do reino de n´Ggola; os acordos não previam o uso de gente nobre descendente do rei Kilwanje. E, ai de quem murmurasse tal conhecimento! É ainda um fenómeno mal contado nos missossos mas, tudo leva em crer que seu rosto esteve tapado ou coberto de argila branca nas festas de rebaptizar a ela, e a todos outros escravos. Este procedimento não era nesse então tão invulgar mas, na qualidade de T´Chingange posso afirmar ser isto verdadeiro…

(Continua… Cambo  n´Zumba ou Barbara da Silva foi como escrava para o Brasil…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:23
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Terça-feira, 4 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXIX

NAS FRINCHA DO TEMPO -30.11.2016 KIANDA COM ONGWEVA - 14ª com várias partes… Com Zachaf Pigafetta Roxo, Januário Pieter irmão desta e o Conde de Saint Germain.
Ongweva é saudade

Nota: Esta 14ª Parte não foi publicada em seu devido tempo. Deveria ter surgido depois de 5 de Outubrodo ano de 2016 e por descuido só veio a ser publicada no facebook em Kizomba a 30 do 11 de 2016
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Tinha sido combinado encontrar-me em Madrid com as kiandas o Conde de Saint Germain, Zachaf Pigafetta e o irmão Januário Pieter no Museu do Prado, mas não foi possível faze-lo na data aprazada, no entanto mantínhamos contacto através do ipad! Eles tinham compromissos no aquietar de almas desavindas em desassossegos antigos e oriundos da África Austral. Aproveito por isso falar um pouco do entrelaçado de malambas já faladas entre nós a fim de arrumar os eventos vindouros para que se compreenda o desfecho da estória-mussendo.
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A origem de Saint Germain ainda hoje é desconhecida, mas o que sabemos é que marcou presença a partir do século XVlll pelas cortes da Europa destacando-se como diplomata em Génova, Paris, Londres, São Petersburgo, Índia, África, China e outros lugares. Ele, com frequência refere ser filho de um príncipe oriental. O certo é de que sua idade tal como as demais kiandas, sendo indefinida, tem a particularidade de quando necessário tornar-se numa normal figura de gente.

cafu15.jpg Niassalândia (actual Malawi) foi assim denominada por causa do Lago Niassa de onde originaram Januário e Zachaf Roxo. Em setembro de 1859, o explorador e missionário escocês David Livingstone tornando-se supostamente o primeiro europeu a avistar o lago, o terceiro maior da África. Um dos encontros foi exactamente com o Conde de Saint Germain, que por ali se envolvia em actividades missionárias e comerciais britânicas.

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Na década de 1880, Portugal reivindicou o território em virtude de sua presença na colónia vizinha de Moçambique mas a Grã-Bretanha resistindo às reivindicações portuguesas, em 14 de maio de 1891 proclamou um protectorado sobre Niassalândia tornando-se parte da Federação da Rodésia e Niassalândia em 1953. Após a dissolução da federação, alcançou independência total a 6 de julho de 1964 como a República do Malawi.
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A Grande Traição é o título das memórias publicadas em 1997 por Ian Smith, último primeiro-ministro da Rodésia. Sua obra oferece uma interessante panorâmica da história desta importante parte da África austral e relata minuciosamente como os nossos “amigos” britânicos e Estado-Unidenses não descansaram enquanto não lançaram o calvário naquele pedaço de chão. A requerida paz, lei e ordem, factores fundamentais para qualquer evolução autêntica e segura, foram sacrificados em favor da hipocrisia, da irresponsabilidade, da expediência.

cafu17.jpg As nossas três kiandas andavam por ali tentando introduzir nas mentes pensares pacifistas mas foram logrados em toda a linha. A mais interveniente foi o Conde de Saint Germain mas mesmo esta, esfumou-se. As memórias de Iam Smith interessam particularmente aos portugueses, euro-africanos genuínos e pioneiros, escandalosamente imolados e esbulhados pela traição doméstica a soldo de uma conspiração internacional - tragédia odiosa que brada aos céus e clama por justiça!

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Cumpre ressaltar as páginas elogiosas que Ian Smith dedica a Salazar e a Portugal a quem rende sincera homenagem à nação euro-ultramarina que, com a nobreza da simplicidade e a força do carácter, cumpria a sua missão histórica de povo, defendendo com determinação os seus legítimos direitos e interesses perante os mais fortes do mundo. Sobre Salazar, dizia ser este um estadista excepcional, cuja craveira intelectual e moral deixaram nele uma impressão única e indelével.
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Foi o Conde de Saint Germain que destrinçou esta parte da estória que os historiadores pulam por conveniência ou falta de caracter. A Grã-Bretanha, empenhada na sua demissão histórica, anuncia a dissolução da Federação das Rodésias e do Niassalândia com vista à formação de Estados “independentes governados por maioria negra. Smith é o único do seu partido a manifestar oficialmente a sua desconfiança em relação à proposta explicitada por Londres.

cafu18.jpg Para ele, a Inglaterra, no afã de obter a simpatia de afro-asiáticos, Estado-Unidenses e Soviéticos, estaria disposta a liquidar o seu “problema colonial” com o abandono puro e simples da população branca - os mesmos indivíduos que no conflito mundial de 39-45 deixaram a paz dos seus lares para irem arriscar as próprias vidas no socorro à Grã-Bretanha. Foi o caso dele.

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Em 1964, dez anos antes da abrilada portuguesa, Ian Smith é eleito primeiro-ministro. Numa visita oficial a Lisboa encontra-se demoradamente com Salazar e este diz-lhe declaradamente que os rodesianos seriam traídos pelos ingleses; que Portugal prestaria o auxílio necessário a Salisbúria. Pouco depois, aqueles a quem Fialho de Almeida chamou de “carrascos ruivos do Tamisa”, concretizavam o que o estadista português sentenciara.

SALAZAR 2.jpg A lembrança deste encontro profético em São Bento ficou para sempre gravada na sua memória, plenamente convencido de que, se Salazar tivesse vivido dez anos mais, a Rodésia teria sobrevivido. Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. Sua vida política passa então a reger-se quase que exclusivamente por duas constantes: a neutralização dos efeitos das sanções impostas pela ONU, sob a batuta de Londres e Washington; e o combate ao terrorismo e à guerrilha de obediência comunista que faziam a sua desumana entrada no território.

cafufu7.jpgE é agora e por intermédio destas três kiandas que me é dado conhecer toda a arte de velhacaria que invadiu o dito mundo moderno através dos arautos da verdade, os primos Ingleses e Americanos que continuam a ditar leis aos outros povos, sabendo à partida que é tudo uma utopia ou farsa. Nós, que estamos vivendo os problemas que nos cercam, podemos dar a importância devida ao que engloba este nosso recente passado para rectificarmos ou ponderarmos sobre o nosso futuro. Sabemos bem o que ocorre hoje nestes territórios de uma gestão catastrófica de puros ditadores.

(Continua…)
O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:13
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MUXOXO . L

TEMPO CINZENTOS – 03.04.2017A vida é feita de acasos. Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida mas sim aquele que melhor se adapta a ela… A continuar desta forma seremos no futuro, todos ladrões…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

A vida da gente é feita de acasos; de coisas pequenas que mudam nosso destino como uma vírgula minúscula altera um texto. Cada um de nós tem isto embebido em sua estória de vida e, por isso se diz que, esta ilusão é de um minuto ou uma centelha dele e, as coisas sucedem num agora, num lugar de hora certa ou errada conforme a sorte, conforme seus guias de guarda invisíveis que num dado instante o são e num dado instante deixam de o ser.

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Pois quantas vezes, por se estar no lugar e hora errada, se têm um dissabor ou uma alegria que tudo muda no percurso de nosso enredo de vida, nosso fado! Habituado a viajar, um dia e, estando eu no Algarve do M´puto saí de casa com o propósito de em Armação de Pêra e, junto do amigo Mogo, inscrever-me em um dos passeios romeiros que habitualmente ele organizava.

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No ano anterior tinha ido com a família à Festa do Cavalo em Gerês de La Frontera de Espanha, uma cidade situada bem perto da Cidade costeira de Cádis na Andaluzia. Porque gostamos do passeio, falou-se em casa que seria bom voltar a rever aquelas figuras de gitanos com adornos e prendas, suas cavalgadas em carroças enfeitadas a caminho de “El Rocio” e la virgem del Carmo, sua Santa protectora mui querida.

ÁFRICA4.jpgBem! Chegado à retrosaria do Mogno em Armação e depois dos cumprimentos, respondeu-me que naquele ano de 2005 o grupo de romeiros de “El Rocio” os Tugas, iam para o Brasil. Bem! Foi-me pormenorizada de como seriam esses quinze dias em Maceió, falou das praias e edecéteras; conseguiu assim despegar as tentações do subconsciente com coqueiros a abanar no vento fresco do pensamento.

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Acabei por me inscrever; que lhe daria a confirmação depois de conversar com a Ibib, minha parceira de tentações tropicais. E, foi assim que troquei o El Rocio de Gerês, festa “del cavallo” pelo Nordeste Brasileiro. Logologo minha mulher disse: Pois, é quase ali ao pé, mesmomesmo, quasequase a mesma coisa! Ibib já habituada aos meus entretantos disse: que remédio! E lá fomos nós no tempo aprazado para a terra dos papagaios.

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Isto para verem como desacontecem as coisas dum plano, vida esfarrapada de pequenos hífens pregados a nós como um destino. Que se lixe, e lá vamos, e lá fomos; a vida são três dias e temos de gozá-la enquanto se pode! Para além do mais sou cidadão do mundo e não me vou pregar na cruz dum qualquer país feito Cristo, mesmo que esse país se chame M´Puto. Já que me trambicaram uma vez, traíram e venderam a preço zero, mais vezes virão e, aos poucos, suavemente roerão minha própria cruz.

carmen1.jpg Os pequenos mas, acontecem assim quase inadvertidamente predestinando nossos amanhãs, com políticos desclassificados fazendo-nos escravos de leis fabricadas ao seu propósito. Vamos tocar isto para a frente, o que tiver de acontecer, vai suceder e novas perspectivas surgirão, novas gentes, novas entidades, novos desafios. E fomos; e ficamos…

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E, porque parar é morrer damos impulsão á nossa vontade na peugada da estória do Lampião, das várias sagas, do assucar, do cacau, do sisal, do café, do leite de coalho e das sobrevivência construídas de pau de arara, a pique e tabique ou taipas de criar escaravelhos. E, assim de romeiros de “El Rocio” de Andaluzia, espanhola, entre gitanos, viramos romeiros ao padre Cícero do Juazeiro do Norte do Ceará feitos matutos.

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Transpirando vírgulas no meu texto de vida feita de malambas, de palavras, revejo-me aventureiro indo de balsa até às piscinas naturais da Pajuçara, mar verde-esmeralda. Entre coqueiros posso ver da minha varanda as muitas velas triangulares com seu garrido colorido entre a língua branca das ondas batendo nos recifes, nos corais bonitos da baia com muita mais do que os sete coqueiros da praia cor esmeralda.

arte1.jpg Estes acasos não são exclusivamente meus; D. João VI fez do Brasil a sede de um Império empurrado por Napoleão, mantendo-o unido; dando títulos aos senhores do dinheiro a troco de grandes somas para formar o banco do Brasil; Por acaso os nobres, Condes, Visconde, Duques e Marqueses passeavam suas vaidades no peito mostrando suas medalhas. Também eles viviam uma fantasia com futilidades e muito devaneio à margem do povo, dos escravos e ricaços que engordavam riquezas vendendo gente como peças. Quem não tinha título mas algum dinheiro tornou-se Coronel, Major e lguns outros ficaram doutores…

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E quis a estória que de infortúnios se fizesse moda e arte! Durante a viagem de Portugal até o Brasil os piolhos tomaram conta das cabeças das damas; a tal ponto que tiveram de as rapar! Verdade! Desceram primeiro em São Salvador com turbantes ornamentais em suas cabeças sem algum cabelo. As mulheres baianas acharam estranha aquela moda e adoptaram-na logo pois que vinha da europa civilizada. E, foi assim que surgiram os turbantes enfeitados como o da mais recente Carmem Miranda com frutas tropicais. Como digo a estória de todos nós é feita de acasos. Naquele tempo ainda não havia o conhecido “kitoco” o tal de mata piolhos. Assim teria de ser! E, assim o foi!

carn1.jpg A vida é feita mesmo de pequenos nadas, de serras paradas à espera de movimento. Coqueiros ondulando com o vento, o mesmo que trouxe as caravelas. O vento de à bolina, mais tarde as naves feitas aviões, que vão e vêm unindo traços e culturas; falas e linguajares com sotaques variados. Agora, em terras de Vera Crus estão-me surgindo papagaios, esticando-me os ossos, as dores, muxoxos de minhas atribuladas vontades. Um dia, isto vai ter de parar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:31
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Sábado, 1 de Abril de 2017
MALAMBAS . CLXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 01.04.2017 - Amai-vos uns aos outros, mas só se for pra valer…

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

O homem produz cultura tal como a abelha produz mel mas, enquanto a abelha tem defesa aos anticorpos, doenças e vírus pelo seu eficiente própolis, o homem fica subserviente à boa sorte tomando antibióticos que decerto lhe farão mal a outro qualquer órgão que não aquele visado. O homem fica assim sujeito à análise, à crítica e ao comentário que nem sempre é do inteiro agrado do progenitor da ideia ou do conceito; estamos falando de cultura, entenda-se! Surgem assim os pontos de vista que sendo muitos e 

propolis1.jpg Uns temas surgirão absurdos para alguns, enquanto outros o acharão interessantes. Hoje após me ter levantado, bebi minha dose habitual de cloreto de magnésio  chá de canela de velho e, porque ando com uma fissura no lábio, deitei directamente no lábio e língua umas quantas gotas de própolis de Alagoas. Uma das gotas caiu na bacia de louça branca, cerâmica polida; tentei limpá-la com simples água e nada de nada!  

