Terça-feira, 9 de Junho de 2015
MISSOSSO . XVI

MALAMGE - O Secúlo Romanof guardava a morte no sovaco; a catinga já lhe cheirava a cadáver.

Por

soba0.jpg T´Chingange

preto2.jpg Romanof andava muito cúmplice de sua velha cadeira, herança em kibaba de seu antigo padrinho e patrão de nome Zé do Telhado. Sempre se queixava rezingão dos tempos e num desenrasca se vivia na sua maneira! Carecia de ocupação saudável e, sempre fingia despedida de quando um de nós, seus ávilos lhe dizíamos que mano toma cuidado! Tu vais morrer sentado nessa cadeira, levas uma vida só de sentado, sesismudo e isso não é bom para o teu sangue! Ele fazia sua cara enrugada, mastigava as palavras, tirava seus sapatos empurrando-os para debaixo da mesa refilafustando:

preto3.jpg - Porcaria de coração! E, batia no peito como se castigando seu órgão nobre; por causa dele tinha de ficar ali todo o tempo se castigando nas lembranças de antigamente que só lhe dava sossego mesmo falando dos cansaços dos outros! Só isso lhe dava os contentamentos, falar dos alheios! Todos lhe diziam coisas que ele não gostava porque seu malembe-malembe lhes fazia confusão só à-toa. Romanof tinha este nome que de alcunha ficou mesmo seu nome; seu padrinho Zé do telhado lhe baptizou assim e com muito orgulho já com os seus setenta anos, engordava suas falas nos tristes silêncios lembrando sua mulher Xituca que se lhe morreu faz um ano, assim só sem mais nem menos! – Ela não tinha nada que morrer assim só num repentemente e sem avisar! … dizia ele muitas vezes.

preto0.jpg À noite lhe ouvíamos cantar suas lengalengas, ralhaduras com seu filho, um descendente muito feito de preguiça e que por ali passava só mesmo para lhe pedir cumbu! E, ele que num tinha, fazer sofrer assim seu pai que não tinha mais presente! Verdade, Romanof só tinha mesmo passado, e dizia: - Eu era, eu tinha, eu fazia e acontecia e, sempre seu padrinho estava presente que até nós nem duvidávamos! Ele mostrava as medalhas de seu padrinho-patrão que ele lhe legou; e, ali estavam penduradas por cima de sua própria estória, na entrada de seu mukifo de taipa, de barro com chinguiços e bosta de boi.

besanga3.jpg Ele tinha politicas razões para falar dele, do Zé do Telhado, um homem nas direitas da vida, um mwata mesmo! não havia outro branco de mais categoria, um gweta que a estória escondeu na cortina da vida! Afirmava ele com orgulho de muito aprumo. – Devia ter uma estátua aqui em Malange! Falava assim como que barafustando com os novos mwangolés que não tinham respeito na nação! - Esta terra vem lá detrás, e eles, num repentemente matam as almas, não têm de direito fazer isto! E, assim se ficava olhando no vento do tempo, cheirando os espíritos que corriam na fé de Cristo e, nos dias de que ninguém que pode mesmo tossir, ninguém que nada; no seu pé, Zé do Telhado era um branco bom, tinha adquirido direitos de respeito!

preto5.jpg Com tudo isto fazer dele Zé uma pedra, nós não tínhamos como falar no catravêz porque morto ele, podia não gostar? - Cala-te, não quero mais ouvir nada. Por soma de grandes cansaços nós os amigos, deixamos de lhe falar nos poucochinhos. Entartarugamos nossas falas num sono, na intenção de só apenas ficar na tristeza dele. Romanof defuntou-se um ano depois! A seu pedido, sua campa ficou ali por perto da campa do Zé do Telhado, seu patrão, seu padrinho e um bom branco. Ambos ficaram nos murmúrios das águas escuras, num sono derramado em conversas de apurados silêncios.

MISSOSSO: Conto de raiz popular que em Angola teve seu criador e percursor o escritor Óscar Ribas. Neles, há diálogos com espíritos, calungas ou kiandas e animais que falam, riem e até fazem pouco dos mortais, superstições e crendices que fazem parte da cultura dos N´Golas.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:12
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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