Quinta-feira, 8 de Junho de 2017
MOKANDA DO SOBA .CXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo …

Mokanda : É uma carta

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram, em terra de M´Puto, dinovo volto a remover os ossos do passado e, mesmo espreitando pelo postigo da memória antropológica só graças à debilidade desta, irei fazer do tudo um coisa nenhuma para não alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos muito cheios de malévolas insinuações; esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão viajo num tempo esquecido! O tempo das arcas perdidas com mabecos a cheiretar com chacais na gasosa das sobras.

zep1.jpg A nossa vida, de cada vez mais na mesma passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, com os sem etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, cheiros encarquilhados. Dos novos iões de densidade molecular misturados nos anos, na leitura de carbono e eteceteras complicadíssimos, coisas progressistas… Ué, num repentemente virei bicho beiçudo de fazer pouco com muxoxos descabidos e coisas que só sei, porque não quis esquecer.

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E, nos finalmente vêm as agruras duma lengalenga com motor Magiros; também uma Scania, a camioneta que pernoitou no mato. Segura a Esperança, nome de mulher feito sentimento, vamos esperar, não aconteceu nada, devem estar aí a chegar. Fazenda tentativa do Ucué com bananas e macacos chiando na mancha muito verde com turras farejando vidas. E, lá nos fundos, por detrás do morro da cal, o motor dum velho Dodge a fazer luz num gerador!

zedu4.jpg Roncando zumbidos de roça, cheiros fortes de óleos com elefantes invasores a matar carraços na areia da mulola. Cheiros de África profunda e prófundo…. Se a vida é uma sentença com um princípio e um fim, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos, ou daquilo que poderíamos ter feito; não podemos assumir a culpa dos pais, nem dos pais de outros pais.

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Na percepção parcial das vitais contingências, tecidas e compostas nas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, por fortuitos efeitos que determinam o futuro próximo e distante. Uma vez é assim outra é uma coia feita bosta! Cada um de nós foi o que foi por uma coisa pequena, que sem se lembrar do primeiro choro, outros choros se lhe seguiram.

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Como um risco feito no chão, nem sempre se escolheu dedo ou arado nem por onde fazer o rego que por coisa pouca mudou nossas vidas. Vão ter de me ouvir! Vão ter de me aguentar! Num repente faço um gesto feio! Meu pai já morreu, foi-se assim como Cristo, cheio de mágoas a fugir dos nacionalistas, dos libertários.

camionista1.jpg No M´Puto vendeu sua lambreta trazida da Luua a um cigano; o filho da mãe, matreiro que nem cachorro mau, só lhe pagou o guarda-lamas, pode? Voltou dias depois reclamando que aquilo andava de lado e de atravessado, queria o livrete e, meu pai fez-lhe um manguito, assim de braço cruzado com repetidos gestos muito ofensivos para o tipo, o gajo, meio moreno ou escuro da tasmânia, sei lá! Mas, meu pai teve de fugir com seus mais de setenta anos em cima. O sacana, tinha uma arma, fez pontaria à janela e pum! Estalou o vidro da janela; melhor, estilhaçou-o.

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E, porque é vulgar dizer-se que os gestos não totalmente sinceros vão sempre atrasados, agradeci logo tais luxuriosas horas de lazer e no consolo d agora em minha kubata. Relembrando minhas ousadias vividas da Beira, só e taciturno, vi o castanheiro já grande com suas cascas caídas, assim descuidadas e no chão, para os coelhos. Nada igual como o foi em Viseu de Viriato com a turma de Gumirães com a simpática companhia da professora Marisa Batista, uma luso brasileira que mede pulsações aeróbicas no sobe e desce da Igreja dos terceiros e a escalada para a Sé.

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Pois sim! Aqui ou ali, a vida pulsa, e temos de nos acomodar às migrações de gente e ideias com novos ideais. Olhando a natureza que nos transcende na dinâmica, e nos transforma na rusticidade ancestral, seus sotaques, falas e cantorias joaninas. Virou! Torna a virar! Entre lajedos com fetos nas frinchas, pinhais e silvado, procurei a terra de muita labuta chamada de Cornelho; pude assim compreender o abandono de espaços antes movimentados, que agora no silêncio se deslocaram para as novas catedrais de consumo.

socras3.jpg Diz-se de que, quem quer falar de assuntos sigilosos vai para o deserto mas, eu não arrisco limpar o lacre dos actos e pensamentos porque de certo modo já tenho o coração endurecido na prática do pecado. Por isso e mais uma vez vou até às terras de Erongo, suas montanhas secas com a areia subindo em suas encostas, atravessar as terras de Karibib, Usakos até Swakopmund e Walvis Bay pela nacional B2 da Namíbia, um calor abafador em sua máxima potência…

Hoje foi assim!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:01
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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