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Esfreguei com insistência e só quando usei álcool etílico é que a mancha vermelha saiu embora a custo. Foi a partir daqui que rebusquei nos meus alfarrábicos rascunhos e recursos de conhecimento especial me inteirei a fundo do valor deste eficaz antibiótico. O própolis vermelho é um extracto produzido a partir de uma seiva encontrada no rabo-de-bugio, uma vegetação dos manguezais do estado alagoano do Brasil. Este ouro rubro, como é conhecido por muitos pesquisadores, atrai a atenção da comunidade científica de diversas partes do mundo.

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O registro do própolis vermelho confirma que o produto possui propriedades diferentes dos outros doze tipos de própolis já catalogados no Brasil. A saliva das abelhas, transforma a seiva encontrada nos mangues numa espécie de "cimento", utilizada para revestir a colmeia. Rica em vários compostos, o própolis vermelho tem surpreendido pelas propriedades activas em acções antibacterianas, antifúngicas, antivirais, anti-inflamatórias, além de alto poder cicatrizante e acção antioxidante, actuando na prevenção do envelhecimento precoce.

propolis2.jpg A seiva do própolis vermelho, vem demonstrando resultados positivos no controle de diabetes, hipertensão, câncer e HIV. Em relação ao diabetes, a própolis regula o controlo da glicose no sangue. Na hipertensão, atua como vasodilatador (aumenta os vasos sanguíneos), melhorando o fluxo do sangue; tem servido como complemento no tratamento do câncer, porque ajuda a eliminar os radicais livres, que estão ligados aos processos degenerativos do organismo.

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Nas pesquisas de HIV, a seiva tem impedido que o vírus se reproduza nas células, diminuindo os sintomas da síndrome. Outra qualidade do própolis vermelho: a seiva é um poderoso conservante natural de alimentos. Pois então!  A partir de agora vou misturar no café ou no cloreto de magnésio 10 gotas para me livrar desta porcaria dos comprimidos da tensão que me tiram do sério com luto antecipado e sem pressão no Nero, meu imperador de nervo teso. Daqui para a frente vou ser o meu próprio médico como a abelha o é de si mesma!

propolis3.jpg Minha imunidade aumentou consideravelmente! Pode ser coincidência, mas desde que comecei a usar, não tive mais nenhum resfriado, virose, ou amigdalite, essas malezas que sempre aparecem com o tempo. Andei aí uns dias a espirrar àtoa, axim, axim, axim com  mais treze cópias e ranho moncoso mas, com o própolis foi trigo limpo!  Mas o melhor mesmo é que já dou cambalhotas no espaço de minha cama e, até já ato os sapatos na maior ligeireza do acto. Ando assim a reconciliar-me com as simples coisas da natureza numa relação de vida química com os outros vários seres cuidando minhas anatomias desmilinguidas.

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Isto porque para falarmos do futuro, mesmo sendo um futuro que já nos sentimos a percorrer, o que dele dissermos, sempre será um produto de síntese pessoal embebido de imaginação. A abelha já tem o seu curso de vida; nós, pessoas, também o temos mas, enquanto nos confundimos entre o “ser ou não ser eis a questão”; elas as abelhas só fornecem à humanidade os mecanismos de reacções químicas. Bom! Elas, as abelhas, em verdade não têm cordões de sapatos para atar! E, quando elas se forem, nós também iremos!

propolis4.jpg Andamos nós a analisar feromonas, previsões e metodologias obtendo respostas que mesmo sendo subjectivas farão parte dos ensinamentos, nem sempre sendo os mais perfeitos ou correctos. E, surgirão teorias, reacções de transferências de electrões, dos protões e coisas do domínio da reactividade química. Sempre haverá ocasiões em que os cientistas, analistas ou inventores terão a boa sorte de deparar com problemas cujo significado e solução têm um alcance muito superior ao que inicialmente supunham. Pena é que descuidem a natureza recorrendo a laboratórios que nos entopem as veias, inventando necessidades fúteis.  

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É aqui que me deparo com uma nova teoria, de que nenhum matemático ainda falou porque desprezam esse factor que vem do Deus da natureza. Juntarei de modo próprio à “teoria da incerteza”, à “teoria do medo”, à “teoria da sorte”, uma outra: a “teoria da simplicidade” ou porque não “ a “teoria da descomplicação”.   

propolis6.jpg Tudo terá um equilíbrio dinâmico por influências mútuas, ora positivas, ora negativas e, que irão desde o conhecimento científico passar ao psicológico, e só então de inventação como coisa possível e, por último ao reconhecimento social. Ando a tentar definir-me como idiota e, sabem que mais, gozo muito com isto! Como a terra antes que ela me coma! Quanto ás abelhas, o certo é de que quando elas se extinguirem, esta humanidade a que pertencemos, acabará também.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:57
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Terça-feira, 28 de Março de 2017
CAZUMBI . LIII

CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, por causas alheias e à revelia da nossa vontade …

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Gosto de fazer turismo integral; isto quer dizer que me apraz fazer o que qualquer um, cidadão, faz em seu quotidiano, aonde quer que seja. Isso não foi possível fazer em Cuba há uns bons dezasseis anos atrás. Tinhamos um guia de nome Mercedes, uma funcionária que nos dava indicações e uma outra funcionária governamental que vigiava esta. Em verdade, ambas andavam controladas por outros e pelo medo delas mesmo!

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Ficamos instalados no Malecon, marginal da baia de Cuba, lugar aonde os namorados iam passear em velhos galáxias, chevrolletes rabos de peixe prometendo coisas sonhadas ao ritmo de um bolero ou um merengue mambo caribeño. Carros que arrancavam a gasolina e depois rodando um botão passavam a consumir querosene e mistelas de graxa com biodiesel ou óleo queimado de fritar batatas!

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O cheiro era intenso e nauseabundo! O tal de “ El mujito” com hortelã era só nos sonhos escritos de Hemingway, esquinas roçadas de preguiça, casas despintadas, calles apiertadas e, umas silhuetas de “Ché el comandante”. El olor a mierda por entre los muros sim color, tambiem se hacia sentir! La Cuba romântica de los sonhadores… E, la mujer rindo com alguns dientes amarillos convidando nosotros a gozar la vida del amor. Pópilas!

cuba 0.jpg Percorremos a Ilha em um autocarro conduzido por um antigo combatente em Angola; tinha feito seu serviço militar naquele paraíso, palavras que ele calcou dando a entender ser lá muito melhor que aquella isla aonde agora estávamos. A várias perguntas minhas, ele respondeu, nada! Somente que aquella era el paraíso en la tierra. Foi para mim muito confrangedor dar de regalo, oferta de coisas que sendo insignificantes para nós, para eles, Cubanos, tinham alto valor.

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Esse alto valor eram simples esferográficas bic, chinelos de dedão, roupas geans e outras insignificâncias como bonés de marca e futilidades ocidentais. Muitos dos turistas em grupo nem se apercebiam ou não o queriam ver que ali em Varadero havia um apertado controlo aos naturais de Cuba! Em verdade era um território controlado por fronteiras apertadas e aonde só entravam para além dos turistas os trabalhadores dos hotéis e outros equipamentos de captação de divisas.

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Ao turista davam uma fita colorida que era posta no pulso e, esse era sinonimo de pedir o que quer que fosse tanto de bebida como comida. Claro que isto só se verificava nesta península cheia de belas praias, passeios pelas rias em barco com visão submarina, festivais de golfinhos e outros entretenimentos para agradar os Ocidentais vindos da tapurbana europeia.

CUBA LIBRE.jpg Deu para perceber que o controlo aos empregados era apertado pelas mensagens indirectas que nos transmitiam; tudo faziam para agradar e, daí advir uma gasosa extra, uma limosna, um agrado em dinheiro, sapatos ou roupa. Elas e eles enfeitavam nossas camas como se fossemos os príncipes das arábias; faziam arranjos com as roupas chamando a atenção do agrado! Sempre correria umas suplementares moedas.

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Estando agora no Brasil posso garantir estar este país a alguns anos em avanço social! Vivendo como um qualquer residente uso habitualmente o ónibus, os táxis de lotação e ando muito a pé por onde quer que seja e na maior liberdade! Em Cuba tinhamos disfarçadamente uns quantos policias à perna, cobrindo nosso itinerário e revezando-se no trajecto de forma dissimulada. Tudo parecia ser um gueto!

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O Brasil social, já nesse então estava muito para além daquela terra de Cuba aonde funcionam os comités de bairro, de trabalhadores e outros que tudo controlam. Falando com um engenheiro que nos conduzia em um ovomobile (uma moto com arranjos feito ovo e, com dois assentos para alem do condutor) a perguntas minhas foi-nos dizendo o grau de carências que vivenciavam!

che0.jpg Este sim! Longe dos olhos fiscalizadores disse tudo o que já sabíamos ser de ruim! Ele engenheiro de máquinas tinha de usar aquele escape para ganhar um pouco mais do que os míseros dez dólares que recebia de vencimento base por mês. Nem quis acreditar mas vim a confirmar que assim o era! Eu disse dez dólares! Minha nossa!

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Pelo que sei agora o Raul, irmão de Fidel está alugando médicos ao exterior. Há muitos no Brasil residindo com regras apertadas; a família fica lá em Cuba, uma forma de garantir o retorno e também manter-se em silêncio; ele não está autorizado a falar de sua terra e, sabe-se que aquele estado Isla Caribeña leva-lhe  metade do seu vencimento senão mais. O preço daquela liberdade é bem alto! É certo que anda muita gentinha a dizer que ali sim é uma terra boa; gente que gosta de viver com agrados de servidão…Só pode! Tenho amigos que vêm aquilo como coisa de outra galáxia! E, é! Só que do lado do purgatório.

cuba01.jpg Aquele mecânico do Ovomobile foi nos dizendo que os comités de trabalhadores rurais têm de fazer permanentes relatórios dando indicação de quantos animais as famílias têm e, se porventura abaterem um boi ou carneiro sem autorização são chamados à pedra respondendo em juízo como se um crime se tratasse. Ninguém está autorizado a apanhar fruta do chão; tudo é do estado; tudo tem de ser autorizado.

