Quinta-feira, 26 de Junho de 2014
FRATERNIDADES . LXI

 

LUBANGO  Na cordilheira da Chela

A África da minha vida

Por

Eduardo Torres Eduardo Torres     

   

                 

O sentimento
O que vale o sentimento?
Pergunta que me transcende
Será como uma luz que se ascende
Cá dentro do nosso ser?
Ou é um fogo que arde
Sem nenhum de nós saber?
O sentimento é um valor
Que se sente e se conhece
E quase sempre aparece
Deixando algum sabor
Pode aparecer amargo ou doce
É assim como se fosse
Uma estrela no céu a brilhar
Por vezes como ela, distante
Mas que se aproxima num instante
Para nos fazer sonhar.

 Mossãmedes - 1914

Hoje, ao consultar a minha página do facebook, deparei-me com documentos fotográficos, quanto a mim, de inquestionável valor, que ajudam a entender Angola, e as grandes dificuldades porque passaram os seus colonizadores, porque os colonialistas, já nessa época, viviam bem instalados, no que por norma se chamava Metrópole. Fotografias, a rondar o ano de 1927, curiosamente, tempo muito semelhante ao que geralmente escrevo quando me refiro a episódios da minha infância. Numa década, Angola não sofreu um desenvolvimento que a transformasse tão repentinamente numa outra muito diferente, tanto mais que se encontrava afastada do mundo civilizado, esquecida, colónia que garantia benefícios e riqueza, mas pouco ou nada usufruía deles.

  Tal com na fotografia, ainda muito criança, lembro-me de um carro de marca Nash, propriedade do meu pai, mais moderno, com capota, mas de linhas semelhantes, com cromados, bancos corridos em cabedal, e que era o meu encanto. As mesmas estradas e picadas por onde se circulava, em condições muito difíceis, especialmente na época das chuvas, as mesmas jangadas utilizadas para serem atravessados rios, como o Cunene, pontões de Madeira, muitos deles de precária segurança, e estou a escrever já dos anos trinta e oito, quarenta, porque os que se seguiram continuaram a ser em tudo muito semelhantes.

 Dr. Roy B. Parsons e sua esposa

Só a partir de 1961, é que houve uma explosão de desenvolvimento, forçada pelas circunstâncias. Até essa altura, foi sempre uma "roça", explorada até ao tutano pelo país colonizador. Recordo- me da minha mãe, ter sido operada na Catabola, a uma vista, pelo Dr. Strangwey, o meu avô no Bundjei(?) e a minha irmã e irmão no Bongo (Lépi) pelo Dr. Parson, porque em casos mais graves de saúde as pessoas recorriam aos missionários americanos, que proporcionavam outras garantias, num tempo em que não havia antibióticos, garantias que os hospitais portugueses não ofereciam, por falta de meios, independentemente da boa vontade dos médicos que tratavam os doentes.

 Contudo, muito miúdo ainda, lembro-me de a minha mãe ter sido hospitalizada na Chibia, porque havia um médico de reconhecido valor, se não me engano, de nome Menezes, e percorrer frequentemente quarenta quilómetros de má estrada, com o meu pai, para ir visita-la. E ao escrever sobre Angola, nestes termos, estou a referir-me a todas as outras colónias portuguesas que eram tratadas de modo igual. Talvez por essas dificuldades, de se ter de ir buscar água ao chafariz, de se ter velas, candeeiros de petróleo e petromax, xipefo, para se obter luz, mas saber que em cada dia poder sentir uma liberdade completa para poder correr pelos campos, poder pedalar a bicicleta pela estrada sem correr riscos com os automóveis, respirar ar puro em lugar de respira-lo poluído, descobrir espaço livre até ao horizonte, sem casario ou grandes prédios a atrapalhar, ter galináceos, patos, gansos, cães gatos e bambis domesticados que me vinham comer à mão.

 Nash

Apanhar, mangas, pêssegos, laranjas, morangos, passar cada Natal com todos os familiares na Humpata, com os meus avós, e o Ano Novo na minha casa, da mesma maneira, ver a doçaria ser confeccionada em casa e comer os restos da massa dos bolos que ficavam nas panelas os nos tachos depois dos bolos colocados nas formas ou tabuleiros para irem ao forno, previamente aquecido a lenha, e limpo de toda a cinza, se isto não era vida, o que era realmente viver? Como posso esquecer Angola, a minha terra no planalto da Chela, onde pude ter uma vida diferente, porque graças a Deus, sempre tive uma vida feliz em qualquer lugar onde viesse a viver depois. Mas a infância, em que Angola era realmente a África, que não volta nunca mais a ser igual, foi um marco diferente na minha vida, que jamais poderei olvidar. África estava tão longe do mundo civilizado, que só a segunda grande guerra a conseguiu aproximar da Europa.

(Continua...)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:29
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

RELOGIO
TEMPO
Weather Forecast | Weather Maps
Maio 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9

12
14
15
18

20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
Facebook
Kimbolagoa Lagoa

Criar seu atalho
ARQUIVOS

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

TAGS

todas as tags

LINKS
PESQUISE NESTE BLOG
 
CAIXA MUSICAL
CONTADOR
contador free
ONDE ESTÁS

Sign by Danasoft - Myspace Layouts and Signs

blogs SAPO
subscrever feeds