Quinta-feira, 2 de Abril de 2015
FRATERNIDADES . LXXXI

ANGOLARelembrar o Lubango e a Chibia - Em Angola todas as picadas têm uma fatídica curva da morte…

Por

torres.jpgEduardo Torres

Á última curva, chamaram-lhe descolonização

cristo rei lubango.jpg Quando ainda criança, minha avô contava-me histórias do seu passado, e eu, sentado, com as mãos apoiando o queixo, ouvia-a embevecido, quantas vezes pensando ser o protagonista daquelas aventuras dum passado longínquo, em que as dificuldades e as necessidades andavam juntas. Saber como ela aprendera a fazer contas, a ler, sem escola, porque na época havia outras prioridades, e a cultura mesmo básica, estava renegada para segundo plano; desbravar caminhos, estabelecer contacto com os nativos, sua animosidade, ir vendo o nascimento de uma povoação através da abnegação dos ditos xi-colonos, delinear ruas, definir as casas feitas de adobe.

nash0.jpg Trabalhar na imagem trazida com fé da longínqua Madeira e, a que deram o nome de Nossa Senhora do Monte, serem fortes na luta que nascia com o aparecer do sol, e acabava com ele no ocaso. Tarefa árdua no nascimento de um povoado que viria a ser o Lubango de hoje. Mais tarde e já casado, quando ela ia passar uns dias a minha casa, continuava a gostar de ouvir as suas recordações; um passado que continuou sempre presente. Sentia nela uma pontinha de orgulho de ter nascido com os caboucos daquela cidade.

dia29.jpg Nos tempos em que eu era miúdo, a Chibia, tal coma Humpata, tinha um certo fascínio, a começar pela viagem em cerca de 44 quilómetros; por uma estrada térrea e algo esburacada, perigosa em algumas situações, como a subida íngreme do Rio Capitão, onde havia falecido o comerciante João Ricardo; isso sucedeu devido a um acidente numa velha Bedford. Percorridos alguns quilómetros e, após termos deixado para trás a tortuosa e antiga estrada do Bairro de Sto. António, lá estava a curva da morte, assim chamada pelos muitos acidentes e mortes ali registados.

nash1.jpg Em angola todas as estradas ou picadas têm uma fatídica curva da morte. Viajando na poeira ou na lama, consoante a época, acabava por aparecer a Chibia, com a conhecida Pensão Camões, paragem obrigatória. Depois disso, íamos nós à procura das deliciosas tangerinas, enormes, doces, sumarentas, como não havia em mais nenhum lugar na Huila. Eram famosas as tangerina da Chibia, como não o eram menos, as laranjas do Zé Padre, na Huíla.

nash2.jpg Era o ex-libris de ambas as localidades não muito distanciadas uma da outra, mas qual delas a mais famosa e conhecida; uma pelas tangerinas, a outra pelas laranjas. Gostava de percorrer aqueles pomares enormes, saciar-me com a qualidade de fruta de que estava a beneficiar de acordo com o local onde me encontrasse, e depois iniciar a viagem de regresso no velho carro Nash, com o saco repleto de tangerinas que fariam as delícias da família enquanto durassem. E quando surgia a oportunidade, voltávamos à Chibia, vila de gente hospitaleira, de que guardo gratas recordações.

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:17
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