Segunda-feira, 1 de Junho de 2015
MALAMBA - LXXXVI

ANGOLA - O OUVIDOR DO KIMBO - Relembrar o Luena (Kangamba) - antiga Vila Luso… 9ª de 11 Partes

Malamba e a palavra - As escolhas do Kimbo

Publicada por:

nasc1.jpg H. Nascimento Rodrigues - Licenciado em Direito, Jurista eminente e homem público que se destacou, em todas s funções que exerceu no M´Puto - Nasceu no Luena (Kangamba), antiga Vila Luso em Angola…Faleceu no ano de 2010

quil5.jpg (…) E em regra era mesmo a questão das culturas, o desaparecimento de gado e, portanto, a situação de fome ou a de saúde dos povos do kimbo o principal motivo dessas conversas, como mais tarde me explicaria meu Pai. Era muito difícil, então, encontrar-se solução adequada para a substituição dos métodos tradicionais de cultivo praticados pelas gentes do kimbo, o puro trabalho muscular pela enxada, e explicar-se que as terras mereciam pousio sob pena de inevitável degradação. Bastava um ano de chuva torrencial ou de sol ardente para que tudo se perdesse. E daí à fome era um ai.

nasc4.jpg O gado, que não era abundante - umas vacas raras, uns cabritos e galinhas - era frequentemente atacado pelos predadores do costume: as cobras, as hienas, por vezes o leão, queixava-se o chefe da aldeia. Menos gado, ou criação a menos, significam também mais fome, está-se a ver. E finalmente, mas não menos grave, existiam as doenças clássicas, como o paludismo à cabeça, a doença do sono que, nessa altura, não tinha ainda ataque sistematizado, a lepra, e também os golpes mais fundos no corpo, causados pelo uso errado das catanas ou das enxadas.

nasc5.jpg Era por essas ocasiões que a conversa entre meu Pai e o velho “sécúlo” do kimbo terminava com as soluções possíveis: mandava-se retirar do armazém sacos de milho, distribuía-se fuba e algum arroz, e minha Mãe era mandada ao armário de nossa casa buscar os frascos de quinino para atacar o paludismo, ou alguma gaze e tintura de iodo para limpar as feridas das lâminas da catana.

nuno1.jpg Em situações mais delicadas, meu Pai autorizava a distribuição de uma meia dúzia de canhangulos, velhas espingardas que já não tinham memória do tempo do seu nascimento, mas que seriam capazes de disparar sobre javalis, gazelas e mesmo impalas-- carne para comer - umas duas ou três vezes em cada dez disparos. Os homens do kimbo percebiam o gesto de confiança, pois nunca vi meu Pai com uma arma na mão, sequer uma simples caçadeira para andar às perdizes.

nasc6.jpg E retribuíam, porque nessas ocasiões, regressados da caça e devolvidas as armas, havia festa no kimbo noite adentro, com cantares e dançares, as palmas das mãos marcando o ritmo dolente da música, as ancas das mulheres requebrando em direcção aos corpos dos homens, numa calucula que mais tarde me soaria parecida com as rebitas da cidade.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:42
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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