Sexta-feira, 25 de Julho de 2014
FRATERNIDADES . LXIII

África profunda - Subindo a Serra da Leba 

Por

Eduardo Torres E Eduardo Torres

 Quando se começava a subir a serra da Leba, pela estrada antiga, a caminho de Mossâmedes, atingindo o ponto mais alto, para depois começar a desce-la, era um espectáculo deslumbrante, ver muito ao fundo, a Humbia com as suas casas em miniatura, e a estrada, de terra batida com muitas pedras, a serpentear, surgindo cada curva com um precipício paralelo à encosta, e ver o arvoredo como escorregando por ela, cada árvore tornando-se mais pequena, consoante a distância da descida, ia aumentando; os travões eram só para aconchegar, porque era a caixa de velocidades que funcionava, como controle da viatura.

  Uma serra perigosamente difícil de descer ou subir, mas um traçado, todo ele de encanto e de uma beleza, tão natural como espectacular. Com o novo traçado da estrada asfaltada, num trajecto diferente, não vou dizer que a viagem perdeu encanto, mas desapareceu aquele espírito de aventura, porque se alteraram profundamente os condicionalismos, oferecidos, quer num caso, quer noutro. Aquele pedaço de África, deixou de ser uma fera livre, passou a ser parcialmente domesticada, pelo progresso. Deixou de ser ela determinante no tempo de uma viagem, fomos nós que passamos a beneficiar dessa vantagem, a determinarmos o tempo que cada um poderia percorrer determinado percurso. Hoje, que o tempo já passou, e talvez por isso, sinto mais saudades do das dificuldades do que o da fartura. Um, por se tornar demasiado fácil, quase não de dá por ele, o outro, porque é o inverso, nunca mais se esquece.

Mal comparado, é como um indivíduo habituado à cidade e que por qualquer circunstância, acaba por ir viver para o mato, comerciante, talvez, nos primeiros tempos, vem com assiduidade a cidade, sente a falta dela, vive fora do seu habitat. Mas o tempo vai passando, atrás duns anos, outros virão, e muda completamente o sistema de vida. Torna-se numa espécie de animal selvagem, ganha os princípios da liberdade, aprende os segredos da selva, mata um animal para comer uns bons bifes ao almoço, e já só admite visitar a cidade, por necessidade, quanto mais viver nela. Como animal de hábitos, os seus, alteraram-se profundamente! Angola foi-se habituando ao progresso, porque nós tínhamos necessidade dele. Ela foi-se moldando aos nossos interesses, e as histórias de antigamente não passam mais do que isso. Ficaram as saudades delas, porque foram vividas numa época diferente, porque diferentes eram os tempos. A saudade é um sentimento, cujo tempo de validade termina ao mesmo tempo que o ciclo de vida.

(Continua…)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:34
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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