Sábado, 17 de Setembro de 2022
MISSOSSO . XLVIII
MOKANDA DO EDU - DA MAPUNDA À CHIBIA
- FANTASIA ANTIGA 
Crónica 3247 - Republicada a 17.09.2022
Porsoba0.jpeg T'Chingange (gasosa para o E. Carvalho Torres no M´Puto)

soba21.jpeg Era naquela hora de lusco-fusco em que o dia vai acabando feito entardecer; no alpendre da casa lá no mato, Zacarias, jiboiava numa rede, balouçado no sonho de caçar onça. Acordou num sobressalto gritando: - agarra agarra - kwata-kwata!

Colocou os pés no chão e ainda meio envolto na penumbra do medo e enquanto pulava, levava as mãos algures ao pescoço querendo libertar-se da cobra! Era sim, uma grande giboia enrroscada nele.
 
Saltitou meio ébrio à mistura de medo em direcção å saleta onde tinha uma arma de bala.
Mas, que podia ele fazer com aquele sonho? Foi quando despertou mesmo, num respiro longo de realidade. Pois! Estava só, tendo uma tremuras de pesadelo...

o vazio.JPG Construira aquela casa, metade habitação, metade tasca de vender peixe-frito, fuba e vinho baptizado do M'Puto. Naquele interior, isolado só tinha a companhia do Pernambuco, um já velho ajudante que cozinhava para eles.

Eles, eram o patrão Zacarias da Silva, ele próprio e sua velha senhora Maria do Ó e, mais um puto candengue faz-de-tudo, um sobrinho de Pernambuco chamado de Brututu... Naquele entretanto esta companheira de Zacarias da Silva, ausentara-se para a Mapunda onde tinha um filho a tomar conta da Padaria Lafões. Chamava-se Napumosseno da Silva

Este, tinha uma filha a estudar na Missão do padre Messias da Huila. Estas visitas da Dona do Ó da Silva a sua neta, filha do Napumosseno, eram periódicas pois que a sua linda Neta, era um propósito de esta se afincar à vida já bem encrustada - avó e neta davam-se às mil maravilhas - unha com carne seca...

chibia.jpg Zacarias, ficara assim na vida fazendo ganhos vendendo sua fuba, seu peixe frito e permutas de produtos com o povo de Mandumbe, nome derivado de seu m'fumo chefe mwata que ali vivia com sua nobreza, seu kimbo. O mesmo que fez a vida negra a Pereira D'eça, um oficial expedicionário do Reino...

Kota Zacarias, trocava cobertores, vinho baptizado, sal e outros produto, pelo milho, mel, grandes bolas de cera e algumas cabeças de gado - nemas gentias. Fornecia também cat'chipemba e outras bolungas feitas de massambala aos, óbitos! Umas defuntadas festas gentias. Isto dava-lhe muitos Angolares, Macutas com a esfinge de D. Maria, aquela que nasceu no Brasil.

Ao lado da casa, num chimbeko vivia Pernambuco e Brututu Sobrinho, bem ao lado do alpendre aonde ficava estacionada, a velha carrinha de caixa aberta DODGE. Muito enferrujada, ainda era o seu meio preferido de transporte...

angola colonial.jpg Duas vezes por semana punha suas alpercatas com polainas de lona e, com muita banga, envernizado e perfumado deslocava-se ora ao Lubango ora à Chibia. E, hoje era dia de ir a Pereira D'eça visitar seu compadre Cantanhede de Bustos. Já estava até um pouco atrasado - negócios não são de desperdiçar e, eis que neste despertar repentino sentiu um rosnar bem conhecido.

O sonho era um aviso; ouvia agora com nitidez o ronronar de um felino que andava rondando o curral, não de agora, mas de uns tempos àquela parte - lembrou-se! Misturadas com suas cabeças de gado, havia sempre alguns galináceos dispersos, que gostavam de andar debicando qualquer coisa encontrada no chão.
 
É desta! Pegando na arma e em algumas balas, dirigiu-se à porta de lá detrás, espreitou o som de fora, a ver se havia algum sinal da coisa! Saíu pé ante pé com abafados silêncios, caminhando em direcção ao local. Não se apercebendo de algo de anormal, regressou a casa, pendurou a arma, guardou as balas...

ANGOLA7.jpg Despendurou de novo a chifuta de estrias, meteu mais balas nas lonas e deu ordens de marcha a Brututu: despacha-te meu coirão. Acto continuo, na habitual tarefa deu arranque na sua DODGE! Destino, Xangongo na graça de Deus... E, eis que tratranquilamente no meu espaço de vida via Ondjiva no meu NASH carregado de candonga de peixe seco dou com o velho kota Zacarias atascado na lama até ao chassi! Ué! Claro que ajudei aquele unhas de fome!

Se não fosse eu ainda por lá estava gripando a paciência, um espaço de vida que escolhera para viver. Entretanto, ja noite, com ruídos insalubres da escuridão com sons distintos de feras e edecéteras acompanhei-o até Xangongo. Vida de comerciante no mato, era assim, nos meus tempos de antigamente. Agora, só temos resiliência com swift estatal aiué...
Soba T'Chingange no AlGharb do M´Puto


PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:15
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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