Sexta-feira, 13 de Maio de 2016
MOAMBA . XI

EM MALAKA - A NUDEZ DA VIDA - Contanto que o Universo tenha tido um início, podemos supor que houve um criador. Não sei se assim pensavam no tempo dos Fenícios!…

Por   

t´chingange 0.jpgT´Chingange

malaka1.png Entre as nossas galácticas ternuras, encontramos terras muito carregadas de estrelas mumificadas. Desta feita e em Málaga de Espanha, com o sol límpido da manhã, cruzamo-nos com gente guapa e, falando língua de outros lados recuamos ao século VIII Antes de Cristo. Tempo dos Fenícios! Pisando pedras em lugares com mofo, recuamos ao tempo de gentes que por aqui aportavam fazendo disto uma sua colónia. As colónias sempre foram uma constante forma de transpor conhecimentos novos e, um lógico sequente aproveitamento de suas riquezas. Neste jeito de espotricar, os homens mudaram o mundo sem contemplar outras periclitãncias tornando-o no que é hoje.

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Vinham de Tiro do actual Líbano recolher vísceras de peixe da qual faziam uma iguaria apreciada em esse então. Foram estes os primeiros mercadores a se a aventurarem a navegar através das águas mediterrânicas. Fundaram colónias na Península Ibérica desde o mar Egeu até à vizinha Cádis nos tempos de David bordeando terra até à costa que hoje se chama Algarve. Vieram a seguir-se-lhe os Romanos que continuaram a explorar os mares fazendo o tal condimento designado de gorum, feito de sangue, vísceras e de outras partes seleccionadas do atum ou da cavala misturadas com peixes pequenos, crustáceos e moluscos esmagados.

malaka2.jpg Em princípio era para apreciar as obras de Pablo Picasso no museu de família em Granada mas frustrado por não ver ali o quadro guernica, desci às escavações aonde me inteirei dos achados arqueológicos dos tempos fenícios e romanos. Inteirei-me que para além do gorum também exploraram jazigos de prata e cobre mas e sobretudo, era a busca de moluscos que mais os preenchia, para daí fazerem a tinta de cor purpura. A busca intensa dessas espécies de moluscos nativos do mar Mediterrâneo causou extinção de alguns deles.

malaka5.JPG Apreciei favoravelmente as modernas infraestruturas para a exploração turística, as artes, os espaços ajardinados, as espécies raras de árvores em suas praças, o tratamento excelente da zona portuária com obras escultóricas antigas e modernas, lado a lado. Sua gastronomia com variados gostos na forma de tapas mas, foi no seu subsolo escavado que encontrei os rascunhos de nossos longínquos antepassados com ânforas que supostamente seguiam para Tiro e Roma cheias de garum. Se naquele tempo o gorum ido do Algarve chegou a ser uma especialidade atingindo os mil denários em Roma, hoje a sardinha tão apreciada pelos portugueses terá de igual modo, considerar-se uma “esquisita” especiaria. Restar-nos-á a sarda, a cavala e o carapau chicharro.  

malaka3.jpg Pela dificuldade na obtenção de moluscos Murex no mar mediterrânico, a tinta de cor purpura, em esses idos tempos, ficaram a um muito alto preço. Púrpura era um dos mais importantes e mais caros pigmentos naturais da Antiguidade, preparada com tintas de vários moluscos. Quantidades enormes destes moluscos eram usados para tingir tecidos e ainda são encontradas hoje, pilhas de cascas desses moluscos em alguns sítios da costa mediterrânica. A curiosidade levou a inteirar-me de que a secreção do molusco está contida dentro de uma pequena veia ou cisto e que, quando quebrada ou partida pela mão, segrega um fluido branco. Os tecidos eram banhados neste fluido branco e postos a secar ao sol para "revelar" a tintura púrpura brilhante.

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Pode apreciar-se hoje a figura do Imperador Bizantino Justiniano I ornado de púrpura de Tiro, representado num mosaico do Século VI na Basílica de São Vital. O melhor pigmento era extraído em Tiro, no Mediterrâneo oriental, e era a cor utilizada nas vestes reais romanas, cor que até aos dias de hoje simboliza realeza. A púrpura foi sem dúvida o corante de maior renome e mais caro de todos os corantes antigos. Na Roma antiga só o imperador tinha o direito de a usar pois era um símbolo de riqueza e distinção.

malaka7.jpg O imperador Nero chegou a punir com a morte o seu uso. Cada espécie do molusco dava a sua variedade de púrpura. O pigmento está presente numa secreção mucosa produzida pela glândula hipocondrial situada junto do tracto respiratório. Esta secreção é incolor enquanto fresca mudando de cor quando exposta ao sol, passando pelo amarelo, em seguida pelo verde e só depois surgindo a cor púrpura característica. Desconhecia esta particularidade!

malaka6.jpg O método geral de produção do corante consistia em esmagar os moluscos inteiros, ou abri-los e retirar a glândula, em seguida salgar essa massa durante três dias e finalmente ferver o conjunto em água durante dez dias. O resultado, era uma solução clara, concentrada do corante. Restos da carne do molusco eram separados por decantação. O tecido era mergulhado na solução do corante e em seguida posto ao sol para que a cor aparecesse. O que eu fui aprender em Málaga, antiga Malaka!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:07
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