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A melhor carne, o melhor marisco como lagosta e camarão é todo para a exportação! Eles ficam com as patas pró mocotó, os rins, fígado e por aí! Não admira o tal chofer que fez serviço militar em Angola ter dito que aquilo sim; era um paraíso! Ainda insinuou dúvidas do porquê de termos deixado aquela terra mas ele, nada era naquela nomenclatura comunista; o pensamento é ali uma coisa muito perigosa…

cuba3.jpg Entrei em uma loja do povo e só vi imundice entre sacos de farinha, arroz e algum feijão! As prateleiras das vendas assim parecidas como as do m´Puto lá dos anos de 1880 estavam apetrechadas com aquelas mesmas bancadas, medidas de quartilho e instrumentos de museu para ensacar farinha e grãos. Cheirava a mijo de ratos e bagulho de baratas! Estive com uma caderneta sebenta de uso em minhas mãos e, é ali que eles apontam tudo do cabaz básico a que todo o cidadão tem direito. Não deu para ficar com pena deles porque não sou galinha! Talvez mereçam viver nessa tacanha maneira de ver tudo ao jeito bucólico! Viva Cuba, pois claro!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:01
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Sexta-feira, 17 de Março de 2017
CAZUMBI . LII

CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade … Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

”A CHUVA BATE NA PELE DO LEOPARDO, MAS NÃO TIRA AS SUAS MANCHAS”. Este regalo de falas foi-me enviado pelo nosso Kimbanda Ninja para que constasse na Torre do Zombo do Kimbo. Trata-se de um mítico provérbio africano aonde para além da onça, do leopardo e da chita existem a hiena e o mabeco que também as têm. Com a zebra ocorre o mesmo fenómeno de manter suas riscas, mesmo que chova muito mas, com esta, acontece um outro pormenor.

poke0.jpg As riscas irregulares das zebras são para fazer com que o leão fique tonto ao persegui-las perdendo a noção e desequilíbrio. Pois, muita gente não sabe, mas o leão ao fim de algum tempo de perseguição, e por via de sua fixação em uma, fica com tonturas acabando por desistir. O facto de todas correrem em simultâneo causa o efeito psicadélico e, o que era,  fica turvo com tantas riscas a se moverem. A natureza ensina muito a quem se detém a observar os mistérios tão perfeitos dela.

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Numa sã convivência tenho por hábito relembrar os velhos tempos dando a conhecer a alguns aquilo que foi a maneira de se viver, os hábitos e alguns rituais africanos. Esta iniciativa é acarinhada por uns e considerada foleira para outros mas, não virá mal ao mundo considerar ou não, outros conceitos! Tenho um amigo engenheiro que sempre surge dando uma de sabichão, falando palavras de Domingo e quase desconsiderando minhas formas de expor.

macuta com soba.jpg Como tenho mais engenheiros amigos e, para que não se julguem mal, direi que este era um antigo colega dos Caminhos de Ferro de Angola aonde eu fui desenhador de máquinas. Pois sucede que este meu amigo da onça surge com falas periclitantes cheias de erudição para vincar sua destacada auto altivez. Faço que passo ao lado assobiando mas, tendo a nítida imagem de um petulante amigo que não perde a oportunidade de afectar as minhas sensibilidades, os meus cheiros, as minhas impressões.

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Assim como se armando-aos-cucos como é comum dizer-se e de forma gratuita, sem bases de concreta analogia ou razão da formação das palavras no seu contexto. Faço por não me azedar contendo a vontade de dar um basta com aquela minha liberdade, alforria da vida. Sei quando quero usar o maldizer com escárnio ou sátira mas não interessa aqui escalpelizar tais atitudes porque corro o risco de desvirtuar meus princípios.

lobo1.jpg É por estas e outras que uma grande parte das pessoas com quem vou tendo contacto, sentir-me desiludido! Posso até perguntar ao mundo e para quem me lê, que interesse poderá ter dizer lindas ou ortodoxas falas tão cheias de hipocrisia, façanhas agigantadas de soberba superioridade. Para quê? Para se vangloriar de que se é o maior, mais sabedor…

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Hó gente miúda com canudos de papel dizendo ser o que nem sempre são! Pois queiram saber que não gosto de gente mesquinha e fútil que só se quer aparentar. Hó gente engravidada de grandeza que não vê o cisco em seus olhos denunciando-se em bazófias gratuitas de nenhum mérito! E, será que todos deixam andar estes propósitos sem reclamar? Isto, sucede sim!

roxo90.jpg Algumas pessoas são bem fúteis, até bem curiosas do lado negativo porque bem acomodadas ficam esperando que alguém faça algo para logo surgirem como comentadores com seu ar superior! E, o pior é quando surge um com caganças de katedrático como sendo o senhor da verdade, usando palavras de Domingo como se nós só entendêssemos as coisas pela metade de terça, dia da feira e do vendedor de lérias avulso em folhetins de santinhos…

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Pois que fique claro que também tenho cabeça para pensar! Não quero com isto criar inimizade com ninguém em especial e, que ninguém veja isto como um ataque pessoal porque está em causa a atitude de cada um. E, há muita gente a portar-se mal, ser inoportuna e sem senso. O amor quando verdadeiro coloca em primeiro lugar a felicidade do ser amado, consideração aos amigos e gente próxima. A César o que e de césar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:37
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Quarta-feira, 8 de Março de 2017
MALAMBAS . CLXVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Muitas das coisas que acontecem neste nosso mundo, vêem de opiniões que se dizem acertadas! … Mas, nem sempre assim, o é!...

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange - O Niassalês

adam2.jpg Com o gosto de me esfregar na vida percorro o calçadão da Pajuçara, ando por aí com minhas botas papa-léguas, recentemente recauchutadas num sapateiro com boteco montado em plena rua das árvores do centro de Maceió. Logo após o entrudo, quinta-feira das cinzas fui ao camelô sapateiro de rua, conforme o combinado mas, o cara não estava; aliás, estava quase tudo fechado pela ressaca do carnaval. Pois assim, tive de entregar ao Jeferson as ditas cujas, mesmo ficando mais caro em quinze reais.

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O cameló de rua pediu-me 35 reais enquanto este, abriu a boca com sessenta e, na reclamação ganhei dez ficando por cinquenta. Aqui todo mundo tem de ficar a ganhar, ficar por cima, mesmo que isso seja assim uma ilusão de palavreado como se todos entendessem desse negócio de bolsa, de flutuação do mercado, de cotação e gráficos com tendência de subir ou descer. Todos querem ficar por cima num qualquer negócio, mesmo sendo banal; assim todo o mundo sai ganhando embora alguns, em verdade, ganhem juízo!

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No correr do tempo todos ficam mais ou menos assim, passando a ser tudo conotado como uma questão cultural de passar a perna por cima; para pior antes assim! Até que acaba por ser giro assistir a isto e ouvir o povo de rua que se desenrasca vendendo água gelada e montando banca em cima duma porta a caminho do lixo; Qual ASAE do m´Puto qual quê!? ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, Orgão de Polícia Criminal) - Organização fiscalizadora de regras ditadas pelos políticos) é um negócio de chatear a malta que se quer safar na vida; é assim como um corpo policial que vê se os regulamentos estão sendo compridos.

ÁFRICA2.jpg Isso dos decretos que só proíbem exigindo termos num negócio, um conjunto de seis facas com cabos de cores diferentes: vermelha para a carne, verde para a hortaliça, amarela para o queijo, azul para o peixe, castanha para os enchidos e mais o escambau. Mas ainda se fosse só isso; temos lá no cantinho da Europa chamado de Portugal outras muitas organizações de roubar o povo multando, aplicando taxas, criando situações de abafar iniciativas. O Brasil faz cópia disso com Xerox. É um sem fim de Órgãos estatais a roubar para fazer andar a máquina dizem eles, os empoleirados do Governo que só fazem isto como se fossem os Patrícios da antiga Roma.

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Enfim uma cambada de gente improdutiva que saca de quem trabalha à tripa-forra. Depois surgem os da higiene e saúde mais segurança no trabalho a imporem suas prepotências, segurando as pontas em empregos para uns quantos afilhados da nomenclatura do partido, os amigalhaços. Mas que merda de sociedade! Prefiro o mato! De novo no Brasil, aqui ninguém pode ser bobão e, ficar logologo no primeiro preço! Quem fica com a língua agarrada aos dentes, sofre estes desaires reclamando da vida, de tudo e até do calor brabo que não tem nada com isto; um desaforo de dar o fora…

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Aqui no Nordeste brasileiro todo o mundo é meio turco, meio libanês, meio Índio, meio branco, meio preto, meio japonês, meio português e mais o escambau vindo da cochinchina de baixo, do Vietname ou do Miamar, antiga Indonésia. Mas, como eu sou exótico digo sempre que sou Niassalês e ninguém me pergunta que raio de país é esse!? Um ou outro, curioso e sabedor, tem uma vaga ideia desse nome, não pode indiciar burrice viu, dum distante pais ao lado do Lago Niassa mas por via de supostas interpretações e paradigmas complicados, fica assim por isso mesmo. O Tuga Niassalês da N´gola que sou eu.

botas de tabaibos.jpg Sou Niassalês e pronto! Isto de nos baptizarem de uma terra e passarmos a ser propriedade duns quanto eleitos, feitos patrícios de Roma está mal! Qualquer coisa deve ter demudar com o tempo. Angola é pioneira nesta matéria porque o cidadão branco que lá nasceu antes de 1975 é colono, mas, só os brancos! A nossa terra é aquela aonde nos sentimos bem, nos tratam com familiaridade, são participativos em nossas ambições, roubam-nos quando podem ou deixamos, sempre seguindo as pistas, ditames dos governantes ladrões até debaixo de água ou com dinheiro na peúga ou cueca. Aqui, Brasil ou em Portugal, é tudo quasequase igual, só muda mesmo é a temperatura dos factos sem o “c” Hodierno.

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Outros há, que sabem ter havido um paquete, navio ou vapor com esse nome e sempre ficam com a ligeira impressão de que virou ferrugem e, não estão errados embora não passe de ser uma simples suposição no particípio acabado (passado)! Foi por isso que os entendidos na definição de raças, os etnólogos e essa catrefada de gente que estuda as sociedades, tais como os sociólogos e edecéteras tiveram dificuldade em definir as raças brasileiras, aprendi em meu muito antigo estudo primário que havia quatro raças puras e básicas, a saber: branca, amarela, vermelha e preta.

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Mas aqui o negócio foi, é e sempre será outro. Tudo se misturou dando a Raça Humana e aqui entram pardos, mamelucos, matutos, mazombos e um sem fim de polimentos na forma de pigmentos; sem regatear as horas que Deus me deu, faço-o bem à maneira do escritor e poeta alagoano Aldo Rubens Flores ou tantos outros incógnitos por quem passo na rua; eles ali sentadinhos feitos estátua. O mundo por vezes é pequeno e assim sem predestinar horários, vou bordejando o mar cor de esmeralda á sombra de muitos coqueiros!

soba02.jpg Para um pé carente há sempre um chinelo velho! O meu sapato biqueira de aço (normas de Segurança e higiene do trabalho dos outros) descascou da sola; enganam-nos de toda a forma - de todo o jeito também nos vamos descascando… Sob o ponto de vista na vida futura, a Humanidade, como as estrelas do firmamento, perde-se na imensidão.

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Nós nos apercebemos então que grandes e pequenos estão confundidos como as formigas sobre um torrão de terra; que proletários e potentados são do mesmo talhe, e lamenta esses homens efémeros que se dão a tanta inquietação para conquistarem um lugar que os eleve. É assim que a importância atribuída aos bens terrenos (tributo), está sempre na razão inversa da fé na vida futura. Adivinhar, é pecado!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:51
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2017
CAFUFUILA . CXX

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 16ª parte

A surrealidade está-lhe no sangue! Usa pinceis electrónicos na forma de gigabaites holográficos…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Na ultima parte do mussendo, 15º episodio, falei do porquê esta kianda Roxo de Guaxuma andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber no consciente desta sua dupla vida, compartilhando xispanços de tinta com particular maestria e, do porquê das cores cibernéticas confundindo-nos com holografias psicoroxas. Mas sabemo agora que nasceu às margens do lago Chivero.

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Sabemos que sua mãe, também kianda de tez negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai  que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero, lugar que fazia fonteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai seu pai. E, que por via da política teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia por ser  um pambu-n´jila especial com Muxima. 

roxo114.jpg Como já repararam as kiandas andam no espaço-tempo em qualquer direcção e é por isso que nos parece a nós humanos impossiel reconhecer andar-se no ontem e antes de ontem ou há muitos anos atrás e ou, deslocarem-se no futuro deixando transparecer a nós mortais, somente o que nos é perceptível pela dedução; falar do futuro até para as kiandas é tabu – aos viventes  não se pode transmitir o amanhã, só o agora, lei básica da vida. O Universo tem regras que não estão ao nosso alcance engravida-las.

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É aqui que surgem os mambos longínquos com soldados Mafulos, por via das falas da Kianda Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa; fala do tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda, n´gwetas e dos desentendimentos com a rainha N´Zinga, mais outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba.

