Domingo, 5 de Abril de 2020
MOAMBA . XXXVI

O VIRUS EUGENICO CHEGOU - Abrindo gavetas ou pedaços de morte com choros secretos…

EVENT 201 - O ÓPIO DE MANHATTAN . Crónica 3013 

AS “ONG’S” E A HIGIENE RACIAL - 05.04.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange . Confinado de quarentena no Nordeste brasileiro

Hoje, 22º dia de Distanciamento Social “Confinamento”, há algo muito estranho – a loiça cheira-me a duche LUX…

avillez00.jpg NewYork - Por detrás da estátua da liberdade e muitos arranha-céus, uns reluzentes, outros empinados como charutos quadrados, dão guarida aos gurus económicos de todo o mundo. Ali, os engenheiros financeiros e sociais, dão volta ao cérebro criando métodos de conquista, lá aonde for necessário. Reúnem-se para falar da população no mundo que é “já demasiada e improdutiva, demasiado velha”. Os herdeiros da antiga Companhia das índias Ocidentais e seus piratas, projectando domínios novos através das Organizações Não Governamentais (ONG´S), na falácia de velhos impulsos apelam à intelectualidade, a preservação da Natureza e num necessário controlo da vida. É a nova ordem!

corona10.png Criam bancos que fomentam a expansão subsidiada a troco de zelar as espécies, as etnias gentílicas, o solo, e paulatinamente, fabricam lideres, organizam manifestações e revoltas, criando instabilidade nos povos testando aqui e além bichos de destruição maciça. Tudo começou lá para trás no tempo, quando os Britânicos, precursores da ´”ONGS”, ainda não as designavam assim. No final do século XVIII, criaram a “ASI”, (Anti-Slavery Internacional); actuava como uma “ONG” supostamente dedicada no combate à escravidão, o meio ambiente, direitos humanos anti esclavagistas e dos indígenas.

Fomentam o “MST”, (Movimento dos povos Trabalhadores rurais, Sem Terra) no Brasil de hoje, surgindo com o apoio de base filosófica dessa que foi a verdadeira primeira “ONG”. Temos de controlar a vida na terra; devem repetir isto vezes sem conta até que se encontre uma solução mais aceitável em que acreditem. Na Grã-Bretanha surgiu a seguir, a “Sociedade Geográfica das Nações” que, com o fim de catalogar o mundo desconhecido e mapear esses novos territórios, contornou verdades roubando aos outros a vontade de querer; e, o mundo cede lentamente!

amolador3.jpg Isto já vem detrás. Em 1885 num tal acordo de Berlim, a Bélgica que nada tinha feito em África coube-lhe o vasto território do Zaire tendo às pressas enviado o explorador Stanley para lhes dar uma restea de posse. A França, pouco antes daquela divisão de África mandou a propósito e, quase nos finais do século XIX o explorador Braza; só por isso foi-lhe oferecido o território da agora República Popular do Congo com capital em Brazaville em homenagem àquele explorador. Isto de quererem dominar o mundo já é muito antigo.

Um grande território como o Brasil (já independente), em África, era imperioso que não se tornasse uma realidade. As imergentes potências Europeias assim determinaram e, assim foi! Os Ingleses a partir da Cidade do Cabo dão luta feroz aos Bóhers (Holandeses) levados a colonizar o cabo por via da Companhia das Índias Orientais; dão-lhe tal perseguições que os levam quase à extinção. O último refúgio de mulheres e crianças Bóhers foi nas galerias subterrâneas da mina de Kimberley, mina esta de onde saiu o maior diamante, agora pertencente à casa de Windsor.

Estamos a chegar ao busílis da questão! Nada se faz de um dia para o outro. Já neste então estava em curso a filosofia de higienização racial e aproveitamento das riquezas do solo, apanágio das “ONG`S” seguidoras da tal “ASI”, atrás referida. A instrumentalização da política ambiental tem, em Cecil Rhodes e Kruger os engenheiros operacionais da transformação da África do Sul.

bruno27.jpg Seguindo os métodos de eugenia e controlo populacional, após a criação da Sociedade de Geografia em Grã-Bretanha, criaram-se Concelhos de Conservação e Sociedades Etnológicas e Etnográficas, Institutos e Fundações promovendo sempre o ideário Anglo-Saxónico do superior domínio; esta filosofia de expansão inteligente dos recursos humanos e naturais, iniciou-se tendo o reverendo Thomas Malthus como seu percursor, seguindo-se-lhe Alfred Milner, um Lord Inglês. O problema é: como vamos fazer para dar uma nova ordem na Terra. Veio o Clube de Roma, a fundação Rockfeller e o Fundo Mundial para a Natureza e Vida Selvagem, a fundação Ford e tantas outras, seguindo as regras mestras Malthusianas, tendo sempre por detrás o comando expansionista de Manhattan em New York, sempre com hegemonia Saxónica do povo da Commonwealth. Estão a acompanhar?

Outubro de 2019, Event 201. Membros do Governo Americano, altos dirigentes, oficiais da saúde, Director do Centro Chinês de Doenças controladas. O Evento 201 foi patrocinado por Fundação Bill & Melinda Gates, Fórum Económico Mundial (WEF), CIA, Bloomberg, Fundação John Hopkins e ONU. Os Jogos Militares Mundiais começaram em Wuhan, no mesmo dia.Todos teriam em mente: - “Como eliminar 65 milhões de gente e, de forma suavemente reptícia”!? Aparentemente estudavam algo: como e aonde!? Teria de se numa forma selectiva, como mais uma nova estirpe da influenza que paralisasse o Mundo. Isto é ficção, estou só sonhando, não façam caso destas loucas hipóteses…Algo fugiu do controlo, dizem agora…Ninguém se quis aperceber!

É sabido que um Lorde, membro da Câmara Inglesa, com estatuto de Secretário das Relações Exteriores, sob o disfarce de ajuda em casos de fome, traficou armas; outro, com o mesmo estatuto, encabeçando a Amnistia Internacional, tinha uma rede de apoio e propaganda pró terrorista e, um outro, ministro de Desenvolvimento Internacional (Gabinete Colonial), manuseava doações do governo Britânico a milhares de “ONG´S desde o Bangladesh ao Siri Lanka na Ásia, e Kénia, em África. Os homens não são de fiar…

poção2.jpg Na Europa é criado o “Club 1001” com bancos e corporações aderindo com uma taxa de 10.000 dólares, enquanto, nas Nações Unidas, criam o “PNUIA”, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento; esta corporação de financiadores é a “tropa de choque” ao movimento das “ONG´S”, a que se segue a UNESCO, a OCDE e, O Clube dos Nove (nações ricas do Jet-Set global). É criado o Banco para o desenvolvimento sustentável, o “FMI”, o “BID”, (Banco Inter-americano de Desenvolvimento) e o “HSBS”, Hong Kong and Shangai Banking Corporation, num apelo constante à consciência Negra, depois a Consciência Índia e, recentemente, uma constante batalha nos órgãos de informação na criação de Reservas Índias da Amazónia.

Andam por lá “ONG´S” de todo o mundo, revirando terras e gente, com o sofisma de ajudarem os Ianomanis e sabe-se lá que mais quantas tribos, a criarem um espaço só seu. Com o pretexto de defender os “direitos humanos”, proteger o “meio ambiente” e “ajuda humanitária”, muitas “ONG´S”, constituem instrumentos políticos para subverter estados e fomentar atritos com golpes democráticos de revolução. O escambau! Não façam caso, isto é só ficção!

Os agentes da Wall Street, com novas bases filosóficas de defesa de “livre comércio”, promovem conferências forjando alianças com a América Ibérica e a África de língua lusa, escondendo-se sempre numa “agenda ambiental” que não reconhece fronteiras; surge a deterioração do ozónio estratosférico, criam sanções pelo Protocolo de Kyoto defendendo-o sem ratificá-lo no seu País e, nascem fundações por todo o mundo, com dinheiros de Manhattan. Num repente, tenho de sair da minha terra; dão-me um bilhete sem volta e toma lá 5000 escudos – desenrasca-te T´Chingange (Eu…) A coisa descontrolou – Terá sido aquele Chinês; isso! Aquele do cento de doenças controladas que roubou a fórmula lá no EVENT 201 e num depois, aconteceu! É que esses gajos gostam muito de copiar! Isto só é uma ilação minha – não façam juízo de valor…Pensar, é muito perigoso…

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:31
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Domingo, 29 de Março de 2020
MOKANDA DO BRASIL . XII

ANDO ENKAFIFADO – 29.03.2020

“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”.

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro - No confinamento social

Com adendas de Jorge Serrão

palops01.jpg  A lembrança da vida da gente se guarda em baús da memória com trechos diversificados, cada um com seu signo e sentimento que nem sempre, uns e outros, se misturam. Por isso contar seguido num rumo alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância num vivimento que eu tive de real, de forte alegria ou grande pesar. Cadavez daquele hoje, noto que eu era como se fosse diferente  pessoa e, no continuar do vivimento senti e sinto até crescer minhas unhas, minha pestanas, minhas rugas. Tudo assim como num jogo de velho baralho, verte e reverte na vida que me desperta sem esperar troco.

palops1.jpg Lá fora o espaço está tão calado na rua da guerra que até se sente o demónio num sussurro de meia-noite, com as horas revogando-se do mesmo jeito, redemoinhando o ar cheirando minha catinga de como se fosse um olongo ou kudu, empoçado para se caçado! Uau! Não me perguntem nada porque a nada sei responder no troco da minha boleia dum deo-gratias! Estou contando assim porque é meu jeito de falar; no meio do redemunho…

O coronavírus trouxe algo muito mais tenebroso para a vida das pessoas (a imprensa parece morbidamente torcer para aumentar). O suposto combate à doença abriu espaço para que em todo o mundo, promovessem abusos de poder contra a democracia ou a liberdade individual. Além do trauma pelas vidas perdidas, esta será a grande sequela da crise pós-COVID-19. Ela, a crise é complexa, feia e assustadora. Não há soluções prontas, padronizadas, para situações tão diferentes em cada nação do planeta Terra.

palops2.jpg O mais espantoso, em vários países, é o aumento da “Estadodependência”. As imposições colectivistas – essência dos sistemas socialistas e regimes autoritários - ganham forçam sobre o legítimo poder e a liberdade do indivíduo. Perdemos, não se sabe por quanto tempo ou se para sempre a simples capacidade de apertar mão, abraçar e beijar as pessoas. O isolamento social foi a principal arma adoptada, padronizada na maioria dos países.

Alguns lugares pegaram mais pesado e adoptaram o “lockdown”. Acontece que a essência humana não suporta viver isolada por tanto tempo. Além disso, as condições de subdesenvolvimento em alguns países, com miséria, pobreza, falta de educação e ausência de hábitos de higiene, agravam o risco do cidadão. Só que o coronavírus é tão cruel que atingiu, em cheio, o rico primeiro mundo. Devemos encarar mais uma semana com cidades paradas por causa do “inimigo invisível”.

A maioria das pessoas já não tolera mais ficar em regime de confinamento domiciliar ou isolamento obsequioso. Para além do mais, algumas famílias, vivem o dilema da sobrevivência. Quem consegue suportar a virose também precisa ganhar dinheiro. Profissionais liberais e prestadores de serviços serão obrigados a fazer milagres. Sorte de quem pode encarar o homem-office. E, quem está no desemprego ou impedido de trabalhar? São muitas perguntas sem resposta plausível!

palops3.png  “Em algum momento alguém tem de tomar uma decisão e dizer: é por aqui, e vamos executar”. Normalmente, em situação de crise, existe um padrão de gestão que define claramente responsabilidades, o desenho de uma estratégia, planeamento com execução com acções, monitoramento dos eventos e, comunicação com a nação. “Isso precisa ocorrer urgentemente” aqui aonde me encontro – Brasil ou, um qualquer outro país de nossas afinidades culturais. Será necessária uma urgente reinvenção das pessoas, dos processos produtivos, legislativos, políticos e económicos. O mundo terá de rever a postura diante dos idosos e doentes crónicos (alvos preferenciais do coronavírus). Tragédia como esta não tem explicação em tempos de suposta paz. Imagine-se então um caos destes em uma guerra? O coronavírus deixou a elite globalista bestificada. E, forçosamente necessitam manter o optimismo agindo com realismo!

Aqui, Brasil, o Congresso Nacional está acuado em meio a esta crise. É o momento da sociedade organizada em entidades e movimentos aumentar a pressão pelas reformas administrativas, tributárias e a própria política. Lembremos de Winston Churchill: “Um optimista vê uma oportunidade em cada calamidade. Um pessimista vê uma calamidade em cada oportunidade”. Aproveitemos a oportunidade a favor das mudanças estruturais, seja no Brasil, seja em Portugal ou Angola ou qualquer outro país  dos PALOPS, dos CPLP…

araujo1.jpg Haja em cada um destes países, sabedoria, força psicológica, inteligência, coragem, paciência e tolerância... Intuição? A quarentena irá mais longe do que parece... Março que termina, Abril e Maio que serão difíceis. Aqui, vem o Outono, com pouca chuva, humidade relativa do ar baixa, muita alergia, junto com influenza, dengue e afins e, claro, coronavírus.

Lá terei de me ir vacinar contra todas essas pragas para me prorrogar num se Deus o quiser - deo-gratias! Que os infectados, quase todos – possam sobreviver... Mais uma previsão, quase certa? Os Estados-“Ladrões”, todos sem excepção (brasileiro, português, angolano, guineense, moçambicano entre os demais) não irão socorrer todos... Esqueça! Então, quem não for agarrado pelo chinavírus corre risco de ter a vida ameaçada pelo caos económico. É difícil decidir. Venho por este meio requerer..."deo gratias"…

O Sob T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:27
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Sexta-feira, 20 de Março de 2020
MUJIMBO . CXV

MEDITAÇÕES DO T'CHING... Crónica nº 3007

Dia do PAI - Um nisquinho de vida num amorfo, fósforo...19.03.2020

O nascimento, é um perfume finíssimo mas, o da morte é um talvez de cheiro, mistura da arruda com xá caxinde...

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soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro (de quarentena)

favela1.jpg Aqui, no Brasil, na TV, só falam em usar o gel e lavar as mãos várias vezes ao dia. E, como é isso possível se a maior parte do bairro encavalitado no morro, comunidades de ruas em que só passam duas pessoas, que nem água tem! E, o gel que também é caro!

No “espaço da família” recente, na maternidade, reuniam-se alguns avôs, titios e titias, um ou outro priminho ou irmãozinho e alguns amigos. Laptops e celulares estão a postos, pois a instituição do bem-querer disponibiliza a transmissão em tempo real daquele momento glorioso: o do nascimento!

favelas9.jpg No instante em que o bebé chora pela primeira vez, viverá o ritual na passagem das mãos do médico para o colo da mãe, do pai e da enfermeira. Hoje dia do PAI, não pode ser assim; o chinavírus não permite isto!

Nestes dias, neste agora, nesta realidade, tudo tem de mudar até um vindouro dia destes, dominados num entretanto de incerteza. Até já ando com palitos nos bolsos para tocar nos botões do elevador porque o gel, ou não há, ou ficou super caro! Depois, queimo o suposto maldito na ponta vermelha! O amorfo, fosforo...

favela2.jpg Estamos numa protecção de transmissão imperfeita e, isto de usar amorfos para contornar o invisível capeta, o chifrudo, não é de uma tecnologia perfeita mas, em verdade, é de ponta!

Isto não estava nos cálculos de ninguém nem tão pouco nos de Costa com Mário Centeno e seu superavit do M Puto, nos de Trump, de Bolsonaro ou do João Lourenço. O Mundo é agora uma ervilha sem curas transgénicas. Quando todos perceberam esta nova realidade já tudo acontecia...e todos, pouco puderam adiantar - Uma grande frustração!

favelas8.jpg Favela - África do Sul

Deste modo, a vibração e a alegria tão intensa dum nascimento, ficam incontidas perante as novas realidades, tornando-nos incontornáveis nos esforços de preservar a vida por mais tempo; de só mais um nisquinho!

Ao nascermos, não tínhamos ideia dos erros e acertos, desafios e conquistas que experimentaríamos nesta vida. Ainda nem eramos gente, note-se! Contudo, ao trilharmos o caminho da maturidade, eles, os erros, apareceram... E, foram muitos!

favela3.jpg E, aí tivemos que fazer escolhas, tomar decisões cuja influência perdurou depois de atravessarmos o oceano da existência para chegarmos à praia do descanso. Muitos passam pela vida e deixam um rastro luminoso de influência positiva; outros nem tanto.

No entanto, há aqueles que tendo sido normalmente celebrados no nascimento, passada a natural comoção do seu desaparecimento, as lembranças de uma vida pontilhada de más escolhas, retornam ao lugar em que sempre estiveram - todos somos uma imagem…

favela4.jpg No mais certo, pessoas, não discursarão em nosso funeral, um qualquer, pois que é perigoso; porém o mais eloquente discurso será feito por nós mesmos, paradoxalmente, no silêncio de nosso sono...

O tema deste discurso será a lembrança que as pessoas alimentam na mente delas sobre o que revelamos em nosso modo de viver. Uns dirão para terem uma Feliz quinta-feira na presença de Deus outras estarão com o capeta chifrudo... NÓS, EM DADO MOMENTO, SOMOS FÓSFOROS...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:03
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Domingo, 15 de Março de 2020
MISSOSSO . XLIV
EU E O FALA KALADO – PETROLINA . PE
NA ILHA DA FANTASIA 11ª de Várias Partes15.03.2020
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soba002.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)

FK04.jpg Como já foi dito, tive um encontro com Fala Kalado no meio de um grande vinhedo no território da Baía e, não muito longe de Juazeiro do São Francisco. Comi a melhor muqueca de que me lembre e do que perguntei, fiquei a saber que para além de peixe do rio Velho Chico chamado de surubi, tinha pitu, um camarão também do rio, delicioso. O molho era feito de óleo de dendém e admirei-me de em nosso repasto íntimo de recolhido, bebermos uma cerveja caseira ao invés de bebermos o vinho da casa Miolo de tão boa qualidade.

Não estava aqui para fazer muitas perguntas mas e em função dos meus reticentes muxoxos, F K foi dizendo que também está experimentando lançar esta cerveja na região. Não se admirem de eu manter reticentes silêncios com o agora General Emérito FK porque ele, tem o condão de só por si, descobrir nossas interrogações muito orvalhadas de recatado medo. Se bem se lembram, lá na Ilha de Carlitos situada no meio da Lagoa Mundaú, não longe do mar, fomos atendidos por um garçon muito finório, usando terno e laçarote chamado de Patrinichi, esse tal empregado de origem kosovar.

FK01.jpg Pois desta feita reparei que esta figura passava por ali na azáfama de provas e, atenção de mesuras distantes com o General - deu-me um Ói simplesmente; num instante tirei ilações: de certeza que seria este o feitor desta cerveja deliciosa – eles, Kosovares, lá na sua procedência, no seu país, têm fama de fazer estas bebidas em qualidade superior; em verdade relacionei o nome da cerveja com seu nome, pois a garrafa castanha tinha um rótulo com essa mesma graça - Bento Patrinichi. Tenho de fazer estas triagens e deduzir sem levantar poeiras. FK nem sempre diz o que pensa e nem sempre diz o que sabe usando labirintos de segredos com incógnitas, como um nato sofista. Isso chateia-me sobremaneira e, ele sabendo, pior faz; estando com ele, estou permanentemente em pulgas… Falar com um vivo que já foi morto, não é pera doce!

Fala Calado, o General que antes só o era Coronel, falou de coisas passadas misturando o quotidiano com assunto dos vinhos aqui no Vale de São Francisco, daqueles tempos de N´Gola e assim como quis, lá foi dizendo que essa sua vida antiga só pode ser falada comigo relembrando sua frase: o antigamente, agora só serve para manter meus labirintos do cerebelo suficientemente activos e, tu (eu) que és um bom interlocutor tens de suportar estas longas conversas. Para além dos vinhos falou dum empreendimento de viveiro de peixes, de rãs, de borboletas, de carcarás, de caracóis e até de crocodilos…

FK18.jpg Numa primeira curiosidade o vinho sobrepunha-se ao resto do que já me tinha sido dito, e foi neste capítulo que me deu algumas pistas tendo a ajuda de Rogério Rocha Pereira, um empresário de sucesso do Rio Velho Chico. Do que ouvi de Rogério, fiquei encantado porque em seus inícios usaram as barcas Santa Maria, Pinta e Nina, nas suas actividades fluviais; como é sabido foram os três nomes que Cristóvão Colombo usou em suas naus na primeira volta ao Mundo. No final de 2017, Rogério inaugurou o mais novo desafio: a Barca Vapor do São Francisco - barco que me levou à tal ilha da Fantasia com o Comandante Bartolomeu com quem dialoguei marinhagem…

Quanto aos vinhos: Recordou-se a Escola do Vinho, um projecto do Grupo Miolo que há mais de 15 anos difunde o hábito e o prazer da degustação de vinhos e espumantes, através de cursos de degustação e programas especiais. O meu “curso” foi rápido e eficiente tendo como mestre o Enólogo Tiago com quem troquei palavras de muito apreço. O projecto nasceu no intuito de promover o consumo e a cultura dos vinhos… A Escola do Vinho está localizada na Vinícola Miolo, em Bento Gonçalves/RS. Aqui em Juazeiro pude apreciar a impecável estrutura na oportunidade de desfrutar da deslumbrante paisagem do Vale dos Vinhedos, enquanto se aprendeu de forma sucinta os mistérios da elaboração e da degustação desta bebida milenar.

FK23.jpg Neste mini curso de manejamento de vinhos e conhecimento de castas, após a visitação completa, o grupo de Rogério da Barca do Vinho foi conduzido a uma sala de degustação moderna e climatizada para descobrir as regiões brasileiras produtoras de vinho e suas particularidades. Sendo assim minha harmonização enogastronômica subiu a outro patamar de conhecimento, entre outros assuntos próprios da azáfama e cultura de vinhos com a supervisão do enólogo da família, Adriano Miolo.

Em verdade estava longe de reconhecer este lugar do Sertão de Juazeiro com características especiais para terem dez castas de vinho (as principais e a laborar…). Dito isto e já bem lançados na beberagem, eu e Fala Kalado ficamos sós, mocambos e kilombolas ambaquences fazendo suas tarefas à distância dum tiro ou talvez até uma azagaia, tendo a supervisão de Bento Patrimichi o fazedor da cerveja tipo kosovo. Era o momento de perguntar: - Afinal FK, chamaste-me aqui para quê? Não foi só para ver isto!

FK28.jpg Em resposta FK disse: - Não! Tenho para ti uma tarefa especial. Necessito de alguém que superintenda as novas frentes de guerra: Gerir a produção de crocodilos, rãs, borboletas e caracóis! Ele sempre fala como estivesse numa frente de guerra, numa batalha e, até nem estranhei – já estava habituado. E, porquê eu, um kota ressequido pelo sol? Porque tu és um Mwangolé preto e, gente tal que só o somos dum espírito único! Mas, eu não ou preto…, Nem tu? Sim! O nosso pensamento sempre anda por lá e, queiramos ou não agora seremos pretos de coração zebra! Falou, tá falado…

A isto nada podia reclamar – notei sua orelha biónica tremer e disse cá para mim que o melhor era ouvir as falas e gerir meu silêncio de forma silenciosamente muda, mesmo! E, continuou: Tu, tal como eu és um Kwacha, já tiveste patente equiparada de Major quando foste Secretário das Relações Públicas depois de o teres sido também Secretário de Informação e Propaganda e até seres companheiro do Adalberto Júnior lá no M´Puto como Coordenador, edecetraetal – sei de teus atributos e estou agora como amigo a requerer tua intervenção.

vinhos9.jpg Dizer não, nem pensar! Pois ele estava todo compenetrado em suas crenças e dissesse eu e agora algo de negativo cairia o Carmo e a Trindade! Falei: - Agradeço tua amabilidade mas, tenho de pensar até te dar a resposta de sim em definitivo. As palavras para FK teriam de ser medidas ao milímetro porque, qualquer desvio meu, poderia provocar uma revolução e eu, estava longe de abrir qualquer frente de combate; era sabedor desta psicose de levar a água ao moinho tornando-a suave o quanto baste no tempo. Iremos ver!

