Domingo, 4 de Outubro de 2015
CAFUFUTILA . XC

TEMPOS QUENTESNO PARALÉM4ª de 4 partes - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE – Cidadão do Mundo - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa a caminho de Angola…

cola 2.jpg (…) Era oito de Setembro, estava eu na festa romaria da Nossa Senhora da Cola escarrapachado bem no alto e no muro daquele sítio dos primórdios da pedra lascada e ainda ali empilhadas em forma de casas e cercas. Esta romaria era já, no século XVIII, a mais importante da região, um dos lugares de peregrinação mais importantes do Baixo Alentejo. Pesquisas arqueológicas indicam que a ocupação deste sítio remonta a um castro ou citânia do período neolítico, com particular expressão durante a Idade do Ferro. Foi ocupada por Fenícios e Cartagineses, sendo os vestígios relativos ao período Romano escassos.

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São significativos os testemunhos do período Muçulmano, a partir do século VIII, que indicam uma comunidade baseada na actividade agrícola e pecuária, onde a tecelagem tinha um importante papel. Na reconquista cristã da península, passou para as mãos dos portugueses no reinado de D. Afonso III (1248-1279). Por razões hoje desconhecidas, a estrutura do forte, foi abandonada por volta do século XVI, vindo a cair em completa ruína. E, aqui estou eu, nesta minha talvez décima segunda encarnação, apreciando o colorido da procissão, gente da diáspora vindas no mistério do vento que agora se entretinha apenas em alizar as ervas dos restolhos.

cola2.jpg Numa solidão de muitos quilómetros este sítio ficou muito cheio de barulhos com tendeiros alinhados ao longo da única estrada de acesso e, eram tachos, travessas, ratoeiras e chocalhos a barulhar espíritos com cães ladrando em guarda das carroças e furgonetas exibindo louça de barro e ferragens entre quinquilharias em plástico de carros carrinhos e palhaços de madeira rodopiando. Assim pensativo nas lonjuras com mitos fruindo a magia deste instante, sem desfalecer na dignidade virei-me a ver o andor e deparei de novo com a kianda assombração do já amigo John Wayne que desta vez vinha acompanhado com Yul Brynner. Claro que fiquei espantadíssimo! Logo dois artistas que me deram tantas alegrias num passado recente.

cola01.jpg Decerto, John despertou a curiosidade do careca ruço Yul de origens mongol e aí vieram os dois à terra lusitana ver suas ancestrais vivências e, eu muito contente aceitei aqueles dois abraços tão cheios de curiosidade por tudo. John com um ramo de oliveira na mão com azeitonas ainda verdes, sempre sorrindo assim como um epílogo ao susto por via de seu Paralém, olhando e apontando aquele ramo e, excitado de contente disse assim: -Hoje ganhei anos de luz; este ramo que aqui vês tirei-o à momentos de uma árvore com 2850 anos; é quase do tempo dos homens destes Castros que se chamavam de Celtas e Iberos fundindo-se nos Celtiberos e muito mais tarde Lusitanos. Yul Brynner, atento à conversa só abanava a cabeça em tom de concordância.

cola03.jpg E continuou: - Estiveram por aqui muito antes dos Romanos, ainda nem de se adivinhava que Cristo por aí viria! Fiquei até aparvalhado recebendo estes ensinamentos dum cowboy amarelecido no tempo. Após um muito breve silêncio Yul Brynner falou: -Foi com um ramo igual a este que uma pomba retornou a Noé da arca nos primórdios do tempo, após o diluvio das géneses. Mas, o que apreendo com estas figuras holográficas que viajam à velocidade da luz, aqui entre os ventos das falsas estepes alentejanas! Muito mais que naquela quadratura do círculo de gente terrena da tevê que falam de todos como se os demais fossem seres sem eira nem beira, nem pombas do Santo Espirito no cocuruto.

cola1.jpg Nós os três, continuamos dialogando até depois da missa à qual nem assistimos. Como outros, dispusemos o farnel em uma manta de retalhos de Minde e, debaixo de uma oliveira que também o era, muito velha por via de suas rugas escanchadas e enegrecidas. O mundo é mesmo um mistério, e nós, queiramos ou não, somos uma ilusão. Já tarde prolongada rumei para o meu castelo refúgio das estepes falsas no lugar de Messejana mas, só após ter dado um fraterno abraço a John Wayne e outro a Yul Brynner, gente virtual que me prometeu recomendações lá no Paralém deles. Não sei se tornarei a ver estas divertidas assombrações mas, o que fica disto, é algo muito de divertido e bonito!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:07
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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