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O velho Niassalês descreve as festas axiluandas de então com kimbandas e t´chinganges pisoteando a terra, levantando poeira de encorajar kotas, jagas, sobas e m´fumos que iam chegando em alvoroço dos Dembos e de lá mais além do Kassange. Nos encontros, iam passando cabaças com malavo de cassoneira e, a cada grito dado pelos dançarinos guerreiros, o povo gritava kwata mwana-pwó, kwata mwana-pwó. Era a preparação duma guerra contra os Tugas n´gwetas entricheirados em Massangano por ordem dos Mafulos Holandses

to3.jpg Morgan Tsvangirai ficou avençado pelos Mwana-Pwós  com o posto de tenente de segunda linha; mandava os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de manutenção e limpeza ao forte, zelar pelos n´dongos de pesca e translado de coisas para a Kissama e das patrulhas de soberania aos  mares parados com lagoas até o Morro dos Imbondeiros e dos Elefantes da Maianga. Também tinham a caça e a pesca ao seu cuidado.

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M´fumos, iam chegando aos poucos como emissários da rainha N´Zinga M´Bandi da Matamba e do rei do Kongo Garcia II que, embora sendo cristianizado pelos Portugueses, com eles andava desentendido após a chegada dos Mafulos. Estes, teriam-lhe prometido poderes maiores e auxilio com armas do tipo de canhangulos e pederneiras. Eram preparativos duma união para fazerem o grande e final assalto a Massangano.

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Naquela fortaleza os Tugas resistiam aos Olandêses tapando-lhes as vias de comunicação ao mercado de escravos lá do interior fazendo emboscadas ou tocaias com azagaias venenosas, um método aprendido com os indios do brasil, uma cana comprida que depois de soprada dela saia um dardo mortífero.

café da avó1.jpg Por isso aquele mato metia  demasiado medo aos Mafulos. É aqui que entra o Senhor Mauricio de Nassau que desde o Recife Brasileiro mantia o negócio das peças m´bikas para os seus engenhos de assucar. Pernambuco e as capitânias adjacentes, estavam carentes de braços para fazer o cultivo da cana de açúcar e fazer andar os engenhos. A preguiça e cultura dos indios americanos não permitia seu uso no trabalho.

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Talvez por isto, seus lugares tenentes mantinham contacto com alguns negreiros  portugueses que detinham este negócio, pagando-lhes ainda mais do que a antiga coroa determinava. Era um quase pacto de negócio mantendo-os como principais fornecedores de peças á margem dos interesses dos reis do M´Puto. As ordens que vinham do Conde Maurício de Nassau a partir de Olinda eram de subornar a todo o custo os intervenientes funantes do mato de N´Gola no negocio escravo.

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Estava em causa a política comercial da Companhia das Índias Ocidentais... o lucro! E, Portugal que era agora pertença dos espanhois não havia por isso empenho nestas politicas de tanto trabalho; preferiam estabelecer severas taxas de soberania aos amerideos de seus territórios com pagas em ouro. As mordomias do reis Filipe de Castela, Asturias, Galiza, Catalunha Portugal e Andalazia eram muitas - isso impunha uma politica restritiva, sem  dispersão.

nassau0.jpg Redufina Kabasa mãe negra da Kianda Roxo estremava-se ensinando a sua filha maneiras de comportamento e era vê-la brincar com candengues  brancos e pardos no átrio da missão! Bem cedo se destacou nas habilidades de colorir os jogos de desenho, nos riscos da cabra cega; qualquer argila era motivo para dali sair pintura ou escultura bem à moda dos trabalhadores de talha do pequeno altar da igreja  da muxima!

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Sua tia N´ga Maria Káfutila de linhagem nobre do reino do Kongo ajudava meu pai Januário Pieter na quinda do mercado da paliça vendendo malavo e quitoto ou permutando com os indígenas ou mesmo n´gwetas produtos da terra como ginguba e fuba de mandioca. A fuba originava um prato apetecível chamado de funge ou pirão, um preparo a partir da mandioca. E, ela tornou-se assim uma cozinheira de primeira mão mas, prefere suas fluorescências.

n´zinga.jpg Mais tarde começaram a fazer uso das folhas do pau de mandioca que era passada por cinco fervuras para anular o veneno da coisa e, a isto chamaram Saka-saka que impregnada de azeite de palma dava origem ao prato mais típico dos Kaluandas, a moamba com quiabos e jimboa. E, foram os Portugueses que a levaram do Brasil para N´Gola embora queiram fazer crer o contrário disto. N´Gola nunca vai poder dissociar-se dos Tugas por esta e outras singelas razões.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:04
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017
KIANDA . LI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…

Por

soba17.jpgT´Chingange

Hoje e, como sempre, comecei o dia fazendo talassoterapia e, enquanto ginasticava os músculos alongando e torcendo-os por modo a melhorar os sítios nevrálgicos, os tais do costumeiro reumatóide, olho os toques de bola que meus vizinhos praticam todos os santos dias e a partir das seis da manhã. É uma habilidade de manobras de vai e vem com esquindiva e olha o buraco, usando a cabeça, tronco e pés. Ao terceiro toque com uma daquelas partes do corpo a bola é mandada para o outro lado na forma mais difícil.

eça5.jpgOs dois adversários de cada lado da rede têm de ter os instintos apurados e ver em simultâneo as falhas. Sua visão periférica conta muito para que o toque seja bem-sucedido. É importante fazer um bom aquecimento antes da partida em virtude de haver muitas lesões, devido fundamentalmente às mudanças rápidas do corpo. Ou se está bem preparado fisicamente ou a resposta técnica sai defraudada. Enquanto isto, numa tarefa de três em um, ia pensando como fazer preparo da carne de charque de cupim, para o almoço; carne comprada na feirinha de Jatiúca. Assim mentalmente anotava os onze passos e, que aqui vou anotar por ordem numerada os passos, para não voltar a forçar a cuca:

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1 - O charque não leva sal no preparo que dura 12 horas; 1b - Lavar bem a carne; 2 colocar em uma vasilha e cobrir a carne com água; 3 - mudar a água a cada três, quatro horas e por três vezes; 4 - cortar a carne em cubos com 2 a centímetros; 5 - colocar em uma panela coberta com água; 6 - para cada Kg de carne colocar uma colhere de sal; 7- levar ao fogo até borbulhar e criar uma espuma branca por cima.

fut1.jpg

 7a - desligar o fogo; 8 - escorrer a carne e provar; 9 Para cada 500 gramas cozinhar na panela de pressão por 30 minutos; 10 - retirar o excesso de gordura; 11 - pode-se liquidificar parte da carne, desfiar a outra e juntá-las. Mentalmente, anotei os onze passos. Sempre revendo coisas, voo a outros pensamentos, muitas viagens com morada ou estadia prolongada por muitos países.

niassa.jpg Contando-os cheguei ao número 24 dando-me ao desfrute de os alinhar de forma aleatória: - Angola*; Portugal*; Brasil*; Namíbia*; Moçambique*; Venezuela*; África do Sul*, Espanha*; Marrocos; França; Itália; Zimbabwe´; Botswana; Suazilândia*; México; Lesoto; Bolívia; Chile; Argentina; Turquia; Inglaterra; Dubai; Estados Unidos da América e Argentina.

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O Niassa meu berço natalino não entra neste computo por já ter sido desmantelado em uma siderurgia de Bilbao em 1979, quatro anos depois de ter transportado as últimas tropas do M´Puto até à metrópole e, também a ultima bandeira portuguesa hasteada no Palácio da Cidade Alta de Luanda. Se tivesse de escolher um daqueles países para viver de novo optaria por viver em um vapor e só depois em uma Angola, Namíbia ou Brasil.

bra1.jpg Tenho razões de sobra para não optar por Portugal mas não rejeito ser português porque me orgulha sua gesta heróica de idos tempos. Eu até sei que o orgulho é a catarata que obscurece a vista de qualquer um e, que  de nada serve apresentar a luz a um cego. Também sei que o maior cego não é aquele que não vê mas, aquele que não quer ver.

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O que nos leva a decidir na escolha da terra para se viver é um conjunto muito vasto de razões pessoais, sociais, culturais e fundamentalmente dos sentimentos. A rejeição a tantos é mais por desencanto, locais frios e amargas vivências; desilusões e frustrações por parte de gente que deveria ser amável e que na altura certa não o foi; tivemos de singrar entre muita apatia e injustiça.

niassa8.jpg Pela língua aglutinadora de fados, futebóis e outros edecéteras, deveria colocar o M´Puto em 1º lugar, terra de meus pais com ascendentes e descendentes com gente de barlavento e sotavento, da raia, da Beira ou Alentejo mas, quis o destino excêntrico quanto baste de me fazer optar por um vapor, navio de águas profundas saído da sucata da primeira grande guerra como local de nascimento: - Niassa!

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Assim balouçado pelo mar, quero permanecer por opção ser um Niassalês. Muita gente dirá que esta postura minha vem dar forma a subir uns cagajésimos ao meu curriculum mas, que fique claro que é este o meu orgulho a fazer gaifonas às tais cataratas que me obscurecem o que não pretendo ver. Desde o onze de Novembro de 1975 que me sinto um desclassificado cidadão e, assim irei continuar…Por agora sinto-me bem no Brasil, terra dos meus “egrégios avós” como diz o hino…

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017
PARACUCA . XXIII

TEMPOS DORMIDOS - Entre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido da fábrica de Letras in Kizomba com estórias da vida …

Por

soba15.jpg T´Chingange

No quase fim de ano de 2016 rapidamente cheguei ao posfácio dos singelos poemas de Emanoel Fay. E, passando pelas mensagens as correcções, os elogios, as ornamentadas homenagens com prémios e comendas e, sempre em letras volumétricas, perfumei-me nas simples palavras de tocar sinos em dias de Nossa Senhora da Aparecida, uma santa que três pescadores acharam numa das muitas lagoas da costa brasileira.

peter0.jpg Escultura de pau escuro, quem sabe saída do tal naufrágio em que os índios comeram o primeiríssimo bispo do Brasil de nome Sardinha. Também com este nome não se poderia esperar um fim mais apropriado e digno. Dom Pedro Fernandes Sardinha, ou Pero Sardinha, nascido em Évora em 1496 e papado pelos Caetés de Alagoas, Coruripe do Brasil no ano de 1556.

sardinha0.jpg Essa vila de Coruripe ainda hoje paga um laudémio à Santa Igreja por tamanho forró descabido em que gente desnuda, musculosa e de tez parda que assou mais de oitenta náufragos. Ao lugar chamam agora de Feliz Deserto. Como pode ter acontecido estas coisas numa terra tão linda e pacífica aonde os biquínis deram lugar ao fio tapador de bunda.

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Voltando aos três pescadores, como nesse dia o peixe foi avondo, a crença milagrou o acontecido. Creio que meu avô Loureiro estava por perto e, porque misteriosamente, encontro na sala da casa de um primo meu, no lugar de Barbeita da Beira Alta, perto de Viseu, uma imagem dessa Senhora. Coisa inaudita porque ali no M´Puto não há nenhuma Nossa Senhora preta.

amilcar 3.jpg Só podia mesmo ter sido do Senhor Manuel Loureiro, meu avô que depois de deixar duas filhas em sítio incerto, rumou de novo para Portugal, tísico chupado das mulatas, como se dizia nesse então. Em Barbeita há sim a Nossa Senhora do Parto muito carregada de oiros nos dias de festa. No quinze de Agosto saem com Ela a dar um passeio pela urbe meia medieval e é bonito de ver as bandeiras estandartes. Homens de batina branca esvoaçando ternuras alinhada entre muros graníticos de pedra solta, musgosas.

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Homens da hermandade de Santo António da qual eu pertenço desde que nasci. Sou sim, membro desde que dei o primeiríssimo berro balouçado em um barco com o nome de Niassa em águas territoriais de N´Gola. Bom! Voltando ao livro e da frente para trás chego às miniografias, letra grande e esparsa com referência eméritas à terra dos Marechais aonde se fala de seus pecados enaltecendo as almas.

bruno17.jpg Muitas almas, que agora andarão penadas com suas grandes espadas enfiadas em coiros e mistérios de palavras doces como sempre convém constar em prosas versejadas e versos singelos dedicados àquela Nossa Senhora duma vasta eucaristia de muitas Marias na terra. Coisas de dedicação mariana de quem sabe as paradas de todos os calvários. 

paracuca1.jpg Com egos engravidados solo suspiros de sonhos na forma de louros de oliveira, solto pétalas e folhas acerosas de chá caxinde, capim-santo ou cidreira chegando ao prefácio. Aqui, mergulho todinho na água benta, água da vida presenteando difusas carícias, como brisas esbarrando nos ventos e também questiúnculas de métrica e rima.