Tem mais, disse ele! Aqui ficas com a patente de Tenente-Coronel! Sei o quanto nós ainda não fomos reconhecidos lá na nossa terra mas, também já pouco importa porque aqueles mwangolés, têm muito com que se entreter; dava para entender o quanto ele estava a par da situação de falência económica e moral de N´Gola com governantes formados na ladroagem… Águas passadas - repetiu isto, umas três vezes dando comigo a acenar que sim só com a cabeça (triste…). Não demores a pensar, arranja essa equipa de gente, as kiandas de quem tanto falas, o teu amigo Januário Pieter e quem tu aches capacitado de tocar o negócio… Pois! Tudo ficou por aqui com abertura a outros campos de vida e, que agora, nem dá aqui espaço para se falar do negócio de Guarulhos, da Welwitschia Mirabilis e seus escaravelhos do qual continuo em cacimbo de nevoeiro de fumaça…
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:27
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Sexta-feira, 13 de Março de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLI

 

A mente humana é demasiado periclitante…

- Melhor mesmo, é ser governado por um POLVO13.03.2020

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange - (Otchingandji) No Nordeste brasileiro

polvo1.jpg A mente humana é muito periclitante por via de sua permanente presença nas coisas que vê e analisa; assim pensando do nada, lembrei-me na muita inteligência que o polvo tem e o quanto nós temos de aprender com eles, no entanto comemo-los. A notícia, divulgada em Abril de 2016, de que um polvo conseguiu escapar do Aquário Nacional da Nova Zelândia surpreendeu muita gente mas, só veio a confirmar o que muitos cientistas já suspeitavam: que essa espécie é uma das mais inteligentes do planeta. Inky, o polvo evadido, aproveitou ter a tampa de seu tanque entreaberta e, durante a noite, conseguiu sair, atravessou uma sala até encontrar um ralo aberto e espremeu-se nele por um cano de 50 metros de extensão até chegar a mar aberto.

Não obstante, nós aprisionamo-lo, cortamo-lo em pedaços pequenos para serem comidos como tapas num tira gosto ou refeição num qualquer lar ou restaurante! E, será uma aberração quase fenómeno se um homem for comido por um polvo, embora na natureza isto se possa considerar normal segundo uma cadeia alimentar formatada em lista e segundo a lógica; não a que os homens estabeleceram como sendo a comum no estágio civilizacional; a que os paradigmas humanos estabelecem.

sardinha2.jpg É assim que formatando-me nesta lógica no meu cerebelo com fumegantes ideias, me pergunto e interrogo do porquê um homem não pode comer outro homem no sentido lato e vernáculo da palavra. Os índios Caetês comeram o primeiro bispo do Brasil em Julho do ano de 1556 e, no churrasco com cerca de mais 80 homens acharam sua carne gostosa! Eu sei! Vocês não querem acreditar mas, ainda hoje a Santa Sé, cobra taxa de laudémio na região aonde o bispo Sardinha foi devorado - antiga capitânia de Pernambuco – Coruripe; na foz do rio São Francisco. Isto pode ser confirmado na Folha de S. Paulo (Consultado em 6 de Junho de 2018).

Até que era no prelado dos portugueses um sacerdote consagrado a Deus, mas o certo é o de que foi abatido e devorado como uma outra qualquer sardinha ou maça, junto de seus companheiros e tripulantes por via de um naufrágio. E, afinal o mundo não parou! Dom Pero Fernandes Sardinha foi sucedido na Sé Primacial do Brasil por Dom Pedro Leitão (1519-1573). E, só em 1928, Oswald de Andrade se utilizou do episódio para datar o Manifesto Antropofágico. Estas curiosidades levam-nos a rever os muitos comportamentos já observados nos polvos e dizer sem duvida que são muito mais espertos do que pensamos.

coroa de frade.jpg Por exemplo, observou-se que um polvo-comum (Octopus vulgaris) caça caranguejos levando-os para sua toca afim de os comer. Antes da refeição, no entanto, o animal catou algumas pedras para criar uma espécie de barreira e impedir que as presas fugissem. Estes e outros exemplos mostram que o polvo tem a capacidade de fazer previsões e de sequenciar acções. Em 2009, Julian Finn e seus colegas do Museu Victoria, em Melbourne, na Austrália, conseguiram demonstrar que polvos sabem usar objectos como ferramentas.

Um grupo de polvos-venosos (Amphioctopus marginatus) desenterra cascas de coco jogadas no mar e, em seguida, limpa-as com jactos de água; empilham cuidadosamente as cascas e carregavam-nas por até 20 metros para as usar para montar um abrigo. Finn chamou a atenção para o facto de essa movimentação deixar o animal mais vulnerável a predadores, por ser mais lenta e dispendiosa. "Isso mostra que o polvo está disposto a aceitar riscos em troca de protecção para o seu futuro". Não é deslumbrante!?

DIA107.jpg Pois! Isto é um mito de horrível e deslumbrante! Mas os Romanos que nos serviram de padrão em nossa civilização, que nos legaram as leis de justiça entre outras regras que perduram nos dias de hoje, faziam grandes festas no Coliseu para verem não só os escravos gladiadores lutarem até à morte, como e em seguida faziam subir em elevadores os leões, para correr atrás de grupos de cristãos, seguidores de Cristo; tudo isto para gaudio de toda aquela assistência bêbada de êxtase que aplaudiam essa tamanha atrocidade, gente igual a nós.

Quanto ao polvo, em um estudo subsequente, encontraram indícios de que transmite traços de sua personalidade à cria. "Essas variações de personalidade permitem que o animal aprenda e se adapte rapidamente". Também são muito bons em resolver problemas, pois têm diversas estratégias para atingir o mesmo objectivo, e utilizam primeiro a que for mais fácil, diz o pesquisador Mather. As diferenças entre o polvo e o homem são ainda mais fascinantes do que as semelhanças. Mais da metade dos 500 milhões de neurónios do animal concentram-se em seus tentáculos. Isso significa que cada um deles pode agir sozinho ou em coordenação com os demais. Nós não temos cérebro nos pés, eles sim! E, enquanto o cérebro humano é visto como um controlador central, a inteligência do polvo pode estar distribuída em uma rede de neurónios, um pouco como a internet. Isto nos obrigar a enxergar a essência da inteligência de uma maneira totalmente nova. Não mais comerei POLVO.

pedras00.jpg Quanto ao Coliseu dos Romano vemos Leões a descarnar literalmente, braços e penas de gente como nós, mulheres, homens e crianças e, aquilo era aplaudindo de pé. Não! Não acredito nos homens nem em suas leis! Hoje há novos Neros! Hoje há novos Hitleres. Eles andam por ai disfarçados de cinco estrelas mas são merda cursada em universidades, pagos por nós e que engravatados/as, falam bonito. O mundo tem de reagir a esta onda de gangues que se dizem partidos e que nos governam. E, governam porque nós os pusemos lá! Dá raiva, muita raiva e, creio que para isto só a pena de morte para os prevaricadores, poderá de novo dar tranquilidade aos de boa índole…

Acabe-se com esta hipocrisia de escalonarem o crime em função dos emolumentos que pagam a advogados urubus da sociedade, que fazem soltar criminosos reincidentes sabendo que o são! Que protegem ladrões para tirarem dividendos do saque. Daí a dizer e repetir que a vida está cada vez mais, mais perigosa. Eliminem todos os sofismas porque tão ruim é o que rouba ou mata como o que lhe dá cobertura de protecção! Sim, somos todos culpados porque tão ruim é quem faz como quem consente! Não podemos desculparmo-nos permanentemente como se andássemos a ser reconstruidos em cada dia que passa. Por tudo o dito, prefiro reger-me pelos dez mandamentos – são muito mais credíveis.

coliseu1.jpg Posso imaginar o que diriam os comentadores da treta da televisão do M´Puto de hoje, num tempo de lá para trás, no assistir àquelas ditas mortes no Coliseu de Roma! Uma diversão macabra, a de então e a de agora, mais sofisticada… E, ainda por ressalva, comentadores que não servem de exemplo a ninguém porque eles mesmos são prevaricadores e, a gente sabe. Senhores do mando, tenham juízo, cuidado como nos usam, deixem-se de artimanhas e falácias. Casos!? Todos sabem, muitos calam, outos dizem: isso não é comigo. Um edecéteras e tal, que nos faz moerem a paciência. Arranjem um vírus para esta gente mafiosa até o cocuruto. Chega! Esta merda tem mesmo de mudar! Se o que vejo é democracia, vou ali a Peniche e já volto…

O Soba T´Chingange            



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:59
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Sábado, 22 de Fevereiro de 2020
MALAMBAS . CCXLIV

Os filósofos, necessitam tanto da morte como das religiões porque, filosofar é aprender a morrer entorpecido… - 20.02.2020

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

arau154.jpg Nesta data especial composta de quatro dois e quatro zeros, tinha de acontecer o inesperado e, sucedeu que meu celular telemóvel no exacto momento de sair para a praia, tiniu e retiniu murcho de som. Pela quarta vez, atendi: Alô! Do outro lado ouvi uns esquisitos guinchos metálicos como de quem corta o vento Suão com uma moto-serra já com os dentes cariados seguindo-se-lhe de uma voz cavernosamente distante, também ligeiramente metálica como chapa que vibra.

Daqui é o Fala Kalado! Fez-se um silêncio… Silêncio meu engolido em dois assombros encavalitados feitos ondas-curtas a estrebuchar atritos com soluços estriados em ondas moduladas. Não estava a contar, pópilas, pensei, é ele o matumbola do general. Oi, sim! Sim! Até quenfim, me dás alvissaras! Disse isto encafifado em soletrar quais os kitucos de mistério que terá usado para descobrir meu número de celular. 

FK2.jpg Resposta do outro lado da linha: - Nada é impossível para um morto-vivo meu kamba! Álem do mais, tenho meus afilhados que me vão dando novas até do que ainda está para acontecer. Aí é! Respondi na forma intercalada entre o respeito, o assombro e até do medo. Quem tem cu tem cagufa noé!? Trata-se dum General Emérito um permanente guerrilheiro que nem consta das fichas por o ser, tão clandestino o é.

Pois então, é pra te convidar a um encontro, não aqui em Garanhuns, por ora, mas em Petrolina, um lugar a montante da barragem do Sobradinho, no Rio São Francisco, o Velho Chico! Eu sei, disse. E, porquê aí? Porque assim tem de ser; só vais ter de ir até à cidade de Marechal para embarcares com meu amigo Kelerico o tecelão. Falou na data e de como seria, assim e assado. Tudo por minha conta, referiu. Que mais poderia fazer a uma quase ordem na forma enganosa de convite.

FK5.jpg Temos muito para falar mas, entretanto goza o carnaval mas, estava a faltar um mas… mas o quê? – Interroguei! Se fores curtir na rua, na avenida, bota em tua cabeça um chapéu colonial! Porquê isso? Rematei! Para meus quilambas te reconhecerem e, te resguardarem dum qualquer golpe de mão, de arma ou outro qualquer maleficio. Estes quilambas de FK eram em verdade capitães de guerra preta que normalmente actuavam como mercenários. Só podia ser!

FK6.jpg Eu, a pensar que estava por fora dessas manigâncias de guerra antiga, essa tal do tempo dos arcabuzes, das catanas e canhangulos do tipo pederneira. Tenho cá as minhas dúvidas de que FK não se dedica a cem por cento a extoquir seiva da Welwitschia Mirabilis e desses escaravelhos ou besouros pré-históricos que se regeneram em suas células moribundas. Deve também ter por lá, em Garanhuns, um bivaque kilombo com alguns desses antigos quilambas.

Digo isto porque aquele tal de negão, emissário de FK à macarronaria do Isac pescador, tinha essa pinta característica de quilamba ambaquista. Só posso imaginar porque nem o vi. Consegui descortinar por baús muito antigos que lá pelo ano de 1625 havia em um lugar de nome Ambaca estes já esquecidos quilambas mas isto virou pó do tempo acho eu; eram capitães que auxiliavam os portugueses na luta contra o gentio; isso! Gente da Matamba ao serviço da capitania de Ambaca.

FK7.jpg Filhos nobres de uma etnia nobre que combatiam com muita valentia recebendo por troca mais esmeradas atenções de não pagarem tributos, mais água ardente e vinho do M´Puto e, sendo-lhes destinados os postos de cipaio. Os ambaquistas eram então vistos positivamente pelo sistema colonial, pois serviam de intermediários com as populações situadas mais longe no interior do país.

No século XX, os ambaquistas propriamente ditos desapareceram, mas a palavra ficou neste então com uma carga mais como pejorativa; para os designar, até à altura da independência, os colonizados negros que tinham adoptado certos aspectos do modo de vida europeia. Os pretos ambaquences, para fugir ao serviço de carrego que era imposto a todos os camponeses do interior, alistavam-se como brancos nas companhias móveis do exército colonial.

FK3.jpg Assim foi, assim era, pois dizem os livros que “os pretos do interior em usando sapatos logo queriam ser considerados como brancos”. Vemos também que havia um número excessivo de meirinhos, alcaides e porteiros – isto é, de oficiais de justiça popular - os quais constituíam “um bando de carregadores que, imbuídos com as suas ideias de brancura”, se empenhavam e se atributavam como os soldados para serem assim nomeados. Claro que no correr do tempo tornavam-se sanguessugas das diligências diárias… Tanta coisa a rodar dum antigamente retido no esquecimento dos lugares de Zenza e de Kabassa. Agora só resta aguardar o encontro reservando-me ao direito de imaginar coisas, porque dali qualquer coisa é coisa!

O Soba T´Chingange        



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:55
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020
MOAMBA . XXXIV
JUVENESCENDO NAS CINZAS - 20.02.2020
Nos tempos dos responsos - Abrindo gavetas ou pedaços de escritas com choros secretos dum puramor…
Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

ÁFRICA4.jpg Juvenescendo em mim, uma inclinação de abelhudice, leio na praia da Pajuçara o Veredas de Guimarães Rosa e, num repente e entre algas de um mar quente, vejo-me também e, na forma de como Rosa diz em seu livro de romance, que viver assim é um descuido prosseguido, assim de “tempo de ir-vamos”.

Prosseguido, seguro uma pulga entre dois dedos num dia e um outro que se segue, negaceando as pulgas atrás d´orelha da prosápia de entre a amizade da ilusão e desilusão, entre gente longínqua afadigada, mas também das que vendem cocos, ovos de codorna e até santinhos envoltos em lírios, sem saberem que não precisa existir demónios para os haver.

CAUNI 3.jpg Num diz, que diz, conclui nas pressas que se não tem Deus, há-de nas gentes perdidas deste vai-e-vem de dizer só átoa de que a vida é burra. E, que num afinal o demónio não tem precisão de existir para o haver de sempre novo. Num pois e num mais e talvez, se não tem Deus, há-de a gente, os perdidos nesse vai-e-vem, de continuar na vida burra – coisa complicada.

Pois! Entre os perigos, grandes e pequenos, nas horas de apeto não podemos facilitar: Ou sim ou sopas! Num secalhar com intervalos na leitura das Veredas, picadas sertanejas, revejo tudo a modos de muito acima e por demais das minhas capacidades e paro. Paro para desentender engolindo frases com cuspo firmando-se em mim com quentura nas ideias.

brasão do monteiro.jpg Coisa de torcer vontades com força de arrobas porque pode-se ver a cada fim de página não uma alma penada mas, muitas obtendo corpo mesmo que retirando daqui e dali pedacinhos de palavras, os sargaços viram águas vivas, alforrecas que picam nas canelas, nos calcanhares e caté sobem ao tejadilho da gente.

Admitir-me assim nestas falas difíceis, é como me ver sem revôgo legal num pensar de assim conformemente. Enfim! Um gosto de rebuliço, diga-se em verdade. E, fico-me pensando numa dor que não tem precisão de ter razão, num conhecimento de saudade que não tem limites talqualmente como as pessoas que nem sempre nascem.

poluição.jpg É que viver sem pensar é um logro de decepção por conta exactamente desse esquisito silêncio; numa quase desconversa de relembrar os sofismas de muitos que sempre parecem ser o que não são ou num então do que querem ser, não sendo! Sofismos de muitos e ou alguém que me segura os olhos nos olhos.

Acho que tenho de aprender a estar alegre, gerir silêncios nos olhos e reler de novo os responsos que minha mãe metia nas frinchas das calças, nas pregas das cuecas e também na mochila com rezas a seus queridos santos; uma forma de oração popular muito antiga, em que as pessoas, em momentos de desespero, por guarda e amor, rezam em escrita para obter uma resposta do Céu em ajuda. Ajuda a enfrentar os desaires da vida…

O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:58
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Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020
MALAMBAS . CCXLIII

MOMENTOS CRITICOS 16.02.2020

- Quando o impensável acontece em nossos domínios?  Um CHEGA, será que chega?... Quando os penumbristas tomam conta de nossas bagunças, lixamo-nos ... Isso! 

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

desenr1.jpg Crises. Quem não as têm? Só mesmo quem está morto. Assim, se você está lendo isto, é sinal de que já enfrentou e enfrenta crises. Para além das pessoas, elas, as crises afectam também os governos, empresas, instituições e a igreja de Roma; em verdade, todas! E, em verdade, o próprio Mundo começou com uma crise – a de Adão e Eva que desobedeceram à única imposição que lhes foi imposta comendo a maçã da tentação, o fruto proibido.

A partir daí, as proibições foram no correr do tempo uma tábua morta levando até o dizermos que as leis são criadas para o serem, descumpridas… E, essas leis, foram sendo cada vez mais descumpridas usando para tal, meios tão sofisticados de interpretação que os antigos detalhes de diversão já prescreveram ou se desusaram; de acórdão em acórdão, de regulamento em regulamento, de leis cada vez mais reguladoras para a gente ver, tudo fazem para fazer espairecer o importante, se sofisticaram para além do plausível e também do conhecimento da maioria de nós, os pacóvios…

dia66.jpg E, de tal forma o são que os processos judiciais formam-se cabalas relinchadoras a exigir especialistas em sua interpretação. Hoje há técnicas e técnicos especialistas para disfuncionar o sistema numa fuga à fiscalidade, lavagem de dinheiros vindos do roubo, da corrupção, da droga e de algo ainda por descortinar. Não é por acaso que existem os paraísos fiscais aonde a trapaça é camuflada dos nossos olhares na segurança de uma impunidade aceite por governos e gangues de governação.

Entidades idealizadas no topo e na terra, compostas por cidadãos proporcionam novas crises originando aos governos posições erradas, agendas erradas e adoptadas em proveito próprio ou até servindo gente no escuro - invisível. Se perguntarmos a um qualquer membro de um partido qual é a pior crise de sua ideologia, as repostas poderão incluir dificuldades financeiras, escassez de liderança ou falta de carisma.

dia95.jpg Isto, inevitavelmente provocará queda no número de membros, gente cada vez mais alheia ou abstencionista e, por estes motivos e outros que não faltam, tudo irá de mal a pior tornando-se em algo inevitável, tipo um Deus nos acuda. Lá no fundo sempre haverá um departamento, uma secretaria, um ministério e por aí, até ao topo da hierarquia trabalhando num submundo do diabo – trabalhando noite e dia para idealizarem suas estranhas invencionices! Sim! Sem o parecerem ser – penumbristas!

E, estas coisas sucedem, chegam até nós nos momentos sempre piores surgindo sempre tradicionalistas de boa cotação a dizer que tudo assim acontece por crise vocacional na politica da fé… Dezenas de comentaristas virão dizer-nos o que teria de ser. É para endoidar gente comum como eu, outros confundirão tudo, lançando-nos em dúvida se o Papa de Roma será mesmo católico?

dia123.jpg Baralham-nos com as adjacências dos escândalos sexuais, roubos, fraudes e outras a nós dirigidas. Nós, “povo de Deus”… Entretanto nem podemos olhar para outros quintais, outros países que nem o nosso porque afinal todos estão conspurcados, alguns surgidos e nutridos nos extremos da fé socialista ou social-democracia. Pois! As crises sempre irrompem quando os governos se seguem por caminhos errados e o povo falha em ser democrata. Por isso, TALVEZ - “Movimentos suficientemente rápidos no momento critico, podem desarmar o insuspeito inimigo”.

No fundo, a questão nem será a existência de crises mas, como o povo as encara. Em palestras motivacionais, virou ser comum dizer-se que os ideogramas chineses para a crise, usarem um tal palavrão de “wein-ji” que significa “perigo ou oportunidade”, se bem que “ji” indica mais propriamente um “ponto crítico” em que as coisas acontecem dum “TALVEZ” ... CHEGA ...ou “oportunidade”.

dia183.jpg Daqui pode dizer-se que para melhor ou pior, grande crises desencadeiam enormes mudanças… TALVEZ!... CHEGA!...Se a dor da crise aqui do M´Puto, não levar a uma fé mais robusta nesta coisa de esconde-esconde, de brincarmos às democracias, a esperança mais forte numa vida de mais qualidade, ela foi, é e continuará a ser: inútil.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:31
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MISSOSSO . XLII

NA BEACH DO FRANCÊS – 2ª Parte

No tempo da vitrola…– 15.02.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estávamos em Março de 2007, dia da Mulher. Os barulhos de terra e as ondas do mar a desfazer-se em espuma no recife conjugavam-se numa sinfonia única. Era a música da vida, num dia que começava para a Malu, com seu acarajé quentinho e, enquanto isso, uma leva de gente embarcava no Massunim I, barco de recreio e passeio; iriam até às piscinas, uma lagoas naturais de mar raso e corais aonde os peixes confraternizavam comendo pedaços de pão que os turistas ofereciam.

grafonola2.jpg O ladrar de um cão, não condizia com o lugar mas este, indiferente, lambuzava-se na água, de rabo a dar a dar, gania para o dono peneirando o corpo, salpicando o ar. Chapéus, mesas e cadeiras de plástico de todas as cores surgem preenchendo a faixa de areia loira; a vista fica multicolor com salpicos de tralhas e trecos, caixas de isopor, esferovite com coco frio e também outras rolantes com ananás balouçando.

Mas também discotecas ambulantes em forma de longas caixas com rodas e o sempre presente “picolé caseiro caicó”. Mais lá à frente um pescador atento ao movimento das águas a imitar um albatroz ou uma águia pesqueira, lançava à água a rede que depois de fazer um circulo gracioso e penetrava na água trazendo quase sempre peixes pequenos, um ou outro um tudo-nada maior que pareciam roncar.

grafonola4.jpg As sete mulheres deitadas ou sentadas, iam-se rebolando em suas toalhas no trabalho de ficarem no bronze ideal; lambuzando-se até com movimentos demasiado provocatórios ao sol escaldante; uma delas já dentro de água adorava o céu de mãos espalmadas, impregnada de Iemanjá da kalunga que reluzia suas suaves ondas.

