Domingo, 17 de Fevereiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XII

O Último Ano em Luanda . 1975 – UMA TERRA A FERRO E FOGO - 16.02.2019

Escrito por - Tiago Rebelo

Por

soba15.jpg T´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

booktique00.jpg Andei neste reencontro com os livros do criado mudo entre as páginas 360 e 363 do romance de Tiago Rebelo e, do que li posso garantir que não é propriamente um romance. É a realidade já aqui descritas por mim em Mocandas do Soba e, mais ou menos com a suficiente cordialidade em entender o impossível, a MERDA DA DESCOLONIZAÇÃO. Aos portugueses do Ultramar, não obstante tratarem-se, na sua maioria, de modestas famílias que ganhavam a vida nas indústrias, nos serviços ou na agricultura, tinha-se colocado o rótulo de colonialistas exploradores, por via da propaganda dos sectores radicais de esquerda que dominavam o governo de Lisboa.

Eles, os radicais de esquerda que eram mais que muitos e, que ainda o são (estamos em Fevereiro de 2019) queriam e, assim foi, deixar Angola nas mãos de Moscovo. Os brancos ultramarinos não estavam definitivamente, nas boas graças da opinião pública portuguesa. Desamados pelo MFA, desconsiderados por Lisboa, sentiam-se abandonados por todos e, até mesmo por familiares directos; este triste fado tem andado a ser cantado como um “desfado”, tratado como coisa pouca mas assim, não o foi!

moka17.jpg Em Luanda apenas um punhado de bravos efectivos do COPLAD, fieis ao Alto-Comissário, defendia a vida e os bens dos portugueses. Na Avenida Brasil e na dos Combatentes da Luua, as principais sedes dos movimentos foram destruídas entre si, a tiro e, com elas, os edifícios onde se situavam, alguns com dezenas de apartamentos trespassados por balas perdidas, por tiroteio assassino e negligente. O último grito em armamento eram os canhões sem recuo contra viaturas blindadas.

Os pseudo guerrilheiros do MPLA, sempre criativos em assuntos bélicos, davam uma nova utilidade a esta arma visando o seu poder de fogo para literalmente demolirem as sedes politicas dos movimentos rivais a saber, UNITA e FNLA. Os estragos, como se poderá imaginar, eram astronómicos, e punham em perigo milhares de civis. Na população branca, dissolvera-se de vez a ilusão de que seria possível ter um lugar no futuro de Angola.

moka18.jpg Esta batalha, a de Luanda, não se cingiu somente à capital. Alastrou por todo o Norte com desmandos brutais num preparado plano de tundamunjila pelos comandos Tugas do MFA aos brancos. Os brancos sem amas, sem apoio, sem a mínima hipótese viram-se numa de “ou mato, ou morro”. Como formigas salalé e em desordem fugiam com algumas imbambas daqui para ali mas e, principalmente sempre para Sul e, ou a Capital.

Assim, os últimos portugueses no Interior de Angola, formando comboios de carro puseram-se a caminho da Luua, atravessando perigosas picadas e outras estradas aonde pululavam guerrilheiros de faz-de-conta impregnados de muito ódio ao branco; muito cheios de vingança e com a cabeça cheia de fumo, liamba e bebidas desinibidoras, faziam a seu bel-prazer a justiça ocasional. Por dá-cá-aquele-palha, um cigarro, uma cerveja, um qualquer cobiçado traste, podia ser motivo de morte.

moc2.jpg Assim e correndo grandes perigos, procuravam o lugar de embarque na já tão falada ponte aérea; num desespero e abandonando tudo, fugiam simplesmente daquele inferno. Era o que preconizava Rosa Coutinho e seus guedelhudos do MFA - os urubus ou corvos, como queiram; Tropa fandanga nunca reconhecida traidora pelos muitos governantes de Portugal no após 1975. Com três semanas de combates arrasadores, nunca o MPLA acudiu aos apelos de Paz faltando a todas as reuniões do comando unificado da Luua. A Emissora Oficial de Angola era simplesmente ignorada pelo MPLA.

O MPLA venceu a Batalha de Luanda expulsando a UNITA e a FNLA com a inequívoca ajuda do glorioso MFA do M´Puto. Em verdade a Batalha de Luanda resumiu-se ao duelo entre MPLA e a FNLA, enquanto os soldados e militantes da UNITA, sem armas para retaliar, se tinham simplesmente resignados a fugir. Os que não puderam fugir, foram simplesmente massacrados aos milhares (maioritariamente negros mas e também, alguns brancos). Recordem-se do massacre na sede Pica-Pau em que abateram homens quase desamados, mulheres e muitas crianças…

silva p0.jpg Onde quer que uma pessoa se encontrasse escutava o inevitável fragor dos combates, o rebentamento de obuses e também, observar no céu colunas de muito fumo. O medo sentia-se no ar! Camionetas passavam com feridos e mortos em direcção ao hospital e à morgue largando rastos de sangue pelo asfalto; Tem-se agora a certeza de ter sido de propósito para provocar o pânico entre os brancos. Está escrito! Mas, sempre haverá muitos dizendo ter-se esquecido; que talvez não tivesse sido tanto assim; sempre a tentar lavar o sarro de tanta hipocrisia. Sinto-o!

Mas, não obstante tanto esquecimento, confirma-se ter sido o MFA o principal comando de tudo – o autor da logística! A bandalheira do exército do M´Puto estava institucionalizada. Nas ruas da Luua viam-se soldados regressados do Norte de Angola sem qualquer aprumo, barbas desgrenhadas, ao estilo de Ché Guevara, o revolucionário do estilo, da época. Época nada digna. Os brancos estavam entregues a si próprios; ando a remoer o passado para não me deixar consumir por rancores inúteis… Ou mato, ou morro!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:05
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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