Sábado, 29 de Agosto de 2015
MALAMBAS . XCVIII

TEMPO DE FRINCHAS . Do Paralém Ali naquele local, meu muro, deu-se um encontro mediático; o Santo António de Lisboa estava lá…

Por

soba10.jpgT´Chingange

ant1.jpg De viagem para o passado posso deparar-me com noites longas, bulir com loisas de coisas não vaticinadas fazendo esquecer a vontade de lembrar da cor das madrugadas, o cacimbo tapando as estrelas ou os diurnos gorjeios dos passarinhos e também as desiludida lágrimas; tenho por isso de falar de coisas recentes dos ventos barlaventosos. No muro de minha casa existia um nicho contendo uma boca-de-incêndio instalada num tempo ido. A inauguração do tanque de água da Urbanização aonde vivo foi inaugurada pelo então presidente Américo Tomaz; Hoje quem vai acreditar que um tanque de água fosse então motivo tão importante a fim de ser inaugurado por um Presidente da República? Lembro-me que o velho caminho, um pouco antes da Abrilada, o acesso ao meu rincão era de talvez uns três metros; quando havia dois carros em diferentes sentidos um teria de ir para a berma com uns quantos paralelepípedos traiçoeiro a morder os pneus.

ant2.jpgNesse então tiveram de meter na recente urbanização uma rede de água para apagar eventuais incêndios e, o meu muro, ao ser executado, teve de contemplar na forma de nicho a tal boca de água. Anos depois com a chegada da qualidade de vida, carros de pneu Michelin ou Firestone e limpa para brisas, o buraco-nicho foi substituído por outra rede com pressão e edecéteras que não cabe aqui explicar, sendo metida do outro lado da rua, agora asfaltada e com lancis. Com aquele nicho desactivado, aproveitei meter ali o meu protector, o Santo António de Lisboa e Pádua encaixilhado num vidro grosso encastrado com massa e na forma de uma redoma. Os anos passaram sacolejando-me no mundo de um lado para o outro procurando a estória dos outros daqui e dacolá. Passados anos, ao regressar, espanto-me com as flores, umas murchas, outras de um viçoso plastificado ao redor daquela redoma-nicho, penduradas no muro e mióporos da sebe com atilhos e zingarelhos de sisal e arames já enferrujados!

ant3.jpg Costumes são costumes, pelo que vim a saber ter-se-ia dado ali um milagre com a mulher do Felisberto de nome e Vinticinco de alcunha. Ali naquele local deu-se um encontro com a meia morte dos encontros mediáticos, um camião desabrido deu uma forte pancada na Dona Odete do Ó que ficando muito mal, se salvou por uma unha negra no hospital do Alvor. Ela sempre diz a quem quer ouvir que foi aquele santo (o tal do meu muro) que a salvou; estava ela nas sombras do paraíso e rezando muito àquele mesmo Santo ela, miraculosamente melhorou aos olhos vistos. O tempo passou! Um destes dias, estava o Felisberto Vinticinco desatrelando sua mulher ali no local e ela muito devota fazia o sinal da cruz olhando fixamente para o meu Santo. Rezando baixinho o Vinticinco foi um pouco mais adiante com sua motorizada Kawasaki antiquíssima, tomar um café de espera à sua mulher porque ele, não era assim tão devoto.

ant4.jpg Ele era o Vinticinco porque dizia à boca cheia que se não fosse o Vinticinco hoje andava a acartar carroças ao seu patrão das estepes alentejanas. Neste nevrálgico sítio, lugar aonde moro por vezes, não sendo uma encruzilhada, está-se a tornar famoso pelas muitas missangas ali penduradas! Quem passa sempre fica com a ideia de que ali mora um guru, um mwata, um dignatário, alto dirigente das assombradas missangas do Paralém e eu arredondado nesta fantasia embalo-me no fictício, um nada embalado em coisa nenhuma. O município até mandou fazer ali uma passadeira para peões, colocou uma paragem e uma placa a dizer cuidado em letras vermelhas, circular com precaução por causa dos fiéis, munícipes, gente circulando.

ant5.jpg Duvidando desta veracidade montei uma tenda em minha açoteia, terraço com vista panorâmica de ver o mar e ali durmo nos dias mais quentes, olhando as cruzes do céu, aviões que seguem para as Áfricas e Américas e retenho o olhar naquela rola bem lá no cocuruto do pinheiro de natal do meu Vizinho francês de França. Isto é tão verdadeiro que parece mentira no desrespeito à devoção de cada qual porque nos dias de hoje geração do hipad, do face, do GPS, dos tablets on, in, meo, olx e xxl e um sem fim de piscadelas no espaço. Até o Google art tem um balão do meu sítio com os dizeres Santo António do Vinticinco. Ele! Há coisas…

Do Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:35
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