Quinta-feira, 12 de Julho de 2018
MALAMBAS CCVIII

MOKANDA DE UM PORTUGAL

(M´PUTO) PRECÁRIO   – 12.07.2018

Por

soba15.jpgT´ChingangeNa Quinta das Telheiras de Vila Real, acima do Douro e, muito perto da Galafura.

Assim, partindo de um para outro e, mais outro e outro lugar, sem me encontrar, procuro-me na linha dum destino tardio. Nada a fazer! Criei a teoria do esquecimento, burilei-me nela e voei entre nuvens turbinadas de sucção, compulsão e impulsão, vida dum qualquer outro cidadão que calado, engole compromissos alheios. No calor do tempo queimando cansaços, decepções e até solidões, criei projectos de engano esperando um amanhã que nunca se abeirou sorridente numa perfeita totalidade. Há sempre uma qualquer coisa a emperrar.

4 DE JUNHO.jpg  E, assim vivendo todos os dias com uma sensação de injustiça perante a precaridade e a falta de perspectivas no campo laboral, prevejo a continuação da falta de uma vida condigna em Portugal, para a maioria dos cidadãos. Para quem investiu na formação a fim de se fazerem parte qualificada de um país, pais e filhos, ano após ano, sentem-se desolados ou no mínimo frustrados por seu resultado nessa qualificação ser permanentemente sofrível; uma carta fora do baralho.

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Chegar a meio do mês e já não ter o suficiente dinheiro para mais do que pagar a renda de casa e a alimentação, é uma dor de cabeça para muito mais que muitos, avós, pais e filhos. Os filhos têm de contar com o apoio dos pais para poderem minimamente acudir às necessidades do dia-a-dia; mas, há pais e pais e, outros há que nem para eles sobra algo das penúrias. A uns e outros prevalece o receio de não se saber ir ter o suficiente dinheiro para se acudirem levando alguns muitos a ficarem no acaso ou ocaso da vida, ao Deus dará.

boia2.jpggoucha1.jpg Quando se vive com um salário abaixo do paupérrimo, não resta alternativa senão estabelecer alternativas, reduzir os gastos na alimentação, no calçado e no vestir mas, há despesa contratualizadas que não se compadecem com as falhas tais como, a renda de casa, água, luz e electricidade ou telefone que não podem de todo ser diminuídas ou eliminadas. Ela, a precaridade, está definitivamente instalada; há muita pobreza encoberta por aqui e ali, um pouco por todo o Portugal.

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Há arquitectos a quem é oferecido seiscentos euros para trabalhar sem direito a subsídio de alimentação enquanto se paga aos serventes mais do que isto. É o pais do biscate, do desenrasca com ganchos e garranchos. Se é para isto que formatamos a vida, pergunta-se: - Então para quê estudar!?  As notícias enchem-nos os ouvidos com mentiras, os governantes tentam passar a imagem de que tudo vai bem, de vento-em-popa com o crescimento económico e muito bláblá mas, a realidade é outra bem diferente.

tukya13.jpg A realidade é a de que oitenta por cento das ofertas de trabalho para licenciados, numa vista rápida pelos jornais nacionais e entre Janeiro e Junho de 2018, oferecem menos de novecentos euros brutos por mês. E, vem o ex-presidente Aníbal Cavaco dizer-nos que os portugueses necessitam de fazer filhos ao invés de se fazerem mais estradas ou pavilhões desportivos. Para terem de viver isto, senhor Ex?  Quando dois em cada três dos trabalhadores com idades entre os 25 e 35 anos ganham menos de 900 euros mensais.

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Mais de metade dos trabalhadores por conta de outrem e, na ordem dos 60%, vivem com um vencimento inferior a 850 euros. Os políticos enchem a boca zunindo-nos aos ouvidos com perspectivas optimizadas, enganando-nos num penoso descaramento.  Duvido que em Lisboa, ganhando menos de 1500 euros por mês, possa um casal com um filho, ter um satisfatório “padrão de vida” no entanto, sabemos haver uns quantos apresentadores de televisão a ganharem entre os vinte mil e os sessenta mil euros.

presid1.jpg Aquele numero máximo referido, daria para pagar a mais sessenta trabalhadores qualificados, tomando em conta os vencimentos de agora! Uma descarada afronta ao nosso entendimento. Quase me atrevo a pedir fazermos um bloqueio a esses canais que se atrevem a machucar nossas sensibilidades. Nem na Gaucharia aonde fazem curtumes, aonde tratam peles de animais, há tanto despifarro de dinheiro. Uma afronta à nossa precariedade mostrada em devaneios e futilidades da merda.

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Uns com tanto e tantos com tão pouco! Não me venham cantar ao ouvido coisas que não observo! Sinto até vergonha de ligar a televisão e, ver assim desperdícios em futilidades pagas pelas autarquias e pelo estado. Esfolam-nos com taxas, pagamentos por conta e tarifas para dar cobertura à cultura de mau-gosto, coisas bem desnecessárias em nosso dia a dia. Não nos podemos mentir todo o tempo.

eça5.jpg Não nos ofendam mais referindo a cada minuto os milhões que este ou aquele Jogador de futebol incluindo o Ronaldo vão ganhar só para chutar uma bola. Gosto de futebol mas arranha-me o consciente falar em números de escândalo; falar de milhões a quem esgadanha tostões. Pra passar o tempo, como umas bolinhas de suspiros, sonhos de abobora arrumando missangas de vida nas malas extravagantes do meu comboio fumaça, vapor de sonhos que apita, que rasga meridianos, trópicos e equador. Não no iludam com paneleirices – falei!

Ilustrações de Costa Araújo Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:17
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