Domingo, 15 de Setembro de 2019
MALAMBAS . CCXXIX - A

UM CACTO CHAMADO XHOBA . IX 06.08.2019

MALAMBA NAS FRINCHAS DO TEMPO

- Boligrafando estórias e Missossos da Dipanda – Toma lá e anda - do ano de 1999, talvez 1997.

Por

soba24.jpg T´Chingange - No Alentejo do M´Puto

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Não deveria ter sido assim mas, desaconteceu! Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, no após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional chegando até os nossos dias na forma de Diáspora. Uma missanga de contos com lendas e coisas tão verdadeiras que assustam o crédulo. Sendo assim e na forma de espantados, tudo corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo a que chamo de Globália. No Missosso da literatura oral angolana, há contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e crenças dos povos de dialecto quimbundo entre os outros derivados do Povo Bantu - Óscar Ribas da Luua, foi o seu criador.

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No fogo do pó levantado do chão vermelho, margens do Kunene, os kandengues himbas dançavam com um jacaré domesticado; desconhecia que um jacaré podia ser domesticado mas, os olhos meus, me diziam no seu ver, que aquilo visto, era mesmo de verdade verdadeira. Vejo e aprendo que a natureza muito nos ensina com seu riso de muitas flores riscando no firmamento cinza com branco a azul, musgos de nossas velhices coloridas a vermelho com laranja. Pus a mão no meu cérebro buscando naqueles milhões de células apalpar qual daqueles cabelos feitos bissapas estavam fora do sítio para entender aquela cena inaudível, inacreditável! Sei que tudo em minha vida resulta de guardar sempre comigo a esperança monandengue; de espiá-la com olhinhos de a ver balouçada no arco de minha sobrancelha.

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Em África parece tudo ser perto pois que tudo se sabe; carências de notícias levam à união e a fraternidade, dando a isto uma característica única no mundo; Em nenhum lado do grande globo se encontra esta postura e este facto é a razão por que ninguém se esquece dessa vida, daqueles aromas, do som do mato, do chorar da hiena, o uivar do mabeco e até o cacarejar das capotas com o “tou-fraca, tou-fraca…” mais o pôr-do-sol, essa kúkia atrás duns chinguiços, cassuneiras ressequidas e mato estéril. No fogo do pó levantado do chão vermelho, margens do Kunene, os kandengues himbas dançavam com um jacaré domesticado; desconhecia que um jacaré podia ser domesticado mas, os olhos meus, me diziam no seu ver, que aquilo visto, era mesmo de verdade verdadeira. Vejo e aprendo que a natureza muito nos ensina com seu riso de muitas flores riscando no firmamento cinza com branco a azul, musgos de nossas velhices coloridas a vermelho com laranja.

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Pus a mão no meu cérebro buscando naqueles milhões de células apalpar qual daqueles cabelos feitos bissapas estavam fora do sítio para entender aquela cena inaudível, inacreditável! Sei que tudo em minha vida resulta de guardar sempre comigo a esperança monandengue; de espiá-la com olhinhos de a ver balouçada no arco de minha sobrancelha - Como se chama esse jacaré! Perguntei ao jovem mais próximo. - Chama-se de Sundiameno. Disse! Fiz uma cara feia, de nariz torcido e, ele, vendo-me embrutecido repetiu. É mesmo de Sundiameno porque não é de fiar! A gente lhe desconfia, acrescentou – Nem nele, nem no pai dele! Concluiu.

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Esta conversa tola seguia um rumo desclassificado e, foi neste então que vi sentado num banco de pau já feito pedra (…ali, as antigas árvores viraram pedra…), um mais-velho branco feito quase assombração de barbas credíveis e brancas – Um branco mais branco, feito preto (talvez um albino, Não! Albino mesmo mas, de lábios grossos com esfarelamento nas rugas…). Entabulei uma conversa séria, falamos do rio Kunene e de seus mistérios. Foi este mais-velho kota, já século, que me descreveu alguns mistérios e, que passo a referir: - Olha mwadié (branco) este rio tem muito cazumbi e muito feijão branco. Um dia ajudei um gweta, t´chindele Rocha, branco como nós, que domesticou desde criança, um jacaré a apanhar diamantes para ele. Saiu daqui muito de rico para Ot´xakati! Afirmou isto e, em seguida, apontando para suas muletas de fibra sintética disse: - Foi ele que mas ofereceu! Pensativo, num repente levou a mão ao seu templo e disse: Parece que ainda é vivo mas, eu nunca mais o vivi! (aconteceu que mais tarde estive com essa lenda a comer pirão em seu restaurante…)