O capitão “Tanguinha do Mar e Céu” descrevia como um raizeiro, perito kimbanda procedia em suas virtudes do chá doutorzinho e mais uma catrefada de técnicas de embelezamento com unguentos de tradição dos índios Caetés; falava também dos seu inventos voadores, pois um dia, lá no sítio, observou uma folha de amendoeira caindo assim e daquele jeito que ele tenta mimicar e que o levou a inventar um pássaro que movia as asas e subia, subia como só ele sabia fazer – tanga da treta, pois!

forró2.jpg Vendeu a patente a um português que surgiu na praia e que após uns entretantos e, alguns reais, levou o seu “isopor voador” para Lisboa. Estava na cara que esta conversa de facilidades e tão brejeira só podia se uma peta das mal inventadas e dai a concordar por inteiro com seu nome de capitão Tanguinha – outro nome não lhe iria condizer tão ao jeito, pois!

Nesta praia funcionam as regras “de entre amigos” alugando os barcos em rodízio a fim de todos ficarem com algum miseré. Parados no curto horizonte da Praia do Francês estavam os barcos Corais Bar, O Maiorca e o Masunim II. O capitão Tangas ainda ventilou a hipótese de eu lhe comprar o Corais Bar mas, retirei-lhe ousadias com um encolher de ombros… Se tinha duvidas ficou agora com a noção de que o "je" estava ali para curtir a vida com três peixinhos ao dia-a-dia!

forró 1.jpg As sete mulheres entrelaçadas em suspiros de entre ai-ais voadores, juntaram suas vestes translucidamente voluptuosas nos rendados e lá se foram ao restaurante “O Pato” da Massagueira a festeja seu dia - dia da mulher, pois então. Neste momento surgiu a simpática Elisabete a vender-me a taluda da sorte, uma tal de mega-sena e, porque me fiou parcialmente lá acedi a ficar com tamanho desejo; Não se admirem de na praia até venderem sortes pois! Aqui a praia é um grande e longo bazar. Aonde se vendem vestidos, panos de cozinha e o escambau. Aqui nesta praia do Nordeste – Marechal Deodoro, até sinos em bronze já vi vender – parece mentira mas não o é…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:12
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Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXXI
 

Agora que estou de range rede, sabe! Era um era, num era, um preto que sabia o seu lugar sim doutor, sim doutor…

14.II – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa...13.02.2019

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Últimos 3 Livros em cima da mesa da cabeceira - criado mudo.

12 - O PADRE CÍCERO - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

15 – GINGA – Rainha de Angola de Manuel Ricardo Miranda

booktique21.jpg Guimarães Rosa não escreve sobre o sertão – Ele, é o sertão! Estórias de barrancos escritas aos solavancos numa língua inventada por ele. Uma literatura diferente de todas as que já li com inventações, mentiras e verdades numa língua polifónica de linguajar surreal. Não! Nunca li coisa assim! Coisa linda descoberta e inventada numa imperfeita perfeição. Há mais de um mês que leio e releio saboreando os trocadilhos que sublinho e, volto atrás porque nem de patavina eu entendo.

Sublime no arranjo das palavras, elas se encavalitam empolgando meu relinchar no cerebelo. Combinações lindas e, nunca lidas por mim que sou cusca e que também escrevo de atravessadiço. Proporcionando-me um juvenescimento ressarcido dos capinzais agrestes e com uma inclinação forte de abelhudice assim como um vive num prosseguido descuido de deixa para lá entre latas de formicidas, creolinas e até arsénico; tudo envolto em ferramentas roscofes. Assim é!

lagar5.jpg Pois é! Tudo junto e ao molhe na fé de Deus, com enxadas e facões de aço. O dicionário não comporta esta escrita dum sertão em veredas tortuosas como as picadas ladeadas de securas; uma obra literária de tirar o folego, que nos envolve numa nova forma de revolucionária caipirice. Assim enredado entre tantos e compridos caminhos vejo-me sem rumo, sem norte, sem o escambau muito rodeado de edecéteras das veredas.

Se é romance, ainda não apanhei o fio à meada mas como obra-prima deve ser bem de primeiríssimo grau, obra literária que nos parte o coco e nos enreda numa direcção sem rumo. Já perdi o Norte e ainda vou na página sessenta num total de 439 – Quantas vezes terei de voltar atrás; dou-me conta que minha matumbice é por demais de fina estirpe, visse! O narrador é um tal de jagunço chamado de Riobaldo, que tem o diabo no corpo.

lampião27.jpg Entre o bem e o mal das trevas, a força do sofrimento ultrapassa a violência. De chapéus desabados nos avoantes passos a chuva repega descendo o rio Paracatú que nem uma mulola de angola humedecida, caída das nuvens. Às tantas, matam um macaco para matarem a fome que era mais que muita e, nem se dão conta que este dito cujo sujo e peludo não tem rabo. Dão-se conta que é gente, minhanossa! Algo de maldito que só mesmo a penumbra da mente pode alcançar. A jagunçada só soube que era homem quando alguém falou que aquilo não tinha rabo, pode!? Isto, só podia ser mesmo coisas do diabo…

Então e relendo, directamente leio: - E ele umbigava um principio de barriga barriguda, que me criou desejos… Com minha brandura, alegre que eu matava. Mas, as barbaridades que esse delegado fez e aconteceu, o senhor nem tem calo em coração para poder me escutar. Conseguiu de muito homem e mulher chorar sangue, por este simples universozinho nosso aqui. Sertão. O senhor sabe: sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado! E bala é um pedacinhozinho de metal…

lampião13.jpg Hoje em dia, não me queixo nenhuma coisa. Não tiro sombras de buracos. Mas, também, não há jeito de me baixar em remorso. Sim, que só duma coisa. E, dessa, mesma, o que tenho é medo. Enquanto se tem medo, eu acho até que o bom remorso não se pode criar, não é possível. Minha vida não deixa benfeitorias. Mas me confessei com sete padres, acertei sete absolvições. No meio da noite eu acordo e pelejo para rezar.

Seja sem espera, quando já estão meio no mio, aquilo sucrepa: pega a se abalar, ronca, treme escapulindo, feito gema de ovo na frigideira. Ei! Porque, debaixo da crôsta seca, rebole ocultado um semifundo, de brejão engolidor… Poi, em roda dali, João Goanhá, um dos jagunços dispôs que a gente se anoitasse – três golpes de homens – tocaiando. Dos nossos, uns, acolá, deram tiros, por disfarçação. Iscas! Ave, e pronto de repente foi: a casca da terra sacudida, se rachou em cruzes, estalando, em muito metros – balofou…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:45
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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2020
MISSOSSO . XLI

NA BEACH  DO FRANCÊS1ª Parte

No tempo da grafonola… Aqui se chama de vitrola…12.02.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

grafonola1.jpgEstávamos em Março de 2007, dia da Mulher. Para lá do recife via-se o infinito redondo formando uma linha mais azul a tocar os dois fluidos, água e ar; uma jangada de vela triangular ondulava depois da espuma entre o reflexo do sol e o refluxo das ondas espumando brancura nos rochedos escuros de corais  

Às seis da manhã as cores são bem mais azuis e as nuvens mancham o mar de escuras sombras. Os grilos e cigarras da terra, parecem estar numa tensão desmedida zunindo insistentemente nos dois ouvidos, um cão algures uiva. As cadeiras, chapéus e mesas iam surgindo ao longo da língua de areia que crescia conforme a secura da maré na Praia do Francês.

grafonola2.jpg Uma gorda velha furava a areia contorcendo o pau suporte da sombrinha num vai e vem de vice-versa até completar a correcta fundura a fim de suportar na verticalidade o vento persistente que sempre se fazia sentir. Esta mulher, curiosamente tinha uma perna branca e outra preta; coisa a raiar o anormal – não podia ser!

Mas era! Embora fugindo das características habituais, mas era. Entrei na água entonado de curiosidade e fui-me acercando até que pude perfeitamente definir uma prótese, branca e mais fina desajustada na forma estrutural; o sapato também desdizia com o resto e, fiquei até com muita pena e desejando que as suas bóias fossem todas alugadas p´ra suprir carência tão óbvias.

grafonola4.jpg Não restavam agora dúvidas, a senhora não tinha uma perna e sobrevivia alugando inflados pneus de carro e camião mais uma baleia riscada de Moby Dick, dois golfinhos azuis para os pivetes que surgiam pelas mãos de seus progenitores; O negócio assim e deste jeito transparecia; a vida não é fácil mesmo estando num paraíso tropical como este.

Esfregam-se ternuras com próteses para encanto de tantos que se apercebem disso; aquela perna branca e fina era tão parte integrante da senhora que a vi coçar bem junto ao joelho como se um moscardo a tivesse importunado. Como é possível ter tanta familiaridade no apego àquilo que é nosso. É que eu, por vezes também tenho dor de dentes; dentes que só são meus porque os comprei!

AMADEU3.jpg A balsa já tinha contornado o recife, podia ver-se a silhueta do homem ximbicando para norte até às piscinas baixas entre os contornos do recife. Também ele, senhor Moisés, o pescador, estava esfolando a vida de todos os santos dias; tarefa que só ele sabia fazer daquele jeito – pescando frutos do mar no recife.

Já sentado no patamar do “Tarrafas Bar” do meu amigo Carlos de Foz de Iguaçu, acarinhado na sombra dum jango de folhas de coqueiro, com outros mais a rodear o espaço, podia ouvir a cantoria dum sabiá e, não muito distante misturava-se com insistência a cantoria de um bem-te-vi. Estes sons conjugados com os sons do mar eram em verdade, um hino à vida…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:00
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KANIMAMBO . LXVII

REGRAS DE VIDA - Curiosamente a Bíblia fala mais sobre as mãos do que sobre o coração...

- Nossa singularidade - Nossos Ossos 12.02.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nodeste brasileiro

amigo1.jpg Nossas mãos representam os mais intrincados componentes físicos. Em nenhuma outra parte do corpo há tantos itens reunidos em espaço tão pequeno. Poucos sabem disto porque faz parte de nós e, descuidamo-nos no saber das coisas nossas...

As duas mãos somam um total de 54 ossos, representando mais de um quarto dos ossos do corpo. A rede de nervos para detectar calor, tato e a dor, é das mais complexas.

São centenas de terminais nervosos por centímetro quadrado, a maioria concentrada nas pontas dos dedos. A sensibilidade ali é extraordinária. Máquina tão perfeita, Noé!?

kani1.jpg Muitas mãos deixaram suas digitais nas páginas das Escrituras e, curiosamente a Bíblia fala mais sobre as mãos do que sobre o coração... No entanto sempre referimos o coração na ligação de ternura como o amor, Noé!?

Registando a tragédia da nossa singularidade, Adão nos expulsou com suas mãos. As mãos de Caim marcaram de sangue as origens da raça - matou Abel... Viver, sempre foi muito perigoso, Noé!?

Este tal de Noé com suas mãos mais um tal de Abraão deixaram um testemunho de fé e obediência. Claro que vocês nem se lembram, nem podem porque, isso foi num muito antigo tempo...Noé!?

kani2.jpg Balaão, porque li recordo: Espancou um animal indefeso... Hoje, outras mãos, até o pai e mãe matam, quanto mais um cão ou um gato! Está mal, Noé!?

Assim, e recorrendo dos livros sabemos que Judas estendeu suas mãos para receber o preço da traição - Trinta moedas, Noé!? E, foram as mãos de uma pecadora que ungiram Jesus na sepultura - Todos o sabem, Noé!?

E, se bem se lembram as mãos de Pilatos foram lavadas por si mesmo para se redimir de um erro: - Lavo daqui minhas mãos desta injustiça. Se assim não fosse poderíamos ter uma outra estória, Noé!?

kanimambo3.jpg Vocês devem saber que Ele usou suas mãos para fazer ver, fazer andar, mover ventos, mover águas e também lavar pés, Noé!?

Uma das cenas mais tocantes do evangelho aparece quando Jesus toma a orelha de Malco, que O fora prender e, a restaurou...

Desconfio que meu amigo General Emérito FK nada sabe disto. É que este malvado alem duma perna de pau, tem uma orelha de plástico! Só sei que esse tal escaravelho da welwistchia Mirabilis lá terá algo a ver com isto, tipo regeneração como o rabo da lagartixa,

; tenho cá as minhas duvidas, Noé!?

kanimambo4.jpg O certo é que sem mãos ficamos manetas e raramente damos o valor a coisa tão nossa. Acho que com muita fé, meu amigo Fala Kalado poderia vir a ter um nova orelha e depois deixar de se dizer coitado com aquela perna que não transpira muito sujeita a ter cupim, salalé... Será? Noé disse, assim confidenciou-me... que só mesmo quando virar cinza! Já calculava, Noé!?

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:05
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Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2020
MALAMBAS . CCXLII

TEMPOS CINZENTOS E O PESADELO DA DEMOCRACIA EM SETE TEMPOS

- Nos intervalos da vida, durmo!  – 11.02.2020

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

einst1.jpg O homem por mais que conheça e possua, não é nada - quem o disse foi Albert Einstein. Estranho que muitos de nós se julguem ser mais alguém que outrem só porque assim querem pensar, quando no real, o significado da vida de um qualquer individuo, deve consistir-se em tornar a existência de todos, melhor e mais digna. A este supremo valor se devem ligar todos os demais.   

eça2.JPG Hoje acordei virado para o lado das boas estrelas assim nesta boa vontade e, no possível, procurando fazer uma doutrina de ver uma humanidade mais perfeita. Não sou nada; não professo nada nem guardo qualquer dia como santo para o que quer que seja, mas e, deste jeito, elimino silêncios na firme convicção de que servir a Deus equivale a servir a Vida.

Talvez seja problemático somente ocupar-me da Vida considerando-a só por si como uma religião no sentido do termo, não me exigindo qualquer crença mas, respeitando a vida, o canto dos pássaros e, o espectáculo da natureza dá-me, creio, o direito de no mínimo me julgar feliz. Através do espelho vejo-me uma pessoa entrada na idade e com ela, a imagem, a minha própria, relembro-lhe:   

dom2.jpg - As leis humanas mudam segundo os lugares, o país, as pessoas, os tempos e os interesses; alheia-te de julgares porque o progresso do mundo não está nem na falsidade nem na hipocrisia mas no progresso da inteligência. Pois é! Um homem sem a liberdade de ser e agir por mais que saiba conhecer, também nada será.

Não obstante com toda a inteligência desejável, hoje as nações encarnam-se no poder, económico e político e, por sequência com seu poder militar e, isto não me parece bom para o Universo – para nós. Como no fim de um ciclo, nos reduziremos exteriormente à escravidão num desejo da verdade, da justiça, e essa tal profunda liberdade.

phisalis0.jpg Num repente, verificamos estar entre sacrifícios matreiros, impostos e, pensando que esta inteligência de alguns, os do mando nos leva a um progressiva usucapião de nós mesmos. Nós mesmos, envoltos num pesadelo chamado de “Democracia”. Nesta evolução, verificamos suportar nossa própria condenação à categoria de escravos – coisa inevitável aonde o sacrifício se torna um absurdo!

picasso2.jpg Pensar torna-se assim algo de muito perigoso! Estamos assim numa visão de percepção dos sentidos que só nos oferecem resultados indirectos sobre o mundo real. Sim! Pois somente a via especulativa será capaz de nos ajudar a compreender os factos perceptíveis que mudam. Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; andamos a ser robotizados…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2020
KALUNGA VII

MOKANDAS XINGUILADAS  - Nosso ADN pode ser sempre relido...10.02.2020

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais de Nkisi/Mukisi.

Por

soba002.jpg  T´Chingange – Desde o Nordeste brasileiro

Tudo indica que alguém assim feito ET ou um ser nosso maior, formou de “modo assombrosamente maravilhoso” o homem, com particularidades extraordinárias. Somos todos variações sobre um mesmo tema, e as combinações são infinitas.

kalunga1.jpg  Ele o ET, o Alá, o Cristo, o Buda, inventou os cromossomas e a genética, decidindo usá-los para dar vazão a toda criatividade, trazendo à existência, a obra-prima: o ser humano. No núcleo de nossas células, há 23 pares de cromossomos. Se combinássemos todo o material genético encontrado em apenas uma delas, teríamos o que se chama de genoma humano.

kalunga2.jpg Nesse, encontram-se todas as informações sobre nossa natureza física, bem como boa parte da ‘"programação" de nossa personalidade e de nossas emoções. Em cada célula, nesse genoma, há 80 mil genes, codificados nas espirais densamente entrelaçadas que constituem o ADN, que contêm três bilhões de pares de aminoácidos.

kalunga3.jpg O código do ADN de cada indivíduo é diferente dos demais - Nessa exclusiva referência a respeito de Si como “humilde de coração”, vivemos na cultura da “autopromoção”, da “defesa dos próprios direitos"... Desta “preocupação em se ser o primeiro” ou de “ganhar por intimidação”, a serviço do seu EU, o que não dá para entender é que essa tal atitude é precisamente o que mais destrói nossa paz.

ADN3.jpg Estamos tão ocupados em nos defender, em nos promovermos ou manipular outros em nosso favor que nos programamos para uma nova guerra a cada novo dia. Mas o egoísmo pode ser muita coisa, menos algo novo porque: - A Grécia dizia: “Seja sábio, conheça-se a si mesmo”! ; Roma ordenava: - “Seja forte e disciplinece-se”! ; O judaísmo insistia: - “Seja bom e ajuste-se à lei"!

ÁFRICA7.jpg A educação oriental diz: - “Seja hábil, expanda seu universo"! ; O materialismo apregoa: -“Seja possessivo, realize-se em possuir" e, o humanismo ensina: “Seja capaz, creia em si mesmo.” Deste modo lá terei de recordar que Cristo ensinou ao mundo algo diferente - foi o que li!: “Seja altruísta, vença o egoísmo, subjugue a inclinação de explorar os outros e ‘tirar vantagem em tudo’. Não vejo mal algum em recordar isto!... E, porquê? - Porque em nossa sociedade o “ganhe-tudo-o-que-poder”, é um conceito de vitória...

O Soba T' Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:09
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Domingo, 9 de Fevereiro de 2020
MISSOSSO . XL

MISSOSSO NORDESTINO09.02.2020

Não é de hoje que algumas pessoas acreditam que os ET´s ajudaram a povoar a Terra … Piratinga, talvez fosse um descendente do Caramuru ….

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

No Sertão brasileiro, até enterro simples é festa. Posso explicar noé! O seu Padre com seus petrechos, escapulário e cruz na imagem da igreja, segue passo lento ao som da bandinha de música parecendo todos uma nação Maracatu…

maracatu0.jpg Com chapéu de couro de boi de Gravatá, seu senhor pároco de alpercatas, dava forma e mote às ladainhas das velhas e mais gente cantável. Assim, parecendo uma procissão sensata de encher a estrada de pó e, rezando misérias a caminho de o serem riquezas, caminhavam…

As riquezas eram daquelas de não haver mais crimes, nem ambição nem mesmo sofrido sofrimento pedido na glória do perdão do mundo. Espraiando seus sofrimentos nas costas de Deus até e na hora de cada uma morte e, com todos respondendo ao mesmo tempo ao padre – ámen!

maracatu1.jpg Nas lembranças com coração tão branco, tão grosso de bom, ele seu Piratinga era um homem de mansa lei, mesmo, mesmo de muita alegre vida vivida. Isso! Caté dava gosto de conversar com ele. Defuntado do agora, seu Piratinga só ficou uma lembrança.

Lembrança balouçada no incenso muito espairecido, feito fogo depois de cinza. Sim. Dizem! Dizem que o diabo, ia em todo seu santo dia lamber o prato no seu quintal juntamente com os gatos negros da Dona Joana com quem estava umbigado. Todo o mundo dizia!

pombinho5.jpg Todo o mundo dizia, falava que o leite dela era venenoso; tudo inveja, acho! Dizem também que comer, beber, apreciar mulher, quase que tudo, para ele, seu Piratinga, era igual!

Agora que se desfaleceu de morte morrida, tem de comer escondido a ouvir suas antigas veias fossurando o riso do ar de seu voado fogo. Assim mesmo neste zunzum de despedida encantoada, se não tem Deus, então a gente não tem licença de coisa nenhuma – nem de morrer, vice!  E, é? É - Nem precisa de se ter razão, nem conhecimento… FUI!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:54
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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2020
MUJIMBO . CXII

Matumbices do T'Ching... 02.02.2020

KIBOM é um sorvete! - BALEIZÃO era e é ainda um gelado... KAICÓ é gelo com açúcar!

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

CUBA LIBRE.jpg Karl Marx gostava de Kaicó! Com sua balalaika de vestir, referia-se ao “novo homem” que deveria emergir do triunfo da ideologia comunista. Isso aconteceria depois do triunfo histórico dos oprimidos sobre os opressores. Mas, que tem o Kaicó a ver com comunistas? É que eles também gostam do Olá e do KIBOM!

A criação do novo homem, para Marx, era vista puramente em termos materialistas. O “novo homem e a nova sociedade” seriam possíveis apenas pela derrota do capitalismo. Os meios de produção como fábricas e terras, por exemplo, não deveriam ser propriedade de uma pessoa, mas de toda a sociedade. Pois é! Alguns aproveitaram-se…

cuba libre3.jpeg No marxismo, para se chegar ao “novo homem”, é imperativo que se transformem primeiro as condições externas dos oprimidos. A história, contudo, não está do lado da visão marxista do homem - Danou-se!?

Em cada lugar em que sua revolução foi vitoriosa, quer na Rússia, na China ou em Cuba, o que se verificou não foi o surgimento do “novo homem", mas o surgimento do “novo opressor que curiosamente também gostam do KIBOM... Acho que Maduro da Venezuela, também gosta! Qual o problema do marxismo? Ele é vítima de uma visão superficial do homem porque não leva em conta o pecado... E, o mundo começou com pecado, lembram-se!

fifa3.jpg A única coisa que Nosso Senhor disse para não fazer, comer a maça - eles fizeram! A culpa é do Adão, NOÉ?! Da Eva, também! Comeram o fruto proibido não passando no teste da confiança! É por isso que agora andamos assim, desconstruídos... A auto emancipação do marxismo falha porque espera, ao mesmo tempo, muito e muito pouco: muito do homem, que consistentemente transforma sua capacidade criativa em fins de poder e, isso revolta alguns! É porque alguns são mais iguais que outros, NOÉ!?

cuba libre2.jpeg Assim, antes de sermos brancos ou negros, ricos ou pobres, educados ou sem estudo, somos criaturas que gostamos de Kaicó, de Olá, de Baleizão ou de KIBOM sem termos de ir à loja do povo solicitar solicitudes! E, porque hoje é segunda-feira amanhã forçosamente será terça feira!? Com ou sem comunistas o tempo continuará, sabem! Elementar - Tomara que não chova, chuva molhada... Amanhã penso comer um KIBOM como se fora Baleizão... Mas, Cuba - nunca mais!... Só mesmo a Cuba libre

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:39
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Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2020
MUXOXO . LVIII

KIBOM. IV - Quem viaja, necessita de mala ...NOÉ!?

- Divagações do T'Ching - 28.01.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

an2.jpeg Ao viajar, é importante ter uma mala para carregar a bagagem; convém que seja boa porque os tombos são mais que muitos. Fiquei a saber que a mala mais cara deste nosso mundo vale quatro milhões de dólares! É a chamada mala de “Diamantes das 1.001 Noites”... NOÉ, desconhece...