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Da singeleza de tudo assim fiquei ungido de sem regras no linguajar e formas nova, revolucionárias talvez e desprovidas de regras. Nesta vanguarda estética dizer que desgostei, não faz parte do meu Adeus porque gosto das pessoas e seu lado bom em detrimento do outro lado que não serve nem ao próprio nem a ninguém.

pa3.jpg

*Paracuca: - 500 gr de ginguba sem ser torrada, 250 gr de açúcar (ou mais), 2 chávenas de água - Preparação: Juntar todos os ingredientes numa vasilha e levar a lume brando. Vá mexendo, sempre, até a mistura ficar solta. Deite num tabuleiro (agitando para ficar solta) para arrefecer.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXII

CINZA NAS NUVENS  – 24.01.2017Amai-vos uns aos outros, mas só se for para valer. Se tem furúnculos e verrugas cure-os com avelós…

Por

soba15.jpgT´Chingange

O ser mais digno de pena aqui na terra é aquele que transforma todos os seus sonhos em dinheiro. E, tem muita gente que leva todo o tempo fabricando preocupações, sempre com os neurónios arrumados por forma a ter o seu dinheirinho a qualquer preço e por vezes sem a atitude ou ética correctas no amanho e até amesquinhando os demais, rapinando seu semelhante. Estou em crer que nunca a felicidade alcançara este tipo de pessoas que veneram o dinheiro sem lhe darem o real valor nas mutações da vida.

avelós1.jpg Há gente que sempre se engrandece, gente que se gaba de que dá muito, que se enaltece, fazendo riqueza desmedida chupando o tutano a quem lhes faculta essa gravidez de vida. E, são muitos os que conheço que assim procedem deixando na carência seus auxiliares mais próximos; gente que sempre anda com o credo e Deus na boca como dizendo-se os eleitos d´Ele, criticando com desusadas medos e temores desse seu Deus. Mas que é isto, Cristo!

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Os mistérios da vida são simples, mas há seguramente seres que se julgam excepcionais explorando seu semelhante e, tudo vislumbrado na mira do lucro, desprezando valores de que eles só falam, mas não fazem! Ninguém é responsável por nossos próprios destinos a não ser nós mesmos e, uma obra-prima, só o é efectivamente quando as minucias forem perfeitas.

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Criamos em nós próprios os infernos de tristeza e angustia porque sempre desprezamos a crucial ideia de que o céu está dentro de nós; que não é preciso morrer para ir para o céu! Que nem é necessário nenhum assessoriamente de pastor, sacristão ou outro cidadão para falar com Deus! A igreja está connosco, nosso templo, nossa mente, nossa alma legada por Ele. E, o inferno é uma má ilusão de quem a si e aos demais dá ou vende fantasias impingindo a alma.

avelós0.jpg Neste momento, um homem aqui na praia anda para cá e para lá rodando na forma de vassoura um aro com uma haste de onde saem uns fios ligados em seus ouvidos por um iPhone. É um buscador de pequenos tesouros perdidos na areia da praia assim como cordões, braceletes, fios, relógios e bugigangas menores de ferro ou ouro e prata. Foi quando lhe disse: Oi moço, se por aí encontrares um parafuso enferrujado, é meu! Ele riu-se e continuou sua tarefa de sobrevivência e paciência numa fé de ganha-pão. Possivelmente, foi até hoje seu maior investimento.

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De todo o modo acabei por consolar o moço dizendo-lhe que tudo o que por direito for meu a mim chegará na hora oportuna sem aquela tecnologia de ponta. Afinal de que nos valerá o conhecimento de todas as ciências do mundo e de tudo o que nos rodeia, se ainda não somos conhecedores de nós próprios.

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Agora que sou mais maduro, e que tenho fungos parasitas a roer-me o casco, digo aos meus mais próximos, amigos e afins que se dizem ser, que não se escravizem em opiniões de leviandade ou com a ignorância porque o que importa mesmo é o que verdadeiramente se é. Não gosto de conversas choronas; não o façam perto de mim porque não acho ser meritório qualquer lamento vazio - em vão!

avelós3.jpg Conversando com Platão, o filósofo grego, este disse-me que as pessoas que alimentam conversas sobre suas doenças, dificuldades ou pobreza, o fazem com mau uso! Que sempre se agridem nesse modo de falar e porque quanto mais falam mais agravam seu estado de equilíbrio psíquico. Disse-o assim mesmo: Viver com optimismo e alegria é a meta perfeita de cada um de nós porque a beleza da matéria passa depressa; Somos água no estado solido e, num repente sublimamos- passamos ao estado gasoso.

avelós4.jpg O amor quando verdadeiro coloca em primeiro lugar a felicidade do ser amado! Se isto não se adapta a você, tente cultivar esse nobre sentimento que não virá mal ao mundo nem a si! Seu corpo só será sadio quando a sua mente o for. Comece por aí corrigindo-se sem se enganar e lembre-se sempre que a sua mão direita não saiba o que deu a sua esquerda e, por ai vai!... Não! Não se enalteça gratuitamente! Os infernos só existem porque nós os fabricamos. Se tem furúnculos e verrugas cure-os você mesmo com avelós mas não o leve à vista porque isso cega….

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:22
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017
XICULULU . XCIV

NAS CINZAS DO TEMPO19.01.2017 - Um homem sem religião é como um peixe sem bicicleta…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Hoje, o dia acordou encoberto mas, isto não impediu que eu e Ibib fossemos à praia da Kanoa - Sete Coqueiros da Pajuçara. Coloquei meu chapéu-de-sol e duas cadeiras bem no alinhamento dos postes de futvolei, bem na linha de morte das ondas da maré cheia, um risco de algas ao longo da baia, ainda o tractor andava num e noutro sentido riscando a areia fina com um ancinho. Antes de iniciar minha habitual gimnástica de talassoterapia e, porque o céu estava um pouco carregado de escuro, sentei-me a admirar o horizonte, um barco de pesca que vindo da faena fazia seu roncar arritmado do motor.

lourdes8.jpg Olho para o lado do sol nascente e vejo um rapaz moreno que espetando uma alga num pau, a levanta e, fala com ela. Falar com uma alga!? O vento trazia até mim um fala desconhecida, assim cósmica, penetrante e com estalidos de submarino como estando mergulhado em águas profundas; por vezes também estalidos de dialecto kamusekele. Assim, ele falando para aquele tufo verde de alface-do-mar e estirados fios, noto com surpresa que estas tomam uma forma de pomba. Verde na cor mas, pomba!

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O moço continua falando e, num repente o pau e pomba ficam flutuando no ar enquanto ele junta as mãos como que rezando dirigindo uma prece para o céu. E o céu estava carregado de algumas nuvens de chuva tapando o Sol. Eu estava boquiaberto, estupefeito vendo isto tão fora do compreensível. Belisquei-me e a unha, feriu-me! Estava vivinho da Costa.

lourdes7.jpg Eis que num repente e do lado dos coqueiros, bem junto à barraca Kanoa, sai um grupo de 3 homens ainda jovens e duas moças bem espigadas; um dos homens era preto retinto e com os dentes alvos e grandes. Os demais eram bem branquelas. Estes cumprimentaram efusivamente o moço da pomba de algas e, reparo agora que as mesma, era agora branca e pairava no ar bem por cima deles, como se fosse um gavião ou um peneireiro das torres.

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Estes quatro homens e as duas mulheres juntaram em um monte e na areia seus pertences, chinelos e xailes pareu ou capulanas, mais chapéus e, foram-se todos em magote para a água.

Usavam uma língua cármica, cósmica e gosmosa com estalidos de sonar e, ginasticando muito seus gestos; num dado momento e, logo após ter soado uma campainha irritadiça, som vindo do nada, mergulharam na água como golfinhos. E, afastaram-se para além da minha percepção. Mistério!  Escafederam-se!

lourdes1.JPG Minha pele metida agora na água estava arrepiada como pele de galinha despenada. Entre o incrédulo e assombro, observava sem nada poder fazer. Tu viste isto! Falei para Ibib já sentado a seu lado. Isto o quê? Disse ela. Esses jovens que se foram mar adentro e que deixaram esse monte de seus pertences! Dizendo isso apontei para o monte de roupa e chinelos. Falei aos soluços abreviados e no caso da pomba mas Ibib interrompe-me – mas ali não há nada!

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Fiquei bem preocupado comigo mesmo! Afinal só eu estava vendo tal desassombro! Ui! Mas que raio!? Pensei estar apanhado de qualquer malazenga e disse a ela, deixa para lá…. Vou de novo até à água com os pensamentos zunindo diabruras e de costas para a areia e molhado até ao pescoço. A água estava quente, eu já quase não tinha pé e por ali fiquei mexendo-me sem os definidos movimentos habituais.

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É naquele preciso momento que vejo uma onda subir anormalmente até àquele monte de roupa dos candengues estranhos e, assim como dois braços recolhe-la toda num ápice e rebocá-la para o mar. Parece que alguém a estava puxando e, por encanto tudo se tragou na água. Devo ter comido qualquer coisa alucinogénia disse de mim para comigo. Assim estava quando começou a cair uma chuva; pingos molhados grudando-se-me ao costado como se me estivesse revestindo em mel.

lourdes2.jpg Sacudi, raspei e abanei mas nada! Estava literalmente grudado com aquele unguento castanho como o mel. Não tenhas medo! Foi a voz que ouvi sussurrada bem no interior dos meus tímpanos! Vinha de uma figura jovem mas de contornos indefinidos pairando na água sem ocupar espaço nela.  Relampejando seu olho verde repetiu: -Não te aflijas!

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Estás a ser alvo de um teste para sabermos se podemos contar contigo nesta transição espiritual entre o aqui e o álem! Meio acagaçado acho que falei, não tenho a certeza se abri a boca ou se, só o pensei. Mas, porquê isto tudo e, comigo? Ele aquietou-me com suas mãos que me pareceu ter uns doze dedos em cada: Lembras-te de quando foste ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes em França no ano de 2003?

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Lembras-te que te banhaste na fonte de água por debaixo do Santuário e no mesmo lugar aonde Bernardette Soubirous verificou o milagre da gruta de Massabielle? Pois fui eu como voluntário que te lavei naquela água benta, que te purifiquei com uma esponja. Eu e tu, todo despido! Conversei contigo umas escassas palavras e já nesse então vi que virias a ser um bom espírito missionário ou voluntário como eu nesse então. Sim! É verdade que me lavaram nessas tinas, numa gruta e no mesmo sítio da aparição da Senhora àquela menina que teve essa visão! E, isso é tão verdade como dois, mais dois serem vintidois.

lourdes5.jpg Pois então, chegou a hora de seres mais um voluntário a juntar-se-nos. Mas eu nem teu nome sei, disse! Sou Gerard Mussulini e até trouxemos o Kamanga Alex Tati que veio das lagoas de Cabinda. Em verdade estive em Cabinda tal como estive em Lourdes mas daí a ser uma coisa como vocês, vai alguma distância! Enganas-te amigo! Foi quando surgiu ou desimergiu das águas o coisa preta que conheci na Lagoa do Bumelambuto bem perto da capital do enclave.

lourdes3.jpg Tudo estava a tomar um jeito nebuloso pelo que lhes disse que eu era um católico romano, mau praticante em verdade, mas assim fui baptizado e crismado; que até fiz a comunhão. Pois agora és tudo isso e mais um irmão espírita. Passas a ser nosso embaixamor em estas águas quentes do Iemanjá. O Sol, neste então abriu-se e os tufos de algas verdes que formavam a linha da maré cheia viraram pombas brancas e cinzentas; voaram como uma nuvem em direcção à lua difusa entre a luz do dia mas verdadeira. Tudo ficou por aqui… Há coisas que nem mesmo bem contadas, são tomadas a sério.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:17
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXI

NUVENS DE CINZA – 17.01.2017Curar uma alma, é como ler um livro bem devagar e, concluindo um capítulo de cada vez. Assim apalparemos as medidas da natureza, sarando as feridas da mente …

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Curar uma alma, é como ler um livro bem devagar e, concluindo um capítulo de cada vez. As janelas das lembranças abrem-se ou fecham-se seguindo uma cronologia muitas vezes alheia. Umas mergulham na dor, outras em alegrias e, segundo as transições de nossa existência. Porque as coisas foram assim e não de outra maneira nem sempre ficam ao nosso alcance, dependendo de factores a nós alheios; resta-nos manter a tranquilidade do ser porque o que tiver que acontecer, sempre acontece.

sardinha01.jpg Da perfeição com que manter seu aprumo, sua calma, assim dependerá sua oportunidade para receber uma incumbência maior. Eram três horas da manhã quando me refastelei na rede da varanda. Acordei e, porque o sono não voltava, para aqui vim ver o luar de Janeiro. A lua cheia está bem por encima dos prédios aqui circundantes, as nuvens baixas correm no sentido da terra firme e, ora tapam o globo cheio da lua, ora a destapam.

