Sexta-feira, 24 de Junho de 2016
MOKANDA DO SOBA . XCIII

 

TEMPOS PARA ESQUECER - 16.06.2016 -  ANGOLA DA LUUA . III O Mundo sempre andou mentiroso - Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando a capacidade de criar ilusões, diminuem-me a veracidade (dizem).

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

guerra13.jpgPara explicar preto no branco ou vice-versa, o processo de descolonização em Angola, terei de fazer um preâmbulo sobre o espaço-tempo sem entrar em minucias andando ou um pouco à frente ou um pouco atrás porque neste periclitante processo nada andou seguindo as teorias conhecidas, sem um relógio de cuco porque, o cuco foi estrangulado no tempo exacto em que a recta começou a ser curva e, quando se vislumbrou o alcance dos objectivos, já era tarde. Não leia de atravessado porque o todo só é entendível se percorrer as linhas cruciais do raciocínio presente.

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Era tarde para quem estava no meio da fogueira chamada de descolonização, e até para os que tinham bons auspícios sobre o ainda não acontecido. Uns e outros, por inocência, por malvadez, por incúria, por pedantismo ou vaidade foram apanhados por aquelas muitas rodas, o roce de correntes que nos tornaram ásperos e por razões diferentes porque uns sofreram na pele e outros foi só na petulância.

guerra12.jpg Meto todos no mesmo saco, governantes e povo da arraia-miúda porque a cabeça existe para pensar, não para criar piolhos! O bom senso não é só privilégio de doutores, de letrados, de gente que vai à missa todos os santos dias, mas de todos que têm um templo, uma testa, uma cabeça para esmiuçar e separar o trigo do joio. Como tantos outros eu fui apanhado como inocente, cultivando-me na cultura do cinema, nas idas á praia, no bombom que a vida nos legava em uma terra que não sabíamos ser de outro-alguém que não nós.

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Despolitizados, muito cheios de coisa nenhuma nos meandros das pequenas coisas, eramos mesmo uns calhaus na Luua. Passeávamos despreocupados nossa ignorância pela mutamba, pelos bairros, pelas farras, pelos cafés jogando às moedas. A escola não nos dava os conhecimentos da mente e ali andávamos, simplesmente.

guerri1.jpg A nossa capital era a Luua, o nosso rossio era a Mutamba e o M´Puto estava lá longe; mandavam-nos os magalas, o azeite, os carros, as modas e uns quantos gozavam de quatro em quatro anos férias graciosas. De volta levavam chouriços, salpicão, enguias em potes especiais e sardinhas gostosas! Negros e brancos seguiam seus sonhos, suas ambições; uns pensavam em mudar tudo e de catanas nos pensamentos julgavam o que lhes parecia o mais certo para a terra deles que também era a nossa! Pensávamos!

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Entretanto iam casando, fazendo casas, comprando terrenos e neles e em tudo punham sonhos de um amanha que não sabiam o que seria porque era futuro! Lá no M´Puto aconteceu o Vinticinco e os mandões de aviário de cima abaixo pensavam que podiam dominar o diabo das trevas e sua carroça, mas foram pisoteados por estas, as rodas cardadas. Foi um fenómeno que o tempo dirá; que descobrirá que tinha muitas rodas com picos, facas, arestas invisíveis. Era a descolonização, a independência em marcha. Destes oficiais de aviário, nenhum deles estava à altura de estar aonde se colocaram.

guerri3.jpg Foi um chorrilho de arbitrariedades e coisas tão nojentas, que relembrar isto dos vómitos, porque os germes, as bactérias ainda aí andam moendo aqui e ali, na máquina do M´Puto, com efeitos ultra especiais de falácia democrática. Por isso, terei de dizer aqui que o tempo é imaginário e indistinguível das direcções no espaço. Para calcular as probabilidades de encontrar um espaço-tempo real com determinada propriedade como a de parecer o mesmo de qualquer ponto e em qualquer direcção, teremos de somar as ondas associadas a todas as histórias com agá que têm essa propriedade.

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Na mecânica quântica do dia-a-dia damos forma às coisas, podemos encarar nosso uso do tempo imaginário e do espaço-tempo euclidiano como um mero artifício ou truque matemático para calcular respostas sobre o espaço-tempo real. Entenda-se como espaço euclidiano os que podem ser estendidos a qualquer dimensão, não-dimensional. Para evitar as dificuldades técnicas com a soma das estórias sem agá devemos usar o tempo imaginário.

gurra10.jpg Isto tem um efeito interessante no espaço-tempo porque a distinção entre eles desaparece usando a geometria numa superfície bidimensional entendível neste universo observável. Como parte de um rosário feito de búzios e ao jeito de missangas, termino neste imaginário tempo, dia da graça ou desgraça em sua reactividade humana esta estória referindo-me à frase do espírita pensador Chico Xavier: -Você não pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas você pode começar agora e fazer um novo fim. Vamos então seguir o seu conselho…

(Continua…)   

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:10
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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