Tem o formato de um coração e vem cravejada com 105 diamantes amarelos, 56 diamantes cor-de-rosa e 4.356 diamantes transparentes. Todo metal dessa bolsa é feito de ouro puro de 18 quilates. Para sua confecção foram necessários 10 artesãos, dedicando quatro meses de trabalho exclusivo,NOÉ!?

arau44.jpg O resultado final é uma bela obra de arte que, até agora, ninguém ousou comprar. Pelo que sei nem Isabel dos Santos a comprou; Nem Manuel Vicente! Creio que nem sabiam mas, às tantas aqueles diamantes saíram de N'Gola, NOÉ!?

A minha é o contrário dessa; mesmo demasiada mixuruca para ser mencionada neste entretém feito estória. É daquelas compradas em saldo, com rodinhas gastas de tantos embarques e desembarques, riscada nos topos e lastimosa no aspecto.

eseves2.jpg Distingo-a porque tem uns quantos laçarotes da Bahia amarrados em seu fecho; desses com variadas cores que se põem no pulso para dar sorte nas ousadias de orixás e oxalás e talvez o xiritung da xirgósia mais o xogum... NOÉ!?

Na alça tem mais uma fita verde fosforescente de escandalosa para que a possa reconhecer na esteira do aeroporto. Para mim, o que realmente importa é o que vai dentro da mala; os queijos disfarçados de prendas e prendas na forma de figos ou chouriços, coisas inofensivas, NOÉ!?

papalagui11.jpg Na vida verdadeira da gente também é assim. Não importa parecer um cidadão valioso se o seu interior é vazio e sem aquela coisa que nos identificam nos valores morais ou mesmo tudo ali ser oco - isto é quase uma metáfora NOÉ!?

Preencha por isso sua vida de boas coisas como se sempre viajasse! Que tal uma lista exclusiva de itens imprescindíveis para sua viagem? NOÉ dirá: Prepara-te pois para tua viagem pro Céu, isso, pró espaço! É isso, NOÉ!?

ong5.jpeg Se for o caso, junte à Bíblia de viagem um bom livro para os demais entretantos. Leve todas as informações do roteiro a fim de ser mais feliz em seus caminhos. Siga os conselhos da gente experiente, todos não serão demais! A sabedoria dos mais velhos, normalmente mostram detalhes de como ir pelos melhores caminhos. Mas, lembre-se que existe um NOÉ...

Tenha presente que na vida, ou você puxa os outros para cima, ou os outros puxarão você para baixo. Fique esperto e siga sempre este princípio porque nem sempre o interesse dos outros batem certo na bota com a perdigota... NOÉ!?

step6.jpg Creio que com um azar do caraças, foi isto que sucedeu com Rui Pinto, o herói actual do pedaço e no M'Puto aonde os larápios são também mais que muitos, com nomes de Santos e Espíritos. Este Rui puxou a brasa à sua sardinha pedindo uns kumbús e, viu-se com um cardume de tubarões...NOÉ!?

Esqueça-se daquilo que Deus já esqueceu dando cobertura aos Espíritos e aos Santos... mas, sorria mais porque um qualquer dia a coisa acontece! Já aconteceu! Seus, nossos dentes, não existem somente para mastigar couve-flor. Temos de os ranger se vez em quando, NOÉ!?

rui1.jpg Com uma mala cheia dessas coisas, valores, ela pode não ser a mais cara, mas, sem dúvida, será a mala mais valiosa ou justa do mundo... JUSTIÇA... Cá para mim este Rui Pinto tem sim, de ser condecorado! Isto termina em 13 para lhe dar sorte, NOÉ!?

T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:31
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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020
MOAMBA . XXXIII

DIVAGAÇÕES DO T´CHING

NA HORA DE APURAR VERGONHA - 23.01.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

isabel.jpg O sol tem ondas de ferroadas quentes que machucam na ida da vinda de nossos dias mas, muita gente entristece quando os meados de Janeiro esfriam o M´Puto. E, assim vamos como legítimos coitados, todos por demais devagar, na pasmacez da pasmaceira.

Justiça ali e aqui nenhuma, não tem. E a que tem, só o Senhor leva, faz ou rasga. Mas, quem é esse Senhor? Talvez um jacaré que choca! Ué, aiué, mas jacaré choca!? Choca sim!  Choca o quê? Os ovos d´oiro da Isabel! E, o jacaré é Tuga? Ui, tem por demasiado…

isabel lacuerda.jpg Surripiando aqui e ali miúdas palavras, relutando-me entre o gostar ou não, apuro vergonhas que surgem repetidas por todos e, ao mesmo tempo, como se fossemos autómatos robôs de uma máquina de informação ÁDHOKAS – que vem de “ad hoc” … Todo o mundo dá o seu palpite na ciniqueira geral comandada pelos fazedores de notícias.

Cada qual com seu dedo, sua unha, seu pedaço de assuntos externos que nada contam na sua, nossa felicidade, como num assim de uma soma de pontos com números somando subtracções de milhões, esmiuçando ou tentando saber a decência do caso num verdadeiro ciúme amargoso…

Estas desconformidades de sintonia, forçosamente turvam minhas, nossas mentes. Euzinho, legitimo de raça indefinidamente ariana também possuo minhas franquezas por muito que tente deduzir em lisas, as farsas, reforçando-me de munições porque, óh gente, simplesmente não quero sufragar-me nos desaires alheios.

ara3.jpg Pois é! Não sou mesmo homem de meio-dia com orvalhos de me tirar o tino, de me esbugalhar os olhos nas fracas naturezas de um sem fim de lorotas salivadas. Agora, todo o mundo fala do naco da Isabel dos Santos, dos seu ovos d´oirados – que coisa!?

Todos ficam assim e assado, lambendo, rechupando, engrossando um nojo, nojento! É bem verdade que ela não me merece um pingo de DÓ, nem tanto nem tampouco. A questão é a de que todos sabiam e todos calavam - Maldito kumbú! Há cúmplices, não há!?

Só não quero mesmo que mexam no meu bolso mas, tem por aí muito rufia das nossas caixas bancárias e afins que viciam com incesto minhas poupanças, só pode ser, ouvi dizer – E, são Tugas de primeiríssima linha; gente de gola alta e coturno intocável. Não toquem no meu bolso, tá! Já chega de ser sujigado…

arau44.jpg E, daí da notícia e fofocas, abrirem-se gavetas com choros ranhosos, ou mesmo gavetões, com ossários feitos do pó esquecido no propósito propositado de não mais falar como se fossem asas p´ra boi voar! Se a vida é uma sentença com um princípio e um fim, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos, ou daquilo que poderíamos ter feito; E, afinal quem deu cobertura a todos esses desaires de engenharia financeira, trapaceira de roubar o desinfeliz!?

Não podemos assumir a culpa dos pais, dos colonos, nem dos pais de outros pais na geração perdida, sempre petrificada pelos políticos da Luua e da Liz. Oi, não se fala nisso. Na percepção das vitais contingências, compostas nas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, que determinam o futuro próximo e distante. Nem sempre se escolheu dedo ou arado nem por onde fazer o rego que por coisa pouca mudou nossas vidas para engordar galifões e galifonas…

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:53
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MUXOXO . LVII

KIBOM . IIÉ um sorvete gostoso

TEMPOS  BRABOS DE CALOR… Sexta-feira - 17.01.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

ara3.jpg O dia dezassete passou passando mas, escrevo agora no computador o acontecido nesses dois dias de paratrás fazendo horas com o boligrafo inquieto oferecido em um tempo antigo numa campanha do PSD do M´Puto e, num entretanto mais futuro, o de hoje que é domingo, lá terei de salvar o escrito em plena inspiração da maresia, tão só para não desacontecer perder o fio da meada desse árduo trabalho de puxar pela cachimónia.

Minhas tarefas daqueles agoras, atrasaram-me o futuro porque a internet da Vivo só me foi facultada na Quinta-feira dia dezasseis e, assim comprometido com minhas falas já passadas, moribundas no papel, translado-as agora para o vivo arquivo, tudo porque o pen drive dessa Vivo de 4 G já me dá acesso ao satélite.

Mu Ukulu03.jpeg Sem querer mentir-me e, porque assim o é, meus firmamentos no Kimbo, na kizomba, na Roxomania e na página do Mano Corvo Costa Araújo, porfiarão a fezada fantasiação das ânsias e desassossegos do que já foi ou que ainda vais ser – ainda! Ué-Ué!? Cheguei pelas treze horas e trinta minutos no lugar da macarronaria do Isaac levando comigo uma prenominada teimosia de que hoje sim, iria ser um diferente dia.    

Pois é! É raro eu comer macarrão porque os hábitos condicionados de minha alimentação não se conjugam na perfeição com os açúcares de minha parceira de 49 anos e, quando sou eu a fazer preparos faço-o com misturas tão rebuscadas que nem sempre resultam na perfeição dos conformes. Bom! Seu Isaac estava lá nos fundos por detrás de um mukifo balcão de madeira acupimzado cheio de trecos, latas, grades, e um sem fim de potes em barro preto de Penedo.

Isaac, o pescador macarroneiro, conhecendo-me, assim me deu grátis um amplo ”Oi” muito repleto de empatia. Apertou-me a mão numa desmedida força dos cinco grossos dedos e falou: - Então! Sempre resolveu vir até o meu recanto da felicidade – pergunta feita de resposta certa mostrando sua varanda de dentes alvos e um olhar pícaro como de quem adivinha o pensamento através da iris do interlocutor, neste caso eu, o turista encorpado em pessoa residente.

tuiui3.jpg Em verdade, minha refinada intuição da vertente premonição dizia-me que algo de insólito aconteceria e, na cordialidade, dei resposta adequada por também ser a primeiríssima alegria do dia! Meu amigo, é verdade! – Estava espumando baba gulosa por sua massa desde aquele dia da pesca do xaréu, da arabaiana e da carapeba, esses nomes de peixe que nem sei bem se assim o são no sotaque... 

Seu Isaac, venho na minha gulosa vontade para provar esse tal de macarrão com camarão, sabe! Seu Isaac abriu as mãos sapudas como que a divinar sua fé implorando minha atenção dizendo um “ouça” tão convictamente misterioso que até fiquei estupefeito na inquieta soslaia ansiedade de escutar e, escutei: - Sabe seu António, esteve aqui um negão, negro como a noite de breu perguntando por alguém com as suas características. Espere, se aquiete – disse que seu nome era António T´Ching, algo de tão raro me ficou gravado na moleirinha mas, no entanto ele deixou escrito num envelope, sabe! Com esta peculiaridade fiquei espantado pois que só mesmo O General Emérito retirado, de nome Fala kalado me dá esse espacial tratamento. Só pode ser! Mas como é que ele adivinha!?  

alhambra3.jpg O coirão! Só pode ser bruxo. Assim encafifado com tamanha incoincidência, olhei deslumbrado para Seu Isaac: - Pois e, então, que mais? Olhe! Assim continuou… O negão deixou mesmo um recado escrito. Acto contínuo chamou um moleque, creio que um seu neto, disse-lha para ir lá acima buscar um envelope meio preto, meio vermelho e com um facão amarelo bem no centro e na diagonal daquelas cores. Que não tinha que enganar, era o único, disse: - vai, vai, vai…

Caramba, só pode ser mesmo desse lendário General FK. Não demorou nada, já eu estava retirando uma folha do subscrito aonde pude ler no topo: Companheiro A.T´Ching, por debaixo e sem linha: Impossível ter estado contigo no combinado dia DEZ. Aguarda por mim aí na Pajuçara - Um destes dias apareço. Estou em Caruaru junto com uma donzela mwangolé. Trata-se de um negócio de plantação de Welwitschia Mirabilis e, um especial aloé do Karoo com fungos… Kandandus…

araujo85.jpg Fiquei até apreensivo por saber o quanto ele, F. Kalado eu é evasivo ou mesmo restritivo e, assim taciturno dos neurónios com tanta claridade nos aprumos de quase relatório, larguei tais minudências olhando já para o prato quase fervente, o macarrão com os camarões a saltitar-me na vontade dos olhos. Enchi dois copos de skol fria, ofertei um ao meu amigo Isaac e, com um longo obrigado, fizemos uma umbigada de copos, da amizade nova, crua e desinteressada... Mas! O que é que virá por aí…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:28
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Sábado, 18 de Janeiro de 2020
MUXOXO . LVI

KIBOM . I – É um sorvete gostoso

TEMPOS  BRABOS DE CALOR… 16.01.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

engraxador2.jpg Espetei meu chapéu verde e branco bem junto à Kanoa na pequena enseada da Pajuçara da Ponta Verde. Ainda não eram seis horas da manhã e, meu chapéu era o primeiro a ser fincado na areia de cor amulatada. Um homem bem moreno, cambuta de baixote no atarracado, mas ágil nos movimentos, espeta na areia bem junto de mim e no final da borda do beijo molhado da maré cheia, suas canas de genuíno bambu.

Galho recto e nodoso de simples natureza quanto baste, um escasso metro e meio de seda de nylon enrolada a partir do fino extremo e presa com um atilho saído dum vulgar pneu de bicicleta. Nada de sofisticados carretos a dar ares de pescador abastado. Ajustou seus dois baldes com letras de tintas de pintar paredes bem ao lado das esguias canas, meteu seus chinelos de dedão junto dos trapos dentro das mesmas e deu-se aos preparos finais.

Calçou sua cabeça com um chapéu camuflado de cobrir orelhas, pescoço e pala saliente a encobrir seus olhos e, em actos contínuos de mestria conhecedora, entrou na água de mansidão verde, cor de esmeralda, iscou seu ínfimo anzol na ponta dos cento e cinquenta centímetros, mais coisa menos coisa e, apontou a água num indefinido ponto de horizonte bem na curva como se fora num longínquo paralém. O pedaço de quase nada penetrou na água.

maceio1.jpg Assim e num repentemente, daquele lençol aguado, não demorou muito a puxar da água um peixe reluzindo pintura de prata chamado de xexéu. A cada lançada, novo peixe metido em seu pequeno balde pendurado no pescoço com um baraço de tira larga. Não demorou a ficar bem cheio com outros pequenos  variados peixes daqueles que depois de fritos na forma crocante fazem babar vontades de apetite.

No transbordo do peixe da lata pequena para a outra grande na areia e, muito perto de mim, o senhor olhando para minha ansiedade falou: - Moço, quer pescar? - Quero! Foi a resposta. Já com meio corpo dentro de água, apercebi-me da pequenez do anzol na forma de unha de gato quando enfiei um pedaço de camarão cru passado na pega entre os grossos polegar e indicador do senhor pardo matuto.

maceio3.jpg Enfiando pedacitos de camarão cru, fui lançando frustrações seguidas de ansiedade do vai ser agora e, bolas, pica, pica e num lança e tira e mete o isco, dá repelão e fugiu o filho da peste; assim num nadica de nada de só mesmo a picada, talvez por falta de jeito ou mesmo sorte fui lançando muxoxos de sundiameno aos pequenos roncadores. Assim apontando o horizonte fui ficando cansado dos pedaços frustrados de coisa nenhuma até que resolvi dar continuidade à minha talassoterapia.

Num meche perna, num torce e estica e roda, alonga braço e salta endurecendo músculos meus aperreados de tempo, idade e moleza, ele o senhor fala de novo: - Como é seu nome? À pergunta feita e respondida iniciámos falas de aproximação, nome de peixes, este é bom, este é espinhoso e assim por diante sem recta definida.

kanoa1.jpg Meu nome é Isaac, estou meio aposentado e ainda vou mexendo com minha macarronaria, sabe! Deduzi que isto tinha algo que ver com macarrão, massa de comer mas e, entretanto enquanto lança o caniço acrescenta: - Macarronaria do Isaac! Fica ali mesmo na paralela da Durval Guimarães, depois do Bom Preço, vira à direita, vira à esquerda e, é logo ali.

Negócio na parte baixa e residência no lado de cima. Hoje tenho de levantar dinheiro no banco para pagar aos meus seis empregados, visse! Agora, eu só fico entre as dezoito e vintiuma horas – meu tempo já foi, noé!? Pois! Disse eu poupando as falas entre outras ouvidas bem mais interessantes. Vá até lá seu António – vá provar minha macarronada de camarão, gostosa de roer vontade! Acredito seu Isaac, irei sim senhor!

kanoa2.jpg Já quase no ir, foi-me dizendo que voltaria sábado a horas de maré alta que é quando o peixe pega. Hoje é quinta-feira e, talvez no sábado próximo lhe pergunte pelo biónico personagem, o tal de General Emérito Fala Kalado, meu amigo de velhas antiguidades; quem sabe não é seu freguês lá na sua venda tasca ou lá o que seja, talvez restaurante. Quem é chambeta de pena falsificada e tem uma orelha plastificada decerto, sempre ficará preso na retina da ideia.

kanoa3.jpg Sabendo eu das particularidades de FK, dos gostos de matumbola reciclado em gente, dissimulado nas manhas e sempre prazeroso no trato, que gosta de whisky puro como quem só é fanático de água, bem pode ser um seu dissimulado cliente mesmo que o seja no incerto pois que, o personagem não é muito de usar roteiros rotineiros, um defeito desses propícios modos de surtidas com tocaias.  O hábito faz o monge talqualmente os tempos sangrados servem para assossegar segurança. Tomei um gelado Kibom com sabor a graviola e segui o rumo de casa a pensar de como vai ser o futuro, dos altos prazeres…

kanoa4.jpg Muxoxo é uma espécie de estalo que se dá com a língua aplicada ao palato, em sinal de contrariedade. No M´puto costumam chamar de “chocho", com o sentido de beijo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:15
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Quinta-feira, 26 de Dezembro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXIX

Agora feita a folga que me vem, e sem pequenos desassossegos, estou de range rede, sabe! O tempo ruge…

14 – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa ... 26.12.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No M´Puto

booktique22.jpg 

Últimos 4 Livros em cima da mesa da cabeceira - criado mudo.

11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma.

12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

14 – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa editado pela Companhia das Letras

booktique21.jpg E, porque o sertão é do tamanho do Mundo, não encontrei por lá, lugar do Nordeste brasileiro o livro que há tanto procurava de Guimarães Rosa. Calhou ser agora ofertado à minha pessoa em época natalícia e assim, na Coimbra do M´Puto me embrenhei logologo na leitura; uma quase língua nova, entrando nos trilhos sulcados pelo gado nos terrenos áridos, uma rede complexa de caminhos feitos veredas e, na qual é fácil perder o rumo às falas. Assim e, duma tão revolucionária forma inventiva dá-se conta no sentir que “Viver é negócio muito perigoso”.

Lá aonde os pastos carecem de fechos, onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; lá onde criminoso vive seu cristo – jesus, arredado do arrocho de autoridade. Uns querem que não o seja, que situado sertão é por os campos gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas demais do Urucúia mais Toleima. Terras de puta que pariu sem saber de como foi! De como nasceu. Acho que desaconteceu…

booktique24.jpg Numa missanga de contos com lendas e coisas tão verdadeiras que assustam o capeta, leio e releio de trás para a frente e vice-versa assim na forma de espanto lá nesses montões oestes. Perco o norte e volto atrás esperando a nuvem, vendo as almargens de vargens de mau render, as vazantes; culturas de só mata sem tamanho que param nas mulolas, rios sem água como se diz em Angola. Quersedizer, a água, corre quando chove.

Enfim, cada um o que quer aprova, como o senhor sabe, vós sabeis: pão ou pães, é questão de opiniães. No falar de matuto, o sertão está em toda a parte com contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros de cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e crenças da bagunça, povos de dialecto linguajado entre outros derivados – O sertão está em toda a parte.

booktique23.jpg Cumcamano! Vou ter de pisotear este livro para patavinar mesmo que amarfanhado nos porquês! Conversando com um seminarista deste dito cujo livro, muito condizente, conferido no livro de rezas e revestido de paramentas, com uma vara de maria-preta na mão, proseou que ia adjutorar o padre, para extraírem o Cujo, do corpo vivo de uma velha, na Cachoeira-dos-Bois. Ele ia com o vigário do Campo-Redondo. Pópilas, digo eu! Não o acreditei patavim, como eles dizem – Me concebo como então?

Mas compadre!? O que revela efeito são os baixos espíritos descarnados, de terceira, fuzuando nas piores trevas e com ânsias de se travarem com os viventes – dão encosto. Arres, me deixe lá, que – Pois não sim? Insiste: O senhor (que soeu) deverá ter conhecido diversos, homens, mulheres; por mim, tanto vi que aprendi: O Facho-Bode, o Muitos-Beiços, o Rasga-em-Baixo, o Puxa-Cueca e outros edecéteras…

lampião8.jpg Olhe compadre disse euzinho: Não sou amansador de cavalos, muito menos de homens mulheres! Nesse punhadão de gente feito cavalos do vice-versa e até mesmo que fora jagunço, não tenho na minha pessoa competência entrante de demónio. De primeiro, eu nem mexia e nem fazia, sabe! E, pensar não pensava. Quem mói no asp´ro não fantasêia. Vivi puxando vida difícil de difícil. Agora feita a folga que me vem, e sem pequenos desassossegos, estou de range rede, sabe!