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Foi quando reparei num raio de luz a bater na parte inferior do branco sujo de algumas. A lua tinha nela manchas escuras dispersas pelo seu centro fazendo recordar-me que minha mãe, a tantas perguntas de criança dizia a mim e meus irmãos que aquilo eram silvas transportadas como carregos na costa de homens agricultores. No correr do tempo deu para perceber que aquelas falas eram ditas para aliviar desconhecimentos e evitar perguntas complicadas dos kandengues.

lua6.jpg E, porque a sombra sempre se mantinha no mesmo lugar aquilo só podia mesmo ser treta de mãe. Foi neste então que me lembrei de perguntar a Deus se estas incógnitas eram para se perpetuarem na cabeça de muitos que nem tampouco acreditavam que os homens anos mais tarde chegariam à lua, ao tal lugar das silvas e, a que chamaram de mar da tranquilidade. Foi neste então que surgiu o meu mais recente amigo  ET STAR 3C325, o tal que saiu da estação orbital nº YYY3C e oriundo duma galáxia a mais de 260 milhões de anos-luz.

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Disse-me telepaticamente que nós somos uma bola de ilusão de cor arroxeada e que salta entre corpos assim como dizem, ser espíritas que desencarnam de uns e se grudam a outros corpos sem terem a plena certeza que estão sujeitos a essa mutação. Aquilo que vocês dizem ser a alma! Que tal como ele um corpo etéreo feito holograma, viaja no espaço-tempo electromagnético do Universo sem bordos, sem cantos nem fim.

lua5.jpg E falou na forma de nos encarnarmos de forma aleatória ou por escolha! Disse também que Jesus Cristo feito homem, foi o único que reencarnou no próprio corpo mas, que chamam a isso de ressuscitação; que também fez isso a Lázaro. Perante o meu indício de desconhecimento, acrescentou que nós gente de carne e osso só o somos enquanto somos para perpetuar o mundo num mistério que só é lícito ser do conhecimento do Pai, Deus. Só ele tem o condão de decidir.

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Que por isso Ele é Omnipotente, Omnipresente e Omnisciente está na Natureza, em todo o lado. É o Senhor absoluta de todas as coisas, acrescentou. Não sei do porquê, este ET despejava isto para mim mesmo sem que lho perguntasse mas, até isto ele leu nos meus neurónios. Poderão comparar isso da alma como sendo um celular tablet que num instante retém, envia ou recebe ondas eu se transformam em imagens e retêm dados.

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Mas que não tem alma, o coração fulcral dos cinco sentidos do olfacto, da visão, da audição do paladar e do tacto. E, disse mais ainda: quando saíres desse corpo poderás entrar ou não em um outro corpo e esquecerás o que és para voltares a ser! Possivelmente já foste o Capelo Ivens ou o Vasco da Gama mas, agora nessa figura a que te chamas de T´Chingange só ficarás no futuro como uma lembrança de ti, teus sonhos escritos, tuas estórias e inventações, tuas dissertações e fricções neste espaço terra, uma areia do Universo.

ÁFRICA3.jpg Este ET revolucionário estava a meter-me macaquinhos na cabeça. Fiz-lhe um gesto de vai-te embora e fiquei ondulando um adeus até um outro encontro. O ET não fez qualquer reparo e bazou sem prenúncio nem indícios com rompantes. Não há noite eterna à qual não suceda a luz de um dia radiante; dos sofrimentos passados conservaremos apenas uma ténue lembrança quase apagada. Num repentemente num flache, dilui-se no ar misturando-se nas nuvens…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:18
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Domingo, 15 de Janeiro de 2017
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXI

MULOLAS DO TEMPOMilagres da vida com talassoterapia Farrapos de imagens que vi com nitidez de adulto na gesta colonial e M´Puto...

Por

soba15.jpgT´Chingange

Hoje apetece-me falar sobre os mistérios da vida que vivenciei em pequeno, kandengue e filho mazombo do Senhor meu pai Manuel de nome e, Cabeças por alcunha. Para sobreviver à vida depois da guerra de 39 a 45 resolveu sair daquela terra de frios do M´Puto, tendo chegado à Luua de N´Gola levado pelo velho vapor Mouzinho de Albuquerque. A Dona Arminda minha mãe, algum tempo depois e, após ter recebido carta de chamada, saiu do M´Puto vertendo choros no cais de Alcântara. Da amurada daquele vapor com o nome de Uíge, pouco a pouco via Lisboa e o Tejo ficarem lá longe tapados pela neblina.

bungo8.jpg Os tamancos de pinho não eram suficientemente quentes para animar o dia que se seguia naquela terrinha e, vai daí, meu pai tentou a Venezuela e o Uruguai mas as facilidades só lhe surgiram para a África, Terras Ultramarinas de Portugal. Deram-lhe passagem de colono após preenchimento de impressos timbrados com a esfera armilar. Através da Companhia Nacional de Navegação zarpou no tal vapor por volta do ano de 1950.

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Dito e feito! Ele estava cansado de explorar volfrâmio para enrijar os canhões de Hitler, de cavar as terras dum sítio chamado Cornelho, duma Pereira e um Vinagre, lugares vistosos de verde que no correr do tempo ficaram silvas e tojos pelo abandono. Muito mais tarde apreciei a beleza que ele nunca teve tempo para apreciar; o vale profundo enevoado com o rio Dão a correr para Alcafaxe e, lá longe a brancura de persistentes manchas de neve dispersas; as encostas da Serra da Estrela vendo-se as luzes de Seia, Folgosinho e Mangualde; podia ate ver-se com nitidez e em dias claros a ermida  de Nossa Senhora do castelo.

bungo6.jpg Farrapos de imagens que vi com nitidez de adulto com cheiros de resina, giestas sentindo também o som martelado característico de tamancos nas calçadas de pedra granítica, irregular, e com rilhas de rodas de carros de bois. Também o pisar de tojos amontoados nas travessas e quintais fazendo curtir o estrume necessário para as batatas, as hortaliças, couves tronchas ou repolhudas. Um esboço medieval de uma típica aldeia mesmo ao lado de Viseu.

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Ainda não havia aqueles adubos de mau cheiro que logologo surgiriam para fazer crescer os tubérculos que alimentavam as gentes, os bichos e as cabrinhas que davam leite. E, aquelas casas malcheirosas de fedor a subir, a entrar nas frestas do soalho e nas ventas, saídos das lojas com ovelhas, burros, bois ou cabras para esquentar os sobrados e seus donos no lado de cima. Frios de cheiros entranhado nos tornozelos, pés gretados, caucionados nas frieiras da Beira Alta Interior quanto baste; um frio do caraças de arrepiar dedos com dor.

bungo7.jpg Mas esta crónica foi pensada para falar do milagre a que assisti já em Angola; milagre que durou os anos de minha juventude, do que eu presenciei nas visitas que meu pai fazia a um antigo sócio do volfrâmio chamado Lázaro pai de Álvaro, um menino que comecei por ver paralítico e numa cadeira de rodas. Enquanto meu pai foi trabalhar para as brigadas do caminho de Ferro de Luanda, antiga Ambaca, Lázaro foi colocado como capataz de estiva no porto de Luanda.

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Minha família ficou a morar no Rio Seco da Maianga, início do Catambor e Senhor Lázaro instalou-se em uma casa de madeira em um bairro chamado de Bungo e mais tarde de Boavista. Ficava mesmo à beira mar da baia de S. Pedro da Barra, uma faixa de terra entre a linha recente do Caminho-de-Ferro e o mar. Estes barracos foram surgindo em áreas do domínio público e cada qual fazia seus puxadinhos até a areia e, bem no término das marés altas. Era assim que viviam os colonos pobres, paredes meias com cortiços, quase musseques tendo por vizinhos pretos e mulatos.

bungo5.jpg Isto para dizer que da varanda que dava para o mar, Álvaro o moço paralítico rojava-se até às águas espelhadas da baia e ali ficava quase todo o santo dia. Sempre que meu pai visitava seu amigo Lázaro eu, também aproveitava ficar ali nas mornas águas sacolejando-nos em jogos variados. Por vezes, até dormia lá a pedido de Dona Micas mãe de lázaro a fim de ter companhia; embora tivesse mais irmãos, ele e eu dávamo-nos bem ou de um outro jeito. Eu era bem tolerante com os esgares e caretas que Álvaro fazia no esforço de pronunciar falas; até nos entendíamos por gestos e vontades telepáticas.  

bungo2.jpg Assim o Tonito da Dona Arminda por lá ficava uns dias com seu amigo Álvaro o paralítico, coitadinho. Sentimo-nos peixes na água mergulhando como golfinhos ou boiando como bogas, roncadores e mariquitas. Por vezes e dentro de água fazíamos grandes pescarias daqueles peixes e até carapaus, agulhas ou garoupas. Bom! Agora vamos ao tal milagre.

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Álvaro começou gradativamente a andar, primeiro titubeante agarrado a bordões e mais tarde solto destes, andando como um boneco de circo, pernas esticadas e bamboleando, mas andando! Estou a ver seu sorriso ao longo do tempo quando fazia uma qualquer outra avaria; um sorriso babado com descontrolo muscular mas sortido de alegria. Pouco a pouco foi deixando a cadeira de rodas e até já ia só, até o transporte que o levava à escola do Kipaka!

bungo1.jpg A razão por que falo disto é a de que se há qualquer coisa que reabilite nossos ossos, músculos e rijeza ao organismo é mesmo o iodo das manhãs nas águas quentes do mar; uma tal de vitamina D que nenhuma pilula nos pode dar. Como kota, sinto isto desde 2006 pela ida muita frequente à praia, aqui no nordeste Brasileiro. Entre as 6 horas da manhã e as nove horas, lá estou metido até o pescoço na água da Pajuçara. E, olhem que é bem notório o bem que me sinto.

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Mas a grande felizarda é mesmo minha mulher Ibib com seus 75 anos de idade que não andava 100 metros quando aqui compramos casa e agora, sem se queixar das mazelas dos ossos, já anda quilómetros. Isto, o gozo da natureza, é o melhor que podemos ter nesta idade! A minha talassoterapia nas águas quase paradas e quentes da Pajuçara de Maceió é prioritária. Os resultados são lentos mas eficazes para quem persiste e, porque a natureza só por si dá-nos recursos. Recursos que a maioria das gentes desaproveita.

bungo4.jpg É por isto que não me posso ver longe do mar tropical por muito tempo. Todos os dias faço movimentos os movimentos recomendados pelo meu próprio “personal trainer”… Eu, próprio. Agradeço assim sem protocolos à mãe natureza e seu dirigente chamado Deus sem outras felpudas falas e, porque os homens mais dignos de penas serão aqueles que transformam seus sonhos em prata e ouro. Faço os possíveis!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:45
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLX

CINZAS DO TEMPO – 10.01.2017 – Quando tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza, sarando as feridas da mente …

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange

Fugindo daqui e dali vejo-me em aflições só minhas, porque o passado reconheceu-me na palidez enrugada da velhice e, desperta-me agora para as verdades superiores. Duas e meia da manha e eu levanto-me com uma tosse de cão revivendo as debilidades que somos em função dos ácaros, dos parasitas, das bactérias aéreas e adjacentes que no trazem rouquidão indesejada. Da varanda olho as nuvens que correm baixo bem por cima dos arranha-céus e, não vejo nenhum anjo vindo do além neste agora, a quem possa fazer uma prece para fazer sair os desassossegosos espirros de mim.

knorr1.jpg Com palavrões dentro da cabeça, tentei reconstruir minha já antiga convicção de que não é com vinagre que se apanham moscas; com os nomes esvoaçando, fui buscar as novidades fracturadas com figas e juras por sangue de Cristo, personagem a quem inevitavelmente se recorre quando nos sentimos débeis ou oprimidos.

