Terça-feira, 26 de Novembro de 2019
FRATERNIDADES . CXXIII

ANDO ENKAFIFADO - NA PRADARIA ALENTEJANA  - 07.08.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Na Cuba de Colombo, no Alentejo

cubo 10.jpeg O tempo não passa pela amizade mas, a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto existe! Desta feita, eu, um caluanda da Luua, juntei-me aos Chicoronhos do Lubango a festejar nossa existência com aquele Jinga Malaia tão peculiar do Reino Fantasma de Maconge e, secundando os líderes, antes cábulas e agora doutores entre os senhores, com eles cantei. Assim só mesmo por falar como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos, revisitamo-nos na pradaria alentejana para rever outros tempos, antes dos nossos tempos!

Em plena Maianga da Luua, capital de Angola, meu pai reconfortava-se também com os amigos na taberna do Álvaro, daquele outro chamado Hernâni com uma mulemba, jogando a bisca e à sueca mais o tentilhão, Por vezes era no Simões dos matraquilhos junto ao Clube da Maianga que o urbanismo engoliu; uns malhos redondos e um escopro ao alto a fazer de alvo. Quem perdia pagava um copo de tinto ou um “Pinochet”. O Mundo dá voltas e aqui neste agora e em Cuba assim irmanados na memória, lembramos o Cristóvão que a rodeou, a terra!  Já não vi ninguém jogando à malha…

Revi ou vi, alguns em realidade, era a primeiríssima vez! O melhor que os amigos têm a fazer é verem-se cada vez que se podem ver porque o tempo ruge. É verdade que, mesmo tendo passados muitos anos, sente-se o prazer de reencontrar a quem já se pensava nunca mais ver. Saudade! Até agora nunca desconcordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Coisas de mais-velhos, misturando alhos com bugalhos e melancias com queijo de ovelha destas pradarias…

cuba4.jpg Ali estávamos, REINO DE MACONGE com nosso guia Valério Guerra, o Soba de Portimão do M´Puto e Barão de Capangombe, recordando em verso os tempos gemidos, o luar de guitarras e de janelas perfumadas de Maconge, suas pedras garridas e serpentinas de raparigas – marés do destino não adormecidas. Depois veio o TESTE DO SUMO D´UVA na adega “País das Uvas” rodeados de potes grandes de barro, vinho de talha e assim, fomos sendo contemplados com o verso do BAMBU.

Bambu trazido pequeno das terras de Lubango, mais propriamente do então Liceu Diogo Cão e que agora já crescido assim foi referenciado: Bambus e mais bambus / que haja mundo fora, / soleníssimo será nenhum / como onde a Academia mora, / e Academia não haver, / majestática e bela / como a da imponente Chela, / nem de presidente constará / virtude fama em anais… / nunca…jamais! De Manikongo levei uma múcua que por via da trincadeira  e dum tal de aragonês, ficou só por ali, para ser vista.

cuba9.png Os súbditos Chicoronhos do Reino de Maconge tomaram conhecimento de que para além de qualquer Tapurbana cantada por Camões e, da volta ao Mundo por Cristóvão, Colombo é Cubano! E, se porventura, alguma expedição marítima chegou ao Brasil antes de Pedro Álvares Cabral, na forma lenta dos séculos, este também foi o primeiro. Para nós humanos muito cheios de diplomacia, segredos e feitos enviesados sem vento de bolina sempre teremos os arranjos papais, seu significado histórico! Foi assim porque queremos que o seja e, mais nada!

Eu, soba do reino de Manikongo de nome T´Chingange, afirmo que após o achamento do Brasil por Cabral, o Império Ultramarino Lusitano foi integrado sem essas periclitantes notícias arqueológicas de mirar o osso carunchoso do nosso tempo e de nossos ancestrais através dum microscópio fantasmagórico, não certificado em nossos templos. Meu canto, meu mundo antigo, reaparece embrulhado de saudade, neste torrão embora lhe faltam as fitas da kúkia (pôr do sol)… Cativo, vestido com os meus panos, agarrado aos búzios, amuletos, à undenge ami mu Moamba, desse antigo tempo e lugar…

cuba12.jpg Assim sendo o Reino de Manikongo galardoado com o badalo de ouro mais alvissaras, do Reino de Maconge no meio deste fascínio e, porque os tempos idos sempre foram de cobiça, selamos o assunto tapando-o com azeite fino de moura tal com o tintol da talha da Aldeia de Frades e arrabaldes. Encerrando o capítulo por agora pois que o Tratado de Tordesilhas já sofreu seus andamentos e aditamentos na altura devida! Em Cucufate assim como estivesse em Meca dei três amorosas cabeçadas naqueles grossos muros como aprovação dos feitos idos por Cristóvão Colombo e Pedro Cabral.

Nesta altivez senti o dever do estímulo, da bandeira e do hino e os ricos atributos que fizeram de nós um grupo de fiéis cavaleiros das terras do Nunca. É vital para o nosso equilíbrio emocional ascender na mesma filosofia do Reino de Maconge ou Manikongo, “abraçar o vento que sopra da Leba” – Neste agora, foram os Chicoronhos que deram a bênção ao nosso portal da Globália, ”Quando se quer, o pensamento viaja por distintos lugares”. Vamos assim, contribuir com o nosso lema “o mais valioso é o direito de pensar” em liberdade de espírito.

Cuba é Vila por Alvará de D. Maria I desde 18 de Dezembro d 1872. A ocupação humana é aqui muito antiga, visível pelos registos arqueológicos que por si só provam a existência de uma civilização megalítica de 300 anos antes da nossa era. Do tempo da ocupação árabe ficou possivelmente o nome de Cuba, talvez uma corrupção da palavra árabe “coba” que significa uma pequena torre. Cá para mim prefiro acreditar que o nome Cuba, advenha das cubas de vinho que ali foram encontradas no reinado de D. sancho II aquando da sua reconquista aos mouros.  

cuba11.jpeg Nesta grande misturada, O REINO DE MACONGE com seu Sonho, lenda e fantasia em terras Ultramarinas da Europa, ceamos várias vezes na presença dos nobres e plebeus da Real República de Maconge entre nobres do M´Puto. Com lata, lábia e linha mais aprumo, tratamos assuntos de transcendência, remetendo responso às gerações que virão e, para que não se entre nesse entretém de quem foi que o foi; Após o grito de Ginga Malaia seguido ao toque do chocalho, uma grande ovação com salva de palmas a nós e a quem vier! “Há quem nunca esqueça o chão, os cheiros do coração”. Do reino de Manikongo e, para que conste na Torre do Zombo...

O Soba T´Chingange (Do reino do Faz-de-konta de Manikongo)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:51
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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