Sim! Me inventei neste posto e assim nessa coisa do diabo de existe, não existe dou meu dito de abrenuncia. Tudo bem, diz ele numa de afirmar-se não ser homem dos avessos nem tampouco homem arruinado: Diabo vige dentro do homem, nos crespos do homem. Fiquei pensando nesta dos crespos sem saber mesmo se eram coisas eriçadas, coisas franzidas ou algo difícil de entender. Talvez tudo junto - Viver é negócio muito perigoso. Cheguei à página 19 sem querer ir mais longe por hoje; Hem? Hem? Áh o diabo anda na rua, no meio do remoinho…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:19
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019
MALAMBAS . CCXX

TEMPO DE CINZAS – Terça Feira - 14.05.2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor de Zebra… de várias partes
Por

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra do M´Puto

miai3.jpg Escrita no No Nordeste brasileiro Em Miauí de Cima - Alagoas... 
Eram umas seis horas e trinta minutos, um calor do caraças, corpo mole e pegajoso com um ventilador ronronando paciência na vagareza, gotas de suor a formarem rios e ribeiros até chegarem ao lençol e, vira que vira com a vagareza do soprador que não sublima minha transpiração. Levanto-me! Fui fazer o café da avó na cozinha do piso térreo, bem à maneira, com chaleira e coador. Roça, é roça... 
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Tia Jacira, era uma senhora muito especial e porque já a descrevi, só direi mais que era uma dedicada assistente social de formação e voluntária às rezas repetidas dos terços da vida na Igreja de São Pedro da Pajuçara na Ponta Verde, muito próximo de meu ninho da águia, do carcará Niassalês - eu próprio.

mike1.jpg Com os seus mais de oitenta anos, Tia Jacira distribui amor por todos; incluindo-me, claro. De café feito e coado vou buscar a caixa metálica do papagaio, um jacó verde e amarelo, brasileiro a cem por cento mas, pouco falador; abro a caixa e com um pau-xinguiço retiro o bicho colocando-o em seu altar encastrado no pilar, tendo ao redor uma série de copos com comida, fruta e outros de zingarelhos para palitar dentes feitos bico adunco e, raspar as patas carunchosas.
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Tia Jacira normalmente fala baixinho com o verde-amarelo e, ele trejeitando a cabeça, de curiosidade chama-lhe vóóó - palra coisas indefinidas grasnadas como se fosse um pato-marreco. Nada parecido com o meu papagaio da Cabinda de Angola que pintava a manta de tanto falar chamando filho da puta, assim direitinho ao sagwin-macaco que estava do outro lado da casamata do mecânico dos unimogues e, também minha. 

arara1.jpg Dei-lhe um bocado de painço, um pedaço de banana e uma mistura colorida, sementes de girassol, água limpa e o sacana, nome de como eu tratava, nem um agradecimento: - Matumbo, 
repeti várias vezes e, ele assim com a cabeça de lado como que gravando no seu disco de bicho mas, nada de repetir o tio carcará (eu, o T´Chingange). 
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Cortei um pedaço de jornal ali esquecido e com data de 23 de Dezembro de 2011, a fim de fazer de lençol ao jacó matumbo. Era um periódico da Gazeta de Alagoas a dizer bem e mal dum antigo prefeito de Maceió, Cícero Almeida, um papagaio feito gente civilizada que também desviava verbas para a lista secreta das boquinhas do PT e outros afins... 
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Mais logo este jornal também vai aparecer cagado, com destino inevitável do lixo bem igual à vida daqueles políticos que se lambuzam em devaneios, sabendo que as baratas correm em raly nos corredores dos hospitais para gáudio dos utentes. Os caras enchem-se de boémias, pintam e bordam e, a justiça que deve fazer parte da caixa dois ou mesmo três, nada diz e nada faz... 

miai5.jpg É isto e aquilo que o Bolsonaro quer acabar mas vai-se dar mal se não trilhar bem firme o seu carril. Tem inimigos pra xuxú! Tomara!... Meio Brasil, vivia da seiva dos carrapatos. Hó gentinha, vou zarpar porque dois mais dois podem não ser quatro e fico ferrado. Mas que gorjeavam lambugisses, lá isso era nítido mas, diga-se, a maior parte do povo nem via isso por conta da bolsa, da gasosa, do geito brasileiro. Vou-te-falar!? 
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Saí a comprar leite, pão e queijo de coalho e chegando à padaria um pouco mais a sul, digo Bom d´Jia, assim, um bom dia bem à maneira brasileira. A resposta veio rápida do mulatão, padeiro saído das quenturas dos fornos: - Bom d´Jia, meu irmão! Ué! É o trato... Para agradar ao meu novo mano comprei mais meia dúzia de ovos e uma porção de goiabada.
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Juntei mais uma dose de milho flocão Coringa para fazer no vapor ou talvez bolo; deu tudo somado vinte Reais e, junto o negócio nas sacolas, penduro nos meus dedos e digo Xau! Xau, meu irmão - obrigado! Volte sempre e, assim saí feliz e contente por ter arranjado mais um irmão - que negócio!? Era para ir à praia ali a escassos duzentos metros mas o pessoal estava todo mudo e quedo lá no primeiro andar. 

miai6.jpg O papagaio-fêmea matumbo nem grasnava... Lá fora a moto-táxi do Zacarias, também meu irmão, rompia a longitude e a penumbra das silhuetas matinais com ganas de o estrangular. Com seu escape livre, fazia finfias a ele mesmo botando banga de Coruripe, pois então! Eram sete horas e trinta minutos. 
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Como eu gosto destas vivências tão ricas, tão farfalhudas, tão familiares. Em verdade, senti aqui falta duma vassoura turbo de piaçaba para lambuzar-me de vaidade e até entortá-la em suas costeletas; Bem! Em verdade este especial veículo pertence a uma senhora que muito prezo... de verdade! Tem a marca já registrada, como se diz no braziu. MJS...(Maria Joao Sacagami)
Ilustrações de Assunção Roxo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:33
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2019
KILUNDU . II

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
MERCADO DO XIPAMANINE - Novo encontro com a kianda Januário Pieter, um verdadeiro N´Zambi N´kuluculu
NA ILHA DO CARLITOS - 29.04.2019
Por

soba002.jpg  T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Ontem, um novo dia, demos um forte abraço, convidei-o a sentar-se mas ele continuou de pé como a mostrar a sua nova indumentária e postura de muita banga. O penteado de Januário Pieter era um frisado afro com uma trança a retorcer no cocuruto por uma abertura do seu chapéu, uma quijinga do tipo Cumba-yá-lá tendo uma faixa zulu a contorná-la. 
::::: T´Ching2
Da orelha esquerda pendia um dente de facochero enquanto que a contornar o pescoço havia dois colares formando um conjunto colorido de missangas e n´zimbos; um destes tinha um circulo de madeira de pau preto com um desenho curioso de uma ranhura curva ascendente que entroncava numa helicoide de três circulos num crescendo para a direita e fechando por um cemi-circulo mais alongado indo quase fechar no mesmo sítio de início.

paz1.jpg :::::T´Ching3
Esta enigmática figura, ficou no meu consciente para mais tarde me ser decifrada. Nos pés, trazia umas sandálias em tiras de cabedal e atilhos que se iam amarrar a meio da canela. Vestido, tinha umas calças de vermelho berrante às bolas brancas; nas bolas brancas de forma estilizada aparecia aquele símbolo de curvas em elipse de caracol que quase fechando no mesmo lugar, mais parecia um bico aberto de papagaio. 
:::::T´Ching4
Eu estava estupefeito com tal estilo. Por cima das calças folgadas tinha uma camisa lilás com desenhos na forma de cornos de palanca de cangandala sem cinto a prender, tipo balalaika e, por cima de tudo isto tinha uma espécie de túnica com folhos brancos no final de umas largas mangas. 
:::::T´Ching5
Aquela túnica de uma seda especial tinha as cores preta e rubra como a bandeira de Angola e o mais curioso é que tinha em lugar da catana e a roda dentada, a esfinge de João Lourenço 
com o fundo esbatido de José Eduardo dos Santos. Háka! Eu estafa burro-feito com todo este aparato de n´kondi. Pieter estava um verdadeiro espantalho Xis-pe-te-Ó, super moderno e práfrentex.

luis44.jpg :::::T´Ching6
Até as sandálias estavam feitas em um cabedal firme, reviradas para cima como uma meia lua na forma dum genuíno aladino. Aquilo era demais, uma verdadeira mumia rejuvenecida de kalungas encrespadas. Um extra e vistoso camacoza carregado de zingarelhos. 
:::::T´Ching7
Mas, após a minha mirada, Kianda Pieter falou: - Meu camarada, mano kamba, como estás? Tu, continuas um tipo fixe! Seguiu-se uma pausa sem muxoxo, só por respeito com medo. Pieter mudou mesmo! Arrepiei-me. Que era isto? Mas nós vimo-nos ontem? O kota estava no literalmente. - Sabes meu, rejuvenesci à bessa, uns anos mesmo. Vou até te contar só. - É mesmo! Como foi isso? Perguntei engalfinhado em susto. 
:::::T´Ching8
- É assim, começou ele : - Estive na festa da Muxima, no entretanto esquindivei Kwanza acima, Kwanza abaixo relembrando meus tempos de candengue. Até fui numa rebita mas, mais tarde eu conto só. E Pieter continuou falando. Tinha muitas mocandas na cabeça para contar. - O mais importante nesta minha vida de matumbola mutalo, passou-se em Maputo. 

dia131.jpg

 

:::::T´Ching 9
Kianda é assim mesmo, os metros deles têm kilómetros! E, o tempo vira um era num era... Eu explico: - Por recomendação dum kamba muxiluanda, fui num vai-vem minkisi vip ao Xipamanine, lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine. Estás aver Meu !? 
:::::T´Ching10
O resultado é isto! Eu, só abanava a cabeça. E, ao dizer isto Pieter, fez um gesto longo com ambas as mãos envoltas nos folhados brancos, de cima abaixo indicava o estafermo de figura excêntrica numa simultânea adoração ao tal N´kuluculo. - Pópilas... Eu, estava feito um plimplau. 

dia23.jpg :::::T´Ching11
Glossaário: Quijinga: - gorro de autoridade tradicional Cumba-yá-lá: - ex- governanta da Guiné-Bissau Facochero: - javali preto com dois pares de dentes salientes N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga Palanca: - animal de grande porte e com esguios e longos chifres; simbolo de Angola (Quase em extinção) Cangandala: - local reserva natural em Angola háka: - Irra!,Caramba!, porra! n´kondi: - poder da magia em fetiche, boneco de maldades kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral camacosa: - maltrapilho kamba: - companheiro, amigo, camarada (de guerra) muxoxo: - sílvido produzido pelos lábios de vento aspirado entre dentes, estupfacto ou sinal de desprezo, sinal de desencanto esquindiva: - fazer revianga, finta, fazer piruetas, bazar dalí candengue: - moço, rapaz, pivete (Brasil), puto (Portugal) rebita: - baila na sanzala ou kimbo, dança de umbigada com as garinas mucanda: - carta, missiva, relatório matumbola: - morto vivo, uma assombração mutalo: - espíritos mortos sem ordem de n´zambi (Deus) muxiloanda/o: - natural de Luanda, camundongo, (quem bebeu água do bengo e apanhou paludismo ainda candengue) minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado cambuta: - homem baixo, atarracado N´kuluculu: - N´Zambi, Deus na língua Zulu Miama: - preto na língua Zulu Xi-lunguine: - nome aoriginal de Maputo Pópilas: sáfa! Caramba!, c´os diados! Plimplau: - pássaro saltitante, irrequieto (Continua ...) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:08
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Domingo, 28 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXVII

N`ZINGA E O FALA KALADO 
NA ILHA DO CARLITOS de Várias Partes – 28.04.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Foi uma grande e boa surpresa ver-te em Guarulhos e, quis manter-te afastado das periclitâncias. Ainda temos alguma jornada pela frente aqui e lá! Disse isto apontando o dedo para cima como se ele, FK já tivesse alisado seu caminho que conduz ao mukifo do céu; até talvez seja natural que ele tivesse trazido uma bússola em sua anterior ida; refiro-me àquela morte que resultou numa lenda ainda não contada aqui com rigor mas, cada item no seu cronograma. 
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Se houver um anjo espião, que o há pela certa, porque estas nuvens são demasiado traiçoeiras, vai ter de fazer uma triagem de tudo para poder juntar nossos hologramas. Eles, lá no MPLA são peritos em festejar nosso contentamento mas, depois dão palmadinhas nas nossas costas e numa de paz e reconciliação às tantas, espetam um pico imperceptível de cacto tabaibo com veneno de cobra mamba.

monstro4.jpg Acabávamos de saborear um caldo de camarão com jindungo na ilha do Carlitos. Sim! Disse eu numa de mudar o rumo à conversa porque se sempre pensamos em vinho envenenado vamos ficar detestávelmente paranóicos: - Lá também deve haver forro de serra, deve ter um Dominguinhos para alegrar a malta, não é!? 
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FK riu-se como não o via rir faz tempo e, por momentos sua cicatriz mudou de cor, ficou vermelha ressaltando os pontos feitos com mateba de Catete e deu para assustar vendo sua orelha de plástico hibernado ficar pululando de tremura. Deu umas tossidelas com som estranhamente fino, coisa invulgar por sempre ter voz de trovão e, num repentemente tudo normalizou. Graças a Deus, muxoxei baixinho.

pombinho5.jpg Tu és muito astuto de picaro, disse FK: por isso é que o Mais-Velho te mudou de secretaria sem secretária, chupando na mandioca para fazeres teus poderes dialécticos como Secretário de Relações Públicas. Mesmo assim na merda de nossa vida encantada, nunca tivemos momentos altos de nos enaltecerem nas devidas proporções, mas, deixa para lá... A estória só nos anoiteceu! Conclui, dando um tremendo dum peido de assustar os bem-te-vi. Para eles! - disse.
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Sim! disse ele, o Fala Kalado depois de entornar a sua décima primeira cerveja skol, depois de ter tomado três caldinhos variados de sirí e dar umas mais de doze bufas sonoras para aliviar o "simsenhor", como ele chamava ao seu forever, mataco açambarcador de cheiros variados, de fugir com a mão no aspirador de aromas.

quip´02.jpg Chiça, o cara continua: Nada foi fácil para ninguém em N´Gola, todos pareciam salalé a fugir de cobra surucucu para lugar desconhecido; uns foram para o Sul outros para aqui no Brasil e a maior parte seguiu para o M´Puto. Para ti, T´Chingange, foi um vôo grátis para Lisboa depois de passares umas quantas guias de transporte na ponte do Tundamunjila lá no palácio do desgoverno!
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Minha lenda, diz FK: anda a ser descortinada por ti, resquícios de investigação e relações publicas mas, toma cuidado, nem todos os que parecem ser, assim o são. Como assim!? O que é que tu sabes que, eu não sei. Tambula konta meu irmão: tem gente que te quer fazer trepanação a frio e tu com teu kixibus todos, não vais aguentar... Anda pianinho - malembe melembe...

fuga6.jpg Realmente, só fui sabendo um pouco de ti aos poucochinhos, disse eu para dar finalidade a tanto retalho do tempo. Passando uma esponja sobre e sob tantos pormenores dir-te-ei que ajudei a reformular a ala do MPLA de Chipenda mas, por falta de consistência e também de coerência, estando eu já no sul, aderi à UNITA . Foi Salupeto Pena que me convenceu.
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Aí está uma afirmação que desconhecia, por isto é que a insatisfação tomava conta de mim tornando-me um gelo no estado sólido mas, curiosamente muito quente como quem apanha em cima um balde de água. Isto já era demais - ficando assim na dúvida se não seriamos uns hologramas, fizemos uma pausa na piscina, pischinando...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:26
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Sábado, 27 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXVI

N`ZINGA E O FALA KALADO 
NA ILHA DO CARLITOS de Várias Partes27.04.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Ele, Fala Kalado, quis ficar longe das vistas e já na Ilha do Carlitos foi-me dizendo que tem andado recatado, metido na sombra e no mato, para fugir de toda aquela vida de kazucuteiro, da venda e compra de armas. Kamanguista, já era - trespassei por bom dinheiro! Agora só quero mesmo gozar minha velhice com a tranquilidade permitida pelo reumático.

lampião10.jpg Quero ir à Serra da barriga depositar em selo, as vontades dos próceres matumbolas (mortos vivos) de N´Gola, N´Zinga, Hoji-ya-Henda e Monstro Imortal, heróis da guerra do Tundamunjila descansando sua eternidade junto dos seus antepassados, no Quilombo de Poconé; aliás já falei nisso! Pois, quero ir lá contigo porque sei que conheces bem, as antigas terras de Zumbi dos Palmares.
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Quer-se dizer, vais acabar cm a minha estória do Fala Kalado! disse-lhe eu. Tu é que sabes! Foi a resposta. Mas, há muito que contar - assim queiras, conclui... Por agora vou lá deixar as placas comemorativas, última vontade daqueles tais, para culminar esta etapa de familiaridade muito relegada no tempo.

flor6.jpg T´Chingange fala: Tua vida tem sido complicada depois que o Mais-Velho Jonas te mandou "fazer a folha". Também, a desviares tanto "feijão branco", daquele jeito, só poderia dar nisso. Só quando te vi no terminal de Guarulhos é que fiquei a saber e, com muito espanto que estavas vivinho da costa. Para mim, tu já estavas no eternamente do mukifo do céu...
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Recordo-te quando nos vimos de relance em ótxicoto lake da Namibia, faz tempo, com um tal de Mike Guiver, angolano preto, mas depois escafedeste-te da minha memória - tua t´xipala ficou baça e grudada no cerebelo como torrão de alicante preto. 

lampião23.jpg Durante algum tempo até recordei esse ximbicador de mambos, tocador de viola e baladas das anharas mas tudo se foi esbatendo. fazia-te morto naqueles confins, terras do fim do Mundo do Dirico, Divundu ou Rundu... Pois! Como disse (era o FK a falar) tu, T´Chingange ainda tens muito para contar pois que, foste Secretário de Informação e Propaganda naquela fase embrionária do Comité da Caála do Huambo aonde estava nosso comum amigo Kalacata. 
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É verdade - falei eu: Nesse tempo ambos sonhávamos com imagens inteiras mas, depois nossos destinos foram-se fragmentando, tal e qual como aquelas molas helicoidais das granadas ofensivas.

nito01.jpeg Lembro, disse! Ficavam quase em nada quando estilhaçavam. Tal como nossas vidas, rematou FK. A conversa estava boa de lembranças recordando aquele passado feito "NADA" neste "TUDO" de agora a falar de outros tempos... Soube que o Mais-Velho Jonas, reformando o Comité da Caála deu-te novas funções de Secretário de Relações Publicas, que quase morreste em Kalukembe na curva da morte. 
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Hó, se lembro! Desse tempo em que me mataram junto com o galo desenhado no capôt do meu renault major - em Kalukembe! Pensavas que eras o único morto nesta estória? Já relembrei por aqui e por ali o que foi essa minha vida; como dizes ainda haverá muito para dizer - de forma aleatória correndo no tempo para lá e para cá.

lampião19.jpg Afinal, ambos fomos abençoados. Estarmos aqui a contar isto que é uma estória quase igual à do Lampião, muito cheia de espinhos. Temos de andar com cuidado porque os cactos têm acerados picos, os mesmos que o cegaram sem nunca ter vingado a morte de seu pai Virgulino Ferreira. Virgulino, que nome mais traiçoeiro - cheio de virgulas...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:11
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Domingo, 21 de Abril de 2019
MOAMBA . XXVI

MOAMBA . XXVI

Dizem que já estamos no século XXI... 
NA TEORIA DA APTIDÃO INCLUSIVA - 21.04.2019
Gente com quem me fiz gente... Moamba é cozido de galinha feito com azeite dendem. 
Por

soba03.jpg T´Chingange - No Nordeste do Brasil

himba3.jpg Para a generalidade da população brasileira, Exu, é o chifrudo, o cão, o tranca-ruas. Falando assim em tempo de Páscoa, até parece ser uma rebelião aos conceitos cristãos mas, e porque nem sempre domino as modas com rosas de magnólia estampadas na frontalidade, fico-me muitas vezes feito um analfabeto comendo iliteracia, lambuzando-me com um livro entre as mãos.
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Bem! É verdade que só se alcança a sabedoria reconhecendo a ignorância. Creio que já outros o disseram mas é deste jeito que a evolução na sociedade interage, somando amizades por afinidades ou hereditariedades. Caramba, até parece que engoli uma grafonola com palavras caras mas, se não é bem assim andarei por perto.
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Naquele dia que já passou, faz tempo, todos os jornais falam na participação de mercenários angolanos na guerra dos morros do Brasil. Genericamente, um morro é uma elevação aonde se amontoam como baralho de cartas construções que avançam para os matos; matos que normalmente pertencem à riqueza soberana do país - a floresta. 

moc1.jpg Fugir para o mato ou para o morro é um trocadilho que funciona na ilegalidade, construções ao deus-dará escorregando nas chuvas que até ipé-roxo levam, assim como um chá que ao invés de fazer bem mata; de novo, mata. O que resta é isso, vou fazer o quê: Os bandidos ou matam ou morrem, quer-se-dizer fogem pró morro. Portanto não é de admirar haver aí especialistas com tecnologia de ponta, angolanos! Eles são bons nisso!
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Há circunstâncias em que: - Ou mato, ou morro! Tudo a condizer com esse Exu, dia do cão! Separando os boatos das denúncias relevantes desde o topo até o disk-denúncia 181, teremos de somar as falsas noticias também conhecidas por Fake News, que em verdade podem interferir negativamente em vários sectores da sociedade tais como como a política, a saúde e a segurança.
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Assim pensando, não consigo desgrudar do Zumbi esta nova relação com os mwadiés de N´Gola porque, de numa ou mato ou morro Zumbi, ali se foi alojar - um reino chamado de "Morro da Barriga". É assim que encontro o Euclides, um jornalista benguelense a falar com paixão de tudo aquilo imaginado, ultrapassando a realidade; confundindo-me.

moça4.jpg Durante o ataque dos polícias ao Morro da Barriga, viu-se a si próprio com armas na mão, abrindo caminho a tiro, como se estivesse sentado tranquilamente no cinema Miramar da Luua, ou no seu quarto jogando um videojogo. 

nova.jpg O Jornalista da terra do siripipi, retira uns jornais da pasta e lê: - "A polícia procura mercenários angolanos envolvidos na guerra dos Anjos. Um dos polícias que participou no assalto ao morro contou ao nosso repórter ter visto um crioulo alto, vestido com elegância, assassinar com dois tiros certeiros um dos agentes".
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«O policial que pediu para não ser identificado, afirmou que o dito cujo individuo, seguramente um militar, gritava instruções aos bandidos com forte sotaque lusitano.» Seguramente era angolano pois que em seu sotaque abria todas as vogais! 

himba4.jpg Bom! Aquele angolano pelo menos era elegante, bem vestido, tinha um laçarote vermelho e preto parecendo uma bandeira pois que ainda se podia distinguir uma catana e uma roda desdentada. Até deu para ler um CV esvoaçando nas letras: Comando Vermelho. Estes mwadiés são muito matumbos! São incapazes de distinguir uma tomada eléctrica de um focinho de palanca.
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:22
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2019
MOAMBA . XXIV

HOJE É DIA DE LA LYS ... 10.04.2018
CHOVEU MAIS DE DUZENTOS MILÍMETROS DE ÁGUA NO RIO DE JANEIRO - UM CAOS... E, CONTINUA A CHOVER... NOSSO SENHOR ABRIU A TORNEIRA DO CÉU...
Por

t´chingange2.jpg T´Chingange - No Nordeste brsileiro

araujo181.jpg Já tinha escrito: A FÉ E O TRIBALISMO... Estivesse eu na Lagoa do M´Puto e iria depor uma coroa de flores a todos aqueles e, foram muitos os que tombaram na guerra. Na madrugada de 9 de Abril de 1918, (há 101 anos) dezenas de divisões alemãs irromperam pelo sector português da frente, defendida pela segunda divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP). 
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Em poucas horas, os portugueses perdem 7500 homens entre desaparecidos, mortos, feridos e prisioneiros, naquela que ficaria conhecida pela batalha La Lys. Um oficial escocês, escreveria uma longa carta elogiando as acções de um soldado chamado Milhais. 

lys1.jpg Pelos seus actos recebeu a Ordem Militar de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Depois de receber a condecoração, seu nome mudou de Milhais em Milhões. É nele que penso mas e também, em todos os que no Rio de Janeiro e no dia de hoje, sofrem uma crise de chuva... Uma batalha de vida que toca também a milhões...
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Nos lugares aonde se ministra a palavra de Deus, tornam mais suportáveis a tirania, a guerra, a fome, a chuva ou seca, bem como as piores catástrofes naturais. Tragicamente, as grandes religiões são também uma fonte de incessante e desnecessários sofrimentos pois que, constituem um entrave à compreensão da realidade.

lys02.jpg E, a realidade é tão necessária para se compreender e resolver a maioria dos problemas sociais em nosso mundo real. Não há como satisfazer a alma tendo tantas definições e tanta confrontação entre as "Igrejas" - umas contra as outras e, como se tudo na historia ou estória, fosse um simples tribalismo com criações fantasiosas.
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A religião é vista pelas pessoas comuns como verdadeira, pelas pessoas sábias como falsa, e pelos governantes como útil. A aceitação por parte de um crente de uma dada estória da criação, e dos relatos de milagres que esta outorga, dá-se-lhe o nome de FÉ.

lys3.jpg A FÉ religiosa oferece aos crentes enormes benefícios psicológicos: Fornece-lhes uma explicação para a sua existência e, faz com que se sintam mais amados e até protegidos do que os membros de qualquer outro grupo tribal. Tudo isto para dizer que a causa do ódio e da violência é a FÉ contra a FÉ. Um verdadeiro instinto tribalista... Embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não nos ver, fazendo-nos sofrer por culpas alheias.

lys2.jpg Teremos por isso de ficar nesse estranho silêncio, uma forma de ver, obedecendo ao princípio do NADA, esperando as mudanças no tempo ou do bom censo, deixar acalmar o pó fino dos caminhos aonde existem sonhos feitos becos, um sítio sem saída... Esperando o tempo...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:49
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Terça-feira, 9 de Abril de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXII

- O PADRE CÍCERO - Na terra dos Cariris... 09.04.2019

Entender o Brasil por alturas de 1827 a 1856 

- Cada casa era um sítio de fandango, de saraus da breca feitas bodegas de cachaça com calor nos ânimos ainda por conhecer...
Entender o Brasil por alturas de 1827 a 1856 
Por 

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma criar loja virtual. 
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira. 

cazumbi0.jpg ::::::214
Juazeiro do Norte - Terra do Padre Cícero - "Uns doze graus abaixo da Linha Equinocial, aqui onde se encontra a Terra do Nordeste metida no Mar, mas entrando-se umas cinquenta léguas para o Sertão dos Cariris"... Construída a capelinha de Nossa Senhora das Dores, foi o padre Pedro Ribeiro nomeado seu Capelão, pelo Vigário do Crato, freguesia de Nossa Senhora da Penha, a que ficou pertencendo à capela de Juázeiro. 
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O padre Pedro era muito zeloso; cuidava dos poucos habitantes daquela aldeia, na maioria escravos de sua família, catequizando-os, ensinando-os a rezar e a trabalhar. Na época de inverno entregavam-se às fainas agrícolas; homens e mulheres iam para a roça empregando-se no cultivo de cereais variados, o milho, feijão, mandioca e algodão. 