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Por vezes falo com Ele como se fosse meu companheiro de escola e, desta vez pedi-lhe que acabasse com este meu desconforto de mijar raiva de mim aos poucochinhos na forma de espirros, baba de sinusite lançando meus bacilos para o espaço, minhas bactérias e ranhosidades inconvenientes. Eu sei que é coisa pouca mas, tenho de ter condições para espalhar alegrias ao meu redor e, não ficar remoendo nas alergias da vida.

amolador 1.jpg Na última sexta-feira aconteceu ir a um lugar chamado de Barra Nova na Ilha de Santa Rita com um casal amigo de já algum tempo. Foi um encontro de amigos que têm vivências espíritas e que no intuito de criarem ali um Centro aonde possam reviver suas experiencias se juntam fazendo suas preces no campo espiritual e, assim associados, desenvolvem temas ouvindo-se uns aos outros promovendo ajudas à colectividade.

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Não vos pareça estranho esta minha presença neste núcleo de amigos porque do que vi e ouvi, não retirei venenos de lisonja nem desnorteadas criticas a outras fés como é comum observar nas demais, nem senti haver galanteios vazios de valor. Ouvi diálogos com elogios, alertas de necessidades com um apelo constante no uso da palavra por forma a afastar as vibrações nocivas de nossa vida.

zumbi3.jpg A partir dum sim ou de um não desenvolveram-se temas transcendentes de como os últimos serão os primeiros, e ouve passagens de descrição que me tocaram mormente as falas de Júnior ao descrever sua participação em uma campanha chamada de “campanha do Kilo” e, na cidade de Maceió. E, porque me parece relevante, passo de forma sucinta a transcrever. No bairro escolhido, creio que no da Jatiúca, Júnior abordou um senhor que tudo indicava ser de posses, o carro em que se fazia transportar era de ultima ponta tecnológica e eis que abordado e ficando Júnior de mão estendida, aquele dito senhor com desprezo, cospe nela.

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Júnior tinha todos os motivos para se indignar mas, esfregando sua mão nas calças estendeu a outra dizendo: - Senhor, esta sua oferta foi para mim, dê-me agora a ajuda para minhas crianças carecidas! Este desprezo e mau carácter foi observado por um outro senhor mais velho, humildemente vestido, denotando-se nele carências alargadas.

 

mutopa5.jpg O velho senhor de barbas grisalhas aproximou-se de Júnior e deu a saber-lhe que sim, conhecia a obra do Centro que ele referiu e que era um trabalho que ele admirava. Que tinha uma escassa reforma, dava guarida a um filho desempregado e vivia como podia na graça do senhor. Júnior a convite do velho, entrou na modesta casa. Este, foi-lhe mostrada as condições de carência sem nunca a referir e, entretanto abriu o armário da cozinha. Nele havia um pacote de caldo Knorr e uma caixa de fósforos.

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Se isto lhe for útil pode levar! Júlio não teve coragem de recusar aquele tão pouco mas tanto de quem quase nada tinha. O velho acrescentou: Os fósforos dão para acender o fogão e o caldo para uma sopinha, leve, disse ele! Júnior em função do que viu convidou o senhor a passar lá pelo Centro a fim de comer uma sopa saída deste caldo e outras dádivas.

socie5.jpg Foi marcante esta descrição para mim que tanto deliro nos folguedos da vida fácil em comparação com aquele velho senhor que tudo deu. E, seu tudo - era quase nada, mas era! Cada um recebe de acordo com o que dá! Isto pode ser vivenciado por mim ao longo da vida. E há um dia em que somos tocados por uma vírgula desprendida dum qualquer texto colocada no lugar certo; foi este o meu caso.

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Como dizia no inicio desta breve cónica, vejo-me em aflições só minhas, porque o passado reconheceu-me na palidez. Estou ainda a tempo de realizar um novo começo, despertar-me voluntariamente para as verdades superiores de num agora, ajudar o próximo como a si mesmo! “O próprio céu tem horário para as trevas e para a luz” disse Júnior em tom de reflexão. Cada um precisa caminhar com seus próprios pés para aprender a viver. Assim, sem prever o sucedido e, neste agora, aprendi a conhecer-me melhor! E afinal, sempre haverá um dia mais especial que qualquer outro … e, aquele foi-o!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:51
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLIX

CINZAS DO TEMPO – 03.01.2017Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade … Por coisas do demónio, somos todos isósceles …Deusmelivre de cair na tentação em ser rico e escaleno…

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

Andamos poluídos em ideias e, com o corpo suscitando mil obstáculos pela necessidade de cuidarmos dele, o corpo. Ele, o corpo enche-nos de desejos, de temores, ira, tristeza, de mil ilusões e mil tolices. É assim, impossível sermos sábios, mesmo que se seja só por um instante se não desligarmos o espírito do corpo. Um dia qualquer, você vai transpirar de frio sem controlar seus nervos e vai ter de recorrer a um comprimido, colocá-lo debaixo da língua para atenuar seu pavor.

dia54.jpg A verdade! Que é isso? O homem de terra a terra considera as coisas dum ponto de vista material - vive iludido sem as apreciar com justeza porque para isso necessitaria vê-las do alto, dum ponto de vista espiritual. A verdadeira sabedoria deve em verdade isolar a alma do corpo porque enquanto corpo e alma se acharem mergulhadas nesta corrupção terrena, nunca se irá possuir o objecto de nossos desejos: - A verdade!

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Só poderemos conhecer a verdade quando libertos da loucura do corpo, suas vibrações e palpitações, ansiedades descontroladas com coisas medonhas a tolher sua liberdade. Somente o homem que se despoja dos vícios e se enriquece de virtudes pode esperar com tranquilidade o despertar de outra vida. Qual outra vida? Haverá de ter-se em conta que a palavra demónio (daemon) da antiguidade, não era tomado em mau sentido como o é agora.

roxo96.jpg Daemon (do grego) eram todos os espíritos de entre os quais se destacavam os chamados génios da mitologia ou deuses, "divindade" ou "espírito". O nome em latim de daemon veio a dar o vocábulo em português de demónio; no entanto, ao longo da história, surgiram diversas descrições para esses seres. Seu temperamento liga-se ao elemento natural ou vontade divina que o origina.

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Um mesmo daemon pode apresentar-se "bom" ou "mau" conforme as circunstâncias do relacionamento que estabelece com aquele ou aquilo que está sujeito à sua influência. Xenócrates associava os deuses ao triângulo equilátero, os homens ao escaleno, e os daemons ao isósceles. Ser feliz para os gregos é viver sob a influência de um bom daemon (demónio). Assim surge a forma como Sócrates se refere a seu daemon. E, chegamos assim aos espíritos que regem ou protegem um lugar, como uma cidade, fonte, estrada, etc.

araujo6.jpg O génio pessoal, usado por Sócrates quando ao contrário de seus colegas sofistas não abriu escola assim como não cobrou dinheiro por seus ensinamentos. Ele dizia que apenas falava em nome do seu "daemon", do seu génio pessoal. As afectações humanas, de corpo e de espírito, tinham estes como criadores do Sono, Amor, Alegria, Discórdia, Medo, Morte, Força, Velhice, Ciúmes e outros edecéteras.

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Na antiga Grécia muitos deles daemons viviam entre os mortos no submundo, porém alguns viviam entre os deuses no Olimpo mas, outros viviam entre os mortais na Terra. O conceito original entre os gregos ainda os liga aos elementos da natureza, surgidos em seguida aos deuses primordiais. Assim, há daemons do fogo, da água, do mar, do céu, da terra, das florestas, etc.

roxo29.jpg Se “é pelo fruto que se reconhece a árvore”, frase que se encontra muitas vezes repetida no Evangelho, como chegamos ao conceito de que a riqueza é um grande perigo!? Porque todo o homem que ama a riqueza não ama a si mesmo nem ao que é seu; ama a uma coisa que lhe e ainda mais estranha do que o que lhe pertence.

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Tratemos de instruirmo-nos mas, não nos injuriemos diria hoje de boa-fé Platão. Mas se Platão revivesse hoje, encontraria as coisas mais ou menos como no seu tempo e, poderia até usar a mesma linguajem. Por haver professado estes princípios Sócrates foi ridicularizado, acusado de impiedade e condenado a beber cicuta, um veneno mortal. As grandes verdades não podem estabelecer-se sem luta e sem fazer mártires. Deus-me-livre cair na tentação de ser rico! Só quero mesmo ter o suficiente…

Ilustraçõe de assunção Roxo e Costa Araujo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:56
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016
MALAMBAS . CLVIII

CINZAS DO TEMPO – 28.12.2016Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade …

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange

Muitas das leis que nos regem são um logro. Diz o paradigma de nossa cultura que são necessários no mundo conturbado que nos cerca mas elas, as leis só são pensadas para quem as cumpre. Um estereótipo normal de cidadão é invariavelmente penalizado pelas leis que deveriam ser para todos. A doutora síndica do apartamento que tenho alugado em Maceió queixa-se de que há condóminos que têm seus pagamentos atrasados com um percentual elevado e, vê-se agora na contingência de a contragosto ter de lhes fazer uma dedução com o objectivo de executarem seus débitos.

amigo00.jpg Ela necessita desse dinheiro para cumprir obrigações de fim de ano. E, ela nem pode fechar-lhes o gás, a água ou a luz porque a lei brasileira não permite isso. Se o fizesse ela não se veria em palpos-de-aranha para pagar a quem deve. Para resolver o problema ou sobe a prestação do condomínio ou mete o faltoso em tribunal; este faltoso por norma aluga o apartamento e tem dinheiro, mas alega o inverso e, se levar isto a tribunal, o incumpridor vai pagar em prestações de cacaracá com inerentes gastos judiciais.

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Os condóminos zelosos e cumpridores acabam sempre por ser sobrecarregados com esta falta de cidadania de alguns. É uma amarga verdade que origina repulsa dos demais. Vejo pelas notícias que o mesmo sucede a nível de países, estou a recordar Portugal que recentemente deu benesses de perdão a incumpridores do fisco, mas há mais na lista. E, há os bancos que falham em seus empreendimentos com a anuência do Banco Nacional que tem o dever de os fiscalizar; Claro que quem vai pagar a factura, é sempre o povão!

ÁFRICA3.jpg Esta tolerância está desvirtuando desde algum tempo a honorabilidade da sociedade, a ética dos cidadãos. Estas práticas baseiam-se em teorias por forma a moldar e modificar o mundo real beneficiando o infractor! Nestas engenharias financeiras existe uma ligação de dependência em fenómenos que são a “causa” de rebelião - injustas interpretações no mundo em que vivemos. Isto está muito mal!

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As ciências sociais coligam factos e, a partir deles concluem teorias, porém esta visão é irrealista porque as teorias não provêm dos factos num caminho lógico. As teorias encontram seu suporte nos factos experimentais, mas isto terá de ser contestado porque elas, as teorias moldam e condicionam o nosso conhecimento desses factos! O carácter e a logica hoje, acabam por ser nefastos ao cidadão cumpridor.

ara3.jpg As hipóteses alternativas sempre suplantam as leis básicas do sistema constituindo-se benesses aos incumpridores; Um despacho não pode matar um acórdão e, nem um parecer pode ter a força de alterar um decreto. Esta ciência à cedência, não possui métodos seguros e universais para que todos reconheçam nela, validade. É notoriamente uma falácia, fraude ou roubo! Um disfarce feito remenda à consciência e constituição. Isto não pode ficar assim institucionalizado como se fosse coisa vulgar.