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No lugar aonde o rio se esconde, fizemos acampamento por muitos anos até que chegou a guerra da libertação e, ele seguiu com a sua gente. Conclui na sua sabedoria filosófica com cat´chipemba, uma bolunga pura dos Xi-Colonos – Este segredo, eu conto a toda a gente, disse! Por ali passaram gado, camiões e máquinas amarelas de fazer estradas. Abriram umas picadas e depois seguiram para Walvis Bay e Swakopmund da Namíbia. O mistério daquele jacaré estava quase desvendado por mim, mas, na dúvida sobrante, perguntei: - Então este jacaré que sopra o pó do chão, é esse tal que o gweta Rocha usava para apanhar os feijões brilhantes?

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Talqualmente! Respondeu o kota num desclassificado português com pronúncia meio estalada e ao jeito de um khoisan… E, continuou: - Pois eu fiquei com estas muletas e esse jacaré Sundiameno. O mundo é por demais misterioso! Nunca que eu ia acreditar nisto se não visse! O mais velho de nome Cuca Oshakati, ainda me disse outra coisa em que não acreditei: - Sabes que mais, disse ele. Esse jacaré toca guitarra! Acompanhava muitas vezes seu antigo dono Rocha a cantar fados duma tal de Amália, uma sua prima muito conhecida lá do M´puto!

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Isto era demasiado para a minha camioneta; meti-me no four-bay-four e segui para Ot´xivarongo. Conversando com um velho amigo de Ot´xivarongo, psicólogo do Kalahári, disse-me já ser conhecedor desta estória e, surpresa das surpresas, aquele jacaré era gente! Gente boa que nasceu em corpo errado! Juro que tudo isto me transcende! Oshakati, ficava na direcção contrária à faixa de Kaprivi, uma faixa de linha recta saída do Divunda junto ao rio Cubango até o rio Zambeze com cerca de 405 km de comprimento e 30 km de largura. Tem a forma de frigideira e fica situada no nordeste da Namíbia formando as duas regiões namibianas denominadas de Kavango e Kaprivi.

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Tinha indicações que havia um tal senhor Rocha que fugido do Sul de Angola ali se estabeleceu com um restaurante e uma fiada de casas térreas que eram alugadas a baixo custo a refugiados; foi para ali que me dirigi e aonde me refastelei com uma caldeirada de cabrito e também uma funjada à maneira. Rocha era ainda um rapaz novo; sentou-se em minha mesa e conversamos um longo tempo, fruto da minha insistência na recolha de informações. Rocha falou abertamente do sonho em se fazer rico, construir um hotel em condições e negociar com diamantes quando lhe fosse possível. Aconselhou-me a ficar num dos quartos de Bicho da Ponte do Charuto do M´Puto, logo no fundo da rua, pois que ele estava com os alojamentos repletos de gente saída de Angola.

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Rocha estava a par da odisseia de João Miranda do Mukwé e acabei por ouvir um pouco mais da sua fuga: Quando Miranda chegou ao Mucusso e passou a fronteira para o Sudoeste Africano, as autoridades sul-africanas aturam com rapidez. O comando Sul-africano do Rundu, enviou prontamente tropas para receber a família no Calai. A família Miranda estava salva. O comandante da polícia local, o inspector Erasmos, instalou os Miranda numa “guest house” do Governo. Nessa mesma tarde apareceu o general Loots, reformado, combatente da II Guerra Mundial, acompanhado por um oficial português, madeirense, o tenente Silva. João Miranda foi entrevistado e no final informaram-no de que receberia no fim do mês um ordenado, relativo ao primeiro dia em que fugira de Angola. A família foi depois transferida para Grootfontein, já no interior norte da colónia, para maior protecção. Teria toda a noite para pensar como prosseguir no dia a seguir; agora iria à procura do senhor Bicho para me instalar. Foi assim que cheguei até eles, os Miranda do Divundo, uma gente cinco estrelas… Com esta informação a minha odisseia teria outro rumo e conto assim de trás para a frente e por vezes de patas pró ar…

(Continua…)

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:02
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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