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Após a colheita, as mulheres ficavam em casa cuidando dos trabalhos domésticos e fiando algodão para tecer a roupa dos maridos e dos filhos ou delas mesmas, eram elas que costuravam à mão, pois que ainda não havia máquinas de costura.Hoje já não passamos sem o celular, o micro-ondas, a televisão ou um simples ferro de engomar mas, naquele tempo era tudo muito primário e, no entanto sempre nos queixamos da vida
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A felicidade é construída por cada um de nós nas pequenas virgulas do quotidiano. Com o desenvolvimento surgiram novas doenças e maneirismos com hábitos que enturvecem a cabeça dos mais velhos. Os homens dedicavam-se aos trabalhos das fazendas, alimentação do gado, da solta das rezes nos pastos, ordenha, vaquejada, desmancha de mandioca, caça ou pesca. 

booktique14.jpg :::::218
Os Coronéis davam ordens aos seu capatazes, seus jagunços de segurança, divertiam-se coleccionando donzelas na penumbra do aconchego sem querer dar nas vistas; no final era uma mistura de meios irmãos reclamando posses e edeceteras diferenciados. Nesse tempo eles era os advogados, os políticos, os Donos Daquilo Tudo. Um perfeito DDT.
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Todos ali aprendiam o catecismo, rezavam e trabalhavam orientados pelo Padre que não permitia a promiscuidade tão comum - o negócio gozado em realidade continua nos nossos dias mas, isto naquela altura era mais comum ou visível entre escravos e os senhores. Mas, ninguém via, ninguém escutava - eram tempos de muita penumbra porque ainda não havia jornalistas curiosos, nem reportagens de crimes, gráficos de simpatia e outras desavenças. 

booktique7.jpg :::::220
Mesmo sem haver tropa militar de carreira, já havia no civil, alferes, capitães, majores, coronéis e por aí. Tudo sem haver uma formal posse administrativa. Era o dinheiro que mandava. Nesse tempo, rico nunca ficava na prisão. E, vou-vos falar era foda ser pobre e preto, um fado que cantado faria chorar as pedras da calçada. Quando surgia uma escaramuça formavam os "volantes" - civis voluntários para eliminar os do "levante". 
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Mas, naquela altura, os padres não admitiam esse negócio de bebedeiras, de sambas e jogos com uso de armas. Isto era expressamente proibido. Só mesmo o coronel, o capitão ou o major da ordem dos abastados poderia usar uma arma. Quem estabelecia isso? Minino, cuida-te! - Eles estabeleciam, pintavam e bordavam; artistas completos! Também só assim poderia meter respeito. Os tempos eram outros; não havia essas frescuras de que é menor, de que é passado dos carretos. Ia prá choça e apodrecia por lá. Qual psicólogo e edeceteras de modernidade. Era o escambau! Topou! 

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Nesta atmosfera de muita paz e tranquilidade lá no ano de 1856, o Padre Pedro, cercado de muito respeito e amor, morreu. Deixou todos os seus escravos libertos e, na sua carta de alforria, apenas exigia uma condição: trabalharem sem recebe numerário todas as vezes que a Capelinha necessitasse de reparo. Não levou muito tempo a que os libertos sentissem o sabor da desobediência e degenerecência, entregando-se à folia. 
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Desacostumados, os negros libertos, entregaram-se ao vício porque é sempre o fruto proibido o mais apetecido e, daí, cada casa era um sítio de fandango, de saraus da breca feitas bodegas de cachaça com calor nos ânimos ainda por conhecer. Foi neste ambiente que chegou o Padre Cícero. Cada alpendre era um terreiro de samba, que terminava com pancada da braba, assim de "faca-fora". Senhores e escravos confundiam-se com as festas da mais criminosa criminalidade. Uma mais genuína concentração a comparar com os festivais modernos como Roque em Rio , ou Super Bok - Super rock ... e, outros sempre cheios de gente práfrentex...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:33
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2019
MALAMBAS . CCXIX

TEMPO DE CINZAS – Domingo - 07.04.2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor vermelha… 2ª de várias partes

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

soba22.jpg Sete horas horas e vinte minutos do dia 07 de Março. O sol queima a orelha e já bebi meu coco frio à beira da Kanoa; acabei de mudar meu chapéu de sol e cadeira mais para a berma da água porque o mar está a secar, maneira se de dizer aqui que a maré está a vazar. junto ao carro do coco encontro meu vizinho sozinhando sua velhice com um copo de coco de cor amarela. Será caipira? Será whisky? Xavier é o nome dele; um deste dias meti conversa perguntando que tal estava a caipirinha mas ele respondeu com cara de pau, que só era água de coco. Às tantas ele é evangélico e também abstémio... 
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Assim, fiquei quase amigo de Xavier, porque nossas conversas são aos solavancos sem pontuação nem ponto e virgula. Mas, hoje Xavier perguntou-me se a água de coco que levei para casa em uma garrafa de 1,5 litros estava sabendo bem. É que a dele, depois de esperar o resfriamento com seu whisky estava intragável. Disse-lhe que o produto dos cinco cocos estava só sabendo um pouco a coco velho. Que por esse facto tinham pouca água dentro.

araujo000.jpeg Xavier fala: Rapaz...: Quando botei o copo à boca, água de coco esfriado na geladeira o negócio estava, sabia mal, parecia veneno, sabe! Minino!... Lembrei-me de você, que ficou no prejuízo! Até disse pró meu filho: Aquele moço foi enganado... Tem cada gentinha, a gente paga e fica assim, noé!? Tá mal... Mas afinal o Senhor teve sorte.
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Negócio gozado, Seu Xavier começou por me chamar de moço, passou para o cara e minino, agora de Você e Senhor. Não demora Seu Xavier está me tratando por vosmecê, ou dôtor com mais vosselência, negócio gozado, mesmo! Estava assim taciturnado olhando os matutos de arredores de Palmeira dos Índios gozando a praia de água salgada e molhada, quando toca meu celular - telemóvel do M´Puto. Ólho - chamada internacional em roaming. Não fosse quem era e teria desligado na ora.

DIA107.jpg Era Agualusa a ligar-me de Swakopmund da Namíbia, pode!? Já em Curitiba, em uma apresentação em feira de livro me tinha telefonado. Pois, já estava avisado; não foi uma inteira surpresa porque nesse então disse que estava quase de partida para ir a Etosha Pan ver animais. Todo entusiasmado disse que estava quase a tomar o balão para ver as dunas em volta das milhas e particularmente da número 45 que em tempos eu mencionei. Pois! E aí... Em verdade já nem me lembrava de lhe ter dito. Foi ele na sua forma cusca que leu em meus rascunhos... também tem esse hábito de vir beber às minhas mulolas e t´ximpacas .
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Pois então, estava no Deserto do Naukluft a Sul de Swakopmund. Só me telefonou para desemperrar sua admiração: - O balão tinha meu nome escrito em letras coloridas "T´Chingange". Isto é de tua propriedade? Perguntou de forma repetida. Resposta minha, rápida: - É... Como devia estar a gozar comigo teve esta desconcertada resposta mas, pelo andar da conversa a coisa era mesmo a sério. E, como a curiosidade mata, deixei ficar por isso mesmo, talqualmente.

DIA106.jpg Isto há coisas! Quando do telefonema feito de Curitiba tinha-me dito que o Coronel Fala Kalado andava por aqui, em Brasil. Ora isto já era do meu conhecimento pois que nos tínhamos avistado em São Paulo, no aeroporto de Congonhas, terminais um e dois. O meu intriganço era o de saber o que é que ele, Agualusa, sabia de nossos relacionamentos. Mas, agora que chove - doze e trinta, não são horas de voltar atrás na descrição nem discrição. Talvez mais tarde
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Despedi-me dele assim: Cuida-te, andas a pôr o Cristo Rei sempre de costas e podes ter graves problemas. Deves saber que agora Ele, está acima de tudo. Bem! Já antes, aliás sempre esteve mas agora faz parte do slogan constitucional: isto acima de tudo e Deus acima de todos... 

agualusa2.jpg Não quis ir mais longe por modo a deixá-lo confuso com as particularidades e, se bem o conheço, irá direitinho falar com a osga gorda que nem um crocodilo depois de comer um veado. Conferenciará com ela como o Palmares com seu Anjo Azul. No fundo, no fundo, ainda bem que não arranjou uma louva-a-deus. Ora, porquê! Porque essas bichonas comem os machos depois de copular. Isso! Depois de rebolarem na cama...

Ilustrações de Costa Araújo
(Voltarei ao assunto...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:59
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Terça-feira, 2 de Abril de 2019
MALAMBAS . CCXVIII

ORFÃOS DA TERRA - 02.04.2019
Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Encorujado nos meus farelos antigos, queimo as pestanas na praia da Pajuçara com sol intenso!… Sim! É tudo mais do mesmo! As algas, o mar verde e azul e edeceteras... Mas hoje passeando no calçadão, já quase chegando à Jatiuca um felizardo da terra todo vestido de azul, sapatos e meias azuis, calções e flanela azuis, chapéu tipo boné quico azul e, até uns óculos reluzentes azuis alocromáticamente fosfóricos, faz-me um rasgado cumprimento: - Bom dia Major!...
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Não é a primeira vez que o vejo sempre contente e falador saltitando passos com a ajuda duma muleta - no lado esquerdo. Seria falta de cortesia não responder com um Bom Dia mas, a chuva em verdade começava a cair de mansinho.

spi3.jpg Este tipo deve ser portista! disse cá para mim na certeza de que seria um outro clube aqui da terra do Brasil com ascendentes de dragão, bichos de cuspir fogo parecidos com outros pré-estóricos pintos da costa - dromedários o quanto baste para serem genuínos camelos.
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Nesta capacidade de repetir discursos já gastos para que tudo fique na mesma e, porque tenho ideias e ideais, passei o tempo da vida a perder amigos. Quando tudo me leva a crer que os amigos são o que penso, normalmente, a determinada altura já têm respostas para as perguntas que eu ainda não lhes fiz e isto, indispõe-me sobremaneira. 

spi0.jpg Por vezes também é o contrário disso sem eu ter as respostas adequadas ao momento. Assim com o meu peito séptico dispus-me a fazer o trajecto de hoje caminhando no calçadão contemplando as imprevistas contrariedades que sem culpa formada me fazem passar o tempo. Os sofistas sempre me desnortearam... E, assim fui galgando metros.
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Passei por muita gente de tanga e sunga que gozam sua vida em qualidade de 30 graus centígrados e, creio também até muita desta gente, ruminava como eu silêncios pelos erros alheios de muitos e zelosos assessores. Assim, entalado na charneira de entre a raiva e o vazio derramava-me aos poucochinhos perfilava-me assim como aquele outro cocho de mente azul, por cinco quilómetros. 

morte3.jpg Assim compenetrado no distraimento, ouvi de mansinho uma voz que sinceramente, não reconheci. Era um vulto com contornos de gente camuflado de assombração e com um monóculo encaixado na orbita ocular do olho direito: “ O destino faz muitas armadilhas à volta da gente e das suas intenções impedindo-as de se poder fazer o mais desejado”.
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Caramba! Era mesmo o autor de “Portugal e o futuro”, o livro premonitório do Vinticinco de Abril, isso mesmo! António de Spínola sem tirar nem pôr e até trazia uma boina e um pingalim, espécie de bengala flexível, de couro ou rabo de raia com a ponta a terminar em uma aselha de cabedal; spinolando o ar, batia seu pingalim, punho com mão e repetia; um gesto que me dava uma desconcertada indisposição. 

sorte4.jpg Gostava de saber a razão que leva alguém a usar um monóculo? É que, até um indivíduo que é cego de um olho, usa óculos normais! Interroguei-me sem levantar questão! Ora! Tarde piaste! Logo agora aparecer-me este general vaidoso para me relembrar as merdas que tanto quero esquecer. Não pode Ser! Você é o general Spínola? 
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Cá para mim o que o homem queria era ganhar carisma… Primeiro foi a boina! Mas, teve necessidade de um monóculo. Em termos práticos para que serviria? Para ver ao detalhe as minas e armadilhas ou para intimidação dos inimigos? Ando deveras preocupado porque parece que isto, só sucede comigo. 

sorte2.jpg Depois, só para chatear, mais tarde decidiu usar um pingalim! E, luvas de couro preto! Este absurdo só pode ser mesmo uma assombração! Pois bem, se o é, vá-se embora de vez porque o que tenho lembrado de si em filme e a preto e branco está descolorido e, até desfocado! Depois, a mesma vozinha falou: “Sabes! O passado vem sempre ajustar as contas antigas!” Disse isto, sem mais explicações, como se eu não o soubesse. Bem feito seu cara de pau.
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Tal como veio, assim se escafedeu! Ouvi assim uma chiadeira irritante como um berro de osga languinhenta a rir-se e, a figura difusa foi-se, como se foi no seu real pós-guerra de tugi, criando em nós, babancas, um orgulho nacional. Merda de orgulho este que me tornou num ORFÃO FORA DE PORTAS.

geringonça1.jpg Apeteceu-me perguntar-lhe: Viste a merda que fizeste? Mas, entretanto já nada ali estava, só pude ver o farol raiado de branco e vermelho na Ponta Verde a recordar aos patrões-de-costa e afins que ali há rochas chamadas de recifes. 
Tudo ficou assim, sem mais nem porquê!? Abril....
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:38
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Sábado, 30 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XX

- O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira - 29.03.2019 
Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 
::::: Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma criar loja virtual.
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira.

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Juazeiro do Norte - Terra do Padre Cícero - "Uns doze graus abaixo da Linha Equinocial, aqui onde se encontra a Terra do Nordeste metida no Mar, mas entrando-se umas cinquenta léguas para o Sertão dos Cariris Velhos da Paraíba do Norte, num planalto pedregoso e espinhento onde passeiam Bodes, Jumentos e Gaviões sem outro roteiro que os serrotes de pedra cobertos de coroas-de-frade, mandacarus e babaçus. 
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- A bênção seu padre?! - Deus a abençoe,"Sia Aninha", como vai passando dos seus achaques? - Não vou muito bem não; Seu Padre não me ensina um remédio?...ensina a todo o mundo, mas a mim não ensina e eu tenho muito desgosto disto; queixava-se a pobre velha olhando vagamente, pois era cega, para o lado de onde partira a voz do sacerdote. O padre, sorrindo baixinho e olhando-lhe os olhos sem luz, disse, em tom de gracejo: " É Sia Aninha - santo da casa não obra milagres, mas, mesmo assim, vou ensinar-lhe um remédio.

pombinho3.jpg:::::197 - Pintura de Manuel Pombinho
Um diálogo assim servindo de prologo é um niquinho da descrição em notas que expressam a verdadeira história de Juazeiro no longínquo ano de 1910, ano em que se implantou a Republica em Portugal... Ano em que o Algarve passou a ser integralmente português. Mas, aceitando a opinião do escritor cearense João Brígido ficamos a saber que o Cariri foi principiado a povoar por aventureiros baianos chegados até ali através do Rio São Francisco, lá pelos anos de 1660 a 1662
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Mais tarde o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves teve apenas dois reis, Dona Maria I e Dom João VI (que, antes da sua mãe, a Rainha Dona Maria I morrer, já governava como Príncipe-Regente). A capital do reino era a cidade do Rio de Janeiro, à época chamada apenas de Corte. A soberania de Sua Majestade Fidelíssima era exercida sob todas as colónias do Ultramar Português.

pombinho14.jpg :::::198 - Pintura de Manuel Pombinho
Narra o escritor Brígido que um negro escravo da "Casa da Torre" uma fazenda às margens do São Francisco fora raptada pelos índios Cariris; este que soube ganhar afeição dos selvagens adquiriu sobre estes uma notável ascendência pelos hábitos contraídos em suas relações com os brancos pelo que, no conhecimento perfeito de certas artes, levou estes ao caminho das terras boas da montanhas do Cariri. 
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Este invasores eram nem mais nem menos que os descendentes do Caramuru, o português que escapou de um naufrágio de uma nau francesa; livrou-se de ser devorado por captar nos índios a admiração com assombro pelo uso de seu fusil, bacamarte com que matou em voo, um peru do mato com estrondo deles desconhecido.

quipá0.jpg :::::200
E foram os descendentes do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro que fizeram assento da sua ancestralidade: serem descendentes da linha directa de Caramuu, Diogo Alvares Correia que casou com uma das filha do Cacique Cariri, chamada Catarina Paraguassu. Assim se destacam o casal João Bezerra Monteiro E Caetana Romão Romeira Rodrigues de Sá, ambos naturais de Pernambuco.
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Foi este casal, os primeiros donos do Engenho Moquém, situado nas vizinhanças do Crato, cidade póxima a Juazeiro. Fixaram ali residência na Fazenda Zorés, no Município de Icó. Eles, eram a décima descendência do Diogo Alvares Correia natural de Viana do Castelo.

roxo109.jpg :::::202
O Reino do Brasil desmembrou-se com a independência do Brasil, a 7 de Setembro de 1822, proclamada pelo filho do Rei Dom João VI, D. Pedro de Alcântara de Bragança (futuro imperador D. Pedro I do Brasil e Rei D. Pedro IV de Portugal), que, antes da independência, era o herdeiro do trono como Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. 

cicero1.jpg :::::203
O Reino do Brasil, independente em 1822 e, por conseguinte, desmembrado do império ultramarino português, torna-se Império do Brasil em 12 de Outubro de 1822, com a coroação do Imperador D. Pedro I, confirmado em 25 de Março de 1824, com a outorga da Constituição brasileira de 1824. Assim, pouco a pouco lá chegaremos à vida do Padre Cícero, muitos anos depois do tal Caramuru e seus descendentes...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:51
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Terça-feira, 19 de Março de 2019
N´GUZU. XXXIII

CONHECER O BRASIL  – Recordar o que são os TROPEIROS

- Parte TRÊS … 19.03.2019

TROPEIRO, o herói, quase um bandeirante que enfrentava onças. SERTANEJO com lagartos e carcarás nas bordas dos caminhos ou lodaçais secos que nem tabletes de chocolate…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Numa sã convivência, é meu hábito relembrar os velhos tempos dando a conhecer a alguns aquilo que foi ou ainda o é, a maneira de se viver, os hábitos e alguns costumes fora de portas habituais aos demais, brasileiros, portugueses, sul-africanos e, ou angolanos. Esta iniciativa é acarinhada por uns e considerada foleira para outros mas, não virá mal ao mundo considerar ou não, outros conceitos!

tropeiro13.jpg Tenho uma amiga, minha empregada ugandesa, que nasceu em Campala que sempre fica extasiada com meus contos de cordel, minhas estórias encantadas do Xingó, do Xingrilá ou coisas do sertão africano, terra da qual ela tem muita saudade…Há entre os meus amigos um engenheiro especialista de obras feitas e carris paralelos de trem ou comboio, que sempre surge dando uma de sabichão, falando palavras de Domingos e quase desconsiderando minhas formas de expor. Nem se lembra ele, que fui eu que lhe ensinei a calcular volumes de terras, entender e ler os perfiz e, até saber na perfeição qual a função das solipas.

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Falando de tropeiros, sua figura ensimesmada, soturna, seria pouco integrada ao amanho do campo e, menos ainda à balburdia das cidades. Um pequeno artigo de jornal, com este mesmo nome, intitulava de “transportes arcaicos” recuperando-o como elo de aproximação entre o mundo rural e urbano, um carteiro portador de notícias variadas e recados, Novos modismos de caminhantes com gosto pela natureza, patrulheiros ou pombeiros modernos a comparar com os actuais aventureiros ou escuteiros e à semelhança das criações de Robert Baden-Powell

tropeiro14.jpg  Ter em conta que Baden-Powell aproveitou e adaptou suas experiências na Índia, na África entre os Zulus e outras tribos do sul da África e as guerras dos bóeres; Estes colonos de origem holandesa e francesa, opuseram-se ao ao exército britânico, que pretendia apoderar-se das minas de diamante e ouro recentemente encontradas naquele território. Em 1896 dirigiu uma expedição contra os Matabele em Rodésia. Desconfio bem que este novo conceito de estar também passou pelas áreas dos Pampas e Cisplatina.

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Todos estes modismos serviram para educar e adestrar os rapazes, a serem espartanos, antigos bretões, ou peles-vermelhas; Também aqui encaixam perfeitamente os tropeiros do Brasil. Procedimentos que foram renovados por Hitler com sua juventude higienista ou mesmo a Mocidade Portuguesa do tempo de Salazar em Portugal. Estes procedimentos com valores ao culto foram-se deteriorando no tempo pelo surgimento dos jogos virtuais, computadores e robótica que, cada vez se agudiza em nossa sociedade, de forma tão globalizada pelos jogos de mata-mata…

tuiui2.jpg Não é de admirar o que hoje se vive um pouco por todo o mundo: jovem que surgem apetrechados para a guerra e matando, simplesmente matando sem um proposito, como um jogo! Mas e, quanto aos tropeiros, foi nos lombos das mulas que a maior parte da produção agrícola chegou aos portos, para exportação ou consumo interno; isto alastrou-se por todo o Brasil. Em meados do século XIX, as tropas de mulas, foram um avanço no transporte do açúcar; cada mula podia carregar com sacos entre os sessenta e oitenta quilos.