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Há sempre um salto no desconhecido, uma quase instituição que torna convencional os princípios teóricos fingindo não pôr em causa o valor cognitivo da ciência; aqui as teorias operam sobre uma realidade não totalmente dedutível ao sujeito incumpridor. Demonstra-se assim que as leis e teorias podem e devem ser corroboradas pela experiência, mas nunca podem ser verificadas como “verdades absolutas”. Elas são uma fraude!

mess04.jpg As teorias só são “verdadeiras” até que se prove o contrário! Elas não podem ser eternas nem imutáveis. Elas têm num dado momento de morrer porque são injustas; não é racional dar galardões a ladrões! Nem a intrujões e outros que tais! Os defeitos deste modo de governar são óbvios e os seus erros, de grande gravidade incentivam ao descaso, ao despifarro, à astucia sempre maldosa, sub-reptícia de quem não cumpre retirando daí vantagem…

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Diz-se: O crime não compensa. Será isto uma verdade!? A mente parece ficar possuída de um poder de visão simultaneamente a partir de diferentes pontos de vista. É como subir a uma árvore, a cada bifurcação há que escolher o ramo da direita ou da esquerda, realizando-se uma experiência para fazer a escolha apropriada.

arau5.jpg Por vezes ficamos emocionalmente ligados, o que impede ou dificulta um julgamento imparcial. Quando surgem assim pré-juízos, a mente rapidamente degenera-se num autoritarismo de parcialidade. Definitivamente quem não cumpre, não deve ser valorizado ou enaltecido. Deve sim, sofrer as consequências! Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas porque das muitas injustiças, pode sem se querer, saírem à luz do tempo feridas mortais.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:42
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016
XICULULU . XCIII

NA CINZA DOS TEMPOS - 27.12.2016  - Para planear um futuro mais racional em sociedade, nem sempre podemos domesticar a palavra…

Por

soba15.jpgT´Chingange

Considerando a idade das galáxias em milhares e milhares de milhões de anos, os alienígenas atingiram pela certa o nosso infantil Mundo na era da pedra lascada também há uns bons milhões de anos e, vendo o nosso estágio de vida foram-se de novo embora deixando indícios formulados agora em suposições. Através de análises de carbono e versões ainda titubeantes à escala das dúvidas e falas programáticas, tentam os cientistas agir com eficácia. Claro que sempre surge a tal lei da incerteza.

apocri3.jpg Surgem com paradigmas novos, hipóteses de construirmos um novo começo. Que, afinal o inferno é só uma metáfora de alma isolada (ou exilada) e, que como todas as almas em última análise, unir-nos-á no amor com DEUS. Bom! A vida com este novo meu amigo ET 3C325 tem de ser saboreada aos goles, aos poucos. Ele diz que tudo isto é fruto da mente humana e, que os ancestrais dele já passaram há muito tempo por isto.

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Meu amigo ET é desconcertante e, nem me atrevo a dizer a nonagésima parte do que diz. Por demasiada periclitãncia teremos de nos preencher com coisas pequenas para nos totalizarmos na harmonia do consolo, sem passar daqui! Ele, confirmou-me isto telepaticamente!

arau45.jpg Se nós, ainda nos andamos a matar como se fossemos dum tempo antes do Adão e da Eva, falando por dá cá aquela palha no inferno como castigo, queimando-nos em fornos crematórios para purificação! Nós vemos o inferno como um artifício literário. Teremos de entender as fracturas que a vida nos proporciona por coisas ou eventos que não nos agradam e ver-nos como uma ilusão.

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Nós lidamos isolados como se não houvesse certos fungos que temos de alimentar, se não houvesse plantas, frutos e sementes comestíveis. Nós não existiríamos sem esses parasitas; sem lobos não haveria cães, sem aves selvagens, não haveria galinhas e, por aí. Por isso na civilização descobriram os antibióticos a penicilina e, por ai teremos de navegar nossas vidas; descobrindo coisas boas.

roxo95.jpg O que me leva a escrever é o fruto do assombro, um fenómeno que leva a retina ao cérebro, a imagem traduzindo pontos em teorias de conhecimentos passados engravidando espantos em coisas que não esperávamos porque não procurávamos. É quando as leis que se pretendem universais apresentam axiomas e postulados portadores de evidências intuitivas ou princípios também eles assombrosos.

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Porque a ciência não é mais do que o esforço humano na descoberta ou criação de uma dada ordem no mundo que nos rodeia. A ordem concebida terá de ser julgada por valores de compreensibilidade, estéticos e de utilidade. Numa democracia somos todos livres de acreditar naquilo que quisermos mas, a humanidade existe com um propósito ou um sentido social porque o cérebro humano evolui segundo um conjunto de regras. Só espero que na estação orbital YYY3C do meu amigo ET 3C325 para onde irei, seja melhor do que isto.

Ilustrações de Costa Araujo e Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:22
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Domingo, 25 de Dezembro de 2016
MONANGAMBA . XLIII

NO DIA DE NATAL . 25.12.2016 - Monangamba é nome africano, nome de vendedor de trabalho avulso…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Monangamba é nome africano, nome de vendedor de trabalho avulso, que pega e despega, pago à hora de carrega e descarrega as coisas de um patrão que só o é pelo necessário tempo de levar ou trazer a tralha, o lixo, os cacarecos ou ainda, aqueles que sempre o fazem às ordens do município, gente desclassificada sem eira nem beira, a quem os candengues em outro tempo gritavam de Monangambé!

lobo1.jpg Eles, os monangambas da Luua destratavam nossas mães chamando-nos de sundiamenos, filhos da puta, e também de sungadibengos de merda; faziam-no com raiva como fazem os cães que ladrando assim uns com outros, firmam suas desavenças, cada qual formulando supurações fétidas. Ares de superioridade lembrando escravas conveniências, e escrúpulos sociais disfarçados de empertigadas invejas. Era só um tempo chamado de passado.

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Agora que sou kota, fico rindo muito mole na minha honestidade preguiçosa das coisas que me alegravam nesse tempo de kandengue, resmungados agora  nos entorpecimentos massajados com essência de terebentina como fungicida entre as camadas de caspa e peles mortas nas virtudes.

MONA2.jpg Com essência de canfora, retiro o sarro de ideias naftálicas ginasticando-me nas águas quentes brasileiras a norte e a sul dos bueiros crioulos que largam seus pecúlios a céu aberto sem arbítrio dos activos ou passivos. Assim mesmo com política de vinte mil reis burlados nas formalidades curadas no imenso depósito de cloreto de sódio, o soro do Mundo.

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Sentado junto ao mar fico ouvindo aquela música feita de gemidos do mar na forma de ondas. Hoje, dia de Natal do ano de dois mil e dezasseis entorpecido na embriaguez do vento morno, deixo-me embalar no espanto, vendo gente graciosa e alguns poucos restos de esqueletos cobertos por um pele seca a devorar-se sem tréguas do tempo.

magao01.jpg Um rumor quente do dia de festa vai-se formando o longo da língua de areia morena da praia da Pajuçara. Gente que andou no regabofe passa na faixa da maré-baixa, uns vestidos, outros descalços e outras morenas com seus vestidos de cambraia plissados a ferro e acompanhadas de velhos rufias entumecidos de cachaça.

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Corpos lustrosos de suor, rindo forte com a camisa a espigar-se-lhes pela braguilha meia aberta.

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Ontem queria ver a missa do galo com o Papa Francisco mas, repimpado como estava, não deu para manter o olho aberto mais para além das dez e trinta. A itaipava geladinha a acompanhar, primeiro com o camarão à Jucedi, depois o bacalhau com broa da Filomena e por último o peru da dona Emília, fizeram com que o bocejo forçasse o quartilho certo de sono a deitar-se.

MONA3.jpg Assim foi e, já estirado na cama gulosa pude ouvir o tilintar de talheres e copos. Ontem, dia de Natal foi dia de comer e beber à fartazana, ficar de boca cheia com beiços envernizados de molhos gordos. Não tive pança para tocar nos bolos, nas tortas e tarte mais o pudim. Não há mesmo como viver um dia de cada vez, assim cada um senhor e dono do que é seu!

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Apreciar os pés sem meias, metidos nuns chinelos polidos do uso e respirando as falas de manjericão, as graças de brasileiros perfiladas num gancho de espetadas com cheiros de baunilha e outras plantas aromáticas – Eu quero que você me dê um feitiço para prender meu homem! Foi o que consegui ouvir das conversas do lado em plena praia. Estava na hora certa de regressar.

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Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:43
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Sábado, 24 de Dezembro de 2016
XICULULU . XCII

NA CINZA DOS TEMPOS - 24.12.2016 ... Eis que chega Bocage desfazendo-se em obséquios de exagerada franqueza…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

Na mira de ter um assunto para escrever lembrei-me do moscatel de Setúbal em um tempo em que eu era o Visconde de Palmela, um homem muito cheio de solicitudes hereditárias; um janota muito vestido de sedas e que sempre me dispunha a respirar cheiros agradáveis com essências refinadas. Refinadices de gente da corte e também vinagres aromáticos para apagar vestígios de bocejos cansados dum resto de domingo, cheiro de velas e rezas defronte do oratório de Nossa Senhora das Dores ao sol-posto.

bocage0.jpg Naquele dia tinha convocado Bocage para comer trouxas-de-ovos vindos da Malveira. Inicialmente era para ter sido no café Nicola mas um contratempo de véspera com José Maria Barbosa du Bocage originou mudança para a tasca refinada do Mata-Sete, um tipo que se diz ter sido o carrasco do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes do Brasil. Veio para aqui após dar morte deste em abril de 1792.

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Eu, Visconde de Palmela, fiquei num recanto da tasca aonde os rumores eram quentes e garridos a condizer com as peças de cozinha caprichosamente enfeitadas com resmas de alho e cabaças deformadas em anormalidades bizarras. Sobre um barril, um gordo escanchado na forma de boneco saloio, nariz batatudamente avermelhado fazia um manguito bem explícito:“ queres fiado,… toma!”.

bocage2.jpg Eis que chega Bocage desfazendo-se em obséquios de exagerada franqueza como a de quem não olha a gastos nas gentilezas, acompanhado de uma mulher morena, notoriamente de olhos embevecidos nele, um acompanhante de ternos sonhos de pandega boémia. Bocage era um vendedor de palavras distintas para os nobres, satíricas para os ricos, subterfugidas ao clero e de partir a mola aos proletários.

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Não era vulgar aparecer assim em companhia de uma donzela feita naquele tipo de sol crepúsculoso a fazer ferver o sangue dos homens, metendo-se-lhes no corpo como luxurias de bode. Embora tivéssemos combinado o encontro, ele e ela que desconheço foram direitos ao homem que no limiar das pedras graníticas dedilhava gemidos em uma guitarra, sons de fado. A morena por ali ficou ao lado do guitarrista a quem cumprimentou denotando-se alguma intimidade. Recolheu de sua mala um xaile preto rendado, acomodando-se em seguida no ofuscado recanto.

bocage4.jpg Tudo indicava ser a fadista de serviço naquela terça-feira e na tasca do Mata-sete. Outra coisa não deveria ser, porque Bocage não sopraria fora a cinza da fornalha de seu ferro de engomar.  Ele o vendedor de palavras versejadas, chegou à minha mesa, cumprimentou-me com as mesuras costumeiras, mas lamuriando-se estar neste então entregue à protecção de nossa Senhora do Ó. Até então, desconhecia esta senhora, juro!

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Foi quando me contou a cena do dia anterior, e que originou esta mudança, lugar de encontro. Sabes lá! A cena passou-se ao sair ontem do café. Um ladrão aproximou-se de mim com uma pistola em punho para me roubar. O que é que eu ia fazer! Disse-lhe assim: - Sou o poeta Bocage, venho do café Nicola e irei para o outro mundo se disparas a pistola. Ainda ficou pensativo e tive de mostrar os forros dos meus bolsos para se inteirar da verdade. Isto só mesmo comigo!

bocage3.jpg Após ver os forros dos bolsos sem cheta foi-se! Neste entretanto fizeram-se ouvir os primeiros acordes do fado “as pedras da calçada”, um choradinho na bonita voz que dispunha um qualquer a suster o jarro de lata do tintol de Palmela! E cheirava a fritos, crepitavam mini labaredas gretando o chouriço; ao lado demolhavam broa em pingo de febra de porco, as luzes davam vida a almas desconhecidas na fé da vida m voos nocturnos.

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Era ela a Alzira, prima em segundo grau do matador de alferes cantando as falas de Bocage; iluminada por três fingidos lampiões, seu xaile relampejava nos pingarelhos de madrepérola. Bocage embevecido com sua alegria fez um gesto para que eu, o Visconde de Palmela ficasse quieto e calado. O Mundo é grande!  Para um pé doente, há sempre um chinelo velho!

bocage5.jpg Sem assunto para conversa! Caluda que se canta o fado! Levantei meu copo de moscatel de Setúbal bebendo-o de uma só vez sem demais solicitudes. Um néctar da minha lavra, salvo seja. Soube que dias depois, Bocage foi admitido na Escola da Marinha Real aonde fez estudos regulares para guarda-marinha. No final do curso desertou, mas, ainda assim, a meu pedido surge nomeado guarda-marinha por D. Maria I.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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