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Em Minas, sem saída para o mar nem caminhos fluviais, todo o comércio era feito por mulas, inclusive o de produtos de difícil transporte, como o vidro. Por via deste s itinerários muares, surgiram estalagens nos caminhos, rústicos barracões abertos dos lados e sustentados por pilares. Ao redor destas infraestruturas acolhedoras, criaram-se roças de milho, plantio de feijão e comércio de outros géneros alimentares, vendas de tecidos e coisas a granel; sapatarias e afins de vestir com coiros e outros produtos da terra.

tropeiro12.jpg Os núcleos de população iam surgindo com necessidades de escolas, barbearias, ferradores, drogarias e casas de pasto. A partir de meados do século XIX, as topas de mulas sofreram a concorrência das carroças que se faziam locomover em picadas, como a estrada de Santa Clara, pioneira com seus 170 quilómetros ligando  a colonia de Filadélfia, em Minas Gerais ao litoral, iniciativa de Teófilo Ottoni  e a União Indústria, ligando Petrópolis a Juiz de Fora.

tropeiro10.jpg As estradas foram surgindo macadamizadas com pedra britada, aglutinada e comprimida. Surgiram as pontes e aquedutos em rios ou pequenos córregos com manilhas manufacturadas em novos estaleiros, os percursores da Odebrecht com novas engenharias misturando interesses com sabedoria financeira, corruptelas e manobradores de interesses dando gasosa como suborno e formas sociais criadoras de inveja, poder e manobrismo nas adjudicações; mais valias e caixa dois e até caixa três adulterando nossas vidas e criando falcatruas bancarias – a crise e o escambau como se diz aqui entre os vendedores camelós; práticas bem dificel  de se mudarem num Brasil que fez da corrupção um esquema modelo de gestão.    

tropeiro11.jpg Claro que tiveram de criar estações de muda, gabinetes de recursos humanos, um jeitinho daqui e outo de acolá e a necessidade de prisões para nela meterem os ladrões de alto coturno, descamisados e outros inocentes injustiçados. Pois! Sugiram as pontes metálicas, a industria dos interesses, o juro, os altos salários, os salafrários e vendedores da sorte, do bicho e da sogra - Também as ferrovias, as ciclovias, o lazer e os motéis de beira de estrada com Boralá, o Cêksabe, o fodaki entre outras inventações muito peculiares.  Um putedo carnavalesco de durar muito mais mais do que  quatro entrudos…

FIM

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:18
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Domingo, 17 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XVII

PEDRA DO REINO de Ariano Suassuma - 17.03.2019

O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta Brasil – Género Romance, fantasia épica do Nordeste brasileiro - 1971

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil

11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores … Ariano Suassuma

xique xique0.jpg :::::164Ariano Suassuma nascido na Vila de Taperoá sentindo-se só em um momento de sua vida imaginou-se ser um rei - um lindo devaneio, diga-se! Também se imaginou ser um grande apreciador do jogo do Baralho (Cartas de Sueca, bisca e burro em pé). Talvez por isso, o mundo lhe pareça uma mesa e, a vida, um jogo, onde os fidalgos se cruzam como Reis-de-Ouro com donzelas Damas-de-Espada, onde passam Ases, Peniscas e Curingas, governados pelas regras desconhecidas de alguma velha Canastra esquecida.

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Também como ele, eu, que não sou rei nem pretendente a acender a qualquer trono, incompreendido, agora que os anos me deram o trampolim da sabedoria, venho com meus sonhos, com conhecimento e os instrumentos de informação avançados pretender ser escutado. Se assim não for que seja como em Abrantes, tudo como dantes. Ambos, cada qual em seu tempo, nos preocupamos com os muitos e fúteis devaneios que no dia-a-dia observamos das gentes envolventes ao nosso quotidiano mundo Terráqueo - desta galáxia.

xique xique01.jpg :::::166 - Teremos de voltar lá atrás ao tempo de D. Sebastião quando por volta de 1569 quis, em um acto de foito jovem imberbe, recuperar as praças de África perdidas e abandonadas por seu avô D. João III. Suassuna, é inspirado em um episódio ocorrido no século XIX, no município sertanejo de São José do Belmonte, a 470 quilómetros do Recife, onde uma seita, em 1836, tentou fazer ressurgir o rei Dom Sebastião - transformado em lenda em Portugal depois de desaparecer na África (Batalha de Alcácer-Quibir): sob domínio espanhol, os portugueses sonhavam com a volta do rei que restituiria a nação tomada à força.

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De insensatez em desvario e antes de morrer em Alcácer Quibir, ofereceu os préstimos de Portugal a D. Carlos IX de França para combater os huguenotes (Mafulos). Entre méritos de dilatação do império e da fé, a França ficou só por aí, porque entretanto os Calvinistas acabaram por tomar o poder do reino de França. Veio em seguida a tomada de possessões portuguesas pelos huguenotes holandeses (os tais Mafuls) após a queda do reino para os reis Filipinos. Os países baixos estavam em guerra com os reinos da Espanha com sede em Burgos e, como tal, criaram a companhia das Índias Orientais e Ocidentais para açambarcar todo o espólio português que nesse então formava a Ibéria com os reis Filipe I, II e III.

xique xique1.jpg :::::168O sentimento sebastianista ainda hoje é lembrado em Pernambuco, Brasil, durante a Cavalgada da Pedra do Reino, por manifestação popular que acontece anualmente no local onde inocentes foram sacrificados pela volta do rei (juro a pés juntos que desconhecia – pensei que estas maluqueiras eram só vistas no M´Puto). Ariano Suassuna iniciou o Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, seu nome completo, em 1958, para concluí-lo somente uma década depois, quando o autor percebeu o que o levou a escrever o romance: a morte do pai, quando tinha apenas três anos de idade

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A vulnerabilidade das possessões portuguesas tendo no comando os reis espanhóis, deu azo aos huguenotes holandeses, franceses e judeus perseguidos pela Santa Inquisição a que formassem a tal Companhia das Índias, Orientais e ocidentais, uma forma de através de corsários se apropriarem da soberania desguarnecida nesse tão vasto mundo que hoje conhecemos. Juntaram-se a estes corsários ricos judeus de Antuérpia e Roterdão que dominavam o mundo do negócio de especiarias e exotismos distantes. O mundo europeu exortava em luxúria entre lustre de diamantes e ouro Inca e tantas novas coisas. Mais tarde, dias de quase hoje, tudo isso se entregaria sem contrapartidas fruto de traições, um desmoronamento sepulcral (uma tragédia que o tempo despolitizará) …

xique xique6.jpg :::::170 - Também, uma tragédia pessoal presente na literatura de Suassuna, e a redenção do seu "rei" – uma reacção contra o conceito vigente na época, segundo o qual as forças rurais eram o obscurantismo - o mal, no urbano e no progresso - o bem. A história, baseada na cultura popular nordestina e inspirada na literatura de cordel, nos repentes e nas emboladas, é dedicada ao pai do autor e a mais doze “cavaleiros”, entre eles Euclides da Cunha, António Conselheiro e José Lins do Rego…

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Para os lados do poente, longe, azulada pela distância, a Serra do Pico, com a enorme e alta pedra que lhe dá nome, todos envoltos na CAATINGA , um  termo tupi-guarani. Perto, no leito seco do Rio Taperoá, cuja areia é cheia de cristais despedaçados que faíscam ao Sol, grandes Cajueiros, com seus frutos vermelhos e cor de ouro. Para o outro lado, o do nascente, o da estrada de Campina Grande e Estaca-Zero, vejo pedaços esparsos e agrestes de tabuleiro, cobertos de Marmeleiros secos e Xiquexiques (cactos).

xique xique5.jpg :::::172 Surge então o Conde Maurício de Nassau chefiando aquela forte Companhia das Índias, e que com forte armada debanda os Tugas de então de Olinda que fica sendo um seu bastião em terras de Pernambuco; estava em causa desbravar o interior profundo duma caatinga agreste e infestada de gente brava que comia seus inimigos para ainda ficar mais forte; os caetés e tapuias. Finalmente dizia assim: - Para os lados do norte, vejo pedras, lajedos e serrotes, cercando a nossa Vila e cercados, eles mesmos, por Favelas espinhentas e Urtigas, parecendo enormes Lagartos cinzentos, malhados de negro e ferrugem;

xique xique4.jpg :::::173 Lagartos venenosos, adormecidos, estirados ao Sol e abrigando Cobras, Carcarás, Gaviões e outros bichos ligados à crueldade da Onça do Mundo. Aí, talvez por causa da situação em que me encontro, preso na Cadeia, o Sertão, sob o Sol fagulhante do meio-dia, me aparece, ele todo, como uma enorme Cadeia, dentro da qual, entre muralhas de serras que lhe servissem de muro inexpugnável a apertar suas fronteiras, estivéssemos todos nós, aprisionados e acusados, aguardando as decisões da Justiça. As estórias sempre se repetem…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:09
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Terça-feira, 5 de Março de 2019
N´GUZU. XXXI

CONHECER O BRASIL 05.03.2019
BRASIL – DIA DE CARNAVALNa passagem do primeiro para o segundo tempo* na vida do BRASIL, irei recordar o que são os TROPEIROS- parte UM … 
Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

tropeiro1.jpg Aqui na Mata Atlântica à beira mar, no Agreste e depois no Sertão, pode-se comer como acompanhamento a qualquer prato, a farofa, o pirão de mandioca aguado, arroz e feijão preto. Entre muitas das iguarias tem um especial acompanhamento que é o feijão tropeiro. Recentemente, provei um prato de costeletas de vaca ou boi como aqui se diz, feito bem à maneira tropeira. Só carne com salsicha na proporção de um para meio, feito na panela de pressão em vinte minutos. 
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Convêm meter no fundo da panela umas quantas rodelas de cebola para não torriscar a carne em caso de descuido, cozida em lume brando e também para lhe dar um certo sabor. Em verdade pode-se acrescentar outros legumes para variar o gosto mas, este é o modo mais simples de se cozinhar. O tropa condutor de mulas não tinha muito tempo para cozinhar sofisticação; o lema dele era chegar ao destino no mínimo tempo levando seus muitos animais e sua carga variada, para as vendas de comerciantes situadas bem por detrás de morros, charcos ou serras medonhas difíceis de transpor. 

tropeiros2.jpg Ora é por aqui que teremos de explicar o que é isso de TROPEIRISMO. Na historiografia o termo é referido por via dessa actividade estar relacionada desde o século XVIII, com tropas de mulas, animais criados nos campos do Rio Grande do Sul, onde havia uma salinização natural nos pastos, condição de sobrevivência para esta espécie existente tanto aqui nas pampas, terras de Cisplatina, de aquém rio da Prata, ou mais a norte, no Vale do Rio de São Francisco. 
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As mulas xucras, percorriam em grande número, por vezes mais de dois mil quilómetros, passando por invernadas, sobretudo nos campos do Paraná, até chegarem às famosas feiras de Sorocaba, na região de São Paulo. No início do século XIX, calcula-se que cerca de vinte mil muares eram anualmente negociados em Sorocaba, passando para cerca de cem mil, na década de 1850 e, declinando para dez mil a partir dos anos 1880.

tropeiros01.jpg No ano de 1817 foram importadas cerca de doze mil bestas destas para Minas Gerais. O percurso era trabalhoso, e as tropas eram compostas pelo condutor-chefe, camaradas e cozinheiro, além de cães amestrados que evitavam a tresmalhação dos animais, bem à maneira dos cães da Serra da Estrela ou Caramulo do M´Puto que juntam o rebanho de ovelhas ou cabras. Éguas madrinhas, experientes, enfeitadas com arreios de prata de Cisplatina, guizos no peitoral e Chapéu de pluma na cabeça, dirigiam os lotes de muares. 
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Os rebanhos de ovelhas em transumância entre as lezírias e pastos tipo savana do Alentejo, num Portugal de há setenta anos atrás, também eram enfeitados os animais mais nobres do rebanho. Levavam grandes chocalhos a fim de assinalarem o caminho na deslocação para as terras férteis mais a norte das Serras de Montemuro, Leomil, Lapa ou Marofa entre outras e, cada lote demarcado por sinais de ferro eram enfeitadas com duráveis serpentinas nos chifres, também no intuito de as distinguir; estas eram de fulano, aquelas eram de beltrano e as outras eram de sicrano…

tropeiros6.png A dieta dos condutores consistia fundamentalmente em carne seca, charque ou de sol, feijão, angu de milho, fuba – farinha de mandioca, café e açúcar, produtos transportados em sacolas de ráfia, piaçaba e outras fibras do mato, por mulas cargueiras. É assim que chegamos ao tão conhecido “feijão tropeiro” e o “ carreteiro de charque”. A cachaça sempre presente, era mais usada para evitar gripes do que propriamente para ser bebida avulso; tudo isto era consumido tendo no final uma passa de fumo, para falar bem à maneira moderna; fumo de rolo que funcionava como emplastro contra picadas de insectos e cobras.

tropeiros9.jpg A expressão “tropeiro” em verdade, abriga tipos sociais muito diferentes a saber: - o condutor de topas de mulas, eram assim chamados ou também de “peões de conduta” atrás descritos; o negociante era conhecido por isso mesmo, “negociante de tropa”, “solta” ou “carregada” – isto quer dizer que negociava toda a tropa com carga ou o animal solto de carga ou ainda, de só um ou mais animais com sua carga. Havia também o “dono de tropa de mulas” que cobrava pelo frete, assim como se fosse uma companhia moderna de ónibus, autocarros.
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Deveria ser uma vida bem difícil, andar dias e dias em sinuosas travessias e a partir das terras a Sul, terra de Gaúchos. Levar à semelhança dos pastores de ovelhas de Portugal agasalhos, mantas coloridas de Minde e ou mantas de trapos da Beira Alta, pesadas para xuxú, para resistirem às intempéries. 

tropeiros3.jpg Água ardente feita do bagaço da uva para desinfectar a goela e as feridas. Levar chapéus-de-chuva ou capas feitas em palha para poderem prosseguir andamento debaixo de chuva, nevoeiro e assim aguentar os contratempos; largados das famílias por espaços longos no tempo. Recordo de ainda puto, candengue, pivete, rapaz, observar atrás dos muros, pequena fragas empilhadas a circundar caminhos poeirentos, na espreita a ver longos rebanhos que levantavam pó; levavam horas a passar, uma alegria diferente, com cheiro e sabor…

tropeiros4.jpg Eram chocalhos e guizos – eram gritos e apitos no meio dos pinhais das terras altas do M´Puto. Homens encorpados com vestes fortes levando aos ombros mais mantas e até por vezes um cordeiro de tenra idade, balindo por sua mãe no meio do rebanho. Cheiros tão antigos que já poucos se lembram – Tempo do Zé do Telhado lá no M´Puto e do Lampião aqui das terras do Nordeste. Em homenagem a estes homens ainda tomo uma pinga de cachaça no café Santa Clara, uma pinga de aguardente – Que sabor tão divino. Que o diga meu amigo Arrais de Bustos que por aqui anda à bem mais de uma vida vivida…

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Nota*: O Brasil tem dois tempos distintos no ano: - Um ANTES e o outro DEPOIS do CARNAVAL… Bem dizia o Presidente De Gaulle: O Brasil não é para ser tomado a sério… 
(Continua…) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:40
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XIV

VIDA DE EMIGRANTE NO BRASIL - 26.02.2019

Bertoleza, como toda a cafusa, não queria sujeitar-se a negros; instintivamente procurava o homem numa raça superior à sua – umbigou-se com João Romão o português dono da venda… 
Escrito por – Aluísio de Azevedo
Por

soba0.jpegT´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro
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Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho
10 – O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil
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João Romão* foi, dos treze aos vinte e cinco anos, empregado de um vendeiro que enriqueceu entre as quatro paredes de uma suja e obscura taverna nos refolhos do bairro do Botafogo; e tanto economizou do pouco que ganhava nessa dúzia de anos, que, ao retirar-se o patrão para a terra, lhe deixou, em pagamento de ordenados vencidos, nem só a venda como o que estava dentro, como ainda um conto e quinhentos em dinheiro vivo.

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Proprietário e estabelecido por sua conta, o rapaz atirou-se à labutação ainda com mais ardor, possuindo-se de tal delírio de enriquecer, que afrontava resignado as mais duras privações. Dormia sobre o balcão da própria venda, em cima de uma esteira, fazendo de travesseiro um saco de estopa cheio de palha. A comida arranjava-lha, mediante quatrocentos réis por dia, uma quitandeira sua vizinha, a Bertoleza, crioula trintona, escrava de um velho cego residente em Juiz de Fora e amigada com um português que tinha uma carroça de mão e fazia fretes na cidade.
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Bertoleza também trabalhava forte; a sua quitanda era a mais bem afreguesada do bairro. De manhã vendia ungu*, e à noite peixe frito e iscas de fígado; pagava de jornal a seu dono vinte mil-réis por mês, e, apesar disso, tinha de parte quase que o necessário para a alforria*. Um dia, porém, o seu homem, depois de correr meia légua, puxando uma carga superior às suas forças, caiu morto na rua, ao lado da carroça, estrompado como uma besta.

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João Romão mostrou grande interesse por esta desgraça, fez-se até participante directo dos acontecimentos da vizinha, e com tamanho empenho a lamentou, que a boa mulher o escolheu para confidente das suas desventuras. Abriu-se com ele, contou-lhe a sua vida de amofinações e dificuldades. “Seu senhor comia-lhe a pele do corpo! Não era brinquedo para uma pobre mulher ter de escarrar pr´ali, todos os meses, vinte mil-réis em dinheiro vivo”.
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E segredou-lhe então o que tinha juntado para a sua liberdade e acabou pedindo ao vendeiro que lhe guardasse as economias, porque já de certa vez fora roubada por gatunos que lhe entraram na quitanda pelos fundos. Daí em diante, João Romão torna-se o caixa, o procurador e o concelheiro da crioula. Ao fim de pouco tempo era ele quem tomava conta de tudo que ela produzia e era também quem punha e dispunha dos seus pecúlios, e quem se encarregava de remeter ao senhor os vinte mil-réis mensais.

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Abriu-lhe logo uma conta corrente, e a quitandeira, quando precisava de dinheiro para qualquer coisa, dava um pulo até à venda e recebia-o das mãos do vendeiro, de “Seu João”, como ela dizia. Seu João debitava metodicamente essas pequenas quantias num caderninho, em cuja capa de papel pardo se lia, mal escrito e em letras cortadas de jornal: “Activo e passivo de Bertoleza”.
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E por tal forma foi o taverneiro ganhando confiança no espírito da mulher, que esta afinal nada mais resolvia só por si, e aceitava dele, cegamente, todo e qualquer arbítrio. Por último, se alguém precisava tratar com ela qualquer negócio, nem mais se dava ao trabalho de procura-la, ia logo direito a João Romão. Quando deram fé estavam umbigados.

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Ele propôs-lhe morarem juntos e ela concordou de braços abertos, feliz em meter-se de novo com um português, porque, como toda a cafuza, Bertoleza não queria sujeita-se a negros e procurava instintivamente o homem de uma raça superior à sua. João Romão comprou então, com as economias da amiga, alguns palmos de terreno ao lado esquerdo da venda, e levantou uma casinha de duas portas, dividida ao meio paralelamente à rua, sendo a parte da frente destinada à quitanda e a do fundo para um dormitório que se arranjou com os cacarecos de Bertoleza.
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Havia, além da cama, uma cômoda de jacarandá muito velha com maçanetas de metal amarelo já mareadas, um oratório cheio de santos e forrado de papel de cor, um baú grande de couro cru tacheado, dois banquinhos de pau feitos de uma só peça e um formidável cabide de pregar na parede, com a sua competente coberta de retalhos de chita. O vendeiro nunca tinha tido tanta mobília. Agora, disse ela à crioula, as coisas vão correr melhor para você. Você vai ficar forra; eu entro com o que falta…

araujo190.jpg :::::143
Assim, recordando o meu avô que também emigrou para o Brasil, ainda lembram as memórias que ele era bem-apessoado e, o que ganhava como caixeiro, gastava no pagode com as Mariquinhas e outras desclassificadas crioulas. Neste meu quase sonho crepuscular, após ler o Cortiço, posso encavalitar aleatoriamente os acontecimentos dentro e fora do tempo dos muitos forrobodós de intensa refrega nos fins-de-semana, dos bailes pé-de-serra e carnavais de estalar quenturas. Aos poucos, António Lopes Loureiro foi substituindo os tamancos da Beira Alta por chinelos de matuto do agreste, abertos, ventilados quanto baste para poder deslizar nos térreos caminhos, feito um Lampião* - dos salões da surumbanda, samba e capoeiragem com patuscadas.

booktique12.jpg Notas* João Romão- Poderia até ter sido o Senhor António Loureiro, meu tio-avô por parte de minha mãe Arminda que depois de deixar duas filhas em sítio incerto do Brasil, nos anos trinta do século XX, rumou de novo para Portugal, regressando brasileiro, com sua santa “Nossa Senhora da Aparecida”, sem uma cheta, tísico chupado das mulatas, como se dizia nesse então; Ungu – Comida barata para gente sem eira nem beira; terreiro de reunião ….Alforria – passagem de estado de escravo a liberto; alguns escravos compraram a seus donos a liberdade – foi o caso de Bertoleza aqui descrita e, que umbigou, alambou ou amigou com o Vendeiro João Romão…
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:04
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2019
N´GUZU. XXX

CONHECER O BRASIL 24.02.2019
Brasil - Os Cortiços vieram a seguir às casas de Bangu e batuque – repotreando-me na minha cadeira de balouçar, rindo forte, e sem calar a boca, a camisa a espipar-se-me pela braguilha aberta e piscando o olho à Rita Baiana…
Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil
Cortiços - Tipos bastante variados de habitações colectivas que abrigavam os segmentos pobres da população urbana, moradores sobretudo do Rio de Janeiro e, a partir de meados do século XIX. O aumento populacional que se vinha incrementando desde 1808 com transferência da Corte portuguesa, tornava-se cada vez mais expressivo por via do aumento dos fluxos migratórios, sobretudo de portugueses.

cortiço0.jpg Com a diminuição do número de escravos em função da extinção do tráfico africano, por volta de 1850, e apesar da crescente ampliação da estrutura urbana, as oportunidades de emprego mantinham-se reduzidas, agravando as condições de vida da maior parte da população. Em alguns lugares do Brasil, as coisas não mudaram tanto assim pois continuam a ver-se muitos camelós zurzindo suas vidas rebocando cangulos com cinco e mais caixas de isopor ou montras de muitos e fosfóricos óculos de sol, adstringentes e até fosforescentes… 
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O fenómeno não era só brasileiro pois que em Argentina podia encontrar-se também esse mesmo tipo de habitação urbana. Em “El Caminito” de Buenos Aires havia o mesmo tipo de construção agregando gente que vinha da Europa na busca de uma nova vida; ainda hoje podemos ver a combinação de materiais adaptados à construção barata com varandas ripadas e cores variadas dando assim, mais harmonia ao conjunto habitacional, um amontoado de mukifos atravancados a eito. Ainda se vê disto em Viñas-del-Mar e Valparaiso.

cortiço6.jpg El Caminito é uma rua-museu e um logradouro tradicional, localizado no bairro de La Boca (Do Boca Juñior Club), junto ao estádio de futebol na Cidade de Buenos Aires. O lugar adquiriu significado cultural devido a ter inspirado a música do famoso tango Caminito trazido pela comunidade italiana também em meados do século XIX. Tanto portugueses como Italianos vinham em vapores destinados a trabalhar nas fazendas de café ou canaviais a fim de substituir os negros escravos que por lei, iam sendo libertos.
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Para além das dificuldades de acesso à alimentação, o problema habitacional tornava-se cada vez mais grave. Em 1868 o Ministro dos Negócios do Império regista a existência de 642 cortiços na cidade do Rio, distribuídos por diversas paróquias. Em 1888, já existiam 1331 cortiços, alguns já com características de estalagem sendo que a maior concentração se verificava na paróquia de Santana.

cortiço2.jpg Proliferavam assim estas habitações colectivas aonde residiam não só os livres e libertos pobres como e também, ganhões ou camelós que ganhavam a vida como ambulantes à mistura com emigrantes que iam chegando com uma mão à frente e outra atrás tendo de viver sobre si mesmos, vendendo o que desse e aprouvesse; costurando em plena rua e remendando os sapatos debaixo de um esporádico toldo ou mesmo a simples sombra de uma árvore…
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Em princípios da década de 1870, o termo cortiço adquiriu um sentido cada vez mais estigmatizador das habitações colectivas. Estas tornaram-se o alvo dos defensores do higienismo que determinaram por posturas proibir a construção em áreas nobres ou centrais do Rio de Janeiro. Isto veio a colidir com uma grande camada de pequenos investidores que controlavam as vendas a crédito, os donos das tabernas, tascas e quiosques que ali laboravam numa forma de consórcio ou rodízio. A vida ia rolando…

cortiço4.jpg Os Cortiços estavam por assim dizer e, também associados à malandragem, às promiscuidades e epidemias com desordem social, locais privilegiados aos zeladores da trambicagem, quase tudo em igual como muitas das favelas actuais aonde fecundam as hordas de marginais que vivem de expedientes, vendendo gato por lebre ou dedicados ao jogo do bicho, ou outras manigâncias de obter dinheiro fácil.
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Era o lugar de mestiçar a raça numa miscigenação que provocou genericamente a raça humana, furta-cores que derivou a se acabar com as cores natas com o ADN do arco-íris perfeito preconizado por Thomas Robert Malthus no seu puritanismo de higienismo racial. 
Um tal que foi considerado o pai da demografia por sua teoria para o controle do aumento populacional, conhecida como malthusianismo. 

cortiço3.jpg Felizmente que este Malthus não teve grande sucesso aqui no Brasil. Nos cortiços foram iniciados laços de solidariedade que preconizaram um modo de vida diferente dando origem a várias estratégias de resistência sem a necessidade de lamber a tão proclamada independência de outros povos que pela prática se vê hoje seguirem rumos de muito difícil adaptação aos conceitos da pele, originando preconceitos e paradigmas desvirtuastes; estou a referir-me à Angola que simplesmente rejeitou milhares de cidadãos que a ela pertencem por nascimento por via do “MATUMBISMO”…

cortiço01.jpg Quem ler o Cortiço de Aluísio de Azevedo vai entender na perfeição as virtudes e desvirtudes dos conjuntos sociais que originaram a vida de hoje em condomínios fechados. Estou a ver-me já desengravatado e com os braços à mostra, dum vermelho lustroso de suor, intumecido de vinho do M´Puto, vinho já baptizado com água benta e cachaça, esperando o leitão no forno, repotreando-me na minha cadeira de balouçar, rindo forte e sem calar a boca, a camisa a espipar-se-me pela braguilha aberta e piscando o olho à Rita Baiana que canta ou tentava cantar o novo desfado; assim, a dar para os bestialógicos arremedos da minha santa terrinha.
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:58
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2019
MISSOSSO . XXXII

N`ZINGA E O CAVALO ALADO3ª de Várias Partes 19.02.2019

Rodando a bobine em paratrás, voltei às notícias de Cabinda: Há quase 50 anos atrás - A 04 de Junho de 1969, três kaluandas desviaram um DAKOTA DA DTA – Divisão dos Transportes Aéreos de Angola pertencente aos SPCTFA – Serviços de Portos e Caminhos de Ferro e Transportes de Angola, para Brazaville

Por

soba0.jpeg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)

Porque sou da MAIANGA da LUUA, tenho de aqui referir a fonte da notícia no Blogue MORRO DA MAIANGA. Pois na busca da origem do Coronel FALA KALADO, com quem me deparei nos terminais UM e DOIS de Guarulhos de São Paulo do Brasil, conforme o já descrito, fui ao meu baú da “Torre de N´Zombo” recolher dados que num repentemente surgiram na minha cuca. No dia dos meus anos, a 04 de Junho de 1969 e estando em Serviço Militar no quartel de MICONGE, antiga Administração de Sanga-Planície, tenho conhecimento de um desvio de avião com destino a Brazaville.

angola6.jpeg O cartão de rico timbre, que mantenho comigo diz no canto superior esquerdo: ONG FENIX – Rua de la Paz nº 184 - Edifício LOPANA. Bem ao centro em letras quase góticas: FALA KALADO - (Coronel Emérito das FALA), tendo por debaixo em letra romana e inclinada os dizeres: Relações Internacionais. Indica três telefones, um deles com o DDD da cidade e estado – CUIABÁ.

Memória - Há quase 50 anos um avião da DTA era desviado para o Congo-Brazaville. Foi no dia do meu aniversário, como iria esquecer estando eu naquela selva do Maiombe com o posto descrito pela rádio como Furriel Mike! Verdade que tudo fiz para isso, mas desaconteceu! Afinal, o 4 de Junho, que também faz parte da trajectória da libertação e independência em Angola, simplesmente ninguém refere este acontecido! É o kamba Reginaldo Silva do MM que o diz.

araujo1.jpg Os factos que são para aqui convocados aconteceram há quase 50 anos, quando os angolanos afectos ao MPLA, Loló Kiambata, Nelito Soares* e Diogo de Jesus desviaram para o Congo-Brazaville um avião da DTA, a predecessora da Via Airlines TAAG. O 4 de Junho de 1969 é mais uma data esquecida pelos que fazem a história oficial de Angola e, de acordo com as suas conveniências político-partidárias.

Como é evidente a história oficial não tem nada a ver com a história real de Angola e dos angolanos que ainda não está elaborada, sendo muito difícil que o venha ser, enquanto a partidarização da nossa sociedade se mantiver como a orientação maior do próprio Estado que é o que tem acontecido… A data que marcou uma das mais espectaculares e mediáticas acções de luta contra o colonialismo português entrou para a história com o significado desmerecido; o esquecimento!

DTA1.jpg Numa altura em que Angola e os angolanos já não queriam mais viver sob domínio colonial português, não se compreende que o 4 de Junho de 1969 nunca tenha merecido a importância devida por parte da direcção do MPLA, porque foi uma iniciativa saída da sua base clandestina da Luua. Pois assim, apanhou completamente de surpresa os “camaradas” no bombom de Brazaville.

A informação que a PIDE fez circular pelas mais altas esferas da governação Tuga da época, referia que “no dia 4/6/69, pelas 15.30, o avião C-3 matrícula CR-LCY, da DTA, da carreira Luanda/Sazaire, com 5 tripulantes e 12 passageiros a bordo, foi obrigado a mudar de rumo para Ponta Negra. Tal acção foi levada a cabo por três criminosos armados, a saber: -LUÍS ANTÓNIO NETO, o “Lóló”, solteiro, estudante, nascido a 4/11/ 47, natural de Luanda.

DTA2.jpg A informação em letra romana continua: -DIOGO FERNANDES JACINTO LOURENÇO DE JESUS, solteiro, funcionário do Laboratório de Engenharia de Angola, nascido a 2/11/942, natural de Luanda, filho de Jorge Jacinto de Jesus e de Ana Lourenço de Jesus e residente em Luanda e, MANUEL CAETANO SOARES DA SILVA, solteiro, funcionário da Imprensa Nacional de Angola, filho de Luís Gomes Soares da Silva e de Isabel Luciana Soares da Silva e, residente em Luanda.”

Ainda de acordo com esta informação “ o assalto teve início a meio do percurso Ambrizete/Sazaire, quando Manuel Caetano Soares da Silva entrou bruscamente na cabine de pistola em punho e intimou a tripulação a seguir para Brazaville. Ao mesmo tempo, o Luís António Neto, de frente para os passageiros, ostentava uma GMO, (granada de mão ofensiva) fazendo menção de lhe tirar a cavilha de segurança.

DTA3.jpg Nesta altura, porém o passageiro Mário Gameiro envolveu-se em luta para lhe tirar a granada, sendo auxiliado pelo radiografista Luís Torres e Arménio Mata, 1º subchefe da PSP. Entretanto, o assaltante Diogo Fernandes Jacinto Lourenço de Jesus, que se encontrava na retaguarda dos passageiros, ordenou a Luís António Neto, o “Lóló”, para lançar a granada, sublinhando a ordem com dois tiros de pistola que perfuraram o tecto do avião”.

Dos três kamundongos nacionalistas que participaram nesta acção de luta contra o colonialismo português, apenas Luís Neto Kiambata se encontra vivo, tendo Diogo de Jesus e Nelito Soares*, que por ironia do destino, foram mortos pelas tropas Tugas e poucos anos depois em circunstâncias distintas.

arte3.jpg O Diogo de Jesus, foi atingido por um obus no leste de Angola antes de 74 e o segundo, Nelito Soares* foi assassinado à queima-roupa na Vila-Alice pelos comandos Tugas já depois do 25 de Abril de 1974. Assim se pensava ter sido até o misterioso encontro entre o T´Chingange e o tal de FALA KALADO nos aeroportos Internacional e do Terminal Doméstico numero DOIS de Guarulhos. E, foi, e ainda o é graças ao “Morro da Maianga” que consegui descortinar um pouco mais a minha alhada…uma meia inventação.

DTA4.jpg Nota*: Esta é uma estória inventada no que concerne às mentiras… Só com o tempo se descortinará a verdade dessa morte do Nelito Soares, o mesmo FALA KALADO do  MISSOSSO. Quanto ao Coronel, creio que aparecerá nos próximos episódios…

O Soba T´Chingange com o Morro da Maianga (meu bairro…)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:07
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2019
N´GUZU. XXIX

ANGOLA E OS QUILOMBOS DO BRASIL 13.02.2019

Angola e os Quilombos – CASAS DE ZUNGU E BATUQUE …

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Zungu – uma palavra de evidente origem africana com significados nas línguas bantos, deriva do nome “casas de angu”. Era nas casas de ANGU onde escravos e libertos buscavam acolhida com alimento barato e ligado às suas tradições alimentares. No início do século XX, as quitandeiras reuniam em torno do seu tabuleiro o ANGU; desta forma simples iam organizando os chamados refeitórios “casas de angu” ou “casas de zungu”.

zungu0.png Uma postura municipal da cidade do Rio de Janeiro publicou pela primeira vez no ano de 1833, século XIX, a proibição destas casas conhecidas e vulgarmente chamadas de zungu e batuque. A penalidade para além da multa estabelecia era de oito dias de prisão para os donos ou chefes destas casas; em casos de reincidência poderia o prazo aumentar para trinta dias. Pode dizer-se ser naquele tempo, que era nestes lugares que se fermentavam as “makas” tal como hoje se designam.

Segundo as autoridades responsáveis pela segurança pública, tempos marcados pela instabilidade política no período regencial, permitia-se avaliar o perigo dessas casas para a ordem esclavagista. Por via da conjuntura de uma corte frágil, anulava-se assim e á partida, eventos sugestivos à revolta de massas populares. Podemos perfeitamente comparar estes lugares de zungu com improvisadas cantinas em lugares de muitos trabalhadores braçais verificáveis um pouco por toda a Luanda, os chamados estaleiros a construção civil, quando do surto de desenvolvimento e, a partir de meados do século XX.

zungu1.jpg Os jornais brasileiros desse então expressavam apreensão, aliadas aos preconceitos que as elites políticas e letradas nutriam em relação aos ZUNGUS. Estes lugares eram associados a barulhos, bebedeiras e falatório, desordens e rixas de negros com prejuízo para os patrões, fazendeiros ou comerciantes fubeiros dos musseques, favelas ou cortiços. Portanto, não seria muito diferente da gestão colonial em Angola pelas administrações; estou a recordar-me do chefe POEIRA que estava no mando do posto Administrativo de Belas.

Podia assim considerar-se este conjunto social como cortiços de negros ande se reuniam vagabundos ou gente dada às imoralidades. No século XIX as casas de zungu começaram por ser importantes espaços criados por escravos, libertos e livres pobres como lugar de convívio, busca de trabalho mostrando indícios de uma maior autonomia com melhoria de vida a substituir o quadro de cativeiro e exclusão. Ali poderiam encontrar abrigo temporário, base para fugas longas, hospedagem e solidariedade.

zungu2.jpg Logicamente que na união de vontades, surgia a diversão, o jogo, a festa, a rebita, o forró, não raro o consolo religioso de um pároco mais foito a acudir às aflições quotidianas. Todo o zungu tinha obviamente a cumplicidade senhorial no encobrimento a escravos não alforriados. Também na já flácida dominação escravista, muitos senhores liberavam seus escravos para folgarem à noite e até dormirem fora.

Em algumas regiões do Brasil, como Pernambuco ou Pará, próximo a estes lugares de “casas de zungu” foram identificadas manifestações clubistas definidas por folcloristas, capoeiristas e, ou linguísticas sob a denominação de “calogi”. Nos musseques envolvendo Luanda, capital de Angola observavam-se manifestações idênticas, lugares aonde gentes do povo de raça negra se embebedavam com aguardente, vinho do M´Puto, T´chissângwa, kimbombo ou uma qualquer bolunga de preço mais conveniente.  

zungu3.jpg Negreiros, funantes, pombeiros, fazendeiros e fubeiros quer no Brasil quer em Angola, foram deixando rasto contado por séculos e sobas e, escritos de padres, missionários, aventureiros ou administrativos. Estima-se em mais de cinco milhões de pessoas transladadas de 1519 a 1867 como escravos, para o Brasil e, a uma média anual de 12 500 almas. A quarta parte morria entre a captura e o porto de embarque ou na travessia do Atlântico.

Numa qualquer duna de São Luís do Maranhão, ou no interior de Poconé de mato Grosso do Norte, gente encarquilhada na idade, ainda hoje, se sentam no terreiro que cultivam os oxalás, ou orixás; negras deitando fumo pelas orelhas, ou jogando búzios, antigos n´zimbos de seus passados kotas, ou caurins dos Pais de Santo falando banto em imaculado branco ou linguarejando ao deus N´zambi ou até N´Kulukulu, levando-nos a ver o forró numa qualquer aguarela tropical. A lavadeira que andava em áfrica, lá na Luua com meu filho M´fumo Manhanga fumava assim um troço de tabaco com a cinza e fogo para dentro; dizia assim: -Patrão, é para durar!

O Soba T´chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:42
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . X

A VIAGEM DO ELEFANTE – José Saramago – Da Caminho - 04.02.2019
Por

soba15.jpgT´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro

sacag1.jpg Um Desafio de Maria João Sacagami (psicóloga) . No Bombom do Rio de Janeiro
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz
7- Vidas Secas de Graciliano Ramos
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

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Saramargo1.jpg À lista de livros da BOOKTIQUE, adicionei um oitavo mais um nono LIVROS com falas bem diferenciadas e com conteúdos de se lhe tirar o capacete. Aleatoriamente, falarei destes e de outros, sem me meter a fundo nos meandros filosóficos de cada autor; copiando aqui e além partes mais fosforescentes da linguagem, introduzirei meu linguajar sem a preocupação das normas que Nosso Senhor me estipulou com sua mão direita. Dar com a esquerda sem que a direita o saiba ou o seu reciproco. 
Bom! Pois! A mão direita porque a esquerda por vezes falseia. Para além do mais e seguindo os conceitos bíblicos blábláblá, deixa para lá… A erudição de cada qual, autor, não vai ser aqui analisada porque minha caminheta não comporta tanta tonelagem; Neste caso do sétimo e oitavos livros, um foi Prémio Nobel (Saramago) e o outro foi Camões (O autor, Luandino Vieira recusou tal prémio porque, de tão honesto, disse ser seu português demasiado atravessado)...
O JAMBA SALOMÃO CAPA DO JAMBA - O elefante milagreiro Salomão, o Jamba de Saramago do ano de 1553, oferta de Dom João III a seu primo o Arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do Imperador Carlos V, passou por Pádua e fez tremer a queixada relíquia de Santo António de Lisboa e Pádua; o Salomão desta inventação de José Saramago fez um milagre à porta da catedral de Pádua. 

saramargo2.jpg Desde o tempo de D. Afonso Henriques que há crise em Portugal; no entanto e, nos intervalos, houve grandes gestos de magnanimidade. Em meados do século XVI, o rei D. João III ofereceu esse tal elefante indiano a seu primo, o Arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V. D. João V, em 1721, momentos de boa situação financeira com muito ouro saído do Brasil, ofereceu 50 dúzias de pratos de ouro para os Cardeais Pereira e Cunha representarem condignamente Portugal em Roma.
Eu não estava lá, mas pude verificar há uns anos atrás em visita ao Vaticano, que a queixada do santo tremeu de indignação. Tendo gasto, tanto despifarro para curtir vaidades. O Conarca, homem condutor do elefante, burlão quanto baste, estava mancomunado com o bispo e, eis que o dito cujo bicho de quatro toneladas, se ajoelha com as duas patas dianteiras, uma coisa nunca presenciada de um esquisito e trombudo animal. 
Um milagre por inteiro, diz o digníssimo relator Saramago ao afirmar que a assistência presente no adro, em grande número, toda ela, acto contínuo se ajoelhou imitando o quadrúpede. Se eu dissesse isto, era logo excomungado pelos midia. Mas que espectáculo eu perdi! Em troca, Salomão recebeu uma generosa aspersão de água benta com aquela coisa, um zingarelho de espantar espíritos que os bispos usam. 

saramargo3.jpg Dentro da catedral a múmia do santo António estremeceu de gozo no túmulo, afirmação de gente muito crédula. (Mais tarde, eu, na primeiríssima pessoa, século XXI, também vi!…) Esta estória dum ateu que se diz agnóstico, é tão ou mais macabra que as já muitas estórias aqui descritas pelo relator vanguardista do blog Kimbolagoa, um ilustrem desconhecido 
Háka! Não é que, o Cornaca tirava pelos do cú do elefante para fazer pulseiras de macumba, vendendo estas aos fieis devotos ao Santo. E, não é que comprometeu seriamente nesta operação de trapaça e candonga o mui nobre Arquiduque Maximiliano da Áustria, como um vulgar Lello cigano da nossa praça (vendedor de cuecas em segunda mão) numa corrupta ligação com inspectores da ASAE da ilha de Lançarote, 600 anos depois (ou antes,... já nem sei!)

dia19.jpg Em 1730 o mesmo D. João V oferece um caixote de barras de ouro para a princesa das Astúrias e, um ano depois outro caixote do mesmo ouro vindo do Brasil para a rainha de Espanha, Em 1732 mais 72 barras desse ouro para o núncio apostólico Bichi, em Roma e, em 1733, mais 24 barras do mesmo ouro para ajuda do enterro do núncio apostólico Cavallieri, em Roma. É demais!...
(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:09
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Domingo, 24 de Junho de 2018
MAIANGA . XXII

MANIKONGO E MARACATU

- UM SÃO JOÃO COM SARDINHAS - 24.06.2018

- Porto, Braga, Maceió, Caruaru e, Luua – A sangria, o caldo de feijão, a coxinha de galinha, chouriço e o ananás recheado de velho barreiro com muito gelo ou o marufo da kassoneira do Sumbe…

Maianga é um bairro da Luua - Angola, meu berço tropical.

Por

soba15.jpg T´Chingange

AS FESTAS JUNINAS ... Junho, mês das festas populares é festejado por toda a kizomba do Mundo Tuga; as marchas, os casamentos, o saltar da fogueira, o baile de mastro o xodó e forró pé-de-serra, fazem parte dessas manifestações na diáspora portuguesa. O maracatu, sendo uma manifestação junina pouco conhecida em Portugal, tem a sua representação maior no Nordeste Brasileiro mas também em Belém do Pará com sem bumba meu boi. E temos o alho-porro lá do Porto, carago!

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O Maracatu, originário da coroação dos reis do Congo, antigo Manikongo, foi transposto pelos escravos idos de Angola e Costa do Marfim para as explorações de cana-de-açúcar. Festa dos quilombolas bem à maneira dos trópicos africanos conjugando nos dia de hoje festividades de tribo com santos coloniais.  

festa1.jpg Hoje o S. João, festeja-se um pouco por todo o centro do Brasil, mais no Nordeste e em seus quilombos que se estendem até o Pantanal de Cuiabá e Poconé já muito perto da Bolívia. É uma festa e tanto. O cortejo de coroação real composto de rainha, rei, príncipe, princesa, ministros, conselheiros, vassalos e porta-bandeira vestidos de cores extravagantes, saem às ruas em grupos ou quadrilhas para energizarem a vida.

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Maracatu é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana afro-brasileira e ritos cristãos saídos de Portugal a comemorar os populares santos de António, João e Pedro. É formada por uma percussão que acompanha um cortejo, uma instituição que compreende um sector administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança.

fig3.jpg A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei do Congo. A nosso Kizomba, fazendo registo deste património não pode ficar alheio e, com seus chocalhos, concertina, guizos e tambores junta-se à plebe, à folia para alegrar nobres, sábios, cipaios, homens ricos e M´bikas (escravos) que se devem juntar ao evento com balões, alho-porro, martelinhos e fogo-de-artifício.

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A ciência leva-nos a pensar que o Universo nos é inteiramente racional ou matemático mas, nas festas populares, com aquele tintol, tudo pode acontecer. Beba a festa carago!... Se não tiver alvarinho venha o vinho… Atento às passadas e calcanhar de Cristiano fazemos figas, damos as mãos uns aos outros fazendo uma corrente mas, cinco passos cadenciados, pernas abertas, olhar de raio laser e zás-trás, chute e xissa! …

flor6.jpg Também isto é parte de São João com fumo de sardinhas e pucarinhos com delícias de bolo podre e as esculturas ditas cascatas do Santo mais os manjericos e sumo ou suco de erva-cidreira, capim santo ou caxinde. A bola do Ronaldo que fez aquela mágica curva, que nos faz roer as unhas dos pés, colou-se-me ao cerebelo. Venha mais um triciclo ou uma bicicleta de todo o terreno.

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E, a queixada do Santo António a triturar-nos a ira com jeito de surda raiva pelo Santo, que nada fez quando não faz e, no faz quando acha a agulha. As festas juninas estão aí, Porto e Braga e também no Brasil com o Xodó e a zabumba mais reco-reco e berimbau. Não vou fazer a habitual fogueira, nem saltarei de costas, nem mais irei confiar na sorte sortuda porque me posso lixar.

santo2.jpg Amigão kaluanda da velha Luua fica também connosco, bebe uma bolunga, ergue a taça que vamos ter pela frente outras mais oportunidades de fazer muxima e ongweva (saudade). Prepara a catana p´ra pintar esse emaranhado de cabeleiras a piaçaba, carapinha, as cores do M´Puto com um garrafão a fingir de balão. Deixem-se de quezílias, tretas e matumbice… A estória não se compadece com burrices, Tambulakonta…

maracatu2.jpg Vou dizer ao meu santo preferido que dê uma volta ao bilhar grande se não estiver disposto a dar-nos a victória contra o Irão do Carlos Queirós. Santos de Junho, Santo António, São João e São Pedro com gaitas, berimbau, sanfona, acordeão e concertina e muito manjerico com quadras lindas! Podia ser melhor, mas foi isto que me saiu… Mungweno… Cantai, Cantai, raparigas, Cantai sempre ao S. João, Porque, ele paga as cantigas, Com muito bom coração.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:39
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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